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23 Julho 2009 Quinta-feira

Edição nº 22 | Quinzenal Agenda Cultural Faialense DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Boletim do que por cá se faz.

FAZENDO

Pense.


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COISAS... compostas

FICHA TÉCNICA

Fazendo - Capítulo I Iniciou-se o Fazendo com o Outono passado. Chegados ao meio do Verão decidimos dar por encerrado o primeiro ciclo deste nosso boletim e fazer uma pequena pausa antes de regressarmos novamente com a estação das frutas (a comunicação social mais ligada à cultura chama-lhe reentrèe). Fim de um ciclo, dizemos. Primeira etapa de um percurso que nos atrevemos a chamar colectivo – e assim o queríamos. Seguindo um paradigma recente de informação democratizada, pretendeu-se estimular a comunidade a criar mais oferecendo-lhe uma janela para mostrar essas criações. Simultaneamente fomentou-se a partilha de conhecimentos e discussão daquilo que outros fazem, noutras comunidades, para que possamos integrar esses elementos novos naquilo que fazemos. Na primeira edição afirmávamos não ter “jornalistas creditados, profissionais peritados ou críticos conceituados”, somente uma vontade de fazer e de crescer colectivamente que, achamos nós, foi bastante partilhada ao longo deste ano. No entanto, pode e deve ser mais. Cultura e ciência, duas disciplinas que ao longo da história mantiveram um diálogo constante - ora servindo a ciência como matéria da arte, ora a arte

aproveitando-se dos progressos da ciência para veicular a sua expressão – foram o objecto escolhido. Não gratuitamente, diga-se. Pode-se entender a cultura como espelho social e individual, meio de reflexão e até de educação. Embora muitos a achem supérflua é inegavelmente uma constante no quotidiano, quer nos objectos a que agora chamamos artesanato e que um dia foram instrumentos de trabalho imprescindíveis, quer mais recentemente na música que não podemos deixar de ouvir quando vamos ao supermercado, nas esculturas que adornam rotundas, no design inerente a qualquer publicação ou até numa certa plasticidade artística que subtilmente vai sendo utilizada por alguma telepublicidade mais arrojada. Querendo ou não, vivendo numa sociedade ocidental (ou ocidentalizada), atrevo-me a dizer que a cultura é algo que está praticamente em toda a parte e que é impossível não consumir. Ora, utilizando uma analogia dietética, qualquer pessoa compreende que aquilo que come é literalmente o que vai constituir o seu corpo e daí se compreender a necessidade de algum cuidado com os alimentos escolhidos. Saber escolher, filtrar e interpretar o que irá ser alimento dos res-

tantes sistemas que não o digestivo, torna-se imperativo para cuidar de outros tipos de saúde não menos importantes. Nem toda a gente tem de saber quem foi Schubert da mesma maneira que um erudito em Sartre não tem de saber arranjar o carro. A quantidade de informação e de estímulos é cada vez maior e a necessidade de escolher e filtrar, inevitável. Alguma atenção a esse bicho estranho da cultura, como ao menos estranho que é a ciência, pode contribuir para essa melhor saúde, penso. O próprio exercício criativo ajuda a pôr as ideias em ordem. Para finalizar, que o esforço no sentido de uma comunidade em crescimento (pelo menos qualitativo) seja cada vez mais partilhado e que se abandonem preconceitos que para isso em nada contribuem - o de elitismo da cultura à cabeça. Até à “reentrada”, em setembro, agradecemos a todos os que participaram neste projecto, e mais uma vez deixamos aqui um braço estendido e um convite reiterado para que mais o vão fazendo.

Pedro Lucas

Chegadas, Arrivals, Arrivées... profissão CASA: no veleiro Banta, um país mágico e móvel Porque vieram?

Foi o vento que nos trouxe. O nosso barco não tem motor, viemos com o vento. Tentávamos chegar aqui mas se o vento não deixasse iríamos para outro lugar. Queríamos vir para cá porque já cá tínhamos estado com outro barco e fizemos um amigo, o Emídio, do Capitólio. Voltámos para o visitar no nosso barco.

Porque quiseram ficar?

Nós não quisemos, nós só ficámos, simplesmente. Queríamos fazer uma passagem rápida, só para arrumar o barco, tirá-lo da água e arranjá-lo. Depois fomos ficando, conhecendo a cidade, surgiu a hipótese do atelier e exposições, amigos, tudo. Ficámos pela graça divina do SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras), foi difícil porque não tínhamos cartão de crédito, nem conta bancária nem seguro, nada...

pessoas aceitam-se umas às outras, o contacto é feito de ser humano para ser humano e não de uma forma regulamentada, não de uma forma institucional. Isso é uma coisa marcante aqui. A mim (Pedro) me gusta el espírito portugués. Os portugueses são directos tanto para apreciar como para desapreciar. O relacionamento com portugueses é claro. Não é como com um inglês que nunca sabes o que pensas ou um francês que é sempre bem-educado mesmo que te despreze.

Do que é que não gostam aqui?


De entrevistas. A mim (Pedro) me gusta todo. Não temos críticas realmente.

Que conheciam dos Açores antes de chegarem pela primeira vez?
 Sabíamos algumas coisas, eu (Marianne) tinha um amigo, Raimundo Caruso, que vive no sul do Brasil. Ele é escritor e escreveu sobre os Açores. Através do livro eu tive acesso a alguns detalhes que depois vim a constatar aqui, como por exemplo haver quartos das casas das pessoas para alugar aos visitantes.

