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primeira edição

corredores × caminhos

GRAFO

�| DIN

DESIGN UnB EM REVISTA

dezembro

2011


apresentação a revista surge como exercício que observa o designer enquanto curador e produtor da mensagem transmitida. grafar :: vt.dar forma escrita grafo, uma revista elaborada coletivamente. Composta por impressões e interpretações de estudantes do curso de Desenho Industrial da Universidade de Brasília durante a disciplina Análise Gráfica 2 – 2/2011 primeira pessoa do singular | ação, registro

colaboradores

ALLAN MENDES, ANA CECÍLIA SCHETTINO, ANNA CAROLINA MORAES, ANNA CAROLINE MARQUES, BEATRIZ SAFFI, DANIEL DAVINI, DANIELA NAVARRO, DÉBORA CAVALCANTE, JULIANA LOVATO, LUCA RIBEIRO, LUCAS SANTOS, MATEUS DIAS GOMES, MARIANA FLACH, PEDRO CATALDI, PEDRO VITOR TORRES, RAFAEL MARAGNI, RHENAN BEZERRA, SANDRA LIMA, THALES FERNANDO, UENDEL QUINTELA, VITOR CARVALHO, VICTORIA HAIDAMUS, VINÍCIUS DE AZEVEDO professor FELIPE CAVALCANTE monitora NAHIRA SALGADO


sumário

design

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academia

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além do curso

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26 28

colofón

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Design é uma coisa só Design pra que? Tipografia e identidade visual Ponto de Vista Em busca do prédio perdido D.I. – Descaso Institucional Empresas Juniores Outras faculdades e cursos O que tá rolando? Uma visita a los hermanos Terminei... e agora? Portfolio – ilustrativa


design

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Identidade Visual

Projeto de assinaturas visuais que representem uma empresa, instituição ou evento. Essas assinaturas são acompanhadas por todos os outros elementos gráficos de interação da empresa com o público, tanto em meio impresso quanto digital. A identidade visual faz com que o conceito da marca seja vizualizado graficamente.

Sinalização

Desenvolve a maneira de apresentação de informações espaciais e de localização podem ser apresentadas. Relaciona-se com urbanismo e arquitetura e se torna parte integrante do ambiente onde está inserida.

Socioambiental

Promove reflexões e sugere melhorias para questões sociais e ambientais no projeto de serviços e produtos. Relaciona-se com qualquer area desde que, durante o processo de desenvolvimento, estes fatores sejam levados em conta.

DESIGN É UMA COISA SÓ Design é vizualização de problemas e desenvolvimento de soluções! Isso se aplica a todas as áreas de atuação e ao enxergá-las como ramificações o design pode ser encarado como uma parte principal, que preserva a identidade entre o tronco e os galhos, além de estabelecer relações entre eles.

É inerente ao projeto de design pensar no método, priorizar o usuário, pesquisar e desenvolver o que for necessário para que o resultado seja o melhor possível. O pensamento em projeto é um só, independentemente da área.


Editorial

Desenvolvimento de projetos gráficos para livros, revistas, jornais e outros diversos suportes. Envolve estudo tipográfico, organização do texto, posicionamento de imagens, abertura e fechamento de capítulos e o que mais for necessário para estimular a leitura da produto desenvolvido.

Mobiliário

Projetos de móveis para diversos ambientes. Desde moradias até praças ou hospitais. Requer amplo entendimento do uso de materiais, métodos de produção e da relação do corpo humano com esses objetos.

Embalagem Serviços e Sistemas

É aplicável em diversas áreas. Esses projetos são pensados como um sistema: a disposição das partes ou de elementos de um todo que coordenados entre si funcionam como uma estrutura organizada.

Ao se projetar uma embalagem o bi e tridimensional estão entrelaçados. Há o desenvolvimento do objeto, que também envolve transporte, armazenamento e sua apresentação, seu círculo de duração na natureza e suas formas de reciclagem ou reutilização.

Sabemos que existem várias outras áreas de atuação e que tal citar e discuti-las no blog da GRAFO? http://grafo.unb.br/blog Ana Cecília Schettino & Thales Fernando


design

6


design

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Você já parou pra pensar que qualquer produto que você compra tem que ser projetado por alguém? Do cartaz colado no corredor da Universidade aos foguetes da Nasa, existe sempre um desenho prévio, um projeto. Você já pensou quem é esse alguém que faz os projetos? Bom, pode ser um engenheiro, um publicitário, um arquiteto,... ou, quem sabe, um DESIGNER?! Mas design para quê se já temos todas estas outras especialidades que podem fazer os projetos dos quais temos necessidade?! O Design desde sua origem sempre esteve muito relacionado com todos esses profissionais citados anteriormente e nas mais diversas áreas do conhecimento, como a arquitetura, as artes plásticas, o jornalismo, a publicidade, a fotografia e mais recentemente a computação e outras áreas da tecnologia. Isso ocorre essencialmente por dois motivos: o primeiro porque

alguns dos objetos de estudo do Design, como a estética, a forma e a função, também são estudadas em outros cursos, como a psicologia, arquitetura e as artes plásticas. O segundo motivo se refere a necessidade de áreas diferentes de se juntarem para conseguirem realizar projetos em conjunto que de outra forma, ou teriam uma qualidade inferior, ou não seriam possíveis. Como no caso da publicidade, do jornalismo, da computação e da Engenharia. A função do Design, além da estética, é tornar um produto funcional. É transformar Informação em Comunicação! Não apenas comunicação através da visão, mas para todos os sentidos. Para isso o designer aplica os estudos feitos por outras áreas, como a ergonomia da psicologia, a acústica da música e da engenharia ou as novas fragrâncias e materiais sintéticos desenvolvidos pelos químico. Outros exemplos de projetos conjuntos entre designer e profissionais de outras áreas do conhecimento:

Engenharia Graham Bell nasceu em uma família apaixonada por comunicação. Seu pai já havia feito algumas invenções nesta área antes mesmo de seu filho inventar o telefone. Para a invenção de Graham Bell, o design veio para aprimorar. No início, os aparelhos de telefone eram construídos a partir das necessidades de seu funcionamento. Com o tempo, seu design foi sendo aprimorado para melhorar sua aparência e torná-lo mais confortável a seus usuários.

Funcionamento do aparelho inventado por Graham Bell.


