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Entre 11 de Março e 8 de Abril a FAP e o IPS realizaram a li Mega Recolha de Sangue pelas diferentes Instituições de Ensino Superior da Academia Portuense.

A entrevista a Ricardo Azevedo, vocallsta dos Ez Special, que conta na primeira pessoa a histó- f'~ ria da banda de "Daisy". •

o Rca

iiII.~1 A viagem

ao universo das residências pela mao de quem nelas habita. Os as-

•••

~!!I!!!pectos positivos e negativos das instalações, localiza·

ção, segurança e lazer de diferentes residências. Pág.5 a 8

mlco DISTRIBUIÇÃO

AÍ ESTÁA QUEIMA DAS FITAS! Rui Veloso, GNR, Xutos & Pontapés, Jorge Palma, Pedro Abrunhosa e os Bandemónio, Ena Pá 2000, Quetzal's Feather, Gabriel o Pensador, Moonspell, Primitive Reason, Emanuel, Sally Lune, Da Weasel, Marco Paulo, Rádio Macau, Blasted Mechanism, Feed, Yellow W Van, The Gift, Lufs Represas, Blind Zero e o inconfundfvel contador de Anedotas Fernando Rocha são os nomes do cartaz mais português de sempre da Queima das Fitas do Porto. De 4 a 11 de Maio a cidade invicta acolhe mais uma edição da maior Queima do pais! Suplemento

DESPORTO . Descobre como foi o Campo de Neve Que decorreu entre 1~ e 22 de Março no Principado de Andorra na estância de Soldeu el Tarter. Também em desporto tudo sobre o Campo de Férias Desportivas mais uma vez realizado em Pedras d'el Rei e que reuniu mais uma vez centenas de "desportistas". Pág.13 e 14

CULTURA Em literatura, "Segredo de Joe Gould" de Joseph Mitchell e o que vai ser o teatro na cidade do Porto durante o mês de Maio ... Tomando partido da programação internacional de teatro do evento coaors, Capital Nacional da Cultura, o Teatro São João apresenta, em duas semanas, quatro espectáculos oriundos de paises e culturas teatrais tão diversas como Itália, Reino Unido ou Austrália. Pág.12

GRATUITA


EDITORIAL

'EDITORIAL TIAGO VILARINHO

Garraiada Breve abordagem histórica

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Na!Vdiniensõe$ tja~'ÍlÕssas reàliáades' oternpo assume cada vez mais importãncia: São as datas impqstas, o$'prázos' a cumprir, os textos em falta eas deadlines que se aproximam ferozmente. Contra o ditadu[~:d?Jer:npoé de pra.zostudo se faz menos os impossíveis. .,...,.. .

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Eeste jorna~ã.eAbiil que ~e lê·levemente pelas entradas de Maio é o reflexo do inegável atraso de umcartaz que se queria nascido -a 15 mas que 'só viu a luz do dia uns tempos depois, Mas àguas passadas não movem moinhos ê para'a históría vai ficar um cartaz 100% em português, já considerado por muitos o melhor de sempre, Nele figuram nomes incontestados como Rui Veloso, Luís Represas, GNR e Xutos & Pontapés entre muitos outros, Mas se as noites são a cereja, o bolo da Queima - da verdadeira Queima das Fitas - são a Monumental Serenata, a Missa de Benção das Pastas, o Encontro de Coros, o Cortejo, o FITA, o Baile de Gala, o Chá Dançante e todas as outras actividades académicas. E nas diferentes actividades da academia em Queima que se encontra a razão de ser daquelas que se converteram rias maiores noites acadêmicas do país. A todos fica aqui o convite expresso, Descubram a verdadeira Queima antes de mergulharem nas Noites mais quentes de todas as academias. . é

Não obstante, nem sé de queima vive este Porto Académico. Visitámos as diferentes residências pela mão dos que lá vivem em busca de problemas e possíveis soluções, fomos ,conhecer melhor os Ez Special banda que se lançou na Queima de 2002 e que promete ainda vir a dar muito que falar, ouvimos na primeira pessoa a descrição do que foi o Campo de Neve e acompanhamos a Mega Campanha de Recolha de Sangue que a FAP Social organizou com o Instituto Português'do Sangue: É mais este um pequenc passo num jornal feito agora por ainda mais estudantes que dispendem o seu tempo para ver nascer mais estas folhas que te levam um pouco do que pela tua FederaçãO mas também pela tua Cidade se,vai fazendo, . . Soa leitura! ~ DIRECTOR

FICHA TÉCNICA

.00 PORTO

Propriedade: Federação Acadêmica Director Editorial: Tiago Vilartnho

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FEDERACÁD ACADEMICA

~ POR UMA PRIORIDADe

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HA.EDUCAçAO

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POrto RCBdemlCO ..:::::;.

02 POrtO BcaqlDlcu ABRIL2003

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Redacção:

EDITORIAL

do Porto

Ana Pereira, António Felix, Caría GonçalVes,

Germano Oliveira, João Malta, Nuno Mendes, pedro Rios, Ricardo Pinto, Vera Mattins "'. "

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A Garraiada como actividade académica realizouse pela primeira vez em 1929 na Praça de Santa Clara, em Coimbra, embora alguns digam que já faria parte das festividades desde finais do século XIX ou princípios do século XX;. Já durante o século passado, existia a chamada "Tourada dos Caloiros". Os doutores de determinado curso atavam as extremidades das fitas, com que então seguravam os livros, umas às outras, fazendo um círculo. Depois, segurando as fitas, faziam roda e empurravam para o meio um caloiro que "desviavam" do Liceu de Coimbra, para a nobre função de lhes servir de touro. Talvez por isso fosse normal que os caloiros se abstivessem de sair à rua durante estes dias, razão pela qual muitas vezes os doutores tinham de se contentar com um animal pequeno, como o carneiro ou cabrito. Hoje, o domingo da Queima, é passado na Póvoa do Varzim. A garraiada é uma festa brava que movimenta muita gente. É um dia 'particularmente alegre e festivo em que se comemora, já com saudade, afim da queima da fitas do Porto. A praça de touros é tradicionalmente o local escolhido pelos estudantes do Porto para o confronto amigável. Não só com os touros, mas também e principalmente entre as diversas instituições que fazem questão em estar representadas. O prêmio de melhor pega faz com que todos se esforcem para, com mestria, fazer a pega mais bonita e aclamada. Aqueles que, nas bancadas, mais berrarem levam para casa o prémio de melhor claque. Quer um quer outro são há muitos anos alvo da mais acérrima cobiça. Efectivamente é motivo do maior orgulho ser detentor de qualquer um destes prêmios. Muitas vezes o ou os vencedores exibem com visível regozijo a sua taça na festa dessa noite.


NOTÍCIAS

wwwfap.pt

FAP e Fundação para o Desenvolvimento Social do Porto assinam protocolo

SIC TRANSIT GLORIA MUNDI * * assim vão as glórias do mundo "Independentemente das diferentes perspectivas sobre a essência desta tradição acadêmica, os deputados da Assembleia. da República (AR) foram unânimes em considerar que, quer no caso da aluna do Instituto Piaget de Macedo de Cavaleiros quer no da estudante da Escola Agrária de Santarém, se estava na presença de actos "bárbaros" e não de praxes." In Público, 29 Março 2003

o protocolo

com a federação académica visa a cooperação em acções de concertação, promovendo iniciativas de luta contra a exclusão social dando um novo impulso à parceria já cimentada com algumas iniciativas conjuntas. A Fundação para o Desenvolvimento Social do Porto conta a partir de agora com a Federação Académica do Porto para a luta contra a exclusão social. A assinatura decorreu a 27 de Março na Quinta da Bonjóia.

Pedalar pelos Estudantes

Governadora CivJI de Lisboa ao Público (2 de Abril) depois de invocar um decreto-lei de 1974 que proíbe "cortejos e .desfiles" antes das 19h30 de dias úteis

''A Queima das Fitas é hoje, se não a mais importante, uma das mais relevantes festas a que a Invicta assiste todos os anos." In o Primeiro de Janeiro, 6 de Abril

Dezenas de dirigentes associativos realizaram no passado dia 24 de Março uma estafeta de bicicleta a nível nacional destinada a sensibilizar a população e os estudantes para os problemas que poderão surgir caso se confirme como tudo indica o aumento das propinas e a perda da paridade em inúmeras instituições de Ensino Superior.

''A verdadeira Queima das Fitas é a queima das actividades académicas, a queima da serenata, do cortejo, do festival de tunas. A Queima das Fitas é uma actividade eminentemente de praxe, de vívêncla académica." Nuno Mendes ao Primeiro de Janeiro, 6 de Abril

Quetzal's Feather .vencem concurso de Bàndas e garantem lugar no palco da Queima! Com uma prestação arrasadora em palco, os Quetzal's Feather convencerem o júri vencendo assim o Concurso de Bandas que a Federação Académica do Porto promoveu na discoteca Bla Bla, tendo arrecadado o prêmio de tocar no maior palco académico do país.

