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Embaixador da Esperança Edição 79. Abril 2014

Muitas pessoas vítimas do tráfico humano e em situação vulnerável física e psicológica são acolhidas nas diversas Fazendas da Esperança, onde são amadas e podem

recomeçar.

Libertar da escravidão www.fazenda.org.br


A nova evangelização por meio dos carismas que nascem na Igreja se dá através dos testemunhos das pessoas que experimentam e se transbordam da alegria de viver a Palavra de Deus

C

om o tema ‘Fraternidade e Tráfico Humano’ e o lema ‘É para a liberdade que Cristo nos libertou’ (Gl 5,1), a Campanha da Fraternidade de 2014 aborda pontos que aparentemente foram esquecidos por muito tempo, mas que hoje o Brasil luta para combater. Em geral, as vítimas do tráfico humano são aquelas pessoas mais vulneráveis. Por isso a CF de 2014 buscou acordar a todos, tanto o povo como as autoridades, para a importância de estar alerta para enfrentar esse mal que mancha a liberdade para qual o ser humano foi criado”, fonte Paulinas Editora. A droga e o álcool privam muitas pessoas de ter uma vida plena. Os que sofrem com a dependência química são impedidos de desfrutar da liberdade e não tem o domínio de si próprio quando tomado pela vontade de se drogar. As pessoas mais vulneráveis física e psicologicamente, e as vítimas do tráfico humano,

muitas vezes depois de passar por essas situações, chegam à Fazenda da Esperança. “Acolhemos

esse sofrimento e damos nosso estilo de vida como resposta a essa chaga”, afirma o formador da comunidade, Klaus Rautenberg.

A liberdade dada por Cristo, as mães dependentes de drogas e álcool não experimentam e nem seus filhos. Muitas vendem os filhos ou impõem às filhas adolescentes a prostituição, roubando-lhes a inocência. Pais que deixam faltar o necessário dentro de casa, obrigando as crianças buscar o sustento, momento em que são exploradas e até iniciam suas atividades no crime, perdendo o precioso tempo da infância. Jovens dependentes químicos que moram na rua e aceitam atividades em troca de um prato de comida ou uma pequena quantidade de dinheiro que não paga o serviço, mas o possibilita satisfazer o vício, impedindo qualquer perspectiva de futuro. Muitas histórias como estas foram compartilhadas nestes 30 anos de trabalho, em um primeiro momento são desconcertantes, mas compreensíveis. Isso serve de alerta para a necessidade de uma

O “fundo do poço” para a Fazenda da Esperança é quando os jovens percebem a perda do controle de suas vidas, a falta de valores e a tristeza de seus familiares e amigos

2 - Boletim do Embaixador - Edição 79 - abril 2014


atenção aos dependentes químicos. E agora você pode conhecer uma delas: Márcio Mario Silva, 43 anos, de Osasco-SP, formado em matemática não seguiu a profissão. Apesar de fugir da polícia o tempo todo, realizava-se em fazer uma rádio pirata, mas se viu em perigo e ao parar essa atividade partiu para o tráfico. Esteve no auge com seu laboratório de produção de crack, enviava a mercadoria para vários estados do Brasil. Tinha duas casas de prostituição onde as jovens que faziam o transporte da droga aproveitavam para gerar uma renda extra. Márcio trazia jovens de várias regiões do país para essa atividade. Ele tinha a vida vigiada pela polícia, faltava tempo para a família que construiu dentro desta difícil realidade, e a guarda dos filhos estava para perder. O crack produzido, que nos dois últimos anos antes da internação fez uso diário, tirou toda a sua habilidade para administrar o negócio criminoso. Em casa faltava o básico e os conflitos eram cada dia maiores, pois sua esposa também afundava mais e mais na dependência. A assistente social mostrou um caminho propondo internação para não perderem a guarda dos filhos. Ela os ajudou com os contatos e a preparar os exames para serem acolhidos na Fazenda da Esperança. “Me esforcei para minha esposa e filhos serem internados primeiro e esperei mais 20 dias para entrar na Fazenda. Os três primeiros meses na comunidade foram sacrificantes e muito doloridos, ficamos sem nos comunicar. Bateu um arrependimento de tudo Livres para experimentar a alegria oferecida pela Palavra de Deus que jamais sentiu durante os anos de drogadição

