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ISSUE NO. 02

fala aí UGA PORTUGUESE PROGRAM


Editor-in-chief Juliano Saccomani Co-editor Jean Costa

English Editors Cara Sanford / Callie Hood Portuguese Editor Rafael Silva Graphic Designer Julia Roberts Photography Yasmin Obrownich / Jenna Robinson Romance Languages Department Head Dr. Stacey Casado Portuguese Program Supervisor Dr. Andrea Villa-Ruiz

A special thank you to our sponsors

Cover: Lisbon is famous for its trams, we decided to pay them a homage with that beautiful picture.

This drawing was a courtesy of Rafael Silva, the Portuguese editor

EDITORIAL TEAM


LETTER FROM THE EDITOR

Dear Reader, I am very happy to present to you the second edition of Fala Aí, the bilingual magazine of the Portuguese Program at the University of Georgia. After the highly acclaimed reviews of the first issue, we were even more motivated to put together the second one. On behalf of the whole team that worked on this edition, I hope you really enjoy the time you invest reading our articles, and that you learn more about the culture of the Portuguese-speaking world. In the next pages you will read - in Portuguese and in English - about the Portuguese program at UGA, cultures in Brazil, East Timor, Guinea-Bissau, and the thing we are most proud of, our students’ writing pieces. We are also happy to say that given the impact of the magazine in other programs and institutions, we also received texts written by students from other Portuguese programs in the state of Georgia. As always, our goal is to have an open conversation with our readers. Let us know what you like from the following pages, what you find interesting, and what else you want to see in the next issue. You can reach us on Facebook (facebook.com/falaaiuga) or via our email falaai@uga.edu . We will be excited to hear from you. I also cannot forget to thank all of the people who helped to make this second edition come to your hands. I want to thank especially Dr. Andrea Villa Ruiz, the supervisor of the Portuguese program, who was of extreme assistance and support for the continuation of this publication. Special thanks are also necessary for our sponsors at the University of Georgia: the Department of Romance Languages, the Portuguese Flagship Program, and the Latin American and Caribbean Studies Institute, all of who believe in the idea and keep on trusting our efforts. Also, I need to thank all of the volunteers who helped with their hard work; the design interns, the Portuguese and English editors, the photographers, and the professors and students who took their time to provide us with the content that you are about to read. Special thanks also go to Anna Adair, Rafael Ribeiro, and Viviane Klen-Alves, for all their help and support during the making of this issue. And, most importantly, I need to thank you, the reader, for taking the time to appreciate this magazine. It was made for you with a lot of love.

OBRIGADO, Juliano Saccomani


TABLE OF CONTENTS Articles Cecília Rodrigues (quote) ..............................................................................................................1 Video Games: arte e cultura.......................................................................................................2-3 Moçambique................................................................................................................................4-5 Riquezas de Minas Gerais.............................................................................................................6 The Museum of Immigration in São Paulo..................................................................................7-8 Writing Lights............................................................................................................................9-10 Pastel......................................................................................................................................11-13 A musicalidade da Guiné-Bissau.................................................................................................14 Notáveis escritores da língua portuguesa...................................................................................15 Torço, logo sou.......................................................................................................................16-17 The legacy of the Portuguese Acquisition Linkages (PAL) Project.........................................18-19 Timor Leste.............................................................................................................................20-21 Brazilian Indie Cinema ...........................................................................................................22-23

Creative Texts Amos Zeichner.............................................................................................................................24 Jamie Sauerbier...........................................................................................................................25 Paulo Caetano.............................................................................................................................26 Samuel Korgi................................................................................................................................27 Jonathan Yarborough...................................................................................................................28 Jackson Wilkins............................................................................................................................29 Ashlie Forrester.............................................................................................................................30 Kevin Green.............................................................................................................................31-32 Natália Sanchez…...................................................................................................................33-34 Kimmy Lopez................................................................................................................................35 Piera Moore..................................................................................................................................36 Jalen Young..................................................................................................................................37 Tatiana Perecin.............................................................................................................................38 Aciana Head............................................................................................................................39-40 Susan Quinlan (interview)........................................................................................................41-42

Language and Culture The influence of 'Anthropofagy' in Brazilian culture.................................................................43-44 Rede Globo and its power in Brazil...............................................................................................45 Language is (soft) power...............................................................................................................46 De perto da porta (conto).............................................................................................................47 BSA..............................................................................................................................................48 Expressões .............................................................................................................................49-50

FINAL WORDS


FALA AÍ   |   SECOND ISSUE

“The Portuguese Program at the University of Georgia is a decades-old program designed to offer students a well-rounded education not only in the Portuguese language but also in the cultures of the Portuguesespeaking countries. Besides offering a minor in Portuguese, we are also a part of the Bachelor’s Program in Romance Languages, with the option of Portuguese as the major language. Our graduate program also offers a Master’s Degree in Romance Languages, with a concentration in Lusophone Literatures as well as a Ph.D. with two options: Portuguese or Brazilian Literature.” Cecilia Rodrigues, Ph.D, Assistant Professor of Portuguese and Curriculum Coordinator of the Portuguese Flagship Program at UGA

FALA AÍ I  1


Revista Fala Aí

VIDEO GAMES: ARTE E CULTURA Comparados a outras formas de arte, como literatura e cinema, o video game pode ser considerado uma mídia ainda na infância. Enquanto grandes obras literárias vêm sendo escritas há centenas de anos e filmes envolventes vêm sido produzidos há decadas, a grande inovação dos jogos digitais começou a ganhar notoriedade apenas na década de 80, com as grandes empresas japonesas Sega e Nintendo. No início, o video game era apenas um passatempo descompromissado. Exigia a locomoção até uma das raras máquinas de fliperama e uma moeda para jogar por apenas alguns minutos (ou segundos, se suas habilidades não fossem tão boas assim). Os jogos, por sua vez, demandavam apenas coordenação motora e presenteavam o jogador com uma incrível dose de adrenalina momentânea. Produtos como Space Invaders, um jogo no qual o objetivo é destruir o maior número possível de naves inimigas, e o conhecido jogo de labirinto Pacman, marcaram essa geração. No entanto, o público amadureceu, e mudanças se faziam necessárias.

No início da década de 90, muitos jogos se tornaram conhecidos pelo grande público devido a suas histórias envolventes. Era o início da era de ouro dos RPG (do inglês roleplaying games), nos quais o jogador controla um personagem – ou um grupo de personagens – através de uma história repleta de interatividade. A tendência respingou em outros gêneros, como aventura e ação, cujos criadores observaram que já não mais bastava desenvolver um produto ao qual o jogador não pudesse atribuir um significado e um contexto. 02


As equipes cresceram, e videogames se tornaram

Revista Fala Aí

o exemplo de obra multimodal. Artistas gráficos, músicos, dubladores, modeladores 3D, programadores, escritores, diretores, e até atores reais se tornaram parte desse universo. Tudo isso para a criação de uma experiência que visa a imersão e a diversão, por vezes, por longas horas a fio – por exemplo, grandes jogos aclamados pela mídia recentemente podem levar de 10 a 100 horas para serem finalizados pelo jogador. Video games se tornaram, assim, importantes veículos para a cultura. A onda de jogos independentes que iniciou-se há cerca de dez anos deu origem a obras que lidam com culturas específicas. Em Never Alone, por exemplo, o jogador controla Nuna, uma índia Inupiat, do Alaska, em um jogo de plataforma repleto de obstáculos e de informações relacionadas à tribo da personagem. O jogo busca retratar fielmente a cultura Inupiat e apresenta, inclusive, entrevistas com nativos do povo sobre seus costumes e tradições. No contexto brasileiro, obras que buscam divulgar a cultura mundo afora também podem ser destacadas. Em Aritana e a Pena da Harpia, uma índia deve recuperar uma pena de harpia para salvar o cacique (chefe) de sua tribo. Além disso, em Cangaço, o jogador controla um bando de cangaceiros no sertão nordestino. Outro exemplo interessante é o jogo de luta ainda em desenvolvimento Trajes Fatais, que traz personagens com nomes bem brasileiros e caracterizações que remetem à cultura do país, como a dançarina de frevo, o saci e o cangaceiro. Estes jogos são apenas uma ínfima fração do que vem sendo produzido no Brasil em termos de video game, e, apesar de a indústria do Brasil ainda estar dando seus primeiros passos em comparação a grandes centros como Estados Unidos e Japão, tudo indica que veremos cada vez

Rafael Leonardo da Silva Aluno de Mestrado em Learning, Design, and Technology na University of Georgia, atualmente desenvolvendo jogo baseado na obra Iracema, de José de Alencar

mais games brasileiros de qualidade. 03


MOÇAMBIQUE YASMIN

OBROWNICH

Moçambique é um país localizado no sudeste do continente africano e banhado pelo oceano Índico. Sua capital é a cidade de Maputo. Embora a língua oficial do país seja o português, há também outros idiomas nativos, que ao todo somam 43, transformando assim o português em uma língua secundária, usada apenas em conversas oficiais na maioria das vezes. Com uma cultura bastante diversificada, trazendo aspectos de diferentes países, ou até mesmo continentes vizinhos, Moçambique é dotado de uma beleza natural realmente impressionante, tendo belíssimas praias espalhadas pelo país.

Lá também fica o Arquipélago de Bazaruto, localizado ao longo da costa de Moçambique. O arquipélago faz parte do distrito de Vilankulo, na província de Inhambane e traz consigo diversas espécies de animais marinhos, como quatro espécies de tartarugas e também pequenos antílopes, flamingos, pelicanos, lontras, golfinhos e baleias. O Parque Nacional do Bazaruto foi a primeira área de conservação marinha de Moçambique, criado em 1971, e atualmente o arquipélago encontra-se protegido no quadro do parque nacional, o que inclui os corais que envolvem as ilhas, tornando-o a única zona marinha protegida de Moçambique.


Além de suas muitas belezas naturais e cultura alegre, o país nos apresenta a culinária local e seus pratos típicos, como por exemplo o Matapa Com Caranguejo, receita que envolve folhas de mandioca, amendoim, coco e alguns mariscos, bastante apreciada na região sul do país. Xiguinha, um prato feito com mandioca e as folhas de cacana, típico da província Inhambane. Dizem que seu sabor é um pouco amargo, embora há quem defenda que isso só acontece quando a receita não foi bem preparada. Em um país que possui uma grande diversidade de mariscos, é quase lei, tanto para os conterrâneos quanto para os turistas, experimentarem o Guisado de Caranguejo, prato bastante típico local que, além de ser facilmente encontrado, também possui um preço bastante acessível. A receita envolve tomates, pimentas, cebolas, alhos, coco, e claro, o item principal, caranguejo. Há pratos que também são bastante típicos não só em Moçambique, como no Brasil, como o doce de abóbora com coco, peixe grelhado, sopa de mandioca e feijoada.

Infelizmente Moçambique ainda é considerado um dos países menos desenvolvidos do mundo, devido as baixas taxas de PIB per capita, índice de desenvolvimento humano (IDH), desigualdade de renda e expectativa de vida, que estão entre as piores do planeta. Porém, com tantos recursos naturais e poder de produção, com investimento adequado e uma boa administração, o país tem potencial de se tornar um país bem desenvolvido dentro de alguns anos, pois demonstra grande capacidade para isso. E para quem procura uma cultura diferente, com belas paisagens naturais, comidas típicas, gente alegre e muita música, fica aqui a dica para a próxima viagem!

