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FACULDADE MÉTODO DE SÃO PAULO CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA

ALESSANDRA RODRIGUES DE ANDRADE SAMARA FEITOZA ISABEL

LEITURA, DA EDUCAÇÃO INFANTIL PARA A VIDA

São Paulo 2015


FACULDADE MÉTODO DE SÃO PAULO CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA

ALESSANDRA RODRIGUES DE ANDRADE SAMARA FEITOZA ISABEL

LEITURA, DA EDUCAÇÃO INFANTIL PARA A VIDA

Projeto de Pesquisa apresentado ao curso de Licenciatura em Pedagogia da Faculdade Método de São Paulo. Professor Dr. Olavo Egídio Alioto.

São Paulo 2015


SUMÁRIO

RESUMO.................................................................................................... 4 INTRODUÇÃO.......................................................................................... 5 CAPITULO I - LEITURA............................................................................. 6 1.1 Falando sobre leitura................................................................ 6 CAPÍTULO II – LEITURA NA EDUCAÇÃO INFANTIL.............................. 9 2.1 O uso da linguagem oral e escrita na Educação Infantil.......... 11 2.2 Construção do processo de leitura........................................... 14 2.3 A importância da literatura infantil na prática da leitura............ 16

CAPITULO III - O PAPEL DO PEDAGOGO NO DESENVOLVIMENTO DA LEITURA INFANTIL............................................................................. 19 3.1 O pedagogo como referencia de leitor..................................... 19 3.2 A organização de projetos para leitura na escola..................... 22 OBJETIVO................................................................................................. 25 METODOLOGIA......................................................................................... 26 JUSTIFICATIVA.......................................................................................... 27 REFERÊNCIAS........................................................................................... 28


RESUMO

Verificar como se dão os processos de leitura nas escolas de Educação Infantil e propor juntamente com os professores e toda a equipe escolar, oficinas de leitura para as crianças. No decorrer deste projeto será abordado como é trabalhada a leitura em sala de aula na Educação Infantil, e de que forma podemos melhorá-la. Por meio de uma reflexão sobre o tema apresentado, que abordará a importância da leitura para o desenvolvimento integral da criança, será discutida sua inserção no ambiente familiar e, posteriormente, no âmbito escolar. Trata-se de uma pesquisa do tipo qualitativa, realizada por meio de um questionário contendo quatro questões abertas, as quais serão aplicadas a três professores de escolas públicas e três de escolas privadas.

Palavras-chaves: Educação infantil, Leitura compartilhada, Organização de projetos.

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INTRODUÇÃO Verificar como se dão os processos de leitura nas escolas de Educação Infantil e propor juntamente com os professores e toda a equipe escolar oficinas de leitura para as crianças. Relataremos neste projeto o uso da leitura na Educação Infantil atualmente e a sua importância para o desenvolvimento integral da criança e seu aprendizado, sendo abordado em três capítulos e desenvolvido por tópicos. No primeiro capítulo abordaremos o tema Falando sobre leitura, que faz uma ligação da leitura de mundo com a leitura da palavra e reforça a importância do estimulo para se obter a prática de ler, desde os primeiros anos de vida, iniciando no seu ambiente familiar e prosseguindo para a educação infantil. No segundo capitulo Leitura na Educação Infantil reforçaremos a questão do estimulo para o desenvolvimento da criança, tanto por parte dos pais como por parte dos professores. Abordaremos o quanto é importante às escolas de educação infantil criar projetos para trabalhar a leitura desde o berçário. Falaremos do uso da linguagem oral e escrita na educação infantil e das suas inúmeras possibilidades de comunicação e o seu papel para o desenvolvimento da leitura. E finalizaremos esse capitulo com uma breve passagem pela literatura infantil e sua contribuição para aprendizagem prazerosa da leitura. No terceiro e ultimo capitulo será abordada à questão do papel do pedagogo como referência de leitor na educação infantil, servindo de exemplo positivo no ambiente escolar para a prática da leitura. Relataremos também a organização de projetos para a leitura na escola que deverá ser responsabilidade de toda a equipe da instituição de ensino, necessitando avaliar a faixa etária a ser trabalhada e o conteúdo, visando alcançar o entendimento e a assimilação de cada grupo, que será dividido por série/ano, podendo ser trabalhado todos os gêneros de leitura. No primeiro capitulo a principal autora citada será Emília Ferreiro. No segundo capitulo os principais autores foram O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil – Conhecimento de mundo e Maria Helena Martins. No terceiro capitulo a principal autora citada foi Maria Helena Martins.

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CAPITULO I LEITURA

1.1 Falando sobre leitura A leitura é essencial para o desenvolvimento integral do individuo, por meio dela apresentam-se as palavras, os sons, a linguagem e o mundo como um todo. Além disso, nos possibilita desenvolver o raciocínio, a capacidade de interpretação, e a construção do senso crítico (FERREIRO 2009). Podemos também através da leitura ter contato com a cultura do mundo em que vivemos, adquirindo mais conhecimento e ampliando a nossa perspectiva frente a situações ou conflitos que eventualmente possamos enfrentar ao longo de nossas vidas. Muito antes de serem capazes de ler, no sentido convencional do termo, as crianças tentam interpretar os diversos textos que encontram a seu redor (livros, embalagens comerciais, cartazes de rua), títulos (anúncios de televisão, histórias em quadrinhos, etc.) (FERREIRO, 2009, p. 65).

