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REVISTA DA FAU-UnB

ARQUI N°02 | 1/2014

OPERA PRIMA HOMENAGEM A LELÉ A FESTA DA ARQUITETURA PROJETOS DE DIPLOMAÇÃO ENSAIOS TEÓRICOS


ARQUI Revista da FAU-UnB 04 de setembro de 2014 Edição: 1/2014 No 02 Universidade de Brasília Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB faunb


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Arqui: Revista / Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB, n.2 (1/2014). — Brasília, DF: FAU/UnB, 2014. 109 p. : il. ; color. : 23 x 29cm

Semestral

ISSN: 2358-5900

1. Arquitetura. 2. Urbanismo. I. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB.

CDU: 72:911.375.5(05)

FICHA CATALOGRÁFICA Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Universidade de Brasília – UnB Instituto Central de Ciências – ICC Norte – Gleba A Campus Universitário Darcy Ribeiro – Asa Norte – Caixa Postal 04431 CEP: 70904-970 – Brasília / DF – E-mail: fau-unb@unb.br Fone: (+55) (61) 3107-6630 / Fax: (+55) (61) 3107-7723


REVISTA DA FAU-UnB

ARQUI

Universidade de Brasília Reitor: Ivan Marques de Toledo Camargo Vice-reitora: Sonia Báo Decana de extensão: Thérèse Hofmann Gatti Rodrigues da Costa

Editor: José Manoel Morales Sánchez

Revisão editorial: Frederico Maranhão de Mattos

Editora executiva: Maria Fernanda Derntl

Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB Diretor: José Manoel Morales Sánchez Vice-diretora: Cláudia Naves David Amorim Coordenador de pós-graduação: Márcio Augusto Roma Buzar

Conselho editorial: Andrey Rosenthal Schlee Benny Schvarsberg Cláudio José Pinheiro Villar Queiroz Elane Ribeiro Peixoto Luiz Alberto Gouvêa

Coordenação de Diplomação: Bruno Capanema Cláudia da Conceição Garcia Luciana Saboia Fonseca Cruz Raimundo Nonato Veloso Filho

Equipe editorial da revista: Ana Elisabete de Almeida Medeiros Caio Frederico e Silva Danilo Fleury | GRUPO arquitetura etc José Manoel Morales Sánchez Maria Fernanda Derntl Marilia Alves | GRUPO arquitetura etc Paola Caliari Ferrari Martins

Coordenação de Ensaio Teórico: Ana Elisabete de Almeida Medeiros Oscar Luis Ferreira Projeto gráfico e diagramação: GRUPO arquitetura etc Capa: Fotografia ampliada de Bruno Azambuja Divisões das sessões: Fotografias de Bruno Azambuja https://www.flickr.com/bsazambuja


EDITORIAL

ARQUI... O prefixo de origem grega indica superioridade, primazia, excesso. Para nós, ARQUI é Arquivo e Arquitetura. Não um arquivo empoeirado de objetos do passado, mas um acervo em permanente atualização de trabalhos recentes de professores e alunos da FAU-UnB. Também não há pretensão de indicar resultados supostamente melhores, mas sim de apresentar uma amostra de nossa multifacetada produção: livros, pesquisas, planos urbanísticos, fotografias, projetos reais ou utópicos. A ARQUI retoma uma iniciativa anterior, de 15 anos atrás, quando se publicou o número 1 da Revista da FAU-UnB. Antes dela houve também um Boletim semestral da Faculdade. Consideramos que esta revista é parte desse esforço coletivo e já de longa data para a divulgação do nosso trabalho acadêmico. Por isso, apesar do novo nome, este é o número 2 da revista. Esta edição é uma obra piloto, experimento concreto, que esperamos possa ser aprimorado a cada semestre, no mesmo sentido pedagógico em que esperamos um melhor curso de arquitetura e urbanismo. Abre-se este renovado espaço para mostrar nossas atividades no campo do ensino, da pesquisa e da extensão. Uma seleção necessariamente incompleta, mas ainda assim expressiva. Ao folheá-la, alunos re-

cém-ingressos vão se deparar com um exigente horizonte de expectativas; arquitetos recém-formados poderão compartilhar algumas das experiências de maior fôlego desenvolvidas no curso. E, para o público em geral, sem dúvida será esclarecedor saber, afinal, o tanto que se faz numa Faculdade de Arquitetura e Urbanismo! Equipe editorial

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SUMÁRIO FAU IMPRESSA

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Livro reúne reflexões sobre Brasília

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UnB ganha guia de bolso

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Erika Suzuki

Agência UnB

HOMENAGEM

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De fundador da FAU a Professor Emérito, o construtor da UnB: Lelé

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Novo PORTO do Rio: MARAVILHA para quem? Ingrid Fonseca de Araujo

Estas ruas têm histórias Jana Cândida Castro dos Santos

O retrato de uma Teresina esquecida

Júlio de Paiva Vieira Júnior

Verde patológico

Matheus Maramaldo A. Silva

40 44 48 50

Clube Vizinhança 112|113 norte

Marina Bacha Junho Aires

Ocupando Estelita

Tamiris Tomimatsu Stevaux

Mosteiro de São Bento Carina Beltrão de Medeiros

Centro de cultura e gastonomia do DF Artur Rocci

Cláudio Queiroz

FAU PESQUISA

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Sobre o Ensaio Teórico Ana Elizabete de Almeida Medeiros

NOVOS ARQUITETOS

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Sobre o TCC

Cláudia da Conceição Garcia

52 54

Velódromo de Brasília Bruno Rodrigues Tenser

Chanceleria e residência oficial do Brasil na Armênia Ana Luiza Lacerda Amaral

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Catálogo de Ensaios Pôsteres de divulgação

Práticas integrativas em saúde Gabriela Emi de Brito Akaboci

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Catálogo de Diplomação Chamadas dos trabalhos

Sobre os destaques

Cláudia da Conceição Garcia

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(Re)composição com ponto histórico

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Intervenção urbanística no SHIGS 713, 714 e 715

Luiz Eduardo Sarmento Araujo

Lara Agostinho Araújo


60 62

Qualificação urbana da Cidade Estrutural Maíra Oliveira Guimarães

Mariápolis: vilarejo religioso

Melissa Aragón Escobedo

80 81

Waterfront Planning Marathon – Anúncio dos Projetos selecionados

102

Lago para todos: lazer e mobilidade urbana na orla do lago Paranoá

104

Louise Boeger

64

Planejamento rural e projeto de fazenda

66

Planaltina Parque: projeto urbanístico de interesse social

Nayanna Nobre Pinheiro Teixeira

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Concurso: Brasília em Cartaz

ENCONTROS NA FAU

Marilia Alves

68

Galeria Fotográfica Exposição dos trabalhos finais de graduação

FAU PREMIADA

74

Opera Prima SESC Asa Norte: projeto de Adélia Margarida

88

Galeria Fotográfica workshop de valorização artística de projetos

94

Galeria Fotográfica VER[A]CIDADE

FAU NA RUA

Evelise Grunow

78

Concurso elege a marca do Museu da Educação do DF Sonia Cruz

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A (re)descoberta da cidade Juliana Figueiredo

XIII Seminários de História da Cidade e do Urbanismo Maria Fernanda Derntl

Galeria Fotográfica O Jogo da Arquitetura


FAU IM PRE SSA


ARQUI

Livro reúne reflexões sobre Brasília Erika Suzuki – da Secretaria de Comunicação da UnB Publicação original no site da UnB

Proposta é promover discussões mais amplas sobre a gestão e a preservação da cidade Em edição bilíngue português-inglês, a obra Brasília 50+50: cidade, história e projeto reúne reflexões de arquitetos e pesquisadores da área sobre a evolução da capital, “do projeto à cidade construída”, e aponta caminhos para o futuro. Segundo Maria Fernanda Derntl, uma das organizadoras da publicação, os textos tiveram origem em workshop realizado em 2011 na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. O encontro foi organizado em parceria com o Instituto Politécnico de Milão como parte das comemorações do cinquentenário de Brasília. Brasília 50+50 fala sobre a implantação da cidade e o seu desenvolvimento, além de trazer para o debate temas como mobilidade urbana e preservação do Plano Piloto. O desafio de planejar Brasília para os próximos 50 anos a partir de uma visão crítica dos últimos 50 está na base dos textos e da reflexão de seus autores. T 12

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FAU IMPRESSA 1

Brasília 50+50: cidade, história e projeto reflexões de arquitetos e pesquisadores da área sobre a evolução da capital 13


ARQUI

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FAU IMPRESSA

UnB ganha guia de bolso

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Agência UnB Publicação original no site do Correio Braziliense, 18/03/2014

Publicação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo traz mapa com ilustrações e explicação sobre prédios e obras de arte do câmpus Darcy Ribeiro. Material será distribuído a calouros

Integrado ao complexo arquitetônico da capital federal projetado por Oscar Niemeyer, o câmpus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília possui prédios de grande valor cultural e histórico. Para auxiliar na localização da comunidade acadêmica e valorizar essas instalações, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) lançou um guia de bolso de arquitetura e arte. Financiado com recursos da Comissão UnB 50 anos e da própria faculdade, o material traz um mapa do câmpus e destaca trinta prédios e dezesseis obras de arte que estão acessíveis ao público. Além de foto, há uma breve explicação sobre a importância arquitetônica e cultural de cada edificação. Eles estão dispostos de acordo com a data de construção. Entre os destaques, estão a Faculdade de Educação, um dos primeiros prédios da UnB, concluído em 1962; o Instituto Central de Ciências, projeto emblemático de Oscar Niemeyer, conhecido como Minhocão; e a Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas, de Matheus Gorovitz. O material apresenta ainda construções mais recentes, como os institutos de Química e de Ciências Biológicas, finalizados em 2008 e em 2009, respectivamente. O guia catalogou dezesseis obras de arte expostas em diferentes pontos da universidade, entre as quais a es-

cultura Bartira, de Victor Brecheret, que representa a índia de mesmo nome com o filho em uma rede. Há ainda o mosaico Ao Gui, de Henrique Gougon, dedicado ao líder estudantil desaparecido em 1973 Honestino Guimarães. “O objetivo inicial era suprir a falta de sinalização que havia anteriormente. Hoje, as novas placas diminuíram um pouco esse problema, mas a ideia de auxiliar na localização persiste. Ao mesmo tempo, gostaríamos de valorizar a arquitetura da instituição”, explica o coordenador do projeto, Pedro Palazzo. “As pessoas passam todos os dias por essas obras, realizam suas atividades nesses locais e não sabem da importância artística e histórica. Tentamos abordar essa relevância de uma maneira acessível a todos”, reforça Palazzo. Ainda neste ano, o material deve ganhar uma versão online. O projeto contou com a colaboração de professores e alunos da FAU, que realizaram pesquisas em publicações de Arquitetura, documentos históricos da fundação da universidade e em materiais recentes. T 1

Guia de bolso O material traz um mapa do câmpus e destaca trinta prédios e dezesseis obras de arte.

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HO ME NA GEM


ARQUI

De fundador da FAU a Professor Emérito, o construtor da UnB: Lelé Cláudio Queiroz

Publicação original no site da UnB

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Lelé nasceu em 1932, no Rio de Janeiro, no Encantado, subúrbio da Central, mas ganhou o apelido nas peladas da Ilha do Governador. Na década de 1940 havia um craque, meia-direita vascaíno, com esse cognome. O futuro arquiteto jogava na mesma posição, daí o apelido. “[...] Assim, no âmbito da nossa arquitetura onde são tantos os valores autônomos com vida própria, ele e o Oscar se completam. Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares, arquiteto artista: domínio da plástica, dos espaços e dos vôos estruturais, sem esquecer o gesto singelo, – o criador. João da Gama Filgueiras Lima, o arquiteto onde arte e tecnologia se encontram e se entrosam, – o construtor. E eu, Lucio Marçal Ferreira Ribeiro de Lima e Costa – tendo um pouco de uma coisa e de outra, sinto-me bem no convívio de ambos, de modo que formamos, cada qual para o seu lado, uma boa trinca: é que sou, apesar de tudo, o vínculo com o nosso passado, o lastro, – a tradição”. Lelé iniciou em 1951 seus estudos de arquitetura na Escola de Belas Artes onde se formou em 1955. Referia-se à escolha profissional como uma casualidade: acidental. Aos dezoito anos era escrevente-datilógrafo da Marinha. Habilidoso ao desenhar, foi aconselhado por colega de trabalho a estudar arquitetura, profissão de que desconhecia a essência, embora fosse informado da semelhança com a engenharia. Egresso da Escola Militar, tinha bons conhecimentos em matemática, além de destreza inata em desenho, mas contou com a sorte para superar sua relativa proximidade com as Belas Artes. Filho único, foi arrimo da família humilde ao perder cedo seu pai. O jovem estudante de arquitetura já ganhava desenhando perspectivas; e à época, aos sábados tocava acordeão em bailes de boates, músico afinado que era também em flauta

e piano. Em 1957 veio para Brasília construir Superquadras do Instituto de Aposentadoria dos Bancários (IAPB); em 1960 casou-se com Alda Rabello Cunha e em 1962, chamado por Oscar Niemeyer, veio para a Universidade de Brasília (UnB). Sob a orientação do mestre, viveu o desenvolvimento da pré-moldagem pioneira nos edifícios de Serviços Gerais (SG) e do Instituto Central de Ciências. Este, inacabado até hoje, como consequência da exoneração de Niemeyer e dele próprio, entre o número grande de professores, muitos do Instituto Central de Artes/Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (ICA/FAU). Do Lelé, propriamente, ficaram as obras-primas de 1962: os SGs altos e os blocos residenciais da Colina (pilotis + 3); em 1996 Lelé concebeu a Fundação Darcy Ribeiro, o Beijódromo. “Gosto de falar dos amigos e, quando se trata de um velho e querido companheiro como Lelé, mais ainda. Lembro-me, com saudade, daqueles tempos em que na Nova Capital juntos vivemos, do trabalho a nos ocupar dia e noite, e nós a resistir a solidão implacável, rindo, abraçados como se a vida fosse apenas um passeio [...] ”. Oscar, na ocasião do depoimento, em 1999, se refere a Lelé como o grande mestre da arquitetura, a partir de Brasília e do país, acentuando seu conhecimento exponencial como artista construtor, um arquiteto em plenitude: “[...] Recordo-me de uma conversa que tive no Instituto dos Arquitetos do Rio de Janeiro, e de como não me contive quando o assunto de hospitais foi abordado. Hoje, quem quiser projetar um hospital atualizado, tem, antes, de conversar com Lelé [...]”. Mas Lelé, ele mesmo considera que, quando se concebe o espaço como um especialista, a obra começa a prejudicar-se pela ausência do pró-


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O arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé, fotografado no hospital Sara Kubitschek de Salvador

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HOMENAGEM

prio arquiteto, o responsável pela função humana primordial. Assim, declarando seu aprendizado fundamental sobre o espaço, com o Oscar, não descartava a admiração inspiradora percebida nas construções de Corbu, Mies, Frank Lloyd, Aalto e Neutra. Da mesma forma, ele estudava a arquitetura gótica, a japonesa e a nórdica, se admirando da árabe e de sua totalidade arquitetural, feita de sombra, luz, ventilação natural, domínio dos ventos e integração das artes. Ao mesmo tempo se rendia à essencialidade da construção típica do Xingu, com suas varas estruturais protendidas e harmonia natural, adequadas. Além de Vitrúvio, que ao seu tempo tinha plena consciência dos elementos naturais a condicionar o gesto arquitetônico, Lelé nos anos 1960 surpreendia muitos pelo zelo com a vegetação preexistente, com uma arbustiva no lugar, ou com uma árvore presente no terreno do projeto. De suas obras sociais construídas às residências funcionais de Brasília; das pequenas escolas rurais às moradas simples de seus amigos em Abadiânia, dentre elas a de Frei Mateus, vice-reitor na UnB de Darcy; são todas emblemáticas, à luz dos bens do espírito, da racionalidade funcional desse artista construtor tratado pelo apelido: Lelé, o “Seu” Lelé, ou o Dr. Lelé. Passada a existência do último herói da referida tríade assumida por Lucio, ficam as reflexões para a posteridade sobre as derradeiras concepções do arquiteto Lelé; sobre a maneira como a sociedade despreza as contribuições intelectuais e científicas; como as dele, para o país que tanto amou. A título de exemplo, sua proposta ao governo, para atenuar a deficiência habitacional, entre outras tantas. T