Embora o país seja dotado de riquezas naturais, tendo a economia baseada principalmente na agricultura, o setor industrial, principalmente na fabricação de alimentos, bebidas, produtos químicos, alumínio e petróleo, vem crescendo bastante nos últimos anos, assim como o setor de turismo do país que também está em crescimento. A África do Sul é o principal parceiro comercial de Moçambique.

Fala Aí Magazine

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Riquezas de Minas Gerais LARISSA SANTOS MONTEIRO DE CASTRO

   O estado de Minas Gerais é localizado na região sudeste do Brasil. Minas Gerais é o quarto maior estado do país e o segundo mais populoso - há mais de 20 milhões de habitantes em todo o território. A capital mineira é Belo Horizonte, também famosa por ser a capital dos bares.      Minas Gerais é conhecida por suas riquezas minerais e pedras preciosas; assim sendo, o setor da mineração é um dos mais importantes para a economia local. Além disso, a região é famosa por suas cidades históricas, tais como Ouro Preto, Tiradentes, São João del Rei, Diamantina e Mariana, e pela arquitetura colonial presente nessas cidades.      Outro aspecto muito tradicional do estado é a culinária. A comida é geralmente feita no fogão a lenha e em panelas de barro, o que deixa a comida muito saborosa. Pratos típicos são o feijão tropeiro e a feijoada. Além disso, não podemos esquecer do pão de queijo e do queijo de minas! Os doces também são muito populares: doce de leite,  doce de figo e doce de laranja.

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   Turistas visitam Minas Gerais para conhecer as cidades históricas, fazer trilha nas diversas montanhas do estado, relaxar nas cachoeiras, participar da “Mostra de Cinema” em Tiradentes, ir a Inhotim (um dos mais importantes acervos de arte contemporânea do Brasil, considerado o maior centro de arte ao ar livre da América Latina), e participar do “Comida di Buteco”, em Belo Horizonte, o maior concurso de cozinha de raiz do Brasil.      Não deixem de visitar o estado de Minas Gerais e se surpreender com as suas riquezas. Esperamos por vocês!


THE MUSEUM OF IMMIGRATION IN SÃO PAULO BY JULIANO SACCOMANI

If you are familiar with American history, you know how important Ellis Island was in the turn of the 20th century as the main entrypoint for immigrants to the United States. Nowadays, Ellis Island is not the entry point for immigrants anymore, but it does host a museum that tells the history of immigration in the country. What if I told you that Brazil has a very similar history, and even a similar museum for that matter? It is the Museum of Immigration (Museu da imigração) that is located in the city of São Paulo, the biggest city in the Southern hemisphere. Much like the United States, Brazil was also a developing country in the late 19th and early 20th century. Albeit a slower and unequal development, the country was also the destination for several groups of immigrants.  São Paulo, the fastest-growing city at the time, was the land where immigrants wanted to see their dreams become true, their children grow up healthy, and their lives carried out worry-free. And what nowadays is known as the Museum of Immigration was at the time known as the Hospedaria do imigrante (the immigrant hostel).

This was the place where pretty much all of the processes related to immigration took place: from acceptance of the new incomers, providing a health check, quarantining those who got sick during the three-or-more weeks they traveling by sea, filing proper Brazilian documentation, to lodging during their first couple of days in the country. It served these purposes from its establishment in 1887 to 1978, when it was closed. During the ninety years it was in operation, it served over 2.5 million immigrants from 70 different nationalities who decided to search for a new life in Brazil. In 1993, 15 years after it was closed, the Museu do Imigrante was opened in the same building in order to immortalize the history of such an important place in Brazil. The museum hosts a continuous exhibit of what life was like during the period in which the building started its operations. It has on display pieces of furniture and appliances from the time, as well as some letters that were sent to and from their homelands. What is also of extreme importance is the virtual exhibit they host on their website. There, visitors can find scans of pictures of the museum then and now, newspaper

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clippings that mentioned the place, as well as passenger lists of the ships that entered Brazil. In these lists, one can search for dates certain ships entered the country, the name of the passengers, the number of family members traveling together, as well as any other important information that is listed on them. For this reason the website has proved to be a very reliable source of information for Brazilian citizens working on the documents necessary for them to apply for the citizenship of the country where their family members came from.

Visiting the Museu da imigração is like going back to a time when Brazil was in a very optimistic and fast path to modernization.

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The building is located in the heart of the Mooca neighborhood, in itself a place known for historically being where immigrant families decided to stay. The building is on such a large piece of land that the noises from the city seem to be locked outside of the gates, which helps with the ambience of early 20th century. As people from the 21st century, we can see what these first immigrants had to go through in order to help build a strong and lively city that certainly helped their hopes and dreams come true as well.


W R I T I N G L I G H T S JEAN COSTA

MY SONGS HAVE ALWAYS BEEN A REFLECTION OF WHAT I EXPERIENCE IN LIFE I have been writing songs since I was fifteen years old. Back then, I knew nothing about the music industry or online streaming, so music was basically the way I found to express my feelings: my guitar was my therapist, and my lyrics were pages off my diary.       I have always found it easier to express my feelings in another language, so every song I have ever written is in English. Some people ask me why. My answer is always the same: somehow, words seem more distant, yet, more powerful.         When I was 21 years old, a close friend dared me to upload one of my songs to YouTube, and I accepted the challenge. I released a pop ballad called “Something Isn’t Right”, whose reception exceeded all my expectations. One thing led to another and what started out as a joke resulted in two albums and eight singles.         I spent three years working on my music: writing, producing, mixing... Everything was up to me! My second album, “Lands of Forever”, demanded so much from me that I promised myself I would take a long break from making music after I was done recording. And so I thought! My songs have always been a reflection of what I experience in life, and life had different plans for me. I got into a dark place because of someone I was trying to forget, and so I wrote several songs while trying to make sense of the mess I was in. One of them was “Lights”.

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YOU CAN LISTEN TO LIGHTS AND OTHER SONGS HERE

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    The idea came to me in the most unlike way. It was a Saturday, I got home from work and was doing the dishes when this beat starting playing in my head. I had learned never to ignore an instinct, so I picked up my phone and recorded a voice memo. I still have it with me, and it is funny to listen to yourself humming a song while water is running from the tap.         I spent the rest of that day working on the lyrics and, when the song was ready, I invited three friends over for dinner. I played them “Lights” on my guitar. Two of them cried, and that's when I realized what I had in my hands. That song was bigger than me, and I needed to share it with others.         “Lights” was much more complex than anything I had done before, so I knew I would need professional help to produce it. I called a studio and scheduled a meeting. To be honest, working on a song at a professional studio is an experience I wish everyone could have! I sat down in front of a music engineer who gave me a guitar and told me to show him what I had. He heard my song once, took the guitar from my hands, and played it back to me changing the key from G to A. I remember him saying “You can hit higher notes if you want to”. That was also the first time someone coached me as a singer as well.         When “Lights” was ready, I received an email with the file, and I remember crying when I first heard it. I had a hard time believing it all had come out of my head. My friends helped me shoot a video and, once it hit YouTube, it became my number one single in a few hours. It also became my most played track on Spotify.         Since I moved to the US, talking about my music has been an interesting experience. Back home, people would get the gist of my songs because of the lyrics in English, but here, “Lights” is clear to all those who hear it. On the one hand, I feel incredibly exposed and slightly uncomfortable. On the other hand, I am thrilled to see so many people relate to something I wrote. Writing and performing a song in front of people who fully understand what I am saying means that I need to be brave. Braver than I have ever been.         I wrote “Lights” as a reminder that everything ends: everything you love, and everything that causes you pain, but life is about turning bad experiences into something inspiring. We can choose to live in the dark or to be light we need.


ANNA ADAIR

Pastel A HISTORY OF IMMIGRATION, LANGUAGE, COLONIZATION, AND FOOD CULTURE, AS REFLECTED IN THE PASTEL

What’s in a name? The name of the pastel Food history and culture is a fascinating

comes from Portugal and is tied to the

subject, and one item that has captured my

Portuguese language and the history of

personal interest is the Brazilian pastel and

colonization in Brazil. This is obviously the

its complex ties to Brazilian history,

first link of pasteis to the rest of the world,

language, colonization, and food culture. In

but there are other interesting things to note

short, looking at this one food can tell us a lot

with this history. Prior to the Napoleonic

about Brazilian history and society.

invasion, Portugal used Brazil mainly as a way to generate money for the Portuguese

To start, in a Brazilian context, the pastel is

crown (not necessarily a colonial site, at least

known as a salgado, or more of a salty, savory

initially). By far, the biggest profits for

treat (in Portugal, by contrast, a pastel is

Portugal at this time were the those

more sweet, like a pastry). It is essentially

generated by sugar plantations. The slaves

wheat flour dough filled with meats, such as

learned to ferment the run-off that occurred

chicken or beef, but also vegetables, hearts of

during the process of creating refined sugar.

palm, and olives. This wonderful pocket of

What did this create? Cachaça! Through just

delicious-ness is then fried with oil and

exploring one ingredient of pasteis, we have

cachaça.

already discovered a major point in Brazil’s history as a colony.

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FALA AÍ

There are several theories, but I’ll start with the most likely. If we look back at the years 1908-1941, we learn that 189,000 Japanese immigrants arrived in Brazil, with another 50,000 after World War 2. These immigrants later moved from rural areas to the city of São Paulo. Creating niches in the city and wanting to have reminders of home, it is widely believed that it is in these communities the pastel came to be, as an attempt to create a gyoza in a Brazilian context. The availability of wheat flour (rather than the more widely available mandioca flour) in Sao Paulo and the waves of Japanese immigration to the same area give this theory a lot of credibility. It is more than likely that the pastel is a symbol of a transfer of food culture to a Brazilian context. Are there other theories? Absolutely. Some say that the pastel is just a Brazilian interpretation of a food well known in other parts of Latin America: the If we explore another ingredient of pastel, the wheat

empanada. While this is a plausible theory,

flour, we can also continue our narrative of Brazilian

something important to note is that empanadas are

history. With the transfer of the Portuguese crown to

baked, while pastéis are fried. A more interesting (as

Brazil came a huge influx of settlers. These settlers

well as more unlikely) theory is that the pastel is a

brought their respective food cultures, namely an

Brazilian manifestation of an Indian samosa. So why

appetite for meat and wheat. At this time in Brazil

is this theory even considered? In India’s state of Goa,

manioc flour was the only flour available, and meat

there is a history of Portuguese colonization. An

was scarce, as it was only available to skilled hunters.

exchange of food cultures did occur, as Portugal has

Today in Brazil most wheat flour is only grown in the

their own version of samosas, called chamuça. While

south of Brazil, including areas of São Paulo, which

the theory is that chamuças/samosas were brought

will be touched on later. So an interpretation that

to Brazil by settlers and then called them pastéis,

we can draw from the use of wheat flour and meats

this is not likely. So what is the point?

in pastéis is reflective on waves of European immigration, as these ingredients were not widely available in Brazil previously. But explaining the origins and demand of ingredients for pastéis (wheat, meat, flour, cachaça) does not explain the creative combination of these respective foods. So who came up with pastéis?

the use of wheat flour and meats in pastéis is reflective on waves of European immigration


FALA AÍ

The point of considering these theories is not to figure out the “one true source” of this food, but to show the amazing complexities of the history of Brazil. The fact that we have to consider these other theories, and that there are debatable arguments behind them, only shows how tied to the world Brazil is, in terms of language, colonization, immigration, and food culture. In short, the word pastel is linked to Portuguese language and colonization in Brazil. Cachaça, an ingredient used to make it, ties to history of sugar and slavery in Brazil. The utilization of wheat over farinha de mandioca as well as increased meat consumption reflects the changing food cultures that were already taking place. The most likely theory that pastel is the Brazilian version of a gyoza similarly reflects these changing food cultures, the history of Japanese immigration in Brazil, and the adaptation of their food cultures in a Brazilian context. Finally, the other debatable theories show how linked Brazil is in terms the rest of Latin America, Lusophone countries, and even a part of India! I hope through reading this, you have gained a new perspective on food. Whether you have the chance to travel to Brazil and eat a pastel, or drive to the nearest restaurant, my goal through this research is to encourage you to keep your minds open and always curious, ask why this food is here, where did it come from, and what can it tell me about the country it’s eaten in? Don’t write off food as “exotic” or “foreign,” but appreciate the value and the ties to the rest of the world, including your country, that it has. Let’s appreciate what we and others eat, learn the history of the country through the history of its food, and realize that sometimes the unintended consequences of major events in history are the tastiest!

