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Occupy Açores: ridículo, mas pouco.

º 68 ´ FAZ O BOLETIM DO QUE POR CA SE QUINZENAL 10 a 24 DE NOV 2011 DISTRIBUIÇÃO GRATUITA Em casa ou fora dela + novo negócio: toma a minha ilha e dá-me cá dinheiro + chamamentos de Ritas e de outras meninas + uma noiva em fuga + três entrevistas: poeta-fotógrafo, pianista-pianista e homem-câmara + o rock do Rich + poemas terceirenses de 1970 + plantas, freguesias e outras características destas ilhas + gatafunhos + seis diferenças + agenda cultural de duas ilhas fronteiras


, Cronica

Ilhas à Venda Em Março do ano passado, apareceu a notícia “Ilhas gregas são vendidas para fazer frente à crise que o país enfrenta”. Não se tratava das ilhas turísticas que todos bem conhecemos, aquelas que fazem parte do circuito habitual dos iatistas nos Mares Egeu e Jónico; nem tão pouco de ilhas habitadas. Tendo em conta que a Grécia possui mais de seis mil ilhas, e que apenas pouco mais de duzentas têm habitantes, o país bem podia vender algumas das desabitadas a excêntricos milionários. Afinal, quem, tendo dinheiro para tal, não gosta da realidade fílmica de possuir uma ilha no Mediterrâneo? No entanto, muito em breve se colocou outra questão. Porque não vender ou talvez alugar por um prazo longo algumas das ilhas mais turísticas (e habitadas)? Aí, já se começou a falar de ilhas tão conhecidas como Mykonos e Rhodes. Falou-se até da venda de parte dessas mesmas ilhas. Ninguém explicou muito bem como se faria a divisão: metade da ilha pertencia ao Governo Papandreou e a outra metade ficava na posse de um privado? Onde se traçava a linha imaginária que ia dividir a ilha a meio? Que direitos tem o privado face às casas e aos habitantes que moram na sua parte da ilha? Quem lá se desloca está, automaticamente, a trespassar terreno de outrem? E se o privado não fosse da União Europeia, os gregos que morassem na parte grega da ilha teriam de se munir de passaporte sempre que quisessem ir a esse terreno visitar a família que lá morava? Confuso… Os factos, porém, eram os seguintes: os dirigentes alemães – qui d’autre?... – aconselharam a medida de venda de ilhas ao Governo grego para fazer face ao défice público. Claro que tal conselho surgiu na sequência da ajuda da União Europeia e do empréstimo do FMI à Grécia. Os gregos “ganharam” 110 mil milhões de euros emprestados com juros e, com eles, uns quantos “conselhos” sobre como os pagar rapidamente. O Financial Times e o The Guardian especularam amplamente sobre o quanto podia render uma ilha grega ao Governo grego. Qualquer coisa como 2 a 15 milhões de euros. Nada de se desprezar. Investidores

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chineses e russos e milionários conhecidos como Abramovich manifestaram imediato interesse na compra dos paradisíacos bocados de terra e tinham planos para magníficos investimentos nos locais. Foi possível entrar em portais da net e “ver” certas ilhas à venda. Como exemplo, Nafsika, uma ilha do mar Jónico, estava em leilão por 15 milhões. Mas nem todas estavam tão bem posicionadas. Algumas ilhas vendiam-se por cerca de 2 milhões, ou seja, menos do que uma casa em certos bairros de Londres. Makis Perdikaris, director de uma empresa chamada Greek Island Properties, afirmou estar duplamente entristecido por “vender terreno do seu país e do povo grego” e ainda por ver que este era “o último recurso” da Grécia. Analistas internacionais acharam o caso “uma vergonha”; outros, com a mesma leveza, declararam que esta acção “prova[va] que a Grécia esta[va] a levar a sério o pagamento da sua dívida externa.” Entretanto, vieram desmentidos a público a par de re-afirmações da notícia e, apesar de eu ter muitos amigos gregos que vivem nos mais diversos locais da Grécia, nunca fui capaz de apurar ao certo se o Governo tinha vendido as ditas parcelas de ilhas ou não. E isto porque os gregos, actualmente, são os últimos a saber o que lhes acontece. Eu mesma já cheguei a informá-los de coisas que vi na televisão e que eles ainda não sabiam. Há uma espécie de sonegar de informação, suponho que – como eles me disseram – “para manter o povo sossegado e evitar uma revolução”. Como todos sabemos, as últimas notícias reportaram que a Alemanha está disposta a perdoar à Grécia metade da dívida desta. Ora, todo o perdão tem pouco de magnanimidade e muito de troca, como bem nos tem ensinado ao longo da História a Santa Madre Igreja. Pessoalmente, estou em crer que o perdão alemão está de olho no enorme exército da Grécia. À conta de muita guerra no curso dos tempos com os seus vizinhos turcos – para além de uma enorme complexidade

