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REVISTA OBJETIVA N° 7 – 2011

REVISTA DO INSTITUTO DE ENSINO SUPERIOR DE RIO VERDE

ENDEREÇO Instituto de Ensino Superior de Rio Verde - IESRIVER Rua 12 de Outubro, Nº. 40, Qd.: 64, Lt.: 02 Jardim Adriana – Rio Verde/Go CEP: 75901-970. Fone: (64) 3621-3539 – Fax (64) 3621 4543 www.faculdadeobjetivo.com.br

O Instituto de Ensino Superior de Rio Verde - IESRIVER apresenta a Revista Objetiva com a finalidade de publicar artigos originais de caráter mul-

VERSÃO DIGITAL Prof. Ms. Márcia Mariano Raduam Caetano

tidisciplinar, oriundos de pesquisas realizadas por seu corpo acadêmico. Autores vinculados a diferentes instituições de Ensino Superior, programas de Graduação e de Pós-Graduação, também são bem vindos, com

CAPA Agência Modelo Publicidade IESRIVER

pesquisas que visam o desenvolvimento social, econômico, científico, tecnológico e cultural das diferentes regiões do Brasil. A Revista Objetiva de publicação semestral, conta nesta edição, de nº. 7 do ano de 2011, com seis artigos, distribuídos nas áreas dos conhecimentos das Ciências Sociais Aplicadas e da Saúde. Os assuntos tratados nos artigos versam sobre temas da Comunicação Social Habilitação em Jornalismo e Publicidade, Direito, Enfermagem e Fisioterapia. Os artigos publicados na Revista Objetiva não expressam necessaria-

CORRESPONDÊNCIA E ENVIO DE ARTIGOS Núcleo de Planejamento e Pesquisa - NPPE E-mail: nppe@faculdadeobjetivo.com.br Fone: (64) 3624-2635 – Fax (64) 3621 4543

mente as opiniões do coletivo da revista. A reprodução dos textos, no todo ou em parte, é permitida desde que citada a fonte e os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores.

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FICHA CATALOGRÁFICA

ASSOCIAÇÃO DE ENSINO SUPERIOR DE GOIÁS – AESGO INSTITUTO DE ENSINO SUPERIOR DE RIO VERDE – IESRIVER DIREÇÃO ADMINISTRATIVA Fábio Buzzi Ferraz

OBJETIVA. Revista do Instituto de Ensino Superior de Rio Verde. – ano 7, n. 7 (Jul./dez.2011) – Rio Verde: IESRIVER, 2011.

DIREÇÃO ACADÊMICA Stefane Barbosa

Semestral. ISSN:1808-1444 1. Administração 2. Direito 3. Enfermagem 4. Jornalismo 5. Publicidade e Propaganda. I. Instituto de Ensino Superior de Rio Verde.

NÚCLEO DE PLANEJAMENTO E PESQUISA - NPPE NÚCLEO DA REVISTA ACADÊMICA – NURA EDITORIAL DA REVISTA OBJETIVA

CDU: 659 611 658 615

COORDENAÇÃO

Profª. Ms. Márcia Mariano Raduan Caetano

CONSELHO EDITORIAL Profª. Ms. Adriana Souza Campos

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Prof. Ms. Cláudio de Castro Braz

Prof. Ms. Getúlio Antonio de Freitas Filho

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Prof. Ms. Renato Cruvinel de Oliveira

Prof. Ms. Lindomar da Silva Almeida

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Prof. Ms. Tairo Vieira Ferreira

COORDENAÇÕES DE CURSOS Administração de Empresas e Cursos

SOLICITA-SE PERMUTA – EXCHANGE REQUESTED

de Tecnologia de Gestão

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Profª.Ms. Jerliane Cruvinel Menezes

Comunicação Social

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Profª.Ms. Adriana Souza Campos

Direito

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Enfermagem

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Profª. Carla Ribeiro da S. Santos

Fisioterapia

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Prof. Ms. Getúlio Antonio de Freitas

Filho

Turismo

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Prof. Will Heumeer da Silva Barros

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SUMÁRIO EDITORIAL 1. A INFLUÊNCIA DAS GUERRAS NA COMUNICAÇÃO: a relação entre os conflitos e a produção de discursos midiáticos. Hadassa Ester David Márcia Mariano Raduan Caetano 2. O SENSACIONALISMO NO JORNALISMO DIGITAL: uma análise do site Plantão Policial Paula Roberta Santana Rocha Márcia Mariano Raduam Caetano 3. A EAD, AS TIC E A FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO BRASIL: Entre as demandas econômicas e as possibilidades educacionais Roberta de Moraes Jesus de Souza 4. A ESCOLA REGULAR TEM RECURSOS HUMANOS E PEDAGÓGICOS CIENTÍFICOS PARA INTERVIR, MODIFICAR OU COMPENSAR O BAIXO ÍNDICE DE APROVEITAMENTO ESCOLAR DE UMA CRIANÇA SURDA-CEGA COMO NATASHA? Stefane Barbosa

5. ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL COMO INSTRUMENTO DE PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE Polianny Marques Freitas Branquinho

6. AVALIAÇÃO DA CAPACIDADE FÍSICA DE PORTADORES DE DPOC ANTES E APÓS INTERVENÇÃO FISIOTERAPÊUTICA AQUÁTICA Adriana Vieira Macedo Carolina Pereira Vieira Fernanda Silvana Pereira Quirino Francisco Elias Medeiros Fonseca Getúlio Antonio de Freitas Filho Rejane Maria Cruvinel Cabral Renato Canevari Dutra da Silva

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EDITORIAL O conhecimento científico é obtido com participação de muitos membros da sociedade acadêmica em sua interação com o mundo. Desta forma, o pensar científico influencia a vida em toda a sua dimensão do mesmo modo que a comunidade científica é influenciada pelo contexto em que está inserida. Atualmente a velocidade em que as inovações surgem exige que o processo da produção do conhecimento seja compartilhado, partilhado e produzido colaborativamente com a sociedade não apenas pelo valor social do conhecimento científico como também pela sua própria dinâmica. Produzir ciência faz (re)pensar, formular teorias, desenvolver técnicas, atingir um objetivo, resolver um problema e expor conceitos fundamentados no método científico. O avanço da ciência e da tecnologia é dependente da integridade da pesquisa e, por consequência, da confiança científica. Uma revista científica informa a sociedade sobre o progresso da ciência e também constrói uma memória científica. Uma revista científica pode também desempenhar o papel de arquivo de informações de interesse regional, nacional e até mesmo global. Nesta edição do ano de 2011, queremos mais uma vez afirmar a postura desta revista de cumpridora de seu papel de divulgar e informar com seriedade com responsabilidade tendo em vista que a produção científica só se completa quando é publicada, lida e (re)pensada. Aos nossos autores e leitores, razão da Revista Objetiva, nossos sinceros agradecimentos. Profº. Ms. Márcia Mariano Raduan Caetano

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ARTIGO 1 A INFLUÊNCIA DAS GUERRAS NA COMUNICAÇÃO: a relação entre os conflitos e a produção de discursos midiáticos. Hadassa Ester David Márcia Mariano Raduan Caetano

* Artigo resultante de Programa de Iniciação Científica dos cursos de Comunicação Social (INICIACCOM) do IESRIVER/Faculdade Objetivo realizado de agosto de 2010 a maio de 2011. O projeto de iniciação científica teve orientação da professora mestre Márcia Raduan, como atividade complementar desenvolvida por alunos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda. Hadassa Ester David - Estudante de graduação do 8º Período do Curso de Comunicação Social – Jornalismo do Instituto de Ensino Superior de Rio Verde (IESRIVER). E-mail: hadassaester5@hotmail.com. Márcia Mariano Raduam Caetano - Graduada em Comunicação Social com habilitação em Rádio e TV pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), especialista em Artes Cênicas (USC) e mestre em Comunicação Midiática (UNESP). Coordena o Programa de Iniciação Científica dos cursos de Comunicação Social (INICIACCOM) do IESRIVER/Faculdade Objetivo realizado de agosto de 2010 a maio de 2011. E-mail: marcia@faculdadeobjetivo.com.br.

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Resumo

Segundo Chaparro (2008), o primeiro jornal a trazer uma inovação na linguagem foi o inglês Daily Courant, criado em 1702. Samuel Buckley, que dirigia

Dentre as várias consequências que as guerras trouxeram ao mundo, o impacto foi significativo no ramo da comunicação. Os inventos tecnológicos vão resultar em várias transformações no jornalismo. Fatores como a velocidade e o crescente fluxo de informações serão responsáveis pela modificação na produção e linguagem jornalística, já que mobilizar a opinião pública se tornou uma das principais táticas de guerra. Perdidos em meio a uma sucessão de fatos, as guerras provariam aos jornalistas que a informação interessava mais que a opinião. Se por um lado, a objetividade é imposta ao jornalismo como forma de assegurar a verdade dos fatos, novas profissões no ramo da comunicação e outros meios de comunicação de massa, como o rádio e o cinema serão utilizados justamente para a divulgação de propaganda ideológica política.

o diário, introduziu no jornalismo o conceito da objetividade, tornando-se o primeiro jornalista a preocupar-se com o relato preciso dos fatos. Decidiu que as notícias deveriam ser tratadas como notícias, sem comentários, precedidas de uma apuração rigorosa dos acontecimentos. Buckley criou uma estratégia e um estilo que influenciariam todo o jornalismo mundial: separou as notícias dos artigos – news de um lado, preponderantes; comments de outro, para não “contaminar” as informações, porque “os leitores são capazes de refletir por eles próprios” (TENGARRINHA, 1989 apud CHAPARRO, 2008, p. 19).

Palavras-chave: Guerra. Propaganda política. Objetividade.

Esses fatos aconteceram numa época em que a monarquia estava em crise, e para salvá-la, a Inglaterra se envolveu em várias guerras simultâneas e

1. Introdução

sucessivas (Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714)). Naturalmente, a população queria saber o que se passava nas frentes de combate, coisa que o jorna-

A primeira forma de manifestação da imprensa foi através da escrita. Des-

lismo de artigos não oferecia. Porém, o artigo ainda iria predominar nas formas

de as invenções de Gutenberg no século XV que possibilitaram a impressão em

do texto jornalístico até meados do século XIX, quando, depois da invenção do

massa, escritores descobriram no jornal um importante meio de se aproximar

telégrafo e com o início de sua utilização pelas agências noticiosas, a notícia sur-

dos leitores e divulgar suas ideias.

giu e cresceu em seu formato moderno, como forma de relato dos fatos.

Até o início do século XIX a imprensa dominante era a imprensa opinati-

Jorge Pedro Sousa (2001), citando Timoteo Álvarez (1992) conta que com

va, ideológica, partidária e se destinava à elite em consequência da alfabetiza-

a Guerra da Secessão nos Estados Unidos, nos primeiros anos da década de

ção reduzida e a falta de recursos econômicos.

sessenta do século XIX, aconteceram várias transformações no campo jornalísti-

No Brasil, impera a época dos pregadores revolucionários, das lutas pela

co, tanto para o profissional quanto no modo de discurso. Houve um grande im-

Independência e por um governo constitucional. Sonetos eram publicados na

pulso para a divisão social do trabalho entre jornalistas e outros profissionais,

primeira página, assim como os romances em capítulos, os folhetins, que eram a

como os tipógrafos.

principal atração das folhas, mesmo quando estava em curso a Guerra do Para-

Durante a guerra, os jornalistas tomaram consciência da sua identidade

guai (1864 - 1870), noticiada sem nenhum destaque. Os brasileiros sabiam o

como corpo profissional porque, de algum modo, constataram que eram muitos

que se passava no front, através de discursos parlamentares que comentavam

e que faziam o mesmo trabalho. Verificaram também que o seu trabalho era bas-

os feitos militares ou com a publicação de relatos de passageiros de navios que

tante diferente do trabalho dos tipógrafos ou dos telegrafistas. Além disso, a

chegavam da proximidade dos campos de batalha com meses de atraso. Enfim, a notícia não era o mais importante nos jornais.

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Guerra da Secessão contribuiu para delimitar igualmente os territórios dos telé-

Mas a falta de edição fez com que, durante décadas, a notícia, ou melhor,

grafos, das agências noticiosas e dos jornais.

o telegrama, convivesse com os comentários ainda bem pouco objetivos. A repor-

Entre os milhares de repórteres que cobriram a Guerra da Secessão, o

tagem surge como rotina no início do século XX, mas só depois da Segunda

primeiro acontecimento a ser massivamente coberto, forma-se então um corpo

Guerra Mundial (1939 - 1945), o jornalismo brasileiro conhece as técnicas de re-

de jornalistas de guerra, sendo capaz de transferir a sua agressividade e livre

dação jornalística.

iniciativa para outras áreas temáticas quando a guerra terminou.

A implantação da técnica da pirâmide invertida e o lead no jornalismo viri-

Foi nesta época que se provaram novas técnicas de informação, como a

am a contribuir para o fortalecimento de uma imprensa informativa, da qual esta-

entrevista, a reportagem e a crônica. Surge a necessidade de se recorrer ao telé-

vam arredadas a análise e o comentário. Caberia ao repórter então apenas rela-

grafo para se enviarem as notícias da frente de batalha para a sede dos jornais,

tar os acontecimentos principais, de forma sucinta.

o que impulsionou a utilização da técnica da pirâmide invertida para a redação

Os jornais passam a se ocupar da reprodução das ocorrências tais quais

de notícias.

aconteceram. O conceito de objetividade é alavancado por princípios como os

De acordo com Mindich (1998 apud SPONHOLZ, 2004), antes da Guerra

de imparcialidade e equilíbrio. “Do estilo panfletário dos jornais do final do século

Civil Americana, não havia organizações profissionais, cursos universitários ou

XIX, o jornalismo passa a amparar-se em fatos e a recorrer a dispositivos para

manuais para jornalistas. Seu aparecimento coincide com o desenvolvimento

‘objetivar’ o discurso, como, por exemplo, o uso de aspas e a responsabilização

das noções de objetividade, na segunda metade do século XIX. Neste período, a

de fontes, pelas citações” (OLIVEIRA, 2003 apud BRIXIUS, 2006, p. 17).

sociedade norte-americana viveu uma mudança tecnológica e científica signifi-

Sousa (2004 apud MORAES, 2007) atribui o momento do surgimento do

cante, através da qual paradigmas religiosos passaram a ser substituídos por

conceito de objetividade no campo jornalístico, como sendo o período das guer-

explicações científicas.

ras mundiais, e argumenta que, até então, o termo objetividade correspondia es-

Segundo Ana Arruda Callado (2002), a grande mudança na imprensa bra-

tritamente à aplicação do método científico e dos princípios do positivismo lógi-

sileira ocorre em 1º de agosto de 1877. Nesta data, o Jornal do Commercio publi-

co.

ca os primeiros telegramas com notícias enviadas de Londres pela agência Ha-

Porém, no século XX, o conceito de “objetividade” já é pensado como ritu-

vas – Reuters.

al estratégico, enquanto conjunto de procedimentos destinados a reforçar a fé nos fatos abalada pela profissionalização das relações públicas e pela propaganA notícia passa a predominar, a linguagem vai se distanciando da literatura. E para mudar ainda mais, a intelectualidade abandona a vida de imitação das cortes européias em que havia mergulhado, despertando com a intensificação das campanhas republicana e abolicionista. Surge então o artigo editorial – mais tarde denominado apenas editorial – apontando para uma separação entre informação e opinião (CALLADO, 2002, p. 46).

da de guerra. A Primeira e a Segunda Guerra Mundial, talvez por força das circunstâncias excepcionais que o mundo atravessou, tornaram o jornalismo ocidental tendencialmente generalista e descritivo. Fez escola o he said journalism, ou seja, o jornalismo das declarações/citações, do qual estavam arredadas a análise, o

O primeiro editorialista brasileiro foi provavelmente, Rui Barbosa, jornalis-

contexto, a interpretação e até a investigação. Só a partir de meados dos anos

ta (Jornal do Commercio, O País, e Jornal do Brasil), jurista, abolicionista e candi-

sessenta do século XX, o jornalismo, particularmente o jornalismo de referência,

dato a presidente da República no bojo de uma candente campanha civilista.

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evoluiu para um modelo de análise, que pressupõe a especialização dos jornalis-

tral e destituído de juízos de valor, podendo assim garantir a veracidade da men-

tas (SOUSA, 2001).

sagem.

Pois se descobriu que a imprensa estava muito presa aos fatos, ao relato

Numa época marcada pelo positivismo, também os jornalistas são levados ao

das ocorrências, mas era incapaz de costurar uma ligação entre eles, de modo a

culto dos fatos e à tarefa de reproduzir fielmente a realidade, impressionados

revelar ao leitor o sentido e o rumo dos acontecimentos (LIMA, 2004 apud PES-

com novos inventos, como a máquina fotográfica. (TRAQUINA, 1993 apud SOU-

SA, 2009).

SA, 2001).

Os Estados Unidos do alvorecer do século XX são identificados como o

Michael Schudson (1978 apud TRAQUINA, 2005, p. 135) analisou a objeti-

principal cenário de eclosão para a reportagem como a conhecemos hoje. Duran-

vidade em várias profissões, inclusive no jornalismo, e descobriu que seu concei-

te a primeira guerra, a imprensa foi testada quanto à sua capacidade de informar

to no jornalismo nasce não da negação da subjetividade, mas do reconhecimen-

as pessoas sobre um evento de proporções mundiais. Deste episódio, ficou a

to da sua inevitabilidade. Isto é, o surgimento do conceito de objetividade entre

lição de que um acontecimento de tal complexidade como uma guerra não pode

os anos 1920 e 1930, nos Estados Unidos, não foi resultado do culto aos fatos,

ser entendido a partir de inúmeros fatos isolados. Era preciso ir ao encontro da

mas foi resultado de um método criado em função da desconfiança que o mundo

crescente demanda de noticiário em profundidade. (KÜNSCH, 2005 apud PES-

contemporâneo gerava nas pessoas na época.

SA, 2009).

Segundo ele, o mundo que se apresentava para as pessoas nas primeiras décadas do século XX, estava imerso no pessimismo e no descrédito em re-

2. A objetividade como estratégia

lação à democracia, como resultado da tomada de poder em muitos países por partidos fascistas e governos totalitários. Neste contexto histórico, também nas-

Os acontecimentos relacionados com a Primeira Grande Guerra, o apare-

cia um novo ramo científico, a psicologia, o que instaurou no espírito intelectual

cimento de novas profissões no domínio da comunicação – como as Relações

da época, a dúvida em relação à razão, auxiliada pela publicação de livros e arti-

Públicas, fundadas especialmente por Ivy Lee e Edward Bernays –, a desilusão

gos sobre sociologia e o comportamento irracional das multidões.

popular com as campanhas de propaganda, como também a aparição de asses-

O autor cita os dois fatores que abalaram a crença nos fatos para o jorna-

sores de imprensa e de “peritos em publicidade” tornaram-se uma ameaça à ex-

lismo neste período histórico: o primeiro é a experiência da propaganda de guer-

clusividade do jornalista, o que vai consolidar a preocupação com o relato objeti-

ra na Primeira Guerra Mundial, e o segundo é o nascimento de uma nova profis-

vo.

são, a de relações públicas, uma vez que o ofício das relações públicas comproO discurso da objetividade determina que, na prática, os jornalistas e os

mete a própria ideia de notícia, por ter como exercício profissional, a produção

media noticiosos devem se posicionar apenas como observadores independen-

de notícias para empresas e corporações com recursos financeiros suficientes

tes da realidade social que eles noticiam; já que fatores como verdade e conheci-

para contratar serviços de divulgação e propaganda. (SCHUDSON, 1978 apud

mento dependeriam da neutralidade do observador/jornalista em relação ao obje-

TRAQUINA, 2005, p. 136).

to de estudo e; portanto o meio noticioso, quando utilizado corretamente é neu-

O ideal da objetividade no jornalismo foi fundado numa confidência de que a perda de fé nos fatos era irrecuperável. Os jornalistas chegaram a acreditar na objetividade porque queriam, porque precisavam, porque

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eram obrigados pela simples aspiração humana de procurar uma fuga das suas próprias convicções profundas de dúvida e incerteza (SCHUDSON, 1978 apud TRAQUINA, 2005, p. 138).

Em 1937, o New York Journal, do grande magnata William R. Hearst, conseguiu, através do acirramento da opinião pública norte-americana, a destituição do embaixador espanhol Weyler e, posteriormente, após sucessivos bombar-

Desse modo, o ideal da objetividade não deve ser tomado como a expres-

deios jornalísticos, a declaração de guerra dos Estados Unidos à Espanha. Isto

são final de uma convicção nos fatos, mas ao contrário como a afirmação de um

fez surgir a questão: seria a imprensa também capaz de provocar guerras?

método concebido que toma o real como múltiplo, em que até os fatos não deve-

Para Ciro Marcondes Filho (1988, p. 85), a imprensa não atua sozinha na

riam ser tomados como verdadeiros de antemão. Com a ideologia da objetivida-

divulgação de suas ideologias. A tese, portanto, do poder extraordinário dos mei-

de, os jornais substituíram uma fé simples nos fatos por procedimentos criados para um mundo no qual até os fatos eram postos em dúvida.

os de comunicação é falha também em relação aos que, de fato, produzem as

(SCHUDSON,

notícias. É somente para a opinião pública que a imprensa aparece com força

1978, apud MELO, 2007).

isolada. Segundo Marcondes, ela está unida a outras grandes forças sociais. É

Procedimentos estes, que se tornaram um fundamento da prática jornalís-

preciso analisar o círculo de interesses e relacionamentos dos proprietários dos

tica, que estaria ligado a fatores como ética, responsabilidade e credibilidade.

meios de comunicação.

Agora não se trata mais de encontrar uma verdade única ou de acreditar que os

Exemplo disto e referência nos estudos da comunicação estão os nazis-

fatos possuem uma objetividade em si, mas de buscar produzir uma narrativa

tas, considerados modelos de êxito por conseguirem manipular os meios de co-

equilibrada, o que implica ser imparcial na apuração: ouvir várias versões do

municação a seu favor, através da criação do ministério da propaganda no perío-

fato, por diferentes fontes, apresentar controvérsias; checar os dados, além das

do que antecede a Segunda Guerra Mundial. Através do livro Mein Kampf (em

normas de redação com uma linguagem mais direta, simples e acessível.

português Minha Luta) é possível analisar como isto ocorreu. A obra é de autoria

O problema da objetividade no jornalismo mostra que muitas vezes, a bus-

de Adolf Hitler, líder nazista que se tornou chefe de propaganda do Partido Naci-

ca pelo equilíbrio apresenta um argumento fraco, uma forma de fuga à verdade

onal Socialista dos Trabalhadores Alemães. Observador cuidadoso dos aconteci-

mais do que um caminho na sua direção. (ROSEN, 2000 apud BRIXIUS, 2006).

mentos políticos e conhecedor da psicologia popular, Adolf Hitler (1924) conta

Seria uma forma de negar a responsabilidade em relação ao problema da verda-

que sempre se interessou vivamente pela maneira por que se fazia a propagan-

de no seu todo. É por esta razão que alguns estudiosos vêem a objetividade não

da da guerra:

como uma declaração de responsabilidade, mas antes como uma forma que os jornalistas têm de fugir à responsabilidade pelos seus atos.

Compreendi, desde logo, que a aplicação adequada de uma propaganda é uma verdadeira arte, quase que inteiramente desconhecida dos partidos burgueses. A que resultados formidáveis uma propaganda adequada pode conduzir, a guerra já nos tinha mostrado. Infelizmente tudo tinha de ser aprendido com o inimigo, pois a atividade, do nosso lado, nesse sentido, foi mais do que modesta. Justamente o insucesso total do plano de esclarecimento do povo do lado alemão, foi para mim um motivo para me ocupar mais particularmente da questão de propaganda (HITLER, 1924, p. 79).

