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CADERNOS de Pesquisa e Extensão

III CADERNO DE PESQUISA E EXTENSÃO Pesquisa, III Concurso de Artigos de Iniciação Científica e Relatório de Extensão


Publicação Anual Faculdade La Salle de Lucas do Rio Verde SOCIEDADE PORVIR CIENTÍFICO CNPJ 92 741.990/0001-37 Rua Honório Silveira Dias, 636 Bairro São João 90550-150 – PORTO ALEGRE – RS Ir. Jardelino Menegat Diretor Presidente Ir. Cledes Antonio Casagrande Diretor Vice-Presidente Ir. Olavo José Dalvit Diretor Administrativo Ir. João Angelo Lando Diretor Secretário

FACULDADE LA SALLE DIRETORIA Prof. Dr. Nelso Antonio Bordignon, fsc Diretor Geral Prof. Me. Fernando Cezar Orlandi Diretor Acadêmico Prof. Esp. Paulo Renato Foletto Diretor Administrativo

Faculdade La Salle Av. Universitária, 1000W – Bandeirantes – Lucas do Rio Verde – MT CEP 78455-000 Home page: www.unilasalle.edu.br/lucas


CADERNOS de Pesquisa e Extensão

III CADERNO DE PESQUISA E EXTENSÃO Pesquisa, III Concurso de Artigos de Iniciação Científica e Relatório de Extensão

Lucas do Rio Verde-MT, Ano 03, Nº 03, novembro/2011.


CADERNOS de Pesquisa e Extensão ISSN 2176-2538

EXPEDIENTE Profª. Me. Marisa Claudia Jacometo Durante (organizadora) Coordenadora do NPPGE Capa Robson Hartmann Junior Diagramação Felipe Alberto Wandscheer Impressão Genus Editora Gráfica e Comércio Ltda

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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Cadernos de Pesquisa e Extensão / Faculdade La Salle. – Nº 1 (set. 2009). – Lucas do Rio Verde, MT: Faculdade La Salle, 2011. v. : il. ; 23 cm. Anual ISSN 2176-2538 1. Pesquisa científica - Periódicos. I. Faculdade La Salle Lucas do Rio Verde.

CDU: 001(051) Catalogação na publicação Bibliotecária responsável: Andréia Pereira de Souza - CRB1/2225

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SUMÁRIO APRESENTAÇÃO ....................................................................................................... 9 PESQUISA POLUIÇÃO SONORA EM LUCAS DO RIO VERDE – MT: Um Estudo de Campo ... 11 III

CONCURSO

DE

ARTIGOS

DE

INICIAÇÃO

CIENTÍFICA:

ARTIGOS

VENCEDORES ANATOMIAS – Uma Perspectiva Discente Acerca Das Metodologias De Ensino .... 30 AVALIAÇÃO DO CARNAVAL 2011 DE LUCAS DO RIO VERDE-MT ...................... 35 DESENVOLVIMENTO SÓCIO ECONÔMICO DE LUCAS DO RIO VERDE: Crescimento populacional e geração de empregos .................................................. 48 O PROCESSO DE RECRUTAMENTO E SELEÇÃO DE PESSOAL DA EMPRESA VIA CAMPO DE LUCAS DO RIO VERDE................................................................. 62 O PROPÓSITO DE SER EDUCADOR ..................................................................... 75 UMA

ABORDAGEM

JURÍDICA

SOBRE

A

SOJA

TRANSGÊNICA

NA

AGRICULTURA BRASILEIRA E REGIÃO NORTE DO ESTADO DE MATO GROSSO................................................................................................................... 83 RELATÓRIO DE EXTENSÃO RELATO: CURSO DE EXTENSÃO EM KATHEKESIS ............................................. 98

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APRESENTAÇÃO Fazemos pesquisas para buscar a solução de um problema, onde o seu ponto de partida é a dúvida. Assim, toda pesquisa tem como objetivo melhorar a qualidade de vida da sociedade. Uma pesquisa é um processo sistemático de construção do conhecimento que tem como metas principais gerar novos conhecimentos e/ou corroborar ou refutar algum conhecimento pré-existente. Dessa forma, a pesquisa acadêmica é aquela que tem por motivação a descoberta de fenômenos empíricos importantes, que possam avançar o conhecimento em determinado campo, de acordo com o consenso da comunidade de especialistas. Visa a produzir conhecimento para uma disciplina acadêmica, bem como

investigações

relacionadas

à

prática

dos

processos

de

ensino

e

aprendizagem, relacionando os aspectos objetivos e subjetivos da realidade que envolve o objeto a ser pesquisado Desse modo, no III Caderno de Pesquisa e Extensão apresenta-se uma pesquisa desenvolvida em coautoria com acadêmicos e seis artigos de iniciação científica vencedores do concurso, os quais pensaram e formataram a pesquisa como metodologia de aprendizagem. Apresenta-se também o relatório de extensão ofertada pela Instituição de Ensino. Pensar a pesquisa como metodologia de aprendizagem significa uma educação questionadora e emancipadora através de sua consciência crítica e da capacidade de fazer propostas próprias. O problematizar está intimamente associado à argumentação e construção de novas

hipóteses,

capazes

de

substituírem

os

conhecimentos

e

práticas

questionadas. Assim, caros leitores, apresenta-se o III Caderno de Pesquisa e Extensão. Boa leitura! Profª. Me. Marisa Claudia Jacometo Durante Coordenadora do Núcleo de Pesquisa, Pós-Graduação e Extensão Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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PESQUISA

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POLUIÇÃO SONORA EM LUCAS DO RIO VERDE – MT: Um Estudo de Campo Dr. João Inácio Koling1 Daiane Bacca2 Robson Hartmann Junior3

RESUMO A sofisticação de recursos técnicos capazes de facilitar a comunicação humana, aplicados na publicidade comercial através de carros de som nas ruas, não implica necessariamente em maior poder de persuasão para levar potenciais consumidores às compras. Esta forma de publicidade é invasiva, irritante e desrespeita o desejado sossego do ambiente doméstico. Por isso, a reação tende a ser desfavorável à compra dos produtos anunciados. Constatamos que em Lucas do Rio Verde – MT o índice dos que não compram os produtos anunciados através de carros de som nas ruas e o dos que se mostram insatisfeitos com esta forma de publicidade, indica que convém apostar em outras formas mais eficazes para o intento de persuadir em favor de consumo dos produtos anunciados. Palavras-chave: Publicidade. Decibéis. Persuasão. Invasão agressiva. Irritabilidade.

1 INTRODUÇÃO O objeto desta pesquisa se move em torno da poluição sonora produzida em Lucas do Rio Verde-MT. O ponto de vista da análise é o de quem escuta estes sons. Como não temos conhecimento de estudos anteriores sobre este tema, pretendemos com esta abordagem inédita, sob a perspectiva da linha 04 de pesquisa da Faculdade La Salle de Lucas do Rio Verde, - Memória, Cultura e Identidade - delinear a repercussão da propaganda sonorizada nas ruas sobre o ambiente cultural desta cidade. O motivo da escolha desta pesquisa partiu da constatação de queixas provenientes de pessoas que se revelaram altamente irritadas com os níveis de volume dos sons automotivos, enquanto outras, presumidamente, devem estar vendo um valor significativo ao recorrer a esta forma de propaganda invasiva, e, que 1

Padre, responsável pelo Núcleo de Apoio Psicopedagógico da Faculdade La Salle (NAP) e pesquisador do Núcleo de Pesquisa, Pós-Graduação e Extensão (NPPGE). 2 Acadêmica do 4º Semestre do Curso de Ciências Contábeis da Faculdade La Salle. 3 Acadêmico do 8º Semestre do Curso de Turismo da Faculdade La Salle. Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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tolhe a liberdade dos que não querem escutar tais insinuações, geralmente exageradas. A afirmação de que “a propaganda é a alma do negócio”, certamente não significa que qualquer som alto da publicidade estimule o consumo dos bens anunciados. Por isso, as publicidades feitas através dos alto-falantes podem estar produzindo efeitos inversos aos desejados: em vez de persuadir, podem estar incidindo em processo que distancia e afasta, porque suas formas agressivas não permitem aos ouvintes a liberdade de não escutar os sons indesejados, pois, distintamente da propaganda visual, televisiva ou de rádio, - que pode ser desligada – a dos sons automotivos, força pelo excessivo volume, a ouvir o que não se deseja ouvir. O contexto urbano da cidade de Lucas do Rio Verde, necessariamente requer regras para um mínimo de respeito no limite do uso de volumes de som, a fim de que este não perturbe psiquicamente as pessoas com reações de irritabilidade e de perda da qualidade de vida através da perda do sossego. A ausência de dados objetivos referentes ao sentimento geral das pessoas, diante dos abusos de volume de som, é razão importante para um estudo que pondere sobre a legislação local estabelecida e, a mais ampla, que estabelece limiares de volume em distintos horários e lugares urbanos. A qualidade de vida, bem como a autoestima, de uma cidade não depende apenas do aparato exterior dos eventos e das formas como eles acontecem, mas, também do estado de espírito e do clima afetivo dos que efetivamente constituem a cidade. Se muitas pessoas se sentem perturbadas no sono ou no desejado clima de tranquilidade, e se sentem agredidas ou desrespeitadas, tal estado, com certeza, diminui o quadro de bem-estar destas pessoas. Aristóteles, já no tempo clássico grego, entendia que a cidade constituía o mais alto grau da condição humana, pois constatava que os seres humanos eram sociáveis em grau muito mais elevado do que abelhas e outros animais. No desejo de verificar este nível de excelência da qualidade humana nas relações de nosso ambiente urbano, certamente tudo quanto se refere à capacidade auditiva, tem muito a ver com a qualidade de vida urbana.

