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A BRINCADEIRA COMO PRÁTICA PEDAGÓGICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Sandra Santos da Silva1, Silmara Vieira da Costa1, Marcia Regina Vital2. 1

Alunas do curso de Licenciatura em Pedagogia da Faculdade Método de São Paulo (FAMESP). Marcia Regina Vital - Doutora (Universidade de São Paulo)

2 Professora

Resumo O presente artigo tem por objetivo analisar a brincadeira como ferramenta que auxilia no desenvolvimento da criança na educação infantil. Para isso, traz o brincar como ferramenta que auxilia no desenvolvimento cognitivo, físico, social, emocional e psicológico da criança. Faz uma abordagem do valor da brincadeira na educação infantil, salientando o papel do professor nesse processo de desenvolvimento. Traz o papel do professor como mediador frente às práticas pedagógicas realizadas no ambiente escolar, reconhecendo o desenvolvimento da criança. Assim, a instituição escolar pode fazer uso da brincadeira como uma ferramenta que pode auxiliar a construção do ser humano adulto. A pesquisa foi realizada com três professoras, de uma instituição de educação infantil, localizada na Zona Sul, da cidade de São Paulo. Na pesquisa de campo foram realizadas quatro questões dissertativas referentes a utilização da brincadeira como auxilio na aprendizagem da criança e também de que maneira a brincadeira é utilizada na educação infantil. A pesquisa bibliográfica foi fundamentada na reflexão de leitura de livros, artigos, revistas e sites, bem como pesquisas de grandes autores referentes ao tema, proporcionando, desta forma, uma leitura mais consciente acerca do valor da brincadeira para o desenvolvimento da criança. Por meio da pesquisa pudemos concluir que a brincadeira integra a cultura infantil, favorecendo na aprendizagem da criança. A brincadeira está inclusa nas atividades escolares e possui uma grande importância no desenvolvimento da criança ao desenvolver a memória, a linguagem, a atenção, a percepção e a criatividade. Portanto, a brincadeira faz parte da fase da infância da criança e dentro da escola é utilizada como uma ferramenta que auxilia a prática pedagógica dos docentes em sala de aula. Palavras-chave: Infância. Educação Infantil. Brincadeira.

ABSTRACT: This article aims analyze the joke as a tool that assists in the development of the child in early childhood education. To do this bring the play as a tool that assists in developing cognitive, physical, social, psychological and emotional child. Makes a value approach in the early childhood education, stressing the role of the teacher in this development process. Bring the role of the teacher as mediator in front of the pedagogical practices performed in the school environment, recognising the child's


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development. Thus, the school institution can make use of the joke as a tool that can aid in the construction of the adult human. The survey was conducted with three teachers, an institution of early childhood education, located on the South side, from the city of São Paulo. In the field research were carried out four essay questions regarding use of the joke as aid in learning the child and also how the joke is used in early childhood education. The bibliographical research was based on reflection of reading books, articles, magazines and websites, as well as surveys of great authors regarding the theme, providing thus a reading more aware about the value of the game for the child's development. Through research we can conclude that the joke is part of the child culture, favoring learning of the child. The joke is included in school activities and has a great importance in the development of the child to develop memory, language, attention, perception and creativity. So, the joke is part of child and childhood phase within the school is used as a tool that assists the pedagogical practice of teachers in the classroom. Keywords: Childhood. Early Childhood. Joke.

