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Dezembro de 2016 - edição 1/2016 - n˚ 06

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Dezembro de 2016 - edição 1/2016 - n˚ 06

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Universidade de Brasília Faculdade de Arquitetura e Urbanismo



Por ser de lá Do sertão, lá do cerrado Lá do interior do mato Da caatinga do roçado

Eu quase não saio Eu quase não tenho amigos Eu quase que não consigo Ficar na cidade sem viver contrariado

Por ser de lá Na certa por isso mesmo Não gosto de cama mole Não sei comer sem torresmo

Eu quase não falo Eu quase não sei de nada Sou como rês desgarrada Nessa multidão boiada caminhando a esmo

Gilberto Gil; Dominguinhos. Lamento Sertanejo, gravação de 1975.


editorial I

magens do cerrado feitas por alunos da FAU-UnB sugeriram o tema desta edição da revista ARQUI. Tais imagens pareceram-nos apropriadas para esta revista por muitas razões. São belas fotos, produzidas por ocasião de um concurso realizado pela equipe Pé na Estrada com o tema “O que é o cerrado para você?”. Nelas, a vegetação aparece em close, ou a distância, exuberante ou delicada, em refúgios naturais ou em meio ao cotidiano, por vezes em diálogo com a arquitetura, ou em contraponto a elementos construídos. Um cerrado visto por jovens futuros arquitetos. Mais do que belas fotos, tais imagens instigam-nos também a refletir sobre paisagens criadas e imaginadas não apenas por arquitetos. Em 1819, o viajante-naturalista Auguste de Saint-Hilaire percorreu o cerrado inventariando plantas, rios, montanhas, animais e modos de vida. Em seus relatos, a expressão de uma sensibilidade ao lugar e de sensações visuais estava em consonância com os métodos científicos da época. O viajante ora podia mostrar-se aflito ao ver árvores raquíticas de ramos entrelaçados e ressecados pelo sol, ora maravilhava-se com a variedade de formas e folhagens da vegetação sob o céu luminoso. A todo o tempo, a ausência do que considerava certo padrão de civilidade – além das pulgas e mosquitos – importunava-o enormemente. Dos registros de Saint-Hilaire às fotos dos alunos da FAU-UnB, quase duzentos anos separam essas diferentes formas de olhar o cerrado. Mas os dois momentos nos falam de paisagens e espaços que não são realidades objetivas e sem história, tampouco meros dados da natureza. Ali se expressam visões de mundo e imaginários: são criações simbólicas e discursivas.

Ver e criar, por meio de textos, imagens e projetos não são atividades exclusivas do arquiteto e urbanista, mas detêm um lugar específico na sua formação e atividade profissional. Os trabalhos produzidos por alunos da Faculdade no 1º semestre de 2016, como mostram as páginas seguintes, transitam entre arte, história, tecnologia, planejamento e urbanismo; propõem edifícios, intervenções e também novos problemas; discutem políticas urbanas e posturas de projeto. As atividades de extensão promovidas por alunos e professores naquele semestre permitiram discutir Brasília sob novos ângulos, mas também trataram de Recife, de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e de outros lugares, reais ou imaginados. Nesses encontros, a presença de professores e alunos de diferentes faculdades e instituições foi importante para dar a conhecer melhor aqueles outros lugares e também possibilitou estabelecer redes de pesquisa e de intercâmbio de conhecimentos. Nesse amplo horizonte de atuação e discussão, reafirma-se um exercício crítico, em que o arquiteto também contribui para criar novas paisagens sociais. Por fim, as imagens do cerrado pareceram-nos apropriadas como tema desta revista também por outra razão. Uma das peculiaridades de sua vegetação são as sementes capazes de sobreviver a condições tão adversas como as queimadas, pois são muito resistentes e renovam-se com rapidez. Em tempos difíceis para a vida universitária, persistência e capacidade de renovação permanecem qualidades essenciais.

A equipe editorial


Photos of the Brazilian savannah taken by students of the FAU-UnB suggested the theme of this issue of the ARQUI journal. These pictures appealed to the editorial team for many reasons. They are beautiful photos, made on the occasion of a photo competition organized by the Hit the Road Project [Programa Pé na Estrada] with the theme “What is the savannah [cerrado] to you?”. They portray the vegetation close up, or from a distance, exuberant or delicate, in all natural havens or as a part of daily life, occasionally associated with architecture, or as a counterpoint to built objects. A savannah seen by young future architects. More than beautiful photos, such images lead us to ponder on landscapes created and imagined not only by architects. In 1819, the explorer and naturalist Auguste de Saint-Hilaire roamed the Brazilian savannahs cataloguing plants, rivers, mountains, animals and ways of life. His accounts reveal a sensibility to place and to visual impressions that ran parallel to the scientific methods of the time. While the sight of scrawny trees with their sun-dried interlaced branches would cause him distress, the variety of forms and foliage set under the bright sky made him awestruck. The permanent lack of decorum – in addition to the fleas and mosquitoes – disturbed him immensely. From the records of Saint-Hilaire to the student’s photos, we have a span of almost two hundred years that reveals different ways of looking at the Brazilian savannahs. The landscapes and spaces presented to us in these two moments are not objective realities devoid of history, much less a datum of nature. They express worldviews and imaginaries, which shape symbolic and discursive creations.

Observing and creating, through texts, images and projects, are activities which are not exclusive to the practice of architects and urban planners, but nevertheless hold a distinct place in the education and work of these professionals. The projects made by the students of the School in the 1st semester of 2016, as the following pages disclose, inquire into art, history, technology, planning and urbanism; they propose buildings, interventions, as well as new problems; they discuss urban policies and design attitudes. The extension activities run by students and professors have motivated a discussion on Brasília from different points of views, and have also addressed Recife, Minas Gerais, Rio de Janeiro, and other places, real and imagined. In these events, the presence of professors and students from different schools and institutions has been important in giving an insight into these and other places, while also fostering the creation of research networks and the exchange of knowledge. This broad scope of action and dialogue set the stage for critical discussions, where the architect is engaged in the creation of new social landscapes. Lastly, the photos of the savannah seemed appropriate to us as the theme of this journal for yet another reason. One of the peculiarities of this vegetation is that its seeds are capable of overcoming such harsh conditions as wildfire, due to their resilience and speed with which they are renewed. In the difficult times we face in the university, persistence and the ability of renewal remain essential qualities.

The editorial team


sumário 10 PESQUISA 12 ensaio 14 inhotim ana carolina moreth 16 habitação de interesse social e a atuação de arquitetos renomados andrea lucena 18 um olhar para terceira idade ariadna jesus 19 food truck e espaço público juliana cristina almeida do nascimento 20 a arquitetura de abrigos para crianças e adolescentes mayara cristina alencar bet

22 smart cities e a governança da resiliência urbana maysa valença 23 zemch natália brasil 24 arquitetura da aprendizagem paula maria ribeiro levi 25 potencial fotovoltaico renan davis 26 viollet-le-duc e a reconstrução histórica do interior da notre-dame de paris vivien rodrigues destord

28 NOVOS ARQUITETOS 30 diplô 32 34 36 38 40 42 44 46 47 48 49 50

destaques depois do aeroporto andré leal espaço w anna angélica szczepasnki mercado regional de brazlândia camila harumi kakazu humanizando o canteiro de obras gabriela lamounier espaço público brasiliense sensível à água hudson ribeiro um bairro sustentável para a cidade do futuro joão gabriel michetti novo centro multifuncional em turim adriano felipe oliveira praças das artes no centro metropolitano do guará ana celeste de jesus bloco colaborativo de beleza bruna trivelli conexão sociocultural camila cardoso albergaria urbana caroline albergaria

51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67

de porto velho ao rio madeira edna da luz memorial elo eduardo duarte nova ceu erika passos autotekton frédéric homerin park way, vias parque isabela martins bsb hostel laissa narciso skia lara fernandes lar de idosos vó catarina lara boretes kohl letícia melo parque ecológico canela de ema marcelo ulisses pimenta mobilidade e brasília marina madsen traçado acústico millena montefusco habitação coletiva patrick martins reviva porto priscila gerardi circuito cultural e de lazer raquel braz un po di borromini raquel ferraz centro de acolhimento a refugiados em brasília verônica rodrigues


68 FAU PREMIADA 70 projeto para barca bertolla 72 anparq 2016

74 ENCONTROS 76 pé na estrada um pé em diversos territórios: do familiar ao alheio 80 exposição diplô 1/2016 81 a experiência de transformação urbana 81 clima e repertório arquitetônico 82 cine fau a utopia e a distopia na cidade modernista 83 conservação da arquitetura moderna desafios e ações 83 ii ciclo políticas urbanas e regionais no brasil 84 iv jornadas labeurbeanas 85 como construímos brasília uma conversa com jayme zettel 86 a invenção do tropicalismo na baía de guanabara 88 aula magna rosa kliass no cerrado

90 GALERIA 92 #rosakliassnocerrado

100 HOMENAGEM 102 cerrado



PES QUI SA


S

empre que sou instado a escrever sobre o Ensaio Teórico da FAU, a ideia recorrente é destacar a singularidade desta disciplina e recobrar as grandes possibilidades de desdobramento futuro que ela enseja. O resultado exitoso dos Ensaios Teóricos demonstra que a disciplina se mantém como um momento especial na trajetória acadêmica dos alunos da graduação, apesar da premência do cronograma, mesmo com a concorrência de outras atividades e disciplinas. O historiador Eric Hobsbawm afirma que é mais fácil formular perguntas do que elaborar respostas. Nesse sentido, ao estimular o enfrentamento de assuntos variados que estejam inscritos nos amplos e diversificados domínios do campo da arquitetura e do urbanismo, o Ensaio Teórico deve instigar e produzir impulsos para que os alunos possam formular questões para explorar temas, assuntos e questões, à procura de respostas. Para

tanto, muito contribui o diálogo com orientadores, membros da banca e colegas. Os dez Ensaios Teóricos que serão apresentados a seguir foram selecionados a partir das indicações realizadas pelas bancas. Agradeço o apoio fundamental dos professores Marcos Thadeu Magalhães, Pedro Paulo Palazzo, Elane Ribeiro Peixoto e Maria Fernanda Derntl, que compuseram comigo uma comissão ad hoc para esta seleção. Agradeço também todos os professores que participam das bancas! Em meio à diversidade de temas e assuntos de que os Ensaios Teóricos tratam fica aberta a possibilidade de compartilhar a formulação dessas perguntas e a construção de respostas, ora elaboradas nestes Ensaios.

Eduardo Rossetti Coordenador de Ensaio Teórico


On every occasion in which I am called upon to write about the Theoretical Essay course at FAU, the recurring idea is to highlight the uniqueness of this discipline and reinstate the great possibilities for future development that it entails. The positive results from the Theoretical Essays is a sign that the discipline endures as a special time in the undergraduate student’s academic life, despite the course’s tight schedule and the competing priorities from other activities and classes. Historian Eric Hobsbawm states that it is easier to formulate questions than to devise solutions. In this regard, by motivating students to tackle the various subjects inscribed in the field of architecture and urbanism, the Theoretical Essay should inspire and incite the formulation of questions to explore themes, topics and questions in the search for answers. This process is greatly enriched by discussions with advisors, the examining committee and colleagues.

The ten Theoretical Essays presented in the following pages were selected among those recommended by the examinators. I would like to thank the key support from professors Marcos Thadeu MagalhĂŁes, Pedro Paulo Palazzo, Elane Ribeiro Peixoto and Maria Fernanda Derntl, who have taken part with me in an ad hoc selection committee. I extend the thanks to all the professors who took part in the assessment of the essays! Amidst the diversity of themes and subjects covered by the Theoretical Essays, we provide the opportunity to share the formulation of questions and construction of answers, drawn up in the following Essays.

Eduardo Rossetti - Theoretical Essay coordinator


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inhotim

arte e arquitetura Ana Carolina Macedo Moreth

Foto por Ana Carolina Macedo Moreth.

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The essay “Inhotim: Art and Architecture” explores the relationship between the architecture of museums and gallery spaces with the artworks that they exhibit through the case study of Instituto Inhotim, located in Brumadinho, Minas Gerais. The study of the Lygia Pape and Cosmococa galleries is the starting point to understand how an artwork could be taken into account in the design of its container and how these relationships could be translated in architectural design.

O cubo branco, proeminente na maior parte dos museus e galerias do mundo contemporâneo — segundo Sonia Salcedo del Castillo, em seu livro Cenário da arquitetura e da arte: montagens e espaços de exposições — foi promovido por arquitetos e museólogos que o divulgaram como exemplo de uma solução ambiental supostamente neutra, a serviço da obra de arte, exclusivamente. Assim, esse espaço hermético seria incapaz de interferir no que estava sendo exposto. Diferentemente desse pensamento, e diante de um desenvolvimento museológico mais livre, Inhotim criou e permanece criando, em um mesmo espaço, uma série de pavilhões que possuem estreita relação com a obra que expõem, conferindo, muitas vezes, efeitos sinestésicos a par de um equilíbrio entre arte e arquitetura. Em face de propostas tão diversas, o incentivo para a pesquisa do Instituto parte de um interesse pessoal em conhecer, de forma aprofundada,

a relação existente entre o campo da arquitetura e o das artes visuais. Para tanto, questiona-se como os pavilhões do Instituto Inhotim atendem às diferentes demandas não só relacionadas às obras, mas também às experiências dos visitantes, e quais são as propostas relativas ao espaço, à circulação, à iluminação e à receptividade designadas a distintos públicos. Partindo dessa indagação, levantam-se, ainda, algumas questões preliminares: como a arquitetura pode impactar a percepção das obras de arte, enfatizando impressões e valores? Ela teria um papel na preparação do visitante em sua fruição? No caso de ser essa uma diretriz de projeto, como poderia ser traduzida em desenhos técnicos? Para responder a essas questões, propõe-se a análise dos pavilhões por meio das soluções de projeto, ou seja, por meio da leitura do espaço. Para tal, foram considerados alguns aspectos presentes no conceito de ambiência, como memória, volumetria, percurso, hierarquia dos espaços,

escala, superfícies envolventes, luz, som e a obra em si. Esses são aspectos que, quando analisados, permitem buscar os princípios definidores do projeto, mediante estratégias e táticas que os arquitetos utilizam dentro do processo. Dessa forma, o estudo estruturou-se em duas etapas. A primeira destina-se a apresentar o Instituto Inhotim como um todo. Na segunda, duas galerias foram escolhidas para uma análise mais detida. Trata-se da Galeria Lygia Pape, projetada pelo escritório Rizoma Arquitetura, e da Galeria Cosmococa, pavilhão desenvolvido pelos Arquitetos Associados. A escolha justificou-se pelo fato de ambas possuírem instalações artísticas e por evidenciarem, de uma maneira mais contundente, as diferentes experiências sensoriais que tanto a obra exposta quanto a arquitetura que a envolve sugerem.

Orientadora: Elane Ribeiro Peixoto Banca: Ana Zerbini e Sérgio Rizo 15


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habitação de interesse social e a atuação de arquitetos renomados três casos paulistas

The essay surveys social housing projects of renowned architects built between 2005 and 2012 in the city of São Paulo, specially regarding the potential of the chosen case studies to increase in value. The study of these projects takes Bourdieu’s idea of social space as a theoretical framework, regarding how social spaces shape physical space through the division of people by means of symbolic and cultural capital. The essay seeks to identify these new models of architecture, which are considered notable precedents to a new generation of architects and architecture students.

Andrea Lucena A produção do habitar sempre foi objeto de estudo do campo da arquitetura, ainda que aos moldes do mercado imobiliário, agente transformador do espaço do solo em mercadoria. É possível conectar o mercado imobiliário com a teoria de Bourdieu de “espaço social reificado” ou “espaço físico apropriado”, de forma que ele determina a organização hierárquica do espaço físico por meio da quantidade e dos tipos de capitais possuídos pelos agentes sociais. Com isso, o mercado colabora na determinação da existência social do indivíduo e na formação de seu habitus, ou seja, o conjunto de suas disposições interiorizadas. De fato, o arquiteto, sujeito atuante no campo do mercado imobiliário, pode se inserir nele de várias maneiras, assim como na situação específica abordada neste ensaio. Nesse caso, os arquitetos que se destacaram primariamente por uma atuação de certa forma elitista, para o tipo de cliente unifamiliar, agora estão atuando no campo da habitação de interesse social. A partir do histórico das políticas habitacionais de interesse social no Brasil, o enfoque do trabalho foi pesquisar produções publicadas em revistas de arquitetura no recorte 16

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temporal de 2005 a 2012, em São Paulo, período inicial dos novos programas habitacionais da SEHAB. Tal escolha deveu-se à mudança de foco dos programas padrões de conjuntos habitacionais para a revitalização da cidade informal e valorização do arquiteto como agente transformador do espaço. Assim, foram escolhidos três exemplares para o estudo: Residencial Alexandre Mackenzie (2008), dos arquitetos Alexandre Boldarini e Sérgio Faraulo, Parque Novo Santo Amaro (2009), de Vigliecca & Associados, e Jardim Edite (2010), de MMBB e H+F. Nesses projetos, a perspectiva adotada mostra, em vez da criação de novos guetos, a intervenção como nas décadas anteriores, para a intervenção no local foco, mantendo assim os indivíduos em seu próprio habitat. Em ambos os casos, a hierarquização da sociedade é mantida, mascarada pelo “efeito de naturalização”, o qual reproduz as diferenças mediante as lógicas sociais, aludindo à natureza das coisas, tal como uma fronteira natural. No entanto, essa fronteira nos casos atuais traz a sensação de vínculo das pessoas ao espaço, conferindo o peso ao seu “lugar de nascimento”. Essa valorização do espaço informal com a intervenção de arquitetos, considerando o cliente de habi-

tação social de pertencimento à classe média, refletiu no desejo de consumo de bens culturais simbólicos típicos da elite, tal como a arquitetura. Se por um lado, o arquiteto, inserido no campo cultural, é responsável pelo processo bilateral de exaltação do bom gosto, sendo o produtor cultural, o cliente de habitação de interesse social também se encara como um consumidor, atribuindo um novo olhar àquele espaço. É dessa forma que a participação de arquitetos renomados faz com que esses exemplares, denominados por Stevens em O círculo privilegiado (2003) como “lar”, estejam lado a lado das “casas”, ou “objets d’art”, nas publicações de arquitetura. Por fim, a abordagem deste ensaio resumiu-se em vislumbrar a relação do arquiteto com essa nova esfera social e ampliar a investigação da organização espacial das moradias, do ponto de vista antropológico, a fim de melhorar a qualidade espacial do projeto de habitação de interesse social e contribuir para a valorização do habitante.

Orientador: Eduardo Rossetti Banca: Cecília Gomes de Sá e Ricardo Trevisan


Parque Novo Santo Amaro, foto por Leonardo Finotti .

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um olhar para a terceira idade The essay presents a proposal for an ideal shelter for elderly people and analyses how it could positively affect the well-being of those who are leaving their homes to live in a new place, distant from all that is familiar. It is divided into three parts: a literature review about the changes associated with ageing, aimed at understanding the needs of the elder, a survey of existing retirement homes and a sensitive pondering on these spaces, all interrelated in the proposal for improving the daily life of the elderly.