NOME: Marianne Burmeister e Pedro Solá IDADE: -8 e 485 anos
 Até quando?
 ORIGENS: Marianne é uma ilusão de O que encontram de especial aqui?
 óptica e o Pedro produto da imaginação A tranquilidade. Os miúdos tomando banho no Até amanhã, muito obrigado. Ou até que se vendela porto e brincando esconde-esconde na praça - dam todos os quadros da exposição! (risos) DATA DE CHEGADA: Agosto de isto resume a tranquilidade da cidade, não há Aurora Ribeiro 2008
 medos. E o acolhimento. Gostamos porque pohttp://ilhascook.no.sapo.pt PROFISSÃO: O Pedro é pintor de bar- demos criar os 10 filhos que vamos ter aqui se cos e a Marianne ainda está a escolher o SEF autorizar. E por ser um lugar pequeno as

FAZENDO Isento de registo na ERC ao abrigo da lei de imprensa 2/99 de 13 de Janeiro, art. 9º, nº2. DIRECÇÃO GERAL Jácome Armas DIRECÇÃO EDITORIAL Pedro Lucas COORDENADORES TEMÁTICOS Catarina Azevedo Luís Menezes Luís Pereira Pedro Gaspar Ricardo Serrão Rosa Dart COLABORADORES EXECUTIVOS Aurora Ribeiro Sara Soares Tomás Silva COLABORADORES Ana Correia Ecoteca do Faial/Oma Filipe Moura Porteiro Ilídia Quadrado Pedro Monteiro GRAFISMO Vera Goulart veragoulart.design@gmail.com LOCAL DE PAGINAÇÃO Açores ILUSTRAÇÃO CAPA Francisco Silva PROPRIEDADE Associação Cultural Fazendo SEDE Rua Rogério Gonçalves, nº18, 9900-Horta PERIODICIDADE Quinzenal Tiragem_400 IMPRESSÃO Gráfica O Telegrafo, De Maria M.C. Rosa CONTACTOS Vai.se.fazendo@gmail.com http://fazendofazendo.blogspot. com DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

“Sex Protector II”

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Cinema e Teatro DESCULPA PÁ PIPOCA OU MORRO, OU FICO MELHOR

“Um filme muito realista e ao mesmo tempo muito estranho, quase irreal…”

Acabou de chegar às salas portuguesas o último filme de Laurence Ferreira Barbosa. A história de Ou morro, Ou fico melhor é sobre a relação de uma mãe com o seu filho, que juntos vivem uma relação de exclusividade. O tema é a emancipação do filho, e como uma mãe e um filho podem ter uma relação funcional, mesmo sofrendo de uma de-

pendência um com o outro e, ao mesmo tempo, sentem a necessidade de se afastarem. À medida que se avança na adolescência, o modo como uma mãe deixa os filhos partir, deixando-os separarem-se, aceita-se os seus caminhos e o adolescente aceita deixar o ninho. Nesta situação, a mãe encontra-se sozinha com o filho. Ambos são seres frágeis, social e afectivamente. A questão aqui é saber como é que se vai progredir a partir daí. A Mãe e o filho apoiam-se mutuamente, só que essa aproximação exaspera-os. Laurence Ferreira Barbosa nasceu em França, em 1958, desenvolvendo mais tarde estudos em Cinema na capital francesa. Dois anos depois de ter terminado o curso, começou a trabalhar na Gemini Films, desempenhando várias funções. A sua primeira longa-metragem Les gens Normaux n’ont rien d’exceptionnel (1993) aborda a fragilidade entre o que separa a sanidade e a loucura, num retrato de uma jovem mulher que se encontra num hospital psiquiátrico. Valéria Bruni-Tédéschi revela a sua primeira extraordinária interpretação no filme, conquistando vários prémios em festivais de Cinema pelo o mundo. Venceu o Leopardo de

Bronze em Locarno, o Prémio Cyril Collard e o Prémio Georges Sadoul. Em 1994, Laurence Barbosa realizou Paix et Amour, parte integrante da série televisiva do Canal Arte, Tous Les Garçons et Les Filles de Mon Age. A sua mais recente obra, Ou Morro ou Fico Melhor retrata com grande sensibilidade a adolescência problemática de três jovens nos subúrbios franceses. “A forma como Barbosa aborda o filme está sensivelmente ligada a neuroses sexuais, emocionais e aos prazeres dos adolescentes. E o filme dela junta-se, finalmente, a um trabalho limpo e invulgar de expressão cinematográfica sobre o desejo natural pela experimentação e transgressão daquela idade” - escreveu Wally Hammond no “Time Out London” – Um filme curioso, e a não perder…

Luís Pereira

Já foi visto...

À VISTA

Eu Vos Saúdo, Maria Jean-Luc Godard

Shirin

Abbas Kiarostami Cento e catorze actrizes iranianas e uma estrela francesa: espectadoras mudas da representação teatral Khosrow e Shirin, um poema persa do século XII, encenado por Kiarostami. O desenvolvimento do texto – que sempre apaixonou os espectadores na Pérsia e no Médio Oriente – permanece invisível para o espectador do filme. Toda a história é contada pelos rostos intensos e belos das mulheres que assistem ao espectáculo. Um mapa de ricas e pungentes emoções. A história de “Shirin” é a de uma princesa que, enamorada de um homem que não é o escolhido pela família para o seu casamento, luta para ser ela a decidir o seu destino e assume as trágicas consequência do seu acto. “É uma história melodramática e, por isso, nunca passará de moda”, afirmou o realizador, na opinião do qual este é o projecto “mais cinematográfico” da sua carreira. L.P.

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Consultórios de Deus Claire Simon

“Um filme sobre tudo o que quis saber sobre as mulheres… mas nunca ousou em perguntar”. A película esteve na Quinzena dos Realizadores no Festival de Cannes de 2008. Realizado pela londrina Claire Simon, o filme “é a fotografia das nossas vidas – a ambivalência, a dificuldade em optar, como não nos é estranho o acto da escolha, o impacto das nossas decisões nas nossas relações com os homens, e a consequência destas escolhas.” - refere a realizadora na sua Nota de Intenções. Para Emely Barnett, crítico de cinema, “Em Consultórios de Deus” – “ não há só um Deus, mas vários, e cada um procura o seu.” Vejam, quando cá chegar… L.P.