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1.1 Problemática do Estudo Estudos revelam que muitos centros urbanos de grandes cidades tornaram-se verdadeiros espaços de barbárie a partir da ocupação dos prédios velhos e abandonados. Estes lugares passaram a apresentar a pior qualidade de vida que se possa desejar: motores velhos e mal conservados emitindo ruídos insuportáveis; ruídos infernais de carros mal regulados, velhos aparelhos de ar condicionado, ensurdecedores alto-falantes, passeatas, protestos, comícios, templos religiosos e tantos outros eventos que usam e abusam do som causando grave efeito de poluição sonora. A cidade de Lucas do Rio Verde, devido sua pujança e rápido crescimento e, através da prosperidade material, começa a apresentar maiores níveis de volume do som em festas e outros eventos, e, sons automotivos tendem a estar acima do normal. Tanto nas ruas quanto em lojas e residências, a facilidade de amplificação do volume de sons, torna-se fonte de perturbação do sossego e de irritabilidade de muitas pessoas. Quantas? Não se tem noção disso. Impressões provisórias levam a crer que os programas criados a nível federal, apontando métodos e ações para coibir uso de sons capazes de afetar negativamente a saúde humana, não estão sendo suficientemente alargados em programas escolares e através das múltiplas formas de educação social a partir do serviço público local. Noticiários mostram muito seguidamente como a apelação a serviços coercitivos da polícia civil e militar, de modo geral, causa pouca eliminação do potencial poluidor de sons com níveis muito elevados. Diante dos múltiplos fatores que geram poluição acústica ou sonora, pretendemos captar diversos aspectos da vida de Lucas do Rio Verde, mais especificamente, em torno dos provocados por aparelhos alto-falantes, carros e outros equipamentos ruidosos. Certamente ocorrem causas intencionais, ao lado de outras que resultam da pouca sensibilidade do que possa perturbar o sossego de outras pessoas. Pretendemos averiguar as variáveis entre o que move pessoas a manter sons muito elevados, e o que possa acontecer com outras que se irritam e não conseguem evadir-se deste desagradável efeito. Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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A pesquisa terá como característica a busca de uma amostragem que possa indicar sintomas mais amplos e extensos do que envolve esta dissonância no ambiente social da cidade de Lucas do Rio Verde. A pesquisa também envolve uma revisão bibliográfica a partir de um clássico, que foi o pensador Aristóteles, e, uma sondagem feita através de um questionário para captar, da opinião geral, as reações que decorrem das manifestações de poluição sonora. 1.2 Objetivo Geral Investigar o efeito da produção sonora nas pessoas da cidade de Lucas do Rio Verde-MT. 1.2.1 Objetivos específicos - Apresentar à comunidade local um retrato informativo a respeito do que prevalece na opinião pública em torno da poluição sonora; - Apontar pistas à opinião pública a respeito da aplicabilidade da legislação vigente a fim de que o espaço público e doméstico dos cidadãos não seja invadido por poluição sonora; - Oferecer aos comerciantes e agências de propaganda de Lucas de Rio Verde um referencial e um indicativo do que seja mais adequado na veiculação das propagandas de consumo. 1.3 Justificativa Diante da informação de algumas pessoas que dizem que estão sendo agredidas pela poluição sonora, mas que, simultaneamente se revelam resignadas diante desta forma de propaganda, pareceu-nos oportuno verificar se esta reação é geral ou não. Constatamos, por outro lado, que ocorre pouca vigilância e controle sobre os níveis de sons automotivos permitidos pela legislação em vigor. A tensão gerada

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pelo desconforto de ter que aguentar o volume de som acima do permitido, gera mecanismos de deslocamento para a descarga de agressividades. Neste caso, o efeito da persuasão, em vez de gerar docilidade e indução para as compras sugeridas, pode produzir reação contrária de não adquirir os produtos anunciados pela propaganda. Numa enquete prévia de dez entrevistas pudemos constatar que nenhuma pessoa vai adquirir o produto anunciado pela propaganda sonora. 80% dos entrevistados sugerem fiscalização mais rigorosa do volume de sons de propaganda e que ninguém valoriza o ambiente com muito som, muita conversa

animada

e

clima

de festa, mas, ao

contrário,

60%

preferem

autoatendimento e liberdade para verificar os produtos enquanto que 40% valorizam mais o clima acolhedor, cordial e de rápido atendimento.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A vontade de exercer influência sobre outras pessoas fim de que se submetam a sugestões ou indicações sugeridas é uma característica humana da qual decorre sua dimensão política, isto é, da vontade de agir sobre outras pessoas, parece colher-se a ampliação do poder. A respeito deste desejo inato, Aristóteles, um pensador do período clássico grego, nos oferece um magnífico referencial. 2.1 O Poder Persuasivo da Palavra A linguagem humana, com seu vasto código de signos e sinais simbólicos, constitui certamente o traço mais específico para nos distinguir do mundo de comunicação dos outros animais. Mesmo sem entrar no campo dos significados denotativos e conotativos, bem como dos contextos de linguagem e a própria metalinguagem, valemo-nos, todos os dias, do uso de uma imensa quantidade de palavras. São as palavras que mais fazem mediação da nossa comunicação e a inter-relação cotidiana. Posturas, gestos e expressão não verbal também são importantes, mas, certamente, são utilizados em menor intensidade. As palavras são revestidas de um poder mágico e simbólico que consegue amarrar, prender, tiranizar, libertar e até matar. As palavras também possuem a Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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propriedade de despertar razões de transcendência diante de mundos e de modos de vida que desmoronam. A dimensão política revela a grandeza e a força dinâmica da palavra. Por isso, a política é revestida de uma função elementar da vida urbana, pois, a partir da característica natural da sociabilidade dos seres humanos, a politicidade é também intrínseca aos seres humanos, porque lateja em cada pessoa a tendência de sentirse bem ao constatar que consegue exercer influência sobre outras pessoas e, ao poder direcionar suas atitudes ou comportamentos para indicações sugeridas. Tal inerência da palavra com a politicidade, cria no ambiente urbano as condições mais favoráveis e propícias para a interatividade, na qual, umas pessoas exercem influência sobre outras. Eis, pois uma razão pela qual a vida urbana se torna o espaço privilegiado para o campo da persuasão por meio de insistentes apelos de convencimento, seja por fala direta ou por mecanismos ampliados através de equipamentos eletrônicos. Aristóteles, um pensador do período clássico grego, já observava que a vida urbana (a da polis) constituía o lugar mais eminente para a politicidade, porque facilitava a interação das pessoas entre si. Ele, no entanto, preocupava-se para que houvesse, ao lado da ciência, atenção aos problemas de conduta e de caráter. “Tornou-se mais claro para ele que acima de todas as interrogações do mundo físico pairava as pergunta das perguntas – qual é a vida melhor... como encontraremos felicidade e realização?” (DURANT, s.d, p.81-82). A busca da felicidade, como sinal identificador que distingue os seres humanos dos outros animais, foi certamente o primeiro fator para o surgimento das cidades, porque estas nasceram principalmente da necessidade de viver de forma mais feliz: Claramente se compreende a razão de ser o homem, um animal sociável em grau mais elevado que as abelhas e todos os animais que vivem reunidos... O homem só, entre todos os animais, tem o dom da palavra; a voz é sinal de dor e de prazer, e se fazem compreender uns aos outros. A palavra, porém, tem por fim compreender o que é útil ou prejudicial, e em consequência, o que é justo ou injusto (ARISTÓTELES, s.d, p.14).

É precisamente o dom da palavra, potencializada com os modernos inventos eletrônicos que se torna capaz de aumentar o efeito das vibrações sonoras produzidas pelas cordas vocais. Esta amplificação, através dos instrumentos de Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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som, força as pessoas a suportar, desconforto, incômodo, lesão da capacidade auditiva e uma variedade de outros efeitos psíquicos, que, além de diminuir o bemestar, produzem desprazer da cidadania, uma vez que a poluição sonora agride a todos, indistintamente, porque se trata de um fator externo massivo que entra pelos ouvidos, mesmo que alguém não queira ouvir a referida invasão de som. São tantos os estabelecimentos urbanos, como bares, restaurantes, pizzarias, boates, salões de festa, igrejas e templos religiosos, lojas, além dos volumes se som que irritam vizinhos, que fica muito evidente que se trata de uma fonte de elevado potencial de perturbação do sossego. No uso e no abuso do som, os ambientes urbanos realmente podem ser interpretados como espaços de barbárie, uma vez que deixam a impressão de que ali o mundo envolvente, é terra de ninguém, e, onde cada indivíduo pode fazer tudo quanto imagina para sua satisfação pessoal. A perda de um limiar do que um gosto subjetivo possa desagradar e ferir nos sentimentos alheios é, sem dúvida, uma perturbação social que requer atenção do poder público. As outras pessoas próximas, com gostos diferentes e com predisposições diferentes ao que forçadamente invade seu psiquismo não podem ser transformadas em reféns das manifestações ambiciosas explicitadas através de insinuações em altos volumes, quer sejam políticas, religiosas ou de interesses que visam despertar o consumo de algo oferecido. Tal como Aristóteles lamentava o comportamento persuasivo dos Sofistas, que se preocupavam não com o conteúdo da mensagem falada, mas que, simplesmente, apelavam ao uso indiscriminado de palavras para convencer o interlocutor a qualquer preço, mesmo que isto implicava em uso de grande quantidade de palavras. Significa, neste caso, que a palavra perdeu a capacidade de mediar um estado de alma para tornar-se mero recurso de persuasão e de convencimento forçado. Em nossos dias, algo similar parece manifestar-se em torno do marketing das propagandas e da publicidade. Ocorre também uma tirania da palavra agressiva e que se sobrepõe a qualquer outra fala como expressão dos estados subjetivos das pessoas, para prevalecer a sugestionabilidade de propagandas, montadas com um intento específico: convencer as pessoas ouvintes a aceitar o que é dito.

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O uso das palavras, ainda que artisticamente moduladas e acompanhadas de efeitos colaterais e subliminares para o convencimento dos ouvintes, já não faz da comunicação à explicitação de um “estado de alma”, mas se transforma numa moderna e atualizada Sofística, que joga, com palavras e argumentos, temperados com malandragem e muita astúcia, simplesmente para persuadir os ouvintes a fim de que façam o que lhes é pedido. Tal processo, evidentemente empobrece profundamente a comunicação. Quando mil ou milhares de palavras podem ser emitidas e ampliadas com muitos decibéis acima da tolerabilidade da audição humana, procede-se uma negação dos direitos das outras pessoas, porque não se permite possibilidade de retorno do desconforto e dos desagrados de seus “estados de alma”. A perda da dimensão do outro, que acaba sendo transformado em mero objeto suscetível a múltiplas formas de consumo, tira-lhe todas as ricas dimensões antropológicas de produção, seja arte, cultura, cidadania, porque pressupõem que uma categoria pode manobrar as outras do jeito que acha bom para seus interesses acumulativos. Curiosamente, quando nossos tempos parecem constituir-se em superação de tudo quanto provém do passado, repetimos de maneira similar ao que há vinte e três séculos atrás já inquietava a vida urbana e levava Aristóteles a ponderar: [...] sendo a cidade algo de complexo assim como qualquer outro sistema composto de elementos ou de partes, é preciso, evidentemente, procurar antes de tudo o que é um cidadão. Porque a cidade é uma multidão de cidadãos... O cidadão não é um cidadão pelo fato de se ter estabelecido em algum lugar, pois os estrangeiros e os escravos também estão estabelecidos [...] (ARISTÓTELES, s.d, p.70).