Ariadna Jesus Lopes da Silva Ao chegar à terceira idade, o ser humano se encontra em uma situação em que nunca se viu antes. Muitos idosos perdem parte do seu poder de decisão e de certa forma de sua independência, precisando muitas vezes de cuidados de terceiros. Na maioria das ocasiões as famílias não podem cuidar de seu parente idoso, seja por falta de tempo ou de condição financeira, uma vez que bancar um cuidador particular é muito caro; ou o idoso não criou vínculos afetivos durante a sua vida. Assim acabam buscando uma alternativa fora de casa. Quando esse idoso vai para um abrigo, além de conviver com pessoas que ele nunca viu, depara-se com um lugar que não é dele, um lugar que não é seu lar. E nessa idade a capacidade de adaptação é muito baixa, o que faz com que esse processo seja muito difícil. Por meio da Arquitetura, acredita-se ser possível ajudar a fazer com que ele se sinta mais à vontade nesse 18

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novo lugar. Em um espaço que seja o mais próximo de um ambiente doméstico e em que ele possa ter o máximo de independência. E também um espaço capaz de oferecer atividades que o façam sentir mais vivo e revigorado, proporcionando-lhe uma melhor qualidade de vida. É importante olhar para os idosos com mais respeito, como pessoas que não apenas estão no final da vida, mas que já viveram e deram muito de si e que merecem consideração e admiração. Assim, ao olhar para um lar de idosos deve-se fazê-lo de forma mais humana e notar que é um lugar que precisa valorizar, acolher e ajudar os idosos, para que se sintam o mais em casa possível, a fim de auxiliar na transição da sua casa para este novo lugar. O ensaio faz uma reflexão sobre alguns lares de idosos e se traduz em ideias a serem aplicadas em um projeto de um lar para a terceira idade. Assim, além dos aspectos da arquitetura

universal acessível, abrange lições arquitetônicas de aspectos físicos que pretendem facilitar a vivência do idoso. Para tanto, parte do pressuposto de que o corpo de cuidadores é qualificado e presta um bom atendimento aos hóspedes. Além das questões físicas da disposição espacial, funcionalidade e acessibilidade, é importante que a arquitetura proporcione espaços agradáveis e estimulantes que vão além de simplesmente atender às normas e busque influenciar positivamente no bem-estar dos idosos. Por conseguinte, deve-se atentar para aspectos como revestimentos, aberturas para o meio externo, as visuais do espaço, localização no contexto urbano e dar a devida importância para espaços voltados para o lazer e atividades em geral.

Orientadora: Maria Cecília Gabriele Banca: Camila Sant’Anna e Paola Ferrari


food truck e espaço público Food trucks have become a nationwide trend in Brazil, impacting the local economy and the use of public spaces. The research assesses the national legislation regarding these businesses, inquires about the origins of food trucks and analyzes their peculiarities as a form of street food distribution in regards to public space, within a perspective of the active use of the city’s free spaces. Through this analysis, the study points out policy gaps and proposes amendments concerning this type of business.

Juliana Cristina Almeida do Nascimento Considerado um dos modelos mais promissores no âmbito de comida de rua, os food trucks remontam aos velhos tempos. O termo, assim como esse método de comercialização de alimentos, veio importado dos EUA. Lá ganhou forma com a crise econômica de 2008, o que levou muitos restaurantes a fecharem as portas e alguns chefes de cozinha a investirem na rua como local de preparação e venda de seus pratos de alta gastronomia e a baixo custo. O fenômeno se desdobra em três cenários distintos, sendo eles, respectivamente, o food truck como comida de rua, como apoio para eventos e atividades e como atrativo em si. No cenário mais comum, um food truck exerce a tradicional função de fornecedor de comida de rua, não sendo um atrativo em si, mas sendo o público o grande atrativo. Isso vem como resposta ao modo de vida urbano contemporâneo, caracterizado pela escassez de tempo para preparo e consumo de alimentos, pelo deslocamento das refeições de casa para alimentação fora desse ambiente, pelo uso de alimentos prontos e diversificados para o consumo. Além disso, pela flexi-

bilização nos horários das refeições, a comida de rua compreende a opção mais viável para grande parte da população. No segundo cenário se remete à intensificação de tais empreendimentos pelas suas participações em feiras e eventos, sendo grandes atrativos para os donos, por se tratar, em sua maioria, de eventos com um grande fluxo de pessoas e, consequentemente, com um grande retorno financeiro. Os food trucks estacionam em um determinado local do evento, criando um espaço de variedade gastronômica, e grande parte da população, na busca por lazer e vivacidade, lota tais eventos, tornando-os espaços de encontro. E como terceiro e último cenário, a grande demanda de um espaço para tais empreendimentos fez surgir o fenômeno chamado food trucks, que nada mais é do que um grande espaço privado que abriga todo o mobiliário e as instalações necessárias para food trucks efetuarem ali as suas vendas. Tem como forma de pagamento um aluguel mensal ou diário, que por vezes é tomado pela grande especulação imobiliária local, exigindo grandes valores de pagamento,

não propiciando, assim, um custo-benefício promissor. Embora a prática de venda de comida na rua não seja recente, os food trucks trazem peculiaridades que não estão ainda plenamente contempladas na legislação, o que torna atrativa a necessidade de um estudo que preconize a sua relação com o urbano, viabilizando uma visão geral da situação legislativa e suas implicações no espaço público. Afirmação que se confirma pelo fato de apenas oito, de trinta e três cidades analisadas, possuírem uma legislação a respeito dos food trucks. Ficou evidenciado na pesquisa o reflexo de uma legislação nacional falha no que diz respeito aos food trucks e sua inserção no tecido urbano, dado seu grande papel de potencial urbano e revitalizador na cidade. Além disso, a ausência de sua organização pode gerar incômodos para a cidade, como ruídos, poluição visual e barreira de acesso.

Orientadora: Gabriela Tenorio Banca: Camila Sant’Anna e Giuliana Freitas 19


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a arquitetura de abrigos para crianças e adolescentes em contexto de vulnerabilidade social um estudo do espaço arquitetônico e sua relação com a condição psicológica e o desenvolvimento dos usuários Mayara Cristina Alencar Bet O abrigo é uma medida prevista pelo Estatuto da Criança e do Adolescente para casos onde haja ameaça ou violação dos seus direitos e é definido como excepcional e provisório, prezando sempre pela reintegração do indivíduo na família. Em fevereiro de 2012 o Brasil tinha 37.240 crianças e adolescentes vivendo em abrigos no país. O período de institucionalização se torna longo e, muitas vezes, permanente. Em 2003, segundo o Levantamento Nacional de Abrigos para Crianças e Adolescentes, mais da metade das crianças e dos adolescentes pesquisados na época vivia em instituições há mais de dois anos. Com o intuito de investigar como os abrigos podem configurar um ambiente o mais próximo do dito “familiar”, o ensaio tomou como referência as publicações Abrigo ou lar?, de Aline Savi, e O ambiente físico no qual vivem crianças 20

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e adolescentes em situação de abrigo, de Simone Gueresi de Mello. Também estudou conceitos do desenvolvimento humano por meio da obra A ecologia do desenvolvimento, de Urie Bronfenbrenner, e como se configuram os ambientes em que se desenvolvem e socializam as crianças e adolescentes em contexto de vulnerabilidade. Nos estudos sobre o comportamento espacial baseados na obra Percepção ambiental e comportamento, de Jun Okamoto, juntamente com o estudo de caso realizado, verificou-se que a privacidade e a territorialidade acabam sendo inibidas pelo grande número de indivíduos abrigados nas instituições, o que fere o sentido de “lar”. Enquanto as mudanças culturais, políticas e sociais não modificam as estruturas e relações familiares, e consequentemente, como são tratadas as crianças e adolescentes, existirão


The essay surveys the architectural space of shelters for vulnerable children and teens in order to understand the relationship between the space, the state of mind and the psychological development of the building’s occupants. The analysis is based on areas such as environmental perception and developmental ecology. It shows that shelters can influence the lives of children in their process of growth and socialization, being decisive in the comprehensive development of all their cognitive and emotional skills.

Foto por Mayara Cristina Alencar Bet.

abrigos para recebê-los. No entanto, os abrigos nunca substituirão os vínculos familiares, pois apesar de ser a única e melhor (quando comparada com a um contexto de negligência, abuso e violência) alternativa para essas crianças e adolescentes, não representam a totalidade de afeto e carinho que teriam num ambiente familiar “comum”. A arquitetura, nesse contexto, poderia proporcionar espaços mais adequados. Nessas condições, a criança e o adolescente poderiam ter uma relação de afeto saudável com seus irmãos, amigos, mãe-social, psicólogo, a família durante as visitas de reintegração, a família durante as visitas de reconhecimento para adoção, ou os voluntários em suas visitas para distribuir carinho e afeto, e também seu próprio espaço individual de reflexão e meditação. Entende-se que a arquitetura, por

si só, não pode modificar o desenvolvimento social de um indivíduo abrigado. Contudo, pode favorecer a criação de um espaço em que o afeto seja um elemento decisivo e imprescindível para que o ser humano se relacione com as pessoas e os ambientes e possa se desenvolver de forma saudável, mesmo em um abrigo. Portando, a arquitetura desses ambientes tem a função de minimizar ao máximo a distância física existente entre o abrigado e a sociedade, gerada pela falta dos vínculos familiares. Vale dizer, vínculos que são entendidos como uma instituição intrínseca da vida em sociedade. Dessa forma, é possível diminuir um possível preconceito que exista com a criança e o adolescente institucionalizado, além de promover o aconchego e o afeto, mais próximos de um ambiente familiar, no sentido de se tornar um lar.

Orientador: Augusto Cristiano Prata Banca: Cláudia Garcia e Maria Cecília Gabriele 21


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smart cities e a governança da resiliência urbana The study investigates how smart cities could improve not only urban resilience but also governability. The concepts for smart cities, urban resiliency and governability are initially drawn out and interrelated, in an effort to pinpoint the convergence of these subjects. The study goes on to evaluate the use of new technologies and the promotion of partnerships with large companies within urban planning. It shows how such technologies and partnerships could help to support the development of better cities.

Maysa Gonçalves Valença A tecnologia sempre determinou, em algum aspecto, a forma das cidades, seja no método de construção, seja na abertura de ruas mais largas para carros. Mas no século XXI ela tem interferido de uma forma mais profunda; mudando a forma como as pessoas se relacionam com as cidades. Ao usar dados e tecnologia de informação para contribuir ou apoiar o planejamento urbano, é possível dar voz aos habitantes mesmo não intencionalmente, pois é o vinculo, o movimento que cada pessoa faz, que será transformado nas sequências computadorizadas usadas pelos governos e instituições. A tecnologia pode ser uma ferramenta de democratização tanto quanto pode ser uma ferramenta de segregação. Assim como ela também pode ajudar a solucionar problemas de planejamento ou desenho urbano. No entanto, não isoladamente e não com o uso extensivo. A utilização desse tipo de recurso deve compreender uma governança adequada. A busca pela resiliência urbana – definida como a capacidade de uma cidade de sofrer mudanças ou passar por problemas e manter suas capaci22

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dades sistêmicas – tem sido cada vez mais justificada pelas transformações que o mundo vem enfrentando, sejam elas por razões climáticas ou por conta do rápido crescimento das populações urbanas. Entretanto, a resiliência depende de uma rede de estruturas funcionando de forma alinhada. Dessa forma, se ocorre uma falha, o sistema fica comprometido. A governança das cidades é o maior provedor dessa rede, e só há resiliência se houver interesse da governança em apoiar seu desenvolvimento. A governança pode ser conceituada como uma rede de comunicação e organização entre agentes – governamentais ou não – que se articulam para que as pessoas e as organizações dentro de sua área de atuação tenham uma conduta determinada, satisfaçam suas necessidades e respondam às suas demandas. Entende-se que governança pode existir sem governo, mas o governo e a comunidade compreendem papéis específicos que não podem ser substituídos. Para se ter cidades preparadas, é tão importante que a câmara legislativa da cidade esteja envolvida, quanto é tão importante se ter o envol-

vimento da população. A resiliência deve existir em todas as instâncias da governança, para poder então existir na cidade. Smart Cities e resiliência urbana podem ter uma relação intrínseca quando ambas se associam na governança da cidade, seja fortalecendo-a ou servindo como base para seu funcionamento adequado. Entretanto, apesar de se encontrar cidades resilientes que não são Smart Cities, a maioria das Smart Cities é resiliente. Uma cidade preparada pode ser vista, de forma simplificada, como uma cidade onde os serviços funcionam adequadamente, que está ciente de suas vulnerabilidades e que tenta se fortalecer perante elas. Nesse caso, a população e o governo se comunicam, e a governança é equilibrada. Todas essas características são buscadas pelas Smart Cities com o uso de tecnologias. Logo, em algum momento há uma convergência.

Orientadora: Raquel Blumenschein Banca: Benny Schvarsberg e Monica Gondim


zemch construção em massa e sustentabilidade Civil construction is one of industries that uses up the greatest amount of energy and natural resources. This pushes the construction sector to constantly streamline its production processes. The idea of the Zero Energy Mass Custom Homes (ZEMCH) originated in such a context, from the merging of energy efficiency with mass customization. The study surveyed and compared case studies, allowing for the recognition of certain design parameters that contribute to the assimilation of the ZEMCH ideas in industrialized collective housing.

Natália Brasil A construção civil tem grande impacto ambiental. O setor é responsável por consumir quase metade da energia elétrica do país e por produzir metade das emissões de dióxido de carbono na atmosfera. Assinale-se que é o próprio consumo de energia que acarreta grande parte dessas emissões. Tal impacto se dá, em maior peso, nas etapas de produção e ocupação do edifício. Isso torna necessário um olhar atento ao projeto, que, para tornar-se sustentável, deve focar tanto em produção otimizada quanto em ocupação eficiente. Nesse contexto, o conceito de Zero Energy Mass Custom Homes (ZEMCH) surgiu na última década como a união entre fatores de customização em massa e eficiência energética visando menor impacto ambiental na construção civil. Para verificar diretrizes arquitetônicas e formas de produção incorporáveis ao conceito de ZEMCH, foram feitos estudos de casos em quatro países – Japão, Estados Unidos, Suécia e Brasil. Foram estudadas seis empresas

conhecidas por sua produção em massa de habitações customizadas e que apresentavam também preocupações relativas ao impacto ambiental de suas casas, além de se observar o contexto da industrialização da construção em cada país. A customização em massa mostrou-se altamente vantajosa na busca por sustentabilidade. A produção de elementos construtivos em ambiente fabril oferece maior controle sobre questões de desempenho ambiental, tais como consumo de energia e água, e emissões de CO2. Nesse caso, produzem-se elementos modulares intercambiáveis que, combinados entre si, formam maior número de variedades, sendo possível assim atender às necessidades individuais dos consumidores sem perder as vantagens da produção em economia de escala. Com exceção da empresa brasileira Tecverde, todas as empresas estudadas disponibilizavam catálogos de soluções para seus clientes. No que se refere ao projeto arquitetônico, foi possível observar diretrizes

em comum adotadas pelas empresas de modo a tornar a ocupação do edifício sustentável. As empresas se atentam a fatores como ventilação, iluminação (natural e artificial), produção de energia e isolamento térmico para redução do consumo de energia e emissões de carbono, além de prever e facilitar a manutenção de suas casas, visando à durabilidade. Além de se observar diretrizes pertinentes ao conceito de ZEMCH, foi possível também analisar brevemente a situação brasileira em relação à construção industrializada. Como foi possível ver ao longo do estudo, a industrialização está fortemente ligada à redução do impacto ambiental de um edifício. A predominância, no contexto brasileiro, de materiais convencionais e intenso uso da mão de obra é algo que deve ser fortemente questionado.

Orientadora: Vanda Zanoni Banca: Júlio Eustáquio e Oscar Luís Ferreira. 23


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arquitetura da aprendizagem

o ambiente escolar e a formação da criança Space plays an integral part in child growth, and the way it is organized can have the power to influence a child’s development. It should be tailored to the child’s size and scale, and created with their needs and activities in mind. The educational environment is the setting for a great portion of the child’s life and should be envisioned for these occupants. This essay brings together information on pedagogy to analyze its relationship with architecture. Its purpose is to enquire how the configuration of the school environment can influence the development of children.

Paula Maria Ribeiro Levi Os espaços projetados para as crianças devem ser elaborados de acordo com suas necessidades, faixa etária e atividades ali desempenhadas. Eles devem abrigar os recursos necessários para o desenvolvimento de suas potencialidades e contribuindo para o desenvolvimento físico, psicológico, intelectual e social. Com isso, devem ser fundamentais para a sua formação como seres humanos. A escola, como um espaço destinado às crianças, deve respeitar esses fatores de maneira prioritária. Isso porque, além de influenciar ativamente no seu desenvolvimento pessoal, representa o local com mais recordações da infância. Por isso, o ambiente escolar deve ter um caráter pedagógico e proporcionar o bem-estar, por meio da sensação de acolhimento e liberdade. As metodologias pedagógicas apresentadas apontam características comuns de respeito primordial ao ritmo e limitações das crianças. Tendem a formar ambientes propícios ao desenvolvimento delas pelo estímulo à criatividade, autonomia, ao senso de respeito e de coletividade. As crianças devem ser seres com pensamentos críticos capazes 24

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de tomarem suas próprias decisões, de forma a contribuir positivamente com o mundo ao redor, e as arquiteturas dessas escolas devem estimular isso. Apesar de haver maior variedade de atividades no atual sistema educacional brasileiro, existem muitas escolas que ainda prezam por configurações espaciais tradicionais. Assim, ainda são exigidas avaliações constantes dos sistemas de educação, o que muitas vezes limita os alunos nas suas potencialidades. A maioria das arquiteturas das escolas brasileiras é reflexo disso, e suas organizações espaciais são feitas com a intenção de controlar os alunos por meio da disciplina. A partir disso, entende-se que o atual sistema não está preocupado prioritariamente com a formação holística do aluno, mas com a sua avaliação intelectual. A educação deve ser baseada na atenção ao desenvolvimento das opiniões individuais, na harmonia das necessidades e habilidades e na prevalência de um espírito humanitário. A criança deve ser educada para se tornar um ser humano completo que respeita o próximo e não para uma profissão específica. O professor não deve ser

uma autoridade, mas sim um orientador que tem a função de transmitir o conhecimento de forma dinâmica, segura e criativa. Existe a necessidade de “humanizar” o espaço interno e adaptar a proporção com a escala infantil, para permitir a manipulação do mobiliário pelos usuários, enfatizando a necessidade de paisagismo, harmonia entre os elementos construtivos, as cores e os materiais. O contato com equipamentos variados no cotidiano deve ser estimulado, a fim de preparar o aluno para o mercado de trabalho e para a vida. Nesse sentido, tendo em vista as elucidações aqui expostas a respeito da interferência da configuração espacial dos ambientes escolares na formação de uma criança, conclui-se que o espaço não é neutro, ao con­trário, ele é capaz de influenciar na conduta infantil. Um lugar, dependendo como foi organizado e projetado, pode ser estimulante ou limitador do processo de ensino e aprendizagem e da formação das crianças.