com os macedónios e os cipriotas – e da sua posição geográfica mais ou menos frágil, a Grécia não abdica de um exército fenomenal. Para além de ter serviço militar obrigatório durante 9 meses (sem qualquer excepção para estudos) para todos os rapazes e serviço militar voluntário para as raparigas, a Grécia ainda hoje é o maior importador de armas da Europa e gasta muito do seu PIB em armamento. Curiosamente, segundo aqueles labirintos políticos do costume, os países europeus que cobram a dívida à Grécia (e.g. França e Alemanha) são os mesmos que lhe vendem armas… Mas claro que é bastante mais simpático receber o dinheiro do armamento, perdoar uma dívida e ainda ficar com o maior exército vivo da Europa a lutar por nós e sob o nosso comando, quando e se a gente quiser… Estou a contar uma pequena parte desta historieta porque agora com as medidas da Troika me ocorreu que Portugal não tem, nem de perto nem de longe, um exército que interesse à Sra Merkel. Que moeda de troca lhe havemos de dar? O Algarve seria uma boa ideia, mas os ingleses já o foram comprando devagarinho e o que resta não dá nem para saldar uma dívida de mercearia. E se fossem as ilhas, como primeiro ocorreu ao cérebro Papandreou? Ah, mas felizmente, nós, ilhas dos Açores, temos uma sorte estupenda. Primeiro, porque turisticamente somos quase desconhecidos. As pobres das ilhas gregas, não lhes bastava terem um clima espectacular como ainda estão no berço da Civilização Ocidental e atreveram-se a fazer do turismo a sua primeira fonte de recursos, tendo quem as visite por razões históricas e quem as visite por razões de sol e mar. Já os Açores, abençoados por Deus com um capacete de brumas quase todo o ano, e historicamente muito pouco relevantes no contexto mundial (vá… convenhamos!), não podem ter tais pretensões. Há mapas-mundo que nem contemplam a representação dos Açores. Temos muitíssima sorte! A Grécia recebe uma média de 18 milhões de turistas por ano e a esmagadora maioria destes vai visitar

as ilhas. Os que de entre vós conhecem as ilhas gregas saberão que, se não fossem os turistas, elas não teriam muito mais de onde retirar lucro, para além de ovelhas, azeitonas e laranjas. Dizem-me que os Açores têm cerca de 160 000 turistas por ano - não encontrei estatísticas e acho um número inflacionado, mas ainda bem que não são mais! Ovelhas não temos, mas não esqueçamos que as nossas vacas parecem bastante felizes, segundo foi apreciado pelo próprio Presidente da República. Mas angustia-me o facto de, contrariamente à Grécia, possuirmos tanta boa infra-estrutura a todos os níveis: hotéis, marinas, estradas, restaurantes. Nas ilhas gregas, isto é tudo caseiro e rural. Só para dar um exemplo, em toda a Grécia, só há 50 marinas… Quem quiser amarrar barcos, amarra em bóias e salta para terra (o que nunca impediu ninguém de lá ir anualmente, inclusive eu mesma que por lá andei a navegar). Porque é que estou angustiada com isto? Porque imaginem se, por um infeliz acaso, um dirigente alemão – não esqueçamos que estes povos do Norte acham que Açores é “tropical” – tem a infeliz ideia de saber da nossa existência e sugerir a nossa venda ou aluguer ao Governo português? A minha grande esperança é que, dado que ninguém nos dá qualquer importância, se esqueçam que cá estamos. Caso contrário, imagino já o leilão na internet do Corvo, de Santa Maria, da costa norte de São Miguel… Felizmente, nós não valemos tanto que alguém nos queira comprar; aliás, nós damos muita despesa… Recordo um célebre estudo, defendido publicamente, da Universidade dos Açores que reflecte o assustador gasto que é manter cada ilhota açoriana cheia de povinho. Portanto, graças a Deus, ninguém nos há-de querer. Mas, pelo sim, pelo não, o melhor é não fazermos muito barulho. A não ser que queiramos aparecer no E-Bay com uma etiqueta: “Vende-se ou aluga-se. Usado mas em estado razoável. Terreno produtivo. Clima húmido, nevoento, chuvoso, deprimente. Povo tranquilo e conservador, habituado a obedecer sem custo. Vacas felizes.” Carla Cook


Sobre a(s) Chamarrita(s)

´ MUSICA

Fazendo parte integrante da música tradicional dos Açores, a “Chamarrita” é nome de cantiga apressada e animada, cantada de forma bem humorada por cantadores e cantadeiras. Embora se lhe aponte como étimo mais provável o espanhol chimarra ou chamarra, o termo Chamarrita parece palavra composta do verbo chamar e do nome próprio Rita: chama a Rita = Chamarrita. Pelos menos nos primeiros escritos que se conhece da palavra Chamarrita, ela surge-nos grafada precisamente como Chama a Rita. E não só. Também Chama a Rosa, sendo disso exemplo a “Chamarrita do Faial”:

das ilhas do Faial e do Pico Chama a Rita, chama a Rosa Venham ambas à janela Ver uma cara formosa De uma tão linda donzela.

Ora, porquê Chama a Rita? Isto tem a sua razão de ser no sistema usado nas ilhas para os “balhos” (corruptela de baile) de roda. Terminado um e antes do início de outro, os homens mandavam chamar outras mulheres com quem desejavam bailar; depois, eram as mulheres que chamavam outros homens e assim por diante. No sul do Brasil (Santa Catarina e Rio Grande do Sul), o termo Chimarrita, que indica também um baile popular, é certamente, a alteração da “Chamarrita” açoriana, ali introduzida por casais açorianos que, no século XVIII, foram colonizar aquelas regiões. Tal como outras cantigas, também a “Chamarrita” é cantada em todas as ilhas dos Açores com variantes

poéticas e variações musicais distintas de ilha para ilha. De salientar que a “Chamarrita”, contrariamente à maioria das cantigas populares açorianas, possui menos melodia e harmonia e mais energia rítmica. Nas ilhas do Pico e do Faial a “Chamarrita” é que fecha o “balho”, ao passo que em outras ilhas é a “Sapateia” que faz a despedida. É também naquelas duas ilhas onde as Chamarritas conhecem uma expressão mais característica. A começar pelo toque rasgado e pela pancada na viola da terra (de 12 cordas), que consiste no movimento da mão direita sobre as cordas e sobre o tampo da viola, e a acabar nos improvisos bem humorados e nas rimas espirituosas dos cantadores. Victor Rui Dores