Já naquele longínquo momento histórico da vida grega Aristóteles constatava que a extrema democracia virava anarquia e que os “vícios da democracia, levados ao último grau, se encontram na tirania... os homens de bem amam, ou pelo menos não adulam” (ARISTÓTELES, s.d, p. 240). Entre as manobras da tirania, estaria o aviltamento dos súditos porque implantaria a desconfiança entre os cidadãos, a impossibilidade da ação e a baixeza dos sentimentos. A tentativa que Aristóteles empreendeu para o entendimento da cidade e da política na cidade, levou-o a se perguntar sobre as qualidades necessárias para o Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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seu bem geral e chegou à conclusão de que: “duas condições são necessárias para alcançar o bem geral: primeiramente, que haja um ideal e que o fim que se propõe seja louvável; depois, que se encontrem quais são os atos que podem conduzir a este fim” (ARISTÓTELES, s.d, p. 240). Um fim louvável, apesar das múltiplas e distintas idealizações para o bem comum de uma cidade, certamente não podem ser pautados por interesses meramente acumulativos e consumistas, o que, evidentemente, gera violência humana e tirania que tira das pessoas a capacidade da vida cidadã. Por isso Aristóteles já se preocupava em torno da melhor constituição para reger a vida da cidade: “já que a melhor constituição é aquela que dá a melhor administração da cidade, e que a melhor administração da cidade é a que lhe proporciona a maior soma de felicidade, segue-se que é preciso antes saber o que é a felicidade [...]” (ARISTÓTELES, s.d, p. 126). O antigo pensador entendeu que este alcance as virtuosas e boas ações humanas exigiriam três características, a natureza, os costumes e a razão. A harmonização destes elementos daria aos viventes urbanos a caracterização da sua notável superioridade em relação aos animais, uma vez que estes se movem por instintos e não pelos costumes e, ainda estariam desprovidos da razão. Bem sabemos que os costumes são ambíguos e, que nem todos conduzem necessariamente à felicidade e ao bem-estar das pessoas. Daí a importância que Aristóteles já reconhecia no seu tempo, do papel preponderante da educação para ajudar as pessoas a entender o que é melhor: “ora é o hábito, ora são as lições dos mestres que ensinam os homens o que eles devem fazer” (ARISTÓTELES, s.d, p. 127). Em nossos dias, apresenta-se esta dúvida, não metodológica como a cartesiana, mas, que se relaciona à qualidade de vida urbana, sobretudo no que tange à poluição sonora: é melhor o antigo, pacato e ordeiro modo de ser de aldeias e pequenas cidades, onde predominava o valor da boa vizinhança, ou as lições dos mestres de nossos dias, já não mais os da sabedoria e da capacidade de síntese do que é melhor para a vida coletiva, mas a dos pseudo-mestres entendidos em manipular sons, imagens e tudo quanto é recurso de regulagem de som para hipnotizar pessoas em favor do consumo de um produto, de um rótulo, ou de Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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presumidos bens simbólicos. Certamente não seria interessante que a busca da elevação da vida urbana nos aproximasse do mundo de lagartas que fecham seu ciclo de vida em torno do nascer, comer e morrer. 2.2 A Força da Palavra Ampliada no Volume A palavra enunciada, em suas múltiplas finalidade de interação humana, pode configurar extraordinária variedade de significados, que vão desde sutis formas de pedir ajuda alheia, amparo e proteção, a formas com claras pretensões dominadoras, ou para afugentar, ou para controlar, ou até mesmo para espoliar. Os avanços da microeletrônica permitem que estas formas se tornem tiranas e quando usadas em volumes acima dos limiares da nossa capacidade auditiva, podem ser altamente prejudiciais à saúde. É por isso que o termo “poluição” significa deterioração. E quando palavras invadem nossos ouvidos com altas intensidades e por tempos prolongados, a queda da qualidade de vida se torna muito evidente, ainda mais, quando acompanhada de outras formas de poluição como a dos motores mal regulados com escapamentos inadequados, a emissão de cloro, amônia e monóxido de carbono a encher os ares das ruas, além dos perniciosos efeitos das chuvas ácidas oriundas dos agentes poluidores jogados ao ar ao lado da parafernália de sons. A poluição sonora está vinculada ao campo dos ruídos de sons que atingem nossa capacidade auditiva. Poluição sonora é formada por múltiplos ruídos oriundos de uma ou mais fontes sonoras. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) o limite tolerável de ruídos ao ouvido humano é de 65 dB (Decibéis). Acima desta intensidade, provoca estresse e outras doenças. Nossos ouvidos não estão dotados para suportar ruídos intensos por tempos prolongados. A atenção a fatos banais e quase diuturnos, como festas na vizinhança, comícios políticos e tantas outras manifestações que extrapolam os limites da normalidade auditiva, leva à evidente dedução de que além de afetar o humor, produzem uma série de outros efeitos prejudiciais como perturbação do sono, diminuição da capacidade auditiva, desconcentração e estresse. Se tais efeitos deterioram a qualidade da vida e causam dano à saúde, enquadram-se na condição Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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de crime de acordo com a Lei no. 9.605/98 que enfatiza como crime quando a poluição chega a causar danos à saúde humana. Portanto, o ato de produzir poluição sonora equivale a praticar um delito. A capacidade auditiva encontra-se entre limiares muito estreitos dentro da qual é capaz de distinguir os sons. Abaixo ou acima destes limites, o ouvido simplesmente não capta os ruídos. Ainda bem, pois, se tivéssemos capacidade de captar as ondas sonoras de rádios e de outros ultrassons, morreríamos saturados de estresse em poucos dias. No entanto, mesmo que nos estreitos limites DCE intensidade tolerável pela capacidade auditiva humana, vemo-nos envolvidos por volumes de som acima da média tolerável, o que, certamente implica em problemas de saúde a partir do excessivo bombardeio de ruídos. Quando os ruídos não ultrapassam o nível de 55 decibéis, são considerados inofensivos. Entretanto se são elevados de 55 decibéis a 75 decibéis, então começam a irritar, mesmo que não causem maiores danos à saúde. Ruídos que causam intensidade acima de 85 dB tendem a ser prejudiciais à audição. Para índices aceitáveis dentro deste patamar, a Lei Nº 1.065, de maio de 1996, estabelece um limite dos níveis de ruídos permitidos, segundo zonas urbanas em distintos horários: Zona de hospitais: período diurno, 45 decibéis, período noturno, 40 decibéis; - Zona residencial urbana: período diurno, 55 decibéis, período noturno, 50 decibéis; centro da cidade (negócios, comércio, administração): período diurno, 65 decibéis, período noturno, 60 decibéis; área predominantemente industrial: período diurno, 70 decibéis, período noturno, 60 decibéis.

Estes limites parecem constituir referências de bom-senso, mas deles decorre um questionamento natural: se a legislação estabelece um patamar máximo de 70 decibéis, e que já podem tornar-se prejudiciais à saúde, porque então se utilizam aparelhos com milhares de Watts de potência, sobretudo os de muitos automóveis que são capazes de fazer tremer portas, vidraças e objetos sobre prateleiras dentro das casas fechadas? Assim como a potencialização de motores, para um limite máximo de capacidade de rodar 100 ou 110 quilômetros horários, se fabricam carros com condições de andar acima de 200 quilômetros por hora, a mesma forma anacrônica parece repetir-se no que diz respeito à emissão de sons. Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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2.3 A Publicidade Volante na Cidade de Lucas do Rio Verde- MT A legislação local, de acordo com as leis mais amplas do país, apresenta desde longa data, 1981, regras rigorosas e bem detalhadas para evitar que os cursos d’água do município, bem como margens ciliares, matas, reservas e de lagos públicos, não sejam poluídos (Lei Nº 029/81; Lei Nº 033/1989). A Lei Complementar Nº 60 (de 22/04/2008) determina, de forma ainda mais clara e ampla, os parâmetros para assegurar qualidade de vida e conforto ambiental. Estabelece no Art. 28 que: Que é proibido perturbar o sossego público com ruídos ou sons excessivos evitáveis, tais como: I – O de motores de explosão desprovidos de silenciadores ou com estes em mau estado de funcionamento; II – os de buzinas, clarins, tímpanos, campainhas, ou quaisquer outros aparelhos que produzam sons excessivos; III – A propaganda realizada com alto-falantes, bandas de música, carros de som, fogos de artifício, bombas, tambores e outros sem prévia autorização da prefeitura [...].

Seguem, no mesmo Art. 28, algumas exceções diante destes incisos proibitivos e que constam no parágrafo primeiro: III - Alto-falantes destinados à propaganda do partido, obedecendo a Lei eleitoral; IV – Alto- falantes destinados à transmissão de ato de culto religioso e músicas sacras e de reuniões cívicas ou de solenidades públicas, nos locais de sua realização até às 22 horas e desde que com volume de até 60 dB (sessenta decibéis).

No Art. 29, da referida Lei Complementar, fica mais explícito o limite de ruídos toleráveis: É proibida a execução de qualquer atividade ou serviço que promovam ruídos acima de 60 dB (sessenta decibéis) antes das 7,00hs e depois das 22hs em um raio inferior a 100 metros (cem metros) de hospitais, escolas, asilos, casas de repouso, bibliotecas e áreas exclusivamente e/ou predominantemente residenciais.

Destacamos em negrito a parte final da citação, com o intento de chamar atenção sobre a efetiva observância deste importante requisito. Sentem os

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moradores destas áreas, conforto e bem-estar diante do volume dos sons emitidos, ou teriam alguma queixa sobre eventuais abusos? 2.3.1 Conceito e uso da publicidade Geralmente os termos publicidade e propaganda são usados como sinônimos. Todavia, a publicidade decorre da propaganda e, por isso, são distintos. Propaganda é toda difusão de ideias, sentimentos, convicções, doutrinas, valores, conceitos, princípios, por interesses variados e sem previsão de lucros. Já a publicidade, envolve esta mesma difusão, mas, de tal forma que permita um retorno de lucros. Assim como a propaganda, do gerúndio latino propagare, quer multiplicar, persuadir, estender, propagar, e ainda tornar visíveis produtos, serviços e entidades ou empresas como o desejo de sensibilizar para aceitação e consumo, a publicidade procura também agir sobre o psiquismo das pessoas para direcionar suas opções políticas e de consumo, com vistas a ampliarem os lucros de quem manda divulgar produtos, serviços, bem como o nome da empresa ou da entidade. Trata-se da arte de anunciar um produto e prestigiá-lo para que venha a ser adquirido. A repercussão, tanto da propaganda quanto da publicidade, é muito destacada na vida social. Sem propaganda e sem patrocinadores, a produção e o consumo certamente não permitiriam o nível de vida que atualmente se leva. Os benefícios ultrapassam a mera questão de lucros. Basta lembrar o quanto emissoras de rádio, de televisão, jornais, revistas e outras formas de publicação não seriam viáveis sem que patrocinadores ajudassem a custear a divulgação. Assim, muitas outras informações tornam-se possíveis, graças a investimentos de propaganda e de publicidade. O impasse acaba se estabelecendo quanto aos limites éticos, tanto da propaganda quanto da publicidade. Excesso de propaganda pode produzir efeitos inversos aos desejados. Assim, também a publicidade precisa certamente de um limiar para que não desrespeite excessivamente as pessoas com suas insinuações e para que não mostre apenas aspectos convenientes e esconda o que realmente está em jogo: a publicidade corre o risco de reforçar a prepotência de grupos Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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hegemônicos e ideológicos, quer na religião, na política ou na economia, e ampliar ainda mais seu poder despótico e a afirmação do seu poder. No ato persuasivo da publicidade tende a ser explorado um processo subliminar para convencer as pessoas ao consumo. Constitui geralmente o detalhe aparentemente secundário, mas, que age intensamente no psiquismo. Como casos ilustrativos servem as figuras com pouca roupa que se aproximam dos consumidores para fazer afagos, a associação do prazer, do gozo, da eterna juventude e a forma hiper-real como muitos produtos são apresentados: a imagem ou a embalagem do produto é incomparavelmente maior, mais bonita e mais vistosa do que o produto real ou o que está dentro da embalagem.