Orientadora: Maria Cecília Gabrielle Banca: Camila Sant’Anna e Paola Ferrari


potencial fotovoltaico blocos residenciais do plano piloto The study undertakes the assessment of the photovoltaic potential of the rooftops and facades of the residential blocks in the superquadras of the Pilot Plan, envisioning the integration of photovoltaic systems in the existing power grid. The identification of residential blocks of similar shape and solar orientation is the basis for the estimation of the power generated and the measurement of the total impact of these micro generators in the net power consumption of the Pilot Plan.

Renan Davis Diariamente incide sobre a superfície da terra mais energia vinda do sol do que demanda o total de habitantes do nosso planeta em todo um ano. A energia solar tem diversas aplicações, e uma delas é a geração direta de eletricidade por intermédio do efeito fotovoltaico (RÜTHER, 2004). Dentre os sistemas fotovoltaicos existem duas configurações: o sistema fotovoltaico isolado e o conectado à rede elétrica. O isolado (ou autônomo) é dependente de um banco de baterias para armazenar a energia gerada nos módulos e funciona independentemente da rede elétrica. Já o sistema conectado à rede elétrica funciona como se fossem geradores paralelos às grandes usinas geradoras de energia, dispensam acumuladores e compartilham energia diretamente com a rede (CRESESB, 2006). Por meio da geração distribuída com sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica, é possível enxergar uma alternativa para a matriz energética de Brasília. Esse modelo de produção de energia descentralizado faz o melhor uso da energia produzida, evitando perdas na transmissão de energia. Trata-se de sistemas que podem ser instalados nos telhados, coberturas e

fachadas, até substituindo materiais convencionais da estrutura ou revestimento, ao mesmo tempo em que geram energia limpa e infinita. Brasília possui clima e localização ideais para o uso de sistemas fotovoltaicos. A arquitetura homogênea da cidade, especialmente da Asa Sul e Asa Norte, possibilita uma estimativa de produção de energia que engloba o Plano Piloto como um todo. Destacam-se também o potencial e a quantidade de fachadas com boa orientação para implementação de novas tecnologias fotovoltaicas, por intermédio do uso de materiais de revestimento e aplicação em vidros. O trabalho possibilitou uma estimativa de produção de energia fotovoltaica por sistemas localizados nas coberturas dos blocos residenciais do Plano Piloto com até seis pavimentos, e seus resultados demonstram possibilidade de suprir parte da demanda energética da cidade. O relatório desenvolvido no portal http://tecnando.com/bipvdesign (PORTOLAN, 2016) apontou uma produção anual de 184.444,65 kWh para um sistema de 569 módulos de silício policristalino, ocupando 80% da área da cobertura da projeção mínima retan-

gular mínima encontrada nas quadras 200, 100 e 300 das Asas Sul e Norte do Plano Piloto, com dimensões de 12,5 m x 85 m, sendo 1.060 m2 de área total. A repetição de 884 blocos em situações similares possibilitou uma estimativa da produção desse conjunto de blocos residenciais: 163.048.496 kWh/ano. Segundo dados do Anuário Estatístico de Energia Elétrica (EPE, 2013), o consumo energético médio Per Capita em Brasília é de 218,5 kWh/mês. Com isso, a produção de energia estimada seria capaz de suprir a demanda de 59.380 habitantes, representando uma população próxima à de vinte superquadras. De acordo com a densidade populacional das superquadras, este consumo representaria cerca de 17% do total de 117 superquadras do Plano Piloto. Contudo seria possível ainda integrar sistemas fotovoltaicos de outras maneiras, considerando também as fachadas dos blocos residenciais, principalmente voltadas para Noroeste.

Orientadora: Claudia Amorim Banca: Caio Frederico e Silva, Daniel Sant’Ana e Marta Bustos Romero 25


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Foto por Vivien Rodrigues Pereira Destord.

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viollet-le-duc e a reconstrução histórica do interior da notre-dame de paris The essay explores the use of color in the interior spaces of the Notre-Dame de Paris cathedral and its relation to the building’s history, investigating the reasons for its usage. The aim of the study is to relate the use of color to the changes made in Viollet-le-Duc’s restoration, which began in 1844, and to the symbolism in Gothic art. In that restoration, colors were used in the cathedral´s interior space based on a study of tones in gothic art.

Vivien Rodrigues Pereira Destord A Notre-Dame é uma das catedrais mais antigas em estilo gótico. Dedicada a Maria, Mãe de Cristo, situa-se na Île de La Cité, em Paris, França. Sua construção foi iniciada em 1163 e durou até o século XIV. Sofreu alterações substanciais nos séculos XVII e XVIII, durante a Revolução Francesa e no século XIX. Na época do início da construção da catedral, a Igreja representava o centro da vida popular, onde as mudanças mais significativas na vida do ser humano (como o batismo, casamento e funerais) eram celebradas, e essas eram representadas pelas cores. O branco simbolizava o Natal, a pureza, espiritualidade e vitória, sendo associado à vitória de Cristo sobre a morte e o mal. O ouro representava a Páscoa e o caráter ultraterreno dos sucessos sagrados. O vermelho simbolizava o martírio de Jesus e de seu sangue. O verde era símbolo da esperança, da provisão de Deus para satisfazer as necessidades humanas. A púrpura, nas semanas da Paixão, representava a penitência do pescador e os sofrimentos de Cristo. Era usada em missas em memória aos mortos e considerada a cor mais sagrada desde tempos antigos. O rosa simbolizava a alegria e o negro

era símbolo de morte e luto. A religião nessa época possuía um papel muito mais abrangente. E as cores tinham como objetivo explicar o mundo de uma forma que todos entendessem. Acreditava-se que o mundo era composto por uma mistura dos quatro elementos básicos: a terra, representada pelo preto; a água, pelo branco; o fogo, pelo vermelho; e o ar representado pelo amarelo. Já no homem, os elementos tomavam a forma de fluidos corporais: a bílis, negra; a fleuma, branca; o sangue, vermelho; e a bílis, amarela. No estilo gótico, a cor era utilizada como estímulo emotivo e complemento estético. A decoração exterior era realista, com a cor se manifestando em colunas e ornamentos; nas fachadas, os vermelhos, laranjas, verdes e ocres amarelados são intensos; e o branco e o preto, puros. No interior, predominavam os tons neutros da pedra, que contrastavam com a policromia dos vitrais iluminados. As intervenções na catedral, em 1842, geraram um concurso para sua restauração. O projeto iniciou em 1844, e o ganhador foi Viollet-le-Duc, que possuía uma teoria de um sistema “ideal” entre os elementos da forma,

estrutura e função, buscando a lógica do conjunto arquitetônico. Assim, por vezes, deixou seu conhecimento sobre a arquitetura criar cenários irreais, acabando por modificar as edificações no estado encontrado originalmente. Ele tentou se aproximar o máximo possível de seu ideal do “gótico clássico”, em que a catedral se transforma em um espaço ritualístico e a luz e a cor são duas de várias formas de apelação ao fervor religioso. Para ele, somente após a luz adquirir cor é que há de fato significado em sua presença na Notre-Dame, no sentido de se tornar uma forma de comunicação com o Divino. Utiliza-se dos vitrais para a manifestação do misticismo e da pintura de afrescos nas paredes para a sensação mais intimista. As cores usadas são baseadas em um estudo dos matizes utilizados na arte gótica: o vermelho representa o homem, o amarelo o sol, o púrpura a terra, o azul a verdade e o verde a Natureza. O azul pontilhado de estrelas pintado nas abóbadas era usado para representar o cosmos. Orientador: Sérgio Rizo Banca: Cláudia Garcia e Maria Cecília Gabriele 27



NOVOS ARQUI TETOS


diplô É

com imensa satisfação que apresentamos nesta edição da revista ARQUI os Trabalhos de Conclusão de Curso do primeiro semestre de 2016. Os projetos que vocês terão a oportunidade de conhecer nas próximas páginas representam o material desenvolvido no decorrer dos últimos anos na FAU/UnB. São trabalhos que refletem o papel do profissional de Arquitetura no mundo do século XXI: elaborar soluções espaciais de diversas ordens e escalas que respondam às demandas da sociedade, que reforcem o papel primordial do espaço público na constituição da cidade e do homem coletivo, atentando para os problemas socioambientais, mas sem jamais se descuidar das questões de funcionalidade, conforto ambiental, estética e historicidade. É parte do trabalho do arquiteto a integração de diferentes conhecimentos na proposição de soluções espaciais para a nossa sociedade. Para tanto, o profissional graduado na FAU/UnB incorpora em sua atividade projetual questões para discussão como sustentabilidade, colaboração, multifuncionalidade, reaproveitamento e participação. São 28 trabalhos apresentados. Destes, seis recebem mais espaço nesta edição, por terem sido considerados trabalhos de destaque desenvolvidos ao longo dos dois últimos semestres acadêmicos. Alguns projetos focam na requalificação de áreas urbanas com o compromisso na melhoria de desempenho socioeconômico e ambiental; outros em intervenções patrimoniais habilidosas que garantem a preservação de marcos culturais significativos e o atendimento das necessidades sociais atuais; há ainda os que focam na tecnologia como importante plataforma de conhe-

cimento para resolução de problemas; e há também os que são desenvolvidos a partir do entendimento dos novos arranjos e demandas socioeconômicas que se apresentam. Enfim, acreditamos que os trabalhos apresentados lhes garantirão momentos agradáveis de reflexão sobre papel do arquiteto urbanista na atualidade. Aproveitem! No fim do primeiro semestre de 2016, a abertura da exposição desses trabalhos contou com a palestra do mineiro Gustavo Penna, arquiteto com importante carreira nacional, líder de uma equipe de mais de trinta profissionais que pensa, desenha e constrói com a certeza de que a arquitetura é um elemento definidor da identidade do país. Nessa ocasião ocorreu também o lançamento da quinta edição da revista ARQUI, e a premiação, por meio de certificados do IAB/DF, dos graduandos que tiveram seus projetos selecionados como destaques do semestre anterior, uma forma de reconhecimento à excelência de seus trabalhos. Nesta oportunidade reforçamos nosso agradecimento ao arquiteto Gustavo Penna pela linda aula apresentada e pela generosidade em compartilhar a experiência adquirida em seus mais de quarenta anos de atuação. Estendemos nosso agradecimento ao arquiteto Matheus Secco, representante do IAB-DF, pelo apoio à comunidade acadêmica. Por fim, agradecemos a dedicação e empenho de sempre de professores, alunos e técnico-administrativos.

Giselle Chalub Martins Coordenadora de Diplomação


We are delighted to present the final projects of the first semester of 2016 in this edition of the ARQUI jornal. The projects you will be introduced to in the following pages are illustrative of the work developed throughout the recent years at FAU-UnB. They are proposals which represent the diverse roles architects play in the world of the 21st century: to generate spatial solutions of various types and scales that answer to the needs of society and strengthen the crucial role of public space in the formation of cities and in the development of the collective person, all the while being sensitive to social and environmental issues, but without overlooking matters of functionality, environmental quality, aesthetics, and historicity. A part of the architect’s job consists in integrating different fields of knowledge in the design of adequate spatial solutions for our society. The architects who graduate from FAU-UnB are therefore engaged in the discussion of issues such as sustainability, collaboration, multifunctionality, reuse and participation in their design practices. Twenty student projects are presented here. Amongst them, six projects, considered outstanding proposals developed throughout the last two academic terms, have received more coverage in this issue. Some of the projects focus on urban regeneration committed to the improvement of socioeconomic and environmental performance, others on skillful interventions in built heritage that ensure the preservation of significant landmarks while allowing them to cater to the needs of today’s society. There are also those that use technological knowledge as a base to problem solving, and other projects that survey and react to new socioeconomic structures and necessities. Ultimately, we believe

that the following projects may inspire invigorating thoughts on the current role of the architect and urban planner. Enjoy! The opening of the exhibition of the student projects had Gustavo Penna, an architect from Minas Gerais, as guest speaker. Gustavo leads a nationally acclaimed practice with over thirty professionals who are devoted to thinking, drawing and overseeing construction. They share a view of architecture as a key element in shaping a country’s identity. This event was also marked by the launch of the 4th edition of the ARQUI journal and a ceremony that handed out certificates emitted by the IAB/DF [Architects’ Institute of Brazil / Federal District] to the students whose projects from the previous semester were considered outstanding, a sign of recognition for their excellent work. We take this opportunity to thank architect Gustavo Penna for his inspiring lecture and his generosity in sharing his experience of over forty years of practice. We also acknowledge the support given to the academic community by architect Matheus Secco, as a representative of IAB/DF. In conclusion, we would like to thank the relentless dedication and effort of professors, students and staff.

Giselle Chalub Martins Graduation Project Coordinator


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destaques

depois do aeroporto Aluno: André Leal Santos /// Orientação: Mônica Gondim

A construção de um novo aeroporto para Teresina no futuro lança um questionamento que os planos não respondem: o que será feito com o atual terreno, localizado no meio da cidade? A proposta de urbanizar o terreno sob uma abordagem menos insustentável mostra que, mais que acrescentar uma nova área ao tecido urbano, é possível modificar a cidade em uma escala metropolitana, reorganizando fluxos, modos de transporte, além de permitir a criação de um estoque de habitação de baixo custo e um novo polo urbano.

espaço w Aluna: Anna Angélica Szczepasnki Bento /// Orientação: Bruno Capanema

O objeto do trabalho é um projeto arquitetônico de um hostel e coworking para Brasília. Com o intuito de atender turistas que buscam hospedagem de baixo custo na cidade, criou-se um estabelecimento hoteleiro em que a integração foi transposta para os ambientes e espaços criados. Além disso, a proposta contém um escritório compartilhado por profissionais independentes uns dos outros (ou não) que, assim como no hostel, dividem custos básicos de infraestrutura e ampliam seu networking devido ao uso dos mesmos espaços físicos.

mercado regional de brazlândia Aluna: Camila Harumi Azevedo Kakazu /// Orientação: Cláudia Garcia

O caráter informal e espontâneo dos mercados configura pontos de atividades para além da compra e da venda. O espírito de vivência neles criado muitas vezes acaba por agregar uma nova dimensão ao espaço público: este se transforma em área de eventos, lazer e encontros, tornando-se, assim, parte do cotidiano da cidade. Diante da cultura dos grandes mercados, foi proposto um projeto de uma nova estrutura em Brazlândia, em escalas arquitetônica e urbana, buscando incentivar uma ocupação ativa, diversificada e multifuncional. 32

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humanizando o canteiro de obras Aluna: Gabriela Lamounier /// Orientação: Raquel Blumenschein

O canteiro de obras participa do processo de produção da indústria da construção civil, demandando recursos humanos, ecológicos e financeiros. Por ser constituído por instalações provisórias, muitas vezes ele é tratado com precariedade, entretanto é um espaço no qual as pessoas despendem significativo tempo de suas jornadas de trabalho, por isso a necessidade de planejar e projetar um ambiente que atenda às demandas desses usuários e à destinação a que se propõe: um espaço produtivo com desempenho ambiental e social.

espaço público brasiliense sensível à água Aluno: Hudson Ribeiro Fernandes /// Orientação: Camila Sant’Anna

Os espaços livres sensíveis á água são áreas do meio urbano, como por exemplo, estacionamentos, praças, e até mesmo as vias, onde são empregadas soluções de micro drenagem. Essas soluções atuam no gerenciamento e controle do escoamento das águas residuais urbanas e são pensadas simultaneamente ao desenho urbano. Esses espaços foram concebidos de forma a compor um sistema onde os espaços livres estão interligados pelas infraestruturas da cidade criando áreas com valor estético, paisagístico e de lazer, favorecendo assim a apropriação dos usuários.

um bairro sustentável para a cidade do futuro Aluno: João Gabriel Michetti Ferreira /// Orientação: Giselle Chalub

O plano de adensamento para o Park Way se trata da remodelação de uma grande área suburbana, que constitui um bairro periférico da cidade de Brasília. O extenso bairro seria convertido em um pequeno centro comercial cujo ordenamento aconteceria em torno da preservação das áreas ambientalmente sensíveis de seu território; da reestruturação completa de seu sistema viário e de um robusto processo de adensamento que estabeleceria diferentes formas de uso e ocupação do seu território. 33


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depois do aeroporto

replanejando teresina após a desativação do sítio aeroportuário Future plans for the construction of a new airport in Teresina raise a question: what are the prospects for the site of the existing airport, located inside the city? This urban design proposal, which was developed with sustainability as a key concern, make plans for the development of the city on a metropolitan scale, where in addition to the densification of the inner city, it structures traffic flows and transportation modes and allows for the designation of new areas for social housing and the definition of a new urban centrality.

André Leal Santos O aeroporto de Teresina é um equipamento urbano de grande impacto para a cidade. A localização central, a quatro quilômetros do centro de uma região metropolitana com mais de 1,2 milhão de habitantes, e o crescimento de quase dez vezes na movimentação anual de passageiros nos últimos 25 anos, além das restrições de gabarito no entorno são alguns dos motivos que levam os planos a serem enfáticos na necessidade de se construir um novo aeroporto fora da zona urbana. No entanto, é indefinida a destinação deste terreno de 130 hectares, cuja ocupação fornece várias alternativas que podem alterar significativamente a zona urbana de Teresina, impactando em termos de densidade, fluxos de tráfego e na infraestrutura urbana de um modo geral. Este trabalho propõe que, após a construção de um novo aeroporto, o atual aeroporto seja usado para expansão urbana interna, buscando-se articular a estrutura viária adjacente ao sítio. Para tanto, são delimitados espaços públicos e loteamentos de forma a preencher integralmente a área, destinando usos que atendam de forma 34

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equilibrada às demandas mais estratégicas para o desenvolvimento da cidade. O projeto de urbanização do aeroporto consiste em uma versão preliminar do desenho viário e conexões, elaborado em congruência com o replanejamento viário da área de influência da ocupação, além de um zoneamento para o terreno. Das propostas de traçado viário elaboradas, a simples extensão dos arruamentos do entorno, replicando a lógica cartesiana do traçado viário da cidade, foi a opção que conferiu mais orientabilidade e atendimento aos principais fluxos dos corredores de transportes públicos, pois permitiu uma reorganização dos fluxos em binários, que simplificam os cruzamentos e permitem a inserção de faixas preferenciais de ônibus e ciclofaixas onde antes não era possível. Todas as novas vias criadas no terreno possuem calçadas mais largas para inserção de ciclofaixas bidirecionais e canteiros para arborização, em ambos os lados. Como resultado, obteve-se na área de projeto um aumento de 5,4 km para 77 km de vias com faixas preferenciais de ônibus, e de 7 km para 63 km de vias com ciclofaixas.

O zoneamento adotado no terreno priorizou a habitação de baixo custo, com um total de cerca de 4 mil unidades em lotes com densidade fundiária de 1.010 hab/ha. O terreno é permeado por parques lineares que compõem um sistema de áreas verdes mais difuso na malha urbana; esses parques são marcados visualmente por edifícios em altura voltados para eles. Também foram criados dois polos institucionais: um novo campus para a UESPI, mais integrado à rede de transporte público, o que permite que o campus atual seja usado para ampliar a estação de tratamento de esgoto adjacente; e um centro administrativo unificado da prefeitura e do estado, agregando o edifício do aeroporto em sua estrutura, e utilizando o estacionamento do aeroporto como praça cívica, que concentraria a maior movimentação de usuários do transporte público.

Orientadora: Mônica Gondim Banca: Benny Schvarsberg, Camila Sant’Anna, Gabriela Tenorio e Giuliana Sousa


Imagens fornecidas pelo autor.

