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JUL - AGO / 2019

PÔR EM PRÁTICA A PALAVRA “Procuro uma vida de intimidade com Deus, uma resposta de amor e deixome transformar”.

Director: P.e Mário Martins Chaves Rodrigues Ano XXIV - 6ª Série | Nº 71 | Bimestral 1,00 €

Margarida Corsino Págs. 2-3

COM MARIA, PELAS SENDAS DO RESSUSCITADO “O Seminário é esta comunidade de esperança, que vive voltada para o Sol que nasce, o Cordeiro”. Luís Martins Pág. 10

EDITORIAL

A ESPERANÇA A ACONTECER É significativo o testemunho de H. de Lubac, que teceu, numa página luminosa, o seguinte comentário: “A palavra de Deus, palavra viva e eficaz, obtém o seu verdadeiro cumprimento e seu pleno significado mediante a transformação realizada por ela naquele que a recebe”. Isto mesmo podemos encontrar no texto da secção “Visão” referente a este jornal, onde se corrobora este pensamento. Na verdade, a palavra de Deus constitui o método por excelência para uma espiritualidade que aspira a ser eclesial. Porém, este contacto com uma Esperança que é acolhida e partilhada não dispensa um olhar verdadeiro e exato diante da situação concreta e histórica de cada crente. Não devemos esquecer que a palavra e a ação estão intimamente ligadas. Tanto mais porque até o termo hebraico dabar pode significar quer palavra quer coisa ou facto. A palavra que Deus comunica ao homem não é, por isso, atemporal, uma teoria desencarnada. Neste sentido, é conhecida do leitor a expressão da carta aos Hebreus “muitas vezes e de muitos modos, falou Deus...”. Assim, neste número do seu jornal, continuamos a olhar e a experienciar a Esperança, através do seu caráter belo, intenso e “pragmático”, mostrando o que a palavra de Deus implica em cada cristão que procura um futuro para o seu presente, à luz do evangelho de Jesus. Deste modo, mesmo num período em que se vislumbra já o merecido descanso, queremos também relembrar algumas das atividades que foram acontecendo nas comunidades dos Seminários Arquidiocesanos nos últimos tempos, ações que expressam uma marca de Esperança que queremos deixar em quem connosco caminha.


VISÃO

PÔR EM PRÁTICA A PALAVRA … A PARTIR DE ACT 16, 11–15 Margarida Corsino

Ao preparar este texto, viajo no tempo e no espaço. Recuo quase dois mil anos. Viajo até Filipos. É um dia de Sábado – dia de oração. O encontro é fora de portas e dirijo-me para lá com Lídia e um grupo de amigos. Sento-me e preparo-me para rezar. Que bom que é poder juntarmo-nos para juntos fazer memória e, dessa forma, tornar presente Jesus na nossa vida – na vida de cada um e na vida em comunidade. Voltamos às Suas palavras. Aos Seus gestos. Ao Seu olhar. Deixamos que tudo ressoe em nós, para lhes podermos dar vida – tal e qual como Jesus pediu. Naquele Sábado, estavam connosco uns forasteiros – um deles é Paulo. Já tínhamos ouvido falar dele… E ele começa a conversar connosco no final da oração. O meu coração abre-se, parece querer saltar do meu peito, quando o ouço. As suas palavras são apaixonadas e falam-me de uma vida à qual desejo, realmente, aderir. Com a minha vida toda. Com todo o meu ser. Com toda a minha inteligência. Com toda a minha vontade. As suas palavras falam-me d’Aquele a quem desejo conhecer cada vez mais intimamente, a ponto de Lhe chamar ‘meu Senhor’. Desejando ser acolhida e acolher nesta comunidade. Hoje, o convite a acolher a Palavra e nela acolher a Igreja, continua. E são tantas as maneiras de o fazer: só ou em comunidade. Ou melhor, só e em comunidade! Mas, sempre, no meu quotidiano. Na minha realidade concreta, em cada dia, a Palavra rezada diz-se na minha vida – sou convidada a entrar nas palavras da Palavra para me descobrir e me receber delas. Sou convidada a fundar a autenticidade da minha vida nesta relação vital com Jesus. A resposta a este convite implica que eu dê tempo à oração – não aquele tempo que sobra, mas um tempo guardado e preparado com todo o cuidado, pois o meu Senhor estará à minha espera – ainda que eu não O sinta. Ainda que não me apeteça. Ainda que… a resposta a este convite implica-me de verdade. Ouço o convite a pressen-