FMUP apura-se para a fase final do Campeonato MundialUniversitário

"Se o desfile é espontâneo, é dito aos manifestantes para desmobilizarem. Mas é preciso equilibrar os meios. Também não concordaria que a polícia começasse a dispersar os alunos à bastonada", responde Teresa Caeiro."

de Futsal

Única equipa portuguesa a participar no torneio de apuramento realizado em Antuérpia (Bélgica), a equipa de Medicina qualificou-se após ter cilindrado 7 a 1 os luxemburgueses da Fond.-Universitaire e os finlandeses do Sydvast Polytecn. por 8 a 2. Mais renhido foi a final de apuramento em que após o empate (2-2) no final do jogo contra os croatas do ACMT Dubrovnik a vitória sorriu mesmo assim nos pénaltis aos fmupianos por7-6.

"Além desta ser uma iniciativa que' pretende desmistificar o papel do médico, trata-se também de uma oportunidade extra no contacto com crianças que nós temos ao longo do curso, mas não de forma tão intensa" Hélder Ribeiro ao Primeiro Hospital dos Pequeninos

de Janeiro sobre a iniciativa

"Estou muito desiludido. Ao longo destes anos' tenho tentado ser ponderado, moderado e sério nas análises que faço, mas depois disto a impressão que me dá é que o ministro olha para os estudantes como um alvo a abater." Nuno Mendes ao Primeiro de Janeiro, 1 9 de Abril

"a medida de Pedro Lynce de aumentar a propina apenas para os novos alunos é uma jogada inteligente mas que aproveita o que o ser humano tem de pior, o egoísmo. "É maquiavélico"." Nuno Mendes ao Primeiro de Ja~eiro, 19 de Abril

Queima 2003

toda a informação na internet

Para saberes tudo sobre a edição deste ano da Queima das Fitas consulta já o site www.queima2003.com onde podes aceder atoda a informação em primeira mão! ABRIL2003

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Rca~mlCO 03


www.fap.pt

FAPSOCIAL

"Não é amarelo, mas vale ouro" 2a Mega recolha de sangue percorre as Instituições da Academia Portuense

"A principal razão que me leva a dar sangue é a ideia de que posso salvar uma vida", referiu Ana Costa, estudante de Psicologia, ao sair da sala de colheita. Este era o sentimento dominante de todos quantos foram entrevistados pela reportagem do Porto Académico que se deslocoú até às diversas faculdades onde decorreu a· segunda Mega recolha de sangue nas Universidades Portuenses. A iniciativa começou no. dia 11 de Março e decorreu até ao dia 8 de Abril, sendo que até ao momento de fecho da nossa redacção já haviam sido contabilizadas 579 inscrições, quando ainda faliam seis recolhas. Hugo Carneiro, membro da direcção da Federação Académica do Porto (FAP), diz que "as expectativas eram menos elevadas porque a última recolha foi há pouco tempo. No entanto, ainda estamos a meio do campeonato e acredito que os números vão subir" . Novembro de 2002 marcou a primeira parceria entre FAPe o Instituto Português do Sangue (IPS) para proceder à colheita de sangue pelas diversas instituições da Academia da cidade Invicta. Anteriormente, cada faculdade organizava individualmente as recolhas. A organização conjunta resul. tou num grande sucesso, pois as recolhas de sangue subiram aproximadamente três vezes em relação a 2001. E para este sucesso muito con04

por~oRCidemlCO

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tribuiu a publicidade que acompanhou a preparação e realização das colheitas. Hugo Carneiro salienta que, "com a articulação FAP-IPS, fez-se muita divulgação que as Associações de Estudantes não podiam fazer. Além disso, como cada estudante pode dar sangue quer na sua faculdade, quer noutras, conforme' lhe der mais jeito, conseguiu-se aumentar o número de dadores." Este evento tem como objectivo aproximar' os jovens de uma realidade que, por vezes, parece muito longe, e levá-los a perceber qual a importância que o seu gesto tem para os que precisam de sangue. Cândida Silva, que prestava a sua dádiva na Faculdade de Letras, reconhece que estas acções são um propulsor 'para que os estudantes contribuam para esta causa: "em relação à iniciativa penso ser positiva porque, às vezes, por comodismo não vamos a outros sítios onde podiam os dar sangue, e eu falo por mim que tenho imensas oportunidade e não vou. Ou porque não me apetece, ou porque não me dá jeito, acabo muitas vezes por evitar dar sangue. Por isso, esta aproximação às Faculdades, do meu ponto de vista, é muito positiva". O afastamento dos centros hospitalares é um factor de sobeja importância, pois as faculdades são lugares onde a ambiência envolvente é mais leve. É esta a opinião de Fernando Nunes, licenciado em

Filosofia que diz que "o hospital é um sítio onde as pessoas vão quando estão doentes ou quando são obrigadas a ir. Estes locais são importantes porque retiram o lado mais pesado do hospital em si. Numa determinada idade as pessoas podem e devem dar sangue, portanto é bom estes postos estarem numa faculdade e não num hospital". . O sangue é necessário constantemente, pois todos os dias aparecem nas unidades hospitalares doentes com anemia, pacientes que irão ser submetidos a círurcta, acidentados com hemorragias, doentes oncológicos que fazem tratamento com quimioterapia e casos de transplantes. Em todos estes casos, os componentes sanqulneus são de vital importância. As necessidades de sangue são elevadas, sendo bem ilustrativo dessa situação o facto de um doente com leucemia poder necessitar de mais de 100 unidades de Componentes Sanguíneos. O périplo realizado pelas faculdades foi assegurado por duas equipas compostas por um administrativo, três enrermeíros, um médico e um auxiliar. A DI'"Amélia Gonzalez, médica de uma das equipas, acentuou a importância desta acção, sobretudo pelo grupo específico por ela albergado e pela faixa etária em causa. "O. estudante universitário é a pessoa mais adequada pela grande capacidade de solidariedade que tem e para isso muito contribui a faixa etária. É uma' altura em que as pessoas reagem muito bem a este tipo de chamadas. É o momento ideal para fazer com que se tornem dadores habituais e conheçam as necessidades do país-em termos de sangue". Ponto de vista contrário tem a estudante Ana Costa que pensa faltar à população universitária espírito de solidariedade: "Acho que a mobilização é pouca, mas não é só' para dar sangue.Acho que há falta, de mobilização de uma maneira gerál para esta e para outras causas." Existem ainda alguns medos relacionados com a " doação de sangue, como o medo do desmaio e da perda de sangue. O Homem tem em circulação 5 a ,6 litros de sangue, dependendo da constituição física. Há uma rápida reposição do sangue doado por parte do nosso organismo. A unidade de sangue depois de colhida vai ser separada nos seus constituintes: glóbulos vermelhos, plasma e plaquetas. Assim, uma dádiva de sangue pode' beneficiar pelo menos três doentes. É relevante perceber que não existe qualquer possibilidade de contrair doenças através da dádiva de sangue, urnavez que todo o material usado é esteülzaoo e descartável. Dar sangue é simples. Basta ter mais de 18 anos, mais de 50 quilogramas e ser uma pessoa saudável. É feita uma inscrição administrativa e uma entrevista médica. para determinar se a pessoa está apta para dar sangue. De seguida, faz. se uma análise de sangue que evita que as pessoas corram riscos. Efinalmente, virá a dádiva. Em 15 minutos o processo está terminado. JOÃo MALTA / PEDRa RIOS


RESIDÊNCIAS

www:fap.pt

Viagem aum Universo Peculiar Mudar de casa. Para algumas pessoas, é uma ideia assustadora, que implica mudança e nem todos são capazes de idealizar tal conceito sem colocar algumas reticências. Para quem chega ao ensino superior, esta acaba por ser, muitas vezes, uma realidade bem vincada, Muitos estudantes vêem-se sujeitos a procurar casa nas imediações das faculdades para onde vão estudar e nem sempre é fácil encontrar uma solução adequada. Ai, as residências universitárias surgem, em muitos casos, como solução. O Porto Académico fez um estudo sobre as mesmas e concluiu que escolher a melhor não é fácil. No entanto, as próximas linhas podem esclarecer os mais indecisos. Entrar na Universidade. Um desejo comum a tantos estudantes que se estendem pelos estabelecimentos de ensino portugueses. Um objectivo aparentemente ao alcance de todos,

embora o longo caminho que separa a vontade da concretização leve a que alguns se deixem vencer pelas dificuldades. . Para os mais persistentes, o momento em que se atinge o grau mais elevado da carreira estudantil o ensino superior fica, de forma indelével, marcado no trajecto de vida. E é precisamente na fase em que'se começam a dar os primeiros passos como caloira que o estudante se apercebe de toda a enorme estrutura que uma boa universidade coloca ao seu dispor. E, particularmente para aqueles que vão estudar para uma faculdade longe de Casa, a expressão "lar de estudantes" vai ganhando progressivamente contornos familiares. No caso da Universidade do Porto, a primeira residência universitária oficial foi instalada em 1948 e ostentava o nome de Lar de São João de Brito. Hoje em dia, os Serviços de Acção Social da Universidade do Porto (SASUP) dispõem de oito residências. Ano após ano, cada uma das oito instalações recebe e vê partir .novas caras, cada uma com a sua história e respectivas memórias. Mas, para aqueles que optam por esta forma de alojamento . na altura concomitante à sua experiência

académica, a dúvida relativa à melhor escolha acaba por surgir naturalmente. Atento a esta situação, o Porto Académico visitou os mencionados estabelecimentos e fez uma pequena investigação, de forma a ajudar os rnaís indecisos e esclarecer algumas eventuais dúvidas quanto à funcionalidade destas estruturas. Guiados por aqueles que habitam os lares estudantes universitários -, conhecemos cada uma das casas, descobrimos alguns dos segredos e chegamos a algumas conclusões relevantes. Apresentamos, então, cada uma das sete residências, tendo, como parâmetros de avaliação, a qualidade dos quartos, cozinhas e casas de banho, a segurança, as actividades de lazer disponibilizadas, a localização, a privacidade, a arquitectura e o estado de conservação. São destacados ainda, pelos intervenientes acima mencionados, os melhores e piores aspectos de cada uma das instalações, para além das mesmas serem classificadas pelos próprios guias. . Esta análise não pretende ser um juizo definitivo sobre as condições das residências e sobre o que os estudantes pensam sobre elas. <

Rua Dr. Manuel Pereira da Silva Tel.: 225 094 553 132 camas 66 Quartos individuais femininos33 Quartos individuais masculinos 33 Quartos individuais variáveis

Rua do Campo Alegre, 1395 TeL: 226 006 019 156 camas 88 Quartos individuais femininos 68 Quartos individuais masculinos Guias: Sandra Nogueira, Presidente da Comissão de Residentes da RUCA. . Pedro Macedo, membro da Comissão de Residentes da RUCA e Renato· Araúio.