3 METODOLOGIA Para a fundamentação teórica valemo-nos de noções clássicas de Aristóteles e da vigente sobre publicidade volante em Lucas do Rio Verde – MT. De acordo com o problema formulado, no universo de 45.000 habitantes de Lucas do Rio Verde a sondagem para captar uma representatividade de amostragem envolveu 542 entrevistas, média de quinze em cada bairro. O instrumento para a coleta de dados consistiu num questionário fechado. As questões para a entrevista foram elaboradas, contemplando os objetivos, o tema e as hipóteses desta investigação, contendo 10 questões com 03 e ou 02 opções de escolha pelos entrevistados, com uma escolha para cada questão. As respostas do questionário foram apuradas no sistema Sphinx, para oferecer uma visão panorâmica do que os moradores de Lucas do Rio Verde pensam a respeito da publicidade feita nas ruas da cidade. Salientamos, nas considerações finais, alguns destaques mais palpáveis deste sentimento coletivo.

4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS A sondagem indica algumas evidências importantes: a) A primeira é a de que a publicidade de som nas ruas não desfruta de boa aceitação na maioria das pessoas da cidade de Lucas do Rio Verde - MT. Se Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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41,0% das pessoas se sentem irritadas e 21,6% as consideram agressivas, irritantes e abusivas, a soma destes insatisfeitos, está a indicar que a publicidade pode ser feita através de outras mediações menos agressivas e mais eficazes para os interesses publicitários. b) Aparentemente um nível relativamente elevado, 34,3%, ainda procura comprar o que é anunciado, mas, se levarmos em conta que 57,0% salientam como mais importante no momento de comprar, não a publicidade de rua, mas o autoatendimento e a possibilidade de verificar os produtos, e, se mais 36,0% valorizam eminentemente o clima acolhedor, cordial e de rápido atendimento, a soma destes indica, que certamente bem menos de 34,3 vá efetivamente às compras dos produtos anunciados pela publicidade de som em ruas. Nesta direção de entendimento, o reforço é constituído pelos 50.6% dos entrevistados que declararam que não se deixam convencer pela publicidade de rua para efetuar suas compras. A atribuição do que outras pessoas dão a entender aos entrevistados, também pode endossar esta noção: 35,1% não estariam gostando das propagandas de rua e estariam se irritando com sua forma de se manifestar nas ruas; por outro lado, se mais 32,1% não estariam ligando para estes anúncios, os dados confirmam através de outra questão que, pelo menos 67,2%, não se submetem à indução dos anúncios de som de rua para comprar. c) Diante dos dados gerais convêm destacar que existe notável diferença entre bairros vilas e o centro da cidade. Há espaços mais tolerantes com o som da publicidade e outros com índice elevado de insatisfação. No centro, por exemplo, 53,3% dos entrevistados sugeriram eliminação desta forma de propaganda. Já no bairro Parque Bandeirantes II, apenas 12,5% sugerem este procedimento. d) Ocorre também relativa variação de opinião nos Bairros quanto à sugestão de mais rigor na fiscalização da publicidade de rua: No bairro Pioneiro 50,0% sugere mais fiscalização, no bairro Mafini, este índice chega a 73,3%; no bairro Rio Verde, é de 53,3%; no bairro Menino Deus, 66,7% sugere fiscalização mais rigorosa. No loteamento Amazônia, chega a 80,0% os que sugerem maior fiscalização. Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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e) A variação destacada no item anterior também é visível quanto à sugestão de que a publicidade sonora nas ruas seja proibida: enquanto que no bairro Menino Deus, 46,7% dos entrevistados sugeriu proibição deste tipo de publicidade, outros bairros mostram-se menos tolerantes. Nos bairros Tesseles Jr I e II, talvez pela maior proximidade das casas, 26,7% dos entrevistados já procuraram ajuda para solucionar problemas sonoros. Possivelmente um fator cultural favoreça ruídos sonoros em excesso, mas, também ali, 80,0% dos entrevistados informaram que não ligam para a publicidade sonora. f) Se mais da metade da população sugeriu fiscalização mais rigorosa (54,8%) significa que a maioria da população de Lucas do Rio Verde se sente negativamente afetada pela publicidade sonora nas ruas. g) Por fim, outro dado expressivo é de que 96,7% dos entrevistados declararam não conhecer a legislação de Lucas do Rio Verde a respeito da sonorização de rua. Também o fato de apenas 3,1% terem procurado ajuda diante de abusos de problemas sonoros, indica que a legislação de Lucas do Rio Verde, - por sinal, com estreitos parâmetros de tolerância, - merece maior conhecimento e, simultaneamente, aplicação mais rigorosa. h) Cai ainda na evidência da atenção que a tática de certas lojas explorarem som alto para atrair fregueses, tende a não se constituir numa boa persuasão para compradores, porquanto apenas 6,6% dos entrevistados valorizam o uso de som alto, conversa animada e clima de festa. Em sentido amplo, estes dados da pesquisa de opinião indicam que o alcance da publicidade de som nas ruas apresenta um efeito restrito e modesto, o que serve de indicativo para que os comerciantes adotem outras formas de publicidade menos agressivas, e, com resultados certamente mais eficazes.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS No tempo de Aristóteles a eminência do agir político na cidade foi atribuída à sua capacidade de facilitar as interações das pessoas. Em nossos dias, todo o interesse político que subjaz à publicidade dos carros de som nas ruas de Lucas do Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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Rio Verde, pelo que a pesquisa evidenciou, foge desta importante função socializante, uma vez que parte muito restrita da cidade corresponde a estas formas de interação. Evidenciou-se igualmente que o efeito da produção sonora de publicidade nas ruas prejudica a qualidade da vida urbana, porque lhe tira o necessário sossego e a liberdade de não desejar ouvir as insinuações, sobretudo, nos momentos em que as pessoas desejam ocupar-se com outras formas de interação. A cidade de Lucas do Rio Verde já está por merecer maior respeito a fim de que não diminua o almejado bem-estar de seus membros. Decorre, dali, a importância de mais rigorosa aplicação da legislação local a fim de que, conforme o Artigo 28 da Lei Complementar Nº 60 de 22/04/2008, realmente seja coibida a perturbação do sossego público através de ruídos e sons que podem ser evitados. O importante dado de que quase 70% da população não endossam a publicidade feita através de carros de som nas ruas, certamente poderá sensibilizar as agências, bem como o comércio local, para que produzam outras formas de publicidade, menos agressivas, e, possivelmente, com maior retorno de eficácia para obtenção de lucros. Tampouco o som elevado em lojas se constitui em fator de boas vendas, pois, prevalece a valorização do clima acolhedor e a possibilidade de poder manusear os objetos de interesse. Ainda vigora, por conseguinte, o conhecido ditado popular: “o melhor marketing de uma empresa é aquele que emerge do clima das pessoas que vendem!”. O elevado índice de irritabilidade da população diante dos sons invasivos da publicidade sonorizada nas ruas, também reforça a indicação de que pode alargarse o bom senso por parte dos comerciantes a fim de que cultivem, em primeiro lugar, o respeito aos possíveis compradores de produtos. Significa, pois, que a arte do convencimento deve pautar-se, acima de tudo, pelo indispensável respeito, elemento imprescindível para boas interações. Em suma, o elevado índice de queixas diante da publicidade sonora nas ruas, merece ser levado a sério.

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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA ARISTÓTELES. A Política (trad. de Nestor Silveira Chaves). Rio de Janeiro: Ediouro, s/d. DURANT, Will. A Filosofia de Aristóteles. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, s/d. MORRAL, John. Aristóteles – Pensamento Político (trad. de Sérgio Duarte. Brasília: Editora Universidade de Brasília. 1981. LUCAS DO RIO VERDE. Lei Complementar Nº 60 de 22/04/2008 do Município de Lucas do Rio Verde-MT.

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III CONCURSO DE ARTIGOS DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA: ARTIGOS VENCEDORES

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ANATOMIAS – Uma Perspectiva Discente Acerca Das Metodologias De Ensino SCHNEIDER, Diose4 SOUZA, Leandro5

RESUMO A anatomia consiste de uma ciência que estuda a constituição e o desenvolvimento dos seres organizados, macro e microscopicamente. Tornando-se uma área característica e de importante peso na formação acadêmica dos Educadores Físicos. Assim sendo, através deste trabalho buscou-se realizar um estudo descritivo, aliado a uma revisão bibliográfica, com vistas a confrontar a visão discente do ensino a literatura, frente às dificuldades existentes, expondo algumas expectativas particulares do ensino aos objetivos propostos por diversos pensadores. Sendo assim, este trabalho apresentou um caráter qualitativo, realizado a partir de considerações discentes evidenciadas através exposição aos processos metodológicos de ensino da Anatomia Humana, da Faculdade La Salle de Lucas do Rio Verde – MT. Avaliadas as estruturas de ensino, do modelo de regência atual, quando comparado às estruturas sugeridas pela literatura, observou-se que os problemas diagnosticados não estão focados no modelo clássico de ensino, e sim no enfoque memorístico dado ao ensino, sugerindo por sua vez, cada vez mais um ensino reflexivo dos conteúdos anatômicos, que exija a construção constante de relações entre estes e o meio. Palavras-chave: Metodologias de Ensino. Anatomia. Perspectivas Discentes.

