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Jornal-laboratório - Jornalismo - Faesa - Vitória/ES - Maio/Junho de 2017 - Nº 107

Projeto Lumiar

OPÇÃO E DESAFIO >>> A maternidade para muitas mulheres virou uma questão de prioridade. Elas enfrentam a pressão social e abdicam do direito de ser mãe. A busca pela estabilidade financeira, a ascensão da mulher no mercado de trabalho, a liberdade e a indisponibilidade de tempo justificam o não para a maternidade. Em contrapartida, há mulheres que tentam engravidar e não conseguem... mulheres que sofreram aborto, mas não perderam a esperança... mulheres que abrem mão do emprego fixo para dar total atenção à criança... e mulheres que têm a difícil missão de ser mãe solo >>> Pág 04 e 05

Maternidade? >>> CURIOSIDADE>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

>>> PERFIL>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

>>> SAÚDE>>>> >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Paixão por ônibus

Superando limites

Medicina Alternativa

Há pessoas que são apaixonadas por entrar num ônibus, sentar numa cadeira e ficar passeando por horas na Grande Vitória. Essas pessoas recebem o nome de busologos. Eles não ligam para o calor, o preço da passagem, o barulho ou a lotação. Eles querem somente curtir os detalhes e os momentos dentro de um transporte coletivo >>> Pág 03

O estudante de jornalismo da Faesa Gleidson Nascimento, 21 anos, conheceu a superação desde o dia do nascimento, pois foi diagnosticado com paralisia cerebral. Ele luta contra os preconceitos, supera os limites físicos e emocionais e com muita determinação transforma os sonhos em realidade. Conheça a história de vida desse vencedor >>> Pág 06

A reflexologia ganha espaço como método para tratar doenças fisiológicas e emocionais. A medicina alternativa da reflexoterapia utiliza estímulos nas áreas de reflexos, principalmente dos pés, como tratamento. Enxaquecas, insônia, ansiedade, sinusites, estresse e outros males que afetam o corpo humano podem ser tratados >>> Pág 07

Anna Luiza Galon

Zanete Dadalto

Gabriela Singular

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OPINIÃO Eric Alvarenga

Preconceito vem da ignorância humana Laís Magesky (5º Per.) laismagesky@gmail.com

>>> O

Uma doença silenciosa... Mirella Ebani (5º Per.) mirella.lee@hotmail.com

>>> Posso encarar a depres-

são como o adoecimento dos novos tempos, apesar de sempre ter existido. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença afeta cerca de 350 milhões de pessoas ao redor do mundo todos os anos. De acordo com os dados, as mulheres são as que mais apresentam um quadro depressivo. E, embora, seja uma doença como qualquer outra, ainda há um estigma que a acompanha. Infelizmente, indivíduos que sofrem de depressão enfrentam muitos preconceitos por conta da visão errada que a sociedade tem sobre a doença. Qualquer dificuldade na vida pode ser o estopim para que ela apareça. Ela é silenciosa e muitas pessoas tem dificuldade em perceber os sintomas. Fadiga, desanimo, pensamentos negativos, sentimento de culpa, alterações no sono e no apetite e a falta de concentração são detalhes que caracterizam a depressão. Até mesmo atividades que antes eram prazerosas,

agora não despertam mais interesse nenhum. Se antes era algo que deixava a pessoa feliz, depois passa a ser algo que gera indiferença. Se não for rapidamente e devidamente tratada, a depressão pode apresentar um quadro sem volta. De cada 100 pessoas com quadro depressivo, 15 delas decidem colocar fim a própria vida. Antes, acreditava-se que a doença atingia somente os adultos. Hoje, é uma das principais causas de morte de jovens entre 15 a 19 anos. Nessa idade, os adolescentes passam por mudanças importantes: as cobranças, a construção do caráter e da identidade, a busca pela afirmação da própria personalidade e até mesmo as mudanças corporais e hormonais. Com esse cenário, os jovens, então, são mais propícios a se tornarem depressivos. Apesar de darem sinais que estão precisando de ajuda para que não cometam o ato, eles acabam sendo banalizados e ignorados pelas pessoas ao redor. Mais da metade dos casos de suicídio poderiam ter sido evitados se amigos e

Campus Av. Vitória Jornal-laboratório do Curso Diretor Acadêmico – de Comunicação Social da Alexandre Nunes Theodoro Faesa - Maio / Junho 2017 Coordenador do Curso de - Nº 107 Comunicação Social: Paulo Av. Vitória, 2.220 - Monte Soldatelli Belo, Vitória, ES, CEP Professores orientadores: 29053-360 Felipe Tessarolo Telefone (027) 2122 4100 Valmir Matiazzi Versão em PDF: http:// Zanete Dadalto www.faesadigital.com.br Editoração: João Ramos 3ºPP Textos e fotos: alunos do Reitor: Alexandre Nunes curso de Comunicação Social Theodoro Habilitações: Jornalismo, Superintendente Publicidade e Propaganda institucional: Guilherme Gráfica e Editora GSA A. Nunes Theodoro

EXPEDIENTE

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família percebessem que tinha algo de errado e tivessem confiado nas palavras dessas pessoas. O que seria descrito como “apenas uma fase” pode acabar em tragédia. É crucial que se perceba os sinais que a pessoa está dando. Não é desespero por atenção, mas um pedido de socorro por não conseguir lidar sozinho com toda a confusão. É essencial o apoio da família, dos amigos e a busca por uma assistência profissional para que a pessoa doente volte a ter alegria e encontre novamente um caminho de amor à vida...

Sinais da depressão

• Sentimentos de desamparo e desesperança • Perda de interesse nas atividades diárias • Pensamentos negativos constantes • Alterações no apetite e no sono • Irritabilidade ou inquietação • Perda de energia • Fortes sentimentos de inutilidade ou culpa • Pensamentos de que não vale a pena viver • Problemas de concentração

significado da palavra preconceito é dividido em duas partes: pré, que se refere a algo anterior. E conceito, aquilo que é compreendido a respeito de algo ou alguém. O preconceito é nada mais do que o julgamento sem ter a ideia do conceito. A pessoa considerada preconceituosa é aquela que julga antes de compreender, antes de conhecer a respeito desse algo ou alguém. O preconceito vem da ignorância. A luta contra o preconceito é cada vez mais comentada e noticiada nos meios de comunicação. As pessoas protestam, fazem marchas, levantam cartazes... Mas será cada um de nós percebe as nossas ações e opiniões? Será que todos colocam em prática o que dizem ser a favor? Penso que não. Nós vivemos em um século que é visto como moderno, tecnológico. Temos vários tipos de inovações, fácil acesso à informação e as pessoas ainda julgam umas às outras por conta da cor da pele, pelo gênero, pela orientação sexual, pela idade... Às vezes, me pego pensando em que mundo nós estamos, afinal, o preconceito tem consequências além da violência verbal. Pessoas são violentadas fisicamente, sofrem bullying simplesmente por serem... diferentes. Penso no que vai ser da próxima geração. Torço para que o preconceito não ocupe mais espaço, para que as pessoas evoluam. Até quem procura abrigo em uma religião sofre de preconceito. Pessoas matam e morrem em nome da religião. Por isso, eu sempre a afirmo e concordo que é dentro de casa que recebemos a educação que vai refletir na sociedade e mostrar quem nós somos. Os nossos pais são responsáveis por isso. A falta de respeito está diretamente interligada com a educação que recebemos em casa. Quem nos cria não tem controle e não é respon-

sável pela nossa personalidade, mas interfere diretamente nela. Talvez é dentro de casa, na nossa criação, é que o preconceito é formado - e, a partir daí, ao invés de aceitar as diferenças dos outros e ter um ponto de vista agradável, julgamos o gordo, o magro, o preto, o branco, o feio, o bonito, o homem, a mulher quando, na verdade, não deveríamos julgar ninguém. Nem pela cor, nem pelo padrão de beleza determinado pela sociedade, nem pela orientação sexual.