FAU PES QUI SA


ARQUI

Sobre o Ensaio Teórico Ana Elisabete de Almeida Medeiros

A disciplina de Ensaio Teórico foi criada em 1989 observandose o pré-requisito de aprovação em todas as demais disciplinas obrigatórias da sequência do Departamento de Teoria e História da Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília – DTHAU/FAU-UnB. Reapresenta-se, em 2011, como resultado de uma construção coletiva alicerçada nas suas experiências anteriores que sugeriram alterações e ajustes mantendo, porém, suas principais características. Embora, de acordo com o dicionário Houaiss, o termo “ensaio” possa ser entendido, entre outras definições, como “prosa livre que versa sobre tema específico, sem esgotá-lo...”, caberia muito mais definir a disciplina Ensaio Teórico como ato ou efeito de ensaiar. Ensaiar um texto acadêmico, por meio da escolha de um tema histórico, teórico e/ou empírico referente ao campo da Arquitetura e/ou Urbanismo em suas diversas áreas – da Teoria, História, Estética, Projeto, Tecnologia, à Representação. Ensaiar a delimitação de um problema de pesquisa alicerçado em revisão de literatura capaz de indicar metodologia e técnicas de pesquisa a serem adotadas. Ensaiar 22

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Aberto à orientação do conjunto de professores da FAU-UnB, o Ensaio Teórico vem demonstrando, a cada ano, maior capacidade de acolher temas relacionados ao projeto, à representação ou à tecnologia, indo além da teoria, história e estética. Tanto é assim que o número de professores orientadores dos departamentos de Teoria e História (THAU), e de Projeto e Representação (PRO), vem se aproximando nitidamente, seguidos, com um pouco mais de distância, do departamento de Tecnologia (TEC). A aproximação dos professores dos três departamentos da faculdade revela o caráter integrador da disciplina, concebida como um

convite ao exercício de um pensar múltiplo, essencial à prática arquitetônica que inclui a reflexão teórica, desde a habitação compacta aos conjuntos habitacionais; do bioclimatismo às análises ambientais do urbanismo sustentável; das narrativas e percepções do espaço edificado às relações entre planejamento urbano e urbanização irregular; do estudo de edifícios paradigmáticos à reflexão do caráter sagrado do moderno; da lei da aplicabilidade técnica às práticas integrativas da saúde; do papel da vegetação nos diversos processos de degradação da cidade às representações sociais da rua e suas relações com a poesia; do estudo das intervenções urbanas contemporâneas ao descaso da memória materializada em centros históricos... isso para ficar na produção do primeiro semestre de 2014. Os trabalhos finais, ora aqui publicados, revelam a amplitude de alcance da disciplina dentro do amplo campo de formação e atuação da prática do arquiteto e urbanista. Contrariando uma visão mais estreita da profissão do Arquiteto e Urbanista, associada unicamente à prancheta, ao desenho artístico e/ou técnico, às imagens e modelos reduzidos como suas ferramentas básicas, ou à obra

edificada, em sua dimensão urbana ou arquitetônica, como materialização do projeto, o Ensaio Teórico confirma a importância da dimensão da arquitetura e do urbanismo por escrito, da arquitetura e urbanismo impressos. Palavras também constituem uma parte, indispensável, à prática arquitetônica e urbanística. Arquitetura tanto quanto espaço e imagem também é texto. Escreve-se como parte de um exercício consciente e deliberado dirigido para identificar, definir ou explorar um dado tema cuja relevância se encontra na contribuição, ainda que singela e despretensiosa, ao debate arquitetônico e urbanístico de uma dada época; escreve-se para comunicar, divulgar, definir, consolidar, apresentar ou transformar conceitos; escreve-se com o intuito de ir além de limites de tempo e espaço nem sempre alcançados pela arquitetura e urbanismo edificados, que não podem ser objetos de transportação ou reprodução, a exemplo de suas versões impressas ou por escrito. Escreve-se porque, segundo Brandão, “o destino da prática arquitetural é concluirse na teoria para renovar-se” ou porque, de acordo com o próprio Le Corbusier, “qualquer recurso de linguagem pode ser veículo de construção”. T 23

FAU PESQUISA

um texto científico, um primeiro estudo de teorias e conceitos, objetos de análise e síntese, sob orientação docente; uma primeira introdução à prática da pesquisa mediada por ações como levantamentos de fontes, processamento de dados empíricos e/ou sistematização de informações; um primeiro exercício de expressão escrita cujos critérios de elaboração devem se pautar pela ordem e consistência de pesquisa obedecendo às normas de apresentação de trabalhos científicos; uma primeira defesa oral de argumentos do trabalho desenvolvido.


ARQUI

Catálogo dos Ensaios Teóricos Faculdade de Arquitetura e Urbanismo FAU-UnB

Práticas integrativas em saúde: conceito, políticas

PRÁTICAS INTEGRATIVAS EM SAÚDE: CONCEITO, POLÍTICAS E PROJETOS

e projetos

por Gabriela Emi de Brito Akaboci orientada por Ricardo Trevisan

O retrato de uma Teresina esquecida: ensaio

sobre o esquecimento e memória de centros urbanos - estudo de caso da Praça Marechal Deodoro da Fonseca, em Teresina - PI por Júlio de Paiva Vieira Junior orientada por Flaviana B. Lira

Instituto Central de Ciências: fundamentos do projeto original

por Matheus Macedo orientado por Cláudia da Conceição Garcia

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A precariedade dos espaços físicos onde acontecem as Práticas Integrativas em Saúde (PIS) dentro do SUS levou à uma análise de projetos voltados às PIS. Observou-se que os efeitos provocados pelos ambientes, refletem os princípios de promoção à saúde através da interação social e, sobretudo, do contato com a natureza. A partir do levantamento das soluções projetivas de qualidade para cada tipo de PIS, foi feita a análise do espaço físico do Centro de Referência em Praticas Integrativas em Saúde (CERPIS), em Planaltina-DF. O estudo identificou a necessidade de divulgar e informar sobre as PIS junto ao sistema de saúde e na sociedade em geral, bem como melhor a infraestrutura, no que diz respeito à manutenção e ampliação. Aponta, sobretudo, a necessidade de mais estudos sobre como uma arquitetura adequada pode potencializar tais práticas. ENSAIO TEÓRICO 1/2014

ALUNA: GABRIELA EMI DE BRITO AKABOCI ORIENTADOR: PROF. DR. RICARDO TREVISAN


verde

patológico a vegetação nos diversos processos de degradação da cidade ensaio teórico/fau-unb - 1/2014

Verde patológico:

a vegetação nos diversos processos de degradação da cidade

matheus maramaldo andrade silva (10/0017916) orientadora: flaviana lira barreto banca: giuliana de brito sousa juliana saiter garrocho

27/06,16hs, sala 04, fau-unb

por Matheus Maramaldo A. Silva orientado por Flaviana B. Lira

Patrimônio arquitetônico de Formosa - GO

FAU PESQUISA

O que está prestes a ler aqui é um enredo pouco jocoso acerca da vegetação, travado por pesquisas árduas. Não pensem em mim como um Dom Quixote, que enxerga mal os moinhos da vida, estou são, nem como um ente que odeia a flora, como os colaboradores desta minha empreitada podem confirmar. As plantas são mais que uma obsessão machadiana para mim, são um motivo prazeroso de investigação constante. Mesmo parecendo torpe a denominação deste texto, verás que tenho certa razão. A cada capítulo e linha, entenderás o que as vinhas da ira podem fazer desde pequenas, mesmo se mostrando macias ao primeiro contato. Este ensaio, que teve como principais resultados um método de diagnóstico dos malefícios da equivocada implantação vegetal e uma listagem de fitopatologias urbanas, nada mais é do que um manifesto ao bom senso da produção urbana. Plantar algo fora de casa (e dentro também) é algo sério e que pode incorrer a erros faraônicos, por vezes pela nossa própria inexperiência ou mediocridade. Vejam, quem nunca se orgulhou de plantar uma árvore? Mas um dia o abacate que sairia dali não poderia machucar alguém? A vegetação pode ser uma caixinha de surpresas – inclusive uma caixinha de Pandora. Faço aqui valer então minhas palavras, mesmo que em terceira pessoa, ócios do ofício, sabendo que esta é demasiada científica para se tratar de algo tão desenvolto. Mas espero que a linguagem do meio acadêmico não esconda a principal mensagem do texto: não plante nada somente pelo código de barras; confira as informações nutricionais, a credibilidade da marca, o fornecedor e vá até a validade.

por Rubiana Lemos orientado por Flaviana B. Lira

Arquitetura onde ela também precisa estar: a implementação da lei de assistência técnica

por Erick Welson. M. orientada por Maria do Carmo

Estas ruas têm histórias: Cora Coralina e as

representações sociais da cidade de Goiás

por Jana Cândida C. dos Santos orientada por Elane R. Peixoto

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ARQUI

Práticas integrativas em saúde: Gabriela Emi de Brito Akaboci

O trabalho analisa as Práticas Integrativas em Saúde (PIS) buscando desvendar seus conceitos, políticas direcionadas e projetos especializados. Define o conceito geral de PIS e de suas principais representantes, sendo: Medicina Tradicional Chinesa – Acupuntura; Homeopatia; Fitoterapia; Medicina Antroposófica; Termalismo-Crenoterapia; e Medicina Tradicional Chinesa – Tai Chi Chuan. Também trata das políticas públicas, mostrando como o modelo biomédico se tornou hegemônico, e como chegamos ao atual cenário da saúde pública, que prioriza os níveis de atenção secundário e terciário. A Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS (PNPIC) foi a principal referência para a base conceitual.

conceito, políticas e projetos

A precariedade dos espaços físicos onde acontecem as Práticas dentro do SUS levou a uma análise de projetos internacionais voltados às PIS. A análise de cada espaço foi dividida em categorias: (1) implantação e composição; (2) circulação; (3) materialidade; (4) ambientação interna; e (5) relação com a natureza. Observou-se que os efeitos provocados pelos ambientes refletem os princípios de promoção à saúde através da interação social e, sobretudo, do contato com a natureza. As características observadas nesses projetos serviram como base para o levantamento de boas soluções arquitetônicas para as necessidades de cada Prática. A partir do levantamento das soluções projetivas de qualidade para

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Edifício de acolhimento, triagem e ambulatórios do CERPIS Fonte: Arquivo da autora.

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Acesso do edifício do laboratório do CERPIS Fonte: <http://sindsaude.org.br/portal/hrpl.html>. Acesso em: 5 de maio de 2014.

cada tipo de PIS, foi feita a análise do espaço físico do Centro de Referência em Práticas Integrativas em Saúde (CERPIS). O estudo identificou a necessidade de divulgar e informar sobre as PIS junto ao sistema de saúde e na sociedade em geral, bem como melhorar a infraestrutura, no que diz respeito à manutenção e ampliação. Aponta, sobretudo, a necessidade de mais estudos sobre como uma arquitetura adequada pode potencializar tais práticas. T

Orientador: Ricardo Trevisan Banca avaliadora: Raquel Naves Blumenschein Frederico Flósculo P. Barreto

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Novo PORTO do Rio: MARAVILHA para quem? Ingrid Fonseca de Araujo

Ao contrário dos discursos elogiosos que buscam a legitimação desse novo projeto de cidade na qual a cultura e o lazer mercadificados são promovidos como polos de atração turística e geradores de renda, a proposta de transformação da zona portuária do Rio corre o risco de produzir afastamentos sociais devido ao processo de gentrificação, entendido como a supervalorização de uma determinada região e a consequente subida do custo de vida, forçando moradores tradicionais a se mudarem do local. Assim, é provável que a antiga zona portuária do Rio transforme-se em uma cópia das revitalizações realizadas em outras cidades do mundo e que podem não estar condizentes com as necessidades da população. Apresentados para fins mercadológicos como espaços “revitalizados”, neles, porém, a população vivencia a “revitalização” como mecanismo gerador de expulsão e segregação social. T

FAU PESQUISA

Há algumas décadas se discute o futuro da região portuária do Rio de Janeiro. Muitos projetos para revitalização dessa área já foram apresentados, mas sem serem levados adiante. No entanto, em função da realização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 na cidade, o projeto recebeu apoio governamental. Desenvolvido em 2001, o Projeto do Porto Maravilha transforma a zona portuária em espaço prioritário de intervenção para a recuperação da área central da cidade. O projeto se estende a uma área de cinco milhões de metros quadrados e tem como base a reabilitação do sistema viário e da infraestrutura. Incluem-se também projetos arquitetônicos de grande impacto, edifícios-âncora como museus ou sedes empresariais de grande porte. Trata-se de uma estratégia do governo para alavancar o nome do Rio mundialmente, transformando a região portuária em uma nova área apta à circulação turística e práticas de consumo. O atual projeto baseia-se em “fórmulas de sucesso” realizadas em outras cidades mundo afora, em que as experiências de renovação de suas áreas portuárias passaram a se ligar às estratégias de marketing cultural e aos empreendimentos turísticos. As novas ações no sentido de implementar os “espaços de renovação” são cada vez mais homogêneas, moldadas a partir do efeito globalizante da economia, e acabam por determinar ou reforçar novas formas de inclusão/exclusão de grupos sociais.

Orientador: Pedro Paulo Palazzo Banca avaliadora: Benny Schvarsberg Elane Ribeiro

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ARQUI

Estas ruas têm histórias:

Cora Coralina e as representações sociais da Cidade de Goiás

Jana Cândida Castro dos Santos

A rua A rua entendida através de sua dimensão social tem sido objeto de interesse de pesquisadores cujo viés de trabalho apoia-se no cotidiano, mencionado nos livros, nas canções populares, ilustrados nas charges e contados nas histórias dos mais velhos. Para Kostof (1999), a rua pode ser entendida como uma instituição, dotada não só de uma identidade arquitetônica, mas também de uma função econômica e social. O autor explica que a rua tem expressão tanto pela forma (pelo uso dos materiais, tipo de pavimentos e calçadas, de mobiliário urbano, de vegetação) como pelo seu significado e valor institucional. E conclui que a forma e o conteúdo da rua são aspectos indissociáveis e, neste caso, a história da rua seria contada pela história de ambos. Como caminho conceitual, me propus a entender a rua pelo viés do imaginário. E, para isso, as poesias de Cora Coralina compuseram meu

material de pesquisa. A autora apresenta a cidade de Goiás muito particularmente, filtrando a beleza de seus detalhes corriqueiros. A leitura da autora goiana se fez de forma a iluminar a compreensão do conceito de representação social, permitindo ver a cidade de outra maneira que não a de sua história oficial ou a de sua forma esvaziada de seu conteúdo social. Poemas eleitos Dentre as principais publicações de Cora Coralina, o livro Poemas dos Becos do Goiás e Estórias mais guiou o desenvolvimento do trabalho, pois a autora nos apresenta sua cidade natal descrevendo seus aspectos sociais e morfológicos, falando de suas ruas, becos e largos. Aponta as tradições goianas, quando se refere aos costumes e ao modo de viver. Cora nos fala das pessoas simples e de personagens vivos em sua memória. Em alguns dos escritos, os edifícios aparecem por vezes

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Rua da Cidade de Goiás In: http://cidadedegoias.tur.br/ acesso: em Maio 2014.

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como protagonistas. Os elementos naturais também são presenças fortes, o relevo da Serra Dourada e o Rio Vermelho são muitas vezes mencionados. Os poemas e crônicas de Cora Coralina podem ser vistos como representações sociais, no momento em que seus poemas condensam imagens de vários tempos de uma cidade, seus costumes, sua gente, constituindo um material a alimentar o imaginário de uma época, e quando podem ser partilhadas por um coletivo goiano, da senhora rica à mulher lavadeira, da casa grande à mais simples. O compromisso de “contar, rever os autos do passado” reafirma a mestria de Cora Coralina em nos mostrar a alma encantadora das ruas de Goiás. Sua sensibilidade de mulher, sua delicadeza de menina e suas habilidades de doceira fazem dela uma contadora de belas histórias, vencendo os preconceitos de um tempo. Dona Cora, muito prazer e muito obrigada! T

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Detalhe da Cidade De Goiás In: http://cidadedegoias.tur.br/ acesso: em Maio 2014.

