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Em entrevista com…

Aluno coordenador do Projeto TBox

A Ciência que se faz nas escolas

Ricardo Nunes, 18 anos, é o aluno coordenador do projeto TBox. Concluiu o 12º ano na Escola Secundária de Oliveira do Bairro com média de 18 valores e frequenta o 1º ano de Engenharia Eletrotécnica no Instituto Superior Técnico em Lisboa.

Escola Secundária de Oliveira do Bairro

(...) de toda a ciência que se faz na Escola Secundária de Oliveira do Bairro destaca-se, pelo mérito e caráter inovador, o projeto TBox (...)

Numa época em que os alunos optam cada vez menos pelo estudo de áreas científicas, as escolas secundárias adquirem um papel fundamental na orientação dos alunos para um percurso académico e profissional nessa área. As escolas secundárias constituem um “ninho” de potencialidades científicas, pelo que assumem a obrigação de promover uma cultura científica sustentada. Assim, a ciência que se faz nas escolas não resulta na construção do conhecimento científico por si só, mas na promoção do entusiasmo para essa construção através da realização de atividades que ultrapassam a sala de aula. A Escola Secundária de Oliveira do Bairro (ESOB) sempre assumiu esse papel e de toda a ciência que se faz na escola destaca-se, pelo mérito e caráter inovador, o projeto TBox desenvolvido por 4 alunos e um professor. Este projeto ganhou o IPS Junior Challenge, concurso de ideias promovido pelo Instituto Politécnico de Setúbal e irá representar Portugal, de 10 a 16 de maio de 2014, na Intel ISEF 2014, em Los Angeles (EUA), a maior feira mundial de ciência para alunos do ensino secundário. Esta participação resulta da obtenção do 4º lugar no 21º concurso de jovens cientistas e investigadores. A escola tem desenvolvido ao longo dos anos projetos Ciência Viva e Ciência na Hora – microprojetos promovidos pela Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica – Ciência Viva, envolvendo um grande número de alunos e promovendo o gosto pela ciência. Este ano letivo, a escola é uma das 7 envolvidas no projeto “Escolher Ciência” com o tema Ondas, apresentado à Agência Ciência Viva pelo Departamento de Física da Universidade de Aveiro. A Associação de Pais ESOB (APESOL) viu aprovado e financiado pela Agência Ciência Viva um projeto “Pais com a Ciência” que decorre até final de 2014. Este projeto destina-se a alunos do ensino básico e tem como atividade principal a realização de cursos avançados dinamizados por investigadores do ensino superior. Esta atividade revela-se como elemento promotor do estudo de áreas científicas. O Projeto EMA (Estímulo à Melhoria das Aprendizagens)

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financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian permitiu a criação de um laboratório avançado na escola, usado para o desenvolvimento de atividades em ciência. Nesse âmbito, realizam-se cursos avançados para alunos do ensino secundário, dinamizados por investigadores do ensino superior e em colaboração com o Instituto de Educação e Cidadania (IEC), instituição parceira na promoção e desenvolvimento de uma cultura científica na ESOB. O Concurso de Ideias do Prémio da Fundação Ilídio Pinho “Ciência na Escola” tem permitido o envolvimento de alunos em projetos de elevado interesse científico, o que propicia uma dinâmica de participação assídua. Desde a sua criação têm sido premiados projetos da escola como “Movimento e gráfico posição-tempo, em tempo real” e “Sobreiro: Árvore Nacional”, coordenados pela professora Alice Oliveira e ainda “Os sistemas em interação” coordenado pela professora Laura Costa. Na edição deste ano, o Agrupamento de Escolas de Oliveira do Bairro (AEOB) viu premiado três projetos: “Vale Esquecido”, do pré-escolar; “E do barro se faz ARTE”, do 1º ciclo e “PINUS PINASTES – Em busca de espécie perdida”, do ensino secundário. Este prémio já é uma marca no desenvolvimento da cultura científica da nossa escola. Em 2011, o AEOB assumiu o encargo de comemorar o Ano Internacional da Química, homenageando também a mulher e cientista Marie Curie, em parceria com a Câmara Municipal de Oliveira do Bairro e a Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro. Esta atividade envolveu os cerca de 2000 alunos do Agrupamento deixando uma “pegada científica” em todos eles. É bem verdade que a ciência dos curricula adquire uma importância fulcral na construção das bases do conhecimento científico, mas a ciência que se pratica fora da sala de aula é motivacional e propiciadora da vontade de seguir um percurso científico. Joaquim Almeida Escola Secundária de Oliveira do Bairro

Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro (FCCVA) – O que é o projeto TBox? Ricardo Nunes (RN) – O projeto TBox – Tracking Box, é um projeto da Escola Secundária de Oliveira do Bairro que consiste na construção de um dispositivo que visa melhorar a resposta dos meios de emergência e a qualidade de vida das populações, pois oferece funções como deteção de emergências e acionamento dos respetivos meios, medição de sinais vitais e localização dos utilizadores.

