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10 • Público • Quinta-feira 29 Dezembro 2011

Portugal O Ministério da Educação e Ciência vai retomar o sistema de crédito bancário com garantia mútua a estudantes do ensino superior. Este sistema, que havia sido suspenso no início do ano lectivo de 2011/2012, permite aos estudantes financiar os seus estudos superiores.

Já há muitos estudantes de Medicina no estrangeiro que pensam não regressar ADRIANO MIRANDA

Alexandra Campos

Situação difícil que se vive em Portugal e dificuldades na escolha das especialidades pesam na opção de ficar fora do país a Ficar ou não no estrangeiro, eis a questão que hoje se coloca às muitas centenas de estudantes de Medicina portugueses fora do país. Espalhados por Espanha, República Checa, Reino Unido e Hungria, entre outros países, estes jovens ainda voltam para Portugal na sua maior parte, mas são cada vez mais os que ponderam ficar pelo estrangeiro, até para poderem tirar a especialidade que preferem. O que é que os espera, depois de concluírem o curso? Se voltarem para Portugal, é um “bunjee-jumping sem corda”, descreveu, irónico, Mário Rui Gonçalves, que fez Medicina em Santiago de Compostela (Espanha) e regressou em 2009 ao país, onde percorreu o burocrático e demorado processo de inscrição na Ordem dos Médicos, seguido da homologação do curso e da inscrição para o exame da especialidade. Resultado? Depois de muitos anos a estudar e de “muito esforço pessoal”, para um horário “pesado” que quase sempre suplanta as 40 horas semanais, um interno de cirurgia geral como Mário leva para casa 1309 euros líquidos por mês. “É um salário humilhante”, considerou ontem, no III Encontro Nacional de Estudantes de Medicina no Estrangeiro, no Porto, durante o qual foram dissecados os prós e contras de regressar a Portugal. “Os doentes mostram cada vez menos respeito”, as 40 horas semanais “transformam-se facilmente em 65” e “raramente temos direito a folga”; “até para ir a cursos ou congressos é um filme”, lamentou. Perante tal cenário, o médico de

João Marques Vinagre completou o curso na Hungria ADRIANO MIRANDA

Mário Rui Gonçalves fez Medicina em Santiago de Compostela

28 anos em início de carreira e que já decidiu ficar por cá atirou um conselho para a plateia de jovens estudantes que o ouvia, atenta: “Se os prós e contras compensarem, fiquem lá fora, há muitos países que estão a receber médicos”. Isso mesmo foi o que fez Carolina

Costa que, depois de concluir o curso na República Checa (para onde rumou, depois de não conseguir entrar em Medicina em Portugal com a sua “mísera média” de 18,5 valores), preferiu especializar-se em pediatria na Irlanda. A diferença é que, lá, Carolina apenas teve de apresentar o currículo

e submeter-se a uma entrevista para ser seleccionada e os estágios de valorização nesta área que fez pesaram substancialmente. Francisco Pavão, que escolheu a República Checa para fazer o curso, admite que está “confuso” e ainda não sabe bem o que vai fazer, face “à situação que o país está a passar”. Por enquanto a empregabilidade de Medicina ainda está garantida em Portugal, mas já se fala em desemprego médico num futuro próximo. “Não ponho de lado a hipótese de perspectivar uma carreira lá fora”, diz. Desalentado com a experiência em Portugal, João Marques Vinagre, que completou o curso na Hungria e voltou para Viana do Castelo (onde está a fazer a especialidade de medicina geral e familiar), já pensa abalar de novo porque o que quer mesmo ser é anestesiologista. Foi para a Hungria numa altura em que quase não havia portugueses por lá e o curso saiu-lhe mais barato do que noutras paragens, 3500 dólares por semestre em propinas e um custo de vida mais baixo (na República Checa as propinas dos cursos oscilam entre os 600 e os 800 euros mensais). João destacou igualmente o facto de no estrangeiro o acesso à especialidade ser baseado na valorização profissional e pessoal, ao contrário do que acontece por cá, mas não deixou de lembrar os “contras” de emigrar, como “os entraves à homologação da documentação” e a “discriminação profissional e social”. Esse era, aliás, o objectivo do encontro, elencar as vantagens e desvantagens de ir e de ficar. “É muito importante que percebam a realidade que enfrentam”, destacou o presidente da Associação Nacional de Estudantes de Medicina no Estrangeiro, Tiago Costa Pereira. Há dois anos (e estes são os últimos dados disponíveis), a associação calculou que havia mais de 1200 portugueses a fazer o curso fora do país.