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tir o mistério que me habita. Respondo à chamada, ao meu nome chamado pelo meu Senhor. Procuro uma vida de intimidade com Deus, uma resposta de amor e deixo-me transformar, permitindo que os meus sentidos sejam tocados por Deus e (en)formados em Jesus. Olharei com o Seu olhar, escutarei, falarei e tocarei como Ele. Procurando e encontrando Deus em todas as coisas e todas as coisas em Deus. E não estou sozinha. Desta relação com Jesus, no Espírito, crescerá a relação com os outros e aí nos encontraremos e reconheceremos. Partiremos ao encontro de todos os lugares humanos. Somos Igreja que põe em prática a Palavra. Porque ouvimos: “quem quer ganhar a sua vida há-de perdê-la”; “a semente tem de morrer para que nasça vida”; “perdoa até 70 x 7”; “ninguém tem maior amor do que este: dar a vida pelos próprios amigos”, o caminho que Jesus nos propõe, na Sua palavra e com a Sua vida, não deixa dúvidas. Não há mas... e nós desejamos responder, ainda que, na maior parte das vezes, apenas o consigamos de modo tão imperfeito. Num sorriso gentil que escava e ilumina o coração. Dando vida, sem esperar que os outros deem o primeiro passo. Fazendo o bem sem esperar nada (mesmo nada!) em troca. Perguntando-nos, a cada instante, que posso fazer por Vós, meu Senhor? Arriscando pelo nosso Senhor. Numa Igreja que se descobre a caminho, colocando o seu coração nesse caminho, vivendo em procura. Saindo ao encontro dos outros – até daqueles que estão longe do centro. Sonhando, servindo, deixando-nos nutrir de espanto, com os sentidos bem

alerta, aceitando viver contracorrente, rejeitando viver condicionados por uma espécie de guião. Desejando viver como crianças recém-nascidas, na fragilidade que nos permite confiarmo-nos nos braços do Pai, prontos a acolher a vida como filhos amados, numa alegria feliz – porque fecunda. Sabendo-me acolhida, aprendo a acolher a Igreja toda. Ouvindo com fé a ordem de acolher e ser acolhidos, é possível construir unidade na diversidade, porque não nos travam nem dividem as diferenças, mas somos capazes de olhar juntos mais além, vendo cada um dos outros na sua dignidade mais profunda. Acolhendo o convite de irmos ao encontro de todos, para consolar e fazer companhia, sem medo de experimentar a força da ternura e de ver a vida a complicar-se por sua causa. Abrindo o coração para poder reconhecer a presença e a ação de Deus também em contextos insólitos e imprevisíveis. Cuidando e acolhendo com carinho. De forma apaixonada, com beleza, partilhando, compondo com a nossa vida, aquela música nunca composta! Sabendo dizer: estou aqui. Deus chama-nos a lançarmo-nos a nós próprios ao largo na história e a olhar a vida, a olhar os outros e também a nós mesmos com os Seus próprios olhos. A comunhão com Jesus significa tornarmo-nos como Ele – o serviço, a cruz, o sepulcro, a ressurreição. “Tomai… fazei isto em minha memória”, até ao fim! Tomai, Senhor, e recebei toda a minha liberdade, a minha memória, o meu entendimento, a minha vontade e tudo o que eu possuo, Vós mo destes, Senhor, a Vós o restituo.

