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JAN - FEV / 2018

QUANDO A ESMOLA É GRANDE...!

Director: P.e Mário Martins Chaves Rodrigues Ano XXIII - 6ª Série | Nº 62 | Bimestral 1,00 €

“Esperar é ficar extasiado com o que nos é oferecido. Ao recetor, cabe a admiração e o abrir das mãos”. Pe. Jorge Vilaça Págs. 2-3

O AMOR QUE SALVA “Que Esperança podemos ter face à nossa vida tão cheia de imperfeições? Que fazer para que o pecado não nos mate a Esperança?”. DAPJ Pág. 12

EDITORIAL

A ESPERANÇA PARA LÁ... DO ESPERADO Três meses já passaram desde o início do ano letivo. Este trimestre acontece sempre de modo muito peculiar: adequação da comunidade e das pessoas a uma etapa sempre nova; vivência da Semana dos Seminários; abertura solene do ano; o grande acontecimento da Festa da Família Seminário, no dia da Imaculada Conceição. Após um tempo de preparação para o Natal do Senhor e sua veemente vivência em família, iniciamos, assim, este novo ano civil reforçando votos de alegria e felicidade para um novo ano que agora “nasce”. O sentimento que habita qualquer membro da Igreja de Cristo é a presença sempre fiel e atenta de uma Esperança que transborda os limites do que cada um de nós coloca ao próprio esperado. O limite do esperado nunca poderá acovilhar a Esperança da Pessoa de Jesus, esta que nos é apresentada, pela Fé dos Apóstolos, nossos intermediários. Ora, é neste preciso sentido que apresentamos este novo número do jornal: se realmente nos sentimos seduzidos pela oferta, mesmo que até possamos desconfiar do merecimento da mesma e das reais intenções dos intermediários, como o expressamos através das nossas atitudes? O Pe. Jorge Vilaça, na secção “visão”, apresenta-nos as cinco supostas atitudes perante esta provocação: otimismo ingénuo; desconfiança ingénua; desconfiança crónica; autossuficiência; esperar, mas só num outro mundo; viver de mãos estendidas. Assim, deixamos ao leitor este breve exórdio para que, no final, reconheça que a Esperança, realmente, irá superabundar face ao pouco espaço de existência breve e insignificativa que alugamos, a baixo custo, ao ingénuo esperado.


VISÃO

QUANDO A ESMOLA É GRAN UMA ESPERANÇA PARA ALÉM Pe. Jorge Vilaça

“…guardaste o melhor vinho até agora!” Jo 2, 10 1. Pobres ou ricos, desconfiamos quando a esmola é grande. Se a promoção é muito grande, se o convite nos soa a inesperado, se a dieta é fácil e de efeitos rápidos, se a prenda é desproporcional ao momento, se a recompensa não corresponde ao esforço... partimos do princípio de que estamos a ser enganados ou, de qualquer modo, usados. “Ninguém dá nada a ninguém” conseguimos ouvir até das mais inocentes vozes. No fundo, até somos seduzidos pela oferta; desconfiamos contudo do merecimento da mesma e, sempre, das reais intenções dos intermediários. Algumas atitudes possíveis: a) otimismo ingénuo: não levar a peito nenhuma questão, fazendo-se de desentendido;

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b) desconfiança crónica: construir um “castelo” e olhar sempre por cima do ombro; c) autossuficiência: tentar o controlo sobre todas as situações; d) esperar, mas só num outro mundo: atrasar a recompensa pelo que julgamos fazer bem; e) viver de mãos estendidas: mais difícil, mais arriscado, mas, ainda assim, talvez sensato. 2. Para as primeiras hipóteses, “não vale a pena” poderia ser o refrão do coro oficial. Presos ao presente, assobiando para o lado, julgando ter tudo sob controlo, adiando, produzirá pessoas-muro. “Não adianta!”, são tantos os sinais intermitentes ou de proibição. Pior: os esforços humanos de sonhar terminam dramaticamente numa parede: a medicina é vencida (sempre) pela morte; a religiosidade oficial termina, não raras vezes, num futuro irrealista ou em conflitos “paroquiais”; a