A Estávamos a meio da década de oitenta, e a igreja católica, não tinha mais nada que fazer na altura, do que tentar censurar este brilhante filme do Mestre Godard. A Igreja, considerava então, “aviltante a aparição na tela de uma Maria actual, jovem, bela e que fica nua.” O comportamento da igreja, acabou por ser a melhor promoção para o filme. Numa das idas a Lisboa, lá está, fui ao Quarteto, e vi então o filme pela primeira vez. O filme é genial, bonito, e não contém nada contra qualquer símbolo religioso. A poesia do filme arranca a partir do momento em que uma personagem, no início, dança divinalmente, gerando imagens que ficam retidas na mente de cada espectador. Godard não é apenas Godard na polémica, mas no seu estilo inconfundível, enveredando pela divagação e reflexão, exigindo do espectador uma certa subtileza e uma mentalidade aberta... Ao transpor a génese do catolicismo para os dias de hoje (Maria e José são um simples casal – ele taxista, ela trabalhando no posto de gasolina do pai – vivendo numa grande cidade e com os mesmos problemas que todos temos) e dar a esta génese uma visão de inconformismo com as directrizes escolhidas por Ele sobre as nossas vidas, Godard questiona o significado da religião, para todos nós, nos dias de hoje. O que faria se fosse Maria ou José? Teria o filho? Abandonaria todos os seus sonhos e desejos para dar à luz (Maria) e cuidar do filho (José) d’Ele? Um filme sempre actual. Jean-Luc Godard é um cineasta vanguardista e polémico. É também um dos principais nomes da “Nouvelle Vague”. L.P.


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COMICHÃO NO OUVIDO Música

ENTREVISTA A MANUEL JOÃO VIEIRA Manuel João Vieira, pintor e músico, Presidente da Fundação Orgasmo Carlos e figura incontornável dos Ena Pá 2000 e Irmãos Catita, está de passagem pelo Faial, como formador na oficina de pintura que a Hortaludus está a levar a cabo desde o passado dia 13 de Julho no Teatro Faialense. Esta oficina, que termina esta sexta feira, dia 24, teve como objectivo desenvolver as capacidades criativas dos formandos, dotando-os de ferramentas práticas e teóricas para a expressão plástica, e culminou na pintura colectiva de uma tela gigante com 5 metros de largura, que ficará exposta no átrio tardoz do Teatro Faialense. Aproveitando a sua passagem pelo Faial, o jornal Fazendo entrevistou Manuel João Vieira, e o resultado foi este: F: Qual é o teu percurso académico na arte? MJV: Até á ESBAL pratiquei, desde tenra idade, de uma forma ininterrupta, o desenho na forma de histórias aos quadradinhos. Fiz um curso, ainda no Liceu, de Ilustração com a Maria Keil, depois durante o 12ª outro, de desenho de modelo, na S.N.B.A. (sociedade nacional de belas artes) e por fim acabei o curso da E.S.B.A.L. (Escola superior de belas Artes de Lisboa) Depois disso dei umas aulas de desenho e geometria descritiva ( ou indescritível, para os amigos), nos famosos cursos da C.E.E. Cheguei a entrar para dar aulas no Liceu, mas ao verificar o horário que me tinha calhado e vendo que teria que dar aulas todos os dias seis horas por dia, porque faltava um professor, desisti cobardemente, para me dedicar a uma vida de vício. Ainda por cima ficava ao lado do jardim Zoológico, uma localização das mais agradáveis. F: Como é que saltaste para a música? MJV: Já tinha um grupo para-musical numa estação falsa de rádiopirata durante a pré-puberdade. Fui aprendendo com o pessoal do bairro. Só prái para os 16 anos é que me inscrevi na academia dos amadores de música. F: Qual foi o teu primeiro projecto musical? MJV: O primeiro, mesmo com concertos ao vivo e tudo, foi a “Banda Almôndega”, quando me surgiram os primeiros pêlos na face. Uma cena muita freak e muita fixe. F: Como surgiram os Ena Pá 2000? MJV: Na sequência lógica do abandono por toda a gente da “banda

Almôndega”, que se inspirava numa ideologia baseada num amanhã radioso que estava a insistir em não se manifestar (a sinceridade sincera e aberta, a fraternidade entre toda a humanidade, o amor livre, etc). Era forçoso um grupo que seguisse o caminho do cinismo, da obscenidade, do infantilismo, da maldade, como reacção à ressaca da revolução. F: Em que sítio gostaste mais de tocar até hoje? Porquê? MJV: A verdade é que não me lembro, porque normalmente acabo os concertos quase em coma alcoólico, de resto, nunca bebo. Mas gostei muito do anfiteatro de S. Roque, quando lá fui com os Ena pá, Isto sem querer dar graxa. F: Como está para ti o panorama musical português? MJV: Acho que está porreiro, como sempre. Às vezes fico um pouco farto de algumas tendências um bocado coladas ao “que de melhor se faz lá fora”, como se dizia no antigamente, ou a grupos que se limitam a plagiar as ideias dos outros, mas de resto o panorama é panorâmico. F: Que livro estás a ler? E que livro aconselhas? MJV: Neste momento um ensaio chamado “crítica da razão cínica”, que roubei, cujo autor se chama Peter Sloterdijk, Um do Baudrillard chamado “ The conspiracy of Art”, a história de Arte do Gombrich e o tratado de pintura do Leonardo da Vinci, Mas espero acabar estes livros depressa porque apetece-me ler uma coisa mais linda, tipo Camilo Castelo Branco, que aconselho vivamente, o Pato Donald, ou qualquer livro da colecção vampiro (sobretudo com as impressionantes capas surrealistas) F: E um disco de consumo obrigatório? MJV: Como sempre, estas perguntas, quando se reduzem à unidade, são quase impossíveis de responder. Qualquer disco do “Bola de Nieve” serve. F: Há uma envolvência promíscua entre a pintura e a música? MJV: No meu caso pessoal de pintor e desenhador nem sequer há uma envolvência (a não ser o facto de passar as horas de trabalho a ouvir música). São coisas clinicamente separadas. Dentro das Artes plásticas, o projecto “Orgasmo Carlos” segue mais essa tendência, na área da performance, e da instalação. F: Quem é Orgasmo Carlos? MJV: Um personagem imaginado para conduzir uma marcha que diz que “O rei vai nú”, no campo das artes ditas contemporâneas. É também um projecto artístico, ora colectivo, ora pessoal.

