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Campinas DOMINGO 24 / 07 / 2016

CORREIO POPULAR Estrelado por Winona Ryder, ambientado nos anos 80 e repleto de REFERÊNCIAS a produções hollywoodianas como ET - O Extraterrstre, Os Goonies e Poltergeist - O Fenômeno, a série STRANGER THINGS, com oito episódios disponíveis na Netflix, é uma angustiante e VICIANTE trama de mistério

Coisa mais ESTRANHA... Divulgação

Apesar de se vender como um mergulho nostálgico nos anos 80 (e realmente é), não é preciso ter nascido, vivido ou acompanhado, mesmo que anos depois, a emblemática década para curtir Stranger Things. A nova série da Netflix, com os oito episódios já disponíveis na plataforma, é excelente, de forma angustiante e viciante, para aqueles com e sem referência da época. O motivo: a história, relativamente simples, é boa, bem contada e com um elen-

co, encabeçado por Winona Ryder, extremamente bom — principalmente as crianças. É o tipo de produção que vale a pena de qualquer jeito, apesar de parecer, no começo, só mais uma série de terror/ficção científica qualquer. Logo, entretanto, as histórias individuais dos personagens se mesclam com a trama principal e o sucesso é iminente. Mas claro que ter referência eleva ainda mais o prazer de Stranger Things, principalmente para os fãs de

Steven Spielberg e Stephen King. O legado dos dois recheia completamente a série, ao ponto de um desavisado pensar estar diante de um trabalho do cineasta em conjunto com o escritor. Para começar, apesar de não ser o único filme de Spielberg homenageado na produção, o clássico E.T. - O Extraterrestre (1982) entra como o fio-condutor da produção, principalmente em relação à interação entre as crianças e o protagonismo da galera em resolver o caso. Mas praticamente tudo lembra o eterno “ET... telefone... minha casa”, dos passeios de bicicleta, passando pelo perfil dos adultos, até os uniformes dos funcionários da usina de energia existente na cidade. A menina Onze (Eleven, em inglês, interpretada pela ótima Millie Bobby Brown), é o ET da vez. Assim como a criaturinha de dedo brilhante, ela é um ser estranho que aparece de repente na vida de um grupo de crianças de uma pequena cidade americana perdida no mapa. Ela possui alguns poderes, praticamente não fala (até ir se soltando) e se esconde na casa do novo amigo Mike Wheeler (Finn Wolfhard), dando as caras hora e outra enquanto a família janta feliz. Até um episódio em que os garotos a fantasiam (no caso com roupas de “menina normal”, com direito a peruca loira e tudo) para passar despercebida a trama conta. O enredo é básico. Eventos sobrenaturais colocam uma usina em alerta e, aparentemente, uma criatura escapou. O ano é 1983 e, infelizmente, o jovem Will Bayers (Noah Schnapp) dá de cara com ela e desaparece. O su-

Millie Bobby Brown vive a misteriosa Onze em Stranger Things: eventos sobrenaturais movem ótima história

miço, claro, coloca a mãe Joyce (Winona Ryder) e o irmão Jonathan (Charlie Heaton) em desespero, assim como o xerife Jim Hopper (David Harbour), que nunca precisou enfrentar um caso real. Mas o caso repercute pesado também entre seus três amigos mais próximos, garotos inteligentíssimos ansiosos por uma aventura. E a busca por Will coloca Mike, Dustin (Gaten Matarazzo) e Lucas (Caleb McLaughlin) de cara com Eleven no meio de uma floresta bastante assustadora. Só que ela tem informa-

ções de Will, mesmo sem saber como, e passa a procurar o amigo junto com os meninos. A relação entre eles lembra também, claramente, Conta Comigo (1986), um filme baseado, claro, na obra de Stephen King. Sem contar que a busca pelo desaparecido é a cara da caçada ao tesouro dos garotos de Os Goonies (1985). Voltando a Stephen King, é como se a aura que ronda o universo do escritor pairasse sobre Stranger Things. Questionamento do real, diálogos entre mundos, governo cheio

de mistérios, segredos escondidos nas sombras, muita ficção científica com ares de realismo, e tudo isso alinhado a dramas humanos complexos. Eleven, por exemplo, é a personagem central disso tudo. Seus poderes têm uma explicação lógica, assim como seu comportamento estranho. *Mais referências — e alguns spoilers

Só para citar mais alguns exemplos de filmes homenageados em Stranger Things, a criatura que assombra a cidadezinha de Indiana, conforme vai se revelando ao longo dos episódios, é no mínimo prima do ser de Alien, o 8º Passageiro (1979). Joyce, personagem de Winona Ryder, assemelha-se em alguns aspectos com Diane Freeling de Poltergeist - O Fenômeno (1982). Tentar ouvir o filho dentro das paredes de casa, o uso das luzes, e até mesmo um certo portal que aparece na metade final da trama, estão entre os aspectos inspirados no clássico terror. Espalhar luzes por toda a casa, pintar um alfabeto na parede, quebrar a parede com machado, tocar músicas simbólicas, enfim... Joyce está paranoica tentando entender o que aconteceu com o filho e, de quebra, se comunicar com ele. Esforços parecidos ao de Roy Neary em Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977) que mostram valer tudo para tentar falar com outros mundos. Achou familiar a briga em um beco entre Jonathan e Steve (Joe Keery)? Pois é, talvez porque você tenha visto uma praticamente igual entre Roddy Piper e Keith David em Eles Vivem (1988). Portando, deu para ter um gostinho do que Stranger Things é e a sua importância além de do que apenas contar uma história? Há ícones para todos os lados, e é uma delícia caçá-los. Alguns são óbvios, como um pôster de David Bowie no quarto de Jonathan, mas outros estão escondidos debaixo de camadas muito bem elaboradas. Ou seja, melhor começar o quanto antes esse jogo. Até porque a segunda temporada já está confirmada pelos showrunners Matt Duffer e Ross Duffer. Afinal, as portas abertas no fim do 8º episódio vão te fazer sofrer à espera dos novos capítulos.

Serí(e)ssima - Stranger Things  

Crítica da nova série da Netflix

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