NDE...! DO ESPERADO tecnologia revolta-se contra os seus criadores, desumanizando-os; a política esfuma-se em burocracia partidarizada; os afetos afundam-se em incompreensões; o trabalho tende a mecanizar pessoas...! A comunicação social oferece o resto da palha à deteriorada imaginação...! 3. Para a última hipótese, talvez possamos pensar assim: “supõe que Deus queira encher-te de mel. Se tu, porém, estás cheio de vinagre, onde Deus irá pôr o mel?”1 O vaso, ou seja, o coração, deve primeiro ser dilatado e depois limpo, libertando-se do vinagre e do seu sabor amargo. Isto exige trabalho, faz sofrer, e sobretudo requer a perícia de Deus. Só Alguém capaz de superar o tolhido e pretensioso pensamento humano pode, ao mesmo tempo, engravidar as pequenas esperanças diárias. Usemos, então, de um símbolo: biblicamente o vinho é um dos sinais evidentes da presença do dinamismo de Deus. Por 239 vezes a Sagrada Escritura chama a si esta figura material, no intuito de identificá-la com a esperança, a iminência ou até a presença messiânica. No contexto bíblico, aparece ainda como símbolo da alegria participada por Deus; como prosperidade dos tempos messiânicos (em Caná “seis vasilhas, com capacidade de duas ou três medidas cada uma” equivale a 500 litros de vinho!); como sinal de aliança; como símbolo do sangue vertido e oferecido, aparecendo também em S. João como a alegria da presença de Cristo, como a situação transformada pela adesão de fé à pessoa de Jesus Cristo. A excelência e excedência dos bens messiânicos fica demonstrada quer pela quantidade de vinho descrita, quer pela qualidade expressamente referida: “… guardaste o melhor vinho até agora!”. Biblicamente, esperar é ficar extasiado com o que nos é oferecido. Ao recetor, cabe a admiração e o abrir das mãos.

4. A esperança cristã não é a normal e lícita expectativa perante o dia de amanhã. Não é sequer otimismo ingénuo: é a atenção diária à chegada do nunca-antes-visto, do extraordinário, do superabundante (mesmo na ausência de abundância). Poderíamos dizer que a esperança cristã é a “esmola grande” de que o pobre desconfia. É a hipótese de futuro, mesmo que entregue a outros ou a Outro. É também o cultivo do otimismo, da força, da confiança, do desejo, da pertença, do desafio, do prazer, do fascínio, do entusiasmo, da curiosidade... Enquanto se espera, teme-se, é certo. Mas medo e esperança caminham juntas num caminho concreto, numa vocação, numa descoberta. 5. Precisamos de pessoas-lugar, de pessoas-ponte, dispostas e abertas a viver por “esmola” (sempre maior que a nossa contabilidade). “Esmola grande” que em Deus se chama amor incondicionado, mais forte do que a morte: “só a grande esperança-certeza de que, não obstante todos os fracassos, a minha vida pessoal e a história no seu conjunto estão conservadas no poder indestrutível do Amor e, graças a isso e por isso, possuem sentido e importância, só uma tal esperança pode dar ainda a coragem de agir e de continuar”2. “O presente, ainda que custoso, pode ser vivido e aceite, se levar a uma meta e se pudermos estar seguros desta meta, se esta meta for tão grande que justifique a canseira do caminho”3. 6. “A nossa pequena vida humana é como uma semente de estrela atirada ao infinito. Nós somos só passagem; nós transportamos só a luz que se torna passagem em nós. A Boa Nova é Cristo, nossa Páscoa”4.

SS 35. SS 1. 4 José Augusto Mourão, O testamento do amor e a promessa do novo, A palavra e o Espelho, Paulinas, Lisboa 2000, pp. 173-177. 2 3

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Spes Salvi, 33.

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ARTE

SINAIS DE ESPERANÇA (2) AS BODAS DE CANÁ Luís da Silva Pereira

O quadro que hoje apreciamos é uma enorme pintura a óleo sobre tela de Paolo Cagliari, mais conhecido por Paolo Veronese, por ter nascido em Verona. Mede 6,6 metros de comprimento por 9,9 de largura e foi pintado para decorar o refeitório do convento de S. Giorgio Maggiore, em Veneza, cidade onde o pintor passou a viver desde 1553 e onde morreu, em 1588, com 60 anos de idade. A tela representa as bodas de Caná, durante as quais, a pedido de sua mãe, Jesus realizou o primeiro milagre. O episódio é narrado no evangelho segundo S. João, cap. 2, 1-12. Como aí se diz, com este milagre Jesus manifestou a sua glória, o que levou os discípulos a acreditarem nele. Mas há também intérpretes que veem na transformação da água em vinho uma prefiguração do milagre eucarístico. De qualquer modo, é o primeiro sinal público que Cristo dá de que é o Messias e vem preencher a nossa esperança de salvação. Veronese pinta teatralmente as bodas como se elas tivessem ocorrido em Veneza, a república mais rica e poderosa de Itália, devido sobretudo ao comércio com o Oriente, aqui simbolizado pelos turbantes que alguns dos presentes usam na cabeça. Aparentemente, pinta mais o esplendor da cidade do que o milagre de Cristo. Ele gosta muito de combinar os te-

