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DIÁRIO CATARINENSE, DOMINGO, 4 DE SETEMBRO DE 2011

Reportagem Especial Polo catarinense

Zefiro: meta de uma loja nova por ano

Fundação

1960 Em 51 anos de história, a rede Giassi sempre esteve sob o comando de Zefiro Giassi. Aos 78 anos, ele cumpre expediente diário e conta que quer abrir uma loja por ano.

ARQUIVO GIASSI

A primeira loja do Giassi foi criada em Içara, terra natal do fundador ARQUIVO GIASSI

Zefiro deixou a vida de professor para aprender a ser empresário

O professor Giassi

Seu Zefiro Giassi, fundador e presidente da segunda maior rede supermercadista catarinense e 20ª do país, cumpre expediente na sede administrativa de Içara, cidade onde nasceu a empresa que leva o seu sobrenome.Ao chegar para a entrevista na loja mais nova, a do Bairro Santa Bárbara, em Criciúma, cumprimenta com um aperto de mão cada funcionário que passa pelo seu caminho.A secretária ganha um abraço.Aos 78 anos, ele mantém o comando familiar da rede,que soma 11 lojas pelo Estado. Os cinco filhos – dois homens e três mulheres – têm partes iguais no controle da empresa.E o próprio Zefiro fala em sucessão do comando. Mas isso não significa que ele pensa em aposentadoria em curto prazo; a ideia é apenas preparar a empresa para uma mudança que não tem data para acontecer. – É preciso ir deixando os outros assumirem a operação. Mas gostaria de sempre estar presente, enquanto continuar com a disposição que tenho hoje. A meta é uma profissionalização gradativa, mas não vai sair do foco da família – afirma. A história da rede começou com uma loja de secos e molhados em 1960, que adotaria o modelo de autosserviço na década de 1970. – O começo foi a fase mais difícil. Não tinha capital nem conhecimento do ramo. Tinha 100% do dinheiro a juro. Trabalhava muito além de uma jornada normal. O crescimento foi gradual – lembra Zefiro,que trocou a carreira de professor pela de empresário em busca de uma melhor remuneração diante do crescimento da família. A visão empreendedora, desenvolvida na prática, se mantém depois deste mais de meio século de empresa. Zefiro já consegue imaginar um futuro onde os caixas serão todos automatizados em SC, sem a necessidade de um operador por checkout.

“Somos uma empresa familiar, não temos a ambição de ser a maior. Qualidade é mais importante do que grandeza.” Zefiro Giassi

Presidente do Giassi

A trajetória da empresa é motivo de orgulho,mas o foco está no futuro. – Supermercado é um segmento que não pode parar de crescer. Não é pela ambição de ser grande, é porque é um negócio que exige continuação.Nossa meta é ter uma loja nova por ano – conta o empresário. Para a próxima, já foi comprado um terreno em São José, na Grande Florianópolis. A cidade ganhará sua segunda unidade.A obra pode atrasar um pouco e a entrega ficar para 2012,deixando 2011 sem inaugurações. Mas Zefiro,que admite estar“olhando”outros terrenos, diz que nada impede o grupo de abrir duas lojas no ano que vem.O último grande investimento da rede foi o do Bairro Santa Bárbara, em Criciúma, que, com praça de alimentação e lojas terceirizadas, ganhou ares de shopping center. No prédio, o cliente encontra roupas, calçados, eletrônicos e perfumaria. O Giassi é dono do supermercado e do restaurante. Do restante,fatura o aluguel. Entregue em novembro do ano passado,

resultado de cerca de R$ 30 milhões em investimentos, a unidade é a maior da rede, com 32 mil metros quadrados de área construída. A área de vendas do supermercado soma 6 mil metros quadros. Zefiro diz que, além de concorrentes, as três empresas são "colegas". Ele explica que a ideia é competir em qualidade de serviço, e não "apenas vender mais barato". A expansão para fora de Santa Catarina não está nos planos por enquanto.A justificativa do presidente é de que existe bastante espaço para crescer por aqui. – Somos uma empresa familiar, não temos a ambição de ser a maior. Não vamos ser. Qualidade é mais importante do que grandeza – resume Zefiro. Assim como o concorrente Angeloni, a diretoria do Giassi diz que ceder às propostas de compra também está fora de cogitação, apesar do assédio rotineiro. Zefiro conta que até desenvolveu algumas técnicas para evitar boatos sobre o assunto. Descarta as propostas antes mesmo de saber o preço. Ele lembra uma ocasião quando foi abordado pelo grupo português Sonae e, por curiosidade para saber como sua empresa estava avaliada, perguntou quanto eles estavam dispostos a pagar. O resultado foi a visita de uma comitiva de portugueses que chegou a Içara para “bater o martelo”. Quando Zefiro explicou que a empresa era familiar e a única possibilidade de vender seria por um preço muito acima da média do mercado, teve que lidar com empresários emburrados, que foram embora dizendo que não seriam logrados por brasileiros. Hoje, o experiente empresário ignora novas propostas. Quando algum corretor insistente o aborda e pede um horário para visita, diz que aceita com a seguinte condição: não vale falar de negócios.

Os donos do mercado (Diário Catarinense) – Alexandre Lenzi (3)  

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