“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender. E se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar” Nelson Mandela A vida é muito mais que isso. Devemos parar de olhar para o outro e devemos olhar para nós mesmos. O que eu faço é correto? Devo mudar minhas atitudes? Será que eu sou um julgador, um preconceituoso? Não temos o direito de julgar ninguém, mas, infelizmente, a discriminação com a diferença dos outros ainda é um grande problema social existente no mundo todo. As pessoas que sofrem com o preconceito e são oprimidos e explorados de alguma forma pela sociedade acabam perdendo, também, oportunidades. Eu penso e acredito que a geração futura possa acabar com o preconceito. Agora e aqui, nós lutamos contra isso. Levantamos cartazes? Sim, levantamos cartazes. Mas temos que ter em mente que as pessoas discriminadas são nada mais do que outra versão de nós mesmos. De certa forma, somos todos iguais. Elas também são humanas e têm sentimentos. Então, sigamos tentando combater esse mal que existe há séculos. Sem hipocrisia, sem fingimento e colocando em prática tudo aquilo que nós temos como ideal.

>>> EDITORIAL >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Maternidade no século XXI >>> A maternidade é o tema central desta edição do jornal Tendências. Os textos apresentados lançam um olhar sobre a maternidade no século XXI. Para começar, a maternidade é colocada na matéria principal da página 4 como sendo uma opção de vida. Mulheres não aceitam a pressão social e abdicam do direito de ser mãe. A busca pela estabilidade financeira, a ascensão da mulher no mercado de trabalho

e a indisponibilidade de tempo são alguns fatores relacionados ao aumento de mulheres que dizem não à maternidade. Na página é possível ler também uma matéria sobre mulheres que tentam engravidar e não conseguem. E, ainda, mulheres que sofreram aborto, mas não perderam a esperança da maternidade. Já na página 5 do jornal, a maternidade é vista como um amor incondicional. Mulheres abrem mão do

emprego fixo para dar total atenção à criança. O outro texto da página mostra os gastos financeiros para ter e criar um filho. E para finalizar o tema maternidade, uma matéria mostrando a difícil missão de ser uma mãe solo no Brasil. A edição do jornal apresenta também curiosidades. Na página 3, você poderá ler sobre pessoas que são apaixonadas por “andar” de ônibus e por colecionar cartões telefônicos. Conheça também a centenária fábrica de pios Maurílio Coelho,

em Cachoeiro do Itapemirim. Já na página 6, a emocionante história de superação e vitórias do aluno de jornalismo da Faesa Gleidson Nascimento. A saúde também faz parte da edição. A reflexoterapia é o assunto principal da página 7. Para finalizar, a página 8 do jornal resgata a arte de encenar lutas. O famoso Telecatch ou pro-wrestling luta contra o preconceito e busca mais visibilidade no Brasil. Boa Leitura...

TENDÊNCIAS - Jornal-laboratório do curso de Jornalismo da Faesa - Vitória/ES


CURIOSIDADE

Fanáticos por transporte coletivo

PASSEIO >>> Os busologos são pessoas que adoram “andar” de ônibus e não estão preocupados com o preço da passagem, com a lotação ou com o calor. Eles querem é sentir a vida dentro de um ônibus Gabriela Singular (5º Per.) gabriela.singular@gmail.com

>>> Ônibus lotado, calor, pre-

ço da passagem, barulho e falta de segurança. Essas são as principais reclamações da população que utiliza o transporte coletivo como meio de se locomover pela cidade, mas, nenhum desses defeitos, impedem que os busologos deixem de considerar o transporte coletivo como uma terapia e uma diversão. No Espírito Santo existem capixabas que são totalmente apaixonados por ônibus e não trocariam um passeio de ônibus por um de carro. O professor e jornalista Hésio Pessali, após acompanhar o movimento ambientalista no país e no mundo, optou andar de ônibus para contribuir com o meio ambiente. “O transporte individual sobrecarrega o ar de poluentes e no final do processo temos o aquecimento global cujas consequências são muito preocupantes. Sempre que possível, inclusive para o

Fábrica de pios em Cachoeiro

interior do Estado, uso o transporte coletivo. Do ponto de vista da comodidade tem vantagens e desvantagens, mas eu gosto de andar de ônibus”. Aos domingos, que seria um dia de descanso, para o estudante de jornalismo Matheus Alvarenga é dia de passear pela cidade na linha predileta do Transcol, o 562, que faz o trajeto entre os terminais de Campo Grande, Jardim América, São Torquato, Carapina e Laranjeiras. Matheus faz um ‘tour’ nas avenidas da Grande Vitória e leva esse costume como um tratamento para a ansiedade. “Eu tenho ansiedade e andar de ônibus me acalma muito. Passo horas andando de ônibus. Gosto de acordar cedo no domingo, entrar numa dessas linhas do Transcol e seguir sem destino pela cidade. Isso me traz a paz que nenhuma terapia traz”. Segundo a Companhia de Transportes Urbanos da Grande Vitória (Ceturb-GV), o total de ônibus operante na Grande Vitória é de 1.621 linhas disponíveis para a população ca-

Gabriela Singular

pixaba. É normal você conhecer as linhas que passam dentro do bairro, mas para o universitário Reinaldo Coimbra, 22 anos, é necessário conhecer todas as linhas disponíveis na Grande Vitória. Ele conta que o amor pelo ônibus vem desde pequeno, quando deixava a casa pela manhã e passava o dia todo “rodando” nos coletivos. Reinaldo achava que era o único que tinha essa paixão por ônibus, mas, aos 14 anos, ele descobriu que existia um termo para isso, a busologia. O site Ônibus Brasil, que conta com mais de 56 mil busolo- TERAPIA >>> O universitário Matheus Alvarenga: “Eu tenho ansiedade gos de todo o Brasil, é e andar de ônibus me acalma muito. Passo horas andando de ônibus” possível conhecer novos membros, montar galerias pre que falo que sou busologo, soas que gostam de ônibus e, com fotos de ônibus e, ainda, as pessoas ficam surpresas e segundo ela, é algo que não apreciar informações de ôni- muitos me chamam de doido, teria como hobby. “Apesar de achar estranho, é algo que a bus com outras pessoas. O uni- mas isso não me incomoda”. Como diz o ditado: “Gosto pessoa se sente bem em fazer. versitário também faz parte do site e montou uma galeria de não se discute”. A supervisora Não é um hobby normal. Cada fotos com ônibus que fotogra- de vendas Brunela Ronchi es- pessoa tem sua especificidade fou na Grande Vitória. “Sem- tranhou o fato de existir pes- e o que é agradável para ela”. Arquivo Pessoal/André Fachetti

