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Escola Secundária Dr. Joaquim Gomes Ferreira Alves - VALADARES

FalaFala-me Disso

Porque é que a política também é para nós?


FalaFala-me Disso 3º edição 3/06/2009

Sumário Palha Editorial……………..………………………………..………..3 Fala-me disto………………………………………..………..4

O Que Realmente Interessa Astronomia…………………….………………….……...…..5

Direcção: Daniel Silva, Joana Carlos, Oscar Esteves, Pedro Graça Coordenadora: Professora Albertina Viana. Cronistas: Ivo Silva (Terrorismo); Oscar Esteves (O Cantinho do Oscar). Colaboradores: Hugo Ferreira, João Tiago Souteiro, Miguel Fernandes,

Tiago

(Astronomia);

Política...…………..……………………………….…………..7

Pedro

Rocha Graça

(Associação de Estudantes); Ana

Associação de Estudantes………………………………..14

de Figueiredo, Bárbara Martins,

Adopção………………………………………………………...15

Pires (Adopção); Catarina Almei-

Catarina Lopes, Fábio Dias, Sara da, Eva Diaz, Soraia Santos, Vânia Pereira, (Moda); Daniel Silva;

Gran Finale

Pedro Graça, Ruben Pinto, Nádia Santos, Rui Sousa, António Antu-

Fernando Pessoa….………………………………………...16

nes (Politica); Emanuel Loureiro e

Quadro de Honra e Valores...…………………………..21

Sara

Moda no Feminino…….….………………………...….....22

Alves; (Fernando Pessoa); Miguel

Terrorismo...…………………………………………..........23

Novo (Génesis depois de Cristo);

Reflexões…………………………………...………….....…..24

Vanessa Valente (O amor é uma

O Amor..……...……………………………………....……….26 Poetas de Bolso……………………………………………...27

Loureiro

(Tele-Urbano);

Cátia Matos; João Rodrigues; Inês

Cátia Silva, Vanessa Guerreiro e falácia?); Pedro Graça (Brisa); Bernardo Pinto (Reflexão sobre o Direito à Vida); Professor Álvaro Santos (Quadro de Honra e Valo-

Espaço Lúdico……….……………………………………….29

res). Poetas: Eva Diaz (Fernando Pessoa) Márcia Pereira Gonçalves ( Eu e tu em Utopia; Meu Mundo Teu), Miguel Novo (Por de Trás da Magia); Daniel Silva ( Imaginação); Capa: Inês Cunha Grafismo: Pedro Graça

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Fala-me Disso


Palha

Editorial

P

olítica… quem haveria de se lembrar de um tema destes para um jornal escolar?... É necessário muita confiança na comunidade estudantil e no nosso trabalho para nos aventurarmos num tema como este, onde poucos são os alunos que se sentem à vontade. Contudo, nós decidimos faze-lo, além disso, candidatamo-nos, com este jornal,

ao Concurso Nacional de Jornais Escolares do Jornal Público, do qual pretendemos obter uma boa classificação. Como sabem, esta é a nossa terceira edição... De facto, partimos do zero, já que à 9 meses atrás nenhum de nós sabia como fazer um jornal, apenas tínhamos participado enviando textos para o jornal "O Conta Coisas". Acreditem, não tem nada a ver com o trabalho que desenvolvemos actualmente. Hoje, percebemos o nosso professor de português, José Manuel Silva, quando dizia que o jornal lhe roubava muito tempo. Professor, os seus atrasos a corrigir os testes estão mais que perdoados! Neste jornal pretendemos ouvir várias opiniões relativamente ao tema em questão: a política! Não nos prendemos apenas em pontos de vista ortodoxos, pedindo, portanto, opiniões a pessoas de variadas idades e estatutos. Assim, numa tentativa de esclarecer todas as dúvidas, decidimos organizar um debate político que se realizará no próximo dia 3 de Junho pelas 15h30M no Auditório Principal da Escola. A premissa do debate será “A juventude e a política” e terá como participantes representantes da Juventude Social Democrata, da Juventude Socialista, do Centro Democrático Social, bem como do Bloco de Esquerda e da Juventude Comunista e contará, enquanto moderadores, com os alunos Pedro Graça e Oscar Esteves, membros do jornal. Para finalizar, despedimo-nos da comunidade escolar, com especial carinho pelos colaboradores que nos ajudaram na elaboração das três edições e com um apreço especial ao Director da escola, Professor Álvaro Santos, por nos ter apoiado sempre, auxiliado na impressão e por ter contribuído com um texto para esta edição. Um agradecimento também ao Rúben Pinto, um elemento externo à escola que, por fazer parte de uma juventude partidária e por ser o responsável pela P.A.E.G, foi convidado e à aluna Inês Cunha que nos ajudou sempre, contribuindo com cartazes e, nesta edição propriamente dita, com a capa do jornal. Assim, a direcção do "Fala-me Disso" despede-se de todos os nossos leitores, esperando que este projecto seja continuado na escola, pois uma escola como a nossa não poderá, jamais, ficar sem um jornal escolar. A Direcção

3º Edição

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Palha

Fala-me Disto

Casamento Homossexual: és a favor ou contra? É este o tema que queremos lançar para discussão. Formula a tua opinião e manda para fala.me.disso@gmail.com e se a tua opinião for uma

das

melhores

aparecerá

no

próximo

número do Fala-me disso. 4

Fala-me Disso


Astronomia


O que realmente interessa

Astronomia

Flores na Lua Europa impossível ou futuro próximo?

O

físico e futurista Freeman Dyson diz que deveríamos pesquisar vida extraterrestre onde é mais fácil de a descobrir, mesmo se as condições aí não forem ideais para a vida como a conhecemos. Especificamente, diz que sondas poderiam partir em busca de flores - semelhantes àquelas encontradas nas regiões árcticas da Terra - em luas geladas e cometas no Sistema Solar exterior.

estimativas da espessura do gelo já têm variado entre menos de 1 km e mais de 100 km.

“A vida, no entanto, pode ser visível a partir de sondas em órbita, se habitasse em fendas no gelo de Europa, que ligassem a superfície ao interior”, afirma Dyson. Tal vida poderia tomar a forma de flores com uma forma parabólica que se focasse na ténue luz solar caíndo sobre Europa, e sobre o interior da planta. As flores com "Eu diria que a estratégia da busca de vida no tais formas existem em climas árcticos aqui na Universo devia ser a de procurar o que é detec- Terra, onde as plantas evoluíram para maximizar tável, não o que é provável," numa conferência a energia solar. em Cambridge, Massachusetts, EUA. Ele afirma que as sondas deveriam procurar Embora os "girassóis" de Dyson possam desasinais de vida na lua gelada de Júpiter, Europa, brochar em Europa, podem até estar espalhadas dado que ela aí seria detectável. Europa, que se por outros locais no Sistema Solar. pensa ter um oceano de água líquida por baixo Europa será uma das duas luas exploradas em da sua concha gelada, há muito que é um alvo profundidade por uma colaboração planeada para os astrobiólogos, que suspeitam que o inte- entre a NASA e a ESA a começar em 2026, quanrior possa ser salubre para a vida. Mas procurar do se espera que um par de sondas alcancem por baixo da superfície gelada da lua é difícil. As Júpiter.

Planta parecida com as que Dyson espera encontrar em Europa Esta flor do árctico e outras flores a altas-latitudes têm formas parabólicas para focar a luz solar nas partes reprodutivas nos seus centros. O físico Freeman Dyson diz que tais plantas podem evoluir também noutros mundos.

Lua Europa Europa é um satélite cuja superfície é feita de gelo e em que por baixo contém água líquida, o que faz com que muitos dos que acreditam em vida no sistema solar para além da Terra pensem que poderá ser um bom planeta para procurar vida. No entanto, a Terra é o único planeta onde ocorrem condições próximas do ponto triplo da água, isto é, existe água nos estados sólido, líquido e gasoso. Será isto importante?

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Fala-me Disso


Política

Porque é que a política também é para nós?