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espaço w

hostel e coworking em brasília Espaço W hostel aims at catering to the needs of tourists who seek cheaper accommodation in the city, and is designed with the integration of spaces in mind. The building also houses a shared office space for independent selfemployed people or group ventures, where, similar to the hostel, basic expenses for infrastructure are split among users, whilst creating networking opportunities through the sharing of spaces.

Anna Angélica Szczepasnki Bento 36

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Imagem fornecida pela autora.

Os temas eleitos mostram-se pertinentes diante do crescimento do setor turístico e empresarial no país. Com isso, destacou-se como um investimento promissor a criação de um hostel e coworking, categorias ainda pouco exploradas em Brasília. A localização escolhida para implantação é a avenida W3 Norte, a fim de abordar duas temáticas relevantes — o objeto e sua localização — durante o desenvolvimento do projeto para esta disciplina. A intenção de produzir uma arquitetura que valorize o pedestre levou à conformação das fachadas dos edifícios na divisa do lote. Dessa maneira, a caixa viária não se rompe e dá sensação de continuidade para o caminhante. O Espaço W conta com três estabelecimentos: o Hostel W, voltado para a avenida W2 Norte; o CoWork., com acesso pela avenida W3 Norte; e o Café W, cujo acesso se dá pela praça pública elevada, que conecta as três edificações, pensada para convidar os habitantes a ocuparem a praça, que recebeu cobertura e mobiliário. A conexão também se estabelece internamente entre o hostel e o coworking, por meio de um corredor de acesso à sala de jogos, de uso comum aos usuários dos dois prédios. Em conformidade a um estilo de vida e trabalho baseados na sustentabilidade, compartilhar espaços é uma boa alternativa e ainda garante economia para os usuários. A cor amarela foi utilizada em determinados blocos para dar vida ao espaço e ao mesmo tempo servir como marco visual urbano associado ao edifício. Ela aparece nas marquises de acesso ao hostel e ao coworking, no prédio do café e na caixa de escada de emergência. Elementos de proteção solar foram adicionados e incorporados aos volumes para proporcionar conforto ambiental. O edifício é sustentado por estrutura metálica, que permite vãos livres consideráveis. Dessa maneira, é possível que os espaços sejam mais flexíveis, característica interessante para os espaços de trabalho no coworking, que são mutáveis e podem se adaptar ao interesse do usuário. Além disso, visando à viabilidade econômica do estabelecimento em sua localização de elevado custo comercial na cidade, essa flexibilidade aumenta as possibilidades de ampliação e/ou troca de função do espaço.

Orientador: Bruno Capanema Banca: Cláudia Garcia, Igor Campos e Ricardo Meira Convidada: Wanda Meyer 37


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Imagens fornecidas pela autora.

mercado regional de brazlândia The spontaneous and informal quality of markets signals the presence of activities that go beyond simply buying and selling. The interactions they engender give a new dimension to public space, transforming it into a place for events, leisure and social interactions, thus making it more present in daily life. The proposal for the Regional Market in Brazlândia draws from the cultural qualities of the great markets, operating at the scale of the building and the urban to promote an active, diverse and multifunctional occupation of space.

Camila Harumi Azevedo Kakazu 38

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Os mercados públicos tendem a configurar espaços que enriquecem a comunidade. Geram um link entre economia rural e urbana, oferecem oportunidades de empregos e negócios e promovem a saúde pública. A escolha do lugar foi pensada sob diferentes aspectos. Além de trabalhar um espaço fora do Plano Piloto, voltando os olhares para os valores locais de uma área periférica, Brazlândia também é um importante centro de agronegócios, sendo a maior fornecedora dos produtos hortifrutigranjeiros con­sumidos no DF. Nesse contexto, elaborou-se também uma proposta de intervenção urbana, buscando criar espaços públicos coerentes com o local e conectados entre si, fortalecendo o fluxo de pedestres. Assim, foram definidos dois eixos para o projeto: um, paralelo ao Veredinha, cobrindo parte do perímetro da orla; e outro, perpendicular, conectando o lago, o mercado e a igreja. No eixo de conexão, por ser uma área bem-consolidada, foi elaborada uma proposta de intervenção em duas etapas. A primeira, de menor impacto, trazendo mais vida para os muros que seguem ao longo da via, acrescentando pequenos quiosques, paisagismo e utilizando os trechos murados para arte urbana. A segunda ocorreria conforme o retorno dos usuários do espaço, em que se trabalhariam as disposições e usos dos lotes. No eixo da orla, a via passa a ser pedestrianizada, reforçando a relação dos visitantes com o lago. São propostos equipamentos urbanos variados, como playground, bicas de águas, aluguel de artigos desportivos e quiosques. Soma-se a isso o desenho paisagístico, que envolve desde o mobiliário urbano até o uso da arborização como elementos estéticos e funcionais. A estrutura da cobertura foi inspirada no sistema construtivo do arquiteto japonês Shigeru Ban, que utiliza uma trama de vigas em madeira laminada colada associada com membranas tensionadas, para vencer grandes vãos de maneira fluida e criativa, permitindo a flexibilidade da planta. Por fim, o projeto do Mercado Regional de Brazlândia visa, além do espaço de troca, a uma experiência que atenda aos seus usuários com conforto e beleza, fortalecendo a identidade local e o senso de pertencimento da comunidade.

Orientadora: Cláudia Garcia Banca: Carlos Luna, Elane Peixoto e Paola Martins Convidado: Paulo Coelho 39


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Imagens fornecidas pela autora.

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humanizando o canteiro de obras

Due to their ephemeral quality, construction sites are often precarious spaces, yet it is in these places that many people spend a large part of their workdays. This calls for the need for planning and designing environments that respond to the demands of these occupants and to the end purpose of these spaces: to be productive areas that meet high standards of environmental and social performance.

Gabriela Lamounier Pensando em um ciclo de vida do edifício, o canteiro de obras participa do processo de produção da indústria da construção civil, demandando recursos humanos, ecológicos e financeiros. Dentro de um mercado altamente competitivo, o planejamento dessa etapa precisa ser realizado buscando produtividade, eficiência, qualidade e sustentabilidade. Por ser constituído por instalações provisórias, muitas vezes o canteiro é tratado com precariedade. Entretanto, trata-se de um espaço no qual as pessoas despendem significativo tempo de suas jornadas de trabalho. Daí a necessidade de planejar e projetar um ambiente que atenda às demandas desses usuários e à destinação a que se propõe: um espaço produtivo com desempenho ambiental e social. O projeto consistiu na elaboração de um canteiro de obra para um edifício no Setor de Autarquias Norte de Brasília, o Conselho Nacional do Comércio – CNC –, uma construção em concreto armado e lajes protendidas, tendo quatro torres e quatro pavimentos de subsolo. Para melhor definição do estudo, foram estabelecidas três fases de obra. A primeira

composta pela infraestrutura, a segunda pela estrutura e obra bruta e a terceira por obra fina, acabamentos e desmobilização. Um fator considerado foi a estimativa de usuários que ocupariam o espaço, que variam de acordo com o sistema construtivo e as etapas. O programa de necessidades abarca as instalações provisórias de administração, apoio e vivência, bem como as instalações relativas à produção do edifício, as quais sofrem modificações ao longo da obra de acordo com a fase em que se encontram. Baseado nos conceitos de flexibilidade, fluidez, integração, sustentabilidade, estética e racionalização, o sistema construtivo foi definido pela utilização de contêineres adaptados, que se padronizados aos módulos de transporte podem ser realocados em obras posteriores. A proposta constou do zoneamento e fluxograma das três fases definidas, assim como também da evolução de quatros edificações: Administração, Vestiários, Refeitório e Área de Vivência. Cada instalação procurou atender às normas estabelecidas e aprimorar os

espaços de permanência, respeitando as preexistências e agregando a vegetação original à implantação dos edifícios. A programação visual dos edifícios foi pensada com o intuito de dinamizar esteticamente o espaço e orientar os usuários durante seu percurso estabelecido dentro do canteiro, propiciando maior fluidez, segurança e integração. Pensando na perspectiva da sustentabilidade, uma alternativa apresentada para autonomia do canteiro foi a produção de energia fotovoltaica em cobertura adaptável para o encapsulamento e acoplamento no transporte dos módulos. O projeto procurou trazer a temática como reflexão tanto para a indústria da construção civil como para a Arquitetura, na medida em que os espaços efêmeros tenham relevância e possam propiciar aos usuários qualidade ambiental.

Orientador: Raquel Blumenschein Banca: Cláudia Amorim, Oscar Ferreira e Vanda Zanoni Convidado: Raffael Innecco 41


arqui #6

espaço público brasiliense sensível à água Urban areas such as parking lots, gardens, squares, parks and even streets, can become water sensitive free spaces with the adoption of sustainable urban drainage systems and principles of low-impact development in their design. This project applies these design principles to interventions on an area of the North Wing of the Pilot Plan which is susceptible to floods, addressing the management of its stormwater runoff. Its goal is to reproduce the natural hydrological regimens prior to the urbanization of the area by allowing the detention, infiltration, evaporation, and reduction of surface water runoff. These areas are thought out as a system of free spaces interconnected by the city’s infrastructures, resulting in areas valued for their beauty, landscape qualities and leisure possibilities, enlivening the public realm.

Hudson Ribeiro Fernandes 42

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Imagens fornecidas pelo autor.

A área de estudo do projeto se localiza na Asa Norte. Trata-se de um bairro da zona central de Brasília, dentro da área tombada pela UNESCO. A Asa Norte possui um sistema de drenagem convencional característico da década de 1960, época em que Brasília foi projetada. É o bairro do Plano Piloto com o maior número de pontos críticos de alagamentos. A área de intervenção engloba a faixa que começa na W3 Norte e vai até a L2 Norte, nas quadras 9 e 10. É ponto crítico com o maior número de registro de alagamentos. O projeto utiliza soluções de drenagem de baixo impacto em conjunto com o sistema de drenagem convencional, buscando reter e favorecer a infiltração da água no solo. Estas soluções de drenagem compõem um sistema de espaços livres urbanos, integrando a infraestrutura de drenagem às áreas de lazer e convivência, agregando valor estético e paisagístico ao local. O projeto prevê a remodelagem da infraestrutura viária das vias W3 Norte, Eixos W e L e L2 Norte. Na área da W3 Norte foram utilizados jardins de chuva para auxiliar no gerenciamento dos escoamentos. Os jardins de chuva estão localizados no canteiro central em conjunto com a ciclovia. A ciclovia percorre toda a dimensão da via, e assim como o percurso arborizado, conecta-se com as áreas propostas pelo sistema e cria acessos para todas elas. Para a área dos Eixos L e W Norte e L2 Norte, foram utilizadas trincheiras de infiltração para auxiliar no gerenciamento dos escoamentos. As trincheiras de infiltração estão localizadas no canteiro central. Esta foi a solução escolhida para o local por conta da dimensão reduzida dos canteiros centrais, o que impossibilitaria a implantação de jardins de chuva. Assim como na W3 Norte, foi criada uma ciclovia que percorre toda a dimensão da via, e do mesmo modo como o percurso arborizado, se conecta e cria acessos para todas as áreas propostas pelo sistema. Foi prevista também a criação de áreas de permanência para os pedestres nas áreas próximas aos blocos residenciais e pontos de ônibus. A praça alagável se localiza na quadra 109 Norte, próxima ao Eixo W Norte. No local existe uma quadra de esportes situada no meio de um campo gramado, sem nenhum tipo de tratamento urbanístico ou paisagístico e sem conexão com o entorno. O Projeto propõe, portanto, a criação de uma praça que crie um espaço com valor estético, paisagístico e de lazer que tenha os elementos urbanos necessários para que a população se aproprie do espaço. A praça recebe também três áreas de lazer e permanência alagáveis. Esses espaços funcionam como bacias de detenção nos períodos de chuva e áreas de lazer nos períodos de seca.

Orientadora: Camila Sant’Anna Banca: Daniel Sant’Anna, Liza Andrade e Maria do Carmo Bezerra Convidada: Patricia Melasso 43


arqui #6

um bairro sustentĂĄvel para a cidade do futuro

The densification plan for Park Way addresses the redevelopment of a large suburban area in the outskirts of BrasĂ­lia. The project proposes the conversion of the neighborhood into a small commercial centrality, with a design based on the preservation of environmentally sensitive areas inside it, the complete redesign of the street layout and an intense densification of occupation, establishing a new and varied land-use plan. 44

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Imagem fornecida pelo autor.

João Gabriel Michetti Ferreira Brasília foi concebida na metade do século XX para ser o símbolo de uma nova era. As novidades estavam presentes nas avançadas técnicas de construção utilizadas e também na própria jornada em que se constituía o abandono da antiga capital, uma cidade histórica e consolidada, em busca de uma alternativa capaz de inaugurar uma nova era. À época de sua criação, Brasília deveria ser uma representante do futuro e, mais do que isso, um exemplo a ser seguido pelas demais cidades brasileiras. A capital aos poucos se distanciou da utopia modernista vislumbrada e, enquanto se desenvolvia, os paradigmas urbanísticos sob os quais foi projetada também se transformavam. Os problemas enfrentados cinco décadas atrás se transformaram, e os modelos encontrados na época para resolvê-los mostraram-se ineficazes e em alguns casos até mesmo nocivos. Brasília também mudou. Seu plano piloto tornou-se apenas parte de um todo

extremamente complexo e dinâmico. Bairros se alastraram pelo território e desenvolveram características próprias. O Park Way é um desses bairros, e se sobressai entre seus pares em virtude de sua grande extensão territorial, o que acaba por contribuir com a concentração, e até mesmo com o reforço de muitos dos problemas, de ordem de planejamento urbano. Mais do que isso, por se tratar de um bairro tipicamente suburbano – com grandes residências implantadas em amplos terrenos de uso unifamiliar, espraiados em um vasto território com infraestrutura limitada e praticamente nenhum suporte para modais de transporte coletivo –, o Park Way, em sua atual configuração urbana, encarna o símbolo de uma época que já passou. A remodelação do Park Way é lançada com uma carga simbólica que constitui a transformação de um subúrbio rodoviarista em um pequeno centro urbano com todas as caracterís-

ticas a que o urbanismo do século XXI deve aspirar. Essa remodelação é embasada em três diretrizes principais: desenvolver o caráter ecológico do bairro, acentuando a proteção de áreas ambientais existentes e explorando suas particularidades; transformar o sistema viário, com a reestruturação de vias existentes e a criação de vias novas, aumentando a conectividade de todo território; adensar o bairro, estabelecendo uma ocupação urbana em forma de transecto. Com a transformação efetivada, o bairro deixaria sua densidade bruta atual de 3 hab/ha e alcançaria os 200 hab/ha, com uma até 1.000 hab/ha nas áreas centrais e ao menos 100 hab/ha nas áreas periféricas.

Orientadora: Giselle Chalub Banca: André Cobbe, Gabriela Tenorio e Mônica Gondim Convidada: Tatiana Chaer 45


arqui #6

Imagens fornecidas pelo autor.

novo centro multifuncional em turim Adriano Felipe Oliveira Lopes Turim, tida até fins dos anos 1970 como capital industrial por excelência, assiste ao desmantelamento de suas engrenagens ainda no final dessa mesma década com a crise de sua principal fábrica, a FIAT. O efeito dessa crise foi a fragmentação de partes da cidade em função do abandono de considerável número de indústrias que compunham o seu tecido urbano. Nos anos 1990, esses vazios urbanos, vistos a princípio como problemas da cidade pós-industrial, passaram a ser considerados oportunidades de reconfiguração da malha urbana, reconstruindo a cidade 46

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dentro de si mesma mediante o reuso destes espaços. Dentre esses vazios urbanos, encontra-se a antiga sede da fábrica Fonderiadi Caratteri Nebiolo, localizada no bairro Aurora, na periferia ao norte da cidade, exemplar típico da arquitetura funcional da primeira metade do século XX e que permanece em desuso por mais de vinte anos. A antiga fábrica encontra-se em uma importante zona de confluência, entre o centro histórico e áreas sujeitas a grandes transformações. Nesse sentido o projeto perseguiu a definição de uma proposta de reconversão

do antigo complexo industrial, a fim de configurar uma nova centralidade na cidade, transformando-a em um novo hub para a cidade de Turim, ou seja, um Centro Multifuncional capaz de agregar atividades de coworking a funções de cohousing e espaços para a realização de eventos, exposições e workshops.

Orientadora: Caio Frederico e Silva Banca: Ana Carolina Sant’Ana, Ana Zerbini e Cláudia Amorim Convidado: Paulo Ávila Coelho


praças das artes no centro metropolitano do guará Ana Celeste de Jesus Lima O projeto Praças das Artes no Centro Metropolitano do Guará tem o objetivo de criar espaços públicos e privados com destinação mista, evidenciando os usos artístico, cultural e esportivo. A ideia parte do diagnóstico da área com o envolvimento dos moradores, que revela a necessidade local de áreas voltadas para o lazer e entretenimento. Com o desenvolvimento dos eixos temáticos para o projeto foi imediata a criação de quadras com temas, respectivamente, cultural, esportivo, corporativo e de parque. Dessa forma, distribuem-se esses predeterminados usos ao longo da área de projeto, integrando sempre os programas propostos às atividades

já desenvolvidas na vizinhança. Com o propósito de fortalecer a identificação da população local com o projeto, foi feita uma reinterpretação do símbolo do calçadão do Guará como desenho de piso para o pavimento de uso comum e também foram criados espaços públicos que valorizam atividades de grupo que já ocorrem com bastante ênfase no bairro, como a capoeira, o skate e o hip-hop. Foram criados, também, os chamados “módulos do pedestre”, que auxiliam na inserção do morador, ou do visitante, às atividades e serviços cotidianos e de pequena escala. Com soluções físicas de baixo impacto para

o território e para os bairros Guará I e Guará II, a proposta das Praças das Artes deve trazer, já num curto prazo, impactos positivos como a geração de renda e o fortalecimento das relações culturais. Produz, assim, um Guará revigorado, com mais atrações artísticas e relações sociais que valorizam a cultura local e, consequentemente, fortalecem as raízes do bairro, trazendo qualidade de vida para a população.