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A musicalidade da Guiné-Bissau Felisberto Indequem Nhode

Percebe-se que no que tange à música, o povo africano sempre apresentou uma característica invejável, com suas danças espontâneas, uma alegria nítida de expressão nas letras sempre vem carregada de ditos que referem o cenário escasso em que muitas das vezes se encontram.   Essas manifestações culturais são realizadas em momentos especiais, como em colheitas, casamentos, funerais, cerimônias de iniciação (práticas de circuncisão); enfim, são as danças tradicionais por isso, e dentre elas destaca-se o ritmo “Tina” da Guiné-Bissau.     O ritmo “Tina” tem colaborado muito para a união dos membros das diferentes comunidades no país, formando assim a “mandjundade” (amigos de grupo), uma amizade forte, regida pelos laços do grupo em prol do bem para todos.

   Tendo o nome oficial do país República da GuinéBissau, fica na costa ocidental da África. Assim como outros países, foi colônia de Portugal. O país europeu colonizou a Guiné-Bissau desde o século XV até sua independência, em 24 de Setembro de 1973, e que foi reconhecida internacionalmente em 1974.      A Guiné-Bissau tem preservado o ritmo “Tina” como um diferencial, mantendo-se seu gênero musical tradicional ou folclórico que em várias ocasiões os participantes apresentam uniformizados entoando suas canções e danças.       O instrumento principal desse ritmo é a cabaça ou apenas “kabaz”. É importante salientar que a cabaça ou simplesmente "Kabaz" em criol, -uma das línguas mais faladas em Guiné-Bissau, foi um dos primeiros instrumentos musicais da Guiné-Bissau.      O instrumento é usado de forma muito rápida, o que faz com que sejam produzidos sons que despoletam várias danças ritmadas porém paulatinamente, eles estão sendo inseridos na música moderna do país.      O instrumento é um idiofone percutido, também conhecido por tambor de água, é constituído por um recipiente cilíndrico, quase cheio de água, onde se encontra a boiar uma cabaça oca. É tocado batendo-se com a palma da mão na cabaça, produzindo um som grave, de grande intensidade.

Felisberto é bacharel em administração e tem um pós-MBA em Gestão de Negócios.

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Notáveis escritores da língua portuguesa

Luís Vaz de Camões

Camões, conhecido como o imortal glorificador de Portugal, decidiu escrever, poeticamente, a grandiosa viagem de Vasco da Gama e todos os incidentes que cercaram sua aventura até o desconhecido e misterioso Oriente. De forma surpreendente, é Vênus, a deusa do

Entramos, assim, no Renascimento, o

RODOLFO P. PASSOS

tempo de Luís Vaz de Camões. Estamos no período de transição da mentalidade medieval para a

Nossa história começa na metade do século XV, no ano de 1453, para sermos mais exatos, quando o comércio de especiarias realizado na Europa, através do Mar Mediterrâneo, foi bloqueado pelos turcos, após a conquista da cidade de Constantinopla (atual Istambul, cidade mais populosa da Turquia).

mentalidade moderna; o homem deseja agora conhecer e explicar o mundo por meio da razão, em vez de acreditar em um mundo centrado em Deus (teocêntrico) e explicado pela fé. Era preciso, de forma revolucionária, construir um mundo apenas pautado nos conhecimentos humanos.

amor e da beleza, quem faz a defesa dos heróis da epopeia; ou seja, Vênus é a mulher divina, protetora dos portugueses, enquanto o deus Baco, o deus do vinho e da alegria, se coloca contra os lusos em sua viagem. Na mitologia, Baco já havia conquistado primeiramente as Índias e o Egito, ensinando agricultura aos seus habitantes, e foi o primeiro a plantar uma vinha. Por isso se colocou contra os lusos, pois temia que as suas antigas conquistas fossem esquecidas, diante das novas

Nessa época, o comércio de especiarias (temperos como cravo, canela, pimenta) e outros artigos de luxo com o Oriente era extremamente vantajoso para ricos comerciantes europeus. Navegando pelo Mar Mediterrâneo, estes comerciantes, oriundos principalmente de Gênova e Veneza, recebiam os produtos orientais e depois os revendiam por altos preços na Europa. Com o bloqueio do comércio nesta região, os europeus necessitavam com urgência descobrir novas rotas para chegarem até o Oriente.

Luís Vaz de Camões, dentro deste

começou a escrever a sua maior obra, “Os Lusíadas”, uma epopeia clássica de acordo com o padrão formulado por Homero, mas com o grande intuito de compor a saga dos heróicos portugueses, na viagem de Vasco da Gama às Índias. O sonho de Portugal de chegar ao Oriente foi, de fato, alcançado, em 1498, por Vasco da Gama: comandando uma frota de apenas quatro navios, os heróis cruzaram o “Cabo da Boa Esperança” (cabo sul-africano conhecido antigamente como o “Cabo das Tormentas” por conta de

Portugal foi o primeiro país da Europa a se lançar às grandes navegações no século XV. Com uma

conquistas dos portugueses.

espírito humanista de ousadia,

seus enormes perigos e monstruosas tempestades) e atingiram, por fim, a cidade de Calicute, nas Índias.

No mundo de Camões, o Amor é a força unificadora do universo; a imersão do mundo pagão, o poder erótico, o lirismo e a visão mitológica influem decisivamente em sua concepção de Beleza. Nota-se, como coroamento, a criação da ilha de Vênus, a ilha dos amores: em sua viagem já de regresso, Vasco da Gama encontra esta magnífica ilha como uma espécie de recompensa aos homens por seus esforços, isto é, pela grande vitória dos portugueses. Luís Vaz de Camões, portanto, criou a obra mais elaborada da Literatura Portuguesa de todos os tempos e descreveu a maravilha dos novos mundos que se abriam para o homem

posição geográfica privilegiada e

renascentista, transfigurando

assumidas características de um

poeticamente a sua mais aguda

Estado absolutista, Portugal passou a

percepção do maravilhoso real. Ou

adotar uma prática mercantilista que

seja, incluiu em sua obra a visão do

atendia tanto aos interesses do rei

mundo humanista e pagão, do

quanto aos interesses da burguesia,

mundo divino (mitológico e cristão) e,

no que se refere ao acúmulo de

por fim, a inclusão que mais desejou:

capitais. Desta forma, este pequeno

o evento maravilhoso do Amor.

país começou a aventurar-se em busca da glória por “mares nunca dantes navegados”.

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TORÇO, LOGO SOU PEDRO G. BOMBONATO

O futebol faz parte da minha vida desde antes do meu nascimento. Sou o terceiro de uma geração de corinthianos (assim são chamados os torcedores do Corinthians, um dos maiores times do Brasil), e minha introdução ao “corinthianismo” começou ainda na barriga da minha mãe, época em que eu dava meus primeiros chutes, não na bola, mas no útero. Confesso que nunca fui um grande jogador (talvez nem um médio...), embora tenha praticado com bastante frequência durante anos – dos 10 aos 16, provavelmente, tenha jogado todos os dias. Por essa falta de habilidade e aptidão, acabei tendo de sufocar o sonho de quase todo brasileiro de um dia ser jogador de futebol; o torcer já me bastava – E como! Lembro-me de que, com cerca de cinco anos, meu pai já me colocava para assistir repetidas vezes à gravação de um dos

Histórias como a minha são muito comuns em

jogos da final de um campeonato disputada

todo o Brasil. Torcer por um time de futebol é

entre Corinthians e Palmeiras, grandes rivais

parte fundamental da identidade de cerca de

históricos. Aliás, durante muito tempo, pensei

80% dos brasileiros, como mostrou uma

que tínhamos conquistado aquela final, pois

pesquisa recente divulgada pelo jornal “O

meu pai me ocultara o jogo decisivo, vencido

Globo”. normal, por aqui, perguntar o time da

pelo Palmeiras.

outra pessoa em uma conversa informal.

FALA AÍ | 16


FALA AÍ

Em muitos casos, a devoção a um time tem contornos religiosos, de modo que há quem chame de ateu quem não torce por time algum. Assim, não somos apenas professores, médicos, advogados, psicólogos, engenheiros... Somos corintianos, palmeirenses, atleticanos, cruzeirenses, flamenguistas, vascaínos etc. Falamos na primeira pessoa quando nosso time joga... “Ganhamos”, “Perdemos”, “Empatamos”. Nós não só amamos nosso time. Nós SOMOS nosso time. Essa relação especial entre fã e time é bem demarcada pela palavra “torcer”, que vem de um antigo costume que os primeiros espectadores tinham de abanar, torcer e contorcer pedaços de pano para incentivar seus respectivos times. Mas para além dessa conotação etimológica, “torcer” representa bem nosso comportamento diante de um jogo da nossa equipe. Torcemos e nos contorcemos com a emoção que a partida nos causa, talvez buscando a mesma intensidade física enfrentada pelos jogadores. Em contrapartida, o extremismo da relação do brasileiro com o futebol também apresenta aspectos negativos, como, por exemplo, a monopolização de investimentos governamentais ou mesmo privados direcionados a esse esporte, que, ao longo do tempo, foi contribuindo para a construção da imagem do Brasil como um país monoesportivo: “o país do futebol”. Outra consequência da qual não nos orgulhamos é a violência nos estádios ou arredores, principalmente, em dias de grandes jogos, pois ainda estamos distantes de uma solução definitiva para o problema. Problema esse que também é reflexo de graves carências sociais ocasionadas, sobretudo, pela desigualdade econômica que, apesar de ter diminuído na primeira década deste século, ainda está distante de acabar. Por fim, torcer, no Brasil, é fundamental. É, para alguns, ser. É mais do que ser fã ou do que simplesmente assistir ao nosso time jogar. Torcer nos faz sentir importantes no jogo. E é tão importante que aquele menino de cinco anos, que já torcia de modo fervoroso pelo Corinthians, acreditava, ingenuamente, que uma pessoa não poderia ser feliz se não tivesse um time de coração. Hoje, esse menino, não menos ingenuamente, se pega pensando que talvez goste mais de torcer do que do próprio futebol.