É o que pensa a socióloga Gaye Tuchman (1993 apud TRAQUINA, 2005), que define a objetividade como um ritual estratégico dos jornalistas para evitar críticas ao seu trabalho e até eventuais processos na justiça. 3. Propaganda de Guerra

Analisando a propaganda durante a Primeira Guerra Mundial, Hitler concluiu que ela era ineficaz e até mesmo nem existia entre os alemães e aponta os

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Naquele tempo, sem a mínima experiência em matéria de imprensa tive que fazer uma aprendizagem que me custou muito sacrifício. Era de fazer cismar o fato de, ao lado da poderosa imprensa judaica só existir um único jornal popular de real importância. O motivo deste fato, como depois pessoalmente verifiquei inúmeras vezes na prática, residia na organização comercial pouco hábil das denominadas empresas populares. Na sua direção dava-se mais importância ao lado intelectual do que ao prático. Esse ponto de vista é completamente falso, pois a ideia tem a sua maior expressão na realização. Aquele que está efetivamente criando para sua nação coisas de valor, está provando com isso possuir uma ideia de valor idêntico, enquanto outro que apenas finge defender uma ideia sem entretanto executar serviços úteis para a nação (HITLER, 1924, p. 251).

motivos e causas desta ausência. Para ele, era insuficiente na forma e psicologicamente errada, na essência. Segundo ele, o fim da propaganda de guerra devia ser o de apoiar a luta de seu povo. “Levá-la à vitória, eis o seu objetivo”. Um fator importante a se considerar é o que diz respeito ao público alvo da propaganda, a qual deve sempre se destinar às massas. O fim da propaganda não é a educação científica de cada um, e sim chamar a atenção da massa sobre determinados fatos, necessidades, etc., cuja importância só assim cai no círculo visual da massa (HITLER, 1924).

A partir daí, o jornal sofrerá a intervenção da direção comercial, tornando-

Tratando-se, como no caso da propaganda da manutenção de uma guerra, de atrair ao seu círculo de atividade um povo inteiro, o procedimento deveria

se um dos maiores da época. Com isto a mídia passa a ser a principal propaga-

ter o máximo de cuidado, a fim de evitar concepções intelectuais demasiadamen-

dora dos ideais do Partido, possibilitada pela composição de uma facção políti-

te elevadas. “A capacidade de compreensão do povo é muito limitada, mas, em

ca, aliada às ramificações comerciais, intelectuais, militares etc.

compensação, a capacidade de esquecer é grande” (HITLER, 1924, p. 80). 4. O rádio e o cinema como instrumentos ideológicos

Hitler enfatiza o que denomina ter sido o erro fundamental dos jornais humorísticos austríacos e alemães para o desempenho dos combatentes: o de tor-

Em 1922, acontece a internacionalização da comunicação. A BBC é insta-

nar o inimigo ridículo. Neste caso, o sistema estaria totalmente errado, pois o soldado, quando caía na realidade, fazia do inimigo uma ideia totalmente diferen-

lada em Londres. A União Soviética, que em 1917 já havia transmitido o discurso

te, o que, como era de esperar, acarretou graves consequências.

de Lênin anunciando uma nova era, trabalhava com a propaganda política, buscando apoio à ideia comunista em toda a Europa. Pioneiros na transmissão ra-

No ano de 1921, Hitler ingressa no "Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães" e assume a direção da propaganda, tido como o setor mais

diofônica, os russos transmitiam em alemão, inglês, francês e neerlandês, em

importante de todos. Visando mais a propaganda do que a organização, a inten-

1929. A Alemanha também é destaque na utilização do meio radiofônico e apare-

ção era conseguir, pouco a pouco, adesistas. Um pequeno núcleo de indivíduos, que poderia fornecer os primeiros elementos de uma organização. Desta organi-

ce na Segunda Guerra Mundial, utilizando não só a estratégia militar, mas a pro-

zação sairiam combatentes, prontos para a luta.

paganda nas colônias alemãs instauradas dentro e fora de suas fronteiras. No Brasil e Argentina, mais de 750.000 imigrantes acompanhavam as ações do Ter-

Para difundir suas idéias, o partido compra um jornal diário que até então

ceiro Reich nos programas produzidos pelo Partido Nacional-Socialista.

defendia interesses populares. No princípio, era publicado duas vezes por sema-

Hitler e Mussolini se valeram da propaganda política, utilizando fortemen-

na, no começo de 1923, diariamente, e em fins de agosto 1923, foi publicado no formato grande que se conservou assim, daí por diante. Hitler não poupa críticas

te a incipiente indústria de comunicação de massa, como cinema e rádio, tendo

sobre a forma de atuação da imprensa:

como precursor desta estratégia o ministro de propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, que teve um papel revolucionário na percepção do poder de persua-

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são que a radiodifusão e o entretenimento poderiam ter como instrumentos de

dos, trabalharam a fim de buscar soluções cinematográficas para problemas polí-

propaganda política. (JAMBEIRO, 2004 apud QUEIROZ, 2009).

ticos.

Durante a Primeira Guerra Mundial, a propaganda de guerra já havia mos-

Descobriu-se no filme, um instrumento eficiente na transmissão de ideias,

trado a sua eficácia na mobilização da opinião para apoiar a participação dos

no qual pode-se gerar qualquer resultado desejado. Através da montagem de

Estados Unidos ao lado dos Aliados, mas é a partir de 1942 que os norte-ameri-

um filme é possível criar uma nova realidade, já que o diretor altera, reúne e cor-

canos passam a utilizar o potencial do rádio, quando em plena segunda guerra,

ta imagens de acordo com sua vontade, além de estabelecer seu próprio tempo

inauguraram a emissora Voz da América.

e espaço.

Essa foi uma das consequências do episódio que marcou a história do

Os efeitos da Primeira Guerra desestabilizaram as sociedades britânica e

veículo em 1938: a transmissão da Guerra dos Mundos por Orson Welles, uma

francesa. Os Estados Unidos mantiveram sua posição isolada. O período era,

novela de Herbert George Welles adaptada para o rádio, sendo transmitido dire-

então, imprevisível e instável. Os documentários dessa época buscavam a esta-

tamente do estado de New Jersey. A obra de ficção retratava a invasão dos mar-

bilidade e a força que não estavam presentes no mundo real. O empenho dos

cianos a Terra.

realizadores em encontrar reinterpretações positivas da sociedade foram os pri-

A proximidade da Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945) e a falta de

meiros esforços para comunicar ideias específicas sobre suas respectivas socie-

compreensão dos ouvintes sobre os fatos apresentados na simulação levaram

dades, com o intuito de uni-las e restaurá-las.

milhares de pessoas a fugir de suas casas, provocando pânico e mortes entre a

A formatação de ideias tornou-se cada vez mais urgente quando o propó-

população de grande parte do país. O episódio ficou marcado, pois rompeu com

sito do filme era ajudar a ganhar a segunda guerra em defesa da existência do

os conceitos existentes sobre a linguagem do rádio até aquele momento e provo-

país. Através das práticas da filosofia da propaganda para o filme e as ferramen-

ca uma série de estudos e mudanças na forma de se atuar no mesmo até hoje.

tas práticas para formatar e lapidar a ideia por meio da montagem, a força do

Logo após sua carreira no teatro e no rádio, Welles fica famoso por sua

cinema parecia não ter limite e também parecia perigosa. Essa percepção defi-

realização criativa no cinema: Cidadão Kane, em 1941. O filme é impregnado

niu tanto a fascinação quanto a suspeita em relação aos meios de comunicação,

pela influência do rádio. A história é contada por um narrador, um formato dramá-

particularmente o cinema e a televisão, no período pós-guerra (DANCYGER,

tico central no rádio.

2007).

Tanto a linguagem culta quanto a naturalista eram possíveis no drama ra-

No Brasil, em 1931, o então chefe do Governo Provisório, Getúlio Vargas,

diofônico. Além da linguagem, o rádio contava com efeitos sonoros e a música

assinou a regulação da radiodifusão no país, através do Decreto n° 20.047, defi-

para criar o contexto para os personagens que liam suas falas. Neste sentido, o

nindo como um “serviço de interesse nacional e de finalidade educativa”. Um

rádio influenciou o filme e sua nova aquisição: o uso do som e os efeitos sono-

ano depois, autorizou a veiculação de propaganda, limitada a 10% do tempo de

ros.

transmissão. Vargas já percebia, à época, a possibilidade de uma grande utilizaLênin acreditava na importância do cinema para sustentar a revolução, e

ção do novo veículo, já que estava antenado na propaganda política que aconte-

os jovens cineastas soviéticos eram entusiastas do movimento. Eles se preocu-

cia, por meio do rádio, nos Estados Unidos e na Europa. (JAMBEIRO, 2004

pavam com a função dos filmes na luta revolucionária. Idealistas e comprometi-

apud QUEIROZ, 2009).

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Mas é apenas no Estado Novo que o rádio se tornará o grande aliado da

O conflito austro-escandinavo de 1859 foi registrado por diversos fotógra-

política, com sua maior expressão, quando em 1939, estabelece-se o Departa-

fos que mostraram, pela primeira vez, os horrores da guerra. Desde então, as

mento de Imprensa e Propaganda (DIP) e do Ministério da Educação. O DIP foi

guerras passaram a ser amplamente fotografadas, fornecendo ao mundo provas

o grande disseminador de ideologias do Estado Novo, passando a controlar não

das atrocidades cometidas pelo homem contra o seu semelhante.

só o rádio, mas também jornais, editoras e espetáculos.

Para o americano Matthew Brady “as câmaras fotográficas eram os olhos

Durante a Segunda Guerra Mundial, com as ideias de propaganda política

da História”. As imagens fotográficas que Brady fez são um importante registro

que estavam tomando conta da cultura norte-americana, várias empresas brasi-

da Guerra da Secessão norte-americana.

leiras passam a anunciar seus produtos e marcas em todo o mundo para difun-

Durante a Primeira Guerra Mundial, já eram utilizadas câmaras mais portá-

dir a American Way of Life. Tornaram-se conhecidas pelos brasileiros as marcas

teis. A fotografia já havia se colocado ao alcance de quase todos. A Kodak de

Quaker, Colgate, Coca-Cola e Esso Standart de Petróleo.

George Eastman havia disponibilizado em 1890 um equipamento mais barato que, além disso, dispensava uma manipulação mais complexa. Nesta época foi

4. Imagens de guerra

possível, por exemplo, a captação do movimento dos combatentes. Já no decorrer da Segunda Grande Guerra, os fotógrafos usavam unifor-

O equipamento fotográfico da década de 1850 era difícil e incômodo de

me militar. Apesar de câmeras menores e mais ágeis, havia fortes restrições

transportar, mesmo assim, alguns fotógrafos começaram a fazer documentários

quanto à disponibilidade de material, que só poderia ser publicado mediante au-

de guerras. A fotografia documental de guerra é interessante porque, a partir

torização militar. Proibia-se a publicação de fotos em jornais norte-americanos

dela é possível analisar tanto o desenvolvimento tecnológico do meio quanto do

que contivessem seus soldados mortos. As fotos deveriam ser heróicas.

modo pelos quais, em diversos períodos, os conflitos foram representados. Con-

A Alemanha é considerada o berço do fotojornalismo moderno. Após a

sideradas representações da realidade, as fotos, além de trazerem informações

Primeira Guerra, floresceram nesse país as artes, as letras e as ciências. Este

sobre o fato ocorrido, também eternizam o passado. Nascida num ambiente posi-

ambiente repercute-se na imprensa e, assim, entre os anos 20 e os anos 30, a

tivista, a fotografia já foi encarada quase unicamente como o registro visual da

Alemanha torna-se o país com mais revistas ilustradas. Essas revistas tinham

verdade, tendo, nessa condição, sido adotada pela imprensa.

tiragens de mais de cinco milhões de exemplares para uma audiência estimada

A primeira cobertura ampla de uma guerra foi feita pelo inglês Roger Fen-

em 20 milhões de pessoas. (LACAYO e RUSSELL, 1990 apud SOUSA, 2001).

ton durante a Guerra da Criméia (1853 – 1856). Como suas fotografias tinham

A chegada de Hitler ao poder, em 1933, provocou o colapso do fotojorna-

que ser imediatamente processadas, Roger transformou sua carroça em um es-

lismo alemão. Muitos dos fotojornalistas e editores conotados com a esquerda

túdio móvel, enquanto acompanhava a guerra, embora seu laboratório ambulan-

tiveram de fugir para não serem presos e mortos. As agências fotográficas, a par

te tenha sido atingido mais de uma vez pelos russos. Pelos padrões atuais, as

dos serviços fotográficos das agências de notícias, foram crescendo em impor-

fotografias de Fenton não parecem visões de guerra, mas isto deve-se principal-

tância após a Segunda Guerra Mundial, época em que se assiste a uma crescen-

mente ao fato de ele pretender vendê-las a uma sociedade que certamente rejei-

te industrialização e massificação da produção fotojornalística. (SOUSA, 2001).

taria imagens de violência.

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A industrialização crescente da imprensa e a ânsia do lucro fizeram esten-

5. Considerações finais

der ao fotojornalismo o ideal da objetividade (LEDO ANDIÓN, 1988 apud SOUSA, 2001), face a um mundo em que os fatos eram merecedores de desconfian-

A imprensa sempre foi palco de lutas políticas e ideológicas. Em sua fase

ça (SCHUDSON, 1988 apud SOUSA, 2001).

inicial, mais opinativa, representava os interesses de intelectuais, que através de

Porém percebe-se que as fotos representavam mais inclinações ideológi-

seus artigos divulgavam suas ideias sobre o mundo e suas posições sobre vári-

cas e menos o que estava acontecendo de fato, como é possível observar nas

os assuntos, entre eles política e economia.

icônicas imagens norte-americanas da Segunda Guerra. Apesar de o conflito ter

Assim, dizer que o jornalismo só vai utilizar a publicidade na imprensa in-

sido sanguinolento e ter causado milhões de mortes, muitas fotos que de fato

formativa devido à expansão econômica e populacional e em consequência da

eram capazes de revelar o horror da guerra foram censuradas. Hoje, já se che-

redução do analfabetismo é ignorar a existência da propaganda na imprensa opi-

gou à noção de que a fotografia pode representar e indiciar a realidade, mas não

nativa, mesmo que esta era pessoal e partidária e representasse as posições e

registrá-la e nem ser o seu espelho fiel (SOUSA, 2001).

defesas de um só indivíduo e não de uma empresa. Porém, sabe-se que seu

Durante a Guerra Fria, os news media foram um dos palcos das lutas polí-

alcance era restrito e só a classe privilegiada tinha acesso a estas manifesta-

tico-ideológicas. No Leste, as fotografias dos líderes são reproduzidas muito am-

ções.

pliadas enquanto os dirigentes caídos em desgraça são apagados das fotografi-

O que se percebe, analisando o desenvolvimento da comunicação nos

as oficiais. Noutros casos, colocam-se pessoas nas fotos, como Stálin a falar

períodos das guerras, é que os sucessivos inventos resultantes destes conflitos

com Lênin, pouco antes da morte deste. Segundo Sousa (2001) é a ideia da ob-

e o surgimento de fatores como velocidade e difusão em massa para acompa-

jetividade, veracidade e realismo da imagem fotográfica a funcionar para o sen-

nhar o enorme e crescente fluxo de informações sobre os combates, fizeram

so comum. Para o autor, também está entre as contribuições do pós-guerra para

com que se estendessem as notícias a um público mais vasto, que se revelou

o fotojornalismo, a expansão da imprensa cor-de-rosa, das revistas eróticas “de

curioso sobre os novos acontecimentos.

qualidade”, como a Playboy (1953), da imprensa de escândalos e das revistas

As circunstâncias históricas primeiramente vão exigir que a informação

ilustradas especializadas em moda, decoração, eletrônica e fotografia, entre ou-

predomine sobre o comentário, em razão da velocidade na transmissão dos

tros temas, que, em muitos casos, sobreviverão à concorrência com a televisão.

acontecimentos. O pânico provocado pela violência das guerras, a necessidade

A imprensa de escândalos e a imprensa cor-de-rosa vão fazer surgir, nos

em conseguir o apoio público, além da concorrência dos veículos na publicação

anos cinquenta, os paparazzi, fotógrafos especialistas na "caça às estrelas". Só

de informações atualizadas vieram a contribuir para o fortalecimento de uma im-

a partir dos anos oitenta é que o controle sobre os fotojornalistas estende-se a

prensa, sobretudo informativa, tendo como base a objetividade.

outros domínios que não a guerra, como a política.

Porém, mais tarde ficará provado que o público ficou perdido em meio a fatos fragmentados, pois não havia mais quem os explicasse e contextualizasse. O próprio corpo de jornalistas não sabia como agir e teve que se adaptar às novas mudanças, adotando assim, novas técnicas de apuração de notícias e principalmente, modificando a linguagem jornalística.

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Com a imprensa neutralizada em meio à guerra de interesses, os meios

PESSA, Bruno Ravanelli. Livro-reportagem: origens, conceitos e aplicações, Regiocom, Universidade Metodista de São Paulo, 2009.

de comunicação revelaram-se, aliados em potencial para atuar a favor dos poderosos, disseminando suas ideologias e atingindo propósitos políticos e econômi-

QUEIROZ, Adolpho, BROGIO, Thybor e Leone, Juliana. Propaganda política no rádio: o estado da arte nas pesquisas acadêmicas, XIII Congresso Brasileiro de Marketing Político –Taubaté – SP Brasil, 2009.

cos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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BRIXIUS, Leandro José. Objetividade jornalística: um estudo a partir das rotinas de produção das editorias de política de Zero Hora e Correio do Povo, 2006.

SPONHOLZ, Liriam. As ideias e seus lugares: objetividade em jornalismo no Brasil e na Alemanha. Comunicação e Política, vol. XI, n. 2, maio-ago 2004.

CALDAS, Álvaro. (ORG.). Deu no jornal: jornalismo impresso na era da internet. Rio de Janeiro:Editora PUC-Rio / Edições Loyola, 2002.

TRAQUINA, Nelson. Teorias do Jornalismo, porque as notícias são como são. 2 ed, 2005.

CHAPARRO, Manuel Carlos. Sotaques d´aquém e d´além mar : Travessias para uma nova teoria de gêneros jornalísticos, 2008. 


WOLF, Mauro. Teorias da comunicação. Lisboa: Presença, 1995.

DANCYGER, Ken. Técnicas de edição para cinema e vídeo: história, teoria e prática- 4 ed, Elsevier – Rio de Janeiro, 2007. Enciclopédia Grandes acontecimentos que transformaram o mundo. – 1 ed - Rio de Janeiro: Reader’s Digest Brasil, 2001. HITLER, Adolf. Mein Kampf. Landsberg, Alemanha, 1925. MARCONDES FILHO, C. Televisão: a vida pelo vídeo. São Paulo: Moderna, 1988. MELO, Isabelle Anchieta. A defesa de uma nova objetividade jornalística: a intersubjetividade, 2007. MORAES, Vaniucha de. Objetividade no Jornalismo: gênese e versões sobre o conceito e a idéia de objetividade nas teorias do jornalismo, 2007.

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ARTIGO 2 O SENSACIONALISMO NO JORNALISMO DIGITAL: uma análise do site Plantão Policial Paula Roberta Santana Rocha Márcia Mariano Raduan Caetano

* Artigo resultante de Trabalho de Conclusão de Curso (Comunicação Social – Jornalismo). Paula Roberta Santana Rocha - Jornalista, graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pelo Instituto de Ensino Superior de Rio Verde (Faculdade Objetivo) e mestranda em Comunicação, área de concentração Comunicação, Cultura e Cidadania pela UFG (Universidade Federal de Goiás). E-mail: paula_roberta_1990@hotmail.com. Márcia Mariano Raduam Caetano - Graduada em Comunicação Social com habilitação em Rádio e TV pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), especialista em Artes Cênicas (USC) e mestre em Comunicação Midiática (UNESP). Coordena o Programa de Iniciação Científica dos cursos de Comunicação Social (INICIACCOM) do IESRIVER/Faculdade Objetivo realizado de agosto de 2009 a dezembro de 2011. E-mail: marcia@faculdadeobjetivo.com.br.

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O SENSACIONALISMO NO JORNALISMO DIGITAL: uma análise do site Plantão Policial Paula Roberta Santana Rocha Márcia Mariano Raduam Caetano

técnicos, intensificação e valorização da emoção nas notícias, além de muitos outros aspectos. Neste sentido, este trabalho visa analisar a atuação do sensacionalismo no jornalismo digital, através da análise do site “Plantão Policial”, que é uma versão online da editoria de polícia do jornal impresso Gazeta do Sudoeste. O jornal impresso possui uma circulação em dezessete cidades do sudoeste de Goiás e é produzido em Santa Helena de Goiás. O responsável pela editoria de polícia do jornal impresso criou, no início de 2010, um site de notícias com o mesmo nome, onde é feita a cobertura jornalística policial, além da utilização de fait divers4. O grande chamariz do site são fotografias chocantes de cadáveres, muitos deles com os membros separados do corpo, outros já em decomposição; pessoas mutiladas que foram vítimas de acidentes graves; veículos destroçados; entre outros. O texto noticioso, na maioria das vezes, possui poucas linhas, contendo apenas as informações principais, e percebe-se que não existe aprofundamento nos fatos, muitas vezes, são apenas informações colhidas de órgãos oficiais, como Polícias Militares e Civis, Corpo de Bombeiros, entre outros.

RESUMO Nos últimos anos, o jornalismo praticado na internet vem crescendo e se expandindo vertiginosamente, graças à sua componente tecnológica como fator fundamental, além da hipertextualidade, multimidialidade, instantaneidade e tempo real como principais características. Dessa forma, é possível perceber que alguns veículos tradicionais de prática sensacionalista estão utilizando-se das potencialidades da nova mídia, para manterem esse tipo de conteúdo na web. Isto é o que acontece com o objeto de estudo deste trabalho, o site “Plantão Policial”. O presente artigo objetivou analisar a atuação do sensacionalismo no jornalismo digital, através de um estudo de caso do site “Plantão Policial”, que é uma versão online da editoria de polícia do jornal impresso Gazeta do Sudoeste. O site, apesar da transformação pela qual passou a cobertura jornalística de crimes e violência, exibe fotografias de cadáveres e outras imagens que chocam, sempre no estilo, quanto mais sangue, melhor.

2. Em busca de um conceito para o sensacionalismo A tese doutoral de Danilo Angrimani Sobrinho que foi transformada em livro denominado “Espreme que sai sangue” (1995) é uma das obras mais completas que tratam sobre a linguagem sensacionalista e sua história na imprensa. Existem inúmeras definições para se conceituar o sensacionalismo. O Novo dicionário da Língua Portuguesa (2009) traz uma definição similar à dos autores pesquisados:

Palavras-chave: Sensacionalismo. Jornalismo digital. Internet. 1. Introdução Diante do cenário midiático atual pelo qual estamos inseridos, os meios de comunicação vivenciam uma nova fase, denominada digital, por consequência das novas tecnologias de comunicação e informação. A internet, introduzida massivamente no final do século XX e começo do século XXI, mudou radicalmente o universo do jornalismo. Vários são os nomes dados a esse novo tipo de jornalismo: webjornalismo, jornalismo digital, jornalismo online ou ciberjornalismo. Todos os nomes possuem a mesma acepção. Assim, com o advento da internet, o jornalismo perpassa por mudanças drásticas em sua forma de produzir e distribuir notícias. O perfil dos profissionais está mudando e as rotinas produtivas já não são mais as mesmas. O tempo de produção e distribuição da notícia é bem menor, se comparado há alguns anos, em que o jornalista tinha tempo para checar e apurar as informações com maior cautela. O jornalismo digital possui suas particularidades e tem a multimidialidade, a hipertextualidade, a instantaneidade e o tempo real como principais características. Dessa forma, é possível perceber que alguns veículos tradicionais de prática sensacionalista estão utilizando-se das potencialidades da nova mídia para manterem esse tipo de conteúdo na web, como fotografias de impacto, exagero de recursos

Angrimani (1995) explica que no senso comum, a palavra é comumente utilizada quando se quer designar que um veículo não possui credibilidade e ética e, geralmente, o conceito é visto negativamente. Nesse caso, a palavra é ligada à imprecisão, a erros de apuração. Assim, sempre que se quer acusar um veículo de não sério, há a tendência de designá-lo como sensacionalista, confundindo-o com um media sem ética e deturpador de informações, como se outros veículos ditos como sérios não estivessem também passíveis de erros. Por isso, é preciso caracterizá-lo de maneira contundente e suas diversas acepções. O autor conceitua o sensacionalismo dessa forma:

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Sensacionalismo (de sensacional+ismo). S. m. 1. Divulga ção e exploração, em tom espalhafatoso, de matéria capaz de emocionar ou escandalizar. 2. Uso de escândalos e atitu des chocantes, hábitos exóticos, etc., com o mesmo fim. 3. Exploração do que é sensacional (3), na literatura, na arte, etc. (FERREIRA, 2009, p. 1829).

