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LABORAÇÃO CONTÍNUA 321

O tempo parece-nos inflexível; parece que nada do que possamos fazer altera o seu inexorável ritmo, nem atrasa a velhice que anuncia. O único consolo é que envelhecemos todos e portanto ninguém se ri de ninguém... certo? Errado. Surpreendentemente, a física moderna ensina-nos que dois relógios perfeitamente funcionais não têm de avançar sempre ao mesmo ritmo... E esta não é uma especulação teórica; é um facto comprovado experimentalmente que tem até importância no nosso quotidiano. A visão científica sobre o “tempo” foi profundamente alterada no início do sec. XX, largamente devido ao trabalho de Albert Einstein. Em 1905 e 1915, respetivamente, Einstein apresentou duas novas teorias físicas, a “relatividade restrita” e a “relatividade geral”, que, em particular, discutem como o intervalo de tempo entre dois acontecimentos pode ser diferente para dois observadores. Por exemplo, a teoria da relatividade geral afirma que o fluir do tempo é alterado pela presença de campos gravíticos; e quanto maior for o campo gravítico, mais afetado é o fluir do tempo. Assim, a passagem do tempo na superfície da Terra, onde existe um campo gravítico, é ligeiramente mais lenta do que a passagem do tempo num satélite em órbita da Terra, onde o campo gravítico é mais fraco. A diferença, contudo, é extremamente pequena. Por cada mil milhões de segundos, passa um segundo a mais no satélite do que na Terra.

Apesar de pequeno, este efeito é mensurável com a tecnologia de hoje. Acresce que é um efeito que tem de ser contabilizado no Global Positioning System (sistema GPS) que usa uma constelação de satélites para localizar objetos na Terra; sem considerar este efeito o sistema GPS não teria precisão. No entanto, em termos astrofísicos, o campo gravítico na Terra é relativamente fraco. Na nossa vizinhança cósmica encontramos um campo gravítico bem mais intenso: o do Sol. Perto do Sol o tempo passa mais lentamente do que na Terra: por cada 6 dias passa cerca de 1 segundo a mais na Terra do que no Sol. E perto de um buraco negro, a relíquia que resulta da morte de estrelas muito massivas e cujo campo gravitacional é tão forte que nem a própria luz escapa, o tempo praticamente para. Alguém que se aproxime o suficiente de um buraco negro (e escape à morte...) ficando na sua vizinhança, por exemplo, uma hora, quando voltar ao planeta Terra terão passado muitos dias, semanas, ou até anos! Quando voltar, tudo e todos terão envelhecido muito mais do que ele. Ou seja, aproximar-se de um buraco negro funciona como uma máquina do tempo... para o futuro. Lá, o tempo passa devagarinho, relativamente aos lugares do Universo onde o campo gravítico não é tão intenso. Portanto já sabe. Se quiser envelhecer menos (do que os seus amigos que ficam na Terra) é muito fácil. Encontre um buraco negro e vá passar umas férias na sua vizinhança. Quando voltar, se calhar até já acabou a crise! Carlos Herdeiro Departamento de Física da Universidade de Aveiro

BI DOS OBJETOS CRONÓGRAFO

BICHO DE CONTAS A Marta toma banho de imersão, todos os dias, gastando cerca de 150 litros de água. Se tomasse um duche de 5 minutos poderia gastar apenas um terço da água. Ao fim de quanto tempo teria poupado água suficiente para encher a piscina que tem 5 m de comprimento, 2 m de largura e 90 cm de profundidade?

