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DESAFIOS EDUCACIONAIS NA ERA DIGITAL: os novos papéis de professores e alunos Denise Marques Santos1, Angela Maria Alves2 1

Aluna do curso de Licenciatura em Pedagogia da Faculdade Método de São Paulo (FAMESP). Orientadora: Mestranda em Educação (UMESP) Especialista em Alfabetização e Letramento (FAMESP), Bacharelado em Matemática (Centro Universitário Fundação Santo André) e Licenciatura Plena em Matemática (CEUCLAR). 2

RESUMO

O presente artigo pretende abordar o uso das novas tecnologias educacionais durante o processo de ensino-aprendizagem e o papel do professor frente a possíveis mudanças no modo de ensinar/aprender. Considera-se que a escola não precisa se preocupar em acompanhar o ritmo da evolução tecnológica, basta ter consciência de que existem potencialidades pedagógicas nas tecnologias e que os meios de comunicação influenciam e trazem aprendizado aos alunos. Oferecer uma aula diferenciada na sala de informática pode significar para os alunos uma maior proximidade com um mundo que faz sentido para eles. O perfil docente também é redefinido, pois ele não é mais um mero transmissor de conteúdos. Nesse novo cenário frente às tecnologias o docente tem o papel de mediar o conhecimento de forma que o sujeito aprendente passe a construir seu conhecimento. Como metodologia utilizou-se uma pesquisa de campo qualitativa, bem como a pesquisa bibliográfica tendo como instrumento de coleta de dados um questionário contendo cinco perguntas, respondido por quatro professoras de ensino fundamental I, da rede pública da cidade de São Paulo. Sendo assim, destaca-se o avanço tecnológico como um processo irreversível, cabe ao docente adaptar-se a um possível novo modelo de educação e adequá-lo às necessidades dos alunos com quem compartilha informações. Palavras- Chave: Novas Tecnologias. Ensino-aprendizagem. Perfil docente. INTRODUÇÃO

As significativas mudanças na sociedade atual em decorrência do uso das novas tecnologias requerem inovações e mediações no processo de ensino e aprendizagem. O visível avanço das tecnologias mobiliza profissionais da educação a respeito do seu uso, tendo em vista que este permite mediação entre sujeito e conhecimento. Estando a sociedade em constante mudança, cabe à escola repensar suas práticas que deverão ir mais além do que os recursos tradicionais, e é claro que o professor não deve ser o mesmo, é necessário pensar na formação inicial e continuada dos docentes. De nada adianta investir em tecnologia se não houver profissionais habilitados para a função. A introdução das novas tecnologias de


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comunicação substituiu as formas tradicionais de relacionamento, trazendo mudanças na percepção e na linguagem, seja no modo de viver, de olhar, de fazer, de agir, de aprender e sentir, é importante relacionar as ferramentas tecnológicas com esses novos modelos de ser das pessoas. O papel docente também é redefinido, pois ele não é somente transmissor de conhecimentos, é mediador e facilitador da aprendizagem significativa, visando que seus alunos sejam sujeitos de escolhas conscientes sobre si mesmos e em sua relação com o mundo, para isso é necessário educar nosso olhar enquanto educadores, em direção a realidade do estudante.

Era da informação: mudanças no sistema educacional

A escola é um espaço que favorece a interação social fazendo pontes entre conhecimentos tornando-se um novo elemento de transformação.

A escola continuará durante muito tempo dependendo da sala de aula, do quadronegro, dos cadernos. Mas as mudanças tecnológicas terão impacto cada vez maior na educação escolar e na vida cotidiana. Os professores não poderão ignorar a televisão, o vídeo, o cinema, o computador, o telefone, o fax, que são veículos de informação, de comunicação, de aprendizagem, de lazer, porque há tempos o professor e o livro didático deixaram de ser as únicas fontes do conhecimento. Ou seja, professores, alunos, pais, todos precisamos aprender a ler sons, imagens, movimentos e a lidar com eles (LIBÂNEO, 2013, p. 40).

Oferecer uma aula diferenciada na sala de informática pode significar para os alunos uma maior proximidade com um mundo que faz sentido para eles. Por meio dos computadores, por exemplo, os estudantes se conectam em redes, exercem o direito de serem vistos e ouvidos e encontram oportunidades para a formação de vínculos sociais, e a escola não pode ficar alheia a essa realidade. [...] Entendo que a introdução de microcomputadores pode representar, sim, uma possibilidade de lidar melhor e mais eficientemente com alguns tópicos do ensino; que o enriquecimento constante dessa tecnologia talvez permita ampliar e flexibilizar suas possibilidades enquanto instrumentos auxiliar no processo de escolarização; que através de atividades com microcomputadores o professor pode fazer modificações importantes e interessantes em sua didática, de forma a alterar o próprio processo de aprendizagem[...] (COX, 2003, p.23).

