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A revista do comércio de Pernambuco | Ano II – nº 12 | Nov-Dez/2013

A doce gastronomia

de Pernambuco

Mercado erótico e sensual esquenta no Brasil

Construtoras adotam iniciativas sustentáveis e apostam em empreendimentos verdes Informe Fecomércio-PE |NOV/DEZ 2013| 1


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Bolos pernambucanos carregam tradição e história

A

capa da última edição do Informe Fecomércio-PE de 2013 trata sobre a importância dos tradicionais bolos de Pernambuco, como o Souza Leão e o bolo de rolo, para a cultura do Estado. A reportagem traz curiosidades e ressalta a versatilidade dessas sobremesas, cujas receitas sofreram influências da corte lusitana, além de analisar o mercado de tortas finas no Recife. O segmento erótico também tem destaque nesta edição. A revista Informe Fecomércio-PE ouviu especialistas e empreendedores de destaque no setor. Números da Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual (Abeme) mostram que o volume de negócios cresceu 15% em 2012, chegando a um faturamento de R$ 1 bilhão. No país, já são 11 mil pontos de venda e 125 mil empregos gerados. Tudo isso para atender a crescente demanda do público consumidor, composto principalmente por mulheres. Ainda nesta edição, o leitor vai conhecer dicas de como gerenciar melhor o tempo. Sobre o tema, a Informe Fecomércio-PE entrevistou Christian Barbosa, um dos principais especialistas em administração de tempo no Brasil. Além disso, o aumento da prática dos exercícios funcionais, o crescimento da comunidade Ilha de Deus e as novas ações sustentáveis adotadas pelas construtoras para atender à legislação ambiental são alguns dos assuntos que preparamos para você, leitor. Queremos desejar um ano-novo repleto de boas notícias! Boa leitura!

Josias Albuquerque Presidente do Sistema Fecomércio/Senac/Sesc-PE e vice-presidente administrativo da CNC presidencia@fecomercio-pe.com.br

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SUMÁRIO

26 CAPA

Pernambuco Doce

A Revista do Comércio do Estado de Pernambuco Sede Provisória: Rua do Sossego, 264, Boa Vista, Recife, Pernambuco, CEP 50050-080 Tel.: (81) 3231.5393 - Fax: (81) 3222.9498 www.fecomercio-pe.com.br e-mail: imprensa@fecomercio-pe.com

Wanderley; Dir. p/ Assuntos de Consumo Silvio Antonio de Vasconcelos Souza; Dir. p/ Assuntos de Turismo José Francisco da Silva; Dir. p/ Assuntos do Setor Público Milton Tavares de Melo Júnior; Dir. p/ Assuntos do Comércio Exterior Celso Jordão Cavalcanti. Conselho Fiscal - Efetivos: João Lima Cavalcanti Filho, João Jerônimo da Silva Filho, Edilson Ferreira de Lima

Presidente Josias Silva de Albuquerque 1º Vice-Presidente Frederico Penna Leal; 2º Vice-Presidente Bernardo Peixoto dos Santos O. Sobrinho; 3º Vice-Presidente Alex de Oliveira da Costa; Vice-Presidente p/ Assuntos do Comércio Atacadista Rudi Marcos Maggioni; Vice-Presidente p/ Assuntos do Comércio Varejista Joaquim de Castro Filho; Vice-Presidente p/ Assuntos do Comércio de Agentes Autônomos Severino Nascimento Cunha; Vice-Presidente p/ Assuntos do Comércio Armazenador José Carlos Raposo Barbosa; Vice-Presidente p/ Assuntos do Comércio de Turismo e Hospitalidade Júlio Crucho Cunha; Vice-Presidente p/ Assuntos do Comércio de Serviços de Saúde José Cláudio Soares; 1º Dir.-Secretário João de Barros e Silva; 2º Dir.-Secretário José Carlos da Silva; 3º Dir.-Secretário José Stélio Soares; 1º Dir.-Tesoureiro José Lourenço Custódio da Silva; 2º Dir.-Tesoureiro Roberto Wagner Cavalcanti de Siqueira; 3ª Dir.-Tesoureira Ana Maria Caldas de Barros e Silva; Dir. p/ Assuntos Tributários Diógenes Domingos de Andrade Filho; Dir. p/ Assuntos Sindicais José Manoel de Almeida Santos; Dir. p/ Assuntos de Relações do Trabalho José Carlos de Santana; Dir. p/ Assuntos de Desenvolvimento Comercial Eduardo Melo Catão; Dir. p/ Assuntos de Crédito Michel Jean Pinheiro

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Sindicatos Filiados: Sind. do Comércio de Vendedores Ambulantes do Recife, Olinda e Jaboatão - Tel.: 3224.5180 Pres. José Francisco da Silva; Sind. do Comércio Varejista de Catende, Palmares e Água Preta - Tel.: 3661.0775 Pres. Sérgio Leocádio da Silva; Sind. do Comércio de Vendedores Ambulantes de Caruaru - Tel.: 3721.5985 Pres. José Carlos da Silva; Sind. dos Lojistas no Comércio do Recife - Tel.: 3222.2416 Pres. Frederico Penna Leal; Sind. do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Recife - Tel.: 3221.8538 Pres. José Lourenço Custódio da Silva; Sind. do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Estado de Pernambuco - Tel.: 3231.5164 Pres. Ozeas Gomes da Silva; Sind. do Comércio Varejista dos Feirantes do Estado de Pernambuco - Tel.: 3446.3662 Pres. João Jerônimo da Silva Filho; Sind. do Comércio Varejista de Materiais Elétricos e Aparelhos Eletrodomésticos do Recife - Tel.: 3222.2416 Pres. José Stélio Soares; Sind. do Comércio Varejista de Garanhuns - Tel.: 3761.0148 Pres. João de Barros e Silva; Sind. do Comércio de Hortifrutigranjeiros, Flores e Plantas do Estado de Pernambuco - Tel.: 3252.1313 Pres. Alex de Oliveira da Costa; Sind. do Comércio de Jaboatão dos Guararapes Tel.: 3476.2666 Pres. Bernardo Peixoto dos Santos O. Sobrinho; Sind. do

Comércio Varejista de Maquinismos, Ferragens e Tintas do Estado de Pernambuco - Tel.: 3221.7091 Pres. Celso Jordão Cavalcanti; Sind. do Comércio Varejista de Petrolina - Tel.: 3861.2333 Pres. Joaquim de Castro Filho; Sind. dos Lojistas do Comércio de Caruaru - Tel.: 3722.4070 Pres. Michel Jean Pinheiro Wanderley; Sind. do Comércio de Autopeças do Estado de Pernambuco - Tel.: 3471.0507 Pres. José Carlos de Santana; Sind. dos Representantes Comerciais e Empresas de Representações Comerciais de Pernambuco - Tel.: 3226.1839 Pres. Severino Nascimento Cunha; Sind. das Empresas de Comércio e Serviços do Eixo Norte - Tel.: 3371.8119 Pres. Milton Tavares de Melo Júnior Conselho Editorial: Lucila Nastassia, Nilton Lemos, José Oswaldo Ramos Coordenação-Geral/Edição: Lucila Nastassia Reportagens: Bruna Oliveira, Denise Vilar, Lindalva Coelho, Maria das Candeias, Thais Neves, Tony Duda (Multi Comunicação) Capa: Daniele Torres / Ananda Amaral (Multi Comunicação) Diagramação: Manoela Duarte / Ananda Amaral / Daniele Torres (Multi Comunicação) Fotos: Agência Rodrigo Moreira Revisão: Laércio Lutibergue Impressão: Gráfica Flamar / Tiragem: 7.000 exemplares Obs.: Os artigos desta revista não refletem necessariamente a opinião da publicação.


6 Notas 12 Um olhar para o futuro revela novas facetas da comunidade Ilha de Deus

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Expectativas para 2014

35 39 44

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Arte de rua made in Pernambuco

16 Economia em pauta 30 Jurídico em pauta

Turismo com aventura

38 Turismo em pauta

Exercícios funcionais movimentam mercado para personal trainer

42

Organize-se

Tecnologia para soluções de problemas urbanos

48 Tributário em pauta

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Iniciativas verdes nos canteiros de obras

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Mercado erótico e sensual em alta

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NOTAS

Conselho de Recursos da Previdência Social debate legislação

Empresários do comércio de material de construção apresentam reivindicações

Cerca de 50 integrantes do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) participaram, em Brasília, do 8º Encontro CNC e Representantes do órgão, com o objetivo de trocar experiências e aprimorar critérios de julgamento, no fim de novembro. O CRPS é um órgão da estrutura do Ministério da Previdência Social, integrado por representantes da iniciativa privada, trabalhadores e governo, cuja responsabilidade é controlar decisões do INSS nos processos de interesse dos beneficiários. O conselho é constituído por órgãos julgadores (juntas de recursos e câmaras de julgamento), que analisam os processos. Jane Lúcia Wilhelm Berwanger, presidente do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário, também criticou “a visão restritiva que o INSS tem aplicado às juntas de recursos no que diz respeito ao conceito de segurado especial do agricultor familiar”. Ela explicou que o problema ocorre desde 2008, quando a Previdência Social, atendendo ao interesse de Estado, introduziu uma alteração legislativa importante, ampliando o conceito de segurado especial para incentivar a manutenção do agricultor no meio rural. (Fonte: CNC)

Representantes do governo federal participaram, em dezembro, da reunião da Câmara Brasileira de Material de Construção (CBMC), em Brasília. Estiveram presentes Caixa Econômica Federal, Ministério da Educação e Departamento de Políticas de Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O coordenador da câmara, Roberto Breithaupt, acredita que os debates e as palestras ajudarão os comerciantes do setor tanto na abertura de canais de negociação quanto no entendimento de como funcionam órgãos do governo. No encontro foi destacada ainda a criação de um Conselho Setorial de Comércio no Plano Brasil Maior, que é tratado como política de desenvolvimento produtivo do governo de Dilma Rousseff, com a participação de lideranças empresariais e de trabalhadores e dos principais órgãos de governo. No caso do comércio de material de construção, a representação é da CNC e da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), presidida por Cláudio Conz. (Fonte: CNC)

Papa Francisco é escolhido Personalidade do Ano Segundo levantamento da revista americana Time, o papa Francisco é a Personalidade do Ano. Os diretores da publicação consideraram que o pontífice provocou mudanças expressivas no tom, na percepção e no enfoque de uma das maiores instituições do mundo. Estavam entre os finalistas ao título o presidente da Síria, Bashar Al-Assad; o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama; o presidente do Irã, Hassan Rouhani; o ex-analista da Agência Nacional de Segurança dos EUA Edward Snowden e o fundador da Amazon, Jeff Bezos. Francisco, de 76 anos, foi eleito papa em março deste ano, substituindo Bento XVI, de 86 anos, que anunciou sua renúncia em fevereiro. Humildade e compromisso com os pobres são algumas das características associadas a ele, conhecidas bem antes de assumir a direção da Igreja Católica. (Fonte: Valor Econômico)

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Homens e mulheres vão ao shopping com a mesma frequência O consumidor brasileiro vai quatro vezes ao shopping center por mês, de acordo com uma pesquisa do Ibope Inteligência. A frequência não varia muito entre as faixas etárias. A média é levemente mais alta (4,3) entre os mais jovens, de 17 a 24 anos, e levemente mais baixa (3,7) entre aqueles que têm de 35 a 54 anos. Ao contrário do que prega o senso comum, não há diferença importante entre os hábitos de homens e mulheres, com uma exceção: as mulheres jovens de classe A, que vão ao shopping seis vezes por mês – uma a mais que os homens da mesma faixa etária e nível socioeconômico. O estado civil também tem uma pequena influência. A média dos solteiros é de 4,1 visitas, acima da média de 3,6 para os casados. A diferença se torna significativa pelo ângulo da classe social. O número de visitas ao shopping cai gradativamente do consumidor da classe A1, que vai ao shopping 4,9 vezes ao mês, até o da classe C2, que contabiliza 2,1 visitas. (Fonte: Ibope)

Homenagem a Nelson Mandela lson Mandela, que burgo, aos 95 anos, Ne Morreu em Johannes a, a campanha pelo por meio de luta armad ive lus inc , ou nd ma co da África do Sul, e e de segregação racial im reg o , eid th ar ap fim do cratização. país após a sua demo do e nt ide es pr o eir im que foi o pr eral com honras de rica do Sul teve um fun O ex-presidente da Áf res e amigos. Parte ia pr ivada para familia ôn rim ce a um e do ta Es . Depois foi ndela ficou em Pretória Ma de o rp co o , po do tem cresceu. , vilarejo onde Mandela transfer ido para Qunu vo perdeu um pai”, grande filho. Nosso po “Nosso país perdeu um , ao falar da morte l-africano, Jacob Zuma su e nt ide es pr o se dis atamente o Mandela grande foi ex de fez e qu “O . ela nd de Ma s nos outros”, le o que nós buscamo ne os Vim . no ma hu que o fez Valor Econômico) acrescentou. (Fonte:

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Arte de rua made in Pernambuco

Muros, viadutos, tapumes cada vez mais coloridos pela arte do grafite, que deixa o aspecto marginalizado e ganha o lugar que merece, sendo admirada como galeria de arte a céu aberto  

Por Denise Vilar

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arte é uma forma de expressão que não distingue cor, nacionalidade, religião, idade, limitações físicas ou mentais. É universal e atinge a sensibilidade em todas as pessoas desde o início da humanidade. Com o tempo, várias manifestações se desenvolveram e criaram diferentes linguagens, como o desenho. Usado para comunicação desde os primórdios, com o passar do tempo e o desenvolvimento humano, o desenho tomou forma em aspectos políticos e culturais nos quatro cantos do mundo. O grafite é uma dessas manifestações, “uma forma de expressão que testemunha registros de significados diversos nos muros, paredes e outros espaços públicos e privados”, conta Marley Brito, instrutora de ilustração do Senac Pernambuco. Ela explica que, no novo paradigma cultural, o grafite expressa em sua

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comunicação registros gráficos em espaços urbanos, tornando a rotina visual da cidade mais colorida e significativa. “A arte do grafite expressa sentimentos diversos, passando da temática poética à temática mais crítica, refletindo no seu conteúdo a identidade artística do autor e suas mutantes emoções”, explica. Em Pernambuco, essa arte vem ganhando cada vez mais espaço, seja nas ruas, seja em estabelecimentos comerciais ou particulares. Cores e formas únicas dão mais vida a locais que atingem um público admirador no meio da correria do dia a dia. Formados através de cursos ou com estudos autodidatas, os artistas pernambucanos vêm sendo reconhecidos pela prática de arte nas ruas com grande respeito e admiração, realizando trabalhos importantes que deixam de lado o sentimento de marginalidade outrora atribuído à sua arte.