Guias: Cláudia Enescu, ERASMUS Andreea Zachia, ERASMUS

Mista

Quartos: Sandra destaca a funcionalidade dos quartos, apesar do reduzido tamanho. Para além disso, sublinha o facto de serem individuais. . Cozinhas: Uma vez mais, é Sandra que nos indica o seu funcionamento. Afirma que o "o fogão é extremamente pequeno para onze pessoas (...), mas vai funcionando" . Indica que o frigorífico que é disponibilizado é pequeno. Casas de Banho Os nossos guias destacam a inexistência de uma quantidade de casas de banho adequadas ao número de pessoas. Renato menciona que no seu apartamento 'só" têm 'uma casa de banho a funcionar para onze homens". Sandra diz que, caso pudesse haver uma nos quartos, o problema estaria resolvido. Privacidade: Aqui, a individualidade dos quartos favorece qualquer pretensão de privacidade, já que o estudante encontra no seu próprio dormttório o local ideal para a introspecção. Lazer: Os residentes têm ao seu dispor televisão por cabo, onde se inclui o canal SPORTV, mesa de ping-pong e uma ampla sala de jantar para um convívio mais animado. É possível enconlrar ainda máquinas de café, de bebipas, uma de pizzas e sandes mistas. Localização: Pedro é conciso e afirma que é 'efectivamente boa". Segurança: As queixas são várias e Sandra menciona que há. apenas um guarda a ·vigiar uma entrada, quando 'a residência tem entrada por, pelo menos, mais dois locais." Arquitectura e Conservação: Pedro Macedo fala em 'más infraestrUluras". Acrescenta que a RUCA é 'uma residência com tão pouco tempo e com tantos problemas de canalização, de infiltrações, entre outros". Pontos Mais Posilivos: Todos destacam o convivia, privacidade Ponlos Mais Negativos: A talta de segurança, degradação de algumas infraestrUluras Classilicação

Quartos: Os quartos têm uma ligação entre si, que está fechada, de improviso, por uma espécie . de tábua. Isto permite ouvir o barulho do colega do lado. Têm casa de bamo, Cozinhas: Cláudia diz que são pequenas e que faz falta um forno ou um microondas. Casas de Banho: A higiene está garantida diariamente pelos funcionários da RUP. Andreea conta Que 'alguns chuveiros funcionam mal". Privacidade: Apesar dos quartos serem individuais, a privacidade é uma miragem. Andreea diz Que se 'ouve o vizinho do lado mesmo sem setentarouvi-Io". Lazer: Possui uma televisão na sala de estar. Localização: 'Por um lado, é boa, por ser azona das faculdades onde os residentes estudam. Por outro lado, é crítica, por se encontrar no pólo oposto do centro da cidade", esclarece Cláudia. Segurança: Afirmam que não têm, nem nunca tiveram problemas. No entanto, a equipa do Porto Académico entrou na residência e falou com os estudantes sem que visse qualquer guarda ou alguém que fizesse alguma pergunta. ArquHeclura e Conservação: Nos blocos de Paranhos, os quartos estão em cfrculo e no centro encontra-sei! escada. À saída dos quartos existe uma espécie de varanda, a partir da qual se vê os outros quartos e o centro do bloco. Pontos Mais Posilivos: Limpeza e espaço verde que cerca os blocos Pontos Mais Negativos: Falta de jlrivacidade Classificação

(média das duas): ··*·1/2

(média dos três): ****

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pormcadImlco

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RESIDÊNCIAS

Rua da Boa Hora, 28

Tel.: 222 058 940 H camas 7 Quartos.lndividuais 5 Quartos duplos . Guia: Hans Dabó, 6RASMUS Hugo Araújo, Arquifectura

Quartos: Os quartos duplos são pequenos para duas pessoas. Cozinhas: A desorganização é o problema apontaõo. Casas de Banho: Os residentes não apreseritam queixas. Privacidade: Hans diz que cada um "tem o seu espaço e que não há problema'. Hugo também. dispõe qõ seupréprío espaço. • . lazer: Os residentes costumam organizar festas, há uma sala de convívio e uma outra de jogos, onde podemos encontrare habitual ping-pong e um mais arrojado cesto de baskeí, Localização: Ambos salientam que estão "perto detudo". Segurança: Hans desconhece haver problemas neste-contesto. Por sua vez, Hugo lembra que há três anos houve um assalto em que "roubaram muita coisa". Diz ainda que é fácil entrar na . residência,.de formaindevida, Dela porta do CDUP. Arquitectura e Conservação: O.edificio é espaçoso e a estrutura arqurectõnlca é do agrado dos nossos intertocutores. i'lugo aproveita para salientar que o SASUP'poderia fazer algumas obras no local, para eVITar uma eventual degradação da residência e fazer face ao ruído que percorre as instalações. . 'Pontos Mais Positivos: Interacção entre pessoa Pontos Mais Negativos: Ruido entre quartos e pisos, idade do edif\cio'

Mas~ulina Classificação

(média'dos dois): ***1/2

Rua da Bandeirinha, 66 Tel.: 226 006 666 52 camas 25 Quartos duplos 1 Quarto de casal Guia: Filipe Ounha, Engenharia Civil

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Residência Universitária Jayme Rios de Souza (RUJRS): Praça 9 de Abril, 289

Tel.: 222 004584 51 camas 3 üuartos Individuais 18 Quar-tos duplos 4 @uartos triplos

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por~oRca~l1I1CO NlRlL2003

Quartos: Cada umelberqaduas pessoas, que partilham o quarto de banho ai existente. Os tons de madeira predominantes conferem suavídadee tranquilidade ao espaço. Existe umquarto maior, com televisão e outras comodidades inexistentes nos outros quartos, habitualmente reservado a alunos de mestrado e doutoramento. O·aquecimento tem funcionado mal. Cozinhas: Há uma por, bloco (são três. no total), que coloca ao dispor dos residentes uma televisão, um frigorífico 'Filipe diz que é 'pequeno -, um fogão, uma banca e 'uma mesa relativamente grande. O nosso guia considera quefaz falta um microondas. Casas de Banho: tJma por quarto. Algumas têm dado. problemas, nomeadamente no que concerneãs protecções que'envolvern os chuveiros. Privacidade: Pilipe conta que é' dificil estabelecer um espaço próprio e a ausência de quartos individuais não ajuaa. ' Lazer: As queixas surgem aqui. Não há sala comum de lazer, sendo a cozinha o local de encontro . por excelência, Não há sala de jogos e o espaço que Filipe considera ideal para tal desígnio.irá dar lugara uma lavanderia. que motivam as actuais obras na RUB. localização: No caso particular de Filipe, não é a ideal para se deslocar para a FEUp, onde estada. No entanto, acrescenta que. o facto de se encontrar bem no coração da cidade permite um fácil . acesso a qualquer local. . Segurança: Não há problemas rélevantes, mas Filipe alerta que ostuncionáríos deveriam ter mais cuidado ao abrir o portão a estranhos, porque houve snuaçõesern que emraramlndesejadamente pedintes na RUB. À nossaeqoípa bastou tocar à campainha e foi-nos disponibilizada a entrada. O mesmo não se passou noutras residências. ' . Arquitectura e Conservação,: O edíffcio congrega uma arquitectura tradicional, baseada nas paredes com relevos de pedra e nos arcos que nos recebem, com uma mais moderna, nomeadamente na referente aos quartos. Possui elevador e não mostra sinais de degradação. Pontos MaisPosilivos: Localização e, como Filipe menciona, "as amizades que serazemr. Pontos Mais N~gativos: "Inércia dos serviços socíats em darem o quê é básico" e Filipe dá alguns exemplos, como microondas e sala de iogas.

