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Revista Think & Love Edição 01 Novembro de 2007

Think & LOve Pense e Ame.

/Consciência e Atitude Por um mundo melhor/ Fundação Xuxa Meneghel E- Fabrics / Oskar Metsavaht Fause Haten Ana Carla Fonseca Philip Kotler Fundação Abrinq Reality Shows e seriados Pixel Show E mais:

Gestão de marca e reputação. Reputação e inovação. Ética e altruísmo no meio empresarial. A comunicação depois de amanhã. A tecnologia e a miniaturização.

Recicle a informação: Passe esta revista adiante. O lucro operacional obtido com as vendas deste exemplar da Think & Love será doado em partes iguais para a Fundação Abrinq e para a Fundação Xuxa Meneghel.

SP/ 11 3097 3300/ repensecomunicacao.com.br RJ/ 21 2540 6020/


/sumário/ Bate-Bola Oskar Metsavath/ E- Fabrics______________________________________ /006/ A sustentabilidade nas passarelas_________________________________ /008/ Fause Haten A moda na mídia e no social_____________________________________ /012/ Philip Kotler O futuro da propaganda_________________________________________ /016/ Desafios e convergência da gestão da marca e reputação. Impactos na sustentabilidade da empresa__________________________ /020/ Economia Criativa Transformando criatividade em renda e benefícios sócio-economicos___ /024/ Pixel Show 2007. Uma das conferências de design mais esperadas do ano______________ /028/ Reputação e Inovação. Binômio da sobrevivência________________________________________ /032/ Fundação Xuxa Meneghel_______________________________________ /036/ Fundação Abrinq_______________________________________________ /044/ Reality Shows e seriados. Uma febre mundial______________________________________________ /050/ Repensando Ética e o altruísmo no meio empresarial____________________________ /062/ A comunicação depois de amanhã________________________________ /064/ The book is in the table tecnologia e miniaturização______________________________________ /066/


/Editorial/

O mundo caminha para uma maior conscientização. Pessoas Físicas e Pessoas Jurídicas buscarão com cada vez mais intensidade causas para se engajarem por um mundo melhor. Muita coisa já está sendo feita, mas muito disso ainda é pouco conhecido. Assim, o exemplo e a apresentação de pensamentos, atitudes e projetos que já trazem resultados concretos é a melhor forma de estimular a consciência e o engajamento real. Mais importante do que criar um novo projeto social ou de sustentabilidade é conhecer e engajar-se aos que já existem e precisam de apoio.

Esta edição de estréia traz artigos, entrevistas e “bate-bolas” com gurus, artistas e profissionais de primeira linha, como Xuxa Meneghel, Philip Kotler, Fause Haten e Oskar Metsavaht. Desejamos contribuir de alguma forma para a sua reflexão e inspiração na “reinvenção” da comunicação da sua empresa, na “revolução” do uso consciente das novas mídias e – principalmente no seu “repensar” sobre como nós, empresários, executivos e profissionais de comunicação e marketing, podemos contribuir para um verdadeiro mundo melhor. Boa leitura! Otavio Dias Idealizador da Think & Love

O poder de alavancagem destas iniciativas está nas mãos das grandes lideranças deste país, em especial dos empresários, presidentes e gestores de comunicação e marketing, que possuem força política, força da mídia e recursos financeiros que podem fazer TODA a diferença para a longevidade de movimentos existentes nos mais diversos cantos do nosso Brasil. A revista “Think & Love” nasce com o objetivo de instigar o “repensar” da comunicação, da sociedade e do indivíduo. Trimestralmente, apresentará artigos e entrevistas que demonstrarão as mudanças da mídia e dos meios de comunicação, a convergência e o impacto das novas

João Bil

tecnologias na vida das pessoas e, despretensiosamente, o “repensar” das empresas e marcas frente à importância adquirida pela ética empresarial, sustentabilidade, engajamento social e cultural.

/REPENSE E SEJA MAIS PLENO E FELIZ/ Repense! Pense de novo, permita-se mudar seu pensamento, ainda que este pensamento não dure por muito tempo. Repense, reflita, olhe para si mesmo, veja o seu reflexo e, se a sua imagem não lhe agradar, tenha a coragem de repensar. Repense seu guarda-roupa, remodele roupas de que goste muito, reparta com os outros as que não quer mais. Repense a guerra, não a guerra que vê ao redor do mundo, mas a guerra que, sem querer, pode construir ao seu redor. Construa a paz a cada dia e em tudo o que você faz. Repense seu casamento, ainda que seja para pensar em casar de novo com a mesma pessoa! Repense sua vida e faça aquilo que nunca teve coragem, mas sempre teve vontade de fazer. Repense seus sentimentos, sorria mais

/Expediente/

Comercial

Idealizador

Relacionamento

Erika Morais/ Mtb 43.075

Colaboração

PS. Leia ao lado o texto de Cristina Biscaia, advogada e poetisa, que traduz a “alma” desta revista.

Projeto

Cristina Biscaia 36 anos, carioca, advogada e poetisa.

Jornalista Responsável Otavio Dias

Agência R.EPENSE

/004/

e chore menos. Repense seus valores, a começar pelos morais, não abrindo nunca mão de sua dignidade. Perdoe seus inimigos, esqueça a palavra julgar, conjugue muitas vezes a palavra perdoar e exercite a palavra amar, mas com a disciplina e em tantas inúmeras horas que exercita seu corpo na academia. Repense e saiba que o coração também é um músculo que precisa estar em forma! Repense sua fé, agradeça por estar vivo, caminhar com os seus próprios pés e poder ver o sol. Peça a Deus que lhe conceda o melhor em vez de lhe pedir o que quer! Repense seu trabalho e se faça uma única pergunta: eu amo o que faço? Repense rápido e encontre seu novo traço. Repense seu corte de cabelo, seu visual, seu astral! Será que você

leva alegria por onde passa? Será que muitos dos seus dias não são sem graça? Repense seus medos e saiba que eles te escravizam, te paralisam e, normalmente, se mostram maiores do que realmente são. Repense a solidão, aprenda a estar consigo mesmo e tente ter prazer assim, quem não consegue viver só precisa repensar em viver com alguém! Repense o estresse, seja zen, respire fundo, conte até dez, abra mão da discussão, de ter razão, metade da energia que você gasta com essas pequenas coisas não farão a menor diferença na sua vida daqui a uma semana, um mês ou um ano! Repense o engano, permita-se voltar atrás, mudar de idéia, exercer a incoerência e, quem nunca foi incoerente, que atire a primeira pedra! Repense, mas não se prenda tanto em pensar e repensar por muito tempo, tome decisões pensadas, mas tome decisões também de repente ou de rompante. Reinvente, Recicle, Reaja, Resgate, Revolucione, Respire, Relaxe e Repense.

comercial@thinkandlove.com.br Para sugestões ou reclamações sugestoes@thinkandlove.com.br

Guto Nóbrega - fotos: Ana Carla Reis, pág. 024 e encarte R.epensadores Letícia Lins - fotos: pág. 046 e 048

Editorial

Direção de Arte

Makrokolor

Danilo Janjacomo, Fátima Temer

Para enviar artigos e releases editorial@thinkandlove.com.br

Gráfica

/005/


“...tudo o que eu empreendi até hoje, de empresas e marcas a campanhas e projetos especiais, é uma extensão de meus pontos de vista, de minhas crenças.”

/bate-bolA com Oskar Metsavaht/ 01 - Think & Love:

Com o surgiu a idéia de trabalhar com material sustentável em suas criações?

Oskar:

/Oskar Metsavaht/

Usamos esses tecidos desde que a Osklen e o movimento e-brigade firmam uma parceria, em 2000. Lona de caminhão reciclada, látex da Amazônia, cânhamo, entre outros, foram aos poucos sendo testados e conceituados em produtos da Osklen (e mesmo da nascente linha de produtos e-brigade) como parte de uma busca por tecidos e matérias-primas alternativas.

02 - Think & Love:

Como o material sustentável tem sido visto no mercado de moda internacional? Qual é o papel do Brasil nesta produção?

Oskar:

/Saiba mais sobre Oskar Metsavaht/ Diretor de criação e proprietário da grife Osklen, formado em medicina, este gaúcho de Caxias do Sul largou a clínica e resolveu se dedicar à moda. Em 1986, Oskar Metsavaht dá seus primeiros passos no ramo ao desenvolver os casacos da equipe que o acompanhou em uma expedição que fez ao Aconcágua, nos Andes. Daí em diante não parou mais. Oskar é o idealizador do movimento e-brigade, que deu origem ao Instituto e que desenvolve projetos como o e-fabrics, sempre seguindo os princípios expressos pela Carta da Terra, Protocolo de Kyoto, Convenção da Biodiversidade e Agenda 21.

/006/

O Brasil tem um papel decisivo e privilegiado neste processo. Acreditamos que a vocação do Brasil é ser o país do desenvolvimento sustentável. Na verdade, a missão atual do Instituto e é justamente essa: promover esta idéia.

03 - Think & Love:

E entre os estilistas, como é vista a proposta de utilização de material sustentável?

Oskar:

Quando o projeto e-fabrics, incubado nessa parceria entre a Osklen e o e-brigade ao longo dos últimos 6/7 anos, foi lançado formalmente ao grande público, em janeiro de 2007, durante a São Paulo Fashion Week, o Instituto e, ONG da qual sou o fundador, convidou alguns estilistas para participar de uma exposição e um documentário. O registro destes estilistas no documentário mostra o quanto estas matérias-primas e tecidos de origem sustentável podem ser efetivamente usados pela moda de uma maneira sofisticada, elegante, contemporânea. Na verdade, a missão atual do Instituto e é justamente essa: promover esta idéia.

Oskar:

Nenhuma. Ser empresário não é um botão que se liga e desliga, nem uma profissão dessas que se escolhem na infância, como bombeiro, astronauta ou médico. Médico eu até me tornei.... mas empresário foi algo que surgiu em minha vida para materializar minhas idéias sobre cultura, educação, arte, meio ambiente.... Tudo o que eu empreendi até hoje, de empresas e marcas a campanhas e projetos especiais, é uma extensão de meus pontos de vista, de minhas crenças. Representam meu estar no mundo, enfim.

04 - Think & Love:

O e-fabrics foi lançado oficialmente em janeiro deste ano no São Paulo Fashion Week. Você continua utilizando matérias-primas de origem sustentável, renováveis ou recicladas em sua nova coleção?

Oskar:

Sim, tecidos e matérias-primas vieram para ficar em nossos produtos e coleções.

05 - Think & Love:

Existe uma “separação” do Oskar empresário e do Oskar cidadão?

/007/


“Desenvolvimento econômico E sustentabilidade não podem ser modismo, mas podem, e também são, uma questão dA moda.”

/A sustentabilidade nas passarelas/ O planeta está em alerta. Basta ligar a TV, passar a vista em um jornal ou simplesmente colocar os pés para fora de casa para perceber que, como diria Caetano Veloso “alguma coisa está fora da ordem”. Religiosos ou céticos, não há como não ver (e sentir na pele) que a natureza está cobrando o preço pelo seu uso indiscriminado. Somos lembrados a todo momento sobre a importância da conscientização e atuação cotidiana para reverter ou, ao menos, minimizar a atual situação climática do planeta. Alguns acreditam que “é tarde demais”, mas há quem não fique estático a um mundo que não pára de se transformar, quem não se conforme com a massiva e constante destruição da natureza, abismo social e falta de participação dos cidadãos no futuro do planeta. Para muitos, tudo isso pode ser considerado “piegas” e “modismo”, mas há quem acredite na mudança como questão de sobrevivência. Desenvolvimento econômico e sustentabilidade não podem ser modismo, mas podem, e também são, uma questão da moda. Em todo o mundo vemos (bons) exemplos de projetos de sustentabilidade vinculados à moda, da novidade “I’m not a plastic bag”, a chamada “bolsa verde”, uma bolsa de compras lançada pela estilista Anya Hindmarch, em Londres, com a finalidade de diminuir o uso da sacola plástica, até a criação da marca Red, pelo líder da banda U2, Bono Vox, e empresas como a American Express, GAP e Giorgio Armani, que revertem parte de sua receita para financiar o

/008/

combate à Aids na África. No Brasil, muito tem sido feito no mercado da moda em prol da sustentabilidade do planeta. Um dos projetos pioneiros e de maior repercussão foi a criação da organização e-brigade, movimento de combate à desinformação ambiental que nasceu a partir de uma iniciativa do estilista, empresário e diretor de criação da Osklen, Oskar Metsavaht, em 2000, junto com biólogos, ambientalistas, artistas plásticos, designers, entre outros profissionais e pessoas com preocupação em comum que se uniram contra a degradação do meio ambiente. Inspirado na atuação do e-brigade, de combate à desinformação, surgiu o Instituto e, que vai além da conscientização ambiental e adota o paradigma de “desenvolvimento humano sustentável” proposto pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). Neste sentido, o Instituto e se propõe a divulgar opções de visão sustentável, que perpassa o dia-a-dia das pessoas, fazendo com que a pauta da sustentabilidade ultrapasse as questões ambientais e ganhe impacto no cotidiano. Um dos projetos de maior visibilidade e, por isso mesmo, de maior impacto social, do Instituto e é o e-fabrics, que tem como foco identificar para o mercado matérias-primas (tecidos e materiais) utilizadas pela indústria têxtil e produtores de moda em geral. Utilizar a moda como veículo de conscientização é o grande mérito do Instituto e, por meio do e-fabrics.

Esta ampla pesquisa de identificação de material de origem sustentável relaciona os mais diversos materiais, que possuem em sua essência produtiva critérios que compatibilizam o manejo e a utilização racional da natureza, gestão de resíduos ou até mesmo preservação cultural de nossas etnias e tradições de comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas do norte ao sul do país, de forma a se identificar um caminho concreto para um consumo mais racional em prol do desenvolvimento sustentável do planeta. Hoje o e-fabrics conta com mais de 15 diferentes categorias de materiais de origens recicladas, orgânicas, naturais e/ou artesanais, dentre elas: malhas, sedas e lãs artesanais, couro vegetal treetap, couros de animais de origem controlada, látex da amazônia, materiais de pet reciclados,biopolímeros,tecidos tingidos com pigmentos naturais, entre outros. O Instituto e, no seu papel de comunicar à sociedade novas alternativas de consumo consciente, elaborou critérios de avaliação destes materiais e de suas comunidades ou indústrias de origem, com o objetivo de transmitir sua avaliação sobre estes materiais aliada a uma comunicação e design apurado que os tornem objetos de desejo.

Glória Coelho, Reinaldo Lourenço, Fause Haten, Tereza Santos, Huis Clos, Samuel Cirnansck, Lino Villaventura, Alessandra Silveira e Mário Queiroz - mostraram criações produzidas com tecidos fornecidos por empresas, vilarejos ou agricultores que respeitam as normas de sustentabilidade. A prova de que é possível ser criativo, obter bons resultados estéticos e ter responsabilidade com o meio ambiente. O e-fabrics oferece ao mercado de moda a opção de trabalhar com tecidos e materiais que respeitam a biodiversidade brasileira, divulga e contribui para o escoamento da produção de artesãos e indústrias conscientes e, por fim, desperta no consumidor o desejo de adquirir produtos ecologicamente e/ou socialmente corretos com reconhecido apelo estético. Um exemplo a ser seguido e que nunca deve sair de moda.

