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UM RESGATE DAS BRINCADEIRAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Renata de Souza Duarte Esteves1, Marta Lima Alves Adolpho1, Ermelinda Barricelli2 1 Alunas do curso de Licenciatura em Pedagogia da Faculdade Método de São Paulo (FAMESP). 2 Doutora em Linguística Aplicada na linha de pesquisa Linguagem e Educação pela PUC/SP e professora do curso de Licenciatura em Pedagogia da Faculdade Método de São Paulo (FAMESP).

RESUMO Este artigo tem como objetivo apresentar as brincadeiras antigas e as que são usadas até hoje para discutir como essas brincadeiras aparecem, ou não, na Educação Infantil e como elas são trabalhadas pelo professor. Como aporte teórico a pesquisa utilizou autores como Batllori, Craidy, Ferreira, Kishimoto, Venâncio e Freire, Murcia, Oliveira, Teixeira, além do Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. A pesquisa de campo foi realizada com três professores da rede pública de Educação Infantil e tinha como foco saber se as professoras utilizam a brincadeira com algum objetivo educacional. Os resultados nos mostraram, após os dados coletados e analisados, que apesar de cada professora ter seu método de ensino todas usam a brincadeira na Educação Infantil, sendo que as brincadeiras são estipuladas de acordo com a rotina e o planejamento de cada uma e essas brincadeiras são utilizadas como importante recurso na aprendizagem dos alunos. Palavras-chave: Brincadeira. Educação Infantil. Trabalho Educacional.

INTRODUÇÃO

Este artigo tem como objetivo apresentar as brincadeiras antigas e as que são usadas até hoje para discutir como essas brincadeiras aparecem, ou não, na Educação Infantil e como elas são trabalhadas pelo professor. Este tema foi escolhido para comprovar que a brincadeira trabalhada com as crianças na Educação Infantil, é necessária e muito importante para que as crianças se desenvolvam, adquirindo autonomia, socialização, interação, respeito ao próximo e as regras estabelecidas para uma vivencia melhor em sociedade. Investigamos as brincadeiras antigas e quais são usadas até hoje nas escolas, porque algumas brincadeiras eles gostam mais e são suas preferidas.


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Neste

trabalho

relatamos

a

importância

das

brincadeiras

para

o

desenvolvimento e aprendizagem da criança, assim mostrando sua importância no dia a dia. Abordamos alguns temas como: história e evolução das brincadeiras, e brincadeiras antigas da presentes nas brincadeiras atuais. Constatamos que no século XXI, com a chegada dos brinquedos modernos, as crianças passaram a interagir menos, consequentemente passaram a não usar tanto sua criatividade. Mostramos algumas brincadeiras antigas, que poucas crianças tiveram o privilégio de brincar na década de 1940, pois nesta época as crianças ajudavam seus pais nos trabalhos, não tendo tempo e nem disposição para brincar. Apontamos algumas maneiras de brincar, etapas do desenvolvimento da criança, e como é importante que ela brinque de tudo. Falamos também da Educação Infantil, como surgiram os primeiros parques infantis e seu criador, e como foi modificando até chegar ao século XXI. Para concluir nossa discussão teórica falamos do papel do professor em relação as brincadeiras, como os professores devem organizar, quais brincadeiras adequadas para cada fase da criança, mudanças que o professor deve fazer caso não dê certo, como mediar um conflito caso aconteça durante a brincadeira. Realizamos uma pesquisa de campo com três professoras da rede pública de ensino infantil para verificar de que modo elas utilizam a brincadeira em seu cotidiano e como essas brincadeiras se desenvolvem. Assim, nossa pesquisa avança ao mostrar que muitas brincadeiras antigas continuam presentes e contribuem para o desenvolvimento cognitivo, psicológico, afetivo e social das crianças durante sua formação escolar e para seu desenvolvimento adulto. A história e evolução das brincadeiras Iniciamos nosso trabalho apresentando o surgimento e a evolução da brincadeira. No século XIX as brincadeiras e os jogos faziam parte do dia a dia das crianças. As brincadeiras eram criadas pelas crianças ou pelos pais e adultos que desse modo transmitiam a seus filhos a tradição da cultura da infância. A brincadeira


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dependia da criatividade de cada um e era realizada, normalmente, dentro de casa ou na rua com os vizinhos e parentes. Por volta de 1940, as crianças que moravam na roça ou sítios brincavam com o que tinham em casa, era comum as meninas usarem a espiga do milho para fazerem os cabelos das bonecas, palitos enrolado em panos para o corpo e assim nasciam às bonecas, os meninos usavam caixas e caixotes para brincarem de carrinho ou sacolas para pipa. Facilmente ficavam satisfeitos por terem com o que brincar, e com criatividade inventavam novas brincadeiras, como, por exemplo, os balanços de cordas amarrados nas árvores. Não eram comuns as brincadeiras na escola, pois além de nem todas as crianças frequentarem a escola, quem tinha a oportunidade, geralmente, eram filhos de família de classe alta, o ensino nesse período era voltado para a aprendizagem da leitura, escrita e aritmética esses espaços eram rígidos e não permitiam grandes movimentações físicas dos alunos. A brincadeira só ganhou status e começou a ser utilizada