A escola oferecendo suporte que são os computadores e o acesso a essa ferramenta, pode aumentar a possibilidade do professor modificar suas aulas de forma contextualizada, permitindo a troca de ideias e experiências, além de favorecer a percepção sobre dificuldades e avanços dos alunos em relação aos conteúdos ensinados. A nova configuração de sociedade


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em que os alunos estão inseridos exige que a educação e as novas tecnologias caminhem no mesmo rumo, pois as pessoas que frequentam as escolas são as mesmas que conversam e interagem por meio das redes de comunicação (LIBÂNEO, 2013). Para Lévy (2001), toda tecnologia inserida no contexto escolar traz em sua essência a necessidade do envolvimento de todos os agentes da escola, sendo os professores em primeiro plano, depois os estudantes e, por último, os agentes administrativos, equipe pedagógica e a comunidade. O desenvolvimento das tecnologias no contexto educacional não vai mudar o ensino milagrosamente, nem resolver problemas econômicos e sociais de imediato, mas abrem novas possibilidades de comunicação interativa, pesquisa, novos modos de conhecimento e aprendizagem. As demandas atuais exigem que a escola ofereça aos alunos sólida formação cultural e competência técnica, favorecendo o desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e atitudes que permitam a adaptação e a permanência no mercado de trabalho, como também a formação de cidadãos críticos e reflexivos, que possam exercer sua cidadania ajudando na construção de uma sociedade mais justa, fazendo surgir uma nova consciência individual e coletiva, que tenha a cooperação, a solidariedade, a tolerância e a igualdade como pilares (BRASIL, 1997, p. 138).

Com as mudanças que vem ocorrendo, a escola tem que favorecer o aprendizado para seus estudantes tornarem-se cidadãos críticos e reflexivos. Nessa perspectiva o aluno torna-se sujeito de sua aprendizagem e o docente tem novas ferramentas de trabalho que fazem parte tanto do seu cotidiano quanto dos alunos. Deve-se considerar que nem todos os alunos têm acesso às novas tecnologias, e não podemos nos enganar acreditando que os que têm acesso fazem uso de forma adequada e produtiva, por isso o papel do professor como orientador, facilitador, mediador desse processo é muito importante, sendo necessário conhecer o que o universo digital oferece as formas de trabalhar com essas ferramentas e informações em um contexto pedagógico (MORAN, 2000). Libâneo (2013) afirma que a escola precisa deixar de ser meramente uma agência transmissora de informação e transformar-se num lugar de análises críticas e produção da informação, onde o conhecimento possibilita a atribuição de significado à informação. Lévy (1993, p. 84) explana que “dominamos a maior parte de nossas habilidades observando, imitando, fazendo, e não estudando teorias na escola ou princípios nos livros”. Não significa que a escola será totalmente modificada, mas devemos fazer o possível para acompanhar as transformações tecnológicas da atualidade, e não tem como achar que os meios de comunicação não influenciam e nem trazem aprendizado aos alunos, pois eles


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chegam à escola com muitas informações que ouviram ou de alguma forma viram nessas ferramentas tecnológicas. Não é porque vivemos na era digital que o professor tenha que saber tudo sobre as novas tecnologias, mas saber o suficiente para orientar seu aluno sobre o que é positivo e negativo para sua aprendizagem é a mudança do tradicional para o interativo, não é fácil sugere a quebra de paradigmas, por isso é muito importante que o professor seja flexível, esteja sempre em formação continuada e que a formação inicial ofereça oportunidade para que os novos professores tenham acesso a essas ferramentas tecnológicas e que saibam da importância delas para o aprendizado. Buscar sempre motivar seus alunos, pois somente as ferramentas, as técnicas, não farão isso, interligar o conteúdo com a tecnologia, para que o aprendizado de seus estudantes seja significativo. A qualidade do ensino pode melhorar e muito com o uso das novas tecnologias, por meio da ação do professor que deve incentivar o uso dessas ferramentas, estimular pesquisas, assim transformando o trabalho entre professores e alunos mais participativo e estimulante (LÉVY,1999). Formação inicial e continuada dos professores: re-significando o papel do professor

A chegada das novas tecnologias no contexto escolar provocou mudanças e quebra de paradigmas. Diante das propostas de integração dos conhecimentos pedagógicos com a realidade social e as transformações tecnológicas, não tem como negar que o papel do professor já não é mais o de transmissor do conhecimento.