Orientador: Caio Frederico e Silva Banca: Camila Sant’Anna, Gabriela Tenorio e Oscar Luís Convidado: Paulo Ávila 47


arqui #6

Imagem fornecida pela autora.

bloco colaborativo de beleza Bruna Trivelli Muniz Nesse espaço, cada profissional poderá alugar sua estação de trabalho e será responsável por levar seus materiais e ferramentas. Além disso, os valores dos serviços são determinados pelo profissional e serão pagos diretamente a eles. O terreno escolhido está localizado na Asa Sul do Plano Piloto de Brasília, na entrequadra CLS 105, próximo ao centro da cidade e da conhecida “Rua da Moda”, onde existem muitas lojas de roupas, sapatos e acessórios femininos. O edifício foi pensado a partir do subsolo aberto. Assim surgiu a praça, que traz leveza e permeabilidade, com duas formas de acesso, pela passarela ou pela lateral do edifício. As atividades foram distribuídas em dois blocos. Um é mais transparente e aberto, integrado com a praça, onde estão os grandes estúdios de cabelo, unha e maquiagem. Já o outro é mais discreto e restrito, onde funcionam as atividades de apoio, que necessitam de um ambiente mais exclusivo. As estações de trabalho, apesar de serem individuais, estão inseridas em grandes estúdios coletivos, que permitem a integração entre os usuários, clientes e profissionais. Essa solução dos grandes estúdios também propicia a flexibilidade dos espaços para diversos usos. 48

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Orientadora: Raquel Blumenschein Banca: Bruno Capanema e Cláudia Garcia Convidada: Aline Zim


Imagem fornecida pela autora.

conexão sociocultural

uma nova maneira de pensar a habitação [social] em luziânia Camila Cardoso Silva Nessa área duas realidades socioeconômicas diferentes se confrontam: de um lado, um condomínio residencial de alto padrão, totalmente murado e com áreas de lazer privativo – Terra Park Club Residence –, e, do outro, um conjunto de habitações do PMCMV – Programa Minha Casa Minha Vida. Assim, no terreno localizado entre essas duas realidades foi proposta uma Conexão Sociocultural. Tratou-se o tema da habitação social a partir do conceito de “bairro-cidade” capaz de atender tanto à necessidade de moradia digna quanto à possibilidade de promover interações e transformações sociais no urbano. Foram realizadas atividades com a comunidade residente próxima à área para entender às necessidades reais daqueles que se beneficiariam com a implementação do projeto. Como principais diretrizes de projeto adotaram-se: 1) integração com o entorno; 2) mistura equilibrada de usos; 3) descentralização das áreas de lazer e estar; 4) incentivo às relações de vizinhança; 5) respeito à escala do pedestre; 6) flexibilidade em atender a diferentes famílias a partir da combinação de diferentes tipologias arquitetônicas; 7) redução máxima do impacto ambiental para a implantação do empreendimento; 8) preservação da massa de vegetação existente a partir da criação de um parque urbano linear.

Orientadora: Liza Andrade Banca: Caio Frederico e Silva, Maria Assunção e Mônica Gondim Convidada: Hiatiane Cunha 49


arqui #6

Renderização por Caroline Albergaria.

albergaria urbana Caroline Albergaria O homem atual vê a real necessidade de viajar. A ideia de projetar um albergue na Capital surgiu a fim de suprir a demanda desse tipo de acomodação e o interesse em atrair mochileiros para a cidade. O projeto foi implantado na Entrequadra 302/303 Sul, em frente à Avenida W3. A escolha do terreno numa área central de Brasília torna as atividades diárias dos hóspedes mais acessíveis. Além do albergue, foi projetada a Pocket Park, uma boate e um café aberto a todos. A boate, que tem seu funcionamento no turno noturno, dinamiza o entorno e oferece outras formas de lazer. O edifício foi dividido em dois blocos. Em um deles, o térreo foi desobstruído, criando uma área de pilotis. O outro bloco, de tamanho menor, proporciona espaços livres de vivência e mantém a harmonia entre as formas. A conexão entre eles é feita por uma passarela suspensa, onde não configura um obstáculo aos pedestres. Brasília, sua arquitetura e seu urbanismo influenciam fortemente o conceito do albergue: a troca. Assim o edifício e as pessoas estão em constante interação por meio dos espaços construídos e livres. Dessa forma, o albergue desempenha um papel de troca entre os usuários e a cidade. Por isso, Albergaria Urbana. 50

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Orientador: Bruno Capanema Banca: Cláudia Garcia, Maribel Aliaga e Ricardo Trevisan Convidada: Maria Eduarda


Imagem fornecida pela autora.

de porto velho ao rio madeira

espaços públicos no bairro baixa da união Edna Maria Marques da Luz Ramos O Baixa da União é um bairro ribeirinho localizado na cidade de Porto Velho, capital do estado de Rondônia. A cidade, banhada pelo rio Madeira, teve como ponto inicial de seu crescimento urbano as áreas próximas às suas margens. Com o desenvolvimento das rodovias, entretanto, passou a se estruturar no sentido oposto ao rio, e os bairros ribeirinhos tornaram-se áreas distantes dos principais equipamentos públicos, carentes de infraestrutura e vulneráveis ambientalmente. Tendo em seu entorno diversos usos e abrangências, determinou-se como eixo de intervenção uma via de ligação direta com o rio e os espaços públicos voltados para ela, proporcionando um percurso voltado à comunidade local, mas também conectado à escala urbana. O limite ao sul é o canal Santa Bárbara, onde são delimitadas a zona de interesse social e a área de preservação permanente. A intervenção proposta considerou a predominância de residências de baixo padrão familiar e alta vulnerabilidade ambiental, bem como o caráter de antiguidade das residências e a cultura ribeirinha presente na comunidade. Adotaram-se como diretrizes principais, portanto, a permanência da comunidade, a qualificação dos percursos de veículos, ciclistas e pedestres, a integração da população com os espaços públicos e a resiliência aos períodos de cheias do rio.

Orientador: Ricardo Trevisan Banca: Gabriela Tenorio, Liza Andrade e Mônica Gondim Convidada: Giuliana de Brito Sousa 51


arqui #6

memorial elo

Imagem fornecida pelo autor.

caminhos entre a vida e a morte Eduardo Duarte Ruas Peter Zumthor me apresentou as “atmosferas” da arquitetura, dele trago o entendimento que considerei ao longo deste trabalho para constituir minhas próprias imagens, arquiteturas e atmosferas. Procuro uma ligação autêntica com a experiência arquitetônica. Por se tratar da morte, um tema interpretado de diferentes maneiras por culturas e pessoas, busquei nos símbolos as traduções para as sensações e narrativas que ela carrega consigo. O significado das coisas não está contido

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nas coisas em si, mas na consciência do sujeito que passa pela experiência pessoal, sendo sempre um ato genuíno de introspecção. A força emocional está, portanto, nas imagens transmitidas pelas coisas e não nas coisas mesmas. A palavra, a arquitetura ou os símbolos criam ecos, dependentes de interpretações pessoais, são plurais, mecanismos que abrem o espírito para o desconhecido e o infinito. Este trabalho tenta descrever relações de imagens, ideias, crenças e emoções evocadas pela

morte, este fenômeno tão suscetível de interpretações simbólicas. Assim crio propostas baseadas em símbolos que ecoam na percepção humana para que a arquitetura crie uma narrativa e se torne o veículo de contado da vida com a morte. Orientador: Ricardo Trevisan Banca: Eduardo Rossetti, Maria Cecília Gabriele e Maria Fernanda Derntl Convidado: Lucas de Abreu


Imagem fornecida pela autora.

nova ceu

uma proposta para a casa do estudante universitário da unb Erika Passos Otto O presente projeto propõe, diante da situação deficitária de moradia universitária da UnB, uma Nova Casa do Estudante de Graduação integrada à vivência do Campus Darcy Ribeiro e ao restante da cidade. Considerou-se que o espaço físico do campus Darcy Ribeiro foi marcado por iniciativas que desejavam afastar a vivência dos estudantes da Praça Maior e da Reitoria. Buscou-se então resgatar a presença dos estudantes enxergando a habitação como parte integrante e dinamizadora do território universitário. A área central do campus encontra-se dominada por bolsões de estacionamentos em frente ao ICC. Entre

os bolsões está o Restaurante Universitário, que suscita uma forte urbanidade a área, o que resultou na criação de um eixo de vivência para o planejamento do território. Diante desse panorama, propõe -se o alojamento estudantil na área central do campus. Adotou-se neste projeto uma tipologia em que os pátios se relacionam com o campus. Volumes paralelos definem espaços livres destinados para a convivência dos estudantes. Esses espaços foram dispostos perpendicularmente às curvas de nível. Considerando o desnível e a cuidadosa implantação dos edifícios da UnB desde a via L3 até o ICC optou-se por

enterrar um dos pavimentos e manter o primeiro no nível da rua. Com a abertura desse pavimento inferior para o ICC, são criados dois térreos: o pavimento rua e o pavimento ICC. Acredita-se que com esta localização e configuração a NOVA CEU amplia as possibilidades de interação e retoma o entendimento da Universidade como um espaço contínuo de integração idealizado por Darcy Ribeiro.

Orientador: Ricardo Trevisan Banca: Caio Frederico e Silva, Luciana Saboia e Márcia Urbano Convidado: Lucas de Abreu 53


arqui #6

Imagem fornecida pelo autor.

autotekton

sistema construtivo para moradia em autoconstrução Frédéric Camelo Homerin A preocupação do homem com a segurança é tão antiga quanto sua existência. Procurando satisfazer as necessidades humanas mais rudimentares, nos deparamos com as primeiras experiências de abrigo: um espaço preferencialmente coberto, que proporcionasse refúgio. Assim, surge a ideia de moradia. Apesar de a moradia ser uma preocupação universal, a solução encontrada nos diversos espaços e tempos não é única, nem mesmo os condicionantes culturais, econômicos e sociais para sua plena concretização. No caso do Brasil, o déficit habitacional ultrapassa os 5,4 milhões de habitações (FJP, 2012). As propostas apresentadas pelo Estado e pela sociedade civil para sanar esse déficit ainda são insuficientes para reverter o quadro habitacional no país. Por isso, com base em autores como John Turner e Colin Ward, e considerando os conceitos de bem-estar e de moradia digna definidos pela Declaração dos Direitos Humanos da ONU, assumiu-se a autoconstrução não somente como uma realidade representativa do que boa parte da população brasileira já executa, mas como uma solução a ser considerada e valorizada. Foram realizados estudos de materiais e tecnologias na área de pré-fabricados, possibilitando uma construção de fácil realização, baixo custo e qualidade. O projeto AUTOTEKTON define-se como uma construção modular, utilizando painéis de fibrocerâmica em pneu reciclado e uma estrutura metálica de encaixe por parafusos, permitindo, além de uma considerável facilidade de execução, uma flexibilidade projetual e alta adaptabilidade. 54

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Orientadora: Raquel Blumenschein Banca: Augusto Esteca e Ivan Manoel do Valle Convidado: Raffael Innecco


VIA DE ENTRADA

AEROPORTO

RESERVA

Imagem fornecida pela autora.

park way, vias parque Isabela Martins Lemes A implantação do projeto urbanístico do Park Way demonstra a não observação e valoração do ambiente natural em que foi inserido. Área favorecida por mananciais e nascentes, com vegetação representativa do cerrado, passa por processo de ocupação urbana que induz a transformações ambientais negativas que colaboram para o enfraquecimento e perda dos atributos naturais originais. Os córregos ficaram obsoletos, sem visibilidade e aproveitamento das suas vantagens paisagísticas. Confinados na maioria das vezes em fundos de lotes, eles estão sujeitos à erosão e à poluição. O projeto propõe a criação de vias paisagísticas onde serão implementadas vias de circulação integradas às existentes, novas ciclovias, calçadas, espaços que abrigam também as funções de lazer, recreação e contemplação. A criação de vias paisagísticas permite a exploração de um novo paradigma, que alia a melhoria da qualidade de vida urbana com a recuperação dos ecossistemas locais. Assim, na escala e nas condições dadas, esses espaços podem exercer várias outras funções, como conectar fragmentos de vegetação, além de atender aos objetivos de recreação e melhorias ambientais e estéticas. Como resultado da intervenção proposta, o Park Way obteria 38 ha de mata replantada, fornecendo assim uma melhoria para a população e para o meio ambiente, reintegrando os rios e as matas ciliares à paisagem urbana.

Orientadora: Mônica Gondim Banca: Gabriela Tenorio, Giselle Chalub e Marcos Thadeu Queiroz Convidado: André Cobbe 55


arqui #6

Imagem fornecida pela autora.

bsb hostel Laissa Narciso Novais Oliveira Representação do novo estilo de vida do viajante contemporâneo, o BSB Hostel busca, além de um lugar de pernoite, uma hospedagem que incremente a viagem e não seja apenas um local de passagem, e sim uma experiência de hospedagem agradável e inesquecível. Inserido na atual Quadra 3 do Setor Hoteleiro Sul, concebida por Lucio Costa para ser uma das quadras de hotelarias econômicas, o hostel propõe estabelecer conexões e criar percursos que conectem e incentivem o hóspede e/ou visitante a contemplar a capital em perspectivas diferentes. Inspirado na solução que o escritório Diller Scofidio + Renfro deu ao Museu da Imagem e do Som – MIS Copacabana –, o partido se define por 56

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meio de dois percursos distintos, um na horizontal, que conecta a via W3 com o SHS, e outro na vertical, que conecta as atividades semipúblicas no térreo com o terraço. Pensou-se em uma circulação vertical que percorresse os patamares dos pavimentos, entrelaçando o trajeto e conectando as atividades semipúblicas. O desenho contínuo da escada permitiu um grafismo sucessivo da faixa que envolve toda a edificação, obtendo continuidade visual em todas as fachadas. O pátio conectado à praça no térreo compartilha espaço com o comércio e a recepção do hostel. Internamente, os quartos atendem aos mais variados grupos de usuários, proporcionando, a estes, espaços de convívio

comum como: cozinha coletiva, sala de jogos, lavanderia coletiva e outros, além do redário, no 1º pavimento, que permite uma pausa para apreciar a cidade. No segundo pavimento um café semipúblico convida o visitante a realizar um passeio e se conectar ao urbano. No terraço pensou-se na versatilidade: um restaurante ou um ambiente para festas, um espaço livre e público, que, além de emoldurar a cidade, convida os usuários a apreciar o pôr e o nascer do sol.

Orientadora: Maribel Aliaga Banca: Eduardo Rossetti e Ricardo Trevisan Convidada: Maria Eduarda


Imagem fornecida pela autora.

skia centro de esportes no gelo Lara Caldas Fernandes da Silveira O Centro foi locado no Setor de Grandes Áreas Norte, entre o Estádio Mané Garrincha e o Brasília Shopping. É a localidade ideal, dada a contiguidade com o Setor Esportivo de Brasília e levando em consideração a linguagem arquitetônica e a setorização da cidade. Além disso, a proximidade com o setor hoteleiro, o eixo monumental e a rodoviária foi estratégica para o projeto. Propôs-se criar o primeiro centro de treinamento de esportes no gelo na América Latina. O Centro é composto por uma grande praça e uma edificação, claramente dividida em três setores: um se dedica a esportes tradicionais, como natação, dança, esportes de quadra e

luta, além da área técnico-administrativa; a segunda sessão é a pista de gelo hermética, com capacidade para 3.000 espectadores; o último setor é um grande foyer, que funciona como elemento de ligação e antessala para a arena de gelo, cujas portas só se abrem para dentro da edificação. O outro elemento é a praça, que distribui fluxos e propõe funções diversas da ocupação popular: abrigar feiras, skatistas, food trucks, áreas de permanência e descanso. Visando tornar o projeto viável ambientalmente, foram previstos sistemas de coleta e reuso de água da chuva e um sistema fotovoltaico autossuficiente energeticamente.

Orientadora: Raquel Blumenschein Banca: Ana Carolina Sant’ana, Bruno Capanema e Luciana Saboia, Convidado: Aline Zim 57


arqui #6

Renderização por Lara Boretes.

lar de idosos vó catarina Lara Catarina de Sousa Boretes

O lar de idosos proposto foi pensado para suprir a ausência de Instituições de Longa Permanência de Idosos (ILPI) na cidade de Planaltina. O projeto foi planejado como uma unidade total, onde os residentes e aqueles que frequentam o lar durante o dia têm acesso ao lazer, cultura, saúde, segurança e convívio social. O terreno escolhido para implantação do edifício localiza-se em Planaltina, a mais antiga Região Administrativa do Distrito Federal, a RA XI. Encontra-se numa área denominada ZUR-1, que compreende a zona urbana, localizada próxima à entrada da cidade, ao lado do campus da UnB e em frente ao bairro residencial Nossa Senhora de Fátima. Pode ser acessado por pedestres, ciclistas, veículo particular e por transporte público, pois existem dois pontos de ônibus nas imediações. Espacialmente, o lar funciona em setores, sendo eles: setor administrativo (recepção, administração, RH, almoxarifado), setor de saúde (consultórios, enfermaria, farmácia, terapia), lazer e cultura (piscina, salão de dança, sala de tv, sala de jogos, sala de costura, espaços de lazer ao lar livre), serviços (cozinha, depósito, vestiário e sala de descanso para funcionários) e residência (quartos individuais, duplos, com duas camas, cama de casal ou beliche para os cuidadores). As fachadas foram pensadas de forma a trazer dinamismo e permeabilidade ao edifício, além de proteger os usuários das intempéries. Para isso foram utilizados brises tipo camarão, brises pivotantes e cobogós, soluções que, além de estéticas, permitem o controle de luz e ventilação naturais. 58

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Orientador: Bruno Capanema Banca: Cláudio Queiroz, Maribel Aliaga e Oscar Luís Ferreira Convidado: Wanda Meyer


Imagem fornecida pela autora.

kohl

escola técnica de imagem pessoal Letícia Melo e Loureiro A Escola Técnica de Imagem Pessoal é composta por um centro de formação técnica com salas de aula e laboratórios e uma parte prática representada pelo centro de beleza. Levando em conta o programa de necessidades, o projeto é formado por dois volumes marcantes, contendo uma intersecção e apresentando uma integração exterior-interior por meio do tratamento paisagístico circundante, assim como pela possibilidade de travessia da edificação pelo térreo, para o usufruto das áreas comuns também pela comunidade. O projeto reúne as ideias do Desenho Universal e utiliza critérios de sustentabilidade do BREEAM, que foram fonte para a utilização da forma circular, simbolizando um ciclo e auxiliando na orientabilidade dentro da edificação. O partido circular propicia a utilização da modulação radial, e a circulação vertical se dá por meio de uma rampa acessível que envolve o átrio interno. Seus espaços amplos e ambientes abertos favorecem as relações interpessoais e diminuem hierarquias, pois se trata de lugar convidativo para todos os seus usuários.

Orientadora: Raquel Blumenschein Banca: Bruno Capanema e Cláudia Garcia Convidado: Aline Zim 59


arqui #6

Imagem fornecida pelo autor.

parque ecológico canela de ema Marcelo Ulisses Pimenta A Região Administrativa de Sobradinho (RA-V), em Brasília, possui, após a implantação de seu núcleo original, um histórico de ocupação disperso no território e pouco conectado. Os núcleos antrópicos são formados pelas cidades de Sobradinho e Sobradinho II, além de diversos condomínios horizontais criados a partir de parcelamentos irregulares do solo. A região possui, bastante marcada em sua paisagem, uma variação topográfica, configurada pelas bacias hídricas nas quais se assenta. Nesse contexto, foca-se no maior corpo hídrico da região, a Lagoa Canela de Ema que, apesar de estar em posição central na mancha urbana territorial, não possui uma centralidade de fato na configuração urbana. O projeto toma então como ponto de partida a integração dos diversos parques que a cidade possui oficial60

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mente, apesar de não estarem estruturados fisicamente. Esses parques se dão em torno aos cursos hídricos, configurando Áreas de Proteção Permanente. Propõe-se então a criação de um sistema de vias paralelo ao limite de um novo parque integrado, de caráter naturalista, trazendo-o como elemento central da cidade como um todo. A partir disso, são propostas conexões que integrem as bordas opostas do parque, e se avança na proposta de uma delas, situada a norte do conjunto, e que possui como ponto focal a Lagoa Canela de Ema. Propõe-se essa conexão como um edifício-ponte, uma sede do parque, que, além de abrigar as funções administrativa, cultural e de viveiro de reposição de mudas em um pavimento inferior, funciona como passarela e mirante para a lagoa em seu nível que se conecta ao solo de forma direta.