nas

escolas

quando

Froebel

concebeu

os

Jardins

de

Infância

(kindergarden) e atribuiu grande importância aos jogos e brinquedos. Ele considerou a infância a fase mais importante da vida das crianças e os jogos um ótimo recurso para a aprendizagem e desenvolvimento dos pequenos em desenvolvimento. (Froebel, 1948) Do mesmo modo, a filosofia de Platão em “As Leis” (1948), destacou a importância de aprender brincando, em oposição à utilização da violência e da repressão. Aristóteles analisou a recreação como descanso do espírito, na ‘’Ética a Nicômaco’’ (1983) e na ‘’Política’’ (1966). Kishimoto (1996, p. 150) mostra como o jogo era defendido para ser usado como recreação por esses filósofos: O jogo, visto como recreação, desde os tempos passados, aparece como relaxamento necessário às atividades que exigem esforços físicos, intelectual e escolar, tendo como representantes Sócrates, Aristóteles, Sêneca e Tomás de Aquino. Por longo do tempo, o jogo infantil fica limitado à recreação. Na Idade Media, é considerado “não serio”, por sua associação ao jogo de azar, bastante praticado na época [...].

Contrariando as ideias anteriores, a autora apresenta o jogo com outra finalidade: como instrumento para ensinar conteúdos, para a interação e, ainda, para resgatar as brincadeiras antigas:


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Como Rabelais, Montaigne divulga o caráter educativo do jogo considera inúteis os jogos de caça, passatempo dos nobres, e a dança, tida como lazer popular. Para Montaigne, o jogo é um instrumento de desenvolvimento da linguagem e do imaginário (p.151).

Segundo Kishimoto (1996), por meio dos jogos e das brincadeiras a criança procura entender o que a cerca e tenta concretizar e vivenciar suas fantasias, por isso é importante que a criança experimente vários tipos de jogos e brincadeiras, respeitando sempre suas necessidades motoras, afetivas, mentais e lúdicas. Para Prado (1998 apud TEIXEIRA, 2010, p. 47): Quando está brincando, a criança pode, então, se tornar algo que não é, ou melhor, ainda não é, porque, por meio da brincadeira, ela pode tudo que imaginar, agir com objetos substitutivos, interagir segundo padrões não determinados pela realidade do espaço social em que vive e ultrapassar os limites que lhe são apresentados.

É com brinquedo ou durante a brincadeira que também podemos perceber os sentimentos que a criança expressa naquele momento sem exigir nada dela, apenas observando as expressões e atitudes transmitidas ao professor ou para outra criança. Segundo Murcia (2005) aprender jogando é o primário, o mais simples e natural na criança, já que é menos traumático. O jogo é a primeira expressão da criança, a mais pura e espontânea, logo, a mais natural (p.10). Segundo o autor podemos usar as brincadeiras em vários momentos da rotina, para o desenvolvimento de diferentes comportamentos e conhecimentos. Assim podemos definir o espaço em que a criança brinca. A evolução da história nos mostra que diversas brincadeiras eram usadas como estratégias de guerra. Essas brincadeiras na realidade eram experiências, sendo muito utilizadas para estimular a imaginação e ao mesmo tempo em momentos de tristeza e solidão durante a guerra para dar um pouco de tranquilidade aos pobres combatentes. Segundo Kishimoto (1993): Entre os brinquedos pesquisados por Cascudo, encontra-se a espingarda de talo de bananeira. Para confeccioná-lo, basta fazer uma série de incisões no talo de bananeira, deixando os fragmentos presos pela base. Ao levantar todos esses pedaços, seguros por uma haste, e ao passar a mão ao longo da haste, fazendo-os cair, eles soltam um ruído seco e uníssono, simulando o tiro da espingarda. Nas brincadeiras de guerra, a espingarda de bananeira foi uma das armas preferidas de seu avô materno, nascido em 1825. (p.29).

A partir dessa afirmação da autora podemos verificar que os brinquedos preparavam os meninos para a guerra e para a vida adulta, portanto, podemos


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considerar que os brinquedos podem influenciar de forma significativa a formação das crianças. Um brinquedo pode provocar com seu manuseio e uso, um comportamento negativo ou positivo no desenvolvimento da criança. Segundo Kishimoto (1993), uma brincadeira muito usada especialmente por moradores do campo, que estimulava a violência, era o habito de matar passarinhos. A autora afirma que ‘nas brincadeiras, muitas vezes violentas, os moleques viravam bois de carro, cavalos de montaria, burros liteiras, em fim, os meios de transportes da época’ (p.33).

Devido a esse tipo de brincadeira a autora acredita no crescimento da violência e da dor empreendida nos animais. Além disso, há a contribuição para o fenômeno da naturalização da violência com o não percebimento da dor alheia que pode se traduzir em não perceber que o amigo sofre com algum tipo de violência infligida a ele, hoje poderíamos até associar essa violência ao bullyng como forma de violência entre as crianças dentro e fora das escolas. As brincadeiras eram feitas geralmente com predominância das meninas brancas sobre as negras. Como o papel da mulher deste período era de submissão e obediência, as meninas mesmo durante suas brincadeiras eram preparadas para desempenhar esse papel. Por outro lado, meninos brincavam livremente e não deixavam que a predominância dos meninos brancos e negros interferisse em suas brincadeiras. Em situações livres o critério de brincadeira é outro, era a habilidade no jogo que se determinava o poder. A habilidade em jogar pião de madeira ou com castanhas fazia do jogador um líder independentemente de ser um menino branco ou um moleque. Kishimoto (1993) acredita que: Entre as brincadeiras que surgiam no seio do sistema patriarcal e escravocrata, encontram-se diversos jogos simbólicos que têm como tema central os eventos, os valores dessa época. Brincar de cangaceiro e de capa-bode são exemplos dessa natureza (p.48).

