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ca aparece em segundo lugar, com 20,72%, e o mau tempo, em terceiro, com 5,95%. Se pensar por essa lógica, a regra é simples: quanto menos pilotos humanos, menores os equívocos. Isso pode demonstrar estatisticamente que a automação de certas tarefas, requeridas para a execução do voo, reduz o número de acidentes com aeronaves.Um exemplo típico diz respeito ao desenvolvimento dos sistemas de alarme para colisão contra o solo. Em geral, é correto afirmar que, sem dúvidas, a automação de tarefas operacionais da aeronave trouxe maior segurança ao voo. “Cerca de 80% a 90% dos acidentes são provenientes de falhas humanas. Certamente as falhas diminuiriam, pois as chances dos sistemas de robô falharem é bem menor, além de serem duplos ou triplos e monitorados”, reforça Rogério. Entretanto, segundo o engenheiro de desenvolvimento tecnológico especializado na área, Jose Ricardo Parizi Negrão, o excesso de sistemas automatizados também produz um efeito adverso: a falta de entendimento pelo homem quanto ao comportamento da máquina, especialmente em eventos ou situações inesperadas de voo. “Estudos relativos ao projeto de automação de sistemas propuseram um princípio de projeto, denominado ‘automação centrada no homem’. Tal princípio, em oposição à autonomia completa das máquinas, procura definir a participação do ser humano na condução de processos automatizados”, acredita. Assim, segundo o engenheiro, mesmo com a inteligência artificial, responsável por grande parte da operação, é interessante que o homem, em solo, seja responsável pela supervisão dos trabalhos. Quando o assunto é aviação não tripulada, José Ricardo é categórico: “Como usuário e passageiro de aeronaves comerciais, eu preferiria saber que a condução do voo estivesse, no mínimo, sendo monitorado por um ser humano, mesmo que remotamente”.

pesquisas na área, à cata de uma das tecnologias mais promissoras da atualidade. Em resumo, trata-se de mais de 30 anos de pesquisas e experimentos, que possibilitaram avanços e têm transformado carros sem motoristas em realidade. Impulsionado pelos avanços do sistema de navegação, por meio de sensores e acesso à internet, um carro autônomo é capaz, na atualidade, de identificar o ambiente à sua volta e navegar sem qualquer interferência humana. Desse modo, espera-se reduzir a emissão de poluentes, assim como diminuir acidentes de trânsito e congestionamentos. No início de 2018, a Fiat Chrysler Automobilis (FCA) anunciou que fornecerá unidades de minivans para lançamento do serviço de táxis sem motorista da Waymo, subsidiária do Google, em Phonexix, nos EUA, ainda no decorrer deste ano. Em seguida, o serviço será estendido a outros estados americanos, de modo a chegar a 25 cidades onde a tecnologia já foi testada. Volkswagen e Hyundai planejam ter seus próprios carros autônomos, nas ruas, até 2021. Outras montadoras, como Ford, GM, Nissan, Mercedes-Benz e Toyota, também têm projetos na área.

Em busca da autonomia

Hoje, observa-se que empresas de tecnologia e montadoras de automóveis vivem numa verdadeira corrida em busca do carro autônomo ideal. São várias as

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MINAS FAZ CIÊNCIA • JUN/JUL/AGO 2018

Os avanços revelam-se tantos que, na edição do Pint of Science no ano passado – evento que discute ciência e inovação em bares do Brasil e de outros vários países –, o experiente professor Nívio Ziviani, ao falar sobre automação, algoritmos e robôs, foi taxativo em observar que “o futuro não precisa de nós”. Formado em Engenharia Mecânica, com mestrado em Informática e doutorado em Ciência da Computação, pela University of Waterloo (1982), o professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e, também, pesquisador e empreendedor, comenta que, hoje, certas tecnologias conseguem, sozinhas, identificar as muitas diferenças, por exemplo, entre lápis e canetas. Nem tudo, porém, são flores. Um carro autônomo da Uber atropelou e matou uma ciclista, em março deste ano, no Arizona, nos Estados Unidos. O acidente chamou a atenção, pois o veículo, um Volvo XC90, além de contar com supervisor humano, estava acima do índice de velocidade. As investigações querem desvendar se o erro foi realmente da máquina ou do “colega” humano. Por via das dúvidas, a Uber suspendeu todos os seus testes com carros autônomos, tanto nos EUA quando no Canadá.


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