INTRODUÇÃO A sociedade está em constante transformação, e isso ocorre por conta dos seres humanos que são os sujeitos dessas ações. O ser humano pode ser compreendido por algumas fases que se inicia quando criança, passa pela adolescência e chega a fase adulta, nesse processo a criança é um elemento da sociedade e possui um jeito diferente do adulto para ver o mundo, relacionar-se com ele, de sentir-se e de aprendê-lo. Nesse artigo abordamos um estudo bibliográfico que visa discutir a brincadeira como prática pedagógica na educação infantil, salientando a ideia do brincar como uma ferramenta que auxilia no desenvolvimento integral da criança. Para que possamos discutir sobre a brincadeira não podemos esquecer-nos dos sujeitos que envolvem essa temática sendo eles: a concepção de criança, a educação infantil e o brincar. A brincadeira faz parte das nossas vidas desde a antiguidade e quando incentivada faz com que as crianças desenvolvam com mais clareza o seu conhecimento. O ato de brincar no ambiente educativo não é mero passatempo, mas um instrumento de desenvolvimento educativo para a criança, portanto o brincar é tão importante para a criança como trabalhar é para o adulto. Desta forma, veremos nesse artigo que a brincadeira precisa ser uma das atividades essenciais na educação infantil, e grande participação neste processo, se dá por meio do planejamento do professor, organizando o espaço e o tempo, estimulando a brincadeira em função dos resultados que deseja alcançar.


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Concepção de criança

Na sociedade vemos que as relações se dão através dos seres humanos, e os que ainda não chegaram à fase da pré-adolescência são chamados de criança. A criança é um elemento da sociedade e como tal deve enquadrar-se neste contexto; diferentemente do adulto possui o seu jeito peculiar de ver o mundo, relacionar-se com ele, de sentir e de apreendê-lo. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, Lei nº 8.069/90), podemos descrever criança, como pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade (BRASIL, 1990). Nesse sentido, a criança está em processo constante de transformação e o seu desenvolvimento se dá do instante que é um recém-nascido até a fase da préadolescência. O desenvolvimento se dá por meio de aspectos físicos, psicológicos, sociais e cognitivos. Considerando ainda a criança com seu ativo dentro da sociedade vimos que seu desenvolvimento segue alicerçado pela lei. No Art.3º do Estatuto da Criança e do Adolescente (BRASIL, 1990) é assegurado à criança e ao adolescente gozar de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo de proteção integral de que trata a lei, assegurando-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades a fim de lhes facilitar o desenvolvimento físico, mental, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade. Percebemos que o desenvolvimento da criança se dá de forma gradativa, o que implica uma série de vivências que serão essenciais para a sua formação na fase adulta. Vivemos num mundo repleto de transformações e estas afetam de forma significativa as experiências de vida de cada ser humano. Sendo a criança um grande receptor de informações podemos dizer que a concepção de criança pode variar. Segundo Craidy (2001) a concepção de criança sofreu modificações nos últimos três ou quatro séculos, mostra que a figura da criança passou a ter grande importância no cenário social. No entanto, é preciso ter claro que a compreensão de criança tem passado por inúmeras transformações, principalmente a partir do final do século passado. O avanço de determinadas áreas do conhecimento como a medicina, a biologia e a psicologia bem como a vasta produção de ciências sociais nas últimas


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décadas produziram importantes modificações na forma de pensar e agir em relação à criança pequena. Assim, o modo de pensar da experiência humana nos permite dizer que a ideia de sujeito em formação e de como é vivida a experiência da infância podem variar de época para época. (CRAIDY, 2001, P.15). O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (BRASIL, 1998, v.3) salienta que nas relações de convívio que a criança estabelece, percebe a grande influência dos pais e de seu grupo familiar, pois através dessas relações ela pode ampliar seu desenvolvimento. No início imita as ações do adulto, mas depois cria suas próprias percepções. De acordo com Stearns (2006, p. 22) Toda criança é dotada de fragilidade e necessita de atenção e cuidados especiais, como alimentação e cuidados físicos, requerendo esses cuidados durante algum tempo. Além disso, as crianças são vistas como seres diferentes dos adultos que precisam ser preparadas para outras fases da vida.

