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Ministério da Cultura, Secretaria de Estado da Cultura e Câmara Rio-Grandense do Livro apresentam:

Revista da

Feira

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Revista da Feira do Livro – 2012 • 2


editorial

expediente

Abra espaço para a leitura Em 1955, 14 barracas levaram o livro para a Praça da Alfândega. Começava ali a grande cruzada pela leitura, com exemplares democraticamente expostos no coração da Capital em um evento que, a cada ano, pertence mais a todos nós, porto-alegrenses ou não. Osvaldo Santucci Presidente da CRL De lá para cá, não só o número de expositores cresceu, como também o compromisso da Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL) em popularizar o acesso às obras, despertar o prazer de ler e apoiar o mercado editorial e livreiro. Anualmente, a oferta de títulos a preços promocionais se diversifica, novos autores e produções são lançados em sessões de autógrafos, e escritores e leitores se aproximam. Da mesma forma, a Feira recebe a produção cultural da cidade através de tradicionais parcerias em uma programação que se qualifica, congregando centenas de atividades gratuitas voltadas para públicos de todas as faixas etárias. O debate toma conta das salas dos prédios históricos do entorno da Praça, as oficinas discutem o fazer literário, e as atividades artísticas lançam novos olhares e sensações a respeito do tema. Na Área Infantil e Juvenil, no Cais do Porto, crianças e adolescentes têm a oportunidade de conhecer de perto autores em encontros abertos. Em programações exclusivas para a comunidade escolar, que são o ponto de culminância das ações desenvolvidas ao longo do ano por meio dos programas de incentivo à leitura da CRL e de seus parceiros, e nas atividades voltadas para educadores e outros mediadores, a troca de experiências é uma atração à parte. A 58ª Feira do Livro tem como mote abrir espaço para o livro, a leitura e literatura. Mais do que um chamamento para participar deste que é o maior evento do gênero a céu aberto das Américas, é um convite para que os gaúchos destinem cada vez mais tempo no dia a dia para as descobertas, as emoções, as possibilidades que giram em torno do universo da palavra escrita. A Câmara Rio-Grandense do Livro acredita no poder da transformação social e, com o evento, a cada edição, busca abrir mais espaço para aqueles que lutam por uma cidade, um estado e um país mais leitor. Abra você também esse espaço na sua vida e boa leitura!

Câmara Rio-Grandense do Livro Praça Osvaldo Cruz, 15 Conj. 1708 / 1709 - CEP 90030-160 Centro Histórico Porto Alegre, RS – Brasil Fone/FAX (51) 3225.5096 camaradolivro@camaradolivro.com.br / www.camaradolivro.com.br Diretoria - Gestão 2012/2013 Presidente: Osvaldo Santucci Junior Vice-Presidente: Isatir Antonio Bottin Filho Secretária: Jurema Andreolla Tesoureiro: Marisa Maria Caumo Bof Representante dos Creditistas: Mariana Silveira Patrício Representante dos Distribuidores: Leonardo Molinari da Silveira Representante dos Editores: Marco Antonio Cena Lopes Representante dos Livreiros: Gilmar Cassol Conselho Fiscal: Titulares Vitor Mário Zandomeneghi Maria Helena Bueno Gargioni Télcio Brezolin Suplentes Antônio Carlos da Silva Barreto Márcia Martins Almansa Valdir Dantas de Araújo 58ª Feira do Livro de Porto Alegre Comissão Organizadora Presidente: Osvaldo Santucci Junior Coordenadores Geral: Osvaldo Santucci Junior Comunicação: Leonardo Molinari da Silveira e Marco Antonio Cena Lopes Cultural: Jurema Andreolla Financeiro: Marisa Maria Caumo Bof Logística: Isatir Antonio Bottin Filho Relacionamento com Associados: Antônio Carlos da Silva Barreto e Maria Helena Bueno Gargioni Xerife: Júlio La Porta Comissão Executiva Engenheiro Responsável: Eduardo Milano Bergallo - CREA 65276 Operacional: Gisele Longhi Área Infantil e Juvenil e Área Internacional: Sônia Maria Zanchetta Programação para Adultos: Jussara Haubert Rodrigues Produção Administração: Gérson Silva de Souza Apresentadora do Teatro Sancho Pança: Adriane Azevedo Apresentações Artísticas e Oficinas para Adultos: Luciana Leão Autógrafos: Gérson Silva de Souza e Karen Bastos Centrais de Informações: Elaine Maritza da Silveira Encontros com o Livro: Sandra La Porta Financeiro: Grasiela Lopes Logística e Transporte Escolar: Alex Silva Programação Artística do Cais do Porto: Roze Paz Programação Público Adulto: Leonardo Scott Receptivo: Ilson Fonseca Relações Públicas: Jane Ramos Sala dos Autores: Rafael Rocha Cardozo Assistentes de Produção Administração: Andressa Sauer e Rafael Deckert Área Infantil e Juvenil: Carlos Pinho (Sala dos Autores), Bárbara Camargo (Teatro Sancho Pança), Bruno Sánchez Zanchetta (Agendamento Escolar), Maria da Graça Artioli (Biblioteca Moacyr Scliar), Isabel Sant’Anna de Oliveira (Estação de Acessibilidade), Juliano Canal (QG dos Pitocos), Ana Paula Cecato e Sílvio Wolff (programas e projetos de leitura e ciclo A Hora do Educador), Evandro Jacques Rodrigues (montagem das salas) e Valdeci C. de Souza (Traçando Histórias). Centrais de Informações: Licier Moraes da Silva Programação Público Adulto: Cristiane Feijó, Jussara Carvalho e Simone Perla Receptivo: Diego Vieira Lopes Voz do Poste: Cléa Motti Agência de Propaganda: DCS Assessoria de Comunicação: Signi Estratégias para Sustentabilidade (publicações e conteúdo) Acesso Projetos Integrados de Comunicação (assessoria de imprensa) Aldeia Explore & Discover (site e redes sociais) Agita Design (design editorial) Fotógrafo: Luis Ventura Fotografia Projeto Arquitetônico e de Comunicação Visual: Troyano Arquitetura Área de Alimentação: André Kovalski Cobertura: Eventec Montadoras oficiais: RDB Stands e Tedesco Locações Instalações Elétricas: AB Elétrica Hotel Oficial: Master Hotéis Transportadora Oficial: Águia Dourada Transportes Estacionamento: Garagem Andrade Neves Realização: Câmara Rio-Grandense do Livro REVISTA DA FEIRA Coordenação: Cristiane Ostermann (jornalista responsável: MTb 8256 - Signi), Carol Lopes (Signi) e Carla de Andrade (Acesso Comunicação) Signi Estratégias para Sustentabilidade - Rua Saldanha Marinho, 58 - Fone: 51. 3019.3913 signi@signi.com.br Edição: Carol Lopes Textos: Carol Lopes, Gabriel Dutra, Joanna Ferraz, Juliana Campani e Luísa Kiefer Projeto gráfico: Agita Design Edição de arte: Tavane Machado e Gilson Rachinhas Fotografias: Banco de imagens CRL, Luis Ventura, Leonid Streliaev, Elvira T. Fortuna, Cristiano Sant´Anna, Rômulo Valente, Divulgação/ Tabajara Ruas, Roberto Laguna, Bruno Gularte Barreto, Ivo Gonçalves/PMPA e Luciano Lanes/PMPA. Capa: foto de Luis Ventura com arte de Gilson Rachinhas. Ilustração: Marcelo Germano Revisão: Press Revisão Impressão: Gráfica Editora Pallotti

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06 SERVIÇO ÁREAS

CONHEÇA A FEIRA ESTANDES HORÁRIOS

08 HISTÓRICO XERIFE

TRADIÇÃO

O CAIS

O INÍCIO

AUTÓGRAFOS

12 PATRONO IDEIAS

ESCRITOR TRAJETÓRIA

HOMENAGEM

PORTO ALEGRE

NOS LIVROS

16 DIVERSIDADE

A CIDADE COMO

TRIBOS

ARTE ENCONTROS

CENÁRIO NAS OBRAS QUINTANA

VERISSIMO

SCLIAR

BIBLIODIVERSIDADE

GALERA MACHADO CORONEL GUIMARÃES

20 INTEGRAÇÃO

CENTRO HISTÓRICO PATRIMÔNIO ESPAÇOS

ATRAÇÕES CATAMARÃ

MUSEUS

24 TURISMO MERCADO PÚBLICO

INCENTIVO

PESQUISA ESCRITORES LEITORES PROGRAMAS

32 IMAGEM LIVRO LITERATURA

AÇÃO

28 LEITURA

ROTEIRO CINEMA Revista da Feira do Livro – 2012 • 4


Onde tem aço Gerdau, tem a realização de um sonho.

A Gerdau vibra junto com os brasileiros quando entrega uma nova obra. Participar da construção de estádios de futebol, fornecendo desde vergalhões até telas para concreto, é capacitar o país para sediar grandes eventos e conquistar o sonho de novas vitórias.

Todo mundo tem um sonho. O da Gerdau é tornar o seu possível.

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www.gerdau.com


serviço

A cidade dos livros

Anualmente, a Feira do Livro cria uma infraestrutura completa na Praça da Alfândega e no Cais do Porto para receber milhares de visitantes. Confira: Período e horários A 58ª Feira do Livro de Porto Alegre acontece de 26 de outubro a 11 de novembro de 2012 com entrada franca. As Áreas Geral e Internacional têm visitação das 12h30min às 21h. Já a Área Infantil e Juvenil, com o objetivo de atender às turmas escolares do turno da manhã, funciona das 9h30min às 20h.

Área Sem contar os espaços do Memorial do Rio Grande do Sul (Rua Sete de Setembro, 1020), do Santander Cultural (Rua Sete de Setembro, 1028) e da Casa de Cultura Mario Quintana (Rua dos Andradas, 736), onde ocorrem atividades da programação para adultos, a Feira ocupa 19 mil m², dos quais 11,5 mil m² estão cobertos – 8 mil m² têm cobertura de lona, enquanto os 3,5 mil m² restantes se referem às áreas cobertas dos armazéns e do pórtico central do Cais do Porto. As Áreas Geral e Internacional estão localizadas na Praça da Alfândega e no eixo da Avenida Sepúlveda, e a Área Infantil e Juvenil, no Cais do Porto, onde ocupa os armazéns A (incluindo anexo) e B, além do pórtico central e da faixa compreendida entre esses espaços e o Guaíba.

Toaletes Estão instalados, em diferentes pontos, na Praça da Alfândega, na Avenida Sepúlveda e no Cais do Porto, 20 banheiros químicos, incluindo-se alguns adaptados para cadeirantes. A utilização é gratuita.