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THE LEGACY OF THE PORTUGUESE ACQUISITION LINKAGES (PAL) PROJECT BY SILVIA SOLLAI AND VIVIANE KLEN-ALVES The Portuguese Acquisition Linkages (PAL) Project was begun through a grant from the National Security Educational Program. It was aimed at addressing the long-standing need for a cutting-edge, standards-based Portuguese Program that would prepare late-start high school students for a global society, according to the five world-readiness standards of the American Council on the Teaching of Foreign Language (ACTFL), also known as the 5 C's: Communication, Cultures, Connections, Comparisons, and Communities. During the two years of the PAL project, a thorough survey about Portuguese Programs in K-12 schools nationwide, a series of professional development 

opportunities for Portuguese teachers, and a Portuguese Year One curriculum converged to realize the ultimate goal of increasing students’ opportunities to enter UGA’s Portuguese Flagship Program at the ACTFL Intermediate Mid (ILR 1) to Advanced Low (ILR 2) proficiency levels. After six months of data collection and interviews with Portuguese teachers and World Language Coordinators, the National Portuguese Program Survey results revealed more than one hundred K-12 schools in the U.S. that provide Portuguese language instruction in 10 states: Georgia, Florida, Utah, Rhode Island, Massachusetts, Maryland, Texas, Connecticut, New Jersey, and California. Among them, we found out there are Portuguese as


Foreign Language and Portuguese for Heritage Speakers courses, Portuguese for Native Speakers, Portuguese for Specific Purposes, FLES/ FLEX (Foreign Language Experience - just exploratory), FLES (Foreign Language in elementary, contentbased or not, total or partial immersion), Honors, College Preparatory (CP), and International Baccalaureate Portuguese, Cambridge (Pre) Aice, Portuguese 1 to 6, and Portuguese ESL. This data complements the American Councils for International Education’s national enrollment survey of K-12 language programs. PAL took the additional step of personally interviewing teachers and administrators in identified Portuguese programs in order to determine what curriculum materials, assessment tools, technological resources, and pedagogical approaches are being used at the various instructional levels offered. In the state of Georgia, PAL conducted a student survey and administered the ACTFL Assessment of Performance toward Proficiency in Languages (AAPPL) assessments. Both initiatives provided an accurate picture of the teaching-and-learning of Portuguese in GA, in addition to students’ demographics, language background, and motivational factors. While gathering all this data, the PAL team organized professional development opportunities for a number of Portuguese teachers in the U.S. During the retreats (2016 and 2017), the teachers learned about the PAL Project Late-Start Portuguese Framework, performance and proficiency, Integrated Performance Assessment, curriculum alignment, and backward design so as to promote state-of-the-art Portuguese instruction nationwide through a Portuguese Year One - Novice High (NH) and Intermediate Low (IL) - Curriculum. Although PAL’s activities ended in March, its legacy will be sustained by other UGA initiatives. It will also remain strong in the Portuguese Flagship Program and in the schools that choose to use PAL’s curriculum to teach young adults how to interact effectively in Portuguese in unrehearsed, unfamiliar contexts. 

We also conducted in-house and external recruitment through digital communication and email boosts to teachers and schools all over the U.S., cultural events, students’ fairs, schools visits to UGA, school testing, and cultural presentations that disseminate information about the only Portuguese Flagship Program in the nation. If we did not connect with you but you want to learn more about PAL’s legacy and the Portuguese Flagship Program, please contact us! Our website:

                          portflagship.org To access the finalized frameworks and proficiency targets: http://www.portflagship.org/linkages/ Obrigado, The PAL Team Dr. Robert Moser Kathleen Schmaltz Viviane Klen-Alves Sílvia Sollai

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TIMORLESTE    O país asiático ocupa a parte oriental da ilha de Timor, e uma de suas únicas fronteiras terrestres o ligam à Indonésia, embora também tenha a fronteira marítima com a Austrália. A capital do país é Díli, situada na costa norte.      Rodeado de montanhas, o país possui um clima tropical com duas estações anuais, determinadas pelo regime das monções.      Timor-Leste também está entre os países mais jovens do mundo, e os idiomas oficiais do país são o tétum e o português, embora a língua indonésia e a inglesa também estejam presentes, consideradas como línguas de trabalho.

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Fala aí


A ORIGEM DO TIMOR-LESTE: A LENDA DO CROCODILO      O pequeno país de clima tropical tem uma lenda bastante difundida sobre sua origem. Vale lembrar que Timor-Leste tem uma forma especial, que lembra bastante um crocodilo nadando, o que originou tal lenda.      Segundo contam, em tempos antigos, na ilha Celebes, vivia um crocodilo muito velho que já não mais conseguia caçar peixes no rio. Certo dia, com muita fome, o crocodilo decidiu-se aventurar pelas margens em busca de algum porco distraído que lhe servisse de refeição.      Andou e andou até cair exausto e desesperado, ainda com fome e agora sem forças para retornar à água. Quem lhe ajudou foi um simpático e robusto rapaz, que com pena o arrastou pela cauda. Em troca do favor prestado, o crocodilo ofereceu-se para o transportar às costas sempre que quisesse navegar.       E assim começaram a viver juntos.

   Mas apesar da amizade que sentia pelo rapaz, o crocodilo novamente teve fome, e então lhe surgiu a ideia de comer o amigo. Antes, porém pediu a opinião dos outros animais que se mostraram indignadíssimos com isso. Devorar quem o salvara? Que terrível ingratidão!      Envergonhado e cheio de remorsos, o crocodilo resolveu partir para longe e recomeçar a sua vida onde ninguém o conhecesse. Como o rapaz era o único amigo que tinha, chamou-o e lhe disse:      - Vem comigo à procura de um disco de ouro que flutua nas ondas perto do lugar onde nasce o sol. Quando o encontrarmos seremos felizes.      Mais uma vez viajaram juntos, agora desbravando o mar que parecia não ter fim, mas, a certa altura, o crocodilo percebeu que não podia mais continuar. Exausto, deteve-se na intenção de descansar apenas um instante, mas, logo que parou, o corpo transformou-se numa ilha maravilhosa.

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BRAZILIAN INDIE CINEMA ELIS

SOARES

She comes back on Thursday (2015) by André Novais Oliveira

   When people talk about Brazilian cinema, one is most likely to hear of films like Elite Squad (2007), City of God (2002) or Doidas e Santas (Crazy Women, Saint Women 2016). Despite the merit of entertaining and seducing millions of spectators worldwide, movies like these reinforce stereotypical views concerning racial and social issues, women and gender identity and promote the spectacularization of violence.      Fortunately, a growing number of outstanding independent films has been fighting the battle against the difficulties of distribution faced by lower budget movies. In 2009, André Novais Oliveira, Gabriel Martins and Maurílio Martins founded Filmes de Plástico, a film production company that has been releasing fictional, experimental films and documentaries in which spectators can see a beautiful, socially diverse and non-stereotypical representation of life. Olivera’s She Comes Back on Thursday (2015) uses blurred lines between fiction and reality to depict ordinary people from a peripheral neighborhood in Contagem, Minas Gerais – interpreted by his own family, in their actual house.

   Nothing (2017), starred by the black actress Clara Lima and directed by the black filmmaker Gabriel Martins, makes us think about the needs imposed by the current educational system and the contemporary societies in general, in a way that even people at a very young age are compelled to make life decisions. Constellations (2016), directed by Maurílio Martins and starred by the black actor Renato Novais Oliveira and Stine Krog-Pedersen, beautifully shows an accidental encounter between two strangers sharing the same ride.      Another important initiative towards fostering Brazilian independent cinema was the creation of the platform AfroFlix, founded by Yasmin Thayná, a 24year-old black filmmaker from a semirural area of Nova Iguaçu, Rio de Janeiro state. In 2015, she directed Kbela, produced with crowdfunding resources, portraying the experience of women overcoming racial oppression and identifying themselves as black.


In 2016, the creation of AfroFlix was a response to the difficulties of distribution, with the goal of facilitating the streaming of films made by and/or starring black actors. Some of the titles on AfroFlix are already available with English subtitles.    The filmmaker Allan Ribeiro, in his This Love That Consumes (2012), shows the struggle of an Afro-Brazilian dance company for their right to exist as individuals and artists, securing the house where they live and rehearse in Rio de Janeiro. Ribeiro gives voice and representation to people who do not often occupy significant nonstereotypical places in mainstream media: poor queers, blacks, immigrants, homeless people.      An obvious but essential question that encompasses the points discussed here is why is it so important to see underrepresented populations increasingly occupying powerful positions such as filmmakers and actors on the big screen? I would personally say that it helps spectators – not only underrepresented groups – internalize the feeling that life is way beyond the standards prevailing in mainstream cinema. It gradually does the tough job of liberating people from values, models of attitude, success and appearance that at the end of the day make them unconsciously feel inferior, incomplete and uncapable of achieving standards of success presented in most mainstream films. 

   If you are interested in the Portuguese language and/or Brazilian culture, I believe that seeing films like these is quite an interesting way to learn more about them, building your own experience with these works of art. Although most Brazilian lower budget films cannot be found in the United States yet, you can currently find some great movies with subtitles in English available on different online platforms. The titles below include various films that garnered multiple prizes in Brazilian and international film festivals.

Short films by Filmes de Plástico Fifteen (2014 – Maurílio Martins) Rhapsody for the Black Men (2015 Gabriel Martin) Ghosts (2010 – André Novais de Oliveira) Backyard (2015 – André Novais Oliveira) Dona Sonia Borrowed a Gun from her Neighbor Alcides (2011 – Gabriel Martins) About a Month (2013 – André Novais Oliveira) Amazing World REMIX (2014 – Gabriel Martins) The Inside (2010 – Gabriel e Maurílio Martins) At the End of the World (2009 – Gabriel Martins)

Elis Soares is a Fulbright Teaching Assistant at Spelman College

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EU O TOCO. A MÃO TÃO MACIA E QUENTE, O OMBRO ÓSSEO; “ELE NÃO FALA HÁ SEIS DIAS... ELE NÃO SENTE NADA... ELE DORME.” EU SEI QUE ELE LUTA, ELE SEMPRE O FEZ; A RENDIÇ ÃO TEM OUTRA CARA. ESPERAR! O PEITO QUE SOPROU, A RESPIRAÇÃO QUE SIBILOU: ELES PARARAM; MEU DEUS! ESPERAR! VEJA-ME! EU ESTOU AQUI! AO SEU LADO – COMO SEMPRE! SEGUNDOS SÃO O PERÍODO DE ANOS O RITMO DA VIDA REAPARECE; ELE TEM ESPERADO? EU COM LÁGRIMAS; ELE TEM? DE ONDE VEM A DOR COMO UMA LANÇA? PERTO DELE EU GRITO: PAI! VOCÊ CHAMOU. ESTAMOS AQUI, JUNTOS! OLHOS RASGADOS ABERTOS, C INZA EM BUSCA DE AÇO, EMBOTADO PELA BATALHA, PELO DESCANSO; DESCANSA, MEU PAI! ELE PROCURA MAIS UMA VEZ, AGORA COM MEDO E DESESPERO. SEM SOM, SEM RESMUNGAR, APENAS EM SEU MUNDO INTERNO.