1 INTRODUÇÃO A Anatomia é a ciência que estuda a constituição e o desenvolvimento dos seres organizados, macro e microscopicamente (DANGELO & FATTINI, 2011; RUBINSTEIN, 2009). Segundo a American Association of Anatomists (1981), anatomia consiste na análise da estrutura biológica, sua correlação com a função e com as modulações de estrutura em resposta a diversos fatores, entre eles 4

Acadêmico do 1º semestre do Curso de Educação Física – Licenciatura da Faculdade La Salle de

Lucas do Rio Verde- MT, e-mail diosesc@hotmail.com 5

Professor titular da Disciplina de Introdução à Anatomia do Curso de Educação Física – Licenciatura

da Faculdade La Salle de Lucas do Rio Verde – MT e orientador deste trabalho de pesquisa. Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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temporais, genéticos e ambientais, e tem como metas principais a compreensão dos princípios arquitetônicos da construção dos organismos vivos. Consiste de uma área de estudo bastante característica e de importante peso na formação acadêmica dos educadores físicos. Nela, abordam-se conteúdos até então alheios à realidade do agora acadêmico. Sendo assim, apresentam uma nova realidade de nomenclaturas e conceitos, que exigem rápidas adaptações a cada novo encontro, fazendo com que esta nova realidade de ensino e conhecimentos, torne-se rotineira, e até um parceiro nas práticas então adotadas. De forma mais clara e objetiva, a anatomia vêm para contribuir no embasamento das práticas diárias do educador físico. No entanto, independente de qual seja a expectativa do discente ao ingressar algum curso de formação acadêmica da área da saúde, mais especificamente do educador físico, é sabido que os mesmos possuirão muitas dificuldades no aprendizado, sejam elas por expectativas pessoais, sejam elas em virtude das metodologias de ensino aplicadas. Assim sendo, através deste buscou-se realizar um estudo descritivo, aliado a uma revisão bibliográfica, com vistas a confrontar a visão discente do ensino a literatura, frente às dificuldades existentes, expondo algumas expectativas particulares do ensino aos objetivos propostos por diversos pensadores.

2 METODOLOGIA Este trabalho baseou-se em um estudo descritivo e comparativo, com caráter qualitativo, realizado a partir de considerações discentes evidenciadas através exposição aos processos metodológicos de ensino da Anatomia Humana, da Faculdade La Salle de Lucas do Rio Verde – MT.

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3 REVISÃO DA LITERATURA 3.1 Perspectiva Discente X Literatura A Anatomia Humana consiste uma disciplina básica, comum a qualquer ingressante de cursos da área da saúde. Muitos dos alunos apresentam dificuldades para o seu aprendizado por motivos bastante variados. A gama de possibilidades vai desde a dificuldade com a terminologia, receio dos conhecimentos na nova área, bem como até mesmo a ausência ou falta de motivação. Um atributo possível para este fato refere-se por vezes, na estrutura arcaica em que o ensino tem se embasado. Quando observada a estrutura metodológica clássica, observa-se que os conteúdos possuem uma sequência previamente organizada, baseada na divisão dos mesmos em aulas expositivas teóricas, e práticas, aliados ao processo avaliativo. Relatando as práticas então adotadas, no período em questão, verifica-se que as aulas teóricas apresentadas, baseiam-se na exposição dos conteúdos teóricos pelo professor regente, o qual se apoia em materiais auxiliares tais como projetor de imagens, por vezes realizando aberturas para questionamentos, e concretizando relações entre os conteúdos expostos a casos patológicos, e fatos passíveis de observação no dia-a-dia de cada acadêmico. Queirós (2005) compactua com o processo acima descrito, afirmando que os conhecimentos anatômicos, em aulas teóricas, devem perpassar pelos conceitos teóricos, os aliando a prática, de forma a se utilizar de diferentes recursos didáticos, com o objetivo de tornar a sala de aula em ambiente propício para a compreensão dos conteúdos propostos. Salienta ainda que, a explanação dos conteúdos, somada a constantes indagações realizadas pela classe, acrescenta valores ao processo de ensino. O autor afirma ainda que, a utilização de diferentes recursos metodológicos (vídeos, trabalhos, entre outros) amplia ainda mais a gama de possibilidades para a concretização do processo de ensino aprendizagem. Este processo, por sua vez, não é tão aproveitado no modelo regente atual. Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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Nas aulas práticas, no entanto, do processo em questão, vivencia-se um ensino diferenciado, afinal, através dos materiais de apoio (peças anatômicas sintéticas), a explanação dos conteúdos permite a visualização das estruturas em tamanho real, e nas três dimensões possíveis, frisando o conteúdo abordado em aulas teóricas, e tornando mais próximo da realidade, facilitando ainda mais a associação entre formas e funções. Desta forma as aulas práticas têm se tornado um importante auxiliar na compreensão e estudo da anatomia, à medida que também aumenta ainda mais o interesse do acadêmico. No entanto, o espaço de tempo para contato com tais materiais considera-se pequeno. Montes (2011) agregam com o acima exposto, afirmando ainda que, distante dos questionamentos de estrutura de laboratório, entre outros, o objetivo das práticas de ensino da anatomia deve ser o de contribuir de modo positivo para o rompimento da perpetuação do enfoque memorístico e permitir que o aluno compreenda de forma reflexiva e possa relacionar uma estrutura anatômica a uma situação comum na sua vida o enfoque no desenvolvimento da aprendizagem pelo aluno e atuar de modo contínuo no sentido de compartilhar com nossos discentes a estrutura conceitual e os objetivos a serem alcançados na disciplina. As constantes associações entre os conteúdos, e casos patológicos, aparentam ser então, importantes pontos de apoio no ensino. As medidas avaliativas também consistiram de importantes instrumentos de reforço ao conteúdo aplicado. Mais que apenas servir de instrumento de mensuração, as avaliações, cada qual, com suas particularidades, possibilitam diferentes formas de estudo, seja pela memorização pura e simples, ou pela busca incessante de novas referências para a realização de trabalhos acadêmicos, possibilitando por vezes o confrontar de opiniões e a reflexão sobre assuntos. Comum, todas estas áreas acima expostas (aulas teóricas, práticas, processos avaliativos), um aspecto bastante evidenciado tornou-se a dificuldade com a imensa quantidade de novos termos a serem utilizados, os quais dificultaram e muito este processo. Moore & Dalley (2001), endossam este processo, o reafirmando. No entanto estes afirmam que, a própria evolução com o passar do tempo, e a exposição da origem dos termos (Grego e Latim) auxiliam e muito neste

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processo. No modelo de regência atual, este processo fica evidenciado, apesar de apresentar algumas deficiências.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Avaliando as estruturas de ensino, do modelo de regência atual, quando comparado às estruturas sugeridas e apresentadas pela literatura, observa-se que os problemas diagnosticados não estão focados no modelo clássico de ensino dos conteúdos anatômicos. Os questionamentos de ambos os pensadores baseiam-se na eliminação do enfoque memorístico do ensino, sugerindo por sua vez, cada vez mais um ensino reflexivo dos conteúdos anatômicos, que exija a construção constante de relações entre estes e o meio. Problemas tais como nomenclatura, dificuldades de adaptação, entre outros, sugerem por sua vez uma ampla gama de possibilidades, não limitando o ensino a este ou aquele método. Sendo assim, pensa-se que o modelo regente atual não confronta a literatura na maioria dos aspectos até então abordados, apenas solicita adaptações plausíveis para a melhoria do ensino.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS American Association of Anatomists. Concepts Anatomics. Disponível em: <http://aaatoday.org/> Acesso em 25/05/2011. DANGELO & FATTINI, 2011. Anatomia Humana Sistêmica e Segmentar. São Paulo: Ed. Atheneu 3ª Edição, 2011. MOORE, Keith L.;DALLEY, Arthur F. Anatomia Orientada Para A Clínica. Sâo Paulo: Ed. Guanabara Koogan 4º Edição, 2001. MOEHLECKE, Renata. Aulas de anatomia não evoluem há meio século. Disponível em: <http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=aulas-anatomia-naoevoluem-ha-meio-seculo&id=4479>. Acesso em 23/05/11. RUBINSTEIN, Ezequiel. INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA. Disponível em: <http://www.icb.ufmg.br/mor/anatfto/introducao_Anatomia.htm> Acesso em 25/05/2011. Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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AVALIAÇÃO DO CARNAVAL 2011 DE LUCAS DO RIO VERDE-MT Robson Junior Hartmann6

RESUMO O carnaval é um dos maiores acontecimentos anuais do Brasil. Realizado em todos os estados e na maioria das cidades brasileiras, atrai pessoas de vários países, promovendo a imagem do país, gerando renda e desenvolvendo o turismo nacional e local. Em função de sua frequência, o carnaval é considerado um evento e necessita ser planejado como tal. O presente artigo é fruto de pesquisa realizada durante a realização do carnaval de rua da cidade de Lucas do Rio Verde-MT no ano de 2011, utilizando-se de questionário fechado como forma de avaliar qualitativamente o evento junto ao público participante, apresentando resultados inéditos sobre a percepção dos participantes em relação a vários aspectos do evento. A avaliação está inserida dentro do processo de planejamento de qualquer evento, fornecendo resultados reais da percepção dos participantes quanto a aspectos qualitativos ou quantitativos. Os dados obtidos por meio desta importante ferramenta auxiliam os organizadores a planejarem e realizarem as próximas edições dos eventos avaliados, de forma que mantenham os acertos e corrijam as debilidades para atender as necessidades de seu público alvo satisfatoriamente e imprimir identidade ao evento. Palavras- chave: Avaliação. Carnaval. Turismo.

1 INTRODUÇÃO O carnaval é um acontecimento marcante no Brasil, pois, de certa forma e por muitos anos, foi o que deu a identidade internacional ao país. Por ser um momento de grande movimentação turística, os equipamentos e produtos turísticos se planejam para esta data que pode trazer grande retorno financeiro. Por este motivo, diz-se que o país só “começa a andar” após sua comemoração. Toda a preocupação em se preparar para o evento se motiva quase que exclusivamente no retorno financeiro que este trás. Esta afirmação pode ser constatada por meio das avaliações divulgadas pelas cidades de Recife e Rio de Janeiro, as duas maiores representantes desta festa popular brasileira.