Foi assim que, na última edição de inverno do São Paulo Fashion Week, em janeiro deste ano, o desenvolvedor e principal nome do Instituto e, Oskar Metsavaht, colocou na passarela do principal evento brasileiro de moda, e nos corpos das mais belas modelos, a questão da preservação ambiental por meio do desfile da Osklen. Muito além de atingir o consumidor de moda, Oskar e o Instituto e alcançaram os “produtores” de moda, no SPFW, com o Espaço e, onde 12 estilistas de renome como Alexandre Herchcovitch, Patrícia Viera, Osklen,

A imagem do Oskar da capa e as imagens desse artigo fazem parte do documentário “e-fabrics”, produzido pela BL Prooductions e disponível no site thinkandlove.com.br

/009/


/O Movimento RED/ www . joinred.com O movimento RED foi criado por Bono Vox (o engajado vocalista do U2) e por Bobby Shriver, presidente da DATA, com o objetivo de levantar atenção e recursos para o “The Global Fund”*, através da parceria estabelecida com marcas de expressividade mundial na produção dos produtos RED. Um percentual de cada produto RED vendido é direcionado para o Fundo Global. Até setembro de 2007, já foram doados mais de US$ 45 milhões de dólares provenientes da venda dos produtos RED, cujos principais sponsors são as marcas Apple, GAP, Motorola, American Express, Emporio Armani e Converse. O Manifesto RED (abaixo descrito), sintetiza o “racional” e o “emocional” deste projeto, que se tornou referência mundial para todo e qualquer marca e empresa. * O Fundo Global (The Global Fund) é uma parceria inovadora entre governos, organizações não-lucrativas e setor privado. Os recursos arrecadados são revertidos para projetos do mundo todo, possibilitando que vários países tenham condições de desenhar e executar os seus próprios programas. Os fundos são direcionados apenas para organizações que possuem resultados comprovados, garantindo que sejam utilizados de forma eficiente para criar mudança real na vida de pessoas e comunidades. Desde a sua criação, o Fundo Global se tornou o principal financiador de programas que combatem a AIDS, Tuberculose e Malária, com 8,4 bilhões de dólares já distribuídos para 136 países diferentes. Em 5 anos, o fundo atingiu resultados surpreendentes: 1,1 milhão de pessoas com tratamento para HIV e AIDS, 9,4 milhões de pessoas voluntárias para testes inerentes ao HIV, 1,2 bilhão de pessoas em tratamento para Tuberculose, 23 milhões de pessoas em tratamento para Malaria e 30 milhões de famílias protegidas com vacinas contra mosquitos.

/Manifesto RED/ www . joinred.com/manifesto Todas as coisas deveriam ser iguais. Mas elas não são. Como consumidores do Primeiro Mundo, nós temos muita força. O que escolhemos ou não comprar coletivamente pode mudar o trajeto de vida e a história deste planeta. RED é uma idéia simples. E poderosa. Agora você tem uma escolha. Existem cartões de crédito RED, telefones RED, sapatos RED, marcas fashion RED. E outras. Isto não significa que elas são todas vermelhas na cor. Apesar de algumas serem. Se você comprar um produto RED ou assinar um serviço RED, sem custo adicional para você, uma empresa RED dará parte dos seus lucros para comprar e distribuir remédios anti-retrovirais para irmãos e irmãos que estão morrendo de AIDS na África. Nós acreditamos que quando consumidores possuem uma escolha e os produtos correspondem às suas necessidades, eles escolherão os produtos RED versus não-RED. Assim, outras marcas decidirão se tornar RED pois isto fará todo sentido para o seu negócio. E mais vidas serão salvas. O movimento RED não é caridade, é apenas um modelo de negócios. Você compra coisas RED. Nós ganhamos parte do dinheiro. Eles tomam os remédios. Ficam vivos. E continuam cuidando de suas famílias e contribuindo social e economicamente para as suas famílias. Se eles não tomam as pílulas, eles morrem. Nós não queremos que eles morram. Nós queremos dar-lhes as pílulas. E nós podemos. E você pode. E é fácil. Tudo que você precisa é fazer uma escolha diferente.

/informação que conscientiza. Consciência que mobiliza./ Think & LOve Pense e Ame

/Consciência e Atitude Por um mundo melhor./ /010/


“As pessoas estão querendo parar o tempo, estão usando recursos estéticos e cirúrgicos para bloquear um processo natural da vida.”

/A Moda na Mídia e no Social/ Fui um adolescente como qualquer outro com todas as dificuldades possíveis deste período. Os anos se passaram e comecei a me perceber cada vez melhor. Eu que tinha todos os complexos fui vendo meus diferenciais que tanto me incomodavam se tornarem minhas características mais marcantes. Com muito trabalho, fui melhorando meu corpo sempre pensando em tê-lo saudável. Um dia aprendi a ouvir minha respiração e isso me fez reaprender a ouvir o meu corpo e seus sinais.

/Fause Haten/

Cada dia me sinto melhor e mais confiante e assim percebi que essa mudança também aconteceu na forma que o mundo me vê. Me sinto mais forte, mais belo, mais sensível e percebo que o mundo me sente assim. Hoje, sou um profissional, um homem admirado, uma pessoa amada e olho ao meu redor e tenho vontade de falar para as pessoas: - Eu gosto de mim como sou! Sendo um estilista de moda e em contato com a vaidade das pessoas, sinto que o mundo está vivendo um mal muito sério e generalizado: a infelicidade e a insatisfação.

/Saiba mais sobre Fause Haten/ Considerado um dos mais importantes estilistas brasileiros. Suas inspirações são distintas: as pessoas, as artes, a noite, todo e qualquer elemento cotidiano toma forma através das mãos de Fause. Já desfilou em Nova York e Milão, para onde levou sua moda sensual e sofisticadamente artesanal. Esse DNA somado à figura forte do estilista em seu próprio país elevou Fause à internacionalização de sua marca. A cada coleção Fause Haten consegue fazer o mais difícil: surpreender. Seu público, a crítica e suas exigentes clientes acompanham uma trajetória de sucesso que no auge de sua maturidade criativa ele considera um aprendizado.

/012/

Vejo pessoas de todas as idades, altura ou peso, infelizes com o que têm ou são. Percebo uma preocupação em se ter beleza e não saúde. Quero dizer às pessoas, e principalmente aos jovens, que “as diferenças fazem a beleza da humanidade, que pertencer a um grupo e ser mais um não é a solução dos

problemas...”. Algo que tenhamos diferente daquilo que é “padrão” deve e pode ser valorizado e não escondido ou disfarçado. Grandes mulheres tinham o nariz grande, mulheres elegantes, belas, amadas, admiradas: Maria Callas, Paloma Picasso, Diana Vreeland. Usaram cabelos importantes, batons vibrantes, olhos negros, roupas vistosas. A grande descoberta... a beleza do mundo, está na diferença! Na singularidade! Seios fartos, grandes pernas, cabelos volumosos, bocas grandes, gordinhas sexy, baixinhas, VIVA a diferença! 1, 2, 3, 16, 21, 33, 42... contar os anos de vida, acredito que seja o início de todo o problema. Essa contagem estabelece fases, define início, meio e fim. Não é necessário. Vivemos em um mundo onde tudo é possível, onde claramente ninguém sabe o dia de amanhã nem para o indivíduo, nem para o planeta. 47? Nem parece... 52? Nossa, você está ótimo... E daí? Vivemos em transformação. O espermatozóide encontra o óvulo e o transforma. Surge O Ser! Um ser singular, um ser que não será igual a mais nenhum no mundo, e que vai passar a vida se transformando. As transformações são sempre muito bem-vindas. O primeiro dente, os primeiros passos, a puberdade, os músculos, a criança se torna homem e mulher. E aí começa... E dizem que o tempo deveria parar, que deveríamos permanecer

jovens, que deveríamos estar sempre felizes. Do que percebo, as pessoas estão querendo parar o tempo, estão usando recursos estéticos e cirúrgicos para bloquear um processo natural da vida. E estão ficando sem vida, plastificados, sem identidade, sem desfrutar as maravilhas que o tempo traz. E dizem... Mas eu quero permanecer forte e viril. Não quero ser como meus pais que aos 50 anos eram senhores e senhoras. Qual o problema? A experiência de vida vem com a sabedoria, a calma, a segurança, quem foi que disse que as transformações da vida após os 40 anos não são mais maravilhosas do que as da adolescência? Quem foi que disse que a idade está associada à falta de vigor ou de saúde? O mundo se acostumou a ver o idoso em asilos à espera da morte. Os cabelos brancos eram sinal de velhice, e a velhice, sinal da morte, portanto os cabelos brancos deviam ser escondidos. Mas o mundo mudou... a expectativa de vida aumentou. Hoje, os 40 anos são o auge da vida de uma pessoa. Os 50 são uma idade iluminada. Os 60 carregam uma grande sabedoria. Os 70 a liberdade. Hoje olho essas pessoas e penso no quanto viveram e o quanto conhecem da vida. Quero chegar ao ano 2050 sem somar quantos anos vivi... Quero apenas ter a deliciosa sensação da sabedoria, da experiência, da tranqüilidade e da falta de ansiedade.

/013/


Quero estar em busca de novidades, quero vestir as roupas da moda, quero conhecer os artistas da época, quero ir muito ao cinema, quero dançar o que se dançar, quero ouvir a música que se ouvir. Não quero lembrar de datas, de nomes, mas quero lembrar do perfume que senti, da cor do céu naquele dia, do rosto doce daquela criança, do calor e do aconchego daquele dia que amei. Quero a moda e os modismos a meu serviço e não delimitando terrenos. Quero a vida, seu tempo, minha saúde e minha liberdade. Repense a moda, o que ela te inspira, proporciona e fortalece, e nunca permita que ela te impeça ou exclua. Faça parte! Aprenda a usar o que está a seu dispor!

Desfile primavera-verão 2008 São Paulo Fashion Week

/014/


“Algumas agências menores podem oferecer novas idéias. As agências independentes e menores podem cuidar de tarefas cuja escala é pequena demais e não lucrativa para as maiores.”

/O futuro da propaganda: uma entrevista com Philip Kotler/

/Philip Kotler/

Considerado uma autoridade mundial quando o assunto é marketing, Philip Kotler é mestre pela University of Chicago e Ph.D. pelo MIT, ambos em Economia, possui ainda o título de pós-doutorado em Matemática, por Harvard. Seus livros já foram traduzidos para mais de 20 idiomas e ultrapassam a marca de 5 milhões de cópias vendidas em 58 países. A convite da Think & Love, conversamos sobre temas como o futuro da propaganda, a convergência entre as grandes e pequenas agências, a utilização das novas tecnologias na comunicação e valores éticos e morais das marcas.

/016/

Esta é uma boa tendência e irá continuar. As grandes agências costumam manter uma linha de pensamento e de propaganda para cada cliente. Algumas agências menores podem oferecer novas idéias. Além disso, as agências independentes e menores podem cuidar de tarefas cuja escala é pequena demais e não lucrativa para as maiores.

04 - Think & Love: 01 - Think & Love:

Muitos autores já afirmaram que a propaganda tradicional morrerá nos próximos anos. Em um mundo onde a tecnologia avança diariamente, qual será o futuro da propaganda tradicional, em sua opinião?

Philip Kotler:

/Saiba mais sobre Philip Kotler/

Philip Kotler:

Quem afirma isto está errado. A propaganda tradicional abrange a TV, o rádio, as revistas, os jornais e os outdoors. Toda essa mídia continuará a ser usada mesmo que seja de uma forma reduzida e mais direcionada. Algumas novelas ainda prenderão a atenção e atingirão as pessoas que não gostam de propaganda. Algumas estações de rádio continuarão a ter audiência. Revistas especializadas que atendem a um público com interesses específicos (fãs de motocicleta ou amantes da arte, por exemplo) continuarão a fazer sucesso. Lembre-se que o público da geração mais antiga, ao contrário do público mais jovem, está menos propenso a se tornar usuário da Internet de uma hora pra outra, abandonando assim todas as mídias tradicionais. Ao mesmo tempo, uma parte da verba de promoção precisa ser transferida para mídias mais novas como o merchandising editorial, os blogs, os podcasts e o marketing viral.

02 - Think & Love:

Grupos de comunicação importantes, como o Interpublic e a WPP, têm cada vez mais investido e comprado agências de non-advertising, como

Marketing Direto, Agências de CRM, Agências de Promoção, Agências de Design e de Brand Experience, Marketing Digital, Mobile Marketing, além de outras. Por outro lado, podemos ver claramente que as fronteiras que dividem essas áreas estão desaparecendo, trazendo de volta o foco multidisciplinar. Na sua opinião, qual será o novo modelo da “agência de comunicação do futuro”?

Philip Kotler:

Essas agências são inteligentes. Elas seguem o conceito da Comunicação Integrada de Marketing (CIM). Elas estão se transformando em agências de comunicação integrada e não agências de propaganda. A grande questão está em saber se a agência irá oferecer a melhor combinação de comunicação para o cliente ou se favorecerá os componentes que trazem o lucro mais rápido para si. No passado, as agências de comunicação integrada foram acusadas de favorecer a propaganda contra outros elementos da comunicação (por exemplo, relações públicas) porque a propaganda era mais lucrativa para a agência.

As possibilidades de interatividade que a Internet e a TV digital trouxeram para a comunicação têm modificado drasticamente a forma como uma marca se relaciona com seus consumidores. Os conceitos antigos de Marketing Direto estão sendo reinventados em “tempo real” em um mundo one-to-one. Podemos ver marcas como a Amazon fazendo um trabalho excepcional com a segmentação e o foco one-to-one. Na sua visão, qual será a nova tendência in Customer Relationship Management (CRM)?

Philip Kotler:

Conforme uma empresa conhece mais sobre as atividades, os interesses e as opiniões do consumidor (AIO), ela pode se dirigir a ele de uma forma

03 - Think & Love:

Marcas muito importantes (como a Coca-Cola e a Procter & Gamble) estão começando a dividir suas verbas de marketing entre grandes agências (grandes grupos) e agências independentes (como a Naked e a Crispy and Porte). Por que isso está acontecendo? Podemos considerar isso uma tendência?

/017/


questões sociais e culturais serão a próxima tendência do marketing? Isso deveria ser uma questão obrigatória para as marcas líderes mundiais?