o que havia feito na vida das pessoas, principalmente da minha esposa e filhos. Nos encontramos na festa de 30 anos da Fazenda, ali aconteceu a reconciliação da nossa família. Nas visitas mensais, eu vou até o centro feminino e brinco com meus dois filhos, coisa que eu nunca havia feito. Nos finais de semana também os recebo para ficarem comigo e aqui aprendi a ser pai. Eu cuido, dou banho, comida e passo o tempo todo junto. Isso me possibilita compensar tudo o que perdi e a propiciar aos meus filhos o que não tive: a presença do meu pai”, conta Márcio. Outra história que você tem a oportunidade de conhecer é da Carolina Regina Boranga Reis Dourado, 27 anos, São Paulo-SP. Filha de pais separados, teve na vida apenas dois contatos com o pai. Sua mãe muito exigente, na adolescência sofreu com sua rebeldia. Com 16 anos começou a usar crack, mas foi depois do 21 anos, após seu primeiro aborto que tudo piorou. Trancou faculdade, deixou emprego e entrou em depressão. A terceira gravidez foi impedida de abortar por sua mãe, só depois de quatro meses do nascimento do filho é que foi aceitá-lo. Separou-se do pai do seu filho também usuário de drogas com quem morava. Na casa de sua mãe os conflitos a fez fugir, morar na rua por três meses e deixar o filho com o pai. Após ser encontrada pediu ajuda, internou-se na Fazenda da Esperança e, depois dos três primeiros meses, acolheu o filho para acompanhá-la no processo de recuperação.

“A Fazenda me transformou, experimento a alegria ser mãe de verdade. Eu nunca tive

muita paciência, não bato, mas sempre fui muito brava. Na época da comemoração dos 30 anos, tive muita dificuldade com meu pequeno, porque eu via todos aproveitando a festa e eu tinha que cuidar dele que chorava muito. Até que no dia de descanso, brincamos na piscina, ele abraçado no meu pescoço me disse: Mamãe, eu te amo. Aquilo me emocionou demais. Desde então decidi tirar diariamente uma hora para brincar com ele e assim cada anoitecer nos divertimos muito. Hoje ele é um menino bom, respeita as regras, me obedece e nos amamos muito.”

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A-notável Recomeço da Fazenda da Esperança em Brasília-DF Com a chegada das jovens missionárias, tudo ficou mais intenso e os trabalhos feitos junto à comunidade e aos órgãos públicos em Brasília/DF ganhou uma dimensão enorme. “Estamos recebendo tantas graças que é impossível não nos emocionarmos com o cuidado de Deus para conosco”, escrevem as missionárias Elisa e Maria Patreque. Há anos, várias propostas foram avaliadas para a abertura da comunidade terapêutica na capital do Brasil e este sonho finalmente se realizou em fevereiro de 2014, principalmente, pelo apoio dos voluntários locais da Fazenda da Esperança. Na inauguração, o fundador frei Hans contou quantas vezes foi questionado sobre como manter as comunidades, sobre a capacidade dos responsáveis e tantas outras exigências que nunca foram importantes desde o início desta obra. “A presença de Jesus entre nós é a nossa única riqueza e com Ele a gente vai dois a dois pelo mundo inteiro e experimentamos que a Sua presença é mais forte que governos e aqueles que criticam. Depois eles viam que estava dando certo, mas não entendiam como e ainda continuavam dizendo: está bonito, mas falta psicólogos, falta isso, falta aquilo, mas é difícil entender que o mestre verdadeiro entre

nós é o próprio Jesus. E Ele é psicólogo, Ele é médico e Ele cura, Ela dá a providência, Ele toca os corações, Ele chama as vocações e tudo isso está acontecendo nas nossas comunidades como aqui na Fazenda de Brasília”, afirma frei Hans. No ato da reinauguração, receberam também várias autoridades federais, estaduais e municipais, que se colocaram a disposição para ajudar naquilo que esta unidade precisar. “Fruto disso tudo é que já estamos com uma equipe da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER), que nos ajudará a começar a nossa horta e a turma da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (NOVACAP), que veio limpar a área do pomar para iniciarmos o plantio de novas árvores frutíferas. Também nesta última semana tivemos a visita do cardeal Dom João Braz de Aviz, aqui de Brasília, que nos trouxe um sacrário, para nossa capela improvisada, pois assim teremos a presença de Jesus eucaristia entre nós”, contam as missionárias. “A casa nova ficou um espetáculo!”, afirmam as jovens missionárias Elisa e Maria Patreque, que estão encantadas com o tanto de bênçãos que têm alcançado.

www.fazenda.org.br OBRA SOCIAL NOSSA SENHORA DA GLÓRIA - FAZENDA DA ESPERANÇA Departamento Retorno à Vida - Caixa Postal 529 - CEP 12511-970 Guaratinguetá-SP Tel.: (12) 3128 8900 E-mail: adm.rv@fazenda.org.br

Embaixador da Esperança - Abril de 2014  

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