A leitura desperta na criança a curiosidade, elas perguntam o tempo todo, pois tem sede de informações, ao primeiro sinal de que estão conseguindo ler ou traduzir e interpretar uma situação qualquer, já se inclui na condição de leitora e afirmam isso com toda sabedoria existente nelas. Por essas questões é importante falarmos da prática da leitura em casa, onde os pais em algum momento do dia param e compartilham uma leitura com seu filho, seja ela o gênero que for, é necessário que aconteça, para incentivar o hábito de ler em casa (FERREIRO 2009). Na escola de educação infantil, a criança também deve ter esse contato diário com a leitura, pois quanto mais ela for estimulada, mais segura ela se torna e isso influência diretamente no desenvolvimento das suas habilidades oral e escrita. De acordo com o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (Conhecimento de Mundo),

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estimular a participação das crianças enquanto o professor lê faz com que elas façam uma ligação do que é falado com o que está escrito, podendo assimilar os símbolos da escrita com os sons que ouvem e assim serem capazes de memorizarem palavras (BRASIL, 1998, p. 141).

A participação da criança no processo de leitura deve acontecer freqüentemente, quase todas as situações de sala pode-se pedir a interferência dela, para que assim sinta-se útil e participativa, colaborando com o bom andamento da aula. Por exemplo, quando a criança é questionada sobre que letra vem antes ou depois de outra determinada letra, logo se manifesta de forma a querer participar e conseguir colaborar com a realização daquela tarefa, o que se torna prazeroso para ela, atraindo assim o interesse de participar continuamente e estimulando a interação entre o aluno e o professor e a integração do grupo, podendo obter resultados significativamente positivos, assim também ocorre na roda de conversa, na contação de história, e até na construção de textos, quando é possível opinar a vontade sobre o tema trabalhado (BRASIL, 1998). Porém essa questão depende muito da abertura que o professor proporciona a sua turma, e é extremamente necessário que ele permita que esses momentos de interação aconteçam, de forma organizada e que não comprometa o andamento da aula, mas que contribua para o desenvolvimento da aprendizagem de leitura. No livro ‘‘O que é Leitura”, a autora afirma que “o processo de leitura deve estar ligado a uma experiência ou uma necessidade nossa, para que possamos interessar-se plenamente pela leitura” (MARTINS, 1989, p. 09). A leitura é a busca da compreensão, é decifrar códigos e conhecer a linguagem, ler significa também construir a sua autonomia, quando essa leitura faz ligação com alguma experiência vivida pela criança torna-se mais significativa para ela. O hábito da leitura deve começar em casa com a família estimulando e incentivando o individuo a sua prática, desde muito cedo. Toda criança adora ouvir a mesma história diversas vezes até que memorize a seqüencia em que acontece, esse momento deve ser prazeroso para ela, pois se trata da interação com os pais.

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Trabalhar um pouco o lúdico no seio familiar faz com que instigue a criança a querer ler mais, a ouvir mais histórias, e conversar sobre o que ouviu, sendo assim não cabe somente ao professor incentivar a leitura, mas também aos pais ou responsáveis pela criança (KLEIMAN, 1995). Podemos dizer que a leitura é uma questão ligada à cultura familiar e social em que a criança está inserida, quanto mais adultos leitores estiverem ao seu redor, mais probabilidade de se tornar um futuramente. Já aquela criança que convive com poucas pessoas que lêem, ou quase nenhuma, dificilmente será um adulto leitor, pela falta de estímulos e exemplos. A sociedade deveria preocupar-se mais com essa questão do ensino da leitura, pois se as crianças são o futuro da nação, como mudarão a situação atual sem instrução? Cabe a todos nós incentivarmos e buscarmos melhorias nesse aspecto do ensino da leitura, nas escolas em todo Brasil, seja elas públicas ou privadas, pois mesmo as classes mais favorecidas necessitam de exemplos e estímulos. Até mesmo para que possamos trabalhar a questão política em sala de aula, pois se nossos alunos forem capazes de ler e compreender, será capaz de tomar decisões futuras, sem sofrer influências. A aprendizagem da leitura está em constante construção, pois muitos aspectos são envolvidos. A cobrança dos pais em relação ao trabalho desenvolvido na escola referente à aprendizagem da leitura necessita ser maior. Participar ativamente da vida escolar de seu filho e demonstrar interesse por ela pode ser o caminho. Sendo assim a escola também pode cobrar dos pais uma participação ativa e que proporcionem situações na qual estimulam a leitura aos seus filhos. Poderia ser exigido da sociedade essa postura leitora, porém enquanto isso não ocorre é nosso dever como pedagogos incentivar e instigar às crianças a prática da leitura.

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CAPÍTULO II

LEITURA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

O estimulo pela leitura deve ter inicio em casa, com os pais inserindo elementos que despertem a curiosidade e o gosto pela leitura, e dando continuidade na educação infantil, pois quanto mais cedo as crianças tiverem esse contato, maiores serão as chances de gostarem de ler. O livro Educação Infantil, desenvolvimento, currículo e organização escolar relata que: É preciso entender que ler é uma forma a mais de comunicação, como falar ou ouvir. Deve-se ser integrada á sala de aula como um aspecto de vida, e não a margem dela. Por isso é preciso oferecer experiências estimulantes em um ambiente afetivamente positivo que favoreçam a participação, sugiram hipóteses e interpretações e motivem o desejo de tirar conseqüências do que se leu (ARRIBAS 2OO4, p. 196).