Desta forma, conseguimos perceber que as pessoas que rodeiam a criança, exercem grande influência no seu desenvolvimento. Nesta perspectiva vemos que a família está inserida em toda trajetória de vida da criança, sendo que no primeiro momento como referencial de ações e em outros momentos compartilhando descobertas que a criança faz. Forquin (1993) ressalta que em relação ao nascimento e a concepção da criança, os pais não dão somente a vida aos seus filhos, eles ao mesmo tempo, introduziram-nos em um mundo. Educando-os eles assumem a responsabilidade da vida, e do desenvolvimento da criança, mas também da continuidade ao mundo. Neste contexto percebe-se que a responsabilidade da família sobre a criança é enorme, pois a criança no futuro será o adulto que estará inserido na sociedade, a mesma carrega uma significativa bagagem de linguagem e do patrimônio cultural de seu grupo social. O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil traz uma definição de criança, ressaltando que: A criança como todo ser humano é sujeito social e histórico e faz parte de uma organização familiar inserido em uma sociedade. É profundamente marcado pelo meio social em que se desenvolve, mas também a marca. Assim através do contato com seu próprio corpo, com as coisas do seu ambiente e através da interação com outras crianças e adultos, pode


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desenvolver suas capacidades afetivas, a sensibilidade, autoestima, raciocínio, pensamento e linguagem (BRASIL, 1998, v.01, p.21).

O Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil nos fala que no processo de desenvolvimento, com a ajuda da família, a criança constrói importantes referencias referentes a estrutura familiar quanto aos papéis de homem e mulher e em relação a sua construção da identidade e autonomia. A identidade e autonomia são características únicas de cada ser, e dentro do paradigma da concepção da criança sabemos que são importantes conhecimentos para formação do ser humano, pois no mundo que vivemos as trocas de experiências se dão através dessas diferenças singulares de cada ser humano. (BRASIL,1998, v.2, p.14)

Dessa forma, vemos que a concepção de criança se inova a cada momento, e que cada ser trará características próprias, adquiridas de suas vivências em seu grupo familiar. Assim percebemos que é importante que a família auxilie no desenvolvimento da criança, pois sua trajetória de vida pode mudar toda uma sociedade, já que cada indivíduo deixa sua marca individual no mundo.

Educação infantil

A educação infantil teve seu reconhecimento em 1988 quando pela primeira vez foi inserida como parte integrante da Constituição Federal, fazendo-se assim determinada como direito da criança, dever do Estado e escolha da família, a uma significativa referência aos direitos específicos da criança, não sendo mais restrito apenas ao âmbito dos direitos familiares. Em 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente possibilitou a construção de um novo olhar, olhar esse que promove novas formas de cuidar e educar, inserindo a criança e ao adolescente como sujeitos de direitos, como seres ativos e participativos, protagonistas da sua própria construção, sendo atores do seu próprio desenvolvimento. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (BRASIL, 1996), instituiu a educação infantil como primeira etapa da Educação Básica. De acordo com o Artigo 29, a educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem por finalidade o desenvolvimento integral da criança entre 0 e os seis anos de idade, em seus


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aspectos físicos, psicológicos, intelectual e social complementando a ação da família e da comunidade. Mediante o Artigo 29, evidencia-se de forma significativa que a educação infantil é parte essencial do sistema de ensino, proporcionado assim uma nova concepção de educação, onde as instituições de educação infantil (creches e préescolas não são mais entendidas como lugar adequado para se deixar a criança enquanto os pais trabalham). A LDB reconhece que as instituições ao cuidarem e educarem as crianças desempenha trabalho importante para o seu desenvolvimento integral, em parceria com a família e a comunidade. Desde a Constituição Federal (BRASIL, 1988) ficou legalmente definida que os trabalhadores (homens e mulheres) têm direito à assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento á idade em creches e pré-escolas (art.º 7/XXV) O dever com a educação será efetivado mediante a garantia de atendimento em creche e pré-escola as crianças de zero a seis anos de idade (Art. 208, inciso IV). Desse modo, a creche ou pré-escola tem a função de complementação. A escola junto com a família deve oferecer o que a criança necessita para o seu desenvolvimento integral. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (BRASIL, 1996), determina que cada instituição do sistema escolar deverá ter um plano pedagógico elaborado pela própria instituição com a participação do corpo docente. Dentro das instituições de educação infantil o olhar está totalmente voltado às crianças pequenas quanto ao seu desenvolvimento; desta forma, podemos dizer que a educação infantil proporciona a inclusão da criança no mundo como um ser ativo. O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (BRASIL, 1998) define que a educação infantil tem- se revelado importante para o processo de aprendizagem.