Artes Plásticas Andy Warhol, empresário, pintor e cineasta norteamericano, bem como uma figura maior do movimento de pop art. A Pop art propunha que se admitisse a crise da arte que assolava o século XX desta maneira pretendia demonstrar com suas obras a massificação da cultura popular capitalista. Procurava a estética das massas, tentando achar a definição do que seria a cultura pop. Inserido neste contexto, Warhol utilizou o design das latas de sopa Campbell’s e das garrafas de Coca Cola para desenvolver suas obras de arte, para se expressar.

“Design que vira arte e arte que vira design!” www.decoracao-ideias.blogspot.com

Porém, essa é uma estrada de ida e volta, Andy Warhol se inspirou no design de produtos comerciais, e em troca designers do mundo todo inspiram-se em suas obras para decorar o interior de casas e apartamentos ou para usar como estampa para seus produtos. Biomecânica A biomecânica ocupacional é a disciplina que se ocupa do estudo da interação do Homem com sua ferramentas de trabalho com a finalidade de aumentar o desempenho em suas tarefas e, ao mesmo tempo, reduzir seus esforços, reduzindo os riscos de distúrbios musculares e esqueléticos. Isso porque o indivíduo sujeito a uma carga de trabalho físico, ou stress elevado pode desenvolver lesões graves e incapacitantes, decorrentes da combinação de trauma por impacto e esforço excessivo.

32 Latas de sopa Campbell´s- 1962 Andy Warhol

Para tentar solucionar esse problema, os designers em colaboração com os ergonomistas, traçam estratégias de prevenção, que incluem a concepção de espaços de trabalho e de equipamentos adequados a capacidade de trabalho humana e permitam o desempenho seguro das suas tarefas. Além das profissões já citadas acima, nos projetos biomecânicos, geralmente estão envolvidos outros profissionais como médicos, engenheiros, biólogos, entre outros. Toda essa equipe é necessária para desenvolver os melhores produtos possíveis.

Resumindo, o Design e uma área qe nasce da necessidade de conectar diversas áreas, anteriormente isoladas. O design serve para misturar conhecimentos. Ele procura conhecer as pessoas e suas necessidades e deixar suas experiências com o mundo e os objetos ao seu redor mais agradáveis. Em outra perspectiva, em seu livro, Educando o professional reflexivo, Schön afirma que “Design, em uma concepção mais ampla, é o processo fundamental de exercício do talento artístico em todas as profissões”. Juliana Lovato & Sandra Lima


design

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TIPOGRAFIA e identidade visual

A tipografia é um elemento na identidade visual que auxilia a dar mais potência para uma empresa, grupo, corporação ou instituição, bem como ajudam a refletir ideias e estilos que forem de interesse. Fontes desformes e com características que remetem a um manuscrito feito com caneta esferográfica, por exemplo, dão um aspecto de informalidade, casualidade; assim como fontes finas, delicadas e com curvas generosas geralmente remetem a marcas de perfume, não é? Quando a identidade visual de um grupo (geralmente de uma empresa) possui uma família tipográfica própria ela ganha uma q a mais, agregando uma força sobressaltante perante demais concorrentes ou similares.

UnB Pro UnB Office

Produzir uma fonte leva muito tempo e dedicação, podendo levar meses e vários testes: estudos de espaçamento entre letras especificas, variações na impressão, redimensionamento, entre outras variáveis. Quando se tem um grande número de publicações e aplicações gráficas necessarias, de placas de aviso a documentos oficiais, se tem uma necessidade de gerar uma família tipográfica, o que auxilia a reforçar a identidade do orgão. Dado o tamanho que a Universidade de Brasília tem e a sua preocupação com a sua identidade visual conhecida internacionalmente, foram feitas fontes próprias dela de livre uso, para quem quiser baixar e usar.

Oficialmente, a história da marca da UnB tem início em 1963, com a criação de seu símbolo por Aloísio Magalhães, pioneiro do design no Brasil e responsável pela implementação de dezenas de programas de identidade visual em instituições públicas e privadas, nas décadas de 60 e 70. A necessidade de uma família tipográfica veio e, de carona com ela, aparecem necessidades e requisitos. A fonte precisasse ser relativamente neutra e inteligível de modo geral, pois deveria abranger um grande público (alunos, professores, servidores); além de, principalmente, precisar ser uma fonte livre: não precisar pagar para obtê-la (como são muitas fontes). Tudo isso para deixá-la mais acessível e abraçar o máximo de pessoas possível, assim como o conceito da UnB.


Um potente recurso de algumas fontes são seus

diferentes pesos que podem ser usados para

diferentes ocasiões. A UnB Pro possui

esse recurso.

Os diferentes pesos de uma fonte são suporte para a variedade de estilos que um tipógrafo despõe para poder criar uma hierarquia de informação dentro de um cartaz, uma revista ou uma interface de um jogo. Apesar de muito diferentes, todas as fontes asim são a própria UnB em todas as suas variações de peso, do mais “magro” até o mais pesado: Light, Regular, Bold e Black, tendo Regular e Bold contando com suas versões itálicas. Isso apenas reforça o quão rica e vasta é essa fonte para a universidade e o quanto isso contribui para um reforço de identidade visual de todos material gráfico nela produzido, sejam trabalhos acadêmicos ou materiais de divulgação de eventos internos da UnB.

Você pode não ter percebido explicitamente, mas muitos elementos dessa revista foram feitos pensando em dar uma constância para sua identidade geral, pareando essa unidade com a identidade visual da UnB. O formato da revista foi feito baseado em medidas geométricas e proporções em cima do grid da marca da UnB; a fonte utilizada para os textos corridos e algumas outras informações textuais foi a UnB Pro. A nossa intenção é, no geral, mostrar para você, leitor, o design como um todo, por isso montamos essa matéria que fala um pouquinho de teoria; mas também queremos expressar a importância disso e como isso se reflete no nosso próprio contexto, a nossa Universidade. Allan Mendes & Rafael Maragni


academia

12 1o Ano

Não salvou o trabalho!

2o Ano

3o Ano

Volte dois espaços e refaça

4o Ano

“Um curso mal estruturado, porém promissor em relação aos projetos.” Rafael Maragni - 19 anos

Adiantou 3 Matérias.