Alimentação Há uma praça de alimentação, com várias opções para os frequentadores da Feira, na Avenida Sepúlveda, entre a Secretaria da Fazenda e a Alfândega, e um café localizado entre o Memorial do RS e o Santander Cultural.

Voz do Poste A programação do evento é divulgada

pela Voz do Poste, um sistema de altofalantes instalado na Praça da Alfândega.

Ônibus escolares Existe um ponto de embarque e desembarque junto ao portão central do Cais do Porto, onde os ônibus escolares podem estacionar no máximo por 10 minutos.

Tecnologia na Praça Mais uma vez, o visitante pode acessar a programação da Feira e a localização de livros, bancas e editoras por meio de três terminais de autoatendimento instalados pela Procempa em pontos estratégicos: na frente do Santander Cultural, na Rua da Praia (em frente à Caixa Econômica Federal) e na Rua Sete de Setembro (ao lado do Banrisul). Os visitantes podem se conectar à Internet de alta velocidade através da rede sem fio (wireless) em toda a Praça e no Cais do Porto. A tecnologia wireless também está disponível gratuitamente para os livreiros e no Gurizada.com, cyberespaço infantojuvenil situado no Cais do Porto, com dez computadores. No Cais, ainda é disponibilizado o Espaço Braille, com computadores e impressora adaptados para deficientes visuais. A Procempa instalou também câmeras de videomonitoramento na Praça, conectadas com a Guarda Municipal e a Brigada Militar, para a segurança, e para o acesso do público em geral por meio do seu site e do site da Feira.

Autógrafos As sessões de autógrafos são realizadas na Praça de Autógrafos, no centro da Praça da Alfândega, com exceção das coletivas com mais de quatro autores, que ocorrem no térreo do Memorial do RS, e das sessões de livros infantis e juvenis, as quais acontecem no Deck dos Autógrafos e, ainda, das promovidas por escolas, que ocorrem no Território das Escolas (Cais do Porto).

Administração A área administrativa da Feira funciona no térreo do Memorial do Rio Grande do Sul. Revista da Feira do Livro – 2012 • 6

Informações e Segurança Os postos de informações estão localizados no centro da Praça da Alfândega, na Área Infantil e Juvenil e no Memorial do Rio Grande do Sul. A segurança da Feira é garantida por vigilantes privados e por um destacamento especial do 9º BPM da Brigada Militar. Qualquer ocorrência pode ser comunicada aos policiais que circulam por seu recinto ou ao efetivo de plantão no posto da Brigada, instalado próximo ao Banrisul. Dicas de segurança para quem frequenta a Feira: •

• •

Tome cuidado com bolsas, celulares e outros pertences, especialmente quando estiver com a atenção voltada à escolha de livros. Evite ostentar joias. Ao estacionar seu veículo, certifique-se de que está bem fechado e não deixe objetos à vista dentro dele.

Feira virtual O site (www.feiradolivro-poa.com.br) traz informações atualizadas em tempo real sobre a programação, as sessões de autógrafos, as notícias e as fotografias do evento. A Feira também está presente nas redes sociais: facebook/ feiradolivro-poa e @feiradolivro-poa.

Grife da Feira Além de curtir os 17 dias de evento, os visitantes podem levar a Feira para casa. Criada em 2005, a grife da Feira conta com produtos exclusivos como camisetas, canecas ecológicas, mochilas, guarda-chuvas e capas de chuva com o logotipo do evento. Os produtos podem ser adquiridos na loja de Lembranças da Feira, ao lado da Praça de Autógrafos.


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histórico

58 anos de “E histórias da Praça

Feira transformou a vida cultural da capital gaúcha.

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m 1955, Porto Alegre era uma ´pequena-grande cidade´”. É com estas palavras que o jornalista e historiador Walter Galvani, patrono da 49ª Feira do Livro, define o cenário há quase seis décadas: “A gente dizia, com evidente exagero, que todos se conheciam. Mas, na área cultural, era isso mesmo”, completa. Porto Alegre tinha, então, um terço da população atual, e o Centro era um dos lugares mais movimentados e prestigiados da cidade. Foi nesse contexto que a capital gaúcha viu surgir a 1ª Feira do Livro, que viria a se tornar o maior evento do gênero a céu aberto nas Américas, e um dos mais antigos do Brasil. Tudo começou com uma visita do jornalista Say Marques, então diretorsecretário do jornal Diário de Notícias, a uma feira na Cinelândia, no Rio de Janeiro. Voltou a Porto Alegre com a ideia de montar um evento nos mesmos moldes, com o propósito de popularizar o livro. A proposta de Marques agradou um grupo de livreiros, que vinha tentando aumentar as suas vendas, ampliar o mercado literário e, sobretudo, levar o livro a mais pessoas. Sob o slogan “Se o povo não vem à livraria, vamos levar a livraria ao povo”, o objetivo

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Crescimento conjunto Em sua primeira edição, a denominação do evento era Feira do Livro do Rio Grande do Sul. A partir da segunda, o “sobrenome” da Capital foi formalmente adotado. De lá para cá, ambas mudaram muito, como explica o historiador Sérgio da Costa Franco: “O crescimento da Feira do Livro de Porto Alegre entre 1955, o ano da primeira, e este de 2012, é mais ou menos proporcional ao crescimento demográfico da Capital, que passou de 484 mil habitantes (estimativa para 1956) para 1 milhão e meio a esta altura”. Segundo ele, o aumento populacional foi, inegavelmente, acompanhado de um notável desenvolvimento cultural, não apenas no que se refere à produção literária, mas também à expansão de instituições de ensino médio e superior e à multiplicação dos veículos de comunicação.

era aproximar livros e leitores e acabar com a ideia de que a livraria era lugar da elite. “Eles queriam provocar uma emoção na Capital, sacudir a poeira dos pampas, vendendo livros na praça como se vendia qualquer outro produto”, define Galvani. Para popularizar o livro, os incentivos, as promoções e os descontos eram imprescindíveis, e foi assim que a Feira tomou forma. A Marques juntaram-se Maurício Rosenblatt e Mário de Almeida Lima. E, no dia 16 de novembro de 1955, 14 barracas de madeira se instalaram na Praça da Alfândega. Embaixo dos jacarandás floridos, nascia uma tradição que viria a reunir em torno do livro não apenas porto-alegrenses, mas pessoas de outros municípios, estados e países. Foram 14 dias de evento e, ao final, para os feirantes, pareceu que a iniciativa não havia caído no gosto do público. “No começo, a Feira provocou muita estranheza e até teve gente que se manifestou dizendo que o livro ´era uma mercadoria nobre´, que não podia ser vendido como carne de açougue... Com a repetição da Feira no ano seguinte e depois, e depois, aos poucos, as resistências foram caindo e muita gente, como hoje, passou a marcar encontros na Feira do Livro”,

Momentos da Feira Acompanhe alguns acontecimentos ao longo da história:

conta Galvani, ao lembrar que soube até mesmo de namoros e casamentos que começaram na Praça da Alfândega. Com a organização do evento, veio também a criação da Seção Rio Grande do Sul na Câmara Brasileira do Livro (CBL). Em função do crescimento da Feira, os livreiros sentiram a necessidade de terem uma entidade própria, para acompanhar o trabalho no evento, promover o livro e proporcionar mais incentivo à leitura no Estado. Por isso, em 1963, foi fundada a Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL), uma instituição independente da CBL e responsável pela promoção da Feira do Livro, bem como pela difusão do gosto da leitura, formação de novos leitores e desenvolvimento da economia livreira e da cultura regional. Em 1956, na 2ª edição, as primeiras 14 barracas se transformaram em 49, e a Feira voltou à Praça com novidades: foi o primeiro ano em que os autores vieram autografar as suas obras. Começava ali a tradicional, e tão esperada, sessão de autógrafos. Erico Verissimo foi um dos primeiros escritores a autografarem na Praça da Alfândega. O que no início era uma iniciativa informal dos organizadores, hoje se tornou uma das atividades mais concorridas – são cerca de 800 sessões por edição. “As sessões de autógrafos em geral são uma parte animada e importante da festa”, garante o escritor

1959

1960

1971

Aprovada a lei municipal que oficializa a realização da Feira na Praça da Alfândega.

A Seção RGS apoia a realização da primeira feira de livros no Interior, na cidade de Pelotas. O evento portoalegrense começa a gerar frutos.

O slogan escolhido é a frase de Monteiro Lobato: “Um país se faz com homens e livros”.

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O que é o patrono? O patrono da Feira é como um padrinho da Feira. Ele está presente na Praça, acompanha as atividades, conversa com o público. É uma homenagem, ao escolhido e à Feira, que é presenteada com a sua presença. Desde 1984, quando o evento passou a homenagear escritores gaúchos ou radicados no Estado em atividade, foram escolhidos 32 patronos (conheça o da 58ª edição na página 12). Em 1994, em razão da comemoração da 40ª Feira do Livro, foram eleitos quatro patronos, uma homenagem àqueles que ajudaram a criar a Feira: Nelson Boeck, Edgardo Xavier, Mário de Almeida Lima e Sétimo Luizelli.

Luis Fernando Verissimo, patrono da 37ª Feira do Livro. Também vem das primeiras edições a figura do orador, um personagem consagrado no meio cultural e literário que era convidado para falar na solenidade de abertura e encerramento de cada edição. Com o reconhecimento da importância de ter um nome ligado às Letras aliado à Feira, o orador deu lugar ao patrono. O primeiro foi Alcides Maya, em 1965, quando o título era ainda consagrado como uma homenagem póstuma. Foi apenas a partir da 30ª edição, em 1984, que o patronato passou a ser assumido por uma personalidade viva. O título coube a Maurício Rosenblatt, um dos fundadores do evento. Esse também foi o ano de outra

inovação na Praça: o bar da Feira do Livro. Eduardo Luizelli, filho de Sétimo Luizelli, um dos primeiros feirantes, era então o presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro e relembra como surgiu a ideia: “Todo grande evento tem um bar para ser ponto de encontro. O Maurício (Rosenblatt), que era o patrono, me chamou e disse: ´Eduardo, uma festa cultural misturada a uma festa etílica não vai dar certo.´ Foi quando prometi a ele que se não desse certo, eu e minha diretoria retiraríamos o bar na próxima Feira.” Luizelli afirma que a permanência do bar, depois transformado em Praça de Alimentação, deve muito a Luis Fernando Verissimo. “Ele escreveu na sua respeitada coluna do jornal, elogiando o bar e batizando-o com o nome de Bar nota 7. Com esta crônica, o seu Maurício não reclamou mais”. E o tempo? Apesar de acontecer sempre entre os meses de outubro e novembro, durante a primavera, a

1987

1989

1995

A Feira passa a contar com a presença de expositores argentinos e uruguaios, ponto de partida da Área Internacional, da qual participam vários países atualmente.