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2.1 Um breve histórico da imprensa sensacionalista

Sensacionalismo é tornar sensacional um fato jornalístico que, em outras circunstâncias editoriais não mereceria esse tratamento. Como o adjetivo indica, trata-se de sensacionalizar aquilo que não é necessariamente sensacional, utilizando-se, para isso de um tom escandaloso, espalhafatoso. Sensacionalismo é a produção de um noticiário que extrapola o real, que superdimensiona o fato. (ANGRI MANI, 1995, p. 16).

De acordo com Angrimani (1995), não há uma data precisa para se dizer quando o sensacionalismo enraizou-se na imprensa. O autor acredita que características sensacionalistas estão inseridas na impressa desde seu início. No século XIX, havia jornais na França que eram conhecidos como canards e tinham apenas uma página. O conteúdo desses jornais eram histórias de catástrofes, crianças violentadas, cadáveres cortados em pedaços, eclipses, entre outros. Os primeiros jornais franceses surgidos entre 1560 a 1631, já tinham características sensacionalistas. O Nouvelles Ordinaries e o Gazette de France elaboravam notícias sensacionais, usando fait divers parecidos com os atuais. Havia também, antes mesmo desses dois jornais, os occasionnels, que eram brochuras, onde se expunha exageros, falsidades e fait divers. No entanto, o marco do jornalismo sensacionalista foi nos Estados Unidos, com a criação dos jornais de Joseph Pulitzer e William Randolph Hearst. O New York World de Pulitzer foi o primeiro jornal a cores, a utilizar os conhecidos “olhos” e possuir um grande conteúdo sensacional. Em 1890, Pulitzer já havia conseguido um lucro líquido de R$ 1,2 milhão. Posteriormente, surge um concorrente, o Mourning Journal. Seu dono, Hearst copia o modelo de Pulitzer e nesse momento os dois lutam com todos os meios para expandir seus veículos de comunicação (ANGRIMANI, 1995). Os dois jornais eram vendidos por preços baixos e os títulos eram bastante chamativos. Além disso, as manchetes se apresentavam em tons escandalosos, as notícias em sua maioria, eram sem importância e distorcidas e os artigos superficiais. Os jornais praticavam diversas falcatruas, ora inventando entrevistas, ora criando histórias apelativas. “Os repórteres estavam a ‘serviço’ do consumidor e faziam campanhas contra os abusos sofridos pelas pessoas comuns, numa mistura de assistência social e produção de histórias interessantes” (AMARAL, 2006, p. 18). No Brasil, os primeiros elementos de sensacionalismo foram os folhetins, surgidos em 1840. Contudo, o “Notícias Populares” e o “Última Hora”, foram os que marcaram a entrada do gênero no país.

Marcondes Filho (1986) diferencia o jornal sensacionalista do “convencional” apenas por um aspecto: o grau.

Sensacionalismo é apenas o grau mais radical de mercantilização da informação: tudo o que se vende é aparência e, na verdade, vende-se aquilo que a informação interna não irá desenvolver melhor do que a manchete. (MARCONDES FILHO, 1986, p. 66).

Dessa forma, o autor atribui o conceito a uma mera mercadoria da indústria cultural que busca intensivamente melhorar sua aparência para vender mais. Além disso, trata do termo através da visão psicanalítica onde o sensacionalismo se encontra carregado de “apelos às carências psíquicas das pessoas e explora-as de forma sádica, caluniadora e ridicularizadora” (MARCONDES FILHO, 1986, p. 67). É possível perceber que todas as definições possuem pontos em comum e todas tratam de questões emocionais, pois sensacionalizar é prender o leitor através da emoção, do sentimento, da dramatização. Porém, outros autores, como Rabaça e Barbosa acreditam que todo jornal é sensacionalista, pois busca prender a atenção do leitor para ser lido e, assim, vender mais. Rabaça e Barbosa afirmam que:

A rigor, todo processo de comunicação contém elementos sensacio nalistas, na medida em que mobiliza sensações físicas (sensoriais) e psíquicas, principalmente, na primeira etapa do processo, isto é, no esforço para obter atenção, aceitação e reposta a uma mensa gem (RABAÇA e BARBOSA, 2001, p. 666 e 667).

Além disso, os autores afirmam que o sensacionalismo pode ser expresso no conteúdo e na apresentação visual da notícia e pode conter “objetivos políticos (mobilizar a opinião pública para determinar atitudes ou pontos de vista) ou comerciais (aumentar a tiragem do jornal)” (RABAÇA e BARBOSA, 2001, p. 666, grifo dos autores). A complexidade evidente é que se todos os jornais fossem considerados sensacionalistas, a função social do jornalismo, como construtor e provedor do conhecimento e da crítica, perderia sentido. Portanto, deve haver uma diferenciação entre esses jornais, para que não se subestime a real função do exercício jornalístico.

2.2 Construção do discurso e linguagem sensacionalistas A construção do discurso informativo-sedutor de um jornal sensacionalista difere dos veículos ditos de referência ou convencionais. Neste tópico, será feito um estudo do discurso e da linguagem sensacionalistas, utilizadas nos jornais impressos. O enfoque dado será especialmente aos impressos, por serem os veículos onde mais se registrou e se registra essa utilização; e também por se aproximarem mais do webjornalismo.

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Pedroso (2001) apresenta inúmeras características do discurso sensacionalista e estuda como é feita essa construção. Para a autora, os jornais sensacionalistas têm uma percepção da realidade acerca do olhar do povo, da população que habita a periferia das cidades. O texto exige uma enorme criatividade do jornalista, pois este precisa sustentar uma pauta que tenha em seu dia-a-dia, assuntos inusitados, tudo para atrair a atenção do leitor. Por possuírem um caráter estilístico opinativo e avaliador, esses jornais deixam espaço para a dúvida, ambivalência e ambiguidade no jornalismo. Seria totalmente o contrário da seriedade e objetividade pregada pelos media. A subjetividade está permeada nas manchetes, nas capas, nos títulos, nos textos, etc. Na visão de Pedroso, a percepção jornalística da realidade, que seria nesse caso do povo, “produz um conhecimento do senso comum que se traduz, na página do jornal, num tratamento avaliativo e preconceituoso dos acontecimentos e da informação” (PEDROSO, 2001). Nos jornais sensacionalistas, a restrição e a ética profissional são tidas como imperativos, pois atrapalham na decisão do enfoque que o editor ou o jornalista darão a algum assunto. Muitos veículos chegam a fazer “a exortação da apologia da ordem”, mostrando o perigo das situações e trabalhando intensamente com a emocionalidade dos fatos, dos protagonistas e das circunstâncias. Pedroso explica que quando há uma exacerbação no modo de se noticiar um fato, essa notícia se torna superficializada e desvincula os fatos de seu contexto cultural, econômico e político. Os jornais sensacionalistas usam uma linguagem coloquial, formada por gírias, palavrões, trocadilhos. O assassinato, o suicídio, o estupro, a vingança, a briga, as situações conflitantes são as principais pautas, com destaque para as chamadas que estão sempre acompanhadas de uma fotografia apelativa. Os títulos são sempre noticiados em letras grandes e chamativas. O sangue é um dos principais símbolos do veículo sensacionalista. Por esse motivo, o apelido “espreme que sai sangue”.

Deuze (2006) considera o jornalismo on-line como um quarto tipo de jornalismo, como também uma segunda atuação profissional de um jornalista que trabalha em outro veículo como jornal, rádio ou TV, já que a maneira de se fazer notícias nesse veículo apresenta suas peculiaridades e características.

3. Trajetória e desenvolvimento do jornalismo digital

A prática jornalística sempre esteve aliada à tecnologia, desde seus primórdios. Ao se fazer uma retrospectiva sobre a história da imprensa, vê-se isso claramente. O jornalismo precisou da invenção de Gutenberg para se desenvolver e expandir, e sucessivamente, após as invenções do rádio, da televisão e agora da internet. O jornalismo praticado na internet ainda está em fase de descobertas e maturação e é um meio muito recente. Contudo, seu crescimento ocorre de forma bastante acelerada em relação aos outros meios de comunicação. Além disso, até hoje, a internet é o único meio de comunicação que possui menor tempo de aceitação entre a descoberta e sua propagação maciça.

Por fim, é possível concluir que todas as conceituações acima convergem pontos em comum, tendo a multimidialidade, a hipertextualidade e o “tempo real” como fatores primordiais para a constituição do jornalismo digital. No que concerne ao desenvolvimento do jornalismo digital, os Estados Unidos são os pioneiros. A inserção do jornalismo na internet se deu, inicialmente, atra-

Deuze apresenta uma definição sistemática e completa. O autor coloca a tecnologia como fator determinante para a concepção do jornalismo digital. Além disso, apresenta a definição através do ponto de vista do profissional que trabalha nesse novo meio. Pinho (2003), através da visão de Melo conceitua o jornalismo digital, partindo do princípio de que o jornalismo é um processo social que contempla algumas características já inerentes a ele como a periodicidade, a universalidade, a atualidade e a difusão. Para o autor, o jornalismo manifesta-se de várias formas (dependendo do veículo) e cada uma delas possui suas características próprias. Deste modo, Pinho (2003, p. 58) explica que o que vai diferenciar o jornalismo digital do jornalismo praticado nos outros meios de comunicação é a “forma de tratamento dos dados e pelas relações que são articuladas com os usuários”. Além disso, Pinho coloca um conceito de outro pesquisador que completa os conceitos citados acima:

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O jornalismo on-line tem sido distinguido funcionalmente de outros tipos de jornalismo através de sua componente tecnológica enquan to fator determinante em termos de definição (operacional) – tal como anteriormente aconteceu relativamente aos campos da im prensa escrita, rádio e televisão. O jornalista on-line tem que fazer escolhas relativamente ao (s) formato (s) adequado (s) para contar uma determinada história (multimídia), tem que pesar as melhores opções para o público responder, interagir e até configurar certas histórias (interatividade) e pensar em maneiras de ligar o artigo a outros artigos, arquivos, recursos, etc., através de hiperligações (hipertextos) (DEUZE, 2006).

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O jornalismo digital é todo produto discursivo que constrói a realida de por meio da singularidade dos eventos, tendo como suporte de circulação as redes telemáticas ou qualquer outro tipo de tecnologia por onde se transmita sinais numéricos e que comporte a interação com os usuários ao longo do processo produtivo (GONÇALVES apud PINHO, 2003, p. 58).


vés dos sites de busca que utilizavam a informação e o conteúdo como estratégia para manterem os usuários em suas páginas. Já no Brasil, aconteceu de forma diferente. Os sites de informação foram criados dentro das empresas jornalísticas tradicionais. Grandes conglomerados da mídia que possuem a maior audiência do país e a concentração das maiores receitas publicitárias, como as Organizações Globo, o Grupo Estado e a Editora Abril foram os pioneiros da entrada do jornalismo na internet. (FERRARI, 2010, p. 28). Inicialmente, os grandes jornais que migraram para a rede, faziam a transposição das notícias impressas para a versão online. Pouco a pouco foram percebendo as peculiaridades da nova mídia e começaram a adaptar um novo tipo de linguagem. Os jornais entendiam que precisavam oferecer conteúdos exclusivos, não apenas transpondo as mesmas notícias do veículo impresso. Assim, começaram a implantar notícias em tempo real para fidelizar os usuários. Conforme Barbosa (2001) aponta, “numa etapa seguinte, os grandes grupos e empresas entraram para o negócio do provimento de acesso à Internet – uma das esperanças de geração de receita, pois só a publicidade não garantia o retorno esperado”. Ferrari (2010, p. 28) explica que graças ao boom mercadológico ocorrido nos anos de 1999 e 2000 pela bolsa de Nasdaq (bolsa de valores), os portais brasileiros receberam altos investimentos de investidores estrangeiros. Assim, inicia-se o desenvolvimento e crescimento da internet no Brasil. Do final do século XX ao início do XXI, os grandes sites de conteúdo brasileiros, assim como os norte-americanos, passaram a destinar aos seus usuários grande oferta de conteúdo e agilidade das notícias, informações gerais e especializadas, serviços de e-mail, canais de chat e relacionamento, shoppings virtuais, mecanismos de busca na web e entretenimento. De acordo com Barbosa (2001):

4. Estudo de caso do site “Plantão Policial" O estudo de caso do site “Plantão Policial” ancora-se em todo o referencial teórico aqui presentes. São analisados 30 dias (de 15 de abril a 15 de maio de 2011), os inúmeros aspectos que compõem o site, como as notícias, fotografias, tipificação das notícias, entre outros. A seguir, uma tabela com os atributos que alguns pesquisadores da área atribuem ao conceito de sensacionalismo, e logo após outra tabela que caracteriza o discurso e linguagem sensacionalistas: Tabela 1Atributos da notícia sensacionalista segundo os autores pesquisados Angrimani

Extrapola o real, superdimensiona o fato. Tratamento da notícia com tom

Pedroso

escandaloso, espalhafatoso. Intensificação, exagero e heterogeneidade gráfica; valorização da emoção em detrimento da informação; exploração do extraordinário e do vulgar, de forma espetacular e desproporcional, adequação discursiva ao status semiótico das classes subalternas, destaque de elementos insignificantes, ambíguos, supérfluos ou sugestivos; subtração de elementos importantes e acréscimo ou

Amaral

uso abundante de fait divers. Marcondes Filho Grau mais radical de mercantilização da notícia. Bucci

É eticamente reprovável, curva-se ao preconceito.

Tabela 2Características do discurso e linguagem sensacionalistas segundo Pedroso (2001) Trabalha intensamente com a emocionalidade dos fatos, dos protagonistas e das circunstâncias.

A oferta casada de informação (banco de dados, hipertextos, áudio, vídeo) + serviços e produtos num só lugar além de gerar volume de acessos, aumentando a audiência, é o ponto de partida para se engendrar os usuários, lhes permitindo participar de uma comunida de não apenas existente no ambiente eletrônico, mas com suas ramificações no espaço físico das cidades (BARBOSA, 2001).

Utilização de linguagem coloquial, formada por gírias, palavrões, trocadilhos. O assassinato, o suicídio, o estupro, a vingança, a briga, as situações conflitantes, os fait divers são as principais pautas. Destaque para as chamadas sempre acompanhadas de fotografias apelativas. O sangue é um dos principais símbolos do veículo sensacionalista.

Na realidade, os grandes portais tinham como principal chamariz, os jornais digitais. O surgimento de portais gratuitos no Brasil fez com que o número de internautas crescesse exponencialmente. A partir daí, é que se inicia também um desenvolvimento do jornalismo praticado na web, que rapidamente vai adquirindo linguagem e característica próprias.

Em relação à construção do discurso e da linguagem do site “Plantão Policial” observa-se que em seu conteúdo textual o uso de uma linguagem coloquial, títulos chamativos e adjetivação são predominantes. Por outro lado, tem-se em algumas notícias palavras formais, o que mostra contradição. Vê-se também em algumas matérias o uso de trocadilhos, como por exemplo, a matéria do dia 27 de abril: “Mulher tem a cabeça cortada”, “Após violenta discussão, homem perde a cabeça e arranca fora a cabeça da companheira. Os motivos ainda serão apurados, o autor

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invenção de palavras ou fatos. Exploração de conteúdos descontextualizados, inversão do conteúdo pela forma,

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fugiu do local, maiores detalhes em reportagem posterior”. Neste caso, o texto informativo contém poucas linhas e quase nenhuma informação. Além disso, é acompanhado por fotografias chocantes, em que mostra a mulher nua e com a cabeça decepada (matéria na íntegra na página. Os títulos das matérias estão sempre em caixa alta e destacados. Existe muito mais preocupação em narrar linearmente, provocando certo suspense do que relatar os fatos, utilizando a objetividade jornalística. Enquanto estrutura, o texto noticioso não está no formato de lead, nem da pirâmide invertida. Também não foram visualizadas em nenhuma notícia, entrevistas com as personagens do fato; as informações são colhidas de órgãos oficiais, como Polícias Militares ou Civis, Corpo de Bombeiros, entre outros. As matérias são feitas a partir da narrativa linear e possuem no máximo dois parágrafos contendo as informações principais, não havendo preocupação com o contexto histórico, nem com os agravantes que ocasionaram o acontecimento. O chamariz do site são as fotografias. O número delas se sobrepõe ao tamanho da matéria. O assassinato, as situações conflitantes, os crimes, os fait divers e principalmente os acidentes são as principais pautas. Além disso, trabalha com a emocionalidade dos fatos e das circunstâncias. Em muitas matérias também é possível visualizar opinião se confundindo com informação.

Em 30 dias de veiculação, foram divulgadas também 30 notícias. A maior parte delas refere-se a acidentes (13), enquanto que notícias relativas a crimes e aos feitos da polícia foram 11, fait divers (3), infração de trânsito (1), utilidade pública (1) e relacionadas ao uso de drogas também (1). Através da separação dos tipos de notícias divulgados no site neste período, é possível identificar como o jornal estabelece os critérios de noticiabilidade, de acordo com suas rotinas de produção e sua linha editorial. Grande parte das notícias encontra-se vinculada aos critérios de noticiabilidade elaborados por Erbolato. Um exemplo são as notícias relacionadas a acidentes. Todos os acidentes ocorreram na região, assim o critério “proximidade” e “marco geográfico” correspondem ao interesse público. No entanto, quando são analisadas as notícias relativas a crimes, o mesmo não acontece. Dentre as 11 notícias publicadas, duas delas não correspondem ao critério marco geográfico e proximidade. A matéria “Dois cadáveres encontrados entre Maetinga e Aracatu-BA” foi enviada por um usuário do site e não é de interesse público da região, pois ocorreu em um outro estado. Neste caso, as fotografias podem ter sido o motivo de sua publicação, pois são chocantes e atraem o público. No dia da publicação da notícia (05 de maio) houve quase três mil acessos. Na sequência, a matéria na íntegra:

4.1 Critérios de noticiabilidade do site “Plantão Policial” Nesta seção, são analisados os critérios de noticiabilidade utilizados no site Plantão Policial. Os critérios de noticiabilidade modificam e variam dependo da empresa jornalística, do tempo ou do espaço geográfico, e estabelecem uma rotina produtiva jornalística que se equivale à forma de tratamento do real. Autores com Wolf e Erbolato, ao discutirem a teoria do newsmaking levam em consideração critérios como noticiabilidade, valores-notícia, constrangimentos organizacionais, construção da audiência e rotinas de produção. Nesta análise, são utilizados os critérios desenvolvidos por Erbolato, descritos na tabela 1 da seção 3.2.3, que correspondem ao que ele acredita ser de mais relevante para o interesse público. Primeiramente, torna-se necessária a elaboração da tipificação das notícias do site, conforme descrito abaixo:

Figura 1Santa Helena de Goias, 05/05/2011 - ATENÇÃO: ALGUMAS REPORTAGENS CONTÉM FOTOS COM CENAS FORTES

DOIS CADAVERES ENCONTRADOS ENTRE MAETINGA E ARACATU BA
 Escrito por Wellington Raimundo de Jesus - Visto: 2900 Vezes O site www.plantaopolicial.net informa: Na sexta-feira dia 29 de abril de 2011,foram encontrados dois corpos na fazenda grama, zona rural que divide a cidade de Maetinga e Aracatu - Ba, a mais ou menos 100km de Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, supostamente trata-se de um casal, os corpos foram queimados parcialmente, em um dos cadáveres havia uma tatuagem nas costas com os nomes de Gabriel e Gustavo, sendo que ainda este mesmo cadáver portava em seu dedo na mão esquerda uma aliança com o nome de Silene. Há marca de tiro na cabeça de ambos. Divulguem para que possivelmente seja encontrado os familiares das vítimas. Como é próximo a Ba 262,a qual é bastante transitada por turistas goianos e brasilienses, espero que possa noticiar para que podemos encontrar seus familiares. O corpo encontra-se do DPT na cidade de Brumado. O site www.plantaopolicial.net informou. FATO E FOTOS: ENVIADO PELO SR. WELLINGTON RAIMUNDO DE JESUS.

Tabela 3Tipificação das Notícias Acidentes 16/04 17/04 20/04

Acidente entre Volvo e Scania próximo ao trevo de Santa Helena-GO. Carro abraça coqueiro na av. Vilmar Guimarães às 2:50 da madrugada – Santa Helena – GO. Carro com três ocupantes capota e cai no rio São Tomáz.

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É possível visualizar também que o site não se preocupa em divulgar notícias envolvendo o tráfico de drogas ou problemas na segurança pública. Percebe-se certa parcialidade, pois o trabalho da polícia em alguns momentos é “admirado”, “vangloriado”. Além disso, por tratar-se de um veículo sensacionalista, possui aquilo que Pedroso denomina de exploração de conteúdos descontextualizados e insignificantes, como o caso de algumas notícias citadas acima. Considerações Finais A pesquisa objetivou analisar a atuação do sensacionalismo no jornalismo digital, através de um estudo de caso do site “Plantão Policial”. Para tanto, utilizouse de pesquisa bibliográfica e documental. A análise baseou-se na pesquisa descritiva que tem como conceito a observação, o registro e análise de fatos ou fenômenos sem manipulá-los. Assim, foram analisadas, em um período de 30 dias (de 15 de abril de 2011 a 15 de maio do mesmo ano), as matérias, conteúdos, manchetes, fotografias, layout da página, critérios de noticiabilidade, tipificação das notícias e periodicidade de atualização. Observou-se que o sensacionalismo, um fenômeno tão utilizado desde os primórdios da imprensa, ainda é presente nos media atuais, bem como em mídias digitais. O site “Plantão Policial”, apesar das transformações pelas quais a cobertura jornalística policial perpassa, exibe fotografias de cadáveres e outras imagens que chocam, sempre no estilo quanto mais sangue, melhor. Após o estudo dos textos, das fotografias, das manchetes, entre outros aspectos, o problema foi respondido e a hipótese comprovada. Nos textos e conteúdos analisados foi possível identificar claramente como o site apropria-se das potencialidades do jornalismo digital para construir um discurso baseado no uso das sensações, na intensificação e valorização da emoção em detrimento da informação, no exagero de recursos técnicos e na exposição de imagens que chocam. O site possui um grande número de acessos, o que demonstra o quanto o conteúdo sensacionalista, apesar de criticado, retém audiência. O site uniu cobertura jornalística policial com sensacionalismo, conseguindo explorar a curiosidade mórbida intrínseca ao público e agindo em seu inconsciente. Como Angrimani afirma, nem mesmo os próprios construtores deste tipo de conteúdo têm a consciência das implicações psíquicas ali envolvidas. Outro aspecto relevante a ser citado é a questão do aprofundamento da notícia, fato que não acontece. A maioria das notícias é retirada dos Boletins de Ocorrência de órgãos oficiais, o que corrobora para um noticiário superficial e falho, pois quando não existem entrevistas com pessoas envolvidas nos acontecimentos, quando não há investigação por parte do jornalismo, a consequência é uma imprensa tendenciosa que não apura os outros lados do acontecimento.