Philip Kotler:

mais relevante e significativa. Os vendedores fazem isto o tempo todo. Eles encaminham um artigo interessante para um consumidor que eles conhecem ou levam-no para uma exposição de arte ou um evento esportivo sabendo dos seus interesses. As empresas podem fazer isto agora em um espaço virtual. Um consumidor que seja um ávido jogador de golfe pode receber um artigo interessante sobre Tiger Wood ou, até mesmo, um convite para participar de uma palestra do Tiger Wood. O ponto principal é conhecer os interesses dos consumidores e criar um relacionamento, e não apenas ficar enviando ofertas para eles. O CRM deve buscar não apenas informações demográficas como também informações sobre estilo de vida.

Cada vez mais o público deseja que as empresas analisem suas responsabilidades corporativas em relação à sociedade e ao público. Eles não estão contentes ao ouvir sobre fraude corporativa, salários altos de executivos, preços altos e taxas de serviço, além de outros aspectos negativos dos negócios. As empresas seriam inteligentes ao aumentar sua transparência em relação à responsabilidade social e à ética corporativa. Se estamos escolhendo entre as marcas da empresa X e Y, e ambas são similares, é muito mais provável que a escolha leve em consideração qual empresa se mostrou o melhor cidadão corporativo.

05 - Think & Love:

“Cada vez mais o público deseja que as empresas analisem suas responsabilidades corporativas em relação à sociedade.”

Preocupações ecológicas, direitos humanos, éticos e valores espirituais são temas freqüentes em todos os jornais, em todos os países. Parece que as pessoas estão começando a considerar a importância de valores morais. Por outro lado, também observamos que as empresas estão começando a considerar a importância da participação social e cultural de suas marcas. Podemos dizer que depois do crescimento massivo da tecnologia,

/019/


“A discussão do branding em um contexto tão amplo nos conduz à reflexão sobre sua convergência com a gestão da reputação, que representa o somatório das percepções de todos os stakeholders a respeito da empresa.”

/DesaFios e convergências na gestão da marca e DA reputação, e seus impactos na sustentabilidade da empresa/

/Ana Luísa ALmeida e Leonardo araújo/

/Saiba mais sobre Ana Luísa de Castro Almeida/ Doutora em Administração pela UFMG e Erasmus University (Holanda), mestra em Comunicação e Cultura pela URFJ, especialista em Comunicação Integrada pela PUC-MG e graduada em Jornalismo e Relações Públicas pela PUC-MG. Diretora do Reputation Institute – Brazil. Consultora em Comunicação Organizacional e condutora de programas de desenvolvimento para diversas empresas.

/Saiba mais sobre Leonardo Araújo/ Professor da Fundação Dom Cabral, mestre em Administração pela PUC-MG. Programa STC Executivo: Skill, Tools & Competencies FDC e Kellogg School of Management(USA). Especialista em Marketing, Economista pela PUC-MG, membro do Núcleo de Inovação da FDC, coordenador técnico de Grupo de Intercâmbio Temático em Marketing do CTE – Centro de Tecnologia Empresarial da FDC.

/020/

O imperativo do triple bottom line – que focaliza os resultados da empresa mensurados em termos econômicos, ambientais e sociais – repercute em vários domínios funcionais no contexto da gestão sustentável, definida aqui como aquela capaz de gerar resultados comprometidos com a longevidade responsável do negócio. Um dos domínios funcionais, cujas estratégias e táticas devem ser repensadas amplamente neste contexto, refere-se ao branding, como disciplina que lida com a gestão da marca na dimensão corporativa e no nível dos produtos e serviços da empresa. Inserida no âmbito da estratégia mercadológica (quando foca o posicionamento do produto) e no contexto da comunicação empresarial (quando abrange a imagem institucional), a gestão da marca vem ganhando espaço crítico no cenário do marketing em tempos de competição acirrada, globalização dos mercados e democrática disseminação de informações entre as empresas e seus diversos stakeholders. Neste sentido, as expectativas dos clientes – um dos stakeholders ao qual o marketing dedica grande parcela de sua atenção – ultrapassam a oferta coerente de produtos e serviços, alcançando um patamar de exigência relacionado com atitudes responsáveis e compromissos éticos da empresa. A discussão do branding em um contexto tão amplo nos conduz à reflexão sobre sua convergência com a gestão da reputação, que representa

o somatório das percepções de todos os stakeholders a respeito da empresa.

Desafios do branding sustentável Nesse sentido, devemos refletir sobre os desafios impostos à gestão da marca que repercutem diretamente sobre os resultados da reputação. Não podemos mais definir uma estratégia de branding, ainda que na dimensão do posicionamento de um produto, sem considerar seus impactos na reputação da empresa. Se considerarmos que o produto, como entidade básica do marketing, representa um dos principais elos de relacionamento com o cliente, a estratégia de branding deve guardar rigorosa sintonia com sua efetiva proposta de valor, ou seja, com seus atributos funcionais ou intrínsecos e com seu nível de qualidade extrínseca (imagem de marca, posicionamento subjetivo, conteúdo de mensagens). A falta de sintonia resulta em perda de vendas, evasão de clientes e, principalmente, em ranhuras na reputação da empresa. Não raro, empresas que prometem muito e cumprem pouco em relação às suas ofertas ao mercado tendem a ter baixos índices de reputação, segundo atestam pesquisas do Reputation Institute (instituto de geração de conhecimento e pesquisa em reputação, fundado em 1997 pelos professores Charles Fombrun e Cees van Riel, com atuação em 20 países; em 2006, iniciou suas atividades no Brasil).

Por outro lado, na dimensão do branding corporativo, o grande desafio reside na sedimentação, entre todos os membros da organização, de uma visão estratégica e holística sobre a marca, ou seja, um propósito maior compartilhado entre todos na empresa que deve reforçar positivamente as propostas de valor posicionadas no mercado via branding de produtos. A argumentação em torno dos desafios e convergências na gestão da marca e da reputação reside fundamentalmente na coerência entre ser (como somos) e ser visto (como nos percebem). Neste sentido, o adágio walk the talk reflete a idéia de um fio condutor que garante a necessária coerência entre o que se diz e o que se faz na empresa. Trazendo esta questão para a dimensão do branding e da reputação, o círculo virtuoso entre as estratégias de branding de produtos e corporativo representa uma sinergia extremamente positiva que interfere na percepção dos stakeholders. A garantia de uma densa e positiva teia de percepções sobre a empresa representa, portanto, um fator crítico para a sua boa reputação e sustentabilidade, aliada a outros clássicos indicadores de desempenho referentes ao crescimento e à rentabilidade do negócio. No âmbito do branding de produtos, a tradicional abordagem de funil, onde são engendrados os principais passos do posicionamento, visando ativar ações do cliente (conhecimento, consideração, experiência e lealdade) em relação à proposta de valor ofertada, a questão da experiência do cliente precisa ser tratada de

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forma cada vez mais estruturada e estratégica pelas empresas. Afinal, qualquer distância entre identidade projetada pela empresa e experiência vivida pelo cliente pode ser danosa para a construção da reputação. A excelência na gestão da experiência do cliente é, portanto, fator crítico de sucesso na gestão da marca e da reputação. Da mesma forma com que as empresas se esmeram na definição de sua visão e de sua missão deveriam trazer à tona, de forma estruturada, uma reflexão estratégica entre todos os segmentos funcionais: o que significa para nós e que valor tem a experiência dos clientes com nossos produtos e serviços? Na dimensão do branding corporativo, segundo conceitos defendidos pela professora Majken Schultz, da Copenhagen Business School, as empresas devem articular estratégias que vão além da otimização de sua identidade e expressividade institucional, atingindo uma abrangência que inclui o estabelecimento de relacionamentos internos e externos de longo prazo com diversos stakeholders. Implica afirmar que a gestão eficaz da marca corporativa depende essencialmente de uma rede de relacionamentos sinérgicos, articulados por uma filosofia de negócios bem definida, um envolvimento visceral das pessoas com o significado da marca e por processos organizacionais que garantam a efetividade e a continuidade dos relacionamentos. São esses relacionamentos que podem definir se a empresa terá uma reputação forte e positiva ou fraca e negativa.

Pesquisas revelam que a reputação distingue a qualidade dos produtos e serviços; assegura a garantia de contratos; legitima o comportamento da empresa; atua como uma força que inibe novos entrantes no setor e assegura mais do que a honestidade de sua conduta nas transações: o respeito aos interesses dos diversos grupos de relacionamento. Uma reputação positiva atua como um ímã que atrai investidores e diminui os custos do capital; traz novos consumidores e retém os atuais; eleva o moral dos empregados; atrai e retém talentos; contribui para melhores negociações com fornecedores e prestadores de serviço; e leva a uma cobertura mais justa da mídia. A partir da percepção de que a reputação tem impactos sobre os resultados empresariais, tornou-se necessário entender como se dá o processo de sua construção, como lidar com a reputação no dia-a-dia da organização, como sustentá-la durante os anos e como trabalhar as diversas expectativas de diferentes grupos de relacionamento. Este tem sido um dos grandes desafios das organizações na atualidade, visto que a maioria das empresas dispõe muitas vezes de recursos tão similares para competir entre si que a decisão por uma ou outra poderá ocorrer levando-se em conta sua reputação. Embora alguns autores utilizem os conceitos de imagem e reputação organizacional como sinônimos, recentes estudos sobre reputação destacam duas características distintivas: reputação é construída ao longo dos anos e tem como base as ações e comportamentos da organização. A reputação pode ser entendida como um crédito de confiança adquirido pela organização, associado a um bom nome, familiaridade, boa vontade, credibilidade e reconhecimento. Quando falamos de reputação devemos entender que se trata de uma

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percepção dos diversos segmentos de públicos que se relacionam com a organização e se constrói a partir de múltiplas e diversas fontes de informação e experiência. A proliferação da informação e das mídias, a transparência na condução dos negócios, exigida pelos acionistas e pelo público em geral, e o aumento da importância da responsabilidade social são algumas das principais razões pelas quais as organizações vêm empreendendo esforços na construção e manutenção de uma reputação corporativa favorável. A reputação tem valor econômico porque é difícil de imitar. Competidores não podem simplesmente replicar as características e os processos organizacionais singulares que geram a reputação. Talvez ela seja de todas as bases de diferenciação a mais difícil de reproduzir. A reputação é, nessa perspectiva, uma fonte de geração de vantagem competitiva sustentável e o recurso intangível mais importante de uma organização. Para que se estabeleça um processo de gestão eficaz da reputação, a organização deve cuidar de quatro importantes aspectos que influenciam suas relações internas e externas: a percepção dos stakeholders externos; o alinhamento dos empregados à estratégia organizacional; a cobertura da mídia e as mensagens corporativas produzidas e veiculadas pela organização. Uma das metodologias de análise da percepção dos stakeholders externos, desenvolvida pelo Reputation Institute – o modelo de pesquisa RepTrak®, propõe a análise da reputação considerando 7 dimensões: Produtos e Serviços, Inovação, Liderança, Cidadania, Desempenho Financeiro, Governança e Ambiente de Trabalho. Os resultados de pesquisas mostram que cada um destes fatores interfere diretamente no grau de admiração, respeito e confiança dos indivíduos em relação às organizações. Cada uma dessas dimensões pode variar de acordo com a cultura e o desenvolvimento social do país. No Brasil, os estudos

indicam que a dimensão responsabilidade social tem um valor significativo no peso da reputação e as pessoas valorizam as ações de empresas que contribuam para o desenvolvimento do país. O segundo aspecto importante na gestão da reputação é o alinhamento dos empregados com as estratégias organizacionais. Em geral, as organizações investem tempo, esforço e muito trabalho na definição de suas estratégias e, nem sempre, o mesmo empenho é dedicado a fazer com que os empregados conheçam, entendam, apóiem e executem as estratégias. O gap entre a definição de estratégias e a sua execução influencia diretamente a reputação. A falta de alinhamento interno repercute externamente, gerando muitas vezes imagens dúbias. Isso ocorre, por exemplo, quando a empresa divulga e promete algo que nem sempre os empregados conseguem entregar aos clientes. As expectativas geradas não são atendidas, os resultados fragilizam a relação empresa-cliente e a credibilidade se perde. O terceiro aspecto que a empresa deve cuidar de forma efetiva é a cobertura da mídia. Nos últimos anos, a imprensa tem ampliado o espaço de cobertura dos negócios e empresas, reconhecendo o interesse maior da sociedade pelo tema. Além do tradicional papel de disseminar informações, a imprensa vem também assumindo a função de vigiar o comportamento das empresas. Alguns exemplos são as coberturas de crises empresariais como da Parmalat, Ford e Firestone, que afetam diretamente as ações das empresas. Estudos realizados, avaliando 17 crises empresariais, comprovam que depois de passar por uma crise empresarial, uma empresa leva, em média, dois anos e meio para se recuperar e voltar a atuar nos mesmos patamares de antes da crise. Os resultados indicam também que as empresas de reputação mais forte conseguem reduzir este tempo significativamente.

O quarto aspecto determinante na gestão da reputação são as mensagens corporativas produzidas e veiculadas pela empresa por meio de seu processo de comunicação. Somando-se às ações gerenciais, uma política de comunicação eficaz pode contribuir significativamente para criar e sustentar a reputação. Observa-se que, através do processo de comunicação, a organização demonstra suas habilidades, competências e conhecimentos específicos, que poderão lhe garantir uma posição diferenciada.

O valor da convergência entre branding e reputação Como reputação é a soma das percepções sobre a capacidade de a empresa gerar valor para os seus diversos públicos, como fornecedores, clientes, investidores, funcionários e comunidade, o desafio para as empresas está na capacidade de gerenciar seus relacionamentos, desenvolvendo ações e comportamentos que sejam consistentes, coerentes e transparentes. Grande parte do relacionamento da empresa com seus stakeholders se dá no processo de gestão de sua marca, seja no nível de produto e/ou no nível corporativo. Por isso, a marca deve ser estrategicamente gerenciada como um conjunto de experiências e, ainda, como um dos ativos econômicos mais importantes para a empresa, por ser distintivo, agregar valor ao negócio, ser único e intransferível. Se por um lado são grandes os desafios da gestão da marca, por outro, os resultados positivos na percepção dos stakeholders seguramente vão sustentar uma reputação forte e positiva que permitirá às empresas uma sustentabilidade apoiada no triple bottom line. Comprova-se, assim, o retorno estratégico para a empresa do gerenciamento.

Artigo publicado originalmente na edição 3 da Revista DOM, da Fundação Dom Cabral – Julho/Outubro 2007.

A gestão da reputação como ativo estratégico

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“Da China à Colômbia, do Líbano à África do Sul, vários países ditos em desenvolvimento têm olhado a economia criativa sob o ângulo que faz a diferença: o que busca caminhos para transformar criatividade em recursos socioeconômicos.”