Quartos: De individuais a triplos, nãofaltam opções. Daniel diz que "têm o tamanho ideal" . Cozinhas: Uma vez mais, o guia é lacónico e esclarece" que a residência disponibiliza as 'condições necessárias". '. Casas de Banho: Pequenos, assemelham-se a balneários e apresentam claros sinais de degradação estética. Privacidade: Naturalmente, o quarto individual'favorece a privacidade. Nos outros quartos, Dailiel afirma que é "algo gue depende do respeito mútuo". No-seu caso em particular, diz que não tem razões de queixa, já que possuíurn q@rtoindividuaL Lazer: Encontramos uma sala de convivia comum e os restaeAtes dispõem de televisão, matrecos, bilhar e ping-pong, tudo gratuito. Localização: Não se encontra no centro da cidade, mas permite um acesso razoável aos vários pontos do Porto. Benéfica parfícuarmente para aqueles Que estudam na área circundante ao Hospital de São João. Se-gurança: Para entrarmos no eaifício, tocámos na campainha e a voz 00 outro lado fez-nos um conjunto de perguntas antes de nos .conceder a entrada. Daniel menciona problemas essencialmente internos e não tanto externos. ,Arquitectura e Conservação: É uma resldência[á antiga e o ediflcio parece cansado. Visíveis alguns sinais de.deçradaçãodas instalações, a pedirem uma atenção especial. Pontos Mais Positivos: Convicto, Daniel aponta o convivio. Pontos Mais Negativos: Ao entrarmos na residência deparámo-nos com uma pequéna brincadeira relativa à sigla SASUp, que' os residentes esclarecem ser "Sem Acção Social !la , Universidade do Porto". Daniel concorda, e.diz que há uma falta de orqanízáção dos SASUP que prejudica a RUJRS. Acrescenta qúe "o número de funcionários é ipsuficiente para o número de. habltantas, quando comparado com o de outras residências".


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RESIDÊNCIAS

Rua Anibal Cunha, 94 Tel.: 223 321 062 30 camas S Quartos individuais 11 Quartos duplos Gulas: Sandra Silva, Farmácia Sofia Olim, Arquitectura Cátia Esteves, Quimlca

Feminina

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Classificação (média das três) : •••

Dados Indisponlveis Gula: Alessia Simonettl, ERASMUS

Mista

Classificação: ***

Residência Universitária Feminina (RUF) Rua Joaquim Kopke, 112 Tel.: 225 511 328 '225 511 353 203 camas 90 Quartos duplos 1 Quarto tnplo 5 Quartos quádruplos Gulas: Alexandra Nogueira Carta Soares Rosa Rodrlgues

Feminina Classificação (média das três) : •••

Quartos: Sofia Olim diz que o seu quarto 'é bastante bom, porque é grande e tem espaço suficiente para o utilizar como atelier', Cozinhas: A residência tem apenas uma cozinha, o que, como diz Cátia Esteves, origina o 'caos à hora de jantar". Casas de Banho: As residentes não tem razões-de queixa. Prlva.cldade:,As três residentes citam o mesmo problema: as paredes finas que separam os quartos fazem com que se ouça facilmente o que se passa nos quartos ao lado. Lazer: Tem uma sala de convivia com 1V e alguns jogos. É neste espaço que os residentes mais convivem. Há um cesto de basket no exterior. Cátia Esteves, esboçando um sorriso, diz-nos que 'há sempre que fazer quando se chega a casa'. Localização: À residência está situada numa zona bem servida de lojas, centros comerciais, serviços, bares. Segurança: Sandra Silva tem conhecimento de que já houve assaltos, no entanto, desde que lá está, ainda não se registou nenhum roubo. Sofia Olim defende a ideia de colocar um alarme, porque 'não queremos um segurança, pois diminuiria a nossa privacidade'. Arquitectura e Conservàção: É uma residência antiga, mas em bom estado de conservação. Para as residentes, o facto de ser pequena propicia um 'óptimo ambiente de camaradagem", Pontos Mais Positivos: O bom ambiénte e a beleza do ediflcio, Pontos Mais Negativos: A propagação do som entre as divisões.

Quartos: 'O meu quarto é iQdividual, mas é muno pequeno e as paredes são mu~o finas e ouve-se o barulho dos outros quartos'. O quarto de Alessla "tem só a cama e a escrivaninha", Gomo aspecto positivo salienta a varanda, que, apesar de pequena, lhe possibilita 'ver o Douro, de que gosto muito', . Cozinhas: Há uma cozinha para cada piso, com uma banca, uma torradeira e um fogão. Faz falta um forno. Por vezes, tornam-se confusas as horas de confecção de refeições. Casas de Banho: Alessia comenta com alguma esnipetacção a inexistência de uma porta de entrada nas casas de banho. . Privacidade: A estudante de Erasmus volta a frisar o problema das casas de banho, ao qual soma ainda as paredes finas entre os quartos. Lazar: Apesar de não existir nenhuma associação, as pessoas juntam-se para fazer festas. O local para fazer essas festas é uma sala comum. Revotta-se contra o sexismo que existe na residência. Enquanto os blocos masculinos têm outras entradas que não a principal, as raparigas têm de passar sempre pela recepção. 'Quando os rapazes Querem fazer festas, não têm de pedir autorizações, enquanto que as raparigas têm', dlzAlessia. Locallzaç8o: É perto da Faculdade de Letras, onde frequenta o Curso Intensivo de Português, e há muitas pessoas da residência que estudam na Faculdade de Letras. É mu~o perto do Mau Mau, onde gosta bastante de Ir, e do supermercadd. 'Pena é que o centro seja multo longe", mas.a pé, em meia hora, consegue chegar até lá .. Segurança: 'Há demasiada segurança', refere AJessia, Que gostava de ter mais liberdade para poder conviver com os seus amigos de fora da residência. A recepção funciona 24 horas por dia e . cada pessoa tem uma chave do seu piso. Arquitectura e Conservação: A residência tem poucos meses. Já quanto à arquitectura, Alessia diz que parece 'Um hospltat", é 'Quadrado'. A estudante lamenta a inexlstência de um jardim. Pontos Mais Positivos: Alessia salienta o convivia que existe entre éstudantes que estão na sua situação. "Há mutta gente de Erasmus'. Além disso, tem um bar sempre aberto e uma sala de Jantar grande (pàra 12 pessoas). Pontos Mais Negativos: O facto de estarem embíocos separados faz com que os portugueses e os Erasmus não se relacionem muito. Conclui que 'gostava de conhecer mais portugueses'.

Quartos: Os quartos estão todos em boas condições. Sofreram remodelações há pouco tempo. Uma mais valia da residência assenta no facto de cada andar ter uma sala de estudo, que pode ser frequentada por qualquer uma das residentes. Cozinhas: Alexandra Nogueira diz que 'nas horas de ponta", das.21 :00 as 23:00, a cozinha não é suficiente para colmatar as necessidades das residentes, Casas de Banho: As casas de banhó são privativas, Privacidade: As residentes não tem razões de queixa. Lazer: Caria Soares, residente há três anos na RUF, diz que as remodelaçOes que a resldencla sofreu resultaram em grandes vantagens para todas as moradoras. 'Foram Instaladas máquinas de sandes e de café na sala de convfvlo, o que é bom quando não temos vontade de cozinhar; .. '. localização: A localização é boa. Há muros autocarros que fazem a ligação a pontos importantes dacldade. . Segurança: Ourante o dia, está a cargo dos funcionários que lá trabalham. Das 17 às 9 horas, há um segurança permanente, que zela pelo bem-estar das residentes. Arquitectura e Conservação: As infraestruturas não mostram deficiências graves e o exterior do ediflclo encontra-se em boas condlçOes. No entanto, Alexandra Nogueira critica a degradação que as oadelras e mesas Já apresentam. Pontos Mais Positivos: A biblioteca, que tem eqUipamento adequadO às necessidades dos estudantes, e as salas de estudo. Ponlos Mais NagaUvos: Os cactos são pequenos ealgum material está degradado.

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RESIDÊNCIAS

Estando apresentadas as várias residências universitárias que os SASUP disponibilizam, conhecemos um pouco mais da realidade que está inerente a cada uma das instalaçóes. Pelamão dos próprios residentes, o Porto Académico descobriu ainda, para além do já analisado, que há uma curiosidade relativa a este universo dos lares há uma hierarquia que se estabelece nos mesmos, onde são reservados aos habitantes mais antigos algumas regalias, como a possibilidade de escolha de quartos e afins. Portanto, quem entrar numa destas residências, não deve estranhar termos como "chefe", "quarto do chefe", entre outros.

