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MARKENTING E A ESTÉTICA MASCULINA Rosemeire Dias dos Santos¹ Edson Mello² ¹Aluna do Curso de Pós Graduação em Estética da FAMESP ²Mestre em Administração(FACCAMP), Especialista em Economia do Turismo(FIPE/USP), Graduado em Direito(UNICID), Docente

do Curso de Graduação e Pós Graduação da

FAMESP.

RESUMO O presente artigo tende-se a descrever sobre a Estética Masculina e sua evolução, trazendo aspectos importantes no contexto social do Homem na atual década, mostrando as mudanças ocorridas no tema Beleza e suas definições. Discorre também sobre a importância do Marketing para a Estética e para os Homens em sua totalidade, diferenciando um passado onde esse mundo era só para mulheres e determinadas idades ou classes sociais. Onde foi utilizado o método de pesquisa em artigos científicos e livros, com os temas: Estética Masculina e Marketing na Estética e Beleza. O filtro para totalizar e finalizar o contexto entre os livros e artigos científicos escolhidos foi à evolução de dez anos para a atualidade onde mostra e caracteriza de forma clara essa mudança na Estética para os Homens e a influencia do Marketing. Palavras-chave: Marketing. Homem. Estética. Beleza ABSTRACT This article tends to describe about the Men's Aesthetics and its evolution in bringing important aspects of human social context in the current decade, showing the changes in the theme Beauty and definitions. Also talks about the importance of marketing for Aesthetics and women and certain ideades or social classes. Where was the research method used in scientific articles and books, with the subjects; Men's aesthetic and Marketing Aesthetics & Beauty. The filter to memorize and finalize the context of books and scientific articles was chosen to the evolution of ten years to today and features which shows clearly the changes in Esthetics for Men and influences of Marketing. Keywords: Marketing. Man. Aesthetics. Beauty


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INTRODUÇÃO Ao explorar o campo da beleza e estética que até então acreditava-se ser exclusivamente do publico feminino, percebe-se que essa preocupação atual expande-se ao publico masculino; hoje angustiado pelo desejo de alcançar um ideal de beleza exposto pelas vias midiáticas com a ajuda do marketing, como, as TV’s, internet, jornais e qualquer outro meio no qual exibi corpos musculosos, sem barrigas, peles bem cuidadas e sem pelos.

Segundo o escritor Mark Simpson citado por Flocker (2004) na metade da década de 90 aparece um novo método de exercer a masculinidade que é o metrossexual, bem mais preocupado com a beleza e consigo mesmo. Mas além de falar deste novo homem, esse trabalho visa falar sobre a evolução da estética para o sujeito masculino e a influencia que o marketing exerce sobre tal.

Outros autores mais modernos descrevem a beleza como um sistema monetário. Como qualquer economia é determinada pela politica e suas propagandas. Dito de outra maneira existe uma indústria mercadológica que cria os ideais de beleza e se vale deste para movimentar dinheiro (WOLF, 1991 apud ETCOFF, p. 11).

A estética sempre estará tentando definir aquilo que é belo e que: Expressa e reproduz relações de gênero e as oposições sociais de cada sexo (MOTA, 2008, p. 5). Através disto podemos entender que a estética tem grandes aliados no mercado, como as mídias e a grande força do marketing que vem acompanhando essa evolução da beleza, encapuzada de motivação para que cada vez mais homens vire adepto desse novo modo de sociedade dentro da estética.

Com isso a estética masculina ganha força para novas pesquisas e tratamentos, consequentemente tendo muita procura de seu publico que está exigente e conhecedor das novas técnicas, cobrando um bom serviço dos esteticistas e das clínicas que os atendem.


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OBJETIVO Analisar a produção de artigos sobre Estética masculina e a Influencia do marketing, na base de dados Scielo, sites e revistas direcionadas ao campo de estética.