As brincadeiras das meninas e dos meninos foram se separando, os meninos preferindo os jogos com bola do tipo futebol; futebol de botão; carros; e as meninas com as brincadeiras de casinha, escolinha, bambolê. Quando brincavam juntos a preferência era por brincadeiras do tipo pega-pega; esconde-esconde; bobinho; cabo de guerra; papel, pedra e tesoura; o mestre mandou e detetive, entre outras desse tipo. Os brinquedos também foram mudando e evoluíram, as bonecas passaram a falar e andar e os carrinhos se tornaram eletrônicos. Barbie, carrinhos de controle


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remoto, motos, autoramas, jogos de tabuleiro, jogos eletrônicos, lego, vídeo game, bicicleta, patinetes, skates e patins, e outros; desse modo, brincar ficou mais fácil e com esses brinquedos as crianças não precisavam mais tanto da criatividade e as brincadeiras antigas foram sendo substituídas. Oliveira (1992) afirma que: A criança constrói assim conhecimentos conforme estabelece relações que organizam e explicam o mundo. Isso envolve assimilar aspectos desta realidade, apropriando-se de significados sobre a mesma, através de processos ativos de interação com outras pessoas e objetos, modificando ao mesmo tempo sua forma de agir, pensar e sentir (p.51).

Além disso, as crianças começaram a ficar mais dentro de casa, pois muitos brinquedos tecnológicos não precisam de tantas crianças brincando juntas, como o computador em que as crianças jogam e interagem virtualmente cada uma em sua casa, assim o computador que era usado mais para trabalho e estudo, a partir de 2000 começou a ser usado para jogos virtuais, jogos de regras e jogos que estimulam a violência. Desse modo, a brincadeira foi se transformando totalmente com o passar do tempo. Mas, muitas crianças tinham que ajudar suas mães em casa, por isso não tinham tempo nem disposição para brincar, pois tinham que cuidar dos irmãos ou trabalhar fora de casa. Só frequentavam a escola se os pais deixassem e isso só acontecia por volta dos sete anos, então a brincadeira era o único meio da interação, conhecimento, socialização e aprendizagem com outras crianças, até terem a oportunidade de entrar na escola. Como sabemos, as brincadeiras se perpetuam no tempo, algumas delas foram utilizadas pelos avós dos nossos avós e são utilizadas até hoje por nossas crianças, podemos destacar algumas que até hoje as crianças brincam nas ruas ou nas escolas e que podem ser consideradas como representativas da nossa cultura popular: Pique esconde (antes era conhecida como “Escambida”); Batata quente; Queimada; Cinco Marias; Brincadeira com Elástico; Brincadeira com Lenço;


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Bolinha de gude; Jogar Pião; Brincar com Pipa; Cabra cega; Ovo na colher; Corrida do saco; Passar anel; Brincar com Peteca. Como dissemos, essas brincadeiras ainda são usadas, algumas com menos frequências, dependendo também da região, pois as brincadeiras hoje competem com os brinquedos e com os games eletrônicos de alta tecnologia, principalmente, nas grandes capitais.

As maneiras de brincar Nesta parte do trabalho apresentaremos as diversas formas que a brincadeira pode ter tomando como aporte principal as discussões de Piaget. Segundo Piaget (1975), por meio do jogo a criança assimila o mundo para atender seus desejos e fantasias. O jogo segue uma evolução que se inicia com os exercícios funcionais, continua no desenvolvimento dos jogos simbólicos, evolui no sentido dos jogos de construção para se aproximar, gradativamente, dos jogos de regras, que dão origem à lógica operatória. Segundo Piaget (1975), os jogos estão diretamente ligados ao desenvolvimento mental da infância, tanto a aprendizagem quanto as atividades lúdicas constituem é uma assimilação do real. No tocante ao equilíbrio emocional os jogos simbólicos ajudam a lidar com dificuldades vivenciais, pois além de elaborar situações conflitantes, é oferecido à criança a compreensão e o aprendizado dos papeis sociais que fazem parte da cultura da criança (apud FERREIRA; BUENO, 2011, p. 32).

Segundo Teixeira (2010) a brincadeira traz vantagens sociais, cognitivas e afetivas para o desenvolvimento da criança (p.53). Através dela estimulamos fatores primordiais para os primeiros contatos físicos com o mundo e o ambiente. Através das brincadeiras a criança pode desenvolver: Criatividade Autonomia Socialização


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Interação Respeito ás regras Movimento Sentidos Reflexos

Para Oliveira (2002 apud TEIXEIRA, 2010, p.53): Em síntese, como bem assinalou Oliveira (2002), ao brincar, afeto, motricidade, linguagem, percepção, representação, memória e outras funções cognitivas estão profundamente interligadas. A brincadeira favorece o equilíbrio afetivo da criança e contribui para o processo de apropriação de signos sociais. Cria condições para uma transformação significativa da consciência infantil, por exigir das crianças formas mais complexas de relacionamento com o mundo. [...].