NOITE. O CORPO SE PREPARA PARA UM MUNDO SEM LIMITES; NÃO HÁ NECESSIDADE DE MÚSCULO, OLHO OU OSSO; NÃO HÁ NECESSIDADE DE CARNE NEM LÍNGUA; APENAS A ALMA EM BUSCA DO SENTIDO DA VIDA QUE ERA. O LENTO GOTEJAMENTO DA DOENÇA ACELEROU ABAFADO O RUÍDO CONSTANTE DA CORRIDA DA VIDA. DIA E, ENTÃO, NOITE NOVAMENTE; ELE APERTOU MINHA MÃO? EU O ACARICIO; ELE SABE? TENHO DESPREZO PELA VIDA APRESSADA: “LENTA, ESPERA, ESPERE!” – VOCÊ VÊ A PAREDE VAZIA DE FRENTE PARA NÓS? ESTÁ PRÓXIMA E FECHANDO-SE. POR FAVOR, DEIXE-O IR, QUEM QUER QUE VOCÊ SEJA; NÃO ATRASE! MEU GRITO É ENSURDECEDOR EM SEU SILÊNCIO. SUA RESPIRAÇÃO ESTÁ SUFOCANDO EM SEU MURMÚRIO TUDO É GROTESCO; FEC HO MEUS OLHOS PARA VER AQUELE QUE EU CONHECI. NOVAS FORMAS, TEXTURAS, SONS E ODORES EU TENTO LIGAR O PASSADO E O PRESENTE; MAS TUDO FALHA – A MORTE AMIGÁVEL-FEIA ESTÁ AQUI. MADEIRA IMÓVEL, O TIJOLO E O METAL SENTEM-SE VIVOS, ENQUANTO UMA C ONCHA FINA E TRANSPARENTE ESTÁ AINDA ESPERANDO. NENHUM RITMO, NENHUM GOTEJAMENTO, NENHUM PULSO; A VIDA CONGELOU. EM MOVIMENTO EM PONTOS INFINITOS EU VEJO ATRAVÉS DA PELE; O RIO PAROU E É O PRIMEIRO DIA DO ÓRFÃO. EU NINO A CONCHA COMO UMA CRIANÇA – LEVE E AREJADA; ELE É MEU PAI E EU SOU SEU FILHO; ELE SE FOI E EU SINTO FALTA DELE AGORA.

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ZEICHNER

VOCÊ ESTÁ TENTANDO DIZER ALGO, SOANDO COMO “ADEUS?” OS LÁBIOS EM MOVIMENTO E AS SOBRANCELHAS REVELADORAS, O SORRISO IMAGINADO SOLTE MINHAS LÁGRIMAS SILENCIOSAS E FRESCAS, PARA ALIVIAR A DOR, TANTO DELE QUANTO DE MIM: FUI NOTADO!

AMOS

PALAVRAS NÃO SÃO IMPORTANTES. ESPERANÇA, AMOR, CUIDADO, PROTEÇÃO, TUDO PARA VOCÊ; TENHA PIEDADE DE MIM! PRECISO DE UM SINAL! VOCÊ SEMPRE OFERECEU PALAVRAS SONORAS E SOM PARA ACALMAR MINHAS PREOCUPAÇÕES…

ADEUS, MEU PAI

CAMA BRANCA E PAREDES VERDES NÃO COINCIDEM NA HORA DA MORTE. OS CORPOS RECLINÁVEIS SUSPIRAM NA DOR E NO RELEVO QUANDO UMA ÚNICA CAMA NO CONFORTO SOLITÁRIO DE UMA SALA PRIVADA ESTÁ RANGENDO EM SEU CAMINHO A PARTIR DAQUI. CONHEÇO-O MUITO BEM: SOBRANCELHAS, NARIZ, BOCHECHAS, BOCA, QUEIXO, O PEITO LEVANTADO TÃO FAMILIAR.


I

M I N H A E X P E R I Ê N C I A N O B R A S I L JAMIE SAUERBIER

 Imagine que você é uma celebridade. Todo mundo está te olhando e tirando fotos. Você se sente como um estrangeiro num lugar no qual você considera ser parte do seu coração. Isso é exatamente o que aconteceu comigo quando eu fui pela primeira vez para uma cidade muito pequena que se chama Codó, no estado de Maranhão, no Brasil. Essa foi uma experiência que expandiu minha mente, que antes era pequena, a novos horizontes. Agora eu vou contar a história sobre uma Americana em um lugar onde as pessoas nunca antes haviam visto outros Americanos.    Cheguei no Aeroporto de Teresina e depois fui para Codó. A cidade em si era como uma grande família. Eu me senti aceita pelas pessoas que me receberam como hóspede. Quando eu fui para outras partes das ruas, as pessoas ficavam olhando diretamente para mim, com tanta intensidade que jurava que elas estavam prestes a quebrar os pescoços. Houve uma vez que eu cheguei numa aula de culinária, e uma menina me perguntou de onde eu era. Eu respondi "eu sou da América", e ela, ao ouvir de minhas origens, ficou chocada demais! O foco das pessoas que estavam participando da aula mudou-se para mim e toda a turma ficou em um silêncio atormentador. A garotinha pediu o meu telefone (zap) e o meu perfil do “Face”.

   Muitas vezes, quando fomos para Barreirinhas e Lençóis Maranhenses, precisei me esconder para evitar que os trabalhadores das empresas turísticas me cobrassem a mais só pela minha nacionalidade. As pessoas sempre diziam que eu parecia uma boneca, uma branquinha. A maioria das pessoas do Maranhão são pobres. Eles não têm acesso suficiente a wifi ou muitas outras coisas modernas. Eu vi os efeitos de um país de terceiro mundo. As ruas eram muito sujas e haviam muitas casas bagunçadas. Os cachorros e gatos vira-lata sempre andavam na rua implorando por comida, e eu vi muitas mulheres que não tinham acesso a medicações usadas para prevenir gravidez.      Mesmo com os problemas de pobreza, este lugar hoje fica dentro do meu coração. Codó realmente me ajudou a ver a beleza e natureza do Brasil, a simples felicidade que exclui as complicações da vida. As pessoas animadas, felizes e simpáticas podem existir em qualquer lugar. Aprendi que viver uma vida mais simples é melhor do que viver uma vida chique ou rica, e levarei esse conhecimento adiante para tornar minha vida mais feliz!      Obrigada por ter lido minha história!


SAGUAROS

OU ODE À SOLIDARIEDADE DOS POVOS POR PAULO CAETANO Quem são os Saguaros? Saguaros são raros, Saguaros são caros,

O Saguaro, lento em sabedoria Calmamente, Saguaro adiantado Saguaro quente, na noite mais fria

Saguaros são mais caros que carros raros, Saguaros são mais raros que carros caros, Saguaros duram mais que carros duros

Não se cerca Saguaro com muro Pois Saguaro é raro, caro e puro Dentro ou fora, Saguaro é seguro Fora e dentro, puro Saguaro duro

Saguaros são raros, duros e puros Caros, são contra nada e ninguém Nenhum inimigo o Saguaro tem Saguaros contêm água no nome Saguaros levam águas dos rios Saguaros quentes, Saguaros frios Quem mais tem nome tão raro? Nome tão nobre quanto Saguaro? Que nome é esse tão caro? Que enche os versos do poeta? Que silencia o ruído da cidade? Que inspira a palavra correta? Que de ninguém é propriedade? O mundo com pressa, atrasado

26 | FALA AÍ

Na planície mais Sonora Saguaro quieto aqui agora Ninho de pássaro errante Grande abrigo, Saguaro chora Da ave que voa sem ninho Da gente que anda sem rumo Saguaro, luz no caminho Saguaro sem fronteira, sem muro Saguaro presente, passado e futuro Saguaro caro neste mercado, Em que nada é vendido ou comprado Saguaro coleta gotas do tempo Recolhe feliz as águas do vento Passa tudo e o Saguaro fica Que ser é esse, alguém explica? Paulo Caetano is a Professor at Universidade Federal de São João del-Rei and taught at UGA as part of a partnership between the Flagship Program and his institution.


Flagship Moments

SAMMY KORGI

In that moment, I felt freedom, with the wind and the sun working together to reflect their power on me and the flag. I was overjoyed, and I knew I was in the right place at the right time. It was a gratifying feeling. I was meant to participate in the Portuguese Flagship Program in Brazil; I’d say it was destined to be, something, inevitably in the making. I left the country in 2010, feeling not only like I wanted to return, but with a sense of feeling pulled back. Deciding to return to this country full of scenic and mesmerizing wilderness and people that were extremely adept at making me feel welcome was simple. The decision to go was the easy part, and the best was still ahead of me. On February 12th, I found myself in Tiradentes, Minas Gerais, Brazilian flag in tow, overlooking miles upon miles of hilltops. I stood in that moment with laser focus, unable to shake the feeling that I was exactly where I needed to be. The whole experience I was about to have would be a testament to how well I could live life to the fullest for 11 months. I can gladly say, with only a couple of weeks left here, that I lived up to the goal I set out to achieve. FALA AÍ  I  27


EXPERIENCE WITH PORTUGUESE JONATHAN YARBOROUGH, PORT 2001 For instance, I learned that breakfast and dinner I am a sophomore at the University of Georgia

in Brazil or Portugal are incredibly light with the

who is originally from Saint Simons Island,

main emphasis put on lunch or “almoçar”. Also, I

Georgia. I have only been out of the U.S.A. three

learned that soap opera’s are incredibly popular

times, and before college I liked to consider myself

in many Portuguese-speaking countries, and are

a fairly cultured person. I thought I knew about

sometimes used as a social or political vehicle. In

other people, other places and things. My

my independent research, I learned a lot about a

conclusions about the world were narrow-minded,

more prevalent “Brazilian” view on numerous

and unfortunately by the time I was 18 years old I

social and cultural aspects such as sex or religion

had decided that I knew best. However, the older I

in comparison to the American view. Here is the

get and the more I come to learn, I realize that I

kicker: the differences are not what it is

am far from having it all figured out. More than

important for me to elaborate on. What is

ever, I have realized how I am a product of my

important for me to talk about is that the

white, upper middle-class, American Environment.

differences do exist! For purposes of the point I’m

I used to head dissenting opinions or philosophies

trying to make, it would be needless for me to

and I would think: “that is absolutely

elaborate on why Americans eat their most full

preposterous… how could they ever think such a

meal at dinner and Brazilians do at lunch.

thing?” Now, I realize that these people whose

Understanding that, or any other cultural

thought I would question were not merely

difference, would be helpful in a debate, but the

irrational; they had been subjected to different

point I’m trying to make is that there are

experiences, which I myself did not understand.

differences between other cultures. Even if we do not understand these differences, they are still

Portuguese has been one of these ways that I

beyond worthy of celebrating. How boring would

have been able to broaden and expand my

it be if this world was filled with people who do

horizons. I am a major supporter of the Sapir-

everything the same way?

Whorf hypothesis. If you are unfamiliar with this hypothesis, it is a principle of linguistic relativity that can be summed up by this: the language we speak affects our worldview or our cognition. I have no objective data to bring to the table in this

the language we speak affects our worldview

argument; all I have is my own subjective experience that I can share with others. Sure, that

I am thankful for my exposure to Portuguese

might never get published in a scientific journal,

because it has helped me see a part of the world

but that doesn’t mean it is insignificant or even

that I haven’t ever actually visited. I am incredibly

that someone else couldn’t learn from it. My

thankful for my classmates and my Professora,

experience in Portuguese has been very eye

Ms. Rebeca Coelho, because they have been the

opening. Not only have I begun to learn how to

people who I was able to go on this journey with.

communicate with a group of people who are

I am only looking forward to taking more classes

foreign to me, but I have also begun learning of

in Portuguese, and I look forward to the day that I

their culture and the things that separate us. The

can have a conversation with my instructor about

things I have learned so far might seem incredibly

this in their native tongue. Long Live the UGA

unimportant at first look.

Portuguese Program!


Taking Portuguese 1001 this semester has been a real joy for me. I loved coming into class every day and learning new things about the language. I started out the semester with no prior knowledge of the Portuguese language at all, and now on the last day of the course I think I have come a very long way. I am confident that I am capable to carry on a basic conversation in Portuguese and my writing is probably even better! In addition to everything I have learned from the course, I have also been offered incredible opportunities to further my knowledge in the language with programs like Flagship. I have already registered to take Portuguese 1002 for the fall of next school year, and I am sure that I will not regret that choice!