Outra notícia que não corresponde ao critério de noticiabilidade é a divulgada no dia 27 de abril “Mulher tem a cabeça cortada”. Se houvesse informação suficiente, entre outros atributos, ela poderia ser de interesse público por tratar-se de um crime brutal. Porém, não houve dados nesta matéria, apenas fotografias de forte impacto, para chamar e atrair a atenção do navegante do site. Figura 2Santa Helena de Goias, 27/04/2011 - ATENÇÃO: ALGUMAS REPORTAGENS CONTÉM FOTOS COM CENAS FORTES

M U L H E R T E M A C A B E Ç A C O R TA D A ( F O T O S F O R T E S )
 Escrito por Léo Penteado - Visto: 6253 Vezes O site www.plantaopolicial.net informa: Após violenta discussão, homem perde a cabeça e arranca fora a cabeça da companheira. Os motivos ainda serão apurados, o autor fugiu do local, maiores detalhes em reportagem posterior. O site www.plantaopolicial.net informou.

Em relação aos fait divers, é possível identificar três matérias que correspondem àquilo que Erbolato chama de “raridade”. Notícias envolvendo infração de trânsito, utilidade pública e uso de drogas tiveram pouca importância para o jornal, pois quase não houve notícias do tipo.

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Além disso, também foi possível identificar que uma das características mais notáveis do “Plantão” é a divulgação da notícia em tempo real, além da imediaticidade e rapidez em chegar ao local do acontecimento, principalmente em notícias relativas a acidentes. Quando Marcondes Filho explica que o sensacionalismo é o grau mais radical de mercantilização da notícia, ele aponta para o que exatamente acontece no “Plantão Policial”. Ao analisar o layout do site, o que mais chama a atenção de qualquer pesquisador não são somente as fotografias chocantes, mas também a quantidade de anúncios publicitários contidos nele. Verifica-se certa “poluição visual”, pois todos os espaços do site estão preenchidos com anúncios coloridos e chamativos, o que demonstra mais uma vez como o site conseguiu aproveitar-se dessa característica do jornalismo digital. Antes de concluir este trabalho, é importante ressaltar mais uma consideração. O sensacionalismo encontrado nos meios de comunicação tradicionais (impressos, rádio, TV) carrega em si, aspectos inerentes ao meio. Por exemplo, a televisão com suas imagens de impacto, os sons, o cenário, o apresentador, os repórteres, etc. O mesmo acontece no jornalismo digital. Parece ocorrer uma “potencialização” do sensacionalismo, quando praticado em mídias digitais. Palácios (2003) afirma que existem “Continuidades e Potencializações e não, necessariamente Rupturas com relação ao jornalismo praticado em suportes anteriores”. Neste sentido, o meio de comunicação sensacionalista utiliza os mesmos métodos que usava nos meios tradicionais, porém, agora têm disponível novos artefatos, capazes de aumentar e reforçar os efeitos sobre o público.

PINHO, J. B.. Jornalismo na Internet: planejamento e produção on-line. São Paulo: Summus Editorial, 2003.

Material da Internet BARBOSA, Suzana. Jornalismo online: dos sites noticiosos aos portais locais. 2001. Disponível em: http://www.bocc.ubi.pt/pag/barbosa-suzana-jornalismo-online.pdf. Acesso em: 10 de julho, 2011. DEUZE, Mark. O jornalismo e os novos meios de comunicação social. Disponível em: http://revcom.portcom.intercom.org.br/index.php/cs_um/article/view/4746/4460. Acesso em: 09 de setembro, 2011. PEDROSO, Rosa Nívea. Contribuições aos estudos do sensacionalismo no jornalismo impresso. 2001. Disponível em: http://www.unaerp.br/comunicacao/professor/eblak/arquivos/rosa_artigo_hj.pdf. Acesso em: 28 de abril, 2011.

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ARTIGO 3 A EAD, AS TIC E A FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO BRASIL: Entre as demandas econômicas e as possibilidades educacionais Roberta de Morais Jesus de Souza

Roberta de Morais Jesus de Souza - Professora mestre do IESRIVER (Instituto de Ensino Superior de Rio Verde) e do NTE (Núcleo de Tecnologia da Educação), órgão da Secretaria Estadual de Educação de Goiás.

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A EAD, AS TIC E A FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO BRASIL: Entre Há um fervoroso debate sobre a globalização e a controvérsia teóri-

as demandas econômicas e as possibilidades educacionais

ca sobre a definição deste processo. A globalização é um fenômeno do capitalismo, o termo é comumente associado à dimensão econômica e utiliza-

Roberta de Moraes Jesus de Souza

do para caracterizar as transformações que ocorrem no mundo, especial-

RESUMO

mente após a década de 1980, com o impacto das novas tecnologias da

O presente artigo visa situar a EAD como associada às expectativas de um mundo globalizado e neoliberal, cuja súbita expansão ocorreu, principalmente, devido aos avanços das TIC (Tecnologias da Informação e da Comunicação) e às políticas do Banco Mundial. A educação aberta e a distância se torna mais propícia a sociedade contemporânea, pois neste contexto acelerado, as TIC refletem bem o ritmo apressado destas sociedades, em que a educação passa a ser vista como uma possível solução para a diminuição das discrepâncias sociais e econômicas existentes no país. A qualidade da educação se torna um fator de preocupação e recai sobre o professor a responsabilidade com relação à qualidade educacional. Consequentemente, a formação docente se faz necessária e a EAD passa a ser adotada como um recurso importante para tal formação. Assim, neste artigo, a EAD será tratada no contexto contemporâneo, inclusive com algumas concepções a seu respeito. Busca-se, aqui, compreender as relações entre a globalização, o neoliberalismo e a EAD.

informação, das comunicações e do transporte na sociedade contemporânea. As confusões que alguns analistas fazem ao falar sobre as transformações em curso, provavelmente, se originaram no fato de que a formação de um mercado integrado em nível internacional, sob a forma de um sistema-mundo, ocorre desde a época da colonização pelos europeus do Novo Mundo. A partir desta ótica, o termo globalização é utilizado para definir a crescente relação entre os subsistemas nacionais do sistema-mundo, como se o que está acontecendo agora fosse apenas um novo ciclo da expansão mundial do capitalismo, o qual já foi experimentado no passado e agora intensificado pela utilização das novas tecnologias na produção, na

Palavras-chave: Educação a Distância; Globalização; Tecnologias da Informação e da Comunicação; Formação de professores

comunicação e no transporte. Para se compreender a complexidade da globalização, com suas

ABSTRACT

múltiplas facetas e implicações, é preciso analisá-la não apenas economica-

The present article aims to situate DE as associated with a global and neoliberal world, which such spread occurred, mainly, due to TIC (Technologies of Information and Communication) advances and to World Bank politics. Open and distance education is more appropriate with contemporary society, because in this fast context, TIC reflect well the fast rhythm of these societies, where education is seen as a possible solution to reduce social and economical discrepancies in this country. Education quality becomes a fact of concern and falls on teachers the responsibility in relation to educational quality. Consequently, teacher formation is necessary and DE is adopted as an important resource for such formation. This way, in this article, DE will be treated in the contemporary context, including some conceptions about it. It was tried, here, to understand the relations between globalization, neoliberalism and DE.

mente nem como uma nova etapa de um sistema antigo. Dessa maneira, as mudanças em curso extrapolam a dimensão econômica e manifestamse em escala mundial e em todas as esferas do sistema social, transformando completamente o modo de vida da sociedade, assentado no antigo paradigma industrial. A década de 1990 foi um período marcado pelo neoliberalismo sob a proteção da globalização. No neoliberalismo, há uma limitação da intervenção do Estado na economia. Assim, pode-se considerar que o neoliberalismo surgiu no seio do capitalismo como uma tendência à concentração de empresas, com cartéis e monopólios, o que trouxe crises (falência, desem-

Key-words: Distance Education; Globalization; Technologies of Information and Communication; Teachers Formation

prego, inflação, má distribuição de renda, etc.).

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De acordo com Bianchetti (2001), no neoliberalismo, há o Estado

ceira e da informação se torna aparelho da manutenção do sistema por

mínimo, no qual as atividades econômicas passam para a iniciativa priva-

meio das políticas do Estado e privadas. Há perversidade quando se difun-

da, inclusive as regulações de mercado e os indivíduos passam a ser res-

de informações vazias de conteúdo que exaltam o dinheiro como motor da

ponsáveis por si em termos sociais.

vida econômica e social. Verifica-se nas mídias a veiculação de informa-

Assim, as políticas sociais têm uma tendência a mercantilizar os ser-

ções com interesses particulares, persuasivos e manipuladores em detri-

viços sociais e as políticas educacionais são um reflexo daquelas. As esco-

mento das verdadeiras informações.

las continuam carregando a responsabilidade de organizadora do futuro do

Quando Santos (2007) retrata uma outra globalização, procura mos-

país.

trar que a globalização atual é reversível. A miscigenação cultural entre as Segundo Libâneo e Oliveira (1998), as mudanças da sociedade con-

diversas nações pode ocorrer por meio do relacionamento entre estas na-

temporânea precisam ser vistas e compreendidas levando em considera-

ções e estas podem adquirir respeito umas pelas outras com a aceitação

ção o contexto da globalização do país, da revolução tecnológica e do neoli-

das diferenças e, até mesmo, a incorporação destas diferenças. Desta for-

beralismo. A globalização é uma tendência internacional capitalista que,

ma, aconteceria uma nova consciência do ser no mundo, na qual o mundo

como o neoliberalismo, faz com que os países menos desenvolvidos ado-

inteiro parece próximo de cada pessoa e estas pessoas se sentiriam interli-

tem uma economia de mercado global sem restrições. Há ainda competi-

gadas.

ção ilimitada e minimização do Estado nas áreas econômica e social.

Santos (2007) aponta que a globalização é capaz de encurtar distân-

Santos (2007), em seu livro “Por uma outra globalização”, pretende

cias e tempo, assim, um mundo homogeneizado é construído. Todavia, as

retratar o homem de uma sociedade globalizada, todavia, mais social, por-

diferenças sociais, políticas, econômicas e culturais são aprofundadas. O

tanto, mais humanizada. Esta obra critica a atual globalização com tendên-

mundo está se tornando distante, mas a falsa propaganda de aproximação

cias tecnicistas e mecanizadas, o que leva a uma desumanização e predo-

tem intuito consumista. Ao mesmo tempo em que se propaga a ideia de en-

minância do capital acima da vida social ou pessoal. Diante deste contexto,

fraquecimento do Estado, observa-se que ele está se fortalecendo para

o autor sugere três formas de globalização: a globalização como fábula, a

atender aos interesses internacionais.

globalização como perversidade e uma outra globalização, esta última é a

Santos (2007) afirma que a globalização faz com que o consumo

qual deveria acontecer.

vire ideologia de vida, consequentemente, as pessoas se tornam apenas

Segundo Santos (2007), a globalização como fábula ocorre porque

consumidoras. Além da questão ideológica, a globalização faz com que

há muitas fábulas difundidas pela mídia para camuflar a verdadeira globali-

haja padronização da cultura e ainda concentração de renda nas mãos de

zação. A imagem de uma aldeia global sem fronteiras transmitida pelas mí-

poucas pessoas.

dias esconde fatos, por exemplo, exclusão de parte da população com rela-

Ianni (1997) confirma as dicotomias apontadas por Santos (2007)

ção ao uso das tecnologias da informação.

sobre o fato da globalização ter falsas máscaras, como: a homogeneização

Ao abordar a globalização como perversidade, Santos (2007), refe-

que intensifica as diferenças; a falsa proximidade apenas com interesses

re-se à perversidade do sistema da globalização atual. A hegemonia finan-

de consumo e o fraco Estado que se fortalece. O cidadão, especialmente o

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dos países emergentes, é o mais afetado pela globalização, pois esta gera

aglomeradas em áreas menores (sociodiversidade) e do fortalecimento da

desigualdades sociais mais nítidas.

cultura popular Todavia, antes de verificar que a globalização é uma fábula e perver-

Na perspectiva de diminuir essas dificuldades, o investimento no fator humano é de suma importância, visto que, nas sociedades subdesenvolvidas, somente tem acesso à propriedade os indivíduos qualificados tecnicamente, ou seja, em condições de competir no mercado de trabalho, cada vez mais especializado. O acesso à propriedade tende a diminuir o desnível social e os problemas da miséria e da violência (IANNI, 1997, p. 61).

sa e que existe a possibilidade de uma outra globalização, Santos (2007) faz um percurso histórico sobre a globalização. Este fenômeno é “o ápice do processo de internacionalização do mundo capitalista”. A junção do estado das técnicas e o estado da política são essenciais para entender a globalização (SANTOS, 2007, p. 23).

Segundo Ianni (1997), uma análise do processo da globalização sob

Para Santos (2007), a globalização se iniciou no final do século XX

a perspectiva do paradigma teórico do industrialismo limita-se ao que ocor-

devido aos avanços científicos embasados pelas técnicas da informação e

re na economia. Assim, há uma tendência à estandardização cultural, movi-

ela é resultado das ações para assegurar um mercado chamado de global,

da pela massificação da produção no contexto da integração dos merca-

responsável pela base dos processos políticos atuais e eficazes.

dos.

Nesta perspectiva, a globalização dificulta o comportamento humano As características do superado sistema de produção industrial resul-

solidário, pois o homem passa a pensar de forma individual, já que vive em

tariam de um sistema internacionalizado de produção e circulação de infor-

um meio político de mercado global, tendo como ator principal as grandes

mações, mercadorias e pessoas que através de tecnologias e mensagens

empresas globais.

padronizadas, faria com que as especificidades locais fossem apagadas.

Ou seja, segundo Santos (2007), neste contexto de globalização,

Desta forma, haveria uma cultura mundial hegemônica e padronizada. Em

vive-se o império das normas e simultaneamente o conflito entre elas. Inclu-

outras palavras, o que ocorre tem sido considerado apenas como a amplia-

sive há preponderância das esferas privadas sobre as públicas, o que acar-

ção, para o âmbito mundial, do sistema industrial tradicional e de sua produ-

reta, não raramente, que as regras das empresas privadas se sobressaíam

ção massificada.

em relação às regras das empresas públicas. Neste contexto, todos estes

Ainda no que diz respeito às possíveis percepções da globalização,

acontecimentos atingem e fazem com que as pessoas fiquem desnortea-

segundo Santos (2007), esta pode ser vista como perversa por aumentar o

das e sintam medo e insegurança.

desemprego, consequentemente, a pobreza. A saúde também sofre prejuízos, pois doenças e mortalidade infantil continuam a existir e a se alastrar.

O mercado em escala mundial (distante de compreender toda a troca comercial) não integrou os países e as pessoas, nem poderá fazê-lo, devido aos baixos níveis de competitividade de que muitos partem. É claramente insuficiente. As desigualdades na saída não podem produzir mais do que desigualdades acentuadas no caminho e na reta. A globalização não pode ficar limitada a uma ligação entre “os de cima”, deixando de fora “os de baixo”. Trocar bens e produtos cria laços de interdependência (também de dependência), mas não gera por si relações pessoais, laços de solidariedade, compartilhar ilusões e projetos, compreensão e respeito pelo outro, etc. A sociabilidade tem que se apoiar em

Isso ocorre porque as ações são desenfreadas devido à competição econômica. Mas, “podemos pensar na construção de um outro mundo, mediante uma globalização mais humana” (SANTOS, 2007, p. 20). Consoante Santos (2007), o mundo pode viver uma outra globalização por meio da valorização da miscigenação racial, da mesclagem filosófica, das populações

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outras interdependências, em formas de integrar os sujeitos em atividades e projetos comuns (SACRISTÁN, 2007, p. 28).

Pretto (2001) mostra que se vive, atualmente, um momento de mudanças globais devido à revolução tecnológica, especialmente as de informação e comunicação, com transformações culturais, pressionadas pela

Mas, em razão de ser um processo histórico, embora seja comum

globalização, com destaque para a mídia.

acreditar-se que a globalização é irreversível, isto pode ser colocado em

Segundo Maués (2009), é neste contexto de globalização que a for-

questão. Porque a globalização atual é reversível, já que a própria humanidade é capaz de dar subsídios para que seja implantado um novo modelo,

mação de professores ganha destaque, pois se acredita que a educação é

mais solidário e mais fraterno em termos econômicos, políticos e sociais.

um fator importante para formar um cidadão global. A questão da formação

Ou seja, mesmo que o sistema de técnicas avançadas resulte numa globali-

de docentes e outros profissionais em educação no Brasil tem sido debati-

zação perversa, isto “poderia ser diferente se seu uso político fosse outro.

da por estudiosos da área, pelo governo, pelos pais de alunos e também

Esse é o debate central, o único que nos permite ter a esperança de utilizar

pela sociedade civil. E tal discussão teve ascensão com a LDB (Lei de Dire-

o sistema técnico contemporâneo a partir de outras formas de ação” (SAN-

trizes e Bases da Educação Nacional), Lei nº 9.394 de vinte de dezembro

TOS, 2007, p. 24).

de 1996. Observa-se que este assunto é divergente, pois há vários posicionamentos sobre ele.

Sacristán (2007) também fala sobre a sua preocupação com relação

Consoante o Banco Mundial (2010), a educação é o coração da sua

à globalização. Paralelamente às relações de dependência estão se consolidando laços de interdependência entre as nações. Todavia, devem-se ana-

missão para a redução da pobreza. A educação direciona para o crescimen-

lisar as desigualdades existentes. Há países ricos, alguns remediados, al-

to econômico e é crucial para formar mão-de-obra competitiva e cidadãos

guns em desenvolvimento acelerado e muitos outros com problemas bási-

responsáveis em todos os países. E também é um dos instrumentos mais

cos a serem resolvidos, como, por exemplo, produção de alimentos, analfa-

efetivos para acabar com as desigualdades. O Banco Mundial tem parceri-

betismo, poluição ambiental, etc. Para chegar a uma globalização justa é

as há bastante tempo com clientes na América Latina e Caribe. Através de

necessário haver debate, consenso, ação e compreensão de interesses

assistência financeira em forma de empréstimos, créditos e auxílios, ele

globais com vistas a benefícios e melhorias para todos e não interesses

ajuda o desenvolvimento de políticas e melhorias em todos os níveis de

localizados e setorizados.

educação. Por meio de assistência técnica e estudos regionais do nível dos países, eles compartilham conhecimento e analisam tendências e desenvol-

Santos (2007) aponta que pode ocorrer uma outra globalização se

vimento para futuras iniciativas políticas.

as duas grandes mutações vigentes se completarem: a mutação tecnológica e a mutação filosófica da espécie humana. A grande mutação tecnológi-

Coraggio (2003) aponta que o que é proposto pelo Banco Mundial

ca ocorre com a emergência das técnicas de informação (divisíveis, flexí-

ao se falar de educação tem objetivos capitalistas. A partir dos anos 80, o

veis, dóceis e adaptáveis a todos os meios e culturas), embora seu uso es-

Banco Mundial financia a educação por meio de políticas que buscam aten-

teja subordinado aos interesses capitais. Todavia, se utilizadas de forma

der às demandas do mercado que precisa de trabalhadores mais flexíveis.

democrática, poderão atender aos interesses do homem.

Coloca-se assim, como mecanismo de ascensão social para os pobres, de forma a que estes venham a participar mais do mercado consumidor.

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Coréia, Países Baixos, Liechtenstein, Japão, Canadá, Bélgica, Macau, Suíça, Austrália, Nova Zelândia, República Tcheca, Islândia, Dinamarca, França e Suécia. Quatro países tiveram resultados equivalentes à média geral da OCDE, numa faixa de 498 a 506 pontos: são a Áustria, Alemanha, Irlanda e República Eslováquia. Um terceiro grupo é formado por 19 países, abaixo da média da OCDE (356 a 495); são eles: Noruega, Luxemburgo, Polônia, Hungria, Espanha. Letônia, Estados Unidos, Rússia, Portugal, Itália, Grécia, Sérvia, Turquia, Uruguai, Tailândia, México, Indonésia, Tunísia e Brasil (PISA, 2006).

O que, de fato, ocorre é o enquadramento da educação ao modelo neoliberal com a submissão desta ao mercado. A educação torna-se um processo no qual o processo de ensino é colocado como uma empresa que produz os recursos humanos. Em suma, a educação fica subordinada à política econômica e às relações capitalistas. Maués (2009) afirma que dentre os órgãos e programas que tratam de educação e formação de professores destaca-se a OCDE (Organização

Todavia, a avaliação do PISA não considera as diferenças sociais e

de Cooperação e Desenvolvimento Econômico). No contexto do neolibera-

econômicas existentes entre os alunos brasileiros e os europeus, por exem-

lismo em que se vive, a OCDE é um dos órgãos que representa a política

plo.

neoliberal e age em países em desenvolvimento por meio de avaliações e

Segundo Maués (2009), professor segundo organismos como o Ban-

medidas com o intuito de levantar indicadores e estabelecer normas. Obser-

co Mundial é incumbido de ser um ator muito relevante na educação dentre

va-se assim, uma estreita relação entre avaliações para se obter notas e

outros e cabe ao governo criar políticas propícias a desenvolver os conheci-

normas políticas.

mentos e competências dos docentes; selecionar professores e manter os

Segundo Maués (2009), este fato pode ser comprovado pela obser-

profissionais competentes nos estabelecimentos escolares. Não obstante,

vação da publicação de documentos, dos relatórios de pesquisa e pelo

o governo tem que ter ações políticas destinadas aos professores.

apoio com o aconselhamento oferecido. A OCDE colhe dados dos países envolvidos por meio do PISA (Programa Internacional para o Acompanha-

A educação para a diversidade do Banco Mundial: investindo em mudanças sistêmicas por meio do currículo, livros e professores. A educação para a diversidade tem o potencial para propagar o crescimento e o progresso enquanto reduz e talvez previna conflitos sociais. Uma pesquisa recente aponta o caminho para que haja mudanças: é preciso rever o currículo e os livros e, o mais importante, ter políticas mais efetivas de seleção, treinamento e retenção de professores. O currículo e os livros são mediados pelos professores, e geralmente as habilidades do professor que determinam as experiências de aprendizagem (BANCO MUNDIAL, 2010).

mento das Aquisições dos Alunos). O PISA é um exame internacional que avalia Leitura, Matemática e Ciência e, consequentemente, tenta identificar a habilidade que os discentes têm em relação a analisar, raciocinar e refletir sobre conhecimentos e experiências . Maués (2009) aponta que o Brasil tem se saído mal nestas avaliações, desta forma, de um modo geral, os professores têm sido considerados culpados por esta situação. O Banco Mundial afirma e considera que

Ainda de acordo com esta visão, a educação pode contribuir para

uma educação de qualidade reflete no crescimento econômico de um país,

aumentar as receitas fiscais, o investimento em saúde e em políticas soci-

na manutenção da coesão social (cidadania ativa) e do bem-estar (saúde

ais de um modo geral. Além do mais, há benefícios não econômicos, assim

física e mental) do indivíduo.

como: coesão social, confiança nos dirigentes, democracia com êxito e estabilidade política. Portanto, as sociedades com resultados educacionais

A Elite do PISA é formada por dezessete países. Na escala geral, os países ficaram distribuídos em três faixas, segundo seus desempenhos na prova. A elite é formada por 17 países, com pontuações entre 509 e 550. São eles: Hong Kong, Finlândia,

positivos têm bom desenvolvimento político, econômico e social. Porém,

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Brasil, em dois dos seis objetivos (objetivos 2 e 6) do Marco de Ação de Dacar (2000 - Declaração sobre Educação para Todos, Dacar). É de importância vital estabelecer vínculos entre os resultados das avaliações de aprendizagem e a formação dos professores, tanto a inicial como a educação continuada, a fim de que o processo de aprendizagem em sala de aula possa ser efetivamente renovado. Igualmente importante é a criação de planos de carreira para os professores e os demais profissionais da área educacional. Para melhorar a qualidade da educação, conforme registra o relatório da UNESCO da Comissão Internacional sobre a Educação para o século XXI, "Educação: um tesouro a descobrir": "é preciso, antes de tudo, melhorar o recrutamento, a formação, o estatuto social e as condições de trabalho dos professores, pois estes só poderão responder ao que deles se espera se possuírem os conhecimentos e as competências, as qualidades pessoais, as possibilidades profissionais e a motivação requeridas" (UNESCO, 2010).

vale ressaltar que este é o discurso do Banco Mundial, mas que um dos seus principais interesses é ter mercado consumidor. Enfim, de acordo com Maués (2009), o investimento em educação tem sido feito segundo a perspectiva de que ele seja um instrumento vinculado ao desenvolvimento econômico de um país, assim o investimento nela feito tem retorno rentável. A OCDE levanta indicadores, os quais mostram que a educação não vem acompanhando a velocidade da sociedade do conhecimento, nem as transformações sociais que estão ocorrendo. Diante deste contexto, há necessidade de mudança. Este órgão propõe que a escola se apóie na informática para a obtenção de conhecimento para haver inovações no ensino.