O que realmente interessa

Política

A

política, uma coisa que vai e vem deputados mesquinhos e desinteressados, dese que volta sempre um ano antes cobertas famosas sobre nada, manifestações das eleições. A pergunta é: Por- repetitivas… a lista continua. Paralelamente, a que é que a política também é política é para nós porque há mais na vida para

para nós? Esta é, como se torna claro, uma per- além de saber quem é a nova namorada do Crisgunta errada. A política não é para nós e para os tiano Ronaldo, ou de ver discutir se um homem outros, é para todos. Mas vou tentar responder à sabe passar a ferro e se uma mulher sabe condupergunta de qualquer forma.

zir um carro. Tudo isto de que falo, nós vemos,

A política é para nós porque somos seres ouvimos e por vezes até sentimos, mas é-nos vivos, sociais, coexistimos com a nossa família, comunicado a partir de uma televisão, ou de um amigos, vizinhos… todos à nossa volta são seres computador. Vídeos na internet sobre como políticos. Isto porque a política baseia-se na retó- espancar um miúdo na rua e programas sobre rica que é a arte de bem falar, e por muito que como ser mal-educado/a, ou praticamente qualpensemos que a maioria do país fala mal, ou quer coisa. Se vivêssemos apenas dessas coisas, incorrectamente, fala, e é isso que importa. apenas um terço da população portuguesa é que Todos nossos falamos, discutimos, debatemos, estaria viva, o resto era tão mau que ao fim de até gritamos só porque temos necessidade de o um mês (quando acabasse a telenovela) já estafazer, e todas essas coisas, até o “gritar” que tem ria morto por algum acidente de automóvel ou sido incluído em muitos debates como nos mos- por assassínio em legítima defesa. A política é tram os media, fazem parte da política. Nós para nós porque somos constantemente bomsomos política, ela é parte de nós, sem ela já bardeados com demagogias e temos de nos estaríamos extintos.

saber proteger, porque nós somos políticos,

Mas para as pessoas que não compreendem votamos, pelo menos temos o direito de o fazer, ou não aceitam esta teoria, respondo-vos, a muitos nem se dão ao trabalho de “levantar o cu razão da necessidade da política ser incluída no do sofá” e ir votar. vosso dia-a-dia, ou como passatempo.

Por fim, a política é para nós porque, os mais

Ultimamente temos visto de tudo, infelizmen- jovens, somos o futuro e quem controla o futuro te a grande maioria foi tudo de mau. Pais a bater dita o destino do país, principalmente nestes nos filhos, filhos a bater nos pais, professores e momentos, em que o rumo de Portugal, e até do alunos incorrectos, discussões fúteis sobre a cor- planeta, não está claramente definido, e o que rupção que ainda não levaram a lado nenhum, está definido, não é lá muito bom. Daniel Silva

Principais Partidos Políticos Portugueses Partido Socialista: Fundado em 19 de Abril de 1973 na cidade alemã de Bad Münstereifel, por militantes da Acção Socialista Portuguesa. . O PS é caracterizado por duas correntes ideológicas principais, a social-democracia e o trabalhismo. O seu líder actual é o Engª Jóse Socrates Partido Social Democrata: Fundado em 6 de Maio de 1974, por Francisco Sá Carneiro, Francisco Pinto Balsemão e Joaquim Magalhães Mota sob o nome Partido Popular Democrático (PPD). É um partido de centro-direita. A sua líder actual é a Dr. Maria Manuela Ferreira Leite. 8

Fala-me Disso


O que realmente interessa

Política

C

onceito de democracia para os jovens de estudantes Portugueses, demonstramos verdadeirahoje em dia? Uma tarefa bem complicada! mente o conceito de Democracia, e demonstramos também que o conceito é inato a todos nós. O conceito de democracia pode variar de pessoa para pessoa e dependendo de Como grande exemplo, bem próximo e a envolveronde vem e o que estão a representar. Como estou a nos, nasceu este ano em Vila Nova de Gaia a P.A.E.G representar a classe estudantil talvez o meu conceito (Plataforma de Associações de Estudantes de Gaia). A de Democracia vá um pouco contra o conceito de Plataforma é criada em meados de Outubro com o Democracia, por exemplo, da nossa cara Maria de consenso de todas as A.E de Gaia, como uma forma Lurdes Rodrigues. de nos desmarcamos das várias plataformas nacionais, cujas políticas que defendiam e as várias bandeiPois bem, a forma mais simples que talvez possa ras de luta contra este governo eram desactualizadas servir de exemplo bem explicito para os jovens de e em prol da instabilidade política e não do dever hoje em dia trata-se daquilo ao qual estamos a ser principal e fundamental de todas as A.E, representar a sujeitos por este incrivelmente vergonhoso Governo. classe estudantil de forma isenta de organizações O verdadeiro conceito de democracia trata-se de um políticas. Fomos vistos como um exemplo nacional e sistema político que emana do povo, mas como já é varias vezes convidados para intervir na comunicação de prever, o conceito é sempre agradável e de bom social, que para o associativismo é quase um facto aspecto, na realidade o bom aspecto matem-se, mas inédito, orgulhando-nos de ver mais uma vez o verdaa aplicação torna-se bem áspera. deiro conceito de democracia a ser salvaguardado por jovens que não se deixaram cair em descrédito pelas Nos últimos anos os jovens Portugueses têm sido políticas ingratas. alvo de vários ataques dos governos em exercício, e infelizmente ataques sem resposta possível. Veremos A democracia é um direito nosso, mas também um o caso do tão pragmático “Estatuto do Aluno”, que dever, para não continuarem acontecer atropelos sinceramente ainda estou para entender o Porquê do sucessivos aos jovens estudantis que põem em causa nome “Estatuto do Aluno”, visto que durante toda a o seu futuro, todos nós nos devemos empenhar juntasua criação (Ou então cópia de outros sistemas de mente com as associações estudantis a procurar e ensino que foram um completo fracasso noutros Paí- proclamar a justiça e a verdade que tanto nos carece ses, mas que em Portugal tem que resultar a força), este governo. os alunos, ou as entendidades que os representam nunca foram consultados e quando fomos todos con- A democracia é e será a vanguarda do desenvolvifrontados com a sua aplicação e demonstramos a mento pessoal, sem ela seremos oprimidos e teremos nossa revolta fomos apelidados de “Vândalos”. Aí rendimentos diminutos. Numa altura em que vivemos deveria entrar a democracia, supostamente, nós uma grave crise social e de valores, só mesmo nós, Jovens teríamos de ser consultados sobre este tema, que somos o futuro bem próximo e a esperança que a mas não fomos, um mau exemplo de democracia, nação tanto anseia, podemos alterar o rumo desta mas como jovens que somos e como verdadeiros aparente infindável crise, por isso todos nós devemos detentores do conceito de democracia mostramos um responder positivamente a este apelo da nação, fazer pouco por todo país a verdade e o estado da educa- uso ao verdadeiro conceito de democracia, ao qual ção em Portugal. temos e devemos fazer uso, e provar que realmente somos a Geração Esperança! Ruben Pinto, Responsável da Numa altura que tanto descrédito dão ao jovens P.A.E.G

Principais Partidos Políticos Portugueses Centro Democrático Social: Fundado em 19 de Julho 1974 por Diogo Freitas do Amaral, Adelino Amaro da Costa, Basílio Horta, Vítor Sá Machado, Valentim Xavier Pintado, João Morais Leitão e João Porto. É um partido político português inspirado pela Democracia cristã e é aberto também a Conservadores e Liberais clássicos. O seu líder actual é o Dr. Paulo Portas. Bloco de Esquerda: Nasceu em 1999 da fusão de três forças políticas: a União Democrática Popular (marxista), o Partido Socialista Revolucionário (trotskista mandelista) e a Política XXI, às quais se juntaram vários outros movimentos posteriormente. O seu líder actual é o Dr. Francisco Louçã. 3ºEdiçao

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O que realmente interessa

Política

P

olítica, "a arte de bem organizar, direccionar e administrar". Estará esta a ser encarada como tal?