Capacasamento O dia do

Lola corre pela rua sentindo o seu cheiro. Vai sozinha no seu caminho de pedra dura. Repara em si própria e em outros que passam. Segue atarefada e sem o cuidado de não tropeçar. Tropeça. Tropeça nos seus cabelos adornados de tiaras de arroz. São pelo menos cinco. Pisa o véu do seu vestido de noiva e parte um tacão. Lola foge com a pressa que nunca tivera. Quer ver bem de longe a igreja e todos os convidados. Rasga o vestido. Quer uma mini saia e dentes de ouro (há anos que espera que os que tem lhe caiam). Quer-se a si própria como alguém a quis a si mesma. O sossego. Caminha. Chega à cabine telefónica e bate na porta com força. Já é demasiado tarde e não procura um táxi. O cavalo já tinha passado hoje. Continua desconcertada e descalça mas não chora. Lola rebola e grita na relva. Segue jardim a baixo mirando as árvores galho a galho e ouvindo os pássaros. Pois já é Primavera. Faz pinturas com a tinta das flores da calma. Pinta o sol na cara e uma espada em cada mão. Põe rímel nos olhos. Lá vai Lola saltando os obstáculos. Lá vai ela correndo. Conta-se por cá que já chegou ao deserto. Inês Ribeiro

Nasceu em 1981 na cidade de Leiria. Mudou-se para os Açores em 2009, inicialmente para a ilha de São Miguel, e recentemente para a ilha Terceira onde trabalha como professora de Artes Visuais. Licenciou-se em Artes Plásticas na Escola Superior de Arte e Design das Caldas da Rainha, tendo feito estudos ao abrigo do programa Erasmus na Universidade de Belas Artes em Antalya, na Turquia e fez formação de Cerâmica Criativa no Cencal. Desde 2001 está envolvida em vários projectos artísticos colectivos e individuais, tendo fundado a oficina de criação artística e atelier de serigrafia Fábrica13 e dá inicio ao projecto pessoal Zaragata (products and thoughts). Actualmente desenvolve trabalho na área da ilustração. email: ines.zrgt@gmail.com web: http://ines.zrgt.googlepages.com Inês Ribeiro

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´ MUSICA

Joana Gama é pianista e vem à Horta no próximo dia 11 de Novembro mostrar-nos obras de Liszt. É às 21h30, na Biblioteca Pública e Arquivo Regional da Horta, num concerto integrado na Temporada de Música dos Açores. Pretexto para uma conversa com o Fazendo. Para mais informações podem ir a www.joanagama.com Que compositores trazes aos Açores neste concerto da Temporada? Neste concerto da Temporada de Música dos Açores, irei interpretar apenas obras de Franz Liszt, cujo bicentenário de nascimento se comemora durante este ano. O recital, que será comentado pelo compositor Alexandre Delgado, consiste num ciclo de nove peças que por sua vez faz parte de um ciclo chamado “Années de Pèlerinage”. Este ciclo, publicado em 1855 e intitulado “Première Année - Suisse”, é essencialmente inspirado pela paisagem deste país, resultando em obras de uma enorme dimensão poética, com estreita ligação à literatura da época. Quantas horas diárias dedicas ao piano? Desde há cerca de um ano que sou

Eduardo Brito e João Filipe Santos

Joana Gama Entrevista pianista a tempo inteiro, portanto dedico os meus dias ao estudo individual e a ensaios de vários projectos em que estou envolvida. Em dias normais, estudo cerca de 4 horas de manhã e 3/4 horas à tarde. O ano passado estiveste no Teatro Fwaialense com o Lisbon Ensemble 20/21. Que experiência guardaste? Guardo uma boa experiência, já que o teatro tem boas condições e a equipa técnica mostrou-se sempre disponível para ajudar na preparação do concerto. E quanto ao concerto, correu bem e tivemos uma plateia muito bem composta e que acolheu bem o grupo. Sabe-se que participas como pianista no espectáculo “Benny Hall” da companhia Esticalimógama que esteve em São Miguel e Terceira. Como foi a reacção do público açoriano ao vosso espectáculo? A reacção foi muito boa! Sentimos que o público gostou dos espectáculos pela forma calorosa como nos aplaudiram. E para mim foi um verdadeiro privilégio poder tocar, em cada uma das ilhas, em pianos de cauda de marca Steinway, pianos de muito boa qualidade e que não se encontram em salas de espectáculo com a frequência desejada.

És uma jovem pianista com um percurso bem diversificado no universo musical. O que é que mais gostas de fazer: tocar a solo, em orquestra, ou acompanhar actores de teatro? Desde cedo percebi que gostava muito de estar sozinha em palco, e isso foi decisivo para investir na minha formação musical. Contudo tocar a solo, é solitário em dois aspectos: na preparação do concerto e no concerto em si por isso, e numa perspectiva de “compensação”, interessa-me muito trabalhar com os outros músicos e artistas em geral. Daí que goste muito de tocar em orquestra e em pequenos ensembles, assim como de trabalhar com coreógrafos, actores e realizadores. Qual é o teu compositor preferido e que gostarias de apresentar a solo no Teatro Faialense? Não tenho um compositor preferido,

mas interesso-me naturalmente pela música contemporânea, pela música clássica escrita nos dias de hoje. E posso dizer que admiro muito o compositor americano John Adams e que gostaria muito de tocar a sua peça “Phrygian Gates”, uma belíssima peça minimalista com duração de cerca de 23 minutos, no Teatro Faialense. Consideras os Açores um espaço inspirador para quem compõe música? Eu adoro os Açores, e acho que é um arquipélago inspirador para qualquer pessoa. Mas também é sabido que os Açores são o berço de compositores importantes como Francisco de Lacerda, Eurico Tomaz de Lima ou, falando de jovens compositores, Ângela da Ponte e Rogério Medeiros. A beleza natural das ilhas, as diferentes características de cada uma, a sensação de espaço quando vamos ao interior de cada ilha, o queijo, o chá, os bolos lêvedos... estas são algumas das coisas que me cativam nos Açores e que me fazem querer voltar sempre que posso. Fernando Nunues