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mas bíblicos com ambientes profanos. Este é um exemplo elucidativo. A riqueza exibe-se claramente não apenas no número de convidados e outras personagens, cerca de 130, mas principalmente nas vestes requintadas, nos penteados das senhoras, nos talheres, nos pratos, nas taças. A arquitetura dos edifícios, os mármores esplendentes dos balaústres, das colunas e do chão policromado contribuem para o espetáculo. Veronese era muito sensível à arquitetura. Desenhando tão minuciosamente os edifícios, é provável que esteja a homenagear Paládio, o grande arquiteto do Renascimento italiano, que projetou, aliás, o refeitório para o qual a cena foi pintada. O requinte da sociedade veneziana revela-se ainda na atuação de músicos. Aquele que toca viola de gamba e veste de branco será o próprio Veronese, acompanhado por dois outros pintores de quem ele era muito amigo: Ticiano e Jacopo Bassano. Repare-se na presença de três cães de caça: dois ao centro, que parecem galgos, e um à nossa esquerda, perto dos noivos, que lembra um perdigueiro. Vemos o que parece ser um gato passeando sobre a mesa, do nosso lado direito, mesmo à frente de um comensal vestido de azul, de

costas para nós. Podemos ainda ver um papagaio no ombro de um personagem ajoelhado à frente de um corpulento e barbudo cavalheiro vestido de verde, do nosso lado esquerdo, que parece o mestre-de-cerimónias. Cristo, acompanhado de alguns apóstolos à sua direita e à sua esquerda, distingue-se dos outros personagens por ter nimbo à volta da cabeça, no qual se inscreve uma cruz luminosa. O nimbo com uma cruz inscrita é exclusivo de Jesus. Nossa Senhora, à sua direita, apresenta igualmente nimbo, embora um pouco mais apagado. Observemos que Veronese coloca as figuras sagradas no centro do quadro, deslocando os noivos para a extremidade da mesa, à nossa esquerda. Sabemos que são os noivos porque é a eles que o mordomo, vestido de verde, manda servir uma taça do vinho milagroso e a quem dirige as palavras de elogio por ter reservado o melhor para o fim, quando já toda a gente está saciada e conversam uns com os outros. Repare-se que ninguém presta atenção a Cristo, a não ser os apóstolos, os únicos que olham para Ele e se apercebem do que está a acontecer. Portanto, embora pintando o esplendor de Veneza, Veronese está a dizer-nos que o verdadeiro centro do episódio é Cristo, sua mãe e os apóstolos.


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SEMINÁRIO MENOR

“LUGAR ONDE O SILÊNCIO GRITA” João Pinto, 8º ano

Num mundo onde cada vez mais é menor o silêncio, é necessário ao Homem parar e contemplar a arte do silêncio, essencial a uma grande comunhão com o Deus uno e trino. Engane-se quem pensa que um retiro espiritual é sobretudo um tempo de descanso físico, este é o tempo em que cada um é desafiado a fazer uma avaliação da sua vida espiritual e mesmo aprofundá-la e melhorá-la. Assim os seminaristas do Seminário Menor procuraram este Deus que fala através do silêncio, durante a interrupção letiva. Estes estiveram divididos em dois grupos, como é costume na recoleção mensal. Os dois grupos estiveram em duas casas distintas, mas muito próximas: A Casa de Schoenstatt e a o Centro de Espiritualidade e Cultura da Companhia de Jesus – Casa da Torre, ambas localizadas na paróquia de Soutelo, do arciprestado de Vila Verde. Estes retiros foram orientados por 6

