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Quem sabe, sabe

Biodiversus

Exercício de escrita criativa

Berbigão

Uso obrigatório de termo científico

Nome vulgar: Berbigão Nome científico: Cerastoderma edule Este bivalve caracteriza-se pela concha ovalada, com cerca de 2 a 3 cm, marcada por veios salientes. Alimenta-se de algas planctónicas e bentónicas, que filtra com os seus dois sifões. Durante os seus 2 a 3 anos de vida, reproduz-se anualmente por fecundação externa, entre março e setembro, de onde resultam pequenas larvas que sofrerão metamorfoses, passando por trocóforas e velígeras, até atingirem o estado adulto. É considerado de grande importância ecológica, uma vez que está inserido na cadeia alimentar de aves, peixes e invertebrados. Apesar de também se conseguir mover, com o auxílio do seu pé musculoso, é comum encontrá-lo enterrado, a cerca de 5 cm, nos fundos arenosos de lagoas, estuários e rias, como é o caso de Aveiro, surgindo distribuído desde a Noruega até ao Senegal. Muito apreciado na gastronomia, pelas populações do litoral, este bivalve gera elevado interesse socioeconómico.

Dinâmica da Maré na Ria de Aveiro

A Ria de Aveiro é um sistema lagunar em permanente evolução, quer devido a fatores naturais, quer por força de intervenções humanas (...)

Estas consistiram essencialmente na alteração da configuração geométrica da embocadura e no aprofundamento dos canais principais de navegação. Devem também salientar-se as alterações na área da laguna motivadas pela falta de manutenção dos muros das marinhas de sal, por abandono da exploração económica da salicultura. A ausência de manutenção das margens de vários canais tem ainda provocado alterações na sua geometria e profundidade. Adicionalmente, é reconhecido que existem alterações no nível médio do mar no litoral português, incluindo a zona adjacente à Ria de Aveiro, para a qual estudos recentes comprovam que se tem verificado a sua subida ao longo das últimas décadas. Todos estes fatores são condicionantes das caraterísticas da maré na Ria de Aveiro e da forma como as mesmas têm evoluído ao longo do tempo. Neste contexto, devem ser consideradas naturais as constatações de alterações na dinâmica local da maré na Ria de Aveiro, frequentemente reportadas pelas populações ribeirinhas. Nomeadamente, são referidos frequentemente problemas de dificuldade de navegação nos canais menos profundos da laguna em baixa-mar, de inundações das zonas ribeirinhas em preia-mar

ciclo de conversas

quintas da ria

No próximo dia 9 de janeiro, pelas 21h na Fábrica Centro Ciência Viva, acontecerá a terceira conversa do ciclo “Quintas da Ria”, sobre “Vida na Ria de Aveiro – biodiversidade”. De que vidas se faz a vida na Ria? Que seres aqui ocorrem e porque são eles importantes para a vida da Ria e das gentes que aqui vivem? Para conversar sobre este tema contaremos com António Luís, Henrique Queiroga e Rosa Pinho, do Departamento de Biologia da Universidade de fonte: http://www.downloadswallpapers.com/

Aveiro, sendo moderada pelo Arquiteto Paisagista Nuno Lecoq.

de marés vivas ou a salinização significativa dos terrenos agrícolas adjacentes. Estes factos são comprovados pelos resultados de estudos recentes efetuados no Núcleo de Modelação Estuarina e Costeira (Departamento de Física/CESAM) da Universidade de Aveiro, que através da monitorização da maré demonstram que a sua amplitude tem aumentado ao longo dos últimos 25 anos na Ria de Aveiro, com as maiores alterações identificadas nas cabeceiras dos canais principais. Os mesmos estudos comprovam que as variações identificadas na maré na costa portuguesa ou as alterações na geometria da laguna não justificam as alterações observadas. Resultados de modelação numérica explicam as alterações identificadas, demonstrando que se devem ao aprofundamento do canal da embocadura e particularmente dos principais canais de navegação. João Miguel Dias Departamento de Física e Centro de Estudos do Ambiente e do Mar Universidade de Aveiro

