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O maior presépio em movimento do mundo Tudo começou com uma gruta, com água a cair e as personagens tradicionais. Hoje há de tudo no presépio de São Paio de Oleiros, que Adriano Miranda descobriu na empresa Cavalinho


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a Tem mais de sete mil peças de artesanato, distribuídas por 1500 metros quadrados, e muitas histórias para contar. Tem comboios em miniatura a circular, teleféricos no ar, uma procissão com andores e banda de música, moinhos, túneis, ciclistas a pedalar numa Volta a Portugal comentada pela rádio. Tem a vida de Cristo relatada em 48 cenas, lagos com peixes, a Branca de Neve num baloiço, uma nave espacial comprada numa feira de Madrid, em Espanha, um manequim de fato brilhante e olhos vermelhos, um rancho a dançar, uma banda de rock com cinco pais-natais e uma ovelha e um cabrito de carne e osso. Tem homens e mulheres pequeninos a assar porcos, a sachar a terra, a cozer o pão. Tudo começou com uma gruta, com água a cair, e as personagens do nascimento de Jesus. O maior presépio do mundo em movimento, que mistura elementos religiosos e pagãos, mora em São Paio de Oleiros, Santa Maria da Feira, na fachada da empresa de marroquinaria Cavalinho. Este ano, tem duas grandes novidades. O encontro de João Paulo II com a Irmã Lúcia, a 13 de Maio de 2000, em movimento. As figuras foram feitas por um especialista em manequins e as roupas confeccionadas em Fátima. E um presépio em tamanho real, também em movimento, único no mundo. Os preparativos começam em Junho. É preciso fazer o trabalho de carpintaria, encomendar as peças aos artesãos portugueses, italianos e espanhóis — que confirmam de que não há um presépio assim tão grande no mundo —, escolher o musgo, estudar onde ficam as cascatas de água, retirar dos caixotes as figuras dos anos anteriores. É preciso tempo. O manto da Nossa Senhora do Rosário, por exemplo, demorou dois meses a ser bordado pelas mãos de duas senhoras. Tudo começou há sete anos. Jacinto Azevedo, natural de Avintes, dono da Cavalinho, recua à infância para explicar essa paixão. Andava na rua de olhos colados às cascatas sanjoaninas, às figuras em miniatura e à água a cair. “Era o passatempo nos tempos de criança e esse bichinho ficou”, conta. Chegou à Feira com as pecinhas na cabeça. Há sete anos, construiu uma gruta e compôs o cenário com menos de cem figuras. A população gostou e o presépio começou a crescer. Tanto assim foi que, há três anos, passou a ocupar o parque de estacionamento da empresa, do outro lado da rua. No ano passado,

recebeu mais de 200 mil visitantes e hoje, ao fim-de-semana, o trânsito pára, as filas acumulam-se, as roulottes de pipocas e bifanas e os carrosséis concentram-se numa rua que deixou de ser pacata. Jacinto Azevedo não cobra entrada e mantém o seu presépiocascata — como lhe chama e que classifica de uma “mistura” do religioso e do pagão — aberto até 15 de Fevereiro, todos os dias das oito da manhã à meia-noite. A visita é gratuita, mesmo que ao fim-desemana precise de ter 24 pessoas a trabalhar na manutenção. Como quase tudo está em movimento, é necessário estar de olho nas engrenagens, na maquinaria, idealizadas por um fabricante de fivelas que fornece a empresa Cavalinho. Contas? “É impossível”, responde. O empresário recusa-se a somar tudo o que tem gasto. “Se fizer contas, desisto logo”, garante. Sara Dias Oliveira

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O maior presépio em movimento do mundo  

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