Orientadora: Luciana Saboia Banca: Ivan do Valle e Jaime de Almeida Convidado: André Cobbe


Imagem fornecida pela autora.

mobilidade e brasília Marina Madsen Brasília é um exemplo de cidade na qual podem ser notadas diversas características peculiares, ligadas principalmente ao urbanismo modernista, que acabam por dificultar a mobilidade urbana. Tais características criam uma dependência do uso de automóvel nos deslocamentos. Entretanto essa cidade, na condição de patrimônio da humanidade, merece estudos e experimentações que proponham melhores articulações entre os diversos sistemas, facilitando assim a mobilidade. Ao se estudar o Plano Piloto de Brasília, pode ser observado que há possibilidades de intervenção que poderiam propiciar condições facili-

tadoras ao uso de meios de transporte alternativos ao carro, ao mesmo tempo em que respeitassem sua condição de patrimônio da humanidade. Com o objetivo de chamar a atenção para a necessidade de se pensar a resiliência em Brasília, o projeto Plano (co)Piloto surgiu até mesmo como uma crítica à falta de atualização do presente documento de tombamento da cidade (datado de 1992), uma vez que a cidade desenvolve-se com o passar dos anos e novas necessidades devem ser atendidas. O tombamento deve ser uma ferramenta de orientação à salvaguarda e não um documento que engesse a cidade e dificulte seu desenvolvimento.

Orientadora: Giselle Chalub Banca: Gabriela Tenorio e Mônica Gondim Convidado: André Cobbe 61


arqui #6

Imagem fornecida pela autora.

traçado acústico a cidade que queremos ouvir Millena Montefusco dos Santos Em Brasília vem ocorrendo um fenômeno interessante de ocupação de áreas livres, espaços vazios que não faltam na cidade de Lucio Costa. O brasiliense passou a perceber a importância dos espaços públicos como pontos de encontro e vivência. Nesse contexto, muitas vezes nos esquecemos que o som também faz parte do espaço em que vivemos. Assim como são considerados diversos fatores como clima, iluminação, função, o som também é uma variável capaz de completar o projeto arquitetônico. O projeto foi criado como algo prático, palpável, próprio para ser executado em espaços públicos e está moldado em três bases principais: Urbano, Estrutura e Tecnologia e Som. A estrutura é formada por peças moduladas de madeira laminada colada que se encaixam por meio de ligações metálicas e podem formar vários ambientes. Existem três tipos de pilares que, se ligados uns aos outros de formas diferentes, criam alturas e ângulos diversos. As vigas também variam e podem ser fixadas de diversas formas. O palco é formado por caixas de madeira laminada e painel wall unidas em um sistema steel frame. Para garantir a melhor reflexão do som foram inseridas placas de material reflexivo presas à estrutura, que podem ser produzidas de várias cores. A cobertura é de lona presa à estrutura e constituída de forma diferenciada para facilitar a montagem. A ideia seria criar, por intermédio das mesmas peças, o palco, as barreiras acústicas de proteção, espaços para relaxar, além de camarins e espaço para banheiros. 62

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Orientadora: Marta Bustos Romero Banca:Caio Frederico e Silva, Ivan do Valle e Liza Andrade Convidada: Patrícia Melasso


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habitação coletiva

conexão e centralidade em águas claras Patrick Martins Costa O projeto apresentado evoca uma discussão sobre espaço público e espaço privado, trazendo à tona a ocupação de Águas Claras por condomínios residenciais privativos, murados ou cercados. A construção dos condomínios e a ocupação dos lotes dessa região administrativa (RA) ocorreram, de certa forma, livre, deixando-se que construtoras, incorporadoras e especuladores executassem o serviço, além de não ter sido feita uma fiscalização correta dessas obras e projetos, tornando desequilibrada a distribuição de equipamentos de lazer, comércio e serviços. Em contraponto a esses fatos, buscou-se utilizar cinco lotes (quatro de uso misto e um de uso institucional) de maneira livre, sem delimitações por muros ou cercas, com uma grande praça ocupando a totalidade dessa área. Essa praça, por sua vez, promove diferentes usos e equipamentos a serem utilizados por pessoas de diferentes faixas etárias, gerando encontros e movimento, além de convidar ao uso do parque Águas Claras, localizado em frente aos terrenos. Foram detalhadas duas edificações: um edifício com onze pavimentos, cento e dez apartamentos e dez áreas diferentes, com layout adaptável pelo comprador; e uma midiateca de um pavimento e pilotis livre, respeitando a definição de uso institucional de um dos terrenos originais.

Orientadora: Luciana Saboia Banca: Eduardo Rossetti e Ricardo Trevisan Convidado: Juan Carlos Guillén Salas 63


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reviva porto

revitalização da área portuária do valongo de santos Priscila Gonçalves Gerardi A área do projeto Reviva Porto se localiza em Santos, SP, no bairro do Valongo. Essa região impregnada de história teve parte inutilizada em virtude das novas tecnologias e embarcações e de um projeto malsucedido de desocupação feito pela prefeitura. Contudo, o espaço está lá; a memória permanece presente, conquanto adormecida. É por isso que Reviva Porto busca a renovação desse local, inclusive como parte do debate global acerca de sustentabilidade e preservação, que fez surgir interesse em trabalhar com áreas subutilizadas, dado o crescimento das metrópoles. As intervenções propostas 64

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dividem-se em três partes: entorno, acesso e orla. Para o entorno, novos usos para trazer movimento e ocupação aos espaços públicos, como um circuito cultural e uma linha de conexão entre espaços abertos e praças que leva até a orla. Para esta, quatro setores interconectados: comércio, gastronomia, cultura e lazer. Além disso, delimitação do acesso à orla por meio de três novos eixos baseados nos já existentes, para garantir segurança na travessia dos trilhos do trem que por lá passa, mas também facilitar o acesso aos pedestres e usuários da ciclovia, a ser ampliada.

Orientadora: Maria Cecília Gabriele Banca: Gabriela Tenorio e Mônica Gondim Convidado: André Cobbe


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circuito cultural e de lazer

arte urbana e espaços comunitários em valparaíso de goiás Raquel Braz Lopes A especulação imobiliária é um dos principais problemas enfrentados por Valparaíso atualmente, pois o crescimento desordenado da cidade, nos últimos anos, trouxe vários problemas estruturais, como a falta de locais para implantação de equipamentos públicos e institucionais. O Circuito Cultural e de Lazer procura atender à população, sugerindo propostas de melhorias dos espaços ociosos. Propõe recuperar regiões não utilizadas por falta de segurança, usando a arte urbana como um meio de integração entre as classes sociais. A implantação do circuito ligou quatro pontos importantes. Uniu uma

praça, dois becos e uma grande área livre ao longo da linha férrea existente. Esse percurso foi feito com uma única calçada com piso diferenciado para integração entre os pontos. Foi proposta uma nova praça com uma pequena arena para o céu das artes, pintura nas paredes de todos os becos, com plantio de árvores, hortas comunitárias e micropraças para os moradores, a fim de manter os becos sempre ocupados para propiciar segurança. Na maior área, foi implantado um parque linear. Todos os usos do parque foram escolhidos pelos próprios moradores. O parque conta com uma estrutura para uma nova feira, um espaço

com palco para apresentações públicas, uma passarela para os pedestres atravessarem o trilho do trem e quiosques e lojinhas para aumentar o comércio local. Conta ainda com área para os jovens com quadras de esportes, basquete, área para bikecross, pista de skate, escalada, parkour e playground. Conta também com pista de cooper e ciclovia, além de hortas urbanas, espaços com árvores frutíferas e churrasqueiras públicas.

Orientadora:Liza Andrade Banca: Ana Zerbini, Camila Sant’anna e Sérgio Rizo Convidada: Vânia Loureiro 65


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Imagem fornecida pela autora.

un po di borromini praça borromini Raquel Ferraz Fontes A escolha da praça Borromini e do parque Michelotti em Turim como área de intervenção originou-se da vontade de requalificar um espaço público de valor histórico, e foi motivada por ser um espaço que não acompanhou as transformações da cidade, perdendo a sua identidade e funcionalidade. Foi abordado o conceito de integração a partir da criação de um piso diferenciado que conecta os espaços públicos da área, criando um caminho contínuo que convida a explorar a zona. Para a área do parque e do rio Pó, foram criados novos acessos, funções e espaços de convívio (praças, área para piquenique, píer, mobiliários urbanos, esculturas). Considerada o ponto central de agregação, a praça Borromini foi inteiramente reorganizada para receber a feira diária e valorizar a permanência e apropriação da população por meio de arborização, esculturas e mobiliários que criam espaços diferenciados. Sua conexão com a área se dá mediante a transformação da via Castelnuovo em rua compartilhada. A nova identidade vem com o uso de um dos símbolos da cidade, a fonte Toret. Para destacá-la foi criado um piso especial inspirado na desconstrução e construção da cabeça do touro, marcando e destacando os momentos da fonte. 66

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Orientadora: Camila Sant’Anna Banca: Elane Ribeiro Peixoto, Oscar Luís Ferreira Convidadas: Gabriela Tenorio e Gisele Chalub


Imagem fornecida pela autora.

centro de acolhimento a refugiados em brasília Verônica Rodrigues do Carmo Segundo dados do último relatório anual divulgado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) – Tendências Globais (2015) –, em 2014, uma média de 42,5 mil pessoas por dia tornou-se refugiada. Em todo o mundo, um em cada 122 indivíduos é atualmente refugiado, deslocado interno ou solicitante de refúgio. O projeto para o Centro de Acolhimento localiza-se no Setor de Grandes Áreas Sul – SGAS –, quadra 607, conjunto A, Brasília. Tem a função de, além de melhorar as condições de vida do acolhido e sua integração à cidade, concentrar uma variedade de atividades que permitam o pronto atendimento, a proteção, formação e organização do tempo livre dos requerentes de asilo e refúgio, bem como um ponto de apoio para divulgar a temática do asilo para a própria sociedade. Pretende-se construir um espaço para promover o diálogo e o convívio entre aqueles que se encontram na mesma situação, além da integração por meio da inserção na comunidade local e regional. Cria-se, assim, uma dinâmica intercultural mediante o desenvolvimento de atividades conjuntas, melhoria da imagem dos refugiados perante a sociedade de acolhimento, reforço dos laços comunitários e do sentimento de pertencimento ao local onde estão abrigados.

Orientador: Ricardo Trevisan Banca: Caio Frederico e Silva, Carolina Pescatori e Maria Fernanda Derntl Convidado: Jandson Queiroz 67



FAU PREMI ADA


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projeto para barca bertolla 2º lugar em prêmio internacional

An urban landscape design proposal developed by a team of students from FAU-UnB for a neighborhood in Turin was awarded second place at the international landscape design competition promoted by the 53rd Congress of the International Federation of Landscape Architects (IFLA), held in Italy.

Equipe /// Anna Clara Lopes, Caroline Fernandes, Elisa Zaidan, Gabriela Moura, Mariana Fernanda de Souza Orientadora /// Camila Sant’Anna Cinco alunas da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília conquistaram o segundo lugar em concurso mundial de arquitetura da paisagem, realizado durante um workshop do 53º Congresso da Federação Internacional dos Arquitetos Paisagistas (IFLA). O evento, que reuniu nomes importantes do paisagismo de todo o mundo, foi realizado em Turim, na Itália, em abril. Para o concurso, o grupo desenvolveu um projeto urbano-paisagístico para Barca Bertolla, um bairro localizado na cidade-sede do encontro. A equipe foi formada por Gabriela Moura, Mariana Fernanda de Souza, Caroline Fernandes, Anna Clara Lopes e Elisa Zaidan. A competição, realizada entre 16 e 19 de abril, era voltada para estudantes de graduação e pós-graduação na área e antecedeu o Congresso. Na ocasião, as alunas participaram de oficinas e receberam orientação e assistência técnica e científica de tutores da Itália e de outros países para a elaboração do projeto. O grupo foi o único das Américas selecionado para participar da fase final do concurso e concorreu com outras nove equipes da Europa e da Ásia. “Saí muito satisfeita com o resultado, principalmente por ver que estamos estudando e sendo encaminhadas para o caminho certo”, avalia Anna Clara Lopes, uma das cinco integrantes do time. Além de terem de desenvolver um projeto em curto prazo, elas precisaram superar outros desafios, como o fato de nunca haverem trabalhado juntas e a falta de confiança em ganhar o concurso. Um orgulho para o grupo foi ser composto somente por mulheres – e foi também um dos principais incentivos das meninas, que afirmaram estar dispostas a quebrar o estereótipo tão marcado da mulher brasileira no exterior. Para ajudar com os custos da viagem e inscrição no concurso, as alunas receberam auxílio do Decanato de Graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de uma empresa de urbanização do Distrito Federal. 70

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Imagens fornecidas pelas autoras.

Pelos critérios do concurso, os trabalhos deveriam propor melhorias no valor ecológico da área, melhorar a mobilidade e a conexão com a paisagem, valorizar a identidade da região e a integração entre seus habitantes e indicar iniciativas que incentivem a agricultura urbana. Projeto – Acompanhadas por seus tutores, as estudantes fizeram uma visita ao bairro de Barca Bertolla. Segundo Caroline Fernandes, um dos maiores diferenciais do grupo foi levar em consideração as preferências dos seus residentes por meio do diálogo com os moradores locais. “Fizemos entrevistas e perguntamos o que achavam da área, o que poderia mudar e o que mais gostavam. A partir disso, fizemos uma proposta de intervenção”, afirma. “Fizemos uma proposta real para um problema real”, acrescenta a colega de equipe, Mariana Fernanda de Souza. Entre as sugestões apresentadas, estavam a construção de ciclovias internas ao bairro e de uma externa, que ligaria a região ao centro de Turim, além da implantação de espaços de convivência e lazer para crianças e adultos em locais estratégicos, com o objetivo de aumentar a integração entre os habitantes desses lugares. Orgulho – O trabalho foi congratulado com o segundo lugar, atrás apenas de uma equipe italiana. O grupo recebeu mil euros e certificado de participação. A atuação brasileira foi uma grande satisfação para a professora orientadora do grupo, Camila Sant’Anna, docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Foi ela quem convidou as estudantes a participar, além de acompanhar o grupo na Itália. Sant’Anna valoriza o resultado e a experiência obtida no Congresso. “Este contato entre alunos, profissionais e professores possibilita diálogos de pesquisas futuras, no âmbito acadêmico ou não. Isso tudo tem um grande significado, pois reconhece o empenho da nossa faculdade com um ensino de Arquitetura e Urbanismo de excelência”.

Textos extraidos da SECOM-UnB; site UnB-Notícias Publicado em 13/07/2016 71


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anparq 2016 vencedores do prêmio anparq 2016 nas modalidades artigos, livros, dissertações e teses The 2016 ANPARQ prize, which was coordinated by the board of the association through professors Angélica Benatti Alvim (UPM) and Rodrigo de Farias (UnB), recognized outstanding papers, books, dissertations and thesis in the fields of architecture and urbanism.

A edição de 2016 foi organizada pela Diretoria da entidade, sob a responsabilidade dos professores Rodrigo de Farias (UNB, Conselho Fiscal Anparq) e Angélica Benatti Alvim (UPM, Presidente Anparq). O número de trabalhos inscritos totalizou 92, distribuídos nas seguintes modalidades: artigo em coletânea: 9 trabalhos; artigo em periódico: 14 trabalhos; dissertação: 26 trabalhos; tese: 12 trabalhos; livro autoral: 18 livros; livro coletânea: 4 e-books e 9 impressos. O Prêmio Anparq vem se consolidando a cada edição e, na atualidade, é fundamental para o dinamismo e publicização da pesquisa e da pós-graduação na área de arquitetura e urbanismo do país. A entidade agradece a participação de todos os programas de pós-graduação em arquitetura e urbanismo, filiados e associados à Anparq, que enviaram teses e dissertações, e pela ampla adesão dos pesquisadores da área de arquitetura e urbanismo nas demais modalidades. VENCEDORES PRÊMIO ANPARQ 2016 ARTIGO EM COLETÂNEA • Menção Honrosa: “Oscar Niemeyer, arquitetura narrada: Módulo, 1ª série, 1955-65”, de autoria de Sylvia Ficher e Danilo Matoso Macedo • Vencedor: “Além da técnica: construções da poética corbusiana entre texto e figura”, de autoria de Rogério de Castro Oliveira ARTIGO EM PERIÓDICO • Menção Honrosa: “Oscar Niemeyer e seu duplo: Mies van der Rohe”, de Abílio Guerra • Vencedor: “The Cultural Heritage of Small and Medium – Size Cities: A New Approach to Metropolitan Transformation in São Paulo, Brazil”, de Maria Cristina Schicchi LIVRO COLETÂNEA • Menção Honrosa: Projetos por cenários – o território em foco, de Paulo Reyes (Org.) • Vencedor: Quid Novi? Dilemas do ensino de arquitetura no século XXI, de Fernando Lara e Sonia Marques (Ed.) 72

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LIVRO AUTORAL • Menção Honrosa: Brutalist Connections: a refreshed approach to debates and buildings, de Ruth Verde Zein • Vencedor: Projetos para Brasília 1927-1957, de Jeferson Tavares DISSERTAÇÃO • Menção Honrosa: Impactos morfológicos gerados por equipamentos de infraestrutura urbana: um olhar sobre as subestações elétricas no Rio de Janeiro, de Miriam VIctoria Fernandez Lins, orientada pela profª. Andréa de Lacerda Pessôa Borde do Prourb/UFRJ • Vencedor: Patrimônio cultural e as práticas de delimitação de sítios tombados: um estudo para o conjunto arquitetônico e urbanístico do Serro, MG, de Kelly Diniz de Souza, orientada pelo prof. Ítalo Itamar Caixeiro Stephan do PPGAU/UFV TESE • Menção Honrosa I: Bethencourt da Silva e a cultura arquitetônica do Rio de Janeiro no século XIX, de autoria de Doralice Duque Sobral Filha, pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura (Proarq) da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Orientadora: Profª. Dra. Beatriz Santos de Oliveira • Menção Honrosa II: Ceplan: 50 anos em 5 tempos, de autoria de Neusa Cavalcante Filha, pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília. Orientadora: Profª Drª. Elane Ribeiro Peixoto • Vencedor: Diagramática: descrição e criação das formas na arquitetura seriada de Peter Eisnmann, de autoria de Gabriela Izar dos Santos, pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Orientador: Prof. Dr. Luiz Américo de Souza Munari. Texto de Rodrigo de Faria / ANPARQ 2016, Porto Alegre Extraido de www.vitruvius.com.br Publicado em 30/07/2016 73



EN CON TROS


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pé na estrada um pé em diversos territórios: do familiar ao alheio

The Hit the Road Project [Programa Pé na Estrada] is an extra-curricular activity of the School of Architecture and Urbanism of the University of Brasília (FAU-UnB). During the first semester of 2016, the Project carried out various activities in which participants were brought to experience familiar and unexplored urban spaces, from the campus to the city, and and were encouraged to share their personal experiences in debates. These events are related to the Project’s goal of transforming the city into a learning space, where topics of architecture, urbanism and landscape design are presented, discussed, and oftentimes given new meaning.