GALO de Souza: do hip hop para o próprio estilo

Galofite como estilo de vida Com início na grafitagem aos 16 anos, e hoje com 35, o artista GALO DE SOUZA é referência no ramo e acumula experiências diversas entre tintas, ensinamentos e arte. Autodidata, Galo enveredou pelo grafite muito cedo e seguiu o caminho de muitos. Começou em decorrência do envolvimento musical com o hip hop, que, segundo ele, politiza e mostra como a cultura pode ter uma cara, em vez de ser vista como vandalismo, ao contrário das pichações. Com a prática, desenvolveu seu próprio estilo – o galofite – e pesquisou sobre movimentos de influências artísticas no Brasil e no mundo. A partir do ano de 2000 se profissionalizou, dialogando sempre com universidades e comunidades e por meio de trabalhos de ONGs, e começou a dar aula, formando muitos dos nomes nessa arte em evidência aqui do Estado.

atingindo um público cada vez maior e com o trabalho em evolução. “Quanto mais gente pintando, mais a arte é estimulada, e com o tempo o grafite some e a arte sobressai”, diz. Ele também revela que percebe um certo olhar preconceituoso da “elite”, mas acredita que com o tempo isso deve ser superado, pois as novas gerações já têm outra visão sobre esse tipo de arte. Com o propósito de aproveitar os tapumes das obras para expor a cultura pernambucana, a

Construtora Rio Ave, em parceria com a Iquine, desenvolve o projeto Avenida Colorida. A iniciativa é uma intervenção urbana através da grafitagem nos tapumes das obras na Região Metropolitana do Recife, com equipe artística comandada por Galo de Souza. “Ações como a da Rio Ave são fantásticas, pois é a possibilidade de um trabalho sério com uma construtora séria. É uma oportunidade de trabalhar com publicidade e comunicação

Segundo Galo, o grafite está em ascensão em Pernambuco,

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artística ao mesmo tempo”, acredita Galo. “O primeiro contato é nos tapumes, mas espero que a arte entre nos empreendimentos”. Sobre os locais onde a arte é exercida, existem os planejados, os previamente autorizados e os locais considerados abandonados e de difícil acesso, em que a sujeira “pede” uma arte para deixar mais bonito. “Pernambuco é forte, é uma terra fértil para o grafite crescer. Com o tempo, adquirimos mais qualidade e originalidade no trabalho. As pessoas precisam saber que a arte é importante para a vida, criando a identidade cultural do seu povo”, conclui.

Cursos Além dos trabalhos de artes realizados em ONGs, comunidades e locais que fazem tratamentos de saúde, o Senac trabalha no Recife com o curso de ilustrador. Nas aulas, muitas vertentes profissionais são contempladas, como desenhista de moda, de joias, decorador, desenhista de quadrinhos, ilustrador, ilustrador de livros e tatuador. A programação busca colaborar com o aperfeiçoamento técnico destes profissionais, entre eles o ilustrador urbano – nosso grafiteiro. O profissional hoje é mais compreendido, tem seu trabalho mais divulgado e esclarecido perante a população. Mais informações podem ser encontradas no site da instituição: www.pe.senac.br.

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OURINHO Goyana: incentivo dos pais desde criança

Grafite que cura O artista OURINHO GOYANA começou a desenhar desde criança, incentivado pelos pais, para colegas e professores. Em 1995, desenhou despretensiosamente nas paredes do quarto de um colega do colégio e o padrasto do amigo, que tinha uma agência de design, o chamou para estagiar e, no ano seguinte, o contratou. “Na época, eu pensava em trabalhar nessa área, mas os computadores começaram a dominar e eu não curtia aquela máquina, gostava do trabalho de criação no papel. Larguei esse ramo”, conta. Ourinho continuou trabalhando com seus desenhos, ilustrando livros, criando personagens, até que começou a pintar camisas para os amigos do grupo de capoeira. Aí começa sua história com o grafite, pois em 2003 o pai de um amigo, Dr. Paulo Barreto Campello, que tem um programa de arte na medicina, viu as camisas que ele pintava e o chamou para compor a equipe de um dos projetos, em que pacientes em tratamento

de dependência de drogas, no Centro Eulâmpio, fariam oficinas de arte. Ele sugeriu a grafitagem como uma das atividades. “Eu tinha algum conhecimento sobre o grafite, mas não tinha a prática. Procurei amigos envolvidos nesse mundo e peguei aulas com eles para desenvolver atividades com os pacientes. O trabalho no Eulâmpio tinha um ótimo resultado, pois os pacientes gostavam bastante das atividades desenvolvidas pelos oficineiros: grafitagem, capoeira e percussão. Isso fazia com que eles não largassem seus tratamentos, pois só podia frequentar as oficinas quem estivesse seguindo o tratamento”, lembra Ourinho. Ourinho também se envolveu em trabalho de reabilitação no Castelinho – um prédio em forma de castelo no Hospital Universitário Oswaldo Cruz e que atende crianças e adolescentes em tratamento e seus acompanhantes – com atividades artísticas e musicais, em que fazia grafitagens com temas voltados


para a saúde: males do cigarro, dengue, exames de prevenção, etc. “Bolava os desenhos junto com as crianças e com os médicos que trabalhavam com a gente. As crianças que se encontravam muito debilitadas para ir até o muro pintar participavam escolhendo as cores que iríamos colocar nos desenhos. Não usávamos sprays, pois, além de caros, eles eram perigosos para aquelas crianças e adolescentes, que estavam em tratamento, geralmente, contra o câncer. Pintávamos com tinta e pincel”, conta o artista, que desenvolveu esse trabalho por dez anos, de 2003 a 2013. Ele conta que, em 2009, o Imip montou um grupo para desenvolver esse tipo de atividade e ele também foi convidado por Dr. Paulo Campello para compor a equipe. “Lá eu faço as grafitagens sozinho, utilizando um formato de fácil leitura pelos frequentadores do hospital. Trabalho também nos setores de quimioterapia, oncologia e brinquedoteca, onde faço atividades com desenho básico com os pacientes. Além de divertido, o trabalho com desenho e grafite mostra muito da pessoa que o produz. Do que ela gosta, como está se sentindo, seus medos e suas alegrias”, cometa Ourinho. Apesar de não trabalhar só com esse tipo de arte, Ourinho vê o grafite como uma grande possibilidade de mostrar o que se pensa, de protestar, de orientar, enfim, de comunicar algo para muitos. “Acredito que a sociedade já assimilou essa expressão artística e já a difere legal das pichações, por exemplo”, finaliza.

MAIS COR, POR FAVOR Por uma cidade mais colorida, o site Color+City conecta quem quer pintar com quem tem espaços urbanos pra doar. Acessando www.colorpluscity.com.br, cada pessoa disponibiliza o que tem e encontra uma parceria para deixar a cidade mais artística. Na parte “Quero Doar”, o internauta autoriza seu muro, fachada ou espaço livre, anexa fotos desse espaço e espera até que um artista o escolha. Na parte “Quero Pintar”, o artista escolhe e reserva no mapa o espaço que quer pintar, podendo fazer isso com um espaço por vez, e a reserva é feita por 15 dias. Sobre o grafite – A palavra tem origem italiana (graffiti) e significa “escritas feitas de carvão”. Grafite também tem seu significado no grego, originando-se da palavra “graphéin”, que significa escrever. Dos primórdios registros em cavernas, passando pelos murais ilusionistas da antiguidade (Thomas-Olil), as temáticas revelam e se adaptam às questões temporais. Em Paris, no ano de 1968, o grafite foi usado como expressão política. Atualmente outras significações são atribuídas a esta forma de comunicação, em que marcas, rabiscos, símbolos e ilustrações se unem para expressar mensagens, tatuando de forma responsável a cidade de cores. O muro vira mural nas mãos destes cenógrafos urbanos, diferentemente das pichações, que deixam o cenário urbano poluído. No Brasil, as primeiras manifestações dessa arte apareceram em 1985 na XVIII Bienal, que lançou os primeiros nomes de grafiteiros brasileiros, como Zaidler e Alex Vallauri. Desde então, vários artistas brasileiros vêm desenvolvendo projetos sociais em parceria com o governo ou de forma independente, com o intuito de criar programas que ajudem no desenvolvimento pessoal e no aprendizado de competências básicas para o trabalho e a geração de renda, fazendo com que crianças e jovens, independentemente de suas classes, mantenham-se afastados da marginalidade. Esses grafiteiros criam em escolas e ONGs oficinas de grafite que contam com a participação de crianças e jovens que estão à margem da sociedade.* *Informação retirada do blog Cores nos Muros.

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Acesso à saúde de qualidade para o Empregador do Comércio viver melhor. Só a parceria da FECOMÉRCIO-PE com a Qualicorp proporciona a você, Empregador do Comércio e sua família, acesso aos melhores planos de saúde pelo menor preço. • Rede com os melhores hospitais, laboratórios e médicos do Brasil.1 • Livre escolha de prestadores médico-hospitalares com reembolso.2 • Preços e condições especiais de adesão.

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EDSON Fly: transformação de dentro para fora

Um olhar para o futuro revela novas facetas da comunidade Ilha de Deus Foram vários anos de luta dos moradores para que a comunidade, localizada entre os bairros do Pina e da Imbiribeira, saísse do esquecimento para o avanço Por Maria das Candeias

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epois de trinta anos de luta, o título de “Ilha sem Deus”, os altos índices de violência e as condições precárias da comunidade ficaram para trás e deram vez a um novo cenário na comunidade Ilha de Deus. Hoje já é possível encontrar ações nas áreas de educação, saneamento, profissionalização e sustentabilidade que, aos poucos, estão transformando a vida dos 1.152 habitantes, distribuídos em 317 famílias.

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EDSON FLY, morador da Ilha há 40 anos, acredita que a transformação foi geral, de dentro para fora da comunidade. “Com a mudança física da Ilha, aquela ideia de comunidade sem perspectiva deixou de existir. Hoje os moradores desenvolveram potencial, e isso se reflete na sociedade, que tem um novo olhar sobre a Ilha de Deus”, finaliza o comunicador social e ativista cultural. Ele sonha com uma condição de vida ainda melhor para os moradores, com educação, saúde e lazer ampliados. A mudança começou em 2002. Da

indignação dos moradores, nasceu a Ação Comunitária Caranguejo Uçá. O movimento, composto por jovens da própria comunidade e de outras localidades, chega com a missão de contribuir para a construção do pensamento crítico, identificando as potencialidades dos moradores. A iniciativa também passou a estimular a estrutura educacional básica, além de identificar, articular e conquistar parceiros do poder público e da sociedade civil que tenham como compromisso a formação, a politização e a inclusão


socioeconômica e cultural do mangue. E mais: o grupo inovador rompeu com antigas ideias como a de liderança comunitária, convidando os moradores a fazer parte da luta diária pela construção de uma nova comunidade.

de manguezal (replantio de 20 mil mudas de mangue), assim como intervenções ambientais, infraestrutura hídrica, centros comunitários e construção da Escola de Remo, fábrica de barcos e Deck I.

A partir daí, a Ilha de Deus abriu portas para os investimentos municipais e, em seguida, do governo que continua trabalhando com ações estruturadoras. Assim, a comunidade começava a ser organizada. Vieram o saneamento, a reformulação nas escolas, a trasformação das habitações que eram de palafitas, o aumento do lazer e tantas outras novidades. A comunidade passou a ser vista com outros olhos.

Na área social, a comunidade da Ilha de Deus tem participado de diversas iniciativas que visam melhorar a situação socioeconômica dos moradores, transferindo para eles a responsabilidade de tornar os projetos implantados na Ilha autossuficientes. O Projeto Pernambuco no Batente, cursos de panificação e confeitaria, escolinha de remo, futebol e dança e Patrulheiros Mirins são exemplos dessas iniciativas.