/Ana Carla Fonseca Reis/

/Economia Criativa: transformando criatividade em renda e benefícios socioeconômicos/ Saindo dos bastidores das discussões restritas à Europa, aos Estados Unidos e à Oceania, a economia criativa finalmente vem tomando lugar de atriz oficial nos debates e conferências brasileiros. A contribuir para esse momento, representantes do governo, de empresas privadas e de instituições sem fins lucrativos discutem o papel da cultura e da criatividade como base de desenvolvimento de uma região ou país, no que se tem chamado de “economia criativa”. Mas, afinal o que é isso? A bem da verdade não há um conceito único – e está justamente aí a oportunidade para que nós definamos o conceito que mais nos interessa no Brasil. Como? Analisando o que realmente nos interessa em termos socioeconômicos e onde o Brasil pode utilizar sua maravilhosa e tão propalada criatividade como motor de desenvolvimento. Quimera? A julgar pelos países que vêm seguindo essa estrada, muito pelo contrário...

/Saiba mais sobre Ana Carla Fonseca Reis/ Administradora Pública pela FGV, Economista e mestre em Administração pela USP, Doutoranda em Arquitetura e Urbanismo pela USP, Ana Carla é conferencista internacional. Fundadora da empresa “Garimpo de Soluções – Economia, Cultura e Desenvolvimento”, consultora em Economia Criativa para a ONU, curadora da conferência britânica “Creative Clusters”, Diretora de Economia da Cultura do Instituto Pensarte, coordenadora do curso “Gestão de Políticas e Produtos Culturais” da Faculdade São Luís e assessora da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo. Co-autora de “Teorias de Gestão – De Taylor a nossos Dias” e autora de “Marketing Cultural e Financiamento da Cultura” e “Economia da Cultura e Desenvolvimento Sustentável - o Caleidoscópio da Cultura” (Prêmio Jabuti 2007).

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Na dianteira desse debate encontra-se indubitavelmente o Reino Unido. Inspirando-se em uma proposta que surgiu na Austrália, em meados nos anos 1990 – a das indústrias criativas -, o papel econômico da criatividade tomou corpo em 1997, quando o trabalhista Tony Blair chegou ao poder no Reino Unido. Preocupado com a derrocada das

manufaturas na economia nacional, em meio às transformações da União Européia e diante das ameaças das novas potências mundiais (dentre outros o já crescente fantasma da China...), Blair analisou as contas nacionais e selecionou treze setores que apresentariam maior potencial para a economia do país. O que eles têm em comum? A criatividade humana e a capacidade de gerar direitos de propriedade intelectual – equação perfeita para o contexto britânico. Entraram nesse balaio todas as indústrias culturais – reconhecendo o valor econômico da cultura - e outras que, embora não sejam necessariamente culturais, bebem da cultura para produzir bens e serviços criativos funcionais, como moda, design, software, arquitetura e propaganda. Afinal, quem duvida que a propaganda tem seus contornos definidos pela cultura de seus consumidores? E basta assistir a um dos desfiles da São Paulo Fashion Week, hoje a quinta maior semana de moda do mundo (atrás dos tradicionais eventos de Paris, Milão, Londres e Nova York), para perceber a inspiração cultural dos estilistas. Mas como o Reino Unido fez para transformar essa boa intenção nos nada negligenciáveis 7% do PIB que essas indústrias criativas representam no país? Para começar, reuniu diversas pastas do governo (Cultura, Desenvolvimento, Turismo, etc.) e representantes do setor privado, que passaram a se organizar em

forças-tarefa. Algo como uma parceria público-privada levada a sério, não em um projeto isolado, mas em um projeto nacional de desenvolvimento. Como maestro dessa empreitada foi designado o ex-Secretário da Cultura, Chris Smith, que esteve no Brasil em maio último, a convite da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo. Quando lhe perguntei quais desafios espreitam a economia criativa britânica nos próximos tempos (vale lembrar que o objetivo do país é transformar-se no pólo criativo do mundo), Lord Smith enfatizou dois: os direitos de propriedade intelectual (referindo-se não apenas à necessidade de controle da pirataria, mas também de adaptação das indústrias, como a musical, ao modelo digital) e a complacência. Sim, porque o fato de a economia britânica ser hoje a quarta maior economia do mundo não garante seu sucesso no futuro. Que o diga a Comunidade Européia, esse quebra-cabeças de 27 peças, cada uma defendendo e tratando cultura e criatividade de forma distinta, em uma participação econômica que varia de 0,2% a vários pontos percentuais do PIB. Mesmo congregando algumas das maiores economias do mundo, como Alemanha, França, Itália e o próprio Reino Unido, um estudo publicado ao final do ano passado pela Comissão Européia deixou patente o papel da cultura e da criatividade para assegurar o futuro da identidade nacional e da competitividade econômica da região: “O estabelecimento da Europa como um pólo criativo é essencial para a competitividade da União (Européia)... (e) deveria colocar cultura e criação no cerne do projeto europeu para beneficiar a economia européia e seu crescimento”. Se na Europa esse debate já tem dez anos, nos Estados

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Unidos o poder das indústrias culturais para gerar benefícios socioeconômicos vem sendo trabalhado desde a década de 1930. E os resultados são de encher os olhos. Segundo a IIPA - International Intellectual Property Alliance, entidade que congrega, dentre outros, os grandes conglomerados das indústrias culturais no país, os direitos autorais representam diretamente 6% do PIB nacional ou, indiretamente, 12% (nada menos de US$ 1,58 trilhão...). “Ora”, dirão os céticos de plantão, “então a economia criativa é mais um filão destinado às economias robustas?” Longe disso. Da China à Colômbia, do Líbano à África do Sul, vários países ditos em desenvolvimento têm olhado essa questão sob o ângulo que faz a diferença: aquele que busca caminhos para transformar uma abundante criatividade em recursos socioeconômicos.

“Resta saber quais serão os povos que continuarão a contribuir para esse enriquecimento e quais são aqueles que serão relegados ao papel passivo de simples consumidores de bens culturais adquiridos nos mercados.”

Criatividade e direito à criatividade, duas questões diferentes. Esbanjamos a primeira, apanhamos para fomentar a segunda. Pois talvez tenha chegado a hora de reverter essa situação e trabalhar a riqueza cultural e a abundante criatividade brasileira em um potente diferencial competitivo. Ou, nas palavras do saudoso Celso Furtado, em seu delicioso livro “Cultura e Desenvolvimento em Época de Crise”, “Todos os povos lutam para ter acesso ao patrimônio cultural comum da humanidade, o qual se enriquece permanentemente. Resta saber quais serão os povos que continuarão a contribuir para esse enriquecimento e quais são aqueles que serão relegados ao papel passivo de simples consumidores de bens culturais adquiridos nos mercados. Ter ou não direito à criatividade, eis a questão”.

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Fotos Erika Morais

/Pixel Show 2007/

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Aconteceu nos dias 29 e 30 de setembro, em São Paulo, o Pixel Show 2007, uma das conferências de design mais esperadas do ano, organizada pela Zupi, marca criada pelo artista gráfico Allan Szacher. Com cerca de 700 participantes, profissionais e estudantes vindos de diversas partes do Brasil, o Pixel Show 2007 foi marcado, mais uma vez, pela criatividade dos palestrantes, que deram um baile de profissionalismo e bom humor; dos organizadores, sempre simpáticos e atenciosos; e principalmente dos participantes que interagiram durante todo o evento na confecção de um painel de 12 metros de largura que mudava a cada intervenção.


Além da programação do auditório principal, foi criada nesta edição da conferência, a Sala Especial 3D, com uma programação específica na área, além de uma lan house e uma minifeira com apresentação de empresas e produtos da área do design. A lista de palestrantes foi grande, entre eles: Cássio Leitão, criador de marcas consagradas como UOL e Trama; o casal Adriana e Guto Lins, responsáveis, entre outros trabalhos, pela identidade visual de diversos filmes premiados do cinema nacional, como o documentário /030/

“Nelson Freire”, de João Moreira Salles, e o filme “Cidade Baixa”, de Sérgio Machado; e o fotógrafo e skatista Flavio Samelo, que realiza trabalhos para revistas como a “Bravo” e a “Rolling Stone Brasil”, entre outras. Design gráfico, televisão, ilustração, fotografia, Internet, moda, filme, grafite e animação são os principais focos da conferência realizada anualmente desde 2005. E a organização promete: ano que vem tem mais! www.pixelshow.com.br /031/


“A construção da reputação se dá de maneira contínua, num processo meticuloso e cheio de nuances que se materializa no cotidiano das organizações.”

/Reputação & inovação: binômio da sobrevivência/ Centro das maiores preocupações no meio empresarial hoje, a inovação é certamente fator de fundamental importância para a sobrevivência das empresas. Com as constantes mudanças no mundo dos negócios é cada vez mais evidente a contribuição da inovação, em todos os seus aspectos – processos, produtos e comunicação –, para o diferencial das organizações.

/Ricardo Siqueira Campos/ /Saiba mais sobre Ricardo Siqueira Campos/ Assessor de Relações Institucionais da Fundação Dom Cabral. Graduado em Comunicação, pela FAAP/SP, em 1986, DMA – Direct Marketing Association, Chicago/ USA, em 1997, Reputation Institute Conference Oslo/ Nor way, em 2007. É profissional especializado em Comunicação Empresarial, com formação em Administração de Empresas e MBA Executiva Internacional pela Fundação Dom Cabral, em 2005.

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Não obstante, poucas pessoas e organizações têm a real clareza do seu impacto na imagem e na reputação empresarial. Freqüentemente ouvimos falar sobre reputação e, talvez, nem sempre nos atentamos para a importância desse assunto. Porém, quando uma empresa como a Varig entra em colapso e fica prestes a desaparecer, percebemos o valor da imagem e da identificação com a sociedade, enfim, da reputação construída ao longo dos anos e do poder que esta reputação exerce para mantê-la viva. Nesse caso, apenas a inovação não seria suficiente para assegurar a sua sobrevivência. Será que uma empresa inovadora do mesmo setor, com pouco tempo no mercado, em uma situação semelhante, resistiria tanto sem a reputação de uma Varig? A construção da reputação se dá de maneira contínua, num processo meticuloso e cheio de nuances que se materializa no cotidiano das organizações. Constituída por diversos fatores e percepções de públicos distintos, ela se forma a partir da identidade e da elaboração da imagem interna, composta pelos

valores, pelo propósito, pela cultura e também pelas atitudes dos colaboradores dessa organização. Assim, a reputação pode determinar uma excelente imagem e um nível de boa percepção, além de sentimentos de pertencer, confiança, respeito e admiração que os consumidores têm em relação a uma companhia. Ou, no caso oposto, construir uma imagem negativa em relação às atitudes, aos produtos e serviços junto aos seus stakeholders, contribuindo para a temida má reputação. Entretanto, muitas vezes essa percepção sobre determinada empresa não é a mesma que seus dirigentes gostariam ou pretendiam constituir. Quando isso acontece, temos uma incompatibilidade da imagem, que reflete diretamente na reputação percebida pelo público externo e causa uma distorção (geralmente, para o lado negativo). Como exemplo, podemos citar aquela empresa que tem um discurso muito distante da sua prática interna – alguém conhece ou já ouviu falar de algum caso assim?

unilateral, eles são baseados nas atitudes, mensagens, experiências e ações que passamos e como somos percebidos, não podendo ser contornados com falsas promessas. Segundo o filósofo Sócrates, “a maneira de se conseguir boa reputação reside no esforço em ser aquilo que se deseja parecer”. No entanto, não basta construir, é preciso manter a sua reputação. Tarefa que significa reafirmação dos valores, dos produtos, das atitudes em todos os níveis e da coerência na comunicação. Nos dias de hoje, em que a diferenciação, que passa pela inovação, é cada vez mais um fator de sobrevivência, manter a reputação também é uma questão sine qua non. Mas como inovar conservando os valores percebidos? A inovação deve ser pensada em todos os seus aspectos. Contudo, se ela provoca uma grande mudança, pode gerar uma ruptura entre os stakeholders e a organização. Isso porque quando a empresa inova está sujeita a perder sua referência e, conseqüentemente, a sua reputação, uma vez que reputação tem a ver com reconhecimento pelo público. Para uma organização plenamente estabelecida – onde os valores

Podemos também ter outra situação, em que, mesmo alinhada com seus valores, a imagem construída internamente difere da percebida pelo público externo. Existe, então, um gap entre o que todos acreditam internamente e o que não consegue ser percebido fora daquele meio. Isso porque fatores como confiança, respeito e admiração da empresa e dos seus produtos não devem ser construídos de forma superficial ou

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percebidos são tradição, confiança na empresa, nos seus produtos ou serviços atuais –, uma mudança radical, pela sobrevivência ao longo prazo, poderá ser traumática. Aqui, há um dilema: se, por um lado, o processo de reeducação pode custar uma perda inicial de reputação para a organização, por outro, ao não buscar novas competências, ela corre o risco de sucumbir. É importante que esse paradoxo seja trabalhado em todos os seus aspectos: criar, mudar, inovar e não perder a referência que mantém a sua reputação. Já quando uma empresa entra no mercado com novas propostas, navegando no desejado “oceano azul”, ela nasce dentro de uma percepção diferenciada. Nesse caso, a inovação é identificada como valor e a instituição passa a ser admirada e respeitada por isso. Essa percepção, inclusive, está ligada ao reconhecimento pela mídia em que uma empresa “inovadora” é uma empresa de “sucesso”. Alguns executivos pensam em inovação como tecnologia, e os consumidores pensam inovação como uma nova experiência. Um bom exemplo disso é o Google, que reúne as duas percepções. O desafio está na inovação ser parte de tudo o que fazemos. Um processo contínuo na empresa sendo também percebido como valor interno. Nas organizações mais estabelecidas, esse processo deve ser incentivado, sistematizado, de forma a envolver a todos, tornando-se parte da sua cultura e, assim, relevante para os seus colaboradores. Dessa forma, a inovação transcende as barreiras da organização, passa a ter importância para os demais stakeholders, se firma como fator positivo de imagem e reputação, e, por conseqüência, de sobrevivência.

/Indivíduo, família, bairro, cidade, país, planeta./ Think & LOve Pense e Ame

/Consciência e Atitude Por um mundo melhor./ /034/


“Trabalhar com pessoas, crianças, jovens e adultos, em nome da Xuxa – mito, referência nacional – é uma experiência complexa.”

/O melhor programa da Xuxa: Entrevista com Angélica/

/Fundação Xuxa Meneghel/

/Saiba mais sobre Angélica goulart/ Angélica Goulart é Diretora Administrativa da Fundação Xuxa Meneghel. É professora e assistente social. Possui experiência em educação formal e informal e assistência social por mais de 30 anos. Graduada em Serviço Social pela Escola de Serviço Social da UFF, especialista em Serviço Social e Desenvolvimento Comunitário pelo Centro de Estudos Internacionais em Ciências Sociais / Jerusalém – Israel, especialista em Direito Especial da Criança e do Adolescente – Faculdade de Direito – UERJ, especialista em Violência Doméstica – Instituto de Psicologia – USP, possui MBA em Responsabilidade Social e Terceiro Setor – Instituto de Economia – UFRJ e mestrado em Bens Culturais e Projetos Sociais - FGV / GPDOC - PPHPB - Programa de Pós-Graduação em História, Política e Bens Culturais.