Orientador: Elane Ribeiro Peixoto Banca avaliadora: Flaviana Lira Mônica Gondim


O retrato de uma Teresina esquecida: O retrato de uma Teresina esquecida constitui um ensaio, onde o principal objetivo é resgatar a memória da cidade, dando enfoque ao seu local de origem, a Praça Marechal Deodoro da Fonseca, hoje mais conhecida como Praça da Bandeira. Dessa forma, buscamos construir uma narrativa, condensando os fatos históricos essenciais ao entendimento do atual quadro de esquecimento do centro histórico de Teresina, e principalmente da Praça da Bandeira. De forma não linear, usando de flashbacks, o ensaio, composto de quatro capítulos, se apropria das representações coletivas de Chartier, a fim de atribuir identidades à cidade de Teresina: “A Teresina hipertensa”; “Teresina: cidade menina”; “Teresina: moça afobada” e “A Teresina esquecida”, nomeando os capítulos do ensaio. O retrato começa a ser construído nos dias atuais onde se vê A Teresina hipertensa, uma cidade cujo coração (a Praça da Bandeira) é diagnosticado com graves patologias urbanas, um espaço público que sofre com o esquecimento por parte da população. A fim de entender esse esquecimento do local, retornamos ao passado, onde a Teresina menina nos é apresentada desde o seu nascimento até o seu primeiro centenário. Aqui é contada a história de Teresina, extremamente ligada à Praça da Bandeira, berço da cidade e local onde aconteciam as principais atividades da capital. Depois de conhecida a origem da cidade, buscamos, no terceiro ca-

pítulo, entender o seu crescimento, e como ele influenciou a dinâmica de uso e as morfologias da Praça da Bandeira. Aqui é mostrada a Teresina, uma moça afobada, em busca de um desenvolvimento tardio, e negligente com os seus espaços públicos. Ao construir o retrato de uma Teresina esquecida, vemos que a Praça da Bandeira se configura, na história, como um local ora enaltecido por sua importância histórica e potencial paisagístico e cultural, ora esquecido e afundado em problemas sociais, fruto do descaso da população e das políticas urbanas da cidade. Dessa forma, o ensaio é concluído com reflexões sobre “A Teresina esquecida”, mostrando a importância da preservação e da vivência do espaço da praça, retomando, assim, a memória coletiva (estudada por Halbwachs), essencial para o resgate da memória das cidades. T

Orientador: Flaviana Barreto Lira Banca avaliadora: Gabriela Tenório Elane Ribeiro

FAU PESQUISA

Júlio de Paiva Vieira Júnior

ensaio sobre o esquecimento e memória de centros urbanos - estudo de caso da Praça Marechal Deodoro da Fonseca, em Teresina - PI

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Teresina Imagem de Teresina com a Praça da Bandeira em segundo plano. Em primeiro, o metrô e o shopping da cidade. Foto de Juscelino Reis Fonte: http://www.skyscrapercity.com

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ARQUI

Verde patológico: a vegetação nos diversos processos de degradação da cidade

Matheus Maramaldo Andrade Silva

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Impedimentos Desenho do autor

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Quando falamos de vegetação, o que normalmente vem a nossa mente está associado a fruições e à qualidade de vida. Porém, será que ela traz somente benefícios? Olhando minuciosamente para os percursos que diariamente são transcorridos, nota-se que nem sempre o translado vegetado é agradável, chegando por vezes a gerar a percepção de perigo. Percebendo isso, viu-se a necessidade de avaliar em que medida a vegetação também pode trazer malefícios ao contexto urbano. A discussão construída buscou responder isso por meio de revisão da literatura e de estudos de campo, organizando conceitos e uma ferramenta de diagnóstico aplicável a áreas urbanas, tendo como estudo de caso a Superquadra 308 Sul de Brasília. Lendo e saindo a cidade, verificou-se a presença de três grupos fitopatológicos : ambientais sanitários (1), físicos (2) e psicossociológicos (3). Associados as plantas, encontraram-se problemas como toxidades (1), desconforto ambiental (1), atração de fauna hostil (1), agressões materiais “estáticas” e em movimento (como frutos e árvores inteiras despencado) (2), elementos cortantes (2), segregação (3), inatividade (3) dentre vários outros, que foram listados e subcategorizados. Após essa classificação, foi montada uma ficha contendo tabelas (síntese das fitopatologias) e espaços para mapas (como o seguinte) e graficações, servindo de base para diagnósticos, a exemplo do que foi feito na área escolhida.

No caso desta, foram vistas 288 ocorrências (sem contar as árvores velhas e caducifólias). O piso estava bastante desgastado pela invasão de ervas daninhas e raízes superficiais e havia muitas plantas espinhosas e venenosas sem proteção, mas, em um panorama geral, esta área se encontrava em um patamar diferenciado, com poucas barreiras vivas e grande variedade florística. Visto isso, além de auxiliar em futuros projetos da quadra, o que se espera com esta ferramenta é contribuir com os novos planejamentos de espaços livres e revitalizar os existentes. Quando não se há projeto ou cuidados de manutenção, o verde ameaça a saúde, a segurança e a cadeia social das cidades, sendo imprescindível compreender suas características, ponderando acerca de várias dimensões que vão muito além da estética. T Orientador: Flaviana B. Lira Banca avaliadora: Giuliana de Brito Sousa Juliana Saiter Garrocho


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FAU PESQUISA


NO VOS AR QUI TE TOS


ARQUI

Sobre o TCC Cláudia da Conceição Garcia

É com grande satisfação que a Faculdade de Arquitetura da Universidade de Brasília (FAU-UnB) reúne, nessa primeira edição da revista ARQUI, os trabalhos de conclusão de curso (TCC) e que carinhosamente a comunidade da FAU designa como “diplô final”. O termo abreviado faz referência à antiga denominação ao projeto de diplomação de curso, cuja exigência era determinada pelo currículo mínimo de Arquitetura na década de 60. Não se trata de um anacronismo, mas sim uma tradição histórica, que de alguma maneira, entre outros aspectos, mantém viva a história da construção acadêmica do curso de Arquitetura e Urbanismo da UnB. O trabalho de conclusão do curso (TCC) em arquitetura e urbanismo corresponde a um componente curricular obrigatório a ser realizado no último ano de estudos, centrado em determinada área teórico-prática ou de formação profissional, como atividade de síntese e integração de conhecimento e consolidação das técnicas de pesquisa. Obrigatoriamente o aluno deverá desenvolver o projeto individualmente, com tema de livre escolha do estudante, relacionado com as atribuições profissionais e cujo desenvolvimento é acompanhado sob a supervisão de professor orientador, escolhido pelo estudante entre os docentes do curso, a critério da FAU-UnB. 34

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Ao longo do desenvolvimento do TCC o aluno é submetido a quatro bancas de avaliação: a primeira, segunda e terceira compostas pelo professor orientador, com a participação de dois professores da FAU-UnB. Ao final do processo o aluno apresenta o projeto para uma banca final que é composta pelos três professores que acompanharam todo o desenvolvimento do projeto, acrescida de um professor convidado e um arquiteto representante do IAB-DF, cujo objetivo é avaliar o produto final. A publicação dos projetos de final de curso representa uma nova iniciativa e se alinha a outras publicações, cujo objetivo é fortalecer, ainda mais, o projeto político-pedagógico do curso de arquitetura e urbanismo. Se por um lado é um caminho que busca estimular nossos alunos a obter ótimos resultados no TCC, por outro representa mais um recurso de avaliação pedagógica. O registro dos projetos finais, formalizados em uma publicação semestral, viabilizará um acompanhamento sistemático da produção acadêmica dos alunos. Desde 1966, ano de formatura da primeira turma de Arquitetura e Urbanismo, a UnB tem brindado Brasília com novos arquitetos e urbanistas, cuja formação profissional permite a atuação direta e indireta na cidade e, consequentemente no cotidiano de cada cidadão. Nesses mais de 50 anos


Independente do tema, o aluno deve atender plenamente tais expectativas a fim de que possa se consagrar como um profissional comprometido com os verdadeiros ideários da profissão e garantir, assim, a cada cidadão melhor qualidade de vida sem desrespeitar os princípios urbanísticos da cidade, além de garantir e preservar a qualidade de seu espaço público. Além disso, há os desdobramentos nas diversas especificidades da área de arquitetura e urbanismo que poderão contribuir, inclusive, para o progresso do nosso país. Nesta primeira edição adotou-se como critério para seleção dos trabalhos a serem publicados, aqueles que atingiram menção superior na avaliação por parte da banca final. Além disso, com o objetivo de estimular o nosso corpo discente, a comissão de professores responsável por esta primeira edição propôs indicar como destaque os trabalhos que de maneira exemplar atingiram com superioridade todos os critérios de avaliação do TCC. Primeiro semestre de 2014 Nesse semestre observamos a presença marcante de desenvolvimento de projetos urbanísticos que variam desde a escala do bairro à escala da cidade, com a proposição de expansões urbanas, requalificação de áreas degradadas, intervenções em sistema viário visando integração de

áreas urbanas, requalificação de espaços públicos etc. Além desses, há a presença de projetos de arquitetura de caráter institucional e cultural cuja implantação impacta positivamente para qualificação de áreas públicas, que inclusive demostram respeito à escala de Brasília. A escolha dos temas pelos alunos reflete, sobremaneira, o conhecimento apreendido nesses mais de cinco anos de curso e revela a vocação da nossa instituição. Ajuda-nos a identificar as falhas, porém contribui para revelar que nossos professores conseguem colocar, cada um a seu modo, uma semente de esperança no coração de cada um desses futuros arquitetos, pois cada projeto, de uma maneira ou de outra, revela a preocupação para a construção de um mundo melhor. Parabenizamos e agradecemos o corpo docente, os funcionários, a coordenação de diplomação, os alunos formandos, professores orientadores, professores das bancas intermediárias, além dos professores e arquitetos convidados, que a cada semestre contribuem para que a FAU-UnB possa entregar à sociedade um profissional com forte consciência social, pois nesses longos anos de formação devemos muito à sociedade brasileira que contribuiu para que possamos oferecer um ensino público, gratuito e de qualidade. T

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NOVOS ARQUITETOS

a FAU tem assumido essa responsabilidade, a fim de garantir que cada aluno e, portanto, futuro profissional se comprometa social, política e culturalmente com o destino de Brasília, uma cidade que além de ser a capital dos pais é consagrada como Patrimônio Histórico e Artísitico da Humanidade. Nesse sentido, o projeto político-pedagógico do curso atende as diretrizes curriculares e visa assegurar uma formação profissional generalista, capaz de compreender e traduzir as necessidades de indivíduos, grupos sociais e comunidade, com relação à concepção, à organização e à construção do espaço interior e exterior, abrangendo o urbanismo, a edificação, o paisagismo, bem como a conservação e a valorização do patrimônio construído, a proteção do equilíbrio do ambiente natural e a utilização racional dos recursos disponíveis. Como consequência, no trabalho de conclusão de curso o aluno deve apresentar as habilidades necessárias para conceber projetos de arquitetura, urbanismo e paisagismo, considerando os fatores de custo, de durabilidade, de manutenção e de especificações, bem como os regulamentos legais, de modo a satisfazer as exigências culturais, econômicas, estéticas, técnicas, ambientais e de acessibilidade dos usuários.


ARQUI

Catálogo de Diplomação Faculdade de Arquitetura e Urbanismo FAU–UnB

Mosteiro de São Bento

Brasília, DF

por Carina Beltrão de Medeiros orientação: Bruno Capanema e Nonato Veloso imagem: Carina B. de Medeiros

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Canteiro experimental da FAU-UnB parcela do lote SN8, destinado a expansão acadêmica da UnB, Brasíia DF

por Rodolfo C. Sarney Carvalho orientação: Frederico Flósculo imagem: Rodolfo C. S. Carvalho

Natuá: restaurante no Parque da Cidade Parque da Cidade, Brasíia DF

por Isabela R. de Souza Tavares orientação: Luciana Sabóia imagem: Isabela R. S. Tavares


Parque de Uso Múltiplo Enseada Norte – Setor de Clubes Norte – Brasília, DF

Centro de cultura e gastronomia do DF Brasília, DF

Clube Vizinhança 112 |113 norte Estrada Parque Contorno, DF-001, Paranoá/ Itapoã

por Mariana Freitas orientação: Joe Rodrigues imagem: Brunno Vilela

por Artur Rocci orientada: Bruno Capanema imagem: Fábrica d`arte

por Marina Bacha Junho Aires orientação: Bruno Capanema imagem: Hermes Romão

Escola de educação infantil Maria Montessori

Velódromo de Brasília

Chancelaria e residência oficial do Brasil na Armênia

Estrada Parque Contorno, DF-001, Paranoá/ Itapoã

por Carolina Alves Vieira orientação: Jônio Cintra imagem: Carolina Alves Vieira

Guará, DF

por Bruno Rodrigues Tenser orientação: Aleixo Furtado maquete: Bruno Rodrigues Tenser

NOVOS ARQUITETOS

Espaço CORES – Convívio e Reintegração Social

Ierevan, Armênia

por Ana Luiza Lacerda Amaral orientada: Oscar Ferreira imagem: Ana Luiza Amaral e Lorena Nery 37


ARQUI

(Re)composição com ponto histórico Estação do Cipó parque cultural Sacramento, MG

por Luiz Eduardo Sarmento Araújo orientação: Flaviana Lira imagem: Luiz Eduardo S. Araújo

Intervenção urbana na Candangolândia-DF Candangolândia, DF

por Jonnatan Guimarães Pinheiro orientação: Cristiane Guinancio imagem: Jonnatan G. Pinheiro

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Parque da Candanga

Candangolândia, DF

por Gabriela Elias Camolesi orientação: Gabriela Tenório coorientação: Liza Andrade e Carolina Pescatori imagem: Gabriela Elias Camolesi

Intervenção urbanística no SHIGS 713, 714 e 715 Brasília, DF

por Lara Agostinho Araújo orientação: Gabriela Tenório imagem: Lara A. Araújo e Kessio Guerreiro

Se essa rua fosse minha, espaços públicos pensados para crianças

Qualificação urbana da Cidade Estrutural

Cidade Estrutural, DF

por Maíra Guimarães orientação: Benny Schvarsberg maquete: Maíra Guimarães, Danilo Fleury, Gabriela Nehme e Gabriela Bílá

por Gabriela Curado Nehme orientação: Cristiane Guinancio imagem: Gabriela C. Nehme

Cidade Estrutural, DF


Brasília, DF

por Melissa Aragón Escobedo orientação: Bruno Capanema imagem: Melissa Aragón e Jindrich Tomásek

Planejamento rural e projeto de fazenda no sudoeste baiano Correntina, BA

por Nayanna N. P. Teixeira orientação: Kristian Schien imagem: Nayanna N. P. Teixeira

Ocupando Estelita

Recife, PE

NOVOS ARQUITETOS

Mariápolis: vilarejo religioso

por Tamiris Tomimatsu Stevaux orientação: Flaviana Lira imagem: Tamiris T. Stevaux

Planaltina Parque: projeto urbanístico de interesse social Planaltina, DF

por Marilia Ferreira Alves orientação: Cristiane Guinâncio coorientação: por Liza Andrade e Carolina Pescatori imagem: Marilia F. Alves 39


ARQUI

Sobre os destaques Cláudia da Conceição Garcia

Marina Bacha

O projeto se destaca pela sensibilidade na implantação. Sendo acertada e respeitosa com o entorno, promove a integração com espaço público imediato e as superquadras, em coerência com os ideários do Plano Piloto de Brasília, cuja premissa foi fundamental para definição do traçado regulador do projeto. Agrega ainda, solução, técnica e funcional, além da preocupação ambiental sem abrir da qualificação estética.

Tamiris Stevaux

O projeto se destaca pela relevância do tema no contexto da requalificação urbana, além da seriedade no levantamento e uma pesquisa abrangente que viabilizou e deu subsídios ao desenvolvimento do desenho. O projeto traz respostas às questões do desenho urbano contemporâneo, com destaque para os seguintes pontos: a priorização ao pedestre; respeito às preexistências dos valores locais; criação de uma identidade; aproveitamento da infraestrutura existente; diversidades de usos; densidade habitacional coerente; boa configuração dos espaços públicos, respeitando a mobilidade e acessibilidade de todos. 40

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NOVOS ARQUITETOS


ARQUI

Clube Vizinhança 112 | 113 norte

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Projeto e texto de Marina Bacha Junho Aires

Clube Vizinhaça Clube de Vizinhança é a forma como são denominados os Clubes Sociais Esportivos e Recreativos, que desempenhariam um importante papel dentro das Unidades de Vizinhança de Brasília para a população. Segundo o Relatório do Plano Piloto, proposto por Lucio Costa (1957), esses equipamentos urbanos localizados próximos às habitações visavam uma promoção de uma “coexistência social”. Os lotes destinados a esses Clubes seriam os das Entrequadras Norte e Sul da cidade. Inicialmente previstos em seis, apenas um foi construído, o Clube de Vizinhança nº1 42

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da Entrequadra Sul 108/109. Com projeto original do próprio Lucio Costa, esse Clube foi construído um pouco depois da construção de Brasília. O Clube de Vizinhança 112/113 Norte visa, portanto, a promoção de atividades de Esporte e Lazer dentro do contexto urbano das Entrequadras próximo às habitações e outros serviços. Além disso, possui a intenção de promover um espaço de encontro destinado à convivência da população.

