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XIII - Envolvendo Famílias e Pais - 225

Dona Lindalva foi chamada para a reunião de pais do caçula Rafael. Logo à entrada da escola, ela percebe algo diferente. Uma jovem alegre e acolhedora cumprimenta as mães e pais que vão chegando. Cada convidado recebe um crachá com o nome do filho. Coisas novas. Jeito todo diferente de falar com os pais. Isso teria cheiro de quê? O que viria depois? Dona Lindalva recebe o crachá com o nome do Rafael, senta-se num banco lá bem no fundo da sala. A professora Rita lê uma mensagem. Coisa bem bonita, falando da importância de escola e famílias trabalharem juntas. Serem luzes na vida das crianças. Tantas idéias lindas, mas tudo estava longe, eram só palavras. A professora Rita fala do seu trabalho na sala de aula, explica os conteúdos que está desenvolvendo. E, depois, se dispõe a ouvir os pais. Que sugestões tinham para o trabalho? Pouca gente arriscou um palpite. Dona Lindalva continuava a achar tudo muito estranho. Qual seria a hora das verdades duras? Quando é que viriam os recados individuais? Em que momento a professora ia dizer que o "Rafa" era um "demônio", uma "peste"? Será que ela ia pedir para mudá-lo de escola? Nas reuniões de pais, Dona Lindalva já estava cansada de ouvir o nome dos filhos como sendo difíceis, sem solução, desorganizados, sem ajuda no dever. E a reunião chegou ao final. Rita queria se despedir de cada um e foi abraçando a todos. Dona Lindalva teve vontade de fugir, mas a professora veio chegando: - A senhora é a mãe do Rafa? Mas que bom conhecê-la! Eu adoro o Rafa! Sinto falta quando ele não vem à aula. Até queria pedir para a senhora não deixá-lo faltar. Ele está indo muito bem e não quero que fique prejudicado com ausências. A senhora deve se orgulhar de ter um filho tão solidário como o Rafa! Dona Lindalva se encolheu: - A senhora se enganou. O meu Rafa não deve ser esse menino que a senhora está falando. É muito levado, difícil de aprender... ele já repetiu duas vezes o 1º ano. A senhora deve ter confundido com outro menino. Rita se surpreendeu: - Eu só tenho um Rafa na sala. Estou falando do seu mesmo: companheiro, muito querido de todos nós. Ele é mesmo levado, mas a gente se entende e temos sido bons amigos. Dona Lindalva cresceu, fortaleceu, reagiu com a alma, com o coração. Desta vez, ela levava para casa muita alegria, muito orgulho de ser mãe do Rafa. E, naquele momento, a escola nasceu para ela.

Escola Eficaz  

Concetos, instrumentos e ingredientes que tornam uma escola eficaz.

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