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fbva

federação brasileira de veículos antigos - ano I - ed II1 - juLho 2018

Antigomobilismo em campo Edição especial traz modelos de veículos antigos fabricados nos países que disputam a Copa do Mundo para mostrar o caráter mundial da cultura do carro antigo

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PRESIDENTE

Palavra do Presidente Amigos antigomobilistas, nesta terceira edição da Revista da FBVA, queremos ampliar o foco do nosso meio antigomobilista, o espelhando nos grandes acontecimentos culturais de âmbito mundial. Com o mote da Copa do Mundo da FIFA, que está acontecendo na Rússia nesse ano de 2018, essa edição mostrará como o carro antigo pode ser relacionado com absolutamente qualquer aspecto da cultura mundial. Com isso, abrimos uma exceção e preparamos um material especial mostrando um pouco dos modelos objetos do desejo antigomobilista ícones da indústria automobilística dos países que participam desta edição da competição mundial de futebol. Através deste gesto, queremos destacar como o antigomobilismo se assemelha a qualquer outra manifestação artística ou esportiva, na forma de um item do patrimônio histórico cultural que move apaixonados ao redor do mundo. Não à toa o veículo anti-

go hoje é reconhecido pela Unesco (órgão da Organização das Nações Unidas para preservação da Educação, Ciência e Cultura), como o primeiro e único item do Patrimônio Histórico Mundial que se move. O antigomobilismo pouco a pouco se populariza e o hobby de colecionar veículos antigos alcança cada vez mais pessoas. Isso é vital para a continuidade da

preservação da memória da indústria automobilística e, quanto mais popular for esse hábito e quanto mais podermos aliar nosso movimento cultural com demais itens da cultura popular, maior o interesse das novas gerações e maior o acervo que teremos em território nacional. Roberto Suga Presidente da Federação Brasileira de Veículos Antigos

Expediente A Revista da FBVA é uma publicação com todos os direitos reservados à Federação Brasileira de Veículos Antigos (FBVA), sediada na Av. Dr. Deusdedith Salgado, 3600/Loja C - Center Car - Teixeiras - Juiz de Fora/MG. Seu conteúdo e diagramação é produzido pela VR Comunicação, sob a coordenação do jornalista Vinicius Ribeiro, MTB: 75694/SP.

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As imagens, salvo crédito indicado, são de propriedade da FBVA e/ou de seus clubes federados.


ANTIGOMOBILISTA

Antigomobilista do mês: Bird Clemente

no volante de modelos que fizeram (e fazem) parte da vida de muitos antigomobilistas, como o Opala e o Gordini. Bird é considerado um dos maiores conhecedores do tradicional circuito de Interlagos. Integrou as equipes Vemag e Willys, esta última na condição de piloto profissional, pilotando uma Berlineta Interlagos. Ficou conhecido por seu estilo arrojado e uma habilidade ímpar em deixar o carro derrapar nas quatro rodas, trocando de marcha na

curva, o que lhe garantia uma retomada de velocidade muito melhor. Apaixonado até hoje pelos veículos da época que o consagrou, Bird é figura carimbada em eventos antigomobilistas. Na companhia de Wilson Fittipaldi, é comum vê-lo contando histórias de sua carreira nos Encontros Brasileiros de Autos Antigos, que ocorrem anualmente em Águas de Lindóia.

Fotos: Revista Quatro Rodas / Mahar Press

As marcas de pneu queimado no asfalto, pastilhas e discos de freio escaldantes devido a tantos acionamentos. Essa era a rotina dos veículos hoje, considerados antigos, na época do homenageado pela segunda edição da Revista da FBVA: o eterno piloto e amante antigomobilista, Bird Clemente. Diferentemente de hoje, em que os veículos automobilísticos não tem muita semelhança aos de passeio, Bird se destacou, nos anos 60 e 70,

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HISTORIA

Calendário de eventos em julho 13 a 15 de julho

VI ESAV 2018 - Exposição Sobre Antigomobilismo de Viçosa Local: Campus da Universidade Federal de Viçosa/MG (Gramado do Jardim Principal) Realização: Associação de Antigomobilismo de Viçosa/MG