FCCVA – Qual o percurso seguido pelo projeto desde a sua criação até hoje? RN – O projeto nasceu principalmente com o objetivo de aprender algo mais para além do que se aprende nas aulas e, se possível, participar nalguns concursos mostrando o trabalho desenvolvido. A ideia inicial era desenvolver um localizador cujo público-alvo seriam os idosos, doentes de Alzheimer e crianças. Com o passar do tempo foram implementadas novas funcionalidades e o localizador desenvolvido já conseguia detetar certas situações de emergência e enviar uma SMS de emergência para um número pré-definido. A Mostra Nacional de Ciência foi extremamente proveitosa, visto que nos fez acreditar que o projeto tem potencial e, para além disso, também nos fez ver outros rumos possíveis. Um dos rumos seria a medição de sinais vitais aliada à localização do utilizador, à deteção de emergências e ao acionamento dos meios de emergência em caso de necessidade. Houve então um período de reflexão onde decidimos que sinais vitais iriam ser medidos e onde investigámos as diferentes soluções para a medição dos mesmos. O desenho de um novo esquema eletrónico assim como o desenho 3D do dispositivo foram as preocupações seguintes, tendo como objetivo apresentar um bom projeto na Intel ISEF.

FCCVA – Quais as vossas expectativas do projeto para o futuro? RN – Quando o projeto nasceu, foi desenvolvido um protótipo que tinha como intuito mostrar que o conceito era viável. O facto de ter sido premiado em Lisboa, na Mostra Nacional de Ciência com o 4º lugar e com a participação na Intel ISEF, em Los Angeles, fez com que o protótipo desenvolvido tenha melhorado bastante. Houve uma redução enorme no tamanho do dispositivo e um aumento incrível nas funcionalidades do mesmo. A implementação de novas funcionalidades é algo que realmente gostaríamos de fazer no futuro. A medição de eletrocardiograma e pressão arterial são duas das funcionalidades que serão implementadas no futuro.

quintas da ria “Quintas da Ria” é um ciclo de conversas organizado pelo grupo ‘uariadeaveiro’ e pela Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro. Tem como objetivo principal contribuir para a construção de valores, comunicar com a sociedade e aproximar aos atores associados à Ria de Aveiro. A sétima conversa deste ciclo acontece no próximo dia 8 de maio, pelas 21h, na Fábrica Centro Ciência Viva e incidirá sobre “Outras rias”. Os convidados, Carlos Sousa (Fundación Universidad-Empresa de la Provincia de Cádiz) e Gonzalo Mendez (Universidade de Vigo) irão abordar os desafios ambientais, económicos e sociais, bem como os problemas de gestão na Ria Formosa e na Ria de Vigo. Para a moderação da sessão contamos com Henrique Queiroga (Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro).

FCCVA – Que elementos constituem o projeto TBox? RN – O projeto TBox é constituído por 4 alunos e um professor da Escola Secundária de Oliveira do Bairro: Ricardo Nunes (1º ano de Engenharia Eletrotécnica), André Ferreira (11º ano), Frederico Nuno (11º ano), Gonçalo Pires (12º ano) e Joaquim Almeida (professor). FCCVA – Qual a motivação dos alunos para a consecução do projeto? RN – Penso que a verdadeira motivação vem do facto de realizarmos algo que nos satisfaça. As matérias abordadas na escola são de um âmbito muito geral e visto que o gosto pela eletricidade e a vontade de produzir algo que contribua para a segurança da sociedade eram comuns a todos os elementos da equipa, foi decidido, por desafio do professor, participar nalgum projeto extracurricular, que acabou por ser o projeto TBox. É fantástico ver o projeto ser reconhecido tanto pela causa que representa como pelo esforço que depositamos nele.

ciclo de conversas

Ciência na Agenda 4 maio (11h00) - Domingo de manhã na barriga do caracol – “O Avô e os passarinhos”, na Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro. 8 maio (21h00) - Café de ciência Quintas da Ria – “Outras Rias”, com Alveirinho Dias e Gonzalo Mendez, na Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro.

FCCVA – Quais a vossas expectativas para a participação na INTEL ISEF 2014, em Los Angeles? RN – As nossas expectativas são grandes, é uma oportunidade única onde podemos aprender mais, conviver com pessoas oriundas de todos os pontos do globo e partilhar conhecimento. É de facto um evento que vai ficar nas nossas memórias e com certeza que traremos novas ideias e muita vontade e dedicação para melhorar o dispositivo. FCCVA – De alguma forma a participação no projeto influenciou a vossa vida académica? RN – Sim, claro. A vida seria chata se fora do âmbito escolar não tivéssemos desenvolvido outras capacidades. Não há nada que nos satisfaça mais que inovar, que imaginar algo e conceber utilizando diversos recursos e skills que não são aprendidas em sala de aula. E isto influencia positivamente, do meu ponto de vista, a forma como encaramos a escola. Eu já tinha o gosto por esta área há bastante tempo e já sabia bem o que queria, mas possivelmente o envolvimento no projeto poderá ter ajudado os meus colegas a perceber o que realmente gostam e o que querem para as suas vidas profissionais.

10 maio (16h00) - Workshop Hológrafo por um dia, na Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro. 11 maio (11h00) - Ciência… ao pequeno almoço, no Hotel As Américas. 17 maio (15h00) – Tardes de Matemática – “A matemática na música ibérica da renascença”, com Andreia Hall e José Abreu, na Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro. 18 maio (11h00) - Domingo de manhã na barriga do caracol – “O Avô e os passarinhos”, na Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro. 22 maio (10h00) - Apresentação dos livros "À roda do coração” e “A fuga da ervilha”, com os escritores Lurdes Breda e Pedro Seromenho, na Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro.

Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro 2013

Laboração contínua  

Edição nº 371 1 de Maio de 2014

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