Portanto é preciso uma análise educativa em cada brinquedo que é oferecido as nossas crianças. Hoje, no século XXI, as crianças desenvolvem diversos papeis em suas brincadeiras podendo ir além, imaginando e vivenciando cada papel por ele interpretado sendo ele, médico, professor, pai, mãe, filhinho, heróis ou vilões, a criança pode se imaginar em diversos papeis como um todo, dando sentido à sua inserção no seio da sociedade. Dentre as diversas formas de brincar destacamos: A brincadeira livre no espaço escolar que é importante desde que haja brinquedos variados no espaço determinado pela professora para que a criança possa escolher de acordo com a necessidade daquele momento e quando precisar, ou quiser, mudar de brincadeira ou escolher outros brinquedos para brincar. Afirma Teixeira (2010): [...] mesmo quando brinca espontaneamente, a criança não está apenas passando o tempo, já que sua escolha motivada por razões e reações internas, desejos e ansiedade. O que ocorre em sua imaginação é o que determina suas atividades, e o brincar funciona com sua linguagem secreta, sua forma de interagir com o meio, o que deve ser respeitado, mesmo quando não compreendemos (p.48).

A brincadeira livre ajuda na socialização, determinação, trabalho em equipe e respeito ao próximo, resolvendo seus problemas sozinhos, criam momentos lúdicos e prazerosos. A professora pode fazer alguma intervenção desde que não obrigue a criança a fazer algo que não queira, porque quando dizemos que a brincadeira agora é livre, dentro da cabeça deles já está que “brincar livre” significa brincar como


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eu quiser, com o brinquedo que eu quiser. Nesse contexto é importante lembrar que de acordo com Oliveira (1992): As atividades “livres” devem fazer parte da programação diária de todos os grupos de crianças. Desde o berçário até as turmas dos maiores, devem ser organizados locais e momentos para que as crianças explorem o ambiente com maior liberdade de escolher seu foco de atenção (p.100).

Ao brincar de faz-de-conta o pensamento da criança passa a evoluir a partir de suas ações e situações. Suas experiências expressam também desejos, conflitos e frustações. Segundo Oliveira (2007): Ao imitar, a criança mostra ter interiorizado o modelo, construindo com base nele uma imagem mental e reproduzindo suas ações. Isso aparece com clareza nas brincadeiras de faz-de-conta. Nelas, ao imitar a mãe, dando de comer a uma boneca, exterioriza gestos e verbalizações percebidos em sua experiência pessoal. Como a mãe não está presente na brincadeira, a criança utiliza-se de uma imagem do papel de mãe para poder atuar (p.131).

Muitas das vezes a criança reproduz atitudes do seu convívio social, por exemplo, se a mãe é carinhosa ou atenciosa ao brincar ela irá reproduzir esse carinho e atenção em sua boneca, se a mãe grita, bate, a criança expressará essas atitudes na boneca. Segundo a autora a criança expressa atitudes de seu convívio social. Não só em casa, mas em outros lugares, a criança observa papeis principais como de professores, médico, enfermeiro, bombeiro, pai, mãe, motorista. Ela irá representar cada papel da maneira que ela tenha visto ou da maneira que ela tenha contato ou convívio. Segundo Oliveira (2011): A medida que se torna mais hábil em opor-se às iniciativas dos outros, em vez de imitá-los, ela deixa de confundir sua existência com tudo o que dela participa. Ao disputar um papel com um companheiro, por exemplo, ao pretender ser a mãe em uma brincadeira, um menino pode ouvir que mãe é uma mulher e ele, que é homem, não pode ser mãe. (p.132).

Por outro lado, os jogos de construção são peças de encaixe coloridas para construir, desfazer, refazer, criar e recriar cenários, lugares, animais e objetos, para inserir em outra brincadeira, ou formar um brinquedo. A criança deve ser estimulada a fazê-lo, é importante que a criança seja motivada a criar e inventar. Segundo Batllori Escandell (2009):


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E, se a criança se equivocar durante a brincadeira, não devemos nos importar mais deixar que ela erre, prove, experimente... e torne a errar. Ela aprendera com seus próprios erros muito mais do que se a ensinássemos (p. 07).

Portanto a maior inibição do processo criativo é o medo de errar, de ser ridículo, e a necessidade de alcançar êxito, para que a criatividade da criança aconteça para isso ela deve confiar na sua própria capacidade, ter certeza que haverá boa aceitação em seu trabalho realizado, mesmo que o resultado não seja bom, a criança deve brincar livremente, inventar aquilo que ela imagina ou deseja, não devemos desmotivá-la, falar o que está errado ou ruim, pelo contrário é importante estimular e motivar a todo tempo. A criança começa a brincar sozinha, mas quando vai encaixando as peças cria a forma de algo conhecido, assim, nesse tipo de brincadeira elas interagirem. A criança transforma os objetos como faz-de-conta e a brincadeira livre de acordo com sua criatividade, por poder construir algo da sua imaginação e necessidade. A professora pode até aproveitar esses momentos para ensinar conteúdos adequados para essa faixa etária, como por exemplo, cores e formas geométricas, aleatoriamente sem interromper a brincadeira naquele momento. Exemplo: Lego e monta-monta. Segundo Kishimoto (2010): O jogo de construção tem uma estreita relação com o de faz de conta. Não se trate de manipular livremente tijolinhos de construção, mas de construir casas, móveis ou cenários para as brincadeiras simbólicas. As construções se transformam em temas de brincadeiras e evoluem em complexidade conforme o desenvolvimento da criança (p.45)

Os jogos de regras são aqueles cujas regras são explícitas, e é preciso seguir as regras para poder brincar, alguns jogos já vêm com as regras no manual de instruções. Para as crianças pequenas as regras são “sagradas” e devem ser combinadas com todos antes de começar o jogo. As regras podem ser passadas de geração para geração ou recriadas na hora de começar o jogo pelos próprios participantes.