A

ntes de mais temos que saber de onde deriva a palavra Política. A palavra nasceu na Grécia, deriva da palavra pólis que significa Segundo o "Democracy Index" (índice uma pequena cidade-estado composta por uma da democracia), Portugal encontra-se em 252 zona central da cidade e por uma área rural onde lugar num total de 167 países, perdendo então existia um governo autónomo e leis próprias. seis posições desde o ano de 2006. Estes dados, obrigam-nos então a concluir que a democracia Em primeiro lugar, falar de Política não é portuguesa está, sem dúvida alguma, a perder difícil, mas é difícil dar uma resposta clara e objectiva, pois, a política é muito abrangente. Na qualidade nos últimos anos. minha opinião, na maioria das vezes, acredita-se Mas o que está realmente a prejudicar esta que tem muito a ver com discussão entre as pesdemocracia? O item da "participação política" soas no intuito de buscar uma solução para “o fala por si. Perante uma situação de crise, problema”. desemprego e descontentamento, o interesse em votar começa a ser encarado de maneira Apesar da enorme importância da Política diferente. Estaremos então a caminhar para uma não são muitos os interessados, e este desintedemocracia directa? Se não houver uma mudan- resse pela Política, a meu ver, deve-se ao facto ça radical na política portuguesa é bastante pro- de vivermos numa sociedade onde uma grande vável que sim. Portugal precisa de um novo par- parte de indivíduos procura nada mais, nada tido com novas caras e novas ideias! Algo que menos do que beneficiar-se. realmente marque a diferença! Assim, algumas pessoas chegam mesmo a Neste momento, o MMS (Movimento Mérito e fugir deste assunto pois pensam que é da resSociedade) conta cada vez com mais participan- ponsabilidade só das pessoas que se encontram tes. Trata-se de um novo partido que não per- no poder. tence à direita, esquerda ou central. Tem como Em suma, para mim, a Política é a arte de objectivo ganhar as eleições e trazer alterações governar e defender os direitos dos cidadãos, é que são neste momento necessárias ao nosso país. Será então este partido a salvação para os ter a liberdade de se expressar e de ter uma opinossos problemas e o afastamento de uma futu- nião. E esta ideia de Política é ter uma forma de ra democracia directa? Ou irá essa democracia organizar a sociedade, para evitar um caos entre realmente acontecer? Irão os partidos já conhe- esta e é isso que a torna tão complexa e consecidos resolver algo pelo país e ganhar de novo o quentemente, interessante. Rui Sousa nosso voto? Tudo está nas mãos do povo português! Nádia Santos

Principais Partidos Políticos Portugueses Partido Comunista Português: Fundado em 1921 como a secção Portuguesa do Internacional Comunista (Comintern). Ilegalizado no fim dos anos 20, o PCP teve um papel fundamental na oposição ao regime ditatorial É um partido comunista marxista-leninista e a sua organização é baseada no centralismo democrático. O partido considera-se também patriótico e internacionalista. O seu líder actual é Jerónimo de Sousa. Partido Ecologista “Os Verdes”: Fundado em 1982, tendo até hoje concorrido sempre em coligação com PCP na Aliança Povo Unido (APU) e na Coligação Democrática Unitária (CDU). 10

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O que realmente interessa

Política

O

s anarquistas auto-denominados socialistas libertários vêem qualquer governo como a manutenção do domínio de uma classe social sobre outra. Compartilham da crítica socialista ao sistema capitalista em que o Estado mantém a desigualdade social através da força, ao garantir a poucos a propriedade sobre os meios de produção, no entanto, estendem a crítica aos socialistas que advogam a permanência de um estado pós-revolucionário para garantia e organização da "nova sociedade". Tal estado, ainda que proletário, somente faria permanecer antigas estruturas de dominação de uma parcela da população sobre a outra, agora sob nova orientação ideológica. Esta teoria clama por um sistema socialista em que a posse dos meios de produção sejam socializados e garantidos a todos os que trabalham. Num tal sistema, não haveria necessidade de autoridades e/ou governos uma vez que a administração da vida social, para a garantia plena da liberdade só poderia ser exercida por aqueles mesmos que a compõem e a tornam efectiva (seja na indústria, na agricultura, nas empresas, creches, escolas, etc.).

do uma educação sem participação do Estado, observando que esta tornava as pessoas menos propensas a ver a liberdade que lhes era retirada. O primeiro a se auto-intitular anarquista e a defender claramente uma visão mais socialista, foi Joseph Proudhon, seguido por Bakunin, que levou e elaborou as ideias daquele à primeira Associação Internacional de Trabalhadores (AIT). Mais tarde aparecem importantes figuras de teóricos do anarquismo, como Errico Malatesta, Emma Goldman e Piotr Kropotkin, cujas ideias foram muito populares na primeira metade do século XX. Hoje em dia, é visto como uma corrente política imatura, utópica e demasiado de esquerda para ser aceite pela maioria da população. Contudo ainda existem grupos políticos legítimos em Portugal que apoiam esta corrente. Destaca-se a Alternativa Libertária no Porto. António Antunes

A sociedade seria gerida por associações democráticas, formadas por todos, e dividindose livremente (ou seja, com entrada e saída livre) em cooperativas e estas, em federações. A origem da tradição socialista libertária está entre os séculos XVIII e XIX. Talvez o primeiro anarquista (embora não tenha usado o termo em nenhum momento) tenha sido William Godwin, inglês, que escreveu vários panfletos defenden-

Principais Partidos Políticos Portugueses Movimento Mérito e Sociedade: Fundado em Lisboa em Setembro de 2007 por Eduardo Correia. Não se considera um partido nem de esquerda nem de direita, achando que essas divisões são passado. O seu líder actual é o professor Eduardo Correia. Partido Nova Democracia: é um partido político português conservador-liberal, que nasceu duma dissidência do CDS-PP, e é presidido por um seu antigo presidente, Manuel Monteiro.

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O que realmente interessa

Política

Marinho Pinto

Ferreira Leite

José Sócrates

Mário Lino

Vital Moreira

Mário Soares

Lopes da Mota

Mª Lurdes Rodrigues

Santos Silva

Jaime Silva

Magalhães

Aníbal Cavaco Silva

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O que realmente interessa

Política

Guarda-redes 1- Magalhães – Guarda-Redes e antigo jogador português que se passou à equipa de Castela FC. Foi despedido por D. Manuel I (grande treinador!) e vende hoje computadores. É conhecido como o “Frango”.

Defesas 2 – Jaime Silva – Lateral direito e agricultor nas horas livres. Nunca apareceu aos treinos. Recusa-se a jogar e diz que nada percebe do assunto. Não recebe os fundos comunitários a que tem direito. Quer mudar de vida. 3 – Santos Silva – defesa central– Diz que gosta de malhar na direita. Sabe-se agora, que gosta mesmo é de malhar seja no que for. Pena é ser tão mau jogador. Aguarda transferência em Outubro. 4 – Maria de Lurdes Rodrigues – defesa central – defesa exímia, por ela raramente passa uma bola e se passa não a vê, por isso para ela é como se não passasse. Gosta de fintar, perdendo muitas vezes a bola em área perigosa. 5 – Lopes da Mota – lateral esquerdo – jogador duro, pressiona sempre os jogadores adversários, deixando assim pouco espaço de manobra. Nunca aceita ser substituído, não se sabe bem se saiu de campo do último jogo porque quis ou por ordens da equipa técnica.

Médios 6 – Mário Soares – Trinco. O velho capitão. Deriva para a esquerda e não protege a direita). É um veterano que se perde em fintas sem objectivo definido. 7 – Mário Lino – Médio sem posição( anda por aí entre a Ota e o TGV). Conhecido como “Jamais, Jamais!”. Perdeu toda a importância na equipa. 8 – Vital Moreira – Médio estratega, também conhecido como Gepeto ou Avô Cantigas, transferido de outro clube, é um jogador veterano que parece hesitar entre a revolução proletária e a Europa capitalista. Com ele a equipa não vai a lado algum. 10 – José Sócrates – (Zézito). O incontestado médio centro a perder importância na equipa todos os dias. Depois de um início de época promissor arrasta-se dentro de campo. Vinha marcado por muitas lesões que omitiu (Independente; Cova da Beira; Freeport, etc.). Agarra-se demasiado à bola e fala-se na saída em Outubro para vender computadores.