Fotos por Bárbara Gomes, Camila Garrido e Rodrigo de Oliveira. Montagem por Pedro Ribs.

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Fotos por Caio Nascimento e Camila Sant’Anna. Montagem por Pedro Ribs.

No primeiro semestre de 2016, a atividade complementar “Pé na Estrada” da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (UnB) desenvolveu ações que discutiram, a partir de múltiplos pontos de vista e lugares, vivências urbanas muitas vezes familiares ou alheias, da cidade ao território universitário. Tal proposta se integra ao objetivo do projeto de transformar a cidade em sala de aula, apresentando, questionando e, quando relevante, ressignificando temas relacionados à arquitetura, ao urbanismo e ao paisagismo. O TERRITÓRIO UNIVERSITÁRIO PONDO UM PÉ NA CIDADE O Pé na Estrada promoveu algumas ações com o intuito de convidar os alunos a conhecerem a partir de um outro olhar as propostas de arquitetura dos espaços culturais de Brasília e a sua relação com a cidade. Almeja-se não só abordar temas discutidos em sala de aula, mas também como eles são introduzidos pela expografia do espaço visitado. PÉ COM PÉ: FRIDA KAHLO Em Maio de 2016, o Pé na Estrada juntamente com a Professora Camila Gomes Sant’ Anna levou cerca de 20 alunos da Universidade de Brasília para visitar a exposição “Frida Kahlo: Conexões entre mulheres surrealistas no México” na Caixa Cultural. Este evento foi realizado em parceria com a Caixa Cultural, que ofereceu o ônibus para transporte, lanche e monitores e organizou, ao final da visita, um workshop que convidou os alunos a elaborarem um auto-retrato. Os alunos foram convidados a conhecer melhor a personalidade e produção artística da mexicana Frida Kalho para além do seu relacionamento com o artista Diego Riviera. Contribuiu para entender melhor melhor as pinturas, fotografias e a moda do mesmo período que influenciaram o seu trabalho. PÉ COM PÉ: MONDRIAN Em Junho de 2016, o Pé na Estrada teve o prazer de levar mais um grupo de alunos a uma exposição no Distrito Federal. A exposição “Mondrian e o movimento Stijl” aconteceu no CCBB. A visita teve o acompanhamento das professoras Camila Gomes Sant’Anna e Maria Cecília Filgueiras Lima Gabriele. Cerca de 15 alunos participaram. Esta atividade tinha por objetivo introduzir o movimento da vanguarda holandesa, De Stijl, muito conhecido pela produção de Piet Mondrian, a partir de uma expografia dividida em duas salas de exposição que introduziam “da figuração à abstração”, quadros, projetos arquitetônicos, maquetes, desenhos de mobiliários, documentários e fotografias. 77


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A CIDADE PONDO UM PÉ NO TERRITÓRIO UNIVERSITÁRIO Dando continuidade à intenção de desenvolver atividades interativas de aluno para aluno, foram idealizadas propostas didáticas que convidavam a comunidade a usufruir do território universitário, participando de palestras sobre temas do seu interesse - Possibilidades no mercado de trabalho para um arquiteto e urbanista e Aula magna com Rosa Kliass - ou descobrindo cidades brasileiras e o conhecimento produzido no território universitário, visitando uma exposição (EXPO RJ), com a intenção de promover a interação e o diálogo a partir de diferentes propostas dentro da Universidade. PÉ COM PÉ: AS POSSIBILIDADES NO MERCADO DE TRABALHO PARA UM ARQUITETO E URBANISTA Em março de 2016, o Pé na Estrada organizou um ciclo de palestras, “Pé com Pé: as possibilidade do mercado de trabalho para um arquiteto e urbanista” no novo auditório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Este evento contou com a participação de cerca de 150 pessoas e teve como proposta conhecer diferentes tipos de caminhos para a vida profissional em arquitetura e urbanismo. Três profissionais participaram do evento: • Ana Zerbini, com o tema arquitetura cenográfica. Ana é arquiteta e urbanista pela Universidade de Brasília (FAU-UnB) com experiência na área de cenografia, desenvolvimento e execução de projetos temáticos e cenográficos para o mercado de eventos e arquitetura. É de ser professora substituta na FAU-UnB. • Danilo Barbosa, com o tema sinalização das cidades. Arquiteto e urbanista com formação na FAU-UnB, coordenou o projeto de sinalização urbana de Brasília. O design das placas de sinalização de Brasília foi realizado em 1976 e integra o acervo do MoMa. • Gabriela Bilá, falando sobre “O Novo Guia de Brasilia”. Arquiteta e urbanista também graduada pela FAU-UnB e autora do Novo Guia de Brasília, resultado do seu Ensaio Teórico. Foi importante perceber as diversas possibilidades de atuação para um profissional arquiteto e urbanista. Ao final da palestra, um momento bate-papo aconteceu, permitindo que os participantes pudessem conversar com os palestrantes por meio de perguntas.

Fotos por Camila Garrido e Samara Neves. Montagem por Pedro Ribs.

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Fotos por Brenda Oliveira, Gabriela Heusi e Marina Rebelo. Montagem por Pedro Ribs.

EXPO RJ Como resultado da viagem didática “Pé na Estrada no Rio de Janeiro”, em outubro de 2015, coordenada pelas professoras Camila Sant’Anna, Claudia Garcia e Luciana Saboia, a equipe Pé na Estrada organizou a “Expo RJ”. Esta exposição aconteceu em abril de 2016 e ficou aberta para visitação por uma semana na galeria da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB. O objetivo era reunir e organizar as leituras da cidade realizadas pelos alunos viajantes. A proposta da expografia partiu do entendimento da paisagem, elemento marcante na cidade do Rio de Janeiro. O projeto da exposição foi coordenado pelas alunas Bárbara Vasconcelos e Gabriela Heusi com o auxílio da equipe Pé na Estrada e da professora Camila Sant’Anna. A montagem contou com a participação de alunos da FAU-UnB e de voluntários. O intuito era desenvolver uma exposição de baixo custo que usufruísse da potencialidade do papelão combinada com projeções mapeadas e com as produções dos alunos, desenvolvidas nos exercícios “Momentos Pé na Estrada”, que ocorrem ao longo da viagem para retratar as vivências urbanas cariocas. A exposição retratou também a pluralidade de habilidades artísticas dos alunos da Faculdade e a sua contribuição para enriquecer a produção dos trabalhos. Foi proposto um mapa colaborativo de vivências, exibição das fotos das joias desenvolvidas pela aluna Jeanne Miake com o tema da viagem, fotos dos pés dos participantes em diferentes lugares do Rio de Janeiro e qrcodes de áudios produzidos pelos alunos. A abertura aconteceu no dia 04 de abril de 2016 e contou com coquetel e com um pocket show da aluna Isabelle Nogueira, que participou da viagem. Essas ações refletem o amadurecimento que o projeto está sofrendo, graças ao envolvimento dos alunos, funcionários e professores. Esse projeto expandiu-se em várias vertentes, que surgem da sua tentativa de promover e discutir o papel e a ação da arquitetura e do urbanismo, seja nas diferentes escalas da cidade, seja nas produções culturais.

Texto da equipe Pé na Estrada. Equipe: Amanda Vital, Bárbara Gomes, Bárbara Vasconcelos, Brenda Oliveira, Camila Garrido, Caio Nascimento, Gabriela Heusi, Isabella Rodrigues, Marina Rebelo, Nayane Machado, Rayan de Sant’Anna e Vanessa Tourinho Professoras: Camila Sant’Anna e Elane Peixoto www.penaestradafaunb.wixsite.com facebook.com/penaestrada.faunb penaestrada.faunb@gmail.com 79


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exposição diplô 1/2016 exposição de diplomação, palestra com gustavo penna e lançamento da arqui #5 A lecture by architect Gustavo Penna marked the launch of the fifth issue of ARQUI and the closing off of the graduation exhibition. The architect presented an overview of his work through the conceptual basis and varied technical solutions of each project.

Foto por Thiago Abreu.

O lançamento da revista ARQUI #5 e o encerramento dos trabalhos de diplomação do primeiro semestre de 2016 foram celebrados com uma palestra do arquiteto mineiro Gustavo Penna. O termo “palestra” talvez seja um excesso de formalidade acadêmica para uma situação em que o arquiteto fez uma livre exposição sobre sua obra, intercalando aspectos prosaicos e questões pessoais com as soluções técnicas e demandas de cada obra. Diante de uma plateia com presença de ilustres personalidades, como o professor Coutinho, o arquiteto Sergio Parada e o arquiteto Nonato Veloso –autor do projeto do auditório da AdUnB –, Gustavo Penna foi percorrendo um itinerário próprio, vagando entre escalas tão distintas de projeto. Ele abordou desde a escada para o apartamento de Zuenir Ventura até o museu 80

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dos profetas em Congonhas do Campo, passando por inúmeras situações de projetos residenciais e de edifícios institucionais. O arquiteto que diz ser um “montanhês”, por ter as montanhas como uma constante de paisagem, evoca a companhia de Amilcar de Castro e Alberto da Veiga Guignard para se situar no mundo contemporâneo. Com certa provocação, ele comenta sobre quando as cidades eram narradas, seja por Proust, seja por João do Rio, ou ainda Fernando Sabino, apontando no cotidiano um valor perene. Penna reitera a capacidade humana de reconhecer a natureza e superá-la, que difere da mera destruição das barreiras e de quaisquer adversidades e diferenças. Para isso, toma a ponte como metáfora da ação de projetar e inventar soluções. Ao mencionar a importância

da capacidade de ouvir as palavras ele também recobra que ele mesmo, atento e observador, gosta muito de imitar o canto dos pássaros. Ato contínuo, ele se põe a imitar os sons de várias espécies, piando no auditório, para surpresa de todos! O evento se iniciou com a formalidade da premiação dos trabalhos de Diplomação destacados dos arquitetos recém-formados, mas logo se distendeu diante de um arquiteto que sabe ser sério, competente e informal. É famosa a expressão “ouvir o galo cantar, mas não sabe onde”, e diante do imenso manancial de referências visuais que os meios de comunicação e as conexões dos suportes digitais reverberam – muitas vezes travestidos de complexidade – foi bom ouvir o pio do Penna! Texto de Eduardo Rossetti


a experiência de transformação urbana Lecturer Gustavo Restreppo talked about theories of urban transformation applied in the requalification of public spaces in Medellín, Colombia, and how it had positive impacts in the reduction of vandalism and criminality rates in the city.

O que acontece se deixarmos um carro abandonado, em boas condições, em um lugar qualquer? Há boa probabilidade de que nada aconteça. Em contrapartida, se o carro estiver com os vidros quebrados possivelmente será dilapidado. Trata-se da “teoria das ventanas rotas”, que defende que, em espaços urbanos de qualidade, vandalismo e criminalidade diminuem. Teoria e experiências foram apresentadas à FAU, no dia 13 de abril, como alicerce da Experiência de Transformação Urbana do arquiteto Gustavo Restreppo e equipe em Medellín, Colômbia. Por trás de tele-

féricos e escadas rolantes estampados nas manchetes de jornais, um projeto que considerou a relação ética e estética como premissa de intervenção; o arquiteto apenas como mais um membro de uma equipe multidisciplinar; e a população como cliente, ouvindo-lhe, mais que as demandas, os sonhos! Gustavo Restreppo é arquiteto e urbanista, atua nos setores público e privado nas áreas de desenho, administração e construção de projetos de arquitetura sustentáveis. É professor na Pontifícia Universidade Bolivariana e na Universidade Santo Tomás, em Medellín

e tem desempenhado o papel de jurado em diversos concursos nacionais e internacionais de arquitetura. Foi um dos responsáveis pelo Plano de Desenvolvimento de Medellín (2008/2011). Textos e projetos de sua autoria foram publicados em livros especializados. Entre outros reconhecimentos, destaca-se o Holcim Awards of Sostenible Construction. Texto de Ana Elisabete Medeiros Coordenação do evento: Luciana Saboia e Ana Elisabete Medeiros Mediação: Roberto Montezuma Organização: Karoline Cunha

clima e repertório arquitetônico In his talk, professor Leonardo Bittencourt (UFAL) presented his work experience as professor of indoor environmental quality and architectural design, showing examples of applied bioclimatic design principles.

A FAU recebeu, em junho de 2016, a palestra do professor Leonardo Bittencourt, da UFAL, intitulada “Clima e Repertório Arquitetônico”. O auditório da FAU ficou repleto de alunos e professores da graduação e pós-graduação, além de profissionais atuantes no mercado. O professor Leonardo é arquiteto graduado na Universidade Federal de Pernambuco, com doutorado em Environment and Energy Studies na Architectural Association Graduate School,

em Londres. Ao longo de sua carreira como professor de Conforto Ambiental e Projeto da UFAL, desenvolveu ensino e prática de projeto, tirando partido do clima e dos condicionantes ambientais como linguagem projetual, ilustrando de maneira muito prática os conceitos da arquitetura bioclimática e conforto. Foi exatamente esta a abordagem da palestra que o professor Leonardo trouxe para Brasília, “quebrando” a ideia comum do conforto como acessório final ou como mecanização da

arquitetura e mostrando uma visão do projeto que incorpora a ideia climática como linguagem estética, em magníficos exemplos de projetos. Além de professor, pesquisador e orientador de inúmeros trabalhos de mestrado e doutorado, Leonardo é ainda autor de dois livros muito conhecidos e usados por alunos e profissionais de arquitetura: O uso das cartas solares: diretrizes para arquitetos e Introdução à ventilação natural. Texto de Cláudia Amorim 81


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a UTOPIA e a DISTOPIA na cidade modernista cineFAU e Ocupa a Pracinha:

Things to come | 18.05 | 18h | Pracinha da Fau William Cameron Menzies | 1936.

The Trial | 27.05 | 16h | Auditório novo da Fau Orson Welles | 1962.

cine fau

Fahrenheit 451 | 01.06 | 18h | Pracinha da Fau François Truffaut | 1966.

Filmes e debates sobre a formação da

Playtime | 10.06 | 16h | Auditório novo da Fau

cidade modernista e do discurso crítico pós moderno.

Jacques Tati | 1967.

Branco sai, preto fica | 15.06 | 18h | Pracinha da Fau

18 de maio a 15 de junho.

Ardiley Queirós | 2015.

a utopia e a distopia na cidade modernista CINEFAU is a student-led series of film screenings and debates centered on the themes of architecture, the city and cinema.

Em 2012, alunos da Fau-UnB reviveram o Cine Fau, cineclube que tem como objetivo projetar filmes que motivem o debate sobre a relação do cinema com a arquitetura e a relação das pessoas com a arquitetura e a cidade. No 1º semestre de 2016, foi realizada a mostra Utopia e Distopia na Cidade Modernista, com base no ensaio teórico Da utopia a distopia: um panorama da cidade modernista segundo o cinema, de 2015. Foi feito um convite por meio de cartazes e pela página no Facebook do Cine Fau, para os alunos e professores da UnB, e para a comunidade de fora da UnB, apresentando os filmes, que eram de décadas e visões de cidade distintas. As sessões aconteceram na pracinha da FAU, à noite, com o intuito de ocupar o espaço que vinha passando por esvaziamento, e na sala Ernesto Walter, em horário que agregasse os alunos de cursos noturnos. Os debates sempre foram acompanhados por professores da FAU e alunos, com temáticas que trabalhavam a vivência na cidade e a realidade no século XXI. Texto de Amanda Brasil Coordenadores: Amanda Brasil, Thiago Freire Professores convidados: Gabriela Tenorio, Gabriel Dorfman, Reinaldo Guedes Machado, Ricardo Trevisan, Ana Paula Gurgel, Leandro Cruz, Luciana Saboia 82

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conservação da arquitetura moderna desafios e ações

In his lecture, professor Fernando Diniz Moreira presented the current challenges and the actions carried out to promote the conservation of the modern architectural heritage of the city of Recife, Pernambuco.

A palestra A Conservação da Arquitetura Moderna: desafios e ações trouxe o Recife à Brasília. Não o Recife naquele dia vestido de retalhos e cores do feriado junino. Não o Recife representado na figura do palestrante, ele mesmo recifense. Mas o Recife como objeto das ações às quais o título da palestra se refere. Ações que buscaram vencer vários dos desafios colocados como específicos à conservação da arquitetura moderna, associados a questões de funcionalidade,

materiais, sistemas infraestruturais, manutenção, dimensão urbana, pátina, reconhecimento e tombamento. Ações de ensino, projeto e inventário: Recife como sede do I Curso Latino-Americano de Conservação da Arquitetura Moderna; Recife do Geraldão, como exemplo de intervenção e Recife inventariado na obra de Janete Costa e Acácio Gil Borsoi. Fernando Diniz Moreira é arquiteto e urbanista (UFPE/1989), historiador (UC-PE/1991), mestre em Desenvolvi-

mento Urbano (UFPE/1994) e mestre e PhD em Arquitetura (Pennsylvania University, 2001/2004). Atualmente é professor associado da UFPE e Pesquisador N.2 do CNPq.

Texto de Ana Elisabete Medeiros Coordenação do Evento: Luciana Saboia e Ana Elisabete Medeiros Organização: Karoline Cunha e Constanza Manzochi

ii ciclo políticas urbanas e regionais no brasil The event on Brazilian urban and regional policies brought together researchers from various governmental agencies such as IPEA, IPHAN, MCT, MCidades and SMRIF, from São Paulo, in presentations and discussions.

O II Ciclo Políticas Urbanas e Regionais no Brasil teve como objetivo apresentar e debater as diversas políticas urbanas e regionais no Brasil a partir do olhar de pesquisadores de órgãos governamentais, incluindo a Universidade, o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicada (IPEA), o Ministério de Ciência e Tecnologia, o Ministério das Cidades, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN – e a Secretaria de Relações Internacionais e Fede-

rativas da Prefeitura Municipal de São Paulo. O foco foi generalista, procurando abarcar as diferentes temáticas debatidas no âmbito das políticas urbanas e regionais, incluindo o desenvolvimento urbano, as problemáticas ambientais dos municípios, temas relacionados ao patrimônio histórico-arquitetônico como processo do planejamento, assuntos relacionados ao campo da economia urbana e regional, e o desenvolvimento regional e das regiões metro-

politanas no marco dos Estatutos das Metrópoles e Cidades. A conferência de abertura foi proferida pela Profa. Dra. Marília Steinberger, do Departamento de Geografia da UnB, com o título “A Retomada da Formulação de Políticas Urbanas e Regionais”. Texto de Carolina Pescatori Organização: GPHUC-UnB/CNPq Coordenação: Rodrigo de Faria, Carolina Pescatori e Sandra Corrêa 83


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iv jornadas labeurbeanas The results of the undergraduate and graduate research projects undertaken by professors and students of the LabeUrbe were presented in a seminar hosted by the laboratory in April.