A escritora Maria Dinorah é a primeira patrona. As demais foram Lya Luft (1996), Patrícia Bins (1998) e Jane Tutikian (2011).

É organizada uma área exclusiva para os leitores infantis e juvenis, embrião da Área Infantil e Juvenil, no Cais do Porto, criada dez anos depois.

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Feira geralmente passa por mudanças climáticas. Já houve dias de calorão inesquecível e outros de chuvas – nada, claro, que atrapalhasse a Feira. Em 1994, foi instalada, pela primeira vez, uma cobertura transparente para proteger melhor as barracas e os visitantes. Nestes 58 anos em que é realizada de forma ininterrupta, não foi apenas o tempo que teve impactos na Feira. O evento atravessou a Ditadura Militar sem fechar as barracas. Em mais de uma edição chegaram listas de livros proibidos pela censura federal e que tinham de ser recolhidos dos estandes às pressas. Também acompanhou crises econômicas e inflação incontida. Viu o Brasil trocar de moeda e sentiu, nas vendas e no público, o reflexo dos diferentes momentos sociais, políticos e econômicos do país e da cidade.

Evolução

Apesar dos contratempos, a Feira foi crescendo e se consolidando. Nos anos 1970, já havia se tornado um evento popular, incluindo uma programação cultural para acompanhar as vendas dos livros na praça. Nos anos 1980, os sebos de livros passaram a fazer parte da Feira. Foi nessa década que apareceram os primeiros estandes de países vizinhos, como Uruguai e Argentina. Era o embrião do que viria a ser a Área Internacional.

2001

No início dos anos 1990, com a conquista de grandes patrocinadores, estimulados pela criação das leis nacional e estadual de incentivo à cultura, a Feira teve a sua infraestrutura aprimorada e modernizada. A programação cultural foi ampliada. Porto Alegre começou a receber cada vez mais nomes da literatura nacional e internacional. A Praça da Alfândega havia ficado pequena. Por conta disso, a Feira alastrou-se para trechos de ruas laterais à praça, e as programações ocuparam os espaços culturais do entorno. Parcerias que se renovariam a cada ano. Foi em 2005 que o evento ganhou o que o patrono da 55ª edição, Carlos Urbim, define como “uma das melhores inovações da Feira dos últimos anos.” A área dedicada à literatura infantil e juvenil passou a ocupar os armazéns do Cais do Porto, transferindo para lá todos os estandes e atividades. “Com a ida da Área Infantil e Juvenil para o Cais, passou a existir um espaço privilegiado, junto ao Guaíba, moldura ideal. Depois de enfrentar a travessia da Mauá, ainda complicada, mas segura, os escolares sentem-se à vontade entre os antigos armazéns do porto. Surgiram novas atrações, e a Câmara do Livro ampliou o trabalho de inclusão de leitores”, afirma Urbim.

2002

Inaugurado monumento em A Câmara Rio-Grandense do Livro homenagem a Mario Quintana e passa a desenvolver juntamente com Carlos Drummond de Andrade, com parceiros programas de fomento ao estátuas em bronze criadas por Xico livro e à leitura. Stockinger e Eloísa Tregnago.

2006

A Feira recebe a medalha da Ordem do Mérito Cultural, concedida pela Presidência da República, que reconhece o evento como um dos mais importantes do Brasil.

O dono do sino Há 36 anos, um mesmo homem é o responsável pelas badaladas da sineta que anunciam a abertura e o fechamento, oficial e diário, das barracas da Feira do Livro. José Júlio La Porta recebeu a função pela primeira vez em 1976, e, desde então, passou a ser conhecido pelo público e pelos feirantes como o Xerife da Feira.

2010 A Feira é reconhecida como patrimônio imaterial da cidade pela Secretaria Municipal da Cultura.

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patrono

Luiz Coronel: uma vida de paixão pelos livros

U

m poeta que busca temas universais e que também se dedica a uma abordagem da terra, dentro da tradição do cancioneiro sul-rio-grandense. Um escritor que trabalha questões regionais, temática que também está presente na sua trajetória como compositor premiado em festivais nativistas. Um publicitário que leva a visão poética para a sua atuação e que tem no seu portfólio um trabalho histórico (e honroso): ao lado de Ulysses Guimarães e de Pedro Simon, desenvolveu a primeira campanha pela redemocratização do país. Essas são as facetas mais conhecidas de Luiz Coronel, patrono da 58ª edição da Feira do Livro de Porto Alegre. No entanto, para conhecer a fundo o homenageado desta edição, cabe fazer uma viagem no tempo e retornar a Bagé, na região da Campanha, onde ele nasceu em 1938. Filho caçula de João Coronel e Amélia Martino Coronel – tem seis irmãs –, perdeu o pai na infância e, por contingências familiares, foi adotado por um casal de tios professores. Cresceu em uma casa simples na qual os livros estavam sempre presentes e, inspirado por esse ambiente, escreveu o seu primeiro poema aos sete

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Regionalismo e humor Ao tratar das questões regionais – um tema tão caro aos gaúchos –, Coronel não se furta em imprimir um estilo marcado pelo humor nos seus “causos”. “Em primeiro lugar, eu acredito que não exista uma estasia entre culturas. Na medida em que existem culturas, devemos preservar a identidade cultural. Eu luto muito pelo regionalismo, mas um regionalismo em caráter dinâmico. O Paixão está meio assustado com os filmes da RBS, com os gaúchos de brinco, ele disse que precisa conversar comigo”, brinca Coronel, ao citar o folclorista e escritor João Carlos Paixão Cortês, patrono da 56ª edição da Feira do Livro e ícone máximo do movimento tradicionalista gaúcho. A produção audiovisual em questão são os quatro episódios (curtas-metragens) da série Filé de Borboleta e Outros Causos, baseada no livro Filé de Borboleta – O Don Juan de Bagé e veiculada neste ano no Programa Histórias Curtas, da RBS TV. “Eu gosto muito de escrever humor. Comédia Gaúcha vai para o quinto volume. Aliás, eu gostaria muito de passar uns três anos no Correio do Povo, trocando o poema por essas comédias gaúchas. O Interior ia adorar”, acredita Coronel, fazendo referência à coluna semanal que assina em um dos jornais da capital gaúcha. A receptividade da proposta, segundo ele, é total. “Um povo que não ri de si vai chorar, não é? Rir de si mesmo é sinal de maturidade. O riso é o momento da consciência e da alegria de viver”, defende.

anos, em homenagem às pernas de uma professora: “As pernas da professora são ternas. São ternas e eternas as pernas da professora”. Aos oito, precocemente, se encantou pelos sonetos de Camões que leu em espanhol e que recita de memória – por sinal, prodigiosa. Ao longo de uma conversa, não são raras as vezes em que o patrono, tocado por algum assunto, saca trechos da obra de um poeta ou escritor que admira. A mudança para Porto Alegre, onde reside, ocorreu no início da década de 1960. Na Capital, formou-se em Direito e Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul

(UFRGS). Da iniciação como professor de Literatura e História em cursinhos pré-vestibulares, ainda nos anos 1960, às primeiras experiências no mundo da publicidade, da passagem pela magistratura que exerceu durante cinco anos até a criação da Agência Matriz, em 2000, da qual é um dos sócios e onde ocupa o cargo de diretor institucional, são décadas de dedicação ao trabalho e, claro, aos livros. A ascensão do rapaz do Interior que tinha como herança familiar apenas uma compoteira (da mãe) e uma bengala (de uma das irmãs) ao publicitário bem-sucedido e ao escritor reconhecido está diretamente ligada ao universo da palavra escrita. “Eu devo tudo aos livros. Os livros foram meus degraus, através deles eu ganhei meu espaço e meu lugar no mundo. Meu caminho foi trilhado pelos livros, eles foram a escadaria, eles foram a estrada. Se não fossem os livros, talvez eu estivesse atendendo em uma lojinha em Piratini ou Bagé.” Ao falar sobre a sua trajetória, faz uma analogia com um nadador em uma Olimpíada. “Nadar na sua pista, não pensar nos nadadores da pista ao lado. Não querer afogar ninguém, nem atirar água nos olhos de ninguém. Sempre nadando em direção ao pódio, essa foi a minha aprendizagem”, compara o patrono, ao revelar sua receita para superar obstáculos e limitações. “Tenho uma irmã – a Vandinha – que dizia uma frase graciosa: ‘Prefiro adotar meus defeitos a cultivar virtudes alheias’. O padecimento é que nos momentos importantes da vida, como é, para mim, este momento, não estão ao lado pessoas que gostaria tanto que estivessem, como o meu tio que me adotou, quando não tinha onde morar”, comenta, emocionado.

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Prosa ou poesia?

Alguns títulos: Coração Farroupilha (2001): poesia regional Coleção Dicionários: Erico Verissimo, 100 anos, O Tempo e O Vento a Passar (2004); Mario Quintana, 100 Anos, A Quinta Essência de Quintana (2005); João Guimarães Rosa, Uma Odisseia Brasileira (2006); Machado de Assis, Ontem, Hoje e Sempre (2007); Gabriel García Márquez, A Magia Literária da América (2008); William Shakespeare, As Múltiplas Faces de um Gênio (2010); e Fernando Pessoa, um Poeta Predestinado (2011). Comédia Gaúcha (causos): O Cavalo Verde (2002), O Cachorro Azul (2003), O Gato Escarlate (2005) e Filé de Borboleta – O Don Juan de Bagé (2011). Palmas para o Teatro (2009): aborda o andamento das artes cênicas desde o teatro grego até os dias de hoje. Coleção Esquilo (infantis): Ave Fauna, A Eleição dos Animais, Declaração Universal dos Direitos dos Animais, O Dia da Inauguração do Mundo e Saturnino Desce ao Pampa.