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ARTE

SANTA LÍDIA Luís da Silva Pereira

O tema que é proposto para reflexão, “De acolhedora da Palavra a acolhedora da Igreja”, nasce dos Actos dos Apóstolos 16, 11-15, onde se narra o encontro de S. Paulo com um grupo de mulheres, na cidade de Filipos, na Macedónia, na margem de um rio. O facto de as mulheres aí se reunirem para rezar indicia que não haveria na cidade número bastante de judeus que justificasse a construção de uma sinagoga. Entre essas mulheres encontrava-se Lídia, natural da cidade de Tiatira, famosa pela sua indústria de tinturaria. Negociava em tecidos cor de púrpura e por isso se tornou padroeira dos tintureiros e negociantes. Era, por certo, mulher rica, porque esse ramo de negócio exigia investimentos vultuosos e proporcionava também elevados rendimentos. As púrpuras eram artigos de luxo, usadas somente por pessoas nobres. Além de rica, Lídia seria uma mulher cheia de iniciativa e socialmente influente. Hoje chamar-lhe-íamos empresária, tendo uma “oikos”, isto é, um grupo de pessoas que com ela trabalhavam, fossem ou não familiares. Da conversa com o apóstolo resultou a sua conversão, tendo sido baptizada com toda a sua família. Depois pediu a S. Paulo: “Se

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me considerais fiel ao Senhor, vinde hospedar-vos em minha casa”. E é este convite que exemplifica a virtude de colocar a Palavra ao serviço da comunidade, ajudando o primeiro grupo dos cristãos filipenses. Que a casa dela se transformou em lugar de reunião dos crentes prova-o também o facto de ter sido aí que S. Paulo e Silas regressaram depois de saírem da prisão. Santa Lídia foi, assim, a primeira europeia a converter-se ao cristianismo, e a sua casa, a primeira igreja da Europa. As obras de arte que representam Santa Lídia são muito poucas e, geralmente, de estilo bizantino. A arte bizantina, diga-se de passagem, foi a grande fonte da iconografia cristã. Compreende-se que assim tenha acontecido. Com a queda de Roma às mãos dos bárbaros, Bizâncio tornou-se o grande centro artístico e cultural, influenciando a arte de toda a Europa. A pintura que apresentamos mostra Santa Lídia integrada num grupo de mulheres, colocadas num espaço verde mais simbólico que realista, provavelmente as margens do rio de que falam os Actos dos Apóstolos. Podemos identificar Santa Lídia, embora não apresente nimbo (ainda não tinha sido baptizada) porque é a figura central e porque

enverga um manto de cor púrpura que lhe cobre a cabeça. A cor evoca o seu trabalho de tintureira. Os braços cruzados sobre o peito indicam a profunda veneração com que escuta a palavra de S. Paulo, a aceitação da mensagem evangélica e a sua conversão ao cristianismo. À sua esquerda sentam-se S. Paulo e o seu companheiro Silas. S. Paulo identifica-se pelo nimbo, pelas longas barbas e pela tão característica calva, na qual apenas se conserva um pequeno tufo de cabelo. O braço estendido significa que está a instruir as mulheres na mensagem evangélica. A figura feminina do nosso lado esquerdo faz um gesto com a mão, dando a impressão de apontar para Santa Lídia, que ocupa o lugar central da composição. Todas as figuras apresentam um ar hierático, como é próprio dos ícones bizantinos. A pintura reduz-se ao mínimo dos mínimos, despojada de pormenores realistas, acentuando a dimensão espiritual das figuras que não têm o olhar fixo em nada. Deixam a impressão de estarem concentradas nos seus pensamentos, saboreando interiormente as informações que S. Paulo lhes revela. Como todos os ícones, também este aponta essencialmente para a interioridade, para a alma, não para o corpo.