Karol Melo (7ºPer.) karollmeloo@gmail.com

Keila Lopes (7º Per.) keilaloppes@gmail.com

>>> Maurílio Coelho. Esse é o nome da fábrica de pios, em Cachoeiro do Itapemirim, sul do Espírito Santo, fundada em 1903 por Maurílio Coelho. Os pios são instrumentos de sopro feitos de forma artesanal com madeiras especiais e, depois de finalizados, emitem sons de aves com intuito de atraí-las. Hoje, o instrumento é utilizado por colecionadores, biólogos e apreciadores de aves. A prática de fabricar pios tem relação direta com o uso do instrumento para atrair animais. Isso acontecia com frequência no período em que a caça silvestre não era proibida. A partir da necessidade dos caçadores, principalmente índios Puris, é que o instrumento passou a ser produzido. De acordo com um dos proprietários da fábrica de pios, Fábio Coelho, a empresa produziu 40 pios de aves diferentes e vende para o Brasil e o mundo. “A coleção é feita de madeira e o trabalho é todo artesanal com peças torneadas e decorativas”, relata Fábio Coelho. Fabio conta também que a

Coleção com 500 cartões telefônicos

AVES >>> Fábio Coelho herdeiro de uma história de 114 anos produção dos pios pela família começou com o bisavô, que já trabalhava como marceneiro. Muito observador, ele prestava atenção no comportamento dos índios que dependiam da caça para sobreviver. Na época os próprios caçadores começaram a comprar os instrumentos. Os pios que eles usavam nas caçadas eram feitos de taquara ou bambu, mas não emitiam sons com tanta perfeição. “Logo que meu avô começou a produzir, ele tinha que fazer com osso e marfim. Em seguida, passou para a madeira, como jacarandá e jatobá, que possibilitou tornear e cria um aspecto decorativo”, contou.

Natureza

A peça que hoje é compartilhada com vários colecionadores também é fundamental no trabalho do fotógrafo da natu-

reza Leonardo Merçon. Para o profissional, o pio tem um papel importante no dia a dia de quem depende da proximidade dos animais para desenvolver o trabalho. “O fotógrafo da natureza utiliza muito uma espécie de play-back em caixa de som para atrair pássaros e outros animais. Contudo, o pio tem um som tão nítido que a eficácia vai muito além de uma gravação”, destacou Merçon. As conquistas, ao longo da história da fábrica de pios, vão muito além de uma simples fabricação de um objeto artesanal. O local fica numa ilha do rio Itapemirim e está sendo preparado para se tornar espaço cultural da cidade. O lugar recebe a valorização pela história rica da família Coelho e mantém vivo o sonho de integrar o homem ao meio ambiente.

Jornal-laboratório do curso de Jornalismo da Faesa - Vitória/ES - TENDÊNCIAS

>>> Colecionismo é o termo utilizado para definir a prática que as pessoas têm de guardar objetos. São moedas, cédulas, selos, canetas, telefones e tudo mais que se pode imaginar. Um desses objetos é o cartão telefônico. Eles chegaram no Brasil em 5 de abril de 1992 para substituir as fichas telefônicas. Mas, com os avanços tecnológicos, utilizar cartões telefônicos ficou no passado. Hoje, sem utilidade, colecionadores encontram formas de manter os objetos vivos e com histórias para contar. Por isso, um colecionador de Cariacica guarda com muito carinho os cartões deixados como herança pelo avô. Higor Vasconcelos, 18 anos, começou a colecionar quando tinha 15 anos, ainda quando o avô era vivo. Atualmente, o número de cartões chega a 500. “Lembro que eu e meu avô ficávamos a noite toda conversando e organizando os cartões na caixa. Não cheguei a utilizar em orelhão, pois, para mim, era apenas coleção”. De toda a coleção, Higor relata que os catões preferidos são sobre as paisagens e pontos turísticos do Espírito Santo. “São

meus cartões prediletos. Os do Convento da Penha me trazem lembranças do meu avô. Ele amava o lugar”. Higor pretende passar a coleção para a família. “Me vejo no futuro contando para os meus filhos as histórias que meu avô me contava quando estávamos juntos organizando os cartões. Quero deixar a minha coleção também de herança para eles. Espero que se interessem pela coleção e pelas histórias”. Alguns desses cartões possuem valores significativos no mercado da telecartofilia, ato de colecionar cartões telefônicos, estimulando colecionadores a comercializar como forma de investimento. Tiragens muito especificas como séries planejadas especialmente para um tema, elevam os valores dos cartões que podem chegar a custar até R$ 300,00 uma única unidade. A proprietária de banca de revistas Maria Helena conta que algumas pessoas ainda procuram a banca para comprar cartões telefônicos na esperança de aumentarem a coleção. “Pelo menos duas vezes por semana passam pessoas aqui no Centro de Vitória procurando onde comprar e trocar cartões ou procurando quem colecione”. Maio/Junho de 2017 >>> 3


MATERNIDADE

Elas dizem não à maternidade ESCOLHA >>> Mulheres resistem às pressões sociais e entendem a maternidade como uma opção. A liberdade, os estudos e a carreira profissional se tornam prioridades Daniela Aquino (5° per.) aquinodanielaa@gmail.com Gabriela Singular (5º Per.) gabriela.singular@gmail.com

>>> O tamanho da família tra-

dicional está mudando. O poder de escolha, a liberdade, a busca pela estabilidade financeira, os desejos, a ascensão da mulher no mercado de trabalho, o processo de urbanização e a indisponibilidade de tempo são alguns fatores relacionados ao aumento de mulheres e casais que optam pelo não à maternidade. Dados de 2014, publicados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) a partir das análises da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), apresentam um índice crescente de casais sem filhos no Brasil: saiu de 13,5% da pesquisa anterior para 18,8%. O perfil é de mulheres que resistem todas às pressões sociais e entendem a materni-

dade como uma opção de vida. De acordo com a socióloga Fabíola dos Santos Cerqueira, 42, há considerações que devem ser observadas no aumento do índice. “O empoderamento da mulher e a luta por igualdade estão presentes e fazem parte da vida da mulher no século XXI. A maternidade deve ser vista como uma opção. E essa ideia de que a mulher somente vai se realizar se for mãe é uma construção social. Elas não atribuem a um filho a responsabilidade por serem ou não realizadas como mulher”, explica.

Maternidade

Três mulheres com rotinas, pensamentos e desejos diferentes, mas com uma única convicção: dizer não à maternidade. Elas querem dedicar o tempo aos estudos e aprimorar o trabalho profissional. A contadora Clarissa Dalla Bernardina da Silva, 31, cursa a segunda

Aborto não mata esperança

>>>

Planejada ou não, a descoberta de uma gravidez vem acompanhada de expectativas e medo. Depois das preocupações, as mães pensam nos detalhes. Imaginam o quão serão “cabeludinhos”, pensam no sexo, no nome, na arquitetura do quarto, na alegria da casa, na fase dos primeiros passos e falas da criança. De repente, se frustram. Descobrem que sofreram um aborto espontâneo. A mesma alegria vira um processo de luto e surge o receio de ter uma nova gestação. No Espírito Santo, cerca de 15,6% das mulheres entre 18 e 49 anos declaram ter sofrido aborto espontâneo segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada em 2013, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Ministério da Saúde. Dentre as diversas mulheres está a técnica de enfermagem Alana de Souza Canal, 26 anos. Ela sofreu dois abortos e fez acompanhamento psicológico para recuperar a perda e auxiliar no luto. Buscar o foco em outras tarefas ajudou Alana na recuperação. “Mesmo não planejando uma criança, me senti incapaz de ter um filho. Recebi um diagnóstico errôneo de um útero invertido. Passei a acreditar e a pensar que não 4 >>> Maio/Junho de 2017