desenho e pintura. Espero que tenha servido de alguma coisa, os trabalhos colectivos conseguidos serão um testemunho disso. Acho que há pessoas com vários tipos de formação e com relações e experiências muito diferentes com a pintura, pessoas com muito talento que só precisam de um pretexto para deixarem sair coisas cá pra fora. Gostaria que este atelier servisse para que isso acontecesse mais vezes. Pessoalmente, acho que aprendi muito com esta oficina. F: Os novos pintores formam-se, ou a arte é a expressão natural do ser humano? MJV: Há quem diga que a arte é, desde a raiz, uma convenção, mas eu acho que corresponde a um crescimento natural (teríamos que definir o que é natural no cultural). Depois existem vários sistemas de representação, vários modelos, disciplinas, técnicas, media. Hoje em dia, quem quer fazer arte pode achar o caminho algo confuso, porque tudo é possível, ao ponto de haver alguma confusão (desde), no plano formal, entre o que é realidade e o que é arte. Acho que um estudo da história da Arte e dos vários sistemas e convenções a ela associados desde a pré-história à contemporaneidade são instrumentos importantes para o artista. Acho que, inclusivamente, um pouco de uma abordagem académica (no sentido antigo, porque hoje a academia é a antiga vanguarda) pode ser útil. É preciso ver muito e praticar muito, para começar, e atirar em todas as direcções até se perceber qual é a nossa “presa”. F: Que impressões do Faial levas na mala? MJV: Infelizmente passei o tempo todo a dormir ou bêbado. Não, a sério, já cá tinha estado e é com grande pena minha que não tenha visto tudo o que há para ver. Espero regressar. A ilha é uma maravilha. F: O que é que te surpreendeu mais nestes dias de Faial? MJV: A confusão entre as estações, o vulcanismo, o porto, a calma, a sociedade de amor á Pátria, o vulcão dos Capelinhos, O mar, a vista do pico, um certo ambiente de pequena cidade organizada, humana, de outrora, que tem desaparecido no continente, onde as cidades são vítimas constantes de aberrações arquitectónicas F: O que é que gostarias de fazer que ainda não tenhas feito? MJV: Além de ir a Marte, gostava de ganhar o prémio de mérito agrícola, a grande cruz de guerra, plantar uma árvore, escrever um livro, ter uma criança, saber dançar o fandango, viajar no tempo, falar com os animais, ter o dom da invisibilidade, voar, ter visão de raios-x, não me preocupar com o amanhã, ter o dinheiro do Ronaldo, Ser um filantropo das artes, conseguir coçar a orelha com os dedos dos pés, etc, etc.

F: Que balanço fazes da oficina de pintura que vieste dirigir? MJV: Um curso de duas semanas é naturalmente limitado. Este atelier visava pôr as pessoas a trabalhar em grupo numa tela de enormes dimensões, aprendendo nesse processo elementos de técnica da pintura a óleo e, aqui e ali, algumas noções básicas de

Fausto

Resistir é Vencer

À DESCOBERTA

José Mário Branco 2004

Andrew Bird and the Misterious Production of Eggs Andrew Bird 2005

Andrew Bird é um músico natural de Chicago. É um daqueles músicos completos que se dedicam à composição, e que arranjam, cantam e tocam as suas próprias músicas. “The Misterious Production of Eggs” é um dos seus vários álbuns, e não sendo o mais recente (Noble Beast é o seu último), é para mim talvez o melhor. À partida, parecendo de carácter retro, este disco é virado para a frente, pela conjugação das parcelas sonoras exploradas, todas elas já antes ouvidas, mas manipuladas com mestria, inovação e extremo bom gosto. Em termos de sonoridade, pareceme ter um pouco de influência de Beatles, Don McClean dos anos 60 e dos Flaming Lips, mais actuais. As melodias são aparentemente simples e indubitavelmente bem feitas. A ouvir. F.

Desde “Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades” de 1971, que José Mário Branco se tornou uma figura romântica de lutador e resistente aos ditames retro-sociais e hipócritas, e como poucos o expressa nas suas músicas e letras sobejamente bem elaboradas e cheias de mensagem. No período pré 25 de Abril de 1974, ao lado de Fausto Bordalo Dias, Sérgio Godinho e claro, José Afonso, foi um dos pilares da nova música portuguesa, quando grande parte da juventude da época se alinhava pela música anglo-americana. “Resistir é Vencer” é um dos grandes discos portugueses desta década, obra imperialmente ignorada pelos media, como aliás é um hábito a que estamos destinados. A dedicatória por ele inserida no disco é já por si uma mensagem forte, e expressa o que esteve na base deste trabalho: “O título RESISTIR É VENCER, lema da luta do povo de Timor-Leste durante a sua resistência de 25 anos ao exército indonésio, foi escolhido à luz da percepção, adquirida durante uma estadia nesse novo país, de que ele ultrapassa, e muito, a mera palavra de ordem política. É um lema ético que assenta bem àqueles que, sendo poetas ou criadores artísticos, travam uma luta dura, desigual e ininterrupta contra os seus próprios limites e os do mundo que os rodeia. É porque a história, o discurso e o coração dos resistentes timorenses me ensinou isto que eu lhes dedico este álbum de canções.”F.


Arquitectura e Artes Plásticas PVC 1.º CONCURSO DE ARTES PLÁSTICAS EM PORTO PIM - PORTO PIMTADO Este concurso está aberto a obras individuais de autores com idade superior a 15 anos visando assim incentivar simultaneamente a participação de pessoas já familiarizadas com a expressão artística e o surgimento de novos artistas. Cada autor poderá apresentar até 3 obras em qualquer categoria que deverão ser entregues no edificio do Centro do Mar até ao dia 25 de Agosto de 2009. Prémios Serão atribuídos prémios distinguindo as 3 melhores obras de cada modalidade:

A Baía de Porto-Pim e a sua área circundante possuem um encanto e uma riqueza histórica, cultural e paisagística capaz de potenciar e estimular a expressão artística e criativa. O Observatório do Mar dos Açores (OMA) organiza este ano o 1º Concurso de Artes Plásticas de Porto Pim. Esta iniciativa pretende estimular a criatividade e originalidade da população local e dos visitantes da ilha do Faial para que, sensibilizados pelo espaço geográfico desta paisagem invulgar, se expressem através da Pintura, Escultura e Fotografia. Os trabalhos deverão centrar-se na Baía de Porto Pim, Monte da Guia e Monte Queimado, explorando de forma criativa os seus motivos e elementos inspiradores, nomeadamente o património natural e histórico, o ambiente marinho e marítimo, a paisagem natural e o elemento humano.