dois dos três diretores espirituais do Seminário. O retiro começou a 2 de novembro, tendo sido marcado por vários momentos de contemplação, oração e meditação. A contemplação foi vivida de uma forma muito bela! Cada seminarista pôde estar diante do “Jesus Escondido”, a exemplo do recente santo português, São Francisco Marto. Também a oração foi uma marca relevante deste retiro, desde a oração individual até à oração comunitária, onde cada jovem sentiu que Deus o escuta. Ainda foi vivida a meditação de textos bíblicos, tais como: O evangelho das irmãs Marta e Maria, o que a Sagrada Escritura narra acerca das bodas de Caná, entre outros. Cada seminarista teve a oportunidade de observar as atitudes e histórias das personagens narradas e perceber de que forma isto poderia ajudá-lo neste seu caminho de discernimento. Foram realizadas várias atividades

que enriqueceram os jovens aos níveis já referidos. Foi possível escutar o testemunho do diácono espiritano, José Carlos, que nos mostrou a sua vida, o seu processo de descoberta da sua vocação e a sua experiência em Taiwan, onde foi missionário desta congregação. Aqui, foi possível o encontro entre os dois grupos e partilhar como estava a decorrer cada retiro. Os retiros permitiram a cada jovem aprofundar, melhorar e pensar a relação que mantêm com este Deus que nos chama a servi-Lo. Também cada jovem pôde refletir sobre a importância que o silêncio possui numa sociedade, onde parece que Deus não se pode revelar aos que nele creem. Os seminaristas estão com certeza gratos aos seus diretores espirituais que puderam clarificar dúvidas, ajudar neste processo de busca contínua e, claro, comprovar que Deus se revela nas diversas circunstâncias de cada lugar ou Homem.


CELEBRAÇÃO PENITENCIAL Diogo Silva, 12º Ano

No passado dia 11 de dezembro, realizou-se a Celebração Penitencial de preparação para o Natal, na qual contamos com a presença de alguns sacerdotes e dos nossos diretores espirituais. Uma dinâmica de preparação deste mesmo sacramento seguiu-se durante o fim de semana, sendo as orações comunitárias sempre focadas na celebração que se viria a realizar na segunda-feira, da semana seguinte. Esta celebração penitencial foi baseada na espera. Espera esta que nos ajuda a recentrar a nossa vida no que é essencial, que não é necessariamente uma perda de tempo, mas, muitas vezes, o contrário: é reconhecer o tempo necessário para ser; é retomar o tempo para nós mesmos, como lugar de maturação, como oportunidade reencontrada; é perceber o tempo, não apenas como simples enquadramento do sentido, mas como formulação em si mesma significativa. Foi na capela da Imaculada do Seminário de Nossa Senhora da Conceição que se realizou esta celebração. Assim, devido ao grande espaço da mesma, os sacerdotes espalharam-se por toda a parte inferior da capela, começando com o ritual do Lucernário e onde posteriormente se realizaram as confissões, antecedidas por um momento de Exame de Consciência que nos interpelou à reflexão

da nossa vivência com Deus, com os outros e connosco próprios. De seguida, celebrou-se o dom oferecido por Deus na absolvição com a Eucaristia presidida pelo padre Adelino, o qual frisou, entre outros aspetos, a afirmação presente no Evangelho de Marcos: “Acautelai-vos e vigiai (…) O que vos digo a vós, digo a todos: Vigiai!” (Mc 13, 33-37); e o tema deste ano da caminhada de Advento/Natal da nossa Arquidiocese: Da Espera ao Encontro. Como mote desta celebração levamos a citação do padre José Tolentino Mendonça com que iniciamos esta mesma celebração: “a nossa cultura que mitifica (ingenuamente) a eficá-

cia e o utilitarismo há muito cancelou o valor da espera” e a afirmação, em oposição à anterior, “o Advento ensina e educa para a espera”.

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SEMINÁRIO MAIOR

«EU TE RESPONDO: ESTOU AQUI»

FORMAÇÃO DOS MINISTROS EXTRAORDINÁRIOS DA COMUNHÃO Ângelo Machado, 5º ano

Quero subir à montanha, Quero ouvir a tua voz. Quero subir à montanha E falar contigo a sós. Por esta estrofe, do Pe. Henrique Faria, fazemos memória do fim de semana de 21 e 22 de outubro, no qual, o 5.º ano do Seminário Conciliar, numa preparação para a instituição no ministério do acolitado, juntamente com os novos Ministros Extraordinários da Comunhão (MEC) subiram “à montanha do Sameiro”, com o desejo de saberem mais da missão a que foram chamados a servir. O nosso Arcebispo defendeu, na Eucaristia de encerramento, que «um Ministro Extraordinário da Comunhão não é somente um distribuidor da Comunhão, porque ser um distribuidor da Comunhão é muito pouco. O Ministro da Comunhão deve ser uma presença deste dinamismo da comunhão dentro da paróquia olhando para todos, sendo sinal de esperança, principalmente para os que estão nas periferias, na certeza de que há sempre alguém que pensa neles.» Fomos convidados a correspondermos a este chamamento, «um compromisso que necessita de generosidade, dando um verdadeiro testemunho cristão, alicerçado na humildade, na simplicidade», sendo “Voz de Esperança” neste tempo. Nesta jornada de formação, começámos com as palavras de boas-