Para Macedo (1997) [...] Os jogos de regras herdam dos jogos

simbólicos as convenções, ou seja, as regras são combinados arbitrários, criados pelo inventor do jogo ou por seus proponentes, que os jogadores aceitam livremente (p.134). Os jogos de regras desenvolvem a cooperação, raciocínio, criação de estratégias, socialização, concentração, atenção e a competição, mas precisa ser


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respeitada a vez do outro durante o jogo. É importante lembrar que antes de qualquer jogo de regras, o adulto ou professor precisa explicar como se joga, quais são as regras e qual a finalidade do jogo para não gerar rivalidade. De acordo com Oliveira (2006), a partir de sua experiência como professora, uma boa preparação antes de iniciar as partidas é essencial: "A classe só se concentra quando entende a lógica do jogo", diz ela. Alguns jogos são: Dama, xadrez, ludo, jogo da velha, trilha, dominó e de cartas. As brincadeiras tradicionais são as brincadeiras antigas passadas de geração em geração, como por exemplo: Amarelinha, pular corda e bolinha de gude; podem ou não ter sofrido alguma mudança na regra, dependendo da região. Venâncio e Freire (2005) acreditam que: Ao longo da história da humanidade muitos esportes foram assim estabelecidos, como, por exemplo, o jogo de péla que era muito tradicional, principalmente na Idade Média, até ir incorporando invenções e conteúdos das gerações ulteriores, dando azo ao surgimento do esporte tênis de campo, o qual, por sua vez, originou outros jogos/ brincadeiras – o frescobol, o padle, o tamboréu-, e até mesmo outros esportes – o squasb, o tênis de mesa, o badmintom (p.117).

Os jogos de treinamento são aqueles que as crianças aprendem em gibis e livros de passatempos, que ajudam a memorizar e praticar o que já sabem como: cruzadinhas, caça-palavras, ligue-ligue, 7 erros, quebra-cabeças e jogos da memória. Por sua vez, os jogos matemáticos são os jogos relacionados aos números. Nesse caso a professora é a mediadora e tem que estar sempre presente fazendo brincadeiras para que as crianças conheçam os números, por exemplo, qual a idade, peso, altura, quanto eles calçam, tamanho dos objetos ao redor, quem é maior, mais pesado, mais velho, dentre outros números. Jogos como de dominó, dado e bingo também tem a finalidade de desenvolver o raciocínio lógico matemático. A criança aprende brincando, de um modo prazeroso e não cansativo. Teixeira (2010) evidencia que: Por meio da brincadeira, a criança aprende a seguir regras, experimentar formas de comportamentos e se socializar, descobrindo o mundo ao seu redor. Brincando com outras crianças, encontra seus pares e interage socialmente, descobrindo, desta forma, que não é o único sujeito da ação, e que, para alcançar seus objetivos, precisa considerar o fato que outros também têm objetivos próprios (p.49).


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Hoje, no século XXI, a necessidade que a criança tem de brincar foi substituída pela aprendizagem, ler e escrever cada vez mais cedo, de aprender outros idiomas, manusear computadores, celulares e tabletes, a criança está inserida no mundo tecnológico muito rápido e cada vez mais cedo.

Educação Infantil Nesta parte do trabalho falaremos brevemente da Educação Infantil, contexto maior de nosso artigo. Os primeiros parques infantis paulistas foram criados por Mário de Andrade, na década de 1930, que na época era diretor do departamento de cultura do município de São Paulo. Para ele a ação educativa da creche e da pré-escola deveria interpretar os interesses imediatos das crianças e os saberes já construídos pelas crianças, além de buscar ampliar o ambiente simbólico a que elas estão sujeitas. Acima de tudo, comprometer-se em garantir o direito à infância que toda criança tem. Segundo o Almanaque 75 anos de Educação Infantil (2010): Com os três primeiros parques infantil, a cidade inicia uma política educacional voltada para crianças com idades entre 03 e 12 anos, cuja ações e propostas educacionais visavam o atendimento às crianças e aos adolescentes filhos de operários [...] (p.15).

De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases Nacionais - LEI 9394/96, artigo 29 a educação infantil é considerada a ‘’primeira etapa da educação básica e tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físicos, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e comunidade’’.(BRASIL, 1996). Ao se pensar em uma proposta pedagógica para creches e pré-escolas visase criar condições para que as crianças desenvolvam, forma mais complexas de sentir, pensar e solucionar problemas em clima de autonomia e cooperação, desenvolvendo assim um aprendizado de direitos e deveres. Para Oliveira (2011): A aprovação de novas diretrizes curriculares nacionais para a Educação Infantil (Parecer CNE/CEB nº 20/09 e Resolução CNE/CEB nº 05/09) reforçou que a proposta pedagógica das instituições de Educação Infantil deve ter como objetivo principal promover o desenvolvimento integral das crianças de zero a cinco anos de idade, garantindo a cada uma delas o acesso a processos de construção de conhecimentos e aprendizagem de diferentes linguagens, assim como o direito à proteção, à saúde, à liberdade, ao respeito, à dignidade, à brincadeira, à convivência e interação