Rich Hopkins and Luminarios

Rich Hopkins and Luminarios é rock de guitarra, enraizado no country e no pop psicadélico. Os Luminarios são um banda de composição variável de três, quatro, cinco ou mais elementos constituída para acompanhar um patrono contemporâneo do rock do deserto, Rich Hopkins. Não editavam um álbum havia quatro anos. A primeira vez que ouvi o tema que dá o nome ao álbum fui tocado pela firmeza deste rock de envolvência nómada. Rock miscigenado no jogo de saídas e de entradas na fronteira Sul dos EUA e na fronteira Norte do

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México. Dois paradigmas geográficos que enrugam duas culturas.

propriamente, fala com ritmo, na tradição de Lou Reed.

El Otro Lado / The Other Side é um tema muito forte e pungente deste último álbum (2010) de “Rick Hopkins and Luminarios”. A influência latina de fronteira é omnipresente. É o “outro lado” transferido com dolência, lamento rouco, grito de confronto, queixa, desassossego, privações.

Isto dá um contexto de informalidade e dolência. Uma ambiência de filme.

Hey amigo Lets get out of this old dirt town There ain’t nothing here just drug lords (…) No hay trabajo No hay pescado No hay frijoles Not even any money (…) Mais do que cantadas as letras são faladas. Frases curtas, sincopadas por arranjos de guitarra e extratos de conversas gravadas nalgum ponto fronteiriço. Rich Hopkins não canta

A voz rouca e gutural de Lisa Novack, lembrando o country-rock nasalado de Lucinda Williams, toma a liderança no tema Lou Reed, mas também aparece ao longo de outras canções, em dueto com Rich Hopkins ou no fundo. A influência latina é central. A trompete de Javier Gamez, que também toca guitarra, traz uma ambiência que também caracteriza a música dos Calexico. Estamos perante rock de fusão, rock do deserto, rock latino-americano. Sonhos perdidos (Land of Broken Dreams): Get up this morning start to get out of this town Moving to Venice for a job, washing dishes for a penny

Sleeping on a couch so bad (…) There’s a lot of places to play, but I can’t pay ‘cause I have no cash So is me and my old guitar on the streets (…) E dignidade na esperança: See my luck’s turned a little sour these days, I can turn it around… A segunda peça central do álbum é o tema de sete minutos “Breathe In, Breathe Out”, a que me atreveria a associar um certo blues psicadélico do deserto. Também este, pelo próprio título, jogo de confronto e de dualidade, onde o protagonista nos leva numa jornada de vida de uma juventude de festas duras e violentas para uma idade adulta onde a espiritualidade ganha sentido. Trata-se de um rock por vezes lento, por vezes cortado e dominado por guitarras elétricas exaltadas lembrando os Crazy Horse e Neil Young. RAS


CiNEMA

Gonçalo Tocha Entrevista

Vindo de Lisboa, Gonçalo Tocha foi visto a aterrar no aeroporto da Horta com um gorro corvino na cabeça. Com o mesmo gorro apresentou o seu filme “É na Terra não é na Lua” no Faial Filmes Fest a uma plateia bem recheada. Ao jantar, no restaurante, o gorro ficou pousado em cima da mesa, ao lado do seu prato.

Andas sempre com o gorro? Sim, estou a vestir o Corvo. Uso-o quando está frio e sempre que mostro o filme também, é como se estivesse a vestir o filme. Algumas ideias do teu filme parecem já planeadas à partida, como a fabricação do gorro... Não estavam planeadas. Sim, mas por exemplo ires buscar fotografias antigas e novas das mesmas pessoas... Então, o que é que estava planeado à partida e o que é que surgiu depois? O filme parte de duas ou três premissas, que no final vão influenciar o resultado do filme ainda que a forma como isso vai ser feito não seja planificada. Uma das grandes premissas é a do arquivo. A mim fascinava-me que numa ilha com uma só comunidade existisse um arquivo tão reduzido, poucos documentos que fossem escritos pelas pessoas que vivem no Corvo. E que aqueles que existiam, tivessem desaparecido, em incêndios na Câmara, na igreja... É toda uma história de uma comunidade de 500 anos que é difícil documentar e a mim interessava-me muito trabalhar essa memória. Mas como uma memória presente, em transformação constante e que acompanho num determinado momento dessa transformação. O Jorge Barros foi um dos fotógrafos que mais fotografou o Corvo e eu fui buscar fotografias antigas ao seu arquivo depois de conhecer as pessoas. Em relação ao gorro, é algo que acontece mais tarde, não foi de todo premeditado, aconteceu... Mas quando o estavas a filmar, já estavas a pensar utilizá-lo desta forma? Não. O gorro era mais um elemento. O que é fascinante em documentário e quando filmamos o acaso da vida, é que as coisas começam a aparecer à frente dos nossos olhos. Aqueles momentos estavam a ser muito intensos porque