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01 - Think & Love:

Como é trabalhar com uma das maiores artistas do país, que carrega todo o glamour da mídia, num trabalho tão humano, quase paradoxal ao universo das celebridades?

Angélica:

Trabalhar com pessoas não é simples. Trabalhar com pessoas que vivem em vulnerabilidade social, numa sociedade desigual como a nossa, não é simples. Trabalhar com crianças, em qualquer situação, não é simples. Trabalhar com pessoas, crianças, jovens e adultos, em nome da Xuxa – mito, referência nacional – é uma experiência complexa. Assim, o grande desafio é centrar o foco no trabalho a ser realizado, incluindo a seriedade, a responsabilidade e a transparência que todo e qualquer trabalho pressupõe. Entretanto, não posso deixar de mencionar que a forma como a Xuxa se relaciona com o trabalho da Fundação facilitou muito a gestão desta ação social que leva o seu nome. Pois nossa relação é baseada em princípios humanitários. A Xuxa mostra a sua essência generosa e sensível, de profundo respeito pelo outro. É uma relação especialmente pautada no profissionalismo e isto se constitui ao mesmo tempo num privilégio e em responsabilidade.

02 - Think & Love:

Quais as atividades que a Fundação Xuxa Meneghel oferece à comunidade local? Conte-nos um pouco como tudo começou e evoluiu.

Angélica:

Instituída em 1988 e inaugurada em 1989, a Fundação Xuxa Meneghel

atende crianças, adolescentes e suas famílias em Guaratiba, desenvolvendo atividades nas áreas de Educação & Cidadania, Saúde & Ecologia, Arte & Cultura e Esporte & Lazer e projetos de aumento de escolaridade, capacitação profissional, geração de renda, inclus��o digital e inglês. A instituição participa de movimentos sociais e investe na rede socioeconômica e cultural local, o que amplia as perspectivas e a sustentabilidade do bairro e da região, gerando o ambiente propício à estruturação das famílias. As crianças de três a cinco anos são atendidas em horário integral, num formato de educação infantil, e as crianças de 6 a 12 anos em horário complementar ao da escola pública, em oficinas artísticas, esportivas e culturais. Nossa missão é “contribuir para que as crianças, jovens e famílias de Guaratiba, que vivem em situação de vulnerabilidade social, tenham oportunidade de transformação dessa condição, construindo sua identidade pessoal e fortalecendo seu vínculo comunitário por meio de ações socioeducativas e culturais”. Neste contexto comunitário, a Fundação Xuxa Meneghel desenvolve suas ações há 17 anos. No começo eram 180 crianças. Hoje, atendemos 1.600 pessoas, entre crianças, jovens e adultos. A Fundação tem no quadro funcional 30 especialistas da área social e educacional e funcionários de apoio, todos educadores. Temos também 30 colaboradores no programa Voluntário Amigo da Fundação Xuxa. O impacto do trabalho é medido pela matrícula e permanência das crianças e adolescentes na escola pública e, conseqüentemente, pela redução da evasão escolar; pelo aumento

da escolaridade de jovens e adultos moradores da localidade; pela qualificação profissional de jovens e adultos; pela aproximação e apropriação dos usuários de seus direitos fundamentais; pela inserção de jovens no mercado de trabalho; pelo fortalecimento de vínculos comunitários; pela formação de pessoas que repensam e contribuem para a transformação do espaço em que vivem. A história da Fundação não dá para ser contada. É preciso ser assistida visitando-a ou assistindo ao vídeo institucional disponível no site.

03 - Think & Love:

Como você vê o Terceiro Setor no Brasil atualmente?

Angélica:

Quando implantamos o projeto da Fundação Xuxa, a lógica vigente ainda era a filantropia com fins caritativos, embora o momento político apontasse para importantes transformações. De lá para cá, muito se caminhou na concepção da participação da sociedade civil na construção de um país mais justo. Temos que considerar que houve uma mudança na complexidade dos problemas sociais, e as respostas que tínhamos construído já não davam conta das questões que se apresentam hoje: violência, inadequação do processo de escolarização de crianças jovens e adultos, exclusão social por desemprego, geração de renda insuficiente e conseqüente falta de acesso ao consumo básico para uma vida digna... Velhos problemas, mas traduzidos em novas e infinitas variáveis. Quem pode contribuir de forma efetiva para a

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“A história da Fundação não dá para ser contada. É preciso ser assistida visitando-a ou assistindo ao vídeo institucional disponível no site.” www.fundacaoxuxameneghel.com.br


solução desses problemas em grande escala é o poder econômico, em aliança com o poder político. Estado e Mercado precisam se mobilizar dentro de suas competências para responder aos direitos dos cidadãos deste país. O Terceiro Setor entra com a base da experiência construída ao longo de décadas pesquisando, estudando e trabalhando diretamente com as mazelas sociais. Creio que neste exato momento de profundas mudanças, estamos caminhando para um equilíbrio entre estas forças sociais, antes tão excludentes. Avançamos com a criação de marcos legais e com as experiências que nos mostram que a certeza e a razão transitam, e que nenhum dos construtores destes setores é maquiavélico. E que é possível juntar competências e obrigações, complementando-se na ação de promoção de direitos humanos e sociais. Hoje verificamos um “boom” do Terceiro Setor, com seus representantes mais afinados e comprometidos tanto com processos como com resultados, numa perspectiva de responsabilidade social cidadã. A realidade dita a urgência de encontrarmos respostas para os problemas socioambientais das nossas comunidades, do nosso país, do mundo, do nosso lar planetário.

04 - Think & Love:

Como você acredita que o trabalho da Fundação Xuxa possa ser multiplicado pelo Brasil afora?

Angélica:

Um dos propulsores dos problemas sociais que hoje atormentam população e governos foi o projeto de

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industrialização do país, que concentrou produção e renda nas grandes cidades. Hoje, na pós-modernidade, num mundo globalizado parece não haver lugar para todos. Assim, entendemos que uma alternativa viável é o incentivo ao desenvolvimento local sustentável. A criação de perspectivas econômicas solidárias, coletivas, comunitárias. É nisto que acreditamos. O trabalho da Fundação Xuxa parte de uma ampla base comunitária, assim como muitas outras iniciativas pelo país afora, e pode ser, replicado na sua matriz metodológica. Mas há que se considerar e respeitar a realidade local em suas vocações, suas potencialidades, competências e necessidades e, a partir destas considerações, estabelecer um plano estratégico com a participação da população local.

05 - Think & Love:

trabalho voluntário, que potencializa projetos institucionais, como o curso pré-vestibular comunitário “A Cor da Gente”, o projeto “A Cor da Arte” e as oficinas artísticas, esportivas e culturais com crianças e jovens. Os profissionais liberais dos Voluntários Amigos da Fundação nos apóiam em suas especialidades, como médicos, dentistas, advogados e outros. Pequenas empresas doam seus serviços e contribuem para a qualidade do serviço que prestamos. Os trabalhos em rede, como o NUDECA e o Não Bata, Eduque, ajudam a potencializar ações de proteção e defesa dos interesses da criança e do adolescente. Ao contabilizar nossos parceiros, sentimos uma grande alegria, pois temos muitos em quantidade e diversidade. É como fazer amigos de verdade durante a construção da nossa história institucional.

Quais são e como é a participação das empresas parceiras da Fundação Xuxa?

06 - Think & Love:

Angélica:

Angélica:

Nossos parceiros, que além de suas especialidades aportam recursos financeiros regular e sistematicamente, são: Instituto Embratel 21 (inclusão digital), Microlins (escola de capacitação profissional), Number One (escola de idiomas). Temos uma parceria com a Candide (concretizada há meses), por meio de uma doação mensal para apoiar a nossa manutenção. Recebemos algumas “poucas” doações pontuais de diferentes fontes privadas. E temos ainda os parceiros históricos que compartilham de nossos objetivos sociais: ISER e Viva Rio (aumento de escolaridade), CDI (inclusão digital), organizações governamentais e nãogovernamentais locais, regionais, nacionais e internacionais em projetos, programas e campanhas. Nesta modalidade, não arrisco citar nomes correndo o risco imperdoável de omitir alguns. São escolas, postos de saúde, igrejas, universidades, institutos de pesquisa, fundações. Uma modalidade de parceria que vem crescendo é o

A Fundação ainda tem interesse em novos parceiros? De que áreas?

A Fundação está sempre aberta a novas parcerias com organizações que acreditam na justiça, na solidariedade e têm compromisso com procedimentos éticos, responsabilidade com a vida plena e digna a que todas, absolutamente todas, as pessoas têm direito. Nas áreas de Direitos Humanos e Infância cabem muitas iniciativas inovadoras. Estamos ávidos por compartilhar nossos ideais com mais pessoas e organizações.

07 - Think & Love:

O que a Fundação lhe fez pensar como profissional do Terceiro Setor?

Angélica:

Que há sempre o que aprender e compartilhar. E que para esta área de trabalho temos que acreditar na possibilidade de transformação de cada pessoa e de todas as vidas no seu sentido individual e coletivo. É preciso manter a autocrítica e a humildade para aprender com nossos erros, paciência para lidar com nossas

“A realidade dita a urgência de encontrarmos respostas para os problemas sOcioambientais das nossas comunidades, do nosso país, do mundo, do nosso lar planetário.” impotências diante da imensidão de nossa tarefa e, sobretudo, perseverança em manter viva a chama da esperança. Que a escolha por esta área ultrapassa a opção profissional: precisamos sim de muito profissionalismo, seriedade e competência, mas precisamos também, ao escolher trabalhar neste setor, fazer uma opção de vida. Isso não tem nada de romântico ou religioso, mas de objetivo e político. Pois nós nascemos predestinados à felicidade, e a qualificação e a capacitação profissional respondem a parte da necessidade para sermos bem-sucedidos nos nossos projetos de vida. Mas é fundamental ter vocação para lidar com o que é o oposto dos padrões de beleza, perfeição e facilidades - que são valores predominantes na sociedade contemporânea.

08 - Think & Love:

Que mensagem você enviaria aos grandes executivos e empresários deste país?

Angélica:

“Tá na hora , tá na hora...” de a gente não apenas parecer um grande país, mas sermos um grande país. Precisamos encurtar o caminho das diferenças sociais e para isto pensar e investir nos resultados do crescimento dos negócios com a mesma força, interessee energia que investimos nos processos de transformação que precisamos operar para construir uma sociedade mais igualitária. Nesta roda há muita gente ética, justa e generosa que tem poder de decidir as regras do jogo e há também muita gente ética, justa e generosa espreitando,... à espera de oportunidade para entrar na brincadeira de ter uma vida boa, direito de todos nós. Precisamos cuidar com especial atenção e carinho da infância brasileira. Investir no seu futuro é investimento com retorno seguro.

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/Saiba mais sobre a Fundação Xuxa Meneghel/

/O melhor programa da Xuxa: Entrevista com Xuxa/ Xuxa dispensa apresentações. Premiada e reconhecida pela crítica e público como apresentadora, cantora e atriz, a Rainha dos Baixinhos está há quase 20 anos à frente da Fundação Xuxa Meneghel, que atende crianças e adolescentes em Guaratiba, bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Nesta entrevista, Xuxa conta para a Think & Love um pouco da história da Fundação e fala sobre a importância deste trabalho na geração de oportunidades.

01 - Think & Love:

Xuxa, como e quando surgiu a idéia da Fundação? Por favor, conte-nos um pouco desta história.

Xuxa:

Tudo começou com um sonho meu. Uma vez fui participar de um evento na Pavuna, Zona Norte do Rio de Janeiro, e uma senhora me convidou para conhecer a casa dela. Quando cheguei lá, vi que ela tomava conta de 80 crianças. Saí dali pensando: “Puxa, uma pessoa praticamente sem recurso nenhum consegue tomar conta de tantas crianças. Por que eu também não posso fazer um pouquinho?”. Foi ali que tudo começou. Hoje, quando encontro alguém da Fundação que vem falar comigo, eu abraço como se fosse alguém da minha família. Vejo um sonho meu “andando”, fazendo cinco, quinze, vinte anos. Com eles aprendi o melhor. Eles são felizes e sabem dar mais do que receber!

02 - Think & Love:

Muitos ainda não conhecem este seu trabalho, existia ou ainda existe algum receio de divulgá-lo?

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Xuxa:

Não gosto de falar das coisas que fiz. Não é preciso falar e sim fazer. Não gostava nem de falar da Fundação e tudo que era feito lá. Hoje, depois de 20 anos de um trabalho reconhecido, resolvi mostrar a Fundação para incentivar, tocar o coração de outras pessoas como aquela senhora da Pavuna tocou o meu. Quero mostrar que é possível, basta querer de verdade e quem sabe, eu possa influenciar outras pessoas para que elas possam abrir outras fundações.

03 - Think & Love:

Quais foram as situações que mais a emocionaram nesses 20 anos de existência da Fundação?

Xuxa:

As lições de vida... Cada abraço apertado que recebi, cada beijo, cada sorriso... Tudo foi muito emocionante... Minha relação com eles, que têm a Fundação como casa, é tão especial e única que não dá pra explicar, só sentir. É muito minha e deles.

04 - Think & Love: O que a Fundação lhe fez repensar na sua vida?

Xuxa:

Tenho absoluta certeza de que tudo que fiz, faço e o que vier a fazer de bom pelas crianças ainda será muito pouco se comparar com tudo o que recebi e recebo diariamente. Um dos meus maiores orgulhos na vida é a Fundação. Hoje encontro com pessoas que cresceram lá e me

Quando foi fundada: 12 de outubro de 1989. contam histórias de vida fantásticas! Eles voltam à Fundação, hoje, para ajudar outras crianças, como voluntários, dividindo o que aprenderam, ajudando outros baixinhos e altinhos, que, como eles, só precisam de uma oportunidade.

05 - Think & Love:

Que mensagem você gostaria de deixar para outros empresários e artistas no “repensar” da sociedade?

Xuxa:

Se alguém tiver a possibilidade, ajude. Todos vão sair ganhando e talvez um dia a gente não vá mais ser visto como um país do Terceiro Mundo. É triste ver que poucas pessoas falam no assunto. Se todos sonharem juntos, outras pessoas vão abrir novas fundações.

Por quem foi fundada:

Maria da Graça Xuxa Meneghel.

Objetivo principal da entidade:

Contribuir para que crianças, jovens e famílias que vivem em situação de vulnerabilidade social tenham oportunidade de transformação dessa condição construindo sua identidade pessoal e fortalecendo seu vínculo comunitário, por meio de ações socioeducativas e culturais.

Projetos existentes na entidade por área de atuação:

Atendimento às crianças, atendimento a adolescentes e jovens da comunidade, atendimento às famílias, relação comunitária, participação em redes de atendimento a crianças e adolescentes.

Mantenedores atuais:

Xuxa é a principal mantenedora. Temos uma variada escala de parceiros, doadores que contribuem diretamente para a manutenção institucional, como por exemplo a Candide, que contribui de forma expressiva, e outros licenciados da Xuxa Produções.