graduação e coloca como prioridades a faculdade e o emprego “Chegou um tempo que eu queria mais e foi quando iniciei a segunda graduação. Não abro mão da faculdade e do emprego. Ser mãe é muita responsabilidade. Envolve muita dedicação e não tenho essa disposição. Nunca foi minha prioridade ter um filho”. Uma auxiliar administrativa, que não terá o nome divulgado, 31, utiliza o tempo para se dedicar aos estudos e comenta que há dois anos decidiu não ter filhos e que os sobrinhos já preenchem o espaço maternal. “Para ser mulher, não é preciso ser mãe. A maternidade é vista pela sociedade como uma obrigação. Ser mãe não está nos meus planos de carreira. Minha família não aceita muito, mas já tenho cinco sobrinhos. Isso já me satisfaz”. Ela é jovem e decidida. Nunca se viu na postura maternal. A universitária Bárbara FerraArquivo Pessoal

pudesse mesmo ser mãe”, explica. Depois do episódio, teve o primogênito Antônio e aguarda ansiosamente por Elis, que chega em julho. O diagnóstico anterior foi desmentido pelo atual médico, que ofereceu outras possíveis causas para o aborto. Contudo, Alana se sente feliz e TRISTEZA >>> A psicóloga Patrícia realizada. Figueiredo suportou três abortos Já a psicóloga Patrícia Figueiredo Cavalieri Gratieri, 36, tem é recomendável aguardar no uma filha de 15 anos e so- mínimo dois meses para uma freu três abortos depois. Com nova gestação”. muita confiança, espera ter Um aborto consiste na inmais uma criança. “O primei- terrupção de uma gravidez ro aborto, eu cause. Não ti- com menos de 22 semanas de nha experiência e era muito gestação. Após esse período, o nova. O segundo, a placenta feto é considerado parto predesenvolvia, mas o feto não. maturo. Além disso, o aborto E o terceiro, o feto estava nas é mais frequente entre mulhetrompas. Quero mais um filho. res acima dos 35 anos. Amo crianças e meu esposo De acordo com a psicóloga ainda não tem”, relata. hospitalar Fernanda Stange, 31, o aborto espontâneo é um Fertilidade evento comum e que aconA obstetra Olímpia Amanda tece com diversas mulheres. Lopez de Tasayco, 64, explica “A duração de um luto é varique o aborto não interfere na ável de pessoa para pessoa. fertilidade das mulheres. “O As dificuldades são processos aborto não afeta a fertilidade. naturais da vida. A realização A fertilidade está relacionada de um enterro do feto pode às condições físicas. Quando a facilitar a entrada no luto e a mulher passa por um aborto despedida do bebê”.

Daniela Aquino

PRIORIDADE >>> Clarissa Dalla Bernardina: “Não abro mão da faculdade e do emprego. Ser mãe é muita responsabilidade” ço de Oliveira, 21, aos 12 anos decidiu que não queria ser mãe. “É um caminho que não quero seguir. Não vou abdicar da minha vida profissional e dos meus desejos. Ser mãe é o sonho de muitas mulheres, mas não para mim. Eu adoro crianças, mas escolher é um caminho, uma opção”. Os argumentos para recusarem o papel de mãe são vários,

mas a palavra dedicação aos estudos é repetida pelas três mulheres. Elas gostam de estudar, de viajar, se dedicar 100% ao trabalho. “É preciso compreender que são mulheres livres e independentes. E que todas têm a opção de escolha. Há muitas mulheres e homens que não desejam ter filhos. Não se veem exercendo esse papel social”, completa a socióloga.

Busca para poder ter uma criança >>> Muitas

mulheres tardam a gestação por diversos motivos, porém o que foi planejado para mais tarde pode virar um pesadelo depois. Fatores como a dificuldade, obstruções nas trompas, vasectomia, diagnóstico de infertilidade e casos de abortos em repetição fazem com que casais recorram a procedimentos reprodutivos. Segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), entre 2011 e 2014, o número de fertilizações in vitro (FIV) aumentou 106% em quatro anos no Brasil. Um desejo não realizado da espaço para os prantos. A professora Adriana Lopes Messias Bomfim, 49 anos, por motivos pessoais decidiu ter filho aos 35 anos. Por conta das dificuldades de engravidar procurou o médico. Ela fez exames e não houve diagnósticos genéticos de infertilidade e nem justificativas posteriores. Uma busca incansável que dura até hoje. “Não engravidar para mim foi um sofrimento grande. Eu chorava muito e pensei que fosse entrar em depressão por não poder ter um filho”, relata. Antes de programar a ges-

tação, Adriana recebeu a notícia que o embrião havia desenvolvido em uma das trompas e teve que fazer a ruptura. “Em 2008, tive uma gravidez tubária. Se com duas trompas já era difícil, uma, então, complicou. O médico me recomendou a fertilização in vitro. Fiz sete vezes, mas não foi possível. Agora, estou em processo de adoção. Faz quatro anos que aguardo uma criança”, completa. O especialista em reprodução humana Welington Alberto Balla sugere, inicialmente, para quem tem dificuldades, o exame de espermograma para os homens. E ultrassom endovaginal, hormônios e RX das trompas para as mulheres. “A causa do problema do homem, geralmente, é a motilidade espermática. Nas mulheres a obstrução tubária e ciclos anovulatórios são os mais comuns”, explica. O médico afirma que é possível a mulher ser diagnosticada com infertilidade ou ter dificuldades e depois engravidar. Na percepção do especialista em reprodução humana, engravidar antes dos 35 anos é o recomendável.

TENDÊNCIAS - Jornal-laboratório do curso de Jornalismo da Faesa - Vitória/ES


MATERNIDADE

Amor sem limites

Arquivo Pessoal

DESAFIO >>> A maternidade requer tempo disponível para se dedicar à criança. Algumas mulheres optam por sair do emprego fixo, abrir o próprio negócio e ficar perto do filho >>>

No Brasil, por direito, as mulheres que contribuem para a Previdência Social (INSS) podem ficar até quatro meses de licença maternidade, mas o tempo não é suficiente para dar a devida atenção ao bebê. Por isso, a escolha em sair do emprego fixo e abrir o próprio negócio tem sido a melhor maneira para as mães acompanharem mais de perto o desenvolvimento do filho. O grande desejo de ser mãe fez com que a advogada Lariça Campelo, 26, largasse o emprego para se dedicar totalmente a maternidade. Após o nascimento do pequeno Jefferson Júnior, a jovem tomou a decisão de não voltar a advogar mais. Lariça, atualmente, administra um canil em Campos do Jordão, interior de São Paulo. Ela afirma que na pro-

fissão de advogada, o retorno financeiro seria melhor, porém a carreira profissional ficou em segundo plano após a chegada do filho. Raquel Venâncio, 24, também deixou o emprego fixo para se dedicar ao filho Bernardo, 2 anos. Ela viu a oportunidade de abrir o próprio negócio e ficar perto do filho. Hoje, a jovem possui uma doceria e produz bolos e doces sob encomenda. “Fiz bolos de pote e comecei a vender na igreja, no trabalho do meu marido, em encontros de food truck e na rua. Deu certo. Descobri uma forma de cuidar do meu filho e trabalhar”, explica a confeiteira. Raquel conta que um dos motivos de montar a confeitaria foi a escolha de acompanhar o crescimento do filho. “A

Gabriela Singular

realização de ver os primeiros passos, as primeiras coisas que ele aprende e poder educá-lo vale muito. Quero estar perto na formação do caráter dele. Quanto a dinheiro, com o tempo, à medida que ele for crescendo e indo para a escola, eu penso em voltar ao mercado. Mesmo assim, continuarei com a doceria. Me encontrei nesse novo ramo”, finaliza a jovem.