BY JACKSON WILKINS, PORT 1001

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Last semester, I decided to take full advantage of all the language classes that UGA offers and to add Portuguese to my life. As a huge fan of soccer, I had heard Portuguese spoken by some of my favorite athletes. Then the Rio 2016 Olympics came along and as I watched the games I heard the language spoken more and more. With all of its vowels, nasal sounds, and fricative sounds, I had never heard a language like it before. I realized that I loved how it sounded and I wanted to be able to speak and understand it. This decision has been an amazing one and I’m so glad I made it! In Portuguese I have not only begun learning a new and beautiful language, but I have also gotten to learn about Brazil and its extremely diverse culture and warm and colorful people, which I love. I have learned about the Brazilian community in my own state, which I hadn’t known about before. Portuguese has given me the opportunity to have fun new experiences, taste new foods, learn about new places, and meet new people who have become friends. Now I can listen to twice the amount of music, watch twice the amount of tv shows and movies, and not to mention I can communicate with about 300 million more people than I could before. Portuguese has become a part of my life now, and I truly think my life would be more boring if I had not made the decision to learn it last semester. ASHLIE FORRESTER, PORT 2001 Pictures on pages 29-30 were courtesy of Samantha Veronez Gonçalvez


Acceptance: A Brazilian Musician's Journey From Obscurity to Worldwide Acclaim BY

KEVIN

P.

GREEN

   On March 15th, 2009, a historic concert took place at the Luckman Theatre, which is located on the campus of Cal State Los Angeles. The Brazilian composer, songwriter, and arranger, Arthur Verocai presented a concert of music, from his self-titled 1972 release on Continental Records with a group of 36 musicians, for a capacity crowd of approximately 1200 listeners. These listeners included luminaries within beatmaking and hip-hop culture, such as DJ Cut Chemist, Madlib, and MF Doom. What is both interesting and historic is that since the album was a critical and commercial failure when it was released in Brazil, the music had never been performed live. This begets the question: how did an album that was a commercial failure by a musician who was greatly unknown by many Brazilians become so acclaimed in America?

FALA AÍ | 31


musicians how his record was a collectors item in Europe, Japan, and the United States. Some of these record collectors were also DJs and Hip-hop producers.      Because the album was so rare, many collectors and DJs couldn’t buy it until 2003. This was the year that the Luv N’ Haight label re-released the record. Two producers in particular who raved about the album were Madlib and J Dilla. Both of them were enamored with the texture, color, and eclecticism of the work. However, they were not the first to “flip a sample” (use snippets of songs and rework them into new musical material) from          Arthur Verocai started gaining attention in

the Verocai recording. In 2004, MF Doom used

Brazil in 1968, as a guitarist and songwriter. He had

Verocai's “Seriado” to make a beat which he

songs performed in government sponsored song

released on different compilations. This began the

festivals, such as the Festival Universitário do Rio

tradition of Hip-hop producers sampling Verocai.

de Janeiro, by the likes of the vocalist Elis Regina.

The most notable song to date, which used Arthur’s

This led to Verocai not just writing songs, but also

"Na Boca Do Sol,” is entitled "Do The Right Thing.”

arranging his songs for ensembles as well.

This song, made in 2008, was produced by DJ 9th

       An arranger is a person that takes the

Wonder and performed by MCsLudacris and

skeleton of a song and works with a producer to

Common.

complete it. They may decide what rhythms are

During the initial re-release of the Verocai record,

going to be used, or they may decide how the song

the Luv N’ Haight label management asked

is going to flow from one section to the next. For

photographer and writer Brian Cross, aka B+, to

Verocai, he became well known by Brazilian

say a few words about the record for promotional

musicians for understanding all different kinds of

purposes. He too was in awe of what he felt was a

genres and for his horn and string writing. These

masterpiece recording. After B+ created a

skills led him to work on Ivan Lin's first album and

production company and found out Arthur was

as a composer/arranger for TV Global.

alive, he decided that a concert event should take

       While continuing to work on recordings with

place, which came about in 2009. Moreover, B+ felt

vocalists while at TV Global, Verocai was offered an

the concert should be recorded and released on

opportunity to make his debut album on

DVD, through his company, named Mochilla. After

Continental Records. The album was mostly

completion of the concert, Verocai aficionado DJ

instrumental, giving him room to showcase his

Cut Chemist stated, “It was one of the best

instrumental writing. These instruments included a

concerts L.A. has ever seen.”

20-piece string section, a horn section, a rhythm

   Arthur Verocai is still working. In 2016 he

section, and two percussionists. Verocai was able

released a new album entitled No Voo do Urubu. As

to write music in a cinematic style, which is

for his self-titled 1972 album, Verocai says, "looking

something he wasn’t able to accomplish with his

back, I think this record was like a present from

TV Global work. When people in Brazil didn’t

God! I'm so happy to have made this record. At the

accept his album in 1972, it hurt Verocai so badly he

time it was a disappointment. It was a sleeping

started writing music for advertising, but around

giant, that later woke up.”

twenty years later he started to hear from other


Minha experiência Flagship no Brasil NATALIA

SANCHEZ

   Minha estadia no Brasil foi uma experiência

   Um país de muitas cores com belas montanhas,

inesquecível. Eu fiz parte do programa de

morros, magníficas praias, cachoeiras e também

intercâmbio acadêmico-cultural, o Portuguese

um misto incrível do moderno e do antigo com os

Flagship Overseas. Este programa foi desenvolvido

prédios coloniais e os prédios modernos dividindo

na Universidade da Geórgia e tem uma parceria

os espaços urbanos. Com o programa Flagship, nós

público-privada sendo patrocinada pelo National

tivemos o privilégio de conhecer e visitar famosos

Security Education Program. O programa é

lugares turísticos do país. Em Brasília, me

direcionado para os estudantes de graduação da

impressionei com o céu azul, o horizonte amplo, e

Universidade da Geórgia em qualquer área de

a arquitetura futurista e muito verde. A capital do

estudo. No programa, os jovens selecionados

Brasil é uma cidade especial! São Paulo, o principal

permanecem durante um ano no Brasil. No

motor econômico do país, é também um caldeirão

primeiro semestre eles estudam português na

de criatividade em constante efervescência. O Rio

Universidade Federal do São João del-Rei em Minas

de Janeiro é conhecido como cidade maravilhosa.

Gerais para melhorar o domínio da língua

Essa cidade é, de fato, a combinação perfeita entre

Portuguesa. No segundo semestre, os estudantes

o mar, a montanha e a floresta. Já Belo Horizonte

obtêm uma experiência única de estágio para criar

reúne o que Minas Gerais tem de melhor, além de

a próxima geração de profissionais globais. A

estar cercada por famosas cidades históricas

missão é formar profissionais graduados através de

barrocas.

um ensino inovador de línguas, com proficiência de

    Eu morei em São João del Rei, uma cidade

nível superior em português.

conhecida por sua arquitetura colonial, e estudei

     Durante o período no Brasil eu conheci um país

por um semestre na Universidade Federal de São

maravilhoso, como também um povo lindo e

João del-Rei. As aulas foram muito relevantes e

acolhedor. O Brasil tem uma paisagem geográfica

criativas e todos os professores extremamente

única que faz você querer ficar.

profissionais, com um conhecimento incrível. FALA

AÍ | 33


No meu segundo semestre no Brasil, eu fiz meu

   No meu estágio eu adquiri conhecimento na área

estágio em Barra de Guaratiba que é um pequeno

de turismo e desenvolvi várias funções

bairro do Rio e um dos últimos refúgios ecológicos

correspondentes às partes de administração,

da cidade. Durante esse tempo eu trabalhei em um

recepção e serviço ao cliente. Essa experiência foi

hotel charmoso com vista para praia do Grumari

importante para mim porque eu aprendi muito

que se chama Le Relais de Marambaia. O principal

sobre a área hoteleira e de turismo.

objetivo do Relais de Marambaia é oferecer um

  Quando eu penso no Brasil, eu sorrio porque foi

espaço único, cheio de natureza e tranquilidade.

um país que me abriu as portas para conhecer pessoas com corações lindos, vivenciar as diversas

SÃO PAULO, O PRINCIPAL MOTOR ECONÔMICO DO PAÍS, É TAMBÉM UM CALDEIRÃO DE CRIATIVIDADE EM CONSTANTE EFERVESCÊNCIA.

culturas e provar o tempero gostoso e único da sua comida típica. Um país com muito potencial porque é um lugar que oferece de tudo para alguém ser feliz. Eu convido a qualquer estudante de graduação em qualquer área de estudo que aproveite a oportunidade de conhecer este país maravilhoso. O Flagship é uma oportunidade é única! Cultivarei sempre em minhas lembranças o conhecimento que adquiri sobre o Brasil e levarei

34

|

FALA

esse país para sempre no meu coração.


KIMMY LOPEZ - PORT 2001

Amazônia Quando você pensa no Brasil, algumas das primeiras coisas estereotipadas em que você pode pensar são o Rio de Janeiro, o futebol, o carnaval e a Amazônia. Mas o que você realmente sabe sobre a Floresta Amazônica? A Floresta Amazônica faz fronteira com 9 nações da América do Sul e é conhecida como os "Pulmões do Planeta" porque produz mais de 20% do oxigênio do mundo. Além disso, há 50 tribos nativas amazônicas que vivem na floresta tropical que nunca estiveram em contato com o resto do mundo. Segundo cientistas, a Floresta Amazônica foi criada há milhões de anos, quando o rio Amazonas mudou de direção oeste a leste. Ela é também um dos maiores ecossistemas do mundo, contendo as mais diversas espécies do planeta Terra. Hoje em dia, vários fatores estão ameaçando o sustento da floresta. Entre eles, o primeiro é o desmatamento que está ocorrendo para limpar a terra para cultivar e criar gado. Muitos animais estão sendo expulsos de suas casas devido a isso. A Amazônia é considerada um símbolo e herança nacional do Brasil. No entanto, quando você pergunta aos brasileiros sobre detalhes simples da Amazônia, como os aspectos geográficos, há uma grande chance de eles não saberem a resposta. Isso não é incomum para outros nativos de diferentes países.

35


CORAÇÃO SAUDADE BY PIERA D MOORE

O QUE VOCÊ FAZ QUANDO O SOL CHEGA? VOCÊ BEIJA O CÉU “BOM DIA”? OU VOCÊ DIZ À LUA “BOA NOITE”?

SEM MAIS SAUDADE PARA ONTEM, PORQUE VOCÊ NÃO PODE SE PREOCUPAR AGORA, PORQUE HOJE É HOJE POR UMA RAZÃO. SEU AMOR É ONDE VOCÊ ESTÁ.

O UNIVERSO FALA COM OS ESPÍRITOS, SUSSURRANDO OS SECREDOS DOS DEUSES. PARA NÓS OUVIRMOS TODA A VIDA, E SUSSURAR AO SOL DA MANHÃ.

Piera is a student of PORT 201 at Spelman College

36


MINHA JORNADA EM PORTUGUÊS BY JALEN YOUNG Como falante hereditário do português, que iniciou a jornada de aprendizado academicamente no início da vida universitária, posso dizer honestamente que tem sido um processo muito interessante. Como um senior que estudou o português nos últimos anos, encontrar maneiras de equilibrar o aprendizado das nuances das línguas, e ao mesmo tempo aprender gírias e pronúncias regionais, me ofereceram francamente, uma das dores de cabeça mais gratificantes da minha vida. Eu tive a sorte de ter professores e amigos pacientes e compreensivos, tanto na Spelman College, onde atualmente estudo Português, quanto na Morehouse College (minha instituição de origem), que me ajudaram ao longo do caminho. E enquanto minhas habilidades de linguagem ainda não são perfeitas, eu sei que cheguei até agora a aprender sobre uma língua e uma cultura que tanto significa para mim acadêmica e pessoalmente. (Jalen é um estudante de português da Spelman College)

Spelman College also offers their Portuguese course from 101 through 301 under the guidance of Professor Ines Cordeiro Dias, Ph.D., and Elis Soares, Fulbright Foreign Language Teaching Assistant.