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Acadêmico do 8º semestre de Turismo da Faculdade La Salle - robsonntlrv@hotmail.com Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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Em Recife, foram mais de 700 mil turistas e uma movimentação financeira estimada em R$ 500 milhões. No setor hoteleiro houve uma ocupação de 99%. O carnaval do Rio de Janeiro trouxe um milhão de turistas (700 mil internos e 300 mil externos). Foi gerado R$ 1,2 bilhão durante os dias de Carnaval, e os hotéis da cidade fecharam o feriado com 96% de ocupação. Em pesquisa realizada durante o Carnaval na Sapucaí-SP com 1003 pessoas (sendo 30% turistas nacionais e estrangeiros), 96% dos entrevistados aprovaram o evento, e 98% dos turistas afirmaram que pretendem voltar. Embora de origem religiosa, atualmente, com os conceitos turísticos, o carnaval se classifica como um evento, que pode ser turístico ou não, dependendo da quantidade de não residentes presentes no período de sua realização. E, por este motivo, para que ele alcance os objetivos propostos em todos os possíveis locais de realização, deve-se partir do princípio que este é um evento e que deve ser planejado como tal, não importando onde este ocorra (cidades grandes, pequenas, salões, ruas, etc.). Portanto, dentro das etapas de planejamento dos eventos, encontra-se a de avaliação. Esta pode ter início durante ou após a realização do evento e fornece dados imprescindíveis para os organizadores. Dessa forma, o objetivo geral desse estudo foi realizar o processo de avaliação do Carnaval de Rua 2011 da cidade de Lucas do Rio Verde-MT entre o público participante. Especificamente, buscou-se: a) Levantar o perfil socioeconômico dos participantes; b) Identificar a origem dos participantes; c) Identificar a satisfação dos participantes quanto ao evento; e d) Identificar a forma de divulgação do evento que mais surtiu efeito.

2 REVISÃO DA LITERATURA Inicialmente realizado como forma de se preparar para o longo período de penitências que se seguiria (FERREIRA, 2004), o carnaval nos moldes e conceitos atuais deixou de ser um acontecimento ligado apenas à religião, imprimindo-se aspectos de lazer e recreação. Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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Por ser um evento que pode trazer grande impacto econômico, de marketing, de saúde, turístico, etc., nos locais onde ele ocorre, dificilmente é organizado de forma casual, tendo sempre uma gestão organizadora, como associações, clubes e governos para fazer com que ele aconteça. Assim, para que ele ocorra de forma organizada, necessita do mínimo de planejamento possível, como local onde ocorrerá, quantidade de participantes, som, iluminação, alimentação, ingressos, horário, público alvo, entre outros. Uma das características dos eventos são sua singularidade e casualidade. Mas existem outros conceitos que auxiliam identificar o que são eventos, como definido perfeitamente por Canton (1997, p. 19, apud MARTIN, 2003), como sendo “a soma de ações previamente planejadas com o objetivo de alcançar resultados predefinidos junto ao seu público alvo”. Por ser realizado anualmente, e ser um acontecimento singular em sua forma de ocorrer, o carnaval enquadra-se no conceito de evento. No entanto, o leque que distingue o que são eventos é bem mais amplo, como o definido abaixo. Reunião ou agrupamento, nem mesmo espaço temporal, de duas ou mais pessoas, com interesses comuns, com objetivo específico de adquirir produtos ou serviços; atualizar ou divulgar informações; conseguir aperfeiçoamento; congraçamento ou motivação para alcançar ou superar metas; a capacitação técnica do participante e/ou compra de bens e equipamentos complementares ao desenvolvimento da sua atividade profissional (MARTIN, 2003, p. 38).

Todo evento, independente de sua abrangência, tipo ou tamanho, quando planejado, passa por três fases distintas: Pré-evento, Evento e Pós-evento. É comum, ao comparecermos a eventos, fazermos comparação entre o que esperávamos e o que se vivenciou de verdade. Esta expectativa dos consumidores podem ser medidas por meio do processo de avaliação, realizada na fase de Pósevento ou como em muitos casos, durante a ocorrência deste. Para Matias (2010, p. 186), a avaliação é um processo importante realizado durante o evento com o objetivo de averiguar os acertos dos objetivos propostos para sua realização, destacando que: Outro ponto importante neste processo é a avaliação que os participantes fazem do evento por intermédio de respostas a um questionário de pesquisa

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de opinião aplicada durante o evento [...] o resultado da tabulação indicará até que ponto os objetivos iniciais foram atingidos.

Por este questionário ser anônimo, o entrevistado pode expressar sua opinião sem constrangimento sobre a organização do evento, transporte, alimentação, local do evento, programação, etc. Para Martin (2003) a avaliação possibilita identificar os pontos fortes e fracos, estimar o alcance dos objetivos, conhecer o perfil dos participantes, entre outras informações relevantes para os organizadores. Outra função importante destacada por Allen (2008), é que a avaliação permite aos gestores de eventos identificarem o perfil do evento e sua tendência ao longo dos anos. Portanto, a avaliação é a forma de monitorar o evento e medir seus resultados em relação aos objetivos propostos. Neste sentido, esta pesquisa evidencia a fase do pós-evento, realizando uma avaliação junto ao público participante do carnaval 2011, realizando avaliação qualitativa do evento e identificando o perfil dos participantes.

3 METODOLOGIA Esta pesquisa utilizou o método indutivo, tendo em vista que explorou um campo a partir de informações prévias, como por exemplo, localização dos sujeitos pesquisados. A pesquisa caracterizou-se como descritiva, uma vez que pretendeu descrever o perfil dos participantes do carnaval 2011 de Lucas do Rio Verde-MT e fazer uma avaliação deste evento. Esta pesquisa proporcionou o alcance dos objetivos a partir da descrição quantitativa dos dados através de gráficos. O trabalho foi realizado através de pesquisa levantamento. Para tanto, aplicou-se um questionário com 10 (dez) questões aos participantes do carnaval 2011 de Lucas do Rio Verde-MT. Os dados foram coletados a partir de questionário com dez questões contendo 02, 03, 04 ou 05 opções de escolha pelos entrevistados, com uma escolha para cada questão. A aplicação do questionário ocorreu nos dias 06 e 08 de março de 2011 e responderam ao questionário 319 participantes do carnaval de rua que ocorreu no Lago Hernani José Machado. Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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A pesquisa foi realizada tendo um universo estimado com cerca de dez mil participantes7 durante os dias de realização do evento na cidade de Lucas do Rio Verde-MT, sendo estes a constituição da amostra desta investigação, que teve como critério de escolha: 

Escolha aleatória dos participantes do evento;

Livre aceitação de responder o questionário. Cabe destacar que a aplicação do questionário ocorreu no segundo e último

dia do evento, uma vez que, para responder algumas questões, havia necessidade de o entrevistado ter participado pelo menos um dia do carnaval. Os questionários foram aplicados por três pesquisadores entre às 20h00min e às 23h30min dos respectivos dias. Os dados foram reunidos e formatados em gráficos, utilizando o programa Excel 2003, que auxiliaram em sua interpretação quantitativa, que ora se inicia.

4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 4.1 Avaliação do Carnaval de Rua 2011 da Cidade de Lucas do Rio Verde-MT e Perfil dos Participantes Como se pode observar no gráfico 1, a maior parte dos que responderam a pesquisa moram em Lucas do Rio Verde, contra pouco mais de 26% que moram em outros estados ou regiões. Este dado levanta um fato importante, o carnaval de rua do município não é turístico, pois apenas uma porcentagem dos participantes é de outros municípios os estados e estavam visitando amigos ou parentes e não vieram exclusivamente para o carnaval.

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Estimativa feita pela Prefeitura municipal após a realização do evento e publicada em sua página web. http://www.lucasdorioverde.mt.gov.br/noticia.asp?cod=1317&codDep=2. Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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Gráfico 1 – Cidade ou estado de origem, 2011. 01 - EM QUE CIDADE O SR.(A) RESIDE ?

83; 26%

A) LUCAS DO RIO VERDE B) REGIÃO E OUTROS ESTADOS

236; 74%

O gráfico 2 demonstra que os participantes do evento pretendiam pular ou pularam o carnaval, em sua maioria, apenas um único dia. Mas também, se destacam os que pretendiam pular ou pularam dois dias ou todos os dias. Estas informações são importantes para que se pense em meios para atrair o público todos os dias do evento e que estes retornem nos dias posteriores bem como deduzir os motivos pelos quais não há retorno dos participantes ao local do evento. Gráfico 2 – Dias de participação no evento, 2011 02 - QUANTOS DIAS PRETENDE PULAR O CARNAVAL ? 87; 27% 114; 36%

A) UM DIA B) DOIS DIAS C) TRÊS DIAS

30; 9%

D) TODOS OS DIAS 88; 28%

O gráfico 3 apresenta os gastos realizados pelos participantes durante o evento. Com 62,07% das respostas, o valor médio gasto durante o evento foi o mínimo estipulado pela pesquisa, que foi de R$ 10,00 a R$ 45,00.

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Gráfico 3 – Gastos durante o evento, 2011 03 - QUANTO PRETENDE GASTAR DURANTE O EVENTO ? 41; 13%

A) DE R$ 10,00 A R$ 45,00

32; 10%

B) DE R$ 46,00 A R$ 90,00 C) DE R$ 91,00 A R$ 150,00 D) ACIMA DE R$ 150,00

48; 15%

198; 62%

A pesquisa apontou, conforme o gráfico 4, que os participantes do carnaval de rua de Lucas do Rio Verde, realizam poucos gastos com a finalidade de se prepararem para o evento. Das 319 pessoas entrevistadas, 144 responderam que não realizaram gasto algum pensando no evento. Dentre estes possíveis gastos, podemos citar (fantasias, abadas, roupas, calçados, transporte, acessórios). No entanto, 31,35% dos entrevistados realizam algum gasto pensando no evento. E, 30 pessoas (9,40%), responderam que realizaram gastos acima de R$ 100,00 pensando no carnaval. Gráfico 4 – Gastos Antes do Evento, 2011. 04 - QUAL SEU GASTO MÉDIO PARA SE PREPARAR PARA O EVENTO ? 100; 31%

144; 45%

A) DE R$ 10,00 A R$ 35,00 B) DE R$ 36,00 A R$ 70,00 C) DE R$ 71,00 A R$ 100,00 D) ACIMA DE R$ 100,00

31; 10% 30; 10%

D) NENHUM

14; 4%

O gráfico 5 apresenta a expectativa dos participantes do evento antes de seu início. Com 53,92% das respostas, os participantes tinham uma boa expectativa quanto ao evento. A segunda alternativa mais optada era a que ele seria excelente, Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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com 26,02% das opiniões. Se somarmos a alternativa excelente e boa, teremos 79,94% dos participantes que esperavam um bom evento. Esta expectativa pode ser medida através da divulgação do evento, local, banda e sonorização, valores, enfim, tudo o que pode contribuir para o “clima” do evento. Gráfico 5 – Expectativa antes do evento, 2011. 05 - QUAL ERA SUA EXPECTATIVA EM RELAÇÃO AO CARNAVAL DA CIDADE? 23; 7% 83; 26% 41; 13%

A) EXCELENTE B) BOA C) REGULAR D) RUIM

172; 54%

Gráfico 6 – Expectativa ao visitar o evento, 2011. 06 - E AGORA, QUAL SUA OPINIÃO ? 13; 4%

A) EXCELENTE

110; 34% 107; 34%

B) BOA C) REGULAR D) RUIM

89; 28%

Se observarmos os gráficos 5 e 6, veremos que eles apresentam uma ligeira queda na expectativa das pessoas que participaram do evento. Pois temos 199 (68,38%), pessoas que baixaram sua expectativa para regular ou ruim após visitarem o carnaval, contra 20,06% no gráfico 5, isto é, antes do início do evento.