A mudança da função do computador como meio educacional acontece juntamente com um questionamento da função da escola e do papel do professor. A verdadeira função do aparato educacional não deve ser a de ensinar, mas sim a de criar condições de aprendizagem. Isso significa que o professor precisa deixar de ser o repassador de conhecimento – o computador pode fazer isso e o faz tão eficiente quanto professor – e passar a ser o criador de ambientes de aprendizagem e o facilitador do processo de desenvolvimento intelectual do aluno (VALENTE, 1993, p. 06).

Nesse novo cenário frente às tecnologias o docente tem o papel de mediar o conhecimento de forma que o sujeito aprendente passe a construir seu conhecimento. Mas para que de fato essa mudança aconteça, o professor como mediador da aprendizagem precisa deixar de lado o medo diante da possibilidade do aluno ter autonomia de desenvolver suas capacidades afetivas, cognitivas e sociais. Concordando com Nóvoa (1995, p. 25), estar em formação implica um investimento pessoal, um trabalho livre e criativo sobre os percursos e os projetos próprios, com vista à


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construção de uma identidade, que é também uma identidade profissional. A introdução das novas tecnologias de comunicação substituiu as formas tradicionais de relacionamento, trazendo mudanças na percepção e na linguagem, seja no modo de viver, de olhar, de fazer, de agir, de aprender e sentir, é importante relacionar as ferramentas tecnológicas com esses novos modelos de ser das pessoas. Os estudantes tornam-se sujeitos de seu aprendizado, de acordo com sua realidade uma vez que farão uso das novas tecnologias para isso, o professor exerce papel de orientador, colaborador, mediador e também parceiro, transformando o ambiente escolar um espaço de reflexão, desenvolvendo a habilidade de pesquisa, mostrando que eles têm a possibilidade de utilizar esses meios a favor de sua aprendizagem. “[...] Mas o essencial se encontra em um novo estilo de pedagogia, que favorece ao mesmo tempo as aprendizagens personalizadas e a aprendizagem coletiva em rede [...]” (LÉVY, 1999, p. 158). Tem que ser pensado também na formação inicial e continuada dos professores, não adianta ter a consciência de que a sociedade já não é a mesma, se não houver mudança. O papel docente é redefinido, pois ele não é somente transmissor de conhecimentos é mediador e facilitador da aprendizagem significativa, visando que seus alunos sejam sujeitos de escolhas conscientes sobre si mesmos e em sua relação com o mundo, para isso é necessário educar nosso olhar quanto educadores, em direção a realidade do estudante. Não adianta que o professor mude diante dessa nova realidade, as condições de trabalho também tem que ter transformações, oferecendo os meios necessários para sua atuação. Num processo de ensino, estará mais voltado para a aprendizagem do aluno, assumindo que o aprendiz é o centro desse processo e em função dele e de seu desenvolvimento é que precisará definir e planejar ações. Esta concepção de aprendizagem há que ser vivida e praticada. Não basta ao professor apenas ter ouvido algumas conferências sobre o tema. Trata-se de uma ação contínua sua e de seus alunos, sabendo esperar, compartilhar, construir juntos. Entender e viver a aprendizagem como interaprendizagem (MORAN, 2000, p. 168).

Ficar atento ao aprendizado dos seus alunos, ter segurança para entender e saber lidar com as diversidades. A utilização consciente das ferramentas tecnológicas pode auxiliar o professor a transformar alienação e isolamento em motivação e colaboração, tornarem-se cidadãos participativos, que aprendam a aprender, a respeitar e ajudar os colegas. Professores e alunos trabalhando juntos para transformar a sala de aula em um espaço de aprendizagem ativa, de reflexão e posicionamento crítico.


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Com o advento de novas concepções de aprendizagem, a necessidade de ligação do conhecimento cientifico com os problemas da sociedade e do cotidiano e o desenvolvimento acelerado das novas tecnologias da comunicação e informação, é preciso colocar a autoformação contínua como requisito da profissão docente. O exercício do trabalho docente requer, além de uma sólida cultura geral, esforço contínuo de atualização cientifica na sua disciplina e em campos de outras áreas relacionadas, bem como incorporação das inovações tecnológicas ( LIBÂNEO, 2013, p. 43).

Com a rapidez da evolução dos recursos que envolvem a área de tecnologia e as mudanças ocorridas consideravelmente, afetam a sociedade e direta ou indiretamente a vida diárias das pessoas, impondo uma atualização na mesma velocidade para que seja possível acompanhar tais mudanças. A formação de qualidade dos docentes deve ser vista em um amplo quadro de complementação às tradicionais disciplinas pedagógicas e que inclui,entre outros, um razoável conhecimento de uso do computador, das redes e de demais suportes midiáticos (rádio, televisão, vídeo, por exemplo) em variadas e diferenciadas atividades de aprendizagem. É preciso saber utilizá-los adequadamente. Identificar quais as melhores maneiras de usar as tecnologias para abordar um determinado tema ou projeto específico ou refletir sobre eles, de maneira a aliar as especificidades do „‟suporte‟‟ pedagógico (do qual não se exclui nem a clássica aula expositiva nem, muito menos, o livro) ao objetivo maior da qualidade de aprendizagem de seus alunos (KENSKI, 2003, p. 106).

