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ARQUI

REVISTA DA FAU UnB

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ARQUI

REVISTA DA FAU UnB Julho de 2016 - edição 2/2015 - no 05

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Universidade de Brasília Faculdade de Arquitetura e Urbanismo




editorial A

s palavras e a cidade: um universo inteiro parece caber aí. O tema desta revista é tão sugestivo que qualquer explicação seria incompleta ou redutora. Mas não custa lembrar: palavras não são apenas um meio de falar sobre a cidade ou descrevê-la, são uma maneira de experimentá-la e de agir sobre ela. As palavras são também uma forma de constituição da cidade, como afirmou Christian Topalov. Nesta revista, um universo de relações entre as palavras e a cidade se mostra nos registros de debates, projetos, ensaios, oficinas e eventos realizados na FAU-UnB no segundo semestre de 2015. Um universo que quase não coube nos limites de nossas páginas. Por isso, adotamos um formato bastante sintético para apresentação de Diplô e Ensaio, sem abrir mão do critério de apresentar todos os trabalhos indicados pelas comissões para serem destaques, assim como todos os projetos com menção máxima. Esse panorama de trabalhos finais de curso merece algumas palavras. Como sabemos, o exercício das atividades de pesquisa, crítica e síntese próprios da atuação em Arquitetura e Urbanismo exige recorrer a um cabedal de conhecimentos e métodos muito variados,

aproximando-se dos campos da História, das Ciências Sociais, das Artes e da Tecnologia. Mas, esses necessários fluxos e aproximações interdisciplinares nem sempre se dão de modo fácil e natural. A integração entre disciplinas permanece como um dos principais desafios para os cursos em nossa área. O conjunto de trabalhos de Ensaio e Diplô aqui apresentados sugere, porém, o desenvolvimento de um processo amplo e pluralista de formação de arquitetos. As atividades de extensão são outro foco privilegiado para observarmos as sinergias e aberturas multidisciplinares em nossa Faculdade. Vejam-se a tradicional Semana Escala, os eventos, exposições e palestras. Ali se revelam e consolidam grupos organizados para a pesquisa, para a organização de demandas ou para atuação em campo. E às vezes é preciso sair de casa: pé na estrada! Esse conjunto de registros e atividades deve, enfim, falar por si mesmo. Sem meias-palavras: passemos às páginas de nossa revista.

A equipe editorial


Words and the city: an entire universe seems to be encompassed there. The theme of this journal is so very suggestive that any explanation would be incomplete or too narrow. It is, however, worthwhile to mention: words are not only means to speak about the city or to describe it, they’re ways to experience and act upon it. Words are also a way of composing the city, as Christian Topalov has stated. In this journal, a universe of relations between words and the city reveals itself throughout the coverage of discussions, projects, essays, workshops and events held at FAU-UnB in the second semester of 2015. A universe that could barely fit within the limited space of these pages. For this reason, we have adopted a quite brief format for the presentations of the thesis projects and theoretical essays, without forgoing the presentation of all the works appointed by the committees as outstanding, as well as all of those who received maximum scores. This panorama of thesis projects deserves some words. It is known that the undertaking of activities of research, critique and synthesis proper to the practice of Architecture and Urbanism requires resorting to a wealth of knowledge and methods that are quite varied,

reaching out to the fields of History, Social Sciences, Arts and Technology. These necessary incursions and interdisciplinary convergences are not always so effortless and natural. The integration of disciplines remains one of the main challenges for the courses in our field. The collection of thesis projects and theoretical essays here presented suggests, however, the development of a comprehensive and pluralist education of architects. The extension activities of the university also bring a valuable perspective on the synergies and openings to multidisciplinary endeavors that take place at our Faculty. See, for example, the traditional Semana Escala (Escala Week), or the events, exhibitions and talks. These occasions usually give rise to the organization of groups for research, for proposals and for hands-on experience. And sometimes all one needs is to leave home: Hit the Road! This collection of reports and activities is sure to speak for itself. No minced words: we leave you to the pages of our journal.

The editorial team


sumário 10 PESQUISA 12 ensaio 14 o individualismo e a metrópole amanda alves sicca 16 vetores de crescimento e adensamento urbano e infraestrutura de transportes em teresina andré leal santos 17 avaliação das diferenças de percepção entre os espaços reais e virtuais na arquitetura anna angélica szczepanski

18 espaços de morte, fragmentos de identidade eduardo duarte ruas 20 o olhar dos corajosos elizabeth cristina tenreiro cavalcante 22 joão filgueiras lima luiz felipe baracat 23 blocos impressos marina azevedo lira 24 o “quartinho de empregada” e seu lugar na morada brasileira maíra boratto xavier 26 mobilidade e brasília marina madsen 27 setor cultural sul tamara cortez grippe

28 NOVOS ARQUITETOS 30 diplô 32 destaques 34 setor cultural norte josé henrique freitas 36 imposto combustível, proposto conexão júlia solléro de paula 38 rede de transporte multimodal de anápolis letícia pacheco dos passos claro 40 unb e o lago manoel jimenez castro 42 mini haus marcelo braga 44 a rua do jovem no varjão natália bomtempo magaldi 46 museu do mobiliário brasileiro vinícius carvalho lopacinski 48 temáticas 49 o novo cruzeiro velho bianca abreu rabelo 50 revitalização do setor comercial sul camila araújo 51 de leste oeste norte sul caroline nogueira 52 atravessando brasília fernanda mazzilli toscano de oliveira 53 espaços públicos flávia prado 54 setor de autarquias norte isabel bezerra 55 o percurso das águas na paisagem urbana izadora carvalho laner 56 rede cicloviária de taguatinga jéssica da rocha brito oliveira

57 leitura e gestão da paisagem manuella de carvalho coelho 58 plano de bairro da vila cauhy pedro ernesto chaves barbosa 59 edifício híbrido para a cidade de águas claras carolina guimarães leite 60 hotel fazenda sustentável jacqueline barbosa 61 centro de pesquisa e hospedagem em bio-arquitetura marcelo andrade parreira 62 microcosmos vanessa costalonga martins 63 centro esportivo joaquim cruz carolina novais chagas 64 escola de teatro musical daniela aoyagui 65 centro sociocultural da vila planalto débora de boni lima 66 biblioteca e espaço musical asa sul evelin raquel alimandro correa 67 centro de extensão e integração felipe cláudio ribeiro da silva 68 centro cultural de taguatinga gloria lustosa pires 69 escola pública no guará hanna saatkamp 70 expansão da escola de música de brasília helen de matos gomes 71 o templo budista do sudoeste isabela eichler lobo 72 centro comunitário 305/306 sul izabela brettas baptista


73 centro de dança do df jéssica gomes 74 o novo departamento de música da universidade de brasília olivia nasser 75 um templo cristão comunitário sahra lemos barbosa 76 escola integral hélio duarte talita prado 77 ceasa-df danielle gressler de brum

84 FAU PREMIADA 84 casa da sustentabilidade menção honrosa no concurso nacional de arquitetura no parque taquaral - campinas 88 urban 21 2° lugar pela equipe da FAU/UnB

78 galeria dos estados ludmylla kristhina barbosa de oliveira 79 brasília torre hotel luísa coutinho puntel 80 reabilitação urbana - eixo paraibuna regina carmélia ribeiro miranda 81 centro cultural candango viviane barroso

92 ENCONTROS 94 96 100 101 102 104 106 107

108 SEMANA ESCALA 110 escala 2015 a semana fora da rotina 112 desafio de mobilidade 113 vilanova artigas 100 anos evento comemorativo do centenário de vilanova artigas 114 o lago para a cidade 115 intervenção verde 116 alexandre pereira magalhães e os bueiros

124 GALERIA 126 130 131 132

as palavras e a cidade júlia huff theodoro in (congruências) pedro ribs ilustrações ana clara bonfim daher a força poética das palavras nas cidades artistas convidados

exposição diplô 2/2015 negras vidas exposição do coletivo calunga poder e manipulação simpósio internacional uma discussão metodológica para a história da cidade palestra de celia ferraz quapá-sel um olhar acurado sobre o sistema de espaços livres a capital é uma só? brasília e pretoria casas emau posse da diretoria

118 NA RUA 120 pé na estrada

134 DESPEDIDA 134 jônio cintra 135 vicente barcellos


PES QUI SA



ensaio E

m artigo recente no jornal Folha de São Paulo, Pedro Duarte, professor de filosofia da PUC-Rio, recobra o valor do ensaio como campo de experimentação que não esgota o conhecimento de seu objeto, cujo valor está em instigar o olhar sobre as coisas, ao tomá-las por novos ângulos. O autor pondera que, se por um lado o ensaio vem se tornando um gênero sufocado pela crescente exigência de uma produção acadêmica mais especializada, por outro lado o ensaio mantém um grau de liberdade transversal, uma vez que não possui fronteiras bem-definidas entre os campos do conhecimento. Assim, o ensaio se configura como um gênero estratégico, apto a promover articulações e revelar miríades de nexos. E é nessa medida que ele se valoriza como arremate das disciplinas do Departamento de Teoria e História da Arquitetura e Urbanismo da FAU. Trata-se de uma disciplina singular dentro de nosso currículo, que estimula e propicia ao aluno pensar e enfrentar um assunto qualquer inscrito no domínio de especulação amplo e diverso que configura o campo da arquitetura e do urbanismo. Em princípio, trata-se do enfrentamento de temas e assuntos que podem interessar ao aluno naquele momento, revelando miríades de soluções, encaminhamentos, novos autores e novas leituras, possibilitando certas conclusões.

A partir de um cronograma contido em um semestre, em meio a um rol de outras atividades e disciplinas, o Ensaio Teórico também é um momento especial para o aluno da FAU estudar temas, assuntos e questões que podem lhe conduzir para novos caminhos, a partir desse momento de testar seus interesses ou ensaiar sobre eles. Os dez Ensaios Teóricos que serão apresentados a seguir foram selecionados a partir das dezenove indicações realizadas pelas bancas. Agradeço o apoio fundamental dos professores Marcos Thadeu Magalhães e Carlos Eduardo Luna de Melo, que compuseram comigo uma comissão ad hoc para esta seleção. Aproveito o ensejo para agradecer também a todos os professores que participam das bancas! Diante da diversidade de temas e assuntos que os Ensaios Teóricos apontam fica o convite para compartilhar destes trabalhos, que circunstancialmente delimitam um momento de verificação, um teste, sendo algo que não está efetivamente pronto, mas que aqui está devidamente ensaiado.

Eduardo Rossetti Coordenador de Ensaio Teórico


In a recent article published in the newspaper Folha de São Paulo, Pedro Duarte - professor of philosophy at PUC-Rio – reclaims the value of the essay as a field of experimentation that does not exhaust knowledge of its object of study, but contributes in kindling the interest for things by giving a sense of their various facets. The author considers that the essay has become an increasingly stifled genre due to the growing demands for a more specialized academic output, but points out, on the other hand, that the essay maintains a degree of cross-disciplinary freedom, as it does not present well-defined limits between areas of knowledge. Thus the essay is configured as a strategic genre, apt at promoting articulations and at enlightening a myriad of connections. In this regard it is valued as a concluding paper for the courses of the Department of Theory and History of Architecture and Urbanism at FAU. The Theoretical Essay is a unique discipline within our curriculum, which stimulates students and allows them to think about and tackle any subject within the bounds of the vast and diverse realm of speculation that constitutes the fields of Architecture and Urbanism. In principle, it is the confrontation of themes and subjects that can be of interest to the student at that moment, presenting a myriad of solutions, developments, new

authors and new readings, allowing for certain conclusions. From a schedule that runs for a semester, amidst a list of other activities and disciplines, the Theoretical Essay is also a special moment for the student at FAU-UnB to survey themes, subjects and questions that could lead to new paths from this experience of testing out – or essaying – his or her interests. The ten Theoretical Essays to be presented in turn were selected from nineteen essays appointed by the examinators. I would like to thank the vital support from professors Marcos Thadeu Magalhães and Carlos Eduardo Luna de Melo, who have taken part with me in an ad hoc selection committee. I take this opportunity to also thank all the professors who took part in the assessment of the essays! In face of the diversity of themes and subjects that the Theoretical Essays present, we share these works that fortuitously mark a moment of assessment, a test, as something which is not effectively completed, but that has been here properly essayed.

Eduardo Rossetti - Theoretical Essay coordinator


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o individualismo e a metrรณpole notas sobre georg simmel

This essay proposes an interdisciplinary approach based on the writings of Georg Simmel as a reference point to understanding how individualism, as a structuring factor of social relations in the metropolis of the post industrial revolution, manifests itself in the construction of the contemporary city.

Amanda Alves Sicca 14

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Fotos por Amanda Sicca.

A vida nas cidades contemporâneas é marcada pelo excesso de aceleração. A crescente velocidade dos acontecimentos históricos, o excesso de informação e a crescente desterritorialização do indivíduo, por conta dos processos de globalização, mercantilização e difusão dos novos meios tecnológicos de comunicação, gera novos sentidos para o presente. O ontem já é passado distante. A efemeridade das relações deixa em seus habitantes uma marca profunda, sobre a qual muitos teóricos se debruçaram. Em Modernidade Líquida, o sociólogo Zygmunt Bauman observa que vivemos em um período histórico cujas principais características são o desapego, a efemeridade e a aceleração dos processos de individualização. São claros os sinais do período atual que demonstram que a sociabilidade contemporânea se pauta pelo individualismo. Porém, deve-se compreender que o fenômeno do individualismo não é recente na discussão das relações

sociais. Em seu ensaio A metrópole e a vida mental, Georg Simmel inaugura o diálogo sobre o significado da vida moderna e como a sociedade urbana reagia às rápidas transformações por que as cidades passaram após a Primeira Revolução Industrial. Sua obra tenta traduzir como a modernidade, a industrialização e a economia do dinheiro influenciam na subjetividade dos indivíduos que moram na cidade grande e modificam suas formas de socialização, tentando compreender, assim, “como a personalidade se acomoda nos ajustamentos às forças externas”. Simmel apresenta em sua análise um interesse particular pelas questões subjetivas do indivíduo, explorando em seu texto os inúmeros reflexos que a cidade tem na psique humana. Aponta como ápice dessas transformações o surgimento do indivíduo blasé, que é o resultado dos excessos de estímulos e da aceleração da vida na metrópole. Dessa forma, busca compreender na cidade os elementos modificadores

das relações sociais a partir de um paralelo entre a cidade pequena e a cidade grande. Procura analisar como a cidade, uma construção coletiva, relaciona-se com a subjetividade do homem moderno e como se organiza o psiquismo do homem metropolitano em um contexto hostil que não leva em conta a sua individualidade. Apesar de a metrópole contemporânea ter se modificado radicalmente e, talvez, não ser mais semelhante à metrópole do início do século XIX vivenciada por Simmel, seu texto ainda pode ser utilizado para análise de grandes cidades, mais especificamente nos fenômenos examinados pelo sociólogo, os quais, mesmo como o passar do tempo, não se esgotaram. Pelo contrário, tendo em vista a análise de Bauman, deve-se acreditar ainda que tais fenômenos se enraizaram e evoluíram na metrópole contemporânea. Orientadora: Luciana Saboia Banca: Ana Gurgel, Lucas Brasil 15


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vetores de crescimento e adensamento urbano e infraestrutura de transportes em teresina convergências e divergências The city of Teresina, in Piauí, is taken as a case study to identify the manner in which urban planning documents are articulated in providing the necessary transportation infrastructure to vectors of urban expansion and densification. From this analysis some suggestions are made for the better integration of the urban and mobility plans of Teresina.

André Leal Santos Criada em 1852 para sediar a nova capital do Piauí, Teresina possui um traçado planejado ortogonal, com predominância de vias locais e quadras pequenas. A expansão urbana reproduziu em grande parte esses parâmetros originais, que se tornaram insuficientes para as demandas de transporte da cidade. A criação de avenidas arteriais a partir de 1896 buscou estabelecer vetores de expansão urbana mais ordenados e dar vazão aos veículos motorizados. Contudo, não houve distribuição adequada de tipos de uso, aumentando a dependência das zonas periféricas em relação aos centros. O zoneamento estabelecido no Plano Diretor Municipal (2006) não mudou muito esse paradigma, pois conferiu pouca autonomia aos bairros periféricos. Esse modelo de ocupação gerou consequências severas para a mobilidade na cidade, pois elevou o número de viagens pendulares e as distâncias percorridas. A piora na mobilidade também pode ser atribuída ao aumento da frota motorizada de 250% entre 2001 e 2014, enquanto a população, no mesmo período, cresceu apenas 17%. A existência 16

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de poucas vias de porte coletoras ou arteriais dificultou a implantação de corredores de transporte público. Agravaram-se problemas de congestionamentos, segmentação da rede cicloviária e baixa qualidade dos passeios públicos. O zoneamento da cidade estabeleceu uma convergência entre uso do solo e transportes. Um dos principais parâmetros para a delimitação das zonas foi a hierarquia viária; no entanto, muitos objetivos e diretrizes para o uso do solo e transportes não são transpostos espacialmente para os planos. As propostas também desconsideraram possíveis incompatibilidades entre mudanças de sentido de vias, cruzamentos, ou implementação de faixas preferenciais de ônibus e rede cicloviária. Pouco se tratou do sistema de áreas livres como meio de dar vazão a um contingente de pedestres e ciclistas que, juntos, correspondem ao maior modal de transportes do município. Algumas intervenções propostas promoveram melhor conectividade entre bairros centrais, o que estimulou o adensamento; no entanto, priorizou-se

o aumento da capacidade de fluxo geral por meio do uso do automóvel e não do transporte público. Os planos pretendiam evitar a criação de grandes vazios urbanos ou o crescimento horizontal; entretanto, a política de expansão urbana foi, na prática, antagônica a esse discurso. Dentre as indicações feitas a partir da análise, propõem-se: a ênfase prioritária a ocupações em áreas centrais; a estruturação de bairros prevendo adensamento; a reformulação viária privilegiando a criação de corredores de transporte público e rede cicloviária, considerando uma análise mais acurada da estrutura viária, de modo a permitir a elaboração de propostas mais verossímeis, além de evitar incompatibilidades entre modais de transportes. Também se recomendam políticas que estimulem a arborização para melhoria na qualidade dos passeios públicos, como forma de estímulo aos modais não motorizados.

Orientador: Benny Schvarsberg Banca: Gabriela Tenório, Mônica Gondim


avaliação das diferenças de percepção entre os espaços reais e virtuais na arquitetura This research investigates the affects of virtual 3D representation of real spaces on human perception. The proposal is carried out with the comparison of results from experiments conducted in physical rooms of various sizes at the University of Middlesex and their equivalent models developed in the software SketchUp 2013.

Anna Angélica da Silva Szczepanski Bento Existem diversas maneiras usadas por designers e arquitetos na indústria construtiva para reproduzir um espaço fielmente. No entanto, modelos 3D e animações computacionais, meios de comunicação comumente escolhidos pelos profissionais, não retratam o tamanho e dimensão de um espaço verdadeiramente e impedem o indivíduo de reconhecer a perspectiva de maneira completa como seria no espaço físico real. Considerando isso, outras maneiras de representar um espaço precisam ser desenvolvidas ou criadas. Esta pesquisa propõe avaliar as diferenças entre a percepção humana do espaço na vida real e na arquitetura virtual, por meio de métodos qualitativos para coleta de dados e investigação ao observar os participantes. Uma amostra aleatória de quinze estudantes da Universidade de Middlesex de diferentes categorias foi convidada para participar de duas etapas experimentais: Vida Real e Ambiente Virtual. Diferentes condições foram testadas pelos experimentos virtuais: 1) visão em 3ª pessoa sem os óculos de realidade virtual Sony e 2) visão em 3ª pessoa com os óculos.

Duas condições foram testadas em cada etapa – a estática e a em movimento – e, para a medição das dimensões, utilizou-se uma mesa como unidade de medida. A pesquisa foi realizada em três salas da Universidade de Middlesex e seus equivalentes modelados no software Sketch Up 2013 como réplicas de seus homólogos físicos. Para a condição estática, nos experimentos virtuais, duas imagens foram mostradas para os participantes. Para a condição em movimento, foi passada uma animação em que a câmera estava posicionada na altura do olho humano. Após a conclusão dos experimentos, os participantes foram instruídos a responderem perguntas sobre como eles sentiram o espaço que haviam visitado ou experimentado. Da análise dos dados conclui-se que a profundidade foi a dimensão com maior variação em sua percepção, fato que provavelmente ocorreu por ser a dimensão mais distante do olho e, portanto, com menor acesso acurado da visão. Os percentuais de redução de percepção do espaço do mundo físico para o espaço virtual encontram-se na tabela a seguir:

Os resultados mostram que a subestimativa aumenta conforme o tamanho do espaço aumenta. Fato consistente com a afirmação de Henry e Furness, em artigo do ano de 1993 para o Simpósio Anual de Realidade Virtual, de que é mais fácil para os seres humanos dimensionarem ambientes menores de maneira mais acurada que grandes espaços, pois podem observar mais o local sem distorções. Os ambientes virtuais podem, enfim, ajudar designers e arquitetos a avaliarem as características básicas do espaço em seus projetos e também a melhorar a comunicação entre eles e seus clientes. Orientador: Eduardo Rossetti Banca: Marcos Thadeu, Paola Caliari 17


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espaços de morte, fragmentos de identidade

a contribuição da cultura na produção espacial Punishment. Transition. Elevation. Overcoming. Evolution. Endless possible interpretations for the phenomena of death. By considering spaces of death as renditions of cultural practices, this work examines the incorporation of funeral rites in history and space, seeking possible relations between death and society.