Pintura: 1º Prémio - Prémio Banif – 200€ - 1 Telemovel TMN Bluebelt - Vale 50€ em material no Atelier Íris Horta 2º Prémio - Viagem de Whale Watching (Peter) - Jantar para 2 pessoas na Taberna de Pim 3º Prémio - Vale SPA de 60€ na Clinica da Beleza Escultura: 1º Prémio - Prémio Banif – 200€ - 1 Rebarbadora 230 Profissional (Teófilo, SA) - 1 Telemovel TMN Nokia 1208 2º Prémio

À PROCURA

Nikias Skapinakis Dado à pintura, à litografia, à serigrafia e à ilustração, Nikias Skapinakis começou por estudar arquitectura nas Belas Artes de Lisboa, curso que deixou por concluir. Rapidamente resolveu enveredar por caminhos autodidactas. Nasceu em Lisboa em 1931 e o seu nome devese a ascendência grega. Em 1948 mostrou-se pela primeira vez, na Exposição Geral de Artes Plásticas. Continuou a participar nestas exposições até 1955, sendo para si uma motivação, mais por se oporem à ditadura Salarista, do que por serem uma afirmação pública de NeoRealismo português. A sua obra foi evoluindo ao longo dos anos de forma diversa. Inicialmente, cenas realistas eram tratadas de forma expressionista, a tons cinzentos e castanhos, conferindo um ambiente mágico e solitário. A partir daí começou a simplificar as suas imagens, acabando por dissimular a magia mas manter a solidão. Os volumes foram-se perdendo, os contrastes aumentando, as cores purificando. Acentuam-se as semelhanças com colagens de planos coloridos, formando imagens, pessoas, trazendo a importância evidente do contorno e do desenho. Evolui ainda para um estado mais purista, chegando a trabalhar quase em monocromatismo. Realço aqui o Encontro de Natália Correia com Fernanda Botelho e Maria João Pires, uma das obras que marcou o seu reconhecimento, representando o panorama da cultura portuguesa nestas três figuras femininas.

Ana Correia

- Viagem de Whale Watching (Peter) - Jantar para 2 pessoas na Taberna de Pim 3º Prémio - Vale SPA de 60€ na Clinica da Beleza Fotografia: 1º Prémio - Prémio Banif – 200€ - Software Paint Shop Pro (Marques & Silva) - Vale 50€ em serviços de fotografia na FotoJovial - 1 Telemovel TMN Nokia 1208 2º Prémio - Viagem de Whale Watching (Peter) - Jantar para 2 pessoas na Taberna de Pim 3º Prémio - Vale SPA de 60€ na Clinica da Beleza Os prémios serão entregues na cerimónia comemorativa do Dia da Fábrica da Baleia de Porto Pim no dia 30 de Agosto. Todos os trabalhos sujeitos a concurso, serão expostos ao público entre os dias 30 de Agosto de 2009 e 30 de Setembro de 2009, na Sala dos Óleos da Fábrica da Baleia de Porto Pim. Mais informações sobre o concurso bem como o regulamento completo e ficha de inscrição disponiveis em www.oma.pt / pedro@oma.pt.

Pedro Monteiro/OMA

Exposição de Marianne Burmeister e Pedro Solá no Museu da Horta (a outra)

Digo a outra porque não é a que muita gente já viu na sala da biblioteca. Esta fica mesmo no Museu, aquele ao lado da Câmara Municipal, numa salinha ao alto das escadas. A exposição fica até 14 de Setembro e nela podemos ver 26 obras destas duas extraordinárias pessoas. A maior parte dos trabalhos são aguarelas e parecem experimentações nas formas e cores que eles souberam encontrar por onde passaram. Um recanto de jardim, uma margem de rio, movimentos de figuras humanas, árvores e algumas reproduções das vistas faialenses... Para ver e comprar e ainda aproveitar a visita ao museu, que não costuma constar nos circuitos turísticos e quotidianos da ilha.

Aurora Ribeiro

Concurso de Esculturas na Areia |Praia do Porto Pim

O Observatório do Mar dos Açores em parceria com a Ecoteca do Faial promove este ano um evento que há já alguns anos não se realiza - um concurso de Esculturas na Areia. Às 16 horas do dia 1 de Agosto na Praia de Porto Pim, todas as pessoas são convidadas a participar e a criar a sua escultura numa área que estará delimitada para este fim. Castelos, casas, carros, caras, corpos, animais, dragões... esculturas efémeras que serão criadas e que poderão ser apreciadas unicamente nesse dia. As três melhores esculturas serão premiadas.

Pedro Monteiro/OMA


6 -ENDOS -ANDOS -INDOS Literatura Viagem à Roda dos Livros: O Japão

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A literatura japonesa começou por ser prisioneira da influência chinesa mas dado o seu isolamento e, a partir do século XIX, com a presença cada vez maior dos ocidentais, o Japão acabou por desenvolver um estilo inimitável e que lhe é muito próprio. Dividida em cinco grandes épocas, esta é uma literatura marcada sobretudo por tipologias muito específicas – que nasceram da tradição oral - como os “joruri” (histórias com versos que deviam ser cantados), o “kabuki” (obras teatrais extremamente codificadas em que a dança, a mímica e as máscaras têm um papel essencial e onde é frequente a interacção entre o público e os actores),os “haiku” (pequenos poemas de três linhas que se querem o espelho de uma pureza absoluta e que são o espelho da concisão e da objectividade), ou os “shishosetsu” (romances centrados no seu narrador, que é muitas vezes um alter-ego do próprio escritor, escritos em tom de confissão). Obviamente, o facto de o japonês ser uma língua (e uma cultura) muito diferente da nossa dificulta as traduções que, para serem fiéis, teriam de estar atoladas em notas de rodapé para explicar expressões idiomáticas e hábitos culturais sem os quais uma grande parte do sentido se perde. Tentar compreender a literatura japonesa é ter de perceber os temas que a atravessam e marcam: as personagens que falham e que não atingem os seus objectivos, o isolamento (a solidão no meio de muitos, típica de uma sociedade em que o colectivo continua a exprimir-se mais facilmente e em que ainda é difícil afirmar a sua diferença) e a necessidade de se distanciar e de ser capaz de dissimular os seus sentimentos.