METODOLOGIA Os dados para este estudo foram coletados em 2014, a partir de artigos publicados na área de Estética masculina e Marketing nos bancos de dados SciELO, sites e revistas da área. As palavras-chave utilizadas foram “Marketing, Homem, Estética, Beleza”. Inicialmente foram levantados 641 artigos, mas considerou-se apenas artigos nacionais totalizando 86 artigos. A HISTÓRIA DA BELEZA MASCULINA Segundo Bessani e Vaz (2007); Mota (2008) Sabe-se que a evolução ao belo está ligada inteiramente ligada à história da evolução humana e por influencia de diversos fatores, como a época e cultura, sendo assim diferentes padrões e ideais de beleza foram adotados. Na tentativa da conquista por um corpo ideal, há milênios a humanidade utiliza-se de diversos artifícios e produtos. Entre tanto a preocupação masculina com a saúde e sobre tudo com a beleza, parecem ter alcançado grande importância na modernidade, pelas mudanças ocorridas principalmente na questão estética para os homens como o novo modo de vivenciar a masculinidade. A definição de beleza “assumiu faces diversas segundo o período histórico e o país: e isso não apenas no que diz respeito à beleza física” (ECO, 2004, p.14); mais do que isso, uma construção social; portanto relativizada no que se refere a parâmetros e critérios para identificar o belo, pois aspectos como proporção que foram adotados como inerentes à beleza mudaram de sentido conforme a época, apesar dos princípios da aritmética e geometria (ECO, 2004, p. 14).

Assim, a questão da beleza esteve presente em grande parte das épocas passadas, e não necessariamente sendo um termo exclusivo de preocupação feminina, mas presente na preocupação do universo masculino desde a antiguidade, modificado através dos tempos e retomado na atualidade por meio do


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“novo homem”, e sendo divulgado através do marketing na mídia, como uma nova forma de viver a masculinidade sem preconceitos. O CONCEITO DE MARKETING

Segundo Kotler e Keller (2006) o marketing envolve a identificação e a satisfação das necessidades humanas e sociais, sendo definido de uma maneira simplista pelo autor, como uma forma de suprir necessidades lucrativamente. Também como Kotler (2003), a função do marketing é lidar com os clientes.

Entender, criar, comunicar e proporcionar ao cliente valor e satisfação que constituem a essência do pensamento e da prática do marketing moderno.

Neste sentido, Casas (2007, p.15) menciona que: [...]“Marketing é a área do conhecimento que engloba todas as atividades concernentes às relações de troca, orientadas para a satisfação dos desejos e necessidades dos consumidores, visando alcançar determinados objetivos da organização ou indivíduo e considerando sempre o meio ambiente de atuação e o impacto que estas relações causam no bem-estar da sociedade” (CASAS, 2007 p.15).

Para Kotler e Keller (2006) marketing em uma definição social pode ser entendido como um processo social pelo qual os grupos e indivíduos têm necessidades e anseiam por meio da criação da oferta e troca de produtos e serviços de valor com outros. Em uma visão gerencial, como a arte de vender produtos. Para Peter (2000, p.4) o “marketing é o processo de planejar e executar a definição do preço, promoção, distribuição de ideias, bens e serviços com o intuito de criar trocas que atendam metas individuais e organizacionais”. Desta forma é possível identificar que o marketing tem uma função importante na venda de produtos ou serviços para a organização. Armstrong (2007) faz inferência em sua obra, apontando que o marketing tem a função nos negócios de lidar com os clientes.

Tendo

ainda

como

principais

objetivos

atrair

novos

clientes,

prometendo-lhes valor agregado superior ao concorrente, mantendo e cultivando clientes atuais, proporcionando-lhes satisfação.


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Entende-se que marketing é a entrega de satisfação para o cliente em forma de benefício. Seus principais objetivos são: atrair novos clientes, prometendolhes valor superior, e manter os clientes atuais, propiciando-lhes satisfação. Marketing ou Mercadologia é a atividade de ligar os produtores (ou produtores potenciais) de um produto ou serviço com clientes. Técnicas de Marketing são aplicadas em todos os sistemas políticos e em muitos aspectos da vida. Métodos de Marketing é objeto do estudo de várias ciências sociais.

O marketing sempre esteve presente na nossa vida e sempre estará, é possível visualizá-lo a todo o momento e em todos os lugares, você vê os resultados dele na grande quantidade de produtos disponíveis no shopping Center mais próximo de sua casa. O marketing está no anúncio que invade sua TV, dá sabor a sua revista, lota sua caixa de correspondência ou alegra as páginas da internet.