Seguindo este contexto as escolas de educação infantil necessitam dar uma maior atenção a esse aspecto e propiciar condições para que se trabalhe a leitura desde o berçário, estimulando o hábito de ler, pois a criança se coloca no lugar de leitor a partir dos exemplos que a rodeia, ela aprende copiando os gestos de leitura do outro, primeiramente os pais e os irmãos, em seguida os professores e até os coleguinhas de sala contribuem para esse aprendizado. Começam folheando os materiais disponibilizados pela escola, como livros, revistas, jornais, etc., e ao mesmo tempo observam as figuras e tentam decifrar os sinais gráficos existentes apropriando-se e percebendo aquilo que serve para ser lido. Toda criança que é estimulada adora ouvir e ler histórias, mesmo antes da alfabetização. Nas escolas de educação infantil ela deve ser rodeada de ambientes e atividades que proporcionem esse contato com a leitura, como por exemplo, rodas de histórias com livros, contação de histórias utilizando materiais diversos, (fantoches, dedoches, fantasias, etc.,) construção de histórias abusando da imaginação e até mesmo participação em mostras literárias, para que desta forma cada vez mais seja inserida no mundo leitor.

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É essencial que o professor esteja incluso nesse mundo leitor, que tenha o hábito de ler não somente para as crianças, mas também para si, e que o faça com prazer e satisfação e não apenas por obrigação, pois as crianças são capazes de sentir a satisfação do outro. De acordo com o livro Educação infantil Pra que te quero? Este é um ponto crucial: para formar crianças que gostem de ler e vejam na leitura e na literatura uma possibilidade de divertimento e aprendizagens precisamos ter, nós adultos, uma relação especial com a literatura e a leitura: precisamos gostar de ler, ler com alegria, por diversão; brigando com o texto, descordando, desejando mudar o final da história, enfim, costurando cada leitura , como um retalho colorido, á grande colcha de retalhoscolorida, significativa- que é a nossa história de leitura (CRAHIDY; KAERCHER, 2001, p. 83).

Segundo a citação acima o professor tem a responsabilidade de adotar uma postura leitora e transferir para a criança esse hábito, servindo de exemplo e estimulando o gosto pela leitura ao aluno. Assim como qualquer outro aspecto na vida escolar da criança, é de responsabilidade do professor intermediar a leitura, orientá-la quanto ao manuseio dos livros e conduzi-las para a absorção do conteúdo e da aprendizagem, fazendo com que a leitura aconteça de diversas formas, não somente pela tradicional, possibilitando aos alunos interagirem com o texto, porém as escolas devem dar total suporte para a realização dessas atividades. O Referencial Curricular para a Educação Infantil (Conhecimento de Mundov. 03), afirma que para favorecer as práticas de leitura, algumas condições são consideradas essenciais. São elas Dispor de um acervo em sala com livros e outros materiais, como histórias em quadrinhos, revistas, enciclopédias, jornais, etc., classificados e organizados com a ajuda das crianças; Organizar momentos de leitura livre nos quais o professor também leia para si. Para as crianças é fundamental ter o professor como um bom modelo. O professor que lê histórias, que tem boa e prazerosa relação com a leitura e gosta verdadeiramente de ler, tem um papel fundamental: o de modelo para as crianças; Possibilitar ás crianças as escolhas de suas leituras e o contato com os livros, de forma a que possam manuseá-los, por exemplo, nos momentos de atividades diversificadas; Possibilitar regularmente ás crianças o empréstimo de livros para levarem para casa. Bons textos podem ter o poder de provocar momentos de leitura em casa, junto com os familiares (BRASIL, 1998, p. 144).

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Considerando a citação acima podemos concluir que as escolas de educação infantil necessitam adaptar-se á essas condições, possibilitando a interação da leitura em sala e em casa com a família, trazendo o hábito de ler para todos. Sendo assim é de responsabilidade da escola ampliar esse contexto leitor, desde os primeiros anos de vida, quando iniciam na educação infantil pode-se fazer uma parceria, escola, família, comunidade e trabalhar todos em conjunto pelo desenvolvimento da leitura e sua apropriação. A leitura além de trabalhar com imaginário da criança desenvolve a linguagem, ampliando o vocabulário, instigando a curiosidade, estimulando a ludicidade tão presente nessa fase da vida.

2.1 O uso da linguagem oral e escrita na Educação Infantil. As linguagens orais e escritas são um processo de verbalização e permanente. A linguagem oral traz a possibilidade de comunicar ideias, pensamentos, intenções e estabelecer relações em que seu aprendizado acontece através de um contexto de estimulo com o meio que vive e as pessoas que convive. Em contrapartida e com o seu papel tão importante quanto o da linguagem oral tem a linguagem escrita que vem como meio de registro da linguagem descrita anteriormente, e que o processo de letramento se deve a ambas as linguagens, pois o individuo obtém esse contato desde muito cedo através da televisão, interação com o outro, livros, jornais, placas e muitos outros meios que estimulam ambas as linguagens que se completam no dia a dia dos indivíduos. Segundo o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, Conhecimento de Mundo, Volume 3, Além da linguagem falada, a comunicação acontece por meio de gestos, de sinais da linguagem corporal, que dão significado e apoiam a linguagem oral dos bebes. A criança aprende a verbalizar por meio de apropriação da fala do outro. (BRASIL, 1998, p.125).

A criança começa a se comunicar através de gestos que aprende com os adultos, no meio que vive e acontece sua interação, esse tipo de comunicação ajuda a entender a linguagem oral que ainda está se iniciando. Os gestos corporais dizem

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muito a respeito da criança e o que ela quer naquele momento, ao apontar algum objeto que não consegue pronunciar de maneira adequada oralmente para entendimento do outro. Também irá associar a fala do adulto a gestos e objetos, um exemplo é a criança pequena que vai mexer em uma tomada e mesmo com vontade de colocar o dedo, irá apontar para o objeto e fazer o gesto de não com a cabeça assim recordando o gesto feito pelo adulto e associando a palavra "não", lembrando que foi dito que não poderia mexer naquele determinado objeto. A linguagem corporal se faz muito importante para o bom desenvolvimento da linguagem oral e conseqüentemente a linguagem escrita que se tornará importante em um futuro próximo para a criança. A linguagem oral faz parte de um conjunto de acontecimentos que envolvem a criança nos seus primeiros meses de vida, onde ela irá memorizar falas, atos, gestos, sentimentos, sensações e desejos. Segundo o Livro Educação infantil Pra que te quero: O desenvolvimento da linguagem oral, portanto, não se dá nem natural nem magicamente, mas através da qualidade da interação do adulto com a criança, da interação entre as próprias crianças e, inclusive, dos momentos em que as crianças passam diante da televisão. (CRADY; KAERCHER, 2001, p. 136).