A

criança

socializa,

desenvolve

habilidades,

melhora

o

desenvolvimento escolar futuro, proporcionam às crianças melhores desempenhos quando chegam ao ensino fundamental. Pode-se dizer que a educação infantil é o alicerce para a aprendizagem, aquela que deixa a criança pronta para aprender. Na educação infantil a criança é estimulada a desenvolver diversas capacidades no qual as interações devem se situar no primeiro plano para aproveitar todo o potencial educativo das crianças. Contudo na educação infantil uma das funções do adulto é expandir o mundo imediato da criança abrindo-lhe novos caminhos de interesse.


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Quando pensamos em educação infantil não podemos deixar de pensar nos sujeitos que proporcionam as ações às crianças: os educadores. O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998) nos mostra que o papel do educar frente ao desenvolvimento infantil é proporcionar experiências diversificas e enriquecidas, a fim de que as crianças possam fortalecer sua autoestima e desenvolver suas capacidades. O educador que atua na educação infantil, precisa conhecer o processo de como as crianças pequenas aprendem e se desenvolvem. Ele deve saber os modos de comunicação próprios da faixa etária, reconhecer as singularidades do grupo de crianças, conhecer o nível de autonomia de cada uma, saber colocar desafios que impunham as crianças a necessidade de se relacionar e resolver problemas do seu cotidiano. A intervenção do educador é necessária para que a criança possa em situações de interação social, ampliar sua capacidade de apropriação de conceitos. Portanto o educador é o mediador entre as crianças e os objetos nas situações de conhecimento, organizando espaços e situações de aprendizagens que estimulem as capacidades de cada criança. (BRASIL, 1998.v.1.p.30) A educação infantil auxiliará no desenvolvimento das faculdades mentais e físicas das crianças, contudo a educação familiar aliada à escolar permitirá que a criança ultrapasse as diversas transformações que ocorrerá ao longo de sua vida, de forma equilibrada e sadia. Dessa forma, entendemos que a educação infantil tem grande importância na vida do ser humano, pois ajuda a criança desenvolver características importantes para o seu equilíbrio e sua inteligência quando adulta.

Brincar na Educação Infantil Para que possamos falar sobre o ‘’ brincar ‘’ precisamos estabelecer um parâmetro entre o brincar, a criança e a educação infantil. A criança é um ser que ainda não chegou à fase da puberdade, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (1990), descrever a criança a pessoa com a idade inferior a doze anos. Sendo assim, a criança vai se desenvolvendo em seu grupo familiar, mas com o tempo passa ser educada na escola onde adquire os conhecimentos que a sociedade considera importantes para a formação das pessoas. Neste sentido


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percebemos que a área da educação nomeada para as crianças será a educação infantil e dentro deste formato que encontramos o brincar. Podemos dizer que a educação da criança pequena foi considerada, por muito tempo, como pouco importante, bastam que fossem cuidadas e alimentadas. Hoje, a educação da criança pequena integra o sistema público de educação ao fazer parte da primeira etapa da educação básica, ela é concebida como questão de direito, de cidadania e de qualidade. As interações e a brincadeira são consideradas eixos fundamentais para se educar com qualidade (BRASIL, 2012). Diante da evolução da sociedade o pensamento sobre a criança, educação infantil passou por grandes transformações e dessa a valorização da educação para a criança favoreceu a brincadeira infantil. As crescentes valorizações da criança no seio da família nuclear em desenvolvimento, assim como as necessidades educacionais de seu controle e orientação, criam um vínculo estrito entre a brincadeira e sua educação (WAJSKOP, 2001, p.12).