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SEMINÁRIO MENOR

UMA VIAGEM (PELA) CAPITAL ENCONTRO DE PÁSCOA DO 12º ANO Manuel Matias, 12º ano

Do dia 15 ao dia 17 de abril, os seminaristas do 12º ano, juntamente com os sacerdotes da Equipa Formadora, do Seminário de Nossa Senhora da Conceição de Braga, aproveitando a pausa letiva da Páscoa, reuniram-se para participar num encontro, cujo intuito foi promover os laços de comunhão entre todos e perceber a caminhada vocacional feita por cada um destes seminaristas, numa viagem interior e espiritual, de importância capital, mas também exterior e física, de descontração e convívio, pela região de Lisboa. 6

Deste modo, no dia 15, reunimo-nos todos, seminaristas e sacerdotes, no Seminário, e daí seguimos em viagem rumo ao destino, onde o encontro teria lugar. Passamos, em primeiro lugar, em Sintra, onde tivemos a oportunidade de visitar o Palácio da Pena e o Castelo dos Mouros. Dada a riqueza destes monumentos, as visitas estenderam-se pela tarde toda e, como tal, após as mesmas seguiu-se o jantar. No final deste, foi tempo de descansarmos do longo dia. Já no dia 16, logo pela manhã, teve lugar a oração de laudes. No final da mesma, o grupo reuniu-se, num encontro em que cada finalista pôde mostrar e partilhar um pouco daquilo que tem sido o seu percurso vocacional. Terminada a reunião, prosseguimos com um outro itinerário de visitas, desta vez à capital. Começamos pelo Santuário do Cristo Rei, na margem sul do Tejo, a partir da qual foi possível contemplar toda a cidade de Lisboa e a sua beleza. Posteriormente, fomos almoçar ao cais

de Almada, num espírito de convívio e boa disposição entre todos. Depois do almoço, prosseguimos a viagem e demos início a uma tarde repleta de visitas a outros locais de Lisboa. Durante a mesma, pudemos contemplar o Palácio da Ajuda, o Mosteiro dos Jerónimos, o Padrão dos Descobrimentos e a Torre de Belém. Após um dia tão intenso e tão preenchido, jantamos num ambiente descontraído e alegre num restaurante do Bairro Alto. Já no dia 17, depois da oração matinal, partimos para Óbidos, onde continuamos a nossa viagem. Chegados a esta bonita localidade, foi-nos oferecida uma visita guiada pela vila e os seus principais pontos turísticos. Depois da visita partilhamos o almoço com o sacerdote e o seminarista que nos receberam e acompanharam no passeio da manhã. No final, regressamos a Braga, prontos para prosseguir a nossa jornada com as celebrações da Semana Santa, rumo à grande festa da Páscoa de Jesus.


SEMINÁRIO MENOR

FAMÍLIAS REUNIDAS AOS PÉS DE MARIA SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA DA FRANQUEIRA Gabriel Silva, 10º ano

No dia 26 de maio, a comunidade do Seminário Menor de Braga teve a alegria de se reunir para um encontro de confraternização, em que participaram também as famílias dos seminaristas. A iniciativa decorreu no Santuário de Nossa Senhora da Franqueira, no Arciprestado de Barcelos, “aos pés de Maria, mãe de Jesus e mãe da Igreja”, naquele que foi o último domingo deste mês a ela especialmente dedicado. De referir que este encontro contou também com a presença do Amândio e da Rosinha, casal coordenador da Pastoral Familiar da nossa Arquidiocese de Braga e formadores dos pais dos seminaristas. Deste modo, o dia iniciou com o acolhimento a todos os pais, seguindo-se a celebração da Eucaristia dominical. Esta foi presidida pelo Pe. Mário Martins, diretor do Seminário, que, na sua partilha, alertou os pais e todos os presentes para “a neces-

sidade de terem Maria e a família de Nazaré como exemplo a seguir”. Terminada a Eucaristia, preparada e solenizada pelos seminaristas, seguiu-se o almoço. Este momento de convívio decorreu nas imediações do referido Santuário e possibilitou a partilha de experiências e vivências entre os pais, seminaristas e equipa formadora. Terminado o almoço, houve tempo para jogos tradicionais e atividades lúdicas, que permitiram uma

maior comunhão e confraternização entre todos. No final da tarde, já no Seminário, em Braga, mas contando ainda com a presença dos pais, decorreram as audições de canto e piano, em que os seminaristas puderam revelar os seus dotes musicais e apresentar tudo o que aprenderam ao longo dos últimos meses. Depois da música, o encontro terminou com o jantar, mais uma vez com a participação de todos.