Com 52 livros publicados, Coronel tem na poesia, universal e regional, o seu principal meio de expressão. Entre as suas obras, destacam-se Mundaréu, Cavalos do Tempo, Baile de Máscaras, Pirâmide Noturna, Buçal de Prata e Lunarejo. Ele acredita que o maior desafio, independentemente do gênero, é se aproximar do leitor. “O problema, na passagem para a literatura, é o aquilo que diz o Gabriel García Márquez: importante não é o que se conta, é como se conta, como fazer essa narrativa ter uma conotação coletiva e não apenas individual. Fazer aquilo que Drummond disse: quero que te reconheças em meu verso, que sinta que era isso que eu queria dizer, é isso que estava trancado dentro de mim e tu soltaste.” Sobre o processo de criação, ele explica que se dedica à escrita de uma obra por vez. “Leio muitos livros ao mesmo tempo, mas trabalho em um único livro. Atualmente, estou trabalhando na construção do dicionário do Carlos Drummond, aí não é texto meu, sou coordenador e organizador, mas o livro que estou escrevendo é Um Cronista Inesperado. Na Feira, lanço o livro Poesia Social: Esperança e Desalento.” A Coleção Dicionários é, na opinião do patrono, o seu maior legado. A iniciativa, que conta com uma equipe de 50 pesquisadores e colaboradores, vem contribuindo para popularizar a obra de autores da literatura universal e nacional. O reconhecimento por este e outros trabalhos está expresso em distinções como a Medalha Farroupilha (Assembleia Legislativa), e os Prêmios Paixão pela Cultura e Medalha Cidade de Porto Alegre (Prefeitura de Porto Alegre). Aliás, o segundo volume da Coleção Dicionários foi dedicado ao poeta Mario Quintana, com quem Coronel conviveu e conta ter aprendido a leveza do humor. Além das lembranças de encontros e conversas, o patrono guarda, em sua biblioteca, uma carta na qual Quintana elogia um verso de sua autoria: “Eu te amo, tu me amas. Qual dos dois odeia mais? Quando se plantam rancores, em vez de lírios, punhais...”. Um orgulho para quem tem nesse gênero literário uma paixão: “Sou um leitor de poesia, mais do que tudo, a poesia é a minha grande leitura. Nunca tenho menos de 15 livros à beira da minha cama. Eu me viro e, em vez de saltarem damas, saltam livros”, diverte-se. Outras referências, no Rio Grande do Sul, são Erico Verissimo, Simões Lopes Neto e Elbio Piccoli. Ao falar sobre o patronato da Feira do Livro da cidade que o acolheu – em 1989, recebeu o título de

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Cidadão Honorário de Porto Alegre –, Coronel repete uma frase que marcou a sua posse. “Não chego ao cargo de patrono com as mãos vazias, isso me faz digno de representar os escritores de tão alto mérito do Rio Grande do Sul hoje.”

mento em que tu tens que criar um hábito tão consistente de amor à leitura que tu fiques em dívida contigo mesmo quando não estiveres lendo, se tiveres diminuído o teu timing de leitura, se tu não tiveres adaptado a visitar as livrarias para comprar o livro, que tu vais precisar”. Leitor ávido, aproveita para deixar uma dica: “Eu recomendo, mais do que tudo, sublinhar o que for importante. Quando sublinhas um livro, tu passas a sublinhar dentro da tua própria mente. Esse espaço para a leitura é um espaço tão nobre quanto a nossa casa, quanto as nossas relações pessoais”.

Espaço para a leitura

Sobre a campanha desta edição, que convida as pessoas a abrirem uns parênteses, ou seja, um espaço na vida para a leitura, Coronel acredita que “é um espaço não alternativo nem secundário, mas essencial na vida das pessoas. É aquele mo-

Inovações no processo de escolha dos patronos

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A passagem do patronato em evento realizado no dia 13 de setembro, em Porto Alegre, foi marcada pela emoção. Pela primeira vez, coube ao homenageado da edição anterior o encargo de empossar seu sucessor. Dessa forma, Jane Tutikian, patrona da 57ª edição, foi a primeira a saudar Luiz Coronel. Os demais candidatos foram os escritores Cláudio Moreno (1), Cíntia Moscovich (2), Dilan Camargo (3), David Coimbra (4), Fabrício Carpinejar (5), Celso Gutfreind (6) e Airton Ortiz (7). Também concorreram ao título Aldyr Garcia Schlee e Celso Sisto. No entanto, a mudança no protocolo não foi a única novidade. Neste ano, por sugestão do Conselho de Patronos da Feira (Copa), a lista de patronáveis voltou a ter dez nomes – nas últimas edições, eram cinco. Na primeira fase, que teve início em julho, os associados da Câmara Rio-Grandense do Livro receberam cédulas de votação para indicar nomes de possíveis candidatos. Na segunda etapa do processo, participaram da escolha, além dos associados, ex-patronos e representantes de entidades culturais do Estado, reitores de universidades e diretores de faculdades. A principal inovação ficou por conta da participação do público, que pôde votar em urnas espalhadas pelas livrarias de Porto Alegre até o dia 9 de setembro, como parte de uma ação para aproximar ainda mais a população da Feira do Livro.

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diversidade

Feira do Livro, palco da diversidade

Evento abre espaço para atrações voltadas a diferentes públicos.

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m espaço democrático, sem muros, por onde transitam pessoas de todas as idades, classes sociais, etnias e credos. Algumas buscam livros, outras se interessam por debates, famílias aproveitam os espetáculos artísticos, e há até mesmo aqueles que gostam de visitar a Feira apenas para passear e observar o movimento, o alegre burburinho. A diversidade também é percebida na oferta de opções da Feira: obras de todos os gêneros, oficinas, saraus, palestras, teatro, debates, encontros com autores, contações de histórias. O destaque não se limita à oferta de livros, mas também abrange a leitura, a escrita e a literatura. Muito mais

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do que um espaço de comercialização, hoje o evento representa um palco da diversidade cultural e social, um momento único de reunião dos mais diferentes grupos e interesses. Segundo a coordenadora da programação para adultos, Jussara Rodrigues, “a programação da Feira do Livro é pensada para atender aos mais diversos públicos”. As atividades são planejadas em conjunto com entidades organizadas da cultura, universidades e centros de estudos dos mais diversos temas, além de personalidades da cena literária local. Um dos cuidados na elaboração dessa programação é oferecer conteúdo de qualidade com abordagens diferenciadas, desde atividades de caráter técnico e teórico,


Liberdade para criar Um espaço onde todos têm vez e voz. Na 58ª edição, um exemplo de como a paixão pela leitura e literatura pode chegar a todos os lugares é o lançamento e a sessão de autógrafos coletiva de um livro totalmente produzido por 40 apenados do Rio Grande do Sul. Intitulada Vozes de um Tempo, a publicação inclui contos, poemas e crônicas, divididos por assuntos; a capa e as ilustrações foram produzidas também pelos internos. A iniciativa é uma parceria entre o Banco de Livros (integrante da Fundação de Bancos Sociais da Federação das Indústrias do RS - Fiergs) e a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe).

Acesse: www.feiradolivropoa.com.br/noticias/ depoimento-glauciade-souza e leia o depoimento da escritora Gláucia de Souza (página 18).

mais voltadas ao público acadêmico, até debates mais abrangentes, em linguagem acessível ao grande público, que busca informação ou é movido por interesse e curiosidade. Para o jornalista e professor Antonio Hohlfeldt, patrono da 53ª edição da Feira, a ampla variedade de opções tem se mostrado um dos pontos cruciais na organização do evento. “A Câmara Rio-Grandense do Livro tem se preocupado em diversificar e em propor cada vez mais alternativas de atrações. Nos últimos dez anos, houve um salto de qualidade na oferta de atividades”, enfatiza. Ele ainda ressalta a importância de se oferecer conteúdo que interaja com os lançamentos e acredita que esse planejamento é fundamental para atrair e disseminar o interesse pelo conhecimento: “Muitas vezes, as pessoas que compram livros aproveitam a oportunidade de conhecer mais sobre o autor e a obra nas palestras e seminários temáticos. E há os que participam das atividades e acabam se interessando por comprarem os livros. Esse é um ciclo virtuoso que explica, em grande parte, o sucesso da Feira”.

Alcance

O êxito do evento passa também pelo alcance cada vez mais amplo,

na opinião do radialista, folclorista e pesquisador da cultura gaúcha João Carlos Paixão Côrtes, que o acompanha desde a 2ª edição, em 1956. Patrono da 56ª Feira do Livro, ele conta que as edições iniciais davam maior destaque aos autores estrangeiros e foi se adaptando até o modelo atual, com a crescente valorização da produção literária brasileira. Paixão Côrtes lembra um momento marcante ocorrido durante o patronato: vieram prestigiá-lo representantes de movimentos folclóricos do interior do Estado, com vestes e acessórios típicos, segundo ele, “manifestações vivas do folclore”. Para o ex-patrono, a Feira constitui “um momento único em que as pessoas podem se descobrir (como povo) e descobrir e conhecer os outros”. Dessa maneira, o intercâmbio de informações permite que a população reconheça sua identidade cultural e tenha acesso ao conhecimento oferecido por outros povos, outros grupos. Assim, a diversidade abre portas para a troca. O folclorista ainda cita outro ponto importante: gente de todos os níveis sociais, econômicos, culturais, com experiências variadas, circula livremente pelas “ruas” montadas na Praça da Alfândega e arredores. Esse aspecto faz da Feira, na opinião de Paixão, “um grande evento popular, um grande momento de movimentação cultural”.

Projeto Asteroide Em 2000, a Feira começou a acolher de forma organizada os meninos e as meninas em situação de vulnerabilidade social que perambulam pelo centro da cidade. O projeto, que funciona em articulação com entidades e o poder público, possibilita a participação das atividades oferecidas às demais crianças e adolescentes, em igualdade de condições.

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A Feira fora da Feira A partir de 2008, o evento passou a descentralizar as atividades para levar à periferia da Capital programações literárias e artísticas e, de quebra, incentivar os talentos locais. A cada edição, três bairros recebem a caravana cultural – um por final de semana. Aos sábados, a programação da Feira vai para a comunidade. Aos domingos, a comunidade vai até a Feira.

Para a escritora carioca Gláucia de Souza, a programação “é um enorme guarda-chuva que acolhe vontades e reflexões leitoras, bem como procura conquistar cada possível futuro leitor que por ela passe”. Participante ativa da Feira, ela trabalha na organização de atividades e encontros relacionados à formação de mediadores de leitura, como o projeto Tessituras, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Também atua na Traçando Histórias – Mostra de Ilustração de Literatura Infantil e Juvenil, que, a partir desta edição, passa a ser uma correalização do SESC-RS e da CRL. A mostra é realizada no Cais do Porto, dentro da programação da Área Infantil e Juvenil, da qual participam dezenas de escritores, ilustradores, contadores de histórias e artistas. Gláucia acredita que esse encontro literário possibilita a integração entre profissionais de diversas áreas, leitores e futuros leitores. “A progra-

mação da Feira do Livro de Porto Alegre caracteriza-se pela diversidade, para fomentar a leitura entre pessoas de diferentes idades e condições sociais.” Sônia Zanchetta, coordenadora da programação da Área Infantil e Juvenil, lembra que a Feira é o ponto culminante de um trabalho desenvolvido ao longo do ano na área de formação de leitores, por prefeituras, escolas, bibliotecas e outras entidades parceiras. “Escolas de várias regiões do Estado montam espetáculos especiais, para serem apresentados, ou editam livros, para serem autografados, no Território das Escolas. Além disso, projetos que se destacam por sua efetividade, continuidade e seu caráter inovador são exibidos na Vitrina da Leitura; escolas agendam turmas de alunos para encontrar autores dos quais leram obras previamente e professores, bibliotecários e outros mediadores da leitura participam de trocas de experiências e outras atividades.” (leia mais sobre formação de leitores a partir da página 28).

