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A descoberta das formas de utilização da eletricidade pelo homem pode, quase literalmente, ser comparada à descoberta do fogo. Das experiências incipientes do filósofo grego Tales de Mileto com a eletricidade à sistematização do seu emprego como fonte de alimentação de geradores e máquinas, a energia elétrica percorreu um longo e revolucionário caminho. Hoje, é item imprescindível para as atividades humanas, desde o uso residencial, responsável pelo consumo de 20% da energia no Estado de Minas Gerais, à utilização na indústria, que responde por cerca de 60%, passando pelo comércio e outros setores. Conseguir otimizar sua utilização representa, então, vantagens econômicas, além de ser um pressuposto para a melhoria de aspectos ambientais do planeta. Partiu de um grupo de pesquisadores mineiros uma proposta capaz de contribuir para o controle direto dos gastos de energia elétrica em residências, instituições e empresas. Eles desenvolveram um equipamento que indica,em tempo real,o consumo de energia de cada aparelho ou ambiente. O Centro de Monitoramento de Usos Finais (CMUF) é resultado de uma parceria entre a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), responsável pelo desenvolvimento do hardware e software da plataforma; o Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet MG), que trabalhou nas ferramentas de análise dos dados e de avaliação dos potencias de eficientização de energia; e a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) que definiu as melhores formas de apresentação dos resultados aos usuários, bem como as edificações a serem monitoradas nos testes.

Foto: Marcelo Focado

O circuito permite o monitoramento do consumo de energia elétrica e fornece dados para identificar desperdícios.

a cada momento, o impacto na conta de energia de cada aparelho ou área monitorada, entre outras. De acordo com um dos coordenadores da pesquisa,o professor do Departamento de Engenharia Eletrônica da UFMG, Fábio Jota, uma das questões que a nova tecnologia mais evidencia é onde e em que horários se concentra o maior gasto de energia. “Normalmente, os dados obtidos derrubam crenças”, diz. “Temos observado que o desperdício ocorre onde menos esperávamos e a medição é única forma de comprovar e quantificar isso”, completa. O pesquisador explica que eles subdividiram as cargas por classes, atentando para as que mais consomem

energia, a fim de criar condições de fazer um “Pareto”, ou seja, identificar os 20% das cargas que consomem 80% da energia total. Assim, é possível verificar aquelas que mais provocam impacto na redução. Os resultados variam em cada edificação monitorada, mas ele cita o exemplo da sede do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-MG) – parceiro na implantação dos medidores pilotos –, onde se constatou que o ar condicionado representa 70% da conta de energia. Segundo Jota, a plataforma foi concebida para criar um sistema de medição e atuação de baixo custo. Em uma residência, por exemplo, os sensores são instalados na caixa de distribuição de energia elétrica, as Foto: Marcelo Focado

Precisão e baixo custo

O equipamento permite medir o gasto de energia de forma distribuída, tanto por setores (andares e salas) quanto por aparelho ou conjuntos deles. Os dados são disponibilizados ao usuário em tempo real, via internet. O CMUF possibilita análises detalhadas, como a verificação imediata da carga que esteja consumindo mais energia

Fábio Jota (direita), professor da UFMG, e equipe que trabalhou no desenvolvimento do CMUF. MINAS FAZ CIÊNCIA - MAR. A MAIO / 2010

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Minas Faz Ciência 41  

Empreendedorismo - Merenda escolar- Redes de pesquisa - Engenharia sanitária - Biodiversidade

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