Plano integrado As primeiras intervenções na Ilha aconteceram em 2007, quando o Governo do Estado de Pernambuco iniciou o processo de elaboração de um plano integrado de investimentos para o processo de transformação do espaço social da comunidade. No ano seguinte, ocorreu a construção de novas casas na Ilha de Deus e de um conjunto habitacional próximo à área, bem como a construção da passarela de acesso à Ilha, batizada de Vitória das Mulheres. A passarela é feita de concreto, em substituição ao antigo acesso de madeira. Também houve construção, reforma e recuperação de equipamentos comunitários. Outros projetos também foram entregues aos moradores, envolvendo infraestrutura de urbanização, paisagismo e recomposição de 9.929,71m²

Frederico Amâncio, secretário de Planejamento e Gestão do Governo de Pernambuco, acredita que o projeto de reurbanização da Zeis Ilha de Deus veio trazer dignidade para aquela população. “As pessoas viviam de maneira precária, sem acesso a serviços básicos como moradia e saneamento. Agora a comunidade tem casa digna e saneada, acesso a saúde, lazer e esportes. Além disso, os pescadores ganham incentivo para melhorar a qualidade do seu trabalho”, revela Frederico.

Sustentabilidade O Instituto Fecomércio-PE, acreditando no potencial da localidade, elaborou o Projeto de Sustentabilidade e Desenvolvimento Socioeconômico da Comunidade da Ilha de Deus, que contempla um conjunto de ações estratégicas visando

FREDERICO Amâncio: projeto de reurbanização traz dignidade para a população

fortalecer os fatores econômicos de desenvolvimento territorial, com ênfase, principalmente, nos capitais humano, produtivo e ambiental. O objetivo da iniciativa é desenvolver ações que promovam um ambiente economicamente competitivo, socialmente justo e ambientalmente responsável, com ênfase na cultura empreendedora, no associativismo e na educação profissional, que potencializem o desenvolvimento territorial e a melhoria da qualidade de vida das pessoas da comunidade. Por isso, executa atividades de planejamento, execução e monitoramento das ações desenvolvidas, através do acompanhamento, da orientação técnica e da supervisão do plano de trabalho definido. Tudo isso só foi possível a partir de

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convênio de cooperação técnica e financeira celebrado entre o Governo do Estado de Pernambuco e a Seplag. O diretor do Instituto Fecomércio-PE, Oswaldo Ramos, explica que o instituto já trabalha alguns projetos com foco em territórios com característica presente de vulnerabilidade social, mas na Ilha de Deus é diferente. “A comunidade se diferencia por causa dos investimentos estruturadores desenvolvidos pelo governo, o que possibilita uma condição mais favorável ao desenvolvimento local a partir do fortalecimento dos capitais humano, social e produtivo”, revela Ramos. Para os moradores, a expectativa é que a parceria seja a melhor possível. Edson Fly diz que tudo começou há seis meses com diálogo e planejamento, por isso acredita em um futuro com bons frutos. “A mudança vai acontecer a partir do conhecimento das informações e da capacitação de cada um na comunidade para que eles possam melhorar de vida”, fala sorrindo o morador. Esta experiência pode ser replicada

em outros territórios. Ou seja, a partir da valorização dos aspectos da cultura, história e patrimônio das comunidades, espera-se potencializar a sustentabilidade das vocações produtivas e a melhoria de vida das pessoas.

Como tudo começou A história da comunidade se iniciou por volta de 1950, quando pescadores do Rio Tejipió vindos de áreas vizinhas perceberam a oportunidade de construir pequenas casas com madeiras e folhas de coqueiro, as chamadas palafitas, tão comuns em áreas ribeirinhas. Ganhou o nome de Ilha de Santo Antônio e se tornou uma área atrativa àqueles que vinham à cidade e não se enquadravam no perfil da mão de obra exigido pelo mercado de trabalho. O mangue virou um meio de sobrevivência que oferecia a oportunidade de moradia e também de fonte de renda com a venda de camarão, caranguejo e peixe. Em pouco tempo, outros moradores chegaram à Ilha, que

passou a ser conhecida pelos altos índices de criminalidade e violência e ganhou o título de “Ilha sem Deus”. Mesmo com a fartura do mangue, as condições de vida da população eram precárias. Além disso, o sustento tirado da pesca e as condições de trabalho fora do mangue eram de grande exploração e baixa remuneração. Havia ainda a poluição dos rios e a ausência de um sistema eficiente de saneamento, agravada pelas condições precárias e improvisadas de habitação dos moradores, o que implicava riscos à saúde e à vida. Em meados de 1970, as mulheres começaram a lutar para mudar esse triste cenário de sobrevivência e de preconceito e se organizaram em uma associação comunitária para reivindicar direitos básicos da comunidade, como o direito de ir e vir, pleiteando a construção de uma ponte, a recuperação da vida qualitativa no mangue, a recuperação do manguezal, principal fonte de renda, e, por fim, o direito de morar.

ILHA de Deus: retrato de uma nova realidade

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Tem Sesc no meu sorriso.

Tem Senac no meu diploma.

Tem CNC na minha loja. Tem Sesc na minha vida.

Tem Senac na minha promoção.

Tem Senac na minha carreira.

Tem Sesc no meu futuro.

Tem CNC no meu posto.

Tem Fecomércio no meu estado.

Milhões de brasileiros fazem parte do comércio de bens, serviços e turismo. São empreendedores e trabalhadores que se empenham para fazer o dinheiro circular e movimentar a economia do país. Uma gente que vai à luta sabendo que o Sistema Comércio vai estar sempre ao seu lado. Afinal, é esse sistema que defende os legítimos interesses dos empresários e os representa nacionalmente através da CNC e nos estados através da Fecomércio. Que capacita profissionais com os cursos do Senac. E oferece cultura, educação, lazer e saúde aos comerciários e suas famílias através do Sesc. Tudo para este setor continuar a ajudar o Brasil a crescer.

Tem CNC na nossa pousada.

Quem é do comércio de bens, serviços e turismo tem sempre alguém ao seu lado.

Informe Fecomércio-PE | NOV/DEZ 2013 | Transformando o Brasil.

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ECONOMIA EM PAUTA| OSMIL GALINDO

Sócio-diretor da Ceplan e consultor econômico do Centro de Pesquisa da Fecomércio-PE osmil@ceplanconsult.com.br

Endividamento dos consumidores

em perspectiva

Nos últimos anos, o crescimento da economia brasileira esteve pautado no que analistas denominaram “modelo de consumo de massa”, baseado em crescente capacidade de consumo das classes populares, também entendidas como a “nova classe média”. No Brasil, caracterizado por elevados níveis de desigualdade de renda, esse modelo se tornou mais vigoroso a partir de 2004. A valorização real do salário mínimo, as políticas de transferência direta de renda e a retomada de investimentos públicos e privados – com consequente geração de empregos – foram os principais determinantes da sustentação do crescimento recente. Além da renda e do emprego, é preciso considerar outro pilar fundamental para a manutenção do padrão de consumo: a oferta de crédito, que nos últimos anos se ampliou consideravelmente. Dados do Banco Central mostram que as operações de crédito cresceram 1,6% de 1995 a 2003, variação que foi de 209,9% de 2004 a 2012, em termos reais. No caso das pessoas físicas, de forma paralela ao maior acesso a crédito, cresceu o endividamento – isto é, o comprometimento de parte da renda com pagamento de algum tipo de dívida. Normalmente, uma elevação no volume de dívidas contraídas guarda estreita relação com a inadimplência, isto é: situação em que a pessoa está endividada e não honra débitos assumidos. Ao contrário do que se pode imaginar, é na inadimplência, e não no endividamento, que reside o principal aspecto de inibição do consumo baseado no crédito, uma vez que expressa o resultado de uma má gestão dos recursos pelos consumidores. No Brasil, a situação da inadimplência se estabilizou nos últimos meses. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da CNC mostrou que em dezembro de 2013 houve uma redução no nú-

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mero de pessoas com dívidas em atraso e/ou sem condições de honrar compromissos. Para tanto, em muito contribuiu a trajetória de declínio da taxa básica de juros (Selic) e da redução do spread bancário. Porém essa tendência tem mudado nos últimos meses, conforme têm sido divulgadas as deliberações do Conselho de Política Monetária (Copom), em vista da pressão inflacionária. No que diz respeito a Pernambuco, é preciso considerar as importantes transformações econômicas dos últimos oito anos. O aporte significativo de investimentos potencializou no Estado os determinantes do dinamismo nacional. Com isso, observou-se significativa criação de empregos e a sustentação do patamar de renda na Região Metropolitana do Recife, no eixo da BR-232 e em centros comerciais já consolidados do interior, como Garanhuns e Petrolina. Conforme se destacou anteriormente para o quadro nacional, uma situação de dinamismo no varejo corresponde, inexoravelmente, a uma situação de endividamento e, em alguma medida, de inadimplência. Com vistas a compreender esse fenômeno, a Fecomércio-PE realizou pesquisa com consumidores dos principais centros de comércio do Estado visando subsidiar o empresário com informações relevantes para a tomada de decisões estratégicas quanto às vendas.


Iniciativas verdes nos canteiros de obras  

Construtoras passaram a adotar novas práticas para atender à legislação ambiental e para reduzir custos na edificação, aquecendo comércio  

Por Tony Duda

A

sustentabilidade chegou aos canteiros de obras. Nos últimos anos, empresas do setor da construção civil estão adotando, cada vez mais, know-how com modernas práticas sustentáveis nos projetos para tornar os empreendimentos mais “verdes”. Novos produtos e soluções passaram a substituir antigas técnicas e ganharam mais espaço na planta. Bom para o setor da construção e também para o varejo, que passa a disponibilizar novos itens nas prateleiras e incrementar os negócios.

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TIAGO Muniz, engenheiro da Gabriel Bacelar Construções

As iniciativas envolvem, entre outros, automatização do sistema de iluminação e climatização, soluções para controle e reúso de água, utilização de materiais sustentáveis, reaproveitamento de resíduos de materiais de construção, uso de vidros que permitem melhor aproveitamento da luz solar sem esquentar o ambiente, instalação de lâmpadas com maior eficiência e coleta seletiva de materiais. Além de atender a normas de qualidade, a intenção das empresas é reduzir custos com materiais e processos, evitar desperdícios e diminuir, a longo prazo, despesas com manutenção. A construtora Gabriel Bacelar Construções – que tem mais de 30 anos de mercado e atua em Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte – está se preparando para obter a certificação ISO 14000, um conjunto de normas que definem parâmetros e diretrizes para a gestão ambiental de empresas privadas e públicas. Nos últimos

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anos, a Gabriel Bacelar conseguiu reduzir em torno de 15% dos resíduos, que anteriormente iam para o lixo. Entre as medidas praticadas está a aplicação de um projeto de alvenaria que substituiu o tijolo por um tipo de bloco mais resistente, com melhor absorção e dimensão compatível para instalar a tubulação elétrica, sem haver quebra do item. “Apesar de esse bloco ser 50% mais caro, no final compensa porque usamos menos cimento, areia e outros elementos, reduzimos o transporte e o estoque de material, aumentamos a produtividade e ainda mantemos o mesmo acabamento”, esclarece TIAGO MUNIZ, engenheiro e coordenador de obras da Gabriel Bacelar Construções. Outra frente foi adotar massa pronta para eliminar betoneira, que tende a gerar resíduos. A empresa também classifica e seleciona materiais e destina resíduos a empresas cadastradas

pela Agência Estadual do Meio Ambiente – (CPRH) para fazer o reaproveitamento. O foco também está no controle e no monitoramento para evitar desperdício de água.

Certificações são o diferencial Incluindo novas tecnologias e adotando medidas de controle, a sergipana Construtora Celi – que tem 45 anos de mercado e atua também em Pernambuco, Bahia, Ceará, São Paulo e Rio de Janeiro – conquistou certificação trinorma (ISO 9001:2008, ISO 14001:2004 e OHSAS 18001:2007) por apresentar processos que, além de serem padronizados, buscam respeitar o ser humano e o meio ambiente. Entre as iniciativas, conta com um programa de gerenciamento de resíduos sólidos da construção civil, que envolve desde a separação dos resíduos até o descarte deles por uma empresa licenciada. Além disso, a Celi faz monitoramento mensal da fumaça preta de sua frota de


JOÃO Domingos Azevedo, arquiteto da Metro Arquitetura

veículos e maquinários movidos a diesel para avaliar a qualidade da fumaça emitida por eles com base na escala Ringelmann. Os canteiros de obras da empresa também têm um sistema de reaproveitamento da água nas betoneiras – utilizadas para misturar pedra, areia, cimento e água – através de filtros que reaproveitam a água para a lavagem do equipamento. Nos novos empreendimentos, a Celi também analisa as melhores condições de lançamento da planta do imóvel para aproveitar ao máximo a luminosidade natural, a ventilação e o espaço dos ambientes. “Um empreendimento sustentável, que foi projetado, construído e entregue agregando locais de coleta seletiva de resíduos sólidos e reaproveitamento de água da chuva, é mais valorizado e mais almejado pelos clientes”, adianta a engenheira e gerente de qualidade da Construtora Celi, ANDRÉA SANTANA TEIXEIRA LINS.