nós passávamos muitas horas com a senhora Inês e de repente aquilo transformou-se, já não era só eu a filmar o gorro, era filmar a solidão dela a fazer um gorro e filmar os comentários que nós fazíamos daquilo que filmávamos antes e depois do gorro. Filmámos a matança de porco e dissemos-lhe: “olhe hoje filmámos a matança do porco” e ela “ah pois a matança de porco, agora já se faz no matadouro” ou “hoje filmámos a lixeira” e ela: “ah era a última coisa que vos faltava”... Depois quando ela termina o gorro e mo põe na cabeça diz aquela frase: “agora já és um corvino, agora és um homem do Corvo”. Essa linha do gorro a tecer-se também se tornou evidente na montagem, um pouco como a história da Penélope. Estamos à espera que eu termine o filme, à espera que eu chegue a um ponto, é quase um baptismo. Por isso é que eu agora uso o gorro orgulhosamente, fui baptizado, ela baptizou-me. Eu não acredito muito nas ideias que a montagem é que vai salvar o filme... para mim tudo se decide na rodagem e cabe-te a ti teres a clarividência de perceber e conseguires preservar a magia da rodagem. No fundo, nós que filmamos o mundo, temos é que estar atentos. Já no teu primeiro filme, Balaou, tinhas estas várias camadas, tu não filmas apenas, também comentas o que filmas. Isso aqui acontece de uma forma ainda mais marcada, no próprio filme vemos que mostras o que filmaste às pessoas/personagens e nós sabemos qual é a reacção delas a isso. Também temos a vossa voz-off, essa voz-off foi gravada depois? Não é voz-off, são diálogos. São gravados depois mas são recriações nossas de diálogos que tínhamos durante a rodagem, porque nós vivemos tanto no Corvo e ouvimos tantas histórias e conhecemos tanta coisa e tantas pessoas, que era impossível meter tudo. Havia uma necessidade de dar um presente ao filme e esses comentários servem para isso. São

Tomás Melo

O tempo que este gorro demorou a ser feito não é contabilizável. Duas semanas para a Sra. Inês de Vila do Corvo, três horas para o espectador ou quatro anos que vão desde o ano em que o Gonçalo chegou ao Corvo para filmar até este ano em que o filme saiu para o mundo. O Fazendo foi ao aeroporto fazer-lhe perguntas até à última chamada para o voo Sata Air Açores 571 com destino a Ponta Delgada no qual descolou, sempre encarapuçado. histórias que nos contaram e que até temos gravadas e que eram muito mais fortes. Mas por vezes quando gravas um depoimento estás num passado dramático, não consegues voltar ao presente. Estes nossos diálogos são o presente. Como foram as tuas temporadas no Corvo? Estavas sempre à descoberta da ilha e do filme ou tinhas momentos em que te dedicavas a outras coisas? Não havia momentos de pausa, exceptuando o momento de dormir. Era sempre com a câmara e com o microfone e isso é um dos pontos fundamentais logo do princípio da filmagem: nós temos que ser vistos como o homem da câmara e o homem do som. É assim que a nossa relação tem que ser conquistada e estabelecida. Até nas festas, nos almoços e nos petiscos estamos com a câmara e o microfone ligados, na ideia de que não vamos apanhar nada que eles não saibam. Eles à partida sabem que tudo está a ser filmado, tudo está a ser gravado, cabe-lhes decidir o que é que vai acontecer. Está tudo lançado, é cinema em directo, vamos embora (ri-se). Como é que sentes que foi a reacção dos faialenses ao teu filme? Tenho acompanhado quase todas as apresentações do filme, e percebo que tem uma leitura diferente dependendo do sítio onde é visto. Quem já conhece o Corvo vai olhar para este filme de uma maneira que até pode ser frustrante, está à espera de ver o Corvo que conhece, mas eu nunca tenho a pretensão de dizer que sei o que é que é Corvo ou que o estou a mostrar na sua verdade e na sua pureza. Isto é uma experiência do Corvo, é a experiência da minha passagem pelo Corvo, assumidamente assim. Porque o Corvo, mais do que todas as outras ilhas, é a ilha de onde cada um tem a sua imagem marcada: uns falam muito mal, outros falam muito bem, outros ficcionam a seu respeito. O

Corvo é este sítio, este laboratório onde todos podem projectar a sua visão do mundo... E o filme não tenta explicar o Corvo, mas tenta viver o Corvo. Era a grande viagem que nós queríamos fazer e que pode funcionar com qualquer tipo de público. Na Áustria quando olham para aquelas imagens e vêm os Açores desta maneira, vão pensar “Uau, não sabia que existia”. No Faial vai ser: “eu não sabia que havia pessoas que podiam contar a sua história de uma maneira tão próxima”. Mais do que um filme sobre a ilha é um filme sobre as pessoas. E sobre como as pessoas ou algumas pessoas vivem aquilo tudo. No Corvo, o que é que tu achas que é da Terra e o que é que é da Lua? Da Lua é a imagem fantasiosa que nós podemos fazer de um lugar que está fora do mundo, por ser tão isolado. Mas a vida é sempre a mesma, a humanidade repete-se e a maneira de viver da humanidade é sempre igual, independentemente das circunstâncias. E o Corvo vive desta ambivalência e deste contraste, tem coisas que nós queremos experienciar como únicas, apesar de a vida na Terra ser sempre igual, sempre a mesma. Realizaste dois filmes até agora e ambos estão intimamente relacionados com os Açores, estás a pensar continuar isto ou foi algo que simplesmente aconteceu? Sim, esta é a segunda longa metragem que faço e é a segunda que começa e é filmada nos Açores. A mim só me apetece filmar nos Açores, não me apetece filmar em mais lado nenhum. Agora também não sei o que é que se vai passar... também já fui ao sítio mais pequeno e, ó pá, agora quando vou às outras ilhas parece-me tudo grande, infilmável, não dá para filmar. O Faial, é grande de mais, não consigo. (Ri-se) Tenho que ver se descubro aí qualquer coisa de especial. De certeza que há. Aurora Ribeiro