Uso obrigatório de termo científico Ao telefone: – Oh, querida, ouve lá com atenção, a sério. (…) Não. Eu preciso mesmo que me ouças e que só fales no fim, pode ser?! (…) Eu vou explicar e tu tentas “visualizar a coisa”, está bem? (…) Espera, por favor, e depois falas?!… Então, é assim: temos duas peças distintas, ok? Unidas; que se complementam; uma não consegue funcionar sem a outra, estás a ver? Mas (…) Espera, não digas nada ainda; presta atenção (…) Essas peças estão em níveis diferentes: um superior, cheio, o outro inferior; e o que está no nível abaixo, vazio portanto, vive para receber do outro, e para isso impõe-se uma escala interna, que tenta controlar o melhor possível. Sempre. Que tal?! É líquido, ahn?! (…) Não, espera, espera, espera! Não te precipites. Falta dizer isto: como uma ampulheta, revela o inexorável passar do tempo. E, por mais que as coisas evoluam, sofre com falhas graves: ressente-se com defeitos, pressões externas, “temperamentos” diferentes… Pronto. Agora, sim, acabei. Percebeste de que é que eu estou a falar?! – De nós, meu grande estúpido! O assunto é “líquido”, não é?! Estás a acabar a nossa relação, pelo telefone! – Oh, Ana?! Tu és impossível! Era um exercício para a ficha de trabalho que vou dar amanhã aos miúdos! Era suposto responderes: Clepsidra. Clepsidra!… Mas, obrigada, já vi que tenho que reformular a pergunta. PS: Clepsidra ou relógio de água foi um dos primeiros sistemas criados para medir o tempo. Trata-se de um dispositivo que funciona por escoamento de água, no mesmo princípio da ampulheta de areia. Mesmo com todas as melhorias técnicas, há fatores que influem na precisão do fluxo de água: a variação da pressão atmosférica, as impurezas e a temperatura da água, por exemplo.

Nome: cronógrafo Data de Nascimento: 1816 Nacionalidade: francesa Inventor: Louis Moinet Descrição: O cronógrafo (do grego chrónos, que significa “tempo”, e gráphein, que significa “escrever”) é um instrumento utilizado para medir intervalos de tempo curtos. O primeiro cronógrafo foi inventado pelo francês Louis Moinet em 1816. No entanto, foi em 1821 que o primeiro cronógrafo foi comercializado. O rei Luís XVIII, grande apreciador de corridas de cavalo, contratou Nicolas Rieussec para inventar algo que lhe permitisse saber o tempo exato que durava cada corrida, tendo surgido assim o primeiro cronógrafo comercializado. É comum a associação de um cronógrafo a um cronómetro, mas para ser classificado de cronómetro, o cronógrafo deve cumprir requisitos mínimos impostos por um corpo independente, que os analisa e qualifica. Um cronómetro é portanto um cronógrafo certificado pelo COSC (Contrôle Officiel Suisse des Chronomètres, a entidade suíça oficial para a certificação dos cronómetros).

Possível solução: Volume da piscina: 5 x 2 x 0,9 = 9 m3 Sabendo que 1 m3 é equivalente a 1000 litros, o volume de água necessário para encher a piscina é 9 000 litros.

MAS PODE ANDAR MAIS DEVAGARINHO...

QUEM NÃO SABE, INVENTA EXERCÍCIO DE ESCRITA CRIATIVA

Consumo de água num banho de imersão: 150 litros Consumo de água num duche: 150/3 = 50 litros Poupança de água: 150 – 50 = 100 litros por dia 9000 / 100 = 90 dias

NÃO VOLTA PARA TRÁS

Se a Marta passar a tomar duche, ao fim de 3 meses terá poupado água suficiente para encher a sua piscina.

O

Rua dos Santos Mártires, 3810-171 Aveiro · tel. 234 427 053 / fax 234 426 077 www.fabrica.cienciaviva.ua.pt · fabrica.cienciaviva@ua.pt

CIÊNCIA NA AGENDA 17 MAI

10H30>14H00

20 MAI

21H00

Espetáculo Química por Tabela 2.0, no Cineteatro S. Pedro, em Águeda, no âmbito do projeto

26 MAI

11H00

Ciência em Movimento.

Café de Ciência – Conversas Paralelas, com Mara G. Freire, do Depto. de Química da UA. No

16 29 >

MAI

Pai, vou ao espaço e já volto! – Quando éramos peixes, com o astrónomo José Matos. No Hotel Moliceiro.

A Fábrica vai… a escolas do 1º CEB dos municípios da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro, com a oficina Há invertebrados à nossa volta!, no âmbito

Hotel Moliceiro.

do projeto Ciência em Movimento.

22 MAI

10H30>14H00

Espetáculo Química por Tabela 2.0, no Centro Cultural e de Congressos de Aveiro, no âmbito do projeto Ciência em Movimento. informações 234 427 053 ou fabrica.cienciaviva@ua.pt

30 2

MAI JUN

A Fábrica vai… ao Glicínias Plaza, dinamizar a II Feira de Ciência, no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Criança.

Laboração continua  

Edição nº 321 16 de Maio de 2013

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