Tetos verdes criam paisagismo Com 45 anos de atuação no mercado pernambucano, a Construtora Rio Ave vem inovando, entre outras soluções, com os chamados tetos verdes. Trata-se da adoção no teto de uma vegetação mais rasteira, com sistema de irrigação e de fácil manutenção, para amenizar a temperatura térmica, criar um paisagismo e ainda aproveitar a água da chuva. O primeiro empreendimento que receberá essa tecnologia será o Empresarial Charles Darwin, na Ilha do Leite. Essa espécie de grande gramado será aplicada na cobertura do edifício-garagem e nas marquises das lojas, o que resultará em cerca de 2,5 mil metros de área verde.

vegetações plantadas na vertical sob uma tela para ajudar na ventilação e na temperatura. “O principal ganho é na consciência e na responsabilidade socioambiental da empresa para com a sociedade. Não dá para gastar os recursos naturais que temos. Precisamos oferecer um melhor ambiente”, afirma o arquiteto JOÃO DOMINGOS AZEVEDO, da Metro Arquitetura, que assina alguns dos projetos da Rio Ave. A construtora investe ainda em diversas outras iniciativas, como sistemas de controle e uso de água e energia, aproveitamento da iluminação natural, coleta seletiva, reaproveitamento e destinação de resíduos.   

Benefícios ao longo dos anos

O diretor de ciência, tecnologia e meio ambiente do Sinduscon-PE, SERAPIÃO BISPO FERREIRA, confirma que a sustentabilidade vem sendo aplicada com maior intensidade no setor e esclarece que este princípio também está ligado ao conceito de eficiência. Aliás, para se dizer que um

Outra iniciativa verde é no Boa Viagem Corporate. Em algumas das partes do edifício-garagem serão adotadas as chamadas paredes verdes, que envolvem SERAPIÃO Bispo, diretor do Sindicato da Construção Civil de Pernambuco

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imóvel é sustentável, ele precisa passar pelos crivos econômico, ambiental e social. Envolve desde a concepção do projeto, passando pela construção até a manutenção e possível futura demolição do empreendimento. “É relativo dizer que comprar um imóvel verde é mais caro, porque o consumidor vai perceber os benefícios ao longo dos anos com a redução nos custos de manutenção”, afirma. Para incentivar a sustentabilidade na construção habitacional brasileira, a Caixa Econômica Federal (CEF) lançou o chamado Selo Azul. O objetivo é reconhecer e valorizar os empreendimentos que adotam soluções e práticas sustentáveis, oferecer taxas diferenciadas nos financiamentos dos empreendimentos certificados e proporcionar redução de despesas aos moradores que adquirem os imóveis em itens como água,

SÉRGIO Mafioletti, gerente de desenvolvimento sócioambiental do Grupo JCPM

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energia elétrica e manutenção.  

Shopping é reconhecido

O Shopping RioMar, do Grupo JCPM, já foi concebido nos moldes sustentáveis. Ainda na obra, parte do concreto e aço resultado da demolição da empresa anterior foi utilizada na base da construção do centro de compras. Tal medida gerou uma economia de R$ 4 milhões. Outro ganho foi na utilização de peças pré-moldadas e metálicas na estrutura, o que reduziu o uso de madeira e os resíduos, além de agilizar o tempo na montagem. “O RioMar já nasceu grande, sem precisar haver reformas e ampliações futuras, o que reduz o uso de mais material e transporte”, diz o gerente de desenvolvimento socioambiental do Grupo JCPM, SÉRGIO MAFFIOLETTI. Sérgio acrescenta que foram

instalados vidros mais eficientes, que permitem a entrada de luz sem deixar passar o calor. Resultado: a maior parte da área do mall é iluminada durante quase todo o dia pela luz solar. O engenheiro florestal informa também que houve automação com temporizador no sistema de iluminação e ar-condicionado para controlar a iluminação e a temperatura interna do shopping. Ações como essas permitiram reduzir o consumo de energia em torno de 35% – economia que equivale ao consumo mensal de pouco mais de seis mil habitantes por mês. Em relação ao uso de água, foram implantadas descargas a vácuo (que utilizam 80% a menos de água para sucção), torneiras e mictórios automáticos, além de sistema de captação de água das chuvas para irrigação, ar-condicionado e vaso


ALBERTO Casado, assessor técnico do CTC

sanitário. Também houve coleta seletiva dos resíduos e gestão de madeira no reúso. O mangue no entorno do shopping foi preservado e foram plantadas mais de duas mil árvores. Uma central de resíduos também foi montada para separar o material reciclável gerado pelo shopping. Por causa das medidas adotadas, o RioMar foi o primeiro shopping a receber o selo de Alta Qualidade Ambiental (Aqua) pela Fundação Vanzolini, o que atesta o compromisso do empreendimento com o meio ambiente. De acordo com Sérgio Maffioletti, houve um aumento em torno de 20% no projeto e nas soluções. “Mas a longo prazo virão vantagens, já que as ações minimizam o custo de operação”, ressalta. Ele orienta que, antes de escolher o tipo de solução, é importante realizar um estudo de viabilidade e fazer as contas na ponta do lápis para cada empreendimento.

Será que existe mercado para esses empreendimentos que apresentam mais soluções e itens sustentáveis? A revista Informe FecomércioPE conversou com o engenheiro ALBERTO CASADO, assessor técnico do Comitê de Tecnologia e Custos (CTC) da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi-PE) e professor da Escola Politécnica de Pernambuco.

Na sua opinião, a sustentabilidade chegou ao setor da construção civil? A sustentabilidade é um processo evolutivo de desenvolvimento e está associada à conscientização da sociedade quanto ao seu compromisso com o futuro. Nesse sentido, existem várias ações em curso que demonstram a aplicação dos preceitos da sustentabilidade na construção civil, embora algumas necessitem ser mais amplamente implementadas e outras necessitem ser ainda desenvolvidas. Cabe lembrar que a sustentabilidade não se restringe aos aspectos ambientais. Também está baseada nos pilares econômicos e sociais.

Quais os benefícios ao erguer empreendimentos mais “verdes”?

consumo de recursos naturais; maior eficiência do edifício ao longo da vida útil; retorno financeiro ao usuário-clienteproprietário, visto que as contas de consumo serão menores; e melhor inserção no contexto urbano – menor impacto na vizinhança, entre outros.

O consumidor está buscando realmente os empreendimentos considerados mais “verdes”? A procura faz parte do processo evolutivo. A conscientização dos consumidores também vem aumentando, embora necessite ser mais ampla.

Imóveis mais sustentáveis são um diferencial na hora da venda? Sim, pois contemplam vantagens que podem estar integradas ao desejo dos consumidores, no caso aqueles mais conscientes.

Os imóveis considerados sustentáveis custam mais caro? A implantação de tecnologias construtivas sustentáveis exige um investimento maior no início, porém certamente ocasionará uma redução no consumo quanto ao uso do imóvel.

Preservação e diminuição do

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Expectativas para 2014

Lideranças empresariais fazem balanço de 2013 e apresentam projetos para o novo ano

desenvolvimento nos próximos anos, precisamos de ações voltadas à interiorização do desenvolvimento, à inserção da indústria existente nas cadeias produtivas que se formam, à ampliação da capacitação profissional, à melhoria da infraestrutura e da educação, a um maior acesso ao crédito e ao estímulo à inovação. 

Qual a importância do setor da indústria para a economia pernambucana?

JORGE Côrte Real, presidente da Fiepe

Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (FIEPE) Como avaliar o ano de 2013 para o setor da indústria no Estado? Este ano foi baixo o desempenho da economia mundial e nacional, pois alguns entraves impediram um melhor desempenho para o setor produtivo. Enfrentamos dificuldades históricas, como a elevada carga tributária, a infraestrutura deficiente, a legislação trabalhista obsoleta e o sistema tributário burocratizado.

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Mas acredito nas potencialidades do Estado e, com os investimentos públicos e privados que se instalam, teremos, em 2014, um desempenho econômico acima da média nacional.  

Quais as expectativas para 2014? Em que o setor deve investir para continuar em crescimento?

Acredito que, com a continuação de investimentos e a entrada em operação de alguns empreendimentos, manteremos uma trajetória de crescimento. Porém, para sustentarmos este

A indústria é fundamental para o desenvolvimento de Pernambuco, seja pelo impacto direto no aumento da renda da população, seja pelos investimentos em conhecimento, novas tecnologias, pesquisa e inovação. A capacidade competitiva do Estado deve estar atrelada ao grau de conhecimento da população e da modernidade da sua indústria, por meio da permanente busca de melhoria da produtividade e da qualidade dos produtos e pela geração de mais postos de trabalho. Pernambuco sempre foi um Estado industrialmente forte e, embora tenhamos perdido dinamismo nas últimas décadas, estamos em processo de recuperação, inclusive com a inserção de novos segmentos, como o automotivo, o naval e o petroquímico.


que 2012 foi um ano desastroso, imagino que levaremos alguns anos para voltar aos patamares de 2011.

Quais as expectativas para 2014? Em que o setor deve investir para buscar crescimento? É impossível imaginar uma recuperação consistente sem alguns pré-requisitos: o país deve enfrentar a seca como uma questão PIO Guerra, presidente da Faepe nacional; as obras públicas com grande impacto no semiárido devem ser concluídas; políticas Federação da Agricultura públicas consistentes precisam ser do Estado de Pernambuco implantadas; a renegociação dos (FAEPE ) débitos rurais deve ser concretizada e novos créditos devem ser Como o senhor avalia o ano disponibilizados; novas tecnologias de 2013 para a agricultura no devem ser desenvolvidas para Estado? produção nas regiões afetadas; A permanência da seca causou devem ser disponibilizadas prejuízos significativos àqueles imediatamente variedades de setores que dependem do período palmas forrageiras resistentes às chuvoso para desenvolver a pragas. atividade. Se considerarmos

Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Pernambuco (FECOMÉRCIO) O senhor avalia que 2013 foi um ano positivo para o comércio no Estado? É importante registrar que o comércio está em uma posição privilegiada do ponto de vista das estratégias recentes de crescimento econômico, adotadas pelo governo federal. A aposta feita no mercado

consumidor interno, amparada por políticas econômicas e sociais do governo, tem levado a população a consumir mais – principalmente no Nordeste do país. No entanto, o que se tem evidenciado ao longo de 2013 é uma desaceleração do consumo, o que cria um cenário mais complexo. A FecomércioPE realiza, sistematicamente, sondagens com empresários e gestores nos principais centros comerciais do Estado. Os resultados que temos encontrado

Qual a importância do setor da agricultura para a economia pernambucana? Não se pode medir a importância do setor pelas estatísticas de produção. Deve-se considerar os milhões de pernambucanos que vivem no interior do Estado, ligados direta ou indiretamente à atividade agropastoril, sem esquecer as raízes culturais da nossa gente e a relevância do setor para a construção de nossa história.

Que projetos a Faepe pretende colocar em prática em 2014? O Sistema Faepe/Senar, desde a sua criação, vem atuando em todos os municípios pernambucanos. Para 2014 vamos realizar em 80 municípios 1.200 treinamentos, um terço dos quais será voltado diretamente para a promoção social do homem do campo, com destaque para as ações ligadas às áreas de saúde do trabalhador rural e de complementaridade de renda através de sua profissionalização em produção artesanal. Ao todo, serão atendidas diretamente cerca de 6 mil pessoas.

até aqui indicam que o ano de 2013 tende a repetir o bom desempenho de 2012. Apesar de não ter havido uma expansão significativa a ponto de superar as vendas do ano passado, a percepção do empresariado é que o comércio conseguiu resistir a um ano marcado por algumas adversidades, como a pressão inflacionária, a desvalorização da taxa de câmbio e a subida do nível de endividamento dos consumidores, que são de ordem conjuntural e

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podem ser alteradas com medidas de política econômica.

Quais as expectativas para 2014? Em que o setor deve investir para buscar crescimento? Embora o ano de 2013 tenha se caracterizado pela desaceleração do carro-chefe da estratégia nacional de crescimento – o consumo –, é importante destacar que uma das principais heranças do ano foi a manutenção do rendimento médio mensal dos trabalhadores na Região Metropolitana do Recife. Isso significa que o crescimento recente da economia pernambucana trouxe, em alguma medida, avanços do ponto de vista do mercado consumidor local, refletindo os estímulos ocorridos nas atividades econômicas do

JOSIAS Albuquerque, presidente da Fecomércio-PE

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Estado. A continuidade dos investimentos na cidade do Recife e, principalmente, nas Matas Norte e Sul deve manter a capacidade local de consumo em nível razoável. A realização da Copa do Mundo em São Lourenço da Mata, a manutenção das atividades industriais e comerciais em Suape e a intensificação das obras da Fiat permitem criar expectativas positivas para o desempenho do comércio em 2014.

Qual a importância do setor do comércio de bens e serviços para a economia pernambucana? O setor de comércio e serviços representava aproximadamente 75% do PIB de Pernambuco em 2010, segundo informações do IBGE. Essa participação, evidentemente, se reflete também na importância do setor em termos de geração de emprego e renda. É importante destacar que o comércio é um setor que irradia efeitos dinâmicos oriundos de outros setores, como a indústria. A retomada do crescimento industrial do Estado tende a ser multiplicada pela atividade comercial, que também se constitui em um termômetro da aderência do dinamismo produtivo em relação à capacidade local de consumo. O comércio também é importante por ser uma correia de transmissão da interiorização do desenvolvimento: não por acaso, cidades como Caruaru, Garanhuns, Petrolina, Salgueiro e Serra Talhada – e futuramente Goiana – têm apresentado considerável

dinamismo comercial, polarizando as cidades do entorno com a oferta de bens e serviços comercializados.