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de Rui Duarte

‘Os meninos morrem dentro dos homens’

Em 1970, Salazar perecia com 81 anos e Jimi Hendrix, o maior guitarrista de todos os tempos, apartava-se do mundo dos vivos com apenas 27 anos. Nesse ano registaram-se 81461 casamentos e consumaram-se 509 divórcios. Na rádio ouvia-se o “Traz Outro Amigo Também” do Zeca Afonso e o “Avec les Temps” do Leo Ferré. Os mais atentos ficaram a saber que o Nobel da Literatura, Alexander Soljenitsine, se recusou ir a Estocolmo receber o prémio. O Sporting venceu o campeonato nacional e o Brasil arregaçou a “copa do mundo” pela terceira vez consecutiva. Nas ruas do continente e em algumas ilhas circulavam o Ford Capri, o Opel Kadett e o Renault, quase todos de cor cinza ou preta. Aos dezoito anos, um jovem terceirense publicava de forma categórica o seu primeiro livro de poemas intitulado “Os Meninos Morrem Dentro dos Homens”. Dessa sebenta inicial de poemas, evocámos aqui a memória poética de Rui Duarte Rodrigues, conhecido jornalista angrense, desaparecido do nosso convívio no ano de 2004. Dos seus poemas de juventude – o poeta só publicaria mais um livro (“Com Segredos e Silêncios”, 1994) – fica desse uma poesia comprometida com o real, testemunho de um tempo arrebatado em que as palavras se empenhavam em dizer, num comprometimento político-social absoluto. Era, no entanto, um período em que a infância irremediavelmente se perdia para sempre e os sonhos se consumiam nos corpos juvenis que se tornavam velozmente adultos: “Os meninos/ morrem dentro dos homens/ na volúpia escaldante de corpos pegajosos/ em negros e agudos penedos dos profundos abismos do desengano/ na luta do pão/ mel a escorrer das fontes de servidão/ os meninos/ morrem dentro dos homens/ à carícia cada vez mais nostálgica do sol-poente / à descoberta do segredo guardado e resguardado/ e afinal efémero, fortuito e banal.” Será que ainda podemos renascer? Fernando Nunes 6 FAZENDO + 10 A 24 Nov 2011

O jornalista Rui Goulart veio ao Faial a 20 de Outubro partilhar o seu livro – “A Identidade do Olhar”. Quisemos saber mais coisas e fomos conversar com ele.

Rui Goulart

LITERATURA

Entrevista

“A Identidade do Olhar” é um título que parece revelar muito do que é o livro, já que esta obra tem a particularidade de ser um conjunto de poemas mas também de fotografias, ambos fruto do mesmo autor… Sim. Confesso que procurei um título que pudesse dar uma janela do que é o livro. Não é por acaso que a capa do livro é uma janela virada para o mar e o basalto, uma foto tirada numa Casa dos Botes em ruínas que tem muito a ver comigo pela ligação ao mar. N’”A identidade do olhar” a fotografia não é uma legenda do texto; é apenas uma viagem que eu proponho – indico o caminho, mas depois ausento-me e o leitor segue ou não. A fotografia e a poesia são ambas muito subjectivas. Existe uma relação entre as duas neste livro, e eu sei que há a tentação das pessoas a procurarem, mas essa relação não é directa nem tão pouco obrigatória entre o título e corpo dos textos e as fotografias. A relação é pessoal, embora a construção foto-texto tenha sido feita em fases diferentes e nem sequer tenha sido pensada como tal inicialmente. Sei que este livro começou por ser uma partilha na internet. Como é que se deu esse início? É verdade. Penso que este deve ser o primeiro livro na região que nasceu no Facebook. Eu já escrevia, mas só para mim, e passei depois a partilhar um texto acompanhado de uma fotografia, consoante iam “saindo”… Então, surgiu a oportunidade do Banif fazer uma exposição de fotos com este conceito, que passou pelo Pico e por S. Miguel. Depois, surgiu o convite para o livro. Mas, indiscutivelmente, a raiz do livro no seu formato (não na essência) nasceu na rede social. O que é mais gratificante – escrever ou fotografar? Ou um não faz sentido sem o outro? Cada um tem finalidades diferentes. A poesia é um encontro comigo, uma libertação, uma pausa que faço na vida do meu círculo profissional que é muito racional e onde tenho de ter um discurso muito directo, usar a voz activa, ter ausência de adjectivação mas ser criativo nessas limitações. Sinto a necessidade de estar algum tempo a escrever depois com emoção (que tem de faltar no jornalismo para haver objectividade). A poesia é quase uma catarse. Enquanto a poesia é

a pausa, a fotografia é o momento. Momentos que ficam registados e que servem para ver e sentir para além do que vemos. Uso muito esta frase para resumir o livro: a poesia é a fotografia da alma e a fotografia é um poema do olhar.