Atacantes 9 – Ferreira Leite – Ponta de Lança - Dispara em todas as direcções, contudo raramente acerta no alvo, falha muitas vezes a bola em situações de golo eminente. Está na equipa porque se sente moralmente obrigada, por não existir nenhum ponta de lança de jeito no banco. 11 – Marinho Pinto – O coxo! (foi oferecido no princípio da época mas ninguém o quis). Jogador violentíssimo é conhecido pelas muitas e merecidas tareias que levava em Coimbra, dadas pela malta do Rugby. Marcado por isto, faz do futebol um apelo à barbárie. Considera-se um génio: todos os outros o acham abominável, mas calam-se com medo de represálias.

Treinador Aníbal Cavaco Silva - O grande responsável por esta equipa. Não sabe coisa alguma sobre os seus jogadores e não quer saber. Destaca-se por um ensurdecedor silêncio. Pedro Graça. Daniel Silva

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O que realmente interessa

Associação de Estudantes

C

om o finalizar do ano, ciclos são fechados, novas pessoas aparecem e outras mais familiarizadas com a escola concluem o seu percurso. Este último caso é o meu, não pude deixar de concluir este ciclo sem poder intervir no bem estar e na defesa dos interesses dos meus colegas, pois sentia que teria que deixar a escola mais acolhedora do que encontrei quando cá cheguei à 3 anos.

O estabelecimento de ensino que eu conhecia tinha uma fraca representação estudantil nos órgãos de relevo da escola, salvo algumas excepções de alunos que se destacaram. Assim, decidi no 11º ano concorrer à Assembleia de Delegados, uma assembleia com um enorme poder, pois o presidente tem lugar assente no pedagógico e tem contacto directo com o conselho executivo, trabalho que está a ser muito bem desenvolvido pela actual presidente, Catarina Madruga. Depois de ganhar estas eleições tentei e julgo que consegui dar um novo ânimo à Assembleia, passamos a ter duas reuniões por período - anteriormente apenas existia uma, duas reuniões por ano. Depois deste objectivo concluído, pretendi “voos mais altos”, observei que a Associação de Estudantes estava à muito tempo sem uma liderança. Por este motivo, por achar que podia transformar a escola num lugar melhor, concorri e ganhei as eleições para a Associação de Estudantes. A parte complicada tinha acabado de começar, já em pleno mandato notei o porquê de a AE não funcionar como deveria de ser normal: muitos membros da AE julgam que o seu mandato acaba uma semana depois da eleição. Porém, eu revesti-me de um núcleo de alunos que são extremamente eficientes e sem os quais não teria sido possível chegarmos ao nível que a AE tem actualmente. Destaco, deste núcleo, os alunos Óscar Esteves, Miguel Novo, Vânia Pereira e Hélder Teixeira. De facto, julgo que com o finalizar deste ciclo a Associação de Estudantes ficou mais rica do que era. Não conseguimos finalizar o programa eleitoral, dado o imenso trabalho que tivemos e à falta de espaço, por diversas vezes (caso das festas). Espero que para o ano a Associação de Estudantes eleita não se esqueça que não se está nas AE's para aproveitamentos políticos e para projecção do futuro, estamos para representar os alunos e para tornarmos a escola um lugar mais acolhedor para todos. Não posso deixar de dar os parabéns às Associações de Olival, Canidelo, António Sérgio, Canelas, Almeida Garrett e Carvalhos que fizeram um trabalho fantástico nas suas escolas. Saliente-se, aínda, que todos nós trabalhamos em conjunto na Plataforma de Associações de Estudantes de Gaia (P.A.E.G) numa iniciativa única no país, reunindo-nos todos os sábados na Casa da juventude de Gaia a fim de discutirmos medidas que possam melhorar as nossas escolas. Uma vez mais parabéns pela enorme unidade que Gaia foi este ano em termos de Associações de Estudantes, apenas possível graças ao trabalho do Rúben Pinto, um ex-presidente da AE dos Carvalhos, que é o responsável pelo bom funcionamento da P.A.E.G. Pedro Graça, Presidente da Associação de Estudantes.

Programa realizado

ser iniciadas no próximo ano)

• Criação e melhoramento do espaço destinado à A.E;

• Realização do corta-mato

• Elaboração de um site da A.E;

• Organização de torneios de basquetebol e de futebol

• Elaboração do livro online de recomendações/ reclamações;

• Fundação da “Comissão de Finalistas”; • Elaboração de um baile de finalistas • Preparação da viagem de finalistas com destinos opcionais

• Levantamento do castigo relativo às bolas • Melhoramento da dinâmica do bufete • Criação de um clube de Teatro

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• Dinamização da Rádio Escolar (as mudanças irão

interescolares.

• Criação de uma zona restrita para a prática de skate. • Cooperação com o programa “Escola Segura” para uma maior segurança escolar

• Cooperação e integração da unidade de autismo no espaço escolar

• Organização de uma noite de cinema • Colaboração na Plataforma das Associações de Estudantes de Gaia

Fala-me Disso


O que realmente interessa

Adopção

3º Edição

N

o âmbito da disciplina de área de mo a Sra. Dra. Liliana Almeida, Assistente Social e projecto, foi proposto no inicio do representante da instituição Tenda do encontro. ano lectivo que fosse elaborado Contamos, na assistência, com cerca de 130 um trabalho de grupo, de imedia- pessoas, nomeadamente com a presença do Dr. to surgiu a ideia de um trabalho relacionado com Álvaro Santos, presidente do Conselho Executivo adopção. O grupo constituído inicialmente por da Escola, do Dr. Jorge Soares, presidente da JunAna de Figueiredo, Bárbara Martins, Catarina ta de freguesia de Valadares, do Dr. Elisio, presiLopes e Sara Pires, que mais tarde integrou mais dente da Junta de freguesia de Vilar do Paraíso, um elemento, Fábio Dias, após duas aulas já do Sr. José Manuel Sá, presidente da Associação tinha o título do trabalho: Adopção – pequenos e de Pais, da Dra. Albertina Viana, professora da grande heróis – este titulo tem dois significados: disciplina, Dra. Fátima Borges, Directora de Tur“pequenos” os meninos que se encontram insti- ma, delegados, subdelegados, os pais de alguns tucionalizados e “grandes” os adultos que os dos membros do grupo e ainda alguns professoacolhem e dão lar, outro significado é o seguinte: res acompanhando algumas turmas, delegados. os meninos são pequenos pelo que já explicamos De uma maneira geral as alunas fazem um balane também grandes por tudo aquilo que passam. ço muito positivo do trabalho e em particular da O trabalho tinha o grande objectivo de con- apresentação final, já com um sentimento de tactar com a realidade, então numa primeira nostalgia pois o voluntariado terá fim no dia 27 fase procurade Maio e os ram uma inslaços que os tituição onde une às crianpudessem ças já são fazer voluntamuito fortes. riado, com a No passado ajuda da prodia 8 de Maio fessora Conrecebemos o ceição ferreira convite feito encontraram pela Associaa instituição ção Meninos Tenda do do Mundo Encontro, em para sermos Sermonde, os pioneiros a onde desde nível Nacional Fábio Dias, Catarina Lopes, Ana de Figueiredo, Sara Pires, Bárbara Martins e Prof. Outubro, num projecto Albertina Viana todas as que irá ser semanas vão até lá. lançado a todas as escolas do país para a realizaComo base teórica do trabalho, o grupo pes- ção de trabalhos relacionados com a Adopção quisou em diversas fontes, deste internet, a internacional, o convite foi aceite por parte do legislação, a livros, mas depararam-se com a Grupo. escassez de informação credível, então, passaram ao contacto directo com a Segurança social, a Comissão e Protecção de Menores do Porto, e por último associações como a Bem me queres e Meninos do Mundo. No dia 6 de Maio foi realizada a palestra, que contou com a presença para a sua realização, da Sra. Directora da Associação Meninos do Mundo, a Sra. Directora da Comissão e Protecção de Menores do Porto, com a Sra. Dra. Carlota, Psicóloga da Segurança Social, com a Dra. Helena, um testemunho de adopção internacional e por últi-