A formação continuada permite ao professor entender melhor as novas tecnologias, como integrá-las em sua prática pedagógica, também pode auxiliar e muito na parte administrativa, possibilitando ao docente levar para sala de aula o que aprendeu, proporcionando ao estudante oportunidade para construção de seu conhecimento. Tem o benefício de saber como intervir na relação aluno-computador, como criar ambientes de aprendizagem, no qual o aluno faz e vivencia uma determinada experiência, ao invés de receber do professor o assunto já pronto.

[...] A demanda de formação não apenas conhece um enorme crescimento quantitativo, ela sofre também uma profunda mutação qualitativa no sentido de uma necessidade crescente de diversificação e de personalização. Os indivíduos toleram cada vez menos seguir cursos uniformes ou rígidos que não correspondem a suas necessidades reais e à especificidade de seu trajeto de vida. Uma resposta ao crescimento da demanda com uma simples massificação da oferta seria uma resposta „‟industrialista‟‟ ao modo antigo, inadaptada à flexibilidade à diversidade necessária de agora em diante (LÉVY, 1999, p.169).

De modo geral, a pessoa que busca formação deseja que seja compatível a sua realidade, tudo muda então não é possível continuar com as mesmas práticas, há sempre uma necessidade de atualizar-se. Cada docente deve encontrar uma maneira mais adequada de


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integrar as ferramentas tecnológicas em suas aulas, sempre ampliando seu aprendizado e de seu aluno.

Mediação pedagógica: considerações sobre a prática docente

O papel do professor como facilitador desse processo de aprendizagem, é muito importante, pois é ele que vai orientar o aprendizado de seus alunos mediados pelas tecnologias. “Por mediação pedagógica entendemos a atitude, o comportamento do professor que se coloca como um facilitador, incentivador ou motivador da aprendizagem [...]” (MORAN, 2000, p. 144). O professor no processo de mediação pedagógica torna-se um facilitador, incentivador e motivador da aprendizagem, entendendo que a aprendizagem passa por diversas transformações para que o aprendiz alcance os objetivos. Facilitando que seu aluno consiga produzir conhecimento que se integre a sua vivencia cotidiana e o ajude a compreendê-la. As novas tecnologias melhoram a postura do docente em sala de aula, pois ele auxilia os estudantes a estabelecerem um elo entre os conhecimentos científicos com os vivenciados no cotidiano, proporcionando uma troca de ideias e experiências, em que muitas vezes o professor se coloca no lugar do aluno, aprendendo com a experiência dele. Nas aulas os aprendizes são levados a pesquisar, estudar individualmente e em grupo, tornado a aula interativa e com descobertas dirigidas. Orientar o aluno a transformar informação em conhecimento. O novo perfil do professor destaca-se em variados papéis, seja mediador, orientador da aprendizagem, comunicativo, criativo, em constante aperfeiçoamento, flexível e também buscando sempre motivar, liderar, coordenar e adaptar-se a diversas situações (LÉVY, 1999). De acordo com Libâneo (2013), as modernas tecnologias não substituem a força de trabalho, mas necessita de trabalhadores mais qualificados e bem treinados, o desenvolvimento de habilidades cognitivas e comportamentais é importante nesse processo. Alguns pré-requisitos são exigidos para esse novo profissional como: a necessidade de trabalhar em equipe, gerenciar processos e escolher prioridades. Se a formação inicial desses professores for rígida, eles terão dificuldades em se adaptar aos novos desafios da sala de aula. Por isso é preciso repensar o perfil profissional e os programas de formação, qualificação e requalificação de diferentes instituições formadoras. A possibilidade da utilização das novas tecnologias para o processo de aprendizagem


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não pode ser desconsiderada, a desvalorização dessas ferramentas mostra muitas vezes a falta de interesse com o processo de aprendizagem, pois fazem parte do cotidiano da maioria dos estudantes e por meio delas os alunos podem construir novas formas de conhecimentos, de pesquisa, de buscar coisas novas, estimular a criatividade para de expressar e refletir. Para isso, há muitas tarefas pela frente, entre elas, a de resgatar a profissionalidade do professor, redefinir, as características da profissão, fortalecer as lutas sindicais por salários dignos e condições de trabalho[...]. É preciso,também uma ligação maior da formação que se realiza na faculdade com a prática das escolas, trazendo professores em exercício para a universidade, para a discussão de problemas comuns. Seria fundamental que em cada escola os professores formassem uma equipe unida, centrando a organização dos professores no local de trabalho, em torno de projetos pedagógico ( LIBÂNEO, 2013, p. 49).