Portanto, a criança desenvolve-se pelas experiências vividas com os adultos no mundo. Percebemos que o brincar é uma das formas mais comuns do comportamento humano, principalmente durante a infância. O brincar ou a brincadeira é uma atividade principal da criança sua importância reside no fato de ser uma ação livre, iniciada e conduzida pela criança com a finalidade de tomar decisões, expressar sentimentos e valores, conhecer a si mesma, as outras pessoas e o mundo em que vive. Ainda que o brincar possa ser considerado um ato inerente a criança, exige um conhecimento, um repertório que ela precisa aprender. Do ponto de vista do desenvolvimento da criança, a brincadeira traz vantagens sociais, cognitivas e afetivas. Segundo Vygotsky (1984, p. 117), é na brincadeira que a criança se comporta além do comportamento habitual de sua idade, além de seu comportamento diário. Para este pesquisador, o brinquedo fornece estrutura básica para as mudanças das necessidades e da consciência da criança. Segundo a autora WAJSKOP(2001) é na situação de brincar que as crianças podem se colocar desafios e questões além de seu comportamento diário, levantando hipóteses na tentativa de compreender os problemas que lhes são propostos pelas pessoas e pela realidade com a qual interagem. Quando brincam desenvolvem sua imaginação, as crianças podem elaborar regras de organização e


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convivência. Assim, as crianças vão construindo a consciência da realidade ao mesmo tempo em que vivem uma possibilidade de modificá-la. A brincadeira pode ser um espaço privilegiado de interação e confronto de diferentes crianças com diferentes pontos de vista. COSTA afirma que a brincadeira infantil pode constituir-se em uma atividade em que as crianças, sozinhas ou em grupo, procuram compreender o mundo e as ações humanas. No ato de brincar, os sinais, os gestos, os objetos e os espaços valem e significam outra coisa daquilo que aparentam ser. Ao brincar as crianças recriam e repensam os acontecimentos que lhe deram origem, sabendo que estão brincando. (COSTA, 1994, p.188) Segundo o manual de orientação pedagógica: Brincadeira e interações nas diretrizes curriculares para a educação infantil (BRASIL, 2012) o principal indicador da brincadeira entre as crianças é o papel que assumem enquanto brincam, a brincadeira favorece a auto- estima das crianças, auxiliando- as a superar progressivamente suas aquisições de forma criativa. É no ato de brincar que a criança estabelece os diferentes vínculos entre as características do papel assumido, suas competências e as relações que possuem com outros papéis, tomando consciência disto e generalizando para as outras situações. Por meio da brincadeira, a criança não apenas torna concretas essas significações apreendidas, como ela se própria transformando-as em ação. Isto torna evidente o caráter experimental da brincadeira que permite as crianças apropriação e a estruturação de múltiplos significados dos objetos sociais e dos comportamentos considerados adequados em sua cultura (COELHO; PEDROSA, 1995, p.54).

Dentro da brincadeira o objeto principal é o brinquedo no qual para a autora Kishimoto (1994), o brinquedo é considerado um “objeto de suporte da brincadeira”. O brinquedo é na verdade o objeto usado como metodologia para a criança por meio de representações, ou seja, a imaginação passa a representar o momento vivido ou impõe à criança o adentrar no mundo real. Segundo Kishimoto (1997) o brincar faz parte do nosso cotidiano e é uma necessidade do ser humano independente de suas crenças, idade e nível social. Dessa forma, o brincar vai muito além, ele constrói personalidades, influencia atitudes, revela medos e vivências, a cada brincadeira a criança cria um elo entre o seu interior e a situação exterior, pois será conforme as suas experiências internalizadas que o infantil reagirá em suas brincadeiras.


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Para Pereira (,2005) o brinquedo assume uma importância que o adulto concede ao trabalho. A criança brincando auxilia no seu processo de aprendizagem. Portanto o brincar dentro de suas especificidades contribui para a formação e o desenvolvimento integral da criança. A brincadeira é uma maneira surpreendente de aprendizagem, além de promover a integração entre as crianças. Nesta fase, a criança está sempre descobrindo e aprendendo novas coisas, é um ser em criação, o brincar nessa fase é fundamental para seu desenvolvimento social e cognitivo. O brincar é tão importante à criança quanto se alimentar e descansar, por meio do brincar a criança estabelece relações de conhecimento consigo, com os outros e com o mundo. Disponível

em:

<http://www.uninove.br/marketing/fac/publicacoes_pdf/.../v5_n1.../Natali.pdf>acesso:13

de

janeiro 2015.

