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Mercado Reaproveitamento

Arte pelo meio ambiente Resíduos da siderurgia são utilizados para criação de obras de arte Limalha de ferro, sucata de cobre, areia de canal, grafite granulado. Os itens, que compõem a lista de descartes das indústrias siderúrgicas, quem diria, foram parar em obras de arte. Eles serviram de matéria-prima para as obras do artista plástico e professor da Escola de Guignard da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG), Eymard Brandão. As telas, montadas sobre portas de madeira em estado bruto, compuseram a exposição “Arte em Resíduos”, instalada nos meses de junho e julho no Centro Mineiro de Referência em Resíduos, da Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM), e que terá itinerância por Minas Gerais e outros estados. O trabalho, apoiado pela FAPEMIG, foi resultado de dois anos de pesquisa, a fim de identificar as melhores matérias-primas e seus possíveis usos. O artista descobriu, por exemplo, que é possível pintar com limalha de ferro oxidada. O suporte em porta de madeira, chamado de prancheta no estado bruto, também foi uma inovação. “A porta de madeira possui uma estrutura que impede que ela empene. Como lidei com materiais novos, que molham, umedecem, têm ácidos, colas e vernizes, eu precisava de uma material mais resistente”, explica Eymard Brandão. Segundo o artista, “a intenção da exposição, no sentido social, é mostrar que o resíduo é um material extremamente rico. A partir do momento em que ele pode ser usado como obra de arte, também poderá ser utilizado na arquitetura, na decoração, na construção civil. Em vez de poluir a natureza, ele retorna para o consumo e é re-

Foto: Marcelo Focado

O artista plástico e professor da Escola de Guignard, Eymard Brandão.

aproveitado”. Para o pesquisador, a busca dos novos materiais é uma etapa que desperta o interesse para outras pesquisas. “A arte em resíduos é uma tendência contemporânea, como é tendência contemporânea usar os mais diversificados materiais da sociedade de consumo e da natureza no sentido ecológico. A arte contemporânea utiliza os mais diversificados tipos de materiais, inclusive aqueles que são gerados pela indústria.” Os resíduos utilizados na coleção foram cedidos pela Mannesmann, onde o artista realizou visitas, a fim de conhecer os processos de geração de resíduos. “A minha intuição, o meu conhecimento e uma série de fatores me levaram a escolher determinados resíduos. Muitos deles contêm em si uma beleza plástica intrínseca”, conta Brandão, que trabalhou apenas com resíduos não-tóxicos. A exposição inclui amostras dos materiais utilizados e todas as suas caracterizações. “É importante para que o público se situe

e saiba como aquele resíduo virou a obra que está exposta”, diz. O acervo “Arte em Resíduos” seguirá para exposição em outros lugares. A Mannesmann é uma das instituições que abrigarão temporariamente a coleção, que ainda deve percorrer o interior de Minas. “Temos várias solicitações. Ainda vamos escolher o próximo local que vai acolher o evento. As peças hoje fazem parte de um patrimônio do Estado de Minas Gerais e não serão colocadas à venda. Uma equipe vai analisar as propostas recebidas e fazer um cronograma da itinerância”, explica Brandão. Ariadne Lima Projeto: “Arte em resíduos” Modalidade: Demanda Endogovernamental Coordenador: Demerval Alves Laranjeira Valor: R$80.000,00

Foto: Marcelo Focado

As peças produzidas hoje pertencem ao Estado de Minas Gerais, que vai utilizá-las em exposições itinerantes. MINAS FAZ CIÊNCIA - MAR. A MAIO / 2010

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Minas Faz Ciência 41  

Empreendedorismo - Merenda escolar- Redes de pesquisa - Engenharia sanitária - Biodiversidade

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