Uma leitura atenta permite chegar ainda a butra conclusão há alguns problemas que se constatam na maioria dos casos, nomeadamente no campo da segurança e na acção dos SASUp, que, segundo alguns dos nossos guias, não têm tido um comportamento igual em relação a todas . as instalações, favorecendo algumas em detrimento de outras. Para os interessados em enveredarem por este gênero de habitações, a investigação que vo~ disponibilizamos não é, obviamente, conclusiva. E um ponto de partida para algumas decisóes, mas há um conjunto de variáveis que convém não esquecer e que são ainda mais subjectivas do que

Carta aberta a sua Excelência, o Presidente da República Portuguesa o Ensino

Superior português encontra-se hoje num momento fulcral para a definição do seu futuro. E com ele, o futuro do País. O desenvolvimento sustentado de qualquer nação depende directamente da qualidade do ensino que é ministrado, da quantidade e da competência dos graduados, da democraticidade e universalidade do acesso e frequência desse mesmo ensino. O Governo anunciou na passada sexta-feira, através do Ministro da Ciência e do Ensino Superior, um conjunto de intenções a concretizar no contexto da reforma do Ensino Superior que pretende implementar. Nesse conjunto de intenções destacam-se algumas que, ao arrepio de afirmações sobejamente proferidas por aquele responsável, se limITam a atacar direitos adquiridos dos cidadãos portugueses que se encontram a estudar no Ensino Superior, nomeadamente no sector público. Sistematizando:

a) a diminuição da representação dos estudantes nos órgãos de governo das instituições: regista-se aqui o mais anti-democrático e injustificado ataque aos direitos que os cidadãos que estudam obtiveram após décadas de ditadura. Não se compreende o alcance e o objectivo desta medida, que não' seja tão somente um paleativo dado aos docentes, que há muito solicitamo fim do equilíbriodemocrátlco nas instituições. Os estudantes, a par dos funcionários docentes e não docentes, são a parede mestra do Ensino' Superior, constituindo parte da sua própria definição.' Têm sido aliás um elemento preponderante na condução discutida mas concertada dos destinos das instituições - isto, nas instituições que efecti08

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mão.

GERMANO OLl~!RA CARLA GONÇALVES JOÁOMALTA

PEDRORlOS ANA PEREIRA VERAMARTINS

obstando à sua universalidade e democraticidade.

POLíTICA EDUCATIVÀ

Exmo Senhor:

as foram tidas em conta. Por exemplo, a esceha de uma residência deve ter em linha de conta a proximidade à faculdade do estudante para evitar as morosas filas de trânsito -, o desejo ou não de dispor de quartos individuais, uma eventual preferência por residências mistas em lugar das exclusivas a determinado sexo, entre muitos outros factores. E aí, é cada um de vós que . escolhe. O Porto Académico apenas deu uma

vamente concretizaram o modelo paritário de representação, facto que raro 'se verifica no ensino politécnico. A acontecer a consagração desta proposta em sede de diploma legal, rogamos o pedido de fiscalização preventiva da consütectonaâdade desta regra ao Tribunal Constitucional, no âmbito do exercício das prerrogativas presidenciais. b) a transferência do ónus político da definição do montante da propina para as instituições: aqui, uma manifestação clara de falta de coragem politica. A instabilidade intra-institucional que uma medida deste género trará deveria constituir motivo suficiente para o Governo assumir as suas responsabilidades. Estudantes serão "atirados" contra reitores e presidentes de politécnicas, medida que não se compreende num Governo que supostamente é uma pessoa de bem. c) a medida do aumento do valor máximo de propina: um crescimento do valor máximo acima dos 120%, num país que investe menos por aluno do que qualquer outro país da UE; num país onde o abandono escolar por motivos de subsistência ainda atinge uma significativa percentagem dos estudantes; num país onde a Acção Social Escalar é insuficiente e de pouca qualidade; quando a experiência nos ensina que a propina nunca serviu para melhorar a qualidade do sistema, mas sim para fazer face a despesas correntes - devido ao Estado reduzir sistematicamente o Orçamento para a Educação; quando o próprio Senhor Ministro afirmou por várias vezes que o Ensino Superior não necessita de mais financiamento ... Também aqui retiramos única e exclusivamente a conclusão de que o Governo pretende elitizar ainda mais o acesso e a frequência do Ensino Superior,

d) a ausência de medidas de combate efectivo ao insucesso escolar em favor de uma solução radical de responsabilização exclusiva dos estudantes: A criação de um regime de prescrições sem estar acompanhado da implementação da formação e avaliação pedagógica dos docentes é imputar em exclusivo aos estudantes a responsabilidade pelos níveis de insucesso escolar. Só podemos adjectivar tal asserção como desonesta - não é aceitável assumir com seriedade que 40% dos estudantes reprovam e/ou abandonam o Ensino Superior devido apenas a causas próprias. Como é possível oniITir os casos lendários de disciplinas que apresentam 70, 80, ou mesmo 90% de reprovações anuais? Senhor Presidente da República: Pelos motivos expostos solicitamo~ desde já uma audiência a V.a Ex.", onde nos seja dada oportunidade de vos explanar em detalhe as nossas posições. Aproveitamos também para rogar a vossa intervenção numa matéria tão importante para o futuro a médio e a longo prazo de um País cuíos maiores entraves ao desenvolvimento serão quiçá a iliteracia, e a fraca qualidade de uma formação historicamente elitista. Essa intervenção só pode passar por uma análise objectiva do diploma que for apresentado para promulgação, que certamente conduzirá ao pedido de fiscalização preventiva da inconstitucionalidade do mesmo. Ainda que o Jribunal Constitucional não encontre indícios de inconstitucionalidade, o veto polltico é ainda um instrumento que deve ser utilizado quando altos interesses da nação se impõem. Com as melhores Saudações Académicas, Federação Académica do Porto.


OPINIÃO

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A academia é uma eterna primavera

Atravessamos uma era singular. Hoje cada homem ao debruçar-se no varandim da sua intimidade contempla um mundo em acelerada mudança. Mudança nos conceitos, nos valores, na . relação com os outros, com o trabalho li com o dinheiro. O dia de hoje é radicalmente diferente do dia de ontem. Um ontem que não tem mais de um quarteirão de anos. Portugal, habitualmente resistente a mudanças e a rotações cunurats profundas, abriuse ao penetrante movimento social que fez estremecer todo o mundo ocidental do pósguerra. Julgo até que foi das poucas ondas revoltas que, galgando os Pirinéus, teve força bastante para molhar e refrescar o rosto português. As mulheres partiram para o trabalho remunerado e passaram a usar calças. As crianças largaram os rebanhos e conquistaram a escola. Os homens cederam (não sem resistência) à justa partilha de oportunidades no mundo íaoorat Pelo menos em teoria, homens e mulheres competem em pé de igualdade nas chamadas profissões técnicas. Mas a grande conquista social, o ás de trunfo que o país tem nas mãos no jogo da vida, diz respeito à massificação do ensino. Com erros? Seguramente! Porém, cada erro não é maior do que uma pequena pedra que rola embaraçada nas águas tumultuosas do oceano juvenil. . Os velhos foram, certamente, as grandes vítimas desta reviravolta social. Precocemente expulsos do convívio da família,

transportando consigo a designação humilhante de 3" idade, encontraram nos lares o prêamtíulo da jazida eterna. Enfim, quando o pasteleiro bate o doce ao toque da colher de pau, alguma massa escorre pela borda do alguidar. E escorre tanto mais quanto maior for o movimento de rotação. É a lei da grópria vida! O inundo saber que era ontem privilégio de alguns (infelizmente poucos), abriu-se generoso à contemplação de muitos e à fruição de muitos mais. Por força deste fenómeno, Portugal tem hoje, no seu espaço académico, o selo de garantia para o futuro. É a nossa energia, o nosso minério, a nossa esperança. Ontem, o ouro do Brasil deslumbrava, no instante da transfega, os olhos lusitanos. No entanto, caía sobranceiro em cofres estranhos ao povo. Hoje, o ouro é nosso, porque o metal precioso do saber, do juízo crítico e da liberdade assumida e usufruída, difunde-se pelas massas juvenis acantonadas no espaço académico. . Cada geração projecta-se para o futuro balançada em referências enraizadas nas gerações precedentes. Agumas foram de tal modo empolgantes que promoveram inevitáveis terramotos no equilíbrio ético-cultural do tecido social. Foi assim, por exemplo, com a geração de vinte e com a geração de sessenta. Depois, bom ... depois, um sono prolongado anestesiou a criatividade juvenil, deixando de certa 'forma empobrecido o espólio da geração presente. TOdavia, o sol nasce todos os dias, e na madrugada juvenil abundam os sinais coloridos dum estremeção cultural que, seguramente,

perfumará para todo o sempre a geração presente. Acreditando nesses sinais de esperança e de saudável irrequietude académica, a cidade invicta, a sua .Câmara através da Fundação para o Desenvolvimento Social do Porto, procurou o encontro, solene e profundo, da cidade com a sua academia. Deseja-se um enlace de propósit0s e de acções que tire partido da conj~gação de dois patrimónios: dum lado, o entusiasmo, a generosidade e o interesse acadêmico da gente jovem; do outro lado, a programação, a experiência e os meios depositados nas mãos da uente sénior. Procura-se, com esta parceria, racionalizar os recursos disponíveis na cidade e optimizar todos os meios que julgamos indispensáveis para o complexo combate à exclusão social na cidade do Porto. Sente-se na cidade uma grande preocupação pelos problemas sociais. A solidariedade, a ecologia, a segurança e o urbanismo mais humanizado preenchem, no conjunto, a grande ideia de cidade do Presidente Rui Rio e seu executivo. Mas a cidade não é só a sua Câmara. A cidade étambém, e principalmente, a sua gente... a sua juventude. Com a ajuda dela, no passado, Portugal conquistou a liberdade. Com a ajuda dela, no presente, o Porto excluído, o Porto sem letras, sem papéis, sem pão e serntecto, vai conquistar a inclusão, a cidadania plena, numa palavra ... a liberdade! . CARLOS MOTA CARDOSO, PROF.