De acordo com o Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil (BRASIL, 1998, v.01, p. 27): O principal indicador da brincadeira, entre as assumem enquanto brincam. Ao adotar outros crianças agem frente à realidade de maneira substituindo suas ações cotidianas pelas ações assumido, utilizando-se de objetos substitutos.

crianças, é o papel que papéis na brincadeira, as não literal, transferindo e e características do papel

Conforme o Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil. (BRASIL, 1998) a criança por intermédio da brincadeira, das atividades lúdicas, atua, mesmo que simbolicamente, nas diferentes situações vividas pelo ser humano, reelaborando sentimentos, conhecimentos, significados e atitudes. O ato de brincar acontece em determinados momentos do cotidiano infantil, neste contexto, Oliveira (2000) aponta o ato de brincar, como sendo um processo de humanização, no qual a criança aprende a conciliar a brincadeira de forma efetiva, criando vínculos mais duradouros. Assim, as crianças desenvolvem sua capacidade de raciocinar, de julgar, de argumentar, de como chegar a um consenso, reconhecendo o quanto isto é importante para dar início à atividade em si. Portanto, a brincadeira é de fundamental importância para o desenvolvimento infantil na medida em que a criança pode transformar e produzir novos significados. Nas situações em que a criança é estimulada, é possível observar que rompe com a relação de subordinação ao objeto, atribuindo-lhe um novo significado, o que expressa seu caráter ativo, no curso de seu próprio desenvolvimento.


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Segundo Oliveira (2000) o brincar se torna importante no desenvolvimento da criança, de maneira que as brincadeiras e jogos vão surgindo gradativamente na vida da criança. Estes são elementos elaborados que proporcionarão experiências, possibilitando a conquista e a formação da sua identidade. É brincando também que a criança aprende a respeitar regras, a ampliar o seu relacionamento social e a respeitar

a

si

mesma

e

ao

outro.

Disponível

em:<http://

www.lcvdata.kinghost.net/.../10melo_mendes_miranda_importancia_:acesso:13 janeiro 2015. Por meio da ludicidade a criança começa a expressar-se com maior facilidade, ouvir, respeitar e discordar de opiniões, exercendo sua liderança, e sendo liderados e compartilhando sua alegria de brincar.

PESQUISA DE CAMPO

Objetivo Geral 

Analisar a brincadeira como ferramenta que auxilia no desenvolvimento da criança na educação infantil.

Objetivos Específicos 

Identificar se as docentes utilizam a brincadeira como auxiliar na aprendizagem da criança;

Pesquisar o uso das brincadeiras na instituição infantil.

Metodologia

O trabalho deu-se com o intuito de verificar se o brincar contribui com a aprendizagem da criança e se as professoras entrevistadas reconhecem e fazem uso dessa ferramenta na sua prática pedagógica. As questões elaboradas foram desenvolvidas a partir dos objetivos citados anteriormente e fundamentadas de acordo com a pesquisa bibliográfica. Durante a


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realização da pesquisa bibliográfica informamos a instituição de educação infantil na qual realizaríamos uma pesquisa de campo com algumas docentes. As docentes entrevistadas trabalham na instituição de educação infantil por volta de três anos, ainda não possuem filhos e possuem experiências em diversas faixa-etárias da educação infantil. As perguntas foram dirigidas para as docentes da instituição de educação infantil localizada na Zona Sul, da cidade de São Paulo. Na pesquisa de campo foram realizadas quatro questões dissertativas referentes a utilização da brincadeira como auxilio na aprendizagem da criança e também de que maneira a brincadeira é utilizada na educação infantil. No início do mês de novembro de 2014, os instrumentos e termos foram distribuídos aos sujeitos; o retorno dos formulários ocorreu por volta do dia 19. Foram entregues três formulários, um para cada docente, cada educadora respondeu de acordo com seu conhecimento. Ao recebermos a pesquisa percebemos que todas estavam em condições para servir de base para o artigo. Sujeitos A pesquisa contou com a participação de três docentes como apresentado a seguir: A) Professoras Segue abaixo o perfil dos entrevistados apresentados da seguinte maneira: sujeito, idade, gênero, tempo de formação, formação acadêmica, tipo de escola. Todos os sujeitos foram esclarecidos sobre a pesquisa e devidamente assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Tabela 1. Informações dos docentes participantes da pesquisa de campo, do artigo A Brincadeira como prática pedagógica na Educação Infantil.