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-vindas do Cónego Manuel Joaquim, responsável da Comissão Arquidiocesana da Pastoral Litúrgica, palavras cheias de esperança e de convicção de que há um começo novo nas nossas vida: «O rosto de cada um traz-nos uma realidade de toda uma comunidade que através do seu Pároco, ou Superior da Comunidade vos chamou a prestar um serviço concreto nesta Igreja que somos, correspondido por todos com muita responsabilidade, mas também com muita simplicidade e humildade.» Depois, foi a vez de tomar a palavra o Pe. Rúben, que nos despertou para uma Igreja que nos chama e que nos envia, com confiança, a servir. Também o Pe. Marcelino Paulo, que nos interpelou sobre uma vivência da e com a Palavra como luz para o nosso serviço. Seguiu-se um painel com dois casais, que nos testemunharam as suas alegrias e dificuldades como colaboradores numa comunidade,

em que tudo começa na “Igreja doméstica”. Com o Pe. Jorge Vilaça fomos desafiados para uma assistência e acolhimento autêntico dos doentes. No domingo, ainda com o canto de Laudes no ouvido, tivemos outro momento de formação com o Pe. Joaquim Félix, que nos falou do papel dos MEC na estrutura e dinâmica da celebração da Eucaristia. Terminámos com uma última intervenção do Pe. Rui Sousa, acerca da vida espiritual dos Ministros Extraordinários da Comunhão. Fomos assim descobrindo algumas “riquezas” em prestar este serviço à Igreja, de sermos capazes de ter um coração disponível para servir, sendo o espetáculo mais apaixonante da nossa vida cristã, ou seja, uma Igreja, que, pelos seus MEC, não passa indiferente aos desafios de cada tempo. Como foi bom ter subido à montanha!


CONSAGRAÇÃO A NOSSA SENHORA E TRADICIONAL MAGUSTO Bruno Lopes, 2º ano

No passado dia 10 de novembro, os Seminários Arquidiocesanos realizaram a Consagração a Nossa Senhora e o tradicional magusto. Este ano a organização, a cabo do 2º ano, definiu que o local deveria ser no concelho de Guimarães. A tarde iniciou-se, na bela cidade de Guimarães, com a visita dos seminaristas e seus formadores ao Museu Arqueológico da Sociedade Martins Sarmento, principal referência da cultura castreja em Portugal e instalado sob o belo claustro de S. Domingos. Visitámos também a Igreja e Convento de S. Francisco, uma igreja de incomparável beleza, que junta vários estilos arquitetónicos, desde o Românico, passando pelo Gótico e o Barroco. Ambos os locais situam-se na bela Cidade Berço. De seguida, dirigimo-nos ao Santuário de Nossa Senhora da Lapinha, situado na freguesia de Calvos, onde realizámos a Consagração Pessoal e Comunitária a Nossa Senhora. Na homilia, o Presidente da Celebração, Pe. Adelino Domingues, lançou o convite de seguirmos a palavra nova, a qual se reflete em sentirmo-nos no coração de Maria e também na vida de S. Martinho, que celebrávamos. Desta forma, o sacerdote interpelou-nos a que nos sintamos portadores de palavras novas, palavras que se fazem de gestos, atitudes concretas e em encontros e situações da nossa vida. Vemos, assim, refletido o senti-

do para este ano que entregamos a Deus por mediação de Maria, a Senhora da Esperança. Terminada a celebração, descemos a montanha e fomos até à Freguesia de Tabuadelo, em cuja escola

EB1, realizámos o nosso magusto, que se iniciou num ambiente de alegria. Como já vem sendo habitual, o magusto proporcionou o reforçar de amizades e incrementar, no seio da comunidade, todo um contexto de interajuda e cooperação, que se espelhou desde o início, no redobrar de forças do próprio grupo que estava responsável pela organização. Assim, este sentimento prolongou-se da organização para a restante comunidade e a todos contagiou de transbordante agrado e gratidão. Para gáudio de toda a comunidade, o dia terminou, como não podia deixar de ser, com a animação do Grupo de Cantares, que nos inundou com profunda alegria, trazendo ao nosso meio as músicas tradicionais. Depois de saborearmos as castanhas, foi tempo de retornar à casa mãe e assim seguimos caminho até Braga, de regresso aos seminários.