PÁGINA 37


Inventário Amor maternal, amor de amigo, amor de brinquedo, amor escondido, amor em segredo, amor já vivido, amor de parente, amor de verdade, amor de colega de qualquer idade é amor disfarçado em ser amizade. Amor no começo, no meio, no fim. Amor renascido: meu amor por mim. Amor esquecido, relembrado depois. Amor engraçado que é o amor de nós dois. Amores paternos

Amor companheiro, amor de irmão, com cumplicidade e competição. Amor ideal amor de Platão. Amores que tive, amor que terei, amores possíveis e o amor que inventei. Inventário de amores que já conheci; uma vida de amores, o amor que aprendi.

(o real e o emprestado) amor que não tenho: o de namorado.

TATIANA PERECIN poema e fotografia

38 l Fala Aí


Fala aĂ­

LEARNING TO EXHALE

Aciana Marie Head tells about her experience with the Portuguese Flagship program

By the end of the program i was able to navigate sĂŁo paulo with complete confidence in the effectiveness of my ability to communicate in portuguese.

When I made the decision to move

To be honest, I spent the majority

to Brazil for nearly a year to study

of my time in Brazil feeling like an

and intern through the Portuguese

imposter. I constantly questioned

Flagship program, I did not fathom

how I earned the opportunity to

the lessons that I would learn and

participate in the program, my

how my experience would impact

performance in Portuguese, and

my perception of who I saw myself

my value as a 21-year-old student

to be.

intern in SĂŁo Paulo.

Ultimately, spending the majority

And as the year progressed to a

of 2017 in Brazil taught me various

close, I began to incubate in self

lessons about myself and my

concern over the state of my

perspectives on what I believed to

future as a college graduate.

be reality, truth, and purpose. However, the internalization of

Therefore, I was in desperate need

these lessons did not manifest

of an exhale.

themselves until I reached the end of my experiences and gave myself

By cloaking myself in self doubt

the chance to take advantage of

and anxiety, I was blinding myself

the opportunity to reflect on how

from the opportunity to see how

a year of challenges had impacts

much I had grown throughout this

on me.

whole experience.

39


When I first arrived in Brazil for the program, I was reliant on using the presence of other English speakers to help me form relationships with Brazilians and to serve as social buffers if I was unable to effectively communicate with natives or felt frustrated with the challenges that adjusting to a new culture brought. However, by the end of the program I had grown to the point where I was able to navigate São Paulo, the 8th largest city in the world, without any social buffers and with complete confidence in the effectiveness of my ability to communicate in Portuguese. It was only when I took a step back that I saw how much I had grown not only in terms of proficiency, but also in terms of self-confidence. And in a pleasant addition to the personal shifts I experienced, I began to understand the importance of exhaling and reflecting on progress instead of this falsely perceived lack thereof. when the program came to a close, I was elated with

Aciana poses in front of Mercado Municipal de São Paulo

how far I had come in terms of language proficiency and personal development. I felt this revelation clearly and crisply while on a horseback riding activity through the mountains during the program's closing conference. As the thrill of trekking up a beautiful mountain loomed on me, the too obvious metaphor became blatant to me as well: I was making progress towards the top of two mountains during that horseback ride. Gaining confidence and conquering challenges was one of many mountains that I seek to conquer in life and I was elated to feel some sense of accomplishment upon that horse at the end of my journey in Brazil.

40 l Fala Aí

WHEN THE PROGRAM CAME TO A CLOSE, I WAS ELATED WITH HOW FAR I HAD COME IN TERMS OF LANGUAGE PROFICIENCY AND PERSONAL DEVELOPMENT


FEATURED FACULTY

Susan Quinlan A Buffalo, NY-born, doctor Susan Quinlan is an Associate Professor of Spanish and Portuguese at the Romance Language Department at UGA. Working for UGA for over three decades, her efforts in the area of Lusophone studies rendered her with the Lifetime Achievement Award at the Kentucky Foreign Languages Conference in 2015. The author of 'Lusosex' talked to Fala Aí about her passion for Portuguese, for Lusophone countries, and also shared some of her stories working in the area. Enjoy!

Where does your interest in Portuguese come from? SQ: I entered the University of Buffalo as a Spanish Major where I had to begin another language. Since they offered Portuguese I tried that out. I basically had a wonderful professor and teacher. I also benefitted from two Brazilian professors who were in exile during the military coupe; Silviano Santiago and Abdias do Nascimento.

Fala Aí l  41


What do you see as the biggest advantages for someone who speaks Portuguese? Today, many overseas countries are looking for Portuguese speakers to work in financial and technical markets due to the shear size of Brazil and its importance in the global economy. Scientists are also interested not only in Brazil but also in Lusophone Africa. As for me I have always had a love for LusoBrazilian literature. I currently work on gender issues in contemporary writing from the end of last century until today.  Portuguese language teachers are also being sought after in secondary schools in the US.

What is your favorite place in the Portuguese-speaking world? Without a doubt, Rio de Janeiro.

And how did you start teaching Portuguese?

Do you have any stories that happened when you visited Rio?

SQ: When I finished graduate school I was My funniest story about language occurred on fortunate enough to receive a Fulbrightmy first trip to Corcovado when I mistook Hayes dissertation award where I spent 22 garafa (bottle) for copo (glass) and ended up months in Rio de Janeiro. I received a with a bottle of wine at a restaurant. Fulbright scholar award to spend a semester in the Northeast at the Federal University of Pernambuco as well.  In Recife, I was

When you are not teaching, what are some of the things that you like to do?

fortunate enough to teach a graduate I love to read and cook. I also love to travel seminar on Brazilian Women writers to to exotic places with my husband who studies Brazilian students in Portuguese. I was also coral reefs. asked to give classes in many parts of Brazil as part of my Scholar funding.


The influence of 'Anthropofagy'in Brazilian culture ANDREA VILLA RUIZ

In his article "Da razão antropofágica: a Europa

The influence of Anthropophagy in Brazilian

sob o signo da devoração", Haroldo de Campos

culture is not reduced to the modernist artistic

elucidates the nuances visible in the presence of

movement, yet it is present in the Brazilian artistic

baroque vestiges in contemporary Brazilian

and intellectual idiosyncrasy, and even in Latin

literature and culture. According to de Campos,

America in general: “Escrever, hoje, na América

there is a constant tension between the national

Latina como na Europa, significará, cada vez mais,

and the universal which to him begins with the

reescrever, remastigar” ( de Campos 23). Therefore,

question of "Anthropophagy" proposed by

the idea of 'devouring' and transforming into a

Oswald de Andrade in the decade of the

new space of meaning is seen by Haroldo de

twenties and then taken up in the fifties by

Campos and other thinkers as a constant in

concrete poetry (11 ). De Campos affirms that

Brazilian artistic and cultural creation.

anthropophagy, “não envolve uma submissã (uma catequese), mas uma transculturação:

The two most outstanding instances that

melhor ainda, uma transvaloração: uma visão

elucidate the presence of antropophagic elements

crítica da História (...), capaz tanto de

in Brazilian cultural realm are led by the Modernist

apropriação como de expropriação,

movement and by concrete and neo-concrete

desierarquização, desconstrução” (11). Likewise,

poetry. It is worth adding that the Tropicalist

this theorist finds in Oswald de Andrade’s

movement consolidated in the year 1967 also

initiative a dialogical movement of difference, a

incorporated elements of the anthropophagic

'des-caráter', as well as a new idea of tradition, or

legacy. Caetano Veloso affirms that, “[a] idéia do

'anti-tradition' to refer to the metaphor of the

canibalismo cultural servia-nos, aos tropicalistas,

new 'national' art that emerges after Osvald de

como uma luva. Estávamos “comendo” os Beatles

Andrade’s Manifiesto Antropófago (1928).

e Jimi Hendrix. Nossas argumentações contra a

43


atitude defensiva dos nacionalistas encontravam aquí uma formulação sucinta e exaustiva” (247). ). Moreover, within the discourse on Brazilian baroque aesthetics delineated by de Campos and de Andrade's anthropophagic legacy one can also locate the literary work of the author Clarice Lispector (1920-1977) and the works of art created by the artist Lygia Clark (1920-1988). Both, propose a renewal of the written / visual language, as well as a redefinition of the discursive / aesthetic space; therefore, a decentralization of the language of expression through the creation of an in-between space characterized by its multiple perspectives. For instance, the sculpture Trepantes (1964) by Lygia Clark evokes a constant and at the same time paradoxical movement due to the juxtaposition of textures and shapes that lead the sculpture to the edge of visual collapse. Lispector and Clark create an art in the process of 'transmutation', an artistic evolution in constant movement that must go through a process of 'swallowing' to give as a result a new aesthetic proposal: an 'anti-tradition' ruled by constant tension, ambiguity, as well as the juxtaposition of textures, meanings and forms in order to subvert traditional ways of conceiving the 'work of art'; an art of dispersion which, in turn, produces a kind of 'devouring' implosion.

References

Trepante versão 1 (1964) Lygia Clark: The Abandonment of Art, 1948-1988 , Museum of Modern Art (MoMA), New York (May 10th–August 24th, 2014). Photograph taken by : Andrea Villa Ruiz.

- De Campos, Haroldo. “Da razão antropofágica: a Europa sob o signo da devoração” Colóquio Letras 62 (1981): 10-25. - Veloso, Caetano. Verdade Tropical. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.


REDE GLOBO AND ITS POWER IN BRAZIL BY REBECA COELHO Globo, a Brazilian television network, is the second largest commercial television organization in the world. It owes most of its fame to the production of telenovelas. Globo recently turned 50, and it reached its maturity with a unique trajectory marked by success and a lot of controversy. Having its origins intertwined with the beginning of the military dictatorship in Brazil, Globo is highly criticized because, no matter the government system in place, it tends to adapt to the political climate. Nevertheless, the television broadcaster remains as the most important network in the country, triumphant on account of the technological quality achieved within these years and also due to a legacy of productions fixed in the memory of most Brazilians. It is virtually impossible to think of the production of Rede Globo without associating it directly with its production of telenovelas. Globo’s novelas are largely responsible for the reputation the television broadcaster has achieved; today it is Globo’s main product within the internal market as well as its most lucrative export product internationally. (Gejfinbein) Telenovelas ensured the network its decades of sovereignty with phenomenal ratings which had never been achieved by any other organization in the country. During the 70’s and 80’s, the Brazilian ratings company IBOPE marked over 90% of televisions being tuned in to Globo. By reaching national territory coverage, Globo impacts the history of the entire nation when they broadcast images and messages of progress that is built in the southern center of the country. Currently in Brazil only a few groups have control over the media. This contributes to the manipulation of public opinion and facilitates the maintenance of power structure, as is also the case with Globo. However, some question whether Globo’s hegemony will be coming to an end soon. What is certain is that the network reaches its 50th anniversary facing not only a crisis in audience ratings but also a crisis of credibility. In recent years, Globo has had reasons to be concerned about the maintenance of its power in the country. Since the demonstrations in 2013, the rejection of Globo has increased exponentially. During the protests, the motto, “O povo não é bobo, abaixo a rede Globo” (The people are not stupid, bring down Rede Globo) was the voice of millions. What was once something discussed only by intellectuals has now become a discussion among millions of Brazilians. Although Globo’s reputation has been constantly confronted with accusations of political manipulation, it is undeniable that its trajectory parallels the recent history of Brazil. By transforming the way television is made and diffusing Brazilian culture through the internalization of its telenovelas, Globo has contributed a great deal to the construction of a shared cultural memory. Globo's losses in ratings over the past few decades can be attributed to a variety of political and socioeconomic reasons. However, despite these identifable issues, Globo's gradual decline in success calls for a reexamination of the network’s true foundation. Rebeca Coelho is a Ph.D. student in Romance Languages