Ao desenvolver a linguagem oral a criança precisa ser estimulada de varias maneiras no ambiente que vive, a interação precisa vir de todos os meios e de maneira simples, porém com qualidade para que possa trazer segurança e confiança para a criança. A interação mais importante é aquela com o adulto nos seus primeiros anos de vida, alguns processos simples e importantes para a criança no dia a dia como, a conversa na hora de trocar as fraldas, ao chamar a criança pelo nome, nomear e apontar as figuras e objetos que para os bebês são momentos importantes, e que se fazem necessários para o bom desenvolvimento da linguagem oral. Outro momento de interação que se faz importante na vida da criança nos dias de hoje, levando em conta o quanto a tecnologia se faz presente, é o tempo que a criança passa em frente a televisão assistindo desenhos ou programas com a família e que a leva a interagir em um contexto do mundo como um todo e dos

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acontecimentos atuais, das musicas que estão em destaque e tudo o que acontece mostrado pela televisão que é um dos principais meios de comunicação. Sabendo e tendo consciência da importância desse meio de comunicação, cabe aos responsáveis pelas crianças selecionar e orientar referente ao que assistem, para que essa interação aconteça de modo positivo e de agregação ao aprendizado para que dessa forma não se torne um elemento negativo para a educação do individuo no decorrer de sua vida, não podemos esquecer que para a criança nos seus primeiros anos de vida, memoriza e repete os acontecimentos a sua volta (CRADY; KAERCHER, 2001). Segundo o livro A criança, o professor e a leitura... A Sra.Durand e Alain Bentolila lançariam as modas dos pictogramas nas escolas maternais com base na seguinte definição: “O mecanismo da leitura é a possibilidade de associar letras em conjunto e sons numa seqüência articulada, pronunciada sem interrupções, internamente ou em voz alta." (COHEN; ROSA, 1997, p. 78).

Na educação infantil a linguagem oral é estimulada desde o berçário por diversos meios, entre eles a leitura se faz presente e tem uma participação significativa em seu desenvolvimento. O ato de ler se deve a uma associação de vários fatores e uma somatória de linguagens diferentes, a criança inicia seu processo de leitura a partir do momento que consegue decifrar a palavra por inteiro. Podemos dizer que desde muito cedo precisamos compreender e entender o que se lê e que esse processo não pode ser apenas uma tradução da imagem para a oralidade, deve ser entendido pela criança que ao final será uma maneira de conhecimento sobre a leitura e a escrita. Ler é um processo de construção, interação com o outro e com o meio que vive que se deve a ao fato em que uma linguagem precisa da outra para que ao final a palavra seja pronunciada em voz alta de maneira satisfatória e compreensiva entre os indivíduos que se comunicam. “O livro Pais brilhantes, Professores fascinantes, um professor influencia mais a personalidade dos alunos pelo que é do que pelo que sabe” (CURY; AUGUSTO, 2013, p. 93).

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Assim como tudo na vida as influencias se dão por atitudes e não por palavras, os alunos fazem a leitura do seu professor pelos seus passos, pela sua personalidade, é nesse momento que eles se identificam e se projetam para o futuro. O professor leitor, que entra em sala de aula e faz a leitura em conjunto, vivencia a prática, abre caminhos para a aprendizagem, transmite conhecimento, porém, utiliza daquela situação para adquirir o saber com seus alunos que trazem do seu dia a dia, do mundo que vivem e das experiências em sociedade uma riqueza de informações e experiências sem igual. Cabe ao educador se beneficiar desse momento para trazer o educando e seu mundo para a sala de aula.

2.2 Construção do processo de leitura A construção do processo de leitura inicia-se nos primeiros meses de vida, quando a criança mesmo sem falar faz a sua leitura de mundo, assimilando as vozes, os cheiros, à imagem, mesmo que ainda distorcida das pessoas que estão ao seu redor, em seguida faz o reconhecimento do ambiente no qual está sendo inserida. Ao crescer um pouco mais a criança começa a fazer ligações dessa leitura de mundo ao seu mundo e os pais tem o papel principal nesse momento, que é o de estimulá-la, sempre propondo situações onde elas precisem pensar no que possa estar escrito, relacionando figuras ao texto, livros a brinquedos e as brincadeiras, jogos e as suas regras, situações básicas no cotidiano da criança, mas que possibilitam uma aprendizagem significativa da leitura. No livro O que é leitura a autora relata que, Certamente aprendemos a ler a partir do nosso contexto pessoal e temos que valorizá-lo para poder ir além dele (MARTINS, 1989, p.15).