Esta pergunta é inevitável, apesar de não ter relação directa com este livro: como é que encara este fenómeno, à escala nacional, dos pivots de Telejornal escreverem livros? O serem figuras públicas muito conhecidas é uma forma de promover mais a obra? Em termos práticos, é possível separar o apresentador de televisão do autor? As pessoas terão sempre uma reacção… Nem que seja “Não sabia que ele escrevia!”… Não vou negar – apesar de não ser o meu caso! – que há um oportunismo a nível nacional, um aproveitamento do ser-se figura pública para se publicar livros. Normalmente, são romances ou biografias; não conheço nenhum que tenha publicado poesia ou fotografia. Muitos deles publicam para ganhar dinheiro também. Tenho plena consciência de que fiz exactamente o oposto com este livro – em vez de aproveitar o mediatismo (se é que posso falar em tal nos Açores) para escrever, esta partilha é a fuga ao mediatismo. Aqui, fujo à pressão e à exposição do jornalismo. Gosto de estar no mundo das emoções e do silêncio, de me encontrar comigo, porque a felicidade está dentro de nós… Não tenho objectivos comerciais com este livro. Quero partilhar, porque partilhamos pouco no mundo. E também quero sublinhar isto - eu não

escrevo para a Literatura; escrevo o que sinto. Não escrevo para marcar, para entrar no campo da análise ou para entrar nesse mundo restrito que é o mundo literário. Escrevo as minhas emoções. Não estou preocupado com a crítica literária. Porque posso garantir que tudo o que ali está é genuíno e não fabricado e era essa genuinidade que me interessava. Estou consciente das minhas limitações enquanto escritor, quero dizer, não é por aí que quero realizar-me. Há uma citação de Alberto Caeiro que abre o livro dizendo “Ser poeta não é uma ambição minha / é a minha maneira de estar sozinho.” Não é paradoxal que essa forma de estar sozinho (que é fazer poesia) seja ao mesmo tempo uma forma de se dar a conhecer, partilhando? …É. Isso não está aí por acaso. A poesia é a minha forma de estar sozinho mas, ao mesmo tempo, penso que vivemos numa sociedade pouco partilhável, e que não devemos ter medo de partilhar. Pode ser paradoxal o facto de partilhar poemas… Como diz o Lobo Antunes, a partir do momento em que o livro “sai”, ele deixa de ser meu. Mas não deixa de ser o meu modo de estar sozinho, porque os textos foram construídos solitariamente e a minha ambição quando eles foram feitos não passava por ser poeta… Eu próprio estou a interrogar-me sobre essa paradoxalidade agora, porque nunca me tinham feito essa pergunta! Mas é isso – vivemos numa sociedade de imagens e de aparências, onde há imenso medo de mostrar as emoções… Além disso, surgiu esta oportunidade, a reacção das pessoas foi boa e gosto da ideia de ter este registo para mais tarde sorrir … perante a seriedade e a entrega com que os fiz. Estes textos são momentos e olhares interiores, alguns exteriores, alguns até de notícias que dei e transformei aqui … Podemos contar com mais livros no futuro? Não sei. Prefiro saborear o momento. A nível de livros, gostava de fazer outro projecto, sem ser necessariamente poético; pode até passar pela área do jornalismo. Mas a época é de crise; os livros, para muitos, não são bens de primeira necessidade… Não gosto de pensar no futuro, mas tenho esse sonho, que já deixou de ser utopia. Carla Cook


exagero meu. Também vivem sem uma Praça com desenho de praça.

flamengos O nome de uma freguesia com história da ilha do Faial. Uma história que chegou pelo mar vinda da Flandres. Famílias flamengas em momento aflito imigraram para o recente arquipélago colonizado por Portugal. Outros tempos, ou, talvez não, a aflição parece ser a condição da condução Humana! Flamengos, Freguesia com muitos fregueses espalhados por um vale que sobe, sobe até à Caldeira. Quase todos os flamenguenses vivem nas terras baixas e férteis do vale.

Sem mar e horizonte a olho nu, e mais protegidos dos ventos que correm vale acima, vale abaixo. Os flamenguenses vivem em casas quase novas, com uma ponte bonita, uma ribeira outrora animada, com um campo de futebol e muito orgulho no clube, vivem em ruas bem e mal asfaltadas, vivem com o santo padroeiro S. João e com a sua Ermida a caminho da Caldeira. Os flamenguenses vivem com a memória longínqua do último sismo uma vez que o simbólico símbolo desse momento foi demolido – a Igreja da Nossa Senhora da Luz (já tinha passado por muito desde que foi construída, mas nunca tinha sido reduzida a nada!). Portanto, os flamenguenses vivem sem Igreja e sem símbolo e quase sem memória, ou talvez seja apenas

Vivem ao longo de ruas entre muros e dentro de casas quase novas. E encontram-se no campo de futebol, na sede da reconhecida internacionalmente e aplaudida Filarmónica Nova Artista Flamenguense e nos bailes que decoram anualmente as festividades da Freguesia. Encontram-se, também, nos passeios junto às casas, mas não se vêem muitas pessoas nos passeios. Aqui, nos Flamengos, chove muito. Tudo que não é telhado ou asfalto é verde. Quase todo o verde é pasto. O que agora é monocromático em tom de pasto, foi outrora policromático em tons agrícolas. Na minha perspectiva, os Flamengos são a primeira Freguesia Periférica da Horta (mas a sua origem é contemporânea à cidade), contribuindo para a urbanidade e “progresso” da Cidade! Se vivêssemos em S. Miguel já circulávamos numa SCUT para subir o vale, ver o mar e olhar o Pico. Os Flamengos têm muito nevoeiro e muito potencial. Albino

Aqui no Faial andamos sempre em fila indiana Se ouvirem falar de uma ilha em que todas as casas estão voltadas para a estrada, em que as freguesias se resumem a um troço da estrada nacional e em que as ruas têm passeios úteis apenas para filas indianas, não pensem que essa ilha é estreita e comprida tal como SãoJorge. Este problema não é recente, em 1882, Alice Baker “Um verão nos Açores e a Madeira de relance”, salienta que as ruas da cidade da Horta são

muito estreitas e pavimentadas com pequenos blocos de pedra oblongos, enquanto os passeios são, muitas vezes, não suficientemente largos para duas pessoas andarem de frente, levemente levantados na rua.