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com outras crianças (p.120)

Hoje na Educação infantil fala-se no desenvolvimento infantil, fases que a criança passa desde o nascimento até adolescência [...]. Segundo Ferreira e Caldas (2002) ‘para Piaget as crianças adquirem conhecimento por meio de ações sobre os objetos e de experiências cognitivas concretas’ [...] (p.13)... O desenvolvimento intelectual se efetiva por fases ou estágios (p.13) e são eles: - Sensório-motor (0 a 2 anos) - Pré-operatório (2 a 7 anos) - Operatório concreto (7 a 11 anos) - Operatório formal (11 a 15 anos) Desse modo, as escolas infantis podem usar a brincadeira como um recurso para o desenvolvimento das crianças, mas também podem usar as brincadeiras livres, como mostramos anteriormente, com uma grande possibilidade de materiais e de formas de fazer.

Papel do professor nas brincadeiras

Nesta parte falaremos do papel do professor na utilização das brincadeiras. Antes da brincadeira o professor deve planejar a brincadeira, separar os materiais que vão ser utilizados, selecionar e preparar a brincadeira num espaço adequado e totalmente livre para que as crianças tenham um espaço amplo sem perigo de esbarrar em nada além de administrar o tempo da brincadeira. O Referencial Curricular da Educação Infantil (1998) afirma que: A organização dos espaços e dos materiais se constitui em um instrumento fundamental para a prática educativa com crianças pequenas. Isso implica que, para cada trabalho realizado com as crianças, deve-se planejar a forma mais adequada de organizar o mobiliário dentro da sala, assim como introduzir materiais específicos para a montagem de ambientes novos, ligados aos projetos em curso (...). (p. 58).

O professor deve escolher brincadeiras que todos tenham o interesse de brincar e que envolve a sala toda. Antes de começar qualquer brincadeira, as crianças precisam saber do que eles vão brincar, o professor deve dizer o nome da brincadeira, explicar as regras, e


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depois que todos entenderam, poderá começar a brincadeira. O professor tem que saber introduzir a brincadeira e saber jogar, de preferência ele mesmo começar a brincadeira e jogar junto com eles o tempo todo, a criança ficará confiante, e conseguirá jogar e aprender mais facilmente. Afirma o Referencial Curricular da Educação Infantil (BRASIL, v.03, 1998, p.120): “as atividades são organizadas em sequência com o intuito de facilitar essa aprendizagem às crianças, baseadas em definições do que é fácil ou difícil, do ponto de vista do professor”. Durante a brincadeira o professor deve estar sempre atento a qualquer coisa e se precisar mudar algo, não deixando a brincadeira cansativa, procurar interagir e acolher os mais afastados da brincadeira e se for preciso o professor brincar junto com eles. Depois das brincadeiras, fazer uma roda de conversa, para verem o que acharam da brincadeira escolhida, se já conhecia ou brincaram em outro momento. O professor deve fazer anotações e observações de cada criança, se for necessário avaliar se a brincadeira foi adequada aos limites de cada um, o que poderia melhorar ou mudar. Oliveira (et.al., 1992, p.70) argumenta: É importante o educador ir observando como as crianças ocupam o espaço físico, como diferentes objetos são por elas utilizados, as situações em que as interações envolvendo as crianças são mais prolongadas, as atividades das quais elas mais tomam parte.

O professor como mediador ao presenciar algum conflito e alguma criança ficar constrangida, deve tomar muito cuidado para não a constranges ainda mais, deve planejar suas aulas e trabalhar em cima dos conflitos que acontece em sala de aula, usando diversos materiais como instrumento e registrando suas capacidades de uso.

Pesquisa de campo e análise Ao coletarmos os dados para esta pesquisa, nosso objetivo foi saber como as brincadeiras estão sendo trabalhadas pelos professores na Educação Infantil. Nosso foco era verificar se essas brincadeiras contribuíam, ou não, para os processos de aprendizagem das crianças. Buscamos, ainda, detectar de que maneira as brincadeiras são usadas, em qual momento, com qual finalidade e se são usadas diretamente no processo de aprendizagem.


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Para tanto, realizamos entrevistas semiestruturadas com professoras que atuam na Educação Infantil há mais de 10 anos. Foram colocadas sete perguntas para cada uma das entrevistadas. Foram entrevistadas três professoras da rede pública da Educação Infantil que atuam com crianças de 2 a 3 anos. As professoras participaram da pesquisa mediante a assinatura de um termo, no qual se comprometeram a colaborar voluntariamente para esta pesquisa. Para garantir a privacidade das professoras elas serão denominadas pelas letras A, B e C, como se segue abaixo. Para caracterizar as professoras, utilizaremos o quadro a seguir em que descrevemos as três professoras com as seguintes características: a idade de cada uma, o tempo de trabalho e o tipo de escola. Quadro 01. Sujeitos entrevistados Entrevistada Ana1 Bianca Creuza