Vínculo

A psicóloga perinatal Rafaela Schiavo explica que o vínculo entre a mãe e o bebê é um dos principais motivos do abandono da carreira profissional. “Esse vínculo ocorre desde do primeiro momento em que mamãe e bebê se conhecem no hospital. E quando vai para casa, quem alimenta o bebê

A difícil missão de ser uma mãe solo >>> A mãe solo enfrenta diaria-

mente o desafio de cuidar e de educar o filho sem a presença paterna. Assim, toda responsabilidade de cuidar e amar fica por conta da mãe que, diariamente, sofre o preconceito por ser solteira. Uma pesquisa realizada em 2015 pelo Instituto Data Popular aponta que o Brasil há 20 milhões de mães solo. A estudante Caroline Graciano, 22 anos, é uma mãe solo. Ela conta que no momento em que descobriu a gravidez do filho Enzo, 1 ano, foi abandonada pelo namorado. Atualmente, ela recebe ajuda da mãe para cuidar do filho, mas outras mulheres não têm a mesma sorte da jovem. A grande responsabilidade de educar uma criança sem a presença paterna é um desafio diário na vida de Caroline. “O pai faz falta nos momentos de educar, nos momentos da do-

ença e da tristeza. Falta alguém para dividir as responsabilidades da criação”, conta. A atendente de caixa Alessandra Ferreira, 21, afirma sofrer preconceito dos vizinhos por cuidar da filha sozinha. “Onde eu moro parece que existe um padrão de família (mãe, pai e filho). Sofro por ser nova e não ter o pai da criança comigo”, desabafa. A psicóloga Patrícia dos Santos acredita que é difícil especificar os principais fatores que podem levar o pai a abandonar o filho. Ela explica que a conjuntura econômica, social e emocional pode contribuir no momento da decisão. A psicóloga esclarece ainda que o desenvolvimento emocional da criança depende do suporte familiar e do quanto o papel de pai vai ser suprido por integrantes que fazem parte da convivência da criança.

primeiro é a mãe. Quem troca a roupa, quem dá banho, quem oferece todos os cuidados que a criança precisa, geralmente, é a mãe”. A psicóloga relata ainda que a licença maternidade no Brasil é curta e que, em alguns países, o direito pode se estender até em três anos. Esse tempo é essencial para acompanhar o desenvolvimento do bebê. Se-

gundo Rafaela, a rotina de se dedicar ao filho e ao trabalho sobrecarrega muito a mulher. “Algumas mulheres não conseguem dar conta de voltar a trabalhar e deixar o filho em casa. Isso acontece com muita frequência. Então, elas pedem demissão do emprego para terminar de exercer as atividades maternas com o bebê”, esclarece.

filha ao shopping nos finais de semanas. Ela explica que retira um valor para ser gasto com a filha durante o passeio. “Sempre damos um jeito de sacar dinheiro para a Vitória (filha), pois é impossível sair e não comprar nada. Criança quer tudo”, explica a jovem. A educadora financeira Sylvia Milaneze relata que a partir dos três anos de idade, os pais devem começar a conscientizar os filhos sobre a economia. Segundo ela, a prática do consumo consciente pode levar a realização dos objetivos. “Promover nessa criança a reflexão e provocar sempre a emoção para que possa compreender que os recursos financeiros fazem parte dos nossos valores e das nossas crenças é muito importante. A criança, a partir dos três anos de idade, deve ser estimulada a ter atitudes saudáveis para futuro”, finaliza Sylvia. Pensando no futuro financeiro da filha Eloá, 1 ano, a recepcionista Ana Maria de Melo, 38 , junta moedas em um cofre para incentivar a filha a economizar desde criança. “Quando ela tiver três anos, pretendo dar uma mesada para ela começar a administrar o próprio dinheiro. Essa mesada vai ajudar a pagar a faculdade no futuro”, conta Ana Maria.

tantes. “É necessário anotar em uma caderneta tudo o que entra e sai do bolso. Isso pode ser feito também com um aplicativo de guia financeiro, que pode ser baixado no celular. É necessário saber para onde o dinheiro está indo. Depois do diagnóstico, a família percebe onde estão as despesas desnecessárias”, explica o educador. Durante 30 dias, os pais devem anotar tudo que está sendo gasto e, após o término do prazo, é preciso diagnosticar como o dinheiro está sendo consumido. É necessário, também, realizar um orçamento com o que vai ser consumido com a chegada do bebê. Por exemplo, saber qual vai ser o gasto com o plano de saúde, o enxoval, a alimentação e outros itens. De acordo com o educador, uma boa opção para garantir que as finanças não se acumulem é fazer uma reserva na poupança ou migrar para o tesouro direto, que rende mais e é mais seguro. A conscientização financeira desde a infância é essencial para que a criança não se torne um adulto sem controle dos gastos. A instituição de educação financeira DSOP, localizada em São Paulo, possui livros disponíveis no site para os pais que desejam educar os filhos financeiramente. A coleção “DSOP de Educação Financeira - Ensino Fundamental I” é composta por três livros voltados para o público infantil. Para conhecer e adquerir o produto, você deve acessar o site www.dsop.com.br

Custos para ter e criar filhos >>> Muitos casais planejam em

PRECONCEITO >>> Alessandra Ferreira cuida sozinha da filha

AFETO >>> Lariça Campelo parou de advogar e cuida de um canil

ter filhos, mas esquecem do dinheiro que deve ser investido para a realização do sonho. A chegada de uma criança traz uma grande responsabilidade e, sem dúvidas, um grande aumento nos gastos da família. Estabilidade e planejamento são essenciais para ter sucesso na vida financeira. Os estudos do Instituto Nacional de Vendas e Trade Marketing (Invent) revela que até os 23 anos de idade do filho, um casal da classe A pode chegar aos gastos de R$ 2 milhões. Na classe B, o valor diminui para R$ 900 mil. Já na Classe C, o custo pode alcançar o valor de R$ 400 mil. Os valores são referentes a despesas essenciais com a educação, a saúde, a alimentação, o vestuário e o lazer. Elizandra Peixoto, 22 anos, é mãe de uma menina e está à espera da segunda filha. Com os gastos da maternidade e a construção da casa da família, que está em andamento, as despesas triplicaram. “Tem que ser tudo bem calculado. Gastamos muito com a casa por termos pressa em construir devido a chegada do bebê”, explica. Sobre a educação financeira infantil, a jovem apoia que os pais ensinem aos filhos a manter uma postura financeira correta para que não sejam prejudicados na vida adulta. “A criança deve aprender desde nova a lidar com o dinheiro. Isso ajuda a não fazer dívidas no futuro”, finaliza. Elizandra gosta de levar a

Jornal-laboratório do curso de Jornalismo da Faesa - Vitória/ES - TENDÊNCIAS

Planejamento

Segundo o educador financeiro Paulo Costa, os pais devem realizar sempre um diagnóstico na “saúde financeira” da família e fazer ajustes cons-