Diante do cenário da formação e qualificação, em 2005, a OCDE fez

Maués (2009) afirma que, para tanto, o cenário indicado é de que sejam desenvolvidos sete pontos que poderão garantir a eficiência e a ma-

um documento que analisa esta situação. Os países membros da OCDE

nutenção da escola: serviço público com um objetivo moral; mudança em

encontram dificuldades em selecionar e manter seus bons professores. En-

todos os níveis do contexto escolar; reforço das capacidades por meio da

tre 2002 e 2005, a organização estudou as medidas de êxito dos países

criação de redes; aprendizagem em profundidade; duplo engajamento a

membros em relação aos seus professores e publicou um relatório com re-

curto e longo prazo; dinamização cíclica do sistema educacional; amplia-

comendações e conclusões aos países participantes. Ele deve levar em

ção do poder dos dirigentes governamentais. Esse cenário exige que os

consideração no seu trabalho a pluralidade cultural e utilizar as novas tec-

dirigentes sejam formados para pensar em grande escala e para desenvol-

nologias. “Enfim, os professores devem ser capazes de preparar os alunos

ver ações que envolvam todo o sistema educacional.

para viverem em uma sociedade e em uma economia na qual se espera deles que aprendam de maneira autônoma, desejosos e capazes de pros-

Consoante Maués (2009), a OCDE atribui ao professor a competên-

seguirem estudando pelo resto da vida” (MAUÉS, 2009, p. 22).

cia para qualificar o aluno. Desta maneira, a organização vem apontando saídas para que a profissão professor possa ser melhorada, tais como: sa-

Segundo Maués (2009), este mesmo documento da OCDE traz ain-

lário, plano de carreira, condições de trabalho, profissionalização do ensi-

da “preocupações”, por exemplo: o ensino não é uma carreira atraente en-

no, flexibilidade e segurança no emprego, formação adequada e satisfação

quanto profissão; qualidade dos saberes e habilidades dos professores;

com o trabalho com os alunos.

processo de recrutamento, seleção e emprego dos docentes; permanência dos professores qualificados nas instituições escolares e aposentadoria, pois brevemente quase a metade dos professores estará aposentada. Pela

[…] qualificação e capacitação de professores. Aperfeiçoar a formação profissional dos professores é uma medida de suma importância em qualquer esforço visando melhorar a qualidade da educação. A valorização e qualificação dos professores é considerada fundamental para a melhoria da qualidade da educação, assumida pelos Estados Membros da UNESCO, incluindo o

falta de professores, os dirigentes educacionais estão reduzindo o nível de

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caso de numerosas afirmações que o BM faz, por exemplo, […] a capacitação docente (estudos que apresentam uma correlação positiva entre anos de instrução e qualificação docente e resultados de aprendizagem dos alunos, ou que não apontam as tão famosas vantagens comparativas da capacitação em serviço com relação à formatação inicial), o tempo de instrução (estudos revelam que seu aumento não necessariamente resulta em melhor rendimento escolar) etc. (TORRES, 1996, p. 147).

exigência para seleção dos professores; aumentando a carga horária dos mesmos e o número de alunos por sala. Entretanto, estas medidas emergenciais precisam ser colocadas em questão, já que um professor menos preparado, com uma sobrecarga de trabalho e com muitos alunos, provavelmente, terá um rendimento inferior a

Consoante Torres (1996), existem muitas afirmações sobre os tipos

um professor melhor preparado e com menos aulas e alunos.

de capacitação e os tipos de conhecimentos e fontes de conhecimento dos

De forma resumida, para atrair, formar e reter os professores qualificados é necessário preparação e formação; estrutura de carreira; estrutura

docentes em relação ao rendimento de seus alunos de acordo com estu-

do mercado de trabalho e processo escolar. Assim, as ações apontadas

dos que se apóiam em quatro países: Brasil, Paquistão, Índia e Indonésia. “No entanto, a formação docente/rendimento continua ocupando um

pela OCDE almejam “aumentar o interesse pela profissão docente (status e remuneração, apesar do relatório mostrar que este não é um fato muito re-

lugar (e um investimento) marginal entre as prioridades e estratégias pro-

levante na escolha da profissão como muitos pensam, porque poucos in-

postas pelo BM aos países em desenvolvimento” com relação à infraestru-

gressam na profissão e os que entram querem sair, o que ocorre por ques-

tura, à reforma institucional e à provisão de textos escolares.”. Todavia, a

tões que estão no interior da profissão, assim como desinteresse e desres-

formação e a capacitação docente continuam sendo observadas de manei-

peito dos alunos); rever e melhorar a formação desses profissionais; melho-

ra isolada, “sem atender às mudanças que seria preciso introduzir em ou-

rar o recrutamento e a seleção de pessoal e buscar maneiras de fazer com

tras esferas a fim de fazer do investimento em capacitação útil em termos

que os professores permaneçam na profissão” (MAUÉS, 2009, p. 26).

de custo” (TORRES, 1996, p. 161).

Maués (2009) mostra, seguindo orientações da OCDE em relação à Reconhecendo a importância do conhecimento geral no desempenho docente e a importância do sistema escolar como fornecedor desse conhecimento geral, a proposta atual do BM do recrutamento e a formação de docentes é: […] (b) complementar a educação geral com uma curta formação inicial centralizada nos aspectos pedagógicos (TORRES, 1996, p. 165).

legislação brasileira, tanto a LDB de 1996 quanto o PNE (Plano Nacional de Educação) de 2001 que há atenção especial à formação docente. Aos professores, é atribuída a responsabilidade de ser um instrumento para ajudar o país a superar os obstáculos econômicos e sociais da época contemporânea.

Maués (2009) mostra que com a escassez de professores, a EAD

“O país também sofre com a falta de professores, principalmente os

passa a ser mais um dos projetos da OCDE para que mais professores se-

de Física, Química, Matemática e Biologia.” Sendo assim, o CNE (Conse-

jam formados devido às demandas da política neoliberal. Como faltam pro-

lho Nacional de Educação) propôs a formação de profissionais por meio de

fessores, chega a ser recomendado que, em nível superior, haja ênfase na

licenciaturas e polivalentes e através da EAD (MAUÉS, 2009, p. 27).

prática em detrimento da teoria. Assim, as exigências da mundialização e da globalização são atendidas de forma mais rápida. Torres (1996) também

As afirmações aparecem como monolíticas e os resultados de pesquisa como conclusivos; evita-se mencionar a falta de evidências e inclusive as evidências contraditórias que outras pesquisas revelam sobre os mesmos objetos de estudos. Esse é o

aponta que a EAD está entre as recomendações do Banco Mundial para melhorar a educação de primeiro grau.

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Segundo Maués (2009), em 2007, foi criado o PDE (Plano de Desen-

Isto para atender à demanda do mercado de trabalho, pois os cursos pre-

volvimento da Educação) que aumenta a oferta de cursos por meio da UAB

senciais são considerados difíceis de serem acompanhados pela pessoa

(Universidade Aberta do Brasil) e torna a CAPES (Coordenação de Aperfei-

trabalhadora ou pelos indivíduos que habitam e trabalham longe dos cen-

çoamento de Pessoal de Nível Superior) a principal agência reguladora

tros de formação.

para a formação de professores. Em 2008, a Conferência Nacional de Edu-

Geralmente, com o uso das TIC, os profissionais da educação rece-

cação Básica traz como quinto eixo temático a formação e valorização pro-

bem capacitação em serviço. Há financiamento para a prática docente, es-

fissional. Todavia, o carro-chefe de tal conferência foi a EAD, o que mostra

tágios, por exemplo, e pouco investimento em iniciativas produzidas nas

um contraste entre a preocupação com a formação e a proposta da EAD

universidades. O professor se torna um “tarefeiro, cuja competência é iden-

como possível solução para a questão, já que existem instituições de EAD

tificada à realização de procedimentos preestabelecidos, basta treinar habi-

que focalizam o ensino prático e ágil.

lidades desejáveis em curto prazo” (BARRETO, 2001, p. 27). A preocupação é de formar um profissional com habilidades para o

Apesar de todas as políticas de melhoria e reforma afirmarem definir-se em nome da aprendizagem, o mundo da escola, da sala de aula e da aprendizagem é visto como uma caixa preta, e o conhecimento e a discussão pedagógica como “tecnicismo”, como “a árvore que não deixa ver o bosque”. No bosque das macrovisões e das macropropostas mundiais e nacionais, assume-se como óbvio o esquema vertical acima-embaixo na formulação e aplicação das políticas educativas e, portanto, que “caem de pára-quedas” na sala de aula, por meio de leis e normas, currículos e textos, disposições institucionais e capacitação docente, o que, pressupõe-se, será recebido e assimilado pela instituição escolar, dirigentes, docentes, pais e alunos (TORRES, 1996, p. 140).

exercício de sua função e de que as TIC sejam capazes de formá-lo de maneira econômica e eficaz, de preferência, a distância. “Há uma aposta cada vez mais clara nos novos materiais instrucionais como substitutos da melhoria das condições de trabalho e formação dos professores” (BARRETO, 2001, p. 12). Segundo Barreto (2001), predomina a visão de que o desempenho dos alunos depende mais dos materiais didático-pedagógicos do que da formação de professores. Assim, acredita-se no instrumentalismo, o qual

Na mesma perspectiva, Barreto (2001) retrata que a atual formação

crê que quanto mais tecnologia, menos mão-de-obra é necessária. Desta

de professores brasileiros está ligada à globalização, ou melhor, ao globali-

maneira, o professor precisa se habilitar para manusear os instrumentos

tarismo.

didático-pedagógicos.

Como a formação está interligada à globalização, a EAD passa a ser um dos meios para que esta formação avance e acelere. Nesta linha de

É possível intensificar o uso da força de trabalho por meio de uma suposta revolução tecnológica: cada vez mais alunos atendidos por menos professores e, até, cada vez mais demonstrações da eficiência dos meios para os fins estabelecidos. Com tantos materiais disponíveis, cabe aos professores fazer as escolhas ‘certas’ e controlar o tempo de contato dos alunos com eles. Com o deslocamento do foco do ensino para os materiais, na maioria das vezes tidos como auto-instrucionais, são esvaziados os vínculos lógicos entre as TIC a serem utilizadas no ensino e a formação do professor. Sequer precisa ser objetivada esta formação, uma vez que as TIC supostamente preenchem os vazios: programas de capacitação em serviço. Reciclagem para os ‘formados’ e estratégia de substituição de uma sólida formação inicial necessária (BARRETO, 2001, p. 17).

raciocínio, Barreto (2001) aborda a questão da flexibilidade (ritmo e condições do aluno para aprender tudo o que se vai exigir dele por ter completado aquele curso, disciplina ou nível de ensino. A instituição tem que estar preparada para esse conceito de flexibilidade, que vai exigir dela grande maleabilidade para responder a diferentes ritmos, como um dos maiores argumentos para o uso da EAD enquanto formadora ágil de profissionais.

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contexto, no qual os dados do Brasil obtidos pelos órgãos internacionais não são satisfatórios, a educação precisa de atenção e para que haja me-

Consoante Barreto (2001), há necessidade de formação continuada para os professores graduados e uma formação inicial mais sólida, porém

lhora, é necessário qualificar os docentes. Deste modo, os programas de

estas especificações não estão presentes nem muitas instituições do ensi-

EAD se propagam para graduarem professores, mas, programas mal plane-

no presencial.

jados, consequentemente, produzem profissionais mal qualificados. Os programas de EAD estão voltados para atender a uma demanda

As políticas neoliberais podem ser assim sintetizadas: aligeiramento da formação profissional; capacitação em serviço para compensar uma fra-

econômica, mas muitos deles não priorizam o acadêmico. No bojo dos pro-

ca formação inicial; ensino desvinculado da pesquisa; “a concentração dos

gramas que desqualificam o trabalho docente está a divisão do trabalho

novos materiais em si”; a tecnologia mediando o sujeito; a EAD como um

docente (maior na EAD do que no ensino presencial). Então a legislação

novo paradigma educacional brasileiro. “A EAD subsume as TIC e ela mes-

no Brasil está ligada à globalização e ao contexto neoliberal.

ma é reduzida de modalidade a ‘instrumento’ para uma ‘finalidade’ (formar REFERÊNCIAS

professores a distância, com ‘certificação’ ou ‘diploma’)” (BARRETO, 2001, p. 23).

BARRETO, Raquel Goulart. As políticas de formação de professores: no-

Já Gouvêa e Oliveira (2006) apontam que a EAD é vista como a alternativa aos problemas educacionais brasileiros devido a sua abrangên-

vas tecnologias e educação à distância. In: BARRETO, Raquel Gourlart.

cia. No Brasil, ela é voltada a programas de aperfeiçoamento e políticas

(Org) Tecnologias educacionais e educação à distância: avaliando políti-

públicas de formação de trabalhadores, em empresas da iniciativa privada.

cas e práticas. Rio de Janeiro: Quartet, 2001.

A EAD parece ter um caráter alternativo e secundário, principalmente, nos projetos que envolvem instituições públicas, associadas ou não às organiza-

BIANCHETTI, Roberto. Modelo neoliberal e políticas educacionais. São

ções não-governamentais, procurando sempre compensar rapidamente a

Paulo: Cortez, 2001.

defasagem na formação do trabalhador, o qual pode ser ou não professor. BIRD, WORLD BANK. Millenium development goals. 2010. Disponível

Todavia, como a EAD demanda recursos humanos e tecnológicos,

em: <http://www.worldbank.org/>. Acesso em: 10 set. 2010.

mesmo sendo uma modalidade que beneficia muitas pessoas, ela deve ser cuidadosamente planejada antes de ser adotada. Além do mais, a EAD não pauta na contiguidade física entre professor e aluno e requer outros atores

BRASIL, Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesqui-

no processo de ensino-aprendizagem (GOUVÊA; OLIVEIRA, 2006, p. 40).

sas Educacionais Anísio Teixeira (PISA). 2010. Disponível em: < http://www.inep.gov.br/internacional/pisa/>. Acesso em: 10 set. 2010.

Com as imposições internacionais, o país passa a se preocupar com a educação. Estes órgãos internacionais costumam aplicar avaliações para saber como está a educação nos países membros através de outros ór-

CORAGGIO, José Luís. Propostas do Banco Mundial para a educação: sen-

gãos, como a OCDE e a OMC (Organização Mundial do Comércio). Neste

tido oculto ou problemas de concepção?. In: De TOMMASI et al. (Orgs). O

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Banco Mundial e as Políticas Educacionais. 4. ed. São Paulo: Cortez,

TORRES, Rosa María. Melhorar a qualidade da educação básica? As estra-

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ARTIGO 4 A ESCOLA REGULAR TEM RECURSOS HUMANOS E PEDAGÓGICOS CIENTÍFICOS PARA INTERVIR, MODIFICAR OU COMPENSAR O BAIXO ÍNDICE DE APROVEITAMENTO ESCOLAR DE UMA CRIANÇA SURDA-CEGA COMO NATASHA? Stefane Barbosa

Stefane Barbosa - Diretora Pedagógica do Instituto de Ensino Superior de Rio Verde – IESRIVER/Faculdade Objetivo de Rio Verde. E-mail: sfetane@faculdadeobjetivo.com.br

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A ESCOLA REGULAR TEM RECURSOS HUMANOS E PEDAGÓGICOS CIENTÍFICOS PARA INTERVIR, MODIFICAR OU COMPENSAR O BAIXO ÍNDICE DE APROVEITAMENTO ESCOLAR DE UMA CRIANÇA SURDACEGA COMO NATASHA?

No processo de identificação das dificuldades do aluno, o professor é um elemento que possui um papel de destaque, já que é o primeiro elo no processo ensino-aprendizagem. E não se deve esperar que a própria criança supere por si só suas dificuldades como um passe de mágica, isto raramente acontece. O que geralmente ocorre é a automatização e o aumento das dificuldades à medida que o programa escolar se vai tornando mais complexo. Este fato vai ocasionando um fracasso escolar que influi diretamente na autoimagem do indivíduo, que acaba se julgando incompetente, incapaz, desastrado e confuso. Para se evitar esta situação, recomenda-se que a partir do momento em que o aluno comece a sentir dificuldades para acompanhar a classe, realize-se um diagnóstico com a finalidade de se detectar a causa da não-aprendizagem Este diagnóstico deve ser reavaliado constantemente como na escola russa. O objetivo deste trabalho é analisar a influência da escola regular no baixo índice de aproveitamento escolar de uma criança surda e cega, que não está estudando em uma escola especial, adaptada às suas características e necessidades individuais. Este texto busca, através do documentário, refletir acerca das dificuldades de aprendizagem que os alunos com deficiência enfrentam, em especial os cegos e surdos. Aqui será discutida a questão de que uma criança surda e cega necessita de local próprio e adaptado às suas peculiaridades singulares, com o acompanhamento de pessoas especialistas. Só assim, ela conseguirá se desenvolver e aprender. E a escola estará cumprindo sua missão de promover o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho Para analisar a influência da escola no sucesso ou no fracasso escolar do aluno, utilizaremos a teoria Vygotskiana, que tem um propósito super ambicioso de criar um novo modo, mais abrangente de estudar os processos psicológicos humanos, segundo Luria (1988, p.22, apud Rego, 2001, p.30). Vygotsky viveu apenas 37 anos, morreu de tuberculose em 1934. Sua obra, produzida há mais de 75 anos, tem um forte traço contemporâneo e apesar de breve, seu trabalho intelectual continua ousado e relevante. Quanto à metodologia, para analisar a prática do processo ensino-aprendizagem de crianças deficientes sob a perspectiva Vygotskiana, fez-se necessário uma análise da escola russa de crianças surdas e cegas. A pesquisa foi executada sob a perspectiva qualitativa (Estudo de Caso) e segmentada em duas fases. Na primeira fase, foi desenvolvida a pesquisa bibliográfica e documental, compreendendo levantamento de dados e análise; na segunda fase, temos o estudo de campo, dividido em dois momentos: conhecendo a escola e a transcrição da fala da protagonista do documentário, uma ex aluna da escola russa, que posteriormente se formou em Filosofia e Psicologia. As observações também foram elemento fundamental

Stefane Barbosa RESUMO Este artigo apresenta exemplos reais da cultura, da prática do processo ensino-aprendizagem de uma escola russa de crianças surdas e cegas, inspirado nos estudos de Lev Vygotsky e justifica-se como observatório acerca das teorias da educação. O objetivo é analisar a influência da escola regular no baixo índice de aproveitamento escolar de uma criança surda e cega, pois esta deveria estar estudando em uma escola especial, adaptada às suas características e necessidades individuais. A metodologia adotada foi a pesquisa bibliográfica e o estudo de caso a partir de um documentário produzido pela BBC em 1992, a obra tem 40 minutos de duração e se passa na cidade de Zagorsk, a 80 km de Moscou. Através da pesquisa levantou-se a hipótese de que a criança surda e cega pode superar as mais graves deficiências, desde que ela tenha um acompanhamento especializado e individualizado. Só assim, ela conseguirá se desenvolver e aprender, e a escola estará cumprindo sua missão de ensinar e aprender, levando o ser humano a ter qualidade de vida, individual e coletiva. Como resultado demonstra-se uma política de exclusão das crianças portadoras de necessidades especiais através da Constituição Federal de 1988 - Educação Especial através da Lei nº 9394/96 – LDBN - Educação Especial que determina que as escolas regulares devem aceitar estes alunos, mas não lhes propiciam os recursos humanos, físicos e pedagógicos-científicos essenciais para intervir, modificar ou compensar o baixo índice de aproveitamento escolar desta crianças. Palavras-chave: criança surda e cega, processo ensino-aprendizagem, Vygotsky. 1. Introdução A missão da escola é inspirada nos princípios da liberdade e nos ideais de solidariedade humana visando o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (Iria, p. 70). De acordo com a LDB (Lei de Diretrizes e Bases) que estabelece que todos têm direito à educação; quando a lei cita todos, ela está incluindo os educandos com necessidades especiais que precisam de atendimento educacional especializado.

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para a pesquisa empírica sobre a estrutura e características da escola de Zagorsk. Através da pesquisa levantou-se a hipótese de que na escola observada a criança surda e cega pode superar as mais graves deficiências, desde que ela tenha um acompanhamento adequado e direcionado para sua deficiência Como resultado demonstra-se uma visão de exclusão da nossa escola regular e a presença de um ensino cada vez mais formal e administrativo. Este artigo está dividido em cinco seções. A Seção 1 apresenta a introdução. Na 2, temos uma introdução à teoria Vygotskiana. A Seção 3 mostra o relato da pesquisa, o cenário e os sujeitos da pesquisa e as características das principais idéias de Vygotsky identificadas na escola campoempírico. Estas características são ilustradas com a transcrição de algumas falas da protagonista da escola analisada. Finalmente, a Seção 4 apresenta as considerações finais deste trabalho. A partir dos resultados encontrados, algumas inferências foram levantadas bem como uma análise dos pontos positivos e negativos da imagem organizacional da escola que tem seus princípios inspirados nas principais ideias de Vygotsky.

meio físico e social (ibid, p. 58). Ele ressalta a reciprocidade entre o meio físico e social e conclui que o desenvolvimento está diretamente ligado ao contexto sócio-cultural no qual o indivíduo está inserido, e este desenvolvimento se dá de uma forma dinâmica, por meio de rupturas e desequilíbrios que causam constantes reorganizações por parte do ser humano. Para exemplificar esta afirmação, Rego cita o caso verdadeiro de duas crianças, denominado de “meninas-lobas” que ocorreu na Índia e comprova que o ser humano quando impedido do convívio com outros da mesma espécie, largado a sua própria sorte, é fraco e insuficiente. Este fato confirma a teoria de Vygotsky de qua a história do comportamento da criança nasce do entrelaçamento de duas linhas que se diferenciam quanto à origem de desenvolvimento, na primeira, encontramos os processos elementares, que são de origem biológica; na segunda, as funções psicológicas superiores, de origem sócio-cultural. (ibid, p.59). Para ele as conquistas individuais resultam de um processo compartilhado e o desenvolvimento do sujeito humano se dá a partir das constantes interações com o meio social em que vive, já que as formas psicológicas mais sofisticadas emergem da vida social. Assim, o desenvolvimento do psiquismo humano é sempre mediado pelo outro, que indica,delimita e atribui significados à realidade. Por intermédio dessas mediações, os membros imaturos da espécie humana vão pouco a pouco se apropriando dos modos de funcionamento psicológico, do comportamento e da cultura, enfim, do patrimônio da história da humanidade e de seu grupo cultural. Quando internalizados, estes processos começam a ocorrer sem a intermediação de outras pessoas. (REGO, 1995, p. 61)

2. Introdução à teoria de Vygotsky Entre 1927 e 1928, Vygotsky começou a criar o Instituto de Estudos da Deficiência, com intuito de estudar o desenvolvimento de crianças anormais; a educação das crianças deficientes sensoriais e mentais ocupou um grande espaço em seus estudos. Este instituto não tem paralelo no Ocidente e emprega os métodos de ensino de Vygotsky há mais de 60 anos e e faz estudos científicos para deficientes, desenvolve métodos para avaliar as deficiências e criar meios para superá-las. As crianças com deficiência de sentidos, segundo a teoria de Vygotsky, devem ter os sentidos remanescentes, permanentemente estimulados de modo a compreender o mundo. Em seus estudos a respeito das teorias de Vygotsky, Rego (2001, p. 41), analisa as principais idéias dele e sintetiza as sua teses básicas em quatro tópicos: a) a relação indivíduo/sociedade é resultado da interação dialética do homem e seu meio sócio-cultural. Ao mesmo tempo em que o ser humano transforma o seu meio para atender suas necessidades básicas, ele está modificando ele próprio. Ela afirma (ibid. p.49), que pela grande influência marxista de Vygotsky, ele entende que o ser humano não só é um produto de seu contexto social, mas também um agente ativo na criação deste contexto. Vygostky atribuiu uma extrema importância ao papel da interação social no desenvolvimento do ser humano (ibid, p. 56). Ou seja, as características individuais (modo de agir, de pensar, de sentir, valores, conhecimentos, visão de mundo etc.) dependem da interação do ser humano com o

b) esta próxima tese básica é decorrente da citada anteriormente, e refere-se à origem cultural das funções psíquicas. Nela, a cultura faz parte da natureza humana, uma vez que a característica psicológica ou psíquica humana tem sua origem no relacionamento do indivíduo com seu contexto cultural e social, esse realiza por meio da internalização dos modos historicamente determinados e culturalmente organizados de operar com informações. c) nesta outra, a base biológica do funcionamento psicológico que tem como órgão principal da atividade mental o cérebro. Todos nós trazemos conosco esta base material de atividade psíquica, ou seja, o cérebro. Ele é um sistema mutável, não sendo, portanto, fixo. Para Oliveira (1993, apud Rego, 2001, p. 24), o cérebro é entendido como um sistema aberto, de grande plasticidade, cuja estrutura e modos de funcionamento são moldados ao longo da história da espécie e do desenvolvimento individual. (...) O cérebro pode servir a novas funções, criadas na história do homem, sem que sejam necessárias transformações no órgão físico.