Idade 56 anos 35 anos 38 anos

Tempo de trabalho 15 anos 10 anos 10 anos

Tipo de escola Pública Pública Pública

Fonte: Autoria própria

Como vemos no quadro acima, as professoras tem idade entre 35 e 56 anos, trabalham em média de 10 a 15 anos e todas atuam na rede pública de ensino infantil. Iniciando, nossa primeira pergunta teve como objetivo saber se os educadores entrevistados escolhem as brincadeiras ou um jogo com algum objetivo especifico de aprendizagem. Com as respostas constatamos que não há unanimidade, cada professora utiliza o jogo e a brincadeira para uma finalidade: a professora Ana utiliza com o objetivo de aprendizagem, ou seja, usa para ensinar e brincar ao mesmo tempo, a Bianca utiliza para o desenvolvimento da autonomia e ludicidade, já a professora Creuza usa como objetivo de interação dos alunos, ou seja, as crianças fazem dos jogos ou brincadeiras um recurso para interagirem. É importante a escolha da brincadeira, pois com a brincadeira a criança pode socializar-se, ter determinação, trabalhar em equipe, aprender a respeitar ao próximo, ter autonomia, interagir com o outro, respeitar regras, dentre outros

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Nomes fictícios.


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aspectos. Portanto antes de qualquer brincadeira é preciso saber o porquê da escolha, seu objetivo e finalidade, enfim, ter um bom planejamento. Em seguida, na questão dois, perguntamos como as professoras organizam os momentos que antecedem e que precedem a brincadeira. As respostas nos mostraram que cada professora utiliza um processo diferente, sendo que a professora Ana organiza o antes e o depois de acordo com a brincadeira escolhida, com grupos ou dupla, pois existem brincadeiras individuais outras que são realizadas em duplas ou grupos, a professora Bianca realiza uma roda de conversa explicando como se dará a brincadeira dando preferência para os cantinhos, já a professora

Creuza

seleciona

materiais

diversificados,

faz

combinados

e

demonstrações de como se brinca. Como vimos na parte teórica deste artigo, podemos afirmar que é importante conversar com as crianças antes de começar as brincadeiras, explicar e relatar as regras, demonstrar como se brinca, para que eles já compreendam desde pequenas os limites do brincar. Os momentos de brincadeiras devem ser organizados e planejados, o professor deve propor momentos e locais diferentes para que não se torne repetitivo, para que assim a criança se sinta livre e tenha liberdade de brincar com prazer. A próxima pergunta foi sobre a frequência que estas brincadeiras são realizadas. O objetivo era analisar se as professoras utilizam as brincadeiras com qual frequência. Do mesmo modo que nas perguntas anteriores, a frequência de utilização das brincadeiras também não é unanime entre as professoras. A professora Ana disse que realiza as brincadeiras geralmente três vezes por semana, a professora Bianca relatou utilizar diariamente, porém em espaços diferentes (Sala de aula, parque, pátio, quadra) já a educadora Creuza utiliza a brincadeira somente uma vez por semana, no entanto, ela nos informou que essa frequência pode ser alterada de acordo com o projeto em execução. Como relatamos em nosso trabalho, a brincadeira deve estar presente e pode ser trabalhada diariamente na sala de aula, porém com brincadeiras diferentes como: brincadeiras, livres, de regras, lúdicas, construção. Além disso, convém usar locais diferentes, ambientes apropriados para cada brincadeira, para que a criança possa se sentir segura, podendo assim se expressar e construir sua autonomia. Como vimos, nesta pergunta apenas a professora Bianca se aproxima dessa organização considerada mais apropriada com recursos e ambientes diferentes todos os dias


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Em seguida, na questão quatro, perguntamos qual a importância dos jogos direcionados, como, por exemplo, corre cutia. Observamos que as professoras Ana e Creuza dizem ser importante, pois os jogos direcionados proporcionam a criança um comportamento social, no qual a criança é inserida nas regras, para sua vivencia em sociedade. Já a professora Bianca dá preferência às brincadeiras com músicas de roda, estimulando assim a psicomotricidade e oralidade. Essas brincadeiras devem ser combinadas e orientadas pelo professor, para que as crianças possam entender e realizar, podendo também ser criadas novas regras juntamente com as crianças. Com essas brincadeiras o professor consegue desenvolver: cooperação, raciocínio, criação de novas estratégias, socialização, concentração, atenção e competitividade, porém devendo respeitar ao próximo. O professor deve ter uma boa preparação para que todos possam entender e brincar. Na pergunta cinco, questionamos, quais são as brincadeiras que eles mais gostam no ponto de visto do professor e porque eles acham isso. A professora Ana diz que as brincadeiras que eles mais gostam são no parque e na brinquedoteca, porém não exemplifica do que as crianças brincam nesses espaços, diz que gostam, pois podem representar a realidade de forma espontânea, a professora Bianca fala que eles gostam de brincadeira de faz de conta como: cantar, fazer gestos, dançar e imitar os sons de bichos, mas não especificando o porquê gostam dessas brincadeiras, a professora Creuza, diz que gostam de brincadeiras tradicionais como corre cutia, brincadeiras de roda e bola, diz que gostam pela dinâmica da brincadeira.

