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Palavra-chave

AS FAPs E O SISTEMA NACIONAL DE C,T&I Mario Neto Borges*

de dados do CMUF, abrangendo grandezas elétricas e ambientais. Os coordenadores já entraram com pedido de patente nacional e internacional e trabalham pela produção do equipamento em escala comercial. “Este tipo de projeto tem um grande impacto no cenário nacional, já que coloca o Brasil no mesmo patamar dos países desenvolvidos na proposição de equipamentos que suportam a implantação do chamado smart grid ou redes inteligentes”, avalia Patrícia Romeiro. Com a participação do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e da Inova, incubadora de empresas da UFMG, foi feito um estudo de viabilidade técnica e financeira do produto e também um modelo de negócios. “A proposta de incubação de uma empresa na Inova apresentada pelo CMUF foi aprovada em primeiro lugar. Em breve, teremos uma como atender as demandas em escala comercial”, adianta Jota. O grupo também prossegue com os estudos visando desenvolver e implantar uma versão para monitoramento e controle de câmaras de refrigeração em hemocentros, a ser instalada no Hemominas, em Belo Horizonte. Além disso, está sendo proposto o desenvolvimento de um “cabeça-desérie”– teste em laboratório, anterior ao preparo para produção industrial – da plataforma CMUF com apoio técnico e financeiro da própria Cemig e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

As Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs) têm a missão de fomentar a ciência, a tecnologia e a inovação em seus estados de origem. São órgãos ligados ao governo estadual, com orçamento definido em constituição. Em 2009, a soma desses orçamentos resultou em um valor maior que o orçamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para o mesmo período. Isso demonstra a força e a importância destas Fundações para o setor científico brasileiro. As modalidades de apoio variam de estado para estado, mas podemos dizer que as FAPs atuam em quatro eixos principais. O primeiro é o da pesquisa, ou seja, o financiamento de projetos em todas as áreas do conhecimento. O segundo é o da formação de pesquisadores, que é feita por meio da concessão de bolsas em todos os níveis de formação. O terceiro é o da inovação, que vem sendo incentivada por meio de programas e editais que associam pesquisadores e empresas. O quarto é o da divulgação, que significa levar para a sociedade em geral os resultados alcançados por esses trabalhos. Em outras palavras, as FAPs desempenham em cada estado um papel triplo equivalente ao da Capes, do CNPq e da Finep juntos. Elas se reúnem no Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap). O Confap é um conselho novo, com apenas quatro anos de existência, mas que já avançou em muitos aspectos. Entre eles, podemos destacar o fortalecimento da articulação entre as 23 FAPs hoje existentes no Brasil e a inserção do Conselho nos órgãos e entidades de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) nacionais. Entre os exemplos concretos dessa articulação estão as redes nacionais de pesquisa. Em 2009, foram lançados, em parceria com o CNPq e o Ministério da Saúde, editais para duas redes de pesquisa, uma sobre malária e outra sobre dengue, com a adesão de sete e 15 Fundações, respectivamente. As FAPs em particular e o Confap no geral têm investido em diversas áreas estratégicas. Podemos destacar algumas cujas pesquisas têm apresentado uma expressiva produção científica nacional e internacional e que têm se transformado em avanços do setor empresarial como energias renováveis, biotecnologia, saúde e engenharias especialmente aquelas relacionadas com o potencial dos recursos naturais do Brasil. Também existem algumas bandeiras defendidas pelo Conselho. A primeira é a consolidação do Sistema Nacional de C,T&I aperfeiçoando e fortalecendo as relações entre as diversas FAPs e entre estas e as agências federais de ciência, tecnologia e inovação. A segunda é estabelecer uma proposta de política que considere este trinômio C,T&I como uma política de estado. Dessa forma, e como terceiro aspecto, assegurar mais recursos e um arcabouço legal e de controle moderno e adequado a estas atividades que são essenciais para assegurar o desenvolvimento sustentado e a competitividade do país no cenário mundial. Ao realizar investimentos em ciência, tecnologia e inovação, as Fundações contribuem para a diminuição da dependência tecnológica, para o fortalecimento da economia e a melhoria da qualidade de vida da população. Com isso, promove o desenvolvimento dos estados e do país. Os investimentos maciços e perenes em educação, ciência, tecnologia e inovação são capazes de gerar riqueza e oportunidades para as nações. Assim, é importante que a sociedade, os dirigentes e os políticos valorizem cada vez mais o trabalho que as FAPs têm a cumprir neste contexto. *Presidente da FAPEMIG e do Confap

Virgínia Fonseca MINAS FAZ CIÊNCIA - MAR. A MAIO / 2010

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Minas Faz Ciência 41  

Empreendedorismo - Merenda escolar- Redes de pesquisa - Engenharia sanitária - Biodiversidade

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