É importante que os professores possam compartilhar experiências de sala de aula. Neste mundo de constantes transformações tecnológicas, as práticas educativas e os meios de comunicação estão cada vez mais ligados, por causa dos avanços tecnológicos na comunicação e na informática, essas mudanças implicam em novas qualificações e em novos requisitos educacionais. O docente neste sentido é muito importante, ele não será substituído pelas novas tecnologias, ele será o mediador entre o aluno e sua aprendizagem, motivador, facilitador desse processo. Onde o docente é parceiro e aprende com seu aluno, trabalha em equipe, buscando os mesmo objetivos (MORAN, 2000). O processo de aprendizagem envolve o desenvolvimento cognitivo, afetivo e motor, sendo assim a tecnologia usada tem que ser diversificada e deve atender os objetivos. O professor incentiva a participação dos alunos, a interação entre eles, a pesquisa, o debate, o diálogo, o respeito a opinião do colega, trabalhar em equipe, fazer pesquisa na biblioteca, desenvolvendo atitudes de valores e tornando-se cidadãos críticos (LÉVY, 1999). É importante não nos esquecermos de que a tecnologia possui um valor relativo: ela somente terá importância se for adequada para facilitar o alcance dos objetivos e se for eficiente para tanto. As técnicas não se justificarão por si mesmas, mas pelos objetivos que se pretenda que elas alcancem que no caso serão de aprendizagem (MORAN, 2000, p.144).

O professor deve ter um planejamento de suas aulas que tenha um objetivo, seja flexível, para que a aprendizagem de seus alunos seja significativa. O papel docente é redefinido, pois ele não é somente transmissor de conhecimentos é mediador e facilitador da aprendizagem significativa, visando que seus alunos sejam sujeitos de escolhas conscientes


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sobre si mesmos e em sua relação com o mundo, para isso é necessário educar nosso olhar quanto educadores, em direção a realidade do estudante. A mediação pedagógica coloca em evidência o papel de sujeito do aprendiz e o fortalece como ator de atividades que lhe permitirão aprender e conseguir atingir seus objetivos; e dá um novo colorido ao papel do professor e aos novos materiais e elementos que ele deverá trabalhar para crescer e se desenvolver (MORAN, 2000, p. 146).

Por meio da mediação do professor o aluno torna-se sujeito de sua aprendizagem e o docente tem novas ferramentas de trabalho que fazem parte tanto de seu cotidiano quanto dos alunos. O professor sai do papel tradicional e passa a construir conhecimentos junto com seus alunos, questiona, duvida, enfrenta conflitos, contradições e divergências ampliando essas ações pelo apoio da tecnologia.

Os benefícios da utilização de novos recursos no processo de ensino- aprendizagem

As ferramentas tecnológicas ampliaram o nosso modo de registrar e representar a informação escrita, sonora e visual, trazendo diversos benefícios a todos. Com o avanço tecnológico há um aumento no recebimento de mensagens textuais, sonoras e visuais, os estudantes precisam estar preparados para saber o que é necessário para eles e o que devem descartar. O professor diante desta nova realidade utiliza estes recursos a seu favor, abrindo espaço para a construção coletiva de conhecimentos, ele media e orienta, favorecendo o processo de construção de conhecimento. Ele pesquisa junto com os alunos, problematiza e desafia-os, por meio da tecnologia, à qual a maioria deles está acostumada, assim facilitando a interatividade. Utilizando cada vez menos o quadro-negro, o livro didático, aumentando a utilização das novas tecnologias e vai desaparecendo aos poucos o professor conteudista. O professor pode utilizar as tecnologias para beneficiar o aprendizado se seus estudantes, assim proporcionando a eles a oportunidade de uma aprendizagem significativa. [...]o surgimento da informática e da telemática proporcionando a seus usuários – e entre eles, obviamente, alunos e professores – a oportunidade de desenvolver a autoaprendizagem e a interaprendizagem a distância, a partir dos microcomputadores que se encontram nas bibliotecas, nas residências , nos escritórios, nos locais de trabalho; fazendo surgirem novas formas de se construir o conhecimento [...] (MORAN, 2000, p. 136).


