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Braga

Diário do Minho DOMINGO, 11 de março de 2012

D. Jorge Ortiga inaugurou exposição no Auditório Vita

Exemplo de Anne Frank incita jovens à reflexão  Carla Esteves

António Silva O Arcebispo de Braga incitou ontem os jovens a meditar sobre a vida e testemunho de Anne Frank durante o percurso quaresmal. D. Jorge Ortiga inaugurou a exposição biográfica sobre a jovem judia vítima do holocausto, intitulada “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste”, patente no Seminário Menor, na rua de S. Domingos, e instou os presentes a refletir sobre se é Deus que abandona os homens, ou pelo contrário, foram os homens que o abandonaram. Após um breve vídeo, que introduziu a temática, coube ao prelado abrir a sessão, começando por aludir ao tempo da Quaresma, enquanto «tempo particular e oportunidade para interiorizar e assumir determinados valores e qualidades.

Arcebispo de Braga defende que foi a sociedade que abandonou Deus

Recordando a vida de Anne Frank e a perseguição a que foi sujeita durante o holocausto, D. Jorge Ortiga incentivou os jovens presentes a debruçar-se sobre o seu exemplo, lembrando que em vez de desperdiçar a sua curta vida, a jovem aproveitou para escrever um diário que, mais tarde, por iniciativa de seu pai, o único membro da família que sobre-

viveu ao holocausto, seria publicado, acabando por chegar aos nossos dias. Referindo-se em concreto ao título desta exposição itinerante: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste”, D. Jorge Ortiga recordou que estas terão sido das últimas palavras proferidas por Jesus, que aparentemente terá também sentido este

abandono, para logo de imediato pedir ao Pai: «Seja feita a Tua vontade». Dirigindo-se à jovem audiência, o Arcebispo de Braga lembrou que a Quaresma consiste precisamente numa oportunidade para descobrir a presença de Deus. «Ao olharmos para a sociedade atual é fácil pensar que Deus a abandonou. Mas foi

Deus que abandonou a sociedade ou foi a humanidade que abandonou o próprio Deus?», questionou o prelado. D. Jorge Ortiga defendeu que o holocausto ainda não terminou porque o abandono persiste na nossa sociedade e insistiu que devemos ser nós os primeiros a olhar para o próximo e a tentar viver com a diferença, sendo fiéis aos nossos princípios. «Que esta não seja uma exposição apenas para ficar patente, mas antes nos ajude a comprometer-nos num mundo mais humano e mais fraterno», aconselhou D. Jorge Ortiga. Após um momento musical, seguiram-se as intervenções do padre Avelino Amorim, diretor do Seminário Menor, bem como uma intervenção de Costa Santos, do Departamento Arquidiocesano da Pastoral da Cultura.

Mostra patente até 15 de abril Segundo o padre Avelino Martins, a ideia de trazer a Braga exposição itinerante surgiu na sequência de uma viagem a Viana do Castelo, onde os jovens tiveram a oportunidade de ver pela primeira vez uma mostra sobre o tema. «Como alguns de nós também já tinham efetuado a leitura do livro de Anne Frank surgiu a ideia de trazer a exposição a Braga. Foi efetuado o contacto com a Anne Frank House e a partir daí prosseguimos», explicou. De acordo com o sacerdote, o tempo da Quaresma foi propositadamente escolhido, bem como a questão que dá título à mostra. A mostra encontra-se patente ao público, no Seminário Menor, até ao próximo dia 15 de abril.

Jantar reuniu centenas a favor das obras do Sameiro  José Carlos Lima Centenas de pessoas marcaram presença, anteontem à noite, em mais um jantar de angariação de fundos a favor da cobertura do Santuário do Sameiro, um dos expoentes do turismo religioso da região. A iniciativa, que se vem realizando todos os meses, tem por objetivo custear a intervenção em curso, orçada em cerca de 550 mil euros, um montante que a Confraria não dispõe. Desta feita, a iniciativa foi promovida em conjunto com defensores da Causa Real, que conseguiram um elevado número de presenças, mas onde a D. Duarte Nuno não parti-

DM

cipou, por motivos de saúde de um familiar, tal como o vice-presidente da Câmara Vítor Sousa. Na ocasião, foram também feitas diversas doações e leiloados vários quadros e obras de arte, que renderam alguns milhares de euros para as obras e cujo montante final será apresentado durante a semana. O repasto decorreu no espaço “Varandas do Sameiro”, cedido por José Vieira, com vinhos do “Solar do Louredo”, e com um brilhante acompanhamento musical. Em nome da organização, o causídico Luís Rufo destacou a importância e o simbolismo do Sameiro para toda a região, considerando que «as

Jantar de angariação de fundos reuniu centenas de defensores do património do Sameiro

obras são absolutamente prementes, pois as infiltrações estão já a danificar tetos e obras de arte». No mesmo sentido, o Vigário-geral Cónego José Paulo Abreu deu conta que «já foi feita uma intervenção

no Zimbório e que a reparação dos telhados vai continuar, contando com a solidariedade de todos». Até ao mês passado, as iniciativas de apoio tinham conseguido recolher 37.500 euros,

devendo esta semana ter ultrapassado já os 50 mil euros, o que sendo menos de um décimo do necessário, não deixa de significar que as pessoas continuam dispostas a apoiar esta nobre causa.

Na ocasião, D. Jorge Ortiga manifestou a sua «plena confiança de que o dinamismo da Confraria levará as obras a bom porto», realçando a importância de zelar por este património religioso que é de todos, da região e do país. Questionado sobre se entendia que o país retribuía ao Sameiro aquilo que este faz pelo turismo religioso da região, D. Jorge Ortiga considerou «que tem havido alguma colaboração» por parte das entidades oficiais, no «magnífico trabalho que está a ser desenvolvido no Sameiro e no Bom Jesus», mas «parece que o país ainda não descobriu o valor das suas maiores joias que estão fora de Lisboa».


Anne Frank: Exposição | Seminário Menor [Braga]