Mãe, não tenho nada para ler...

Duas figuras, duas visões Yukio Mishima Nascido nos anos vinte. Mishima foi um talento precoce e prolífico, marcado pela Segunda Guerra Mundial e que traduziu, melhor do que ninguém, o sentimento de mal-estar que atravessou a sociedade japonesa do pós-guerra, o que explica que seja considerado o maior escritor japonês da modernidade Mishima sentiu-se sempre deslocado no Japão do pós-guerra tanto pelos valores que defendia como pela sua forma de escrever. No entanto, este sentimento não o impediu de ser apreciado tanto no Japão como no Ocidente. Obras como O Mar da Fertilidade (obra em quatro volumes frequentemente comparada à obra de Proust- um fresco da vida japonesa e das memórias que Mishima guarda e que termina com a certeza que o passado não pode reviver tal como os mortos não regressam à vida), Confissões de uma máscara (uma busca pela verdade autobiográfica da sua juventude, com as hesitações e dúvidas que o definir do “eu” acarreta) ou O Pavilhão Dourado (história – baseada num facto verídico – de um monge que acaba por tentar incendiar um templo) traduzem fielmente a angústia que o habitava e a dificuldade em aceitar a nova realidade que o rodeava (acabou aliás por se suicidar de forma bastante espectacular num quartel, no decurso de um “seppuku” – cerimónia em que se trespassou com uma espada e foi decapitado). Hakuri Murakami Murakami, nascido já no pós-guerra e exasperado pelo conformismo da sociedade japonesa, exilou-se durante longos anos até que o terramoto devastador que assolou Kobe o trouxe de volta às origens (retrata aliás fielmente esse regresso e a sua estupefacção perante a capacidade destrutiva da natureza numa das suas obras). Extremamente influenciado pelo ocidente e em particular pela literatura americana, da qual é um fervente admirador, Murakami

O Mistério da Casa Queimada de Enid Blyton Imagina que vives em Peterswood e que estás farto de não teres nada para fazer, imagina que um dia arranjas um novo amigo e que partes à aventura. Será que os cinco descobridores e o seu cão vão conseguir saber quem incendiou a casa do sr.Hick? E será que vão conseguir descobrir a verdade antes do Sr.Goon (um polícia muito antipático que adora gritar “arreda!”)? Se queres saber o que acontece aos descobridores, lê O Mistério da Casa Queimada, de Enid Blyton. Uma palavrinha aos pais – A Oficina do Livro volta a publicar o primeiro livro de uma série que, se calhar, muitos leram na infância e que por isso é um bom livro para partilharam com os filhos. Como em quase todos os livros de Enid Blyton, a série dos cinco descobridores e o seu cão centra-se sobretudo nas personagens e na sua curiosidade, dividindo claramente o mundo em “bons” e “maus”, o que as crianças apreciam particularmente. C.A.

Já foi lido... As Ilhas Desconhecidas de Raúl Brandão Fruto de uma viagem pelo arquipélago dos Açores, em 1926, esta obra é um autêntico álbum recheado de impressões sobre cada uma das ilhas que maravilharam o narrador. Através das palavras do narrador, podemos criar uma tela onde cada nome e cada adjectivo ganham vida para nos mostrar a natureza em todo o seu esplendor. O leitor toma ainda conhecimento dos costumes e da cultura desta região à medida que o narrador vai deambulando pelos sítios mais pitorescos de cada ilha. O visualismo transmitido através da sua linguagem convida, sem dúvida, a uma viagem paradisíaca por estas ilhas encantadas. Ilídia Quadrado

é sobretudo conhecido pelo seu romance Kafka à beira-mar (um estranho romance baseado numa profecia que lembra, inevitavelmente, Édipo e as tragédias gregas), onde nos guia pela sua imaginação delirante na senda de Kafka Tamura, um adolescente torturado e soturno que, tal como Édipo, tudo faz para fugir à profecia que lhe traça o destino e que, tal como ele, está condenado a cumpri-lo. Dividido entre duas culturas e duas formas de pensamento, Murakami consegue uni-las e fazer-nos perceber melhor um Japão que não é o que vemos em estampas antigas nem o excesso da modernidade de modernidade das luzes de Tóquio, como se quisesse apenas deixar-nos adivinhar o que é verdadeiramente o espírito japonês. E hoje ? Para a geração que nasceu quando o Japão era novamente um gigante económico que tinha sabido fazer esquecer a sua participação ao lado das forças do Eixo, as consequências da guerra e da derrota da pátria são menos importantes do que para as gerações anteriores e surgem sobretudo autores que, perante um mundo cada vez mais rápido e implacável, mostram um sentimento de alienação típico de uma literatura centrada na realidade e no existencialismo: Mas os autores modernos são também aqueles que dão vida aos “anime” (desenhos animados) e aos “mangas” (uma forma específica de banda desenhada muito afastada da banda desenhada ocidental que começou por ser marginal e que hoje representa uma grande parte do mercado editorial japonês), criando um universo indissociável da imagem e onde a fronteira entre o que é escrito para ser ilustrado ou a ilustração que dá origem ao escrito já há muito se esbateu.