fonte: http://www.cincoquartosdelaranja.com/

A dinâmica da Ria de Aveiro é forçada essencialmente pela maré oceânica, que se propaga de Sul para Norte ao longo da costa Oeste de Portugal, apresentando características dominantemente semidiurnas e sendo modelada por um importante ciclo quinzenal associado à ocorrência de marés vivas/marés mortas. Esta propaga-se através do canal de embocadura e faz sentir a sua influência mesmo nas cabeceiras dos canais mais distantes, num processo que é modificado pela geomorfologia da laguna. A dinâmica da maré na laguna condiciona fortemente as atividades das populações que fazem uso das suas águas, para fins lúdicos ou profissionais, sendo de destacar a importância que fatores como o nível médio da maré, cotas de preia-mar e cotas de baixa-mar têm para o desenvolvimento das atividades referidas. A Ria de Aveiro é um sistema lagunar em permanente evolução, quer devido a fatores naturais, quer por força de intervenções humanas, motivadas a maioria das vezes por fatores socioeconómicos. Neste contexto, muitas têm sido as alterações na sua geomorfologia ao longo das últimas décadas, com especial ênfase na zona da embocadura e nos principais canais, que devido a necessidades de navegação têm sofrido as maiores alterações.

grupo uariadeaveiro

Morreu o Gilinho-palavras-caras, fervoroso amante da nossa ria. E (não sendo nem marido nem pai nem tio nem irmão; familiar de ninguém) foi uma perda para a cidade. O Gilinho, que todos achávamos seria eterno, bebia demais. Muito demais. Tanto demais, que o equilíbrio errava a trajetória e um em cada três passos saía-lhe ao lado, abalroando repentinamente alguém: – Ai, perdão, absolvição e indulgência! Foi sem querer; que as minhas guelras cessem já de fazer trocas gasosas, se foi de propósito! Foi inexorável a colisão; parecemos incontáveis Trachurus trachurus de uma ictiofauna sempre a aumentar. Perdão! – Não faz mal, Gilinho! Tu estás bem? — Interessávamo-nos com genuína amizade. O Gilinho bebia demais, mas no lugar de álcool destilava Sabedoria! Como se nos quisesse brindar com laivos de uma cultura imensa, que lhe morasse secreta num canto esconso qualquer. Era um verdadeiro privilégio apanhá-lo nos seus discursos eruditos à ria (eruditos, sem favor!). Parados ficávamos, presos à sua conversa com a água, e ficaríamos interminavelmente, mas ele, que começava de repente, também num segundo se calava (como se para laivo bastasse). Morreu o Gilinho-palavras-caras. Nos dias que se seguiram, uma nuvem baixa andou nas ruas e pesou as pálpebras da cidade. As pernas de quem circulava andaram tristonhas, pesarosas, mais silenciosas até, mais rentes à calçada. Como ictiofauna ressentida, é isso. Ictiofauna de luto, pela falta de um elemento com certo sangue na guelra. PS: Ictiofauna é o conjunto das espécies de peixes que existem numa determinada região biogeográfica (como a Ria de Aveiro, por exemplo, onde, entre várias, uma das espécies mais comuns e mais comercializadas é o carapau – nome científico: Trachurus trachurus).

Ciência na Agenda 7 jan (11h00) - A Fábrica vai... à Pediatria do Hospital Infante D. Pedro, com a atividade História com ciência. 9 jan (21h00) - Café de ciência "Quintas da Ria" – “Vida na Ria de Aveiro – biodiversidade”, na Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro. 11 jan (16h00) – Show de ciência Física Viva, na Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro. 15 jan (18h00) – Havíamos de falar disso… da morte, com o médico legista José Pinto da Costa, e com o músico Fernando Ribeiro. No Teatro Aveirense. 16 jan (14h00) - A Fábrica vai… à Pampilhosa da Serra, com a atividade Branco é... galinha o põe, no âmbito do projeto “Cientistas na Serra”. 19 jan (11h00) – Domingo de manhã na barriga do caracol – “Natal na Estação”, na Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro. 26 jan (11h00) – Pai, vou ao espaço e já volto! – “A vida no espaço”, com o astrónomo José Matos, na Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro.

Evolução da amplitude do constituinte principal da maré em diversos locais da Ria de Aveiro, resultante de monitorização efetuada em 1987/88, 2002/03 e 2013.

Rua dos Santos Mártires, 3810-171 Aveiro · tel. 234 427 053 · www.fabrica.cienciaviva.ua.pt · www.facebook.com/fccva · fabrica.cienciaviva@ua.pt

Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro 2013


Laboração contínua