Maio/Junho de 2017 >>> 5


PERFIL

Não há limites para realizar os sonhos

José Wilker

José Wilker

José Wilker (5º Per.) wilker.mesquita@hotmail.com

>>> Nascido em Vitória, Gleid-

son Pereira Nascimento, 21 anos, veio ao mundo para mostrar que a vida é mais que uma simples rotina. É necessário ter garra, força de vontade e muita determinação para que os sonhos e objetivos possam se tornar realidade. Como o próprio nome da cidade em que nasceu diz, Vitória, é algo mais que comum na vida desse grande guerreiro. Com apenas um quilo e meio, Gleidson foi diagnosticado, ao nascer, com paralisia cerebral, o que afetou a visão e os membros inferiores. Na luta pela vida, foi necessário fazer três cirurgias e ele ficou impedido de andar por oito anos. Somente após nove longos anos de fisioterapia que o considerado impossível se tornou uma realidade. Após uma grande batalha e com mais uma vitória, Gleidson começou a andar, perceber que não era diferente de ninguém, que poderia realizar os sonhos e lutar pelos desejos, sem olhar para a limitação física. Antes disso, aos dois anos de idade, começou a frequentar uma creche. Sempre contou com o apoio e atenção dos professores e sempre foi muito querido por todos. Mas, como nem tudo são flores, quando Gleidson começou a fre-

quentar uma escola surgiram algumas decepções na vida. Alguns alunos zombavam e faziam piadas relacionadas à limitação física e isso o deixava muito chateado, fazendo com que o choro, ao chegar em casa, fosse inevitável. E foi nesse momento que o apoio da família se tornou primordial para a vida desse vitorioso. Com vários conselhos, a mãe sempre o apoiou e acreditou que isso não passaria de um momento difícil e que depois tudo iria passar. A família foi um grande pilar. Os familiares em todos os momentos diziam que ele era capaz de conquistar qualquer objetivo e que as dificuldades não seriam motivos para desistir dos sonhos. E isso fez com que o deixasse cada dia mais forte e dedicado na busca pelos sonhos.

“Com tantas batalhas e sempre de cabeça erguida, nunca se deixou levar pelas críticas e pelos momentos difíceis em que passou”

Com tantas batalhas e sempre de cabeça erguida, nunca se deixou levar pelas críticas e pelos momentos difíceis em que passou. Por dificuldades todos os seres humanos passam, mas o “verdadeiro soldado nunca desiste da guerra”. Nunca desistir é o principal fundamento para fazer o impossível virar realidade. O

José Wilker

VENCEDOR >>> Com a cabeça erguida e muita dedicação, o estudante de jornalismo da Faesa, Gleidson Pereira Nascimento, 21 anos, sempre mostrou para as pessoas que as barreiras da vida são feitas para serem superadas

ACREDITAR >>> A palavra dificuldade parece não existir no dicionário de Gleidson Nascimento tempo foi passando e os caminhos foram sendo abertos. Dessa vez, sem tristeza, Gleidson começou a viver com alegria e plena satisfação. Já com novos ares e em outra escola, esse grande vencedor se tornou exemplo para muitas pessoas que não acreditavam no potencial dele. A maior paixão, o futebol, não poderia ser visto apenas pela televisão, teria que ser também praticado. Com os verdadeiros amigos, jogava futebol, tanto no gol quanto na linha, fazendo muitos gols. A vida se tornou normal para aquele menino que sofria com as piadas cruéis que eram ditas. Aquelas brincadeiras desagradáveis foram ficando para trás e se tornando um grande incentivo para provar a todos que nada é impossível. Gleidson é fanático pelo Flamengo e no início do campeonato Brasileiro deste ano foi ao Maracanã ver o time do coração jogar contra o Atlético Mineiro. Mais um sonho realizado.

Realização

No ensino médio, Gleidson se dedicou inteiramente aos

José Wilker

Michelle Alves

estudos e com o foco de um dia se tornar um jornalista no ramo esportivo. E chegou o grande momento que iria testar os estudos e as horas de dedicação. Confiante no potencial, foi com tudo para fazer a prova do Enem. No coração sempre a esperança de conseguir entrar em uma faculdade. Após prova concluída, restava somente esperar. Faltava somente o resultado do programa de bolsas em que ele se inscreveu. E, então, chegou o grande dia. Saiu à lista de classificados. Eram dez vagas disponibilizadas de bolsa integral para o curso de Jornalismo na Faesa e o nome dele, Gleidson Pereira Nascimento, para alegria de todos, estava entre os dez colocados. Ao passar dois anos, agora, no ensino superior, estudando à noite e trabalhando durante o dia, é tratado igualmente por todos na faculdade. Sem nenhuma moleza, realiza, sem nenhum problema, todas as atividades que lhe são dadas, tanto na faculdade, quanto no local de trabalho. O estudante Gleidson espera, ao final de 2018, se tornar um jornalista

esportivo. Agora, pare e pense: é necessário realmente sentir pena? Por que não trocar esse sentimento desnecessário por incentivo? Dificuldades sempre irão surgir no caminho, mas desistir nunca. O impossível sempre se tornará possível se o foco e a determinação estiverem em primeiro lugar.

“A maior paixão, o futebol, não poderia ser visto apenas pela televisão, teria que ser também praticado”

Uma verdadeira história de superação que serve para todas aquelas pessoas que vivem reclamando dos momentos ruins e que não têm determinação para buscar a felicidade. Nada na vida é impossível. Pessoas vão criticar e te desanimar a todo o momento. Mas somente quem pode romper as barreiras é você mesmo. Gleidson é um exemplo e deixa um recado: “basta ter fé e confiar que tudo dará certo. Tudo tem o seu tempo determinado para acontecer. Basta ter paciência, dedicação e a vitória será decretada”. Santhaigner Aguiar

VITORIOSO >>> As limitações físicas não impediram Gleidson de realizar o sonho de jogar futebol e de conquistar uma bolsa para estudar jornalismo na Faesa 6 >>> Maio/Junho de 2017

TENDÊNCIAS - Jornal-laboratório do curso de Jornalismo da Faesa - Vitória/ES


SAÚDE

Reflexoterapia para curar doenças TOQUE NOS PÉS >>> Ansiedade, estresse, insônia, problemas digestivos e respiratórios, enxaquecas, sinusite e outras doenças que afetam o corpo são tratadas pela medicina alternativa da reflexologia Fotos: Anna Luiza Galon

Anna Luiza Galon (5º Per.) annaluizagm@gmail.com

>>> Imagine que todos os órgãos do corpo humano possuem terminações ligadas diretamente aos pés. Agora, imagine que ao apertar em pontos específicos dos pés seja possível amenizar, tratar e até erradicar inúmeras doenças fisiológicas e emocionais. Essa é a premissa da reflexologia, uma medicina alternativa que utiliza estímulos nas áreas de reflexos corporais como tratamento para uma ampla área de fisiopatologias. Para entender como a reflexoterapia age no organismo basta compreender que a terapia trabalha baseada em dois princípios básicos da medicina: os mecanismos de feedback e o de homeostase, estabilidade interna do organismo. O corpo humano trabalha 100% do tempo com feedbacks por meio dos processos hormonais do sistema nervoso buscando o equilíbrio, ou seja, estímulos e respostas. Quando há um desequilíbrio devido a essa alteração, o cérebro passa a não receber essas informações. Assim, o cérebro desconhece a irregularidade e não a corrige. A reflexologia trabalha para enviar esses feedbacks para o cérebro começar a fazer as correções. A reflexoterapia, então, pode ser utilizada para tratar ou

