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Campinas DOMINGO 11 / 09 / 2016

CORREIO POPULAR GRUPO confinado em um presídio de segurança máxima no meio da Amazônia disputa um PRÊMIO de R$ 2 milhões em uma competição apresentada por PEDRO BIAL. Soa familiar? Pois essa é a nova aposta da GLOBO, que estreia no dia 20 SUPERMAX, série de ficção dominada pelo sobrenatural, tensão e suspense

Fotos: Divulgação

Doze pessoas estão confinadas em um presídio de segurança máxima desativado em plena Floresta Amazônica para disputar o prêmio de R$ 2 milhões. Quem faz o anúncio e recebe os participantes é Pedro Bial, claro, figurinha carimbada neste tipo de competição. O que dá a entender, pelo menos aparentemente, é que estamos diante de mais um reality qualquer em busca de audiência, apesar do cenário inusitado. Afinal, estamos falando da Globo, emissora que fez do Big Brother Brasil (BBB) a porta de entrada para os mais variados programas do tipo no Brasil. Bom, ledo engano. Rostos familiares entre os competidores dão as primeiras dicas de que o tal reality tem algo de muito estranho. Ou alguém acreditaria que Mariana Ximenes e Cléo Pires participariam de uma empreitada assim. Elas, sem dúvida, não. Já as suas personagens Bruna, uma enfermeira de 34 anos vaidosa e extremamente solidária, e Sabrina Toledo, uma psicóloga de 27 anos filha de um grande empresário, sim. São apenas pessoas comuns em busca de uma oportunidade, dinheiro ou ambos. Mas ter atrizes conhecidas em papéis inusitados não é a única razão para saber que tudo em Supermax, o tal reality, na verdade não tem nada de real. Ao contrário, o que domina aqui é o sobrenatural temperado com pitadas de suspense e muito terror. E isso sim é a maior prova de que Supermax não é só o nome do reality, mas o de uma série que até pouco tempo seria inimaginável na TV aberta brasileira. Por isso, a partir do dia 20, e nas terças-feiras seguintes depois de Justiça, o estranhamento não será com o presídio, os participantes, o enredo ou Bial numa produção fictícia, mas finalmente ver não apenas a maior emissora nacional embarcar em um gênero tão apreciado muito afora e praticamente inexplorado aqui, mas fazer isso de forma tão ousada. “Eu nunca fiz um trabalho como esse na televisão”, resume Erom Cordeiro à Serí(e)ssima, ator que completa o trio protagonista de Supermax. “A

REALITY DO MEDO

Elenco de Supermax, que estreia no dia 20 na Globo: segundo o ator Erom Cordeiro (segundo a partir da esquerda), série é “muito trabalhosa, mas é um produto único muito instigante”

gente fez os doze episódios em cinco meses, num trabalho extremamente detalhista. E ainda tivemos outras três semanas de preparação. Justamente por ser um tipo de trabalho pouco explorado, foi muito desafiador. Claro que a TV sempre flertou com o sobrenatural e até o terror, mas nunca tivemos nada assim por aqui. Uma série muito trabalhosa, mas um produto único muito instigante”, completa. Erom dá vida ao capitão Sérgio, de 35 anos, que mal entra no reality e já se torna o favorito. Ele pertenceu aos quadros da PM, mas foi afastado por causa de um crime que afirma não ter cometido. “Todos estão ali para ganhar os R$ 2 milhões e também para ter uma segunda chance. Tanto que os doze tiveram problemas no passado, tem uma história obscura, e todos querem uma reviravolta na vida. Ele foi envolvido numa situação delicada dentro da corporacão e foi expulso. Mas ele jura que não é culpado, então tem uma sede muito