14 e 15 de julho

15º Encontro de Veículos Antigos de São Bento do Sul - SC Local: Pavilhão de Eventos da PROMOSUL - São Bento do Sul/SC Realização: Clube de Autos Antigos da Serra

21 e 22 de julho

1º Encontro de Veículos Antigos de Irecê Local: Irecê/BA Realização: Clube dos Veículos Antigos de Irecê/BA 14º Encontro Carros Antigos Capivari/SP Local: Capivari/SP Realização: Sociedade V8 e Cia XVII Encontro de Veículos Antigos - AVA-JF Local: Pátio de Eventos do Carrefour - Jiuz de Fora/MG Realização: Associação de Veículos Antigos de Juiz de Fora 15º Encontro de Veículos Antigos de São Bento do Sul - SC

Local: Pavilhão de Eventos da PROMOSUL - São Bento do Sul/SC Realização: Clube Autos Antigos da Serra 10º Encontro Sul Americano de Carros Antigos e 5º Encontro de Fuscas & Derivados

Local: Parque da Oktober - Santa Cruz do Sul/RS Realização: Veteran Car Santa Cruz

27 a 29 de julho

2º Encontro Sul Fluminense de Veículos Antigos - 24º Encontro de Veículos Antigos da Cidade do Aço Local: Ilha de São João - Volta Redonda/RJ Realização: Clube de Antiguidades Automotivas de Volta Redonda - RJ

27 a 29 de julho

6º Encontro de Veículos Antigos e Clássicos Lages/SC Local: Araxá/MG Realização: Instituto Cultural Veteran Car MG

27 a 29 de julho

5º Encontro de Carros Antigos de São José dos Campos Local: Araxá/MG Realização: Instituto Cultural Veteran Car MG

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Confira a agenda completa em www.fbva.org.br


Foto: Vera Lambiasi/Divulgação Foto: Vera Lambiasi/Divulgação


especial copa

Conheça um pouco da indústria de automóveis nos países que disputam a Copa do Mundo

Nesses meses de junho e julho, não se fala em outra coisa a não ser na Copa do Mundo de Futebol, evento que ocorre a cada 4 anos e que neste ano de 2018 acontece em território russo. Tamanha a popularidade do evento que move aficionados mundo afora, que a Revista da FBVA resolveu abrir uma exceção e mostrar a Copa

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pelo olhar antigomobilista. Você conhece veículos antigos com fabricas nacionais de todos os países da Copa? Bom, algumas nações como Islândia, Senegal, Peru, Panamá entre outras jamais desenvolveram um carro, outras como Arábia Saudita, Nigéria, Marrocos, México e Tunísia iniciaram a pouco no ramo automobilístico, toda-

via a maioria das seleções que disputam o mundial possuem uma história automobilística riquíssima e por muitos desconhecida. Trazer uma pitada dessa história é a missão dessa edição da Revista da FBVA. Amantes dos modelos italianos e americanos, infelizmente dessa vez essas indústrias clássicas ficarão de fora desse selecionado. =(

Nenhum outro modelo representa mais a indústria automobilística brasileira do que o Gurgel BR-800. Ele é o último (talvez único) veículo cujos componentes e fabricação é 100% nacional. Estética e conforto nunca foram seu forte, mas nos quesitos desempenho e manutenção os veículos construídos pelo engenheiro João Augusto Conrado do Amaral Gurgel cumprem bem seu papel. Seus produtos sempre tiveram nomes com forte apelo nacional, de origem indígena, o que reforçava sua aura nacionalista: Ipanema, Tocantins, Itaipu, Xavante, Carajás, todas palavras retiradas da linguagem tupi-guarani.


especial copa

Dona Edith A Federação Brasileira de Veículos Antigos celebrou, na noite da última terça-feira (20), em São Paulo, uma parceria com a Fundação Britânica de Beneficência. O evento, Parece incrível, existem que contou commas várias auto-carros que ficaram populares por serem horríveis, e esse é ridades de diversos segmentos o caso do Yugo, veículo construído pela fada sociedade paulistana, aconbricante iugoslava O hatchback tinha teceu na sede doZastava. Centro Britâseus processos de fabricação espalhados em dinico, em Pinheiros. A parceria ferentes poloscom em Sérvia, Croácia, Macedônia, da FBVA a Fundação, Eslovênia e Bósnia,a mas com a tensão ocorrida proporcionará participação pela Civilna na organização região, sua qualidade caiu daGuerra Federação drásticamente e sua má fama se criou. do evento beneficente programado para acontecer sidido pela D. Edith Suga.