ALÍVIO >>> Luciana Fernandes conseguiu eliminar a dor reumatológica. A reflexoterapia do pé ou podal é a mais utilizada para as dores causada pelo reumatismo e pelo estresse. “Na primeira sessão eu sentia dores em alguns pontos do corpo. Na segunda sessão já foi diminuindo. Hoje, já não sinto mais. Os pontos dizem muito sobre a gente. A reflexologia me ajudou principalmente a lidar com meus próprios sentimentos. Ultimamente, vinha me sentindo muito nervosa e, hoje, estou muito menos estressada e sem dor reumatológica”. Para quem deseja fazer a reflexoterapia, a média de preço por sessão cobrada no mercado varia de R$ 130,00 a R$ 170,00. O serviço do reflexoterapeuta Silvano Soares Ferreira pode ser agendado pelo número de telefone 988032204.

prevenir problemas digestivos e intestinais, enxaquecas, tonturas, insônia, hérnia de hiato, ansiedade, dores reumáticas, dores musculares, dores nas costas, sinusites, doenças respiratórias, tendinite, estresse e outros males que afetam o corpo humano. Pés, mãos, orelhas e face são consideradas áreas reflexas. Contudo, a reflexoterapia do pé ou podal é a mais comum e mais conhecida dos especialistas. O tratamento consiste num diagnóstico primário com a análise da região dos pés por meio da observação do profissional e depois pelo toque. Assim, é possível estipular um tempo de tratamento de acordo com o problema diagnosti-

cado. Doenças crônicas necessitam de um tempo maior de tratamento. Já distúrbios genéticos ou distúrbios por falha estrutural não são passíveis de tratamento com reflexoterapia. Os pacientes realizam obrigatoriamente uma sessão que varia de 30 a 40 minutos a cada semana exceto no tratamento de doenças crônicas. Há uma comprovação científica da eficácia da reflexoterapia e o tratamento é recomendado pela Organização Mundial da Saúde. De acordo com professor e reflexoterapeuta Silvano Soares Ferreira, a utilização do método alcança pessoas de qualquer idade e ganha espaço no universo clínico. “Eu já tratei de um bebê

de dois meses de vida. E também já tratei de uma senhora com 88 anos. Hoje, utiliza-se muito da reflexologia em hospitais. Por exemplo, o método é utilizado no hospital do câncer na Austrália e no sistema de saúde de Londres. E, ainda, estipula-se que 60% população da Dinamarca já se tratou com a reflexologia”. O reflexoterapeuta informa também que o Brasil, comparado a outros países do mundo, está num processo de divulgação, aceitação e desenvolvimento dessa prática. A professora Luciana Fernandes, 34 anos, conheceu essa terapia por meio de palestras e reportagens. Ela contou que descobriu na reflexoterapia um alívio

De acordo com a dermatologista Bruna Berthollo, quando uma pessoa dorme vestida ou muito coberta há um aumento na temperatura do corpo e a alta temperatura noturna interrompe a liberação de alguns hormônios, como melatonina e hormônios de crescimento que são responsáveis para evitar o envelhecimento. “Se a gente dormir sem roupa, por exemplo, ocorre uma queda da temperatura do corpo e os hormônios serão liberados. Dessa forma o cabelo e pele são favorecidos”. Para associar novamente a temperatura e a nudez com a saúde da mulher, a ginecologista Madalena Bandeira de Melo explica que partindo do princípio de que a vagina é um órgão úmido e de localidade fechada, o calor das roupas sintéticas podem favorecer o aparecimento de fungos que é o habitat natural desse tipo de ambiente. Ela explica: “as pacientes que têm candidíase, fungos vaginais de repetição,

por exemplo, nós as orientamos a não esquentar muito a região vaginal. E se possível dormir sem nenhuma peça de roupa íntima”. Em contrapartida, ela conta que ficar com a genitália exposta aumenta as chances de contaminação externa.

meiro que eu não gosto. Calcinha me incomoda muito e também eu tenho ciência que não é saudável. Fico pelada mais para dar uma ventilada nas regiões íntimas. Quando eu fico com roupa muito apertada, sinto que muda a minha flora vaginal”. Homens também são vulneráveis. O cabeleireiro David Viana Maier se recuperou de uma infecção urinária e foi LIBERDADE >>> Ficar nu para evitar doenças orientado pelo médico a dormir sem cueca. “Quando tive in- do nós suamos. Então, devefecção de urina, o médico me ria passar a dormir pelado ou disse que isso acontece por- dormir com um tipo de cueca que alguns tecidos produzem que não desse condições a esum certo tipo de fungo quan- ses fungos”.

Ficar pelado pode trazer benefícios à saúde >>> Sentir-se

agradável, sensual, pervertido, envergonhado, confortável, obsceno, liberto, pecador ou simplesmente acostumado. Ficar nu promove sentimentos diferentes para muitas pessoas. Mas, há algo em comum para todos: a saúde que está diretamente ligada ao ato de ficar pelado. Os benefícios abrangem campos psicológicos, físicos e sociais. Os seres humanos, no passado histórico, ao perderem os pelos adaptaram peles ao corpo para se manterem aquecidos. Hoje, se utiliza roupas para proteção do corpo, por uma obrigação social, na distinção de povos e culturas, entre outros motivos. É claro que ficar em estado parcial ou completamente descoberto de roupas faz parte de uma identidade cultural e de preceitos individuais de ocasiões, condições e ideologias. A relação entre nudez, vestimentas e temperatura corporal é um dos fatores primordiais desse assunto.

Sutiã

O uso de sutiã é sinônimo de incômodo para muitas mulheres. Poder tirá-lo traz uma sensação de alívio e liberdade. Por isso, é importante lembrar que o uso de sutiã ajustado com tecido não sintético e sem hastes de ferro não trazem prejuízos para a saúde, pelo contrário sustenta a mama e dificulta que haja flacidez. Alguns estudos indicam que a barra de suporte embaixo pode, algumas vezes, trazer algum traumatismo na mama. A policial militar T. A, por morar sozinha, fica sem roupas sempre que está em casa e mesmo dormindo de pijama, não dorme com calcinha. “Pri-

Jornal-laboratório do curso de Jornalismo da Faesa - Vitória/ES - TENDÊNCIAS

Maio/Junho de 2017 >>> 7


ESPORTE

Arte de encenar lutas e encantar

ARTISTAS >>> Conheça mais sobre o espetáculo de entretenimento conhecido no Brasil por Telecatch. Uma mistura de golpes das artes marciais com acrobacias do circo e atuações dignas de cinema