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Fernando Pessoa


Gran Finale

Fernando Pessoa

E

ra uma vez um pequeno rapaz, um franzino rapaz, que passava todo o tempo da sua existência sozinho no meio da multidão. Até que, um dia, ele decidiu embarcar no navio da ima-

ginação para escapar à realidade solitária que parecia persegui-lo. Passava longas horas navegando neste mundo só seu. E que belo mundo! Foi lá que conheceu os seus únicos amigos, os seus leais amigos, cuja vida ele tomava como sendo sua. Um deles, Álvaro de Campos (o engenheiro naval), partilhava com ele o interesse pelas viagens rumo ao desconhecido. Conhecia novas gentes, novos costumes e tudo o entusiasmava. Era apaixonado pelo que era novo e vivia-o, sentiao, com uma intensidade quase assustadora. Porém, sentia-o calado, pelo menos, face ao mundo. Pintava as suas viagens na mais reles folha de papel, mas pintava-as letra a letra, freneticamente. E as letras iam voando no papel, uma a uma, ao ritmo do seu coração aventureiro e cavalgante. Não parava. Não podia parar. Todo o tempo era pouco para saborear o que estava a sentir: aquela loucura doentia que não tardava a esmorecer numa tristeza moribunda. E quando a viagem terminava, deixava-se cair na realidade, insatisfeito, na sua sede insaciável de saber sempre mais e mais, de conhecer, de ser. O rapaz foi crescendo e conhecendo pessoas diferentes. Mas permanecia sonhando e viajando como Álvaro. Por mais que a idade lhe pesasse, seria sempre uma criança, uma criança só, cinzenta. Um dia, quando a realidade conseguiu derrubar o sonho, a fantasia, o rapazinho não aguentou e partiu numa pequena caravela em mais uma viagem. Mas desta vez seria diferente. A viagem era bem real e assim seria… para sempre! Com ele embarcaram os seus amigos e a sua vontade desmedida de sonhar e voar livremente. Na cadeira não ficou apenas uma ausência. Ficaram várias ausências, tantas vidas por viver. Era uma vez um rapaz, uma vida, muitas pessoas. Um dia, a vida terminou. Mas o rapaz… esse… viverá para sempre em todos aqueles que têm vontade de sonhar. Cátia Matos

Pequenos Poemas de Fernando Pessoa Nem Sempre Sou Igual Nem sempre sou igual no que digo e escrevo. Mudo, mas não mudo muito. A cor das flores não é a mesma ao sol De que quando uma nuvem passa Ou quando entra a noite E as flores são cor da sombra. Mas quem olha bem vê que são as mesmas flores. Por isso quando pareço não concordar comigo,

3º Edição

Reparem bem para mim: Se estava virado para a direita, Voltei-me agora para a esquerda, Mas sou sempre eu, assente sobre os mesmos pés — O mesmo sempre, graças ao céu e à terra E aos meus olhos e ouvidos atentos E à minha clara simplicidade de alma … Alberto Caeiro

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Gran Finale

Fernando Pessoa

« Ficarei o Inferno de ser Eu, a Limitação Absoluta, Expulsão-Ser do Universo longínquo! Ficarei nem Deus, nem homem, nem mundo, mero vácuo-pessoa, infinito de Nada consciente, pavor sem nome, exilado do próprio mistério, da própria Vida. Habitarei eternamente o deserto morto de mim, erro abstracto da criação que me deixou atrás. Arderá em mim eternamente, inutilmente, a ânsia (estéril) do regresso a ser. » (1915) F. Pessoa, Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação

Com a leitura deste texto podemos perceber a angústia existencial que atormenta Fernando Pessoa e que é tão característica da sua obra ortónimo. Na sua poesia estão patentes a frustração e o tédio que ele sente perante a sua vida. Como Pessoa refere no excerto, ele sente-se a "limitação absoluta", ou seja, ele tem a plena consciência da sua interminável lucidez e da incapacidade de atingir as respostas para as suas grandes questões metafísicas ("de onde venho?", "para onde vou?" e "quem sou?"). Ora, a falta de respostas para estas questões cria nele um profundo sentimento de náusea que o conduz a uma dor profunda e que o leva a firmar "habitarei eternamente o deserto morto de mim". Com a consciência de que a sua vida nunca terá sentido, ele questiona-se, nexte texto, sobre a razão da sua existência, que parece ser inútil. Condenado a pensar com a razão, sempre e em todas as situações da sua vida, Fernando Pessoa nunca atingirá a felicidade, o que faz querer ser como a "ceifeira que canta sem razão" ou o "gato que brinca na rua". A sua constante intelectualização do sentir e as dúvidas metafísicas transformam-no num "vácuo-pessoa" de solidão, sem respostas nem sentido. Apesar de tudo, Pessoa mantém a esperança de que talvez um dia obtenha as suas respostas, mas sempre consciente da inutilidade desta sua ânsia que assim se revela "estéril". Resta-lhe, então, através do sonho da evasão, buscar incansavelmente o mundo que ele idealiza, aventura que só lhe é possível através da poesia. João Tiago Souteiro Rodrigues

Pequenos Poemas de Fernando Pessoa Tenho pena e não respondo

Para outros --- cada um sente O que julga, e é um erro imenso.

Tenho pena e não respondo. Mas não tenho culpa enfim

Ah, deixem-me sossegar.

De que em mim não correspondo

Não me sonhem nem me outrem.

Ao outro que amaste em mim.

Se eu não me quero encontrar, Quererei que outros me encontrem?

Cada um é muita gente. Para mim sou quem me penso,

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Fernando Pessoa

Fala-me Disso


Gran Finale

Fernando Pessoa

Pessoa imensíssimo, íssimo… íssimo

Perante o mudo doloroso e estéril à volta de quem pensa, Pessoa descobre o seu caminho, sabe que por mais palavras que debite nunca irá deixar de pensar, nunca irá esquecer o que sabe e o que lhe faz doer a alma, pois o que sabe faz dele a pessoa que é, mesmo que seja uma pessoa ferida, magoada e solitária. Nesta limitação do ser, na limitação de não se esquecer, na limitação de não se perder de si mesmo, Pessoa auto-intitula-se “expulsão do ser” não num mundo, mas num “universo longínquo”, universo desconhecido pelas “ceifeiras” que cantam na vida, pelos “gatos que brincam na rua” e pelas “crianças” que felizes sorriem inocentes. Mundo longínquo para a humanidade apressada na selva da vida, universo desconhecido para quem não pensa. Pessoa, perante tudo isto, deseja ser um Nada profundo, um Nada cheio de Nada, mas consciente da imensidão do seu grandioso e cheio Nada. Este doloroso e inquietante Nada que faz da sua vida um mistério apavorado do seu eu, tentando evadir-se no mundo para o seu pólo mais íntimo, íntimo abstracto de heteronímia, um íntimo deixado para trás, errado desde o inicio da sua existência. Contudo, a luta pelo ser, pelo seu eu, pela sua pessoa continua, numa luta constante, suave fera que o empurra na esperança de se encontrar na metafísica do universo imenso, imensíssimo, íssimo… íssimo. Inês Alves

Pequenos Poemas de Fernando Pessoa Para ser grande, sê inteiro Para ser grande, sê inteiro: nada Teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és No mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda Brilha, porque alta vive Ricardo Reis

3º Edição

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Gran Finale

Fernando Pessoa

Pessoapsicografia

Pessoa é um inspirador. Inspira tão profundamente Que chega a inspirar o dom Que os outros poetas têm .

E os que idolatram o que escreve, As emoções sentem bem, Não por causa da “dor fingida”, Mas sim pela famosa “dor lida”.