Eduardo Duarte Ruas Na memória conservo a imagem enquadrada pela janela do carro. Um longo muro caiado de branco encimado por telhas laranja manchadas pelo tempo, amplificado pela magnífica visão infantil, ia serpenteando pela rua, quase engolindo aventureiros pedestres. Não me lembro de ter perguntado à minha mãe, calado que era, o que o muro protegia. Caso tenha perguntado, não duvido da resposta simples e objetiva que damos às crianças: um cemitério, filho. Cemitério é para onde vão os mortos, onde enterramos quem já morreu. Perfeito, cemitérios são os lugares onde moram os mortos. Cresci. Visitei cemitérios, são todos tão diferentes! Fui para países distantes. As diferenças se acentuaram. Cemitérios parecem casas, cada um tem o seu jeito próprio, a sua organização. E a 18

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definição já não cabia em mim. O que são cemitérios? Por que o anjo carrega flores? Mortos gostam de flores? E aquele muro? As casas não têm muros tão grandes, por que o cemitério tem? Chegado o momento de escolher um tema para escrever um ensaio, decidi responder perguntas infantis. Vou estudar cemitérios. Mas que tema mórbido, Eduardo! Não te parece triste? Não, não é triste, a morte é intrínseca à vida, é o que dá significado à existência humana, a morte é um pedaço do viver, não se vive sem morrer e não se morre sem viver. E não pense que a morte anda sumida do nosso mundo! Ela está aqui, nunca deixou de estar. A morte é a única que não morre. Seria um suicídio terrível. Não está sumida, ela está disfarçada,


Albrecht Durer, A morte e a sociedade.

aquela presença discreta vigiando a vida alheia. Nas cidades ela se disfarça de monumento turístico, como a Necrópole de Gizé construída em 2560 a.C.; a Abadia de Westminster, do século XI, que guarda os corpos de célebres personagens do reino; ou o deslumbrante Taj Mahal, construído para celebrar a memória de Mumtaz Mahal, a amante preferida de Shah Jahan. Em território nacional, temos o Obelisco do Ibirapuera, marcando a sepultura de 713 combatentes da Revolução Constitucionalista, e o Monumento aos Pracinhas, no Rio de Janeiro, celebrando a coragem dos soldados brasileiros mortos na II Guerra Mundial; mais perto ainda, o Memorial JK é um imenso jazigo no coração da Capital Federal. Os espaços de morte podem ser

considerados reflexos especulares das sociedades em que estão inseridos. Viajando no tempo, de 3500 a.C. aos dias de hoje, e no espaço, do polo norte e sua rica mitologia inuíte ao frutífero império aquemênida, onde surge o Zoroastrismo, pretendo estudar algumas das múltiplas facetas que a morte adquire mundo afora. E, ao me deter na análise de três importantes locais fúnebres – o Monte das Oliveiras, a mais importante necrópole judaica; o Manikarnikha Ghat, o emblemático crematório hinduísta; e o Cemitério Père Lachaise, uma das mais famosas necrópoles cristãs – explorar a materialização dos rituais e símbolos da cultura mortuária em espaços sagrados. Proponho que nos aproximemos da morte. Tão solitária, ela tem tanto a nos dizer!

Orientadora: Sylvia Ficher Banca: Maria Cecília Gabriele, Ricardo Trevisan 19


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o olhar dos corajosos brasília pelo olhar de uma família pioneira This work is comprised of a collection of accounts, memories and photographs illustrative of the journey of a family that moved to Brasília. Its intention is to identify the relationships established between lived space and these people.

Elizabeth Cristina Tenreiro Cavalcante A cidade de Brasília no início de sua construção era colocada como loucura para uns e como sinal de esperança para outros. Por meio de discursos vibrantes e cativantes, a nova capital era apresentada como o futuro moderno da nação, ao simbolizar em sua arquitetura um país em progresso e ascensão. Mas antes de tudo isso, Brasília era uma possibilidade para as pessoas que ali chegavam. O seu valor e importância iam muito além de seu simbolismo e de seus arquitetos renomados. A cidade era o novo palco de muitas vidas e lar de inúmeras famílias. A construção de suas memórias e histórias agora seria por intermédio do concreto, ruas e pilotis, que ao longo dos anos acumulariam sentimentos, risos, choros, conquistas e fracassos. Os olhos que viram, viveram e capturaram os momentos de novidade, estranhamento e felicidade nesta terra prometida são os guias deste ensaio. No caso, este trabalho se baseia na construção e análise de uma coletânea de 20

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memórias “lembradas” e espontâneas da família Raposo Tenreiro, que, vinda do Rio de Janeiro, iniciou sua jornada em Brasília em 1970. O Banco do Brasil foi a oportunidade para a vinda da família. Apesar dos incrédulos com as possibilidades de uma melhoria de vida em Brasília, a vontade de arriscar era maior. E os intitulados “corajosos” deixaram a cidade maravilhosa, cidade feita e vivida, para ir para o meio do nada, onde não havia mar. A vida em Brasília se desenrolou entre cobogós e pilotis, entre tranquilidade e dificuldades. Entre convites para “descer” e conversas debaixo do bloco e corredores, laços de amizades foram criados e, dentro da Superquadra, os vizinhos se tornaram uma grande família. Vindos de todo canto do Brasil, em Brasília respiravam brasilidade, com suas diferenças e misturas culturais. Ao coletar as histórias da família Raposo Tenreiro, foi possível ver claramente essa relação estreita do espaço vivido com as pessoas. Durante as

conversas, sentimentos e percepções da cidade se expunham por meio das memórias e fotografias. A delicadeza da memória apresentou-se, em especial, em sua capacidade de estimular dezenas de outras memórias em pessoas próximas ou distantes. A frase “memória puxa memória” representa bem o vivido, tendo em vista que, a cada novo fato contado, mais outros três eram lembrados, e dessa forma seguia-se em um círculo sem fim. Acredita-se que, por intermédio do resgate de memórias da população, a memória da comunidade é fortalecida. Paralelamente à memória voluntária, a transferência de relatos e ensinamentos ao longo das gerações também possui um forte papel na conscientização histórica dos locais e na construção de novas ações para o futuro. Cabe, portanto, tentar recriar laços identitários entre a população e seu meio, entre netos e avós, entre o presente e o passado, para fortalecer a memória social e a consciência de valorização do Patrimônio Cultural.


Fotografias fornecidas por Elizabeth Cristina Tenreiro.

Orientadora: Maria Cecília Gabriele Banca: Cláudia Garcia, Mônica Amorim 21


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joão filgueiras lima industrialização na construção João da Gama Filgueiras Lima, also known as Lelé, is one of the pioneers in the industrialization of construction in the country. The greater demand for rationalization and industrialization of construction in Brasília, executed within a tight timeframe, sparked his interest in these building processes.

Croqui de João Filgueiras Lima.

Luiz Felipe Chaves Baracat Observando desde o começo do emprego de elementos pré-fabricados em construções em um cenário global, o presente ensaio teórico irá abordar como esta técnica começou no Brasil e foi amplamente utilizada pelo arquiteto João Filgueiras Lima. Buscou-se formar um quadro que mostra o desenvolvimento do conceito de obra industrializada (pré-fabricada) nas construções do arquiteto, com foco em três fases, conforme os materiais empregados: concreto armado, argamassa armada e aço. O arquiteto João Filgueiras Lima (1932-2014), mais conhecido como Lelé, foi um dos mais expressivos expoentes da arquitetura moderna que esteve em atividade neste início do século XXI. Por quase cinco décadas ele desenvolveu uma obra fundamentada na racionalidade construtiva, na funcionalidade espacial, na economia dos meios, na preocupação com recursos naturais, na eficiência energética e no conforto ambiental, na pesquisa, aprimoramento e inovação no campo da industrialização da construção e na busca de uma dimensão humana 22

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e racional em suas realizações. Foi um arquiteto que trouxe em sua bagagem significativas experiências como: a implantação dos projetos de paradas de ônibus da Companhia de Renovação Urbana de Salvador (RENURB), as construções na Universidade de Brasília, a concepção pioneira das escolas transitórias de Abadiânia em Goiás, a Fábrica de Equipamentos Comunitários de Salvador, a criação dos CIACs e dos hospitais da Rede Sarah, como afirma Ana Guimarães, em A obra de João Filgueiras Lima. Com o decorrer do tempo e o avanço nas tecnologias dos materiais e técnicas empregados, fica clara essa tendência a uma maior industrialização e uma racionalização tanto na elaboração quanto na execução dos projetos. Entender todo o processo e atribuir valores a todo conhecimento desta técnica é essencial. Outro ponto a ser analisado nesta pesquisa são as consequências resultantes da industrialização, e a avaliação de seu impacto. A arquitetura moderna, os materiais utilizados em suas obras e uma

abordagem arquitetônica ancorada na sensatez construtiva aliados a um funcionalismo excepcional fazem com que as construções de Lelé sejam objetos de estudo para muitos e referências para arquitetos atuantes no campo profissional. Esse modo com que se engajava em seus projetos, colocando a tecnologia a serviço do bem-estar do maior número de pessoas e trabalhando constantemente para resolver os problemas, tornou-o arquiteto dos mais significativos. João Filgueiras Lima foi pioneiro em muitas técnicas e processos na cadeia construtiva. Ele conseguiu realizar a verdadeira “industrialização da construção“, como sonhada por Jean Prouvé: a edificação é “fabricada“, como se fosse um carro, depois transportada e montada no seu endereço definitivo, como o que vinha acontecendo nas diversas fábricas por ele armadas e no Centro de Tecnologia da Rede Sarah. Orientador: Oscar Ferreira Banca: Cláudia Garcia, Maria Cecília Gabriele


blocos impressos a questão da preservação dos blocos residenciais das superquadras de brasília no correio braziliense This essay looks at the relationship between the articles published by the newspaper Correio Braziliense and the assessment of the residential buildings of Brasília’s superblocks. The study of sources on modernist residential architecture forms a framework to propose case studies that could lead to a better understanding of the link between architecture and print media.

Marina Azevedo Lira Ao conversar com moradores de superquadra brasiliense, percebe-se que estes não detêm um conhecimento técnico acerca da arquitetura e do patrimônio moderno de Brasília. Para muitos, os textos publicados em alguns jornais e sítios virtuais (como o Correio Braziliense) são a fonte única de um limitado conhecimento sobre a história da arquitetura residencial moderna brasiliense. É ao conjunto desses textos que aqui denominamos Blocos Impressos. No entanto, quais são os valores da arquitetura moderna que o Correio Braziliense transmite ao leitor leigo em suas reportagens acerca dos blocos residenciais da superquadra brasiliense? Com base nessa questão, o trabalho propôs a análise de uma seleção de reportagens publicadas no Correio entre 2009 e 2011 acerca dos blocos residenciais de superquadra. Como referencial teórico, utilizou-se o artigo “Por uma agenda de discussões sobre a conservação da Arquitetura Moderna”, de Flaviana Lira, no qual são apresentadas as particularidades da Arquitetura Moderna, seus valores e premissas

para sua manutenção. Nesse artigo, as premissas são tidas como sugestões para a melhor conservação dessa arquitetura e, no contexto deste ensaio, serviram de ponto de partida para a análise das reportagens selecionadas. A partir das sete premissas (significância cultural, experimentalismo, função útil, relação edifício-entorno, materiais, pátina e possíveis adições ao bloco residencial), as reportagens relativas aos blocos de superquadra foram analisadas e documentadas em fichas elaboradas pela autora. Por fim, obteve-se um resultado positivo: dos 73 pontos encontrados relativos às premissas da Arquitetura Moderna, 50 estavam de acordo com o discurso competente, o que corresponde a 68% dos pontos analisados. Dentro disso, a significância cultural e a relação entre o edifício e o entorno foram os pontos mais comentados, mostrando que, dentro do contexto do trabalho, a sociedade e/ou o autor da reportagem valorizam a arquitetura moderna. Trata-se, principalmente, da relação que o bloco estabelece com a

superquadra e seus equipamentos, aproximando seus discursos aos da professora Flaviana Lira e do IPHAN. No entanto, pouco foi encontrado em relação aos materiais e à pátina, ou seja, no universo estabelecido pelo recorte temporal, não foi possível perceber uma valorização considerável dos materiais originais e do envelhecimento coerente com o que foi estabelecido no projeto original. Como possível desdobramento, o trabalho aponta para uma mudança na educação patrimonial dos moradores dos blocos residenciais e dos próprios jornalistas, considerando que as questões relativas aos materiais e à pátina merecem maior destaque e melhor explicação. Além disso, outro desdobramento seria a análise dos blocos residenciais mais novos que não possuem características tão marcantes da arquitetura moderna, identificando quais seriam os valores dignos de preservação e quais são, de fato, mencionados em reportagens do Correio Braziliense. Orientadora: Ana Medeiros Banca: Luciana Saboia, Oscar Ferreira 23


arqui #5

o “quartinho de empregada” e seu lugar na morada brasileira This study draws attention to a domestic space that is often neglected, despite being versatile and culturally incorporated into our dwellings: the servants´ quarters. From a historical overview of its disposition in the Brazilian house, the work examines the social relations (employer/employee) it promotes and its dis(use) in modernist and contemporary housing projects.

Maíra Boratto Xavier Viana A dependência de serviço, popularmente conhecida por “quartinho de empregada”, passou por muitas transformações ao longo da história da casa brasileira. No período Colônia-Império, originou-se como senzala (edifício à parte ou no porão da casa principal) abrigando escravos. Em fins do século dezenove foi renomeada. Como edícula localizou-se na parte posterior do lote urbano, composta por quarto, banheiro, tanque e garagem. Quando próximo à casa, pediu licença, entrou pela porta dos fundos e acomodou-se ao lado da 24

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cozinha, compondo a área de serviço. Na verticalização do século vinte, galgou pavimentos por circulação secundária e se espremeu junto aos ambientes serviçais dos apartamentos. Hoje, tornou-se um pequeno cômodo que, por estar em desuso, é ocupado por quinquilharias e traquitanas. Das casas-grandes e senzalas às casas atuais, o enfoque do trabalho foi pesquisar tal espaço – compreendido por quarto e banheiro para funcionários –, mediante exemplares de casas paulistas modernistas e contem-

Fonte: Cozinhas, etc. de Carlos Lemos.

porâneas de arquitetos renomados. Para isso, tomamos por referência as obras: História da casa brasileira, de Carlos Lemos, Quadro da arquitetura no Brasil, de Nestor Goulart, e 500 anos da casa no Brasil, de Francisco Veríssimo e William Bittar; além de breve análise sobre a história da estrutura social a partir de Casa-grande & senzala, de Gilberto Freyre, e História da vida privada no Brasil, de Fernando Novais et al. Exemplares habitacionais modernistas e contemporâneos foram selecionados a partir dos livros Arqui-


História da vida privada no Brasil, v. 4, p. 212. Lilia Moritz Schwarcz (Org.).

tetura moderna paulistana, de Alberto Xavier et al., e Casas brasileiras, de Roberto Segre. Entre as questões iniciais deste Ensaio destacam-se: por que motivo surgiu a dependência de serviço? Por que ela é tão recorrente na arquitetura residencial brasileira? Seria o “quartinho de empregada” uma senzala contemporânea? Sua localização teria relação direta com uma hierarquia social? Como arquitetos tratam tais espaços? Seriam ainda pertinentes nas residências contemporâneas?

Enfim, inquietações que orientaram nossa compreensão sobre a origem e as transformações da área de serviços. Percebeu-se a partir de vinte exemplares projetados entre 1927 e 2010 que a maioria dos arquitetos posiciona o “quartinho” como um cômodo de baixo escalão na hierarquia da espacialidade doméstica, distante dos olhares da família e de seus visitantes. Numa sociedade escravocrata, a senzala era assumidamente um espaço do conjunto doméstico. Com a Abolição (1888), tais funções ficaram veladas,

atribuídas a prestadores de serviços menores, cujos direitos trabalhistas foram regulamentados apenas em 2015 com a “PEC das Domésticas”. Os arquitetos, por sua vez, assumem papel de meros reprodutores – não questionadores – dessas relações sociais, conectadas historicamente por hábitos, costumes e relações serviçais.

Orientador: Ricardo Trevisan Banca: Eduardo Rossetti, Maria Cecília Gabriele 25


arqui #5

mobilidade e brasília This essay deals with urban form as an enabler of urban mobility, with the city of Brasília as a case study. It identifies the spatial characteristics that support urban mobility, showing the presence of these features in the Pilot Plan and indicating the possibilities of intervention in this World Heritage Site with the aim of boosting mobility.

Marina Madsen Entre as motivações desta pesquisa, podemos citar o fato de que a maioria dos trabalhos sobre mobilidade enfoca o desempenho do sistema de transporte público, em detrimento do papel das características configuracionais do espaço. Também nos motivou uma crítica recorrente ao urbanismo modernista de Brasília: a ausência de mobilidade. Como bases conceituais sobre as relações entre mobilidade e forma urbana são utilizados estudos sobre as características das cidades compactas e dispersas e suas influências sobre os níveis de mobilidade. Foi utilizada a tese de doutorado de Caroline Duarte Alves Gentil (2015), na qual a autora sintetizou em quatro os elementos da forma urbana que mais influenciam a mobilidade, sendo eles: alta densidade, uso misto do solo, continuidade e conectividade. Em outra vertente se consideraram os fundamentos do urbanismo modernista, como suas características comparecem no Plano Piloto e os fundamentos do tombamento de Brasília para proceder 26

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à análise da área especificada de estudo, a unidade de vizinhança SQS 308, 307, 108, 107, a que melhor representa os elementos originais do Plano Piloto. O método de análise envolveu a comparação entre os elementos facilitadores da mobilidade e as características da área de estudo, fazendo uso, ainda, da historiografia para complementar o que não foi possível somente pela base conceitual e os fatos. Os achados em relação aos elementos analisados são: (i) densidade – há predominância das baixas densidades, o que se contrapõe ao entendimento de que o aumento da densidade pode auxiliar na redução das viagens por veículo se planejado junto com a oferta de transporte público e uso misto do solo; (ii) uso misto – existe predominância da segregação das funções, em outras palavras, o zoneamento rígido propicia o aumento das distâncias entre atividades e, consequentemente, o aumento dos deslocamentos, impactando negativamente a mobilidade urbana; (iii) continuidade – foi constatado um

espaço bastante rarefeito e constituído pelo somatório de objetos isolados, resultando num espaço permeado por espaços vazios; (iv) conectividade – foi identificada baixa conectividade entre as edificações, pontos de parada de ônibus, estacionamentos, áreas de convivência, comprometendo a circulação de pedestres e a acessibilidade por diferentes modais de transporte. Essas se devem às condições ou localização dos passeios, à existência de barreiras topográficas e a vários outros aspectos da paisagem que são tratados nos projetos de paisagismo. Como resultado, o estudo aponta que a conectividade é o elemento da forma urbana com maior viabilidade de sofrer intervenções em consonância com o tombamento, por não dizer respeito necessariamente às características do urbanismo modernista e, sobre ele, foram recomendadas algumas diretrizes de intervenção. Orientadora: Maria do Carmo Bezerra Banca: Benny Schvarsberg, Giselle Chalub


setor cultural sul a configuração do espaço projetado, construído e vivenciado The work covers the process of transformation of spaces in the South Cultural Sector, which represents fifty-five years of planning and of dynamic creations. It looks at the way in which the South Cultural Sector symbolizes various moments of longing for change and how it is a leading cultural element within the architectural complex of Brasília.

Tamara Cortez Grippe O ensaio abordou a configuração do Setor Cultural Sul de Brasília e buscou compreender as características do espaço que foi se modificando ao longo da história da cidade. Também avaliou os aspectos que se contrapõem entre o Plano Piloto realizado por Lucio Costa e as diversas propostas elaboradas por Oscar Niemeyer e outros arquitetos para o local e, dentre essas, uma construída e consolidada. O espaço do Setor Cultural Sul passou por configurações distintas e, consequentemente, por apropriações diversas ao longo dos 55 anos de Brasília. Entretanto, seu espaço permaneceu caracterizado por um vazio moderno. Desse modo, busca-se avaliar como esse espaço vazio é configurado e reconfigurado ao longo do tempo. O Eixo Monumental tem bastante expressão dentro do Plano Piloto de Lucio Costa. É relatado como um eixo central perpendicular ao eixo rodoviário e dotado de setores, entre eles, o Setor Cultural Sul. Esse setor compõe um espaço transicional entre a escala monu-

mental e a gregária e é ponto crucial na costura de um todo coerente e realista. Como recorte do estudo, definiu-se a área entre a plataforma e a catedral metropolitana da cidade. Com intuito de analisar o Setor Cultural Sul, buscando entender o modo como ocorreu o período anterior à sua configuração como espaço projetado, foi preciso considerar que a construção de Brasília ocorreu em um período político e econômico de grande otimismo e desenvolvimento no Brasil. Levando em consideração o projeto urbanístico da cidade, nos setores de diversão e setores comerciais, que são contíguos aos setores culturais na Esplanada, define-se a escala gregária proposta por Lucio Costa. O tratamento pretendido é, portanto, explicitamente pitoresco. A melhor forma de compreender a vivência é de fato se apropriando do espaço e entendendo que as pessoas o habitam. E, a partir disso, é possível notar que o vazio se torna tanto inóspito quanto inseguro nos dias da semana. Já

nos fins de semana e feriado, ou quando ocorre um evento que atrai maior público para o eixo monumental ou mesmo especificamente para algum dos edifícios do complexo cultural, ele é então ocupado, e notoriamente apropriado por mais usuários. O museu e a biblioteca, que abrigam grande história de troca e mudança de ideais e reformatação em projetos, carregam em si um significado extremo. A imponência das construções aliadas ao traço de Niemeyer quebra o contexto ao seu redor e coloca em evidência a cultura como parte integrante e importante do complexo arquitetural de Brasília. Além disso, se alinha com a escala monumental, que é proposta ao setor, por conta de sua localização. O espaço, portanto, se torna mutável apenas baseado no habitar, na reconfiguração do espaço a partir de sua vivência e apropriação. Orientadora: Luciana Saboia Banca: Ana Medeiros, Eduardo Rossetti 27



NOVOS ARQUI TETOS


diplô É

com imensa satisfação que apresento os trabalhos de conclusão de curso (TCC) do segundo semestre de 2015. Agora com uma novidade: os graduandos da primeira turma do curso noturno. Nesse semestre a FAU/UnB formou 62 novos arquitetos, sendo dezesseis do curso noturno. Parabenizo os alunos Camila Silva Coelho Castro, Camyla Ramiro Braz, Daniela Wanderley Freire, Danielle Gressler de Brum, Felipe Cláudio Ribeiro da Silva, Fernanda Galvão Vieira Ribeiro, Fernanda Mazzilli Toscano de Oliveira, Guido Saboya de Aragão, Izadora Carvalho Laner, Jacqueline Barbosa, José Henrique Pereira de Freitas, Manoel Jimenez Castro, Priscila Miti Yajima de Morais, Susanna Almeida dos Santos, Tadeu Alan Brasil de Souza Alves, Vinícius Carvalho Lopacinski e professores pelo empenho em oferecer um trabalho com a mesma qualidade do curso diurno e pela disponibilidade em colaborar para a consagração deste novo turno. Outra grande novidade do semestre foi o evento que marcou a abertura da exposição dos trabalhos de Diplomação e o lançamento da quarta edição da revista ARQUI. O evento ocorreu no dia 4 de dezembro. Teve início com a palestra do arquiteto paulista Angelo Bucci, um profissional com uma sólida carreira, com grande atuação no mercado de trabalho e na Universidade. Agradeço imensamente, em nome de toda a equipe responsável pelo evento, ao Bucci pela disponibilidade e grande contribuição. Após a palestra, o arquiteto Matheus Seco, presidente do IAB-DF, entregou certificado aos quatro graduandos que tiveram seus projetos selecionados

como destaques do semestre anterior, uma forma de reconhecimento à excelência de seus trabalhos. Com essa iniciativa o IAB-DF mostra contribuir para maior qualificação do ensino de Arquitetura e Urbanismo. Parabenizo ao Matheus, como representante do IAB-DF, pelo apoio à comunidade acadêmica. Dada a importância deste acontecimento a FAU decidiu por sua realização semestral. Os TCCs desta edição serão apresentados dentro de temáticas. Esse formato visa melhor organização e maior apreensão de todos os temas tratados. Assim, os trabalhos foram distribuídos dentro dos seguintes grupos: projetos de arquitetura, que incluem temas institucionais, de cunho social, religioso, entre outros; reabilitação de edifícios; requalificação urbana; tópicos especiais. Mais uma vez os temas refletem a preocupação destes jovens com os problemas da urbe, sem deixar de lado as questões sociais e ambientais. É importante lembrar que, como ocorreu nas edições anteriores, de acordo com critério estabelecido por comissão de professores, serão mostrados os trabalhos com menção superior. Além dos grupos de temas serão mostrados sete trabalhos que foram selecionados como destaques desta edição. Por essa classificação estão publicados com maior espaço e em páginas anteriores aos demais. Por fim, agradeço a dedicação de sempre dos professores e técnico-administrativos.