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d) na última tese básica descrita por Rego, o psicólogo russo nos leva a entender a questão da mediação simbólica, isto é, o homem não tem uma relação direta com o mundo, e sim, mediada. Esta característica de mediação está presente em toda atividade humana e daremos especial atenção a ela, pois é um dos temas principais das teses elaboradas por Vygotsky. Esta mediação se dá através de ferramentas que ele chama de “instrumentos psicológicos”.

vés dela, nomeamos os objetos, suas qualidades, suas relações e sua ações. O aparecimento da linguagem provocou três mudanças nos processos psicológicos do ser humano. A primeira, é que com a linguagem podemos nos referir aos objetos mesmo na ausência deles; a segunda é que ela designa os objetos presentes na realidade e ao mesmo tempo concede conceitos e modos de ordenar o real em categorias conceituais (processo de abstração e generalização); e a última mudança, se refere à comunicação, a medida que ela fornece significados precisos, ela permite este intercâmbio social entre os indivíduos, logo ela funciona como um elemento mediador simbólico. Os transformadores, como são chamados os professores da escola russa observada, acreditam assim como Vygotsky, que comunicação é poder. No seu livro “Pensamento e Linguagem” (1989), Vygotsky destaca que

2.1 Mediação simbólica Esta mediação se dá através de ferramentas que ele chama de “instrumentos psicológicos”. Eles têm a função de auxiliar o homem nas suas atividades psíquicas, portanto, internas ao indivíduo: invenção e o uso de signos auxiliares para solucionar um dado problema psicológico (lembrar, comparar coisas, relatar, escolher, etc.) é análoga à invenção e uso de instrumentos, só que agora no campo psicológico. O signo age como um instrumento da atividade psicológica de maneira análoga ao papel de um instrumento no trabalho” (Vygotsky, 1984, p.59-60, apud Rego, 2001, p. 52).

A linguagem da criança torna-se um meio muito peculiar e poderosíssimo que não somente influencia as suas percepções, mas também estrutura as suas emoções, vontades e ações motrizes. (Vygotsky, 1989, apud Fichtnet, 2010, p. 73)

Os signos ajudam o homem a controlar voluntariamente a sua tarefa psicológica e aumenta sua habilidade de atenção, memória e acumulação de informação. Como por exemplo, amarrar um barbante no dedo para não esquecer um encontro, consultar um atlas para localizar um país, etc. E é através dos instrumentos e signos que os processos de funcionamento psicológico são fornecidos pela cultura. Um dos principais signos que tem a função de mediação é a linguagem, e ela traz consigo os conceitos generalizados e elaborados pela cultura humana. O autor após sua análise dos instrumentos psicológicos que têm a função mediadora dos seres humanos entre si e deles com o mundo, conclui que este instrumento é causador de mudanças externas a partir do princípio de que ele amplia a possibilidade de intervenção na natureza. Uma vez que o homem além de criar seus instrumentos para a execução de atividades específicas, ele também está apto a mantê-los para usá-los posteriormente, e de repassar sua função para os membros de seu convívio, assim como de aperfeiçoar antigos instrumentos e produzir novos. Alguns exemplos de instrumentos citados por Rego (p. 51) são o uso da flecha, na caça, para alcançar um animal distante; o uso mais eficaz de um objeto cortante no lugar da mão, para cortar uma árvore. Vygotsky ressalta a importância da linguagem na formação das características psicológicas humanas, ao longo do processo histórico-social e se refere a ela como um sistema simbólico fundamental (ou sistema de representação da realidade) em todos os agrupamentos de indivíduos. Atra-

Ele ainda afirma que os processos de funcionamento mental do homem são fornecidos pela cultura, através da mediação simbólica e que a cultura não é algo pronto, estático, é um sistema que está em constante movimento de recriação e reinterpretação de informações, conceitos e significados (Oliveira, 1993, p.38 apud Rego, 2001, p.56)

2.2 A zona de desenvolvimento proximal ou zona de próximo desenvolvimento Na teoria de Vygotsky, a relação entre o desenvolvimento e o processo ensino-aprendizagem possui uma posição relevante, ele estuda esta relação fazendo uma distinção quanto à compreensão desta relação sob uma perspectiva geral e quanto às peculiaridades dessa relação no período escolar. Para compreender esta análise da relação entre o desenvolvimento e o processo ensino-aprendizagem, ele considera dois níveis de desenvolvimento da criança: um que se refere ao nível de desenvolvimento já alcançado pela criança, correspondente ao seu nível de desenvolvimento real, ou seja, refere-se ao desenvolvimento já consolidado e que per-

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mite à criança ações autônomas, sem o auxílio de outra pessoa. O outro, o nível de desenvolvimento potencial, refere-se ao nível de desenvolvimento que a criança poderá alcançar mediante a ajuda de outra pessoa mais experiente. Entre estes dois níveis encontra-se a zona de desenvolvimento proximal. (Tibali, Educativa, 2008, p. 326)

escreveu um poema que traduz e celebra seu triunfo contra a escuridão e o isolamento:

Nesta teoria temos dois níveis distintos do desenvolvimento do sujeito: o real e o potencial, e entre estes dois níveis encontra-se o que ele chamou de zona do próximo desenvolvimento. O real refere-se ao desenvolvimento já consolidado, ou seja, relacionado ao passado; o potencial refere-se ao nível de desenvolvimento que a criança poderá conseguir através da ajuda de alguém mais experiente, e está relacionado ao futuro. Deste modo, a aprendizagem se dá como se fosse um diálogo do ser humano com o seu futuro, e o resultado, portanto desta aprendizagem é imprevisível, como também o é o quanto o aluno irá aprender. O professor, segundo esta concepção Vygotskiana, é o elemento mediador e possibilitador das interações entre os alunos e destes com os objetos do conhecimento (ibid, p. 327). E compete a ele planejar e buscar estratégias facilitadoras da aprendizagem tendo como referência o nível de desenvolvimento já alcançado pelos alunos, o real, e como propósito o alcance do nível potencial que possibilita os avanços cognitivos e a efetivação do conhecimento no processo de escolarização.

Dê-me sua mão, que eu te direi quem és Em mim há a silenciosa escuridão, mais clara que o ofuscante sol, Está tudo que desejaria ocultar de mim. Mais que palavras, tuas mãos me contam tudo que recusavas dizer. Fremente de ansiedade ou trêmula de fúria, Verdadeira amizade ou mentira, Tudo se revela ao toque de sua mão, Quem é estranho, quem é amigo. Tudo vejo na minha silenciosa escuridão, Dê-me tua mão, que eu te direi quem és.

Ela se casou com Yuri, se tornou mãe, filósofa e psicóloga e escolheu especializar-se em Psicologia Infantil porque queria ajudar crianças na mesma situação da qual ela escapou. Ela achava que quando entendesse o misterioso processo da psicologia humana, ela seria capaz de ajudar as crianças de Zagorsk a evitar o período amargo e doloroso que ela teve que passar durante o seu processo de ensino-aprendizagem. Mas, apesar deste processo doloroso, nesta escola ela diz:

3. A história de Natasha e as características da teoria de Vygotsky presentes na Escola de Zagorsk

“eu me senti mais livre, segura e feliz do que em casa, porque podia me comunicar com os professores, com as outras crianças e com a equipe que rtabalha lá. Eles me ajudaram a compreender a ideia confusa que eu fazia do mundo. Como meus professores eram capazes de enxergar e ouvir, eles nem sempre eram capazes de compreender-me corretamente, mas recordo com gratidão da paciência com que eles realizam seu trabalho.”

Natasha tinha treze anos quando foi para a Escola de Zagorsk, ao chegar lá ela foi apresentada a uma forma de ensino inspirada pelo psicólogo russo Lev Vygotsky, que mudou a vida dela. Quando ele afirmou, há mais de 75 anos, que mesmo crianças gravemente deficientes poderiam ser transformadas em adultos inteligentes. Ela diz:

Ela com a ajuda de seu marido Yuri, passa adiante sua própria experiência do processo de aprendizagem que Vygotsky transformou primeiro em filosofia e depois em um método de ensino. Segundo ele, as crianças deficientes não deveriam ser abordadas através da sua deficiência, em vez disso deveriam ser ensinadas a desenvolver seus outros sentidos ao ponto deles poderem ser usados para compensar o que foi perdido. Muitas das crianças que foram para esta escola eram consideradas deficientes mentais antes de irem para lá, a perda da visão, da audição e da fala, deixaram-nas sem orientação, a desorientação as deixaram à beira de um colapso nervoso. Mas com a nova forma de linguagem, elas poderiam definir seu caminho através do mundo e estariam aptas a se comportarem com a confiança e a ousadia das crianças normais.

“Na minha adolescênica, eu dominei a linguagem de sinais (manual – através do toque) e meu mundo mudou para sempre.” Com esta declaração da protagonista do documentário, percebemos o papel essencial da linguagem no processo de aprendizagem, sendo ela um meio poderoso que além de influenciar as suas percepções, influencia também as sua emoções, vontades e ações motrizes. (Fichtner, p. 72) Natasha como as outras crianças, desenvolveu o sentido do tato, pois as suas mãos se tornariam seu principal instrumento de aprendizagem e começou um novo processo de levar ordem e o aprendizado ao seu mundo caótico; aprendeu gestos, o alfabeto manual, e finalmente Braile. Ela

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Na rotina da escola, havia a assembleia matinal, um momento compartilhado que eles utilizavam para realizar a comunicação em diferentes níveis e de diversas formas. Nesta escola eles acreditavam que comunicação é poder e cada palavra falada, durante a assembleia matinal, alcançava todas as crianças. Aquelas que tinham alguma visão residual eram alcançadas através da linguagem manual; outras alcançavam o que estava sendo dito pela vibração da caixa de voz; as que tinham visão parcial eram alcançadas pela linguagem visual a poucos centímetros. Percebemos nesta parte do processo ensino-aprendizagem a utilização do nível de desenvolvimento potencial, que caracteriza aquilo que Vygotsky chamou de “zona de desenvolvimento potencial ou proximal”, pois este também se refere aquilo que a criança é capaz de fazer, só que mediante a ajuda de outra pessoa . Nesse caso, a criança realiza tarefas e soluciona problemas através do diálogo, da colaboração,da imitação, da experiência compartilhada e das pistas que lhe são fornecidas. (Rego, p. 73) A escola analisada parte do princípio Vygotskiano de que toda criança pode ser alcançada e eventualmente transformada, as crianças recebiam portanto, um programa de ensino totalmente individual. Esta escola tinha como missão resgatar os surdos e cegos do isolamento e equipá-los para a sobrevivência no mundo exterior. A aprendizagem ocorria também por meio de jogos educativos. Assim como Natasha, outras crianças chegaram em Zagorsk confusas, indefesas, arrasadas, sem direitos e quando superaram suas dificuldades, adquiriram conhecimento da própria força. Elas começaram a compreender tudo direito, a agir corretamente no mundo à sua volta. Os professores eram chamados de “transformadores” e estavam sempre pensando na zona de desenvolvimento proximal de seus educandos.

ter os seus sentidos remanescentes permanentemente estimulados para que elas pudessem superar as mais graves deficiências, sejam de qualquer natureza, pela aplicação de técnicas físicas e psicológicas de compensação, de forma que a criança pudesse ir à escola e se desenvolver e crescer no meio das crianças normais. Elas eram abordadas, não através das suas deficiências, e sim, ensinadas a desenvolver seus outros sentidos ao ponto deles poderem ser usados para compensar o que foi perdido. Considerando alguns pontos positivos na escola observada, destacamos a organização dos espaços, dos horário; a dedicação, persistência, preparação e capacitação dos professores; a participação de ex-alunos como voluntários . Quanto aos pontos negativos verificamos que os alunos se distanciavam e não conviviam com a comunidade e familiares; e a falta de investimento e apoio do governo com a educação especial. Na Educação Brasileira atualmente, nos deparamos com o grande desafio de conseguir o desenvolvimento cognitivo destas crianças especiais que estão inseridas nas escolas regulares, mas elas necessitam de instituições especializadas, com um ambiente mais adequado às suas necessidades educativas especiais. Elas precisam de políticas pedagógicas apropriadas, recursos educacionais mais individualizados e professores especializados. O que encontramos é uma realidade bem diferente, ou seja, crianças especiais em salas normais, sem a orientação e assistência de professores especializados, sem um suporte técnico especializado e suas especificidades e limitações são ignoradas. Vemos aqui a possibilidade de buscarmos uma escola diferente da que temos atualmente, não só para sujeitos com alguma deficiência, mas também para aqueles ditos normais, como afirma Rego (1995, p. 118), a seguir:

4. Considerações finais

Os postulados de Vygotsky parecem apontar para a necessidade de criação de uma escola bem diferente da que conhecemos. Uma escola em que as pessoas possam dialogar, duvidar, discutir, questionar e compartilhar saberes. Onde há espaço para transformações, para as diferenças, para o erro, para as contradições, para a colaboração mútua e para a criatividade. Uma escola em que professores e alunos tenham autonomia, possam pensar, refletir sobre o seu próprio processo de construção de conhecimento e ter acesso a novas informações. Uma escola em que o conhecimento, já sistematizado, não é tratado de forma dogmática e esvaziado de significado (apud Tibali, Educativa, 2008, p. 327).

A escola observada apresenta as principais características das teorias Vygotskianas, a importância atribuída ao papel da interação no desenvolvimento do ser humano, com destaque para a origem cultural das funções psíquicas, a questão da mediação simbólica, os dois níveis do desenvolvimento do sujeito: o real e o potencial, e entre estes dois níveis encontra-se o que ele chamou de zona do próximo desenvolvimento. O real refere-se ao desenvolvimento já consolidado, ou seja, relacionado ao passado; o potencial refere-se ao nível de desenvolvimento que a criança poderá conseguir através da ajuda de alguém mais experiente, e está relacionado ao futuro. Deste modo, a aprendizagem se dá como se fosse um diálogo do ser humano com o seu futuro, e o resultado, portanto desta aprendizagem é imprevisível, como também o é o quanto o aluno irá aprender. Devido a este fato, a escola de Zagorsk, baseada nas teorias de Vygotsky, enfatizava que as crianças com deficiência de sentidos, deveriam

Objetivando alcançar esta educação diferente, uma educação na qual as crianças com necessidades especiais possam superar as mais graves deficiências, conseguindo se desenvolver e aprender para que se tornem cidadãos independentes e realizados; é necessário encarar e assumir que para a educação, o indivíduo com deficiência é um aluno especial, cu-

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jas necessidades especiais demandam recursos, equipamentos e níveis de especialização definidos de acordo com sua deficiência. Compreendendo que as crianças normais e as portadoras de deficiência têm capacidades intelectuais completamente diferentes e que um contexto social conhecedor destas diferenças facilitaria o aprendizado e a convivência das crianças especiais.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRZEZINSKI, Iria (org.). LDB dez anos depois: reinterpretação sob diversos olhares. 2. ed.São Paulo: Cortez, 2008. DOCUMENTÁRIO. As borboletas de Zagorsk. Londres: BBC, 1963. FICHTNER, Bernd. Intodução na abordagem histórico-cultural de 
 Vygotsky e seus Colaboradores, 2010. FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 9. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979. REGO, Teresa Cristina. VYGOTSKY Uma perspectiva histórico-cultural da educação. 12 ed. Petrópolis: Vozes, 2001. SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do Trabalho Acadêmico. 21. ed. São Paulo: Cortez, 2000, p. 63-71. TIBALLI, Elianda F. A. Ensinar e aprender no campo da formação de professores: desafios e perspectivas à formação profissional. In Educativa, v. 11, n. 2, p. 319-332, jul/dez.2208. VYGOTSKY, Lev. S, 1890-1934. A Formação social da mente: O Desenvolvimento dos Processos Psicológicos Superiores; organizadores: Michael Cole et al; tradução: José Cipolla Neto, Luis silveira M. Barreto, Solange Castro Afeche. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

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ARTIGO 5 ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL COMO INSTRUMENTO DE PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE Polianny Marques Freitas Branquinho

Polianny Marques Freitas Branquinho - Mestranda em Direito, Relações Internacionais e Desenvolvimento pela Pontífica Universidade Católica de Goiás (PUC-GO). Docente do Instituto de Ensino Superior de Rio Verde – IESRIVER/Faculdade Objetivo– Rio Verde.

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que os cidadãos pudessem participar das decisões. Dos instrumentos gerados, o processo de avaliação de impacto ambiental (AIA) foi aquele que maiores atenções atraiu, tendo sido amplamente discutido e adotado, por sua adaptabilidade a diferentes esquemas institucionais e por suas possibilidades de atender ao mesmo tempo a requisitos técnicos e políticos (MOREIRA, 1985).

ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL COMO INSTRUMENTO DE PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE Polianny Marques Freitas Branquinho Resumo

Em 1981, foi inserido no ordenamento jurídico brasileiro, um novo instituto, qual seja, a Política Nacional do Meio Ambiente, por meio da Lei 6.938. Esta

De acordo com a Constituição Federal (CF), todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, sendo obrigação do Poder Público e da coletividade defendê-lo e preservá-lo. Com a finalidade de efetivar este direito, fomentou-se a Política Nacional do Meio ambiente, a qual possui entre outros instrumentos o Estudo de Impacto Ambiental, o qual visa identificar, avaliar e até mesmo prever as consequências de ações antrópicas ao meio biológico, físico, e sócio econômico. A função do Estudo de Impacto Ambiental não é influenciar as decisões administrativas sistematicamente, a favor das considerações ambientais, em detrimento das vantagens econômicas e sociais. A finalidade é dar à Administração Pública uma base séria de informação, a fim de balancear os interesses em jogo, quando da tomada de decisões, tendo sempre em vista uma finalidade superior.

Lei foi regulamentada, cinco anos mais tarde, em 1986. Posteriormente, a Constituição Federal em 1988 (CF), ratificou a necessidade do Estudo de Impacto Ambiental (EIA), por meio do art. 225 da CF o qual estabelece que: Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações (Constituição da República, 1988).

Palavras-chave: Estudo de impacto ambiental. Meio Ambiente. Licenciamento. Segundo Édis Milaré: 1. Introdução

[…] o Texto Supremo captou com indiscutível oportunidade o que está na alma nacional – a consciência de que é preciso aprender a conviver em harmonia com a natureza, traduzindo em vários dispositivos aquilo que pode ser considerado um dos sistemas mais abrangentes a atuais do mundo sobre a tutela do meio ambiente. A dimensão conferida ao tema não se resume, a bem ver, aos dispositivos concentrados no Capítulo VI do Título VIII, dirigido à Ordem Social – alcança da mesma forma inúmeros outros regulamentos insertos ao longo do texto nos mais diversos títulos e capítulos, decorrentes do conteúdo multidisciplinar da matéria (MILARÉ, 2007, p. 147).

Nas últimas décadas, pode-se perceber um significativo crescimento da conscientização, tanto a nível nacional como internacional, no que pertine à rápida degradação ambiental e seu reflexo negativo na qualidade de vida da sociedade como um todo. Os problemas ambientais levaram comunidades inteiras a lutar por políti-

O citado texto Constitucional trata-se de um dos mais avançados do mun-

cas públicas mais protetivas, e a exigirem programas de investimentos e projedo,

tos a fim de viabilizá-las.

em termos ambientais. Contudo, a lei não será suficiente, caso a coletividade e

Um estudo feito por Iara Verocai Dias Moreira, apontou que:

o Poder público não a observarem.

A busca de meios que promovessem a incorporação de fatores ambientais à tomada de decisão resultou na formulação de políticas específicas e fez surgir uma série de instrumentos para a execução dessas políticas. Fizeram-se reorganizações administrativas e reformas institucionais, criaram-se incentivos econômicos para o controle da poluição, implantaram-se sistemas de gestão ambiental, abriram-se canais para

2. Natureza jurídica e função do estudo de impacto ambiental (EIA)

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do meio ambiente de forma específica ou global. Nelas nem mesmo uma vez foi O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) trata-se de instrumento protetivo,

utilizada a expressão meio ambiente, demonstrando total inadvertência ou, até,

que

despreocupação com o espaço em que vivemos (MILARÉ, 2007).

tem por objetivo a apreciação prévia dos efeitos maléficos que possam resultar

Até meados da década de 80, não haviam movimentos expressivos de

da

cunho nacional, voltados à preservação do meio ambiente.Naquela época, os

instalação, ampliação ou funcionamento de atividades, que, nos moldes do art.

projetos de empreendimentos de grande porte eram submetidos somente à análi-

225,

se relativas às questões técnicas e econômicas, sem qualquer cuidado com as

§1º, IV, da CF, coloquem em risco de maneira significativa o meio ambiente.

consequências destas obras em relação ao meio ambiente.

Portanto, pode-se afirmar que o EIA tem natureza jurídica de instituto

A Doutora Luciane Mascarenhas respalda este entendimento, quando

constitucional, além disso, vale ressaltar que ele constitui um instrumento, que

menciona em sua obra, que anteriormente à instituição do Estudo de Impacto

tem

Ambiental, várias obras gigantescas e altamente agressivas ao meio ambiente

por finalidade contemplar os objetivos constitucionais estipulados pela Política

foram

Nacional do Meio Ambiente.

executadas, sem a realização de qualquer estudo que levasse em conta as variá-

Importante frisar que o EIA, constitui um procedimento público imprescin-

veis

dível à intervenção do órgão público ambiental desde o início de qualquer proce-

ambientais, o que repercutiu na perda de muitos itens da biodiversidade brasilei-

dimento (art. 5°, parágrafo único, 6°, parágrafo único, e 11, parágrafo único, to-

ra (MASCARENHAS, 2008).

dos da Resolução 1/86-CONAMA, e Resolução 6/86 CONAMA, modelos 1 e 2).