Ministério avalia Novas Oportunidades e admite cortes Paula Torres de Carvalho

a O Ministério da Educação está a analisar os processos de candidaturas ao financiamento do Programa Novas Oportunidades para o próximo ano, que poderá implicar eventuais cortes. Com base nos resultados da avaliação será então “revista a dimensão da rede”, por forma a evitar sobreposições e a privilegiar “os Centros Novas Oportunidades cuja qualidade de formação é mais elevada”, refere uma nota em resposta a questões colocados pelo PÚBLICO. Essa informação refere ainda que os centros resultantes da reorganização serão “redireccionados para atender prioritariamente ao ensino profis-

sional, que deverá ser reforçado”. Em comunicado divulgado ontem, a comissão instaladora da Associação Nacional de Profissionais de Educação e Formação de Adultos (ANEFA) alertou para a cessação, no próximo sábado, do financiamento que suporta a intervenção dos Centros Novas Oportunidades (CNO), protestando contra o facto de não existir informação sobre a continuidade dos projectos. Centros Novas Oportunidades “serão redireccionados para atender prioritariamente ao ensino profissional”

O comunicado assinado pela presidente da associação, Laura Saleiro e Ferreira, insurge-se contra a “ausência total de comunicação oficial” quanto ao futuro dos CNO, o que coloca as organizações e as equipas que neles trabalham numa “insuportável indefinição”. Estes profissionais dizem que a situação se agudizou ainda mais perante um concurso de financiamento aberto a menos de um mês e meio do fim do ano, não existindo até hoje qualquer informação sobre os prazos de análise das candidaturas e respectiva comunicação de resultados relacionados com a aprovação ou não. “Face à ausência de garantias de

continuidade em 2012, uma parte significativa dos 436 CNO suspenderão a actividade a partir do dia 31 de Dezembro, até ser comunicado o resultado da candidatura efectuada”, afirmam. Os membros da associação chamam ainda a atenção para o facto de a suspensão das actividades implicar o “despedimento e/ou redução das equipas pedagógicas”, salientando que existem “milhares de profissionais de educação e formação de adultos com vínculo em CNO”. Os professores e formadores que fazem parte desta associação queixam-se da dificuldade em programar formações que têm em vista os objectivos da candidatura apresentada.

Correio da Manhã mantém liderança na imprensa diária a O Correio da Manhã manteve a liderança destacada nos diários generalistas nos primeiros dez meses do ano e sofreu quebras mínimas em relação ao período homólogo, de acordo com os dados da Associação Portuguesa de Controlo de Tiragens (APCT), ontem divulgados. Entre Janeiro e Outubro, o diário do grupo Cofina vendeu em banca uma média de 124.504 jornais e desceu 0,29% em relação ao mesmo período do ano passado. O mercado dos diários generalistas perdeu 9237 jornais por dia nesse período, uma quebra de 3,53%, e o Correio da Manhã detém agora 49,31% da quota de mercado, no que se refere às vendas em banca. O Jornal de Notícias permanece no segundo lugar, com uma média de 78.574 exemplares vendidos e conheceu uma quebra de 1,81% relativamente aos mesmos meses de 2010. O PÚBLICO manteve o terceiro lugar e lidera no segmento dos jornais de referência, com uma média de 26.163 jornais vendidos em banca, o que corresponde a uma quebra de 5,84%.

3,53

Mercado dos diários generalistas baixou 3,53 % nos primeiros dez meses de 2011, face ao período homólogo

O Diário de Notícias e o i tiveram as maiores quedas relativas do sector, com o diário da Controlinveste a vender 17.940 jornais em banca (menos 23,55% face ao homólogo) e o i a vender uma média de 5307 exemplares, uma quebra de 15,72%. O DN reivindica o terceiro lugar, somando as vendas em banca, vendas em bloco e assinaturas, apresentando um total de 11.440 assinaturas em 2011, face a apenas 540 em 2010. O outro diário da Controlinveste, o Jornal de Notícias, apresenta um crescimento das assinaturas de 698 para 4282 no mesmo período. Na imprensa económica diária, o Diário Económico continua líder, com uma média de 4781 jornais vendidos em banca, enquanto o concorrente directo, o Jornal de Negócios, vendeu 3327 exemplares diários. Em Outubro, o Negócios ultrapassou o Económico nos resultados em banca, o que aconteceu pela primeira vez este ano, vendendo 5544 exemplares, mais do dobro da média do primeiro trimestre do ano. Os dois diários económicos viram a sua circulação crescer relativamente ao período homólogo de 2010, tanto nas vendas em banca como da circulação paga, quando toda a imprensa generalista está em queda.


Jornal "I" vende 5307 exemplares por dia | Queda de 15, 27%