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SEMINÁRIO MAIOR

I ENCONTRO DOS PAIS DOS PADRES ORDENADOS NOS ÚLTIMOS 10 ANOS NAS DIOCESES DE BRAGA E VIANA DO CASTELO Pe. Renato Oliveira

O Concílio Vaticano II referiu-se à família como “Igreja doméstica”, reconhecendo nela o lugar vital de encontro com Deus e de inserção na Igreja. Não é possível, por conseguinte, pensar as vocações no seio da Igreja separando-os da família. Neste sentido, o Seminário Conciliar de Braga tem procurado, ao longo dos últimos anos, uma aproximação constante às famílias daqueles que aí se encontram em discernimento vocacional. São múltiplos os encontros que, ao longo do percurso de Seminário, congregam as famílias dos seminaristas que são também parte integrante da grande família que é o Seminário. Procurando dar continuidade aos laços que nesses momentos vão sendo criados, o Seminário tomou a iniciativa de, no passado dia 01 de maio, reunir as famílias daqueles que frequentaram o Seminário ao longo dos últimos anos e que agora - como sacerdotes - abraçam diferentes missões nas Dioceses de Braga e de Viana do Castelo. O encontro foi feito de memória agradecida, fé vivida e convívio salutar. Quando a Igreja iniciou o mês de Maria e celebrou S. José Operário, as famílias puderam recordar e agradecer o dom desta “casa” na vida de todos. Num dia em que houve tempo para refletir, celebrar e conviver, 8

ecoaram, de uma maneira especial, as palavras do Pe. Bruno Nobre, sacerdote jesuíta, que orientou a reflexão matinal, e do Pe. Vítor Novais, Reitor do Seminário Conciliar, que a todos interpelou na homilia da Eucaristia a que presidiu. O Pe. Bruno recordou o lugar primeiro e insubstituível dos pais (e demais familiares) na descoberta vocacional dos filhos; pediu aos pais que animem e encorajem os filhos nos eventuais momentos de cansaço; salientou a importância de encontros como estes. O Pe. Vítor, por sua vez, pediu aos sacerdotes presentes que sejam “buscadores da verdade, iluminadores da vida, amantes do mundo presente, homens que saibam escutar, mesmo aqueles que pensam de modo diferente”. E explicitou: “O Presbítero não é aquele que, por medo, se distancia do mundo, mas antes o que, movido por uma radical paixão, desce ao coração da realida-

de, onde se encarnam e revelam os traços da velada presença do Inefável”. Aos sacerdotes e às famílias assegurou ainda que “juntos podemos ir melhor e mais longe em todas as situações da vida”. Inspirados por estas palavras e revitalizados pela graça do encontro de uns com os outros e, acima de tudo, com Deus presente em tudo e em todos, este dia permitiu reavivar memórias, mas, acima de tudo, reavivar o dom que Deus em todos colocou: naqueles que são sacerdotes e nas suas famílias. Uns e outros são e sempre serão “pedras vivas” deste Seminário. Este encontro recordou esta “graça”. A gratidão é, por isso, o sentimento que melhor o poderá sintetizar. Gratidão essa que se estende ao sr. Carlos Almeida, sacristão-mor da Sé Catedral de Braga, pela maravilhosa visita guiada à Sé Catedral de Braga, às capelas que a envolvem e ao Museu.


