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DIÁRIO CATARINENSE, DOMINGO, 25 DE SETEMBRO DE 2011

Economia

A cabeça do investidor

ideia milionária TARQÜÍNIO TELES 40 anos, fundador da Hoplon Infotaintment

JOÃO BOSCO 29 anos, sócio da Chaordic Syst Systems

Não perca a oportunidade de vender o seu negócio como uma boa ideia para um investidor. Como nos vestibulares, a chance aumenta depois de algumas tentativas. Por isso busque, primeiro, fundos em sua região para treinar.

Procure cure se aperfeiçoar buscan buscando, além das informações técnicas, conhec conhecer um pouco mais de outras áreas, como Administração e Direito, que podem auxilia auxiliar muito no desenvolvimento da nova empresa. FLAVIO NEVES

DANIEL CONZI

US$ 15 mi em jogo

Compra personalizada

Os sonhos de Tarqüínio Teles, 40 anos, não teriam se concretizado se ele não tivesse convencido um fundo de capital de risco a investir no universo do jogo Taikodom. Logo que criou a Hoplon Infotainment, em maio de 2000, na empolgação das empresas de tecnologia na internet, ele sabia que precisaria de financiamento para fazer o negócio decolar. Com um plano de negócios detalhado de 20 páginas e outras 20 de apêndice, Tarqüínio procurou os poucos fundos de investimento com capital de risco existentes no país no início dos anos 2000. Conseguiu assinar o contrato com a Idee Tecnologia, de São Paulo,em janeiro de 2004. – Isso foi fundamental, porque pela quantidade de pessoas que precisávamos para desenvolver o produto e o tempo para produzi-lo,só mesmo com investimento de uma fonte externa. Até a injeção de dinheiro, o projeto do Taikodom ficou na gaveta.A equipe da Hoplon trabalhava em jogos simples, projetos de automação e simulação científica. O projeto ambicioso de desenvolver, pela primeira vez no país, um jogo virtual de uso massivo conquistou os investidores. Não apenas pelo argumento de que no país existem 35 milhões de jogadores ativos de games, mas também pelo plano de negócios detalhado de Teles, que serviu,posteriormente,para nortear os passos da empresa.

A Chaordic partiu em busca de dinheiro para crescer logo que foi fundada,em 2008.A fonte inicial veio de editais públicos. – Com aquele dinheiro, conseguimos montar a nossa equipe. Mas os recursos dos órgãos de fomento não podem ser utilizados para qualquer coisa. Eles têm um uso limitado. Por isso começamos a buscar recursos nos fundos de investimento – conta João Bosco,29 anos,sócio-proprietário da Chaordic. Após oito meses de negociação, Bosco e João Bernartt venderam 20% da empresa para o fundo DLM Invista. Com o recurso, eles dobraram o número de funcionários e aceleraram o desenvolvimento das soluções criadas para comércio eletrônico. – Conseguimos fazer isso porque eles acreditaram no potencial do que estávamos fazendo. Quando conquistamos o investimento, não tínhamos finalizado o nosso primeiro produto e nem tínhamos clientes ainda. A aposta do DLM Invista,concretizada em 2010,logo comprovou estar correta: em setembro do ano passado, a Chaordic conquistou o seu primeiro grande cliente, a Livraria Saraiva.Além do aporte financeiro,a chegada da DLM como sócia da Chaordic auxiliou a startup com a experiência dos sócios do fundo. – Eles contribuem muito nos auxiliando com networking (rede de contatos) e com dicas valiosas – avalia Bosco.