Localização O Clube de Vizinhança visa

atender à comunidade do Plano Piloto, em especial àquela próxima ao seu entorno, integrando o ideal de Unidade de Vizinhança proposto por Lucio Costa. Dessa forma, a escolha de uma Entrequadra como lote para o projeto tem como propósito tornar o uso do Clube mais cotidiano, tendo em vista que atualmente há uma setorização dos clubes sociais recreativos nos setores de Clubes Sul e Norte, próximos ao Lago Paranoá e afastados das habitações do Plano Piloto. Além disso, os terrenos das Entrequadras encontram-se atualmente desocupados em sua grande maioria, o que gera uma descon-


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IMPLANTAÇÃO 0

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tinuidade urbana, principalmente na porção Norte da cidade. Assim, o terreno escolhido para o projeto foi o da Entrequadra Norte 112/ 113. Além das condicionantes do terreno, como a sua declividade e a vista da cidade, a proximidade com o Parque Olhos D’Água foi também um dos fatores que motivaram essa escolha. Apesar de estar do lado oposto dos Eixos Rodoviários, o Clube de Vizinhança complementaria as atividades do Parque, que não contempla uma diversidade muito grande de atividades de esporte e lazer.

Privado x Público O projeto do Clube, apesar de considerar os ideais de compor uma Unidade de Vizinhança previsto por Lucio Costa, propondo atividades próximas às habitações, deve também levar em consideração o contexto atual do local do projeto e sua relação com a cidade. Dessa forma, uma das maiores dificuldades do projeto surge ao propor um espaço privado e seguro para os usuários do Clube, e, simultaneamente, criar um espaço permeável e com usos públicos de forma com que o lote não perca sua dinâmica com o entorno. Assim, foram determinados alguns

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Vista frontal Acesso principal ao edifício a partir da via W1 2

Implantação O edifício foi implantado na Entrequadra 112 | 113 e se adapta bem ao seu contexto urbano 3

Vista interna Vista do espaço interno do clube e seu caráter público e privado 43


ARQUI

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conceitos e diretrizes de acordo com os estudos feitos a partir das condicionantes do local.

Permeabilidade Atualmente, o lote da Entrequadra escolhido para o projeto não possui nenhum equipamento construído. Existe apenas uma grande área de gramado com poucas árvores e duas traves de gol, o que indica o uso do local como campo de futebol, apesar das precárias condições. Também estão presentes alguns caminhos de terra demarcados na grama, indicando um fluxo de pedestres/bicicletas em determinados percursos. Foram delimitados, com isso, os principais fluxos no terreno, que cortam o lote nos sentidos longitudinal, que marca uma passagem do Comércio Local até o Eixinho, e transversal, que une as duas Superquadras do entorno. Dessa forma, nasce um dos conceitos para o projeto, o de manter a permeabilidade dos fluxos existentes e a visual, aproveitando a declividade natural do terreno de forma a preservar e valorizar a principal vista da cidade a Nordeste. Integração | Vivência Outro fator importante para o projeto são os edifícios e equipamentos presentes em seu entorno. Portanto, é importante levar em consideração uma forma de integrar esses espaços, da mesma forma como Brasília foi proposta inicialmente, com a criação das Unidades de Vizinhança. Em vista disso, uma das diretrizes para o Clube da 112/ 113 Norte é a promoção da integração com o entorno, não apenas com o Comércio

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Local e os Eixos Rodoviários, mas também com as Superquadras, criando-se ao longo dessa integração espaços de vivência como praça, restaurante, café, livraria, lanchonete e lojas. Esses espaços foram criados próximos aos eixos dos fluxos principais. O eixo transversal foi proposto, ainda, de forma a conectar uma praça arborizada existente na Superquadra da 113 Norte com o restante do projeto. Essa encontra-se hoje em estado precário e praticamente inutilizável. Dessa forma, pretende-se revitalizar o espaço de maneira a trazer uma maior vivência para o local.

NOVOS ARQUITETOS

Acolhimento O espaço do Clube conta com uma área mais privada e outra de âmbito público. Ambas, com o intuito de serem locais agradáveis e convidativos aos seus usuários e transeuntes. Outra diretriz adotada, portanto, foi a questão do acolhimento. Afinal, a população deve ter suas necessidades atendidas e o direito ao esporte e ao lazer preservados da melhor maneira possível. O espaço privado é composto pelos volumes principais, ordenados nos sentidos dos eixos principais, e de áreas abertas dispostas ao seu redor, além de outras áreas presentes nos níveis inferiores. Já o espaço público dispõe de uma grande praça formada em uma faixa mais ao Sul do lote, e conta com atividades públicas distribuídas em torno dos eixos transversal e longitudinal, tornando-o não só um local de passagem, mas também um local agradável de encontro da população. T

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Vista aérea Esquema aéreo do edifício 5

Fluxos Mapa de fluxos do entorno 6

Vista interna Vista dos espaços de convivência e lazer 7

Perspectiva explodida Indica os variados espaços e funções do edifício 45


ARQUI

Ocupando Estelita

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Projeto e texto de Tamiris Tomimatsu Stevaux

A grande dependência do Homem com relação à água sempre condicionou sua forma de vida. Essa estreita relação não é apenas fisiológica, mas também econômica. Muitas cidades instaladas próximas a rios e mares eram verdadeiras portas de entrada e saída para uma diversidade de atividades, produtos e desbravadores de horizontes impulsionados pelas grandes navegações e foram, por muito tempo, centros funcionais e geográficos, que determinaram o tecido urbano do restante da cidade. Com o desenvolvimento tecnológico e a substituição do modelo industrial por uma economia de caráter diversificado, essas áreas em frentes hídricas foram perdendo importância, dando origem a um processo de declínio, que proporcionou o esvazia46

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mento de usos e funções, o abandono e a degradação dos imóveis, além da precariedade dos espaços, equipamentos e serviços urbanos. Nas últimas décadas, essas antigas cicatrizes deixadas no tecido urbano voltaram a atrair os interesses do capital por serem detentoras de grandes vantagens estratégicas, como a presença de infraestruturas, a boa localização na malha urbana e a possibilidade de agregar valor econômico ao patrimônio arquitetônico que ficou preservado ou, muitas vezes, abandonado. No entanto, muitas dessas intervenções seguem os padrões do planejamento estratégico, usando o território de forma indiferente ao contexto e independente do tempo. Na construção de uma espécie

de realidade paralela, na qual as cidades se mostram comuns e banais, as intervenções de requalificação têm deslocado o foco das relações sociais construídas localmente, ao buscar inserir as cidades numa lógica global, caracterizada pelo consumo visual das paisagens enobrecidas para o lazer e para o turismo cultural, pondo em risco os preceitos do direito à cidade, à qualidade de vida, o direito à memória e à identidade da cidade. Nesse contexto, como forma de questionar o rumo que o planejamento da cidade tem tomado e sua influência no desenho urbano, foi escolhido como objeto de trabalho deste Projeto de Graduação a área do Cais José Estelita, em Recife, Pernambuco. O Cais José Estelita, localizado em um dos bairros mais antigos


da cidade do Recife, tem sua paisagem urbana marcada pela presença das águas, grandes eixos de transporte e galpões desativados. Apesar de ser uma área bastante degradada e carente dos cuidados do poder público, o espaço tem singular importância por seus traços históricos e seu valor estético, artístico, urbanístico, paisagístico e simbólico, que guardam memórias e nos ajudam a compreender a configuração da cidade contemporânea. Desde 1990 são desenvolvidos projetos de requalificação para o Estelita, no entanto, somente em 2012, após a venda do terreno de 100 mil metros quadrados, para um complexo de empresas privadas do setor imobiliário, formado pela Moura Dubeux, Queiroz Galvão, GL Empreendimento e Ara Empreendimentos, um pro-

jeto foi aprovado. Nomeado Consórcio Novo Recife, ele prevê uma nova vestimenta para a área: doze torres de até 40 pavimentos, entre elas, condomínios luxuosos e um grande polo hoteleiro, pistas de cooper, comércio e bares que prometem agregar valor ao local. Por desconsiderar questões urbanísticas básicas, pela conivência do poder público, juntamente com a ausência da participação popular e a presença de diversas ilegalidades no processo de venda do terreno e aprovação do projeto, a população se mobilizou contra o Consórcio, criando o movimento Ocupe Estelita. Com os debates que surgiram em torno do consórcio Novo Recife, o objetivo deste trabalho é principalmente estimular a reflexão sobre a cidade em que queremos

viver. A revitalização do Cais José Estelita vai muito mais além de criar uma nova vestimenta para o lugar, deve tratar-se de um processo conduzido pela comunidade, com um bom projeto e um programa de gestão, com o estabelecimento de uma gama de parcerias, projetos colaborativos e as relações público-privadas. Um projeto que envolva a comunidade e que seja o reflexo de

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Vista aérea Criação de uma esplanada para pedestres 2

Mapa Intervenção na área do Cais José Estelita e seu contexto urbano 47

NOVOS ARQUITETOS

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ARQUI

uma identidade fundamentada localmente, através da visão do público das áreas existentes e do contexto. Portanto, no sentido de requalificar a área em questão, fortalecendo sua identidade e memória, e integrá-la com seu entorno, promovendo usos democráticos, com acesso irrestrito da população, este projeto visa, antes de tudo, servir como contraponto crítico, com a intenção de mostrar não uma solução, mas uma possibilidade dentre infindáveis abordagens e ações que poderiam ser postas em prática para reativar o Estelita, sobretudo sob a perspectiva do desenvolvimento humano, preocupando-se com a melhoria da qualidade de vida de todos os cidadãos. A fim de promover a dimensão humana como dimensão necessária a um novo planejamento foi pensado um projeto que tivesse como diretrizes: - a integração do Cais José Estelita com o Bairro de São José e o restante da cidade, recosturando “esse retalho da cidade, na trama urbana e, ao mesmo tempo, fortalecendo toda a trama ao redor”; - o estímulo ao adensamento da área de modo sustentável, aproveitando e melhorando a infraestrutura existente; - a promoção do desenvolvimento de um sistema de transporte eficiente, valorizando o pedestre, a bicicleta e o transporte público, nesta ordem de importância; - a implementação de espaços públicos de qualidade e acessíveis a toda a população, principalmente a partir da criação de áreas verdes; - a diversidade de usos e funções, sobretudo com atividades que sejam compatíveis com as necessidades e vocação da área; - o uso dos pavimentos térreos com áreas de uso público e não 48

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residenciais, com acesso para a via pública, a partir da proposição de fachadas estreitas, uso de detalhes e variedade de materiais para estabelecer fachadas mais atrativas; - a implementação de atividades que promovam a vida diurna e a noturna, de modo a promover a circulação de pessoas durante um largo período do dia, proporcionando a sensação de segurança ao transeunte; - a afirmação do Cais José Estelita como instrumento de identidade da população recifense, destacando os valores da comunidade, mantendo o caráter público essencial às frentes hídricas e fortalecendo a memória do cais, através de atitudes como a valorização dos marcos históricos e patrimoniais e conservação da memória da linha ferroviária, dos armazéns e dos cilindros de armazenamento; - a redução do tamanho do lote por meio do parcelamento em lotes menores, facilitando a conexão da orla com o restante do bairro; - a preocupação com os aspectos bioclimáticos, protegendo os usuários das altas temperaturas presentes ao longo do ano e os períodos de chuva, além do cuidado com a ventilação natural; - o estímulo ao contato dos cidadãos recifenses com a água; - o estudo do desenho urbano de forma a promover a acessibilidade universal, pela supressão de barreiras e de obstáculos nas vias e espaços públicos. A partir dessas diretrizes o projeto propôs uma volumetria que busca respeitar a paisagem de um recife horizontal, garantindo a visibilidade do conjunto urbano dos bairros de Santo Antônio e São José, onde estão localizados 16 bens tombados pelo IPHAN. Marcada por edifícios de doze

pavimentos, a Avenida Sul se abre para a frente hídrica através de portais marcados por edifícios lineares de cinco a oito pavimentos que configuram as vias transversais. Já a Avenida Engenheiro José Estelita é caracterizada por um padrão de edifícios mais baixos, com no máximo seis pavimentos, que dialogam com os elementos preexistentes no terreno. O elemento estruturador da proposta foi o prolongamento do eixo da Avenida Dantas Barreto pela criação de uma esplanada para pedestres, que não só trespassa o lote do cais, mas continua além da Avenida José Estelita, terminando em um píer que poderá ser ponto de chegada e saída de pequenos barcos de transporte de pessoas e turismo. O prolongamento de eixos de integração entre o bairro e a frente hídrica se repete ao longo da orla, criando espaços de permanência e apreciação da paisagem. No que diz respeito aos usos, o projeto prevê a presença de atividades residenciais, comerciais, de serviço, institucionais, culturais e recreativas. Seguindo a proposta do Plano Diretor de 2006, propôs-se a requalificação do armazém de açúcar a partir da implantação de uma escola de formação profissional com centros de desenvolvimento esportivo, musical e cultural. Além da criação de um espaço de eventos e apresentações culturais aproveitando os silos de armazenamento. A maioria dos edifícios é de uso misto, isto é, apresentam o pavimento térreo ativo, ocupado por atividades comerciais ou de serviço e os pavimentos superiores ocupados por residências, sendo os primeiros pavimentos destinados à área de garagem e lazer. A proposta busca não apenas a


patrimonial, como o Forte das Cinco Pontas, a Igreja Matriz de São José e os armazéns do Pátio Ferroviário, ganharam cores vivas que auxiliam a exaltar a relevância história, paisagística, urbanística e simbólica do lugar, ao mesmo tempo em que contribuem na orientação e identificação do espaço por parte dos usuários e transeuntes. Além disso, o uso das cores no desenho de piso auxilia no reconhecimento dos espaços compartilhados, onde não existe a tradicional segregação entre os veículos automóveis, pedestres e outros usuários das vias e todos compartilham em harmonia do espaço público. No que diz respeito aos aspectos bioclimáticos, foram analisados os ventos predominantes e identificadas as fachadas que atuam como barreiras. Como forma de minimizar os impactos negativos gerados por essas barreiras criadas, foram adotadas as estratégias de escalonamento dos edifícios, posicionando os mais

altos (máximo 12 pavimentos) atrás dos mais baixos (mínimo 5 pavimentos), a criação de pavimentos vazados, como forma de reduzir os efeitos da sombra de vento (igual a seis vezes a altura do edifício) e não prejudicar o tratamento dos andares inferiores dos edifícios, um elemento de grande importância na vivacidade da cidade. Outra estratégia para otimizar o conforto térmico foi a adoção de edifícios com o pavimento térreo recuado, criando uma proteção para o pedestre tanto das altas temperaturas quanto da chuva. T

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Vista aérea Vista da cidade em contraste com a intervenção proposta

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NOVOS ARQUITETOS

diversidade de usos e funções, mas, principalmente, a diversidade de público. Com relação à mobilidade, o projeto melhora a infraestrutura viária criando um sistema de calçadas amplas e atrativas, uma linha de trem de superfície, aproveitando o leito ferroviário existente, faixas exclusivas para o transporte coletivo, novos pontos de ônibus, um sistema de ciclofaixa em toda a área do cais, prevendo inclusive sua expansão para as áreas do entorno e novos pontos de aluguel de bicicleta, e a retirada do viaduto das Cinco Pontas, acompanhada de nova proposta viária e da criação de uma grande área verde de permanência, o parque do Estelita. Inspirando-se nas arquiteturas e espaços da cidade do Recife, o projeto buscou trazer as cores como uma metáfora da cultura e alegria dos cidadãos recifenses. Portanto, a orla, a praça dos silos, o eixo histórico Dantas Barreto e o cruzamento que conecta edifícios de grande importância