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Esse universo digital que se amplia continuamente exige que os estudantes desenvolvam habilidades para analisar e avaliar a informação digital, para usá-la de forma segura e participativa. As tecnologias permitem aos estudantes várias possibilidades, se utilizadas de forma consciente (LÉVY, 1999). Quanto mais diversificadas, complexas e relacionadas forem as práticas em computadores e ambientes digitais, melhor será o desenvolvimento dos alunos. Os estudantes têm que saber tirar proveito das leituras e informações a que temos acesso com a internet para que possam tornar-se cidadãos informados, ativos, críticos e que usufruem, com segurança e responsabilidade, das oportunidades que são oferecidas nos ambientes digitais. Por isso a escola é muito importante na formação de pessoas que vão se beneficiar com as novas tecnologias. Confiar no aluno; acreditar que ele é capaz de assumir a responsabilidade pelo seu processo de aprendizagem junto conosco; assumir que o aluno, apesar de sua idade, é capaz de retribuir atitudes adultas de respeito, de diálogo, de responsabilidade, de arcar com as consequências de seus atos, de profissionalismo, quando tratado como tal; desenvolver habilidades para trabalhar com tecnologias que em geral não dominamos, para que nossos encontros com os alunos sejam mais interessantes e motivadores- todos esses comportamentos exigem,certamente, uma grande mudança de mentalidade, de valores e de atitude de nossa parte (MORAN, 2000, p. 142).

Sabemos que nem todos têm acesso as novas tecnologias, e não podemos nos enganar achando que os que têm acesso fazem uso de forma adequada, produtiva e explorando os vários recursos que esses ambientes disponibilizam, por isso o papel do professor como orientador, facilitador, mediador desse processo é muito importante, por isso deve estar preparado, conhecer o que o universo digital oferece, as formas de trabalhar com essas ferramentas e informações em um contexto pedagógico. De acordo com Cox (2003), o uso das tecnologias na escola, auxilia na criação de atividades produtivas, em que os estudantes são criadores de conteúdo e envolvem-se em situações de aprendizagem significativas. Oferecer uma aula diferenciada na sala de informática significa oferecer aos alunos um mundo que faz sentido para eles, que precisam conhecer melhor esse universo, apropriar-se de suas ferramentas e constituírem-se como cidadãos no ambiente digital assim como nos não digitais. Por meio dos computadores os estudantes se conectam em redes, exercem o direito de serem vistos e ouvidos e encontram oportunidades para a formação de vínculos sociais. A utilização das novas tecnologias pode trazer benefícios e malefícios, diante disso o docente orienta seus alunos que nós somos as melhores tecnologias, pois raciocinamos e podemos fazer escolhas sobre o que achamos melhor para nossa vida, desenvolvendo em seu


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estudante atitude que o beneficie e altere seu modo de pensar, se expressar e comunicar. Não significa que o livro didático e o professor serão substituídos, nem tem como, pois, são muito importantes, somente o docente e o aluno juntos poderão descobrir novos caminhos para aquisição do saber. Proporcionar um ambiente de ensino e aprendizagem agradável, que ofereça oportunidades para que seus estudantes pesquisem e participem com autonomia. Sabendo que o computador é um auxiliar, sempre disponível e muito útil quando bem utilizado. A pesquisa pela internet é muito rápida, facilitou e muito para todos, sendo que antes ou até hoje pra quem não tem acesso, tem que sair de casa e procurar uma biblioteca, mas tem o lado negativo, pois a pesquisa pelo computador exige atenção, pois são várias respostas para a mesma busca, o docente faz a mediação para que o estudante saiba selecionar o que pretende. O aprendizado torna-se mais significativo quando aprendemos de acordo com a nossa realidade, relacionamos, estabelecemos vínculos, o que não fazia sentido integra-se ao nosso cotidiano. O computador pode ser usado também como ferramenta educacional. Segundo esta modalidade o computador não é mais o instrumento que ensina o aprendiz, mas a ferramenta com a qual o aluno desenvolve algo, e, portanto, o aprendizado ocorre pelo fato de estar executando uma tarefa por intermédio do computador [...]. (VALENTE, 1993, p. 12).

O computador proporciona uma aprendizagem significativa, pois o aluno tem a possibilidade executar tarefas e buscar diversas informações com a mediação do professor. Ainda Valente (1993), certifica que o objetivo da utilização do computador na escola não deve ser centrado no que o aluno desenvolve, mas na filosofia de uso do computador e como ele está facilitando a assimilação de conceitos que permeiam as diversas atividades. Não é porque vivemos na era digital que o professor tenha que saber tudo sobre as novas tecnologias, mas ele deve saber o suficiente para saber orientar seu aluno sobre o que é positivo e negativo para sua aprendizagem, é a mudança do tradicional para o interativo. Essas ferramentas tecnológicas fazem parte do cotidiano de grande parte dos estudantes, o docente pode utilizá-las como benefício no aprendizado deles, adaptando sua aula no ritmo de cada um, não temer ser substituído por elas, mas sim como um auxílio que pode inovar de forma positiva as aulas.

Pesquisa de Campo


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Objetivos Teve-se como principal objetivo verificar se o docente utiliza ferramentas tecnológicas durante o processo de ensino-aprendizagem.