Enquanto pequena a criança necessita de estímulos quase que a todo o momento, para facilitar a sua compreensão ainda tão desconhecida, é importante que os pais conversem com ela falando a linguagem exata da escrita, para que assim possam comunicar-se de forma correta. Ao observar uma criança de aproximadamente dois anos com um livro em mãos, perceberá que ela manuseia e lê para si mesmo a história que imagina estar escrito ou que de tanto alguém contar-lhe reproduz da sua maneira, isso faz com que estimule o imaginário fantástico nessa faixa etária e desenvolva o interesse pela leitura desde muito cedo (MARTINS, 1989). 14


Logo a criança cresce e chega à fase de ir para a escola, ainda não sabendo ler, mais adorando ouvir histórias, ela presta atenção nas imagens, na fala, nos gestos e na postura do professor, isso faz com que se interesse ainda mais pela leitura, aguçando a sua curiosidade, imaginação e sensibilidade, sendo assim o professor tem o papel fundamental na mediação da leitura para o aluno da educação infantil prosseguindo nos primeiros anos iniciais. Isabel Solé confirma que: quando se trata de ensino, é importante levar em conta que, apesar de as crianças possuírem – como já vimos – numerosos e relevantes conhecimentos sobre a leitura e a escrita, o tipo de instrução que elas receberam influenciará o tipo de habilidades que poderão adquirir (1998, p. 59).

Se as crianças forem estimuladas a leitura desde o inicio de suas vidas escolares, certamente seu desenvolvimento será melhor, visto que a leitura amplia o vocabulário,

estimula

a

imaginação,

desperta

o

raciocínio,

aumenta

o

desenvolvimento oral e escrito, transmite conhecimento, desenvolve o senso critico , aguça a curiosidade e a busca por mais conhecimento. A escola deve introduzir a leitura diariamente aos alunos tanto na educação infantil como nas outras séries do ensino fundamental, para que quando chegue ao ensino médio esse processo aconteça naturalmente e seja prazeroso em qualquer situação e não torturante como atualmente tem sido vista a leitura por muitos adolescentes. No livro “Os significados do letramento” são relatados que: A exposição da criança a freqüentes leituras de livros a leva a desenvolverse como leitora já no período pré-escolar esse desenvolvimento contribui, sem dúvida, para uma maior facilidade em acompanhar o ensino proposto pela escola, o que redunda em maior sucesso (KLEIMAN, 1995, p.94).

É necessário que os pais preocupem-se mais com essa questão de ler para o filho, de introduzi-lo ao mundo das letras, pois quando a criança for inserida na escola já estará familiarizada com os livros e o seu progresso nas disciplinas ou atividades escolares será mais proveitoso, pois já não apresentará a resistência em ler, que muitos alunos apresentam, talvez por não tiver existido este contato na infância e não apenas por timidez.

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A leitura traz para o individuo inúmeras possibilidades de crescer, de aprender, de obter prazer, de instigar o imaginário, de desvendar a escrita, de sentirse capaz, de construir a autoestima, de elevar o ego, pois aquele que consegue ler mesmo que não alfabeticamente falando, se torna mais confiante e sente-se mais capaz para ir além dos limites impostos pela língua, principalmente a nossa que é tão complexa (KLEIMAN, 1995). Seguindo neste contexto vale à pena lembrar que o exemplo é fundamental para o desenvolvimento do processo de leitura, é extremamente importante que o hábito de ler seja adotado quase que como uma religião, por pais e mestres e por todos aqueles que mantenham contato com crianças (independente da faixa etária) e principalmente que se julguem capazes de transmitir conhecimento e trocar experiências.

2.3 A importância da literatura infantil na prática da leitura A literatura infantil se faz de extrema importância para o processo de aprendizagem como um todo na vida da criança no ambiente escolar principalmente, e em um momento primordial que é a prática da leitura. Através da literatura infantil o educando conhece outros mundos viajam em outras fantasias, faz um comparativo com o mundo que vive, no seu meio social e seu dia a dia. Nossa literatura infantil é rica em informações adequadas para que o professor trabalhe diferentes tipos de linguagens, e amplo caminho para o saber. Literatura infantil somada a prática da leitura é um excelente caminho para que o professor trabalhe a aprendizagem, a cultura, a prática social e de maneira em geral a pluralidade cultural. Segundo livro Letramento literário: teoria e prática, a prática da literatura seja pela leitura, seja pela escrita, consiste exatamente em uma exploração das potencialidades da linguagem, da palavra e da escrita, porque não tem paralelo em outra atividade humana. Por essa exploração, o dizer o mundo (re) constituído pela força da palavra, que á a literatura, revela-se como uma prática fundamental para a constituição de um sujeito da escrita (CASSON, 2014, p.16).

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Na prática da leitura a literatura tem o seu papel importante e primordial, é pela literatura que a criança tem seus primeiros contatos com a linguagem e com a leitura. A importância da literatura se faz presente no ambiente escolar por seu conjunto de informações em um contexto literário, ao ler um livro para os alunos o professor ativa a imaginação, trabalho o conhecimento das palavras e símbolos lingüísticos, apresenta conhecimentos históricos, levando o individuo ao aprendizado de forma completa onde se faz necessária para a construção da escrita e leitura. De acordo com o livro A escrita criativa: pensar e escrever literatura, o olhar inaugural para o mundo, proposta pela literatura em geral, torna-se ainda mais aguçado no que diz respeito à literatura infantil. Isso porque o autor está de fato, lidando com leitores que estão conhecendo as coisas pela primeira vez, para quem muitos aspectos do mundo, que para os adultos já foram resolvidos, ainda são um mistério (ASSIS, 2012, p. 50).