Qualificação

O público da terceira idade tem procurado cada vez mais o evento por saber que também será contemplado na programação. Essa é a avaliação de Izabel Ibias, que participa da Feira do Livro desenvolvendo atividades para a chamada “melhor idade”. Há 29 anos, ela trabalha com teatro em um projeto denominado Ensina-me a Viver, que realiza espetáculos com atores de mais de 60 anos. Na Feira do Livro, além de encenações, organiza recitais e debates para esta faixa etária. O foco desse trabalho, segundo Izabel, é fazer com que as pessoas reflitam sobre a necessidade de aprender a envelhecer. As atividades são organizadas de modo a atender às preferências e aos interesses dos frequentadores, não somente no conteúdo, mas também no esquema de horários (a maioria dos eventos propostos ocorre no início da tarde). “A Feira do Livro está qualificada, também, por essa abrangência na programação. Pensar e trabalhar para e com os idosos é estar adequada ao terceiro milênio de um mundo em permanente transformação.”

Bibliodiversidade O termo é utilizado para definir a diversidade aplicada ao universo do livro e do mercado editorial. Ecoando a noção de biodiversidade, procura garantir a diversificação das ofertas editoriais disponíveis para os leitores. A Aliança Internacional de Editores Independentes instituiu 21 de setembro como “Dia B – o dia da Bibliodiversidade”.

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integração

A Feira como aliada na revitalização do Centro Histórico A tradição do evento, associada a outras ações, contribui para valorizar a área.

Acesse: www.feiradolivro-poa.com.br/noticias/ depoimento-armindo-trevisan e confira o depoimento de Armindo Trevisan

D

iariamente, milhares de pessoas circulam pelo Centro Histórico de Porto Alegre, que concentra comércio e múltiplos serviços. A partir da década de 1980, a área, que já foi considerada a mais nobre da cidade, começou a perder espaço para os shoppings e para os bairros residenciais mais afastados. Nos últimos anos, diversas ações vêm sendo promovidas para revitalizar a região e fazer com que cada vez mais a população volte a ter o bairro como referência em atrações culturais, de lazer, compras e moradia. A Feira do Livro tem papel fundamental nesse contexto. Além de ajudar a levar as pessoas ao Centro, contribui para que o cidadão conheça os outros espaços ao redor da Praça da Alfândega, como o Santander Cultural, o Memorial do Rio Grande do Sul e o Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (Margs), ou das suas proximidades, como a Casa de Cultura Mario Quintana, e o Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (veja mais a partir da página 24), estejam eles abrigando atividades do evento ou não. E mais do que isso: que passe a frequentar esse circuito cultural no restante do ano. Nesta edição, Santander, Memorial e CCMQ recebem atividades da programação para adultos. O escritor e filósofo Donaldo Schüler, patrono da 50ª Feira do Livro, defende a teoria de que os porto-

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-alegrenses precisam se espelhar mais nos antigos gregos, povo que valorizava o espaço público em detrimento do privado. “Não valorizamos suficientemente os espaços públicos que Porto Alegre nos oferece. A Feira do Livro acontece em lugares que distinguem nossa cidade. O livro, que resiste ao aparelho eletrônico, nos oferece momentos privilegiados de troca de ideias e de convivência em um dos espaços mais belos de nossa cidade”. E complementa: “Todos os prédios nas proximidades da Praça da Alfândega adquirem novo significado a partir da Feira do Livro. O livro dá um novo sentido às nossas vidas e aos lugares que frequentamos”. E que medidas tomar para um enobrecimento do espaço público? O escritor e professor Armindo Trevisan (foto), patrono da 47ª edição, acredita em uma parceria entre sociedade e poder público. “Às autoridades, compete pensar nisso, sugerir modificações, recorrer a arquitetos, historiadores, urbanistas. Nossa imaginação de cidadãos comuns já não basta para driblar os problemas diários que se apresentam na Capital. Porto Alegre está perdendo, gradativamente, seus encantos. Ainda bem que os jacarandás nos apoiam, e florescem todos os anos. As paineiras, também, são nossas aliadas no outono. Talvez os responsáveis credenciados de nossa cidadania, os grandes empresários, os comerciantes do Centro, e, naturalmente, os boêmios supérstites possam ajudar. Não esqueça um dado estatístico: entre os boêmios, existem talentos inaproveitados.” Trevisan destaca ainda o papel da Feira do Livro em fazer com que o

cidadão conheça novos espaços. “O problema está no que se entende por conhecer. Pouco adianta visualizar fachadas de edifícios. O maravilhoso seria persuadir as pessoas a entrar, a saborearem mentalmente, sensivelmente, o que dentro desses edifícios existe. Para isso, seria necessário melhorar a educação cultural. O respeito e o interesse pela História não nascem com o indivíduo: são adquiridos. Como fazer para que as pessoas busquem algo mais do que shows e espetáculos espalhafatosos de entretenimento? Tudo, em nossa sociedade, é feito para épater, deslumbrar. A Feira do Livro, sob certo aspecto, é um antídoto à tal trivialização”, comenta Trevisan.

Investimentos

A atuação conjunta defendida por Trevisan pode ser percebida em iniciativas como a Rede de Amigos do Centro Histórico e o Programa Monumenta. A Rede de Amigos do Centro Histórico de Porto Alegre – Brasil é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, que reúne pessoas e

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entidades em torno de um objetivo comum: a valorização e a melhoria do Centro Histórico. De acordo com a presidente da Rede, Rita Chang, as ações e os projetos postos em prática nos últimos anos vêm melhorando o status do bairro. “O nosso projeto de alteração da denominação de Centro para Centro Histórico [2008] agregou um conceito e

alterou a percepção das pessoas. Tivemos também investimentos do Programa Monumenta em vários pontos do Centro Histórico, especialmente na Praça da Alfândega. Ela já mostrou uma incrível oxigenação durante a Feira do Livro,” comemora Rita, que é engenheira civil e especialista em Patrimônio Histórico. Medidas como estas, somadas com as intervenções da Prefeitura, fizeram com que houvesse uma retomada dos investimentos privados. Segundo ela, nos últimos três anos, mais de R$ 100 milhões foram investidos no Centro, na criação de espaços novos e

Revitalização do Porto Cais Mauá Desde 2005, o Porto Cais Mauá abriga a Área Infantil e Juvenil. Em novembro de 2011, foi aprovado o projeto de revitalização da área, que também recebe a Bienal do Mercosul. Idealizada pelo escritório espanhol b720, juntamente com o arquiteto brasileiro Jaime Lerner, a obra será executada pelo consórcio Porto Cais Mauá do Brasil S.A. “A Feira do Livro é um evento muito especial para a cidade de Porto Alegre. O cidadão porto-alegrense – e gaúcho – já está acostumado com a verdadeira festa literária que transforma o Centro de nossa cidade. A revitalização do Cais Mauá é um processo de transformação do Centro. E a pretensão é de que, a partir do Cais, todo o Centro de Porto Alegre acabe se transformando em um lugar ainda melhor de se frequentar e viver”, entende Mário Freitas, diretor-executivo do consórcio Cais Mauá. A decisão dos acionistas da Porto Cais Mauá do Brasil S.A. prevê que os armazéns estarão prontos para a Copa do Mundo de 2014. Os outros empreendimentos dentro do Cais (shopping e prédios comerciais) estarão em andamento conjuntamente. “Estamos todos trabalhando muito forte para concretizar esta decisão”, finaliza Freitas.

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na reforma de antigos. O reflexo foi uma maior valorização dos imóveis residenciais e comerciais na região. Por sua vez, o Monumenta é um programa do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan/ Ministério da Cultura, que atua em 26 cidades brasileiras na recuperação e preservação do patrimônio histórico com desenvolvimento econômico e social. Além de promover obras de restauração e recuperação em espaços públicos, como a Praça da Alfândega, que deve ser concluída no segundo semestre deste ano, também executa projetos em monumentos da Capital. Para a arquiteta Briane Bicca, coordenadora do Monumenta Porto Alegre desde 2002, coube à Feira do Livro ser uma das âncoras do

interesse da população, dos visitantes e dos governos pelo Centro. Conforme ela, o evento sustentou a imagem da região nos anos difíceis. “A Feira do Livro demonstrava, a cada ano, que o Centro era viável, e como era bonito. Uma vez por ano, o Centro era frequentado por uma parcela significativa da população, atraída pela Feira. Nas últimas décadas, em base a uma animada programação cultural, cresceu a presença de público e das escolas. A abertura para o Guaíba foi essencial. A ocupação da Avenida Sepúlveda pelos livreiros do exterior expandiu os horizontes com a sua babel literária. Os anos difíceis pertencendo ao passado, felizmente, a Feira continua sua caminhada, cada vez melhor.” Ela destaca a importância da utilização do Cais do Porto pela Área Infantil e Juvenil e do projeto de revitalização Cais Mauá (veja boxe). “Poder circular pelo nosso passeio público que é a Praça da Alfândega, seguir pelo belo boulevard da Sepúlveda, e franquear a barreira do muro, entrando pelo cais, e se aproximar do Guaíba por si só virou uma atração, oferecida pela Feira como um deleite às nossas crianças. E a todos nós.”

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turismo

(Re)descobrindo Porto Alegre A Feira do Livro é a oportunidade para explorar as riquezas do Centro.