“Apesar de ter bons professores não tem a estrutura física adequada.” Gilmar Rodrigues - 18 anos

PP ou PV? Tire uma rodada para decidir

Ponto de Vista

Avance 3 espaços

4 anos, 1460 dias, 35.040 h, 2.102.400 min é o tempo aproximado de duração do curso de Desenho Industrial na UnB. Nesse periodo são estudadas 27 matérias obrigatorias e 196 creditos no total para preparar o aluno para o que vem pela frente; o Mercado de Trabalho. Para a primeira edição da Grafo trouxemos a opnião de alunos e ex-alunos a respeito do curso e a vida pós-UnB. Suas expectativas em relação ao curso, Mercado de Trabalho, desejos e esperanças. Os alunos entrevistados foram: Gilmar Rodrigues, 2o semestre; Rafael Maragni, 5O semestre; Henrique Eira, formando e o profissional de mercado Tiago Ferreira. Pessoas diferentes com opniões diferentes em relação ao mesmo curso. Porém, em uma coisa todos concordam: A teoria é fundamental para uma prática bem sucedida. Na opnião de Rafael o curso tem “Pouca teoria e muita prática”. Tiago acrescenta “Desenho Industrial é relativamente fácil e o volume de tarefas não é grande.” porém também acredita que “esse tempo que poderia “sobrar” é muito útil para produzir um material próprio, pesquisar técnicas ou métodos, e participar de concursos, por exemplo”.

Pro Pro Pro


Você pediu a dupla Habilitatação.

Começa a Diplomação. Boa Sorte

Volte 3 espaços

“Acho que aprendi muito, mas acho que o curso ainda tem muito a crescer.” Henrique Eira - 23 anos

rojetar, rojetar, rojetar!

“Foi um curso que abriu muitas portas.” Tiago Ferreira - 24 anos

As expectativas do calouro Gilmar em relação ao curso são “Desenvolver habilidades técnicas, aprender a ter um ritmo de trabalho eficiente (...) para no fim ser um bom profissional”. Quem sabe o formando Henrique o conforte quando diz que em vários pontos o curso lhe surpreendeu, por exemplo pela existência de projetos de extensão e alguns projetos de pesquisa. Gilmar e Rafael têm receio de que o mercado será muito fechado para eles e que não obterão o reconhecimento desejado. Porém, na opnião de Henrique “O mercado tem espaço para todos. Tem muita demanda visto que existem diferentes formas de atuação”. E sua opnião é complementada por Tiago “Não senti uma diferença muito grande entre academia e mercado, porque alguns professores tinham uma boa experiência em escritórios ou agências. Além disso, o tempo de estágio me preparou bem pra realidade fora na UnB”. Dentre as diversas formas de atuação, se destacaram como areas de interesse dos nossos entrevistados o Design Editorial e o Web Design. Rafael comenta que além dessas duas áreas gostaria de adentrar no Design de Jogos. Na outra ponta, Tiago diz que

trabalhou no desenvolvimento de jogos porém hoje em dia se interessa mais e trabalha com Design Editorial e Tipografia. Já Henrique apesar de gostar muito de Design Editorial e Ilustração, tem seu trabalho focado em Identidade Visual. Por fim Gilmar espera trabalhar com Design Gráfico em geral e o Web Design. No final das contas existem varios cursos de design na UnB, cada um deles guardado dentro de um aluno que ja passou por la. A vida pós-UnB de cada um dependerá da sua relação com esse curso.

Mateus Dias & Victoria Nome 1Haidamus & Nome2


14

A breve história de um curso

Em busca do prédio perdido

A

Universidade de Brasília é um dos lugares mais intrigantes da cidade. Com cerca de 27.000 alunos, distribuídos em diversos cursos e departamentos, a universidade é diversificada e abundante. Seu campus de quase 4 milhões de metros quadrados (3.950.579m) estende-se como um vasto oceano, onde os mais diversos alunos e professores procuram adaptar-se ao espaço físico e crescer em um ambiente acadêmico fantástico. Navegando nesse mar de possibilidades, encontramos, entre os diversos curso oferecidos pela UnB, um espécime bastante peculiar: o maravilhoso curso de Desenho Industrial. ​ curso de Desenho Industrial, náufrago O por nascença, foi primeiramente contemplado, em 1962, em um horizonte distante apontado pelo plano diretor da criação da universidade. Começava então sua eterna jornada por águas desconhecidas. Em um dado momento, foi dado um grito de terra à vista! Pena ter-se tratado de falso alarme...

​ ove anos se passaram e a calmaria cessou. Em 1997, N o grande motim teve seu início. Liderado por bravos bucaneiros (designers, ui), o movimento de criação de um departamento próprio surte efeito, libertando os pobres marujos de seus grilhões burocráticos, logísticos, políticos e financeiros. Era o que parecia. O curso estava pronto a fazer ao mar de vento em popa. O primeiro projeto de um espaço próprio é proposto e seu documento é aprovado. O curso finalmente zarparia por conta própria em mares nunca antes navegados. Viva a liberdade! Podia-se perceber que o barco já fazia água...

academia

nascia o eterno náufrago, para sempre em terras estrangeiras

​ lguns anos mais tarde, em 1988, o curso de Desenho InA dustrial é efetivamente criado. Nascia o eterno náufrago, para sempre em terras estrangeiras. Embarcado no Instituto das Artes, o curso permaneceu em seu convés por um bom tempo, como parte da tripulação. Escovando a quilha e descascando batatas, passaram-se 11 anos de maresia e escorbuto e nada de criar-se um departamento autônomo. O curso continuava a pertencer ao Departamento de Artes, estando submetido à sua administração.

Virando-se como podiam, os marujos (vulgos designers) navegavam a esmo. Ocupando espaços espalhados pelos quatro ventos, alunos e professores navegavam de sala em sala, de prédio em prédio. Improvisando soluções e disputando espaço, remavam contra a correnteza sempre aproveitando o bom vento que soprasse.

​ m 2002, uma esperança desponta no horizonte: o plano E quinquenal prevê a construção do Prédio do Desenho Industrial. A euforia toma conta do convés! Marujos e capitães comemoram a promessa de novos ventos. Enfim, a calmaria! Mal sabiam a tormenta que estaria por vir. ​ brilho da doce promessa de El Dourado (designação O mitológica do prédio de Desenho Industrial) mal despontava no horizonte; fora ofuscado por terrível penumbra.


Do corredor da morte ao corredor da sorte. Revés?