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SEMINÁRIO MAIOR

ABERTURA SOLENE DOS SEMINÁRIOS ARQUIDIOCESANOS Diogo Martins, 2º ano

No passado domingo, dia 19 de novembro, decorreu, no auditório de S. Frutuoso, a abertura solene dos Seminários Arquidiocesanos de Braga, que junta os Seminários Maior e Menor. Esta data coincidiu também com o encerramento da Semana dos Seminários, tendo sido o arciprestado de Famalicão o escolhido, este ano, para receber os Seminários. A sessão solene, que contou com a presença dos seminaristas e suas famílias, teve intervenções do Sr. Arcebispo Primaz, D. Jorge Ortiga, do Reitor do Seminário, Cónego Victor Novais, e do orador convidado Pe. Luís Marinho, Assistente Nacional do CNE. Em primeiro lugar, discursou o Reitor do Seminário, o qual apresentou três aspetos a ter em consideração num “Seminário em saída”: a identidade sacerdotal: uma “pergunta” com resposta trinitária; o discipulado: uma lenta amizade com Jesus; e, por último, uma evangelização que torna real a presença de Deus. Terminou o seu discurso agradecendo a todos quantos se entregam diariamente ao Seminário, e de modo especial aos padres Agostinho Tavares e Manuel Batista, que neste ano deixaram de colaborar de forma assídua com o Seminário e deu as boas vindas ao Pe. Afonso, ao Pe. Adelino Domingues e ao Pe. Álvaro Balsas, que passam a enriquecer os Seminários com os seus serviços. De seguida, os 10

seminaristas Miguel Rodrigues (Seminário Maior) e Vítor Sá (Seminário Menor) apresentaram as atividades de ambos os seminários decorridas no ano letivo 2016-2017. Seguiu-se a intervenção do Pe. Luís Marinho, que propôs aos presentes uma reflexão sobre o Sínodo de 2018, que tem como tema os jovens, a fé e o discernimento vocacional. A terminar a sessão, escutámos as palavras do Sr. Arcebispo, que, no dia em que se celebrava o I Dia Mundial dos Pobres, pediu aos clérigos e seminaristas que se façam «pobres com pobres e ricos com a miseri-

córdia de Deus», e relembrou que a pobreza se encontra ao nosso lado e, por vezes, nem nos damos conta. A sessão solene foi sendo enriquecida pelo coro do Seminário Maior. Os seminaristas interpretaram o Hino do Seminário Conciliar de Braga, para quatro vozes iguais, composto pelo Padre Alberto Brás, com letra do Doutor Ferreira Fontes; a composição musical “Virgem Santa do Fastio”, com arranjo do Pe. Manuel Simões e o cântico “Trai-Trai”, com arranjo do Pe. Manuel Faria. Depois da sessão solene, teve lugar a Eucaristia dominical, presidida pelo Arcebispo Primaz, D. Jorge Ortiga, que na homilia agradeceu aos seminaristas o sim dado, desejando que ele se renove a cada dia; aos familiares, pelos sacrifícios que fazem e às comunidades educativas e paroquiais, pelo trabalho de proximidade e encontro. Por fim, num ambiente de grande alegria, um jantar-convívio com os seminaristas e seus familiares encerrou o dia.


PASTORAL UNIVERSITÁRIA

A NOSSA CASA HABITAR (N)O CENTRO PASTORAL UNIVERSITÁRIO Diogo Domingues Jesus (Estudante de Doutoramento em Comunicação)

Diz a sabedoria popular que quando se nasce, “nasce-se pequenino”, assim sucede com a residência do Centro Pastoral Universitário de Braga, que desde o passado mês de setembro abriu portas aos seus primeiros doze residentes. Cumprindo um dos desígnios inerentes à sua criação, acolher os estudantes que dentro da Arquidiocese de Braga frequentam as diversas instituições do Ensino Superior, a Pastoral Universitária dá um salto no aprofundamento desta sua missão, colocando-a sob o signo da Esperança.