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Centro Histórico guarda a alma da cidade. Nele, estão os prédios históricos mais significativos e grande parte das manifestações multiculturais da Capital, que é plural por natureza. A Feira do Livro é a oportunidade ideal para você, turista ou portoalegrense (de nascimento ou por “adoção”), debruçar um olhar mais atento sobre o Centro Histórico e fazer uma (re)descoberta dessa região tão especial. Grande parte das atrações está na rua onde a cidade nasceu e cresceu: a Rua dos Andradas, popularmente conhecida como Rua da Praia, a mais antiga de Porto Alegre. Sua origem remonta ao ano de 1752, com a chegada dos 60 casais recrutados nas ilhas dos Açores para povoar a área. À épo-

ca, a via começou a ser chamada informalmente de Rua da Praia pelo fato de o Lago Guaíba margeá-la. Com o passar dos anos, o local foi sendo aterrado. “Acredito que não exista nenhuma rua no mundo que seja tão importante quanto a Rua da Praia é para Porto Alegre”, diz o jornalista e escritor Rafael Guimaraens, autor do livro Rua da Praia – Um Passeio no Tempo. Um pouco antes de se chegar à Praça da Alfândega, coração da Feira do Livro, a primeira parada é o Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (quase na esquina com a Rua General Câmara). O prédio, conhecido como “Força e Luz”, foi construído entre 1926 e 1928. Após ser reformado, em 2001, passou Revista da Feira do Livro – 2012 • 24


Acesse: www.feiradolivropoa.com.br/a-feira/acidade e conheça mais sobre a Capital

a abrigar exposições e eventos. Lá, funcionam o Memorial Erico Verissimo, a Biblioteca O Continente e o Museu da Eletricidade, além de salas para cursos e oficinas. Ao chegar à Praça, aproveite para fazer as suas andanças pelas bancas das livrarias, editoras e distribuidoras e pelos espaços da Feira – isso inclui a Área Infantil e Juvenil, no Cais do Porto, às margens do Guaíba. Mas, atenção, retorne à Praça, pois nela está o Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli, cuja construção, de 1912, abrigou originalmente a Delegacia Fiscal. O Margs conta com uma coleção de aproximadamente 2,7 mil peças. O museu tem, ainda, um café e um bistrô, que é um dos lugares preferidos do jornalista Ruy Carlos Ostermann. “O bistrô é muito agradável e simpático. Ele, de certa forma, acaba reunindo os interesses da Feira”, afirma o patrono da 48ª edição do evento. Ainda na Praça da Alfândega, está o Memorial do Rio Grande do Sul (prédio construído entre 1910 e 1914 para sediar os Correios e Telégrafos). Em 2000, após a reforma, o local foi reaberto ao público, reunindo um vasto acervo (objetos, gravuras, depoimentos, etc.) sobre a história do Rio Grande do Sul. Ao lado do Memorial, está o Santander Cultural. Construído pelo Banco Nacional do Comércio entre 1927 e 1932 e reformado a partir de 2000 para sediar o centro cultural, o prédio de beleza arquitetônica única recebe uma programação intensa, com salas de cinema, espaços para apresentações musicais e exposições. Em seu subsolo está o charmoso Café do Cofre. Deixando a Praça e continuando a caminhada pela Rua da Praia, em seguida se vê a Casa de Cultura Mario Quintana. O

Um prédio de encher os olhos Ficou empolgado com a redescoberta do Centro? Pois Porto Alegre tem muito mais para oferecer. Seguindo pela orla do Guaíba, você vai chegar à Avenida Padre Cacique, na Zona Sul, que abriga a Fundação Iberê Camargo. O prédio de linhas arrojadas, projetado por Álvaro Siza, um dos arquitetos contemporâneos mais importantes do mundo, foi inaugurado em 2008. A instituição realiza exposições, seminários e oficinas sobre a obra de Iberê Camargo e sobre questões ligadas à arte contemporânea. Para arrematar, o pôr do sol no Guaíba, visto da Fundação, é de tirar o fôlego.

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Mercado Público, tudo passa por lá Impossível falar do Centro sem citar o Mercado Público. Por dia, conforme dados da Prefeitura, passam por lá cerca de 150 mil pessoas. As atrações principais são as bancas, nas quais você encontra uma variedade de produtos alimentícios: fiambres, frutas, legumes, verduras, carnes, especiarias, vinhos e artigos importados. Ao longo dos anos, o Mercado (que foi fundado em 1869 para abrigar o comércio de abastecimento da cidade) vem se destacando pela variedade gastronômica. Lá, você encontra sorvetes artesanais, na Banca 40, comida japonesa e os supertradicionais Bar Naval, restaurante Gambrinus e padaria Copacabana, entre outros. Ao lado do Mercado, está o prédio do Paço Municipal, um dos edifícios históricos mais importantes do Estado, tombado em 2003.

prédio, cuja primeira parte foi concluída em 1918, abrigou durante quase 60 anos o Hotel Majestic, lar do poeta Mario Quintana por 12 anos. Reformada e convertida em centro cultural, a Casa foi reaberta em 1990. Por lá, você vai encontrar salas de cinema e para apresentações teatrais e uma programação movimentada, com oficinas, exposições e seminários. A Casa de Cultura, aliás, também conta com as bibliotecas Erico Verissimo e Lucília Minssen. Mais adiante, está a imponente Igreja das Dores. Para acessá-la, o turista tem de encarar 245 degraus. A pedra fundamental da construção foi lançada em 1807, mas ela só foi concluída quase um século depois, em 1904. Nos últimos anos, vem passando por restaurações. Andando mais três quadras, você chega à Usina do Gasômetro. O prédio foi erguido em 1927 para abrigar a Companhia Brasil Força Elétrica. A usina foi desativada em 1970 e, em 1988, começou a ser restaurada para virar o atual centro cultural, que abriga exposições, oficinas e sala de cinema. O entorno da Usina (de onde, diga-se de passagem, se vislumbram belas vistas do Guaíba) também é um ponto de encontro dos porto-alegrenses para cultura e lazer. Depois, o passeio pelo Centro Histórico pode continuar pela Rua Duque de Caxias. Na via, estão o

Palácio Piratini, sede do governo estadual, a Catedral Metropolitana, a Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul, o Museu Júlio de Castilhos, o Solar dos Câmara e a Praça Marechal Deodoro, conhecida como Praça da Matriz. Na Matriz, encontra-se o tradicionalíssimo Theatro São Pedro, inaugurado em 1858. Nele, fica um dos pontos preferidos da escritora Lya Luft no Centro, o Du’Attos Café, no Foyer Nobre. “O café está num lugar que une beleza e tradição. Adoro sentar na sacada e ficar admirando os jacarandás da praça”, conta a patrona da 42ª edição da Feira do Livro.

De ônibus, a pé, de catamarã

Existem outras opções para conhecer a cidade. Uma delas é o city tour Linha Turismo, em um ônibus especial com o segundo andar aberto, que propicia uma visão privilegiada. Existem dois roteiros: Centro Histórico e Zona Sul. Para quem curte andar a pé, têm as caminhadas do programa Viva o Centro a Pé. Elas são orientadas por professores universitários e estudiosos em história, arquitetura e artes que narram a história das edificações e dos espaços públicos do Centro. Elas são oferecidas duas vezes por mês, sempre aos sábados. Aos sábados, acontece a feira Caminho dos Antiquários. A Rua Marechal Floriano, entre a Fernando Machado e a Demétrio Ribeiro, é bloqueada, e as lojas de antiguidades colocam seus produtos na rua. Por fim, você pode explorar as belezas do Guaíba, fazendo a travessia de catamarã entre Porto Alegre e o município de Guaíba. São diversas opções de horário e você pode comprar o bilhete com antecedência. Também é possível navegar pelo Guaíba no barco Cisne Branco. O passeio “Navegando pelo Guaíba” passa pelas ilhas e dura cerca de uma hora. Revista da Feira do Livro – 2012 • 26


Serviço

Fundação Iberê Camargo

Avenida Padre Cacique, 2000 www.iberecamargo.org.br (51) 3247-8000 Horário: terça a domingo (inclusive feriados), das 12h às 19h/ quinta, até as 21h

Igreja das Dores

Informações: (51) 3333-1873 Ocorre no primeiro e no último sábado de cada mês. A Rua Marechal Floriano, entre as ruas Fernando Machado e Demétrio Ribeiro, é fechada para o trânsito de veículos e as lojas de antiguidades expõem seus produtos na rua.

Rua dos Andradas (entre as ruas Gen. Bento Martins e Gen. Canabarro) www.igrejadasdores.org.br (51) 3228-7376 Horário de visitação: de segunda a sexta, das 8h30min às 19h30min (fecha das 12h às 12h30min)/ sábado e domingo, das 8h30min às 19h30min (fecha das 12h às 13h30min) Horário de missas: de segunda a sábado, às 18h30min/ domingo, às 8h30min, às 10h e às 18h30min

Casa de Cultura Mario Quintana

Linha Turismo

Caminho dos Antiquários

Rua dos Andradas, 736 www.ccmq.com.br (51) 3221-7147 Horário: segunda, das 14h às 21h/ de terça a sexta, das 9h às 21h/ sábado e domingo, das 12h às 21h

www.portoalegre.travel/site/linha_turismo.php Centro de Informações Turísticas – (51) 3289-0176

Catamarã – travessia Porto Alegre-Guaíba

www.travessiapoaguaiba.com.br 0800-051-6216 Embarque: Armazém B3 do Cais Mauá, em Porto Alegre O serviço funciona todos os dias, variando o horário da primeira saída de Porto Alegre: 7h (segunda a sexta), 8h (sábado) e 9h (domingos e feriados) As partidas ocorrem de hora em hora, tanto de Porto Alegre quanto de Guaíba A travessia dura cerca de 20 minutos

Catedral Metropolitana

Rua Duque de Caxias, 1047 www.catedralmetropolitana.org.br (51) 3228-6001 Horário de visitação: de segunda a sexta, das 7h às 18h/ sábado, das 9h às 18h/ domingo, das 8h às 18h Horário de missas: de segunda a sexta, às 7h30min e às 18h30min/ sábado, às 17h e às 18h30min/ domingo, às 8h30min, às 10h e às 18h30min

Centro Cultural CEEE Erico Verissimo

Mercado Público

Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli – Margs

Praça da Alfândega, s/nº www.margs.rs.gov.br (51) 3227-2311 Horário: de terça a domingo, das 10h às 19h

Palácio Piratini

Praça Marechal Deodoro, s/nº Horário de visitação: de segunda a sexta, das 9h às 11h30min e das 14h30min às 17h (cada visita dura 30 minutos) Para grupos maiores, como excursões e turmas de escolas, mediante agendamento pelo telefone (51) 3210-4170

Santander Cultural

Rua Sete de Setembro, 1028 www.santandercultural.com.br (51) 3287-5500 Horário: de terça a sábado, das 10h às 19h/ domingos e feriados, das 13h às 19h

Solar dos Câmara

Roteiro Centro Histórico

Saída do Terminal da Linha Turismo (Travessa do Carmo, 84, bairro Cidade Baixa) De terça a domingo Horários: 9h/ 10h/ 11h/ 12h/ 13h30min/ 14h30min/ 15h30min/ 16h30min Ingresso: R$ 15 Pontos de venda: Secretaria Municipal de Turismo (Travessa do Carmo, 84) Café do Brique (Mercado do Bom Fim, loja 1) Saúde no Copo (Avenida 24 de Outubro, 742) Café do Mercado (Mercado Público) Chalé da Praça XV (Largo Glênio Peres) Santander Cultural Loja da Fundação Iberê Camargo