O país sede da Copa do Mundo, a Rússia, teve em seus tempos de URSS uma época de inserção na indústria automobilística e seu maior ícone foi o Zhiguli, ou para nós, Lada, nome de exportação adotado em 1971. Ele representou para os soviéticos o mesmo que o VW para os alemães ou o Citroën 2CV para os franceses: a massificação do automóvel. Seu modelo mais significativo foi o Lada Laika.

Nessa série veremos muitos países que tiveram apenas experimentos automobilísticos que não duraram muito. A Dinamarca é um exemplo de uma indústria automobilística que não passou de um embrião, um dos poucos modelos construídos foi o Haargaard que possuía apenas três rodas e uma estrutura feita sob tubos metálicos soldados. Foi produzido apenas nos anos de 1950 e 1951.

Muitos veículos fizeram parte da história de diferentes modos, alguns por iniciar uma indústria em um país, outros por sua popularidade, mas o Volvo PV544 entrou para a história por outro motivo. No final da década de 50, para equipar esse modelo, o engenheiro sueco Nils Ivar Bohlin desenvolveu o cinto de segurança de três pontos, item de segurança obrigatório nos veículos até os dias de hoje. Em 6 de novembro de 1951 saíram da linha de produção 5 unidades resplandecentes do FSO Warszawa, calorosamente recebidas pelo público que assistia. Eram os primeiros automóveis produzidos na Polónia do pós-guerra e rapidamente se tornaram um símbolo nacional. O orgulho polonês era tamanho que até o Papa João Paulo II adquiriu um exemplar do veículo, que foi leiloado em 2006.

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especial copa A indústria alemã foi, sem dúvidas, uma das (se não a) mais importantes da história autimobilística. E um dos marcos dessa indústria é, ao mesmo tempo, marco da história: o Benz Patent Motorwagen foi o primeiro veículo motorizado a ser produzido com propósito comercial, em 1885. As primeiras unidades foram produzidas pela Benz & Co., de propriedade do inventor Karl Benz.

Apesar de Jaguar, Aston Martin e Rolls-Royce, nenhum veículo representou tanto o carro inglês quanto o mundialmente famoso MINI Cooper. Foi desenvolvido respondendo a uma escassez de combustível nos anos 50 e 60 e a necessidade de carros mais eficientes. Ficou famoso pelo papel de destaque no clássico do cinema, Italian Job, além de ser o veículo do cômico personagem inglês, Mr. Bean. Poucos veículos alcançaram o status de ícone como o Citröen 2CV é para os franceses. Ele foi criado para dar resposta à exigência dos franceses de meios de transporte melhores e mais rápidos do que carroças, mas a um custo popular. Com a missão de levar “4 pessoas e 50 kg de batatas”, o 2CV se popularizou ao ponto de ser considerado o “Fusca Francês”, revolucionando o transporte na França.

Sufocada por grandes indústrias automobilísticas como a francesa e a alemã, poucas iniciativas de produzir veículos belgas deram frutos. Uma das poucas foi a Minerva, indústria de automóveis de luxo que existiu de 1902 a 1938. O Minerva 8 AL Rollston de 1931 foi seu veículo mais significativo e icônico. Após seu encerramento, a empresa ressurgiu nos anos 50 como indústria de veículos militares.