SER NORMAL NA ANORMALIDADE! Bruno Lopes, 3º ano

No passado dia 16, o Seminário Conciliar de Braga abriu as suas portas para acolher o Sr. D. Jorge Ortiga – um momento que se iniciou com a Eucaristia, seguindo-se o jantar e culminando num pequeno momento de tertúlia e reflexão, que permitiu o contacto entre o triénio (os três anos mais velhos da casa) e o nosso Arcebispo, onde imperou a espontaneidade e a naturalidade. “Como quem tira uma cereja e com ela vêm duas ou três” – foi assim que o nosso Pastor descreveu aquele pequeno momento. Neste pequeno momento de partilha e reflexão, que deu lugar às experiências, ao diálogo, bem como à abertura e transparência entre todos, foi possível refletir sobre o nosso futuro, repleto de sonhos, mas que exige uma resposta positiva e uma criatividade capaz de nos fazer superar a nós mesmos e ultrapassar todas as fronteiras da vida. Olhamos, assim, um pouco o que

nos espera e aquilo para o qual nos estamos a preparar. Tendo em conta este olhar, é acima de tudo essencial ter presente que não somos, nem nunca seremos, super-heróis, mas que cremos num “nós” capazes de uma interajuda que supera todos os obstáculos, acreditando que é neste “nós” que está presente a força de seguir em frente, a mística do “nós” que levará a um verdadeiro caminho e trabalho, na certeza de que “sozinhos vamos rápido, mas juntos vamos mais longe”. Foi precisamente este um dos pontos que tocamos na reflexão: a ideia das unidades pastorais sem perder a própria identidade das paróquias, abarcando, desta forma, uma maior evangelização e levando a muitos outros pontos bastante positivos, como a missão constante da Igreja de acolher e ajudar e assim ser verdadeiramente Igreja. Esta será uma resposta positiva, dado o decréscimo acentuado e constante

dos sacerdotes na atualidade, uma preocupação que está bastante presente nos dias de hoje e que se afigura como um dos obstáculos que é necessário ultrapassar, encontrando uma resposta satisfatória para o Povo de Deus. Entre vários pontos refletidos, abordamos a vontade de ser diferente e de procurar ser normal no meio da anormalidade; de transformar a própria vida num exemplo a seguir, fazendo das nossas vidas uma constante oração de bênção e agradecimento; o não ter medo de arriscar e ir mais além, deixando o medo de lado e confiando totalmente em Deus, a ponto de Lhe entregarmos a nossa própria vida como uma dádiva permanente. Desta forma, este dia ficou marcado por mais um momento de graça dos seminaristas com o seu Pastor, verificando-se, assim, a constante sintonia que existe com aquele que nos vê como seus filhos. 9


SEMINÁRIO MAIOR

COM MARIA, PELAS SENDAS DO RESSUSCITADO Luis Martins, 5º ano

Na quinta-feira, 30 de maio, aproximando-se o fim deste mês mariano, a família do Seminário Conciliar de Braga enveredou com alegria pelo caminho de Jesus Ressuscitado, numa celebração comunitária em que, com o peso do Seu amor, gravou as Suas pegadas no interior da nossa casa. No princípio, escutamos as palavras da harmoniosa aclamação “A luz de Cristo” à elevação do Círio Pascal, coluna de fogo e sinal da presença d’Aquele que se põe à nossa frente para guiar os nossos passos na longa jornada. A luz foi recebida e transmitida por rostos concretos que partilham a cada dia a cruz de Jesus aban10

donado e, mais ainda, a alegria de Jesus Ressuscitado. Depois, percorrendo o interior da casa, iluminou os espaços comuns da nossa vida diária, à medida que rompia a escuridão e nos descobria a Sua presença, muitas vezes esquecida no meio da agitação. Foi um sinal vivido da presença e do caminho, mas que, como qualquer outro sinal, será necessário voltar a recordar. Na meditação das estações, desde “a Ressurreição” até ao envio do “dom do Espírito”, apreciamos a vida como caminhada, peregrinação e passagem, que deve ser vivida no “aqui” e no “agora” da vida quotidiana, a partir da dimensão Trinitária