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No entanto, 120 pessoas mantiveram sua expectativa de que o evento foi excelente ou bom (37,62%), contra 79,94% na avaliação anterior. O gráfico 7 apresenta a forma em que o participante mais viu ou ouviu sobre o carnaval. Com 46,71% das respostas, a alternativa TV foi a mais respondida, e, de acordo com os entrevistados, foi o veículo de comunicação que mais contribuiu para a divulgação do carnaval, em segundo lugar ficando o rádio, com 25,08% das respostas, e outras formas de divulgação, como carros de som, folders, amigos, com 22,88% das respostas. De acordo com a pesquisa, poucos tomaram conhecimento do carnaval por meio de jornal impresso, revistas ou páginas da internet, o que pode ser melhor explorado para as próximas edições. Gráfico 7 – Divulgação do evento, 2011. 07 - EM QUAL VEÍCULO DE COMUNICAÇÃO MAIS OUVIU/VIU SOBRE O CARNAVAL? 13; 4% 73; 23%

A) JORNAL 80; 25%

B) RÁDIO 4; 1%

C) TV

0; 0%

D) REVISTA E) PÁGINAS DA INTERNET

149; 47%

F) OUTROS

Como se pode notar por meio do gráfico número 8, a maioria dos que responderam o questionário de avaliação do carnaval de rua de Lucas do Rio Verde eram do sexo masculino. Isto também pode indicar uma pequena variação efetiva dos participantes quanto a um público presente de maioria masculina.

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Gráfico 8 – Sexo dos entrevistados, 2011. 08 - SEXO DO ENTREVISTADO 135; 42%

A) MASCULINO B) FEMININO

184; 58%

Conforme informações obtidas por meio da pesquisa, a maioria dos participantes do carnaval que responderam o questionário eram solteiros (71,16%), contra 25,71% de casados. Separados ou viúvos somavam pouco mais de 3%. Isto indica que o público que frequenta o evento é solteiro. Portanto, um dos objetivos do carnaval seria pensar o evento para este público e não para o grupo familiar. No entanto, se o objetivo for que o evento seja familiar, caberá aos organizadores repensarem suas ações. Gráfico 9 – Estado civil, 2011. 09 - ESTADO CIVIL 6; 2%

4; 1% 82; 26%

A) CASADO (A) B) SOLTEIRO (A) C) SEPARADO (A) D) VIÚVO (A) 227; 71%

A maioria dos entrevistados, 55,49%, ou 177 pessoas, possuíam faixa etária entre 21 a 30 anos. Mas também foi registrada uma grande presença das faixas etárias de 16 a 20 anos com 25,08%, sendo, portanto, que o público do evento é Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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constituído em sua maioria de jovens. Houve presença em todas as demais faixas etárias, inclusive na de 10 a 15 anos e acima de 50 anos. Gráfico 10 – Faixa etária dos entrevistados, 2011. 10 - FAIXA ETÁRIA 11; 3%

2; 1%

3; 1%

46; 14%

80; 25%

A) 10 A 15 ANOS B) 16 A 20 ANOS C) 21 A 30 ANOS D) 31 A 40 ANOS E) 41 A 50 ANOS

177; 56%

F) ACIMA DE 50 ANOS

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Por meio desta pesquisa, algumas considerações que se destacaram na pesquisa e estão relacionadas abaixo por pergunta e resposta majoritária necessitam ser evidenciadas. 1. Cidade ou estado de origem: Lucas do Rio Verde. 2. Quantos dias pretendem pular o carnaval: Um dia. 3. Quanto pretende gastar durante o evento: De R$ 10,00 a R$ 45,00. 4. Gasto médio para se preparar para o evento: Nenhum. 5. Expectativa antes do evento: Boa. 6. Opinião ao visitar o evento: Ruim. 7. Divulgação do evento: TV. 8. Sexo dos entrevistados: Masculino. 9. Estado civil: Solteiro. 10. Faixa etária: 21 a 30 anos. Sendo assim, por meio da avaliação, podemos dizer que o perfil dos participantes do carnaval 2011 de Lucas do Rio Verde se caracterizou por um

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público jovem, em sua maioria na faixa etária entre 21 a 30 anos, solteiros e residentes no município. Participou apenas uma única vez e gastou pouco. Também não realizam grandes gastos com a preparação para o evento, tendo a maioria não realizado gasto algum ou apenas o mínimo estipulado pela pesquisa. Quanto à expectativa em relação ao evento, a maioria tinha uma boa expectativa antes de o evento começar, isto é, que ele seria bom ou excelente, no entanto, ao irem, visitarem e participarem, a expectativa não se confirmou, baixando para uma avaliação regular ou ruim. Talvez por este motivo, o número de dias frequentados no evento foi de apenas um, pois podemos deduzir hipoteticamente, que as pessoas chegavam ao evento, não tinham a expectativa atendida, permaneciam pouco tempo, indo embora logo em seguida. Esta pode também ser a razão do baixo consumo dentro do evento, visto que o valor médio gasto é o mínimo estipulado pela pesquisa. Dentre o meio de comunicação apontado em que mais se ouviu ou viu sobre o carnaval, a TV foi a que mais contribuiu para que as pessoas ficassem sabendo do evento, não sendo levantado pela avaliação qual emissora teve maior divulgação. Também merece menção a divulgação feita no rádio, apontado como o segundo veículo de comunicação pelo qual mais ouviram sobre o carnaval. É necessário destacar que alguns entrevistados, de forma espontânea, expressaram suas opiniões sobre questões não levantadas na pesquisa, mas que foram anotadas pelos entrevistadores e postas aqui como sugestões, pois não houve questionário a este respeito. Três itens se destacaram como constante sugestão por parte dos entrevistados, ficando na seguinte ordem: 

Banda: muitos se manifestaram contrários em relação à banda e estilo de música tocada no evento.

Localização: houve reclamações quanto ao local de realização do carnaval, sendo sugerido que o realizasse em local diferente, como a perimetral (Av. Amazonas) e Av. Brasil, próximo ao Semeador.

Demais reclamações ou sugestões: outras sugestões ou reclamações podem ser apontadas como a indignação com respeito à proibição da presença de menores no local, preço dos alimentos, iluminação,

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presença excessiva de seguranças, falta de incentivo à formação e participação dos blocos carnavalescos. Portanto, a presente pesquisa realizada em forma de avaliação do carnaval de rua 2011 da cidade de Lucas do Rio Verde, atinge seus objetivos, identificando o perfil socioeconômico dos participantes, através dos gastos realizados antes e durante a festa, sua origem e satisfação quanto ao evento, mensurada por meio da expectativa atendida ou não, sexo, idade e estado civil, bem como dos gastos realizados antes e durante o evento.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALLEN, Johnny (et al.) Organização e Gestão de Eventos. Elsevier. Rio de JaneiroRJ: 2008. FERREIRA, Felipe. O livro de ouro do carnaval brasileiro. Ediouro. Rio de JaneiroRJ: 2004. MARTIN, Vanessa. Manual Prático de Eventos. Atlas, São Paulo-SP: 2003. MATIAS, Marlene. Organização de eventos: Procedimentos e Técnicas. 5 ed. Manole, Barueri-SP: 2010 Portal que disponibiliza informações sobre o carnaval 2011. Disponível em <http://www.brasilturis.com.br/canal_materia.neo?Materia=20943> Acesso em: 07/04/2011. Página web que disponibiliza informações sobre o carnaval 2011. Disponível em <http://www.mercadoeeventos.com.br/script/FdgDestaqueTemplate.asp?pStrResolu cao=&pStrLink=10,529,0,69915&IndSeguro=0> Acesso em: 07/04/2011. Página web que disponibiliza informações históricas sobre o carnaval. Disponível em<http://www.areliquia.com.br/Artigos%20Anteriores/57HistCarn.htm> Acesso em: 07/04/2011. Página web da prefeitura municipal que disponibiliza matéria alusiva ao carnaval municipal. Disponível em <http://www.lucasdorioverde.mt.gov.br/noticia.asp?cod=1317&codDep=2> acesso em: 07/04/2011.

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DESENVOLVIMENTO SÓCIO ECONÔMICO DE LUCAS DO RIO VERDE: Crescimento populacional e geração de empregos Diesca Tainá de Oliveira Nogueira8 Olmir Francisco Grassi

RESUMO Este artigo tem por finalidade apresentar o desenvolvimento sócio econômico do município, por meio do objetivo principal que é pesquisar o crescimento populacional dos últimos dois censos, analisando o nível de aumento da geração de empregos na última década e confrontar os dados populacionais com a geração de empregos no município de Lucas do Rio Verde. Utilizamos o método de abordagem dedutivo, através da coleta de dados pela parte geral dos órgãos governamentais de pesquisa e divulgação dos mesmos. Quanto ao método de procedimentos, será utilizado o método histórico e estatístico, visto que neste trabalho pretende-se pesquisar a história do município de Lucas do Rio Verde e seus dados estatísticos com relação ao crescimento populacional e geração de empregos por meio da coleta de dados nos órgãos competentes Ainda, a presente pesquisa se classifica, quanto aos objetivos, como exploratória, pois buscará dar maior familiaridade e esclarecimento com o problema. Concluímos que a geração de empregos em nenhum momento do crescimento populacional se desenvolveu no mesmo nível, devido a falta de qualificação da mão de obra para atender a demanda dos setores empregadores. Palavras-chave: Desenvolvimento.

Crescimento

Populacional.

Geração

de

Empregos.

