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pesquisadores da Unifal. “É possível que, no futuro, ele seja disponibilizado comercialmente para outros pesquisadores ou laboratórios”, projeta. Os resultados para determinação de polimorfos podem ser empregados, ainda, no controle de qualidade dos fármacos, principalmente aqueles relacionados à bioequivalência e à biodisponibilidade. Durante a pesquisa, a equipe encontrou formas cristalinas inadequadas de medicamentos utilizados em doenças crônico-degenerativas. No entanto, para fazer afirmações mais incisivas sobre a necessidade de uma regulamentação mais rigorosa por parte da Anvisa ou sobre o estado dos remédios comercializados, seriam

necessários testes com vários lotes do produto, como um controle de qualidade, o que ainda não é feito. A sugestão do pesquisador é que os laboratórios analisem os lotes o mais próximo possível da data de comercialização, pois os compostos empregados nos medicamentos podem sofrer transformações depois de já estocados e prestes a serem consumidos. “Isso evitaria transtornos para o consumidor”. O projeto resultou, ainda, na publicação de um artigo em periódico científico sobre o trabalho com o mebendazol, em que foi possível manipular as formas cristalinas no laboratório. No caso desse vermífugo, o pesquisador

Foto: Gláucia Rodrigues

conta que os exames da qualidade de sua matéria-prima apresentaram dados preocupantes quanto à forma polimórfica encontrada e, consequentemente, sua eficácia. Por isso, está nos seus planos comunicar tais resultados aos órgãos fiscalizadores. A pesquisa com a clortadilona também resultou em artigo, que foi publicado no periódico Crystal Growth & Design. Recentemente foram publicados outros três artigos de novas formas polimórficas de substâncias usadas no combate ao vírus HIV: lamivudina e didanosina. Outros dois textos deverão ser veiculados em publicações especializadas, um sobre o fluconazol, um fungicida, e outro sobre a mistura de uma das formas cristalinas do mebendazol com a nimesulida, um anti-inflamatório. Outros três projetos com o tema polimorfismo em fármacos foram desenvolvidos com o apoio da FAPEMIG, dois deles coordenados por Doriguetto: “Estudos do comportamento térmico de materiais e moléculas orgânicas e inorgânicas”, aprovado no edital de apoio a Grupos Emergentes, e “Sólidos farmacêuticos: caracterização estrutural e polimorfismo”, aprovado no edital Universal. O terceiro, aprovado no programa de infraestrutura para Jovens Pesquisadores, é coordenado por Person Pereira Neves, membro da equipe. “Esses projetos têm possibilitado a continuidade das pesquisas nesse fascinante tema”, diz. Por ora, o professor já sabe que o projeto deverá se estender com novas substâncias nos próximos anos. “Os esforços para o estudo de fármacos podem proporcionar uma série de benefícios, como medicamentos mais eficientes, a custos mais baixos, além de enriquecer nossa produção científica e formar recursos humanos na área”, conclui. Desireé Antônio

A equipe investigou como surgem e como se comportam as variações polimórficas de alguns compostos utilizados em medicamentos. Os resultados podem ajudar no controle de qualidade dos fármacos.

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MINAS FAZ CIÊNCIA - MAR. A MAIO / 2010

Projeto: “Estudo de polimorfismo em fármacos para o controle de doenças crônico-degenerativas” Modalidade: Programa de Pesquisa para o SUS (PPSUS) Coordenador: Antônio Carlos Doriguetto Valor: R$ 51.534,47

Minas Faz Ciência 41  

Empreendedorismo - Merenda escolar- Redes de pesquisa - Engenharia sanitária - Biodiversidade

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