Paola Caliari Ferrari Martins Coordenadora de Diplomação


It is with great pleasure that I present the thesis projects of the second semester of 2015. This time with something new: graduates from the first class of the evening graduate program. This semester sixty-two new architects graduated from FAU-UnB, sixteen of them from the evening graduate program. I congratulate the students Camila Silva Coelho Castro, Camyla Ramiro Braz, Daniela Wanderley Freire, Danielle Gressler de Brum, Felipe Cláudio Ribeiro da Silva, Fernanda Galvão Vieira Ribeiro, Fernanda Mazzilli Toscano de Oliveira, Guido Saboya de Aragão, Izadora Carvalho Laner, Jacqueline Barbosa, José Henrique Pereira de Freitas, Manoel Jimenez Castro, Priscila Miti Yajima de Morais, Susanna Almeida dos Santos, Tadeu Alan Brasil de Souza Alves, Vinícius Carvalho Lopacinski. I also congratulate the professors in their commitment to a work of the same standard as that of the daytime graduate course and in their willingness to collaborate in the establishment of this program. Another great new feature of the semester was the event that marked the opening of the thesis projects exhibition and the launch of the fourth issue of the ARQUI journal. This took place in the 4th of December. It began with a lecture by the architect Angelo Bucci from the city of São Paulo, an example of a professional with a solid career, involved in the architectural practice and at the University. A great thanks to Bucci on behalf of the entire team responsible for the event, for his willingness to participate and his great contribution. After the lecture, the architect Matheus Seco, president of the IAB-DF, handed out certificates to the four graduates whose projects were selected as outstanding,

as a form of recognition of the excellence of their work. This initiative of the IAB-DF represents a further endorsement of the teaching of Architecture and Urbanism. I applaud Matheus, as a representative of the IAB-DF, for his support of the academic community. Given the relevance of this event, our School has decided to host it every semester. The thesis projects of this issue will be grouped in themes. This format aims at a better organization and greater understanding of the topics covered. Thus the projects were distributed among the following groups: architectural projects, which include institutional, social, religious as well as other themes; rehabilitation of buildings; urban regeneration; and special topics. Once again, the themes reflect the concern of these young architects for the issues of the city, without disregarding social and environmental matters. It is important to remember that the projects with maximum scores are published, as has been the case in past issues, based on the criteria established by a committee of professors. Besides the thematic groupings, seven projects chosen as outstanding will be presented in this issue. Due to this rating, they have been published first and have received more coverage. Finally, I would like to thank the continued dedication of the professors and administrative staff.

Paola Caliari Ferrari- Graduation Project Coordinator


arqui #5

destaques

setor cultural norte Aluno: José Henrique Freitas /// Orientação: Bruno Capanema e Eduardo Rossetti

O trabalho de diplomação de José Henrique Freitas enfrenta um desafio projetual singular de Brasília: resolver o Setor Cultural Norte. Em que pese tal circunstância, trata-se de um setor urbano de enorme carga simbólica e imagética no âmago da escala monumental, que tem diversas propostas elaboradas pelo próprio Oscar Niemeyer. O projeto surpreende, apresentando boa soluções de implantação, uma solução formal clara, concisa e estruturalmente adequada. Assim, o projeto define boas correlações com o Teatro Nacional e com o Setor Cultural Sul, contribuindo com uma nova dinâmica ocupação contemporânea da Esplanada.

imposto combustível, proposto conexão Aluna: Júlia Solléro de Paula /// Orientação: Gabriela Souza Tenório

Este trabalho traz um significado completamente novo para um equipamento de função específica. Mostra que há potencialidade onde nem sequer imaginávamos. Ao propor transformar – em etapas – postos de gasolina em pontos de conexão, articulados dentro de um sistema de transporte público local, considerando redes de pedestres e ciclistas e práticas sociais existentes, cria locais de referência, troca e apoio para os cidadãos de Brasília. Depois dele, nunca mais veremos um posto de gasolina da mesma maneira!

rede de transporte multimodal de anápolis Aluna: Letícia Pacheco dos Passos Claro /// Orientação: Giselle Chalub Martins

Ciente da importância estratégica das cidades médias na rede urbana brasileira, Leticia Claro elabora uma nova proposta de mobilidade para a cidade de Anápolis a partir do conceito de fluidez territorial. Trata-se de um trabalho de planejamento urbano realizado com muito fôlego, seriedade e competência que resulta na rede de transporte multimodal de cidade. É um projeto que busca conectar importantes centralidades de Anápolis, respeitando seu conjunto heterogêneo, porém articulado e coeso, além de prever formas de adensamento e expansão da cidade. 32

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unb e o lago Aluno: Manoel Jimenez Castro /// Orientação: Eduardo Pierrotti Rossetti

O trabalho de diplomação de Manuel Jimenez de Castro problematiza as relações entre a UnB e o Lago Paranoá. O projeto explora a possibilidade de uma futura ampliação do câmpus poder definir um uso público efetivo para usufruto da orla do lago, francamente aberto para a cidade e para a sociedade. Para fortalecer novos usos da orla, são elaborados espaços para atividades de lazer, ricas situações paisagísticas que mantêm áreas do cerrado, infraestrutura para esportes náuticos e integração do Lago ao sistema de transportes urbanos.

mini haus Aluno: Marcelo Braga /// Orientação: Raquel Blumenschein

A Mini Haus é resultado de pesquisa dedicada a oferecer uma solução para a demanda de habitações em um contexto que enfrenta desafios de falta de espaços urbanos, intenso uso de tecnologia, mudança de hábitos, além da necessidade de se construir com sustentabilidade, fortalecendo a resiliência de comunidades. O trabalho alinha-se com os objetivos de pesquisa do Parque de Inovação e Sustentabilidade do Ambiente Construído (PISAC) em processo de implantação no Campus da UnB no Gama e que foca no desenvolvimento, teste e demonstração de soluções inovadoras e sustentáveis. Agradeço a oportunidade de ter orientado o Marcelo!

a rua do jovem no varjão Aluna: Natália Bomtempo Magaldi /// Orientação: Liza Andrade

“A Rua do Jovem do Varjão”, hoje um evento no calendário na RA do Varjão, é resultado de um grande esforço para envolver a comunidade no projeto de intervenção urbanística da Avenida Principal. Trata-se de uma via que recebe concentração de crianças e jovens em busca de atividades de lazer, e ainda não contempla espaços adequados, causando atropelamentos. Foram realizadas entrevistas e caminhada “Jane’s Walk”, bem como se desenvolveram mapas mentais e jogo dos padrões, o que resultou numa reconfiguração para a Avenida Principal.

museu do mobiliário brasileiro Aluna: Vinícius Carvalho Lopacinski /// Orientação: Eliel Américo

O Museu do Mobiliário Brasileiro localiza-se no setor oeste do Eixo Monumental do Plano Piloto. Em resumo, a escala do projeto não se direciona à monumentalidade. Tal opção é caracterizada por dois espaços retangulares: o primeiro, conciso e transparente, abriga as exposições de peças do mobiliário brasileiro; o segundo, aberto, possui blocos de escola, auditório e uma praça de redes para repouso e atividades lúdicas. Com tudo isso, a proposta procura uma integração com o Parque da Cidade e a Torre de Televisão, assim como com suas atividades. 33


arqui #5

setor cultural norte e o espaço da música brasileira

Within the efforts to revitalize the North Cultural Sector, the work proposes the construction of the Space for Music, a place that pays tribute to Brazilian music and promotes national cultural identity, in a project aimed at improving the conditions of use of the center of Brasília.

José Henrique Freitas 34

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Renderização por José Henrique Freitas.

A ideia de propor algo para o Setor Cultural Norte nasceu com o intuito de melhorar a vida dos transeuntes da área central do Plano Piloto, em virtude de uma série de desconexões existentes. Após o estudo de propostas já feitas para a área e uma análise do Eixo Monumental, chegou-se à conclusão de que um espaço que homenageasse a música brasileira é o complemento que faltava ao Setor Cultural de Brasília. O Espaço da Música Brasileira seria de amplo aproveitamento cultural por parte da cidade, de acesso público e com a implementação de área comercial; para potencialização do uso gregário, algo essencial para a revitalização dessa área da cidade, que diariamente é apenas local de passagem dos trabalhadores dos setores adjacentes. A implantação do edifício nasce a partir de um estudo compositivo de toda a Esplanada dos Ministérios. Seu comprimento foi definido pelo espaço vazio entre a Biblioteca e o Museu Nacional (no Setor Cultural Sul), gerando um equilíbrio antagônico. Sua locação na parte posterior da área foi uma decisão de respeito às visuais dos pedestres do Teatro Nacional e à

perspectiva livre do Congresso. Essa adoção de forma unitária, horizontalmente dominante, se tornou o melhor estudo para resolver a articulação nessa escala monumental. As fachadas do edifício são as próprias treliças estruturantes. Feitas em banzos paralelos com contraventamentos, elas ajudam a vencer o vão de 128 metros. Os módulos internos do edifício se conformam como notas musicais em um pentagrama, criando visuais inesperados aos usuários e permitindo uma sensação de movimento. À noite, o edifício tem seus módulos acesos, apresentando as notas à cidade. O antigo estacionamento do Teatro Nacional deu lugar a uma praça que o conecta ao novo Espaço da Música. Um elemento de circulação vertical foi implantado para facilitar essa ligação e o acesso de pedestres para os níveis do subsolo. A principal praça, semienterrada, se abre no grande espaço para direcionar as pessoas para a rampa de acesso à N2 e para a concha acústica criada ao fim do Setor, com cobertura composta por cinco finas folhas de concreto armado que cobrem o palco.

Para finalizar a composição do Setor, uma torre de audiovisual foi implantada no encontro de duas importantes diagonais, servindo como apoio para caixas de som e refletores para os eventos. O Espaço da Música Brasileira parte de um ufanismo jovem e acalorado de emoções. O mesmo que ignora gênero, raça, cor, número. Que aceita o povo brasileiro como é, que exige respeito e acredita em um futuro melhor. Que olha para a Esplanada estabelecida e tenta trazer um novo ar para a cidade. Brasília, capital da esperança. O mesmo lema da construção da cidade continua após sessenta anos. Ainda temos esperança de melhorar a cidade, a segurança pública, a ocupação dos espaços vazios, a mobilidade urbana, o combate à especulação imobiliária e o crescimento desordenado de seu espaço. Uma solução espacial pode (re)construir o sentido de esperança que outrora marcou a história da nossa cidade. Orientador: Bruno Capanema Co-orientador: Eduardo Rossetti Banca: Claudia Garcia, Luciana Saboia Convidado: Matheus Seco 35


arqui #5

imposto combustível, proposto conexão transformando o ordinário em extraordinário This project engages in the deconstruction and reframing of consolidated spaces in the city of Brasília by pointing out the large amount of gas stations that exist in the Pilot Plan and proposing a better use of these places as hubs of diverse sustainable transportation modes.

Júlia Solléro de Paula Brasília nasceu no auge do modernismo, cujo símbolo maior era o automóvel. Indubitavelmente seu traçado é resultado dessa então nova forma de se deslocar pela cidade. Hoje, 55 anos depois, nossa capital não é mais projeto sonhado, mas realidade ocupada, revelando cada vez mais suas qualidades e também seus excessos e carências. Dentre alguns dos problemas que poderiam ser assinalados, um deles chama a atenção justamente por sua aparente invisibilidade: a enorme quantidade de postos de combustíveis concentrados na Asa Sul e Asa Norte. São 66 postos nas Asas: 34 na Asa Sul e 32 na Asa Norte. Quando comparamos o número de unidades de postos de uma área com a mesma superfície da Asa Sul e áreas centrais de outras capitais brasileiras, claramente muito mais adensadas que Brasília, os valores são sempre menores (21 para São Paulo e 18 para o Rio de Janeiro, por exemplo). A própria população já tomou consciência do número elevado de postos, quando, em fevereiro de 2015, protestou contra a instalação de um deles na Superquadra 315 norte, alegando “ter um posto logo ali”. Além disso, vemos postos serem abandonados e fechados constantemente no Plano Piloto, sem que a ausência de um ou de outro cause prejuízo relevante para seus usuários. Não seria o momento adequado de repensar o significado e o potencial perdido em tais espaços? 36

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Colagem por Eduarda Aun.

Os postos das superquadras, por estarem fortemente relacionados a um fluxo diário de pessoas, têm fortes tendências a ir perdendo gradativamente as funções de posto de combustível e ir adquirindo um caráter de conector entre diferentes modais de mobilidade urbana. No entanto, como os postos dos eixinhos ainda têm uma relação muito estreita com o carro, fruto de um traçado urbano ainda muito enrijecido, neles a função de posto de combustível é mantida, mas algumas atividades de apoio são adicionadas ao seu escopo, principalmente voltadas para suporte ao Eixão do Lazer aos domingos. Dentre as novas atividades propostas, algumas delas são: captação de energia solar, reuso de água da chuva, compartilhamento de bicicletas, compartilhamento de carros, áreas de estar, abastecimento para veículos elétricos, bicicletários, redários, banheiros públicos etc. Por serem propostas que exigem concomitantemente a tomada de consciência da população acerca de tecnologias mais avançadas que acarretam inclusive mudanças quase culturais dos brasilienses, o projeto foi pensado em duas fases. Uma primeira fase de testes mais rápida de ser implantada, e uma segunda mais longa, baseada fortemente na análise aprofundada dos resultados de adesão ou não da população em um primeiro momento.

Orientadora: Gabriela Tenório Banca: Flaviana Lira, Giselle Chalub, Igor Campos, Leandro Souza Convidado: Rodrigo Biavati 37


arqui #5

rede de transporte multimodal de anápolis plano de mobilidade da cidade média Acknowledging the relevance of the mid-sized Brazilian cities as hubs of growth, the project proposes a new Mobility Plan for the city of Anápolis, in the state of Goiás, remodeling the layout of its urban network based on modern guidelines of sustainable cities, which are smarter and more flexible.

Renderização por Letícia Pacheco.

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Letícia Pacheco dos Passos Claro A rede urbana brasileira vem se alterando sobretudo nos últimos quarenta anos, e os novos (re)arranjos dessa rede colocam as cidades médias como importantes centros irradiadores de desenvolvimento. As mudanças na hierarquia convencional da rede urbana se dão, principalmente, pelas novas imposições do mercado globalizado que rompe com as fronteiras nacionais e atua como agente modificador do espaço. A articulação da escala interurbana e a intraurbana coloca em cena o papel do desenho urbano em criar e repensar o contexto das cidades reforçando as potencialidades do local e buscando cidades mais sustentáveis e inteligentes. A articulação dessas escalas revela a importância de se pensar a cidade para além do seu território, como parte de uma rede urbana em que o conjunto de cidades e áreas rurais estrutura a produção, circulação e também a conformação das próprias cidades. Anápolis, desde a sua criação, é uma cidade de localização estratégica, um nó rodoviário no centro do Brasil. Essa potencialidade foi explorada ao longo da história e contribuiu para a consolidação de um dos mais importantes centros atacadistas e polos industriais do país. Porém, na escala intraurbana a cidade apresenta grandes contradições, como a fragmentação urbana e o despreparo em administrar seus recursos naturais, que afetam o desenvolvimento da cidade, a qualidade de vida da população e também o desejo de atrair o capital produtivo. A elaboração da proposta de mobilidade para Anápolis parte do conceito de fluidez aplicado à mobilidade de pessoas, uma vez que uma cidade fluida é aquela em que seus moradores têm livre acesso à cidade de forma rápida, eficaz e eficiente. O projeto da Rede de Transporte Multimodal de Anápolis é de um plano de mobilidade para a cidade e sua rede urbana de hoje e para a cidade de amanhã baseado na multimodalidade dos sistemas de BRT, VLT, Microônibus Alimentador, rede não motorizada e transporte de carga. Esses sistemas são estruturados em anéis e eixos estruturadores no sistema viário Anapolino e aplicados em uma rede hierárquica em diferentes partes da cidade de acordo com suas características individuais. Essa rede parte também de um projeto integrado de expansão e adensamento, privilegiando e reforçando a compacidade de Anápolis e sua articulação com as cidades de sua rede urbana e também áreas rurais. Esse projeto incita o pensar do planejamento em várias esferas e, principalmente, o entendimento do desenvolvimento a partir da rede urbana e das demandas do capital produtivo, o qual tem um importante papel na estruturação de Anápolis. Dessa forma, o principal objetivo desse projeto é promover maior fluidez à cidade a partir de um plano de mobilidade integrado, articulado e flexível, que se adéqua a uma cidade ambientalmente sensível, às necessidades econômicas da indústria anapolina e também à necessidade da população de uma das mais importantes cidades médias do Centro-Oeste.

Mapa das redes de transporte, por Letícia Pacheco.

Oriendadora: Giselle Chalub Banca: Benny Schvarsberg, Marcos Thadeu, Maria Bezerra Convidado: Anderson Ferreira 39


arqui #5

unb e o lago

projeto de uso e ocupação da gleba b da unb Seeking alternatives for the waterfront of the Paranoå Lake, which has been chiefly occupied by private residences and recreational facilities, the project proposes a new methodology for the occupation for the entire waterfront, aimed at recovering public space and democratizing this area, making it open to all.

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Planta e perspectiva geral por Manoel Jimenez.

Manoel Jimenez Castro C O N T E X T O - O Lago Paranoá é elemento estruturador da paisagem natural do extenso vale no qual foi implantado o Plano Piloto, constituindo assim um referencial para a elaboração da proposta. Não haveria cidade sem o lago. Embora Lucio Costa tivesse previsto que as margens do lago se destinariam aos “passeios e amenidades bucólicas de toda a população urbana”, elas foram predominantemente ocupadas por residências e clubes recreativos privados. A falta de regularização, de administração e de fiscalização soma-se à falta de civilidade da população e de projeto urbanístico. Consequentemente, as ocupações ilegais restringem o acesso público à orla. LOCAL - A fim de encontrar um local adequado para a implantação de uma proposta de ocupação modelo para as

margens do Lago Paranoá, que irá incentivar ou demandar novos projetos para outras áreas, encontrou-se na Universidade de Brasília uma região intocada com legislação específica, que permite maior flexibilidade à proposta de intervenção. A Gleba B da UnB é um terreno central ao Plano Piloto, que margeia o lago, e pode conectar-se com transportes náuticos, além de ser acessível pela via L4 Norte. Darcy Ribeiro, em seu plano de organização da UnB, demostra um ímpeto em fazer uma nova universidade piloto para criar-se a cultura de universidades do Brasil. Tal perspectiva está intimamente relacionada com a vontade de criar um projeto piloto de ocupação para o desenvolvimento de infraestruturas diversas em volta do Lago Paranoá. PROJETO -A intervenção junto ao Lago

pretende demandar da cidade uma nova metodologia de ocupação de toda a orla. Portanto, o objeto do projeto possui um amplo programa de necessidades que busca atender a uma antiga reivindicação da cidade, a saber, uma proposta urbana adequada que aumente a qualidade de vida de Brasília, ajude nos fluxos de transporte, recupere o espaço público e efetive a democratização dele e, principalmente, viabilize o acesso, uso e vivência da população. Ademais, a proposta considera a ampliação do câmpus sob a perspectiva que Darcy Ribeiro possuía sobre a UnB quando planejou sua organização.

Orientador: Eduardo Rossetti Banca: Bruno Capanema, Carolina Pescatori, Leandro Cruz 41


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mini haus

Exploring new forms of inhabiting and using space in a house, this project suggests a new housing design that answers to modern demands through the use of new technologies, all the while reducing resource consumption.

Renderização por Marcelo Braga.