Mas podemos continuar assim, anos e anos a andar em fila indiana, ninguém vai morrer disso. Tomás Melo

Urze

Fernando Correia

arquitectura

A minha freguesia mora numa ilha

^ ciEncia e ambiente

Nome comum: urze, vassoura, mato, barba-de-mato Nome científico: Erica azorica Família: Ericaceae Origem/Distribuição: Endémica dos Açores (presente em todas as ilhas) Características: árvore de porte arbustivo, ou arbusto, de folha perene, em que a sua copa pode atingir os 6 metros de altura e um diâmetro de 1 a 2 metros de largura. As folhas são bastantes curtas e estreitas como agulhas (4 a 7 milímetros,) e a época de floração é normalmente entre Julho e Agosto. Flor de cor branca com partes vermelhas. Localização na ilha: observá-la até aos 2000 metros de altitude (apenas no Pico) ou mesmo em zonas costeiras. Na ilha do Faial encontram-se exemplares fenomenais no trilho pedestre “Cabeço Verde - Cabeço do Canto”. Curiosidades: de madeira rija, esta planta conhecida por vassoura, obteve este nome tradicional pelo facto de as suas folhas e ramagens terem em tempos sido utilizadas para o fabrico artesanal de vassouras. As plantas pertencentes à família das ericáceas são normalmente calcífugas (fogem de solos calcários), o que significa que preferem solos ácidos, característica comum em regiões de origem vulcânica. As suas folhas bastante curtas permitem resistir tanto a ventos fortes e frios como a elevadas temperaturas, e ventos salgados fortes. É umas das espécies endémicas protegidas dos Açores. Nuno Rodrigues

O que é que podemos fazer? Ou arranjamos espelhos retrovisores para instalar nas orelhas, ou andamos sempre de carro, onde podemos sempre levar alguém ao lado, no lugar do morto.

Mano

7 FAZENDO + 10 A 24 Nov 2011


FAIAL

Agenda

PICO

Sex_4 a Qua_30 Nov.

Sex_11 Nov.

16h30 às 20h Banco de Portugal PRESÉPIOS EM BASALTO | Escultura

21h Auditório Municipal das Lajes do Pico VELOCIDADE FURIOSA 5 filme de Justin Lin

Sex_11 Nov. 21h30 Biblioteca Pública RECITAL DE PIANO com Joana Gama

Sáb_12 e Dom_13 Nov. 21h30 Teatro Faialense VELOCIDADE FURIOSA 5 filme de Justin Lin

Sábs_12, 19 e 26 Nov. 10h às 12h Museu da Horta TÉC. DO MOSAICO e SABONETES atelier

Dom_13 Nov. 17h00 Teatro Faialense CARROS 2 filme de Brad Lewis

Qui_17 Nov. 21h Biblioteca Pública HORTA – ARQUITECTURAS, URBANISMOS E HISTÓRIAS com o Arq. Tomás Melo conferência

Sex_18 Nov. 21h Biblioteca Pública ANTES QUE O SOL ACABASSE de Mário Machado Fraião lançamento do livro

Sáb_19 e Dom_20 Nov. 21h30 Ι 17h00 e 21h30 Teatro Faialense HARRY POTTER E OS TALISMÃS DA MORTE: PARTE 2 filme de David Yates

21h30 Câmara Municipal da Madalena SARAU DE POESIA com Cecília Jorge e Susana Moura

Sáb_12 Nov. 15h Adro do Convento de São Pedro de Alcântara - Cais do Pico MERCADO DE TROCAS 18h Auditório Municipal das Lajes do Pico CARROS 2 filme de John Lasseter

Qui_17 Nov. a Sex_30 de Dez. 8h30 às 16h30 Câmara Municipal da Madalena Exposição de PINTURA “PORTUGAL INTEMPORAL” de Fátima Madruga

Sex_18 Nov.

Ficha Técnica FAZENDO - DIRECÇÃO Jácome Armas Pedro Lucas Aurora Ribeiro Tomás Melo COORDENADORES TEMÁTICOS Albino, Anabela Morais, Carla Cook, Fernando Nunes, Filipe Porteiro, Helena Krug, Luís Menezes, Pedro Gaspar, Pedro Afonso, Rosa Dart, Tomás Melo

O TEATRO E AS CRIANÇAS… AS CRIANÇAS NO TEATRO 9h - Escola dos Fetais 11h - Soc. Fil. Liberdade Lajense 14h - Centro S. Cultural e R. da Silveira

CAPA Inês Ribeiro “Os meus dias em algumas horas”

21h Auditório Municipal das Lajes do Pico HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE 2 filme de David Yates

REVISÃO Sara Soares

Sáb_19 Nov.

SEDE Rua Rogério Gonçalves, nº 18 9900 Horta

21h Sede da ACPJI – São Roque Projecção de DIAPOSITIVOS DE TERESA ARRIAGA com acompanhamento musical por “Dá-lhe Gás no Som”

PERIODICIDADE Quinzenal

Qui_24 Nov. a Seg_5 Dez. EB1/JI do Concelho das Lajes Ateliers de EDUCAÇÃO PARA A CULTURA

COLABORADORES Inês Ribeiro, Mano, Nuno Rodrigues, RAS, Victor Rui Dores

PROJECTO GRÁFICO Lia Goulart PROPRIEDADE Associação Cultural Fazendo

TIRAGEM 500 exemplares IMPRESSÃO Gráfica O Telégrapho CONTACTOS vai.se.fazendo@gmail.com fazendofazendo.blogspot.com 967567254

Gatafunhos Tomás Melo


fazendo 68