NESTA SEMANA... ...a Globo, em uma ação inédita, vai liberar onze episódios de Supermax, de uma vez, no Globo Play, antes mesmo da estreia na TV. O conteúdo, na íntegra, estará disponível para os assinantes do serviço a partir de sexta-feira. Com isso, apenas o último episódio ficará guardado para ir ao ar simultaneamente com a TV. Lembrando que, na Globo, a atração estreia dia 20 e será exibida sempre às terças-feiras, depois de Justiça. Resta saber como você lida com a situação: ou já vê tudo de uma vez e fica meses esperando para saber o fim. Ou acompanha semanalmente para ir se surpreendendo aos poucos. A decisão é sua.

grande não de vingança, mas de justiça”, explica Erom. Só que, assim como o Sérgio, todos dentro do reality juram de pé junto que não são culpados por atos passados, “e é esse mistério que vai até o fim”, diz Erom. “As pessoas, como em qualquer reality, formam grupos, mas é preciso saber que em Supermax mesmo quem é desse grupo não dá para saber se o que diz é verdade. Ou seja, é tensão do início ao fim, com todo mundo com sangue nos olhos.” Inovação

Apesar do terror dominar a

nova produção, a Globo intitula Supermax como uma série de gêneros. Isso porque haverá episódios mais tensos, outros sangrentos, alguns focados mais nas relações humanas entre os participantes, um pouco de drama, romance e por aí vai. Tanto que, para dar conta dessas vertentes todas, os criadores José Alvarenga Jr., Marçal Aquino e Fernando Bonassi (que já haviam trabalhado juntos em Força-Tarefa e O Caçador), apostaram em algo inédito: convidaram seis roteiristas de estilos e gêneros diferentes para criar a série em conjunto

e, depois, escrever separadamente os roteiros dos episódios. “Os três perceberam que não eram especialistas em todos os estilos e, por isso, colocaram essas pessoas numa mesma sala para chegar ao resultado que queriam. E o interessante é que apesar do Alvarenga ser o showrunner, não funcionou como um autor de novela e seus colaboradores, que pede para escrever uma cena aqui ou fazer uma pesquisa ali. Mas um grupo de roteiristas unidos onde vencia a melhor ideia”, explica o escritor Raphael Draccon, importante nome da literatura fantástica no Brasil e um dos seis roteiristas responsáveis por Supermax. “Fizemos todos os argumentos juntos e, a partir daí, a Globo decidiu quem escreveria o que e se sozinho ou em dupla." Draccon foi incumbido, sozinho, dos episódios sete e oito. Um desafio e tanto, segundo ele, já que são os capítulos que marcam a virada da série. “Ela por si só impressiona porque tudo vai aumentando com o passar dos episódios. Mas quando ela chega ao meio, tudo vira de cabeça pra baixo e vira um Deus nos acuda”, diz. “Os elementos sombrios vão sendo construídos

desde o começo. Mas o poder mesmo disso vem a partir desse meio. É aí que começamos a pensar de onde veio tudo o que foi apresentado e, de quebra, se é verdade que a Globo vai passar isso”, brinca Draccon. Erom Cordeiro concorda com o roteirista. “A série tem uma tensão muito alta porque é muito bem feita e pensada, desde produção, maquiagem, figurino, fotografia. Isso dá muita credibilidade para tudo o que está sendo visto e, claro, para nós quando estávamos ali contando essa história. Pode parecer clichê, mas eu falo com muita convicção que as pessoas vão se surpreender de verdade. E como é bom ver um produto assim feito para a grande massa.” Mesmo sabendo que a ideia era inovar na TV aberta, Draccon confessa ter achado que várias cenas seriam cortadas de Supermax por serem fortes demais. “Pensávamos isso direto, que muito do que escrevíamos não sairia do papel. No final, eu só tive uma cena cortada, e foi aí que vi qual era o limite. Por isso, acho até que Supermax é um teste para passos mais altos, que podem inclusive mudar o formato de se fazer TV aberta", finaliza.

Serí(e)ssima - Supermax  

Entrevista com Erom Cordeiro sobre a estreia da série Supermax, na Globo

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