Marcelo Braga Graças às casas mais primitivas, a espécie humana foi capaz de se perpetuar. Elas fizeram o homem um ser mais adaptável e capaz de resistir às intempéries. Durante sua longa história, essa edificação sofreu grandes mudanças em sua configuração espacial e estética, se adaptando às mais diversas culturas, religiões, climas e assim por diante. Contudo, foi negligenciada em alguns momentos, mas a partir do século XX, com fatores como o pós-Guerra e a revolução industrial, o interesse por habitação foi retomado fortemente pelos arquitetos. É em meados desse mesmo século que novos formatos familiares e novos estilos de vida começam a vir à tona, abrindo espaço para novas maneiras de morar e de usar o espaço da casa. Simultaneamente a essas mudanças, invenções como o telégrafo, rádio, telefone, televisão, celular, computador, entre outras tantas, deu-se início a uma revolução midiática, comportamental e social. A informação nunca tinha chegado numa velocidade tão rápida às pessoas. Essas criações foram, então, facilitadoras no que diz direito à comunicação direta ou indireta. Deste momento em diante, a comunicação nunca mais foi a mesma, assim como as relações interpessoais. Para Choe (2014), nossa civilização está passando por uma mudança radical – de proporções similares à revolução industrial, que criou um novo ecossistema cultural no qual o modernismo arquitetônico foi criado – em direção a um mundo digital, onde novas tecnologias são desenvolvidas a taxas exponenciais. Com base nessa nova compreensão, procurou-se um novo desenho resi42

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Colagens e isométrica por Marcelo Braga.

dencial que busca acompanhar o homem moderno e suas novas necessidades, reconstruindo o que se entende por casa atualmente, sem desconstruir o que se entende por lar. Compreende-se que ser menor é ser mais sustentável. Isso leva a um menor gasto de matéria-prima, à ocupação de menos espaço permeável, à geração de menos resíduo, ao consumo de menos energia e menos água, a menos manutenção. O projeto da Mini Haus foi elaborado para ser uma residência compacta, móvel, autônoma, flexível e que se adapta a diversas facetas do morar. Leva em consideração uma vasta pesquisa de referências por todo o mundo e do panorama no qual estamos vivendo. Com 27,5 m2 de área útil, o projeto foi pensado para uma pessoa ou casal. Propõe o uso de novas tecnologias, que trazem à luz sistemas que já são utilizados, ou outros que ainda estão em fase de estudo ou lançamento, a fim de se entender a influência da tecnologia no habitar. Por fim, leva em consideração o inchaço e a falta de espaço dos centros urbanos. Uma estrutura para receber o módulo foi necessária. Nasce então o GRID, que vem como um ensaio para a solução da Mini Haus no contexto urbano. Nesse sistema um aplicativo para smartphone estaria disponível e teria informações sobre cidades e vagas desse suporte. A partir dessa mesma plataforma já seria possível requisitar um caminhão que faria o transporte da casa e levar para outro grid ou qualquer outro lugar aonde o usuário queira ir.

Orientadora: Raquel Blumenschein Banca: Claudia Garcia, Ricardo Meira 43


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a rua do jovem no varjão projeto de intervenções urbanísticas e culturais no varjão por meio de processo participativo

This project seeks to promote the regeneration of public spaces in Varjão (an administrative region in Brasília) through a participatory approach in collaboration with the youth, who represent a little more than half of the population of that region. Through urban and cultural interventions, the space of the city’s main avenue was reframed regarding the real needs of the community.

Natália Bomtempo Magaldi 44

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Colagens por Natália Magaldi e Eduarda Aun.

O Varjão do Torto, em Brasília, é caracterizado pela grande concentração de crianças e jovens, os quais possuem o hábito de permanecer nas ruas durante os dias. Esses jovens são vítimas da falta de espaços públicos interessantes e da falta de atividades destinadas a eles. Segundo a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios Distrito Federal – PDAD/ DF 2013 – realizado pela Companhia de Desenvolvimento do Distrito Federal – CODEPLAN –, naquele ano o Varjão contava com cerca de 9.200 habitantes, sendo que mais da metade da população (50,89%) era constituída por crianças e jovens de 0 a 24 anos de idade. De outro lado, no que se refere aos aspectos turísticos da região, observou-se que, para 94,47% dos domicílios pesquisados, os moradores declararam que não existe atrativo turístico na região. Em razão disso, não é difícil encontrar inúmeras pessoas, dentre as quais muitos jovens, passeando pelo bairro ou em bares. Dito isso, este projeto buscou promover uma requalificação dos espaços públicos do Varjão, de forma mais detalhada na Avenida Principal, Praça Central e Área de Múltiplos Usos e definindo diretrizes gerais para os demais espaços, por meio da participação popular dos jovens. Demonstrou-se o processo da participação dos jovens visando esta-

belecer uma conexão entre os espaços públicos e o atendimento das necessidades do grupo alvo. Percebe-se o valor que a população dá ao espaço onde está inserida quando os próprios habitantes participam do seu processo de planejamento e se apropriam futuramente daquele lugar. Agregaram-se metodologias a fim de inserir os jovens no desenvolvimento do projeto. Propuseram-se, dentre outros, caminhada com os jovens, elaboração de mapas mentais, inserção de diretrizes por meio de padrões espaciais no mapa do Varjão e confecção de uma maquete coletiva. Durante o processo, com o apoio da Administração Regional do Varjão e a mobilização da comunidade, organizou-se uma rua do lazer, a qual recebeu o nome de “Rua do Jovem”, que contou com a parceria da ONG Rodas da Paz e com participação de diversos membros da comunidade na realização de oficinas e atividades voltadas para os jovens. O projeto, portanto, sugere a intervenção na Avenida Principal, transformando-a em via de mão única, com a criação de um sistema binário com a rua paralela, que também corta a cidade, além de um projeto de uma ciclovia que atenda ao crescente número de habitantes que fazem uso da bicicleta como meio de locomoção. Buscou-se

também a delimitação de reentrâncias e curvas em “zigue-zagues” ao longo da via, a fim de traçar uma estratégia para “acalmar o tráfego” (traffic calming) a partir da necessária redução das velocidades dos veículos. Realizado o desenho da Avenida nesse molde, fez-se possível a criação de jardins de chuva, responsáveis por auxiliar na absorção das águas pluviais, além de criar espaços agradáveis e sombreados ao longo das calçadas. Além disso, ao longo da Avenida Principal, identificaram-se espaços temáticos, nos quais foram propostas pequenas intervenções fazendo-se uso de materiais recicláveis e/ou de fácil acesso, e arte urbana. Assim, criaram-se a Praça do Bosque, o Beco do Rap e a Praça da Mangueira. Por fim, a “Rua do Jovem no Varjão” hoje faz parte dos eventos da Administração Regional do Varjão, com a intenção de dar continuidade em 2016. A proposta inicial é que, a cada último domingo do mês, um trecho da Avenida Principal seja fechado para o trânsito de carros, e uma pequena intervenção ocorra em algum dos espaços públicos, aqui estudados por meio de oficinas. Orientadora: Liza Andrade Banca: Maria Cecília Gabriele, Valério Medeiros Convidada: Vânia Loureiro 45


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museu do mobiliĂĄrio brasileiro

This project proposes the creation of a Museum of Brazilian Furniture, a space to encounter and contemplate Brazilian design pieces as well as an initiative to foster the production of knowledge on a subject so relevant to our cultural production.

VinĂ­cius Carvalho Lopacinski 46

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Perspectivas por Vinícius Lopacinski.

O Museu do Mobiliário Brasileiro – MMB – é um espaço de contemplação de peças singulares do design brasileiro; e também da produção do conhecimento acerca do tema. A escolha do tema surgiu de dois impulsos. O primeiro: meu interesse em mobiliário, entendido como parte integrante da produção cultural de uma nação. A vontade de tornar esse conhecimento e seus produtos acessíveis à comunidade é o segundo. No Brasil são poucos os espaços destinados a esse tema, quase que se restringindo ao Museu da Casa Brasileira na capital paulistana e a exposições temporárias promovidas por centros culturais como o Centro Cultural do Banco do Brasil – CCBB – e a Caixa Cultural. Isso demonstra a demanda existente para esse tipo de programa, bem como o prestígio do design brasileiro em outros países. Localizado na Funarte, o MMB conta com uma cafeteria/livraria e o museu localizado na projeção 9 do Setor; e na 13 se encontram um auditório e um espaço para concepção de mobiliários, uma oficina para produção de protótipos em escala, e pavimento interativo para que as crianças entendam e conheçam a ergometria e experimentem possibilidades de se acomodar e apoiar em objetos. E nessa mesma projeção se encontra a Praça das Redes, concebida como interpretação da rede indígena, mobiliário esse com a maior carga cultural brasileira. Além disso, o projeto propõe a criação de espaços de estar abertos ao público como forma de valorizar o Setor de Divulgação Cultural localizado no Eixo Monumental de Brasília, entre a Torre de TV e o Centro de Convenções Ulisses Guimarães, e ao lado do Estádio Nacional Mané Garrincha. O projeto dialoga com Brasília, respeitando que o Setor onde está implantado é formado de poucos cheios e muitos vazios, e que, apesar de estar na Escala Monumental, possui caráter bucólico.

Orientador: Eliel Américo Banca: Eduardo Rossetti, Márcia Troncoso, Neusa Cavalcante Convidado: Octávio de Sousa 47


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temáticas The thesis projects of the students of FAU-UnB are presented along the themes of Urban Regeneration, Architecture – Current Demands, Rehabilitation and Special Topics. These projects draw on the variety of themes that permeate the disciplines of Architecture and Urbanism and show care and sensibility to understanding the challenges posed by these fields.

REQUALIFICAÇÃO URBANA Os projetos de requalificação urbana tratam de uma forma de atuação arquitetônica associada à cultura urbana, à revitalização de espaços públicos de uso coletivo e ao desenvolvimento sustentável dos territórios, tendo em vista a regeneração dos tecidos físico e social. Nesse sentido, os trabalhos de diplomação aqui apresentados mostram que a requalificação no contexto urbano deve ser, mais do que um processo ou uma forma de atuação profissional, um objetivo em si: um desejo a ser alcançado! Bianca Rabelo - Novo Cruzeiro Velho // Camila Resende - SCS // Caroline Nogueira - Ligação leste-oeste Plano Piloto // Fernanda Mazzili - Atravessando Brasília // Flávia Prado - Pocket parque // Isabel Bezerra - Setor de Autarquias Norte // Izadora Laner Barroquinha // Jessica Oliveira - Ciclovias Taguatinga // Manuella Coelho - Leitura e gestão da paisagem no Guará // Pedro Ernesto - Plano de bairro da Vila Cahuy //

TÓPICOS ESPECIAIS A inovação é parte intrínseca das atividades do arquiteto urbanista. Atento às transformações sociais, à diversidade de processos econômicos e tecnológicos, bem como aos novos modos de viver e habitar as cidades, o arquiteto urbanista está sempre em busca de novas alternativas que promovam a melhoria da qualidade de vida nas cidades. Carolina Leite - Edifício híbrido // Jacqueline Barbosa Hotel fazenda sustentável // Marcelo Andrade - Eco-hostel // Vanessa Costalonga - Centro feminino de penas alternativas //

ARQUITETURA - DEMANDAS ATUAIS O arquiteto urbanista, por conta de sua formação acadêmica, é o responsável pela produção do espaço construído. E é papel do arquiteto ser o agente catalisador na transformação dos anseios da sociedade por meio da proposição de novos espaços. Assim, cabe ao estudante da universidade pública assumir para si o compromisso com a sociedade em que atua, apresentando projetos arquitetônicos que se baseiam em demandas de natureza coletiva e pública. Os trabalhos 48

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deste tema apresentam escolas tradicionais ou especializadas, espaços culturais, esportivos ou de meditação que, por sua natureza, trazem sempre impactos relevantes sobre a coletividade. Carolina Chagas - Centro esportivo contexto olimpíadas e crianças // Daniela Aoyagui - Escola de teatro musical na W3 // Debora de Boni - Centro sociocultural da Vila Planalto // Evelin Correa - Biblioteca e espaço musical Asa Sul // Felipe Claudio Ribeiro - Centro de extensão e integração UnB/Ceilândia // Glória Lustosa - Centro cultural de Taguatinga // Hanna Néris - Escola pública do Guará // Helen Gomes - Escola de música na Ceilândia // Isabela Eichler - Templo budista // Izabela Bretas - Centro comunitário // Jéssica Gomes - Centro de dança // Olivia Nasser - Novo departamento de música na UnB // Sahra Lemos - Templo cristão // Talita Córdova - Escola integral em Samambaia //

REABILITAÇÃO As imagens físicas e simbólicas mais difundidas das cidades brasileiras podem ser reveladoras de um repertório de concepções sobre a vida social em circulação no território brasileiro desde os seus primórdios. Os projetos de reabilitação arquitetônica e urbanística desenvolvidos pelos alunos da FAU/UnB, durante o último semestre, buscam encontrar um “modo de fazer” arquitetônico e urbano que possibilite associar a permanência da memória cultural desses retratos, sem transformá-los em espaços estéreis – fiéis apenas a épocas significativas, mas sem apelo à sua população – e sem transformá-los ao preço da perda de sua identidade para aproveitar as oportunidades do mercado – a fim de garantir a sua competitividade. Tarefa complexa, mas contextualizada em cada projeto apresentado a seguir. Danielle Gressler - CEASA // Ludmylla Kristhina Oliveira - Galeria dos estados // Luisa Puntel - Brasília torre hotel // Regina Miranda - Eixo paraibuna // Viviane Moreira - Centro cultural candango //

Giselle Challub Martins Coordenadora de Diplomação


o novo cruzeiro velho

Bianca Abreu Rabelo O Cruzeiro Velho é um bairro residencial tradicional de Brasília. Balizado por princípios legitimados de desenho urbano contemporâneo, o projeto redesenha perfis viários, apresenta propostas para uma mobilidade sustentável, propõe uso de parque para o cinturão verde que o perimetra, adota novos edifícios com térreos ativos, qualifica os espaços e preenche vazios no núcleo central. A intervenção proposta é delicada e sutil, mas com alta capacidade de qualificar os espaços públicos do bairro.

Orientadora: Flaviana Lira Banca: Cláudia Garcia, Gabriela Tenório, Mônica Gondim Convidado: Ana Gianecchini 49


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revitalização do setor comercial sul Camila Araújo O projeto Revitalização do Setor Comercial Sul: melhoria das condições climáticas, segurança e mobilidade, sob orientação da professora Marta Romero, tem o objetivo de melhorar a convivência do usuário com o espaço urbano. Camila Araújo priorizou a diminuição da temperatura, a ocupação do Setor durante todas as horas do dia e a melhoria na mobilidade urbana no local e com os setores adjacentes. A banca foi composta por Daniel Sant’Ana, Luciana Kallas e Caio Frederico e Silva. 50

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Orientadora: Marta Romero Banca: Caio Frederico, Daniel Sant’ana, Luana Kallas Convidado: Yara Oliveira


de leste oeste para norte sul

plano de mobilidade para uma brasília contemporânea Caroline Nogueira De Leste-Oeste para Norte-Sul consiste em um Plano de Mobilidade para uma Brasília contemporânea, que parte da compreensão dos espaços urbanos do Plano Piloto por meio da experiência do pedestre em áreas da Asa Norte, e tem como objetivo encontrar soluções de mobilidade no Plano Piloto que priorizem o pedestre, o ciclista e o transporte público.

Orientadora: Giselle Chalub Banca: Mônica Gondim, Sylvia Ficher 51


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atravessando brasília

Fernanda Mazzilli Toscano de Oliveira Com enfoque na mobilidade e requalificação urbana, este trabalho propõe uma nova lógica de circulação para Brasília, mediante o detalhamento de uma faixa territorial num recorte leste-oeste da Asa Sul do Plano Piloto. Para tal, implementaram-se medidas que equilibrassem a distribuição do espaço viário entre carros, pedestres, bicicletas, ônibus, sem que houvesse a necessidade de ampliar a estrutura já existente. Por meio da mudança de uso de faixas de rolamento, do redirecionando de fluxos e da nova lógica de circulação dentro da cidade, podem-se transformar locais tomados pelo carro em locais tomados pelas pessoas. São as pessoas que trazem vida e segurança para a cidade, sendo, portanto, objetivo deste trabalho devolver Brasília às pessoas. 52

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Orientadora: Flaviana Lira Banca: Giselle Chalub, Marcos Thadeu, Mônica Gondim


espaços públicos um respiro verdejante em meio a malha urbana setor de autarquias sul

Flávia Prado O Setor de Autarquias Sul, local escolhido para a implantação do projeto, apresenta espaços públicos não qualificados, sendo possível observar a carência de desenhos urbanos adequados que privilegiem, principalmente, o pedestre. Assim sendo, o projeto propõe uma melhoria do ambiente urbano por meio de um sistema composto por diferentes tipos de espaços públicos integrados como praças, jardins e pequenos parques inspirados em algumas características dos Pocket Parks (pequenos parques que se inserem nos vazios entre as edificações, em meio à malha urbana).

Orientadora: Camila Sant’ Anna Banca: Caio Frederico, Maria Fernanda, Rodrigo de Faria Convidado: Gustavo Luna 53


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setor de autarquias norte projeto de requalificação urbana

Isabel Bezerra da Cunha Localizado na zona central do Plano Piloto, o Setor de Autarquias Norte apresenta deficiências urbanas que potencializam a segregação socioespacial e a degeneração dos espaços públicos. Este projeto subverte essa realidade a partir de quatro eixos de intervenção: mobilidade, integração, usos e permanências. A área, que hoje é estritamente de uso institucional, recebeu novos usos: habitação, comércio e lazer; uma nova rede viária com prioridade a pedestres e ciclistas; tipologias edilícias que respeitam a escala humana e gregária. 54

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Orientadora: Carolina Pescatori Banca: Flaviana Lira, Mônica Gondim, Rodrigo de Faria Convidado: Lucas de Abreu


o percurso das águas na paisagem urbana intervenção urbana na barroquinha, formosa/go Izadora Carvalho Laner O projeto urbanístico de intervenção na comunidade Barroquinha, em Formosa, GO, abrange uma área residencial de 7511 m² e a ocupação do vazio urbano de 9750 m², resultante da recuperação da erosão voçoroca no local e da retirada dos moradores que ocupavam área de risco. Consiste na expansão habitacional integrada à criação de um parque de recuperação, que se abre em praças públicas distribuídas por toda a área.

Orientadora: Liza Andrade Banca: Benny Schvarsberg, Liza Andrade, Tatiana Chaer, Valério de Medeiros Convidada: Ingrid Bohadana 55


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rede cicloviária de taguatinga

Jéssica da Rocha Brito Oliveira Taguatinga abriga, juntamente com Samambaia e Ceilândia, o correspondente à quase 40% da população do DF e possui características que possibilitam o uso da bicicleta como meio de transporte principal para quase 90.000 pessoas. Tendo esses fatos em vista, foi feito um estudo de origens e destinos e mapas de caracterização da RA para definição de uma rede cicloviária, dividida em redes primária e secundária que contam com locais de apoio ao ciclista e que fazem da bicicleta o meio de transporte mais prático de locomoção dentro da cidade. 56

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Orientadora: Giselle Challub Banca: Camila Sant’Anna Convidada: Leticia Bortolon


leitura e gestão da paisagem o estudo do guará

Manuella de Carvalho Coelho Com base no texto Four trace concepts in landscape architecture, de Christoper Girot (1999), foi criada metodologia de leitura e gestão de paisagens com aplicação no Guará. As quatro fases de estudo da região auxiliaram na construção do mapa de tipos de áreas livres. O Parque das Cores foi resultado do estudo e contribui para uma relação mais harmônica entre homem e meio.

Orientadora: Camila Sant’Anna Banca: Flaviana Lira, Liza Andrade, Luciana Saboia 57


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plano de bairro da vila cauhy Pedro Ernesto Chaves Barbosa O Plano de Bairro da Vila Cauhy é um exercício de planejamento urbano na escala local com participação da comunidade na elaboração de propostas de urbanização e regularização fundiária da vila. Durante o ano em que o trabalho se desenvolveu, foram realizadas entrevistas, reuniões e oficinas com a população da Vila Cauhy para discutir os desafios de futuras intervenções em uma área com grandes vulnerabilidades sociais e ambientais. 58

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Orientadora: Liza Andrade Banca: Flaviana Lira, Leandro Cruz, Tatiana Chaer Convidada: Vânia Loureiro


edifício híbrido para a cidade de águas claras Carolina Guimarães Leite O Edifício Híbrido é formado por meio de misturas que visam à criação de algo novo e composto por diferentes funções, em que se une a multiplicidade de usos e usuários em um mesmo espaço, dando origem a um espaço rico e diversificado pela intimidade da vida privada e a sociabilidade da vida pública. O projeto tem por escopo criar um edifício para a cidade de Águas Claras, no Distrito Federal, agregando tanto as funções privadas do edifício quanto as funções do espaço urbano com usos diversificados adaptados à contemporaneidade.

Orientadora: Caio Silva Banca: Daniel Sant’ana, Giuliana Sousa 59


arqui #5

hotel fazenda sustentável uma proposta para a fazenda velha em sobradinho – df

Jacqueline Barbosa Este trabalho apresenta a proposta de um hotel fazenda que favorece maior contato com a natureza, de maneira a preservar o meio ambiente, os recursos naturais locais, e promove o turismo rural, o turismo sustentável e o ecoturismo, incentivando o desenvolvimento sustentável no campo. Pretende-se mostrar as decisões estratégicas possíveis de serem consideradas no desenvolvimento de um hotel fazenda sustentável. 60

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Orientador: Daniel Sant’Ana Banca: Caio Frederico, Liza Andrade Convidado: Eduardo Fittipaldi


centro de pesquisa e hospedagem em bio-arquitetura

Marcelo Andrade Parreira Junior Um local que busque sua máxima excelência, por intermédio da integração das mais diversas alternativas sustentáveis de construção existentes, explorando novas formas, somente alcançadas pelo avanço das tecnologias, envolvendo a arquitetura tradicional. Ainda oferece um espaço para hospedagem, em conjunto à pesquisa, que possibilita ao público a vivência imediata desse objeto arquitetônico. Um projeto cultural, social e humano.

