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LABORAÇÃO CONTÍNUA 329 INTRODUÇÃO À INVESTIGAÇÃO DOS OCEANOS E FUNDOS OCEÂNICOS A BORDO DE UMA CARAVELA QUINHENTISTA

Realizou-se nos passados dias 13, 14 e 15 de maio, no Estuário do Tejo, a bordo da caravela “Vera Cruz”, alugada para o efeito, uma ação de divulgação científica, intitulada “Introdução à Investigação dos Oceanos e dos Fundos Marinhos”. Esta ação envolveu cerca de 230 participantes: investigadores, tripulação, alguns alunos universitários, e 141 alunos de Escolas do Ensinos Básico e Secundário de várias zonas do país (Viana, Ovar, Coimbra e Lisboa), com idades compreendidas entre os 9 e os 18 anos. Esta ação de divulgação científica foi organizada no âmbito de um dos pacotes de trabalho do Projeto Europeu EUROFLEETS sobre Treino Avançado e Educação, da responsabilidade da Fundação Eurocean, em colaboração com a Universidade de Aveiro (Laboratório de Geologia e Geofísica Marinha do CESAM). Para além da equipa científica da Universidade de Aveiro, responsável pela coordenação científica desta Ação e pela componente de geologia e geofísica marinha, colaborou ainda neste projeto uma equipa coordenada pela Prof. Isabel Ambar do Centro de Oceanografia da Universidade de Lisboa, responsável pelas atividades a bordo de oceanografia física. Com esta iniciativa foi possível proporcionar aos jovens participantes uma primeira experiência de embarque num cruzeiro com objetivos científicos, e dar-lhes a conhecer alguns dos métodos utilizados para a Investigação dos Oceanos e dos Fundos Marinhos. Durante a campanha realizada, ao longo de cerca de 4 horas, os jovens puderam observar e participar na aquisição de dados que permitem investigar a geologia dos fundos marinhos e a determinar as propriedades da coluna de água (temperatura, salinidade e correntes), usando equipamentos de Reflexão Sísmica de alta resolução (Chirp Sonar),

Sonar de Varrimento Lateral, correntometria e sonda CTD (Condutividade, Temperatura e Profundidade). Todos os dados adquiridos foram pré-processados e interpretados a bordo conjuntamente com os participantes, durante e/ou após a sua aquisição. A área selecionada para esta ação é muito interessante pois permite, numa curta distância e portanto num curto espaço de tempo, observar uma grande variabilidade de aspetos geológicos, oceanográficos e de arqueologia subaquática. Com os dados de sonar de varrimento lateral, os jovens puderam observar imagens dos diferentes tipos de sedimentos e afloramentos rochosos do fundo, assim como identificar a presença de navios naufragados. Com os perfis de reflexão sísmica de alta resolução (Chirp Sonar), puderam observar a geologia em profundidade abaixo do fundo do Tejo, vendo como variam as diferentes camadas rochosas nesta região até uma profundidade de algumas dezenas de metros abaixo do fundo. Com os dados de correntometria de medições com CTDs puderam observar como variam ao longo da coluna de água e de local para local a salinidade, temperatura e correntes. Para além da experiência a bordo, os jovens puderam ainda aprender o que são as caravelas e a sua importância nos descobrimentos, aprender alguns fundamentos de segurança a bordo e fundamentos de navegação e mesmo aprender a fazer alguns nós. Luís Filipe Menezes Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) e Departamento de Geociências Universidade de Aveiro

Rua dos Santos Mártires, 3810-171 Aveiro · tel. 234 427 053 / fax 234 426 077 www.fabrica.cienciaviva.ua.pt · fabrica.cienciaviva@ua.pt

