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Mercado Especial

Fundo de capital semente realiza primeiro investimento O Fundo de Investimento em Empresas Emergentes Inovadoras (HorizonTI) foi o primeiro fundo de capital semente de Minas Gerais a aportar recursos a uma empresa de seu ramo de atuação. O investimento, anunciado em junho, foi em favor da e-Prime Care - Gestão de Cuidados S/A, que atua no desenvolvimento de softwares para operadoras de planos de saúde, a fim de otimizar custos assistenciais da carteira de clientes, reduzir custos operacionais e melhorar a qualidade da assistência prestada, melhorando também os indicadores de saúde da população. O HorizonTI, gerido pela Confrapar, tem patrimônio aproximado de R$ 20 milhões e investe em empresas nascentes do setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) no Estado. Ele foi criado dentro do programa Inovar Semente, iniciativa da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) que conta com parceiros locais em cada Estado – em Minas Gerais, a FAPEMIG é um deles. A meta é investir em mais dez empresas nos próximos três anos. No evento em que foi anunciado o investimento, Bernardo Portugal, da Confrapar, destacou que o HorizonTI é resultado da visão de agentes públicos de Minas Gerais que acreditaram na ideia. “A FAPEMIG é a primeira FAP do país a investir em um fundo de capital semente. Conjugamos ciência, tecnologia e inovação com empreendedorismo e fizemos acontecer. Os investidores que acreditaram na ideia certamente colherão os frutos”, disse. Paulo Kleber Duarte Pereira, diretor de planejamento, gestão e finanças da FAPEMIG, destacou a importância da iniciativa. “É importante lembrar que fundos como esse foram as principais molas propulsoras para empresas inovadoras nos Estados Unidos. No Brasil, até 2004, era proibido usar recursos de agências

públicas para investir em empresas. Hoje, temos a Lei Mineira de Inovação, que foi um marco e prevê a constituição dos fundos. Estamos em um bom momento e o sucesso dessa iniciativa vai mostrar o quanto ela é importante e pioneira”, disse. Segundo o secretário de ciência e tecnologia de Minas, Alberto Duque Portugal, ações como os fundos de capital semente contribuem para preparar Minas para ser o Estado líder na economia do conhecimento. “Temos realizado um conjunto de ações e decisões coerentes neste sentido e a FAPEMIG tem sido um importante aliado”, disse o secretário, que destacou iniciativas como o Sistema Mineiro de Inovação (Simi), os Centros de Vocação Tecnológica (CVTs) e o projeto Tecnologia, Empreendedorismo e Inovação Aplicados (TEIA).

Tecnologia e saúde

Segundo Felipe Moleda Godoi, gestor do HorizonTI, o mercado de saúde suplementar tem crescido bastante no Brasil nos últimos anos, devendo faturar mais do que R$ 60 bilhões em 2010. Nos últimos anos as grandes e médias operadoras têm investido na redução do custo administrativo e maior eficiência gerencial, porém pouco tem sido feito para diminuir o impacto do custo assistencial que representa uma média de 75% das receitas da indústria. “Com o novo rol de procedimentos imposto pela Agência Nacional de Saúde (ANS), por meio da Resolução Normativa n° 211 de 2010, a pressão por maiores custos será mais forte,” disse Godoi. “Portanto, por uma questão de sobrevivência, o mercado precisará investir de forma robusta para otimizar esses gastos, e neste cenário nos chamou atenção a proposta da e-Prime Care, com metodologias clínicas padronizadas e sistemati-

zadas, softwares desenvolvidos em plataformas modernas, uso de vários meios de comunicação como SMS, integrados em uma plataforma tecnológica que configura-se em um verdadeiro sistema de inteligência em saúde”. A expectativa é que essa solução represente uma redução de até 20% no custo assistencial das operadoras de saúde. Segundo Leonardo Florêncio, um dos fundadores da e-Prime Care, os recursos aportados pelo HorizonTI serão fundamentais para o desenvolvimento das atividades da empresa, pois uma ideia boa não é suficiente para se tornar um negócio de sucesso. “Empreender demanda persistência, conhecimento técnico, múltiplas habilidades, liderança motivacional, expertise em práticas de gestão, finanças, gestão de projetos, habilidade comercial, paciência e muita sola de sapato. Uma ideia é considerada boa, se, quando colocada em prática, trouxer resultados sociais, econômicos e ambientais satisfatórios,” disse. “Com a ajuda do HorizonTI, incorporamos ao nosso dia-a-dia questões como plano de negócios, metas de resultados, alinhamento institucional, capacitação continuada, práticas de governança corporativa, conselho de administração, tudo com um só objetivo, fazer cada vez mais e melhor”. “Antes de receber o investimento do HorizonTI, a e-Prime Care recebeu recursos da FAPEMIG por meio do Programa de Apoio a Pesquisas em Empresas (Pappe). Isso significa que a Fundação, atualmente, tem condições de apoiar todas as etapas do desenvolvimento tecnológico. É um ciclo virtuoso que começa com as incubadoras tecnológicas, passa pelo apoio à pesquisa em empresas e chega aos fundos de capital semente”, finaliza Paulo Kleber Pereira. MINAS FAZ CIÊNCIA - MAR. A MAIO / 2010

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Minas Faz Ciência 41  

Empreendedorismo - Merenda escolar- Redes de pesquisa - Engenharia sanitária - Biodiversidade

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