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DIÁRIO CATARINENSE, SEGUNDA-FEIRA, 5 DE SETEMBRO DE 2011

Reportagem Especial Polo catarinense

diario.com.br

> Veja galeria de fotos do polo supermercadista do Sul do Estado

Nério Manentti segue os passos do pai, fundador da rede

Pequenos, por enquanto

O Sul do Estado não abriga apenas os maiores supermercados catarinenses, mas também os que crescem com mais força

ALEXANDRE LENZI

A

Criciúma

ngeloni, Giassi e Bistek são protagonistas do sucesso do polo supermercadista do Sul do Estado. Mas a região é o epicentro para a expansão tanto das grandes redes quanto das pequenas. Referência no setor,levantamento da revista Supermercado Moderno, publicado em maio, aponta o Moniari, de Içara, como a empresa do setor que mais cresceu nos últimos cinco anos no Sul do país.As vendas tiveram uma alta real (descontada a inflação) de 283,1% entre 2005 e 2010, passando de R$ 9,3 milhões para R$ 48 milhões.No mesmo período, o crescimento nacional do setor foi de 36,2%. O Manentti, de Criciúma, aparece na quinta posição da lista, com um ganho real de 124,9% no período,atingindo R$ 145 milhões de faturamento no ano passado. Hoje, a rede tem seis lojas – quatro delas na cidade natal. O presidente da Associação Catarinense de Supermercados (Acats),Adriano dos Santos, explica que a forte concorrência funciona como uma seleção natural.Os pequenos precisam se organizar bem ou quebram. Os que conseguem crescer, avançam num ritmo acima da média do Estado. No ano passado, segundo a Acats, houve crescimento de 6,91% das vendas do setor em SC. Para este ano, a previsão é de alta entre 5,5% e 6%. O investimento com foco em microrregiões onde os grandes não chegam é apontado comum dos motivos para isso. O pesquisador do setor Ricardo Pieri, professor de administração e técnicas de gestão da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), acrescenta que o modelo de ges-

Faturamento em 2010

R$ 145 milhões

Lojas

6

Funcionários

900

Criciúma Forquilhinha Araranguá

tão das grandes redes do Estado acabou se transformando em uma referência copiada pelas empresas menores. – Os pequenos têm três bons exemplos dentro da própria região. E cada um quer melhorar ainda mais,o que é bom para o desenvolvimento do setor e para o consumidor.

Para o diretor comercial da rede Manentti, Nério Manentti, 55 anos, o diferencial do grupo criciumense é investir nos bairros. – A ideia é ser uma opção para a dona de casa que não quer sair da vizinhança. O conceito é de loja de vizinhança – explica. O investimento mais recente foi na unida-

de de Araranguá, inaugurada em 2010, o que ajudou a impulsionar as vendas do ano passado, que avançaram 37%. Neste ano, a rede fez ajustes internos e espera crescer 7%, e, a partir de 2012,volta a pensar em expansão. A história dos Manentti é antiga. Em 1942, no embalo do ciclo de extração do carvão, o casal Adolfo e Florência abriu uma pequena venda em Criciúma, no Distrito do Rio Maina. Mais tarde, o negócio foi divido em três armazéns, com sociedade de Adolfo com dois irmãos, o que durou até 1968.Após a separação,Adolfo seguiu administrando com os filhos apenas a loja do Rio Maina e, em 1982, aderiu ao conceito de autosserviço e investiu na profissionalização do negócio. Volnei Manentti, 64 anos, diretor-presidente da rede,cita um exemplo prático.No armazém do pai, existia a tradicional caderneta, onde os clientes marcavam compras fiadas. No início dos anos 1980, com a inflação em alta, a empresa acabou com a caderneta e passou a vender apenas à vista. O saldo devedor foi parcelado em até três vezes – em duas, a empresa não cobrava juros; em três,sim. O fundador Alfonso morreu em 2004 e hoje os 12 filhos são sócios da empresa. Sete trabalham diretamente no supermercado. O sócio Edilberto Manentti, 46 anos, que tem uma das três filhas trabalhando na área de recursos humanos, diz que a intenção é manter o comando familiar, mas cobrando qualificação da nova geração. – Os sócios avaliam quem tem o perfil para o negócio.Eles têm que fazer até melhor do que a gente – brinca,deixando claro que a ordem é continuar crescendo. alexandre.lenzi@diario.com.br

Pequenos, por enquanto (Diário Catarinense) - Alexandre Lenzi (1)  

Reportagem de Alexandre Lenzi, do Diário Catarinense, vencedora do 4º lugar no Prêmio Fecomércio SC de Jornalismo, na categoria Jornalismo I...

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