Orientador: Frederico Flósculo Banca: Ana Zerbini, Cláudia Garcia, Liza Andrade Convidado: Moira Nunes 61


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microcosmos

centro feminino de penas alternativas Vanessa Costalonga Martins Microcosmos não é uma edificação penal como se conhece atualmente. Sua principal motivação foi a crise do sistema penitenciário brasileiro e a carência de alternativas existentes. Longe de assumir-se como um projeto ideal para um mundo ideal ou uma sociedade idealizada, é uma proposta crítica e conceitual, uma reflexão sobre olhar um problema sob diferentes ângulos e sobre a necessidade de se discutir o sistema penal brasileiro. A proposta traz física e conceitualmente o edifício para a vida cotidiana da sociedade, locando-o na malha urbana e promovendo atividades de uso compartilhado. 62

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Orientadora: Raquel Blumenschein Banca: Augusto Esteva, Bruno Capanema, Claudia Garcia Convidada: Fabiana Lustosa


centro esportivo joaquim cruz Carolina Novais Chagas Na concepção do partido, o objetivo principal era permitir a integração e a permeabilidade do centro esportivo tanto com o entorno do lote quanto com os edifícios adjacentes. Para traduzir esse conceito uma grande marquise curva foi criada. Sua forma orgânica abriga diversos usos e ao mesmo tempo permite visuais diferentes a cada ponto. As três curvas “abraçam” os espaços, tornando-se um grande conector ainda assim permeável. O complexo conta também com um edifício para os dormitórios dos atletas e um grande ginásio em madeira laminada colada.

Orientador: Oscar Ferreira Banca: Aleixo Furtado, Daniel Sant’ana, Ivan Valle Convidado: Bruno Campos 63


arqui #5

escola de teatro musical Daniela Marie Aoyagui O trabalho tem por objetivo mostrar a criação e o desenvolvimento de uma Escola de Teatro Musical. A intenção foi criar um projeto que atendesse a todas as necessidades do programa e que se tornasse um lugar aberto e acessível a todos, seja para apreciar, seja para interagir, seja para aprender. 64

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Orientadora: Cláudia Garcia Banca: Antônio Filho, Maria Cecilia, Reinaldo Guedes Convidado: Daniel Mangabeira


centro sociocultural da vila planalto Débora de Boni Lima O trabalho teve por objetivo demonstrar o processo de desenvolvimento mais sustentável do Centro Sociocultural da Vila Planalto, periferia no “coração” do Plano Piloto de Brasília. Baseado na metodologia de padrões espaciais e de acontecimento de Christopher Alexander (1977), no processo participativo e nas dimensões da sustentabilidade, o Centro Sociocultural procurou atender a uma demanda sugerida pela própria comunidade da Vila.

Orientadora: Liza Andrade Banca: Flaviana Lira, Maria Cecília Gabriele, Sergio Rizo Convidada: Hiatiane Lacerda 65


arqui #5

biblioteca e espaço musical asa sul

Evelin Raquel Alimandro Correa A Biblioteca e Espaço Musical Asa Sul surgiu com diagnóstico de duas demandas reais da cidade: a necessidade de melhoria da infraestrutura da Biblioteca Pública de Brasília e a falta de ambientes públicos de concentração e estudos musicais. O projeto implantado nas entrequadras 312/313 e 512/513 Sul, Brasília, tem caráter público e o objetivo de integrar com o urbano e trazer vitalidade à Avenida W3. 66

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Orientadora: Cláudia Garcia Banca: Luciana Saboia, Maria Cecília Gabriele, Ivan do Valle. Convidado: Matheus Seco


centro de extensão e integração unb ceilândia

Felipe Cláudio Ribeiro da Silva O Centro de Extensão e Integração da UnB Ceilândia busca abrigar atividades que possam envolver os dois públicos – o universitário e a comunidade –, na forma de atendimento ao público, oferecimento de cursos, oficinas, exposições, feiras, congressos, realização de eventos e tantas outras atividades que proporcionem uma vivência universitária e, ao mesmo tempo, uma vivência urbana.

Orientadora: Raquel Blumenschein Banca: Claudia Naves, Luciana Saboia, Maribel Aliaga Convidado: Hermes Romão 67


arqui #5

centro cultural de taguatinga Gloria Lustosa Pires Taguatinga já conta com um Centro Cultural, mas o espaço atual não atende às necessidades funcionais e estéticas esperadas. Este projeto, portanto, é uma proposta de reconstrução do Centro Cultural de Taguatinga, no mesmo local. O maior desafio foi desenhar novos edifícios que mantivessem a identidade do local, conservando sua principal característica: a praça central. 68

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Orientador: Ivan do Valle Banca: Ana Zerbini, Cláudio Queiroz e Luciana Saboia Convidado: Marlysse Rocha


escola pública no guará I ensino montessori para crianças Hanna Samara Duarte Saatkamp Néris Projeto de uma Escola Pública de Ensino Infantil e Primário, localizado na QE 18 do Guará I, Brasília, DF. Com base no ensino Montessori para crianças, buscou-se um espaço de educação conectado a esse modelo pedagógico e que conversasse com seu contexto. O projeto se define em planos deslocados sobrepostos onde são distribuídas as atividades, articulados com um sistema de rampas que geram o espaço principal de centralidade do projeto.

Orientadora: Luciana Saboia Banca: Ivan do Valle, Maria Fernanda Derntl, Raimundo Nonato 69


arqui #5

expansão da escola de música de brasília Helen de Matos Gomes O projeto teve como objetivo criar uma nova unidade para a Escola de Música de Brasília, em terreno localizado em Ceilândia, proporcionando o maior acesso da comunidade das cidades do DF à Escola de Música. A fim de atender às reais necessidades da Escola, estabeleceu-se um programa a ser desenvolvido em espaços que funcionam de acordo com a dinâmica de ensino da atual escola. 70

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Orientadora: Raquel Blumenschein Banca: Bruno Capanema, Caio Frederico, Claudia Amorim


o templo budista do sudoeste Isabela Eichler Lobo O Templo Budista do Sudoeste, 102/101, traz, em arquitetura acolhedora, fundida ao bucólico da superquadra, espaços para recanto espiritual e encontro da comunidade. Aqui, a paisagem permite o desprendimento mimético do lugar urbano; os materiais sugerem o estar, gerando ambiências para introspecção e paz; o conceito de transcendência se traduz no enaltecimento da luz na obra, proporcionando a união entre céu e terra.

Orientadora: Luciana Saboia Banca: Ivan do Valle, Maria Fernanda Derntl, Oscar Filho Professor convidado: Bruno Campos 71


arqui #5

centro comunitário 305/306 sul

Izabela Brettas Baptista O Centro Comunitário 305/306 sul visa integrar a crescente população de idosos da cidade à comunidade, mediante a oferta de espaços de lazer, de estudo, de práticas desportivas e demais espaços que propiciem atividades cotidianas à população. O projeto consiste em um volume que se apoia perpendicularmente no plano surgido do terreno em declive, cuja implantação desenvolve-se de maneira que os vazios se configurem como espaços públicos de convivência. 72

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Orientadora: Luciana Saboia Banca: Aleixo Furtado, Bruno Capanema, Ivan do Valle Convidado: Lucas de Abreu


centro de dança do df intervenção e requalificação urbana

Jéssica Gomes da Silva O projeto de intervenção e requalificação urbana para o Centro de Dança do DF tem a intenção de resguardar elementos importantes da edificação existente, propondo ações que valorizem o contexto monumental do centro de Brasília, onde se insere. Partindo disso, a edificação é projetada no sentido de acolher as pessoas em um espaço público que promova a cultura da dança.

Orientadora: Cláudia Garcia Banca: Ana Elisabete, Bruno Capanema, Flaviana Lira Convidada: Ana P. Barros 73


arqui #5

o novo departamento de música da universidade de brasília

Olivia Nasser Ximenes O projeto consiste na ampliação do Departamento de Música e na sugestão de requa­lificação do espaço externo do complexo das artes da Universidade de Brasília (IdA). O edifí­cio será dotado de salas para prática de instrumentos e um auditório. Esse novo edifício será integrado com os demais existentes, a partir de uma praça que permi­tirá a livre passagem e permanência, além de diversas atividades artísticas. 74

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Orientadora: Maria Cecilia Gabriele Banca: Caio Frederico, Claudia Garcia, Pedro Bielschowsky Convidada: Ana Paula Barros


um templo cristão comunitário

Sahra Lemos Barbosa O projeto visa reconectar um trecho da Ceilândia Norte separado pelo metrô, em terreno ocupado pela cracolândia, e devolver o espaço para a comunidade. Abrange um templo cristão protestante, um centro comunitário, e uma variedade de espaços públicos configurados pela manipulação do terreno e pela marquise que conecta o complexo. Os percursos da paisagem, a vivência pelos espaços coletivos, a unidade e convergência expressas principalmente no templo trazem a comunidade para dentro do espaço. Suas atividades proporcionam capacitação e ocupação do espaço pelas pessoas que dele se apropriam.

Orientadora: Luciana Saboia Banca: Claudia Garcia, Maria Fernanda Derntl, Sérgio Rizo Convidada: Giselle Chaim 75


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escola integral hélio duarte Talita Prado Córdova O projeto desenvolveu-se baseado no trabalho de Anísio Teixeira e presta homenagem ao arquiteto Hélio Duarte, responsável por concretizar os espaços necessários para a nova educação. Buscou-se uma escola que atendesse às demandas atuais da educação integral e um local de convívio e lazer para a comunidade. As atividades foram distribuídas em dois eixos organizadores: a Rua Principal, que reúne os espaços utilizados por alunos e comunidade; e a Rua Transversal, que leva aos espaços essencialmente educacionais. O acesso ocorre por uma praça, que dá utilidade a um vazio urbano e cria um ambiente para os moradores e alunos. 76

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Orientadora: Maria Cecília Gabriele Banca: Cláudia Garcia, Igor Campos, Oscar Ferreira Convidado: Jorge Oliveira


ceasa-df

como nó e como lugar Danielle Gressler de Brum A CEASA-DF se define como um NÓ de convergência da produção hortifrutigranjeira e trata-se de um LUGAR de grande atração de pessoas e dinâmica intensa. Contudo, não possui uma estrutura que atenda adequadamente aos seus produtos e seus frequentadores. Propõe-se um novo plano de ocupação com novos acessos, conexões e zoneamento, modificações viárias e edilícias, planejamento de áreas livres públicas e novas atividades complementares para suprir demandas de áreas vizinhas. A proposta visa transformar a CEASA-DF para, além de aprimorar o sistema de abastecimento da cidade, adequá-la a um local de convívio e permanência para seus antigos e novos usuários.

Orientadora: Gabriela Tenório Banca: Claudia Garcia, Giselle Chalub, Igor Campos Convidado: André Cobbe 77


arqui #5

galeria dos estados projeto de intervenção

Ludmylla Kristhina Barbosa de Oliveira O projeto propôs revitalizar a Galeria dos Estados. Trata-se de edifício subterrâneo que conecta o setor comercial e o bancário sul. Busca-se a qualidade da travessia para seus usuários. Para tanto, propõem-se adequar o espaço às normas de acessibilidade, requalificar as áreas pedonais em seu entorno, valorizar e criar novos espaços de lazer e cultura em suas praças. 78

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Orientadora: Maria Cecília Gabriele Banca: Cláudia Garcia, Flaviana Lira, Oscar Ferreira Convidados: Gustavo Góes, Simone Turíbio


brasília torre hotel a revitalização e reestruturação de um hotel abandonado

Luísa Coutinho Puntel O projeto em questão consiste na revitalização e reestruturação de um hotel abandonado em Brasília. O programa é baseado: na adaptação da edificação existente para a nova proposta de hotel misto (econômico e albergue), dinamizando perfis atendidos no entorno; na adição de construções e usos para atender ao público do hotel e também o externo; na configuração de um espaço público agradável para usuários da quadra com mobiliário urbano e paisagismo convidativos.

Orientador: Caio Frederico Banca: Cláudia Amorim, Daniel Sant’ana, Oscar Ferreira Convidada: Larissa Sudbrack 79


arqui #5

reabilitação urbana eixo paraibuna o trem e o rio na transformação da cidade Regina Carmélia Ribeiro Miranda A proposta explora o potencial de integração e renovação urbana de área confinada entre o rio e a ferrovia, no centro de Juiz de Fora. Busca criar nova paisagem, com a qualificação de espaços públicos que favoreçam novos fluxos e permanências e estimulem novos usos e apropriações pelas pessoas, enfrentando, em paralelo, questões como a preservação de bens de interesse histórico e cultural, a mobilidade e acessibilidade urbanas, o desenho urbano de nova centralidade institucional e cultural, e a recostura do rio e da linha férrea à cidade, sem apagar memórias, significados e valores atribuídos ao longo de sua existência. 80

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Orientadora: Flaviana Lira Banca: Ana Medeiros, Liza Andrade, Mônica Gondim, Vânia Loureiro Convidado: Leandro Cruz


centro cultural candango apropriação do antigo touring club Viviane Barroso Moreira Em meio às escalas monumental e gregária, no cruzamento dos principais eixos de Brasília, encontra-se o Touring Club, obra de Oscar Niemeyer, inaugurada em 1967. Com o passar dos anos a edificação entrou em decadência e abandono. Esse projeto pretende, além de retomar suas características originais, fazer do edifício um espaço que supra as necessidades do seu entorno e acolha as pessoas que transitam na região. Para isso, propõem-se novos usos para a edificação (o Centro Cultural Candango) e para seu entorno (Praça dos Pedestres Sul e Praça dos Candangos).

Orientadora: Maria Cecília Gabriele Banca: Ana Medeiros, Leandro Cruz, Oscar Ferreira Convidado: Matheus Conque 81


FAU PREMI ADA



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MIRANTE

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DE IMPLANTAÇÃO

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O conjunto, composto por dois eixos marcantes, foi disposto respeitosament buscando envolver a cidade, as atividades da Casa e do parque. Um eixo urbano vidade entre cidade e parque e um eixo local para unir atividades existentes e prev urbano estabece-se como novo percurso ao usuário, em complemento ao exis 5), com acessibilidade universal e visuais para a cidade e para o parque, interligan (ciclovia, calçada e estacionamento) e o interno (linha de bonde e lago), perpassa dências do COMDEMA, marcado por um renque de jequitibás. Uma nova porta pa casa. Perpendicularmente, o eixo local atrai o fluxo de passeios existentes, integ edifícios e bosque. Um corredor de acesso aos diferentes ambientes da Casa e d

CONCURSO PÚBLICO NA “CASA DA SUSTENTABILIDADE” P

casa da sustentabilidade

menção honrosa no concurso nacional de arquitetura no parque taquaral - campinas A team led by professor Nonato Veloso, with Luciana Saboia, Bruno Campos and Cláudia Amorim as co-authors received Special Mention in the national architectural design competition for the House of Sustainability. The competition had as its guideline the advance in Brazil of architecture and construction that is aligned with contemporary environmental concerns and with the need of a paradigm shift in favor of a viable and durable coexistence in our planet. 84

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te no terreno, para conectivistas. O eixo stente (portão ndo o externo ando as depeara uma nova grando praça, do parque.

EIXO

elétrica. Os sheds, local A Casa da Sustentabilidade vilhão e do anexo, têm abe dá abrigo. Um espaço para tural voltadas para sul, co Envolver não como perman com painéis fotovoltaicos. plicar-se, participar, ser res narão também como reba Uma arquitetura sust mente, configurando elem transforma e toma posse d Uma nova porta para uma c O conjunto e seus elemen neira, modelos e exposito de estratégias suste rados e apropriados pela Nesse sentido, sugere-se Casa da Sustentabilidad atividades previstas, colet teriais passíveis de recic cerâmicas e resíduos sóli da população no plantio de viveiros a serem expos espaços da Casa.

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ACIONAL DE ARQUITETURA PARQUE TAQUARAL – CAMPINAS - SP Equipe /// Nonato Veloso, Luciana Saboia, Bruno Campos, Cláudia Amorim, Hugo Aragão e Mateus Reis A equipe liderada pelo professor Nonato Veloso, em coautoria com os professores Luciana Saboia, Bruno Campos e Cláudia Amorim, recebeu a menção honrosa do concurso nacional Casa da Sustentabilidade, no Parque Taquaral, Campinas, SP. Foi promovido pela Prefeitura Municipal de Campinas, através da Secretaria Municipal do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e organizado pelo IAB-SP. O concurso tinha como diretriz “incentivar o desenvolvimento e construção no Brasil de uma arquitetura alinhada às questões ambientais, de necessidade do estabelecimento de um paradigma transformado de como estabelecer uma convivência viável e durável no planeta”. Recebeu 237 projetos, entre eles quinze foram selecionados. Destes, três foram vencedores, cinco receberam menções honrosas e sete, destaques. 85


PUCCAMP

UNICAMP

PUCCAMP

UNICAMP

EMBARQUE/DESEMBARQUE PASSAGEM DE VEÍCLUOS

arqui #5 UMA NOVA PORTA PARA UMA NOVA CASA

BAIRRO PARQUE BAIRRO PARQUE TAQUARAL TAQUARAL CONEXÃO CONEXÃO Se por um lado, as cidades são citadas pela falta de conexão com Se por um lado, as cidades são Secitadas por umpela lado,falta as cidades de conexão são citadas com pela falta de conexão com INSTITUTO INSTITUTO CIDADE - PARQUE CIDADE - PARQUE DE TECNOLOGIA DE DE TECNOLOGIA DE vivas e aprazíveis como seu meio ambiente, por outro, revelam-se seu meio ambiente, por outro, seu revelam-se meio ambiente, vivas e aprazíveis por outro, revelam-se como vivas e aprazíveis como ALIMENTOS ALIMENTOS CIDADE CIDADE PARQUE PARQUE no Parque Taquaral em Campinas. Parque que, aos moldes no Parque Taquaral no Parque Parque Taquaral que,em aosCampinas. moldes Parque que, aos moldes PAVILHÃO em Campinas. PAVILHÃO

Se por um lado, as cidades são citadas pela falta de conexão com seu meio ambiente, por outro, revelam-se vivas e aprazíveis como QUE no Parque Taquaral em Campinas. Parque que, aos moldes SECRETARIA SECRETARIA da Pampulha em Belo Horizonte e do Ibirapuera em São Paulo, da Pampulha em Belo em Horizonte da Pampulha e Horizonte do Ibirapuera em Belo Horizonte SãoIbirapuera Paulo, e do Ibirapuera em São Paulo, da Pampulha Belo eemdo em São Paulo, CONSELHO / AUDITÓRIO DE ENERGIA E DE ENERGIA E CONSELHO / AUDITÓRIO tem um papel social e cultural importante na vida cotidianatem dos um papel social e cultural importante um papel na social vida ecotidiana cultural importante dos cotidiana na vidados cotidiana tem papel social e tem cultural importante na vida habi-dos SANEAMENTO SANEAMENTO habitantes. Acredita-se que o risco de projeto deve retomar a indishabitantes. Acredita-se que o risco habitantes. Acredita-se deve que o arisco indisde projeto deve retomar a indistantes. Acredita-se quede o projeto risco deretomar projeto deve retomar a indisFASES arquitetura, DE IMPLANTAÇÃO DE IMPLANTAÇÃO sociabilidade entre arquitetura, cidade e meio ambiente, comsociabilidade uma entre cidade e meio entre ambiente, arquitetura, cidade uma ambiente, e meioFASES ambiente, com uma sociabilidade entre sociabilidade arquitetura, cidade ecom meio com uma PRIMEIRA PRIMEIRA INSTITUTO INSTITUTO abordagem simples e coerente. A Casa da Sustentabilidade, abordagem simples e coerente. abordagem Casa da simples Sustentabilidade, coerente. A Casa da Sustentabilidade, abordagem simples eA coerente. A eCasa da Sustentabilidade, AGRONÔMICO DE AGRONÔMICO DE SEGUNDA SEGUNDA considerando essas premissas, surge “na” e “pela” paisagem. considerando essas premissas, surge “na” eessas “pela” premissas, paisagem. “na” epaisagem. “pela” paisagem. considerando essasconsiderando premissas, surge “na” surge e “pela” CAMPINAS CAMPINAS TERCEIRA CENTRO CENTRO TERCEIRA

RQUE

PROJETO - A sustentabilidade – entendida como adequação ambiental, viabilidade econômica, durabilidade e construção identitária local – configura-se nesse conjunto a partir da sua inserção no partido do projeto e no próprio desenho, e não como aparato tecnológico aplicado a posteriori. A composição possui três volumes: pavilhão principal, anexo e mirante, entremeados por praça e seus jacarandás, espelho d’água e bosque. No sentido leste-oeste (eixo urbano ou Eixo dos Jequitibás), posiciona-se um prisma horizontal CONEXÃO Se por um lado, as cidades são citadas pela falta de conexão com por pilotis, suspenso a criação de espaço de uso comum e livre. No CIDADE - possibilitando PARQUE seu meio ambiente, por outro, revelam-se vivas e aprazíveis como sentido norte-sul (eixo local), acomoda-se o anexo para reuniões com auditório no Parque Taquaral em Campinas. Parque que, aos moldes PAVILHÃO integrado da Pampulha em Belo Horizonte e do Ibirapuera em São Paulo, à praça e, em oposição, situa-se o mirante, que além de vista privileCONSELHO / AUDITÓRIO giadados abriga geradores eólicos de pequeno porte, colaborando para a produção tem um papel social e cultural importante na vida cotidiana habitantes. Acredita-se que o risco de projeto deve retomar a indisenergética in loco. A Praça dos Jacarandás possui espaços de hortas educativas e FASES DE IMPLANTAÇÃO sociabilidade entre arquitetura, cidade e meio ambiente, com uma espelhos d’água para a prática de permacultura. O conjunto, composto por dois PRIMEIRA abordagem simples e coerente. A Casa da Sustentabilidade, eixos marcantes, foi disposto respeitosamente no terreno, buscando envolver SEGUNDA considerando essas premissas, surge “na” e “pela” paisagem. TERCEIRA a cidade, as atividades da Casa e do parque: o eixo urbano para conectividade 86