45


LANGUAGE IS (SOFT) POWER

RAFAEL RIBEIRO

Language and culture are closely

A quick look at what is going on in the

related, and this is a known fact for

transition of hegemonic power right

everyone interested in the subject.

now (and actually what has been going

Even those who are not experts in

on since the nineteenth century)

the field of language acquisition

reinforces the premise. France was the

agree that, no matter how culturally

first state to foster the spread of its

aware the teaching method

language through Alliance Française,

someone has been exposed to is,

followed by Germany (Goethe Institute),

learning a foreign a language always

Spain (Cervantes), The United Kingdom

brings along a set of cultural aspects

(British Council), and more recently

inherent to it, being them lexical,

China (Confucius Institute).

semantic or syntactic. Notwithstanding, only a small

Those actors invest heavily in the

handful of people realize the

promotion of their culture via language

importance of foreign language

teaching. Although the United States

teaching and learning for geopolitical

does not possess an exclusive institute

purposes.

to sponsor language and culture dissemination overseas, the

Languages serve a broader purpose

proliferation of private language

than bringing people together and

courses, and to some extent Hollywood,

eliminating communication

contributed to scatter the American

boundaries. Former Assistant

way of life worldwide utilizing English

Secretary of Defense and Harvard

as a major tool. It goes without saying

faculty member Joseph Nye Jr.

that such strategy was paramount to

coined the term soft power to

set both a political and economic

describe the ability to shape the

agenda that still benefit those

preferences of others through appeal

countries.

and attraction rather than by coercion. According to the author

For intermediary actors like Brazil,

whereas economic sanctions and

taking advantage of its soft power is

military strength deployed by nations

something even more crucial. As an

to intimidate and achieve their goals

owner of such a magnificent cultural

are considered tools of hard power,

repertoire that is transmitted by the

values, institutions, and culture would

world’s sixth most spoken language,

be sources of soft power.

Brazil’s insertion into the global context is mandatory so that the country can

Therefore, given its ease to convey

defeat its domestic setbacks and finally

elements of culture, a language can

enjoy higher standards. In order for said

also be a gimmick in world politics

insertion to become a fact, the

for countries that want to attract and

internationalization of Brazilian

influence other actors in the

Portuguese is a must.

international arena.

46

Rafael Ribeiro holds a Masters degree in International Affairs from UFBA and is a Fulbright Foreign Language Teaching Assistant at UGA


Conto

DE PERTO DA PORTA SAULO DOURADO

Um mês depois de eu ter-me mudado para um desses

feito aluno frente à classo. A velhinha aplaudia, pedia

prédios com três andares e duas rachaduras por parede,

pra anotar, reclamava da minha magreza e me trazia

uma velhinha de sorriso pequeno me abordou nas

um pedaço de bolo fresco. Assim veio o beiju pela

escadas. Ela perguntava sobre o livro que eu tinha

leitura de uma ficção de jornal, uma ambrosia por um

debaixo do braço. O autor? Não conhecia. Os escritores

capítulo de um livro, uma cocada por um poema.

que eu mais gostava? Ela nunca ouvira falar de nenhum,

Pagava com sua deliciosa culinária o que eu pegava

mesmo sendo eles tão famosos. Pois queria conhece-

emprestado de autores desse mundo.

los! Não sabia muito bem ler com os olhos, mas com os ouvidos, muito.

– Eu me pergunto, meu filho – chegou ela uma noite, interrompendo minha leitura, suspirando de olhos

Então me contratou:

marejados -, por quantos livros será que eu ainda vivo?

– Venha ler na minha porta esses livros aí. Te espero às

A velhinha me pegou de surpresa. Fiquei com o dedo

6 da tarde. Achei graça e disse que eu não era um leitor

na página sem saber responder. Mas ao olhar bem na

tão bom assim. Mas ela fez um gesto de quem não se

fonte dos seus olhos e enxergar o tanto de vida que lá

importava, de quem esperaria. Apoiou-se no corrimão e

estava, as minhas próprias palavras saíram de minha

subiu.

boca: – --- Dez… dez que ainda nem começaram a escrever.

E no dia seguinte, e no outro, também no outro, pelo

---

encontro marcado, pelo trecho marcado em alguma

Saulo Dourado (1989) é escritor e professor. Publicou os

página, subi as mesmas escadas, do primeiro até o

livros "O autor do leão" (2014) e "O mar e seus

terceiro andar. Ficava em pé na sua porta aberta, lendo

descendentes" (2016). Venceu os prêmios literários Ferreira de Castro e Correntes D'Escrita, em Portugal, para jovens escritores.

Fala Aí  I  47


BRAZILIAN STUDENT ASSOCIATION BY BEN CECIL

SENIOR COORDINATOR - INTERNATIONAL STUDENT LIFE - BSA ADVISOR

GREETINGS!                                  On behalf of the Department of

International Student Life and the Division of Student Affairs, it is my pleasure to introduce you to the Brazilian Student Association. As a student-led organization advised by International Student Life, BSA is one of twenty multinational and intercultural organizations housed within our office, contributing to the rich international and cultural diversity present here at the University of Georgia. I have served as BSA’s staff advisor for the last two years and in this time BSA has been an active organization on campus, contributing to the Brazilian community at UGA, the Department of Romance Languages and the Portuguese Program, as well as the Portuguese Flagship Program. The University of Georgia has a rich tradition of recruiting Brazilian international students and BSA serves as a conduit to the Brazilian community, as well as a resource for students just arriving to Athens.          BSA hosts a wide array of events each year, ranging from social opportunities for engagement with students from all walks of life, to academic events such as their annual Symposium, held in March. As an organization, BSA’s membership is comprised of students of all levels and academic programs. Many hold positions as teaching assistants on campus through their respective academic departments, and most contribute not only to the Brazilian community, but also the academic community through their scholarly teaching, research, and writing activities. It is commendable that BSA is such an active organization on campus and that their leadership places such a high priority on sharing their culture while balancing all of their other various academic commitments. 

48 l Fala Aí

"I AM GRATEFUL FOR THE COMMITMENT OF THE BRAZILIAN STUDENT ASSOCIATION TO FOSTERING A VIBRANT, DIVERSE, AND WELCOMING ENVIRONMENT ON CAMPUS." JERE W. MOREHEAD - UGA PRESIDENT         For more information regarding the Brazilian Student Association or any of the other multicultural student organizations advised by International Student Life, I encourage you to visit us online at http://isl.uga.edu or email isl@uga.edu for more information. Our staff are eager to assist any student – international or domestic – in further globalizing their campus experience at UGA through intercultural programs and activities. 

Come be a part of our association!


A N A

L U Í Z A

G A B A T T E L I

"Pois não" significa sim? Logo no início da minha carreira de professora de português para estrangeiros, eu tinha uma aluna canadense/sul-coreana que uma vez, depois de aprender como pedir ajuda às pessoas em português, entrou em uma loja em um shopping e foi logo perguntando “Olá, você poderia me ajudar?” E, automaticamente, a vendedora respondeu “Pois não!” Minha aluna simplesmente virou e saiu da loja, sem entender a grosseria da vendedora. Quando ela me contou isso, imaginei a reação dela, mais ou menos, como esta: Coitada! No Brasil “pois não”, quando usado em uma resposta, significa o mesmo que dizer, “sim” ou “claro” e é bastante educado. Veja outro exemplo retirado do texto “O que é jeitinho?”, publicado no Jornal do Brasil, em 22 de setembro de 1999: […] Cena três – Um americano, o jornalista John Allius, que viveu muitos anos no Brasil; uma feijoada insistente e uma família do interior paulista, muito hospitaleira. – O senhor quer mais um pouquinho de feijoada? (pela quarta vez). – Pois não – diz Allius, e faz menção de retirar o prato da mesa. – Ora, que maravilha! O senhor gostou mesmo da minha feijoada – diz a dona da casa despejando mais uma generosa concha de feijão do prato do gringo aterrorizado. […] O texto mostra outro exemplo, similar ao da minha aluna, de falha na comunicação entre um estrangeiro e um brasileiro, pois o Americano pensava que estava recusando um novo prato, mas na verdade estava dizendo SIM, da forma mais educada possível! Já quando usado em uma pergunta, “pois não?” significa “Como posso ajudar?”, “O que você precisa?” Por exemplo, você vai a um restaurante, chama o garçom e ele diz “Pois não” e o cliente responde “O cardápio, por favor”. Li em alguns lugares que essa expressão é a contração da expressão “pois não havia de”, que mostra que é impossível dizer não para o pedido. Fala Aí l  49


F A L A

A Í

| A N A

L U Í Z A

G A B A T T E L I

E “pois é”, você sabe o que é? Na mesma linha da expressão “pois não”, “pois é” também é outra muito usada no Brasil e mais simples de ser entendida. “Pois é” é uma expressão que utilizamos para concordar com algum comentário ou preencher um vazio na comunicação, ou seja, você fala “pois é” quando não tem mais nada importante, consistente ou útil para dizer. Essa expressão é muito comum em conversas de elevador, com aqueles vizinhos que você só cumprimenta por educação e fala sobre o tempo: - Hoje tá muito quente, né? - Pois é... (é verdade...) Também usamos para iniciar uma despedida, assim que a conversa vai chegando ao final e ninguém tem mais nada para completar: - Pois é... nós temos que ir agora. Gostamos muito do convite.     Quando falamos de um assunto que não é muito interessante para nós e apenas concordamos para não ficarmos em silêncio: - Nossa! Você viu o aconteceu com o primo do Dudu? Ele está no hospital. - Pois é...muito triste. “Pois é” é só isso: concordar com algo e não deixar a conversa morrer com o seu silêncio mortífero! Esses exemplos mostram que falar uma língua é muito mais do que aprender suas regras gramaticais, pois as línguas são dinâmicas e suas expressões mostram muito da cultura do país. Usar “pois é” para preencher um vazio na comunicação mostra como nós brasileiros percebemos a gentileza de se mostrar um participante ativo em uma conversa, mesmo que na realidade não estejamos lá muito interessados no que está sendo dito.

50 l Fala Aí


FINAL WORDS

Dear Reader, I hope you liked the second issue of Fala Aí. I also hope that you learned a little more about the culture related to the Portuguese world at the University of Georgia and abroad. But now it’s your turn to speak: Please, let us know what you thought about this issue. If you have comments or ideas do not hesitate to inform us. And if you feel like writing something that could be used in our next issue, please send it our way. The same goes for pictures, if you happen to have a picture or a drawing that is related to the Lusophone world, we will be happy to include it in our next edition. We will be delighted to hear from you.

TCHAU,

FALA AÍ TEAM

Picture courtesy of Maurício Monte

falaai@uga.edu

facebook.com/falaaiuga

Back cover: Parque Nacional do Itatiaia, Brazil. Picture by Tatiana Perecin, 2017


fala aí

UGA PORTUGUESE PROGRAM Janeiro

Segunda Edição 2018

Fala Aí second edition  

This is the second edition of Fala Aí! Enjoy reading it and let us know what you think. Obrigado!

Fala Aí second edition  

This is the second edition of Fala Aí! Enjoy reading it and let us know what you think. Obrigado!

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