Quais projetos sociais a Fecomércio-PE pretende promover em 2014? No âmbito do Sistema FecomércioSenac-Sesc-PE, desenvolvemos vários projetos sociais com ênfase na educação empreendedora, na educação profissional, no meio ambiente, na cultura, no lazer, no esporte, na saúde e na assistência social. Entre a gama de projetos, destacamos o Banco de Alimentos, o Colmeia, o Educação de Jovens e Adultos, o projeto para a terceira idade, e os projetos de Apoio às Cooperativas de Catadores e Pedalando pela Paz, executados diretamente ou a partir de cooperação institucional. Especificamente, a Federação do Comércio de Pernambuco, através do Instituto Fecomércio, capacita jovens e adultos para o trabalho a partir do Programa Formação Empreendedora (Forme), em territórios com características de vulnerabilidade social. Em 2014 pretendemos avançar com essas ações e principalmente priorizar projetos com foco no desenvolvimento local. Por exemplo, executaremos um projeto específico em parceria com o Governo do Estado, através da Secretaria de Planejamento e Gestão, visando desenvolver um conjunto de ações estratégicas com ênfase na qualificação para o trabalho, na preservação ambiental e no apoio às vocações produtivas locais, que promova um ambiente favorável à sustentabilidade e à melhoria da qualidade de vida das pessoas da comunidade da Ilha de Deus.


Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Nordeste (FETRACAN) O senhor acredita que 2013 foi um ano positivo para o setor de transportes e cargas no Estado? A avaliação do segmento de transportes sobre as ações do Estado é positiva. Não é por acaso que Pernambuco é o Estado que mais se cresce no país. O bom desempenho apresentado pelo Porto de Suape, que bateu um novo recorde de movimentação de cargas ao atingir, no terceiro trimestre deste ano, a marca de 3,6 milhões de toneladas movimentadas, faz com que a expectativa seja enorme para o setor. É esperado, para os próximos anos, que Suape se consolide como porto concentrador e distribuidor de cargas para o Norte e Nordeste do Brasil. Tamanha capacidade, além da presença de uma refinaria de petróleo e de vários estaleiros, torna o futuro ainda mais promissor para o segmento.

Quais as expectativas para 2014? Em que o setor deve investir para continuar em crescimento? As expectativas são de que o Estado deve trabalhar fortemente na restauração da malha rodoviária e voltar também suas vistas para a malha ferroviária. Esse trabalho ganha em importância à medida que os olhos do mundo se voltam para a produção brasileira. É preciso preparar o Brasil para ser competitivo nos próximos dez anos. O maior problema enfrentado pelo agronegócio brasileiro e que impede o setor de ser ainda mais competitivo

são os obstáculos encontrados pelo produtor na hora de escoar a safra, como a dependência das rodovias e a falta de investimentos nas ferrovias e hidrovias, que resultam em custos mais elevados.

Qual a importância do setor de transporte de cargas e logística para a economia pernambucana? O sistema de NEWTON Gibson, transporte de presidente da Fetracan cargas se constitui no vetor da maior relevância e fator de melhora da economia do Estado e da Região Quais os projetos da Fetracan Nordeste. Não se pode pensar para 2014? em desenvolvimento sem ter Para o exercício de 2014, a atrelado ao processo o segmento Fetracan trabalhará fortemente de transporte de cargas. Para o Projeto de Implantação da exemplificar, basta observar o Unidade D – Serra Talhada – Sest/ Projeto Suape e sua repercussão Senat, cujo ponto forte está no na economia do Estado e do país. desenvolvimento de recursos Antigamente os investimentos humanos para apoiar o crescimento eram concentrados na Bahia, e do Estado. Esse projeto envolve as atenções dos outros Estados um aporte de recursos na ordem do Nordeste se voltavam para de R$ 20 milhões. Além disso, lá. Com o advento do Porto de vamos trabalhar para racionalizar Suape, Pernambuco passou a a utilização de resíduos sólidos, captar uma quantidade enorme implantar projetos sobre logística de negócios, o que faz desse porto reversa e incentivar a celebração de a locomotiva do Estado. Polo de convênios internacionais através desenvolvimento mais dinâmico do da Câmara Internacional de Brasil, Suape está preparada para Transporte (CIT). receber qualquer tipo de empresa.

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Pernambuco doce Por Thais Neves

Bolos pernambucanos carregam história e moldam cultura e referências

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N

ão há como negar a importância da gastronomia na cultura de um Estado. Principalmente quando se fala de Pernambuco, conhecido pela diversidade de manifestações populares e pela culinária inesquecível, na qual os doces têm lugar de destaque. Nossas sobremesas agradam tanto aos comensais que buscam sabores mais sofisticados quanto aos que preferem o aconchego de uma comida simples e caseira. O açúcar tem capítulo especial na gastronomia pernambucana. Devido ao cultivo da cana e à proliferação de engenhos, as sobremesas bastante adocicadas viraram marca da região. Raul Lody, doutor em etnologia pela Universidade de Paris e especialista em antropologia da alimentação, explica que a comida representa o melhor retrato social de um povo, além de possibilitar a criação de identidades e referências. “A influência ibérica é muito grande na culinária de Pernambuco. A base da massa dos principais doces produzidos aqui – feita com leite, açúcar, farinha, manteiga e muitos ovos – vem de Portugal. Várias receitas de sobremesas são originadas de conventos e mosteiros lusitanos”, informa. As opções de bolos são muitas e atendem aos gostos mais exigentes. Muito popular e versátil, o bolo de rolo foi introduzido em terras brasileiras no século XVI, com a vinda da corte lusitana. Em 2007, a delícia ganhou o título de Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco. Nada mais justo com essa iguaria, que carrega relações

históricas com o bolo português chamado braço de noiva, feito com pão de ló e recheado com nozes. Por aqui, o bolo de rolo é preparado com massa de ovos, enrolado com goiabada derretida e polvilhado com açúcar para dar o toque final. Mas não confunda com rocambole. Afinal, os defensores da “pernambucanidade” dizem que a delícia apresenta camadas bem mais finas e recheio diferente. ANA CAROLINA LIMA, diretora da Casa dos Frios, conhece bem a receita. A marca é a vencedora de todos os prêmios de Melhor Bolo de Rolo da revista Veja Recife e este ano ganhou também o da revista Prazeres da Mesa. “O nosso bolo de rolo é campeão de vendas e, com certeza, nosso principal produto. Além disso, preserva uma memória afetiva muito grande para a nossa família, especialmente pelo fato de ter sido servido ao papa João Paulo II em sua visita ao Brasil”, explica Carolina. Tanto reconhecimento é evidenciado na produção e também nas vendas da casa. Diariamente é produzida uma tonelada da iguaria e 99% desse montante é consumido, não havendo perdas ou prejuízos. O bolo Souza Leão também carrega a responsabilidade e o título de Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco. É considerado o rei dos bolos e sua história começou com a tradicional família que lhe concedeu o nome. Mais precisamente com sinhá Rita de Cássia Souza Leão Bezerra Cavalcanti, que, incorporando e privilegiando os ingredientes da terra, criou um bolo genuinamente pernambucano e popular, pois ficou famoso entre a aristocracia

ANA Carolina

do século XIX, mas também era bastante consumido nas senzalas. Dona Rita trocou a manteiga francesa Le Pelletier pela manteiga local, a farinha de trigo pela massa de mandioca, o vinho pela cachaça, o leite de gado por leite de coco e adicionou ovos de aves criadas nos quintais dos engenhos de açúcar. O resultado dessa mistura é um bolo com textura cremosa, rico em história e de sabor inigualável. Além dos bolos de rolo e Souza Leão, a doçaria de Pernambuco conta com outros deliciosos colaboradores, como o bolo barra branca, tradicional da cidade de Bezerros; o bolo de mandioca; o bolo Recife e o bolo pé de moleque. Independentemente da escolha, o coração vai se sentir aquecido com tanto sabor.  

Tortas finas também adoçam o paladar do pernambucano Os comensais que buscam sobremesas mais sofisticadas não podem reclamar. O mercado de tortas finas vem crescendo na cidade e apresenta novidades e

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várias opções. Uma das marcas mais famosas no segmento é a Dalena, inaugurada em 1998. Hoje a casa já tem cinco unidades espalhadas pelo Recife e oferece 50 sabores de tortas com misturas leves e inusitadas, como o cheesecake de Avelã e a torta ponta negra, feita com creme de chocolate e musse de maracujá. Mas a campeã de pedidos é a torta alemã, primeiro produto trabalhado na rede. Para a empresária Madalena Souza, o segredo do sucesso são a qualidade do serviço e a constante preocupação com o cliente. “Nós buscamos sempre a reinvenção de nosso cardápio, que hoje atende o cliente no café da manhã, no almoço e em eventos. Nossa rede oferece opções exclusivas para todas essas ocasiões”, diz.

TORTA de chocolate com damasco, sucesso da Ganache Tortas Finas

APRENDA A FAZER O BOLO SOUZA LEÃO

Ingredientes: 500 g de açúcar 250 ml de água 200 g de manteiga 500 g de massa de mandioca 750 ml de leite de coco 9 gemas 1 pitada de sal Modo de preparo: Com o açúcar e a água, faça uma calda em ponto de fio médio.

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Desligue o fogo, acrescente a manteiga e deixe esfriar. Junte as gemas peneiradas, o leite de coco, a mandioca e o sal. Bata no liquidificador, peneire a massa e coloque em forma untada e polvilhada com farinha de trigo. Asse em banho-maria. Depois de assado, retire do banhomaria e deixe dourar por mais uns 15 minutos no forno. *Receita fornecida pela chef pâtissier Tânia Bastos do Senac Pernambuco.


VIRGÍNIA Magalhães e Fabiana Tavares

VOCÊ SABIA? A paixão por chocolate foi o motivo que levou as empresárias VIRGÍNIA MAGALHÃES e FABIANA TAVARES a abrir a Ganache Tortas Finas. A loja, inaugurada recentemente no bairro do Pina, oferece 70 sabores de tortas, além de bolos e brownies. “O Recife tem um mercado promissor. Estamos bastante satisfeitas com o resultado de nossa loja, tanto que já estamos com o projeto de uma Ganache Tortas Finas na Zona Norte, possivelmente no início de 2014”, afirma Virgínia. Entre os sucessos da marca, a torta de chocolate com damasco, feita com discos de biscoito crocante, camadas de musse de chocolate e geleia de damasco, é a principal representante. Não deixe de provar também a torta brownie de morango, com base de brownie de chocolate, mousse de chocolate, chantilly e morangos frescos na superfície.

O município de Bezerros, no Agreste pernambucano, é conhecido pelo seu animado Carnaval, com a presença dos papangus, mascarados que desfilam e brincam pelas ruas. Mas desde outubro deste ano os bezerrenses têm outro motivo para se orgulhar: o título de Capital do Bolo e do Doce, concedido pela Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), devido à grande produção das sobremesas na cidade.

Bezerros tem cerca de 50 fábricas, que produzem mais de 60 toneladas de bolos por mês. As opções são muitas: bolo de abacaxi, de rolo, de mandioca e o tradicional barra branca, que adoçam as tardes dos habitantes e dos turistas que visitam a região. Devido ao novo status, a cidade realizou, na primeira quinzena de dezembro, o 1° Festival de Bolos e Doces, com o objetivo de profissionalizar e formalizar cada vez mais o setor.

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JURÍDICO EM PAUTA| JOSÉ ALMEIDA DE QUEIROZ

Consultor da presidência do Sistema Fecomércio-PE almeidajaq@hotmail.com

Reforma trabalhista No programa de governo do candidato Luiz Inácio Lula da Silva, constou nas páginas 22 e 23 que era necessário fazer uma reforma trabalhista, vinculada à reforma sindical, e que ambas resultariam de um processo de entendimentos das diferentes classes sociais. Ainda segundo o documento, a construção de uma legislação trabalhista verdadeiramente moderna somente seria possível se no processo de discussão fosse assegurada a participação dos diferentes setores da sociedade. Assumindo o governo, o presidente Lula instituiu o Fórum Nacional do Trabalho (FNT), através do Decreto nº 4.796, de 30 de junho de 2003. A implantação do FNT ficou a cargo da Secretaria de Relações do Trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego. Foi estabelecida a participação de 600 representantes, formados pelos segmentos das categorias econômica e profissional e do governo federal, com o objetivo de promover a democratização das relações de trabalho por meio da adoção de um modelo de organização sindical baseado em liberdade e autonomia. Seria também debatida a atualização da legislação trabalhista, compatível com as novas exigências do desenvolvimento nacional, de maneira a criar um ambiente propício à geração de emprego e renda. Lamentavelmente, após dois anos de discussão entre os membros da comissão tripartite, o FNT sucumbiu. Em 2012, surgiu um novo modelo com a denominação de I Conferência Nacional de Emprego e Trabalho Decente (I CNTED), contando com o apoio da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

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No período de 8 a 11 de agosto de 2012, foi realizada a aludida I CNETD, que mais uma vez não atendeu aos seus objetivos, diante dos conflitos existentes entre as bancadas, resumindo-se na aprovação de cinco propostas pela representação dos trabalhadores e pela sociedade civil, sem a participação das entidades patronais. Recentemente, foi definida a reabertura das discussões da I CNETD, estabelecendo a realização de cinco seminários regionais. Mais uma vez questionamos o resultado final dessa conferência, que deveria atender aos interesses de toda a sociedade brasileira, notadamente no campo das relações de trabalho.