Nos dias 7 e 8 de abril de 2016 foram realizadas as IV Jornadas Labeurbeanas, no Auditório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília. O evento, organizado pelo Laboratório dos Estudos da Urbe (LabeUrbe) no âmbito do Programa de Pós-Graduação e Pesquisa da Faculdade de Arquitetura, tem como objetivo informar a comunidade acadêmica e a sociedade em geral sobre o andamento da formação, produção, além dos resultados de pesquisas realizadas por professores, alunos do Programa de Iniciação Científica e pós-graduação vinculados ao laboratório. O evento foi aberto pelo Prof. Ms. Pedro Henrique Máximo (professor do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UEG), com a apresentação da dissertação de mestrado Do aeroporto à aerotrópole e o território do Aeroporto Internacional de Viracopos, defendida em abril de 2014, na FAU-UnB, e orientada 84

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pelo Prof. Dr. Marcos Thadeu Magalhães. Em seguida, iniciaram-se as comunicações e debates que se dividiram em cinco momentos distintos. O primeiro foi composto pelas apresentações orais das pesquisas em andamento na pós-graduação acerca da cidade contemporânea, do urbano e do território em suas múltiplas escalas, organizadas a partir dos seguintes temas específicos: paisagem e narrativas; planejamento urbano; cronologia urbana; patrimônio e história; produção do espaço e desenvolvimento regional; projetos e debates contemporâneos em arquitetura. Dois outros momentos envolveram a exposição em pôsteres dos projetos de pesquisa dos alunos recém-ingressos no Programa de Pós-Graduação e das ref lexões preliminares acerca dos objetos investigados pelos alunos do Programa de Iniciação Científica e seus coordenadores. No dia 8 de abril, além do prosseguimento das comunicações

orais, realizou-se um debate pelos membros do LabeUrbe a respeito das temáticas orientadoras das linhas de pesquisa e sua estruturação. Pontos altos do evento foram a apresentação da pesquisa “Cronologia do Pensamento Urbanístico”, dos alunos Dilton Lopes e Thiago Magri, da FAU-UFBA, e a palestra “Pensar por Nebulosas: Cronologia do Pensamento Urbanístico”, proferida pelas professoras Paola Berenstein Jacques (FAU-UFBA) e Margareth da Silva Pereira (PROURB-UFRJ), com mediação da Profª. Dra. Sylvia Ficher. O evento ocorre anualmente e espera-se que possa contribuir para o debate sobre a cidade em suas distintas escalas e abordagens, e, principalmente, para promover a construção coletiva do conhecimento e a troca de experiências entre os pesquisadores e participantes. Texto de Sued Ferreira e Ana Flávia Rêgo Mota


como construímos brasília

uma conversa com jayme zettel Architect Jayme Zettel was a member of the design team led by Lucio Costa for the construction of Brasília. In his talk, Jayme Zettel shared the work that went into transforming the layout of the Pilot Plan into the urban plan of the nation’s new capital, presenting the technical complexities and unforeseen challenges during that process.

A ideia inicial de trazer o arquiteto Jayme Zettel como palestrante da disciplina Brasília: Questões de Urbanização e História, do Programa de Pós-Graduação, rapidamente se ampliou para uma palestra aberta, estendendo o convite para toda a FAU e para a comunidade. O próprio convidado se surpreendeu com o interesse de tanta gente – estudantes, arquitetos, professores, funcionários públicos – no que ele poderia contar sobre Brasília. Jayme Zettel veio para Brasília no início da empreitada, para “botar a cidade no chão”, como gosta de dizer, mantendo o tom irônico, pois, longe de qualquer destruição, ele é quem também assinou a famosa Portaria de tombamento do Plano Piloto! Jayme é cúmplice do nascimento da cidade por ter trabalhado no grupo de Lucio Costa, contribuindo para o processo de transformação do desenho do Plano Piloto em projeto urbanístico. Fato que ele lembra com emoção, recobrando os desafios técnicos e a premência para resolver tantas demandas imprevistas, desde novos setores, como as quadras 600 ou 900, até terrenos para diferentes representações religiosas. Apesar de ser um nome conhecido e uma pessoa reconhecida, trata-se de alguém discreto e com raras visitas a Brasília. Por esta razão ele também se surpreendeu com um auditório lotado e curioso para saber outras passagens de sua trajetória profissional. Trabalhar nas obras de Brasília foi justamente o seu primeiro emprego assim que ele saiu da faculdade, fazendo cortes no terreno e tratando da topografia do lugar que abrigaria a nova cidade-capital. Ele mesmo afirmou que o processo intenso de trabalho alterou sua percepção de escala, que passou a ser 1:2000, ou seja, uma escala urbana. Depois desta experiência inicial ele permaneceu integrado à NOVACAP, mas foi logo convocado por Darcy Ribeiro para trabalhar na construção da Universidade de Brasília, atuando em seu centro de planejamento, o CEPLAN. Neste processo teve contato direto com Lelé e com as experiências de pré-fabricação. Diversos outros assuntos foram mencionados, incluindo seu retorno ao Rio de Janeiro e a atuação nas obras do metrô, até a atuação com patrimônio na instância federal. Diante de uma plateia curiosa, o debate mediado pela Profa. Sylvia Ficher correu fácil, se estendendo até o limite do próprio convidado, que pacientemente saltava de um assunto ao outro, alterando escalas, sem alterar seu bom humor. Ao final, Jayme destaca o esforço enorme e coletivo que gerou a cidade, fato que não deve ser desprezado pela inteligência na condução dos desígnios futuros de nossa cidade.

Texto de Eduardo Rossetti Debatedora: Sylvia Ficher Coordenação: Eduardo Rossetti e Maria Fernanda Derntl 85


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a invenção do tropicalismo na baía de guanabara In his talk, professor Amilcar Torrão Filho (PUC-USP) presented a collection of accounts and images of the Guanabara Bay landscape and how it became a national symbol and epitome of Brazilian identity.

Braço de mar, foz, gigante de pedra adormecido ou boca banguela. Baía de natureza edênica e tropical. Em sua palestra, o prof. Dr. Amilcar Torrão Filho (PUCSP) retomou relatos e imagens sobre a baía de Guanabara feitos por viajantes, cientistas, comerciantes e intelectuais, incluindo homens tão distantes no tempo como André Thevet e Jean de Léry, Claude Lévi-Strauss e Caetano Veloso. Suas narrativas polêmicas e contraditórias podiam expressar encanto e temor ou combinar imaginação e realidade. Muito além da mera descrição geográfica, a baía de Guanabara foi uma paisagem construída e imaginada, tornou-se epítome da identidade brasileira e um dos principais espaços de memória do país. Como mostrou o palestrante, a natureza tropical deu ao Brasil uma imagem conceitual para ser compreendida pelo estrangeiro, uma autoimagem que condensa a nacionalidade. Além de nos conduzir por um instigante percurso de criações discursivas sobre a baía da Guanabara, a palestra de Amilcar Torrão Filho levou-nos a refletir sobre o modo como lidar com fontes históricas em trabalhos desenvolvidos nas interfaces entre os campos da Arquitetura e Urbanismo e da História Cultural. Leva-nos também a desconfiar dos discursos de identidade impostos à nação como símbolo – tema crucial, como se sabe, também para tratar de Brasília. 86

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Texto de Maria Fernanda Derntl


Fonte: REIS FILHO, Nestor Goulart. Imagens das Vilas e Cidades do Brasil Colonial. [Colaboradores: Beatriz P. S. Bueno e Paulo J. V. Bruna]. SĂŁo Paulo: EDUSP, Imprensa Oficial do Estado, FAPESP, 2000.

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aula magna rosa kliass no cerrado

The landscape architect Rosa Kliass spoke with irreverence and modesty about her long-standing career and presented some of her outstanding projects.

Foto por Thiago Abreu.

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Foi uma tarde especial, a de 20 de maio de 2016, para a Universidade de Brasília. Superlotado, o auditório da Associação de Docentes (ADUnB), com 520 lugares, recebia uma senhora de 83 anos, elegante e bem-humorada, para uma aula magna. Rosa Kliass falou sobre “Arquitetura Paisagística – Uma Trajetória”, que faz parte de um circuito de palestras chamado “Rosa Kliass no Cerrado”, em que ela relata sua trajetória pelo universo do paisagismo. Esbanjando simpatia e sabedoria, Rosa Kliass mostrou para alunos, profissionais e pessoas que se interessam pela área de Arquitetura e Urbanismo uma parte de sua experiência como arquiteta paisagista, apresentando projetos e histórias ligados a eles. A arquiteta também carrega em seu currículo formações em Geografia e Botânica, que, segundo ela, são de extrema importância para sua área de trabalho. Seu mestrado voltado para a área de Arquitetura e Urbanismo foi feito na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB (FAU), o que, segundo ela, já estava em seus planos, entre os trabalhos e a preparação para ingressar em mais uma aventura acadêmica na Universidade de Brasília. Mais de vinte países ao redor do globo foram visitados, estudados e explorados paisagisticamente por Rosa. A arquiteta ressalta que essas viagens foram de extrema importância para seu crescimento acadêmico e profissional. Entre congressos e trabalhos, Rosa conta que uma das viagens que mais marcou sua vida profissional foi feita pelos Estados Unidos, que para ser realizada contou com uma bolsa que ganhou para viajar por toda a costa do país – From coast to coast era o nome do projeto. Rosa conta que passou por muitos lugares dentro do país, e que em cada parada existiam visitas que ela julgava serem obrigatórias para seu crescimento. “Em cada cidade eu visitava a escola de arquitetura paisagística do local, os principais arquitetos ali residentes e buscava conhecer a fundo os lugares e seus estilos paisagísticos”, relata durante a apresentação. Já nos projetos realizados no Brasil, Rosa destaca com humor e irreverência uma experiência que viveu no estado do Maranhão, mais especificamente na capital São Luís. Nos tempos em que era presidente da Associação de Arquitetos Paisagistas (ABAP), Rosa recebeu um convite, de uma arquiteta do estado do Maranhão, para que ela indicasse um profissional da região Norte que pudesse fazer um projeto paisagístico na cidade. “Eles queriam um arquiteto paisagista para um projeto que visava apenas uma plantação de florzinhas nos canteiros das avenidas”, conta a arquiteta, fato que arrancou risos dos presentes. Para solucionar inicialmente o problema de São Luís, Rosa sugeriu que a equipe responsável pelo projeto fosse a um congresso que seria realizado em Belém, no Pará. Tendo sua sugestão acatada, após o congresso, ela recebeu o convite para criar um departamento de parques e jardins, que por fim acabou

virando o Instituto Municipal de Paisagem Urbana de São Luís (Impur). A partir da criação do instituto foi feito o plano da paisagem urbana da cidade, dando continuidade a um dos inúmeros trabalhos de Rosa Kliass. Os relatos não pararam por aí. Foram feitas análises, para estudo dos presentes, de pelo menos sete trabalhos realizados pela arquiteta, ao redor do Brasil e do mundo. A atenção dos participantes era máxima, com momentos de descontração, que ela construía com seu jeito meigo e a clareza das palavras. Em uma de suas histórias emocionantes, a arquiteta contou que, enquanto estava em São Luís para realizar o projeto do Impur, uma conversa com outro dos hóspedes do hotel em que estava fez com que ela se sentisse tocada por um de seus trabalhos feitos no Amapá, o Parque do Forte. O parque fica no entorno da Fortaleza de São José e, banhado pelo Rio Amazonas, deu origem a um espaço de recreação para crianças. O hóspede se apresentou como macapaense. Sem fazer muitos rodeios, Rosa disse que era quase uma cidadã do Amapá. Curioso, o homem perguntou o motivo, já que ela havia falado que era do estado de São Paulo. Foi então que ela mencionou seu projeto do parque, que havia sido inaugurado há seis meses. Encantado com quem estava a sua frente o homem chama os dois filhos que estavam na piscina para que conhecessem a moça que fez o “lugar bonito”. Lisonjeada, Rosa conta esta história com muito orgulho e prazer por ter tido um de seus projetos rebatizados pela população com um adjetivo tão significativo. Ao final da apresentação a arquiteta respondeu a perguntas dos participantes, seguindo para uma sessão de autógrafos da segunda edição de seu livro Rosa Kliass: desenhando paisagens, moldando uma profissão. A ponto de fazer 84 anos, Rosa Kliass deu uma aula de humanidade, humildade, preocupação com o meio ambiente e experiência. Os participantes, em momentos de risadas e outros de emoção, demonstraram imenso respeito pela figura que a arquiteta representa da história da Arquitetura Paisagística mundial. A clareza e a lucidez das palavras proferidas pela profissional fizeram com que a plateia quisesse mais. Aplaudida de pé e homenageada pelos estudantes da FAU, Rosa Kliass foi exaltada pelo público. Os pedidos de abraços não foram poucos. Uma fila se formou na saída do palco. Essa foi a maneira encontrada pelos participantes para demonstrar gratidão por aquele breve momento de troca de experiências entre quem está ingressando na área e quem nela se consagrou como uma das melhores.

Extraído do site CAU-BR Texto por Jéssica Luz, com supervisão de Júlio Moreno 89


GA LE RIA



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#rosakliass nocerrado

Imagens do concurso #rosakliassnocerrado, promovido pelo projeto PĂŠ na Estrada.

Foto por Luciana Jobim Navarro.

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Foto por Marcela BudĂł.

Foto por MaurĂ­cio Campos.

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Foto por Frederico Maranhão.

Foto por Manuella Monção.

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Foto por Marina Zuquim.

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Foto por Leila Cosmobrasiliana.

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Foto por Gaby Heusi.

Foto por Isadora Nunes.

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Foto por Luciana Jobim Navarro.

Foto por Eduardo Duarte.

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Foto por Andrea Alquezar.

Foto por Edna Marques.

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HO MENA GEM


cerrado


E começa a rezar, meio alto, só como sabe, enquanto a estrada sai do mato para o calorão do cerrado, com enfezadas arvorezinhas: muricis de pernas tortas, manqüebas; mangabeiras pedidoras-de-esmola; barbatimãos de casca rugosa e ramos de ferrugem; e, no raro, um araticum teimoso, que conseguiu enfolhar e engordar. Da garupa de Brabagato a cauda cai como uma cobra grossa, oscilando, e o pincel zurze o ar, quase nos chifres de Brilhante, que fechou de todo os olhos e vergou o toutiço. .... “Cada dia o boi Rodapião falava uma coisa mais difícil p’ra nós bois. Deste jeito: — Todo boi é bicho. Nós todos somos bois. Então, nós todos somos bichos!... Estúrdio...

João Guimarães Rosa. Sagarana, 1946 Imagens de capa e seções da revista por Marilia Alves Fotografia + infos: www.mariliaalves.com Seleção de textos: Maria Fernanda Derntl Colaboração: Fátima Macedo Martins


“Paramos no lugar denominado Porco Morto, à beira de um riachinho, num vale fundo e estreito rodeado de morros cobertos de matas. Grandes árvores formavam acima de nossas cabeças uma abóbada espessa, e aquela solidão parecia isolada do resto do universo. Entretanto, era-nos impossível desfrutar da beleza do lugar, dada a infinidade de insetos de todas as espécies que nos atormentava.”


“[...] Nada havia para ver, nem a mais humilde choupana, nem gado, nem caçadores, e, no entanto, não se podia dizer que aquelas solidões inspirassem melancolia, pois a luminosidade do céu bastava para embelezar tudo. Além do mais, o viajante encontra permanente distração nas singulares variações da vegetação, com suas maravilhosas diferenças de forma e de folhagem.”

Saint-Hilaire, Auguste de. Viagem à província de Goiás, 1819.


“No meu espírito, quando tive essa intenção de marcar a posição da Praça [dos Três Poderes] era, em parte, com o objetivo de acentuar o contraste da parte civilizada, de comando do País, com a natureza agreste do cerrado. Propunha que esta viesse ao encontro do arrimo triangular que caracteriza a Praça dos Três Poderes. É um triângulo equilátero, com os Três Poderes acentuados, cada qual num vértice. No contato direto desse triângulo com a vegetação, no meu espírito um tanto romântico, imaginava que teria um sentido: o cerrado representaria o povo, a massa de gente sofrida, que estaria ali junto ao poder da democracia que lhe é oferecido. Essa ideia foi logo destruída, sem querer, pelas máquinas de terraplenagem.”


Lucio Costa. Considerações em torno do Plano-Piloto de Brasília, 1974.



O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul, ocupando uma área de 2.036.448 km2, cerca de 22% do território nacional. A sua área contínua incide sobre os estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Rondônia, Paraná, São Paulo e Distrito Federal, além dos encraves no Amapá, Roraima e Amazonas. Neste espaço territorial encontram-se as nascentes das três maiores bacias hidrográficas da América do Sul (Amazônica/ Tocantins, São Francisco e Prata), o que resulta em um elevado potencial aquífero e favorece a sua biodiversidade [...] Além dos aspectos ambientais, o Cerrado tem grande importância social. Muitas populações sobrevivem de seus recursos naturais, incluindo etnias indígenas, quilombolas, geraizeiros, ribeirinhos, babaçueiras, vazanteiros e comunidades quilombolas que, juntas, fazem parte do patrimônio histórico e cultural brasileiro, e detêm um conhecimento tradicional de sua biodiversidade.

Ministério do Meio Ambiente. O bioma cerrado, sem data.





Universidade de Brasília Reitor: Ivan Marques de Toledo Camargo Vice-reitora: Sonia Báo Decano de extensão: Valdir Steinke Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB Diretor: José Manoel Morales Sánchez Vice-diretora: Luciana Saboia Fonseca Cruz Coordenador de pós-graduação: Marcos Thadeu Queiroz Magalhães ARQUI é uma publicação semestral da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – UnB EDITOR – José Manoel Morales Sánchez EDITORA EXECUTIVA – Maria Fernanda Derntl CONSELHO EDITORIAL – Andrey Rosenthal Schlee, Benny Schvarsberg, Cláudio José Pinheiro Villar Queiroz, Elane Ribeiro Peixoto e Luiz Alberto Gouvêa EQUIPE EDITORIAL DA REVISTA – Caio Frederico e Silva, Eduardo Pierrotti Rossetti (Coordenação de Ensaio Teórico), Gabriela Bílá, José Manoel Morales Sánchez, Karolyne Godoy, Luiz Eduardo Sarmento, Maria Fernanda Derntl e Giselle Chalub Martins Martins (Coordenação de Diplomação) COORDENAÇÃO EDITORIAL – Maria Fernanda Derntl COMISSÃO DE DIPLOMAÇÃO – Cláudia Garcia, Gabriela Tenorio, Giselle Chalub Martins, Maria Cecília Gabriele e Oscar Luis Ferreira COMISSÃO DE ENSAIO TEÓRICO – Eduardo Rossetti, Marcos Thadeu Queiroz Magalhães, Maria Fernanda Derntl e Pedro Paulo Palazzo PROJETO GRÁFICO – Gabriela Bílá (Novo Estúdio Brasília) e Luiz Eduardo Sarmento REVISÃO ORTOGRÁFICA – Sueli Dunck TRADUÇÃO INGLÊS – Ana Luisa Rein IMAGENS DA CAPA E SEÇÕES – Marilia Alves Fotografia IMPRESSÃO – Gráfica Brasil

© Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - UnB Universidade de Brasília, Instituto Central de Ciências – ICC Norte, Gleba A, Campus Universitário Darcy Ribeiro, Asa Norte, Brasília DF, Brasil 70904-970 tel. (+55) 61.3107.6630 fax. (+55) 61.3107.7723 http://www.fau.unb.br/ n° 06 1/2016 As opiniões expressas nos artigos desta revista são de responsabilidade exclusiva dos autores. www.facebook.com/arquirevistadafauunb revistadafauunb@gmail.com


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