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MIRANTE CONEXÃO CIDADE - PAR BOSQUE PAVILHÃO

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O conjunto, composto por dois eixos marcantes, foi disposto respeitosamente O conjunto, composto no porterreno, dois O conjunto, eixos marcantes, composto por foidois disposto eixos respeitosamente marcantes, no foi terreno, disposto respeitosamente no terren buscando envolver a cidade, as atividades da Casa e do parque. Um eixo urbanoapara conectibuscando envolver cidade, as buscando atividades envolver da Casa a cidade, e do parque. as atividades Um eixo da urbano Casa para e do conectiparque. Um eixo urbano para conec EIXO EIXO BOSQUE BOSQUE URB R vidade entre cidade e parque e um eixo local para unir atividades existentes e previstas. O eixo vidade entre cidade e parque evidade um eixo entre local cidade paraUunir eBparque e um existentes eixo local para e previstas. unir atividades O eixoexistentes e previstas. ANatividades ANO O eix O urbano estabece-se como novo percurso ao usuário, em complemento ao existente (portão urbano estabece-se como novo urbano percurso estabece-se ao usuário, como emnovo complemento percurso ao ao usuário, existenteem (portão complemento ao existente (portã / AUDITÓRIO 5), com acessibilidade universal e visuais para a cidade e para5),o com parque, interligandouniversal o externo acessibilidade 5),ecom visuais acessibilidade para a cidade universal e para eo visuais parque,para interligando a cidadeoeexterno para o parque, interligando o extern (ciclovia, calçada e estacionamento) e o interno (linha de bonde e lago),calçada perpassando as depe(ciclovia, e estacionamento) (ciclovia, e ocalçada interno e(linha estacionamento) de bonde e lago), e o interno perpassando (linha deasbonde depe-e lago), perpassando as dep dências do COMDEMA, marcado por um renque de jequitibás.dências Uma nova porta para uma nova MPLANTAÇÃO do COMDEMA, marcado dências por um do COMDEMA, renque de jequitibás. marcadoUma por um nova renque portade para jequitibás. uma nova Uma nova porta para uma no RA casa. Perpendicularmente, o eixo local atrai o fluxo de passeios integrando praça, casa.existentes, Perpendicularmente, o eixo casa.local Perpendicularmente, atrai o fluxo de passeios o eixo local existentes, fluxo de passeios praça, existentes, integrando praç L atrai ointegrando A C DA edifícios e bosque. Um corredor de acesso aos PRAÇA DOS PRAÇA diferentes ambientes Casa e DOS do LOacesso edifíciosda e bosque. Umparque. corredor edifícios de acesso e bosque. aos diferentes Um corredor ambientes de da Casa aos diferentes e do parque. ambientes da Casa e do parque. O

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entre cidade e parque e um eixo local para unir atividades existentes e previstas. O eixo urbano estabelece-se como novo percurso ao usuário, em complemento ao existente, com acessibilidade universal e visual para a cidade e para o parque, interligando o externo (ciclovia, calçada e estacionamento) e o interno (linha de bonde e lago), perpassando as dependências do COMDEMA, sendo marcado por um renque de jequitibás. Uma nova porta para uma nova casa. Perpendicularmente, o eixo local atrai o fluxo de passeios existentes, integrando praça, edifícios e bosque. O conjunto, Um composto por dois eixos marcantes, foi disposto respeitosamente terreno, corredor de acesso aos diferentes ambientes da Casa enodo parque. buscando envolver a cidade, as atividades da Casa e do parque. Um eixo urbano para conectividade entre cidade e parque e um eixo local para unir atividades existentes e previstas. O eixo Autor: Nonato Veloso. urbano estabece-se como novo percurso ao usuário, em complemento ao existente (portão 5), com acessibilidade universal e visuais paraBruno a cidade e para o e parque, interligando o externo Coautores: Luciana Saboia, Campos Cláudia Amorim. (ciclovia, calçada e estacionamento) o interno e (linha de bonde e lago), perpassando as depeColaboradores: Hugoe Aragão Mateus Reis. dências do COMDEMA, marcado por um renque de jequitibás. Uma nova porta para uma nova Consultores: Anna Albano, Sahra Lemos, Ricardo Trevisan, Paula Farage, casa. Perpendicularmente, o eixo local atrai o fluxo de passeios existentes, integrando praça, Veridiana Goulartde e João edifícios e bosque. Um corredor acessoWalter. aos diferentes ambientes da Casa e do parque.

Rextos extraidos do site ArchDaily e das pranchas do projeto.

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urban 21

2º lugar pela equipe da FAU-UnB A team from FAU-UnB was awarded second place among sixty four teams nationwide that entered projects in Urban 21, the first national urbanism competition for universities, organized by the PROJETOdesign magazine. By promoting the competition, the magazine sets a challenge to schools to encourage and mobilize students around the discipline of urbanism, regarding its multidisciplinary approach, which communicates with landscape architecture, design and politics and with other sciences such as ecology, geology, social sciences and geography.

Equipe /// Ana Catarina Lima, Luísa Viotti, Matheus Tokarnia, Jeanne Miake, João Capoulade, Mariana Verlangeiro, Erika Saman e Bárbara Letícia Brasil. Orientadoras /// Liza Maria Souza de Andrade e Camila Sant’Anna 88

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O dia 7 de dezembro de 2015 foi um dia marcante para a nossa equipe da FAU/UnB, que ficou em 2º lugar no Concurso URBAN 21, entre as 64 equipes de todo o país que enviaram projetos para o primeiro Concurso Universitário Nacional de Urbanismo organizado pela revista PROJETOdesign. A premiação ocorreu no Mirante 9 de Julho em São Paulo, com a presença também de outras quatro finalistas das universidades Vila Velha, Centro Universitário Univates, UFF e UFOP. No momento da premiação as três primeiras menções honrosas foram chamadas e, então, percebemos que estaríamos entre os dois primeiros lugares. Pulos e mais pulos de alegria!!! A comissão julgadora, composta pelos profissionais Adriana Levisky, Carlos Leite, Elisabete França, Marcelo Willer e Marcos Boldarini, baseou-se em dois principais critérios de avaliação: (1) a qualidade do Projeto (defesa do partido; qualidade do desenho urbano; apresentação e comunicação visual); e (2) a coerência e viabilidade (entendimento crítico e contribuição do projeto para o munícipio; vocação da área para a função estabelecida; compatibilidade da proposta com a economia local; viabilidade de implantação; coerência da aplicação dos instrumentos previstos pelo Estatuto da Cidade). A intenção da revista PROJETOdesign, ao promover o concurso, foi lançar o desafio às escolas de incentivo e mobilização de seus estudantes para a disciplina de Urbanismo, considerando sua abordagem multidisciplinar. Refere-se à abordagem que dialoga com a arquitetura da paisagem, com o design e com a política, e tem interface com outras ciências, como a ecologia, geologia, ciências sociais, geografia, entre outras. 89


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As professoras Liza Andrade e Camila Sant’Anna, da disciplina de Projeto I da FAU-UnB, decidiram participar do concurso na metade do 1º semestre de 2015, a convite da professora Paola Ferrari, coordenadora das disciplinas de trabalhos de Diplomação I e II. No final do semestre, foram selecionados os dois melhores trabalhos das treze equipes, formadas por três estudantes, uma do noturno e outra do diurno. Posteriormente, as equipes receberam reforço de estudantes de outros semestres, que haviam cursado disciplinas de Urbanismo, como de Planejamento Urbano, totalizando oito membros. Isso foi fundamental para o crescimento e detalhamento da proposta, bem como para a aplicação dos instrumentos do Estatuto da Cidade, com apoio e consultoria da professora Flaviana Lira. O método de processo de projetação da disciplina de Projeto de Urbanismo 1 da FAU-UnB baseia-se no método de projetação arquitetônica fundamentada na taxonomia por resposta dimensional. Parte da pesquisa Dimensões Morfológicas do Processo de Urbanização – DIMPU (aspectos bioclimáticos, econômicos, funcionais, sociológicos, topoceptivos e expressivo-simbólicos) – e no método dos Princípios de Sustentabilidade para reabilitação de assentamentos urbanos, desenvolvido pela professora Liza Andrade. Essa metodologia favorece

a integração horizontal com as outras disciplinas do quarto semestre: Infraestrutura, Conforto Térmico e Projeto de Paisagismo 1. O foco da disciplina de Projeto I é trabalhar com habitação social em áreas sensíveis visando ao equilíbrio socioambiental da relação cidade-campo na bacia hidrográfica. O Setor Habitacional Nova Colina, caracterizado como bairro dormitório, está localizado a mais de 27 quilômetros do Plano Piloto, na Região Administrativa de Sobradinho. Esta área foi escolhida como objeto de trabalho e pesquisa por estar na Bacia Hidrográfica do Rio São Bartolomeu, próxima a uma comunidade que foi objeto de estudo do CASAS/Proext 2015, o Renascer, o que poderia facilitar os estudos na direção da relação cidade-campo, com foco no urbanismo agrário. O Cerrado remanescente divide o setor em Nova Colina I e Nova Colina II. Este último, com densidade mais baixa, tem predominância de condomínios fechados, que impedem a permeabilidade aos pedestres. A equipe da FAU-UnB levantou como carências locais visíveis o déficit habitacional, a insuficiência de postos de trabalho e a necessidade de grandes deslocamentos diários de seus moradores. O projeto foi baseado em quatro grandes diretrizes: (1) conectividade, (2) integração urbano-rural, (3) centralidades, (4) maior adensamento. Parabéns a toda equipe!

Tipologias e gabaritos.

Texto de Camila Sant’Anna e Liza Andrade Para maiores informações sobre o resultado do concurso e o detalhamento das propostas finalistas consultar a Revista Projeto Design Edição 428 em: www.arcoweb.com.br 90

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Tipologias de quadras.

Da esquerda para direita, de cima para baixo: Jeanne Miake, Matheus Tokarnia, Ana Catarina Lima, Mariana Verlangeiro, Luisa Viotti, Erika Saimam, B·rbara LetÌcia, Camila Sant’Anna, Paola Ferrari e Liza Andrade.

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EN CON TROS


exposição diplô 2/2015 exposição dos trabalhos de diplomação, palestra de angelo bucci e lançamento da arqui #4 Opening event of the thesis projects exhibition of the second semester of 2015, marked by the launch of the fourth issue of the ARQUI journal and a lecture by the São Paulo architect Angelo Bucci.

Texto de Paola Ferrari.

Na sexta-feira, dia 4 de dezembro, ocorreu na FAU o evento que marcou a abertura da exposição de diplomação e o lançamento da quarta edição da revista ARQUI. Esse acontecimento foi inédito! O objetivo principal foi valorizar a exposição dos trabalhos de diplomação e, principalmente, trazer um profissional com uma carreira consagrada no mercado, como exemplo para os que estão iniciando essa nova fase da vida profissional. Convidamos para proferir palestra o arquiteto Angelo Bucci, que, para nossa felicidade, aceitou prontamente! O arquiteto possui uma trajetória de muitas conquistas e um extenso currículo: dirige o escritório paulista SPBR, fundado em 2003, onde desenvolve projetos residenciais, de infra-estrutura, institucionais e de serviços; leciona na FAU/USP desde 2001, além de atuar como professor visitante em universidades fora do Brasil; o resultado de seu trabalho foi reconhecido através de premiações em concursos e participações em bienais nacionais e internacionais. Depois da palestra de Angelo Bucci, os formandos com trabalhos publicados como destaque na revista receberam do presidente do IAB-DF, o arquiteto Matheus Seco, certificado atestando o reconhecimento desta instituição a estes TCCs. Em seguida, houve apresentação da professora e editora da revista, Maria Fernanda Derntl e a quarta edição da ARQUI foi lançada. A distribuição da revista ocorreu na Galeria da FAU, durante visita da exposição de Diplomação. O sucesso do evento deve garantir sua continuidade. Aguardem o próximo!


Fotos por Luiz Eduardo Sarmento e Maria Fernanda Derntl.


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negras vidas exposição do coletivo calunga

The exhibition “Negras Vidas” (“Black Lives”) was held as part of the activities for the Black Awareness Week of 2015 of the University of Brasília and featured the black person as subject and object of artistic creation. The event was carried out by the Coletivo Calunga, a collective of students and professionals of architecture from FAU-UnB and the Catholic University de Brasília.

O Coletivo Calunga é formado por estudantes de arquitetura, arquitetas e arquitetos oriundos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília e da Universidade Católica de Brasília. Desde março de 2015 tem atuado no sentido de acolher e promover o empoderamento de estudantes negros e negras e levantar a discussão racial dentro e fora da universidade. Palavra de origem quimbunda, o termo “calunga” foi escolhido por representar, a nosso ver, a diversidade da herança negra na cultura brasileira. Dentre os múltiplos significados que possui, “calunga” é o etnônimo de um grupo quilombola do interior do Goiás, remetendo à história de resistência da população negra num contexto regional. Por outro lado, é também jargão da arquitetura, que designa as figuras humanas inseridas em projetos como referência visual da escala de representação. Dessa forma, o termo remete às duas frentes nas quais este coletivo trabalha: a do movimento negro e a de repensar a arquitetura e o urbanismo. Com efeito, entendemos as duas dimensões como indissociáveis, uma vez que o urbanismo e a arquitetura têm sido empregados como vetores de segregação social e racial. Tanto se segrega e tanto se cala, que aqui salta aos olhos a falta de movimentos que visam enfocar essas questões. A exposição contou com a participação dos seguintes artistas: Ana Maria Sena, Carlione Maria, Dani Dumoulin, Eduardo Dantas, Estela Castro Jean Matos, Laíse Frasão, Marcos Antony, Muha Bazila, Nelson Inocêncio, Nelson Maravalhas, Michelle Bastos, Tauan Gon e Val Souza. A programação da exposição contou, também, com a realização de uma conversa com artistas expositores e o público. 96

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Menina Rainha, por Tauan Gon.

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Sem tĂ­tulo, por Eduardo Dantas.

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Negro Protegido, por Tauan Gon.

Texto de Raul Maravalhas, Eduardo Dantas e Octávio Sousa. Equipe: Ana Maria Sena, Carlione Maria, Dani Dumoulin , Eduardo Dantas, Estela Castro, Jean Matos, Laíse Frasão, Marcos Antony, Muha Bazila, Nelson Inocêncio, Nelson Maravalhas, Michelle Bastos, Tauan Gon, Val Souza 99


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poder e manipulação simpósio internacional de estética, hermenêutica e semiótica The second round of the International Esthetics Symposium organized by the Center for Esthetics, Hermeneutics and Semiotics (NEHS - FAU-UnB) on the theme of Power and Manipulation was attended by professors and students of FAU-UnB and of universities from Portugal and Argentina.

Nos dias 23 e 24 de novembro de 2015 foi realizada a segunda etapa do Simpósio Internacional de Estética, Hermenêutica e Semiótica, organizado pelo Núcleo de Estética, Hermenêutica e Semiótica da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB. A primeira etapa havia sido realizada no primeiro semestre, aproveitando a vinda de diversos pesquisadores estrangeiros ao Brasil. Nessa segunda etapa, além de convidados da Argentina e de Portugal, o Simpósio contou ainda com professores e alunos da FAU e a participação de brasileiros que fizeram doutorado em Portugal. Cada apresentação foi seguida de debates em torno da questão central, “Poder e Manipulação”. O professor Nelson Gomes fez a palestra inaugural, intitulada “Imagens e miragens da Índia”, em que ele comparou, com a apresentação de muitas fotos feitas por ele mesmo, a tradição arquitetônica local com a presença dos colonizadores ingleses e portugueses. Em seguida, o professor Guillermo De Santis, da Universidade de Córdoba, Argentina, fez a palestra sobre “Oro, dinero y sociedad: mito y tragédia em Danae de Eurípides”, em que o mito de Danae ter sido seduzida por Zeus na forma de uma chuva de ouro foi examinado como a questão da riqueza do noivo ser determinante da sua escolha. 100

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Na tarde do dia 23, ouviu-se a surpreendente palestra do professor português Manuel Curado, da Universidade do Minho – “Espera, espelho, estética e esperança” –, em que ele retomou a antiga história de se fazer uma sopa de pedra, mas que ficaria melhor se aditados outros ingredientes: resta aí o enigma do que significaria esse elemento inicial, propiciador do prato, a chama que alimenta a indagação filosófica. Em seguida, Luciano Coutinho, mestre pela FAU/UnB e doutor pela Universidade do Minho, apresentou sua pesquisa sobre a metamorfose e a adaptação do templo pagão em igreja cristã, mostrando a diferença de mentalidade se refletindo na construção e organização dos prédios. Alessandro Braga fez ainda uma palestra intitulada “Autoctonia e manipulação política na República de Platão”, sobre o fato de estrangeiros na antiguidade grega serem considerados ou não cidadãos conforme as conveniências políticas do momento. No dia 25 pela manhã, três professores da FAU vinculados ao NEHS apresentaram pesquisas diversificadas: Mônica Godin, em “O poder dos veículos na mitologia de gregos e hebreus”, examinou o transporte antigo, comparando cavalos e bigas em Homero, no Antigo Testamento e outros textos; Reinaldo Guedes apresentou “O poder

do púlpito”, mostrando como o orador sacro ocupava uma posição carregada de poder inconteste; Sérgio Rizzo, com “O corpo danado”, mostrou como o corpo dos condenados era castigado na iconologia cristã, embora se acreditasse que apenas a alma seria imortal. À tarde, alunos de pós-graduação da FAU fizeram comunicações sobre seus projetos: Tiago Mendes Filgueiras, “Muro e manipulação”; Erinaldo Sales, “O imperativo das artes”; Sued Ferreira, “Paisagem mítica”; Miguel Angel, “Perspectiva e poder”; Aline Zim, “Périplo urbano e narrativa”; Carolina Borges, “Vitrúvio, Alberti e o poder”; Leonardo Oliveira, “Manipulação da morte”. Houve comentários e debates em torno de todos esses trabalhos num clima de cooperação e camaradagem. Os professores estrangeiros se mostraram bem impressionados com o nível das apresentações e dos comentários. O evento foi todo filmado e gravado, sendo transmitido ao vivo pela internet, graças à cooperação da Faculdade de Comunicação, que emprestou seu auditório e seus equipamentos. Texto de Flávio R. Kothe. Equipe: Flávio R. Kothe, Júlio César, Luciano Coutinho, Francisco Ferreira, Ana F. Mota, Leonardo Oliveira, Sued Ferreira


uma discussão metodológica para a história da cidade palestra de celia ferraz The lecture given by Dr. Celia Ferraz, professor at the Federal University of Rio Grande do Sul (UFRGS) and a member of the Research Network on Urbanism in Brazil (Rede de Pesquisa Urbanismo no Brasil), presented an interpretation of the history of the city, its structure, landscape and meaning through its transformations, which are associated with the changes that occur in society itself.

A ideia foi discutir as questões tempo, espaço e construção, na pesquisa que envolve a história da cidade e do urbanismo. Avaliar as relações entre as transformações físicas significativas, associando-as às mudanças que ocorrem no contexto da própria sociedade. Nesse sentido, se propõe uma avaliação do processo histórico a ser analisado mediante uma periodização das escalas do território envolvidas nessa análise, a contextualização delas e das funções urbanas, o que remeterá a uma expressão física territorial, expressa pela estrutura urbana, paisagem urbana e regional, além de sua representação e significado. Celia Ferraz de Souza é arquiteta, mestre em Planejamento Urbano e Regional, pelo Propur-UFRGS, e doutora em Arquitetura e Urbanismo, pela FAU-USP. Professora na Faculdade de Arquitetura, por mais de quarenta

anos e no Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional, ambos da UFRGS. Pesquisadora da área da História da Cidade e do Urbanismo. Vinculada à Rede de Pesquisa Urbanismo no Brasil. Publicou livros como O Plano Geral de Melhoramentos de Porto Alegre, que orientou a modernização da cidade; Rio Grande do Sul: contrastes regionais e formações urbanas, RS; Porto Alegre e sua evolução, juntamente com Dóris Maria Muller, Imagens urbanas, com Sandra Pesavento. Também participou de outros livros, como o Atlas ambiental de Porto Alegre, os da rede, como Urbanismo no Brasil 1895-1965 (organizado por Maria Cristina da Silva Leme); Diálogos: urbanismo.br (organizado por José Francisco Bernardino de Freitas); Urbanismo na Era Vargas (organizado por Vera Rezende), além de outros. Recebeu o título de Pesquisadora do Ano de 2000 (FAPERGS) e de Arquiteto do Ano de 2012 (SAERGS).

Texto de Luciana Saboia Equipe: Luciana Saboia, Celia Ferraz de Souza 101


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quapá-sel um olhar acurado sobre o sistema de espaços livres e sua constituição na forma urbana no DF Workshop held by FAU-UnB in collaboration with the Laboratory on the Field of Landscape Design in Brazil (LAB QUAPÁ/SEL), under supervision of Prof. Dr. Silvio Macedo from the University of São Paulo (USP). The subject was the system of free spaces and the constitution of the contemporary public sphere in Brazil, with Brasilia as a case-study.