(comunitária), onde o dom de Deus, o seu amor, é luz inesgotável. Os cânticos ressoaram por toda a parte, fazendo tremer o espaço onde estávamos reunidos; os que ouvissem de fora podiam testemunhar a presença de um só Espírito. A Palavra de Deus, em cada estação, foi a porção de alimento que nos fortalece para as exigências diárias do caminho. Várias vozes, um canto; vários passos, um caminho; muitas velas, uma luz; catorze estações, um único mistério. Todos um. É Deus que «convoca a terra, do nascente ao poente» (Sl 50,1). Neste dia, voltados para o poente, professamos o mistério da paixão e da morte, e, voltados para o nascente, o mistério da vida nova em Cristo. O Seminário é esta comunidade de esperança, que vive voltada para o Sol que nasce, o Cordeiro, a lâmpada da nova Jerusalém. O Seminário é esta comunidade do Espírito a caminho do grande banquete da Páscoa celeste! E não foi por acaso que o nosso dia culminou num modesto brinde comunitário: até agora falamos muito no sentido da “luz”, mas não podemos esquecer que, afinal de contas, também ela precisa da cera da qual se alimenta. Aprendamos com Maria a ser obedientes a esta Luz que não se impõe, mas espera a disponibilidade interior de quem deseja pôr-se a caminho.


PASTORAL UNIVERSITÁRIA

ICTHUS: UM PROJETO DE REENCONTRO COM AS RAÍZES CRISTÃS Eduarda Cunha, Engenharia Informática e Computação, FEUP

O Projeto ICTHUS, visto de fora, consiste numa missão de curta duração em países do Médio Oriente, sendo estes Israel, Palestina ou Jordânia. Vamos trabalhar ao lado de Instituições Católicas que intervêm ao nível da ação social com diversos grupos desfavorecidos: crianças órfãs; adultos ou idosos em situações vulneráveis, com doença física ou mental; com jovens marginalizados ou com grupos minoritários refugiados. No entanto, visto de dentro, este projeto é muito mais do que as duas semanas que limitam a missão! Para quem o vive, é uma oportunidade de crescimento e de aprendizagem de algo maior do que nós. Aprendemos a ver além dos nossos preconceitos e a fazer uma procura mais pessoal de sentido num assunto que deixa tanta gente confusa e até sem posição. Estamos a falar de países com uma abafadora história de dor e sofrimento… Falamos de famílias inteiras marcadas pela perda, pelo sentimento de injustiça e pela falta de esperança num futuro melhor. Temos aprendido, nas últimas semanas, que nem tudo é o que parece e que todos os conflitos de que ouvimos falar, quer religiosos ou políticos, por vezes, são apenas uma máscara para um “disse que disse” e que a verdadeira voz do povo não é refletida na televisão. Hoje em dia, este é o poder da política e da religião, quando são

tomadas nas mãos dos homens: dar a conhecer a informação da forma mais conveniente. Perdemos o sentido de dever e de verdade. Aqui procuramos algo mais. Procuramos uma libertação de ideias preconcebidas ao longo de gerações, um encontro humano no seu eu mais puro. Procuramos conhecer o outro com a plena noção de que isso inclui ver o mais bonito e o mais feio que o Homem tem para nos oferecer: a alegria e a dor, o desejo de paz e a perpetuação de um conflito, a procura da justiça e a perda da humanidade pelo caminho. Procuramos, mais do que tudo, criar espaço para o perdão, o desabafo, a fé. Procuramos uma oportunidade de espalhar amor e permitir que, pouco a pouco, esse amor cure as feridas de muitos anos. Quando ouvi falar deste projeto pela primeira vez, fiquei curiosa, mas tentei abafar essa curiosidade ao máximo. Tinha regressado há 5 meses de Cabo Verde, onde fiz a minha primeira missão ao lado da Pastoral Universitária de Braga, e sabia que queria um verão sossegado ao lado da minha família e proporcionar aos meus pais noites descansadas sem se