Gestores atuais:

A entidade se constitui pelo regime jurídico de fundação privada filantrópica de interesse público. A administração se dá através de três conselhos: O Diretor, composto pela presidente Maria da Graça Xuxa Meneghel, o Operacional e o Administrativo. A instituição conta também com um Conselho Curador e um Conselho Fiscal.

Como as empresas (PJ) podem ajudar a entidade?

Há varias formas e possibilidades de apoio, desde a integração de ações, a doação no formato de suas principais competências e serviços, a doação dirigida a um projeto específico da instituição ou investimento numa ação ou causa que a empresa pretende realizar e está em busca de um parceiro local, com afinidades de princípios e interesses, até a contribuição para a ampliação dos projetos institucionais. Temos um banco de projetos aguardando possibilidades de financiamento,

Como os cidadãos (PF) podem ajudar a entidade?

Na escala individual, usando os mesmos mecanismos citados, destacando a modalidade de participação no programa Voluntário Amigo da Fundação Xuxa.

Canais para contato:

www.fundacaoxuxameneghel.com.br e-mail:fundacao@portalx.com.br Telefax: (21) 2417.1925 e (21) 2417.1252

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“A Fundação Abrinq já beneficiou mais de 4 milhões de crianças e adolescentes em todo o Brasil, mas apesar de todos os avanços é evidente que ainda há muito o que ser feito.”

/Repensar o futuro de crianças e adolescentES é pra já/ Com 17 anos de atuação, a Fundação Abrinq é hoje uma adolescente que nasceu com o objetivo de promover a defesa dos direitos e o exercício da cidadania da infância e da juventude.

/Fundação Abrinq/

Esta semente foi plantada no final dos anos 1980, quando cerca de 350 mil crianças morriam por ano antes de completar cinco anos de idade, o índice de analfabetismo chegava a 3,5 milhões de crianças e adolescentes entre sete e 17 anos e o trabalho infantil atingia cerca de 20% das crianças entre 10 e 14 anos. Diante desta triste realidade, empresários do setor de brinquedos propõem parcerias com empresários de outros setores para mudar a situação. Pautada pela Convenção Internacional dos Direitos da Criança (ONU, 1989), Constituição Federal Brasileira (1988) e Estatuto da Criança e do Adolescente (1990), a Fundação tem seus projetos divididos em três eixos: Área de Direito à Educação, Área de Direito à Proteção Especial e Área de Direito à Proteção Integral. A Fundação Abrinq já beneficiou mais de 4 milhões de crianças e adolescentes em todo o Brasil, mas apesar de todos os avanços em relação aos direitos destes cidadãos é evidente que ainda há muito que ser feito. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mais de cinco milhões de jovens entre cinco e 17 anos trabalham no Brasil. Ainda há 15 milhões de jovens e adultos que não sabem ler e escrever, nove em cada dez crianças de 0 a 3 anos não freqüentam creches e 75% dos municípios não oferecem a

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menor oportunidade de lazer e cultura. Ainda morrem mais de 100 mil crianças antes de completar um ano de idade, metade dos brasileiros ganha apenas dois salários mínimos e os 50% mais pobres ficam com apenas 14,5% da renda produzida*. No último ano a Fundação realizou o Pacto Setorial Imobiliário para erradicação do trabalho infantil na construção civil; foram realizados encontros com empresários para divulgação da Lei do Aprendiz e primeiro emprego; atuou fortemente no enfrentamento do abuso e da exploração sexual e comercial de crianças e adolescentes, além dos projetos permanentes da Fundação.

Abrinq e Aldeia: uma luz na periferia de São Paulo

Entre os diversos projetos desenvolvidos, um dos mais antigos é o Programa Nossas Crianças. Iniciado em 1993, o programa beneficia mais de 42 mil crianças e adolescentes em 23 municípios da Grande São Paulo, por meio da aproximação de pessoas e empresas – interessadas em apoiar a causa da infância – com organizações sociais que prestam atendimento para crianças e adolescentes de famílias de baixa renda. A Fundação Abrinq pretende expandir a atuação para 48 municípios.

Essas empresas podem utilizar a logomarca “Essa empresa apóia a Fundação Abrinq” e divulgar a doação para funcionários, fornecedores e clientes, de acordo com o valor da doação. Além disso, a Fundação Abrinq se encarrega de divulgá-la em seus materiais, como Relatório Anual e site. Além da adoção financeira, as empresas também podem ser doadoras de produtos e serviços, que podem ir desde a doação de produtos de higiene, alimentação, limpeza, material escolar, etc., passando pela consultoria pro bono em áreas como advocacia, ou até mesmo oferecendo suas instalações para treinamentos das organizações da Rede Nossa Crianças. Há empresas, como clínicas ou empresas médicas, que também promovem mutirões de saúde ou que disponibilizam vagas para atendimento das crianças. Um dos projetos selecionados pelo Programa Nossas Crianças para o recebimento de financiamento por um período de dois anos foi o Formação de Lideranças, da organização social “Aldeia do Futuro”. Com cerca de nove anos de parceria entre a Aldeia e a Abrinq, o projeto destaca a formação e atuação de 70 jovens entre 15 e 17 anos e meio, do bairro de Americanóplis, na Zona Sul da capital paulista. O projeto de Formação de Lideranças, da organização “Aldeia do Futuro”, financiado pela Fundação Abrinq, consiste em formar jovens em três frentes: Educação em Meio Ambiente, Recreação e Mediação de Leitura. Durante seis meses, os jovens participantes do projeto aprendem em sala de aula para, em seguida, transmitir as informações acumuladas em igrejas, escolas, creches,

Hoje, 246 empresas, de todos os portes e dos mais diversos ramos de atividade, adotam financeiramente crianças do Programa Nossas Crianças.

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Letícia Lins

abrigos de idosos e no parque da região. Localizada em um bairro com baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) a Aldeia do Futuro atende, anualmente, mais de 600 jovens em seus espaços de aprendizagem voltados para a educação, cultura e cidadania. A fila de espera é grande, mas com a ajuda de parceiros, como a Fundação Abrinq, essa espera torna-se menos demorada.

“A Fundação Abrinq já beneficiou mais de 4 milhões de crianças e adolescentes em todo o Brasil, mas apesar de todos os avanços em relação aos direitos destes cidadãos é evidente que ainda há muito o que ser feito.”

Os recursos para os projetos selecionados são repassados por dois anos, e após este período a organização beneficiada continua ligada à Fundação Abrinq por meio da Rede Nossas Crianças. Uma vez na rede, ela tem a oportunidade de participar de encontros e capacitações sobre diversos temas de interesse para seu fortalecimento institucional e alcance de sustentabilidade. Estas atividades são realizadas a partir da “animação” promovida pelas comissões da Rede em 4 temas: comunicação, desenvolvimento institucional, parcerias e ação política. Para Genilva Borges, Diretora Pedagógica da organização, a parceria entre a Aldeia do Futuro e a Fundação Abrinq é extremamente rica para a organização social, pois vai além de recursos financeiros: “A parceria se dá em troca de conhecimento. Eles (Fundação Abrinq) estão sempre promovendo encontros de capacitação, sobre direitos das crianças, sobre como lidar com adolescentes, sobre protagonismo juvenil, e isso é maravilhoso para nossa formação e aperfeiçoamento.” Para se tornar um contribuinte do Programa Nossas Crianças a empresa pode entrar em contato com a Fundação Abrinq através do telefone 11 30458147 e, se desejar, agendar uma visita. Também pode obter mais informações e se filiar pelo site: www.doeagora.org.br/contribuinte

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Letícia Lins

A importância do Meio Ambiente Iris Daniela tem 16 anos. É a caçula de três irmãos e a única menina da casa. Na verdade, Dani é a única mulher da casa, desde que sua mãe faleceu, há dois anos. Passa os dois turnos na “Aldeia do Futuro” e a noite vai para a escola, onde estuda o 1º ano do ensino médio. Na Aldeia faz o curso de cabeleireiro, mas o que adora mesmo são as aulas de educação ambiental no curso de Formação de Liderança, do Projeto Nossas Crianças, financiado pela Fundação Abrinq. Quando tiver que trabalhar, quer que seja com alguma coisa relacionada ao meio ambiente. Adora construir coisas com material reciclado. O pai a apóia e diz que o futuro da Dani é a Dani quem faz. Diz que na escola os colegas não estão “nem aí” para o meio ambiente, que a acham boba, mas ela não liga e não vê a hora de repassar tudo o que a professora Cris ensinou a ela e suas amigas.

Cristiane Aparecida Vieira tem 21 anos. Cresceu no bairro, mas hoje vive na Zona Leste com o namorado. A mãe ainda mora perto da Aldeia do Futuro e Cris considera esta a sua comunidade. Foi aluna da Aldeia, cresceu, arrumou um bom emprego, mas não se sentia plenamente feliz. Um dia foi convidada a participar de uma homenagem feita pela Aldeia para ex-alunos. Aceitou o convite e depois de contar sobre a conclusão do curso de gestão ambiental e sobre o trabalho como voluntária em outras instituições foi chamada para dar aula de educação ambiental, bem ali, na “sua comunidade”. Cris uniu o útil ao agradável, já que seu sonho era dar aula. Tem total apoio dos pais, a mãe, vendedora em um shopping, o pai metalúrgico. O que representa o trabalho com os jovens da Aldeia? “Representa tudo na minha vida. Consigo viver e fazer o que eu gosto.” Cris também pensa em, um dia, adotar quatro crianças.

/Empresário, ser humano. Ser humano, empresário./ Think & LOve Pense e Ame

/Consciência e Atitude Por um mundo melhor./


“Estamos, pouco a pouco, deixando de ser noveleiros e passando a ser seriemaníacos. É uma questão de geração.”

/Seriados e Reality Shows: uma febre mundial/ Com a evolução das novas tecnologias, a mídia em geral está passando por uma transformação muito grande. Mesmo no Brasil, onde é evidente a predominância e a importância da TV aberta, percebemos que, pouco a pouco, o consumidor começa a mudar o seu comportamento. Muita coisa já mudou, mas muita coisa ainda está por vir. A futura TV Digital será um marco na história da comunicação, pois transformará radicalmente a postura passiva do expectador para uma postura 100% interativa. Neste cenário, é ainda mais importante prestarmos atenção aos fenômenos de audiência e aos novos formatos de inserção das marcas nos programas de TV, afinal, não será mais tão fácil “captar” a atenção do consumidor no break convencional (comercial). Assim, para inaugurar esta discussão não poderíamos deixar de trazer para a primeira edição da Think & Love um retrato sobre as MINISSÉRIES e os REALITY SHOWS, já consolidados no Brasil e no mundo.

/Alexandre Maron/ /Saiba mais sobre Alexandre Maron/ Alexandre Maron é um jornalista especializado em (e apaixonado por) cultura pop. Já escreveu para os jornais “Folha de S. Paulo” e “O Globo” e atualmente é o editor- chefe da revista “MONET”, da Editora Globo.

O artigo abaixo nos demonstra que o sucesso de um seriado ou de um reality show deve-se ao compromisso que tem em ser diferente, único, surpreendente, ousado e, acima de tudo, comprometido com a “vida real”. As marcas que desejarem participar destes formatos de programa deverão ter cada vez mais inteligência para estarem inseridas de forma relevante, sutil e aderente, pois o consumidor rejeitará cada vez mais o merchandising “forçado” e sem “verdade”. Otavio Dias Houve um tempo em que série de TV era sinônimo de porcaria feita às pressas, com diretores ruins e atores de quinta categoria. Mas isso foi antes de atrações classe A, como ER, Arquivo X, Lost, Sex and the City, Família Soprano e 24 Horas mudarem tudo. Pegue seu controle remoto e se prepare, porque estamos vivendo a era de ouro da TV. Não é brincadeira. Nunca houve tantos programas tão bons ao mesmo tempo na TV. Chega a ser engraçado pensar que quem tem mais de 30 se divertia com bobagens adoráveis como Túnel do Tempo ou Viagem ao Fundo do Mar. O espectador médio de hoje curte programas muito mais complexos, instigantes e desafiadores. Em seu livro “Surpreendente” (Campus, 198 págs.), o autor Steven

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Johnson fala da crescente complexidade das narrativas midiáticas nos video games e na televisão. Ali, ele mostra que a TV, a máquina que, segundo críticos, apenas emburreceria a população, acabou ajudando a tornar seu espectador mais exigente. Os seriados de hoje têm mais personagens e mais subtramas do que os dos anos 80 e 70. Seguir tudo isso exige dos espectadores, que respondem com uma paixão ainda maior pelas tramas e personagens. Isso mesmo. Não existe relacionamento midiático mais apaixonado do que o do fã com seu seriado preferido. Sério. Se uma novela se estica por nove meses, um seriado como Friends ficou dez anos no ar. Estamos, pouco a pouco, deixando de ser noveleiros e passando a ser seriemaníacos. É uma questão de geração. As novelas

parecem ser sempre as mesmas desde as nossas infâncias, enquanto a classe média descobriu um novo mundo quando começou a consumir dezenas de canais da TV paga. Foi essa descoberta que fez o brasileiro perder o preconceito contra as sitcoms, por exemplo. Quando foi exibida na Rede Globo com dublagem, Mad about You foi ridicularizada. Apresentada no canal Sony com som original, era adorada pelos espectadores. Foi uma questão de colocar o programa na frente do público certo, algo que só é possível no mundo de nichos da TV paga. Se são tão amados, podem também influenciar seus fãs. Friends mexeu com qualquer um que, longe dos pais, se vê criando uma família postiça no círculo de amigos. Já Sex and the City fascinou toda uma geração de mulheres, encantadas pelas aventuras de Carrie e suas amigas na cidade mais cool do mundo. E, não vamos esquecer, sonhando com um Manolo Blahnik. Um seriado é o resultado de uma duríssima seleção para lá de darwinista. Milhares de idéias são oferecidas aos produtores dos canais americanos. Apenas 250 a 300 roteiros chegam a ser desenvolvidos. Desses, pouco mais de 150 são filmados na forma de episódios-piloto. Só um pouco menos da metade vai realmente ser escolhida para virar série. É quando a briga começa de verdade, porque desses só um em cada quatro vai sobreviver e chegar ao segundo ano. Os grandes estúdios, os diretores mais bacanas, como Steven Spielberg, estão todos de olho nas séries como um produto muito lucrativo e capaz de moldar a cultura pop. Seriados são coisa de gente grande. Não. De gente enorme. Uma série como Seinfeld chega a gerar cerca de US$ 4 bilhões em lucros quando se contam as vendas para o mercado internacional e para os canais americanos locais. Ou seja, é muito difícil de fazer, mas dá muito, muito dinheiro. Outra razão do sucesso das

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Fotos divulgação


Se as séries reagem primeiro é porque os roteiristas de TV precisam estar conectados ao que acontece ao seu redor. Veja, por exemplo, o reality show. É uma atração que só é possível na TV. A moda pegou nos Estados Unidos com a estréia de Survivor, em maio de 2000. Aqui no Brasil, o programa foi exibido como No Limite, no final do mesmo ano, e a mania seguiu em frente com sucessos como Big Brother Brasil e O Aprendiz.