A FAU-UnB sediou, durante os dias 5 e 6 de novembro de 2015, a oficina Sistema de Espaços Livres Urbanos na Constituição da Forma Urbana Contemporânea do Brasil: o caso de Brasília, em colaboração com o Laboratório de Quadro do Paisagismo no Brasil – LAB QUAPÁ/SEL –, coordenado pelo Prof. Dr. Silvio Macedo. Esse laboratório desenvolve o projeto Temático de Pesquisa “Os sistemas de espaços livres e a constituição da esfera pública contemporânea no Brasil”, juntamente com uma rede de pesquisadores dos principais centros de pesquisa do país. As oficinas do QUAPÁ-SEL são parte do processo dessa pesquisa e, nessa primeira fase, foram realizadas em dez cidades de porte médio e grandes capitais, nas diversas regiões, sem, contudo, o cenário construído representar todo o Brasil. O objetivo da oficina sobre o Distrito Federal 102

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era construir, em parceria com alunos, professores e profissionais de órgãos governamentais ou não, um quadro analítico sobre o sistema de espaços livres na constituição urbana do Distrito Federal. Para tanto, foram trabalhados, nas atividades de ateliê, os seguintes quatro eixos correlacionais: 1) sistemas de Espaços Livres, 2) padrões morfológicos, 3) agentes da produção do espaço e 4) legislação urbanística e ambiental. Um quinto eixo permeou os outros eixos, que é a apropriação do espaço. A metodologia de trabalho consistiu na formação de grupos para cada eixo temático. Foram realizados trabalhos sobre mapas do DF obtidos de arquivos da Codeplan-DF, fotos aéreas de sobrevoos, imagens de satélite dos aplicativos Google Earth, Street View, para elaboração de mapas-sínteses, mapas temáticos sobre padrões morfológicos,

mapas com dados de renda por setor censitário, tabelas com dados gerais sobre a cidade, sistema de transporte público, densidade demográfica, dentre outros. Os mapas elaborados por cada grupo, segundo seu eixo de pesquisa, deveriam mostrar aspectos demográficos com dados de área, de renda, de população, PIB, IDH; análise dos aspectos gerais do suporte físico, da forma urbana com a identificação da forma da mancha e das malhas viárias; identificação de novas centralidades, principalmente porque no DF a centralidade forte reside no Plano Piloto, para onde convergem todos os serviços; aplicação da legislação ambiental e consequente produção de espaços livres, sejam de uso público, coletivo privado e conservação ambiental. A experiência colaborou para promover, no nosso território universitário, um grande debate sobre o campo


Foto por Isabelle Almeida.

ainda inexplorável do sistema de espaço livre e sua introdução na forma urbana, particularmente no Distrito Federal. A partir do olhar dos alunos, do grupo de pesquisadores e do corpo técnico, juntos, em trabalho coletivo concentrado, procurou-se desenvolver um documento/ relatório-síntese, relatando a sua importância, no que tange tanto ao urbanismo/ paisagismo normativo quanto à gestão do território. No campo acadêmico, o professor teve a oportunidade de aprofundar a discussão sobre a diversidade de formas e espessuras urbanas e seus impactos no tecido urbano e na paisagem resultante do planejamento urbano moderno. Para o aluno, foi fundamental para compreender melhor a influência das ações urbanísticas das instituições governamentais e da especulação imobiliária, relacionadas ao projeto, à implantação e à gestão dos espaços livres.

Observou-se, por exemplo, a importância de se pensar um programa de recuperação e conservação da orla do lago do Paranoá, com alto potencial de uso para a população. No entanto, a postura conservacionista não pode desconsiderar a social e de lazer. Daí a urgência de um projeto de arquitetura da paisagem para esta região, o que garantirá a democratização desses espaços e a não apropriação. Por isso, cabem agradecimentos à direção da faculdade, ao coordenador de Extensão, às Universidades parcerias, aos órgãos governamentais, aos profissionais liberais, aos funcionários e aos alunos pelo apoio. Texto de Silvio Macedo, Camila Sant´Anna, Sidney Carvalho, Giuliana de Brito Sousa, Maria Alice Sampaio e Yara Regina Oliveira. Equipe: Silvio Soares Macedo, Eugenio Fernandes Queiroga, Maria Alice Sampaio Silva, Sidney Vieira Carvalho, Camila Gomes Sant’Anna, Giuliana de Brito Sousa, Giuliana de Freitas, Maria da Assunção Pereira Rodrigues, Yara Regina Oliveira. 103


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a capital é uma só? The notion of a capital city and the specific contexts of Brasília and Pretoria were the starting points to an interdisciplinary discussion regarding the processes of urban creation, expansion and transformation that was held at the I Capital Cities Seminar: Brasília & Pretoria, with the participation of professor Alan Mabin (University of Pretoria/ University of the Witwatersrand) and of researchers, students and professors of the FAU-UnB and the Department of Anthropology of UnB.

Paris, Roma, Washington... Mas também Brasília, Pretória e tantas outras. A cidade capital, como centro político e foco de decisões de governo, evoca imagens de monumentos e símbolos históricos do poder. A capital também pode ser um palco privilegiado para se observar conflitos e contradições. Ali, vemos dinâmicas sociais subvertendo normas rígidas de planejamento e manifestações de diversidade pondo em xeque identidades supostas como homogêneas. A cidade capital pode ser considerada uma categoria de análise a aproximar pesquisadores de áreas diversas com preocupações correlatas e inquietações semelhantes. Considerando as diversas questões possíveis à poliédrica cidade, nos dias 3 e 4 de março de 2016, o I Capital Cities Seminar: Brasília & Pretoria reuniu o professor Alan Mabin (Universidade de Pretoria/Universidade de Witwatersrand) com pesquisadores, alunos e professores da FAU-UnB e do Departamento de Antropologia da UnB. Buscou-se tomar a noção de cidade capital e os contextos específicos de Brasília e Pretória como ponto de partida para uma discussão interdisciplinar a respeito de processos de criação, expansão e transformação urbana. O professor Alan Mabin introduziu questões sobre o conceito de cidade-capital e apresentou, de forma panorâmica, a formação das capitais sul-africanas. Uma das especificidades da África do Sul, que desafia categorizações tradicionais, é a existência de sedes distintas para os poderes do estado: o legislativo na Cidade do Cabo, o judiciário em Bloemfontein e o administrativo e executivo em Pretoria, renomeada Tshwane depois do fim do Apartheid. Na paisagem urbana de Tshwane, espaços e monumentos mostram a difícil convivência de símbolos e expressões dos antigos e novos tempos. A noção de temporalidade – e a contraposição de tempos diversos que caracterizam a contradição entre Plano Piloto e cidades-satélites – foi chave na abordagem da professora Antonádia Borges. A partir da discussão de dois filmes, ela esclareceu alguns modos de construção de pertencimentos a Brasília e, simultaneamente, a exclusão de quem não corresponde aos padrões dos moradores do 104

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Foto por Karolyne Godoy.

Plano Piloto, cuja temporalidade é o futuro. Limites pouco claros entre o planejado e o não planejado foram o pano de fundo da discussão da professora Maria Fernanda Derntl a respeito da formação das cidades-satélites de Brasília. Buscou-se ver a formação desses núcleos periféricos nem tanto como desvio ou descaracterização do Plano Piloto original, mas como parte de uma lógica articulada na sua criação. Como observou o professor Pedro Palazzo, dualidades são inerentes ao nosso contexto urbano, mas ao mesmo tempo são também insuficientes para explicá-lo se tomadas como polos rigidamente contrastantes. A análise dos condomínios de Brasília, como fez a professora Cristina Patriota de Moura, é outra maneira de se questionar uma visão tradicional sobre a formação dos espaços de nossas capitais. Embora no senso comum os condomínios estejam associados a um estilo de vida de classes médias e altas, aqui essas urbanizações carregam ambiguidades e sentidos mais complexos, podendo qualificar loteamentos regulares ou irregulares, pois se destinam a populações de estratos sociais muito diversos, que buscam reconhecimentos legais ou direitos políticos e ainda como forma de ocupação de novos espaços. Nesse aspecto, como propôs a professora Elane Peixoto, Brasília pode ser comparada também a outras cidades, tais como Goiânia, onde os condomínios evocam outras cargas simbólicas e identitárias. Comparar cidades, numa dialética entre constantes históricas e especificidades locais, foi também o mote do professor Ricardo Trevisan. O conceito de cidades novas é, em sua perspectiva, instrumento para abordar fenômenos urbanos, da Antiguidade ao mundo contemporâneo, em que há um desígnio de criação ex-novo. Considerando a discussão ampliada a partir de Brasília e Pretoria, poderíamos, enfim, buscar uma teoria urbana própria do Sul, não no sentido estritamente geográfico, mas como um conjunto de referências e métodos mais adequados às nossas específicas realidades? A questão colocada pelo professor Alan Mabin permanece em aberto e deve inspirar novos encontros dessa natureza.

Texto de Maria Fernanda Derntl e Elane Ribeiro Peixoto. Palestrante: Alan Mabin Apresentação de trabalhos: Antonádia Borges, Cristina Patriota de Moura, Maria Fernanda Derntl, Ricardo Trevisan Debatedores: Elane Peixoto, Pedro Palazzo Monitora: Vanessa Costalonga 105


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casas - emau Presentation of the proposals and activities of the Center for Social Action and Sustainable Architecture (CASAS) , a pro bono architectural practice based in FAU-UnB, which develops projects of architecture and urbanism for organized communities and social movements, as a university extension project.

Transformar a realidade. Este é um dos pilares de atuação do Centro de Ação Social em Arquitetura Sustentável, CASAS, um escritório modelo ligado à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília. Por meio de uma gestão estudantil horizontal, o CASAS desenvolve projetos de Arquitetura e Urbanismo para comunidades organizadas e movimentos sociais, colocando o conhecimento adquirido na universidade à disposição da sociedade, afirmando um compromisso social com a resolução das mazelas brasileiras. O CASAS também procura manter, de maneira horizontal, sem hierarquização, o diálogo com a comunidade para encontrar soluções sustentáveis, porém condizentes com a realidade social de cada comunidade. Resultado de dois semestres da disciplina PEMAU, ministrados pelos professores Liza Andrade, Caio Frederico e Vânia Teles, foi produzido o documentário Da realidade ao sonho, com o auxílio do estudante de comunicação Victor Cruzeiro. O documentário está ligado principalmente ao eixo campo/ cidade e tem como objetivo demonstrar o processo participativo de planejamento do parcelamento do solo para a Ecoagrovila Renascer, um pré-assentamento do Movimento de Apoio à Trabalhadora e ao Trabalhador Rural, MATR, desenvolvido pelo CASAS junto com os estudantes da disciplina e os bolsistas do PROEXT, Raul Maravalhas e Julia Huff Theodoro, levando em consideração as exigências 106

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do Incra para o Projeto de Assentamento Casulo e do Programa Minha Casa Minha Vida Rural. Exibido pela primeira vez no Seminário Nacional de Escritórios Modelos, o documentário emocionou os presentes, vindos de todas as partes do Brasil e de seus respectivos escritórios-modelos. Sem nunca perder de vista as demandas que emergem da sociedade, quando houve um aumento das passagens do transporte público em Brasília, o CASAS tomou a frente da discussão dentro da faculdade, ao realizar um Círculo Criativo com a presença de integrantes do Movimento Passe Livre e do professor Benny Schvarsberg para falar sobre mobilidade e direito à cidade com a perspectiva do movimento social e da academia. No mesmo mês realizamos mais um círculo criativo, dessa vez na Semana Escala, quando convidamos a AJUP-Roberto Lyra Filho e a Ocupação Mercado Cultural Sul, para falar da relação entre universidade e movimentos sociais. Fortalecendo casa vez mais as parcerias com outros grupos da universidade, foi realizado pela empresa júnior Concreta, na sala do CASAS, o workshop “Bioarquitetura: construção com terra e bambu baseadas em normas internacionais”, de que participaram estudantes de arquitetura, engenharia, além de algumas integrantes do CASAS. Com tantas atividades e propostas acontecendo no semestre, o CASAS passou a despertar a curiosidade dos estudantes da faculdade, e para isso reali-

zamos o já tradicional Dia do Vermelho, ocasião em que apresentamos o projeto, um pouco da sua história e princípios e aceitamos novos integrantes que gostariam de construir esta história conosco. O evento de talvez maior importância para nós, membros, foi a grande mudança pela qual passamos. A troca da sala, que ficava no mezanino da FAU, afastada do movimento, por uma das salas mais centrais da faculdade, a sala que fica em frente ao CA, trouxe, claro, muita visibilidade para o escritório-modelo. Isto pôde ser percebido na própria rotina do escritório. Ganhamos novos membros e, como era de se esperar, pessoas entrando, espiando e fazendo perguntas e isso se reflete, enfim, na memória dos estudantes. Como qualquer mudança, trouxe também muito trabalho duro. A reforma da sala, menor que a anterior, envolveu muitas caixas, tintas, descobertas de papéis velhos e memórias, doação e devolução de móveis e, principalmente, a retomada de móveis históricos da UnB desenvolvidos por Elvin D​bugras, resgatados do almoxarifado central da Universidade, além de fôlego para uma série de novas propostas. Texto de Eduardo Dantas, Samuel Prates e Helena Bokos. Equipe: Liza Andrade, Bruna Ruperto, Eduardo Dantas, Samuel Prates, Isabella Goulart, Sofia Portugal, Beatriz Vincentin, Herivelton Bispo, Ju dos Anjos, Mariana Muniz, Mariana Teixeira


posse da diretoria diretor da faculdade de arquitetura e urbanismo é reconduzido ao cargo In a ceremony at the auditorium of the rectory of UnB with students, professors, authorities and staff members present, professor José Sánchez was appointed Director and professor Luciana Saboia as Assistant Director of the Faculty of Architecture and Urbanism (FAU). The professors pointed out that they are to give priority to the renovation of the school’s facilities and to the integration of the graduate and post-graduate programs.

Em cerimônia realizada na tarde de uma quarta-feira (9), os professores José Sánchez e Luciana Saboia tomaram posse nos cargos de diretor e vice-diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), respectivamente. Sánchez foi reconduzido ao cargo. O evento ocorreu no auditório da Reitoria e contou com a presença de estudantes, professores, autoridades e técnicos. Após a assinatura do termo de posse e da entrega de insígnias, houve apresentação de duo de flauta e violino. Na sequência, os discursos. De acordo com Sánchez, o desafio da FAU continua sendo a busca pela excelência no ensino e na pesquisa e a sua inserção no mundo. O diretor enumerou as metas a serem atingidas nos próximos quatro anos: “A requalificação e a reforma do espaço físico da FAU, a construção de um projeto político-pedagógico integrado e a criação de um plano de desenvolvimento institucional de longo prazo estão entre as prioridades”. A professora Cláudia Amorim deixa o cargo de vice-diretora. “Estarei ao lado da nova direção”, disse, após breve prestação de contas. Luciana Sabóia, eleita para o cargo, agradeceu a presença de todos e relembrou a trajetória da FAU, que se confunde com a própria história da Universidade de Brasília. “Tenho plena consciência da responsabilidade que assumo. Temos, hoje, mais de mil alunos, setenta professores e quatorze técnicos. Precisamos inovar o diálogo e fortalecer o projeto cultural da faculdade”, citou. A inauguração do auditório, o lançamento de uma revista, a criação de um espaço permanente de exposições, o remodelamento de salas de aula e a expansão do mezanino foram algumas das ações realizadas pela gestão de Sánchez e Amorim. Entre os presentes estavam o reitor Ivan Camargo e a vice-reitora Sônia Báo. Na ocasião, o reitor lembrou a importância da revitalização do Instituto Central Matéria por Erika Suzuki de Ciências, o ICC, exemplar da arquitetura moderna e símbolo da UnB. Secretaria de Comunicação da UnB 107


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escala 2015 a semana fora da rotina

As a part of the University Week of UnB, FAU promoted activities in the Escala Week (Semana Escala), which engaged students, professors, alumni, government and civil representatives in discussions around the themes of multidisciplinarity and the challenges of a civic education.

Caio Frederico e Silva A Semana Universitária da Universidade de Brasília do ano de 2015 nos provocou com o tema O desafio da formação cidadã. E no período de 27 a 31 de outubro a FAU promoveu cerca de trinta atividades abordando a multidisciplinaridade que provoca a formação de arquitetos e arquitetas. Na FAU, fomos 888 inscritos. E com o apoio do Centro Acadêmico, o nosso CAFAU, a Semana Escala na FAU segue um sucesso. Desta vez, abrimos as portas e convidamos vários membros externos à nossa comunidade acadêmica. Arquitetos, ex-alunos, comunicadores, comunidades rurais, representantes do Governo Distrital e empresas de arquitetura foram essenciais para engrandecer a nossa Faculdade com a pluralidade de saberes. O Urbanismo lúdico foi o tema da oficina O jogo da Villa de Pedro Ernesto e não menos urbano. Tema da aluna grafiteira Raquel Braz, a oficina Graffiti foi concorrida e coloriu o Minhocão. Também discutimos a urbanidade com a professora Gabi, que nos mostrou como construir Espaços para o Uso Cotidiano. Representantes do Conselho de Arquitetura e Urbanismo promoveram a discussão sobre os limites da Prática Profissional. Recebemos a palestra Enquanto projetamos para a cidade sem esquecer do Lago, do premiado arquiteto Pedro Nitsche. Esta foi uma das mais importantes Oficinas da Escala. O arquiteto Gustavo Costa (Grupo Atria), ex-aluno, apresentou uma palestra intitulada Um olhar construído, destacando a sua experiência em concursos de arquitetura, quando obtivera o segundo lugar no concurso do Pavilhão do Brasil na Expo Milão de 2015. No Campus, desenvolvemos Sistemas Agroflorestais, com o André e apoio do CASAS, aprendemos a fazer Amarrações em Bambu e também aprendemos com o arquiteto Matheus Maramaldo “Por que Paisagismo não é Jardinagem. Saímos do Campus para passeios culturais de Bike Tour com o arquiteto e 110

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ex-aluno José Henrique e de metrô com a turnê Casas na Real coordenados pelo professor Ricardo Trevisan. A Semana também foi palco do Desafio Intermodal, com discussões sobre a crise da mobilidade urbana. Desenvolvemos objetos de madeira na concorrida oficina ministrada pelo Prof. Lauande. Recebemos a Professora Ana Catharina para um minicurso sobre branding e design thinking, com o título Projetando com Propósito, e para uma oficina criativa sobre o uso do Arduíno em atividades coordenadas pelo Prof. Miguel Gally. O professor Eduardo Rosseti lotou o auditório com uma bela homenagem a Vilanova Artigas. Já a professora Ana Zerbini apresentou e defendeu a importância da Arquitetura Cenográfica no mundo dos eventos e da arquitetura. O Prof. Éderson ensinou uma gama de programas computacionais de apoio, ao saber fazer da arquitetura, enquanto mais alunos aprenderam o útil Ilustrator e os mais artistas se deliciavam com a oficina de técnicas de aquarela. Aprendemos também a Acústica para Salas, com o Prof. Gustavo Luna, e a simular o microclima urbano com o programa ENVI-met prof. Caio. Enquanto o nosso querido Pé na Estrada estava descobrindo o Rio de Janeiro, esta Semana Escala fez nascer mais um grupo de extensão – 4ª Parede –, que será um laboratório de ideais sobre a arquitetura cenográfica, projeto encabeçado pelas professoras Ana Zerbini e Cláudia Garcia. A profusão de temas e a energia dos que participaram da Escala mostram que construímos uma Semana Universitária aberta às iniciativas de todos: alunos, ex-alunos, professores, colegas e quem mais vier. Construiremos uma Faculdade que vivencia a extensão, abrindo suas portas, seu ateliê, sua pracinha, seus subsolos e mezaninos para formar um profissional atento ao dentro e ao fora da rotina acadêmica. E que a Escala entre para nossa rotina. 111


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desafio de mobilidade In the wake of discussions that have widely engaged the public and the academic community on the theme of urban mobility, the Coletivo Bicicleta Livre, a collective established by students of the University of Brasília, proposed the workshop Mobility Challenge. Its goal was to question the assumption that the city of Brasília was not designed with the pedestrian in mind and that it disregards the human scale by challenging participants to adapt their routines to the use of public transport and other alternatives to the car.

“Em Brasília não se vive sem um carro!”. Como um disco riscado repetimos a máxima: “O trânsito em Brasília está um inferno” (Mas o inferno são os outros, eu não tenho nada a ver com isso!). “O transporte público em Brasília não presta!”. Mas espera aí! Será que é assim mesmo? Existem formas de ajudar a cidade a não se afogar nas ondas de trânsito? Sim, todos podemos ajudar. Em Brasília o tema da mobilidade urbana vem sendo amplamente discutido pela população e pelas esferas acadêmicas, mas sempre partindo do pressuposto de que a cidade não foi projetada para pedestres e que não respeita a escala humana. Dessa forma, tem-se a cultura do carro, o que Jan Gehl chama de a “síndrome de Brasília”. O Desa­fio de Mobilidade Urbana surgiu para propor aos participantes a redução e o uso consciente do automóvel individual e a inclusão do transporte público, das ciclovias e das calçadas como alternativas para os deslocamentos urbanos. O objetivo principal era de que os participantes pudessem perceber que usamos o carro de forma exagerada e ine­ficiente, e que o transporte público é sim defi­ciente, mas que podemos adaptar nossa rotina ao uso dos serviços oferecidos, gozando de forma mais ampla dos nossos direitos como cidadãos. A professora Gabriela Tenório 112

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ministrou uma palestra mostrando que a cidade tem sim sua parcela de responsabilidade na forma como nos locomovemos, mas que nós podemos fazer a nossa parte e usar diferentes meios de transporte ao longo dia e ajudar a cidade. Os três participantes, André Leal Santos, Luísa Luniere e Nara Cunha, abraçaram a causa e, por uma semana, mudaram seus hábitos de mobilidade. O Bicicleta Livre ofereceu todo apoio aos participantes na jornada, relatando em diários seus pensamentos, difi­culdades e surpresas. Os três relatos apresentam diferentes visões para o problema da mobilidade. O André diz: “Para quem vem de uma cidade tradicional, não é difícil achar um exagero tantas áreas vazias, as construções ‘sem graça’, ‘caixinhas de cereal’. Mas, dificilmente, eu poderia prever que eu teria ali uma mobilidade tão maior que na minha cidade natal”, contrariando o senso comum. A Luísa destacou a possibilidade de experimentação de novas áreas, antes desconhecidas: “O eixão sul estava um verdadeiro bosque de flamboyants, um corredor laranja. Pensei que uma paisagem tão bonita nunca foi aproveitada, por mim pelo menos, ao cruzar o eixo de carro e em alta velocidade”. Fizeram-se descobertas e reflexões importantes: “Na Octogonal, uma

antiga academia comunitária dentro do condomínio foi destruída para criar uma passagem para os carros não terem que dar ré para sair do estacionamento. Mais um espaço público foi perdido em Brasília para os carros”. A Nara colocou a importância do planejamento diário para um uso consciente dos transportes e como a mudança de ritmo nos deslocamentos pode nos ajudar: “As caminhadas que tive que fazer, apesar de às vezes sentir medo, foram até relaxantes e atuaram como uma pausa na correria da semana. Realmente, quando utilizamos o carro ficamos mais estressados, e nos colocamos mais tarefas e coisas para fazer, pois achamos que sempre dá tempo, que demoraremos quinze minutinhos para chegar dali até lá”. André, Luísa e Nara, pessoas, estudantes e cidadãos de Brasília que tinham tudo para se acomodar em carros para sempre, mas mudaram seus hábitos com apenas um empurrãozinho. E você? Que tal se desa­fiar? Texto de Eduardo Duarte. Equipe: Eduardo Duarte, José Henrique Freitas, Andre Leal Santos, Luísa Luniere, Nara Cunha Professora convidada: Gabriela Tenório Apoio: Coletivo Bicicleta Livre


vilanova artigas 100 anos evento comemorativo do centenário de vilanova artigas na fau-unb The event Vilanova Artigas – 100 years, organized by Prof. Dr. Eduardo Rossetti of FAU-UnB brought members of the academic community to reflect on the career, practice and legacy of the architect with the screening of the film Vilanova Artigas: o arquiteto e a luz (2015) followed by a discussion with Pedro Gorski, one of the film’s directors.

