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Farmácia

Quando a forma importa Pesquisadores investigam como mudança no arranjo de compostos afeta propriedades físico-químicas de fármacos usados no tratamento de doenças degenerativas Um dos princípios básicos da Matemática é que a ordem dos fatores não altera o resultado da soma ou da multiplicação. Já na Química, a história é bem diferente. O modo como os compostos se organizam é capaz de determinar as suas propriedades físico-químicas, como o ponto de ebulição, de fusão, solubilidade e refração da luz. Isso vale inclusive para substâncias que tenham exatamente a mesma fórmula molecular, a mesma “receita”. Essa versatilidade das substâncias químicas está na base de um importante fenômeno chamado polimorfismo.A palavra, que vem do grego (poli = vários e morfos = forma), indica a propriedade de um composto de existir em duas ou mais formas de arranjos sólidos, graças a modos distintos da conformação de suas moléculas ou

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MINAS FAZ CIÊNCIA - MAR. A MAIO / 2010

átomos em uma rede cristalina, estrutura que se assemelha a uma infinita fila de cubos enfileirados. As quinas desses cubos seriam os átomos ou moléculas, mantidos nessa condição devido às forças de interação entre elas. A existência do polimorfismo foi constatada, em 1788, pelo químico alemão Martin Heinrich Klaproth, considerado por muitos como o pai da química analítica. Ele identificou duas formas cristalinas diferentes do carbonato de cálcio: a calcita e a aragonita. Como as formas polimórficas diferentes de uma substância têm características diferentes, o polimorfismo desperta interesse especial da indústria farmacêutica. Isso porque muitos compostos utilizados como princípio ativo de medicamentos podem apresentar variações em seus arranjos cristalinos e, em consequência, ter um comportamento diferente do desejado, resultando possivelmente na redução ou mesmo na completa ineficácia de sua ação. Foi com o objetivo de tentar compreender melhor como surgem e como se comportam as variações polifórmicas que professores do Departamento de Química da Universidade Federal de Alfenas (Unifal) investigaram manifestações das formas polifórmicas cristalinas de medicamentos utilizados na prevenção e tratamento de doenças crônico-degenerativas, como o Mal de Alzheimer e o Mal de Parkinson. Durante o desenvolvimento da pesquisa, outras enfermidades passaram a ser alvo de estudos, como insuficiência cardíaca, hipertensão arterial, angina crônica, diabetes, Aids e doenças infecciosas. O projeto foi financiado pela FAPEMIG dentro do Programa Pesquisa para o SUS (PPSUS), iniciativa que busca apoiar estudos e pesquisas voltados para a promoção do desenvolvimento tecnológico em saúde, o fortalecimento da gestão e a maior eficiência do Sistema Único de Saúde. Mais do que saber qual a dinâmica das formas polimórficas, a pesquisa teve ainda o propósito de buscar novas variações das formas cristalinas

Minas Faz Ciência 41  

Empreendedorismo - Merenda escolar- Redes de pesquisa - Engenharia sanitária - Biodiversidade

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