Assim, pode-se afirmar que o EIA e sua obrigatoriedade, foi um verdadei-

Contudo, a função do EIA, não é a de manipular as decisões de cunho

ro marco na evolução ambiental, pois transformou a visão sobre a temática ambi-

administrativas, de modo a favorecer as questões ambientais, em desfavor das

ental,

vantagens econômicas e sociais. O que se pretende é dar a Administração Públi-

regendo um processo basilar na evolução do país em direção ao Desenvolvimen-

ca

to

uma base confiável de informação, afim de ponderar os interesses, para que se

Sustentável.

possa tomar decisões mais equilibradas, levando sempre em conta a finalidade

Contudo o EIA pátrio não surgiu nos padrões atuais. O seu ingresso em

superior, qual seja a sustentabilidade.

nosso ordenamento jurídico veio por meio da Lei de Zoneamento Industrial, Lei nº.

3. Estudo de Impacto Ambiental (EIA) no Direito brasileiro e sua evolução

6.803/8010, que em seu art. 10, § 3º, exigia um estudo prévio acerca das avalia-

histórica

ções de impacto para aprovação das áreas componentes do zoneamento urbano.

As Constituições anteriores a de 1988 não se preocuparam com a proteção

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Os estudos e análises das modificações do meio ambiente e os impactos A avaliação do impacto ambiental, como instrumento nacional, deve ser empreendida para atividades planejadas que possam vir a ter impacto negativo considerável sobre o meio ambiente, e que dependam de uma decisão de autoridade nacional competente (MACHADO, 2008, p. 217).

ambientais passaram a ser seriamente considerados, com a criação do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), órgão colegiado, resultado da Lei 6938/ 8111,que tem por objetivo implementar e definir a Política Nacional do Meio Ambi-

A Conferência do Rio chamou a atenção para as tragédias ambientais e

ente.

trouxe maior responsabilidade aos países desenvolvidos, com o intuito de consciA criação do CONAMA foi uma das grandes conquistas da Lei 6938/81,

entizar e divulgar a ideia de desenvolvimento sustentável. Um dos temas trazi-

visto

dos a pauta foi a necessidade de dar aos países em desenvolvimento apoio fi-

que, desde então, o planejamento ambiental tornou-se parte da elaboração das

nanceiro e tecnológico para avançarem em direção ao desenvolvimento susten-

políticas públicas.

tável. Naquele momento, a posição dos países em desenvolvimento tornou-se

4. Declaração do Rio sobre meio ambiente e desenvolvimento

mais bem estruturada e o ambiente político internacional favoreceu a aceitação pelos

A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimen-

países desenvolvidos de princípios como o das responsabilidades comuns, mas

to,

diferenciadas. A mudança de percepção com relação à complexidade do tema

também chamada Conferência do Rio, realizada de 3 a 14 de junho de 1992,

deu-se de forma muito clara nas negociações diplomáticas, apesar de seu impac-

reafirmou a Declaração da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambi-

to ter sido menor do ponto de vista da opinião pública (LAGO, 2011).

ente Humano, adotada em Estocolmo em 16 de junho de 1972, teve por principal ob-

5. Previsões do Estudo do Impacto Ambiental em Convenções e Declara-

jetivo

ções Internacionais

estabelecer uma nova e justa parceria global por meio do estabelecimento de novos

5.1 Convenção de Espoo

níveis de cooperação entre os Estados, os setores chave da sociedade e os indi-

Em fevereiro de 1991, foi assinada em Espoo (Finlândia), a Convenção

víduos, trabalhando com vistas à inclusão de acordos internacionais que respei-

Sobre

tem os interesses de todos e protejam a integridade do sistema global de meio

Avaliação de Impacto Ambiental Transfronteiriço. Este acordo foi adotado no âm-

ambiente e desenvolvimento.

bito

A referida Conferência elaborou a Declaração do Rio de Janeiro, na qual

da Comissão das Nações Unidas para a Europa e entrou em vigor em setembro

proclamou uma série de princípios. Dentre os seus princípios, importante se faz,

de

a

1997 (MACHADO, 2008).

menção do Princípio 17, o qual menciona:

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Após análise de impacto ambiental, a referida Convenção estipulou obriga-

Mesmo o Brasil não fazendo parte desta Convenção, é patente que suas

ções com o intuito de prevenir danos relacionados a projetos ou atividades que

normas internas, em sua maioria, já se encontram de acordo com seus princípi-

poderiam causar, de alguma forma, prejuízos ao meio ambiente e à saúde da

os.

população. 6. Estudo de Impacto Ambiental (EIA)

Esta Convenção considera os fatores ambientais desde o início do procedimento decisório e em todos os escalões administrativos, bem como tem por

Segundo a Resolução n° 1/86, do CONAMA:

principal objetivo disseminar a qualidade das informações fornecidas aos responsáveis, propiciando tomada de decisões sustentáveis, a fim de limitar ao máximo

Art. 1º. […] considera-se impacto ambiental qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultantes das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam: I - a saúde, a segurança e o bem-estar da população; II - as atividades sociais e econômicas; III - a biota; IV - as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; V - a qualidade dos recursos ambientais (CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE, CONAMA, RESOLUÇÃO Nº 1, DE JANEIRO DE 1986).

os impactos danosos das atividades a serem desenvolvidas (MACHADO, 2008). Importante salientar, que não se criou um órgão internacional (a fim de efetuar os estudos), visto que, a mencionada avaliação trata-se de ato soberano de cada país. Segundo Paulo Affonso Leme Machado: Os efeitos transfronteiriços constatados e analisados no procedimento de EPIA (Estudo Prévio de Impacto Ambiental) serão objeto de negociações bilaterais ou multilaterais. […] Impacto transfronteiriço designa qualquer impacto, e não exclusivamente um impacto de caráter mundial, ocorrendo nos limites de uma área que depende da jurisdição de um país, sendo esse impacto oriundo de atividade cuja origem física se situe, no todo ou em parte, em área dependendo da jurisdição de outro país (art. 1º, VIII) (IDEM, p. 217).

Com base nesta resolução, é possível afirmar que o impacto ambiental é uma modificação abrupta do meio ambiente, envolvendo aspectos ecológicos, econômicos e sociais. Essas alterações podem ser positivas ou negativas, dependendo da intervenção ocorrida (MASCARENHAS, 2008). A Resolução CONAMA n° 237, de 19 de dezembro de 1997, em seu art.

O que se propõe é que a decisão com caráter definitivo do país, onde a atividade proposta será exercida, deverá levar em conta os resultados da avalia-

1°, III, menciona que estudos ambientais são todos e quaisquer estudos que se

ção

referem

de impacto ambiental, os apontamentos feitos pelo público (art. 3º, §8º, da Con-

aos aspectos ambientais no que tange à localização, instalação, operação e am-

venção) e, de acordo com o art. 5° da referida Convenção, as observações resul-

pliação de uma atividade ou empreendimento, trazendo como subsídio para a

tantes das consultas ou negociações. O que se observa é que a referida norma

análise da licença requerida, tais como: relatório ambiental, plano e projeto de

preconiza uma ampla motivação da decisão a ser tomada, inserindo na docu-

controle ambiental, relatório ambiental preliminar, diagnóstico ambiental, plano

mentação a ser apreciada não só a avaliação ambiental, mas se leva em conta

de

também a consulta feita ao público e as negociações levadas a efeito entre os

manejo, plano de recuperação de área degradada e análise preliminar de risco e

países.

define Impacto Ambiental Regional, como:

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IV - Impacto Ambiental Regional: é todo e qualquer impacto ambiental que afete diretamente (área de influência direta do projeto), no todo ou em parte, o território de dois ou mais Estados (CONAMA, RESOLUÇÃO Nº 237, DE 19 DE DEZEMBRO).

coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. O meio ambiente equilibrado trata-se de direito fundamental, apesar de não estar positivado no Título II da Constituição Federal de 1988, pois trata-se

Importante mencionar que o EIA não será sempre obrigatório, só haverá

de direito implícito, nos moldes do art. 5, §2°, da CF.

exigibilidade em procedimentos de licenciamento ambiental de empreendimen-

Para assegurar a efetividade desse direito fundamental, o inciso IV do §1°

tos e

do artigo 225 da CF menciona:

atividades consideradas de relevante degradação ambiental. No entanto, existem estudos de impacto de menor complexidade que o

Art. 225. [...] §1° […] incumbe -se ao Poder Público: IV – exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade.

EIA, e serão utilizados quando as atividades ou obras não forem potencialmente causadoras de considerável degradação ambiental, tais como: Relatório de Controle Ambiental (RCA), Estudo de Viabilidade Ambiental (EVA), Relatório de Avaliação

Este “poder dever” ambiental se consubstancia como um imperativo, não

Ambiental (RAA), Projeto de Controle Ambiental (PCA), Relatório Ambiental Sim-

só em relação ao Poder Público, mas também em relação ao cidadão. Neste

plificado (RAS) e Relatório Ambiental Preliminar (RAP). Este último é o primeiro

sentido, sustenta Eros Grau:

documento exigido para o licenciamento ambiental e tem por objetivo amparar a decisão sobre o exigência ou não do EIA (MASCARENHAS, 2008).

Os administradores, meros beneficiários do exercício da função ambiental pelo Estado que eram, passam a ocupar a posição de destinatários do poder dever de desenvolver comportamentos positivos, visando àqueles fins. Assim o traço que distingue a função ambiental pública das demais funções estatais é a não exclusividade de seu exercício pelo Estado (GRAU, 1984, p. 225).

Da análise dos argumentos citados, podemos concluir que o EIA é de extrema relevância, visto que, pressupõe o controle preventivo de prejuízo ao meio ambiente, decorrentes da ação humana. O que se propõe com essas medidas acauteladoras é implementar meios a fim de evitar os prejuízos ambientais, po-

Segundo Rangel (1994), a principal condicionante da política ambiental é

rém, se por algum motivo for constatado dano ambiental, deve-se necessaria-

a capacidade das organizações. Isto indica que é necessária a criação de nor-

mente lançar mão de mecanismos a fim de mitigar esse dano.

mas, a fim de regulamentar o comportamento humano em relação ao meio ambiente, mas, por outro lado, não há que se falar em defesa ambiental sem a coope-

6.1 Da obrigação de tutela do Poder Público

ração da coletividade, haja vista que a segunda parte do art. 225 da CF deixa claro a obrigação tanto do Poder Público quanto da coletividade (cooperativis-

A Constituição Federal prevê em seu art. 225, caput, que “todos têm direi-

mo), quando o assunto é preservação e defesa do meio ambiente.

to ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e

6.2 Exigibilidade

essencial à sadia qualidade de vida”. Portanto impõe-se ao poder público e à

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O EIA é, na verdade, estratégia preventiva da política ambiental, pois en-

to Ambiental foi elevado à categoria constitucional, por meio do art. 225, §1º, da

globa esforços para melhor informar sobre possíveis danos ambientais e permite

CF.

a tomada de medidas adequadas antes que o prejuízo se estabeleça. Sob este

Importante salientar que o texto constitucional não tornou a EIA exigível

contexto, o EIA pode ser classificado como parte de uma política ambiental de

em todos os casos, visto que possibilitou a dispensa da realização deste estudo

caráter cautelar, baseado no planejamento das atividades humanas (DERANI,

em atividades e empreendimentos que não representavam impactos significati-

2008).

vos ao meio ambiente. Neste sentido, a ação protetiva exercida pelo Poder Público Brasileiro

Álvaro Luiz V. Mirra relata em sua obra que:

nada EIA deve ser entendido na sua exata dimensão, ou seja, como valiosíssimo instrumento para a discussão do planejamento global, em todos os níveis, que permite às políticas públicas, ao mesmo tempo, realizarem plenamente os imperativos sociais e econômicos e cumprirem os anseios conservacionistas da coletividade. Longe de ser um de atraso na execução, atividades e empreendimento, o EIA surge, finalmente, como mecanismo de viabilização de sua realização segura e equilibrada em termos sócio-econômico-ambientais, como requer a Política Nacional do Meio Ambiente (MIRRA, 2002, p. 06).

mais é que um sistema de gestão ambiental, que tem por objetivo tutelar o meio ambiente por meio de instrumentos técnicos e, em muitos casos, com a participação da população, para que, assim, se efetive o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, nos moldes no art. 225, caput, da CF. Neste contexto Édis Milaré afirma que:

Sobre este tema, Edis Milaré se manifesta nos seguintes termos: A implantação de qualquer atividade ou obra efetivamente ou potencialmente degradadora deve submeter-se a uma análise e controle prévios. Tal análise se faz necessária para se interverem os riscos e eventuais impactos ambientais a serem prevenidos,corrigidos, mitigados e/ ou compensados quando, da sua operação e, em casos específicos(...) (MILARÉ, 2007, p.165).

Para que se possa analisar corretamente a questão referente à exigibilidade e aos limites de aplicação da Resolução CONAMA001/1986, cumpre enfatizar novamente que ela foi editada sob o anterior regime constitucional, o da Emenda 1/69, época que não havia nenhuma disposição nomeada com “proteção ambiental” ou algo que o valha. As matérias que compõe essa nova designação eram tratadas sob a forma de competência legislativa da União para dispor sobre “defesa e proteção da saúde”; “jazidas, minas e outros recursos minerais”; “metalurgia, florestas, caça e pesca” e “águas”. Nesse contexto, amenizado com uma pitada dos novos ventos, que indicavam já a necessidade de uma melhor disciplina das atividades que pudessem causar algum dano ao meio ambiente, é que veio a ser editada a resolução CONAMA 001/1986, que atendia aos então objetivos perseguidos pela Lei 6.938/198132 (MILARÉ, 2007, p. 367).

Com ao advento da Lei 6.938/81, o EIA foi elevado à categoria de instrumento da Política nacional do Meio Ambiente e, por meio da Resolução CONAMA 001/86, foram estabelecidas as definições, os critérios básicos, as responsabilidades e as orientações gerais para o seu uso e execução (MILARÉ, 2007). É certo, pois, dizer que a resolução CONAMA 001/86 apresentou, de forma exemplificativa, um rol de situações consideradas potencialmente causado-

Para finalizar, podemos afirmar que só há a obrigatoriedade do EIA quan-

ras de danos significativos ao meio ambiente, nas quais o EIA se fazia necessá-

do a ação humana de alguma forma causar relevante dano ao meio ambiente.

rio.

Sendo assim, é possível sustentar que nem toda modificação do meio ambiente,

Desse modo, de acordo com esta Resolução, todas as atividades que de

causada pela ação humana, implicará em prévio EIA.

alguma forma modificassem o meio ambiente, dependeriam do EIA e respectivo Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), sem o que não poderiam ser licencia-

6.3 Licenciamento ambiental e o Estudo de Impacto Ambiental (EIA)

das. Contudo, essa emenda foi superada, visto que, em fim, o Estudo de Impac-

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mento, solicitação de licença, abertura de processo, envio de documentos e boleCom base no texto constitucional, o EIA deverá ser realizado antes da ins-

tos de pagamento de taxas do licenciamento em formato on line.

talação da obra ou atividade potencialmente causadora de significativa dano am-

Importante salientar que o EIA não se confunde com o licenciamento, pois

biental, não podendo ser no momento e nem após à obra ou atividade, haja vista

este é obrigatório em qualquer obra, já aquele só é exigível em obras ou empre-

que o EIA tem por fundamento a prevenção e precaução.

endimentos que possam causar danos ambientais significativos. Portanto, pode-

Este estudo prévio visa coibir práticas que eram comuns no Brasil, visto

mos afirmar que sempre que houver o EIA se buscará o licenciamento, mas nem

que

todo licenciamento está relacionado ao EIA.

os donos de obras e empreendimentos com alto poder de degradação do meio ambiente as começavam sem a realização do EIA e, assim, quando realizado,

7. Considerações finais

servia apenas para legitimar a situação já estabelecida (MASCARENHAS, 2008) .

A Lei de Política Nacional de Meio Ambiente, que completa 31 anos, coin-

O EIA trata-se de parte integrante do processo de licenciamento ambien-

cidentemente, em 31 de agosto de 2011, foi um marco na história da nossa Na-

tal, pois sua realização é requisito necessário para a concessão de licença para

ção, visto que, por meio dela parte dos recursos ambientais nacionais foram pre-

o início das obras ou atividades potencialmente degradadoras do meio ambien-

servados.

te, de acordo com Mascarenhas, (2008, p. 123), sendo que a Lei 6.938/81 e as

O EIA e sua obrigatoriedade transformaram a visão sobre a temática ambi-

Resoluções CONAMA nº 001/86 e nº 237/97 estabelecem as principais orienta-

ental, regendo um processo basilar na evolução do Brasil em direção ao Desen-

ções para a execução do Licenciamento Ambiental.

volvimento Sustentável.

A obrigação de se realizar o EIA e de conceder a licença é compartilhada

Em conclusão, o Direito Brasileiro encontra-se em processo de amadureci-

pelo Ibama e pelos Órgãos Estaduais de Meio Ambiente, pois são partes inte-

mento. Há muito que se regulamentar sobre EIA, mas não há como negar que

grantes do Sistema Nacional de Meio Ambiente (SISNAMA).

hoje este instituto trata-se de instrumento fundamental de proteção ambiental e

O Ministério do Meio Ambiente emitiu o Parecer nº 312, que dispõe sobre

de elemento inestimável no controle da eficiência das decisões públicas e priva-

a

das que afetam diretamente o meio ambiente.

competência estadual e federal para o licenciamento, tendo como fundamento a abrangência do impacto.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

A Diretoria de Licenciamento Ambiental é o órgão do Ibama responsável pela

ANTUNES, Paulo de Bessa. Direito Ambiental. 11 ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2008.

execução do licenciamento na esfera federal. A Diretoria vem realizando esforços na

BELTRÃO, Antônio F. G. Manual de Direito Ambiental. São Paulo: Método, 2008.

qualificação e na reorganização do setor de licenciamento, bem como fornece aos empreendedores módulos de atualização de dados técnicos do empreendi-

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ARTIGO 6 AVALIAÇÃO DA CAPACIDADE FÍSICA DE PORTADORES DE DPOC ANTES E APÓS INTERVENÇÃO FISIOTERAPÊUTICA AQUÁTICA Adriana Vieira Macedo Carolina Pereira Vieira Fernanda Silvana Pereira Quirino Francisco Elias Medeiros Fonseca Getúlio Antonio de Freitas Filho Rejane Maria Cruvinel Cabral Renato Canevari Dutra da Silva

Adriana Vieira Macedo - Docente da FESURV – Universidade de Rio Verde Carolina Pereira Vieira - Acadêmica do Instituto de Ensino Superior de Rio Verde – IESRIVER – Rio Verde. Fernanda Silvana Pereira Quirino - Fisioterapeuta graduado pela Universidade de Rio Verde – FESURV – Rio Verde. Francisco Elias Medeiros Fonseca - Fisioterapeuta graduado pela Universidade de Rio Verde – FESURV – Rio Verde. Getúlio Antonio de Freitas Filho - Docente do Instituto de Ensino Superior de Rio Verde – IESRIVER/Faculdade Objetivo– Rio Verde. Rejane Maria Cruvinel Cabral - Docente do Instituto de Ensino Superior de Rio Verde – IESRIVER/Faculdade Objetivo– Rio Verde. Renato Canevari Dutra da Silva - Docente do Instituto de Ensino Superior de Rio Verde – IESRIVER/Faculdade Objetivo– Rio Verde.

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AVALIAÇÃO DA CAPACIDADE FÍSICA DE PORTADORES DE DPOC ANTES E APÓS INTERVENÇÃO FISIOTERAPÊUTICA AQUÁTICA

1. Introdução

Adriana Vieira Macedo Carolina Pereira Vieira Fernanda Silvana Pereira Quirino Francisco Elias Medeiros Fonseca Getúlio Antonio de Freitas Filho Rejane Maria Cruvinel Cabral Renato Canevari Dutra da Silva

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma doença prevenível

e tratável caracterizada pela obstrução do fluxo aéreo de caráter progressivo e parcialmente reversível. Tem como origem a combinação entre enfisema pulmonar e bronquite crônica, sendo que uma predomina sobre a outra (MACHIORI et. al., 2010). É uma doença primária do aparelho respiratório. Porém, a associação com alterações de outros sistemas é frequente sendo por isso, uma doença evitável e tratável com alguns efeitos extrapulmonares que determinam o prognóstico dos pacientes (RIBEIRO; VIEGAS, 2008). A reabilitação pulmonar é um programa multidisciplinar e individualizado

Resumo

que procura devolver ao indivíduo a maior capacidade funcional permitida, frente sua limitação pulmonar e estado geral de saúde (GALVES et. al., 2007).

A hidroterapia além de ser uma terapêutica agradável é uma ferramenta bastante utilizada em programas de treinamento físico e por isto tem sido alvo de muitos estudos. Porém são escassos os estudos relacionando a hidroterapia à reabilitação pulmonar aquática. Objetivos: Este estudo teve como objetivo avaliar a capacidade física por meio do teste de caminhada de seis minutos (TC6’) em indivíduos com DPOC antes e após intervenção fisioterapêutica aquática, comparar a distância percorrida no teste de TC6’ antes e após a intervenção. Métodos: A amostra foi composta por quatro indivíduos com DPOC residentes na Associação Beneficente André Luiz (ABAL) de Rio Verde – GO, os quais foram submetidos à avaliação da distância percorrida no TC6’ antes e após a intervenção fisioterapêutica aquática, com duração de 8 semanas, freqüência de 3 vezes por semana durante 50 minutos cada. Resultados: Ao fim da intervenção observa-se que a média da distância percorrida antes e após treinamento foi de 238,0 m e 281,0 m, respectivamente, não havendo diferença estatisticamente significante (p = 0,216), porém pôde ser observado um aumento médio da distância percorrida de 43m. Observou-se aumento na distância percorrida de 75% da amostra, podendo inferir tendência de melhora na capacidade física desses indivíduos. Conclusões: Não houve diferença significativa entre as médias das distâncias percorridas antes e após a intervenção, entretanto, foi obtido um aumento na média após intervenção, o que infere tendência de melhora da capacidade física.

De acordo com Rodrigues, Viegas e Lima (2002) a DPOC leva ao comprometimento da arquitetura pulmonar que não se beneficia com a reabilitação pulmonar. No entanto, é através da reabilitação pulmonar que o círculo vicioso da falta de ar, inatividade, perda de condicionamento físico, isolamento social e depressão pode ser revertido (AMARAL; NETO MARTINS, 2003). O teste de caminhada de seis minutos (TC6’) é um teste submáximo, simples e fácil de ser realizado uma vez que, não requer equipamentos sofisticados sendo, portanto, um teste com baixo custo e por isto tem sido preconizado na avaliação de resultados de programas de reabilitação. Antes de iniciar o teste o paciente deve ser orientado a caminhar a maior distância possível em um corredor plano, previamente demarcado, em ambiente coberto. Durante o teste devem-se utilizar frases para o encorajamento verbal do paciente a cada minuto (ROSA; CAMILER; MAYER; JARDIM, 2006). O uso da água com finalidades terapêuticas, teve vários nomes, atualmente, o termo mais aceito é reabilitação aquática ou hidroterapia derivado do grego

Palavras-chave: Hidroterapia, Hidroterapia X DPOC, Capacidade física.

“hydor”, “hydatos = água / “therapeia”= tratamento (BIASOLI; MACHADO, 2006).