E assim, em cada verso, Eu, poeta amador, Inspiro-me na linda poesia Que o senhor do “Orpheu” publicou. Eva Diaz, “ortónimo”

Pequenos Poemas de Fernando Pessoa Autopsicografia

Na dor lida sentem bem,

O poeta é um fingidor.

Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não têm.

Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor

E assim nas calhas de roda

A dor que deveras sente.

Gira a entreter a razão, Esse comboio de corda

E os que leem o que escreve,

que se chama o coração. Fernando Pessoa

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Fala-me Disso


Gran Finale

Quadro de Honra e Valores

C

ento e quarenta e quatro alunos da Escola Secundária Dr.

Em nome dos alunos laureados, Pedro Graça,

Joaquim Presidente da Associação de Estudantes da Esco-

Gomes Ferreira Alves foram distin- la e distinguido no Quadro de Excelência pelo guidos, no passado dia 30 de Abril, seu desempenho académico, efectuou uma emo-

numa cerimónia realizada no Salão Nobre dos cionada comunicação. Dela colhemos algumas Bombeiros Voluntários de Valadares, com uma passagens: "Podia começar por dizer que sinto plateia totalmente repleta. Pais e outros familia- orgulho por mais uma vez ser distinguido para o res, autarcas, professores, auxiliares e colegas quadro de honra da nossa escola. Porém, resdos homenageados assistiram a uma cerimónia guardo-me no incentivo a todos os meus colegas que, tal como vem sendo habitual, premeia os de que não existe apenas o quadro de honra, alunos do Quadro de Excelência e de Valor, desta mas, acima de tudo, a aprendizagem e fortalecivez relativo ao ano de 20072008, daquela Escola mento de valores e comportamentos, tais como Secundária. O Presidente do Conselho Executivo da Escola,

o respeito, educação, solidariedade e amizade. Neste momento tão significativo, julgo que

Álvaro Santos, abriu a sessão e sublinhou o valor seria bom reflectirmos sobre as nossas vidas: o simbólico da cerimónia, elogiando a participação que buscamos? Para que estudarmos? Por que alargada da comunidade educativa e a valoriza- fazemos trabalhos escolares estafantes ou avação daquilo que considerou ser a prova de que liações, às vezes, questionáveis? Enfim, por que há professores que ensinam e alunos que apren- devemos percorrer os caminhos da aprendizadem nas nossas escolas. Música, dança e teatro animaram uma noite

gem? Essa resposta, acho, que é claramente visível

em que os apresentadores, Edgar Cardoso e Inês hoje. Fazemos porque a mente humana não Monteiro, também eles alunos distinguidos no pode apenas se guiar pelos ensinamentos básiQuadro de Excelência, estiveram em bom estilo cos, A juventude é uma época de busca de não apenas na condução do espectáculo, mas conhecimentos, de procura do nosso lugar na também participando, eles próprios, em alguns sociedade, é a curiosidade intelectual que nos dos números. Os presentes não pouparam aplau- impulsiona a descobri-nos e ao mundo que nos sos aos jovens homenageados, chamados um a rodeia". um ao palco, a quem foram entregues lembranças alusivas à cerimónia. Pelo meio, houve, ainda, oportunidade para mais duas celebrações colectivas: tinham acabado de chegar ao Salão mais de uma dezena de alunos de 12.° ano da Escola que tinham acabado. de conquistar, para a Escola, um 5.° lugar nacional (colectivo), um 4.° e um 6.° lugares individuais, em provas de Matemática (Mat 12), realizadas em Aveiro, juntando-se a uma conquista de um 2.° lugar no concurso "dar à Língua" por

Eloquente. A sessão, pautada por um clima de alegria responsável e de franca convivência entre os elementos da comunidade educativa demonstrou que a Escola Secundária Dr. Joaquim Gomes Ferreira Alves reconhece e valoriza a dedicação, o esforço no trabalho e o exercício de uma cidadania activa e responsável, sob o lema, tal como refere o folheto entregue à entrada "Aprender para ser melhor sempre".Professor

Álvaro Santos

duas

3º Edição

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Gran Finale

Moda no Feminino

C

omo será do conhecimento geral – tamos caros amigos: é verdade e é assim, a falsa se não o é deveria, tendo em conta modestia não faz parte dos nossos feitios! De o nosso rico dinheirinho gasto em facto, há que destacar este espectáculo como propaganda – no passado dia 13 de um dos mais originais que esta escola alguma vez

Maio de 2009, decorreu no auditório desta esco- vivenciou, já que, muito mais do que um desfile, la um desfile de moda no feminino, tendo como consistiu numa viagem a um tempo de pura organizadoras quatro alunas da turma D, do 12º modernidade, onde foram recriados os looks ano. Elaborado no âmbito da disciplina de Área mais marcantes de sempre, acompanhados de de Projecto – para aqueles que aínda não a têm inspirações do passado e de países longínquos – fica o aviso de que não é, de todo, pêra doce, e sem falhas! Aqui sim, a moda foi encarada pelo que terão de suar (e muito) se pretenderem como arte, uma arte capaz de nos transportar a um resultado como aquele que nós próprias uma dimensão de brilho e glamour, como forma esperámos alcançar – este foi o tema trabalhado de ver com outros olhos a História económica, pelo grupo ao longo do ano lectivo, sendo que a social e cultural da Idade Contemporânea. grande revelação de todo o projecto se deu no desfile em questão.

Gostaríamos, por fim, de deixar um agradecimento especial à professora Albertina Viana –

Poderíamos começar por salientar o sucesso por nos ter acompanhado e auxiliado ao longo das apresentações – para os mais distraídos: sim, da execução do projecto - à coordenadora e forforam duas! – note-se, porém, que a primeira se madoras do curso de cabeleireiros – que se coloresumiu a um nada mais que uma espécie de caram à nossa inteira disposição na elaboração ensaio geral do (verdadeiro) espectáculo que se dos penteados – às nossas queridas modelos seguiu. que, desde logo, se disponibilizaram a desfilar Se não, veja-se pela fantástica e notória organização de todo o desfile, desde o ambiente vivido nos bastidores – incluíndo, entre outros, tro-

perante a comunidade escolar, bem como à turma do 12º D, pela colaboração com o grupo, sempre que necessário.

cas de acessórios, calcadelas e tropeções – ao que todos os presentes puderam contemplar com os seus próprios olhos (e ouvidos) - gaffes, atropelos linguísticos, falhas técnicas sempre muito oportunas, não esquecendo, aínda, as vozes sempre afinadinhas dos nossos aspirantes a cantores (ou não), a serenidade e entusiasmo das nossas modelos e como não poderia deixar de ser, a simpatia e cooperação reveladas pelo público assistente. Em contrapartida, o segundo desfile decorreu na perfeição (ou quase) – já dizia o ditado popular: “depois da tempestade vem a bonança”. Poderiam acusar-nos de narcisismo, mas lamen-

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Fala-me Disso


Gran Finale

Terrorismo

T

errorismo, e os problemas de integra- extremistas. Até porque a existência destes preção dos muçulmanos no mundo oci- judica gravemente a integração de muçulmanos em território europeu e americano. A aceitação é

dental O terrorismo é, actualmente, uma das

maiores ameaças que paira sobre a humanidade. O terrorismo alimenta-se do medo generalizado. Ele

é

global,

invisível

e

silencioso.

