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Já aqueles do G3 estavam sujeitos a método de tratamento semelhante ao aplicado no G2, porém, receberam mais uma membrana, posicionada na porção externa da córnea e fixada com a aplicação de sutura. Por fim, o grupo G4 recebeu aplicação de membrana de proporções equivalentes à extensão da lesão na porção externa da córnea, fixada por sutura. Ao final dos testes, estabeleceu-se um comparativo dos resultados alcançados em cada um dos métodos conduzidos. O grupo G2 apresentou recuperação da lesão em menor tempo e com melhor acomodação do biomaterial.

Resultados A linha de pesquisas que visava ao teste da eficácia da aplicação da membrana amniótica canina associada ao N-Butil Cianoacrilato, como método para tratamento

de ulcera de córnea penetrante, foi finalizada em 2011, destacando-se no campo da veterinária como o método mais eficaz e seguro para recuperação desse tipo de trauma e se tornando tema para dissertações de mestrado e doutorado na área da oftalmologia veterinária. “O método é usado, com sucesso, por profissionais de todas as áreas da veterinária, como a rural, além de já ter sido empregado, por certos oftalmologistas, no tratamento de pacientes humanos”, conta Andrea Borges. Atualmente, uma nova tese, em fase de análise laboratorial, consiste no desenvolvimento in vitro de membranas sintéticas à base de celulose bacteriana. “Ao substituir a extração da membrana amniótica de cães por uma alternativa produzida em laboratório, tem-se matéria prima em maior abundância”, explica a pesquisadora.

Úlcera de córnea penetrante? Membrana fibrosa e transparente, situada sobre a íris, na parte frontal dos olhos, a córnea é também conhecida como a região polar anterior do globo ocular. Nos humanos, possui seis camadas principais – epitélio, membrana de Bowman, estroma, camada de dua, membrana de Descemet e endotélio –, e se associa à esclera (o “branco do olho”), que constitui o revestimento protetor dos olhos nos seres vertebrados. A estrutura da membrana varia de acordo com a espécie. Em cães, animais estudados na pesquisa, a córnea ocupa um sexto da porção anterior do globo ocular, seu raio de curvatura é maior do que o restante do globo e conta com espessura aproximada de 0,08 mm e de 7 a 15 camadas celulares. Além disso, compõe-se, histologicamente, por quatro camadas: epitélio, estroma ou substância própria, membrana de Descemet e endotélio. A úlcera de córnea é a condição patológica em que o paciente sofre de uma erosão sobre a córnea, que resulta em perda da camada de revestimento exterior da membrana, o epitélio. As lesões podem se originar em consequência de diversas circunstâncias, tais como traumatismos, arranhões, pruridos, exposição à poeira, produtos químicos ou seivas vegetais, queimaduras, irritações constantes, conjuntivite, infecções causadas por bactérias, protozoários, fungos ou vírus, dentre outros. Considerada um grave problema ocular, a enfermidade apresenta pouca tendência à cicatrização natural, avançando, desse modo, a camadas interiores da córnea – o que, em último caso, pode resultar em perfuração total da membrana. A ulceração da córnea é passível de provocar, ainda, turbidez ou obstrução da visão, fortes dores oculares, contrações involuntárias da pálpebra, lacrimejamento excessivo, inflamações e fotofobia (incapacidade de suportar luminosidade). Sem tratamento, além de perda da visão, favorece infecções e hemorragias nas estruturas internas dos olhos.

Projeto: Avaliação clínica de úlcera de córnea penetrante tratada com membrana amniótica xenógena e n-butil cianoacrilato – Estudo experimental em coelhos Modalidade: Demanda Universal / Programa pesquisador Mineiro Coordenadora: Andréa Pacheco Batista Borges Valor do projeto: R$ 48.000,00

MINAS FAZ CIÊNCIA • JUN/JUL/AGO 2013

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Minas Faz Ciência #54  
Minas Faz Ciência #54  

Da Mente ao Músculo

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