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VETERINÁRIA

Xô, bactérias! Pesquisadores da UFMG desenvolvem vacina e aprimoram métodos diagnósticos para combate à brucelose

Transmitida dos animais para o homem, a brucelose é considerada uma doença negligenciada – típica de nações subdesenvolvidas e objeto de desinteresse da indústria farmacêutica. Os poucos países que conseguiram erradicá-la situam-se no Oeste e no Norte do continente europeu, além de Canadá, Japão, Austrália e Nova Zelândia. Ainda assim, há registros de casos em pessoas que retornam de áreas endêmicas. A maior incidência ocorre na Europa mediterrânea, no Norte e no Leste da África, no Oriente Médio, nas regiões central e Sul da Ásia e na América Latina. No Brasil, cerca de 15 mil casos da forma humana são registrados por ano, embora a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheça a subnotificação em âmbito global, dada a falta de preparo para o diagnóstico. Os sintomas se assemelham aos de outras infecções: febre, dor de cabeça, suor intenso, calafrios, dor nas articulações, perda de peso e mal-estar generalizado. A transmissão ocorre pelo consumo de alimentos contaminados, como leite e derivados não pasteurizados ou carne mal passada. Pode, ainda, dar-se pelo contato, direto ou indireto, com animais infectados: é mais comum, justamente, entre profissionais que lidam com rebanhos, funcionários de frigoríficos e médicos veterinários, o que justifica sua classificação, pelo Ministério da Saúde, como doença ocupacional.

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MINAS FAZ CIÊNCIA • SET/OUT/NOV 2018

Nos animais, a enfermidade pode provocar infertilidade e causar prejuízos para a pecuária, uma vez que o abate sanitário é recomendado. A brucelose bovina provocou perdas de quase R$ 1 bilhão, o equivalente a 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio, nos estados brasileiros com maior prevalência da doença, em 2013. O levantamento foi feito por pesquisadores da Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), segundo revela o professor Renato de Lima Santos, coordenador do projeto de desenvolvimento de vacinas e de métodos diagnósticos para controle da zoonose, com financiamento da FAPEMIG. O pesquisador explica que a situação epidemiológica da brucelose é bastante heterogênea no território brasileiro. “Em Minas Gerais, onde o programa nacional de controle, preconizado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), foi implantado há vários anos, já é evidente a diminuição na ocorrência da doença. Em outros estados, porém, a prevalência é elevada, e pode atingir uma em cada duas fazendas em certas microrregiões”, compara. Desde 2001, o programa do Mapa determina a vacinação de todas as fêmeas das espécies bovinas e bubalinas (de búfalos), na faixa etária dos três aos oito meses. A imunização é feita com dose única da vacina viva atenuada B19, que pode ser substituída pela vacina

Alessandra Ribeiro


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