Nuvens de tempestade se formavam avisando da tormenta que viria. Deparados com a promessa de tempos difíceis, os capitães manobram como podem seus timões. Lemes e velas rangem para não se perder de vista a terra prometida. A fim de contornar a tempestade, em 2004, um novo caminho é tomado: determina-se o Segundo Projeto de Espaço Físico. ​raçada a nova rota, nossos bravos viajantes seguem T seu destino. Após dois anos remando na calmaria, a maré dava sinais de mudança: um parecer assinado pelo almirante Alberto Faria, do CEPLAN, define o terreno destinado à construção do prédio de Desenho Industrial. Com as correções cartográficas adequadas e provisões suficientes, a tripulação navega com novos ânimos: o destino desponta novamente no horizonte. ​ égua após légua, o curso se aproxima de seu destino. Um L ano depois, a notícia mais esperada chega à plataforma do leme: o Memo 001MRT de 2007, aceita a recomendação do CONSUNI e autoriza o desembarque do navio (edificação do DIN) em terras próprias. A previsão é de aportar entre os anos 2007 e 2008. Em dois anos estariam pisando em terra firme, enfim o solo prometido. A tripulação comemora, rum e música tomam conta do convés. ​ ma canhonada de salvação é disparada em comemoU ração à promessa de terra firme. Após 21 anos navegando à deriva, o curso finalmente teria seus esforços recompensados. Em 2009, o CAD/CONSUNI determina como prioritária a construção do prédio do DI. Ouve-se o estampido das rolhas de champanhe. Uma expedição ousada, composta pelos mais novos piratas (calouros) descobre terra firme em arquipélagos vizinhos. O primeiro CA do curso é criado, na marra, em uma sala do ICC Sul. Apesar de realocado no futuro, o espaço do CA rende uma sala para o departamento: alguns anos mais tarde seria completamente pulverizada pelos canhões da Reitoria.

​ alta pouco meus companheiros! Entoavam os designF ers, com suas roupas coloridas e sapatos bucaneiros (maneiros). A euforia tomava conta, os esforços tinham, enfim, surtido efeito. Já se podiam avistar as belas praias e coqueiros de sua terra prometida. Faltava desembarcar e beijar o solo sob os pés. Apenas. Que pena. ​ ntes que as primeiras baleieiras (pequenos botes, óbvio) A fossem lançadas à enseada de El Desenhorado (vulgo prédio do DI), ouviu-se um rugido no ar. Os tripulantes congelaram estupefatos: com seus pertences nas mãos (tesouros, mapas, Macs, espadas e bonecas), eles são forçados a se render e dar meia-volta. ​ avios inimigos trovejavam, às cegas, com seus canhões N de inveja e ignorância. Insurgentes espiões disseminavam a discórdia entre os companheiros designers, prometendo uma terra melhor e porém muito mais distante. Os anos de sangue, suor e lágrimas são desmanchados como um castelo de areia. O ímpeto havia cessado. ​ esmo com projeto pronto e orçamento destinado, a M construção do prédio é impedida por imposição de mudança de terreno. O espaço entre o IdA e o prédio de Artes Cênicas é determinado como impróprio. As novas condecorações para as patentes de Mestrado, já aprovadas pela Câmara de Pesquisa e Pós Graduação, são gravemente comprometidas. A expansão da graduação é barrada por falta de espaço. ​ egos de surpresa, os alunos e professores de Desenho P Industrial se vêem rendidos, forçados a embarcarem mais uma vez em uma viagem sem destino determinado, fadados à deriva e ao gosto do vento e ao alento. O imenso mar da UnB se mostra uma vez mais selvagem e misterioso. Apesar de tudo, há de se velejar de cabeça erguida com o vento no rosto, pois depois da tempestade sempre vem a bonança. Será?


academia

16

O Departamento de Desenho Industrial, assim como diversos outros cursos De forma negligente, os trabalhos da Universidade de Brasília, tem vários problemas estruturais. Entretanto, elaborados com afinco pelos alunenhum desses é tão visível e grave quanto à falta de espaço físico destinado nos e entregues à consideração dos ao curso. A maioria dos cursos dispõe de espaço próprio. Possuem secretaria professores são entulhados em uma dividida em setores para secretariado e coordenação, sala de chefia, sala caixa de papelão, depositada em um de professores, almoxarifado, entre outros ambientes necessários ao bom canto qualquer da sala. Agravante funcionamento do departamento. No Desenho Industrial é bem diferente. ainda maior ocorre a cada semestre. A secretaria de Desenho Industrial, sede principal do departamento, engloba Brilhantes trabalhos são descartatodos os serviços e espaços refer- dos sem a possibilidade de serem entes à sua função e funcionamento contemplados pelos estudantes do em uma sala com dimensões míni- curso e/ou por outros interessados. mas: apenas 12m. Ao contrário disso, Além dessa barbárie, não existe esComo não existe um espaço deter- o planejamento da UnB determina paço para a divulgação e apreciação minado para o curso, suficiente à a destinação de um espaço mínimo crítica dos trabalhos produzidos. A sua demanda, todo semestre esses de 130m para o bom funcionamento maioria, infelizmente e inadequadaobstinados alunos são alocados de da secretaria de qualquer curso. Os mente, vira lixo. Podiam ao menos ser forma impertinente nos mais diver- problemas são claramente percebi- reciclados. sos locais. dos. O curso possui um elenco com cerDesde o primeiro semestre de 2011, Com dez vezes menos espaço que ca de 227 alunos e disponibiliza um a maioria das aulas do curso é min- o recomendável, professores, alu- total de 35 matérias por semestre. istrada no prédio conhecido como nos e funcionários adaptam-se mi- Estudantes que se submeteram a Multiuso. Lar da empresa júnior lagrosamente à falta de estrutura, um processo altamente seletivo Lamparina, o espaço destinado ao esforçando-se para dar continui- para ocuparem vagas de um curso Desenho Industrial contabiliza 6 sa- dade ao curso, como malabaristas oferecido por uma universidade las, dispostas ao longo de um mesmo do impossível. Não existem salas federal, sediada na Capital do País. corredor. As salas de aulas teóricas disponibilizadas para o uso dos dividem espaço com as salas de EDD professores. Diante desse problema, as necessárias e fundamentais ori(Estudos Dirigidos em Design). Os entações de TCC são feitas em um ambiente impróprio, desconfortável laboratórios são utilizados como sa- e bastante informal, quase ridículo: em um café próximo ao prédio das las de reuniões. O espaço, absurda- artes. Além dessa absurda falta de privacidade, os alunos estão sujeitos mente insuficiente, é aproveitado ao aos ruídos da rua e às intempéries da natureza. máximo, mas não consegue suprir a Com pouco espaço até para a realização de tarefas, existe um suposto demanda. almoxarifado que não passa de mera tentativa de organização de todo o material colocado à disposição de alunos e professores. O mesmo armário de dimensões insuficientes serve de armazém para material de trabalho e de escaninho para guardar importantes documentos.