Hoplon ● ●

Funcionários: 105 O que faz: o jogo online

Taikodom, para múltiplos jogadores, e produtos referentes ao universo proposto pelo game. Desenvolve também a ferramenta Bitverse Live, que permite criar e rodar mundos virtuais em um servidor de alta performance ● Fundação: 2000 ● Entrada de capital: 2004

Chaordic Systems ●

O que ajudou:

– Plano de negócios detalhado, com projeção de crescimento – Ter convencido o investidor de como o mercado de jogos no país, envolvendo 35 milhões de consumidores, é mal explorado ● Resultado: o game que consumiu US$ 15 milhões foi licenciado pela americana GamesFirst para ser distribuído para 31 países

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Funcionários: 22 O que faz: personaliza

a experiência de compras online, oferecendo produtos que tenham a ver com o gosto de cada consumidor nas páginas das empresas de comércio virtual ou por meio de campanhas personalizadas por e-mail ● Fundação: 2008 ● Entrada de capital: 2010

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Os recursos do capital de risco são praticamente ilimitados – ainda que cada fundo e investidor-anjo costume trabalhar com um teto de investimento. Mas a lógica desta fonte de capital é sempre a mesma: entrar em um negócio promissor e inovador, ajudar ele a crescer e depois vendê-lo. Por causa dessa lógica, empreendedores e investidores recomendam que aqueles que buscarem esse tipo de aporte de capital não tenham muito apego ao próprio negócio.Isso porque a empresa poderá ser totalmente vendida no final do ciclo de injeção de capital, se essa for a vontade de quem se interessar pelo negócio. Os investidores estão de olho nas startups porque elas têm um potencial gigantesco, como explica Reinaldo Coelho, gestor para a região Sul do fundo Criatec. – Elas podem chegar, após receberem um investimento e se desenvolverem, a faturamentos de muitos milhões, com atuação nacional ou até mundial. O Criatec, que conta com R$ 70 milhões do BNDES e Banco do Nordeste para o investimento em startups inovadoras e de base tecnológica, tem como meta multiplicar o capital investido entre seis e 12 vezes em 10 anos. Neste prazo, prevê gastar outros R$ 30 milhões na gestão do fundo. Coelho diz que cinco empresas receberam R$ 12 milhões do fundo – quatro delas de Florianópolis.Desde o início de 2008, quando o Criatec começou a operar, tem dobrado de valor a cada ano,na média. – Nem todas as startups vão multiplicar o que investimos até 12 vezes. Mas queremos e precisamos fazer uma média muito superior à americana, onde uma em cada 10 empresas realmente se dá bem.

Floripa Angels recebe 15 planos por semana Outra opção para levantar dinheiro são os investidores-anjo. Um grupo deles, o Floripa Angels, recebe cerca de 15 planos de negócio por semana. – Quando aparece um investimento interessante, formamos um subgrupo, normalmente de três ou quatro investidores, para aplicar recursos no projeto – explica o gestor da Floripa Angels,Marcelo Cazado. Cada investidor tem capacidade média de aplicar de R$ 500 mil em empresas inovadoras.O ciclo para a entrada e a saída das redes de investidores de um negócio varia muito. Pode demorar um, três ou até cinco anos. O ideal, de acordo com o gestor, é que o patrimônio investido dobre a cada ano. – Quanto mais rápido pudermos entrar e sair de um negócio, mais rapidamente poderemos investir em outras empresas.

Chance de ouro ●

O que ajudou:

– O histórico profissional dos sócios da empresa – Uma proposta de plano de negócios afinada com o fundo de investimento ● Resultado: a empresa conquistou o primeiro grande cliente, a Livraria Saraiva. Dobrou o número de funcionários e acelerou o desenvolvimento das soluções para outros clientes

O que: 1º Prêmio RBS de Empreendedorismo e Inovação

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Inscrições: www.prei.com.br Prazo: até 23 de outubro Como participar: serão aceitos projetos com foco digital

Critérios de seleção: 12 finalistas serão

escolhidos com base no impacto no mercado, grau de inovação e viabilidade ● Premiação: R$ 50 mil para o primeiro colocado na seleção, R$ 25 mil para o segundo e R$ 10 mil para o terceiro

Novos Empreendedores (Diário Catarinense) - Alessandra Ogeda (2)  

Reportagem de Alessandra Ogeda, do Diário Catarinense, vencedora do 1º lugar no Prêmio Fecomércio SC de Jornalismo, na categoria Jornalismo...