Sujeito

Idade

Gênero

Formação

Feminino

Tempo de Formação 15 anos

Ana

32 anos

Ileana

30 anos

Feminino

5 anos

Licenciatura em pedagogia

Jessica

26 anos

Feminino

5 anos

Licenciatura em pedagogia

Licenciatura em pedagogia

A pesquisa foi realizada com três profissionais licenciados em Pedagogia, sendo três professoras, e que atualmente atuam na instituição de educação infantil. A pesquisa revela que as três profissionais da educação infantil são do sexo


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feminino com idades entre vinte e um (21) e trinta e dois(32) anos e formação de três (03) a quinze (15) anos. Embora a quantidade de entrevistados seja pequena, os dados mostram que a maioria atuante na educação infantil é formada pelo gênero feminino e que é composta tanto por uma equipe recém- formada como profissionais que já atuam há mais de quinze (15) anos. Análise dos dados Para facilitar a análise e a visualização dos dados seguem, sequencialmente, as perguntas direcionadas aos entrevistados acompanhadas das respectivas respostas.

1. Como você utiliza o lúdico na rotina da instituição infantil? Os entrevistados declararam de forma participativa que utilizam o lúdico dentro das atividades na educação infantil por meio das brincadeiras de faz de conta, rodas de músicas, bolas, bonecas, etc. Dentro das respostas é possível verificar que os docentes percebem que o brincar contribui para o desenvolvimento das crianças, sendo eficaz para o desenvolvimento delas. Como podemos perceber, os brinquedos e as brincadeiras são fontes inesgotáveis de interação lúdica e afetiva. Para uma aprendizagem eficaz é preciso que o aluno construa o conhecimento, assimile os conteúdos. E o jogo é um excelente recurso para facilitar a aprendizagem, neste sentido, Carvalho (1992, p.14) afirma que: [...] desde muito cedo o jogo na vida da criança é de fundamental importância, pois quando ela brinca, explora e manuseia tudo aquilo que está a sua volta, através de esforços físicos se mentais e sem se sentir coagida pelo adulto, começa a ter sentimentos de liberdade, portanto, real valor e atenção as atividades vivenciadas naquele instante.

2. Você acredita que a brincadeira pode auxiliar no desenvolvimento da criança? Todos os entrevistados afirmam que a brincadeira auxilia no desenvolvimento da criança. Ressaltam que as brincadeiras são essenciais para que as crianças possam compreender o mundo que a cerca. Quando a criança brinca, sem saber fornece várias informações a seu respeito, no entanto, o brincar pode ser útil para estimular seu desenvolvimento integral, tanto no ambiente familiar, quanto no ambiente escolar.


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De acordo com Zanluchi (2005, p.91) “A criança brinca daquilo que vive; extrai sua imaginação lúdica de seu dia-a-dia.”, portanto, as crianças, tendo a oportunidade de brincar, estarão mais preparadas emocionalmente para controlar suas atitudes e emoções dentro do contexto social, obtendo assim melhores resultados gerais no desenrolar da sua vida. 3. Qual metodologia você usa nas brincadeiras em sala de aula? Os entrevistados relataram que a brincadeira pode ocorrer de diversas maneiras, que tudo vai depender do objetivo da brincadeira, o professor poderá ter a postura de observador, investigador no qual a criança brincar livremente e é observada ou o professor pode sentar junto interagir na brincadeira como um sujeito. Relatam que essas situações acontecem na rotina da educação infantil. De acordo com Vygotsky (1998) é no brinquedo que a criança aprende a agir numa esfera cognitiva. Porque ela transfere para a mesmo sua imaginação e, além disso, cria seu imaginário do mundo de faz de conta. Portanto, cabe ao educador criar um ambiente que reúna os elementos de motivação para as crianças. Criar atividades que proporcionam conceitos que preparam para a leitura, para os números, conceitos de lógica que envolve classificação, ordenação, dentre outros. Motivar os alunos a trabalhar em equipe na resolução de problemas, aprendendo assim expressar seus próprios pontos de vista em relação ao outro. 4. A brincadeira pode favorecer a autoestima das crianças? Como? .