DESEN

HO

IND

L A I R UST ?


Para o funcionamento adequado do curso de Desenho Industrial, seriam necessárias as seguintes estruturas: 5 salas teóricas; Laboratório de Interface & TipoLab; Laboratório de Desenvolvimento; Laboratório de Móveis; Laboratório de Prototipagem e Maquete; Laboratório de Moda; Laboratório de Joias, e Laboratório de Informática.

Faculdade.zip Extrair alunos aqui...?

227 alunos 6,3m

Oficina

Além do problema espacial, existem diversos empecilhos que dificultam a realização das aulas e práticas. Os ruídos produzidos pelo SINTFUB (carro de som, assembleias, votações) prejudicam o bom andamento da aula. O espaço para prototipagem e produção de maquete é ínfimo. Não há lugar adequado para o descarte de material, nem para a circulação de ar, o que torna a manipulação de materiais agressivos um grande problema. Quando as aulas não são no Multiuso, os alunos são dispersos em várias salas espalhadas pelo campus. Com aulas ministradas na ala sul e norte, os alunos perdem muito tempo transitando de uma sala para outra, além de não possuírem um espaço próprio para o armazenamento de seus materiais. Muitas vezes, alunos e professores têm de caminhar longas distâncias carregando seus projetos e materiais para as aulas seguintes. Essa dispersão, além de provocar os sintomas óbvios, causa uma sensação de despreparo e falta de respeito com o curso, o que desmotiva fortemente alunos e professores.

16 professores 4,5m

LabMov

Salas do Prédio Multiuso (multiuso de fato)

5,5m

Área Total 256m²

DinfoT

3,6m

3,6m

TipoLab

EDDs

1,05m² por pessoa 3,6m

4,5m

LabDes

Lamparina

Corredor 1,2m largura Um espaço total mínimo de 390m(60% a mais que atual) seria o necessário para criarem-se condições básicas ao desenvolvimento das atividades acadêmicas propostas. A falta de espaço não só impede a execução adequada de projetos e a realização eficaz das aulas mas também dificulta uma maior interação entre dos alunos. Cada um por si, quem por todos? Não existe, literalmente, espaço para discussão. A esmagadora maioria dos trabalhos é realizada em casa, o que impede a possibilidade de enriquecimento do aprendizado por meio da troca de ideias durante o processo de produção. Os alunos são segmentados em grupos divididos de acordo com o trabalho a ser realizado e raramente conseguem conhecer o processo criativo e os métodos de produção técnica e artística dos demais alunos. Em um curso de criação, espera-se uma produção coletiva e um olhar mais

crítico em relação aos trabalhos. Sem espaço para produção, muito menos exposição, o curso se enfraquece. O diálogo entre os próprios alunos e entre alunos e professores se limita ao horário da aula. Essa anemia acadêmica é a grande chaga do curso. Alunos e professores desunidos formam um curso desmunido.

Luca Ribeiro, Pedro Vitor Souza & Vitor Carvalho


academia

Empresas Juniores 18

Escolher a carreira de design possibilita ao estudante desenvolver uma série e projetos, mas para que seus projetos tenham sucesso, é necessário passar por uma série de etapas.

Sempre em busca de novas experiências, durante o curso de desenho industrial, o estudante passa por vários momentos que possibilitam vivenciar na pele o que é ser designer. Uma das formas em que se ele pode experimentar esta sensação é participando do desenvolvimento de projetos reais. Mas como o estudante pode fazer um projeto real, sem ter um Cliente Real? Em grande parte das faculdades, existem núcleos criados por alunos denominados empresas juniores, que são associações sem fins lucrativos cujo maior objetivo é expandir o crescimento profissional do aluno e promover um maior conhecimento do curso, além da capacitação para o mercado de trabalho.

No país existe a Confederação Brasileira de Empresas Juniores - Brasil Júnior - cujo objetivo é formar e capacitar estudantes, para que no futuro se tornem profissionais promissores. Ela é formada atualmente por 14 federações, representando 13 estados e o Distrito Federal. A UnB possui várias empresas juniores. Pensando nesta possibilidade, no ano de 2004, em parceria com o programa Pró-Júnior do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT), alguns estudantes do curso de desenho industrial deram início a Lamparina Design.

Lamparina Design A Lamparina oferece serviços para as áreas de programação visual e projeto de produto, seguindo os rigores metodológicos que são exigidos pelo mercado, buscando qualidade em seus serviços, como programa de identidade visual, papelaria, sinalização, ilustração, sites, consultoria, entre outros. Conheça mais sobre os trabalhos no site http://www. lamparinadesign.com.br

Em sete anos de existência, já são inúmeras histórias que podem ser contadas. Explicaremos um pouco do que o aluno de desenho industrial tem a aprender com essa experiência. Se você é estudante, sabe como é difícil aplicar na prática todo aquele conhecimento teórico aprendido em sala de aula. Nem sempre suas idéias passam para o papel como estavam dentro de sua cabeça. Na Lamparina, o objetivo principal é proporcionar ao estudante a experimentação desta realidade, como se deve transmitir suas idéias para que se tornem um projeto bem fundamentado. Para tanto, não existe fórmula mágica. O que se deve fazer então? Esgotar as possibilidades até que você consiga transmitir o que realmente quer para aquele projeto. A cada novo semestre ocorre um processo seletivo, onde o aluno pode se inscrever e participar para concorrer a uma vaga de treinamento. Ao ingressar, o estudante passa por um tempo de experiência onde participa de um “projeto piloto” - de acordo com a demanda, são propostos alguns