BI DOS OBJETOS REMOTELY OPERATED VEHICLE

Nome: Remotely Operated Vehicle (ROV) Data de nascimento: 1950 Nacionalidade: França Inventor: Dimitri Rebikoff Descrição: Um ROV é um veículo subaquático controlado remotamente. A ligação entre o veículo e a superfície é assegurada por um cabo umbilical que permite a comunicação bidirecional. A utilização de um ROV possibilita a operação a maiores profundidades e durante um período mais prolongado do que seria conseguido com recurso a mergulhadores. O primeiro ROV desenvolvido teve aplicação na arqueologia subaquática. Atualmente, a sua utilização passa pela observação remota do fundo do mar e de estruturas submarinas e pelo supervisionamento, montagem e inspeção de equipamento e de obras de engenharia, em águas profundas. Além disso, possibilita a pesquisa e exploração de recursos e a operação em águas contaminadas que representam um risco para a vida humana.

BIODIVERSUS Nome vulgar: Coral pérola Nome científico: Physogyra lichtensteini Os corais são invertebrados marinhos pertencentes à mesma classe das anémonas, a classe Anthozoa. Podem ser solitários ou coloniais, sendo que apenas estes últimos constroem recifes. Cada colónia é constituída por milhões de pequenos pólipos (indivíduos adultos), em que cada um constrói à sua volta um esqueleto de carbonato de cálcio, onde se aloja e vive. A sobreposição dos esqueletos das sucessivas gerações de pólipos dão origem a grandes estruturas de carbonato de cálcio, os recifes, onde apenas a fina camada superficial é constituída por pólipos vivos. Os pólipos são semelhantes a minúsculas anémonas, com células urticantes nos tentáculos usados para se defenderem e alimentarem. Os corais da espécie Physogyra lichtensteini, conhecidos por corais pérola, formam grandes colónias esféricas que podem alcançar mais de 3 metros de diâmetro. Durante o dia, a superfície de toda a colónia fica coberta por pequenas vesículas que proporcionam refúgio a diversos animais. Durante a noite, as vesículas retraem-se e estendem-se os tentáculos urticantes, assumindo a colónia uma cor acinzentada. Esta espécie encontra-se amplamente distribuída nos oceanos Índico e Pacífico. Todos os recifes de coral suportam uma extraordinária biodiversidade e são a base de um ecossistema saudável, fornecendo abrigo e alimentação a milhares de espécies marinhas.

MAIS VALE SABER… COMO SÃO OS PEIXES DOS FUNDOS OCEÂNICOS? Nas profundezas do oceano encontra-se um habitat com características bastante particulares. Tal como noutros meios, as espécies também evoluíram no sentido da sobrevivência dos indivíduos que aqui habitam. Focando a nossa atenção nas espécies de peixes que ocupam os fundos oceânicos, descobrimos adaptações com elevado sucesso. Como exemplos, podemos nomear: a presença de um sistema de poros designados por ampolas de Lorenzini, que servem para detetar sinais elétricos emitidos por outros animais; o corpo tem tendência a apresentar tons pretos, prateados ou vermelhos – cores que passam despercebidas na escuridão; os olhos podem ir de muito desenvolvidos a muito reduzidos ou mesmo ausentes, o caso mais comum; podem possuir fotóforos (estruturas emissoras de luz), que utilizam ora para atrair as presas, ora para a reprodução; o corpo pode ser achatado dorsoventralmente facilitando a camuflagem do peixe junto ao solo; entre tantas outras.

CIÊNCIA NA AGENDA 11

A Fábrica vai… à praia da Vagueira, dinamizar o

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A Fábrica vai... à Pampilhosa da Serra, no âmbito do

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workshop Ciência e Cosmética.

projeto Cientistas na Serra, com o espetáculo Diopatra, a Senhora dos Anéis.

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A Fábrica vai… à praia da Vagueira, com o workshop

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A Fábrica vai… ao AgitÁgueda, em Águeda, com o

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A Fábrica vai… à Casa Museu Egas Moniz, em

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A Fábrica vai… ao Parque da Sustentabilidade, em

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de construção de fornos solares.

workshop de construção de fornos solares.

Avanca, com o workshop Ciência e Cosmética.

Aveiro, com o workshop de construção de fornos solares.

Laboração contínua  

Edição nº 329 11 de Julho de 2013