Metodologia

O presente trabalho utilizou-se de levantamento bibliográfico sobre o uso das novas tecnologias e o papel docente. Além disso, buscou-se também verificar se os professores se consideram aptos para mediar esse processo de utilização de recursos inovadores incorporados à sua prática pedagógica. Para tanto, foi realizada uma pesquisa de campo qualitativa e quantitativa utilizando como ferramenta um questionário contendo cinco (05) perguntas, sendo duas (02) fechadas e três (03) abertas.

Sujeitos

Tabela 01. Perfis dos sujeitos que participaram da pesquisa de campo. SUJEITO

IDADE

GÊNERO

TEMPO

FORMAÇÃO

ESCOLA

Licenciatura

Estadual

FORMAÇÃO A

45

Feminino

15 anos

em Pedagogia B

51

Feminino

20 anos

Licenciatura

Estadual

em Pedagogia C

40

Feminino

10 anos

Licenciatura

Estadual

em Pedagogia D

35

Feminino

5 anos

Licenciatura

Estadual

em Pedagogia Fonte: Autoria própria.

A presente pesquisa contou com a participação de quatro (04) professores do ensino fundamental I de instituições públicas localizadas na cidade de São Paulo. Para preservar a identidade dos docentes foram nomeados de A, B, C, D. Como critério de escolha dos docentes levou-se em consideração o fato de atuar na rede pública e


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em escolas com laboratório de informática à disposição dos professores, independente da quantidade de equipamento disponível. Antes do questionário foi entregue a cada professor um termo de consentimento livre e esclarecido para que eles lessem e assinassem, caso concordassem com a participação na pesquisa e utilização das informações concedidas em ambiente acadêmico.

Análise dos dados

Para análise dos dados, seguem sequencialmente as perguntas acompanhadas das respectivas discussões com base nas informações coletadas.

1 - Você considera importante incluir o uso de ferramentas tecnológicas como o computador, por exemplo, nas escolas para auxiliar no processo de aprendizagem dos alunos? A primeira pergunta teve como objetivo saber se os docentes acreditam que as novas tecnologias auxiliam no processo de aprendizagem dos estudantes. ( ) SIM ( ) NÃO Os quatro sujeitos pesquisados consideram importante incluir ferramentas tecnológicas no processo de aprendizagem dos estudantes. 2 – Você já usou o laboratório de informática? ( ) SIM ( ) NÃO Novamente houve unanimidade nas respostas. Pode-se considerar que por algum motivo os professores já fizeram uso do laboratório de informática, mas devido à questão ser fechada não há como garantir que a utilização se deu durante as aulas do referido docente.

3 - Cite alguns aspectos positivos e/ou negativos sobre o uso do computador na escola. A pergunta teve o intuito de investigar o que o docente considera importante ou não no uso do computador na escola e sua influência na aprendizagem. Os professores acreditam que as tecnologias trazem benefícios para aprendizagem. A educadora A respondeu que o uso de computadores proporciona novas formas de ensinar e aprender '' de maneira criativa, reflexiva, crítica e construtiva'', a resposta deste docente


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assemelha-se com o que fala o autor Levy (1999) O novo perfil do professor destaca-se em variados papéis, seja mediador, orientador da aprendizagem, comunicativo, criativo, em constante aperfeiçoamento, flexível e também buscando sempre motivar, liderar, coordenar e adaptar-se a diversas situações. A educadora B diz que '' serve para pesquisas mais aprofundadas, para desenvolver o raciocínio com alguns jogos e para uma formação mais ampla''. A educadora C acredita que '' é uma forma de dinamizar as aulas diversificando e atendendo os que não têm esses recursos em casa, possibilitando que o aluno tenha um desenvolvimento pedagógico satisfatório em equilíbrio com os que fazem uso desses recursos frequentemente. A educadora D diz que ''as crianças se interessam mais em aprender usando o computador e de certa forma eles estão se divertindo. ''

4- Você encontra dificuldades para usar essas ferramentas tecnológicas. Se a resposta for sim, explique em quais aspectos? A pergunta teve o objetivo de verificar se há dificuldades para o uso das tecnologias que estão à disposição dos professores na escola, seja em relação ao uso do laboratório de informática, à formação do professor ou até mesmo recusa ou resistência de alunos e/ou docente. A educadora A relata que a maior dificuldade para o uso das ferramentas tecnológicas, no caso o computador, é que “não há o suficiente para todos os alunos.” A educadora B diz “não encontro objeção, procuro sempre estar atualizada, para que não fique uma educação ultrapassada". Nesse caso, pode-se considerar que a docente respondeu a questão relacionando-a com a sua prática docente. A educadora C acredita que, por meio do uso do computador as crianças podem fazer "pesquisas na internet, jogos eletrônicos, até mesmo leitura eletrônica." Pode-se dizer que não houve uma resposta direta sobre encontrar ou não dificuldades. A educadora D diz que não encontra dificuldades para o uso das ferramentas tecnológicas, sem mais a acrescentar.