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Os reality shows são programas que todo mundo adora pichar, mas que fazem enorme sucesso em todos os extratos das classes média e alta. Entre atores e diretores, reality show é palavrão. Para eles, é apenas um gênero menor que transforma pessoas sem talento em astros da noite para o dia. Mas observando o fenômeno mais de perto, alguns deles aprenderam algumas lições. Havia o consenso de que um seriado não podia ter uma trama só permeando toda uma temporada, por exemplo. De que o núcleo de protagonistas precisava ser pequeno e sofrer poucas mudanças ao longo da vida do programa. Mas aí, surgem atrações em que o que se vê é apenas uma história, a jornada dos competidores, se desenrolando por meses. São geralmente 16 a 20 pessoas disputando um prêmio e, a cada semana, essas pessoas vão saindo até que sobre apenas o vencedor. O formato pedia para ser assimilado. Afinal, se os reality shows se desenrolam em episódios como uma série e estão ali na mesma TV em que vemos as séries, não era difícil imaginar que logo houvesse uma espécie de polinização de idéias. Mark Burnett, o criador de Survivor, O Aprendiz e diversas outras atrações do gênero, sabe que os reality shows influenciaram intensamente a cultura pop. “Para mim, nossa maior influência pode ser sentida quando você liga a TV e assiste a Lost”, afirma. Lost? Claro. Junto com 24 Horas, forma o mais perfeito cruzamento da lógica dramática da ficção seriada com a estética dos reality shows. Em ambos os programas, ninguém está seguro. Jack Bauer perdeu diversos amigos e os próprios autores da série dizem que o final provável da série seria a morte do protagonista.Uma das diversões das mentes por trás de Lost é criar boatos de que este ou aquele ator está deixando a série. Imediatamente, milhares de fãs trocam teorias pela Internet. “Quando um criminoso coloca uma arma na cabeça de William Pettersen (o Gil Grisson, de CSI) ninguém teme

pela vida dele. Nós queremos que nossos fãs tenham a sensação de que essa ilha é mesmo perigosa”, diz Carlton Cuse, um dos responsáveis por Lost. É mais ou menos o que a gente sente quando um competidor legal vai parar no paredão do Big Brother. Nós nos importamos com os seriados graças aos ótimos personagens. E eles nunca foram tão complexos e cheios de defeitos como agora. Quem imaginaria que a mesma TV que nos deu o doce dr. Kildare seria capaz de nos oferecer o irrascível Gregory House (da série House, do canal Universal, na TV paga, e da Rede Record, na aberta)? Ou quando você se imaginaria torcendo por um serial killer como o protagonista de Dexter, nova série da Fox? Kiefer Sutherland tem uma tese. “Jack é popular porque ele corta a fita vermelha e não dá bola para a burocracia que atravanca tudo. Ele faz as coisas acontecerem e, por isso, as pessoas o adoram”, analisa o ator. O intérprete de Shark, James Woods, não imaginava que fazer uma série pudesse oferecer tantas chances para o desenvolvimento de um personagem. “Eu não precisava fazer TV. Já tenho bastante dinheiro e não sou uma pessoa materialista. Mas descobri que os personagens não são estáticos. Eles se desenvolvem, mudam. E os escritores têm espaço para desenvolvê-los”, diz o ator. Personagens interessantes que podem nos deixar a qualquer momento, múltiplas histórias que se espalham por anos, a TV se tornou um ambiente que atrai gente criativamente ambiciosa. Estão todos interessados na forma como as séries oferecem um ambiente propício ao ator e ao roteirista. Shawn Ryan é a mente por trás de sucessos como The Shield, exibido no canal AXN, e The Unit (FX). Para ele, não há ambiente tão cheio de possibilidades como a TV: “Quanto mais eu trabalho em TV, menos eu me interesso por filmes. Não há como você fazer em um filme de duas horas

A TV cai na real. Os intelectuais torcem o nariz, mas os reality shows mudaram a cultura pop e têm, sim, seu valor.

Fotos divulgação

séries é o fato de que, na indústria do entretenimento, a TV sempre reage primeiro aos eventos de seu tempo. Veja o caso de 24 Horas, que estreou poucas semanas depois do 11 de Setembro e se tornou rapidamente um programa símbolo do estado de paranóia e desespero do povo americano. Enquanto o cinema demorou anos para produzir os primeiros filmes realmente relacionados ao evento, a TV conseguiu ressoar o sentimento em poucos meses. No final do primeiro ano, Jack Bauer, o superagente antiterrorista, toma uma atitude que mudaria o rumo da TV seriada a partir dali. Ao ter diante de si, desarmado e indefeso, o criminoso que ameaçou sua mulher e supostamente matou sua filha, Bauer não hesita em descarregar sua pistola nele. Antes de Bauer, os heróis não atiravam em gente indefesa, não importa o quanto essas pessoas fossem perigosas. Depois da queda das torres gêmeas o recado foi claro: não mexa conosco. Da mesma forma, na medida em que o atentado fica para trás, a série teve sua pior temporada este ano. “O sexto ano [de 24 Horas] foi o mais difícil de escrever. Sabemos que a memória do 11 de Setembro está mais distante e que Jack tem que se adaptar a isso”, disse Howard Gordon, produtor e roteirista da série. Ele é o “showrunner” do programa, o homem responsável pela direção criativa dos dias de cão de Jack Bauer.

American Idol

Big Brother

É um fenômeno inacreditável nos Estados Unidos. Embora busque artistas que pratiquem o pop mais simplista, não há dúvida que dá reconhecimento a artistas que tenham algum talento vocal e muito carisma. E não há nada como ver um jovem e inexperiente cantor virar um popstar semana após semana.

É a novelona dos realities. Foi reproduzido em todas as línguas e países que você pode imaginar. A fórmula é simples e, quando todos acham que não há como algo interessante acontecer, surge um Alemão. O principal macete é achar, na edição, as tramas mais interessantes e encaixar arquétipos de telenovela aos competidores.

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Inesquecíveis: as séries modernas que marcaram a TV. Nos últimos 20 anos, alguns programas fizeram muita gente esquecer o cinema e ficar em casa.

SEX AND THE CITY

The Amazing Race É sem dúvida o mais emocionante e movimentado de todos os reality shows. Seus competidores saem pelo mundo inteiro na caça de pistas e executando tarefas dificílimas. A cada etapa, vão sendo eliminados os que chegam por último em certos pontos da corrida. Ganhou diversos prêmios Emmy, o Oscar da TV americana.

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Project Runway

SEINFELD

24 HORAS

Os realities ganharam estilo e personalidade nesse delicioso programa, que mostra o desespero da vida de um estilista de primeira linha tentando inventar designs e achar novos materiais para suas roupas. Ao investir em tarefas que exigem criatividade total dos participantes, a série se tornou a mais cerebral do gênero.

Nunca uma sitcom foi tão sarcástica, genial e... filosófica. Em seu elenco, contou com os melhores comediantes e misturou com perfeição tramas curtas do cotidiano com situações que demoravam vários episódios para se resolver. Soube parar no momento certo.

Nem os criadores acreditavam que a série de ação em tempo real daria certo ou chegaria à sétima temporada. Mas bastou colocar Kiefer Sutherland, um bom ator que tinha perdido o rumo, e fez-se a mágica. A série se transformou no programa-símbolo dos Estados Unidos pós-11 de Setembro, pro melhor e pro pior.

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LAW & ORDER

LOST

ARQUIVO X

A FAMÍLIA SOPRANO

O pai de CSI mostra o caso da investigação até o julgamento. Gerou dois filhotes que conquistaram seu próprio público e se tornou marco da TV. É também um programa que investe na noção de que os astros passam, mas a série segue seu caminho.

Lost é mais do que um filhote de Arquivo X. Os escritores aprenderam com os erros de séries do gênero e mantêm o equilíbrio entre revelações, novos segredos e reviravoltas. Com o uso brilhante da máquina cultural e da internet, é a síntese da ficção do século 21.

Virou a prova de que os fãs seriam capazes de assistir a um seriado cheio de tramas escondidas, que mantinham o interesse do espectador. Nos cinco primeiros anos, mesclou com inteligência uma grande trama de fundo com o monstro da semana, mas terminou decadente.

Tony e sua turma mudaram a face da TV americana. Antes, séries feitas para a TV a cabo americana não ganhavam prêmios em eventos como o Emmy. A Família Soprano provou que a definição clássica de heróis e vilões perdeu a validade.

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Fotos divulgação

o que você pode fazer em duas temporadas de um seriado”. Com tantas variáveis, fica claro porque não é fácil estar no Olimpo da cultura pop e criar fenômenos como Friends, Seinfeld, Dawson’s Creek, ER, Arquivo X, Barrados no Baile e, hoje em dia, Lost, Heroes ou Grey’s Anatomy. Para conseguir sucessos mundiais é preciso estar duas curvas à frente de todo mundo e captar o rumo dos gostos do público. Afinal, como é que Shondra Rhymes, a criadora de Grey’s Anatomy, consegue se comunicar com uma menina de 19 anos da classe média alta paulistana? Ou ainda, como foi que J.J. Abrams e Damon Lindelof conseguiram criar um programa como Lost, visto por públicos na faixa dos 17, 35 e 66 anos em todo o mundo?

SEX AND THE CITY Poucas séries captaram com perfeição o espírito da mulher de seu tempo. As quatro amigas eram bem diferentes, mas as espectadoras descobriram que tinham um pouquinho de Samantha, de Charlotte, de Miranda e de Carrie em cada uma delas.

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NOVA YORK CONTRA O CRIME A câmera é nervosa, como se fosse um documentário filmado nas ruas de Nova York. Dennis Franz encarnou com perfeição o homem que abre mão dos sonhos por uma profissão que o consome e que o faz receber apenas desprezo da sociedade.

Segmentação. Diga-me que séries tu assistes e te direi quem és. O segredo desses criadores é inventar programas para públicos definidos, seja por faixa etária e gênero, ou mesmo pelas simples preferências pessoais. Grey’s tem um público feminino urbano e jovem enorme. Lost deixa de lado tudo isso, embora tenha um traço ligeiramente masculino, e agrada a quem adora tramas misteriosas. Como define o roteirista Jeffrey Stepakoff, em seu livro “Billion-Dollar Kiss”, sobre a vida de um escritor em Hollywood, se o cinema é o terreno dos diretores, a TV é onde reinam os escritores. E para produzir tantas obras de qualidade correndo contra o tempo e administrando egos de todos os lados é preciso ser meio louco. “Conheci roteiristas que só escreviam pelados, que ficavam fumando charuto no banheiro e ditando piadas para um assistente”, afirma o autor em seu livro. O beijo de um bilhão de dólares ao qual Stepakoff se refere é uma cena da terceira temporada da série Dawson’s Creek, um enorme sucesso internacional, em que a namorada do protagonista beija seu melhor amigo e cria um triângulo amoroso que seria o motor do programa pelos

três anos seguintes. É só a prova de que as séries são tão apaixonantes porque lidam com nossas fantasias e a capacidade de imaginar o que virá a seguir e, ainda assim, sermos surpreendido pelo que surge na tela. Mesmo que seja a mais proverbial das formas de afeto, um simples beijo apaixonado. Basta que nos deixe intrigados, que transforme personagens em uma espécie de família virtual e, claro, nos faça voltar na semana que vem.

/Curiosidade/ Num recente debate no Festival de Cannes (Lions Festival, principal conferência de propaganda do mundo), o roteirista e diretor do Sex and the City, Michael Patrick King, questionado sobre o sucesso do seriado, reforçou que a alma do seu texto foi sempre muito provocativa, mas ao mesmo tempo realista. Comentou também que várias marcas procuraram a equipe de produção para inserirem produtos como merchandising, mas que eles sempre foram altamente fiéis à “vida real” e ao comportamento das personagens. A marca “Manolo” de sapatos, por exemplo, tão citada no seriado, nunca pagou um centavo para aparecer, mas tinha total aderência ao estilo e ao comportamento da Carrie Bradshaw, protagonista da série. Por outro lado, uma bebida vermelha de nome não revelado (seria o Campari?) fez de tudo para entrar no seriado e eles não permitiram, pois, segundo ele, não combinaria com personagens da série que desde o início pediam o “Cosmopolitan”, drink supertradicional em NY, como bebida favorita. Otavio Dias

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“Quando empreendemos uma jornada mais espiritual (consciente) para além do ego, a ética se torna um instrumento importante, um atalho criativo para trilhar nosso caminho.”

/REPENSANDO A ÉTICA E O ALTRUÍSMO NO MEIO EMPRESARIAL/

/Dorah Mussi/

/Saiba mais sobre Dorah Mussi/ Psicanalista pela PUC- SP, Psicologia Organizacional – Unimarco, formada em Filosofia – USP. Ouvidora/ Ombusdman – Gestão de Soluções, Mediação e Negociação – RH, Psico Neuro Lingüística – Capacitação e adequação empresarial. Personal Coaching – atuação personalizada há 10 (dez) anos, Consultoria de RH e Organizacional –  Petrobras, Dextron e Grupo Nutrinvest, Análise de Mercados - Toyota Argentina – Buenos Ayres e Phillips – SP, Brasil.