ARQUI

Mosteiro de São Bento Projeto e texto de Carina Beltrão de Medeiros

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Construções religiosas fazem parte da história do homem, em busca de uma aproximação com o divino através da manifestação do transcendente e do indizível. Hoje os espaços convidam através dos materiais utilizados, mas em especial pela luz e proporção. O foco saiu do concreto para a luz; o material se torna um meio para conduzir o imaterial. No catolicismo, a água é relacionada ao batismo, início da vida religiosa. Parte do projeto é disposto sob um espelho d’água, buscando santificar os espaços. A busca não é por uma edificação que abrigue um espaço de oração, mas por um 50

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espaço que seja a própria oração. O caminho tem sua importância na eterna busca pelo divino. O fogo atrai, aconchega, aquece; reúne comunidades. Está relacionado à chama do Deus e ao Espírito Santo. Os mosteiros de São Bento são conhecidos pelos votos de pobreza, humildade e simplicidade, através da clausura monástica. A Regra de São Bento dirige estas instituições desde o século VI e, embora ainda vigente, é hoje aplicada com algumas concessões. O objeto de projeto é o novo Mosteiro de São Bento em Brasília, dada à incapacidade do atual de atender à demanda. O programa de neces-

sidades foi elaborado junto aos monásticos, considerando duas características antagônicas do mosteiro: o recolhimento e a necessidade de contato com a comunidade. Apesar do vasto terreno, apenas uma parte foi utilizada pelo projeto, ao passo que o restante cria o isolamento necessário através da vegetação. O diálogo com o urbano foi explorado, fornecendo um novo elemento à cidade, a capela, cuja cobertura marca a paisagem. A água atua também como elemento de diálogo com Brasília. O projeto foi dividido em três edificações: o mosteiro, a capela e a hospedaria, que acolheria as funções


de 7,5 m no mosteiro, atingindo os 20 m na capela. As lajes são nervuradas, mas maciças nos balanços. A cobertura da capela é composta por uma malha de vigas protendidas e lajes nervuradas, todas invertidas. A passarela do mirante, em treliça metálica, vence um vão de 40 m, com uma altura de 2,5 m, se apoiando no campanário. O jogo de volumes entre a capela e o claustro se justifica nas relações com o mundo externo. Enquanto a capela ganha altura e se destaca na paisagem, o claustro se apresenta como um vazio em meio à água. O claustro tem como pressuposto a humildade e o isolamento, colocando-se em uma posição de subserviência, formalmente o elemento negativo. A capela tem um papel de liderança, exemplo, identidade de toda uma comunidade, é o elemento positivo, vertical e marcante no perfil do projeto. T

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Vista Capela A preocupação com a luz é um dos condicionantes do projeto 2

Corte O projeto se aproveita da declividade do terreno

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NOVOS ARQUITETOS

de secretaria e loja. Além destas, um boulevard unifica o complexo, mediando hospedaria e capela, cotidiano e retiro. O ponto focal deste é uma grande fogueira externa. Na hospedaria se dá o contato entre monges e fiéis, uma vez que é proibida a entrada de fiéis no mosteiro, ou contato após as missas na capela. Cada quarto de hóspedes conta com um jardim externo para oração. O visitante ali não deve esquecer o motivo principal de sua estadia: consentimento divino. No pavimento superior do mosteiro estão as funções mais elevadas espiritualmente, que tipicamente constituem o claustro: biblioteca, sala capitular, oratório e refeitório. O oratório, como principal ambiente do mosteiro, recebeu um pé-direito triplo, com iluminação zenital, como luz intocável que vem de cima. A estrutura é em concreto armado, modulada com vãos máximos


ARQUI

Centro de cultura e gastronomia do DF Projeto e texto de Artur Rocci

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O Centro de Cultura e Gastronomia de Brasília localiza-se no CLRN 502, no início da avenida W3 norte. Para propor este novo uso, pretende-se demolir a concessionária existente no local e usar este terreno para uma nova proposta que poderá ser melhor aproveitado pela população. Por se tratar de uma região próxima aos setores centrais de Brasília, julgou-se que um uso que se aproximasse de um complexo de restaurantes fosse muito bem-vindo para aqueles que trabalham pelas redondezas, já que existem muitos usos diversos, como escritórios, comércios e instituições e pouca oferta de lugares 52

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para se alimentar e passar o tempo. Além do Centro de Gastronomia o Centro de Cultura foi pensado para servir de incentivo para revitalização e reavivamento da avenida W3 norte como um entre vários pontos de cultura que poderão ser consolidados ao longo da avenida. “Até os anos 1970 foi importante polo cultural e comercial da cidade; já há algum tempo deixou de desempenhar esse papel” (HOLANDA, 2003). A W3 se encontra em contínuo abandono desde a década de 70, por isso ela foi escolhida para sediar o terreno do Centro de Cultura e Gastronomia de Brasília.

A rampa gramada próxima ao cruzamento das vias é um espaço público adjacente ao Centro que foi projetado para receber diversos eventos de naturezas distintas, sejam eles voltados à gastronomia, cultura, feiras de artesanato, antiguidades etc., ou até mesmo shows com música ao vivo e teatro. É um espaço público em que foram dadas as devidas condições para que a população de Brasília tenha mais um espaço livre e agradável, possibilitando-lhe a apropriação deste espaço para a realização de eventos, a fim de reanimar uma área tão importante para a cidade de Brasília.O acesso principal acontece pela


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Fachada Oeste Vista da fachada oeste próxima à avenida W3 norte. Imagem por Fábrica d`arte. 2

Entrada Vista da praça Central. Acesso principal ao Centro de Cultura e Gastronomia. Imagem por Fábrica d`arte. 3

NOVOS ARQUITETOS

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Fachada Sul Vista a entrada na fachada sul pela rampa gramada. Imagem por Fábrica d`arte.

praça central entre o Centro de Cultura e o Centro de Gastronomia e é feito através das portas pivotantes que demarcam as entradas. Há dois outros acessos pela fachada sul, voltada para o cruzamento das vias. O concreto é o material mais usado no projeto, aparecendo tanto como material construtivo e de revestimento de paredes internas e externas e nos pisos elevados. A fim de quebrar com a monotonia do concreto usou-se muita madeira em detalhes como em portas, esquadrias e fechamentos de aberturas. As aberturas funcionam como visuais pontuais para aqueles que

percorrem o prédio tanto em seu interior quanto em seu exterior. A cobertura com sua estrutura metálica foi projetada para integrar visualmente o complexo, facilitando a percepção das pessoas de que se trata de um mesmo edifício, além de funcionar como sombreamento, dando ao espaço um grau de conforto térmico agradável. T

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Velódromo de Brasília Projeto e texto de Bruno Rodrigues Tenser

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Introdução No Brasil, nesta década, o esporte está em destaque – país-sede dos jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro (2007); dos Jogos Mundiais Militares (2011); da Copa das Confederações de Futebol (2013); da Copa do Mundo de Futebol (2014); e dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos do Rio de Janeiro (2016). Nesse cenário, a ideia de propor a construção de um velódromo com padrões olímpicos, na capital do país, visa ao desenvolvimento de um esporte pouco praticado em alto nível no Brasil – o ciclismo. O país possui poucos velódromos apropriados. De maneira geral, seu estado de conservação é precário, além de a maioria estar defasada em relação às exigências do Comitê Olímpico Internacional (COI). O Terreno O sítio escolhido para o projeto do 54

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velódromo localiza-se no Guará, Região Administrativa X do Distrito Federal, distante cerca de 10 km do centro de Brasília e com população de 175 mil pessoas. No Guará II, está localizado o Centro Administrativo, Vivencial e Esportivo (CAVE), onde se encontram a Administração Regional, a Feira do Guará e o complexo esportivo, composto por estádio de futebol, ginásio de esportes, kartódromo, pista de skate, quadras coberta e descoberta, quadra de areia (voleibol e futevôlei), pista de bicicross e motocross. A proximidade de um complexo esportivo como o CAVE foi um dos fatores determinantes para a escolha do terreno em que o velódromo foi projetado. O terreno está localizado entre a via do Contorno do Guará, uma área de preservação ambiental, e a pista de motocross do CAVE. Livre de ocupação, o sítio possui área

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total de aproximadamente 60.000 m².

Fluxo Externo Pedestres O fluxo de pedestres acorre principalmente no sentido norte-sul, em um largo passeio proposto para conduzir o público da estação de metrô até a entrada principal do velódromo, passando por uma grande praça. Na proposta, a praça é uma extensão do velódromo, onde o público pode permanecer antes e depois das competições. Possui restaurantes e lojas, além de ser um espaço que pode ser utilizado para outros tipos de eventos. Veículos O velódromo possui três áreas para estacionamento: duas áreas grandes, ligadas por uma via interna, as quais minimizam o congestionamento de veículos nos horários


Estrutura A estrutura do velódromo é composta de pilares de concreto armado, dispostos de maneira elíptica, os quais suportam a carga das arquibancadas superiores e do anel de compressão externo, ambos também em concreto armado. Em virtude do grande comprimento do anel de compressão, este possui juntas de dilatação nas quatro extremidades da elipse. A estrutura do anel é vazada internamente, onde não há encontro com os pilares, para diminuir o peso próprio. Cabos de aço protendidos, dispostos de maneira radial, ligam o anel de compressão a um anel interme-

diário, para suporte de equipamentos de som e luz, e também a um anel interno tracionado. Todo o complexo do velódromo é coberto por uma membrana de fechamento, fixada na estrutura de cabos.

O velódromo Para fins didáticos, o velódromo pode ser dividido em três áreas. São elas: - Área destinada ao público: composta por arquibancada superior, com capacidade para aproximadamente 3.260 espectadores, e cadeiras inferiores, com capacidade para 1.774 pessoas. Ambos os setores possuem espaços para cadeirantes. A bilheteria encontra-se na entrada principal. Banheiros e lanchonetes estão distribuídos de maneira a atender toda a extensão do velódromo. Internamente aos portões e catracas de acesso, há ainda lugares reservados exclusivamente para a guarda de bicicletas do público. - Área de competições: é o centro da estrutura do complexo, onde

ocorrem as competições. Possui a pista oficial de ciclismo com 250 metros de extensão e inclinações variáveis, como exigido pelo Comitê Olímpico Internacional. Rebaixada um metro do nível da pista, há uma grande área plana para acesso dos competidores. Nessa área, encontra-se também uma quadra poliesportiva de dimensões oficiais. Dessa maneira, o velódromo comporta outros tipos de atividades, esportivas ou não. - Área de apoio: área localizada no nível inferior à pista, destinada principalmente ao apoio dos competidores. Possui estacionamento coberto, oficina de bicicletas, boxes para equipes, vestiários, apoio médico, academia, auditório, espaço para exposições, lojas e outros. Alguns desses ambientes, tais como a academia e as lojas, possuem acesso pelo lado externo, para o uso do público geral, nos dias em que não houver competição. T

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Maquete Relação volumétrica do projeto com o entorno

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Vista interna Simulação do uso esportivo do espaço

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Fachadas Fachada frontal e posterior do edifício 55

NOVOS ARQUITETOS

de entrada e de saída do velódromo. Em dias de competição, o estacionamento norte é destinado ao público e o sul é reservado para organizadores e funcionários. O estacionamento interno, com acesso pelo sudoeste, é restrito aos ônibus dos competidores, ambulâncias e pessoas credenciadas.


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Chanceleria e residência oficial do Brasil na Armênia Projeto e texto de Ana Luiza Lacerda Amaral

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Armênia e Brasil As relações diplomáticas entre Brasil e Armênia estão se aprofundando nos últimos anos e ainda não há, neste país, um imóvel Próprio Nacional para abrigar a Embaixada e a Residência Oficial do Brasil. A arquitetura junto a outros aspectos culturais brasileiros ajuda a consolidar a imagem do país no exterior e, portanto, a construção de uma edificação que esteja em consonância com tais características é essencial. Além disso, o corte com aluguel seria significativo e, em um curto período, já se teria economia. Diplomacia e Arquitetura A relação entre dois ou mais países é normalmente realizada pelo Chefe de Estado junto a um corpo diplomático e pode abranger as vertentes política, comercial, econômica, financeira, cultural e consular. No Brasil, é o Ministério das Relações Exteriores (MRE) que desempenha este papel. Atualmente, o Brasil mantém relações diplomáticas com 138 países e possui, dentre suas representações diplomáticas, embaixadas, consulados, vice-consulados, organizações multilaterais e escritórios financeiro e comercial. Há muitos imóveis que são patrimônios nacionais, chamados no MRE de Próprios Nacionais. A arquitetura, como linguagem, arte e cultura, pode iniciar um intercâmbio de valores entre países

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por intermédio da edificação da embaixada. Quando tratada como símbolo, esta deve transmitir a essência de seu país, as intenções em relação ao país que a sedia, além de suprir um programa de necessidades peculiar.

Localização A área destinada à embaixada está localizada em Yerevan, capital da Armênia, país localizado no Leste Europeu. O terreno de aproximadamente 2.300 m² foi concedido ao Brasil para a construção da Embaixada. A face maior do lote é voltada para uma larga avenida, chamada Grigor Lusavorich, com 6 faixas de rolamento. Ao lado sul é tangenciado por uma ruela de pouco movimento. O fundo do lote dá para o pátio de uma escola e, portanto, há horários de muito barulho. Diretrizes de Projeto Os programas de necessidades das edificações em questão possuem peculiaridades. A residência oficial abriga um representante de Estado e, por isso, não possui o mesmo programa de necessidades de uma casa comum. O primeiro pavimento é destinado a recepções e reuniões de médio porte. A modulação é crucial para se obter um espaço flexível. Outra diretriz importante é a segurança. Na residência, os quartos de visitante estão isolados da área destinada ao embaixador e os funcionários que trabalham na casa

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Fachada Vistas da fachada principal do edifício

devem circular por áreas distintas. Quanto à Chancelaria, a segurança é ainda mais reforçada. A partir de um único ponto de controle, a identificação é feita tanto para pedestres quanto veículos. Os aspectos ambientais, tais como temperatura, ventos, insolação e relevo, foram considerados no projeto. A preocupação ambiental é hoje um dos temas diplomáticos tratados entre os países, e a arquitetura deve externar a posição do Brasil. Como se trata de obra pública, alguns princípios influenciaram no

resultado final, como a austeridade, a sobriedade e a economia. A bossa do projeto está na torção do último pavimento voltado para a bela paisagem com a montanha Ararat ao fundo. T

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Bossa voltado para a bela paisagem com a montanha Ararat ao fundo. 57

NOVOS ARQUITETOS

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ARQUI

(Re)composição com ponto histórico Estação do Cipó parque cultural Projeto e texto de Luiz Eduardo Sarmento Araujo 1

Localizada em Sacramento (MG), o complexo da Estação do Cipó foi inaugurado em 1888, entrando em desuso em 1975. Desde então entrou em completo abandono. A intervenção pretende, além da pesquisa histórica que retoma a memória do lugar, dar novos usos para as edificações históricas e incluir novas edificações formando o Parque do Cipó, democratizando o acesso à orla do Rio Grande. A linha Praticamente repetindo o trajeto dos bandeirantes, as linhas de trem foram ocupando o vale do Rio Grande, passando pelo Triângulo Mineiro, rumo ao “Paiz dos Goias”. As estações de Sacramento (Cipó) e Uberaba foram, provavelmente, as últimas construídas com mão de obra escrava, revelando um paradoxo de um país periférico que pretendia se modernizar: importava tecnologia de ponta dos países téc-

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nico e culturalmente hegemônicos e as implantava com mão escrava. Sacramento possuía outras três estações em seu território, mas a Estação do Cipó (denominada oficialmente de Estação de Sacramento) era a mais utilizada pela população, pela proximidade com a cidade, a uma distância de aproximadamente quatorze quilômetros do centro do município. A distância entre o perímetro urbano e estação fez com que ocorressem fenômenos atípicos na relação cidade-linha férrea, talvez o mais interessante é que, para facilitar o acesso dos passageiros e trocas comerciais, foi implantado um sistema de bondes elétricos, que fazia o trajeto cidade-estação, provavelmente o único caso de um bonde elétrico – meio de transporte essencialmente urbano – funcionando em zona rural. O bonde funcionou até 1938.