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Outro país com poucas experiências automobilísticas nacionais foi a Suíça. Uma das poucas que teve algum sucesso a Monteverdi, que teve como grande destaque os veículos esportivos. Os primeiros anos de empresa foram voltados apenas para esses modelos, o que criou uma identidade tão forte que, posteriormente, a empresa adquiriu a equipe Onyx e disputou a temporada 1990 da Fórmula 1.


especial copa A indústria espanhola não cresceu ao ponto de fazer páreo a países como Alemanha, Itália e França, mas ainda assim a Seat, com forte apoio do governo espanhol, se manteve viva e teve em seu modelo Seat 600 o ápice na indústria automobilística nacional. Tornou-se ícone de uma época caracterizada por um boom econômico no país, o que fez com que o Seat 600 fosse o primeiro carro de muitas famílias.

Outra indústria europeia sufocada pelas grandes potências foi a portuguesa. AGB, sigla para Antônio Gonçalves Batista, foi uma das que se aventurou a criar carros em solo português. O IPA 300 foi apresentado na Feira das Indústrias de 1958 e não avançou devido à oposição do Secretário de da Indústria, cuja política industrial era a de montar em território português veículos de outros países. A Revolução de 1952, deu início a um forte fenômeno de ubanização das cidades egípcias e, com isso, o nascimento de indústrias como a Nasr. Embora não demorasse para a empresa abandonar a criação e focar na montagem de veículos europeus, nesse período surgiu o bem nacionalista nome Ramsés II, em homenagem ao faraó egípcio. Ele se tornou ícone como primeiro e único carro de criação egípcia. Fenômeno similar ao egípcio aconteceu no Irã. A Iran Khodro, hoje montadora PeugeotCitröen, teve seu momentos de desenvolvimento automobilístico nacional e lançou o Paykan, carro muito popular no Irã desde a sua introdução até a sua interrupção. É muitas vezes referida como a carruagem iraniana, e foi lançado nas versões sedan e pick-up.

Diferentemente das últimas, a indústria automobilística japonesa é pujante e possui uma história rica. Muito dessa história gira em torno dos esportivos, que marcaram época. Um dos maiores exemplos é o Nissan Skyline 2000 GTR, lançado em 1969. Derivado de veículos de competição, tinha um motor de 160 cv a 7.000 rpm que era capaz de alcançar a velocidade máxima de 195 km/h.

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especial copa Embora hoje seja tão presente no mercado internacional de automóveis, a Coréia do Sul iniciou bem tarde a construção automobilística, o que faz haver poucos modelos antigos coreanos. Um dos mais significativos contudo, foi o Hyundai Pony, o primeiro modelo 100% coreano, lançado em 1974 e que viria a ser o embrião de uma das maiores indústrias automobilísticas nos tempos atuais, com três montadoras de nível global.

Para exemplificar a breve indústria australiana de veículos, é necessário voltar ao período Pré-Guerra. O Australian Six surgiu em 1919 na tentativa de competir contra os carros importados dos Estados Unidos que dominavam completamente o mercado australiano. Contudo, a iniciativa, que fabricou apenas 500 carros, não durou muito tempo e os veículos nacionais não caíram no gosto e no bolso dos australianos, tendo o fim da montadora ocorrido em 1925.

No vizinho Uruguai, e indústria automobilística ficou a cargo de experimentos isolados, como o RAGO, desenvolvido e construído artesanalmente pelos irmãos Carlos e Waldemar Rago nas Indústrias WARV. Ao todo, em 6 anos apenas 12 unidades foram produzidas, o que torna o veículo um dos mais raros em território uruguaio. Das iniciativas uruguaias de construir um veículo, nenhuma vingou.

Algumas iniciativas de fabricação de veículos surgiram na América do Sul com apoio estatal, talvez a mais significativa tenha sido as Industrias Aeronáuticas y Mecánicas del Estado (IAME), na Argentina. Com a missão de atender ao mercado interno, a IAME tem como um dos poucos modelos criados o Justicialista, tentativa idealizada pelo General Perón de possuir um modelo esportivo nacional argentino, que não teve sucesso. Apesar disso, a IAME obteve algum êxito construindo jipes.

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Revista da FBVA - Ed 03  

Terceira edição da Revista da FBVA, veículo de comunicação institucional da Federação Brasileira de Veículos Antigos.

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