Hoje em dia, é fácil ao olharmos para os vários meios de comunicação e percebermos que existe um choque de culturas. Em dois lados opostos encontram-se ocidente e oriente. Para os ocidentais, as origens do actual terrorismo vêm do Médio Oriente, e o terrorismo, neste contexto, está quase sempre associado a um aspecto que só por ele já se travaram inúmeras guerras no passado, refiro-me à religião, e ao Islão mais precisamente. Existem fanáticos da religião islâmica, extremistas radicais que interpretam nos ensinamentos do islão um apelo á guerra santa contra os infiéis. Ataques terroristas foram-se sucedendo no mundo ocidental. Os mais emblemáticos acabaram por ser os do 11 de Setembro em Nova Iorque, seguindo-se os de Madrid e Lon-

demorada. Contudo, existe uma outra perspectiva relacionada com os problemas de integração dos muçulmanos na cultura ocidental, pois não é menos verdade que muitos deles não fazem qualquer tipo de esboço para se integrarem no país que os acolhe, muito pelo contrário, são até bastante reivindicativos nomeadamente em questões relacionadas com a educação e a religião, deixo como exemplo, em França e na Bélgica, o facto de reclamarem uma revisão dos livros de história para integrar a história do país deles e da religião muçulmana. Situações como a descrita acabam por dificultar o relacionamento com outras sociedades, originando pouca abertura e falta de tolerância. Estas dificuldades de entendimento vêm fortalecer comunidades islâmicas mais isoladas e muito fiéis às palavras da sua religião, que irão dar origem a futuros terroristas, uma vez que se apela a uma "guerra santa" contra os infiéis.

dres. A palavra terrorismo ganhou uma dimen- O cenário idealizado não é muito optimista e são gigantesca um pouco por todo o lado. Instintivamente, muitas pessoas estabelecem a relação entre um terrorista e um membro da comunidade islâmica, a um qualquer cidadão do mundo muçulmano. Acaba, mesmo que involuntariamente, por haver um sentimento de desconforto, apesar de pensarmos que possuímos um e s p í r i t o

t o l e r a n t e .

No entanto, e este deverá ser o pensamento lógico a seguir, não devemos generalizar a todo o povo muçulmano. Devemos entender que os próprios muçulmanos residentes na Europa reprovam os comportamentos dos seus compatriotas. Muitos são os que se preocupam em

sobretudo, é particularmente incerto relativamente ao que se vai suceder futuramente. O que se pede a todos é tolerância e mentalidade aberta, essas serão pois as palavras-chave desta questão. Em Portugal, estes problemas nem existem de todo, apesar da comunidade muçulmana ser bastante vasta no nosso país, e já com as suas bases bem enraizadas, problemas de integração são poucos. Contudo, nem todos os muçulmanos, "metem as mãos no fogo" uns pelos outros, mas até ver não houve nenhum caso de extremistas no nosso país. Confia-se, sobretudo, nas pessoas e organizações responsáveis por manter tudo em ordem. Ivo Silva

defender o bom nome do Islão, e para isso, julgam que é dever deles denunciar os muçulmanos

3º Edição

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Gran Finale

Reflexões

Reflexão sobre um valor que é desrespeita- Há ainda quem se preocupe em aprofundar o que é a vida? Quando se pode afirmar que a vida

do: O direito à vida!

T

começa, levantando a polémica em relação ao odo

o

indivíduo

tem

direito

à

vida." (Artigo n°3, dos direitos humanos).

aborto e ao direito à vida do feto? Perante os direitos da mãe, transformando a questão numa luta entre uma vida em potência e uma vida real.

A vida é o valor fundamental a que

todas as pessoas, independentemente do nascimento da raça, ou da cultura, têm direito. Contudo, é um dos valores mais facilmente violados, um pouco por todo o mundo, ao longo da história e apesar do desenvolvimento técnicocientífico e das teorias filosóficas.

Ser tolerante é tolerar tudo?”

S

er tolerante, não é de maneira alguma, tolerar tudo. Ser tolerante passa pela aceitação e pelo respeito do(s) outro (s), respeito e aceitação esses, que só

O respeito pelo valor de vida verifica-se de forma se deve ter, quando o outro respeita e aceita extrema nas situações de guerra, de crime vio- (tolera) também o “seu outro”, a partir do lento, de genocídio, as situações mais conheci- momento em que isto deixa de acontecer, estadas e mediáticas. Todos conhecem os relatos mos, pois, no direito de não tolerar esse outro. É horríveis do Holocausto, dos assassínios em mas- esse o factor que nos leva, por exemplo, a tolerar sa no Ruanda, mas também o que ocorre de for- (e mesmo a acreditar) na Bíblia ou no Corão e a ma escondida, perversa, porque é silenciosa, não o fazermos com o Mein Kampf e a tolerar mas é também uma violação do direito à vida - um líder democrático pacifista, como Gandhi e a crianças mortas em tráfico de droga, à fome, por não o fazermos com um líder ditatorial e bélico, maus tratos, como mulheres assassinadas pelos como Hitler ou Pol Pot. É certo que teoricamenmaridos ou companheiros, entre muitos outros te, esta teoria é linear, porém, na prática nem casos. O problema prende-se depois com o que cada um entende por vida e também com o modo como vêm o outro. A minha vida é sempre mais importante, a vida da minha família, das pessoas do meu país. Até que ponto a vida dos outros me interessa e é realmente importante? Também em termos sociais, a vida pode ser reduzida em número? Para muitos estados, o "todo" é mais importante que a parte e há que submeter o indivíduo aos interesses do colectivo. Assim, não importa que morram alguns, para que a humanidade ou a liberdade, ou a democracia, seja salva. A vida perde, assim, valor, em função de outros valores e de outros interesses.

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sempre se concretiza por diversos factores: medo, egoísmo…, nesse caso ultrapassa os limites da tolerância e entramos no campo da cobardia e da cegueira, o que leva, geralmente a catástrofes, tanto para as vítimas, como para aqueles que não quiseram ver as atrocidades e a História comprova-o: Até 1933 e 1939, os países democráticos europeus deixaram a Alemanha hitleriana, ocupar todos os territórios envolventes, o que como consequência, levou à morte de muitos indivíduos, em territórios, como a Checoslováquia, a Áustria… e a um fortalecimento do próprio exército alemão, o que se viria a repercutir, mais tarde, no desenrolar da segunda guerra mundial. Bernardo Pinto

Fala-me Disso


Gran Finale

Reflexões

Tele-Urbano

B

oa Noite, Albina- Nós somos Albina Rafael e Onofre Salsada e este é o TeleUrbano.

Génesis Depois de Cristo

P

onho as mãos na cabeça e começo a pensar como se fosse o mar, a lua e o sol, agora beijo-te, depois beijo-te outra vez… Respira, não sou eu, é

apenas o meu eu, sem corpo, a alma transcende-

Onofre- A abrir, temos o Genocídio do Carrapa- me. telo, a história de duas formigas angolanas que emigraram para Famalicão. Passo-te a palavra a ti, minha cara Albina Rafael. Onofre - Albina, o que achas deste genocídio?

Deixo-me levar pelo preconceito, olho-me ao espelho, só vejo alma, o corpo fugiu, só passado um tempo é que me apercebo que este é o efeito do blue corazón e bebo mais um copo, gosto de viver esta espécie de realidade pintada de

Albina- Ora bem, eu acho que, portanto, não e tão grave como a amendoim homicida, a historia de um chouriço de vinho que queria ser mecânico. Caro Salsada, próxima noticia.

ilusão… Quando tento ver mais além, o mundo tenta vendar-me os olhos e cerca-me de material e uma profunda mentalidade materialista, acham que tudo se compra, até eu estou à ven-

Onofre - Vamos falar então, de um filme que da, mas eu vendo-me por pouco, para ti, era só estreia no cinema, digo eu, de Fafe chamado um terço do teu coração em troca de todo o “Camarões sobre rodas”, a história de uma ervi- meu. lha embriagada que queria tirar a carta de pesa- Agora que acordo, meio ressacado, deixo a dos.

pornografia lírica, a masturbação mental e peço desculpa aos professores de português por ser

Albina - Salsada então e a Nêspera Roliça?

tão autêntico ao ponto de usar as virgulas quan-

Onofre - Ora portanto, é uma peça que nos fala do quero, sem respeitar regras gramaticais. A da história de um empadão de atum que sonha rotina cansa-me, começam as crises existenciais, morrer no Pólo Norte. Albina passo-te a palavra. começo a pensar se estou louco ou se é o demasiado elevado teor alcoólico a queimar-me as Albina - Terminamos este tele-urbano com a dendrites e a reduzir-me os índices de dopamina. seguinte notícia: A vizinha badalhoca! – a historia Elevo a minha testosterona e fodo o meu cérede uma sensual menina do gás que foi assaltada bro com mais alguns problemas do mundo em em General Torres. que habito, mais uma vez!? Peco por pensar tanPor hoje é tudo e daqui terminamos, Albina to nos outros, já dizia Oscar Wilde “Muita gente Rafael e Onofre Salsada. Contamos com vós para estraga a vida com um doentio e exagerado a próxima edição deste tele-urbano, que prova- altruísmo”. velmente não existirá. Sara Loureiro e Emanuel Loureiro

Agora que já acabei de ler o Génesis vou começar a ler Apocalipse, peço desculpa ao Dalai Lama, a aplicação do budismo tibetano fica para depois… Como um demónio nunca vem só, eu vou sonhar com o Futuro e pedir desculpa ao Passado, mas estou cansado dele. Miguel

3º Edição

Novo

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Gran Finale

O amor

O amor é uma falácia?