projetos e distribuídas tarefas. Ao cumprir com estes requisitos, se o estudante passar pela aprovação, a diretoria o nomeia membro efetivado. Esses projetos têm como objetivo capacitar os novos membros nas áreas de design e metodologia, assim como oferecer a oportunidade as empresas juniores, ONG’s, entidades beneficentes de assistência social ou grupos de pesquisa vinculados ao ensino superior do Distrito Federal ter um Sistema de Identidade Visual bem trabalhado. A partir deste momento, o membro irá fazer parte de uma equipe de projetos que será orientada por um coordenador eleito pela diretoria de Projetos, e terá a oportunidade de viver uma situação real de mercado, convivendo com os prazos e as responsabilidades de um projeto, seja ele gráfico ou de um serviço ou produto. A Identidade Visual de uma empresa ou instituição, quando bem pensada e projetada, melhora sua imagem perante seu público. Assim, a Lamparina pretende oferecer um diferencial para empresas e instituições que não têm condições financeiras para investir em serviços de design. No ano de 2011, muitas coisas aconteceram, novos trainees, novos membros, novos coordenadores, novos diretores, parcerias, palestras, eventos, workshops e o principal - muitos novos clientes. A atual gestão conseguiu expandir as atividades da Lamparina, e esperamos que no ano de 2012, com a troca de gestão, possamos ver a continuidade deste processo de evolução. Dentre todos os motivos que fazem com que os estudantes tenham orgulho de participar da Lamparina, estão os três troféus que foram conquistados por toda a equipe em novembro no Concentra DF - 2011.

Concentra DF

O Concentra DF 2011 foi um evento realizado pela Federação do Distrito Federal de empresários juniores, a Concentro, que buscou promover a troca de conhecimentos, capacitação, interação e networking entre as empresas júniores, apoiado pela Brasil Júnior e outros tantos apoiadores e patrocinadores.

Projeto de marca da Associação Cultural Namastê

Projeto de marca para o Congresso Estatuinte

Projeto de mobiliário pra Rádio UnB

O evento proporcionou muitas alegrias a toda a equipe da Lamparina Design, que teve a oportunidade de desenvolver a identidade visual, cartazes, sinalização, brindes, além de participar da organização. Receberam troféus de “Melhor Case de Projeto Interno”, “Melhor Case” e “Melhor Palestra de Empresa Júnior”. Isso tudo só foi possível pois, num certo momento, estes jovens estudantes se comprometeram a fazer algo diferente. Por isso, busque novos conhecimentos, interaja, aprenda, renove seus conceitos, faça novos contatos, abra sua cabeça para novas possibilidades, pense um pouco no tempo que pode estar perdendo perdendo e faça acontecer! Daniel Davini & Mariana Flach


20

Outras Faculdades

e Cursos Diferentes perspectivas do

?

academia

curso de Design

Conheça as principais faculdades e cursos de design no país. Faculdade PUC-Rio UDESC UFG UFPR FAAP UFPB UEMG Belas Artes UFPE UniRitter Curso Photoshop Illustrator Flash Photoshop Premiere After Efects Storyboard Maya Animus Start

Local Rio de Janeirol Florianópolis Goiânia Curitiba São Paulo João Pessoa Belo Horizonte São Paulo Recife Porto Alegre Escola Studio Online Studio Online Studio Online OZI OZI OZI OZI OZI OZI Saga

Duração 4 anos 4 anos 4 anos 4 anos 4 anos 4 anos 4 anos 4 anos 4 anos 4 anos Duração 32 horas 32 horas 32 horas 15 horas 18 horas 40 horas 28 horas 25 horas 7 meses 408 horas

O design vem despontando, apesar de ser um curso relativamente jovem no Brasil, por suas características únicas e sua aplicação universal em vários aspectos do cotidiano. Por ser uma área em constante crescimento e envolvida nos mais diversos campos, tende a criar múltiplas definições com base na possibilidade de diferentes interpretações de conceito, abordagem e aplicação. Frente a esses aspectos, pode-se comparar e avaliar, através da perspectiva de um estudante universitário vindo de transferência, o conflito de seus sonhos e expectativas com a realidade encontrada.


Eu acredito é no potencial do design enquanto curso.

— Uendel Quintela, Aluno do curso de Design, UnB

Uendel Quintela, aluno do quinto semestre de Desenho Industrial na Universidade de Brasília, vindo de tranferência da UFPB (Universidade Federal da Paraíba), onde cursava o quarto semestre, conta um pouco de sua trajetória, relatando desde suas experiências na antiga universidade e expectativas quanto à mudança até sua chegada onde se deparou com problemas semelhantes em ambos os cursos. Na UFPB, fazia parte da primeira turma do curso de design, onde contava com auxílio dos professores em aspectos técnicos e metodológicos voltados para o ensino do design como um todo. Os professores, em sua maioria, inexperientes na época, abordavam uma metodologia de ensino baseada na dinâmica de conversa entre os alunos e professores. O design, nessa universidade, é entendido como um todo, não havendo separação entre as áreas de atuação, ou seja, sem distanciar o projeto de produto do gráfico.

No entanto, a insufiência de possibilidades e contatos devido ao local e o fato do curso ser ainda muito recente fez com que tivesse uma limitação estrutural, principalmente em relação à interdisciplinaridade, impossibilitando o acesso à informações de outros cursos excenciais à compreensão e execução do projeto. Além disso os professores se encontravam em situação delicada, já que não possiuiam o conhecimento específico para suprir as necessidades dos alunos. Com a tranferência, tinha expectativa de ingressar em uma universidade com o curso mais estabelecido devido a sua maior longevidade e baseando-se em dados que a apontavam para a excelência em comparação com os outros cursos vigentes no país. Além de que, ao examinar a ementa, constatou a presença de disciplinas que pudessem sanar suas debilidades do curso anterior, em conjunto à possibilidade de maior interdisciplinaridade, per-

mitindo matricular-se em matérias de outros cursos. Já no quinto semestre cursado após a transferência, explica a existência de falhas comuns às duas universidades, como a falta de estrutura, e reforça sua maior frustração com relação às disciplinas de conteúdo específico abordadas de forma superficial e ineficiente. Em comparação com a UFPB, a UnB peca no que tange o conteúdo abordado nas disciplinas de design que, por terem base em outros departamentos, acabam sendo mal aproveitadas por não adequar sua ementa aos objetivos do curso, além da necessidade de um maior número de matérias voltadas para a capacitação e o desenvolvimento de técnicas e metodologias referentes ao projeto em si. Embora os cursos de ambas universidades sejam distintos, ainda assim é possível destacar os aspectos qualitativos de cada uma, no concernente à metodologia de ensino do design. Vinícius de AzevedoNome & Pedro 1 & Cataldi Nome2


além do curso

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O QUE TÁ ROLANDO? ALGUNS DOS EVENTOS

MAIS INTERESSANTES NO ÂMBITO DO DESIGN QUE

ACONTECEM NO BRASIL E

N DESIGN Encontro Nacional de Estudantes de Design. Organizado anualmente, no Brasil, por comissões nacionais definidas por estado (Corde).