Porem por mais que o marketing esteja em tudo ele sempre possui um publico alvo, alguém que ele queira atingir diretamente sabendo coisas como: Quantos anos têm? São homens ou mulheres? Onde moram? Onde trabalham? São de qual classe social? Aonde vão aos momentos de lazer? Quais são seus hobbies? Que jornais e revistas leem? Acessam quais sites? Armstrong (2007, p.4) menciona que de um modo geral, “o marketing é um processo administrativo e social pelo qual os indivíduos e organizações obtêm o que necessitam e desejam por meio da criação e troca de valor com os outros”. O autor corrobora ao tema ao declarar que o marketing é um processo pelo qual as empresas criam valor para os clientes e constroem relacionamentos ao longo do tempo. O PERFIL DO CONSUMIDOR

No Brasil, existe um conceito legal de consumidor que foi criado pela lei 8.078, de 11 de setembro de 1990, previsto no Art. 2º - Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final.


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Em seu parágrafo único, equipara-se consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo. O artigo define para nós o que é consumidor. Em seu conceito, veem-se três elementos: A) subjetivo (pessoa física ou jurídica); B) objetivo (que adquire ou utiliza produto ou serviço); C) teleológico (a finalidade pretendida, ou seja, o destino final do produto ou serviço). Juran (1991), em seus estudos nos apresenta o consumidor como o cliente, que em sua definição é qualquer pessoa que seja impactada pelo produto ou processo, pode-se afirmar que o cliente é qualquer pessoa que participe do processo, desde a sua concepção até o seu consumo.

É comum o jargão de que "o cliente é rei". Importante que seja, mas não só como retórica para atraí-los; é essencial uma estrutura de produção de serviços compatível com as necessidades identificadas, pois a cortesia não sustentará por muito tempo serviços sem qualidade. O cliente é a pessoa que recebe os produtos resultantes de um processo no intuito de satisfazer suas necessidades e de cuja aceitação depende a sobrevivência de quem os fornece.( LOBOS, 1991,p.18). Há alguns anos a vaidade masculina era delimitada a cortes de cabelo e fazer a barba em simples barbearias, atualmente percebe-se uma mudança no cenário da beleza masculina onde os homens se sentem mais confiança e assim ficam mais a vontade para procurar por outros serviços e produtos de acordo com suas necessidades. Como todas as linhas de Spa, e estética que hoje são oferecidas especificamente para esse publico.

Comprovando esta mudança, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que o Brasil já movimenta cerca de R$ 15,4 bilhões por ano, sendo o terceiro mercado no consumo da beleza, permanecendo atrás apenas


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dos Estados Unidos e do Japão, e neste cenário os homens já são responsáveis pelo aumento de 15% no faturamento das clinicas de estética.

A cada ano, notamos um aumento do número de pacientes do sexo masculino que procuram os tratamentos estéticos, com a afirmativa de que estão buscando ficar ou se manter mais jovens. Procurando técnicas de rejuvenescimento aprimoradas, que mantém a naturalidade e sem exageros. “Em média os homens gastam cerca de R$ 1 mil em um tratamento especifico e a tendência é que o mercado cresça ainda mais nos próximos anos e logo representará 12% das vendas mundiais de produtos do setor da beleza e deve se tornar o maior mercado de 2015” Segundo Feira Internacional da Beleza, Cabelos e Estética.

Essas técnicas são o quem vem chamando cada vez mais homens para as clinicas de estética, pois sua principal preocupação é o exagero. Então a maior jogada de marketing das clinicas está sendo promover tratamentos que não causam danos ou que os tirem de seu dia a dia.

E o público alvo não tem idade especifica, são homens entre 20 a 60 anos, entre eles, tem empresários, políticos, pais de família, comerciantes e muitas outras categorias de profissões. Os tratamentos procurados também são muito variados, como cirurgias, tratamentos de pele, cabelo e até corporal. Tratamentos como: Depilação definitiva para barbas; tratamentos para gordura localizada com o CO2 fracionado; carboxterapia; massagens modeladoras; Heccus e até Rádio frequência.

E até tratamentos mais específicos como a Laserterapia, que por definição é, [...] Um funil energético que produz uma forte forma de luz altamente purificada e intensa, emitindo uma onda eletro magnética e único cumprimento de onda, e todos os raios caminham na mesma direção no tempo e espaço, e ondas eletromagnéticas são emitidas em paralelas entre si (CANHASSI; BRITO, 2011).