Roteiro Zona Sul

Rua dos Andradas, 1223 www.cccev.blogspot.com.br (51) 3228-9710/ 3226-7974 Horário: de terça a sexta, das 10h às 19h/ sábado, das 11h às 18h

Rua Sete de Setembro, 1020 www.memorial.rs.gov.br (51) 3224-7210 Horário: de terça a sábado, das 10h às 18h

Largo Glênio Peres, s/nº www.portoalegre.rs.gov.br/mercadopublico (51) 3289-4800/ 3289-4801 Horário: segunda a sexta, das 7h30min às 19h30min/ sábado, das 7h30min às 18h30min (de segunda a sexta, após as 19h30min, os portões da Avenida Borges de Medeiros e do Largo Glênio Peres ficam abertos até meia-noite, para acesso aos restaurantes e bares. Os restaurantes e bares não funcionam aos sábados à noite)

Caminhadas – Viva o Centro a Pé

As caminhadas guiadas são oferecidas duas vezes por mês, sempre aos sábados. Interessados podem entrar em contato pelo telefone (51) 3333-1873 e pelo e-mail vivaocentroape@gmail.com

Memorial do Rio Grande do Sul

Rua Duque de Caxias, 968 (entrada pela Assembleia Legislativa) visitasguiadas@al.rs.gov.br (51) 3210-1148 Horário de visitação: segunda a sexta, das 9h às 18h, mediante agendamento por e-mail ou telefone

Theatro São Pedro

Praça Marechal Deodoro, s/nº www.teatrosaopedro.com.br (51) 3227-5100/ 3227-5300 Horário de visitação: segunda a sexta, das 12h às 18h/ sábado e domingo, das 16h às 18h A partir de 10 pessoas, mediante agendamento por telefone

Usina do Gasômetro

Avenida Presidente João Goulart, 551 usina@smc.prefpoa.com.br (51) 3289-8100/ 3289-8140 Horário: de terça a sexta, das 9h às 21h/ sábado e domingo, das 10h às 21h

Saída do Terminal da Linha Turismo De terça a domingo, às 14h Sábado, domingo e feriados também às 10h30min Ingresso: R$ 15 Ponto de venda: Secretaria Municipal de Turismo

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leitura

Leitores de hoje e de amanhã Programas de incentivo mobilizam educadores e alunos em torno do livro e da leitura.

F

ormar pessoas com habilidade para fazer uso da leitura e da escrita tem sido o grande desafio da escola. Por trás do desenvolvimento dessas competências, está em questão muito mais do que ler e escrever, está o exercício pleno da cidadania. Em apoio à tarefa dos educadores, diversos projetos de incentivo à leitura são desenvolvidos no Rio Grande do Sul, envolvendo instituições de ensino, entidades, poder público municipal e estadual e iniciativa privada. Exemplos da atuação conjunta são os programas de incentivo à leitura promovidos pela Câmara Rio-Grandense do Livro e seus parceiros, que, anualmente, beneficiam dezenas de instituições de ensino das redes públicas municipal e estadual. As atividades desenvolvidas culminam em uma grande troca de experiências durante a Feira do Livro. O mais antigo deles, o Adote um Escritor, é realizado em parceria com a Secretaria de Educação de Porto Alegre (Smed) desde 2002. Por meio da iniciativa, são realizados encontros com autores e ilustradores em escolas de ensino básico, atendendo desde alunos da Educação Infantil até da Educação para Jovens e Adultos (EJA). As obras para a

leitura prévia por alunos e professores são adquiridas com recursos da Smed, que também se responsabiliza pela renovação dos acervos das bibliotecas escolares, pelo custeio do transporte local dos autores adotados e pela locação de ônibus para a visitação escolar à Feira. As instituições que optam por obras de autores de fora do Estado realizam os encontros durante a Feira do Livro. Neste ano, serão realizados 131 encontros de autores nas 96 escolas da rede municipal de ensino – as escolas com EJA recebem um encontro extra. Para ampliar o alcance destas iniciativas, a CRL firmou parceria com a Secretaria Estadual de Educação e criou, em 2008, o Lendo pra Valer. Nesta edição, além das instituições de ensino que fazem parte das

Revista da Feira do Livro – 2012 • 28

Acesse: www.feiradolivropoa.com.br/ noticias/entrevistakarine-pansapresidente-doinstituto-pro-livro e saiba mais sobre a Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (página 31)


Coordenadorias Regionais de Educação da 1ª, 12ª, 27ª e 28ª, que têm sede em Porto Alegre, Guaíba, Canoas e Gravataí, respectivamente, o programa também foi estendido para a 2ª CRE, sediada em São Leopoldo. Ao todo, serão realizados encontros com escritores e ilustradores em 60 escolas estaduais, após a leitura de obras de sua autoria por alunos e educadores. A CRL viabiliza as visitas dos autores, enquanto a Secretaria de Estado da Educação garante os recursos para que as escolas adquiram as obras. Participante do Adote um Escritor e do Lendo para Valer, Jane Tutikian (foto de abertura da página 28), escritora, professora e patrona da 57ª edição da Feira do Livro, afirma que os programas são fundamentais: “Em primeiro lugar, mobilizam os professores para o ato da leitura. Em segundo

Mapa da Leitura no RS Em 2011, o Clube dos Editores do RS iniciou um levantamento – ainda em construção – sobre programas de livro e leitura desenvolvidos no Estado, para elaborar um Mapa da Leitura. Segundo o estudo, apenas um dos 496 municípios gaúchos não possui biblioteca pública. Como alguns possuem mais de uma, o Sistema Estadual de Bibliotecas tem 526 cadastradas, incluindo municipais mapeadas, estaduais e comunitárias. Entre as 44 secretarias municipais que promovem programas, as ações mais citadas são a hora da leitura, itinerância de livros, feiras, semanas do livro e mostras literárias com a presença de escritores.

lugar, colocam o escritor junto ao seu público e isso é um enriquecimento mútuo. Do aluno, porque tem a oportunidade de dialogar com quem escreveu o livro, o que sempre é um estímulo a mais para a leitura, mas, também, porque este diálogo alimenta a criação do escritor”. A escritora paulista Heloisa Prieto, que participa há vários anos do Adote um Escritor, conta que várias de suas obras surgiram de conversas com os leitores. E ela destaca a importância dessa interação para o aprimoramento de seu trabalho. “O texto nos é devolvido ampliado por muitas sensibilidades. O fazer literário necessita de estudo, rotina, observação, e os leitores gostam muito de conversar sobre os segredos do ofício.” O escritor Alcy Cheuiche, patrono da 52ª edição da Feira do Livro, participante de vários programas (Adote um Escritor, Fome de Ler e Autor Presente, desenvolvido pelo Instituto Estadual do Livro), destaca a importância dessas iniciativas para fortalecer o gosto pela leitura e também pela escrita. “O encontro entre leitor e escritor é um momento raro de troca, e forma uma corrente maravilhosa que realimenta todo o processo: aumenta a vontade de ler e o desejo do autor em continuar escrevendo”. Responsável pela coordenação de programas de formação de leitores e de mediadores de leitura da Câmara Rio-Grandense do Livro, a professora de literatura Ana Paula Cecato acredita que a “magia dos programas de leitura está em oportunizar a toda comunidade escolar um mergulho no universo criador do autor e um envolvimento na realização de diferentes tipos de produções, como recriações de suas obras, fazendo com que também experimentem o sabor da linguagem literária”.

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Aletramento fraterno O processo de formação de leitores pode começar antes mesmo da alfabetização. Para a escritora Alessandra Pontes Roscoe, idealizadora e coordenadora do Clube de Leitura Uni Duni Ler, de Brasília, este envolvimento pode iniciar ainda na gestação, através da leitura em voz alta de histórias. Ao se referir à inserção dos bebês e dos pré-leitores no mundo dos livros, ela utiliza a expressão “aletramento fraterno” – inspirada no aleitamento materno –, no qual a mãe e outros cuidadores podem desempenhar esse papel. A escritora organizou especialmente para a Feira do Livro um guia de leitura com sugestões de 180 obras para crianças com até seis anos de idade. O evento conta com uma Bebeteca na Área Infantil e Juvenil, com acervo específico para crianças e cuidadores. O espaço fica à beira do Guaíba e funciona em parceria com o SESC-RS.

Desafios

O interesse pela leitura tem de se estender por toda a vida. Como nos levantamentos anteriores, a 3ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil revela que os índices de leitura são maiores durante o período escolar ou estão atrelados ao estudo, tendendo a cair nos leitores adultos (veja mais na página 31). Jane Tutikian enfatiza a necessidade de se resgatar esses leitores: “Dizem as estatísticas que, daqueles leitores que se perdem na quinta série (o ponto crítico), só se recuperam 2% na vida adulta. Há mais: os adolescentes e as crianças leem, quem não lê é o adulto. Acho que devemos incrementar uma campanha do tipo: ‘Se quer que seus filhos leiam, leia você primeiro’. Este, para mim, é o caminho”, aponta. Para Heloísa Prieto, existem várias maneiras de reconquistar este público: “Feiras de livros, bibliotecas comunitárias, saraus, leituras dramáticas, espaços para publicação de novos autores são ferramentas de compartilhamento da escrita e leitura do adulto. A

literatura é o registro da experiência humana, vital para todas as idades”. Em Imigrante, no interior do Rio Grande do Sul, as crianças dão o exemplo e incentivam os adultos a retomarem o prazer de ler. No projeto Amigos da Leitura, os “agentes multiplicadores” (alunos do ensino fundamental do município) visitam empresas, promovem leituras de contos e poemas e emprestam livros. A iniciativa ganhou o Prêmio Fato Literário 2011, promovido pelo Grupo RBS, cujo anúncio ocorreu na 57ª Feira do Livro. Em abril deste ano, o projeto foi um dos vencedores do prêmio Amigos do Livro, homenagem da Câmara Rio-Grandense às pessoas e às entidades que se destacam na promoção da leitura.

Políticas voltadas para o livro e a leitura avançam no Estado Desde março deste ano, Porto Alegre conta com o Plano Municipal do Livro e da Leitura para viabilizar ações e investimentos nas áreas de democratização do acesso ao livro, fomento à leitura, formação de mediadores, valorização da leitura e comunicação e desenvolvimento da economia do livro. O grupo de trabalho responsável pela iniciativa englobou instituições do poder público e entidades, como a Câmara Rio-Grandense do Livro, e a discussão teve por base o Plano Nacional do Livro e da Leitura, de 2006. Já os debates em torno do Plano Estadual de Cultura iniciaram em 2011, com a Conferência Cultura para o Rio Grande do Sul Crescer. Para garantir a participação da sociedade, foram promovidos Diálogos Culturais por todo Estado e constituídos 10 colegiados setoriais, entre eles o do Livro, Leitura e Literatura. A partir dessas discussões, formou-se o texto-base para a criação do Plano. “No momento, estamos no período de consolidação de todas as contribuições”, explica o secretário-adjunto de Cultura do Estado, Jéferson Assumção.