Assim como o autor de literatura infantil precisa ter o cuidado em escrever para a criança, a responsabilidade de passar essas informações contidas nos livros cabe ao professor, que terá a necessidade de verificar cuidadosamente os seus conteúdos. Pois ainda em processo de conhecimento do mundo como um todo, é através da literatura que a criança irá adquirir mais informações referentes aos acontecimentos que se dão além do ambiente em que vive e interage. A literatura proporciona ao individuo uma nova oportunidade de conhecimento e abrangência do saber, é nesse momento oque a criança se faz livre sua imaginação e trás para o seu mundo real grande parte do conhecimento transmitido no decorrer da leitura, por esses motivos o educador deve ter o cuidado na escolha de livros adequados e que se assemelham a realidade e meio social em que a criança reside (ASSIS, 2012). Segundo o livro Metodologia do ensino da literatura infantil, para que a literatura cumpra seu papel no imaginário do leitor, é fundamental a imediação do professor na condução dos trabalho sem sala de aula e no exemplo que ele dá a seus alunos, lendo e demonstrando, sempre que possível, a utilidade do livro e o prazer que a leitura traz para o intelecto e a sensibilidade (COSTA, 2007, p. 20).

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Para que a literatura possa envolver o aluno, cabe ao professor trabalhar e iniciar os trabalhos em sala de aula de maneira envolvente e que instigue a curiosidade daquela leitura, também se faz importante a forma que a leitura do livro acontece, a entonação na voz ao narrar os acontecimentos e a expectativa com a história transmitida naquele momento é de extrema valia para o educando. Momento esse que o aluno lida com sua sensibilidade, perspectiva em relação à história relatada e o prazer da leitura em si. Assim como a aprendizagem no ambiente escolar, a leitura agregada a literatura é de importância para a criança que irá trazer em sua memória o exemplo a que se faz presente por seu professor no inicio desse tipo de leitura. Segundo o livro Educação Infantil: Pra que te quero?, se observarmos atentamente, veremos que é destas práticas, de ouvir e contar histórias, que surge a nossa relação com a leitura e a literatura. Por tanto, quanto mais acentuarmos no dia a dia da escola infantil estes momentos, mais estaremos contribuindo para formar crianças que gostem de ler e vejam no livro, na leitura uma fonte de prazer e divertimento (CRAIDY; KAERCHER, 2001, p. 82).

A contação de histórias, a roda de conversa, a leitura do livro literário, e toda a atividade que possa contribuir para a leitura e o desenvolvimento da criança leitora se faz importante no processo de aprendizagem principalmente nos anos iniciais da vivencia escolar do individuo. A prática de leitura se faz presente na vida do leitor através do incentivo constante no âmbito escolar, não retirando a importância do estimulo que precisa vir de casa por parte dos pais e responsáveis por essa criança. A leitura deve ser algo divertido, feita com prazer por parte do leitor e que possa ser uma fonte de conhecimento e aprendizagem.

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CAPITULO III O PAPEL DO PEDAGOGO NO DESENVOLVIMENTO DA LEITURA INFANTIL

3.1 O pedagogo como referencia de leitor Por ser o adulto que tem o maior contato direto com a criança deis dos primeiros anos da sua vivencia escolar e educacional é no professor que se nota, decifra e se adquiri o conhecimento do mundo em que vive, mesmo que esse mundo seja resumido ao ambiente escolar e o lar em que reside, é nesse momento que tem os primeiros contatos com o saber, a leitura e o brincar, dessa forma o pedagogo se torna referencia em muitos aspectos, inclusive o de leitor. Sabemos que todo o adulto que interage e participa do cotidiano se torna exemplo, porém o professor se torna referencia por estar ligada diretamente a educação e dentro de um contexto com a idéia de perfeição e detentor de grande sabedoria. Ao trabalhar essa relação com a criança o pedagogo não se restringe a parte da leitura e escritas do saber, ele também trabalha a parte emocional, o psicológico, emocional onde se torna um elemento importante na vida do aluno (CURY; AUGUSTO, 2013). Sabendo que exemplos podem ser positivos e negativos cabe a quem interage e participa do convívio da criança tornar essas passagens em momentos agradáveis e de lembranças satisfatórias ou optar por deixar queesses momentos se tornem negativos ou pior, nem serem lembrados por essa criança. O pedagogo tem como obrigação ser um exemplo de leitor ativo, passando para criança no ambiente escolar a importância da leitura, o quanto ler é enriquecedor o satisfatório, tendo em vista o quanto ler é essencial para o professor. (CRAIDY; KAERCHER, 2001). Segundo o livro Pedagogia da autonomia: Saberes necessários á prática educativa é preciso insistir: este saber necessário ao professor - de que ensinar não é transferir conhecimento – não apenas precisa ser apreendida por ele e pelos seus educandos em suas razões de ser - ontológica, política, ética, epistemológica, pedagógica -, mas também precisa ser constantemente testemunhado, vivido (FREIRE, 2011, p. 47).

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Sabemos que ensinar não se deve somente ao processo de transmissão de conhecimento, para que o aluno absorva as informações de maneira satisfatória se faz necessário que ele viva aquela determinada situação. Para que ele aprenda a ler se faz necessário terá contato direto com o livro por meio do professor, esse deve inserir a leitura de maneira agradável, porém rica em informações, assim a absorção desse processo de aprendizagem possa ser levada por toda a vivencia escolar e para a vida. Cabe ao professor se organizar, conhecer os materiais que irá trabalhar com as crianças e fazer com que esse processo aconteça de modo a ser natural e sem grandes traumas em sala de aula, O professor precisa fazer com que os livros e a leitura façam parte da vida do aluno e não uma válvula de escape para ele ir fazer outras atividades enquanto os alunos folheiam livros sem serem direcionados, apenas para passar o tempo. O livro O que é leitura nos diz que: o papel do educador na intermediação do objeto lido com o leitor é cada vez mais repensado; se, da postura professoral lendo para e/ou pelo educando, ele passa a ler com, certamente ocorrerá o intercambio das leituras, favorecendo a ambos, trazendo novos elementos para um e outro (MARTINS, 1989, p.33).