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E também a Galvanopuntura no tratamento de estrias: A corrente Galvânica é uma corrente unidirecional do tipo monofásica que promove o fluxo ordenado de elétrons que, associados a substâncias eletrônicas promove um fluxo constante de íons do polo positivo para o negativo.

A técnica de aplicação de corrente galvânica sobre a pele é denominada de galvanopuntura ou eletrolifting com agulhas. Esta técnica baseia-se tanto no estímulo físico provocado pela agulha, quanto na corrente galvânica propriamente dita que irão desencadear uma resposta inflamatória no tecido tratado que consequentemente estimulará a produção de colágeno e elastina pelos fibroblastos (VASCONCELOS, 2008).

A busca pelos serviços e produtos por este público destaca um objetivo em comum o de sentir-se bem, os homens afirmam que os tratamentos vem cobertos de resultados positivos e que isso os ajudam a manter a autoestima bem elevada, melhorando a vida no trabalho, vida social e até conjugal.

Segundo estimativas do mercado, os homens com mais de 40 anos já representam entre 25% a 40% dos clientes. Uma pesquisa realizada na Jornada Paulista de Cirurgia Plástica, com a participação de 1.500 médicos, no início de junho de 2013, mostrou que 86% deles tiveram um aumento de pacientes masculinos nos últimos cinco anos.

Um desses especialistas, Alexandre Senra, é conhecido no Hospital Albert Einstein por atender um grande número de homens: eles correspondem a 30% do total de quinze pessoas que são operadas em média por mês. Pesquisas dizem também que nos próximos anos os aperfeiçoamentos dos tratamentos serão cada mais melhorados, pois as pesquisas em cima disso estão buscando abranger ndo, uma cobrança do mercado ou dos próprios clientes.

É um mercado que vem com força total, todas as áreas apontam positivamente para isso, o marketing, a administração de negócios, e os esteticistas.


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Pois a estética em geral está evoluindo, e essas subáreas da estética, como estética masculina, vem acompanhando esse progresso.

As inovações não param, pequenos demonstrativos é que temos novas ideias, que estão se sobre saindo, mas que com certeza já são bem vistas pelo mercado, e que dentro de poucos anos será um “carro chefe” da estética.

O MERCADO E O MARKETING

Primeiramente o marketing precisa de um Target, é necessário definir com alguns detalhes deste cliente, para saber a melhor forma de abordá-lo eficientemente pensando em seus padrões de vida.

Vendo as grandes diferenças no publico da estética o marketing também sofreu alterações, pois saiu de um foco e foi para vários perdendo aquele conceito de estética ser algo feminino e voltado para a alta sociedade.

De acordo com Demetresco (2009) e Castilho (2009) constrói-se outro simulacro de masculinidade que desconstrói antigas imagens que permearam por décadas nosso imaginário como a de certo desleixo com a aparência, frieza, coragem, agressividade, raciocínio lógico todos estes, que carregam marcas da tradição de reconhecimento do masculino e que ganham nova roupagem na ressemantização

que

acompanha

a

expressão

de

um novo

modelo

de

comportamento.

E a partir deste novo modelo de comportamento as clinicas de estética estão investindo seus recursos, para tentar aproximar cada vez mais os homens de um corpo, estilo, modo de viver. Porem para alcançar este público é necessário uma aproximação passiva de modo que o marketing encoraje os clientes a buscarem os tratamentos sem sofrerem represálias.


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Segundo Becker (1999), as pessoas aprendem a analisar seus corpos através da interação com o ambiente, sendo sua própria imagem desenvolvida e reavaliada durante toda a vida, mas atualmente o que se vê são as necessidades de ordem social mascarando as necessidades individuais. Vivemos na era das imagens e, dessa maneira, estamos conhecendo uma série de signos no que diz respeito a ser o corpo ideal. Nessa nova onda, o corpo é sujeitado a escravo, o corpo real é deixado de lado em prol do desejado e sonhado. Hoje, no âmbito da imagem corporal, a valorização visual se impõe de maneira decisiva (FERREIRA et al., 2005, p.170).