Além do prazer Procura por acessórios, produtos e serviços aquece o mercado erótico e sensual no Brasil e impulsiona novos negócios no segmento. Para atender à demanda, composta principalmente por mulheres, empreendedores investem em inovação e qualidade Por Lindalva Coelho

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ntre quatro paredes vale tudo.” A máxima, muito utilizada pelo público quando se trata da relação sexual, nunca esteve tão em alta. É o que mostram os números da Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual (Abeme). O negócio está em plena expansão e cresce a cada dia. Tanto que, no país, de acordo com pesquisas feitas pela Abeme, existem hoje 11 mil pontos de vendas e o segmento é responsável pela geração de 125 mil empregos diretos e indiretos. Os perfis das pessoas que trabalham com o comércio de acessórios e produtos ou prestam serviços ligados à sedução e ao prazer são

abrangentes, indo de donas de casas, empreendedores individuais até empresários. O volume de negócios cresceu 15% em 2012, chegando a R$ 1 bilhão, e a expectativa é manter-se crescente em 2014. Mas o que provocou o aquecimento desta indústria? As respostas podem variar, porém, segundo Anderson Freire, psicólogo clínico e professor da Faculdade dos Guararapes, o crescimento foi provocado por causa da liberdade sexual das mulheres, que hoje procuram satisfazer mais seus desejos e não têm mais vergonha de comprar roupas ou acessórios sensuais. Para Freire, que também é mestre em

“O Projeto Provador consiste em fotografar as mulheres em cenários inusitados, como canaviais, praias paradisíacas, apartamentos vazios e outros ambientes escolhidos pela profissional e pela cliente.” MARIANA PATRIOTA

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o empresário até se fingiu de gay para deixar os clientes mais à vontade na hora de decidir o que levar, mas hoje diz que muitos perderam a timidez e a loja física acabou virando um consultório sentimental com direito a divã e bons ajudantes para dar sugestões de como

“Conseguimos conquistar e fidelizar a clientela porque apostamos no atendimento diferenciado, mais pessoal e na atualização das mercadorias.” antropologia cultural na área de gênero, família e sexualidade e membro da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana, “as mudanças comportamentais e socioculturais elevaram as mulheres a outro patamar quando o assunto é sexualidade, deram maior autonomia e hoje elas alcançaram uma equiparação no campo sexual”. Ainda segundo o psicólogo, a fantasia e o erotismo já fazem parte do imaginário das mulheres, que culturalmente são responsáveis pelo jogo de sedução. “Os homens são objetivos, por isso eles têm mais dificuldade em atender aos desejos das mulheres”, acrescentou. A busca da ala feminina pela satisfação sexual tem reflexo no número de estabelecimentos que vendem objetos, cosméticos e roupas sensuais, os chamados sex shops. O público feminino representa a maioria dos consumidores, atingindo 95% dos clientes. O empresário

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RODRIGO COELHO, RODRIGO COELHO do Secretíssima (sex shop e distribuidor de artigos eróticos), é um dos incrementar o relacionamento. empreendedores do ramo. Os clientes adoram e acabam Começou como vendedor de porta voltando. “Conseguimos em porta enquanto era técnico conquistar e fidelizar a clientela de informática, mas o sucesso porque apostamos no atendimento foi grande. Após três meses de diferenciado, mais pessoal e na vendas, mudou de profissão e virou atualização das mercadorias”, empresário, abrindo um ponto afirma. físico no Centro do município de Camaragibe, Região Metropolitana Atualmente, o Secretíssima atua do Recife, e uma loja virtual com nos Estados de Pernambuco, site e atendimento pelas redes Paraíba e Alagoas, sendo sociais. fornecedor de outros sex shops. Com mais de dois mil itens, entre acessórios, próteses, lingeries, fantasias, cremes e géis, o empreendimento emprega cinco vendedores e seis motoboys, que fazem a entrega de produtos, inclusive realizando um dos serviços mais requisitados: a entrega da compra em motéis. Nestes casos, os clientes ligam e fazem o pedido e a entrega é feita em menos de 40 minutos, dependo da localização. No início,

No cadastro, são mais de seis mil clientes e o faturamento anual chega a R$ 1,5 milhão. Para 2014, o empresário planeja expandir os negócios com a instalação de mais uma loja física, no bairro de Boa Viagem ou na Madalena, assim poderá atender com maior agilidade os clientes. Também pretende investir mais na importação e prepara o lançamento da franquia do Secretíssima para o segundo semestre.  


Luxo Fora os sex shops, os motéis são consagrados como os locais ideais para liberar a imaginação. Com o passar do tempo, eles deixaram de oferecer apenas um quarto com banheira de hidromassagem e decoração básica. Discrição é essencial, mas a sofisticação é um dos atributos mais procurados. O Lemon Motel é uma das referências no assunto. Conforto, bom atendimento e luxo são as características do motel, que virou sinônimo de qualidade. Com duas unidades no Recife, o Lemon oferece um número seleto de apartamentos. Na unidade de Boa Viagem, são 20 suítes e, no Lemon Loft, no bairro de Afogados, são 26. Cada uma possui dois perfis de acomodação: a tradicional e a plus. Os tamanhos das suítes variam de 70 a 500 metros quadrados e todas têm design diferenciado pensado especialmente para atender às necessidades e aos desejos do público. Segundo o empresário Carlos

Rique, a ideia é trazer algo que não tenha cara de motel, um ambiente clean, sofisticado e moderno. Nas suítes do Lemon Loft, por exemplo, o cliente encontra notebook e internet, home teather, TV de plasma, TV de LCD e cama soft box. O local ainda conta com heliponto capaz de receber aeronaves de vários portes. O ambiente tem arquitetura arrojada e segurança reforçada. As suítes do tipo Loft Plus, por sua vez, têm 500 metros quadrados e oferecem telão de 200 polegadas, piscina ao ar livre e piscina de

champanhe, quatro camas e iluminação cênica especial. Os clientes são atendidos individualmente com acesso independente e sem contato uns com os outros. O motel oferece ainda o Special Day, serviço voltado para comemorar datas mais importantes, com três tipos de ornamentação: aniversário, romântico e erótico. Para se manter atualizado sobre as tendências no segmento, CARLOS RIQUE fica atento ao setor hoteleiro como um todo. “Quando viajo procuro me hospedar em hotéis diferenciados e não meço esforços para conhecer as novidades”, afirma o empresário, que trará novidades em modernização para o ano que vem.

CARLOS Rique: investimento em luxo e sofisticação

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Autoestima Outro segmento da indústria erótica que tem acompanhado o crescimento do mercado é o de fotografia. Com um trabalho diferente e fugindo do tradicional ensaio nu, a fotógrafa pernambucana MARIANA PATRIOTA inovou na maneira de retratar a nudez ao criar o projeto Provador. A iniciativa consiste em fotografar as mulheres em cenários inusitados, como canaviais, praias paradisíacas, apartamentos vazios e outros ambientes escolhidos pela profissional e pela cliente. O projeto surgiu há quatro anos, quando ela trabalhava como vendedora numa loja de um shopping do Recife para “ganhar uma grana extra” e complementar a renda vinda do trabalho como publicitária. O negócio foi crescendo e o que começou nas cabines de prova virou uma

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Segundo ANDERSON FREIRE, a fantasia e o erotismo já fazem parte do imaginário das mulheres, que culturalmente são responsáveis pelo jogo de sedução.

empresa. Agora Mariana viaja o Brasil e outros países, como Itália, Argentina e Indonésia, fotografando mulheres de várias idades que querem satisfazer o ego ou melhorar a autoestima. “Elas têm a oportunidade de se conhecer melhor e ser feliz de outra forma, sem se preocupar com os padrões de beleza impostos”, diz. Hoje são cerca de 16 ensaios por mês, com mulheres comuns, sem todo o aparato das grandes publicações. A negociação com os clientes é via Facebook, sem um contato pessoal prévio. No

entanto, a principal característica do trabalho é o intimismo, já que muitas vezes, na hora das fotos, são só a fotógrafa e a cliente. A maioria compõe a faixa etária de 22 a 40 anos e é formada por mulheres, pois, segundo a profissional, os homens ainda têm certo preconceito e ficam acanhados em se despir. Desinibidos ou não, o fato é que a indústria ainda tem muito para crescer, nichos de mercado para explorar e inovar, para o público, feminino ou masculino, que deseja apimentar a relação e encontrar a realização sexual entre quatro paredes ou fora delas.


Turismo com aventura Modalidade cresce em Pernambuco atraída por geografia e clima propícios Por Thais Neves

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ernambuco tem belezas naturais próprias do Nordeste: sol, praia e rica história. Além disso, o Estado reúne vários requisitos para os amantes de esportes de aventura, prática que vem ganhando cada vez mais adeptos no país. Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta), em todo o Brasil são 177 empresas associadas, 46 dessas localizadas na Região Nordeste,

uma das mais procuradas para modalidades como rapel, trilha, mergulho e tirolesa. Segundo a Organização Mundial de Turismo, o turismo de aventura representa o futuro, pois está alinhado com as mais variadas tendências de preservação do meio ambiente e busca de fontes renováveis de energia. Em Pernambuco, multiplica-se o número de empresas atuantes e de modalidades oferecidas, fazendo com que a modalidade tenha

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importante papel no setor.

Estado apresenta diversidade geográfica e climática São muitos os lugares em Pernambuco que são procurados para a prática de esportes de aventura. As cidades de Goiana, Brejo da Madre de Deus, Serra Talhada e Buíque são algumas que recebem visitantes de todos os lugares do Brasil. A cidade de Bonito, a 100 km do Recife, é famosa pelo recente título de uma das Sete Maravilhas de Pernambuco, pelas lindas cachoeiras e modalidades como trilha, caminhada, escalada e tirolesa. São cerca de 20 mil turistas que buscam se aventurar e desfrutar dos 861 leitos oferecidos pela cidade. Entre os principais atrativos, destacam-se as cachoeiras Pedra Redonda, Bonito Ecoparque, Véu da Noiva, além da Pedra do Rodeador, terceiro maior pico do país para prática de rapel, com 250m de altitude. “O turismo em nossa cidade é um dos propulsores da economia. Pensando nisso, em 2014 estão previstos projetos como um centro cultural, um centro de eventos e um teleférico”, diz William Wagner, diretor da Secretaria de Turismo do município. O distrito de Serra Negra, na cidade de Bezerros, ganha notoriedade pelas temperaturas amenas. Nesse pequeno povoado, a noite pode chegar a 8°C. Ótima oportunidade de acender uma fogueira depois de um dia inteiro de atividades. Para os praticantes de rapel e escalada, o Mirante de Serra Negra, com 1.090 metros de altitude, apresenta vários paredões

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e uma vista de tirar o fôlego. Quem se interessa pelas modalidades de motocross, enduro e mountain bike pode optar pela trilha do Parque Ecológico, que apresenta um percurso de 2,5 quilômetros de estrada de terra. São mais de 20 trilhas com pedras e vegetação arbustiva que encantam os olhos dos visitantes. Em Gravatá, região serrana de Pernambuco, a dica é aproveitar as cachoeiras do local e fazer trilhas em reservas particulares de patrimônio natural, como a Serra do Contente, que tem área de 900 hectares. A Ponte Cascavel, com 80m de altura, é uma boa opção para os praticantes de rapel. Saindo do Recife, os interessados podem fechar pacotes que custam a partir de R$ 200 para chegar à cidade, com transporte, guia e taxa ambiental inclusos. Recentemente, o balonismo passou a ser uma nova opção entre os amantes do esporte em Gravatá. O projeto é uma iniciativa do Villa Hípica Resort com operação da GTPromo. Para Tássio Moreia, empresário da GTPromo, a cidade apresenta perfeitas condições para a prática. “Voamos regularmente em Gravatá, sempre aos sábados, domingos e feriados. A escolha da cidade é pelo clima agradável, pela altitude que permite ventos de menor intensidade e também por ser um polo turístico, próximo da

capital e que recebe visitantes dos Estados vizinhos”, explica. O valor do passeio por pessoa é de R$ 450, com duração de 50 minutos. A consultora de seguros Sandra Pereira adora adrenalina e há quatro anos se aventura em trilhas, no ciclismo e no rapel, sua modalidade favorita. Ela pratica esportes de aventura todos os fins de semana e é frequentadora assídua das cidades de Gravatá, Bezerros, Bonito, Cabo de Santo Agostinho e Venturosa. “Adoro turismo de aventura. A sensação de paz é muito grande e apaixonante. É nele que eu me encontro e me sinto em casa”, afirma. Apesar dos vários lugares visitados, Sandra elege um preferido: “O conjunto da Lagoa Azul é imbatível. Natureza

SANDRA Pereira elege Lagoa Azul como favorita


linda, rapel emocionante e ainda tem aquela água superazul”. Localizada em Jaboatão dos Guararapes, a Lagoa Azul, que fica a 20 quilômetros do Centro do Recife, é uma propriedade privada onde são feitos treinamentos de equipes como Polícia Civil e Corpo de Bombeiros e que também é aberta ao público para lazer. Mas, atualmente, apenas uma empresa de esportes de aventura, a Vértice, pode levar praticantes ao local. A área tem aproximadamente 100 hectares e virou templo para a prática de trilha e rapel, graças à mata abundante e aos paredões rochosos.