Fotos: arquivo pessoal e Divulgação

Rodrigo Péret (5º Per.) rodrigobp94@gmail.com

gaste físico aos lutadores. Por isso, todo preparo é necessário para garantir a segurança dos >>> Quando se trata de filmes atletas e de todos os envolvicom cenas de luta, é comum dos no espetáculo. “Apesar de pensar nas lutas de boxe com sermos uma forma de ficção e Rocky Balboa, nas acrobacias não um esporte, somos atlede Jackie Chan ou no clássico tas. Todos os movimentos que confronto entre Jean Claude realizamos em uma luta são Van-Damme e Bolo Yeung no treinados várias e várias vefilme “O Grande Dragão Branzes. Se o meu corpo não estiver co”. Numerosas tomadas, uso preparado, eu irei me lesionar de dublês e até o uso de comou lesionarei meu parceiro de putação gráfica são necestrabalho”, comenta Raphael sários para essas cenas. Mas Rodrigues, 23 anos, lutador da imagine ver lutas encenadas Brazilian Wrestling Federation ao vivo, com acrobacias, golpes de São Paulo. Casos de lesões são inúmeros e até mortes já ocorreram num ringue. É o caso da morte da lenda dos ringues japonesa Mitsuharu Misawa, que sofreu um ataque cardíaco após sofrer um golpe mal aplicado nas costas. “Como as empresas daqui do Brasil possuem uma enorme falta de estrutura devido a pouca visibilidade na mídia, a maioria dos lutadores daqui tem uma outra ocupação. É muito difícil e arriscado viver de luta por aqui”, comenta Izac Luna Tavares, administrador do site Wrestlemaníacos, principal site da língua portuguesa sobre luta-livre profissional. Apesar da pouca PRO-WRESTLING >>> A luta encenada faz o público delirar e os atletas buscam mais visibilidade no Brasil perigosos e até mesmo cadeiras em cena? Este misto de artes marciais e espetáculo existe. Trata-se do pro-wrestling. Popularizada nos Estados Unidos no final da 2ª Guerra Mundial, o pro-wrestling trata-se de uma mistura de elementos das artes marciais com a dramatização das artes cênicas. Todas as lutas têm o resultado pré-determinado pela equipe criativa do evento, porém os atletas, na maioria das vezes, têm total liberdade para improvisarem dentro do ringue. “Não é algo que almeje ser de

fato um esporte, nem tenta enganar o público tentando ser uma arte marcial. É como uma série de televisão ao vivo e sem cortes. Envolve mais a forma de atuar das pessoas e a habilidade de contar uma história sacrificando o próprio corpo para isso”, comenta o estudante de jornalismo Matheus José Fernandes, 19 anos, mais conhecido como Iron Charles, campeão da Federação Internacional de Luta Livre (FILL) do Rio de Janeiro. Mesmo sendo encenadas, as lutas causam um grande des-

mídia, atualmente o pro-wrestling já teve anos de glória no Brasil. Até a década de 80 do século passado era comum ter ao menos um show da arte nos principais canais de televisão, com destaque para o Telecatch, nome criado a partir do nome original do pro-wrestling, Catch as CatchCan, e que virou referência quando se trata de pro-wrestling no País.

Popularidade

Com a exibição dos shows da World Wrestling Entertainment (WWE) na tv paga brasileira, a popularidade tem retornado devagar. Sites e blogs sobre o assunto surgem com mais frequência e o público em geral já reconhece a WWE como referência quando se trata de “lutas encenadas”. A própria WWE tem interesse nessa recuperação da popularidade e, atualmente, prepara brasileiros para lutar nos programas televisivos. Tratam-se de Adrian Jaoude, campeão sul-americano de Luta Olímpica, e Cezar Bononi, produto da BWF e ex-jogador da seleção nacional de Futebol Americano. O sucesso desses atletas na WWE pode ser um fator essencial para um possível renascimento do Telecatch, garantindo que a arte de se encenar lutas de forma quase tão real quanto a própria realidade não deixe de existir no Brasil. O brasileiro, amante da violência do MMA e do drama das artes cênicas, certamente tem um pé no pro-wrestling. Falta somente aceitá-la pelo que ela é, e não pelo que encena ser.

Artistas do Telecatch lutam contra o preconceito >>> Nas décadas de 60 e 70 do século passado, antes da explosão das novelas e dos galãs, os ícones da audiência da televisão brasileira eram Ted Boy Marino, Michel Serdan, Fantomas e vários outros brutamontes praticantes de pro-wrestling que apareciam em programas das redes de televisão Record, Bandeirantes, Tupi e Globo, executando golpes coreografados que encantavam o público. Apesar de fora do Brasil as lutas encenadas serem queridas pelo povo, no Brasil elas são vistas com certo desdém, chamadas de marmelada e de farsa por não passarem de um “teatro” ao vivo. Mas, afinal, o que aconteceu para a visão do brasileiro, antes fanático pelo Telecatch, mudar para um ódio profundo? Esse ódio se torna mais 8 >>> Maio/Junho de 2017

complexo quando se observa a popularidade das novelas no País. O Telecatch trata-se de lutas encenadas de modo a se contar uma história. As novelas, líderes de audiência na televisão, contam também suas histórias simulando situações que acontecem no cotidiano da população e são perfeitamente aceitas pelo público. “O público acreditou tanto nas cenas encanadas das lutas que quando percebeu que era somente atuação, se sentiu enganado. Era como se estivesse sendo feito de idiota. E isso não ocorre com as novelas. O público já sabe que tudo é encenação também”, comenta Raphael Rodrigues, wrestler de 23 anos da Brazilian Wrestling Federation (BWF) de São Paulo. O lutador ainda adiciona que é frequente ouvir do público mais velho presen-

te nos eventos comentários como: “é marmelada, é tudo mentira”, seguidos de frases nostálgicas como: “assisti muito isso quando era criança”. O administrador do site Wrestlemaníacos, principal site sobre o assunto da língua portuguesa, Izac Luna Tavares, comenta que apesar de não ser algo exclusivo do público brasileiro, o preconceito no País é mais intenso que em outros países. “Mesmo com o aumento da popularidade com os shows da WWE, principal empresa do ramo no planeta em canais de TV a cabo, grandes portais de notícias do Brasil publicam notícias sem informações detalhadas. Falta respeito com o evento e, ainda, os sites apresentam uma abordagem depreciativa do produto”, relata Tavares, cujo site possui em média 8 mil visitas diárias.

Apesar das comparações serem inevitáveis, atletas e especialistas do meio negam que a popularidade do MMA seja prejudicial ao pro-wrestling. Para os especialistas não há competição entre os dois ramos, pois, apesar de serem artes com passados interligados, o MMA teve forte influência do pro-wrestling ao longo da história, vide a popular pirotecnia do antigo Pride, não se tratam da mesma coisa. “O problema no caso pode partir para o âmbito da não compreensão da diferença entre o pro-wrestling e outros esportes de luta por parte dos brasileiros, que trata o pro-wrestling de forma vexatória. As lutas encenadas são um show, um espetáculo de entretenimento esportivo. O MMA é um esporte de competição com alguns aspectos de espe-

táculo”, define Tavares. Para superar o preconceito, a solução encontrada pelos artistas brasileiros é simples. “Nós apenas fazemos o nosso trabalho. Quando realizamos shows em eventos, é muito comum curiosos pararem, observarem e de início tentarem fazer chacota ou piada. Na maioria das vezes, essas mesmas pessoas ficam com papo de ‘é mentira’. Depois ficam em choque com algum golpe mais perigoso. Ficam interessadas e, ao final do show, estão apertando nossas mãos dizendo como ficaram entretidas com o nosso trabalho”, descreve Luque. Assim, cabe aos lutadores brasileiros paciência para lidar com um público que ainda começa a abrir os olhos para essa mistura de artes marciais com novela.

TENDÊNCIAS - Jornal-laboratório do curso de Jornalismo da Faesa - Vitória/ES

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Tendências 107 Maio/Junho  

EXPEDIENTE Jornal-laboratório do Curso de Comunicação Social da Faesa - Abril/Maio 2017 - Nº 106 Av. Vitória, 2.220 - Monte Belo, Vitória,...

Tendências 107 Maio/Junho  

EXPEDIENTE Jornal-laboratório do Curso de Comunicação Social da Faesa - Abril/Maio 2017 - Nº 106 Av. Vitória, 2.220 - Monte Belo, Vitória,...

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