A partir do citado a cima para alcançar o publico masculino, a melhor forma seria o marketing Word of mouth (marketing boca a boca), segundo Sernovitz (2012) “o marketing boca a boca é um meio de dar às pessoas um motivo para falar a respeito dos produtos e serviços de uma organização, facilitando a ocorrência dessa conversa”. Pois quando estes clientes recebem uma recomendação eles se tornam mais sugestivo a experimentar o serviço recomendado por uma pessoa que possui o mesmo estilo, e não tem receios de fazer o mesmo.

Os homens cresceram tão acostumados com as imagens hercúleas expostas pela mídia, que não se submetem mais a questioná-las, simplesmente aceitam essas imagens como

fiéis representações da

beleza

masculina,

subestimando a sua autoestima, e adotam atitudes para tornar seus corpos parecidos com o padrão (POPE et al.,2000, p.46).

Desta forma a partir de um serviço a estética oferece tratamentos para garantir assim um cliente, e também mais uma pessoa para divulgar de forma eficiente e rápido o que eles possuem na clínica para outros homens, garantindo assim o marketing da empresa. De acordo com a Feira Internacional de Beleza Profissional – Beauty Fair, 2011, existem 83,58 milhões consumidores potenciais para os produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos masculinos no Brasil. Em 2009, esse contingente já era responsável pelo movimento de US$ 2,29 bilhões no mercado brasileiro de produtos destinados aos homens, pouco menos de um décimo do


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montante de US$ 26,59 bilhões faturados pelo mercado mundial de produtos masculinos ao longo daquele mesmo ano.

O Brasil já aparece como o segundo maior consumidor de produtos masculinos do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. A consultoria Nielsen divulgou um relatório completo intitulado "O mercado e o shopper masculino", no qual apresentou dados interessantes. As categorias que formam a "Top Cesta" de produtos para homens – composto por desodorantes, sabonetes, tinturas, pósshampoos, shampoos, cremes para pele, lâminas e itens para barbear – respondem por 49% da cesta de Higiene e Beleza apurada pela Nielsen.

O consumo masculino responde por 37,3% dessa Top Cesta, algo estimado pela empresa em R$ 4.77 bilhões. No primeiro trimestre de 2011, essa Top Cesta apresentou um crescimento de 5,5% no consumo pelos homens ante igual período do ano passado. É menos que os 7,3% de crescimento obtido com o consumo de mulheres e crianças.

O crescimento pode ser explicado por dois movimentos.

Primeiro esse mercado vem agregando mais lares consumidores (produtos masculinos já estão em três quartos dos lares no Brasil).

Segundo o gasto médio, que cresceu de R$ 20,40 para R$ 27,40 do primeiro trimestre de 2009 para o primeiro trimestre de 2011. Esse gasto médio, relata um potencial de aumento na presença do homem no ato de compra de produtos de consumo habitual que vem subindo, e já alcança o patamar de 42%. Esse potencial de desenvolvimento não se mede apenas pela frequência de compra, como também pelo valor do tíquete médio que, no caso dos heavy shoppers (compradores assíduos), já beira os R$ 50,00.

O estudo da Nielsen, apesar de a Top Cesta possuir uma distribuição homogênea entre as categorias, se analisada como um todo; quando se considera apenas a parte que cabe aos homens nessa cesta, a grande participação se


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concentra, basicamente, em três categorias: lâminas (32,6%), sabonetes (30,7%) e desodorantes (26,6%). No caso dos sabonetes, a Nielsen considera 50 % do mercado, como sendo de sabonetes masculinos/unissex.

Os desodorantes masculinos aparecem, hoje, como a categoria mais desenvolvida, com 64,5% de penetração nos lares brasileiros. Segundo a Nielsen, dos 65% dos lares auditados pela análise e que compraram desodorantes masculinos, 26% desse total foram adquiridos em farmácias e drogarias, pouco menos da metade do resultado de 56% dos supermercados e inferior ao índice de 37% de penetração obtido pelo porta a porta.