Setor aquecido Com o aumento da procura pelo turismo de aventura, crescem também as oportunidades para interessados em investir no ramo. Miguel da Silva sempre foi praticante de rapel e no ano passado decidiu transformar o hobby em trabalho e montou, junto com amigos, a Vértice Esportes de Aventura. “Sentíamos a necessidade de criar algo deste tipo. A prática de esportes de aventura requer confiança, e

nós buscamos passar isso para os clientes. Além da relação de prestação de serviço, procuramos criar uma relação de amizade com todos que fazem atividades conosco”, diz Miguel. A Vértice oferece pacotes que custam de R$ 70 a R$ 120, nos quais estão incluídos o transporte e as modalidades de trilha e rapel. “Dentro do pacote que oferecemos, estão incluídos todos os equipamentos de segurança necessários para a prática do rapel, como cadeirinha de escalada, mosquetão, capacete e luvas, tudo com certificação internacional de qualidade”, explica. Para o empresário Tássio Moreira, dono da GTPromo, que oferece voos de balão em Gravatá, o turismo de aventura está em crescimento, mas ainda existem obstáculos e muito trabalho pela frente. “Nossa atividade no balonismo ainda é muito restrita em relação ao que já ocorre em outras regiões do Brasil. Seremos persistentes para mostrar o balonismo como opção de lazer e esporte e gerador de divisas para o turismo de Pernambuco”, informa.

A empresa realiza de quatro a seis voos por mês. Os interessados devem acordar cedo. As decolagens começam a partir de 5h30, porque nesse horário a temperatura está mais propícia ao voo.

SEM RUMO TRILHAS

(81) 3325-3921 (81) 9679-1968 LAURENTUR RECEPTIVOS

(81) 3728-0893 (81) 9991-9369 VÉRTICE ESPORTES DE AVENTURA

(81) 9702-8784 (81) 8518-2131 PROMO

(81) 3095-0804 (81) 8823-2800

Abraham Sicsu

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TURISMO EM PAUTA| EDUARDO COSTA CAVALCANTI

Presidente da ABIH-PE e coordenador da Câmara Empresarial de Turismo da Fecomércio-PE

Copa do Mundo 2014: teremos hotéis suficientes? Essa é a pergunta que mais circula nas rodas de conversas em todo o Estado. Quando paramos para analisar os números, vemos que sim, que teremos muito trabalho do setor hoteleiro para vender todos os leitos disponíveis, e olha que estamos falando de hotéis de três a cinco estrelas, sem contar que muitos turistas procuram hotéis, hostels, pousadas e mesmo flats e casas em busca de melhores tarifas. Em 2011, a Matsh Point, operadora oficial da Fifa, responsável pela comercialização de hotéis e dos ingressos para a Copa do Mundo, informou ao Governo de Estado de Pernambuco que seria necessário um mínimo de 10 mil leitos para que o Estado pudesse sediar uma das etapas da Copa. E isso foi cumprido – a hotelaria do Recife, Olinda, Jaboatão, Litoral Sul e Gravatá assinaram os contratos disponibilizando os leitos solicitados. Nem todos os hotéis disponibilizaram a totalidade de seus apartamentos, guardando uma boa parcela para manter a fidelidade com as operadoras nacionais, que mandam hóspedes durante todo o ano. Errou quem não fez isso, pois a Matsh Point só volta na próxima Copa. Dos 22 hotéis em construção no nosso Estado, 14 devem ficar prontos ainda em 2014, com tempo suficiente para atender esse público tão esperado. Sem falar nos flats também em construção, que não são poucos. Temos também as casas de Porto de Galinhas, sempre vazias no inverno. Sim, a Copa será em junho e julho. Quem quiser confirmar basta entrar no site do Alugue Temporada e ver a quantidade disponível para esse período. Em Gravatá, por exemplo, existem cerca de 20 mil casas de segunda residência localizadas a apenas 80 km da Arena e sem trânsito. Já se falou até em ter que trazer transatlânticos para suprir a demanda de turistas neste período, mas vamos re-

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fletir um pouco: 70% da demanda turística do Recife são provenientes de turismo corporativo, congressos e feiras. E quem é louco de fazer um congresso durante os jogos? Sendo assim, teremos 100% dos leitos à disposição dos turistas. Um fato recente, porém, começou a preocupar a rede hoteleira de Pernambuco: após os sorteios das seleções, a Matsh Point, ao analisar a procura por hotéis no Estado, chegou à conclusão de que seria melhor liberar alguns hotéis com pouca procura, dando, assim, tempo para que os empresários comercializem com outras operadoras nacionais e internacionais. Cabe agora aos empresários hoteleiros de Pernambuco preparar seus hotéis, concluir os retrofits, qualificar suas equipes e vender tanto para o mercado nacional como para o mercado internacional. Mais de 80% dos ingressos estão sendo vendidos para os torcedores brasileiros. Vamos fazer nossa parte e esperar que os governos façam a deles.


Exercícios funcionais movimentam mercado para personal trainer Equipamentos do dia a dia, com acompanhamento de personal, podem ser usados na prática de exercícios físicos em qualquer lugar Por Bruna Oliveira

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a correria diária é praticamente impensável para muitas pessoas passar ao menos uma hora na academia. Apesar dessa constatação, muitos correm do sedentarismo para não trazer problemas futuros à saúde. Outro fator é a ligação dos exercícios físicos aos estereótipos estéticos existentes, associados à chegada do verão. Daí surge a tendência dos exercícios funcionais. Eles podem ser feitos em qualquer lugar e a qualquer hora, com equipamentos do dia a dia. E como a prática precisa ser acompanhada por um profissional, o mercado ganha mais uma vertente de atuação para o personal trainer.

À medida que a procura por uma vida mais saudável aumenta, os exercícios funcionais ganham novos adeptos, sendo a melhor utilização do tempo algo primordial nos hábitos contemporâneos. Então por que ir à academia se o exercício pode ser feito em qualquer lugar? FELIPE NEIVA é formado em educação física pela Faculdade Maurício de Nassau há quatro anos e decidiu seguir pela atividade nas academias como instrutor e também como personal trainer. “Precisamos conscientizar ainda mais a nossa população da importância do acompanhamento por um profissional capacitado”, contou.

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De acordo com a Associação Brasileira de Academias (Acad), o Brasil é o segundo país com mais academias no mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos. São 22 mil estabelecimentos para apenas 4% da população que frequenta esses espaços. É um número pequeno comparando os dados da Acad, mas, com a chegada do verão, Felipe, que é sócio da Fit Club Academia, acredita que o espaço será mais disputado. “Geralmente quem nos procura são pessoas que querem potencializar seus resultados físicos e dispõem de menos tempo para se exercitar. Realmente os resultados são mais expressivos num período de tempo muito menor.” O peso do próprio corpo pode ser

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usado como carga, desde que o exercício seja praticado da forma correta. O instrutor deve monitorar de perto cada atividade realizada pelo aluno, visto que muitos não estão acostumados à rotina dos treinos. “Hoje, com essa febre dos exercícios funcionais, os clientes precisam ter muito cuidado com os grupos que vão escolher, porque na verdade se tornam muito mais atrativos para o cliente os exercícios que não são repetitivos ou rotineiros. No entanto, se ele não tiver a aplicabilidade correta de acordo com a fisiologia e a biomecânica, se tornará divertido, mas não eficiente. Ou, em alguns casos, até lesivos”, explica Felipe. Essa nova tendência chamou a atenção da funcionária pública

Érica Marques, de 32 anos. Ela confessou não ser amante das academias e ter encontrado nos grupos que praticam exercícios funcionais a motivação que estava precisando para melhorar a qualidade de vida. “Eu nunca encontrava tempo nem tinha disposição para ir à academia, pois acho a rotina de exercício nada estimulante, chata mesmo. Daí meu marido trouxe um folheto de uma equipe de ginástica funcional e eu achei que, por ser na praia, o resultado seria mais rápido, pelo esforço na areia. E o ambiente muito mais atrativo”, contou. A praia tem sido um dos locais explorados para a aplicação dessa atividade, pois torna a prática mais prazerosa. Érica, apesar de


pouco tempo praticando exercícios funcionais, já sente os benefícios: “Faço ginástica há um mês duas vezes por semana. Cada aula tem duração de uma hora, mas parece que são três horas, pois os exercícios são muito intensos. Meu corpo está mais tonificado, minha resistência aumentou bastante e eu me sinto mais disposta. Já emagreci 2,5 kg fazendo os exercícios junto com uma reeducação alimentar”, declara.

foi grande, resolvemos investir. O nosso foco é a consciência corporal e a variação de estímulos, como força, qualidade do movimento e potência”, explica o idealizador do projeto, Sandro Dantas.

O programa conta com uma equipe formada por quatro personal trainers e tem seis turmas de 15 alunos em média. “No início eram apenas duas aulas por semana, mas a procura aumentou muito no verão e abrimos novas Assim como Érica, a bióloga turmas. Agora trabalhamos de Mirelly Saraiva de Oliveira, de 25 segunda a quinta (manhã e noite) e aos sábados (manhã)”, conta Sandro. Um dos diferenciais dos “O combate à monotonia e o exercícios funcionais, trabalho em grupo são atrativos, e comparado às academias, o mais motivante é que o exercício é a mudança da filosofia das repetições. “O não se repete.” combate à monotonia SANDRO DANTAS e o trabalho em grupo são atrativos, e o mais anos, também aderiu à prática. “Eu motivante é que o exercício não se entrei nessa atividade justamente repete”, conclui Sandro. por ser realizada na praia, num Futebol ambiente mais agradável que o A tendência dos exercícios da academia. Sinto que o treino funcionais invadiu as quatro é mais intenso e já ganhei mais linhas e ganhou novos adeptos: os resistência física e disposição para jogadores e demais profissionais encarar a rotina”, conta. do futebol. O educador físico Tanto Érica quanto Mirelly fazem parte do programa Free Time, que tem apenas três meses de existência. O projeto é desenvolvido na orla de Olinda, Região Metropolitana do Recife, e surgiu a partir da necessidade de se adequar a uma nova demanda: ambiente atrativo ao ar livre para se exercitar e resultado corporal em curto período de tempo. “Fizemos inicialmente duas aulas experimentais e, como a procura

Victor Vasques, formado pela Universidade de Pernambuco, encontrou nesse segmento o caminho para crescer no mercado de personal trainers com um serviço especializado. “Trabalho com treinamento funcional dentro do futebol já há certo tempo e noto que vem crescendo o interesse das pessoas”, afirma. O treinamento funcional ajuda os atletas a equilibrar as capacidades físicas, evita lesões e traz resultados muito relevantes dentro de campo. Estratégias são criadas e colocadas em prática nos treinos e nos jogos. O treinamento se reflete nos passes precisos do atleta no jogo, além do maior equilíbrio para fazer dribles e defesas. Agilidade e velocidade são outros estímulos potencializados com os treinamentos funcionais. Os exercícios funcionais trazem a melhoria do padrão de movimentos corporais, potencializando as capacidades condicionantes, como força, velocidade e resistência, e as capacidades coordenativas, como coordenação, equilíbrio e ritmo. Tudo isso aliado a um cenário estimulante, como a praia ou praças. Treinar nunca foi tão leve.

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Organize-se Aprender a gerenciar o tempo ajuda a diminuir estresse na jornada diária de trabalho Por Thaís Neves

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euniões de última hora, relatórios com prazos estourados, cobranças de chefes e estresse. Muito estresse. Hoje todos esses elementos fazem parte da vida dos trabalhadores e trazem a constante sensação de que o tempo passa rápido demais. Porém uma pesquisa realizada pela Triad OS com 1.600 entrevistados aponta que 31% desse montante gastam até 30 minutos do dia de trabalho com assuntos particulares, 25% gastam uma hora com essas atividades e 9% chegam a gastar duas horas do expediente cuidando de problemas pessoais. Essa prática faz com que as pessoas aleguem falta de tempo e acumulem trabalho. Aprender a organizar o dia e a lidar com a vida profissional e pessoal são alguns dos desafios da sociedade moderna, afinal, a grande quantidade e conectividade de informações e os vários papéis desempenhados por homens e mulheres precisam ser geridos de forma eficiente para que tudo esteja em equilíbrio. Dante de Freitas, especialista em gestão de tempo e professor da Faculdade Boa Viagem, diz que hoje vivemos um caos urbano, no qual existe uma corrida sem limites contra o tempo e, para diminuir a tensão,

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planejamento diário é crucial. “Existem vários aspectos em nossa vida, como trabalho, família e lazer, que são fundamentais para a realização pessoal. Com o gerenciamento do tempo, podemos aproveitar melhor todos esses aspectos”, ensina. Sabendo disso, a empresária Rafaela Raposo não abre mão do planejamento para tornar a rotina menos estressante. Há quatro anos, ela montou a Sempre Doce, especializada em trufas e ovos de chocolate. A entrega de 2 mil trufas por mês é feita a cada 15 dias, prazo estipulado por Rafaela para conseguir atender todos os clientes. “Minha produção tem dez dias úteis. No primeiro dia adquiro o material, no segundo produzo recheios, do terceiro ao sétimo produzo as trufas, no oitavo embalo todas elas e no nono e no décimo dia eu entrego”, explica. Dessa forma, a empreendedora já contabiliza 25 pontos fixos de venda – padarias, escolas, restaurantes e lanchonetes – e nenhum atraso nas entregas. “Consigo planejar minha produção e gerir minha empresa sendo responsável não somente pela área administrativa, mas também pela área financeira, logística e

de comunicação. Tudo isso sem esquecer a minha vida pessoal”, afirma Rafaela. Quando se fala em organização e gerenciamento de tempo, é importante ter foco, equilíbrio e determinação. Uma boa dica é trabalhar com metas claras e escrevê-las em algum lugar onde possam ser vistas todos os dias e de fácil acesso. Especialistas defendem que quem tem um propósito caminha com passos mais firmes e não perde tempo, além disso, escrever dá forma aos sonhos e permite que reflitamos sobre o que é verdadeiramente importante em nossa vida. Outra dica é separar algumas horas do dia para si próprio e planejar programas que levam a pessoa a se sentir bem e energizada.