Ao ler com o educando o professor estimula a leitura, vivencia aquela história e adquiri conhecimento, a leitura de um mesmo texto pode ter diferentes aspectos, vivenciando diferentes emoções por parte de quem lê. Quando o educador faz esse tipo de leitura em conjunto com o educando ele proporciona uma nova experiência para ambos, incentiva à busca por outros meios de aprendizagem, excita a imaginação e trabalha a relação professor e aluno na troca de conhecimento e assim deixando claro não ser o detentor total do conhecimento e sim mais um a prender com a troca de experiências e informações. Ler vai além do texto e do processo de decodificar as palavras, ler leva o leitor a viajar em outros mundos, conhecer a si próprio em personagens diferentes, podendo se abrir para o mundo e interagindo de maneira abrangente e solicita com o outro, e para a criança o leitor mais próximo é o professor que em um contexto histórico e na visão da população é referencia de leitor, porque precisa adquirir conhecimento para que possa transmitir aos educandos. 20


Segundo o livro Práticas de leitura e escrita, cabe então ao professor, mais do que alfabetizar, realizar o letramento de seus alunos, isto é, habilitá-los a exercer amplamente a condição que decorre do fato de terem-se apropriado da leitura e da escrita. Face à pluralidade de estímulos escritos, o professor precisa instrumentalizar o estudante a explorar as diferentes possibilidades de dialogar com os textos, o que implica utilizar a palavra lida/escrita para refletir e interagir com diferentes práticas sociais de cultura, entre as quais se insere a leitura. Em virtude das inúmeras oportunidades de ler e escrever que as crianças que convivem em ambientes letrados possuem, a escola vê reduzida a importância de alfabetizadora e de iniciadora no mundo do ler e de escrever, tradicionalmente a ela atribuída. Já as crianças que não partilham da leitura como valor de seu grupo social, demandam uma atuação mais incisiva, que as insira num mundo em que elas possam atribuir significado ao ler e ao escrever, compreendendo a função emancipacionista que tal domínio propicia. (CARVALHO; MENDONÇA, 2006, p 163).

O professor deve estimular seus alunos de diferentes maneiras para que possam ler e escrever de maneira significativa e que possam interagir com o mundo em que vivem. A escola como instituição de ensino e que ainda tem seu papel prevalecido como a iniciadora desse processo, em alguns momentos acaba que negligencia esse fator entendendo que a criança tem o convívio com a leitura e escrita em outros ambientes, porém muitos alunos que não possuem a leitura inserida no seu mundo social tendem a perderem o contato com os livros, reduzem suas expectativas em relação à leitura e torna a aprendizagem menos significativa por conta da falta de estímulos. Assim como o professor é referencia para o aluno a escola deve trabalhar como estimulo para esse educador, incentivando as práticas pedagógicas dentro desse contexto, trabalhando a importância dos livros, da leitura direcionada para o aprendizado e as atividades menos convencionais que estimulam esse tipo de aprendizagem mais livre e podem relacionar com brincadeiras e momentos de descontração, não deixando sua importância de lado para tornar o aluno leitor e critico no decorrer de sua vida.

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3.2 A organização de projetos para leitura na escola. No âmbito escolar a leitura ocupa um lugar de destaque no processo de construção do conhecimento e na busca pela aprendizagem, porém as escolas de educação infantil ainda não estão preparadas para trabalhar a leitura em sala de aula, muitas usam esse momento como forma de laser, contudo é preciso que a leitura seja dirigida e compartilhada. A criança não necessita apenas manusear o livro, ela precisa conhecer as informações contidas nele, Qual o título? , Quem escreveu? , Quem ilustrou? Qual o assunto abordado? E tudo aquilo que possibilite o conhecimento prévio do conteúdo a ser trabalhado, possibilitando aos alunos a construção do conhecimento e da aprendizagem. A criança que ainda não sabe ler convencionalmente pode fazê-lo por meio da escuta da leitura do professor, ainda que não possa decifrar todas e cada uma das palavras. Ouvir um texto já é uma forma de leitura... É de grande importância o acesso, por meio da leitura pelo professor, a diversos tipos de materiais escritos, uma vez que isso possibilita às crianças o contato com práticas culturais mediadas pela escrita. Comunicar práticas de leitura permite colocar as crianças no papel de “leitoras”, que podem relacionar a linguagem com os textos, os gêneros e os portadores sobre os quais eles se apresentam: livros, bilhetes, revistas, cartas, jornais etc. (BRASIL, 1998). Sendo assim é importante ressaltar o papel da escola na construção da leitura, ao falarmos em projetos de leitura na escola necessitamos do trabalho em equipe, não cabe somente ao professor esta tarefa, mas é de responsabilidade de todos os envolvidos avaliarem a faixa etária com a qual será trabalhado, preparar todo o conteúdo com precisão visando o entendimento e a assimilação de cada grupo, separados por série/ano, podendo assim explorar todos os gêneros de leitura independente da idade, porém com certo cuidado para atingir a aceitação e garantir o sucesso do projeto. Quando pensamos no caso das estratégias de leitura e seu ensino, parece claro que ele requer todos os acordos possíveis. Decidir como as crianças abordarão o código, que textos elas vão ler, que situações de leituras serão

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incentivadas nas classes, qual será o papel das bibliotecas e dos cantinhos de leituras, que estratégias serão estimuladas no âmbito da linguagem e com outras matérias, que estratégias de leitura serão trabalhadas em projeto globalizado, como será avaliada a leitura, qual é o seu papel em uma abordagem significativa da aprendizagem do sistema da linguagem escrita... Tudo isso exige que sejam assumidas posturas que transcendem as de um professor em particular (SOLÉ; ISABEL, 1998, p.175).