Entretanto, uma das categorias que tem grande potencial de crescimento e merece atenção da indústria e do varejo é a de shampoos masculinos. Apesar do seu market share (fatia do mercado) na Top Cesta, ser pequeno, de pouco mais de 5%, em 60% dos casos, a sua compra é feita em conjunto com itens de outras categorias. Por isso, os shampoos masculinos oferecem uma ótima oportunidade de cross-merchandisin (diferentes modos de divulgação). Segundo Aretha Mello, diretora da área de marketing da Acquaflora Cosméticos, dona de uma linha de produtos para cuidados especiais dos cabelos masculinos é um mercado em ascensão, “o homem está se cuidando cada vez mais e buscando bons cosméticos que promovam um resultado eficiente. Sabemos também que este costuma ser um público fiel aos produtos que consomem, ao contrário das mulheres, que estão sempre experimentando e trocando de marcas".

Além de oferecer uma linha capilar básica, com shampoo e condicionador para diferentes tipos de cabelo (oleoso, seco e normal), a marca ainda dispõe de um produto complementar, o Spray Hidratante sem Enxágue, nas versões Cabelos Secos e Cabelos Normais.

Com tamanha importância é mais do que necessário investir em inovações, marketing e produtos exclusivos ao público masculino, que soma 49% da população no País. Tal fato demonstra que, a potencialidade desse mercado, seja aumentando o gasto médio através da alternância de consumo, seja por meio do ingresso de mais consumidores em categorias menos desenvolvidas, como skincare.


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Num primeiro momento, é necessário aumentar a variedade de marcas e diversificar os preços, assim como ampliar o espaço para a categoria, além de utilizar a comunicação adequada para atrair e educar o consumidor, que é novo e precisa de orientação.

Marisa Fabbri, diretora comercial da Aeger, concorda: "Trouxemos a linha de skincare masculino da Adidas, com seus itens de hidratação, gel de limpeza e pós-barba, com grande apelo de design e performance. Com certeza, o produto teria atingido um resultado de vendas ainda superior se houvessem lineares especiais para grooming masculino nas lojas."

Contudo, ainda são poucas as marcas de skincare e haircare masculinas oferecidas nos canais de venda massivos. Hoje, grande parte das opções de produtos nessas categorias são marcas tradicionais da indústria cosmética brasileira, com destaque para Natura e O Boticário que tem os seus próprios canais de distribuição.

No varejo multimarca, esse mercado é hoje atendido em especial pelas marcas internacionais de prestígio, como Biotherm, Clarins e Lancôme, que representam, invariavelmente preços elevados. "Para que se alcance maior volume, o mercado precisa oferecer marcas de tratamento com preço mais acessível. Outro ponto que poderia ser considerado para melhorar a performance de vendas dos cosméticos de tratamento é aumentar o investimento em comunicação, usar mais o merchandising e exibir os produtos de forma mais eficiente em farmácias, perfumarias e supermercados", opina Marisa Fabbri, diretora comercial da Aeger, distribuidora no Brasil dos cosméticos e perfumes da marca Adidas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O trabalho em questão foi feito a partir de artigos científicos, revistas oficiais da área da estética e sites. O conteúdo iniciou com a história da beleza e como ela se transformou até chegar nos dias atuais, mostrando que muito mais do que apenas as mulheres os homens também se preocupam com a beleza e os padrões para estar belo., foi abordado o conceito de marketing e sua influência no


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setor da beleza principalmente com o público masculino, constatando que o aumento do público consumidor masculino se deu principalmente pelas estratégias adotadas pelas indústrias da beleza.

A estética não trabalha sozinha para fortalecer seus números, tem o marketing como um forte aliado, utilizando suas mídias como estratégias para atingir diretamente e indiretamente seu público alvo, vem protagonizando resultados positivos dessa nova experiência e encorajando cada vez mais homens à aderir essa nova fase da sociedade onde se cultua o belo aumentado a busca para se manter nos padrões de beleza exigido.

Nota-se porem, que a indústria da beleza não vem utilizando o marketing somente para vender produtos de beleza e estética, hoje, através do marketing as indústrias com suas estratégias de comunicação com seu publico alvo, cada vez mais humanizadas e criativas, transmitem o conceito do se sentir bem, autoestima elevada e de qualidade de vida por esses motivos é que a estética masculina vem ganhando mais espaço no mercado Brasileiro, e pretende assumir cada vez mais um papel fundamental para a boa forma e saúde dos homens. REFERÊNCIAS

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