Entendendo o sítio O Ponto Em quase 700 quilômetros de linha férrea da Companhia Mogiana, a Estação do Cipó, que funcionava 24 horas por dia, era o ponto mais importante para os citadinos de Sacramento, por ser irradiador de riquezas, desenvolvimento e principalmente mudanças. Repetindo o que ocorreu com os bondes elétricos, que tiveram um breve período de funcionamento, por causa da destruição do modelo ferroviário em detrimento do modelo rodoviário, entrou em desuso em 1975. Atualmente o conjunto conta com seis edificações, a estação propriamente dita, com compartimento que funcionava como administração e bilheteria, unida volumetricamente pela plataforma de embarque e grande galpão de carga. Além disso, quatro casas: uma


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Intervenções na Estação do Cipó 2

Fotos históricas Armazém e habitações funcionais do complexo arquitetônico Estação do Cipó – década de 1950. Bondes elétricos de Sacramento – inauguração da linha em 1913 – único caso de bondes rurais no Brasil. Ligou a cidade de Sacramento à estação mais próxima, no Cipó. Fonte: acervo Carlos Alberto Cerchi.

Maquete Vistas gerais do projeto, mostrando o parque, os deques, pavilhões de apoio e edificações de interesse histórico. Por Talita Sá. maior destinada à família do chefe da estação, uma geminada para a equipe de manutenção da linha e outras duas pequenas casas de funcionários e um armazém. O Plano A gleba onde se encontra a Estação do Cipó possui generosa paisagem natural. A norte-noroeste do sítio existe uma encosta, área de preservação permanente coberta de florestas de cerrado – tipo de vegetação do bioma de transição entre as matas de galeria e os campos. A sul está o Rio Grande, que foi represado a partir de 1999. Ao sudeste e ao sudoeste, desde o início dos anos 2000, iniciou-se um processo de loteamento das áreas rurais e a consequente privatização da orla. Projeto de intervenção a) CAMPING, contando com infraestrutura básica: cozinhas cole-

tivas, banheiros, e administração/ guarita – somando aproximadamente 7.000m²; b) PARQUE DA ESTAÇÃO, contando com área ajardinada, deques, banheiros públicos, bares e áreas cobertas de permanência próximas ao rio, somando aproximadamente 12.100 m²; c) RESTAURANTE DA ESTAÇÃO e pequena loja de conveniência nos galpões de carga da antiga estação, contando com área de 400 m²; d) PONTO DE MEMÓRIA DA LINHA FÉRREA, na antiga bilheteria e administração da Estação, com aproximadamente 150 m²; e) ESTAÇÃO DA FLORA CERRATENSE, contando área expositiva e educativa na antiga casa do chefe da estação e de produção e propagação de mudas da vegetação nativa do cerrado, com área total de aproximadamente 700 m²; f) ESTAÇÃO DA FAUNA CERRATENSE, com enfoque na memória

ribeirinha e na divulgação dos peixes nativos da região que praticamente desapareceram após a implantação das usinas hidrelétricas, área de aproximadamente 150m², ocupando o antigo alojamento dos funcionários de manutenção da linha; g) ALOJAMENTO para funcionários e eventuais pesquisadores e estudantes, área de 300m²; h) PRAÇA DA ESTAÇÃO, com paisagismo e possibilidade de receber pequenos eventos, área de 2600m². i) CAPELA NOSSA SENHORA DO CERRADO - ocupando o antigo armazém. T

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NOVOS ARQUITETOS

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ARQUI

Intervenção urbanística no SHIGS 713, 714 e 715 Projeto e texto de Lara Agostinho Araújo

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O projeto refere-se a uma intervenção urbanística nas quadras 713, 714 e 715 Sul, que visa à qualificação das áreas livres verdes e das ruas locais, a fim de priorizar o pedestre e o ciclista, proporcionando espaços de permanência, para reduzir a insegurança atualmente presente no local. A área do projeto é próxima a uma região hospitalar e a instituições de ensino, sendo lindeira à W3, um importante corredor de transporte público e centro comercial. Além disso, é uma região em que se pode morar em casa dentro do plano piloto. A intenção, então, é a de aproveitar a abundante oferta de serviços e transportes próximos às 700 e estimular o caminhar e o pedalar, inibindo o uso do carro dentro das quadras, por meio do incentivo ao uso dos estacionamentos nas proximidades e tornando as ruas locais 1

Horta Comunitária Lara Agostinho Araújo, Rodrigo Rezende da Cruz e Késsio Guerreiro 2

Quiosques e Skate Park Lara Agostinho Araújo e Késsio Guerreiro 3

Planta do projeto Lara Agostinho Araújo 4

Perspectiva da praça 714 Lara Agostinho Araújo 60

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visto que comunidades unidas cuidam mais e melhor da vizinhança e criam redes de segurança. Dessa maneira, as áreas verdes foram tratadas de forma a abrigarem novos e diversificados usos a fim de reunir os vizinhos e proporcionar novas trocas sociais. Assim tem-se parques infantis, parques para cachorros, academias e hortas comunitárias distribuídas por essas áreas verdes e, no grande recuo da 714 voltado para W3, tem-se uma praça com quiosques, skatepark e a deli-

mitação de uma área para a criação de um centro comunitário. A ideia é lançar um modelo de quadra mais sustentável, que sirva de vitrine para as outras quadras. T

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NOVOS ARQUITETOS

em ruas compartilhadas. O projeto também leva em conta princípios de sustentabilidade, tendo como uma das metas a descentralização da infraestrutura urbana, ou seja, adotando sistemas alternativos de reaproveitamento de águas pluviais, de tratamento de esgoto e de geração de energia solar em cada residência, para diminuir a dependência dos sistemas convencionais. Além disso, tem-se como outra importante meta fomentar o sentido de comunidade,

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Qualificação urbana da Cidade Estrutural

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Projeto e texto de Maíra Oliveira Guimarães

Nos últimos anos, muito foi investido na Cidade Estrutural para a execução das obras de infraestrutura urbana e de implementação de equipamentos públicos e comunitários. Entretanto, viu-se a replicação sistemática de modelos urbanísticos imediatistas e de simplificação das dinamicidades locais em detrimento a padrões socialmente responsáveis de planejamento urbano. São inúmeros os problemas ainda presentes na Cidade, como infraestrutura de saneamento precária, escassez de empregos, deficiência nos serviços de saúde, de educação, de lazer e de transporte, altos índices de violência urbana, além

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do grave problema do déficit habitacional, ilustrado pelo contínuo crescimento das invasões. Estimase que 8 mil moradores dos 35 mil estejam alocados em áreas de proteção ambiental. Por entender a complexidade do objeto de estudo, a Qualificação Urbana da Cidade Estrutural partiu de uma escala mais abrangente, apresentando, inicialmente, um novo zoneamento para a Cidade, o qual veio a se enquadrar e a complementar as intervenções propostas para Setor Central do parcelamento. Em ambas as escalas de proposição, almejou-se a construção de uma configuração urbana mais coeren-

te, que viesse a reforçar o significado das identidades próprias da Cidade e a incentivar o desenvolvimento de suas potencialidades em âmbitos locais e regionais. Dentre as diretrizes do projeto, encontram-se: a) A dinamização das áreas por meio de uma maior destinação a usos mistos, suprindo as demandas locais de disponibilidade de serviços, promovendo maior diversidade de usos e estimulando as oportunidades de produção de renda das famílias; b) A criação de novos espaços verdes de usos diferenciados e dotados de equipamentos comunitários, de modo a amenizar o quadro de in-


Comércios

Vias peatonais e praças

Residências multifamiliares

Feira Livre

Boulevards

11 pavimentos

Usos mistos

Praças

6 pavimentos

Stands e quiosques

Calçadas

3 pavimentos

tensa densidade construtiva, favorecer os indicadores de qualidade urbana e auxiliar o processo de segurança compartilhada; c) Amparado na aplicação dos conceitos da Nova Mobilidade, foi proposta a completa transformação do Setor Central em zona peatonal, a ser dotada de boulevards e praças, bem como a implementação de um sistema ciclo viário integrado e abrangente em todas as vias principais e coletoras da Cidade; d) O incentivo ao desenvolvimento econômico local e à integração com o entorno por meio da criação da Feira Livre, constituindo um novo núcleo de vitalidade e

NOVOS ARQUITETOS

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atratividade urbana; e) A criação de unidades de habitação coletiva multipavimentos com uso misto no térreo. Tal proposta visa à diversificação de usos e à atenuação do problema habitacional, além de contribuir para a orientação urbana da Cidade. T 1

Antes e Depois Contraste entre situação existente e situação prevista em projeto 2

Mapas temáticos Mapas representativos de 3 das 4 diretrizes de projeto

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Mariápolis: vilarejo religioso Projeto e texto de Melissa Aragón Escobedo

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Definição Mariápolis são pequenos vilarejos que têm como única lei o amor recíproco, fundamentado na regra de ouro, princípio das grandes religiões: “Fazer com os outros aquilo que gostaria que fosse feito com você e não fazer com os outros aquilo que não gostaria que fosse feito com você”. Esses vilarejos surgiram por inspiração de Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, como uma nova sociedade baseada na comunhão de bens culturais, espirituais e materiais. Os habitantes dessas comunidades se caracterizam por serem de 64

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diferentes nacionalidades, idades, credos, culturas e níveis socioeconômicos, porém, com o mesmo intuito de construir um mundo mais fraterno. Quanto à situação dos habitantes, há o tipo permanente (aqueles que moram na cidadela sem período determinado) e os habitantes de passagem (aqueles que decidem passar um período de até um ano). O vilarejo se mantém com o trabalho dos seus habitantes sob o sistema econômico denominado “economia de comunhão”, onde cada um coloca livremente à disposição da comunidade a sua profissão e suas capacidades pessoais. Nas diferentes cidadelas se realizam di-

versos tipos de trabalhos, de acordo com o contexto do local onde se situam. Compreendem desde professores, arquitetos, médicos, entre outros. Existem inclusive vários ateliês com trabalhos mais simples, de fácil aprendizado para os habitantes de passagem.

Memorial Descritivo A Mariápolis de Brasília está localizada numa área rural, com chácaras, e conta com um entorno natural muito agradável, típico do cerrado. Por esse motivo, durante o processo de criação, deu-se uma especial atenção a esse aspecto, ao propor espaços verdes no interior


dente do conjunto. Dado que para os habitantes do vilarejo é muito importante ter uma vida comunitária, privilegiaram-se os espaços de uso comum, entre eles o conjunto de praças que conectam a cidade por meio de um canal central. Contribuir com a preservação da natureza também é uma necessidade da comunidade. Por isso o canal central das praças, durante o período de chuvas, receberá a água coletada e tratada dos prédios, para posteriormente, acompanhando o caimento do terreno, chegar nos espaços de cultivos localizados nas encostas. A Igreja, edifício que poderia ser considerado o de maior significância, foi implantado no ponto mais alto do terreno, de maneira a ressaltá-lo e afirmar sua hierarquia na composição. Como a Igreja não terá seu uso restrito ao vilarejo, sua implantação

previu um acesso direto, desde a entrada principal. Esse acesso foi marcado e ressaltado por meio de vegetação de porte mais alto, com palmeiras ao longo de toda a via e reforçando a perspectiva para a edificação. Ao equilibrar esses diversos aspectos, como respeito à natureza, vida em comunidade, produção local, entre outros, o projeto busca chegar no desejo principal das Mariápolis, de ser uma pequena expressão de uma sociedade equilibrada que consegue subsidiar todas suas necessidades materiais, sociais e espirituais. T

NOVOS ARQUITETOS

do vilarejo e mirantes localizados nos pontos mais altos do terreno e acessados por meio de passarelas. Essas passarelas permitem ao transeunte se sentir entrando na natureza e fazendo parte dela, sendo um modo de aproximá-lo com o divino. A subsistência das Mariápolis se dá por meio da produção e venda de produtos e, por isso, decidiu-se colocar os comércios e ateliêrs juntos e próximos à BR80 para maior visibilidade de quem passa de carro perto do vilarejo. Além do comércio e ateliêrs, a economia de Mariápolis conta ainda com alojamentos para eventos, o que propicia postos de trabalho para os habitantes locais. Tais alojamentos são, muitas vezes, utilizados por diferentes instituições que precisam ter certa independência e privacidade, e, por esse motivo, decidiu-se implantá-los em local mais isolado e indepen-

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Vista aérea geral Melissa Aragón, Isabel Cabral e Jindrich Tomásek

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Vista da igreja Melissa Aragón, Jindrich Tomásek

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Vista aérea do parque central Melissa Aragón, Jindrich Tomásek

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Planejamento rural e projeto de fazenda Projeto e texto de Nayanna Nobre Pinheiro Teixeira

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Esta diplomação nasceu da demanda do sudoeste baiano por projetos rurais qualificados para as fazendas da região. Há mais de trinta anos a região vem sendo utilizada em grande escala para a produção de soja, milho, sorgo e algodão. A falta de investimento do governo faz com que os próprios latifundiários precisem investir na propriedade. Pelas grandes distâncias percorridas, todos os envolvidos no funcionamento da fazenda precisam de uma sede que atenda às necessidades primárias (abrigo, alimentação, educação, saúde e lazer). 66

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Para o funcionamento sadio de uma sede de produção agrícola, foi constatada a necessidade de complexos residenciais e de serviços. Para atender a essa necessidade foi planejada uma fazenda com dois eixos distintos que fizesse com que a população que habitasse o local não precisasse conviver com a área da produção agrícola. Para o projeto foi escolhida uma grande propriedade que é fornada por cinco fazendas privadas, pertencentes a mesma sementeira. Essas cinco fazendas, atualmente, são estruturadas separadamente,

sendo que a mão de obra empregada nelas precisa percorrer toda as áreas para atender às necessidades do trabalho. O programa de necessidades foi estabelecido a partir de um estudo na própria região. As cinco fazendas que serão beneficiadas pelo projeto apresentam déficit tanto na estrutura residencial quanto na de serviços. A criação de uma sede central proporciona aos funcionários uma qualidade de vida, já que as distâncias ficam mais acessíveis, tornando mais fácil a ida ao trabalho e a volta para refeições e descansos.


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NOVOS ARQUITETOS

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A sede é projetada para acompanhar as curvas de nível da região. O traçado arqueado faz com que as vias se adaptem melhor ao terreno. A via principal é responsável por setorizar as áreas residenciais das áreas de serviço. Assim, o morador não precisa lidar com trânsito pesado perto da sua moradia, assim como os funcionários em horário de trabalho não precisam se preocupar com pedestres em áreas de trânsito intenso de caminhões e maquinário. Todos os edifícios da sede foram projetados a partir de um sistema

construtivo padrão. As treliças de madeira estão espalhadas pelas construções garantindo identidade. Toda a arquitetura foi inspirada no estudo realizado sobre as fazendas coloniais brasileiras. T

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Vista de pássaro Imagem aérea renderizada 1

Maquete Maquete física do complexo

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Residências Imagem do complexo residencial renderizada 67


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Planaltina Parque

projeto urbanístico de interesse social Projeto e texto de Marilia Alves

Amplia

+

1

Tamanho

Lucro Custo

R$

R$

R$

R$

R$

R$

R$

R$

1

EMBRAPA + Moradores

Oficinas, cursos prÆticos e profissionalizantes

Prote ªo das pesquisas + Conhecimento Empoderamento La os comunitÆrios

Conjuntos de habitações de interesse social deveriam ser planejados e construídos como se fossem cidades implantadas rapidamente, procurando um baixo custo econômico e para uma população vulnerável. Em todas as instâncias, a máxima eficiência deve ser combinada com a máxima preocupação pela qualidade de vida de seus habitantes, de modo que esses objetivos de velocidade, economia e bem-estar social não se tornem opostos. Na melhor prática, eles deveriam ser dois lados da mesma moeda, enquanto estratégias sociais deveriam visar uma ação eficiente, e modelos de racionalização de trabalhos e custos poderiam ser atrelados às

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R$ MCMV

Fam lia tipo

Habita ªo tipo

R$ Prosperidade

R$

Oportunidade de mudan a

Aumento de densidade Diversidade arquitet nica Identidade

necessidades a longo prazo dos habitantes desses conjuntos. O termo “a longo prazo“ se refere a ações ou consequências que não são somente instantâneas, mas são processos com uma dimensão temporal. Quanto tempo é longo? As decisões sobre a construção de conjuntos habitacionais podem ter impactos que se estenderão por muito tempo na vida de seus habitantes. Sendo assim, o argumento seguinte para o planejamento de conjuntos habitacionais como entidades de longo prazo deve ser observado: a pior coisa que pode acontecer é a construção de um conjunto que cresce excessivamente, causando superlotação da infraestrutura

Planejamento processual Um modo de garantir o sucesso projetual é pensá-lo a longo prazo. Além de permitir as modificações inerentes à vivência humana, é importante instigá-las. preexistente, ou custos de reconstrução ou remanejamento. Geralmente, os indicadores para se construir um empreendimento econômico se baseiam na redução de custos de material por meio de um projeto inteligente, redução de desperdício material mediante técnicas de construção eficientes, redução de desperdícios de tempo e mão de obra por meio de um cronograma competente, redução do custo do uso do edifício dentro de toda a sua vida por meio da implementação de materiais duráveis. É preciso expandir os objetivos da construção racional em duas direções, que são fundamentais na contagem dos custos e benefícios


de um conjunto habitacional. Eles devem ser incluídos não apenas para os habitantes dos edifícios e do bairro, mas para aqueles de outras localidades que têm qualquer ligação com o lugar e estender esse conceito de custos e benefícios, para cobrir não só aqueles de habitar determinado lugar, mas também levar em conta o possível suporte e capacitação que um espaço pode oferecer à manutenção de vida de seus moradores, mudando das questões de existência, para questões de prosperidade. O loteamento estabelecido para a implantação desse bairro é vizinho ao Mestre d’Armas, na RA de Planaltina, em uma área ocupada pela Embrapa. O GDF pretende expulsá-la e a Embrapa alega que suas pesquisas não sobreviverão a essa mudança. Esse projeto é uma resposta a vários conflitos políticos, sociais e ambientais e critica diretamente os processos atualmente estabelecidos pelo Programa Minha Casa, Minha Vida. Pretende dar uma alternativa à retirada da Embrapa, o estabelecimento de um desenvolvimento urbano a longo prazo com processos de participação popular, integração entre os bairros Mestre d’Armas e a cidade de Planaltina, além de criar condições ambientais não destrutivas para uma área de fragilidade ecológica. T 2

Calçadão urbano As vias foram implantadas de modo a acomodarem canais de infiltração à vista da população de modo a criar uma identidade e incitar cuidados por parte dos moradores

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Centro dos Bairros Centros de bairros são importantes espaços de agregação comunitária. No projeto, ele foi locado de modo a servir ao novo bairro e àqueles adjacentes.