É também onde acontece a segunda reunião do CONE todo ano.

NO MUNDO.

R DESIGN Encontro Regional de Estudantes de Design. Organizado anualmente por Coordenações Regionais.

Acontece em vários estados do Brasil através de uma comissão regional (CORDE).


CUT & PASTE

PIXEL-SHOW

DON’T BELIEVE THE TYPE

É um evento global que acontece nas cidades de

Evento brasileiro com foco na tecnologia e criativi-

Evento internacional com foco em tipografia. Pre-

México, Nova Iorque, São Francisco, Los Angeles

foco em ilustração, motion graphics, design grá-

Tókio, Seul, Bangkok, Londres, Berlim, Cidade do

e São Paulo. Seu propósito é uma competição em que os participantes são desafiados a realizar uma peça gráfica em um espaço curto de tempo.

dade. Realizado pela revista Zupi desde 2005, tem

sença de designers e tipógrafos de todo o mundo.

fico, quadrinhos, 3D, artes visuais, graffiti, moda, cinema e games.

PICTOPLASMA

TMDG

DIATIPO

O principal festival mundial de design de perso-

O maior evento de design da América Latina. Acon-

Evento brasileiro itinerante com presença de ti-

cias, festival de animações, artistas inspiradores

nomes do design na América Latina e no mundo.

profissionais de comunicação visual e demais

nagens. Duração de uma semana com conferêne muito mais.

tece em Mar del Plata, na Argentina. Com grandes

pógrafos, calígrafos, designers, pesquisadores, apaixonados por letras de todo o país.

Daniela Navarro & Uendel Quintela


além do curso

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uma visita a los hermanos

O TRIMARCHIDG, ou TMDG, é o maior evento de design da América Latina e, esse ano, completou 10 anos.

O TMDG tem sido um dos encontros mais promissores do mundo do design. Criado por Seba Acampante e Pablo Pacheco, o evento começou sem muitos recursos, mas ao longo de 10 edições, foi se tornando um grande sucesso. Para facilitar a vida dos interessados, o evento possui diversas opções de pacotes que incluem transporte, hotel, ingressos para todos os dias do eventos e entradas para as lendárias festas que acontecem para celebrar o final de um dia muito produtivo. Realizado no Ginásio Poliesportivo da cidade de Mar Del Plata, Argentina,nos dias 30/09, 1 e 2/10, O TMDG 2011 reuniu em média 5.000 pessoas de todo mundo em uma programação que varia entre workshops, palestras, mesas redondas, intervenções artísticas e eventos audiovisuais.

As palestras, acessíveis a todos os pagantes, foram

um dos maiores focos de quem estava por lá. Os convidados, claro, eram um dos maiores motivos de tanta atenção. Dentre eles, estava Ian Anderson, o fundador do estúdio Designers Republic, em sua primeira vez na América do Sul, mostrando parte de seus trabalhos; Jorge Alderete, que arrancou risadas da enorme platéia do ginásio e surpreendeu a todos, no fim, com uma animação feita na hora com um software que ele mesmo criou; Massimo Vignelli, que não pode comparecer pessoalmente, mas fez palestra através de vídeo conferência; David Carson foi, sem dúvida, a principal atração do evento, causando tumulto do lado de fora do ginásio, com tantos fãs querendo fotos e seu autógrafo; além de Daniel Solana, Elliot Tupac, Big Active, Hojun, Filete e Jeremy Ville. Alguns dos estúdios que deram palestras também deram workshops. O ponto negativo é que os workshops não vem com o pacote, são pagos à parte.


intervenções artísticas, feiras e festas

Do lado de fora do ginásio, o ambiente estava tomado por grupos de pessoas em diferentes afazeres. Skatistas, grafiteiros, desenhistas, pintores, despertavam o interesse e curiosidade dos que passavam (sendo participantes do evento ou não). Já do lado de dentro, havia uma feira de arregalar os olhos com stands de marcas de roupas, sapatos, revistas, estúdios que vendem produtos de identidades próprias, além de muitos cadernos, sketchbooks, agendas e material para desenho. Dica: para ter chances de comprar mais barato, compre no último dia de evento! Cuidado: há o risco do produto se esgotar antes disso. Depois de um dia tão produtivo, nada como festejar em uma das maiores boates da cidade, próxima à praia, que contava com 10 ambientes de decorações diferenciadas.

o brasil em mar del plata

A coordenadora oficial do evento no Brasil é a Camila Veira, do IdeaFixa. Todos os anos a organização conta com a ajuda de alguns embaixadores, que ficam responsáveis pela divulgação nas cidades e para repassar dúvidas ou informações sobre o evento. Os estudantes e profissionais de design (e até mesmo alguns agregados) vindos do Brasil se concentraram em um único hotel. O maior problema foi a grande espera pelos ônibus e indisponibilidade de hotel no começo do evento. Outro incômodo para os brasileiros foi o idioma. O TMDG ofereceu tradutores simultâneos, porém, a qualidade era tão precáriapéssima qualidade que algumas pessoas preferiram não usá-lo e tentaram entender o espanhol por si só. Anna Carolina Moraes & Anna Caroline Marques


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Terminei... e agora? 26

Foram 4 anos de muito esforço, e, você está com o canudo mágico nas mãos. Mas é aí que você se dá conta que o maior desafio começou agora. O que fazer com tudo o que você aprendeu na faculdade? São muitos os caminhos e nunca é fácil saber qual é o mais adequado para a sua carreira. Num mundo onde a concorrência é cada vez maior e os designers tem que competir com profissionais sem formação específica, é complicado saber quais são os primeiros passos após sair da universidade. Como dito, os caminhos são muitos e para tomar o certo, os recém-formado pode acabar quebrando a cara algumas vezes, antes de se inserir com sucesso no mercado de trabalho. “A cultura do design ainda não está enraizada no mercado de Brasília e precisamos exercer um papel educacional com nossos clientes” diz Teo Horta, designer, 23 anos. Uma boa rede de contatos formada durante o período acadêmico pode fazer a diferença nessa hora. Quanto mais pessoas conhecerem o seu trabalho, mais fácil vai ficar de divulga-lo e, consequentemente, conseguir clientes, o primeiro emprego em um estúdio ou mesmo montar seu próprio estúdio em sociedade com alguns amigos. O estágio durante o curso é outro meio importante para mostrar do que você é capaz e pode abrir muitas portas em direção ao primeiro emprego. Porém é importante