5- Você considera ter adquirido, durante sua formação docente, conhecimento suficiente para o uso de novas tecnologias? Justifique sua resposta. Nesta questão pretende-se saber um pouco mais sobre a formação inicial e continuada dos docentes e se eles procuram manter-se atualizados. Nessa questão os pesquisados tinham três opções de resposta: “SIM”, “PARCIALMENTE”, “NÃO”.


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Percebe-se que a maioria das docentes acredita que sua formação seja insuficiente para o uso das ferramentas tecnológicas, o que nos remete à fala de Libâneo (2013): [...]” é preciso colocar a autoformação contínua como requisito da formação docente [...]”. Dos sujeitos, 3 responderam não ter adquirido conhecimento suficiente e consideram a necessidade de formação continuada. Somente 1 pesquisado respondeu sim sem justificativa. Dessa forma, A docente A respondeu que não, pois tudo que aprendeu foi fazendo cursos por conta própria. "Em minha formação não aprendi nada sobre as novas tecnologias. A docente B acredita que sua formação é suficiente para o uso das ferramentas. A docente C considera: “temos que nos reciclar continuamente, pois as tecnologias evoluem rapidamente e a maioria dos meus alunos está sempre atualizada e em contato com essas tecnologias.” “O professor deve estar em constante formação”. A docente D acredita que sua formação “não foi suficiente”, mas não acrescentou se busca ou não adquirir novos conhecimentos ou de que maneira se mantém atualizado, considerando o fato de que na questão 3 respondeu não encontrar nenhuma dificuldade no uso das ferramentas tecnológicas.

CONSIDERAÇÕES

Sobre a prática e o preparo dos professores para lidar com o novo público de alunos abordamos a importância do uso das novas tecnologias para auxiliar a aprendizagem e foi constatado por meio de estudos onde autores como Lévy e Moran afirmam que com a utilização dessas ferramentas os estudantes tem possibilidades de aprender de maneira significativa se utilizar de forma consciente, por isso o papel do docente de mediador é essencial. Considerando o avanço tecnológico como um processo irreversível, cabe ao docente adaptar-se a um possível novo modelo de educação e adequá-lo às necessidades dos alunos com quem compartilha informações. A escola não precisa se preocupar em acompanhar o ritmo da evolução tecnológica, basta ter consciência de que existem potencialidades pedagógicas nas tecnologias. Nem tudo que surge de novo pode ser considerado com potencial, o docente precisa conhecer e testar primeiro para depois adequar e incorporar à sua prática pedagógica. A ferramenta sozinha não auxilia nem muda ninguém. É preciso que as mudanças ocorram de dentro pra fora, querer mudar, inovar é o que faz ter verdadeiro significado para quem se encontra em processo de formação.


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A utilização de recursos tecnológicos, conforme a análise de pesquisa requer que os docentes

tenham

conhecimentos

específicos

para

aplicação

e

adequação

desses

conhecimentos à sua prática pedagógica e que nem sempre os cursos de formação consideram essas tecnologias, o que faz com que os docentes busquem conhecimento em outros ambientes que nem sempre garantem qualidade do aprendizado. E não há formação continuada neste sentido, o que dificulta a intervenção do docente na sala de informática.

Referências

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: Mec./ SEE, 1997. COX, K. C. Informática na educação escolar. Campinas, SP: Autores Associados, 2003. (Coleção polêmicas do nosso tempo, 87) KENSKI, V. M. Educação e tecnologias: O novo ritmo da informação. Campinas, SP: Papirus, 2007. (Coleção Papirus Educação). LÉVY, P. As tecnologias da inteligência. O futuro do pensamento na era da informática. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993. ______. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 1999. 264 p. (Coleção TRANS) ______. Conexão Planetária: o mercado, o ciberespaço, a consciência. São Paulo: Editora 34, 2001. LIBÂNEO, J. C. Adeus professor, adeus professora? Novas exigências educacionais e profissão docente. São Paulo: Cortez, 2013. (Coleção questões da nossa época. v. 2) MORAN, J. M. Novas Tecnologias e mediação pedagógica. Campinas, SP: Papirus, 2000. (Coleção Papirus educação) NÓVOA, A. Os professores e sua formação. 2 ed. Lisboa: Dom Quixote, 1995. VALENTE, J. A. Computadores e Conhecimento: Repensando a Educação. Campinas, São Paulo: UNICAMP/NIED, 1993.

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Desafios educacionais na era digital os novos papeis de professores e alunos  

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