Catarina Azevedo

À CONQUISTA Breakfast at Tiffany’s de Truman Capote A personagem central desta novela, Holly Golighly, aparecenos quase sempre com o rosto de Audrey Hepburn - que protagonizou o filme com o mesmo nome de Blake Edwards - porém muitos consideram que foi Marilyn Monroe (o protótipo da loira desejável e fútil) quem inspirou Capote. O facto é que se tornou uma das personagens mais conhecidas da literatura norte-americana. Autor sulfuroso, que se divertia a provocar a sociedade em que vivia (não é por acaso que a sua personagem principal tem um apelido que ironicamente evoca a futilidade), Capote traça o retrato de uma mulher que não se deixa prender pelas regras dos outros e que consegue o que quer, graças à sua beleza e à sua capacidade de acreditar que é capaz de alcançar sempre o que pretende. A sua liberdade e a sua sedução traduzem o fascínio que Capote sentia por aqueles que eram capazes de se impor e de impor o seu estilo de vida sem se preocuparem com o que outros pensavam e acaba por ser um estranho auto-retrato do autor. Personagem bizarra e cheia de maneirismos, Capote era também conhecido pela sua capacidade de reinventar a realidade para que esta se moldasse aos seus sonhos e, curiosamente, Breakfast at Tiffany’s, que os críticos sempre ignoraram, acaba por ser uma descrição vívida do mundo em que se movia, da superficialidade das relações sociais e da hipocrisia das mesmas.

C.A.


Ciência e Ambiente APAGA A LUZ Açores: o jardim de águas profundas do Eco-Férias Príncipe Alberto I do Mónaco A vocação para o mar definiu desde cedo a vida do Príncipe do Mónaco (1848-1922). Em 1879, visita pela primeira vez os Açores. Aqui, imiscui-se com a paisagem e com as gentes e fica ligado para sempre ao arquipélago. Em 1885, opta pela vida de oceanógrafo. Durante 30 anos, para além do Hirondelle, constrói o Princesse Alice, o Princesse Alice II e o Hirondelle II, para explorar as profundezas do Atlântico Nordeste. Alberto I elegeu os Açores como a região principal para as suas investigações. Das 29 campanhas efectuadas, 13 visitaram o Arquipélago. O objectivo central era explorar a fauna oceânica. A natureza dos fundos, as correntes marinhas, as propriedades da água e a meteorologia, foram outros dos temas estudados. Inicialmente, adquire equipamentos testados em outras campanhas oceanográficas. Nas oficinas de bordo, projectam-se e constroem-se instrumentos novos, que permitem adoptar técnicas de amostragem alternativas. Nos Açores, usaram-se mais de 60 equipamentos, incluindo covos, arrastos, tresmalhos, palangres, linhas de mão, arpéus, arpões, sondas, garrafas de recolha de água, bóias flutuantes, etc. A barra de “piaçabas” (barre à fauberts) foi, talvez, o equipamento mais curioso. Centenas de investigadores publicaram os contributos científicos das campanhas do Mónaco. Eles estudaram todos os grupos biológicos, das bactérias às baleias. A sistemática foi o tema central, para além da fisiologia, parasitologia, microbiologia, ecologia, etc. O contacto

com baleeiros locais despertou o interesse pelos mamíferos marinhos. O material biológico recolhido gerou o inventário mais compreensivo da fauna oceânica dos Açores. O DOP possui uma base de dados que compila essa informação. Para a região estão registadas 2624 espécies. Os crustáceos e os moluscos correspondem a 43% das espécies. Esponjas, peixes e equinodermes são outros grupos relativamente diversos. Hoje, o conhecimento produzido pelas campanhas do Príncipe do Mónaco continua a ser relevante para a descrição das comunidades biológicas do oceano profundo da região e caracterizar as condições ambientais a que elas estão sujeitas. A integração dessa informação é importante para estudos de biogeografia e biodiversidade e para avaliar os impactos das actividades humanas, como a pesca, nesses ambientes. Este legado científico com cerca de 100 anos, poderá suportar iniciativas actuais de conservação do meio marinho regional.

Filipe Moura Porteiro/DOP &UAç

Ínclitos Faialenses Marcelino de Almeida Lima (Horta, 12 de Março de 1868 — Lisboa, 22 de Janeiro de 1961) foi um jornalista, romancista e historiógrafo açoriano, autor dos Anais do Município da Horta e de vasta bibliografia sobre a ilha do Faial. Marcelino Lima nasceu na cidade da Horta. Ingressou muito cedo nas lides jornalísticas e com apenas 17 anos de idade já dirigia, com Júlio Lacerda, o semanário, O Bibliófilo. Dirigiu também a Revista Faialense, um semanário literário e desportivo, e a segunda série do semanário literário e noticioso O Faialense, redigido em colaboração com Florêncio Terra e Rodrigo Guerra. Foi colaborador assíduo de múltiplos periódicos, com destaque para os jornais faialenses O Telégrafo, A Democracia, Correio da Horta e Arauto. Empregouse como funcionário dos Correios e Telégrafos, atingindo o posto de chefe da Estação Telégrafo-Postal da Horta. Foi ainda sócio fundador, e por várias vezes presidente, do Ginásio Clube. Foi presidente da Sociedade Luz e Caridade e do Grémio Literário Faialense. Fez parte do grupo dramático António Baptista. Apoiado na obra de Garcia do Rosário, publicou em 1922, uma genealogia das principais famílias faialenses, incluindo notas históricas sobre os seus principais membros. Fixou-se em Lisboa a partir de 1927, dedicando-se então ao estudo da historia faialense. Quando a Câmara Municipal da Horta decidiu redigir os Anais do Município, um trabalho que andava em preparação há mais de meio século, resolveu, em sessão de 14 de Agosto de 1939, convidar Marcelino Lima para os redigir. Marcelino Lima faleceu em Lisboa, deixando inédita a obra Faial Letrado, uma listagem dos escritores faialenses. Foi um dos últimos intelectuais da excepcional elite faialense do fim do século XIX.