UNIVERSIDADE DO PORTO ABRlL2003

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ENTREVISTA

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Simplesmente pop Quem não conhece o refrão "La la la la ooo ..."? Lembram-se da banda que aqueceu a noite de Quinta-feira na última Queima das Fitas? E que animou a recepção ao caíolro este ano em muitas faculdades? Já devem saber de quem estarnos a falar: dos EZ Special, claro. Num período dourado, em que começam a voar mais alto, falámos com Ricardo Azevedo, o vocalista da banda. As circunstâncias da conversa não podiam ser melhores: uma esplanada no Homem do Leme num dia de sol. Conversámos com o Ricardo sobre o momento que a banda atravessa e o trabalho em curso para o futuro. Para o manager da banda, Marco Azevedo, o segredo dos EZ Special é "humildade, trabalho e sorte"!

e todos tínhamos uma ideia coincidente: fazer canções, Todos gostávamos de "bandas de canções": lembro-me que o Fernando gostava de Radiohead, Faith No More; o Mário de Police; o César gostava de Red Hot Chillí Pepperse eu gostava de bandas absolutamente normais que usavam o formato canção com verso-refrãoverso. Cada um tinha as suas influências. Lembrome, por exemplo, que o Mário queria que tocássemos um som muito rock, com dlstorções, enquanto que eu levava coisas muito mais acústicas e simples. O César queria um ritmo e um balanço um pouco mais funk, .. Mas depois com o tempo e com as músicas que foram surgindo fomos percebendo aquilo que podíamos fazer

nosso trabalho e foi ele que nos possibilitou gravar o nosso "cartão de visita", o "Partizan Pop", e que nos permitiu evoluir a nfvel de carreira: tocámos mais; demos entrevistas, demos o nosso nome a conhecer. O· Quico tem já um currículo muito grande, gravou o "Viagens" do Pedro Abrunhosa, Três Tristes Tigres .., Já tinha nome na música portuguesa e nós sentimo-nos muito honrados de trabalhar com ele.

A colaboração do Saul Davies pode ser descrita como um golpe desorte? Sim. Surgiu por acaso. O Álvaro Costa sabia que o Saul estava cá em Portugal e ele sugeriu-nos mostrar-lhe o nosso EP.Nós claro que aceitámos, mas não esperávamos qualquer teedback! O Saul gostou 'especialmente do tema "Special"e disse que estava disponível para trabalhar connosco.

Quando ele me disse isso, fui ter com o Saul à Praia do Ourique, levei a viola, mostrei-lhe os temas 'e ele gostou muito e quis trabalhar connosco. Fizemos a ligação entre 'o Saul e o Quico Serrano e achamos que teoricamente existia uma boa equipa. E depois, na prática, resultou,

Como é que essa ligação se reflecte no som da banda? Há um som claramente britânico no disco... A pergunta da praxe: quem são os EZ Special e como seformaram? Os EZ Special são eu na voz e guitarra acústica, o . César Jesus no baixo, o Fernando Tavares na bateria e o Mário Sá na guitarra eléctrica. Surgimos no ano 2000, Eu e o Fernando vínhamos já de um projecto anterior que nunca saiu da garagem. Havia divergências no que querfamos fazer a nível musical e essa banda acabou. Eu e o Fernando quisemos continuar a fazer música porque tínhamos aquele "bichinho" e então procuramos um guitarrista e um baixista. Lembrei-me do Mário e do César que eram meus vizinhos. Juntamo-nos

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melhor e que mais gostávamos. Depois gravamos o EP"Partizan Pop". É um trabalho ainda um pouco indefinido a nível sonoro. Estávamos à procura daquilo que querfamos. No "ln'n'Out", o álbum que acabamos de lançar, já existe alguma coerência, uma coesão a nível sonoro.

Contaram com a produção de Saul Davies, exJames, e Quico Serrano, um produtor já experientl!. Como é que estas colaborações surgiram é como se reflectem no crescimento da banda? O Quico foi a primeira pessoa que acreditou no

Nota-se directamente a presença do som britânico em certas músicas porque o Saul tocou no disco e ele toca como tocava nos James. É natural que tenha parecenças com James porque ele era da banda ...

Mas influenciou ovosso som? Influenciou em certa parte, porque, para além de ser o nosso produtor e também ter tocado connosco, também conversávamos muito e tentou incutir-nos uma maneira de estar mais madura e uma forma de estar em palco. Mas acho


ENTREVISTA

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que não SOmOS uma banda influenciada por James. As parecenças com James podem deverse ao facto do Saul ter tocado no disco. Temos várias influências de músicas de várias partes do Mundo e acho que se formou uma identidade no disco. Numa entrevista disseram que o Saul Davies fez-vos assumir como banda de canções papo Podes-nos explicar o que é isso de "canção poe ? U

Falamos em pap porque queremos que as músicas façam parte de um vasto público, que sejam populares. Nesse sentido é pap. Quando surgimos a nossa música era um r.ock virado para o estilo americano. Oque o Saul fez foi acabar com essa colagem e tomamo-nos uma banda do Mundo. Somos influenciados pelos dois pólos,

tanto o americano como o inglês. Etemos também influências de música portuguesa. A ajuda que o Saul nos deu e o distanciamento das guitarras eléctricas e do "som americano" fez com que apostássemos mais num rock com condimentos papo As canções tornaram-se muito mais simples e despidas e acabaram mesmo por criar

ambientes que anteriormente eram mais difíceis de se proporcionar. Acho Queas nossas canções cresceram muito ... Como foi o vosso primeiro concerto? Ainda te lembras? .

o primeiro concerto de EZ Special foi na FNAC do Norte Shopping. Foi um concerto engraçado. Era quase só a nossa família e amigos a ver, mas foi um concerto que nos deixou maravilhados e com vontade de dar muitos outros logo a seguir. Mas não demos muitos e tivemos a necessidade de gravar alguma coisa. Foi assim que surgiu o EP. Parece estar a haver uma forte aposta em termos de promoção. Chegaram a distribuir 20 mil cópias do Cd-Single "Daisy" com o jornal

BLITZ. Quefeedbacktiveram desta acção?

. Foi muito bom. Foi uma acção que fizemos para promover o nosso single de avanço, o "Daisy". Os objectivos foram conseguidos porque a música foi lançada em Setembro e ainda hoje passa nas rádios. Se calhar, sem esse pontapé de saída e essa força que fizemos a nível promocional, a

música não tinha passado em nenhuma rádio. E há novas acções de promoção planeadas? Para o nosso novo single, "Crosstown", temos uma acção conjunta com- uma rede de lojas de música em que serão oferecidos 200· mil discos. Mas temos uma estratégia global de promoção que não passa só por oferecer CDs. Temos feito muita promoção e vamos começar atocar muito. A internacionalização. é uma meta? A editora tem planos de lançar o disco lá fora? Não passa pela editora. Antes de nos associarmos à Universal, fomos nós que fizemos tudo e o disco é nosso. Temos um licenciamento para Portugál e, por isso, somos livres de fazer o que quisermos com o disco no' resto do Mundo. O que vamos

fazer neste momento é licenciar o disco em Inglaterra para a Mercury, umá !abe! da Universal. Depois disso, é natural que façamos uma digressão em Inglaterra, o que é um passo de gigante para uma banda portuguesa. PEDRa

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RIOS / ANA PEREIRA

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CULTURA

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TEATRO

Teatro em Maio Entre 15 e 22 de Maio, aterram no Porto quatro companhias vindas do'Reino Unido (de Sheftield e de Londres, duas cidades muito diferentes, a ava- . liar pelo teatro que geram), de Itália e da Austrália. Aterram e tendem a ficar. Quase todas as companhias estão envolvidas em mais do que um projecto, neste micro-festival que se desdobra por duas cidades (em Coimbra, de 9 a 17 do mesmo mês de Maio). O programa que uma cumplicidade fulgurante permitiu construir com os Third Angel é, de alguma maneira, o símbolo desta curta temporada. Alexander Kelly, um dos seus directores artísncos, vai permanecer quase duas semanas em Coimbra e no Porto: apresenta nas duas cidades um espectáculo. da sua companhia, Leave no Trace; recria connosco e com actores portugueses um outro dos seus espectáculos (Onde é que eles esconderam as respostas?, no seu nome portuçuês): inaugura uma instalação e mostra os seus videos; e, por fim, anima uma master-class sobre o seu próprio trabalho. Mas também os australianos Ranters Theatre desdobram a sua presença em dois espectáculos e um workshop de

escrita dirigido por Raimondo Cortese. E os italianos Teatrino Clandestino questionam angustiada mas muito lusidamente a guerra com a sua /fiada, enquanto trabalham com um conjunto de jovens actores numa oficina de dramatnrqia e interpretação. Com passagem mais fugaz, mas não de todo menos importante, veremos os Parasitas de Marius von Mayenburg (um dos jovens dramaturgos mais representados por toda a Europa) através do olhar de Nuno Cardoso e Tiny Dynamite, espectáculo para todos os públicos da responsabilidade conjunta de duas das mais interessantes companhias inglesas: Paines Plough, que dedica o seu trabalho nova escrita, e Frantic Assembly, que afirma sobretudo um teatro visual e físico. A apresentação no Porto de quatro dos espectáculos que integram este festival resulta da cooperação entre o TNSJ e a Capital Nacional da Cultura -Coimbra 2003, inscrita num movimento de programações internacionais regulares exibidas pelo Teatro São João. Resulta também de um raciocínio de reprodutibilidade dos meios e ce uma vontade inequívoca de prosseguir a permanente actualizaà