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Pátios semi-públicos As unidades unifamiliares se agrupam em torno de pátios comunitários que, por meio de associações externas, irão formar suas identidades dentro do urbano.

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Exposição dos Trabalhos Finais de Graduação Galeria da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo

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Conteúdo da exposição Seminário final – projeto final (entrega e seminário) Formato: 3 pranchas em formato A0, com orientação retrato, apresentado em seminário com presença de banca. Conteúdo mínimo: mapas, planta de situação, planta de locação/cobertura, plantas baixas de todos os níveis, 2 cortes, fachadas principais, perspectivas, todos os detalhes significativos relacionados à natureza do projeto; especificações de toda natureza que sejam indispensáveis à compreensão da proposta; memorial descritivo; modelo reduzido com curva de nível. Nesta etapa será entregue, em definitivo, o Caderno de processos contendo o processo de projetação e croquis desenvolvidos ao longo dos 2 semestres, desde Diplomação I. Trecho retirado do Plano de Curso do Trabalho Final de Graduação 1/2014

Fotos de Marilia Alves 73


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Opera Prima SESC Asa Norte Evelise Grunow | Publicação original em Projeto Design, Edição 409 Imagens e fotos cedidas por Adélia Margarida Massimo Ribeiro

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O trabalho de graduação que a arquiteta Adélia Margarida Ribeiro defendeu em 2011, na UnB, um dos premiados no Opera Prima, teve como tema a criação de uma unidade do Sesc, misto de centro social, de esporte e lazer, na Asa Norte, em Brasília. A escolha do programa deriva do estudo de Margarida sobre a obra de Lina Bo Bardi, notadamente do Sesc Pompeia, em São Paulo, e do desejo de intervir no Plano Piloto da capital federal. A proposição inicial do Centro de Atividades do Sesc na Asa Norte ocorreu no oitavo semestre, antes do usual no curso de arquitetura e urbanismo da UnB. Lá, o ensaio teórico não precisa ter reflexo direto no projeto de conclusão, mas Margarida optou por dar continuidade ao estudo que desenvolveu sobre a relação entre os espaços pú76

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blicos e os privados na obra de Lina Bo Bardi. O Sesc Pompeia, então, serviu de inspiração para o programa do trabalho de graduação. O terreno escolhido, a Entrequadra 112/113 (EQN 112/113), foi um achado. Vazio e destinado originalmente a abrigar um Clube de Vizinhança, atendia ao propósito de dar uma unidade do Serviço Social do Comércio na Asa Norte. Da análise do entorno residencial e comercial – tanto local quanto de maior porte – surgiram os eixos ortogonais que estruturam o projeto em torno de uma praça aberta. “É uma implantação muito respeitosa”, assinala a orientadora Luciana Saboia Fonseca Cruz, que destaca ainda o processo de trabalho de Margarida (amparado por maquetes

de estudo, da localização até o detalhamento) e a referência de obras como as de Paulo Mendes da Rocha, em que cruzamentos demarcam praças públicas. O Sesc desenhado por Margarida é setorizado em três edificações: um grande volume horizontal e elevado sobre pilotis abriga as atividades sociais, esportivas e administrativas; uma construção encaixada na declividade do terreno é ocupada pela quadra poliesportiva; e a caixa me-

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Vista externa Vista da praça conformada pelos eixos longitudinal e transversal da implantação


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Espaço interno O térreo em pilotis internaliza a praça aberta 3

Maquete do contexto Modelo representando o inserimento do projeto, em escala 1:1250

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tálica vermelha do palco do teatro é o ponto de destaque. Sobre a colaboração entre orientadores (o trabalho teve coorientação de Janes Oliveira) e orientanda, Margarida destaca o questionamento de Luciana sobre a estratégia que efetivasse a pretendida interação do projeto com a paisagem e o próprio programa, o que, entre outros, repercutiu no partido e no enfrentamento do desnível de cerca de dez metros. E, na via oposta, Luciana elogia a maturidade da ex‑aluna: “Ela buscou ter experiência também fora da universidade, era uma aluna com excelente bagagem”. A condução coletiva das orientações é outra prática de Luciana elogiada pela jovem arquiteta: “Faz com que estejamos em constante desenvolvimento do projeto”. Bruno Capanema e Luiz Márcio Penha foram os arquitetos convidados, respectivamente pela universidade e pelo IAB/DF – “um convênio de mais de três anos de existência”, explica o atual presidente da entidade, Thiago Teixeira –, para formar a banca junto com Cláudio Queiroz, Gabriel Dorfman e Luciana. Para ela, o diferencial da UnB é o convívio de professores com perfis variados e a vocação para o ensaio teórico e para a problematização dos projetos.

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Parecer do júri O trabalho se destaca pelo rigor projetual, uma forte tradição da arquitetura brasileira, e pela inserção condizente com o contexto urbano. Utiliza formas simples para criar os espaços e volumes, ao mesmo tempo em que abriga as atividades com dinamismo. T 4

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Vista externa Vista da passagem do eixinho W para a comercial e da entrada para o teatro

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Cortes Os cortes evidenciam a relação das edificações com o terreno em desnível

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Maquete do projeto Modelo representativo do SESC Asa Norte, em escala 1:750


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Croquis

Ficha técnica

UnB-FAU | Trabalho Final de Graduação - 1.2011 Aluna: Adélia Margarida Massimo Ribeiro Orientadora: Luciana Saboia Orientador de estruturas: Janes Oliveira Membros da banca final: Cláudio Queiroz, Gabriel Dorfman, Bruno Capanema (professor convidado UnB-FAU) e Luiz Márcio Penha (professor convidado IAB-DF) Colaboradores: Eder Alencar, Matheus Gorovitz, Gisele Cangussú, Ana Cyra Brêtas e Ana Carolina Vaz Maquete eletrônica e imagens realistas: Eder Alencar Maquete escala 1:750: Ana Carolina Vaz 79

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Concurso elege a marca do Museu da Educação do DF Sonia Cruz – Decanato de Extensão Publicação original no site da UnB

Os três primeiros lugares foram conquistados por estudantes da UnB: Luiz Eduardo Sarmento Araújo (1º lugar), Clara Cristina de Souza Rego e Artur Leonardo Coêlho Rocci (2º lugar) e Gabriela Bandeira Advincula (3º lugar). Além disso, Daniella Demathei do Valle foi contemplada com menção honrosa. “É um grande orgulho ter um trabalho de minha autoria servindo de imagem a uma instituição tão importante, que resgata essa história da educação no DF”, enfatiza o vencedor, que é aluno da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU). Além de Luiz Eduardo, Artur e Gabriela também são estudantes da 80

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FAU. As outras premiadas – Clara e Daniela – são, respectivamente, alunas de Desenho Industrial e de Museologia. Segundo o professor da FAU José Carlos Coutinho, que presidiu a comissão julgadora do concurso, “o trabalho vencedor mostrou simplicidade e originalidade ao reproduzir o traço da frente do prédio da Escola Júlia Kubitschek, projeto original de Oscar Niemeyer”. Coutinho também elogiou o nível dos 29 trabalhos apresentados. O concurso foi lançado pelo Decanato de Extensão (DEX) em parceria com as secretarias de Educação e de Cultura do Distrito Federal. T

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Inspiração vencedora Montagem explicativa da inspiração para a logo vencedora


10 Lugar: Luiz Eduardo Sarmento em colaboração com Gabriela Bílá, Gabriela Nehme, Maíra Guimarães e Marilia Alves

30 Lugar: Gabriela Bílá em colaboração com Gabriela Nehme, Luiz Eduardo Sarmento, Maíra Guimarães e Marilia Alves

Menção honrosa: Daniella Demathei do Valle

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20 Lugar: Clara Cristina de Souza Rego e Artur Leonardo Coêlho Rocci


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Waterfront Planning Marathon Anúncio dos Projetos selecionados Tradução livre do anúncio no site oficial do evento - http://www.isocarp.org - por Marilia Alves Imagens cedidas por Louise Boeger

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Os seguintes nove projetos foram selecionados para participar da Maratona: Auckland, New Zealand Basel, Switzerland Fort Lillo, Antwerp, Belgium Kaliningrad, Russia Old Fordon, Bydgoszcz, Poland Lago Paranoá, Brasília, Brasil (Lago Para Todos) Trencin, Slovakia Varanasi, India Young City, Gdansk, Poland. Formato da Maratona Seguindo uma curta introdução, cada participante apresentará o seu plano ou projeto em, apenas, 10 mi82

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nutos. Quando o sino tocar, a próxima apresentação inicia-se. Prêmios Um júri internacional, presIdido pelo Presidente da ISOCARP Milica Bajic-Brkovic, avaliará e escolherá um ou dois participantes para o “The Best Waterfront Project Award”. A audiência elegerá “The Best Waterfront Oral Presentation”. Os prêmios serão anunciados no jantar de Gala do Congresso, quando os certificados serão entregues aos vencedores. Critérios de avaliação dos melhores projetos: qualidade de planejamento urbano e desenho; compreensão;

boas ligações entre cidade e água; Inovação, criatividade e singularidade; apreciação e proveito do público geral; sustentabilidade e aperfeiçoamento do ambiente; viabilidade econômica; sucesso (quando já implantado). T


Lago Para Todos: lazer e mobilidade urbana na orla no lago Paranoá Projeto e texto por Louise Boeger

Nem sempre as funções desempenhadas pelos espaços de margens de corpos d’água e os tipos de configuração desses espaços favorecem a interação entre os cidadãos, promovendo encontro e convívio social e garantindo a sua proteção ambiental. Em todo o Brasil, faixas de preservação às margens de cursos d’água previstas em lei (APPs) têm sido desrespeitadas, seja por ocupações irregulares ou mesmo por projetos governamentais. Em Brasília, embora Lucio Costa descreva sua visão para a ocupação futura da orla do Lago Paranoá por todos os cidadãos desde o projeto original da cidade, não foi previs-

ta destinação legal para as áreas de suas margens, resultando em espaços residuais dos projetos de parcelamento de setores adjacentes, favorecendo, assim, a extensão das divisas posteriores de clubes e terrenos residenciais de alto padrão até a beira d’água, caracterizando invasão de espaços públicos. Conforme Aldo Paviani: A breve discussão sobre conflitos de uso no Lago Paranoá ilustra um possível papel de corpos d’água urbanos na reprodução de situações de desigualdade. Ao definir usos das margens do Lago Paranoá que privilegiam populações com faixa de renda elevadas, o planejamento

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O lago Paranoá Vista aérea do Lago Paranoá, Brasília 2

Uso proposto Projeto de fruição coletiva das margens do lago 83


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cristalizou ainda mais uma segregação sócio-espacial característica da estrutura urbana da capital. Ao abster-se de cumprir seu papel fiscalizador, o Estado reforçou a ocupação privada de espaços públicos, privilegiou a consecução de objetivos e interesses de determinados grupos e, assim, parece ter contribuído para reproduzir a dominação social.

Muitas das áreas potenciais para destinação de espaços públicos na orla hoje se limitam a terrenos cercados e inacessíveis à população, desvinculados do tecido urbano e, em alguns casos, em estágio de completo abandono. A infraestrutura dos próprios espaços públicos destinados legalmente ao lazer na orla é precária. É evidente a necessidade de uma requalificação urbanística, com a implantação de um sistema coeso de espaços públicos na orla do Lago Paranoá. Não somente atuações pontuais, mas integrando efetivamente os espaços já existentes e os novos espaços a serem propostos com a malha urbana. O projeto LAGO PARA TODOS estabelece diretrizes que podem guiar as ações do poder público para garantir o acesso à orla como espaço fundamentalmente público que é. Considerando a atual estrutura viária adjacente ao lago, foi estabelecido um circuito cicloviário integrado, buscando promover o uso da bicicleta não só como lazer mas também como meio de transporte. Para tal, foram propostas ciclovias e Estações Intermodais. Além da ciclovia, a mobilidade na área do lago é explorada com a proposta de um sistema de transporte aquaviário conectando as Estações, localizadas em pontos de interesse ao longo da orla, de forma a promover o desenvolvimento de áreas de lazer de qualidade, movimentadas não só aos fins de semana, mas no dia a dia da população. 84

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O principal objetivo dessa intervenção urbana é certamente aproximar a população do Lago Paranoá, como espaço importante na cidade para ações de lazer e mobilidade urbana, despertando a consciência de que o lago não deve ser visto como propriedade de poucos, mas sim como um bem de TODOS. T

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Iluminação proposta para a orla

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Obstrução da orla Esquemas de desvio das obstruções por parte do projeto

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Antes e Depois Cortes da situação existentes versus a situação de projeto 6

Mapas de microzoneamentos


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Concurso: Brasília em Cartaz Publicação original em http://www.jornalbrasil.com.br/?pg=desc-noticias&id=131348 - 26/04/2014 Sábado Imagens do site: http://www.brasiliaemcartaz.com.br/

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Brasília, abril de 2014 – Até 30 de maio, o brasiliense pôde ver como Brasília é percebida e celebrada por jovens artistas de todo o país, lado a lado com momentos importantes que marcaram os 54 anos de história da cidade na exposição Brasília em Cartaz. Dez dos cartazes que concorreram ao concurso para comemorar o aniversário da cidade estavam expostos no Museu Nacional de Brasília, juntamente com 54 cartazes de designers e artistas de Brasília mostrando a “arqueologia impressa da cidade”, nas palavras do idealizador da exposição, o artista gráfico e professor da UnB, Nanche Las-Casas. A exposição foi aberta com a premiação dos três primeiros lugares do concurso Brasília em Cartaz, que atraiu estudantes, profissionais do Design, Artes Visuais, Comunicação Social e Arquitetura (www.brasiliaemcartaz.com.br) de todo o país. O júri presidido pelo professor da FAO/USP Chico Homem de Melo, autor de A linha do tempo do Design Gráfico Brasileiro, deu o primeiro lugar a Diogo Damásio e Diego Ribeiro, do estúdio de design paulistano Por um Acaso. Diogo explica que os dois encaram a cidade como um signo de ousadia. O cartaz vencedor, que recria um dos pilares do Palácio da Alvorada, através de um recorte em cruz no papel (veja aqui) e surpreende pela tridimensionalidade, foi pensado para não


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1o Lugar Diogo Damasio e Diego Ribeiro

Menção Honrosa Luiz Eduardo Sarmento (FAU-UnB) e Chico Monteiro

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Menção Honrosa Luiz Eduardo Sarmento (FAU-UnB) e Chico Monteiro

plástico de 27 anos, convidaram o amigo fotógrafo e cineasta Vinícius Gonçalves para ajudá-los a fugir da “monumentalidade e buscar um outro recorte nos espaços simbólicos de Brasília”, segundo Sarmento. A seleção de cartazes da mostra histórica passeia pela produção artística e cultural da cidade e traz artistas como Resa, Jo Oliveira, Zé Nobre e Célia Matsunaga. A curadoria é da professora Marisa Maass, do Desenho Industrial da UnB. “São momentos importantes da produção gráfica e cultural da cidade, que merecem ser vistos ou relembrados. Nossa intenção ao propor a exposição foi dar uma oportunida-

de ao visitante de viajar pela história da cidade, revelada em eventos e personagens. O cartaz é a evidência da vida da capital na forma da arte gráfica”, afirma Las-Casas. O trabalho de garimpagem em coleções particulares e no Arquivo Público do DF, juntamente com a novíssima produção dedicada ao aniversário da cidade, pôde ser vista até o dia 30 de maio.