Fau-USP, foto por Eduardo Rossetti.

Dentre as diversas comemorações sobre a obra de João Batista Vilanova Artigas que ocorreram em 2015 em universidades e instituições, por ocasião de seu centenário de nascimento, a FAU-UnB organizou no dia 27 de outubro o evento Vilanova Artigas: 100 anos. Tratou-se de uma atividade voltada para comunidade acadêmica a fim de instigar reflexões sobre a trajetória, a atuação e o legado da obra do arquiteto dentro do campo profissional, do ambiente cultural e do debate político brasileiro. No auditório da FAU houve a exibição do filme Vilanova Artigas: o arquiteto e a luz (2015), seguido de um debate com um dos diretores do filme, Pedro Gorski. A professora Sylvia Ficher mediou o debate com a plateia, recuperando questões sobre a trajetória de Artigas, apontando a qualidade do filme e recobrando, inclusive, momentos de sua própria experiência como estagiária do arquiteto.

Texto de Eduardo Rossetti. Equipe: Eduardo Rossetti, Pedro Gorski, Sylvia Ficher 113


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o lago para a cidade This workshop brought together architecture students from all of the schools of Brasília and architects from Brasília and São Paulo in a fruitful exchange, which allowed varied insights on the possibilities for occupying the waterfront of the Paranoá Lake. This subject is at the center of a long-established debate in the capital, and engaged the participants of the workshop in the search for solutions that might bring the lake closer to the city and improve the quality of its spaces, with interventions proposals that are gentle on nature and ideas that can feed the existing debates about these spaces.

O WORKSHOP - A ideia inicial era reunir estudantes e profissionais para que houvesse uma troca construtiva e ao mesmo tempo muito próxima. O workshop, que foi aberto a estudantes de arquitetura de todas as faculdades de Brasília, se desenvolveu durante a Semana ESCALA, organizada pelo Centro Acadêmico da faculdade. Ao pensar em quem iríamos convidar para participar, optamos por chamar profissionais jovens que pudessem se comunicar de uma forma horizontal com os estudantes. Por isso foram selecionados arquitetos que, além de produzir regularmente, pudessem estimular os estudantes a trabalhar. Os convidados foram os arquitetos André Velloso e Eder Alencar do ArqBr, Daniel Mangabeira, Matheus Secco e Henrique Coutinho, do Bloco Arquitetos, e Hermes Romão e Igor Campos, do Estúdio MRGB. Muitos deles são formados pela própria FAU/ UnB. Tivemos também a presença de três profissionais paulistanos: Lua Nitsche e Pedro Nitsche do Nitsche Arquitetos e ShundiIwamizu do SIAA. A importância de ter profissionais de outra cidade nos ajuda a enxergar nosso contexto por meio de outra perspectiva, enriquecendo cada vez mais o debate. O TEMA - A ocupação da Orla do Lago Paranoá é um imbróglio antigo. A questão vem se desenvolvendo há anos no DF e surgiu por um conjunto de ações 114

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e inações pelas quais não há apenas um ator responsável. Recentemente, em agosto de 2015, tendo como elemento de legitimação a questão ambiental, teve início a desocupação da orla do Lago. Um plano foi elaborado pelo governo e se iniciaram as derrubadas das cercas. A questão voltou a ebulir e as polêmicas ressurgiram e se aprofundaram. Entre elas, jaziam perguntas que, para alguns, se pretendiam, infelizmente, retóricas: o que o governo vai fazer nessas áreas desocupadas? O governo vai derrubar as cercas e deixar essas áreas vazias? Eles acham que as pessoas vão ocupar esses espaços? Não à toa que surge a ideia do workshop. Pensar em soluções que possam trazer o Lago para a cidade, qualificando seus espaços, propondo ocupações gentis com a natureza e que alimentem o debate. A D I N Â M I C A - Os estudantes foram separados em quatro grupos orientados pelos arquitetos convidados e outros arquitetos recém-formados que seriam interlocutores nos diálogos, auxiliando como monitores. Durante os três dias os estudantes fizeram um diagnóstico para a área escolhida para o projeto – na área do Morro da Asa Delta, próxima à Península dos Ministros – e possíveis propostas de ocupação. Os grupos tinham autonomia para trabalhar na área apre-

sentada ou em qualquer outra parte que eles achassem relevante. A R E S P O S TA - Ao final foram elaborados quatro projetos, não com o objetivo de serem proposições exequíveis, mas que pudessem fomentar um debate entre os futuros arquitetos e a própria comunidade. As propostas contemplaram desde soluções para o transporte público e integração da cidade até lazer para uso imediato. O grande aprendizado com toda essa experiência não foi apenas mediante o exercício de projeto, mas por meio do debate que foi apresentado e a reflexão acerca do que o Lago Paranoá significa para a cidade. O Lago não é apenas um ponto de encontro e lazer, mas também um importante elemento articulador da nossa cidade. Os projetos foram apresentados à comunidade, ocasião em que houve um debate com as professoras Gabriela Tenório da UnB e Elisa do UniCeub e com o arquiteto Paulo Henrique Paranhos.

Texto de Gabriel Ernesto Solórzano e Lucas Brasil. Equipe: Gabriel Ernesto Solórzano, Lucas Brasil André Velloso, Eder Alencar, Daniel Mangabeira, Matheus Secco, Henrique Coutinho, Hermes Romão, Igor Campos, Lua Nitsche, Pedro Nitsche, Shundi Iwamizu


intervenção verde Two workshops were held during the Escala Week (Semana Escala) of 2015 on the topic of “green interventions” aimed at presenting to the entire academic community the relevance of agricultural and building practices that are free of negative environmental impacts. The workshops “Bamboo Lashing” and “Management of Agroforestry Systems” taught students of various areas about bamboo’s potential as a building material and brought participants together in the expansion of the agroforestry plot at the university.

Foto por Gisele Fernandes.

Texto de Gisele Fernandes de Oliveira. Equipe: Matheus Saad, João Ricardo Machado, Mateus Gonçalves, Pedro Kimura, Alexandre Noblat, André Dantas, Carolina Simões, Giovana Azevêdo, Gisele Fernandes, Marina Patury, Natália Côrtes, Raissa Gramacho, Talita Maboni, Jaime Almeida

Na Semana Escala de 2015, alunos da UnB se juntaram com o objetivo de expandir e valorizar ainda mais um espaço muito querido pelos alunos da FAU, além de mostrar à comunidade da UnB a importância do plantio e da construção livres de impactos ambientais negativos. Foram ministradas em conjunto duas oficinas: Amarrações em Bambu e Manejo de Sistemas Agroflorestais. A primeira se desenvolveu em dois períodos, dos quais o primeiro foi destinado a uma breve aula sobre o potencial do bambu como material construtivo sustentável, seguida de uma oficina em que foram ensinadas cinco técnicas de amarração de bambu para a construção de móveis e estruturas básicas. No segundo momento dessa oficina foi construído um gazebo de bambu na área próxima à pracinha da FAU, ao lado da já existente agrofloresta. A oficina de Sistemas Agroflorestais, por sua vez, se deu em três dias, durante os quais foi apresentado o sistema de plantio agroflorestal, e em seguida abriram-se, com a ajuda de um mutirão, dois novos canteiros, expandindo a agrofloresta. Foi feito o plantio desses canteiros e de trepadeiras próximas aos pilares do gazebo de bambu, a fim de proporcionar mais um ambiente de sombra para o descanso entre aulas dos alunos da nossa faculdade. As oficinas foram abertas a toda a comunidade, e o interesse e participação foram além do esperado. Estiveram envolvidos na organização os estudantes Matheus Saad, do curso de Agronomia, João Ricardo Machado, de Engenharia Mecânica, Mateus Gonçalves, de Administração, Pedro Kimura, de Geologia, Alexandre Noblat, de Ciências Sociais, e André Dantas, Carolina Simões, Giovana Azevêdo, Gisele Fernandes, Marina Patury, Natália Côrtes, Raissa Gramacho e Talita Maboni, do curso de Arquitetura e Urbanismo. Agradecimento especial ao professor Jaime Almeida, apoiador e orientador do projeto. 115


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alexandre pereira magalhães e os bueiros do mundo The exhibition “Bueiros do Mundo” (“Manholes of the World”), part of the activities of the University Week of 2015, was curated by professors Dr. Miguel Gally and Dr. Reinaldo G. Machado of FAU-UnB and presented graphic artworks and paintings by Alexandre Pereira Magalhães made in the last 15 years, based on manhole covers from various cities in Brazil and abroad.

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Texto de Miguel Gally e Reinaldo G. Machado. Equipe: Marcos Severo e Miguel Gally

A exposição Bueiros do Mundo teve curadoria dos professores Dr. Miguel Gally e Dr. Reinaldo G. Machado e fez parte das atividades da Semana Universitária de 2015. A exposição mostrou trabalhos de arte gráfica e pintura realizados nos últimos quinze anos pelo mineiro Alexandre Pereira Magalhães, que traz os bueiros do chão das ruas para a sala-galeria no subsolo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Tomando as tampas dos bueiros como se fossem matrizes de gravuras, Alexandre os imprime em telas e tecidos lisos ou estampados e, eventualmente, em papel. Até agora o artista já trabalhou bueiros de São Paulo, Diamantina, Ouro Preto, João Pessoa, Recife, Porto Seguro, Belo Horizonte, Brasília, Berlim, Viena, Barcelona, Madri e Munique. É uma arte comprometida com grave questão da atualidade: o uso da água disponível no planeta. Num dos painéis expostos em torno da tampa de um bueiro insere-se o aviso, segundo o artista, inspirado por uma manchete de jornal: “A guerra futura será briga pela posse da água”. Mas, afora esse aviso, não há retórica, argumentação, apelos de propaganda; recursos válidos utilizados nas melhores realizações da arte engajada. Aqui, no entanto, o tom é lírico, a relembrar o gozo da água, a procurar a beleza na infraestrutura urbana que a conduz, ou a relembrar lençóis nos varais ao imprimi-los em panos que expõem pendentes de cabo de aço. 117


NA RUA



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Foto por Bárbara Morais.

pé na estrada Rio de Janeiro

The fourth edition of the Hit the Road Project (Programa Pé na Estrada) took students of FAU-UnB to Rio de Janeiro. Following most of the itinerary of the city on foot or by alternative transportation systems, this experience took students to the old city center and to the waterfront, in a tour intended to elucidate the city’s development, in the modern and contemporary Rio, and the construction of its landscape.

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O projeto Pé na Estrada busca levar a realidade das cidades brasileiras ao conhecimento e repertório dos alunos de Arquitetura e Urbanismo. Nos dias de hoje, essa atividade está caminhando para sua quinta edição, em Salvador (ago. 2016), após ter percorrido Goiânia (2011), Curitiba (ago. 2014), Minas Gerais (mar. 2015) e o Rio de Janeiro (out. 2015). A viagem é desenvolvida em três fases: Antes: Na semana que antecede a viagem, os professores coordenadores da viagem e outros convidados ministram palestras sobre o recorte temporal teórico e prático que será abordado ao longo da visita. Durante: a equipe Pé na Estrada orienta os alunos sobre a realização do roteiro predefinido, auxiliando os professores coordenadores no desenvolvimento de suas explanações em pontos específicos predeterminados na malha urbana da cidade. O aluno registra a sua vivência urbana, por meio de fotos, áudios e vídeos e/ou colagens e desenhos introduzidos em seu caderno de croqui. Os momentos Pé na Estrada são uma série de atividades planejadas, com o intuito de convidar o aluno a ler, compreender ou, até mesmo, intervir em pontos fundamentais ao

entendimento de valores arquitetônicos, patrimoniais e urbano-paisagísticos chaves da cidade visitada, a partir de um tema específico ou/e método de representação. Depois: os materiais produzidos pelos alunos são utilizados de duas formas. Primeiramente, eles são recolhidos e triados, de modo a comporem uma proposta de expografia sobre a viagem realizada, idealizada pelos integrantes da equipe Pé na Estrada, com a colaboração de alguns professores e funcionários. Posteriormente, um conjunto de relatos e fotografias selecionado irá compor o Manual de Vivência da cidade visitada. O Projeto conta com três professores e dez alunos, que, além de coordenarem o desenvolvimento das vertentes e viagem, dividem-se nas seguintes ações: relacionamento com o público, infraestrutura, roteiros, financeiro, marketing, apoio às atividades, dentre outros. Isso é fundamental para que os alunos entendam não só os requisitos burocráticos institucionais imprescindíveis para a implementação de um determinado projeto, mas também a estrutura organizacional e as parcerias necessárias para que ele se torne realidade. 121


arqui #5

Foto por Amanda Vital.

PÉ NO RIO Em nossa quarta edição, percorremos o Rio de Janeiro. A viagem ocorreu entre 28 de outubro e 1º de novembro de 2015, contou com a participação de 37 alunos e com a colaboração dos professores coordenadores Luciana Sabóia, Claudia Garcia e Camila Gomes Sant’Anna, além dos colaboradores Ana Zerbini, Eduardo Rossetti, Mônica Gondim e Pedro Paulo Palazzo. Diferentemente da nossa vivência cotidiana brasiliense, marcada pelo uso do automóvel como tentativa de reduzir o gasto de tempo com locomoção, a maior parte dos percursos foi feita a pé, de bicicleta ou com o uso de transporte público. Isso nos permitiu compreender melhor a cidade, seus espaços públicos e, principalmente, seus usuários. O roteiro da viagem foi estruturado a partir dos seguintes eixos: Centro antigo e a orla do Rio de Janeiro, Evolução Urbana, Rio Moderno, Rio Contemporâneo, Paisagens Cariocas: um ensaio sobre a sua construção. A equipe Pé gostaria de agradecer aos professores, funcionários e alunos participantes. Esperamos que o projeto continue crescendo e contribuindo para o aprendizado dos alunos desta faculdade. Ponha o pé na nossa estrada! 122

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Foto por Camila Garrido.


Foto por Amanda Vital.

Texto da Equipe Pé na Estrada. Equipe: Amanda Vital, Bárbara Gomes, Bárbara Vasconcelo, Brenda Oliveira, Camila Sant’Anna, Gabriela Heusi, Isabella Rodrigues, Marina Rebelo

Foto por Amanda Vital.

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GA LE RIA


arqui #5

Foto por Júlia Huff.

as palavras e a cidade Júlia Huff Theodoro Série fotográfica com o tema “As palavras e a cidade”, de autoria da aluna Júlia Huff Theodoro, vencedora do concurso cultural realizado pela revista ARQUI. 126

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Foto por Júlia Huff.


Foto por Júlia Huff.


Fotos por Júlia Huff.


in(congruĂŞncias) Pedro Ribs


ilustrações Ana Clara Bonfim Daher



a força poética das palavras nas cidades artistas convidados: coletivo transverso arte urbana e poesia

O Coletivo Transverso foi criado em janeiro de 2011, em Brasília. É formado por artistas de áreas diversas, com o propósito de pesquisar, desenvolver e realizar intervenções urbanas utilizando técnicas de estêncil, grafite, sticker e performance. Os poemas e desenhos são autorais e buscam a construção de uma identidade estética que alie plasticidade e conteúdo, inspirada pelo haikai oriental e pelo poema-objeto concretista. Todo o material das intervenções é idealizado e produzido num processo colaborativo nas reuniões do coletivo. O conceito norteador é o ataque poético. Propõe-se a reflexão sobre as possibilidades de utilização do espaço público a partir da arte urbana não encomendada, proporcionando a fruição artística dos transeuntes em seus caminhos rotineiros. Imagens de capa e seções da revista de autoria do Coletivo Transverso. + infos: coletivotransverso@gmail.com www.coletivotransverso.blogspot.com.br


despedida Messages of farewell to professors Jônio Cintra and Vicente Barcellos in the words of a friend and fellow professor, Benny Schvarsberg.

Sinto um particular pesar com a perda do nosso amigo, colega professor Jônio Cintra. Particularmente porque foi um dos meus primeiros orientandos de mestrado entre 1994 e 1995. Jônio desenvolveu uma excelente dissertação sobre o sistema de informações territoriais para o planejamento urbano, em uma época em que este tema emergia, a partir de uma análise crítica da experiência de Goiânia. Um trabalho sério e correto com muita aplicabilidade prática no planejamento urbano. Jônio sempre foi uma pessoa extremamente discreta, afável, respeitoso no trato com todos e, especialmente, muito atencioso com todos os alunos, por isso mesmo por eles muito respeitado. Muito tranquilo e maduro, mesmo diante de eventuais contrariedades nunca vi Jônio se alterar nem se aborrecer com nada, sempre sereno, sempre “na dele”. Foi assumindo a sua orientação acadêmica, mesmo tendo ele mais idade e até mais experiência do que eu. Depois convivendo muitos anos como colega na FAU, aprendi a respeitar e admirar nosso amigo Jônio. Sua presença tranquila e sua trajetória íntegra deixam uma bela contribuição e saudades a todos nós.


Conheci o Vicente desde o início de minhas atividades na FAU-UnB em 1992. Entrando na FAU-UnB como professor na área de paisagismo, Vicente atuou ao longo dos anos na graduação, contribuindo para a formação de várias gerações de arquitetos e urbanistas. Na sua caminhada acadêmica Vicente realizou doutorado na FAU-USP, morando em Brasília e viajando semanalmente para São Paulo. Depois assumiu a coordenação do PPG-FAU/UnB, dando sua contribuição para a estruturação do nosso programa de pós-graduação. Participou como pesquisador da Rede Nacional de Pesquisa QUAPÁ-SEL). Vicente tinha paixão por viajar para o interior do Brasil, para os “rincões”, como ele dizia. Uma vez me contou entusiasmado dos achados de uma excursão acadêmica que fez com uma turma da pós-graduação para explorar e analisar cidades novas em forte expansão, como Luís Eduardo Magalhães na Bahia. Esse entusiasmo e espírito curioso e aventureiro ele os transmitiu e compartilhou vivamente com os alunos. Deixo para ti aqui registrada uma última frase que não tive a oportunidade de te dizer pessoalmente em vida: obrigado pela amizade. Vou sentir tua falta.

Abraço eterno Benny


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Arqui / José Manoel Morales Sánchez, editor ; Maria Fernanda Derntl, editora executiva. – n. 5 (junho 2016) – Brasília : Universidade de Brasília, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo , 2014- . 140 p. ; 30 cm. Periodicidade semestral Descrição baseada em: n. 5 (junho 2016 ) ISSN 2358-5900 1. Arquitetura. 2. Urbanismo. I. Morales Sánchez, José Manoel (ed.). II. Derntl, Maria Fernanda (ed.). CDU 72


Universidade de Brasília Reitor: Ivan Marques de Toledo Camargo Vice-reitora: Sonia Báo Decana de extensão: Thérèse Hofmann Gatti Rodrigues da Costa Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB Diretor: José Manoel Morales Sánchez Vice-diretora: Luciana Saboia Fonseca Cruz Coordenador de pós-graduação: Marcos Thadeu Queiroz Magalhães ARQUI é uma publicação semestral da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – UnB EDITOR – José Manoel Morales Sánchez EDITORA EXECUTIVA – Maria Fernanda Derntl CONSELHO EDITORIAL – Andrey Rosenthal Schlee, Benny Schvarsberg, Cláudio José Pinheiro Villar Queiroz, Elane Ribeiro Peixoto e Luiz Alberto Gouvêa EQUIPE EDITORIAL DA REVISTA – Caio Frederico e Silva, Eduardo Pierrotti Rossetti (Coordenação de Ensaio Teórico), Gabriela Bílá, José Manoel Morales Sánchez, Karolyne Godoy, Luiz Eduardo Sarmento, Maria Fernanda Derntl e Paola Caliari Ferrari Martins (Coordenação de Diplomação) COORDENAÇÃO EDITORIAL – Maria Fernanda Derntl COMISSÃO DE DIPLOMAÇÃO – Bruno Capanema, Cláudia da Conceição Garcia, Luciana Saboia Fonseca Cruz, Paola Caliari Ferrari Martins COMISSÃO DE ENSAIO TEÓRICO – Cláudia da Conceição Garcia, Maria Cecília Gabriele e Eduardo Pierrotti Rossetti PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO – Gabriela Bílá (O Novo Estúdio de Brasília) e Luiz Eduardo Sarmento REVISÃO ORTOGRÁFICA – Sueli Dunck TRADUÇÃO INGLÊS – Maria Luisa Flynn REVISÃO INGLÊS – Ana Luisa Rein IMAGENS DA CAPA E SEÇÕES – Coletivo Transverso IMPRESSÃO – Gráfica Brasil

© Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - UnB Universidade de Brasília, Instituto Central de Ciências – ICC Norte, Gleba A, Campus Universitário Darcy Ribeiro, Asa Norte, Brasília DF, Brasil 70904-970 tel. (+55) 61.3107.6630 fax. (+55) 61.3107.7723 http://www.fau.unb.br/ n° 05 2/2015 As opiniões expressas nos artigos desta revista são de responsabilidade exclusiva dos autores. www.facebook.com/arquirevistadafauunb - revistadafauunb@gmail.com


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