ção da experiência de públicos e criadores no confronto com o que se faz fora deste pequeno país. O respeito pelos públicos é perseguido através da busca de diversidade na programação, da recusa de uma unicidade estética, do rigor e da intensidade do projecto artístico de cada criador presente como único critério de programação. É soberano, na decisão de legendar todos os espectáculos em _ português. O respeito pelo contexto de criação da(s)cidade(s) é sobretudo afirmado pela pertinência de cada projecto apresentado à escala de produção em que o trabalho teatral se desenvolve em C.oim.bra(como, na sua maioria, também no Porto): todos os espectáculos são tributários de formas simples, activas na sua contemporaneidade .. portáteis mas rigorosos no seu labor teatral, com uma clara vocação de comunicabilidade com os públicos. É-o, também, pelo esforço feito em aproveitar a presença de cada companhia e criador paraprovocar momentos de formação e de contágio criativo. E o resto é Teatro!.Espero sinceramente que se divirtam. joss FERRElRA

CRíTICA LITERÁRIA

A Morte das Aranhas Em O Segredo de Joe Gould, Joseph Mitchell apresenta-nos a encantadora e verídica história de um excêntrico homem em posse do fantástico mistério da palavra.

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barba por fazer e um cigarro preso entre duas De braços estendidos em frente, empurramos a desdentadas gengivas, o seu ar era um pouco pesada porta de madeira da biblioteca e tacteamos a parede à procura da luz que vamos encontrar assustador. Disse: "Permita-me que me apresente. O 'meu nome é Joe Ferdinand Gould, num canto, no voluptuoso candeeiro sobre a mesa do professor. Abrimos e fechamos intermitenteformado em Harvard, magna cum difticultate, mente os olhos para nos habituarmos ao amarelo curso de 1911, e presidente do Conselho de das paredes e percorremos com a vístà as Administração de Boa e Má Sorte, SARL. Em troca de uma bebida, posso recitar-lhe um poema, fazer estantes, intrincadas teias de livros e aranhas onde repousa o saber. Com as pernas a tremer de ,um discurso, defender uma tese ou tirar os sapatos e imitar uma gaivota. Prefiro gin, mas uma ansiedade, encaminhamo-nos para a prateleira cerveja também serve". Foi com vários copos onde se lê Enciclopédias e abrimos a sua porta, daquela bebida que nos encantou com o grande libertando o imenso pó que sobre os livros projecto da sua vida a História Oral. Esta, consiste descansa. É noite e o único ruído é o dos nossos pés sobre 11 madeira. _ . . em transcrições e dissertações acerca de conversas que tenha presenciado, já que para Entontecidos, abrimos as portadas e respiramos o Gould "o que as pessoas dizem é que' é história". nocturno ar fresco, para de novo nos encar"São só coisas que ouvi dizer, mas talvez eu tenha regarmos da profana tareta Com os braços cheios das grandes enciclopédias atiramo-Ias pela janela, alguma faculdade especial talvez eu' consiga como quem se liberta do grande peso do não- . compreender o significado daquilo que dizem as saber. No seu lugar, colocamos um livro único, pessoas, talvez. eu consiga ler o seu significado imenso A História Oral do Nosso Tempo. De olhos profundo". E é em duzentos e setenta baratos fechados lembramo-nos da primeira vez que dela cadernos escolares com "doze vezes o tamanho ouvimos falar. da Bíblia, nove milhões de palavras, escritas com Foi num decrépito bar dos subúrbios de Nova todas as letras" que Gould armazena esta lorque. Veio ter connosco com o ar alucinado que magnífica história, que aguarda 'ser descoberta. devem ter os velhos. génios. Com um fato e Pedantismo intelectual dirão uns, ou talvez a sapatos dois números acima do seu tamanho, nobreza de um mundo absorvido a cada esquina,

em cada palavra, entre o abismo de um copo e o louco voo de uma gaivota. A fronteira é a palavra, a voz, pensamos, enquanto . em bicos de pés abandonamos a rejuvenescida biblioteca. Connosco, levamos um sorriso nos lábios, de quem partilha um tesouro com o mundo. RICARDO PINTO

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DESPORTO

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XII Campo de Férias Despoitivas Estudantes do Porto em festa em Pedras DeI Rei somar 1000 pontos, nem mais nem menos. Numa espécie de gincaoa, os participanteS tinham de fazer de tudo: escalada, arco, insufláveis, boxe ou imagine-se apanhar o caranguejo! Andaram de um lado para o outro para em cerca de três horas fazerem mil pontos. Munidos de um mapa com a distribuição das actividades no aldeamento e na praia, os participantes tinham que traçar o seu próprio percurso. , Quando caia a noite, rapazes e raparigas vestiram-se a rigor. De preto e de branco, com uma máscara ou com o melhor do tlower power! A originalidade era a palavra de ordem. O trabalho dos artistas de Faro que no local das festas faziam o body ajudou os menos inspirados. Os participantes também somavam à noite: no karaoke ou na prova livre. No primeiro até os' desafinados brilhavam. Se não fosse pela voz de rouxinol, era pela boa dlsllosição. A Segunda era um espaço de criatividade. Houve de tudo, de tudo mesmo até uma interpretação e personificação de Janis Joplin! As noites frias da Ria Formosa aqueceram com a música que ficou a cargo de Miguel Barros, DJ residente na conhecida discoteca do Porto, Chie. Na praia dançava-se até às cinco horas. Sim, pode parecer cedo mas numa reserva natural há regras cumprir. Mas' quem .imagina que a noite ficava por ai, desengane-se . No aldeamento, casa sim, casa sim, havia "after hours". No ultimo dia houve churrasco à volta da piscina e uma perseguição em massa a quem estivesse mais perto desprevenido e vestido! para ir à água. Queimavam-se assim os últimos foguetes. Muito divertidas estas férias, sem dúvida. A repetir.

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conhecido Campo de' Férias que junta os estudantes da Academia do Porto por altura da Páscoa decorreu, uma vez mais, entre os passados dias 8 e 13 de Abril. O cenário: Pedras Dei Rei' no sotavento algarvio. A festa: parece melhor de ano para ano. Foram cinco dias e noites! sempre a abrir!

Depois de uma viagem de cerca de 10 horas de

comboio, parte já conhecida e acarinhada desta grande festa, a animação continuou entre a praia e o aldeamento. A viagem é longa mas ninguém se parece dar conta disso. O "comboio" só sossegou ao chegar a Tavira. Nas horas mais criticas da viagem era impossível andar nos corredores de tão concorridos. Em cada compartimento uma festa. As férias adivinhavam-se inesquecíveis e uma vez em Pedras Dei Rei,nem o vento que se fez sentir naqueles dias impediu os participantes de aderirem às actividades que decorreram durante dia na praia do Barril. Na quarta feira a praia não esteve exactamente lotada porque as pessoas aproveitaram para por o sono em dia. Ainda assim o pessoal que apareceu no Barril pode mostrar os dotes no circuito dos insufláveis e... somar pontos! Isto depois do' aquecimento feito ... na aula de aeróbica mesmo ali na areia. Houve ainda quem experimentasse lutar boxe com luvas do tamanho de uma abóbora, estar na pele daqueles bonecos dos matrecos, saltar na cama elástica ou fazer paintball. No segundo dia, as equipas disputaram o " torneio de futebol de praia, que continuaria no dia seguinte. Ainda que fosse esta a actividade onde mais pontos podiam fazer; a adesão às outras actividades que nesses dia contavam para a pontuação - o basquetebol e o roller hóquei - foi notória. No último dia foi a "loucura total" com o Score 1000. O objectivo era como o nome indica

ANA PEREIRA

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DESPORTO

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Maravilhoso Mundo Branco Campo de Neve FAP (15-22 Março) Decorreu no Principado de Andorra, entre os dias 15 e 22 de Março, mais um Campo Universitário de Neve organizado pela 'Federação Académica do Porto (FAP), -<'este ano em conjunto com a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC).

e os indispensáveis óculos (indispensáveis sim, apesar da inestética marca que deixam no bronzeado). É claro que é sempre possível pedir emprestado algum deste material a uma alma caridosa vossa conhecida que já tenha feito esse investimento, Que eu considero um bom