Revista da Feira do Livro – 2012 • 30


Retratos da Leitura no Brasil A 3ª edição da pesquisa Retratos

O fato é que, infelizmente, o índice continua baixo, espe-

da Leitura no Brasil (a série iniciou em

cialmente quando consideramos somente os livros lidos por

2001), o maior e mais completo estudo

iniciativa própria (2,10), e, ao compararmos, por exemplo, o

sobre o comportamento do leitor brasi-

índice de leitura geral, 4,0, com resultados de outros países,

leiro, reforça a importância dos professo-

como a Espanha, onde o índice é de cerca de 12 livros lidos

res que, pela primeira vez, figuram como

ao ano”, afirma Karine Pansa, presidente do Instituto Pró-Livro.

os principais influenciadores da leitura (45%), seguidos pelas mães (43%).

“Nossa conclusão é que é urgente identificar ações mais efetivas para conseguirmos melhorar esses resultados e supe-

Promovido pelo Instituto Pró-Livro, o

rar dificuldades que dependem de políticas públicas duradou-

levantamento indica que o brasileiro lê

ras e efetivas, no sentido de garantir o direito à leitura a todos

em média quatro livros por ano, entre

os brasileiros”, defende.

literatura, contos, romances, livros religiosos e didáticos. Desse total, são lidos 2,1 livros inteiros e dois em partes. A pesquisa foi realizada entre junho e julho

Destaques Região Sul

de 2011 com 5.012 pessoas com cinco anos ou mais, em 315 cidades, represen-

O índice de

tando um universo de 178 milhões de

compras de livros

habitantes (93% da população).

na região repre-

No estudo, foram considerados

senta 56% do

leitores apenas as pessoas que leram

acesso às

pelo menos um livro, inteiro ou em

obras da

partes, nos últimos três meses. Quando

base de

avaliados apenas os estudantes, o nível

11,3 mi-

chega a 3,41 exemplares nos últimos

lhões de

três meses. Desse índice, 2,21 livros são

leitores.

indicados pelas escolas, sendo divididos

O número é 8% maior do

em 1,72 didático e 0,49 de literatura.

que a média nacional, que é de

Os dados revelam uma queda no nú-

48%. No que se refere aos emprésti-

mero de leitores no país: de 95,6 milhões,

mos, cerca de 35% dos entrevistados

registrados em 2007, para 88,2 milhões,

afirmaram buscar exemplares em biblio-

em 2011. Com exceção da região Nordes-

tecas escolares ou nas escolas, enquanto

te, as demais apresentaram retração nos

que no resto do Brasil o índice é de 26%. As

indicadores de leitura. Na região Sul, que

obras emprestadas por bibliotecas públicas

compreende Rio Grande do Sul, Santa

ou privadas estão em segundo lugar no país, com

Catarina e Paraná, o percentual de leitores

16%, atrás apenas da região Centro-Oeste.

passou de 53% para 43% da população,

Ainda no que diz respeito às formas de

embora o índice de livros lidos por ano,

acesso, os livros presenteados aparecem

4,2, continue acima da média nacional.

com um índice de 26%, sendo que a média

“De maneira geral, apesar da redução

brasileira é de 21%. Sobre a motivação para ler um

no indicador de leitura revelado pela

livro, os consultados indicaram que a principal é atualização

pesquisa, quando comparados os

cultural e conhecimentos gerais, para 56%. Primeiro lugar

resultados com os da edição de 2007,

no Brasil juntamente com a região Sudeste, a leitura por

avaliamos que não houve mudança sig-

prazer, gosto ou necessidade espontânea foi apontada por

nificativa no comportamento leitor do

51% dos leitores. A exigência escolar ou acadêmica figura

brasileiro, nesse período – 2007-2011.

com um índice de 41%, o terceiro maior do país.

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imagem

Dos livros para as telas Gêneros literários inspiram produções cinematográficas.

Acesse: www.feiradolivro-poa.com.br/noticias/dosfilmes-para-as-telas e confira a sinopse dos romances citados na matéria.

D

esde a origem da linguagem audiovisual, as obras literárias (conto, romance, novelas, entre outras) oferecem material – e claro, muita inspiração – para a produção de filmes. “O cinema, inclusive o brasileiro, sempre bebeu dessa fonte”, explica o cineasta e professor universitário Fabiano de Souza, um dos editores da Revista Teorema – Crítica de Cinema. O Rio Grande do Sul não foge à regra e conta com uma filmografia baseada em livros tão diversificada quanto à produção literária em si – dos dramas que remontam questões regionais aos filmes que discutem temas urbanos e contemporâneos, para citar duas vertentes. Em 2011, Souza deu sua contribuição com o lançamento de A Última Estrada da Praia (imagem de abertura), seu primeiro longa-metragem, uma livre adaptação de O Louco do Cati, de Dyonelio Machado (1895-1985). Um caso duplo de transposição, já que o projeto nasceu como um episódio para a série Escritores, da RBS TV, em 2007, com cerca de 25 minutos, no qual o trecho inicial fazia alusão ao livro. Para chegar ao cinema, a produção ganhou uma versão mais longa, com 93 minutos, que se insere na tradição dos road movies.

Revista da Feira do Livro – 2012 • 32


Contos Gauchescos em filme João Simões Lopes Neto (1865-1916) transformou as paisagens típicas, os conflitos e o linguajar do gaúcho do pampa em uma reconhecida obra literária. Para além do regionalismo, o que faz do escritor pelotense um dos grandes nomes do cenário rio-grandense e uma figura de proa na literatura brasileira é a universalidade. Amor, traição, ciúme e honra, para citar alguns temas que independem da geografia ou do sotaque, estão presentes em seus textos. Neste ano, quando se comemora o centenário de publicação de Contos Gauchescos, o livro ganha as telas em uma produção homônima, dirigida pelo cineasta Henrique de Freitas Lima. Dos 19 contos que têm como protagonista ou narrador o vaqueano Blau Nunes, quatro estão no filme: Os Cabelos da China, Jogo do Osso, Contrabandista e No Manantial.

Ao destacar que literatura e cinema “são áreas próximas, mas que têm códigos diferentes” – a palavra escrita, no caso da primeira, a imagem em movimento e o som, na segunda –, Souza reforça que o ponto de partida deve ser o que a obra significa para quem se dispõe a transpô-la. No caso do seu filme, ele explica que “tem uma busca pela alma do livro”, mas não um espelhamento com todos seus conflitos. Com isso, diferentemente de O Louco do Cati, cujo viés é marcadamente político, A Última Estrada da Praia ganhou contornos mais existencialistas ao abordar temas como os limites da amizade. Assistir a um filme pode motivar a leitura do livro? Souza acredita que sim e lembra que o seu curta Um Estrangeiro em Porto Alegre (1999), que trazia trechos de O Estrangeiro, de Albert Camus, provocou interesse pela obra do escritor franco-argelino.

Quem afirma é o escritor e cineasta Tabajara Ruas (foto). Juntamente com Leticia Wierzchowski, ele é responsável pelo roteiro de O Tempo e o Vento, filme de Jayme Monjardim, em fase de produção. “Adaptar uma obra para o cinema é uma atividade profissional e é assim que deve ser encarada. Mas O Continente é um livro fundador da nossa literatura. Isso torna o desafio extremamente delicado. Além disso, tem em torno de 850 páginas. Um roteiro para um filme de 2 horas e 30 minutos tem 150 páginas. Primeiro desafio: cortar 700 páginas de O Continente. Não é só um desafio, é um sacrilégio. Segundo desafio: saber que ninguém vai gostar, o que já é um consolo”, diz Ruas, se referindo ao primeiro livro da triologia de Erico Verissimo (1905-1975). Com oito romances publicados, Ruas também já esteve na posição inversa, como no curta-metragem O Dia em que Dorival Encarou a Guarda, de Jorge Furtado, cujo argumento foi extraído de O Amor de Pedro por João. “Não acompanhei a adaptação, mas acho que foi muito boa. E a sensação é sempre de

Desafios

Seja qual for a opção – se ater ao máximo ao texto literário, ainda que seja impossível verter palavra por palavra, ou tomar liberdades em relação ao original –, a transposição de um livro para um longa-metragem é um trabalho que exige concisão e supressão.

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surpresa mesclada com curiosidade pela nova interpretação”. Segundo ele, as expectativas devem ser dosadas. “Claro que interessa que o filme fique o mais próximo possível da obra literária, mas como fazer essa aproximação é um mistério. Depende do talento do adaptador. É sempre aconselhável separar as duas coisas, afinal, um livro é um livro e um filme é um filme”, diz Ruas, que dirigiu os longasmetragens Netto Perde Sua Alma (um dos mais premiados filmes da cinematografia gaúcha), Brizola – Tempos de Luta, Netto e o Domador de Cavalos, e Os Senhores da Guerra, Parte I, em fase de edição. Na mesma linha, o escritor e professor universitário Charles Kiefer, patrono da 54ª edição da Feira do Livro, ressalta as diferenças da relação livro/leitor versus filme/espectador. Para ele, o livro permite que cada um, a partir da sua imaginação, faça leituras diferentes de uma mesma obra. “Quando tu estás lendo, tu és o diretor, o ator...”, diz Kiefer, que foi o fundador da Associação de Jovens Leitores e é um assumido entusiasta do livro e da leitura. O escritor teve os contos O Chapéu e Dedos de Pianista e o romance Valsa para Bruno Stein

(foto) adaptados para o cinema pelo cineasta Paulo Nascimento. Kiefer acredita que “para ser fiel ao espírito do livro, o diretor tem que trair um pouco”. Entre as obras transpostas, ele destaca o curta-metragem O Chapéu, no qual o diretor “criou situações narrativas que não estavam no conto”, ao colocar em cena, visível, um personagem que é apenas mencionado no texto. Ou seja, a possibilidade de interpretar e alterar elementos pode enriquecer o filme sem prejudicar o original. Outro ex-patrono (43ª edição) que também teve obras levadas para o cinema é Luiz Antonio de Assis Brasil, secretário da Cultura do Estado do Rio Grande do Sul. Quatro de seus romances inspiraram longasmetragens: Videiras de Cristal (no cinema, A Paixão de Jacobina), Concerto Campestre, Um Quarto de Légua em Quadro (no cinema, Diário de um Novo Mundo) e Manhã Transfigurada.

Revista da Feira do Livro – 2012 • 34


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