Todos os entrevistados acreditam que a brincadeira pode favorecer a

autoestima das crianças, pois as brincadeiras favorecem as crianças em expressar suas ideias, pensamentos, a comunicar-se, conhecer a si mesmo e a outro. Pois é através da linguagem do brincar que as crianças são motivadas a pensar de maneira autônoma, desenvolvendo a confiança nas próprias capacidades e expressando-se com autenticidade. A brincadeira favorece a auto estima nas crianças, auxiliando-as superar progressivamente suas aquisições de forma criativa (BRASIL, 1998, p.27) CONSIDERAÇÕES

O presente artigo teve por objetivo analisar a brincadeira como ferramenta que auxilia o desenvolvimento da criança na educação infantil, bem como identificar se


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as docentes a utilizam na sua aprendizagem. A partir da fundamentação teórica, observou-se que as brincadeiras integram a cultura infantil, favorecendo a aprendizagem das crianças por ser caracterizada pela própria linguagem da criança, que por meio do brincar se comunica, se diverte e aprende. Sabemos que a brincadeiras faz parte das nossas vidas desde a antiguidade, e quando descoberta é motivada, as crianças desenvolvem com mais clareza o seu conhecimento. Processo este que leva as crianças a terem maior qualidade de compreensão, brincadeiras diárias, os jogos recreativos, favorecem as fantasias. Com isto as crianças desenvolvem a percepção, seus movimentos, suas posições, com várias regras tipos e brincadeiras, diferenciando os jogos e outros recursos que venham ao com as suas necessidades. Estimulando assim suas vontades e desejos, por meio a tantos desafios e argumentos, poderão ser submetidos a diferentes tipos de atividades e dinâmicas, porém poderá levar para um mundo repleto de criatividades e movimentos expressando o seu interior, maior entusiasmo no seu meio. Além da interação que, a brincadeira, o brinquedo e o jogo proporcionam, são fundamentais como mecanismo para desenvolver a memória, a linguagem, a atenção, a percepção, a criatividade e habilidade para melhor desenvolver a aprendizagem. Brincando e jogando a criança terá oportunidade de desenvolver capacidades indispensáveis a sua futura atuação profissional, tais como atenção, afetividade, o hábito de concentrar-se, dentre outras habilidades. Nessa perspectiva, as brincadeiras, os brinquedos e os jogos vêm contribuir significamente para o importante desenvolvimento das estruturas psicológicas e cognitivas do aluno. Como afirmado anteriormente a intervenção do educador é necessária para que a criança possa em situações de interação social, ampliar sua capacidade de apropriação de conceitos. Dentro desse processo o educador é o mediador entre as crianças e os objetos de conhecimento, organizando e proporcionando espaços e situações de aprendizagens que estimulem as capacidades de cada criança. Em complemento a fundamentação teórica, buscou-se por meio da pesquisa de campo confirmar o presente estudo, sendo possível confirmar que a fundamentação pratica está em consonância com a fundamentação teórica. As três docentes entrevistadas defenderam a brincadeira como uma pratica pedagógica que acontece e auxilia nas aprendizagens na educação infantil.


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Embora a pesquisa tenha um caráter simbólico, em razão da população pesquisada, foi possível observar que os docentes reconhecem que a brincadeira faz parte da fase da infância e que fazem uso dessa prática pedagógica em sala de aula.

Referências

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A brincadeira como pratica pedagogica na educacao infantil  

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