Há quanto tempo você se dedica ao tema de gerenciamento de tempo?

Para saber mais sobre o assunto, a revista Informe Fecomércio-PE entrevistou CHRISTIAN BARBOSA, um dos principais especialistas em administração de tempo no Brasil. Christian é CEO da Triad OS – empresa multinacional que oferece programas e consultoria na área de produtividade e gerenciamento de tempo – e ministra treinamentos e palestras para as maiores empresas do país.

Apaixonei-me pela administração do tempo por pura necessidade. Aos 14 anos abri minha primeira empresa de tecnologia e alguns anos depois tive severos problemas de saúde por estresse e falta de tempo. Comecei a me interessar por tudo relacionado ao assunto. Acabei me tornando instrutor de diversas consultorias do Brasil e do exterior para cursos de administração de tempo. A melhor lição que aprendi é estipular uma meta finita de dedicação de tempo ao trabalho, aprender a controlar a ansiedade e saber que o mundo não vai acabar caso um relatório seja revisado amanhã em vez de na madrugada de hoje.

Você acredita que hoje as pessoas não sabem lidar com o tempo? A que fatos você atribui isso? Nos dias de hoje temos alguns ladrões do tempo, como excesso de prioridades, muitas urgências, desorganização, procrastinação, falta de planejamento e objetivos. Entre os erros comuns que contribuem para a nossa falta de tempo, os principais são: acreditar que tudo pode ser feito; não anotar prioridades e afazeres em uma

ferramenta; não priorizar o dia de trabalho e fazer aquilo que aparece primeiro; deixar que as coisas importantes se tornarem urgentes e não dizer “não”. Para solucionar estes pequenos erros, é importante escolher e aplicar um método de gestão do tempo que seja eficaz. Uma escolha sábia para quem vai começar agora a administrar seu tempo é realizar uma lista de prioridades. Se algo for opcional, deve ir para outro dia. Essas prioridades não podem nunca lotar todas as suas horas de trabalho, ou você vai adiar e se frustrar.

O que os profissionais podem ganhar quando aprendem a organizar seu dia e seu tempo? Quem consegue se planejar e administrar o tempo consegue trabalhar menos, se planejar melhor e enfocar o que realmente é importante.

Você acredita que, atualmente, estamos trabalhando demais? Um dos vilões do tempo que faz os profissionais trabalharem até mais tarde e colecionarem horas extras é a falta de planejamento. O trabalho é infinito, ele sempre vai estar lá com coisas novas, oportunidades e demandas inesperadas. Em compensação, nosso tempo é finito. Ou seja, se você não limitar seu trabalho, ele vai roubar todo o tempo que você tem. São proporções totalmente díspares.

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Tecnologia para solução de problemas urbanos Com a crescente participação popular nas redes sociais, a Quick criou o premiado Colab, aplicativo colaborativo que atua como canal direto entre a população e a administração pública Por Denise Vilar

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busca pela melhoria da informação faz com que diversas empresas da área tecnológica pensem na maneira mais adequada de aliar a presença on-line da população com a resolução dos problemas reais, através de serviços e filtragem de informações. A Quick, empresa pernambucana criadora do Colab, eleito melhor aplicativo urbano do mundo no prêmio App My City, é uma delas, que há alguns meses está atuando em diferentes cidades do país. Denúncias publicadas em redes sociais geralmente são feitas de maneira que o poder público não tem como filtrar. O Colab é isso, uma rede direta para que as informações cheguem a quem pode resolver o problema. O aplicativo dispõe de três pilares para atuação direta dos participantes – Fiscalize, Proponha e Avalie. O Fiscalize serve para denúncias e tem 11 categorias, como estacionamento irregular, limpeza urbana e sinais quebrados; o Proponha tem intenção de que os usuários externem suas soluções, através

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GUSTAVO Maia, sócio da Quick

de categorias, para uma relação de debate interativo com os outros usuários e o poder público; e o Avalie é literalmente uma avaliação de instituições, como escolas e hospitais. Mas, assim como qualquer solicitação, a maneira mais garantida de se ter retorno é postar informações completas que

possam ser checadas de maneira mais rápida. Conversamos sobre o Colab com GUSTAVO MAIA, sócio da Quick, que é especialista em marketing digital com ênfase em política, publicitário, advertising designer pelo IED (Barcelona), MBA na FGV Brasil e CBA no Insper (IBMEC-São Paulo).


No concurso App My City, vocês não foram os únicos brasileiros inscritos, mas os únicos finalistas do País. Quantas empresas concorreram a esse prêmio e qual a avaliação de vocês para terem chegado a esse resultado? Mais de 100 empresas do mundo inteiro. Acho que nossa solução é importante para a melhoria das cidades, pois se faz na participação do cidadão para que isso aconteça. O Colab é social. Nós queremos que o cidadão se conecte entre si e, principalmente, com a cidade.

Já receberam algum outro prêmio pelo Colab? Sim, recebemos o prêmio Tele. Síntese de Inovação na categoria Desenvolvedores de Software, fomos finalistas da DemoBrasil Startup Awads e selecionados no TechMission da Brazil Innovators, que levou 11 startups brasileiras para o Vale do Silício (EUA).

Quais as metas para o aplicativo? Nossa meta é melhorar as cidades com a ajuda do cidadão. Esse é praticamente o nosso mantra diário. Atualmente, passamos por uma grande reformulação, por meio da qual estamos lançando novos apps para Android e iOS (iPhone), mudando todo o nosso site, marca, etc. Nosso objetivo hoje é trazer mais municípios para utilizar a plataforma de maneira oficial pela prefeitura.

Já existe algum canal direto usando o aplicativo como base de dados? Alguma secretaria de governo ou outra instituição privada? Hoje todas as publicações colocadas no Colab são enviadas às prefeituras de todo o país. Fazemos isso praticamente de forma manual. Já assinamos termos de convênio com algumas capitais, médias e pequenas cidades que começarão em 2014 a utilizar o Colab como a plataforma oficial digital dos municípios. Em breve faremos o anúncio dessas cidades.

Existe alguma estatística que mostre qual estado é mais participativo? Alguma empresa ou governo fora de Pernambuco mostrou interesse em utilizar essa ferramenta para a melhoria dos serviços?

Vocês estão desenvolvendo outros aplicativos com esse perfil colaborativo? Pretendem fazer isso? Nosso foco hoje está na melhoria do Colab. Começamos como um projeto paralelo de uma de nossas empresas, mas hoje o Colab se tornou nosso principal negócio.

Qual a perspectiva para o próximo ano? Em 2014 o Colab crescerá muito. Pode ter certeza. Estamos trabalhando em uma nova campanha nacional e melhorando toda a plataforma. Esperamos, em 2014, ajudar a fazer mais cidades melhores para o cidadão, com o cidadão.

O Recife é a cidade com o maior número de usuários. Porém em casos solucionados não é o top1. Em Pernambuco, tivemos o interesse da Prefeitura do Recife, mas que ainda não foi concretizado, assim como outros municípios com que ainda estamos conversando.

O Colab se limita à cidade do usuário (já que é vinculado ao Facebook) ou pode ele opinar/sugerir para outras localidades, durante viagens, por exemplo? No novo aplicativo ele poderá publicar em qualquer cidade e a prefeitura local receberá a notificação. Informe Fecomércio-PE | NOV/DEZ 2013

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OS TRÊS PILARES DO COLAB FISCALIZE – Andando pela rua, preste atenção

Fiscalize Fiscalize ProponhaProponha Avalie

Avalie

em problemas rotineiros da cidade, como carros estacionados em local proibido, aquelas calçadas irregulares que dificultam a vida do transeunte ou mesmo um foco de dengue exposto a céu aberto. PROPONHA – Imagine projetos que poderiam

O QUE É COLAB?

Uma rede social para a cidadania que faz a ponta entre o cidadão e o poder público. Por ele é possível, juntos, construir melhores cidades, fiscalizando problemas, propondo soluções, avaliando entidades públicas e debatendo bastante com amigos e outros usuários com interesses em comum. Todos os dados de publicações são públicos e podem ser filtrados em relatórios para que as pessoas saibam exatamente quais os principais problemas e soluções de cada cidade.

mudar a dinâmica da sua cidade, Estado ou até do país. Escolha a categoria que melhor representa seu projeto. Coloque um título, descreva e utilize o botão de foto e/ ou localização. Publique e faça uma grande discussão com seus amigos e os outros usuários. Divulgue seu projeto em outras redes sociais e encontre apoiadores. AVALIE – Na web ou no celular, escolha uma das

categorias disponíveis, um dos tipos de lugar, coloque o nome e faça uma breve avaliação como a qualidade geral, a limpeza do local, equipamentos e acessibilidade. Publique e veja a repercussão entre seus amigos. * Informações retiradas do site www.colab.re

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TRIBUTÁRIO EM PAUTA| LUIS RODRIGUES

Assessor tributário da Fecomércio-PE luisrodrigues@alradvocacia.com.br

Lei Anticorrupção e compliance Em publicação anterior, abordamos aspectos vinculados à Lei Federal 12.846, chamada de Lei Anticorrupção, que cuida da responsabilização administrativa e civil da pessoa jurídica por atos contra a administração pública, especialmente envolvendo a prática de corrupção. Na oportunidade, informamos que a aplicação de eventuais penalidades previstas na lei serão ponderadas pelas políticas internas de cada pessoa jurídica que conduza a prática efetiva de comportamentos e atitudes suportadas pela integridade no âmbito corporativo, quando realçamos a necessidade de as pessoas jurídicas em geral se fortalecerem nesse sentido, mediante a adoção e a ampla divulgação de regras definidas de governança corporativa ou código de ética. Conforme consta do site do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (www.ibgc.org), “boas práticas de governança corporativa convertem princípios em recomendações objetivas, alinhando interesses com a finalidade de preservar e otimizar o valor da organização, facilitando seu acesso ao capital e contribuindo para a sua longevidade”. Ampliada essa linha de conduta, considerando que governança corporativa leva necessariamente à transparência no relacionamento de todos entre si, pessoas e órgãos da administração componentes da entidade pessoa jurídica, a implantação de tal conduta não pode fugir ao cumprimento do normativo legal, jurisprudência e regras contratuais, o que nos conduz a arrematar o entendimento de que é por demais importante as pessoas jurídicas em geral, sem distinção de porte, focarem atenção no chamado compliance, como forma de minimizar os riscos de exposição às penalidades da Lei Anticorrupção e também a todo o complexo emaranhado de normas, regras e contratos inerentes às suas atividades. Baseados em conceito livre, extraído da Wikipédia (www.wikipedia.org), podemos dizer que, nos âmbitos institucional e corporativo, “compliance é o conjunto de disciplinas para fazer cumprir as normas legais e regulamentares, as po-

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líticas e as diretrizes estabelecidas para o negócio e para as atividades da instituição ou empresa, bem como para evitar, detectar e tratar qualquer desvio ou inconformidade que possa ocorrer.” Com as atividades de compliance, qualquer possível desvio em relação à política interna é identificado e evitado. Dessa maneira, sócios e investidores têm a segurança de que suas aplicações e orientações serão detalhadamente geridas segundo as diretrizes por eles minuciosamente estabelecidas. Não existe compliance se não houver segregação de funções: por exemplo, quem determina um investimento não pode ser a mesma pessoa a fiscalizá-lo; quem cria uma norma interna não pode nomear a si próprio como fiscalizador dessa norma. As atividades de compliance, para terem credibilidade, não devem incluir em seus quadros jovens recém-contratados, recém-formados ou estagiários. Só devem ocupar cargos de compliance pessoas com larga e comprovada experiência no negócio em si e também com forte experiência em cargos de liderança em empresas de médio ou grande porte. Devido à enorme responsabilidade dos executivos de compliance, eles devem estar prontos para responder aos stakeholders e perante a lei por suas atividades”. Portanto, conforme livremente conceituado acima, é de fundamental importância que as pessoas jurídicas em geral, empresariais ou institucionais, dediquem o máximo de atenção às atividades de compliance, criando ou revisando regras de relacionamento e de controle interno, buscando garantir transparência no cumprimento das normas, regras e contratos, bem como na convivência e nas relações com o seu público interno e externo, tais como investidores, funcionários, clientes, fornecedores, poder público e a comunidade como um todo.


AZUL Em volta da mesma luz, As borboletas azuis Dos meus tempos de menino Parecem voltar nos anos E agora são desenganos Em volta do meu destino. José Paulo Cavalcanti Filho (escritor e jurista)

O Sentido da Cor

A Gráfica Flamar é certificada com os selos Huber Green e FSC (Forest Stewardship Council). Essa é a política de qualidade e gestão socioambiental que aprovamos.

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Informe Fecomércio PE  

A doce gastronomia de Pernambuco

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