Uma Esperança, que embora tome raízes nos valores cristãos dos quais é reflexo, não se fica pelo seu conforto e ultrapassa as suas fronteiras, abrindo-se ao diálogo e à alteridade, buscando acolher a todos sem exceção, independentemente do credo que professem. Assim, dia após dia, residentes e responsáveis da Pastoral procuram viver, caminhar e crescer juntos. Fruto desta troca de olhares sobre a academia, a religião e as diversas proveniências dos residentes, a pluralidade parece ser uma das caraterísticas que

melhor define o projeto da residência criada pela Pastoral Universitária da Arquidiocese de Braga. Mais que uma casa, onde se alugam quartos, esta é uma casa onde se acolhem pessoas e se procura fazê-lo como se membros de uma família se tratassem. Por tudo isto, não será de todo inusitado dizer, que mais que habitar no Centro Pastoral, os elementos desta comunidade procuram habitar o Centro Pastoral, de forma a que todos se sintam realizados na missão que são chamados a desempenhar. 11


PASTORAL DE JOVENS

O AMOR QUE SALVA: UMA LEITURA DE LC 7, 36-50 DAPJ

Susana Vilas Boas, após uma vivência de cinco anos em Missão na República Centro-Africana com os Leigos Missionários Combonianos, integrou e faz parte da equipa Arquidiocesana de Pastoral de Jovens. Após o seu regresso missionário, iniciou os estudos na Faculdade de Teologia, em Braga. Atualmente, é aluna de Doutoramento, docente e funcionária desta Faculdade da Universidade Católica Portuguesa. O Amor que salva é síntese da sua dissertação de Mestrado em Teologia e apresenta-se como uma leitura peculiar de Lc 7, 36-50. Através do método exegético-teológico, reflete sobre este texto do Evangelho, expondo a sua mensagem através de uma linguagem acessível, tanto a leitores com formação teológica, como a outros. Que Esperança podemos ter face à nossa vida tão cheia de imperfeições? Que fazer para que o pecado não nos mate a Esperança? Estará a Salvação vinculada e condicionada ao número de pecados que cometemos? À luz destas questões, este livro analisa os conceitos de pecado, amor e perdão (enquanto elementos fundamentais da vida humana) a partir da leitura aprofundada de Lc 7,36-50. Através deste texto, e sem fechar os olhos à forma como a Sagrada Escritura, no seu todo, articula e nos faz compreender estes conceitos, percebe-se que a grandeza do Amor de Deus, precisamente por ser maior que o pecado, salva. O Amor que salva é o fio condutor deste livro. Este parte de uma compreensão histórica dos acontecimentos narrados em Lc 7, 36-50, mergulhando depois no sentido mais profundo dos termos e expressões do texto, procurando estabelecer uma relação/articulação entre as

personagens e descobrindo a singularidade dos acontecimentos, face aos outros Evangelhos. Após este enquadramento, o livro apresenta um desenvolvimento teológico sobre a narrativa, tendo em conta a mensagem trazida por Jesus e os ritos de expiação narrados no Antigo Testamento. Que Boa Nova traz Jesus em relação ao perdão de Deus? Que novidade face à relação entre pecado e Salvação? Sem negar a Lei antiga, Jesus apresenta-se como Salvação de Amor, revolucionando a compreensão existente até então. Ele é o propiciatório encarnado, acessível a todos os que O procuram e capaz de resgatar de todo o pecado. Em Jesus, deixa de haver lugar a uma lógica de condenação, em que o pecador é excluído e esmagado pelo seu pecado. Jesus é a Salvação e, de modo evidente, em Lc 7, 36-50, revela que não é o pecado que condena, mas o amor que salva.

Os artigos publicados no “Voz de Esperança” seguem, ou não, o novo acordo ortográfico consoante a escolha dos autores.

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Que o Senhor vos conceda o Seu amor e Graça.

Propriedade do Seminário de Nossa Senhora da Conceição

Rua de S. Domingos, 94 B 4710 - 435 Braga Telf: 253 202 820 | Fax: 253 202 821 www.fazsentido.pt seminariomenor@fazsentido.pt vozdeesperanca@fazsentido.pt N.º de Registo: 1152 88 Depósito Legal N.º 40196/91 Tiragem: 4000 Exemplares

Voz de Esperança Jan/Fev  

Revista bimestral Seminário Arquidiocesano Braga

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