questionarem como estaria a filha no outro lado do mundo. No entanto, às vezes é assim: não conseguimos bem identificar o que nos move ou o que nos dá a força para isso, mas algo nos impulsiona. É um bichinho que cresce dentro de nós e nos chama a estas coisas e, enquanto não cedermos e dermos o salto para dizer que “Sim”, não conseguimos descansar. Gosto de acreditar que esse bichinho se chama amor. Amor por gente e sítios que ainda não conheci, mas que sinto que me chamam. Tenho que confiar que há uma razão para tudo e algo que aprendi aqui é que Deus escreve mesmo direito por linhas tortas. Foi um chamamento que não pude ignorar e esta vontade inexplicável e inabalável é algo que une muito todo o nosso grupo de voluntários. Tenho a plena confiança de que todos temos um propósito neste mundo e este projeto surge desse sonho de fazer do mundo uma família. Espera-nos um desafio, mas, afinal, a vida é puramente caminho. Eu espero fazer do meu caminho mais do que um compasso de espera entre várias paragens e lembrar-me sempre que os imprevistos, mais do que obstáculos, são oportunidades. 11


PASTORAL DE JOVENS

A MISSÃO QUE NOS UNE Departamento Arquidiocesano de Pastoral Juvenil

«A Missão que nos une» foi o tema que convocou e acompanhou o Dia Arquidiocesano da Juventude, no passado dia 8 de junho. Este ano, o Arciprestado de Braga recebeu os jovens da Arquidiocese e levou-os a conhecer vários rostos da missão que realizamos hoje, ao nível arquidiocesano. Diversos Movimentos Jovens, Organismos de Solidariedade Social e Institutos Missionários e Religiosos apresentaram aos jovens a missão que, por carisma, realizam no mundo e aquela que concretamente estão a desenvolver em Braga. A todos eles agradecemos a partilha entusiasmada e alegre, bem como, o serviço cristão que continua a pautar as suas vidas e ações quotidianas. Os jovens, esses, como os apóstolos no dia de Pentecostes, quiseram viver o desafio missionário, iniciando o seu dia em oração e fazendo desta a preparação para o dia que se revelou todo ele voltado para a vida missionária que é, antes de tudo, vocação de todo o batizado. Palmilhando a cidade de ponta a ponta, os jovens percorreram os caminhos da missão que a Arquidiocese vai trilhando através dos diferentes carismas que aqui têm presença. Este dia, tão marcado pelo espírito missionário, deu novo alento à caminhada de esperança que os jovens têm vindo a trilhar desde o ano passado. Sem a esperança, não há missão, nem vida cristã. Nesse sentido, a alegria missionária foi vivida em festa e contou com o apoio da Spiritus Band que, com a juventude arquidiocesana, cantaram a alegria de ser jovem cristão no mundo de hoje. A celebração deste dia arquidiocesano juntou os jovens, não apenas para um

dia diferente, mas para o sentir de uma missão comum: a missão de afirmar e viver o Evangelho no aqui e agora do nosso tempo, em comunhão com a Igreja e em favor dos mais pobres. Um desafio ao qual a juventude quis responder em massa, tornando o sonho de um mundo melhor, uma

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Que o Senhor vos conceda o Seu amor e Graça.

realidade possível a partir de uma vida cristã cada vez mais ativa e operante. O dia terminou em ação de graças. Como discípulos enviados, os jovens terminaram o dia em oração: uma oração de agradecimento e envio para a missão que continua no dia a dia de cada um e na ação de cada grupo. A missão que nos une é jovem! É jovem porque é sempre atual, é sempre sonhadora e desafiante, é sempre ousada e cheia de Esperança n’Aquele que é o Senhor da Missão!

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Voz de Esperança Jul/Ago 2019  

Revista bimestral Seminário Arquidiocesano Braga

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