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Segundo Fiorelli et. al. (2002), a hidroterapia é definida como uma tera-

ca bem como comparar a distância percorrida no teste de caminhada de seis mi-

pêutica que utiliza a aplicação da água com finalidade terapêutica, beneficiando-

nutos antes e após intervenção fisioterapêutica aquática.

se das propriedades físicas da água, como agente da terapia. É um trabalho específico e individual para cada paciente para melhor conforto e segurança do

2. Métodos

mesmo, além de trabalhar a parte aeróbica ao mesmo tempo, trabalha grandes

Foram incluídos no estudo quatro pacientes com diagnóstico de DPOC

grupos musculares e várias articulações (CAROMANO; CANDELORO; THEMU-

residentes na Associação Beneficente André Luiz (ABAL). Os critérios de inclu-

DO FILHO, 2003).

são foram: diagnóstico de DPOC de acordo com os critérios propostos pela ATS

Na imersão com a cabeça fora d’água a mecânica e a função pulmonar

(1995), estabilidade clínica nas quatro últimas semanas, ausência de transtorno

sofrem algumas alterações. Com a imersão até o processo xifóide o abdome é

cognitivo, observado através do Miniexame do Estado Mental (MEEM). Os critéri-

empurrado para dentro e a caixa torácica expande-se na expiração final, conse-

os de exclusão foram: outras doenças pulmonares que não a DPOC, presença

quentemente o diafragma apresenta um aumento do seu comprimento proporcio-

de doenças não pulmonares consideradas incapacitantes, presença de altera-

nando-lhe vantagem mecânica. Este deslocamento causa diminuição do volume

ções cutâneas, ausência de controle de esfíncter, aversão ao meio aquático e

de reserva expiratório (VRE), do volume residual (VR) e da complacência pulmo-

aqueles que não assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido em du-

nar em 50% dos valores, porém, o tempo inspiratório e a frequência respiratória

as vias. Também os indivíduos que recusaram realizar o Teste de caminhada de

permanecem inalterados (FAGUNDES; SILVA, 2006).

seis minutos.

As alterações do sistema respiratório são acionadas pela pressão hidros-

Todos os indivíduos assinaram o termo de consentimento livre e esclareci-

tática de duas maneiras, aumento do volume central e a compressão da caixa

do, e o estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade

torácica e abdominal (CAROMANO; CANDELORO, 2001).

de Rio Verde

Com a imersão, o centro diafragmático desloca-se cranialmente, com con-

Primeiramente, foi aplicado o Miniexame do Estado Mental (MEEM), ver-

seqüente aumento da pressão intratorácica e da pressão transmural dos gran-

são utilizada no Brasil, adaptada por Bertolucci et. al. (1994), com a finalidade

des vasos culminando em um aumento de 65% do trabalho respiratório. Redu-

de avaliar a presença ou não de alterações cognitivas. Em seguida foi realizada

ção de 6% da capacidade vital e de 66% do volume de reserva expiratório (CA-

uma avaliação dos sintomas com o propósito de identificar a estabilidade clínica

ROMANO; CANDELORO; THEMUDO FILHO, 2003).

dos pacientes, quanto ao sintoma de tosse, expectoração, em relação ao volu-

Durante a imersão a pressão hidrostática funciona como uma carga para

me e aspecto da secreção. Também foi verificada a história de tabagismo, pre-

contração diafragmática na inspiração, o que culmina em exercício para esta

sença de dispnéia, a altura e a massa corporal deste pacientes e foi calculado o

musculatura, além de auxiliar sua elevação e na saída do ar na expiração (FA-

índice de massa corporal (IMC), utilizando a fórmula peso/estatura2 (kg/m2) (SI-

GUNDES; SILVA, 2006).

MON; MAYER, 2006).

O presente estudo foi realizado como finalidade verificar possíveis altera-

Posteriormente, foi realizado o teste de caminhada de seis minutos, no

ções na capacidade física de indivíduos portadores de DPOC por meio do teste

qual o paciente foi orientado a caminhar, sem aquecimento prévio, em corredor

de caminhada de seis minutos antes e após intervenção fisioterapêutica aquáti-

plano e coberto, em uma área já demarcada de dez metros durante seis minu-

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tos, sendo o ritmo da caminhada imposto pelo próprio paciente. Durante, o teste

adutores de ombro e quadril, flexores e extensores de cotovelo e joelho. Esses

foram utilizadas duas frases de incentivo padronizadas “o senhor (a) está indo

alongamentos foram realizados fora da piscina.

muito bem; se for possível aumente a velocidade da caminhada” no terceiro mi-

Etapa II – Adaptação na água: O paciente entrou na piscina, para se

nuto e “seu ritmo está ótimo e só falta um minuto para o final; vamos aumentar o

ajustar à experiência aquática, mantendo a postura ortostática, com apoio do

ritmo se for possível”, no quinto minuto de caminhada (RODRIGUES, VIEGAS;

estagiário, em profundidade de 1,20 metros.

LIMA, 2002).

Etapa III – Desligamento: o paciente permanece em pé, na mesma pro-

O teste foi finalizado quando solicitado pelo paciente, saturação de oxigê-

fundidade, sem o apoio do estagiário, mantendo a postura por 2 minutos.

nio abaixo de 90% de SO2, escala de Borg cansativo, tonturas, vertigens ou com-

Etapa IV – Transferência postural: o paciente levanta-se e senta-se no

pletado seis minutos do teste (PITTA; GODOY, 2001).

degrau da escada sem apoiar na borda da piscina, por três vezes consecutivas.

Foram utilizadas para os cálculos do valor previsto, ou de referência, para

Etapa V – Controle rotacional do tronco: sentado no degrau da escada,

distância no TC6’, duas equações propostas por Enright e Sherril (1998), determi-

com as articulações coxofemorais, dos joelhos e dos tornozelos, em flexão de

nando assim o percentual do previsto para cada teste realizado pelo paciente.

cerca de 90º, o paciente realizou rotação máxima de tronco, sem alterar a base

O protocolo de intervenção fisioterapêutica aquática foi composto de 9

de sustentação (apoio em tuberosidades isquiáticas e pés), associada ao movi-

etapas baseado no protocolo proposto por Gabilan et. al. (2006), Candeloro e

mento de flexão e adução do braço, cruzando a linha média, no nível da superfí-

Caromano (2007) e, sendo que cada uma das sessões obedeceu ao nível de

cie da água. Retornando à posição inicial e, a seguir, repetiu a tarefa anterior na

adaptação do paciente ao meio aquático, não sendo necessário o domínio de

posição ortostática. Etapa VI – Exercícios de MMSS: na posição ortostática realizou movi-

técnica de natação, tendo em vista o suporte dado pelo terapeuta.

mentos nas diagonais de Kabat (DI e DII), primeiramente com o membro superi-

O treinamento foi realizado em grupos de 2 pacientes por sessão, num total de 24 sessões de 50 minutos, três vezes por semana, em uma piscina aque-

or direito, em seguida, com o esquerdo. Na sequência, realizou movimentos de

cida à temperatura média de 34ºC. Os pacientes foram acompanhados de perto

circundação dos ombros com as mãos sempre dentro da água. Com os braços abduzidos e cotovelos fletidos a 90º, o paciente realizou

por quatro estagiários treinados do oitavo período do curso de fisioterapia da Uni-

movimentos de rotação interna e rotação externa dos ombros. Posteriormente,

versidade de Rio Verde.

com os braços abduzidos e cotovelos em extensão, o paciente realizou movi-

Após cada série de exercício realizada, o paciente, teve 30 segundos de repouso. Frequência cardíaca (FC), frequência respiratória (FR), saturação da

mentos de adução e abdução dos ombros, sempre com os braços dentro da

hemoglobina pelo oxigênio (SpO2%), pressão arterial (PA) e índice de percep-

água. Os exercícios para MMSS sempre foram associados com coordenação da

ção de esforço respiratório (BORG dispnéia) e fadiga de membros inferiores (BORG MMII) foram aferidos antes da etapa I e antes e depois da etapa IX (SER-

respiração, a fase expiratória coincidia com o estiramento no alongamento ou

RUYA; PIMENTEL, 2000).

com o esforço durante um exercício de fortalecimento.

Etapa I – Alongamento: Os grupos musculares alongados foram: flexores, extensores, flexores laterais de pescoço, flexores, extensores, abdutores e

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Etapa VII – Exercícios de MMII: em posição ortostática, segura com uma

As características da amostra foram descritas como: média, mediana, des-

das mãos na borda da piscina e executa o movimento com o membro inferior

vio padrão e intervalo de confiança 95%.

contralateral. Os movimentos realizados foram abdução e adução de quadril.

O teste t, de Student, foi utilizado para comparar a distância percorrida no

Em seguida, o paciente de frente apoiando na borda da piscina, realizou

teste de caminhada de seis minutos (TC6’) antes e após intervenção fisioterapêu-

movimento de extensão de quadril com joelho em flexão de 90º e com o joelho

tica aquática. O coeficiente de correlação de Pearson foi empregado para corre-

em extensão. Na mesma posição, o paciente foi orientado a realizar movimento

lacionar a quantidade de sessões realizadas com a distância percorrida no TC6’

de flexão dos joelhos com o quadril em posição neutra, um por vez. Posterior-

antes e após intervenção fisioterapêutica aquática. O nível de significância adota-

mente na mesma posição, o paciente realizou exercícios de agachamento no

do foi de 5% (p<0,05).

limite de sua altura sem submergir a cabeça, sendo permitida a água apenas até o pescoço.

3. Resultados

Com as costas e braços apoiados na borda da piscina, o paciente reali-

A população estudada foi composta inicialmente de 18 indivíduos, sendo

zou movimentos de flexão de quadril e, posteriormente, extensão de joelhos

que 14 foram incapazes de participar do grupo. Alguns apresentaram aversão à

com o quadril em flexão fixa de 45º, um joelho por vez.

água, outros simplesmente não quiseram participar, um parou de freqüentar o

Etapa VIII – Marcha com empuxo: na posição ortostática, realizou

a

programa de reabilitação sem justificativa, e o outro participante parou por or-

marcha independente para frente e, a seguir, para trás, de olhos abertos, reali-

dem médica, assim, a amostra foi composta por quatro indivíduos com diagnósti-

zando movimentos alternados de rotação da cabeça para ambos os lados e, de-

co clínico de DPOC de acordo com os critérios propostos pela ATS (1995).

pois, vencendo a turbulência da água criada pelo pesquisador. Posteriormente o

Dos quatro indivíduos, três eram do gênero feminino (75%) e um do gêne-

paciente foi orientado a realizar deslocamento lateral (caminhada lateral) para

ro masculino (25%) com idade variando entre 68 a 88 anos com mediana de

direita e, em seguida, para a esquerda. Cada tarefa foi realizada por 3 minutos.

74,0 anos, média de 76,0 anos (+ 8,52), o que pode ser visualizado na Tabela 1,

Etapa IX – Relaxamento: esta etapa tem por objetivo relaxar a musculatu-

que apresenta as principais características da população estudada.

ra utilizada durante o treinamento, para isso foram realizados alongamentos dos

Tabela 1. Caracterização da amostra

grupos musculares, citados anteriormente. Esses alongamentos foram realiza-

VARIÁVEL

n

Idade

4

68

88

74,00

76,00

+ 8,524

Altura

4

1,46

1,65

1,47

1,5125

+ 0,0922

M a s s a corporal

4

46,50

58,20

51,25

51,8000

+ 5,3160

IMC antes

4

17,8

27,3

23,25

22,900

+ 4,0751

Sessões

4

16

24

24,00

22,00

+ 4,000

IMC após

4

18,3

27,9

23,10

23,100

+ 4,1061

Mínimo

Máximo

Mediana

Média

dos dentro da piscina. Em todas as etapas do tratamento foram realizadas 2 séries de 10 repetições. Após o protocolo os pacientes foram submetidos a uma reavaliação composta pelo TC6’, conforme já descrito na avaliação e mensuração de massa corporal e altura, após 24 horas do término da última sessão para posterior cálculo do IMC. Todos os dados foram analisados utilizando os programas Microsoft Office Excel 2003 e SPSS.

IMC: índice de massa corporal; n: número da amostra

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Desvio Padrão


ção do participante A, que se apresentou com IMC abaixo dos padrões de norNa Tabela 2, que se refere às variáveis do TC6’ antes e após intervenção

malidade proposto por WHO (2002), além de ter sido o único participante a ter

fisioterapêutica aquática, pode ser observada uma média de 432,03 m (+ 26,88)

reduzido a distância percorrida após intervenção fisioterapêutica aquática.

para a distância prevista por sexo e idade antes da intervenção. Com relação à distância percorrida pré-intervenção, observa-se uma média de 238,0 m (+

Tabela 3. Variáveis do teste de caminhada de seis minutos, gênero, idade,

55,88) e para a distância percorrida após uma média de 281,0 m (+ 90,52), não

número de sessões realizadas e IMC de cada paciente.

havendo diferença estatisticamente significativa (p = 0,216).

Pacientes

Tabela 2. Variáveis do TC6’ antes e após a intervenção fisioterapêutica aquática. VARIÁVEL

n

Distância Prevista antes

4

Distância Prevista após

4

Distância P e rc o r r i d a antes

4

162

280

255,00

238,00

+ 55,881

Distância P e rc o r r i d a após

4

193

364

283,50

281,00

+ 90,528

%Prev. Antes

4

36,27

68,58

58,27

55,3450

+ 13,7397

%Prev. Após

4

46,99

89,75

63,09

65,7275

+ 21,7883

Mínimo

408,280

Máximo

462,580

Mediana

428,641

Média

Desvio Padrão

P

432,0355 + 26,8841

0,759

Sexo Idade (anos)

Sessões (dias)

IMC (kg/m2)

Distância Prevista (m)

Distância Atingida em metros antes e%

A

M

88

16

17,8

410,64

230

B

F

68

24

24,7

462,58

C

F

73

24

21,8

D

F

75

24

27,3

Distância Atingida em metros depois e%

56%

193

46,99%

280 60,53%

354

78,61%

446,64

162 36,27%

213

47,56%

408,28

280 68,58%

364

89,75%

IMC: índice de massa corporal, kg/m2: quilograma por metro quadrado, %: percentual

405,534

463,038

429,211

431,7485 + 28,0994 Observa-se ainda na Tabela 3, um aumento na distância percorrida após 0,216

a intervenção fisioterapêutica aquática nos voluntários B, C e D superior a 50 m (B= 74m; C= 51m e D= 84m), podendo afirmar que os voluntários B, C e D tiveram uma melhora da capacidade física e de tolerância ao exercício.

0,223

4. Discussão A DPOC normalmente é diagnosticada entre a quinta e a sexta década de

n: número da amostra; %: percentual; Prev.: prevista; p: índice de significância

vida. Sua incidência é maior em homens que em mulheres, e aumenta com a idade. Porém, a tendência para os homens é a estabilidade e/ou decréscimo, enquanto que para as mulheres a tendência é aumentar (FERNANDES; BEZER-

Embora não tenha sido encontrada diferença estatisticamente significativa entre as médias das distâncias percorridas pelos participantes da pesquisa an-

RA, 2006; DOURADO et. al., 2004). No entanto, no presente estudo, verificou-se

tes e após intervenção fisioterapêutica aquática (p = 0, 216), pôde-se constatar

maior participação das mulheres no programa proposto, três (75%) e um homem

um aumento na média da distância percorrida após intervenção de 43 m.

(25%). A falta de adesão do gênero masculino pode ser atribuída a uma caracte-

A Tabela 3 representa as variáveis do teste de caminhada de seis minu-

rística da região estudada. A falta de adesão dos homens aos programas de tra-

tos, gênero, idade, número de sessões realizadas e IMC de cada paciente, po-

tamento pode constituir importante agravante para os altos custos e impacto so-

dendo-se observar que todos os participantes realizaram 24 sessões, com exce-

cioeconômico das doenças crônicas.

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Um estudo realizado Guyatt et. al. (1987), estimou que um acréscimo de

Um estudo realizado por Zanchet, Viegas e Lima (2005), durante seis se-

30 m na distância percorrida no TC6’ é considerado significante. Já outro estudo

manas com frequência de três vezes por semana, ao avaliar a eficácia da reabili-

realizado por Redelmemier et. al. (1997), após a avaliação de 112 pacientes por-

tação pulmonar na capacidade de exercício de portadores de DPOC através do

tadores de DPOC, relatou uma distância mínima de 54 m para que seja verifica-

TC6’, obteve-se uma aumento de 57 m na distância percorrida em solo, resultan-

da uma diferença clinicamente significante na percepção da performance dos

do num aumento da capacidade funcional resultado que também difere do pre-

pacientes. Por outro lado, Goldstein et. al. (1994), afirmam que um aumento de

sente estudo em meio aquático.

38 m na distância percorrida corresponde a 10% de melhora quando comparado

Observa-se, em toda literatura pesquisada, uma escassez de estudos que

ao grupo controle.

se referem à reabilitação aquática e a falta de protocolos pré-estabelecidos, o

Verifica-se assim, que há uma limitação com relação à distância percorri-

que impede a comparação deste estudo com outros estudos em meio aquático.

da no TC6’, tanto para indivíduos saudáveis quanto para pacientes com doenças

Em pacientes com DPOC quanto maior o número de sessões e a intensi-

pulmonares. A escassez de valores e referência limita a interpretação dos dados

dade do exercício, melhores serão os resultados, uma vez que, após a cessação

da distância percorrida em indivíduos com doença pulmonar, e apresenta limita-

do treinamento ocorre uma perca progressiva dos efeitos do treinamento (GULI-

ção para profissionais da saúde que desejam fornecer aos pacientes uma medi-

NI; LIMA, 2006). Atribui-se o resultado da presente amostra ao pequeno número

da de distância percorrida esperada.

de sessões realizadas e ao pequeno período de intervenção.

Tendo como base os dados citados anteriormente no estudo de Goldstein

A desnutrição protéico-energética é uma manifestação comum em pacien-

et. al. (1994), e ao considerar os parâmetros, que afirmam que uma melhora si-

tes com doença pulmonar obstrutiva crônica, observada em 25% dos pacientes

gnificativa de 10% corresponde a um acréscimo de 38 m na distância percorrida,

ambulatoriais e 50% dos pacientes hospitalares (FERNANDES; BEZERRA,

o presente estudo infere uma melhora da capacidade física dos participantes

2006). O que pode ser observado no presente estudo, pois na Tabela 3 verifica-

com a reabilitação aquática. Visto que o grupo estudado apresentou um aumen-

se que um paciente (25%) apresentou IMC inferior a 21Kg/m2 e três pacientes

to de 43 m na distância percorrida, após o programa proposto.

(75%) apresentaram IMC maior ou igual a 21Kg/m2.

Em um estudo semelhante composto por um grupo de sete indivíduos

A depleção de massa muscular é o principal efeito negativo da desnutri-

com DPOC, Nunes e Silva (2008) adotaram um programa de treinamento em

ção. Na ausência de reserva corporal de gordura, o organismo mobiliza a reser-

solo com 24 sessões, duas vezes por semana no período de oito semanas. Não

va corporal de proteína para ser utilizada como fonte de energia ocorrendo desta

se constatou diferença estatisticamente significativa entre as médias da distân-

forma depleção muscular. Essas alterações afetam os músculos ventilatórios re-

cia percorrida antes e após intervenção fisioterapêutica, porém, os autores inferi-

duzindo sua massa e contribuindo para diminuir força e resistência, tornando-os

ram uma melhora na capacidade física, consequentemente, um aumento da tole-

menos eficientes (BORGHI E SILVA et. al., 2005).

rância ao exercício, uma vez que foi obtido um aumento de 97,14 m; dados que

Os pacientes desnutridos apresentam dispnéia mais intensa, menor capa-

divergem do presente estudo, visto que o aumento médio na distância percorrida

cidade de realizar exercício e pior qualidade de vida. O que pode justificar a falta

foi de apenas 43 m. Entretanto, o estudo citado, foi realizado em bicicleta ergo-

de alteração da capacidade física do paciente A no presente estudo, uma vez

métrica e o presente estudo por uma intervenção aquática.

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que, foi o único que não apresentou melhora e também o único que apresentou

Diante do exposto, no decorrer deste estudo, pode-se afirmar que embora

desnutrição protéico-energética conforme apresentado na Tabela 3.

não houve diferença estatisticamente significante na distância percorrida no

A desnutrição reduz a massa diafragmática contribuindo para diminuição

TC6’ antes e após a intervenção fisioterapêutica aquática, notou-se um aumento

de força e resistência muscular. Como consequência, quem perde peso tem

médio de 43 m na distância percorrida após o treinamento, o que infere uma ten-

mais dispnéia, maior grau de alçaponamento de ar, maior limitação ao exercício

dência a melhora da capacidade física dos participantes após a intervenção fisio-

do que os indivíduos com peso estável e mesmo grau de obstrução (GULINI;

terapêutica.

LIMA, 2006).

Dos quatro participantes deste estudo, três apresentaram aumento signifi-

Conforme apresentado na Tabela 3, observa-se um aumento na distância

cante na distância percorrida no TC6’, sugerindo um aumento do condicionamen-

percorrida após intervenção fisioterapêutica aquática nos voluntários B, C e D

to físico e da tolerância ao exercício desses indivíduos.

superior a 50 m, inferindo que os mesmos tiveram uma melhora da capacidade

Frente à discreta melhora da capacidade física dos participantes desta

física e da tolerância ao exercício, uma vez que, estudos Zanchet, Viegas e Lima

pesquisa, sugere-se a realização de mais estudos com portadores de DPOC em

(2005) e Pitta e Godoy (2001), relatam que um aumento da distância percorrida

meio aquático, com uma melhor estratificação da amostra para evitar interferên-

superior a 50 m pode ser considerada melhora da capacidade física após um

cias nos resultados e a elaboração de meios para acompanhamento hemodinâ-

programa de treinamento físico.

mico na água uma vez que, no presente estudo os recursos financeiros foram apenas dos pesquisadores. Sugere-se também, maior esclarecimento dos volun-

5. Considerações Finais

tários quanto ao treino aquático, pois, a maioria dos indivíduos desistiu do trata-

Os efeitos fisiológicos da água são provenientes do exercício executado e

mento pelo fato de apresentarem aversão ao meio aquático e/ou não compreen-

variam com a temperatura da água, a pressão hidrostática, a duração do trata-

deram a importância do exercício físico supervisionado na DPOC.

mento e a intensidade do exercício. As reações fisiológicas podem sofrer alterações pelas condições da doença de cada paciente (BIASOLI; MACHADO,

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compreendam os princípios do treinamento físico, especificidade do treinamento

5, 2003.

(o treino de músculos ou grupos musculares é benéfico apenas para o grupo treinado e atinge apenas o objetivo específico do tipo de treinamento empregado)

AMERICAN THORACIC SOCIETY. Standards for the diagnosis and care of pati-

sobrecarga, deve-se especificar a intensidade, a frequência e a duração do trei-

ents with chronic obstructive pulmonary disease. American Journal of Respira-

no (quanto maior o número de sessões e mais intenso maiores são os resulta-

tory and Critical Care Medicine, 1995;152(5 Pt 2):S77-121.

dos), reversibilidade (o efeito obtido pelo treinamento é perdido após a cessação do exercício de forma gradual) e individualização (a limitação individual deve ser avaliada para prescrição de exercício) (GULINI; LIMA, 2006).

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POLÍTICA EDITORIAL a) Da Revista

5-

Os artigos submetidos à Revista Objetiva serão inicialmente examinados pelo Conselho Editorial, para verificar a conformidade com as normas

A Revista Objetiva, de periodicidade semestral, constitui um espaço aber-

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to à divulgação de conhecimentos e seu projeto de edição corrobora os interes-

teúdo do texto.

ses do Instituto de Ensino Superior de Rio Verde, ao estimular e divulgar a produ-

6-

ção científica no meio acadêmico.

Os colaboradores serão informados do parecer de aprovação de seu artigo, por e-mail ou por carta, em aproximadamente 60 dias, a partir da data

Os trabalhos enviados à Revista são submetidos à avaliação de pelo me-

de recebimento do artigo.

nos dois revisores. A aceitação será feita com base na originalidade, significân-

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Os trabalhos com parecer favorável serão remetidos aos autores, para as

cia e contribuição científica. Cabe ao Corpo Editorial, sugerir trocas e modifica-

devidas correções, com prazo máximo de quinze (15) dias, para devolu-

ções nos textos, desde que não altere o conteúdo científico, com a devida con-

ção a Revista Objetiva.

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inteira responsabilidade de seus autores. 3-

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16-

As Referências Bibliográficas devem seguir as especificações da ABNT (NBR 6023) e listadas, em ordem alfabética, ao final do texto.

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