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Podemos falar da consciência pessoal que provoca o colapso de possibilidades nos atos que são tomados e, se somos essa consciência, é certo que escolhemos nossos atos e somos responsáveis por eles. Na medida em que nos identificamos com o nosso ego, nossas ações se tornam reativas, defensivas e condicionadas, somos incapazes de escolher e, portanto, de arcar com a responsabilidade. Por estudos já realizados, podemos afirmar que a identidade da maioria das pessoas se define pelo ego condicionado e é delimitada por ele. A ética materialista, presente nas corporações e mais intensamente entre executivos, serve para proteger os interesses do comportamento condicionado, ou seja, a verdadeira ética idealista só se sustenta quando começamos a sentir nossa consciência ou o imperativo kantiano de obedecer à ética. Assim podemos citar, com segurança, a regra de ouro que faz todo sentido: “eu não vou ferir o outro, porque o outro sou eu.” Quando empreendemos uma jornada mais espiritual (consciente) para além do ego, a ética se torna um instrumento importante, um atalho criativo para trilhar nosso caminho (Goswami, 1993). E qual o papel da Ética no Meio Empresarial? Todos possuem o seu ponto de vista, mas quando temos a proposta de “Repensar” este papel acredito que abre-se uma grande oportunidade pela frente e a minha opção é seguir pelo caminho da Ética no Respeito, no Amor e na prática do Bem. Como

poderia definir o papel da ação da ética na prática do Bem? Considerando a comparação pelo outro, o que nos ajuda a ir além e o que nos limita é o Ego. Hoje, isto é claro para todos nós: verificarmos, em todos os segmentos, atos egoístas ou antiéticos, que são condicionados e geram invariavelmente dúvidas quanto à certeza de nossas ações. A tomada de consciência nos divide. Quanto maior for o conflito entre a consciência e os atos, mais restrita é a tomada de consciência. A ação movida pela compaixão expande a consciência e produz de imediato a satisfação que acompanha essa expansão. O ego funciona numa hierarquia simples: quando o sujeito se identifica com o ego, percebe-se o mundo hierarquicamente, e o eu, indivíduo, no seu topo. O nosso ato é verdadeiramente ético quando movido de modo espontâneo pelo amor incondicional e pela compaixão. Desse modo, a ação ética se torna um veículo para o crescimento espiritual. De outra maneira, um ato é raramente visto como bom ou mal em si mesmo; o seu valor moral vai depender do contexto, que em geral é bastante ambíguo. Assim sendo, a ética não é uma grande questão de obedecer a uma regra moral de modo absoluto em todas as circunstâncias.

criativo, a escolha ética emerge espontaneamente da revelação e não da deliberação, que é limitada e egoísta. O estado interior é mais difícil de observar. O caminho do ativismo pacifista parece fácil, mas freqüentemente é abandonado em razão da violência interior do próprio ativista. Na terminologia do conceito hindu dos yugas (Eras), existe um motivo para dar ênfase, na nossa época, ao altruísmo desinteressado: três yugas antecedem o atual - o kali yuga. Nos yugas anteriores, a identificação com o ego era bem menor; as distrações eram menos envolventes; a separação era menos intensa e a viagem de retorno à unidade, menos árdua. Hoje, raras são as pessoas que têm tempo para a prática de meditação; por isso, o sábio hindu diz: “no kali yuga, vá diretamente à graça de Deus. Ame incondicionalmente alguém, sirva a alguém e recorde-se de Deus”. “Minha religião é a bondade”, diz o Dalai Lama. Sabemos disso intuitivamente, porém, o atual materialismo e a tecnologia usada para as distrações lançam todos e, principalmente, os executivos de nossa era, à condição de questionadores do altruísmo, que jamais esteve em tão baixa condição na sua história. Em uma pesquisa realizada em 1996 nos Estados Unidos, demonstrou-se que o altruísmo está em ascensão. Mais de 21% dos americanos se dedicam ao altruísmo (Ray, P. 1996. Noetic Sciences Review 37). Em conclusão, o que observamos é uma grande mudança na maneira de agir das pessoas do bem, que atuam no seu espaço de maneira a respeitar seus semelhantes e a criar novas oportunidades a todos que se propõem a trilhar o caminho altruísta: o real caminho, de grandes líderes, grandes executivos, que fazem de sua jornada pessoal um grande exemplo de Ética Moral e Altruísmo Verdadeiro. Este é o exemplo a seguir. Esta é a verdadeira liderança do nosso tempo, é o verdadeiro salto quântico para o sucesso.

As decisões morais colocam-se diante da escolha e da responsabilidade, de modo que exigem uma resposta criativa. Quando se ingressa no processo

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“Novas tecnologias influenciam direta e indiretamente o comportamento e o relacionamento do consumidor com marcas e produtos.”

/A comunicação depois de amanhã/

/Ricardo Cavallini/

/Saiba mais sobre Ricardo Cavallini/ Diretor de Mídia da F/Nazca Saatchi & Saatchi, Ricardo Cavallini é autor do livro “O Marketing Depois de Amanhã”, que fala sobre o impacto da tecnologia sobre o marketing nos próximos 15 anos. É professor do Curso de Extensão de Marketing Direto da Abemd e já prestou consultoria às maiores agências do Brasil. Com mais de 18 anos de experiência em comunicação interativa, foi Diretor de Operações da Euro RSCG 4D, sócio-diretor da Organic, CTO da Trans Burti Network, trabalhou também na Vetor Zero, Globo.com, DM9 e JWT.

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Sinal dos tempos. O videogame com propaganda da Coca-Cola é tão transparente para adolescentes como o ioiô da mesma marca foi para quem é da minha geração. Quem foi criado e treinado para enxergar tecnologia como uma entidade distante pode ter dificuldades para entender os dias atuais. Se você tem um filho com menos de 15 anos, converse com ele. Perceba que, para ele, a tecnologia é tão transparente quanto o ar que respiramos. Para ele, o iPod não é um player de MP3, não é tecnologia, muito menos a revolução da indústria fonográfica. O iPod, para ele, é apenas o iPod. Simples assim. Mas na prática os tempos não mudaram tanto quanto imaginamos, pelo menos não da maneira como gostamos de contar para os mais novos. Geração após geração, a tecnologia sempre foi mudando nossas vidas em pequenos saltos. A televisão da década de 50 e os computadores, algumas décadas mais tarde, são exemplos disso. Se tecnologicamente e culturalmente estamos sempre em uma constante mudança, por que esta sensação de diferença brutal? A diferença não é advinda da tecnologia em si, mas sim da velocidade como ela acontece. Claro, estamos discutindo semântica, pois a velocidade das mudanças é portanto - algo novo. Mas discussões sobre semântica à parte, mesmo tirando o hype, o modismo e o glamour que algumas destas tecnologias ganham na mídia, o importante é que não podemos ignorar este novo cenário. Novas tecnologias influenciam direta

e indiretamente o comportamento e o relacionamento do consumidor com marcas e produtos. Com as mesmas 24 horas por dia, o consumidor divide seu tempo em muito mais mídias que antigamente. E mais: ele passou a ter multitarefa, consumindo várias mídias ao mesmo tempo e, conseqüentemente, prestando muito menos atenção em cada uma delas. O consumidor aprendeu a abstrair as mensagens comerciais padrões. Entender a tecnologia como causadora deste caos é ver o copo meio vazio. O copo meio cheio é enxergar o mundo de possibilidades que a tecnologia abre para marcas se relacionarem com seus clientes de uma maneira mais profunda, interessante e efetiva. Opções com nomes horrorosos como bluetooth, WiMax e RFID tornarão o celular o intermediário entre o consumidor e as marcas, permitindo que os mesmos troquem informações com o ponto-de-venda e a Internet sem necessidade de contato físico. Os mesmos celulares, através da terceira geração e o advento da TV digital, trarão em poucos anos mais 80 ou 100 milhões de consumidores aptos a receber vídeo em qualquer lugar e a qualquer hora do dia. E se estamos falando de TV, vale lembrar que ela não será restrita a um meio ou um aparelho. Apple TV, YouTube, Joost, IPTV, gravadores de vídeo digitais e tantas outras soluções pipocam trazendo para o consumidor um emaranhado de possibilidades e controle sobre o que ele assiste: o que, quando e como

quiser, trazendo um novo significado para o fenômeno conhecido como fragmentação. Segundo o Nielsen, 17,2% dos americanos já têm acesso a um gravador de vídeo digital. Em grandes cidades, como Los Angeles, este número salta para 25,9%. Em outra pesquisa, vemos que apenas 12% destas pessoas não pulam todos ou a maioria dos comerciais através de seus gravadores. Com a entrada de TV digital no Brasil, o cenário se repetirá. Mesmo reconhecendo nossas diferenças, pesquisas como o Net Ratings e a Target Group Index do Ibope mostram que os brasileiros absorvem rapidamente novas tecnologias. Dois exemplos para ilustrar seriam a quantidade de tempo on-line e a característica multitarefa de nossos jovens. Para qualquer ângulo que direcionemos nossos olhares podemos citar um monte destas novidades com nome esdrúxulos, algumas com potencial para mudar o mercado de ponta-cabeça. Lembra do game da Coca-Cola citado no começo do texto? Pois bem, o Wii, novo videogame da Nintendo, bateu recordes de vendas e até hoje, passados 6 meses de seu lançamento, continua não atendendo à demanda. No Japão, quase 50% dos compradores deste videogame não jogavam há mais de 3 anos. Os jogos não são mais um brinquedo de criança, chegaram à massa e estão on-line, possibilitando uma gama de ações antes inviáveis. O Wii está fazendo ao mercado de games o que o iPod fez na indústria fonográfica. Revolução, evolução? A palavra não importa, importa que o cenário mudou e a comunicação também precisa mudar para impactar pessoas de maneira diferente, interativa, criativa. Para conseguir um impacto que tenha capacidade de gerar mobilização do consumidor, o plano de comunicação contemporâneo não pode deixar de lado todas estas manifestações tecnológicas, que vão muito além do tradicional comercial de 30 segundos e já estão completamente inseridas no nosso dia-a-dia. Está na hora de repensarmos nossas ações.

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“Do momento em que acordamos ao momento em que vamos dormir estamos em contato com a tecnologia. E isso tende a aumentar exponencialmente com a ajuda da miniaturização.”

/The book is in the table/

/Leandro Cruz de Paula/ /Saiba mais sobre Leandro Cruz de Paula/ Leandro Cruz de Paula assume a Gerência de Vendas do MSN Brasil. O executivo é formado em Administração de Empresas pela Universidade Mackenzie, com MBA pela University of Pittsburgh - Katz Business School e, atualmente, também é professor de Marketing do curso de MBA da ESPM. Leandro foi Diretor Geral da G2 do Brasil, agência do grupo Grey/ WPP, implementou os escritórios da StarMedia no Brasil e foi responsável pela área comercial da Rede de Rádios Transamérica.

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Responda depressa: o que é tecnologia? Se consultarmos a Wikipedia encontraremos essa definição: “É um termo que envolve o conhecimento técnico e científico e as ferramentas, processos e materiais criados e/ou utilizados a partir de tal conhecimento.” É uma definição que abrange bastante coisa. Se pensarmos assim, uma simples mesa pode ser tecnologia, pois envolve o conhecimento técnico do marceneiro e as ferramentas e processos para ser produzida. Além disso, boa parte das mesas que usamos hoje em dia é de algum tipo de compensado de madeira, portanto um “material criado” para tal fim. Esta é a definição, ou pelo menos uma delas. Mas a verdade é que não é assim que pensamos em tecnologia. Geralmente associamos o termo tecnologia a algo avançado, que envolva chips, telas de LCD, metais compostos de ligas ultramodernas e leves, fibras-óticas e muito outros elementos. Quando pensamos em tecnologia, principalmente a geração que cresceu assistindo aos Jetsons, pensamos em uma categoria à parte de produtos. Um grupo de coisas produzidas por cientistas e engenheiros em laboratórios avançados para fazer coisas que simples mortais não conseguiriam sem auxílio. À medida que as novas gerações já nascem com todas essas facilidades incorporadas ao seu dia-a-dia, o entendimento do que é tecnologia muda. A Microsoft conduziu recentemente uma pesquisa em 10 países, incluindo o Brasil, e perguntou a jovens como eles interagiam com a tecnologia. Em vez de discussões entusiasmadas, a resposta que veio dos grupos de discussão foi uma série de caras de interrogação. “Como assim, tecnologia?” perguntavam eles. Ao serem

“introduzidos” a um conceito próximo ao que tentei explicar no parágrafo anterior eles respondiam: “Ah, essas coisas...”. O que para nós é tecnologia, para eles são simplesmente “coisas”. O que identificamos nessa pesquisa é que essa divisão entre o que é tecnologia e o resto não acontece para essa nova geração, que já no berço teve seus choros e mamadas monitorados por “babás-eletrônicas” com vídeo. Os fabricantes de produtos de tecnologia gostam de usar o termo ubiqüidade, que designa a qualidade de estar em muitos lugares ao mesmo tempo. Essa é a forma como a tecnologia já está sendo entregue e é assim que devemos pensá-la daqui pra frente. Uma forma ubíqua. Quer ver? Hoje em dia já se vendem mais câmeras digitais embutidas em celulares do que separadas. Quer um exemplo ainda mais simples? Poucos motoristas atualmente sabem o que é ou para que serve um carburador. Isso acontece porque os carros vêm com injeção eletrônica, uma tecnologia que faz com que a experiência de usar um carro seja muito mais tranqüila e agradável do que quando os motores tinham carburadores. Você podia até não saber o que era um carburador, mas sabia que existia e estava dentro do motor, mesmo que fosse para ter o que culpar quando seu carro engasgasse por estar frio ou com sujeira no motor.

em que acordamos ao momento em que vamos dormir estamos em contato com a tecnologia. E isso tende a aumentar exponencialmente com a ajuda da miniaturização, processadores mais rápidos e leves, telas sensíveis ao toque, softwares capazes de reconhecer linguagens não “tecladas” ou faladas, como também expressões faciais ou movimentos do corpo, entre outras coisas. Algumas empresas combinam essas novas tecnologias e lançam produtos inovadores a partir da soma, às vezes inusitada, de várias inovações. Um exemplo disso é o Segway, aquele “patinete” motorizado que se mantém em pé graças a vários giroscópios embutidos em sua estrutura. Ou mesmo o iPhone, que consegue eliminar o teclado em benefício de uma enorme tela, ao usar várias tecnologias de reconhecimento dos movimentos dos dedos. Outro exemplo é o Surface, uma mesa apresentada recentemente pela Microsoft que não só interage com os movimentos das mãos, como também reconhece vários objetos colocados sobre ela, de cartões de crédito e câmeras digitais a drinks em um bar. A promessa do Surface é a de redefinir a forma como pensamos em computação hoje em dia. Adeus ao conjunto monitor, teclado e CPU. Bem-vinda a era da ubiqüidade, em que até sua parede pode ter tecnologia suficiente para que você possa falar com as paredes sem parecer louco. Se imaginarmos as aplicações possíveis para essa tecnologia é fácil pensar em arquitetos desenvolvendo seus projetos, pessoas brincando com suas fotos, jogos de tabuleiro surgindo como num passe de mágica ou mesmo aulas em que todo o material didático aparece na própria superfície da mesa. Talvez no futuro aquela famosa aula de inglês tenha que ser alterada para “The Book is IN the table”.

A tecnologia embutida nos mais diversos produtos demonstra que os jovens entrevistados na pesquisa estavam certos ao se surpreenderem com a pergunta. Interagir com tecnologia é viver. Do momento

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/Passos da tecnologia: os caminhos da Microsoft/ 1985: É lançado o Windows 1.0, o primeiro soft ware a usar o padrão bitmap. 1993: Em agosto a Microsoft apresenta o Windows NT, uma revolução tecnológica, sendo o primeiro sistema operacional em 32-bits. 1994: A área MSN foi para ser a área de serviços on-line da Microsoft. 1995: O Windows 95 é o primeiro soft ware de 32 bits e foi lançado em 24 de agosto. 1997: A Microsoft compra Hotmail (primeiro e-mail gratuito). 2000: É lançado o portal MSN no Brasil. 2001: A Microsoft inicia campanha agressiva para tornar o MSN Messenger conhecido, antes lançado em 2000.

/Chefe Da Família, Presidente da Empresa, Ser Humano./

2003: Ele já era o mensageiro mais usado no mundo e em 2006 ele é lançado na nova plataforma Windows Live. 2007: É lançado o Windows Vista, no mesmo ano, a Microsoft muda o serviço de Hotmail para a linha Live, sendo então Windows Live Hotmail.

Think & LOve Pense e Ame

/Consciência e Atitude Por um mundo melhor./ /068/


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