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Desdobramentos Além de originarem dissertações e artigos científicos, os resultados foram divulgados em congressos nacionais e internacionais, perante gestores e operadores de ETEs. Em continuidade aos estudos, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) também autorizou o monitoramento do esgoto bruto e tratado, em outras estações, sob sua responsabilidade – a exemplo de ETE/ Onça, ETE/Betim, ETE/Nova Contagem, dentre outras. Esta fase acaba de começar e a primeira coleta será feita neste mês de agosto. Como alguns fármacos não foram completamente removidos nos sistemas simplificados estudados, os trabalhos prosseguem, com a avaliação do uso de fotorreatores com lâmpada ultravioleta (UV), de modo a complementar a remoção dos com-

postos do esgoto tratado biologicamente no sistema de reatores anaeróbios com filtros biológicos (UASB-FBP). A pesquisa mostrou que a utilização de fotorreatores é efetiva para a remoção complementar de microrganismos patogênicos (bactérias e vírus) e se revela capaz de remover microcontaminantes orgânicos. “Contudo, ainda é necessário aperfeiçoar os fotorreatores e fazer análise econômica da configuração mais adequada, antes de propor recomendação às companhias que prestam serviço de tratamento de esgoto”, esclarece o professor. Investigações sobre a eficiência de diferentes sistemas de tratamento de água para abastecimento são, aliás, outra linha de atuação do grupo, que trabalha com o monitoramento de fármacos e desreguladores endócrinos desde 2006. A equipe examina a presença dessas substâncias em águas

Nove fármacos e desreguladores endócrinos

superficiais, bem como a eficiência dos processos convencionais de potabilização na extirpação de contaminantes. “Estudamos, ainda, tecnologias complementares, como processos avançados de oxidação e de adsorção em carvão ativado”, complementa Sérgio de Aquino. Os pesquisadores já realizaram monitoramento nos principais mananciais de abastecimento de Belo Horizonte – Rio das Velhas, Morro Redondo, Vargem das Flores –, ao longo do Rio das Velhas – desde a nascente, em Ouro Preto, até o ponto de captação desta ETA –, e no Rio Doce. Nesse momento, projeto conduzido pelo professor Valter Pádua, da UFMG, em parceria com os acadêmicos da Ufop, avalia a contaminação dos principais mananciais das cidades de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo por fármacos e desreguladores endócrinos.

Diclofenaco (anti-inflamatório) Bezafibrato (anti-lipêmico)

Estradiol (hormônio natural)

Etinilestradiol (hormônio sintético presente na pílula anticoncepcional)

Miconazol (fungicida)

Bisfenol A (utilizado na fabricação de plásticos)

Trimetoprima (antibiótico)

Sulfametoxazol (antibiótico) Nonilfenol (surfactante presente em produtos de limpeza)

Projeto: Avaliação da remoção de fármacos e perturbadores endócrinos por processos de adsorção e fotocatálise heterogênea acoplados ao tratamento convencional de água Coordenador: Sérgio Francisco de Aquino Modalidade: Programa Pesquisador Mineiro Valor: R$ 48.000,00 Projeto: Avaliação da eficiência de sistemas de tratamento de esgotos na remoção de microcontaminantes Coordenador: Robson Afonso Modalidade: Demanda Universal Valor: R$ 45.125,00 MINAS FAZ CIÊNCIA • JUN/JUL/AGO 2013

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Minas Faz Ciência #54  
Minas Faz Ciência #54  

Da Mente ao Músculo

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