Teo Horta, Conceito de embalagem sustentável para xampu.


que o estudante se certifique, antes de aceitar estagiar em uma empresa, de que ele vai trabalhar com design, pois é muito comum as empresas contratarem estagiários e os colocarem em atividades que não possuem relação alguma com sua área de formação. O ideal é que o estágio seja em um estúdio de design, para que a imersão no ambiente proporcione o aprendizado necessário e os contatos que tanto lhe serão úteis após a formatura, sem falar na possibilidade de o estagiário ser contratado pela empresa, caso demonstre competência e mantenha boas relações. Já deu pra perceber que contatos são muito importantes para entrar no mercado de design, porém um portfolio bem feito é essencial para que você conquiste visibilidade, seja como freelancer ou na busca por uma contratação. O portfolio é o seu cartão de visitas, como profissional de artes visuais e deve ser construído com cuidado. Apenas os seus melhores trabalhos devem ser incluídos, se há algum trabalho do qual você não tem certeza se está bom, deixe-o de fora. Isso vai ajudalo evitar que seu portfólio vire uma pasta com um amontoado de trabalhos que não serão capazes de mostrar o que você faz de melhor. “ É importante saber qual o tipo de trabalho que vocês quer realizar no futuro, pois um cliente acaba espalhando a notícia do seu trabalho para outros clientes em potencial, e é comum que os trabalhos sejam na mesma área diz Henrique Eira, designer, 23 anos Se o seu negócio é abrir o próprio estúdio, deve estar ciente das di-

Henrique Eira, ilustração para ilustrar matéria sobre rádios rurais da Folha da Conab, edição de março de 2008.

ficuldades de abrir uma empresa formal no Brasil. O processo é lento, burocrático e exige muita paciência. São necessários mais de 100 dias para completar todos os procedimentos para poder abrir as portas e começar a trabalhar. Portanto, antes de começar a movimentar a papelada, é necessário fazer algo que todo design deve saber fazer bem: pesquisar. É necessário um levantamento de todos os fatores que poderão influenciar na atuação da sua empresa. Coloque tudo no papel; local, instalações, maquinário, número de funcionários etc. Além disso, é importante um estudo de mercado e de leis específicas que possam interferir na sua área de atuação, como leis de zoneamento. Com tudo isso pronto, é hora de juntar os documentos e encarar o monstro da burocracia. Seja como freelancer, procurando emprego ou abrindo seu próprio estúdio, o Designer deve saber se vender e para isso pode usar as ferramentas que domina como ninguém,

dentre elas, a mais importante, a criatividade. Um projeto de autopromoção para além do portfólio e dos contatos é um mecanismo que pode render bons frutos se executado da maneira certa. Nessas horas, a internet é um grande aliado, com a praticidade de redes como DeviantArt e Flickr para divulgação do trabalho. Além disso, o apelo de peças de marketing pessoal como brindes e lembrancinhas, impressos, adesivos e bottons é uma forma eficiente de se mostrar no mercado. Independente do caminho que deseja trilhar é importante não desistir perante os primeiros desafios e ter autoconfiança e em todo o conhecimento adquirido nos anos de curso. Pode não ser fácil abandonar o conforto da universidade para se inserir no mercado, mas nenhum desafio é maior que a satisfação de trabalhar com o que se ama. Mãos á obra.

Lucas Santos & Rhenan Belém


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ilustrativa

A Ilustrativa já morreu e ressucitou, já deu aula, já montou exposições, já fez web-design e principalmente, já desenhou pra um monte de gente. Muitos e muitos desenhos, para muitos e muitos clientes. Composta por três amigos que têm em comum a paixão pela ilustração, a empresa tem como objetivo principal esclarecer e comunicar através de seu trabalho. Os ilustradores dizem que a “pessoa jurídica chamada Ilustrativa” já passou por muitas fases, inclusive a da adolescência - período de crise que resultou no fechamento do escritório por um tempo - mas hoje em dia está amadurecendo, conquistando espaço no mercado e clientes cada vez mais importantes. Entre outros, fazem ilustrações para a revista Mundo Estranho e Superinteressante. Cada um dos ilustradores possui um traço bastante característico, mas ainda assim conseguem manter uma identidade muito forte do grupo, que além do trabalho dos três, conta com a ajuda de colaboradores super talentosos.

“Estamos conseguindo achar um equilibrio entre os desenhos que fazemos profissionalmente e os desenhos que fazemos porque queremos.“


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“Eu toco numa banda. E vejo filmes. E desenho. E leio gibis. E desenho. E durmo. E desenho.”

André Valente

Ilustrador e quadrinista. Estudou quadrinhos e belas artes e é formado em Artes Plásticas na UnB. Já trabalhou com montagem de exposições na Câmara dos Deputados e na Editora Abril.

“A minha tarefa é a do desenho: estudo, exponho, ilustro e ensino.”

Eduardo Belga

Ilustrador. Lessionou desenho na UnB como professor substituto, de 2005 a 2007, no Instituto de Artes. Atualmente faz mestrado em Artes Plásticas na Universidade de Brasília.

“Sou meio ilustrador, meio administrador e um tanto megalomaníaco.”

Santiago Mourão

Ilustrador. Formado em Artes Plásticas na UnB. Abandonou uma pós em Artes Visuais por achar o curso ruim. Já trabalhou como montador de exposições freelancer e na Câmara dos Deputados. Beatriz Saffi & Débora Cavalcante


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A Ilustrativa conta com alguns colaboradores, que fazem desde ilustração, design, animação em massinha até modelagem 3D. O Paulo Faria, o Mateus Gandara e o recente membro Gabriel Góes. Em 2011 saiu da empresa o amigo Marceleza, para alçar novos vôos profissionais e pessoais. visite: www.ilustrativa.com.br

colofón


colofón a grafo #1 foi composta com a família tipográfica UnB Pro, projetada por Gustavo Ferreira e Rafael Dietzsch sob encomenda da Universidade de Brasília, de download gratúito e uso livre. para mais informações acesse www.marca.unb.br/fontes

Brasília, dezembro de 2011


Grafo #1