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Fonte: Quartzo Comunicações

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se limitar “ao universo das proposições mais rotineiras do design gráfico, do mesmo modo que o projeto da capital do Brasil não se limitou ao universo das possibilidades mais imediatas da realidade brasileira da época”, afirma. O segundo lugar ficou com um coletivo de jovens brasilienses, que inscreveram seis cartazes e tiveram mais dois premiados com menções honrosas. Também querendo encontrar um novo olhar para a cidade tão fotografada, cuja arquitetura está gravada no imaginário brasileiro, o arquiteto e designer Luiz Eduardo Sarmento, de 24 anos, e Chico Mineiro, jornalista e artista

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2o Lugar Vinicius Fernandes, Luiz Eduardo Sarmento (FAU-UnB), Chico Monteiro

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Workshop de valorizaテァテ」o artテュstica de projetos Workshop na Fau

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Fotos de Juan Guillén 93


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Desenhos de Eduardo Bajzëk Panorama da cidade de São Paulo, Sesc Pompéia e Estância dos Ipês

Texto de Luana Kallas O workshop de valorização artística de projetos realizado durante os dias 22, 23, 24 e 25 de abril de 2014 teve início com uma palestra de Eduardo Bazjëk aberta ao público no dia 22, no auditório 12, no ICC norte, campus Darcy Ribeiro, seguido pelo curso nos dias 23, 24 e 25 de abril que ocorreu na galeria da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) na UnB. O evento teve organização da Profa. Luana M. E. Kallas (UnB – Coordenadora), Prof. Juan Carlos Guillén salas (UNIP – Coordenador), Prof. Sérgio Rizo(UnB), Prof. Reinado Guedes (UNIP), Profa. Paola Caliari Ferrari Martins (UnB), Profa. Flaviana Barreto Lira(UnB) e Prof. Benny Schvarsberg (UnB). O workshop teve apoio do Prof. José Manoel Morales Sánchez, diretor da FAU. O palestrante, instrutor e ilustrador profissional, Eduardo Bazjëk graduado pela Faculdade de Arquitetu-

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ra e Urbanismo Mackenzie em 1998 e trabalha há 13 anos como ilustrador de arquitetura, atualmente com mais de 1.700 ilustrações arquitetônicas desenvolvidas para o mercado de arquitetura e mercado imobiliário. Ministra, desde 2010, um curso de desenho arquitetônico em São Paulo e outras cidades do Brasil. Em 2005 recebeu o título de Menção honrosa pela ASAI – American Society of Architectural Illustrators. Em 2009, passou a integrar o grupo do Urban Sketchers, como correspondente de São Paulo, participou dos Simpósios Internacional de Urban Sketching como instrutor e, atualmente, está organizando o mesmo Simpósio Internacional de Urban Sketching em Paraty, no Rio de Janeiro, que ocorreu nos dias 27, 28, 29 e 30 de agosto de 2014. O workshop foi destinado a profissionais e estudantes e voltado para a valorização de projetos usando

técnicas tradicionais, como o lápis de cor e a caneta marcador. O evento teve a participação de 25 pessoas durante 3 dias em período integral, totalizando 25 horas. As fotos do workshop foram cedidas pelo Prof. Juan Carlos, e o ilustrador Eduardo Bajzëk cedeu algumas imagens dos seus trabalhos. O evento foi um sucesso e trouxe um evento que há muito tempo não ocorria no âmbito da FAU, motivando os participantes ao uso de técnicas tradicionais, usando lápis grafite, lápis de cor e materiais não muito comuns como a caneta marcador, mostrando que, apesar dos recursos computacionais inovadores existentes, o workshop resgatou o valor das técnicas artesanais que, associadas ao recursos computacionais de última geração, podem se tornar excelentes formas de representação arquitetônica, urbanística e paisagística. T


Expondo a alma do projeto O workshop do Eduardo Bajzëk resgata a fundamental importância de existir uma boa representação em um projeto de Arquitetura ou Urbanismo. O curso de valorização artística mostra muito claramente aos alunos, a essência da representação de projetos arquitetônicos e urbanísticos, por meio de desenhos que podem ser totalmente ou parcialmente manuais, demonstrando assim que as amplamente utilizadas, atualmente, renderizações fotorealistas, nem sempre conseguem expor a alma do projeto e, estas, por vezes, acabam destoando muito a realidade e confundem as pessoas de forma negativa. Portanto, o Eduardo Bajzëk, consegue, de maneira muito direta e leve ministrar o curso e repassar seus conhecimentos e técnicas, de modo que seus aprendizes, em geral, atingem bons resultados ao final do curso. Algo muito importante que ele nos ensina é observar os melhores ângulos, ou seja, aqueles que mais valorizam o projeto. Jonnatan Guimarães Pinheiro

O workshop realizado com o ilustrador Eduardo Bajzek foi bastante positivo não apenas porque pudemos aprender um determinado método de apresentação de nossos projetos arquitetônicos, mas também porque insistimos no desenho como ferramenta de raciocínio e apreensão do ambiente pelo arquiteto. Em uma época em que a máquina digital permite uma produção infinita de imagens e que, portanto, as desvaloriza, a atividade do “urban sketching”, que realizamos no terceiro dia de workshop, estimula o olhar e evidencia detalhes do espaço em que vivemos que deixamos passar despercebidos no nosso dia a dia. Matheus Macedo

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Ferramenta de raciocínio


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GALERIA FOTOGRテ:ICA

VER[A]CIDADE Galeria da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo

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Ficha técnica

Curadoria: Estudantes do 6o período do Curso de Bacharelado em Museologia Anna Maria Amorim Celso Barroso Lima Eduardo Moraes Eduardo Moraes Fernanda Werneck Gabriela Mói Tedesco Amancio Iara Silva Perrein Luciana Cardim Meiriluce Santos Naiara Leão Pedro Guilherme Mussoline Logomarca da exposição Lucas Santos Design Gráfico Jean-Michel Georges Perrein Lucas Santos

Elaboração e programação visual da mídia digital da exposição Iara Silva Perrein Jean-Michel Georges Perrein Agradecimentos aos professores Ana Lúcia Abreu Gomes Andréa Fernandes Considera Celina Kuniyoshi Deborah Silva Santos Elizângela Carrijo Luciana Portela Matias Monteiro Ferreira Monique Magaldi Silmara Küster de Paula Carvalho Agradecimento Especial Diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo José Manoel Morales Sánchez

ENCONTROS NA FAU

Exposição VER[A]CIDADE

Fotos de Marilia Alves 99


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A (re) descoberta da cidade

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Juliana Figueireido Publicação original no site do Correio Braziliense, 26/04/2014

páginas foram concebidas em quatro meses, enquanto a estudante se dedicava a outras disciplinas do curso. “Tive que virar noites na reta final, mas acreditava e gostava tanto do que estava fazendo, que nem senti”, lembra.

Para explicar o Avião A vontade de fazer o guia surgiu durante o período em que Gabriela morava na Europa (2011-2013) e precisava explicar Brasília aos inquietos arquitetos estrangeiros. A principal dúvida consistia, acredite se quiser, em saber se a cidade era realmente habitada. “Todos tinham muita curiosidade, e eu sentia muito prazer em falar da capital. Eu via como a Europa estava superpreparada na questão do turismo, e comecei a refletir sobre os turistas que vêm para cá, e como é difícil para eles descobrirem a cidade”, conta. O objetivo de Gabriela não era falar de Brasília só para os visitantes, mas, também, para os próprios habitantes daqui. “Acho que os principais interessados no guia serão os brasilienses. Vivemos um momen-

to de valorização da cidade pelos moradores. A geração que nasceu aqui está descobrindo possibilidades além do serviço público e sentindo vontade de ocupar a cidade. Voltei para cá no meio do ano passado e percebi que tinha algo no ar”, reflete. Em seis capítulos, O novo guia de Brasília viaja pelas quadras, tesourinhas e passagens subterrâneas da capital, apresenta as famosas obras arquitetônicas, conta como é viver sobre os pilotis, e visita lugares e festas imperdíveis, com direito a paradas nos melhores bares e lanches da cidade. Ainda há espaço para momentos dedicados à apreciação da natureza: o Lago, o céu, os parques e as frutas. T 1

O Novo Guia de Brasília O guia turístico com uma nova forma de ver Brasília é resultado de uma pesquisa de Ensaio Teórico e foi financiado pelo Catarse. 2

Mapas vibrantes Um dos pontos de atraçao d’O Novo Guia é o design especial de cada mapa. 103

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“Um guia feito por alguém que quer compartilhar um pouco da cidade em que nasceu e cresceu como se estivesse a apresentando aos próprios amigos.” Esse é o propósito da estudante de arquitetura e urbanismo da Universidade de Brasília (UnB) Gabriela Bílá, ao escrever O novo guia de Brasília. O projeto, feito para a faculdade no final de 2013, busca verbas para a publicação no site de financiamento coletivo Catarse. É impossível folhear o único exemplar impresso da obra e não sentir que algo especial foi criado ali. O novo guia de Brasília não é um livro qualquer. Ao contrário das obras do gêneros, geralmente muito comerciais ou institucionais, esse trabalho mostra a capital pelo olhar de alguém que, com 24 anos, ainda vive o frescor de descobrir o dia a dia da cidade e deseja compartilhar as novidades com os outros. Gabriela foi a responsável por toda a criação de conteúdo — textos, fotos e ilustrações — e pela diagramação do projeto. A autora recebeu dicas de outros apaixonados pela cidade e usou algumas fotos de arquivo público para contar a história da capital. As cerca de 200


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XIII Seminário de História da Cidade e do Urbanismo Maria Fernanda Derntl e Elane Ribeiro Peixoto

De 9 a 12 de setembro deste ano, o Labeurbe da FAU-UnB promoveu o XIII Seminário de História da Cidade e do Urbanismo. Os SHCUs, realizados bienalmente há vinte seis anos, constituem o principal fórum nacional de divulgação de resultados de pesquisas a respeito da cidade e do urbanismo. Suas edições vêm propiciando intercâmbios e discussões entre pesquisadores brasileiros e internacionais e também profissionais de atuação diversa no campo da Arquitetura e do Urbanismo. Desse modo, estimulam a formação de redes e grupos de pesquisa no âmbito dos programas de pós-graduação das Faculdades de Arquitetura e Urbanismo, além de propiciar uma disseminação mais ampla de conhecimentos relativos a seu campo de estudos. Seu propósito mais geral é contribuir para consolidar as relações entre pesquisa e atividades de ensino, planejamento, formulação de políticas públicas e gestão de cidades. Neste ano, o Seminário intitulouse Tempos e Escalas da Cidade e do Urbanismo. O tema refere-se primeiramente à História como narrativa por meio da qual se apreende a noção temporal. Considera-se, por 104 1/2014

um lado, o tempo vivido e, por outro lado, o tempo lógico da disciplina. Entende-se que na tensão entre essas duas temporalidades encontrase uma História aberta à ação humana que, independentemente de sua duração, pode estimular, neste Seminário, reflexões sobre o urbano. A palavra escala, também presente no título, pode se referir tanto a relações de proporção e dimensão como a pontos de vista na apreensão do real. No âmbito da história da cidade e do urbanismo, o termo escala sugere escolhas relativas ao recorte da pesquisa e também a perspectivas a serem adotadas para apreensão do objeto historiográfico. A partir dessa temática inicial, o Seminário foi organizado em torno de quatro subtemas: território, representações, cotidiano e discurso profissional. Buscou-se desse modo abarcar desde a esfera do edificado até o imaginário sobre a cidade, numa disposição aberta a contribuições provenientes de outras vertentes da História ou de disciplinas como Geografia e Antropologia. O XIII SHCU teve lugar nas dependências da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Destacou-se ainda a presença de palestrantes estran-

geiros reconhecidos por estudos seminais no campo da história da cidade: Henri-Pierre Jeudy e Carlos Sambricio. Também estiveram presentes especialistas nacionais formados nas áreas de Ciências Sociais, Antropologia, História ou Filosofia: Cibele Rizek, Estevão Chaves de Rezende Martins, Fraya Frehse e Myriam Bahia. O evento foi promovido pelo LabeUrbe (PPG-FAU-UNB) e pela ANPUH. Teve patrocínio da CAPES, do CNPq, do Ministério das Cidades, CAU-BR, UFG e UNICEUB. A comissão organizadora local foi formada pelos professores Elane Ribeiro Peixoto (coordenação-geral), Maria Fernanda Derntl, Pedro Paulo Palazzo e Ricardo Trevisan. Como resultado do evento, foram publicados pela editora da FAUUnB (com o apoio do CNPq, CAPES, FAPDF, CAU/BR) o livro Tempos e Escalas da Cidade e do Urbanismo: quatro palestas; um número temático da revista Paranoá com artigos selecionados; um caderno de resumos; e os anais onlines do evento. www.shcu2014.com.br T


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SHCU em números Reuniu cerca de 200 trabalhos, dos quais 125 foram apresentados como comunicações orais em sessões temáticas, 15 em sessões de interlocução de grupos de pesquisa e os demais como pôsteres em exposição permanente durante o evento. Buscou-se, assim, integrar as várias instâncias da formação de pesquisadores na área da História Urbana. Os trabalhos escolhidos pelo Comitê Científico foram inéditos e obrigatoriamente completos.

CARLOS SAMBRICIO HENRI-PIERRE JEUDY CIBELE RIZEK ESTEVÃO CHAVES DE REZENDE MARTINS FRAYA FREHSE MARIA FERNANDA DERNTL MYRIAM BAHIA

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Identidade visual do Seminário Realizada por Gabriel Ernesto Solórzano, Luiz Felipe Champloni, Ricardo Trevisan e Pedro Paulo Palazzo 105

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ENCONTROS NA FAU

Palestrantes


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O jogo da arquitetura Festa da Arquitetura da UnB

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ARQUI

110 1/2014


Gabriela Farinasso, diretora-geral da festa, responde: Por que uma festa dentro do curso de arquitetura? Qual é o diferencial dela para as festas dos outros cursos? Acho que um dos maiores diferenciais do nosso curso pros outros é a diversidade de coisas que aprendemos. Quando se organiza uma festa, ganha-se a oportunidade de colocar muita coisa em prática, e mais que qualquer coisa, põe-se a criatividade como diferencial das coisas que são feitas. Uma festa que envolve cenografia, 3 ambientes de músicas, iluminação, performances, lounges, comida, bar etc, representa um grande desafio para os estudantes. A festa gera um grande aprendizado em diversas áreas do conhecimento, além de ensinar as pessoas a trabalhar melhor em grupo, pois nada na festa se faz sozinho (ou quase nada).

Fotos de Amanda Sol e do arquivo da Festa da Arquitetura 111

FAU NA RUA

Qual foi o diferencial do Jogo da Arquiteura? Nossa, não acho que tenho como escolher um diferencial, até porque acompanhei o processo e o resultado de diversas produções. As escolhas musicais foram excelentes, a cenografia nunca foi tão reciclável, a iluminação ficou linda, fizemos as projeções mapeadas, dezenas de performances... Acho que o diferencial da festa é que ela é uma construção coletiva, ninguém chegaria a esse resultado sem uma legião de estudantes de arquitetura empenhados em serem criativos.


ATÉ !


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ARQUI #2  

Revista da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília | FAU UnB | Edição nº02 | 1/2014 | dez 2014

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