De acordo com esse fato as escolas deveriam introduzir a leitura como pauta na reunião de planejamento que ocorre na maioria das escolas na última semana de janeiro, em que decidem todo o conteúdo a ser trabalhado durante o ano letivo. Levando em consideração que a leitura abre infinitas possibilidades de ser trabalhada, basta ter recursos e criatividade para que se possa ir além das fronteiras estabelecidas pela escola tradicional, na qual a criança aprende a ler pelas cartilhas e continuam com as leituras obrigatórias das disciplinas e não pelo gosto da leitura e isso acaba por fazer com que as crianças apenas decorem o conteúdo sem uma aprendizagem significativa da proposta de leitura em questão. A leitura seria a ponte para o processo educacional eficiente, proporcionando a formação integral do indivíduo. Todavia, os próprios educadores constatam sua impotência diante do que dominam “a crise de leitura”. Mas que “crise” é essa? Para eles, em maioria, ela significa a ausência de leitura de texto escrito, principalmente livros, já que a leitura num sentido abrangente está mais ou menos fora de cogitação (MARTINS, 1989, p.25).

Diante deste fato abordado na citação acima, percebemos a importância ainda maior das escolas trabalharem projetos de leitura em sala de aula, começando na educação infantil até chegar ao ensino médio, uma oficina de leitura, por exemplo, onde os alunos poderiam criar e recriar, aprender e ensinar, dividir o conhecimento adquirido com os demais. A leitura compartilhada de um livro sendo representadas por meio de cartazes, maquetes, dobraduras, utilizando materiais recicláveis e tudo àquilo que sua imaginação permitir. Outrora a professora poderia trabalhar a construção de um jornal da escola, que relate as principais noticias do dia a dia dos alunos, com ilustrações e textos feitos por eles ou até mesmo criar um jornal on-line onde vídeos seriam postados sobre os conteúdos trabalhados naquele período, tornando a tecnologia presente na

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vida escolar, integrando a população da escola ao mundo virtual, criando uma nova maneira de estudar e interagir com os colegas, respeitando é claro a faixa etária realizando atividades proporcionais a cada grupo (série/ano) envolvido. Vale a pena ressaltar que leitura deve-se tornar hábito, para que dessa forma o aluno se familiarize com ela e goste de ler, de tal maneira que sinta a sua falta, quando não ocorrer, não se esquecendo do aspecto emocional que ela proporciona ao leitor e da construção da autonomia envolvida nesse processo todo.

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OBJETIVO

Verificar como se dão os processos de leitura nas escolas de Educação Infantil e propor, juntamente com os professores e toda a equipe escolar, oficinas de leitura para as crianças.

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METODOLOGIA

O presente projeto utilizará de uma pesquisa do tipo qualitativa, por meio de um questionário contendo quatro (4) questões abertas que serão aplicadas a três (03) professores de escolas públicas e três professores de escolas privadas.

Questionário: 1) O que é a leitura? 2) Com que frequência é trabalhada a leitura em sala de aula? 3) Qual a sua relação com a leitura? 4) Como você trabalha e desenvolve a leitura?

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JUSTIFICATIVA

Na Educação Infantil a leitura tem se tornado um recurso para os professores, com a necessidade de realizar outras tarefas (como por exemplo: separar materiais, corrigir atividades, responder as agendas, colar recados, etc.) ou quando não se tem nada planejado, eles permitem que os alunos manuseiem os livros sem intencionalidade, apenas de modo automático. Não há o hábito de ler para o aluno e quando isso ocorre na maioria das vezes o professor pode não ter se preparado devidamente para aquela leitura. A apresentação de leituras na educação infantil deveria tornar-se rotineira, pois além de prazerosa permite chegar a uma aprendizagem significativa, visto que estimula o imaginário e amplia o vocabulário da criança. Desde os primeiros meses de vida é necessário inserir a criança num ambiente leitor, levando em conta a importância da leitura para o desenvolvimento integral dela. Sendo assim, as escolas precisam dar mais ênfase a essa questão e implantar projetos voltados para o trabalho da leitura em sala de aula, iniciando-se na educação infantil e prosseguindo até o ensino médio para que ler torne-se hábito e além de tudo seja prazeroso.

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REFERÊNCIAS MARTINS, Maria Helena, O que é leitura, São Paulo: Brasiliense, 11° edição 1989. FARREIRO, Emilia, Alfabetização em processo, 19. Ed. – São Paulo, Cortez, 2009. KLEIMAN, Angela B., Os significados do letramento: uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita, Campinas – SP, Mercado de Letras, 1995. FOUCAMBERT, Jean, A criança, o professor e a leitura, Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. SOLÉ, Isabel, Estratégias de leitura, Porto Alegre, Armed, 1998. BRASIL, Referencial curricular nacional para a educação infantil, Brasília: MEC/SEF, 1998. CRAIDY, Carmem Maria e KAERCHER, Gládis Elise P. da Silva, Educação infantil: pra que te quero?, Porto Alegre, Armed, 2001. CASSON, Rildo, Letramento Literário: teoria e prática, São Paulo, Contexto, 2014. BRASIL, Luiz Antonio De Assis, A escrita criativa pensar e escrever literatura, São Paulo, Edpucrs, 2012. COSTA, Marta Morais da, Metodologia do ensino da literatura infantil, Curitiba, Ibipex, 2007. CURY, Augusto, Pais brilhantes, professores fascinantes, Rio de Janeiro, Sextante, 2010. FREIRE, Paulo, Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa, São Paulo, Paz e Terra, 2011. ARRIBAS, T. L. et al. Educação Infantil: desenvolvimento, currículo e organização escolar. Porto Alegre: Artmed, 2004.

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