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Na visão de Emerson Silami, os principais dilemas não se referem, necessariamente, às atividades científicas ou ao campo da ética. “Alguns pesquisadores podem não seguir preceitos éticos, como já ocorreu muitas vezes na história, mas isto não diminui a importância da ciência”, esclarece. Com relação ao uso de drogas para melhoria do desempenho esportivo, o professor acredita que as autoridades do esporte já fizeram sua parte, ao tomar uma decisão há várias décadas. “Atletas pegos usando drogas são punidos exemplarmente, com penas de suspensão que podem chegar a quatro anos ou, mesmo, à eliminação do esporte. Isto tem acontecido com frequência”, completa Emerson Silami. Com relação ao consumo de suplementos alimentares – o que inclui bebidas esportivas –, o pesquisador diz não existirem evidências científicas de que elas sejam eficazes. “As ‘pesquisas’ usadas como fundamentação para estes produtos são de qualidade duvidosa”.

Alta performance Nos esportes paraolímpicos, as contribuições da ciência e da tecnologia são variadas. Elas estão presentes nos sistemas de treinamento que ajudam o atleta a atingir seu potencial; na adaptação dos equipamentos usados em cada modalidade, garantindo melhor desempenho e resultados; e nos modernos dispositivos e próteses, como aquelas que permitiram ao brasileiro Alan Fonteles conquistar quatro medalhas – três ouros e uma prata - no A origem dos esportes paraolímpicos relaciona-se ao fim da Segunda Guerra Mundial. O término do conflito deixou como herança um grande número de ex-combatentes com lesões corporais. Isso influenciou o início de um trabalho de reabilitação médica e social, como forma de restabelecer a saúde física e mental dos veteranos de guerra. As primeiras competições esportivas ocorreram na década de 1960 e, em 1989, foi criado o Comitê Paralímpico Internacional. Hoje, 28 modalidades compõem o programa dos Jogos Paralímpicos.

mundial de atletismo paraolímpico disputado em Lyon (França), no mês de julho, e bater o recorde mundial dos 200 metros da categoria T43 (biamputado das pernas). “A pesquisa em esportes paraolímpicos é muito importante. Apesar de os atletas brasileiros conseguirem excelentes resultados, a área ainda é carente de bons equipamentos e locais de treinamento”, aponta Cleudmar Amaral Araújo, pesquisador da Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Na Universidade, um grupo multidisciplinar está envolvido com o projeto que promete ser um dos mais importantes centros de pesquisa sobre esportes paralímpicos do Brasil, o Núcleo de Reabilitação/Reabilitação de Esportes Paralímpicos (NH/Resp). O NH/Resp é um dos núcleos de tecnologia assistiva aprovado em edital do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação como parte do programa “Viver sem Limites”, do governo federal. Ele envolve pesquisadores não só da UFU, mas também de outras universidades, empresas e associações. “São mais de 30 profissionais de áreas como educação física, medicina, odontologia, fisioterapia e engenharias mecânica, de produção e mecatrônica”, conta Araújo. O objetivo é desenvolver atividades de pesquisa com foco em pessoas com deficiência na área de esportes paraolímpicos, melhorando a performance e a inclusão. Um dos projetos é o ergômetro para cadeirantes, que avalia a condição física e pode ser utilizado em treinamentos para melhorar a eficiência muscular, para exercícios de fisioterapia e avaliações cardiológicas. Sua vantagem é simular a condição real de funcionamento de uma cadeira de rodas, como o movimento que um atleta paraolímpico faz. O produto, que possui patente, pode ser utilizado em esportes como basquete, tênis e rúgbi, cujos atletas utilizam a cadeira de rodas para locomoção. Outro trabalho se dedica a aprimorar os apetrechos utilizados na bocha. Na modalidade paraolímpica, competem paralisados cerebrais severos que utilizem cadeira de rodas. O objetivo é lançar bolas coloridas o mais perto possível de uma bola branca chamada de jack (ou bolim, no MINAS FAZ CIÊNCIA • JUN/JUL/AGO 2013

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Minas Faz Ciência #54  

Da Mente ao Músculo

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