N

Brisa

ão. O amor não é uma falácia mas sim um sentimento envolto em falácias. O sentimento em si é

real, é legitimo e "correcto" pois sem este e outros sentimentos assim, todos andariam tristes e com falta de alguém que lhes desse carinho e os fizesse sentir amados e como tal, por tudo e por nada, temos a necessidade de demonstrar o nosso amor por essa pessoa de todas as maneiras possíveis e imaginárias para que nos façamos entender... Mas é um sentimento, ou seja, algo que se sente e não se diz, logo, qualquer pessoa que tente explicitar o significado de amor estará a cometer uma falácia. Tudo aquilo que dizemos para nos expressar e fazer entender às pessoas que as amamos são falácias, pois tentamos demonstrar o que esse sentimento é para nós e como nós vemos o amor , e uma vez que este é abstracto, acabamos por utilizar falácias para fazer perceber o que realmente estamos a sentir; falácias da falsa analogia, do falso dilema, generalização apressada...

Q

uando a vi o sol já não brilhava, não tinha coragem para competir com a sua beleza, a lua escondiase timidamente entre as nuvens

para não ser comparada com ela. Eu, suava como uma fonte, mas mantinha-me robusto no meu posto, à sua frente. Meu Deus, que bela que ela é! - pensava eu. Ela olhava o horizonte com um olhar doce mas firme, os seus cabelos brincavam pelo meio do vento, o vento cantava a doce melodia dos amantes. Entrei no seu território, ela nem sentiu o meu delicado andar, continuava a contemplar o agradável bailado das ondas do mar. Olá! - disse eu. A sua cara rodou delicada e pausadamente, um sorriso emergiu da sua imensa beldade, os seus olhos cor de mel, do mais puro mel feito cuidadosamente por minúsculas abelhas, que deviam ser filhas da perfeição, olharam para mim e convidaram-me a sentar à beira do seu trono. Sentei-me, procurei a sua mão e erguia aos céus, era como estar a tocar em Deus. Reparei que Camões e Shakespeare nada percebiam de amor, o amor que eles descreviam era o mínimo do que eu sentia. Eu já com os meus

Utilizamos falácias porque é a única maneira dedos entrelaçados nos seus ouvia as suaves de nos aproximar-mos o mais possível o nosso palavras que ela dizia, enquanto me elevava ao último patamar possível da natureza humana.

sentimento com a realidade e o concreto.

Agi, beijei-a, era como beber do cálice de Cristo, Do ponto de vista lógico, podem ser incorrec- tudo em mim tremeu, mas depois era a maior tas as comparações que fazemos e maneira harmonia corporal existente, eu já nem controlacomo o dizemos. No entanto é com essa incor- va o meu corpo, era um parasita nele, saboreava recção e com essas falácias que nos conseguimos cada momento e rezava para que ele não acaexpressar melhor. Sem isso, nunca conseguiría- basse…. Pedro Graça mos demonstrar o que é o amor... só com o apelo às sensações e à emotividade é que conseguimos persuadir o outro e fazer-nos entender.

Cátia

Silva, Vanessa Guerreiro e Vanessa Valente

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Fala-me Disso


Gran Finale

Poetas de Bolso

Eu e Tu em Utopia

Por de trás da magia

Não há diferença entre um político ou um poeta ou [um sonhador.]

Por de trás da magia

No fundo não há diferença entre todos nós.

Do dia-a-dia

Porque todos choramos quando estamos sós.

Encontro alegria

Porque todos amamos mesmo sem amor.

O sentido da poesia

Porque todos somos os que sonham, os que [escrevem ou os que usam a palavra para governar]

No meu azul avermelhado

Porque todos somos (por vezes, mesmo sem

Fico loucamente apaixonado

[perceber) os que sabem amar.] Porque todos choramos mesmo sem choro possível,

Quando a razão se perde E se dá ouvidos ao coração

No mundo do invisível que é visível. E magoa, demais… magoa.

Adivinham-se tempestades

E é na dor desesperada,

Lágrimas pintadas a fluorescente

Na ideologia impossível realizada…

Dizer o contrário de contente

Que sei ser pessoa,

Que é ser feliz

Que tu o sabes ser… Vou-me contentando

Ao viver e ao morrer.

Miguel Novo

Ao amar e ao sonhar. Ao sonhar e ao realizar, ao concretizar. E é nesse sítio que estamos todos nós. Uns mais, outros menos sós. A dor, a alegria, a energia, o realismo ou a utopia… Estes são os pontos comuns entre o sonho, a política e a poesia. Entre todos os que estão mais ou menos sós. Esse sítio tem de nome Mundo e de apelido Nós. Márcia Pereira Gonçalves

3º Edição

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Gran Finale

Poetas de Bolso

Meu Mundo Teu

Imaginação

É o que nego e o que faço!

Ela é o meu passado

O imenso querer e o cansaço.

e eu sou o seu presente

O que me invade e quando me deixo partir.

o futuro... já vai longe,,,

Quando não tenho vontade de ficar nem de sorrir.

Pergunto-lhe: Quem és tu? Sou o que te resta - responde

É esta forma de estar em entusiasmo… Amar e não negar que amo. Ou não saberia sequer como me chamo. É este amanhecer em pleonasmo.

É esta poesia,

mas não me resta nada... o coração suspirou há muito, a esperança foi a primeira a morrer, e as emoções deixaram de correr.

- Alguma vez serei feliz?

Que não é tristeza nem alegria. Que não me sabe a sonho nem a maresia.

- Não sei... mas de tudo o que sei, preferia não saber metade; de tudo o que vi,

É este meu mundo,

preferia ter visto com os teus olhos;

Que é teu, e só teu, no fundo… Que inspira em mim algo tão profundo. Márcia Pereira Gonçalves

de tanto que ouvi, fiquei surda: de tudo o que senti,... não, não senti nada...

Olhei para a velha, espantado vi o meu reflexo Daniel Silva

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Fala-me Disso


Gran Finale

Espaço Lúdico

Anedota: Conversa entre dois amigos: - Qual é o teu partido?

Anedotas:

- É o M.D.M.T. - Mas esse partido é novo... - Pois é, mas já tem muitos aderentes. - Que quer dizer M.D.M.T? - Mais Dinheiro, Menos Trabalho.

Ouvido de passagem: O meu contabilista vale cada cêntimo que cobra por causa do tempo que me poupa. Este ano, por exemplo, provavelmente poupou-me cinco a dez anos de prisão.

Adivinhas: Sabes o que é que os canibais chamam aos pára-quedistas? R:.Toucinhos-do-céu!

Anedota: Durante a guerra do golfo um americano, um inglês e um alentejano encontram-se. Diz o americano, mostrando uma cicatriz no braço: - Isto foi, Kuwait City! Diz o inglês, mostrando uma cicatriz na perna:

Cartoon

- Isto foi, Bagdad City! Diz o alentejano, mostrando uma cicatriz na barriga: - Isto foi, 'apendiciti'!

In InterToon


3º Edição do "Fala-me Disso"  

3º Edição do jornal escolar "Fala-me Disso", Criado por Daniel Silva, Joana Carlos, Oscar esteves e Pedro Graça