Nesta

questão

verificamos

que

os

professores

entrevistados

desenvolvem atividades com os alunos o que eles gostam, mesmo sem saber o porquê, como é o caso da professora Bianca que não soube dizer porque eles gostam de brincadeiras de faz de conta. É importante que a criança brinque com o que ela gosta, portanto, o professor deve observar seus alunos ao decorrer do ano, para que seu planejamento possa ser estabelecido nas atividades que eles mais gostam de fazer, tornando assim sua aprendizagem mais fácil e prazerosa, para obter resultados positivos mais facilmente. Na questão seis, o objetivo foi saber se as entrevistadas percebem mudanças nos seus alunos no decorrer do ano com as brincadeiras. A professora Ana diz que as crianças se tornam cada vez mais seletivas e às vezes rejeitam brincadeiras repetitivas, a Bianca fala que percebe mudanças, pois elas fazem escolhas e mostram suas preferências, já a Creuza diz que percebe o amadurecimento de cada


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criança. Elas percebem as mudanças nos alunos, porém conforme nossa pesquisa o professor deve anotar cada avanço e regressão de seus alunos para que assim possa ter mudanças na rotina, trazer outras brincadeiras com desafios maiores para o amadurecimento, interação e aprendizagem. De acordo com nossa pesquisa, constatamos que o professor deve sempre mudar e diversificar sua rotina, apresentar brincadeiras diferenciadas, para motivar a vontade dos alunos, proporcionar espaços e lugares diferentes para cada brincadeira. A criança gosta de novidades, não gostam de brincadeiras repetitivas nem cansativas, é normal que ela queira escolher, pois o tempo passa, ela cresce, e seus pensamentos são outros. Para que estas questões possam ser resolvidas o professor deve ter um bom planejamento, perguntar a criança qual sua brincadeira preferida, também é importante para um planejamento que beneficie a todos. Na última questão, o objetivo era que elas se avaliassem, e dissessem o que poderia melhorar no trabalho para desenvolver melhor as brincadeiras. A professora Ana diz que poderia melhorar tendo uma constante formação, reflexão, acompanhamento pedagógico. A professora Bianca afirma que poderia melhorar com trocas de experiências, pesquisas e leituras. E a professora Creuza poderia melhorar com menor número de crianças e uma professora auxiliar para dar apoio na organização das brincadeiras. As professoras acreditam que precisam melhorar uma vez que seu papel é buscar a mudança, renovação do seu trabalho. É importante que o professor busque renovação, pois os anos passam e evoluem é preciso estar atento para acompanhar as crianças, que vem cada vez com mais interesse em tecnológicas. O professor pode se reciclar constantemente em cursos para melhorar sua formação, fazer trocas de experiências com seus colegas de trabalho, estar sempre pesquisando, lendo para estar atualizado nas noticias do mundo, assim tendo confiança no seu trabalho e se aprimorando cada vez mais.

CONSIDERAÇÕES

De acordo com os autores que estudamos e com a pesquisa de campo realizada, constatamos que por meio da brincadeira a criança, aprende, vivencia suas fantasias, expressa seus sentimentos, aprende a seguir regras, interage socialmente, assim vai descobrindo o mundo que a cerca.


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Com a brincadeira a criança também consegue trabalhar a parte motora, afetiva, mental e lúdica. Portanto, pode se constatar que brincar é muito importante para o desenvolvimento da criança, não é simplesmente um ato de "passar o tempo", as brincadeiras que são desenvolvidas pelos educadores tem um significado, um objetivo e uma aprendizagem sejam esses intencionalmente elaborados ou consequência natural da interação que a brincadeira favorece.. Segundo os autores estudados constatamos que algumas brincadeiras antigas ainda são usadas nas escolas, sendo que algumas foram adaptadas ao século XXI, houve também uma evolução, pois as brincadeiras eram usadas como estratégias de guerra preparando as crianças para suas funções no futuro. Com passar do tempo as brincadeiras foram mudando, e os brinquedos evoluíram, a boneca que antes era de espiga de milho passou a ter funções como: falar, andar e cantar, o carrinho passou a ter controle remoto e funções para chamar atenção das crianças, foram surgindo jogos novos e com isso tornou se mais fácil "brincar". Nesse sentido concluímos que brincar traz vantagens para as crianças, estimulando sua reflexão, sentido, movimento, interação, autonomia, socialização, respeito às regras e ajuda a criança a lidar com suas dificuldades. De acordo com os autores citados, comprovamos como é necessário que o professor planeje sua aula, separe materiais e organize os espaços que serão utilizados antes de começar a aula, alem de escolher, brincadeiras que eles gostem e que desperte o interesse. O professor precisa fazer também uma introdução da brincadeira escolhida definir as regras e jogar junto com eles. A brincadeira deve ser mudada e inovada sempre que preciso, caso aconteça imprevisto, anotar suas observações como, por exemplo, conflitos que ali aconteceram, para que se trabalhem as dificuldades encontradas. Com a pesquisa de campo podemos concluir que a brincadeira é inserida na Educação Infantil e são trabalhadas pelos professores de varias maneiras, em espaços e momentos diferentes. Nossa análise nos mostrou que as brincadeiras contribuem para o processo de aprendizagem, que as brincadeiras são usadas com o objetivo de aprender brincando e conviver em sociedade. Porém nossa pesquisa nos mostrou, também, falhas que devem ser repensadas, como por exemplo, a desvalorização da brincadeira em alguns momentos, como se pode verificar pela professora que usa a brincadeira somente uma vez por semana. Mas por outro lado, vimos também, que as professoras entrevistadas usam recursos para tornar a


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brincadeira um instrumento fundamental à aprendizagem, planejam a brincadeira, valorizam as brincadeiras que as crianças mais gostam, entre outros aspectos que nos fazem concluir que a brincadeira está presente no cotidiano dessas turmas de forma a contribuir para o desenvolvimento das crianças.

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Um resgate das brincadeiras na educacao infantil  

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