Tomás Silva http://ilhascook.no.sapo.pt

Lacuna

Numa organização da Secretaria Regional do Ambiente e do Mar, através da Ecoteca do Faial, e do Observatório do Mar dos Açores nas manhãs de 13 a 24 de Julho, estão a decorrer na Praia de Porto Pim diversas actividades de sensibilização ambiental, integradas no programa Eco-Férias. As actividades programadas vão desde pintura livre, concurso de esculturas na areia, criação de fornos solares e moinhos de vento, demonstração de brinquedos movidos a energia solar, reutilização de resíduos para construção de animais marinhos, jogos pedagógicos (vd. foto) e diversos passatempos sobre temáticas ambientais (energia, água, biodiversidade marinha e reciclagem de resíduos), distribuição de pulseiras para raios ultra-violetas e cinzeiros de praia. No final das actividades as crianças, integradas na Campanha “Brigadas Verdes”, percorrem a praia para recolha de resíduos. Os principais objectivos desta iniciativa são, para além de promover o convívio entre as crianças, estabelecer a partilha de conhecimentos sobre o ambiente, bem como, compreender a necessidade de reutilização de resíduos e da sua deposição selectiva; apresentar várias formas de produção de energia, salientando a importância das renováveis e ensinar algumas dicas para poupança de energia, contribuir para um maior conhecimento sobre diversos animais marinhos e a importância da sua conservação, e evitar o abandono de beatas de cigarros na areia através do empréstimo de cinzeiros de praia aos banhistas. Pretendemos igualmente ao apresentar um medidor do índice de raios UV que as crianças conheçam seus os efeitos nocivos para a saúde e adoptem algumas medidas de protecção solar.

Dina Dowling/Ecoteca do Faial

AQUELA DICA

Ferro de engomar: utilize-o de forma eficiente! No dia-a-dia são muitos os exemplos de comportamentos, que se podem traduzir na poupança de energia nas nossas casas, podemos e devemos ter em atenção a utilização de todos os equipamentos eléctricos, incluindo os de menores dimensões, como o ferro de engomar. Para que o utilize de forma eficiente apresentamos alguns conselhos: - Para facilitar a passagem a ferro do seu vestuário, aconselhamos a retirá-lo do estendal com um certo grau de humidade; - Evite ligar o ferro eléctrico quando tiver muitos aparelhos ligados, pois estará sobrecarregar a rede eléctrica. Utilize-o o menor número de vezes possível, apenas quando houver uma grande quantidade de roupa para passar, aproveitando assim o aquecimento do mesmo; - Para maior economia de energia, separe as roupas de acordo com a composição do tecido (linho, algodão, lã, seda, fibra sintética) e seleccione a temperatura indicada para cada tipo de tecido; - Por fim, remova a ficha do ferro de engomar da tomada eléctrica um pouco antes de terminar de passar a roupa, ele manter-se-á quente durante o tempo necessário para acabar a sua tarefa.

Dina Dowling/Ecoteca do Faial


#8

FAZENDUS Agenda

Até 2 de Agosto

Exposição de Pintura por Irene Kohoutek C.A.S.A., 14h00-00h00

Até 15 de Agosto

Expoisção de Pintura por António Jorge da Câmara Antigo Banco de Portugal

Até 8 de Setembro

Exposição de Pintura: “Azul Profundo” por Pedro Solà Biblioteca pùblica e A.R.J.J.G

Até 14 de Setembro

Exposição de Pintura por Marianne Burmeister e Pedro Solà Museu da Horta

24 de Julho

Dança: Chamarritas com o Grupo Folclórico dos Flamengos Praça do Infante D. Henrique, 21h00 Cinema: “Star Trek” Teatro Faialense, 21h30 (repete dias 25 e 26)

25 de Julho

Teatro: “4 Contos de Café” pelo Grupo de Teatro Carrocel Teatro Faialense, 21h30

27 de Julho

Workshop de Pintura Facial e Dramática (6 aos 12 anos) Antigo Banco de Portugal, 10h-12h (até dia 31)

28 de Julho

Cinema: “Eu Quero Ver”

Sinopse: Julho de 2006. Israel lança uma ofensiva militar no sul do Líbano em resposta aos ataques de mísseis e à captura de dois soldados

israelitas pela Hezbollah. Uns meses depois, a actriz Catherine Deneuve chega a Beirute pela primeira vez para assistir a uma gala de solidariedade. Apesar do apertado horário e da perigosa viagem, ela embarca numa ida ao sul do Líbano para ver com os seus próprios olhos. Guiada pelo actor libanês Rabih Mroué, juntos partem numa viagem pelas zonas mais afectadas pela guerra. Revela-se uma aventura imprevisível. Irá a visão da actriz permitir que a beleza do local seja captada, apesar de ser já irreconhecível aos olhos dos libaneses, toldados pela guerra? Realização de Khalil Joreige e Joana Hadjithomas.

Palco Principal da Semana do Mar, 23h30

7 de Agosto

Música: Clã Palco Principal da Semana do Mar, 23h30

8 de Agosto

Música: Corvos Palco Principal da Semana do Mar, 23h30

9 de Agosto

Teatro Faialense, 21h30

Música: Orquestra Municipal da Horta Palco Principal da Semana do Mar, 23h30

29 de Julho

10 de Agosto

Música: Grupo de Cantares Margens Praça do Infante D. Henrique, 21h30

31 de Julho

Teatro Sénior: Unisénior Teatro Faialense, 21h30 Música: Punkada Palco Principal da Semana do Mar, 23h30

1 de Agosto

Festival Internacional de Folclore Palco Principal da Semana do Mar, 22h30

2 de Agosto

Música: Bandarra Palco Principal da Semana do Mar, 23h30

3 de Agosto

Sessão sobre a Antiga Escola do Magistério Primário da Horta pela Associação de Antigos Alunos do Liceu da Horta Sociedade Amor da Pátria, 18h00

Workshop de Modelagem de Balões (8 aos 15 anos) Antigo Banco de Portugal,10h-12h (até dia 14)

17 de Agosto

Workshop de Ciência: Veste a Pele do teu Cientista Preferido (10 aos 16 anos) Centro de Ciência, 10h-12h

21 de Agosto

Música: Orquestra de Música Ligeira da Cãmara Municipal da Horta Praça do Infante D. Henrique, 21h30 2ª Horta Lan Party e Feira Informática Marina da Horta (até dia 23)

24 de Agosto

Workshop de Astronomia (6 aos 10 anos) Centro de Ciência, 10h-12h (até dia 26)

25 de Agosto

Workshop de Astronomia (11 aos 15 anos) Centro de Ciência, 10h-12h (até dia 28)

4 de Agosto

Música: Sete Colinas (Noite de Fados)

Gatafunhos e Mata Borrões

Tomás Silva http://ilhascook.no.sapo.pt

FAZENDO 22  

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