Por apenas 330 euros, os 73 participantes tiveram investimento, pois acreditem: o bichinho da neve direito a escuíarourna das melhores estâncias dos fica dentro de cada pessoa que experimente a Pirinéus: Soldeu el Tarter (Valls de Canillo) com 92 sensação de descer uma pista, mas não de saco Km de pistas. Os snowboarders, por .seu lado, plástico no rabo na Serra da Estrela. pagaram um suplemento de 28 euros, O autocarro partiu do Porto às 22:00 de Sábado correspondente às diferenças de custo no aluguer (dia 15), este ano sem grande atraso e já de material. Estes preços. incluiam: viagem de parcialmente ocupado pelos nossos colegas de autecarro, alojamento emaparthotel de 3 estrelas, Coimbra. Cansativas 16 horas. de viagem regime pensão completa, equipamento para ski ou (animadas pelo terceiro CD .do universalmente snowboard,. forfait (cartão que dá acesso às conhecido, Fernando Rocha) aguardavam os Que pistas) para 5 dias e curso de 14 horas de cada decidiram deixar o carro na garagem e Que, modalidade. Uma pechincha, se me permitem, cegamente, confiaram nos motoristas tendo em conta que, por um custo menor do que o contratados. Depois de algumas paragens nas de uma semana no Algarve durante as férias da autoestradas espanholas, não só nas estações de Páscoa (façam as contas tendo em conta o serviço como também em plena faixa de rodagem, deslocamento, a alimentação e o alojamento . e alguns enganos no caminho (que "obrigaram" um dos motoristas a fazer marcha-atrás na apenas, já para não falar das saídas à noite), os universitários teriam o previlégio de praticar um autoestrada), chegamos finalmente ao nosso desporto classicamente muito dispendioso e destino, sãos e salvos. Durante a tarde do dia inacessível à maioria das bolsas dos estudantes seguinte fizemos uma rápida paragem no do ensino superior. aparthotel Ransol para descarregar bagagens e A esse custo incontomável deve-se acrescentar o distribuir apartamentos (uns com capacidade para do equipamento básico e fundamental para a 4 pessoas e outros para 6) e seguimos para o local prática de desportos de neve: roupa impermeável de aluguer de material, onde cada participante (sendo aconselhável calças e casaco . recebeu equipamento csrnpleto e ajustado para o apropriados), luvas, gorro, meias específicas seu tamanho e peso. Depois, foi o regresso ao (especialmente no caso dos praticantes de ski, aparthotel que, não sendo nenhum hotel de luxo, para que as botas se tornem menos era suficientemente simpático, limpo e quentinho, desconfortáveis), protector solar, batôn hidratante para quase nos fazer esquecer o nosso lar. No.

entanto, era durante as refeições que as saudades de Portugal se faziam sentir, com a batata frita sempre presente (mesmo a acompanhar peixe cozido), e o un"ãnimemente eleito "melhor prato da viagem": ovo estrelado, acompanhado de arroz e, como não poderia deixar de ser, molho de tomate. Mas, devo assegurar, ninguém passou fome e os gastos com a alimentação eram meramente opcionais. Depois do jantar de Domingo era prioritário deitar cedo, para recuperar de uma noite mal dormida em viagem e ganhar forças para o primeiro dia de pistas!!! Segunda-feira, dia 17: acordar às 8:00, tomar pequeno almoço às 8:30, correr para o autocarro e às 9:00 (com algum atraso) inserir o forfait no toroísuete e subir cadeirinhas até às pistas. As aulas começavam às 10:00 e, por isso, ainda havia tempo para relembrar como nos equilibrarmos sobre uma prancha/skis ou dar 'as primeiras quedas. A seguir ao almoço, depois de um café na esplanada e de uma troca de palavras apressada, subir e descer montanhas cada um ao seu ritmo. A neve que caiu na tarde de Terça-feira deixou as pistas óptimas para os próximos dias e foi excepção em cinco dias de ski perfeitos (pelo menos assim me pareceu), acompanhados por céu limpo e sol, que deixou uns mais morenos, e outros, mais descuidados, com inadequadas pinturas de guerra benfiquistas, numa semana em Queo Porto e o Boavista asseguraram a passagem às meias finais da taça UEFA.Às 17:30, depois das pistas fecharem, era altura para regressar ao apanhotel, tomar um Dom banho e aguardar pacientemente pelo jantar, que era se.rvido apenas às 21 :45. Deitar cedo, para aproveitar o dia seguinte, era a opção da maioria (eu, inclusivé), mas correram rumores de que havia animação nocturna para os mais resistentes, cujo local e aderência desconheço. Foram também realizadas duas viagens à cidade de Andorra La Vella, local onde os bolsos mais folgados aproveitaram para comprar máquinas fotográficas digitais a preços manifestamente mais baixos e das quais resultaram as magníficas fotografias escolhidas para ilustrar este artigo. Para tristeza de todos e sem o menor aviso, chegou o último. dia (Sexta-feira). Depois de entregar o material regressamos ao aparthotel para trocar de roupa, passar a cara por água e pouco mais. Ainda houve tempo para gastar os últimos trocos na cidade e encher a barriga de fastfood, antes de iniciar a segunda, e ainda mais penosa, viagem de 16 horas. Chegamos ao Porto no Sábado à hora do almoço, mas já com jantar combinado entre os participantes' para daí a 15 dias, comprovando o bom ambiente vivido durante essa fantástica mas curta semana. Após o stress de mais uma época de exames, não há nada melhor do que viajar até ao "maravilhoso mundo branco" e é por isso que no próximo ano lá _estarei (pelo terceiro ano consecutivo), aproveitando esta oportunidade para estender o convite atodos os leitores do Porto Académico. ANTÓNIO FÉLIX

14 pmDHCa~mlCOABRIL2003


www.fap.pt

www.queirria2003.com o

site oficial da Queima das Fitas do Porto procura fazer chegar aos estudantes um conjunto alargado de informação sobre a queima das fitas o preço e . local oe venda dos bilhetes, o programa geral, a descrição das acüvíoades académicas, a localização ~o queirnódromo, . os transportes dos STCp, a possibilidadedé subscreveres a newsletter, passatempos eas noticias actaaüzadas no minuto. Com uma imagem renovada ao que foi a presença na internet da Queima das Fitas do Porto em 2002, o site www.queima2003.com procura disponibilizar e compilar toda a informação que se produz a propósito da Queima das Fitas do Porto de uma forma que permita ao utilizador uma fácil leitura e acesso rápido à informação pretendida. Assim, em local de destaque surgem botões com os dias em que se desenrola a queima e cujo clique _ permite ao utilizador aceder nacoíuna da esquerda à lista e descrição das actividades académicas previstas e na coluna da direita à lista de concertos previstos para as Noites da Queima.

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FORUM

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'.O que achas do cartaz das Noites da Queima 2003? www.fap.pt/forum.asp Parabéns à FAP por ter a coragem de apresentar um cartaz 100% português. Em relação a , Coimbra, acho ridículo -que hajam pessoas que acreditem que os BUSH façam parte do cartaz, é preciso ser-se _mesmo idiota... Comparem os cartazes e os preços depois de tudo confirmado .... Alguém com o minimo de consciência _ Apesar de mudanças última da hora, que cértamerne desiludiram alguns, bem Gomo . surpreendeu outros ... é de louvar a forte presença da música portuguesa .._boa queima para totlas! Caty . á

maravilhar todos os estudantes do Porto bem como outros que vêm ao Porto sentir a sua magia. Aproveito também para dizer AMO-TE MUITO SUSANA.

Alexandre Moreira

o cartaz tá excepcional, quem precisa ver bandas internacionais quando a melhor música é mesmo a nacional? Parabéns FAP. Este cartaz é sem . dúvida a vossa afirmação pela diferença e vão sair a'ganhar, sem dúvida. Net'

. Alguém me pode dizer aonde está o. cartaz da queima de coimbra? ' Claudia

Espero que (,) cartaz não volte é! ser alterado, porque é sem dúvida '0 melhor, sobretudo com bandas portuguesas. . Vera

Gostei muito do cartaz da Queima,2003 contudo não posso deixar de fazer um pequeno reparo, o Marco Paulo no arraial. acho que e~tá um bocado deslocado, preferia mil vezes os Adiara, ou então o nosso conhecido Quim Barreiras. . Contudo é de valorizar esta grandiosa or~anização pela sua aposta portuguesa que de certovaí _

Quero felicitar a FÀP por este cartaz explendido e pela diversidade demúsica que colocou ao dispor de todos nos estudantes do Porto e os demais que a esta queima se irão deslocar. Vai-ser SÓ curtir! Boa Queima das Fitas para todos e desbundem ao máXimo.porque.eta é para nós... . Daniela

- Afinal já não é decepção., obrigada pela conclasao do cartaz!!! espero mesmo divertir-me . a 100% ... esperar menos tempó no cortejo do que no ano passado ... saudações académicas. Joana Vérguei.ro Espero nao encontrar tanta gente bêbada como vi ano passado mesmo ao lado da minha barraca!! Como é possível pessoas com cultura de um ensino SUP:8riOfse deixarem levar pela bebida e tazerem figuras tão tristes!! Para haver di>;rertimento basta estarem com a companhia certa e não': com 1bebida na mão!!t Espero também 'que' haja mais segurança no meio dos concertos e maIor limpeza nos wc!! É nojento!! e ainda·mais.me admiro como há gente que faz sexo nes~e.s. locaist~9 porcos! Escolham os smos certos' para -o fazerem e tornem a queima um espaço dediversã6 e respeito. Afinal somos nós os futuros promissores da sociedade!! . Asmccc: • Que,seja bariltà!!! p.rincipalmente a cerveja!!! .Ines

ABRlL2003

porto Bca~j!llfco 15

Jornal Porto Académico (FAP) #11 (abril2003)  

AÍESTÁA QUEIMA DASFITAS! CapitalNacionalda Cultura,o Teatro São João apresenta, emduassemanas, quatro espectáculos oriundos depaises ecultur...

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