1 INTRODUÇÃO Este artigo mostra a história e o desenvolvimento sócio econômico de um município formado por um grupo de produtores sem terra oriundos do interior do Rio Grande do Sul, com objetivo de destacar seu crescimento anual. Através do princípio de assentamento destes agricultores e da localização geográfica em que se estabeleceram, é que deu origem ao município de Lucas do Rio Verde que hoje é destaque entre os municípios regionais, estaduais e do Brasil em seu alto desenvolvimento econômico e social seguido do crescimento populacional e o aumento da geração de empregos e renda. 8

Acadêmicos Diesca Tainá de Oliveira Nogueira e Olmir Francisco Grassi do 5º semestre do Curso de Ciências Contábeis da Faculdade La Salle, diesca.nogueira@hotmail.com e o.f.grassi@bol.com.br Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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Lucas do Rio Verde originou-se com a colonização por meio da integração do governo militar na década de 70 com a abertura da rodovia BR-163, ligando Cuiabá a Santarém (PA). Com isto mobilizou os primeiros grupos de colonizadores para esta região de cerrado onde está Lucas do Rio Verde, denominado Médio-Norte de Mato Grosso distante a 350 km da capital do Estado. Até o início do ano de 2000, o desenvolvimento econômico do município era mantido basicamente pela produção agrícola (soja), a partir de então surgiu a necessidade do processo produtivo agroindustrial. Em meados de 2005, nasce em Lucas do Rio Verde uma nova era global de crescimento populacional, geração de empregos e capacitação profissional oriundas de pesquisas, planejamentos e instalações de agroindústrias no município, fazendo com que o município conquistasse destaque nacional e internacional. Todos os resultados alcançados desde a sua colonização é que justificam os méritos conquistados por um município tão jovem como é Lucas do Rio Verde. Adquirindo rapidamente as características de cidade pólo regional de Serviços e Comercio, incorporado a sua ótima infraestrutura, obteve um grande crescimento econômico, apresentando assim grande índice populacional. A problemática deste assunto verifica se o crescimento econômico de Lucas do Rio verde gerou aumento do número de empregos na mesma proporção que o crescimento populacional? Desse modo, pretendeu-se pesquisar se a geração de empregos nos últimos 10 anos acompanhou o crescimento populacional do Município. Especificamente, procurou-se: a) Apresentar o crescimento populacional dos últimos dois Censos; b) Analisar o nível de aumento da geração de empregos na ultima década com dados do Ministério do Trabalho e Emprego; e c) Confrontar os dados populacionais com a geração de empregos. Justifica-se o tema por ser atual e ainda, ressalte-se o ineditismo do presente tema, visto que não há nenhuma pesquisa acerca do assunto no acervo da faculdade. É de relevância o tema, por verificar-se o enorme crescimento populacional de Lucas do Rio Verde na última década, que contribuirá para uma análise social entre o crescimento populacional e a geração de empregos. Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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Com o enorme crescimento populacional, aumenta o desenvolvimento sócio econômico do município, e consequentemente espera-se um aumento de geração de empregos, que nem sempre é o que acontece devido a alta migração por influência da mídia. Este estudo, além de contribuir para indicar os referidos dados sobre o município, amplia meus conhecimento e informações para apresentar meu posicionamento a respeito do tema, também poderá contribuir aos estudantes desta faculdade e demais interessados no assunto para que possam conhecer e se posicionar sobre o mesmo.

2 METODOLOGIA Neste artigo utilizamos o método de abordagem dedutivo, pois se iniciará a coleta de dados pela parte geral dos órgãos governamentais de pesquisa e divulgação de dados. Quanto ao método de procedimentos, será utilizado o método histórico e estatístico, visto que neste trabalho pretende se pesquisar a história do município de Lucas do Verde e seus dados estatísticos com relação ao crescimento populacional e geração de empregos por meio da coleta de dados nos órgãos competentes. Quanto aos procedimentos técnicos, a pesquisa foi documental, baseada em livros, artigos e dados obtidos por meio de sites na internet.

3 REVISÃO DA LITERATURA 3.1 História de Lucas do Rio Verde Na segunda metade da década de 70 com a abertura da rodovia BR-163 pelo 9º BEC (Batalhão de Engenharia e Construção) ligando Cuiabá a Santarém (PA), mobilizou os primeiros colonizadores para esta região de cerrado situada no MédioNorte de Mato Grosso a 350kilometros da capital. Somente a partir de 1981 quando o INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) começou a implantação do projeto de assentamento de 203 Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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famílias de agricultores sem-terra oriundo da comunidade de Encruzilhada Natalino, interior do município de Ronda Alta (RS), e assim formando-se a comunidade que deu origem a Lucas do Rio Verde, até então pertencente a Diamantino. Na época também foram assentados outros 85 posseiros que já habitavam o local e mais 50 colonos vindos do interior de São Paulo. O dia 05 de agosto de 1982 passou a ser comemorado como a data de fundação da agrovila, a qual é comemorada todos os anos. A origem do nome do município de Lucas do Rio Verde é em homenagem a Francisco Lucas de Barros e ao Rio Verde pelo curso de suas águas que corta o território municipal, e, Francisco Lucas de Barros foi um seringalista desbravador dos sertões, teve seu nome perpetuado pela história de Lucas do Rio Verde por ser um homem afeito a rudeza da selva, profundo conhecedor da região e via na extração do látex sua motivação de vida. Em 17 de março de 1986 deixou de ser núcleo urbano e passou à condição de distrito, e, em 04 de julho de 1988 contando com 5.500 habitantes, conquistou sua administração político-administrativa. Atualmente, poucas famílias dos assentados de Ronda Alta ainda continuam de posse de suas terras, movidas pelas inúmeras dificuldades daquele período, muitas delas desistiram de seus sonhos e outras perderam terreno para a agricultura extensiva que começava a ocupar a vastidão do cerrado. Lucas do Rio Verde, hoje com 45.545 mil habitantes têm um enorme orgulho de viver nesta sociedade que em tão pouco tempo se tornou um pólo de desenvolvimento do estado e ainda ficou conhecida por ter um dos melhores IDHs (Índice de Desenvolvimento Humano) do país, conforme relatório da Organização das Nações Unidas (ONU). 3.2 Crescimento Populacional População esta relacionada ao grupo social, nos quais estes sujeitos estão ligados pela língua, cultura e pela historia. O crescimento populacional de um determinado País, Estado ou Município é observados pelo aspecto quantitativo, e esses dados são coletados por pesquisas realizadas com coleta de dados a campo, Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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no nosso País o Órgão responsável é o IBGE. Por meio deste Órgão e de seus colaboradores é que conseguimos o resultado das pesquisas realizadas no Município de Lucas do Rio Verde. Com base na coleta de dados realizada, identificamos que quando Lucas do Rio Verde conquistou sua administração político econômica em 1988, havia 5.500 habitantes residindo no município, crescendo para 6.693 habitantes em 1991 e 12.505 habitantes no ano de 1996. Observamos que no período de 5 anos obteve um crescimento de 186,83% ou seja 37,37% ao ano. 3.2.1 Censo demográfico 2000 Verificamos que o censo de 2000 apresenta um acréscimo 54,51% de habitantes em relação ao ultimo censo (1996). QUADRO 1 – Censo demográfico 2000 Dados extraídos do Censo Demográfico 2000 - IBGE: Taxa de População Total:

19.322

Crescimento

11,18%

Anual: População Urbana: 16.148

83,57%

População Rural:

16,43%

3.174

População Masculina: População Feminina:

10.182

52,70%

9.140

47,30%

Fonte: IBGE, 2011.

Pelos dados disponibilizados, notamos que foi comparado o crescimento entre a população masculina e feminina, onde demonstrou um crescimento de 5,4% a mais na população masculina do que a feminina, devido à economia do município ser basicamente agrícola, requerendo mão de obra masculina. Neste mesmo censo foi apresentado o Índice de Desenvolvimento Humano, sendo esse dado um apontador de desenvolvimento, conforme Nunes (31/10/2008).

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O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) é um indicador de desenvolvimento criado por Amarthya Sen, economista indiano galardoado com o Prémio Nobel da Economia em 1998, e que procura colmatar algumas das falhas de outros indicadores tais como o PIB. Para isso, o IDH inclui, além dos dados económicos, outros dados relacionados com a educação ou a saúde, nomeadamente: . PIB p.c. real (medido em paridade de poder de compra) . Esperança média de vida à nascença . Taxa de alfabetização de adultos e taxa de escolaridade combinada dos ensinos primário, secundário e superior.”

QUADRO 2 – IDH de Lucas do Rio Verde Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Lucas do Rio Verde/MT: 0,818 Média do IDH-M em Mato Grosso: Colocação no ranking Estadual: 3° (em 126 0,738

municípios)

Média do IDH-M na Região Centro- Colocação no ranking Regional: 7° (em 446 Oeste: 0,737 Média do IDH-M no BRASIL: 0,699

municípios) Colocação no ranking Nacional: 247° (em 5.507 municípios)

Fonte: IBGE, 2011.

Vemos que já no ano de 2000, Lucas do Rio Verde se destacava com seu alto IDH comparado com as médias nacional, estadual e regional. 3.2.2 Censo demográfico 2007 Comparando os censos de 2000 com o de 2007, observamos que houve um aumento significativo na População Luverdense aproximadamente de 64,27%. Esse aumento obteve gerado pela demanda de mão de obra na construção civil principalmente de agro - indústria.

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QUADRO 3 – Censo demográfico 2007 Dependência Genealógica Denominação dos habitantes

O município de Cuiabá deu origem ao município de Nossa Senhora da Conceição do Alto Paraguai Diamantino (Diamantino), do qual originou-se o município de Lucas do Rio Verde. Rio-verdenses.

População

30.741 habitantes (IBGE/ contagem 2007)

IDH

0,817 (SEPLAN/2000)

Eleitores

16.363 (TRE/2006)

Distrito

Sede.

Limites

Nova Mutum, Tapurah e Sorriso.

Comarca

Diamantino

Distância de Cuiabá

340 Km pela BR- 163

Fonte: IBGE, 2011.

3.2.3 Censo demográfico 2010 No Censo de 2000, o número de habitantes recenseados no município era de 19.316. Uma avaliação prévia apontava que no ano de 2010, a população chegaria a 33.556 habitantes, porém, foram recenseados 45.134 habitantes. Um aumento estimado em 134% a mais do que a média de crescimento prevista para este Censo. Conforme publicação Fonte: ExpressoMT/Danieli Marcante Dados do Censo 2010 publicado hoje (04), no Diário Oficial da União, revelam que a cidade de Lucas do Rio Verde (360km da Capital Cuiabá), é o município que teve o maior aumento populacional do Estado de Mato Grosso e uma das cidades que mais cresceu no Brasil.

Conforme gráfico 1, verifica-se que houve o maior crescimento populacional de Lucas do Rio Verde no período de 2009 a 2010.

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GRÁFICO 1 – Evolução da população, 2011.

Fonte: IBGE, 2011.

Através deste gráfico conseguimos verificar que foi a partir do ano de 2007, que

a

população

aumentou,

consequentemente

proporcionando

um

desenvolvimento na cidade, assim estruturando - se para receber novos imigrantes, isso ocorreu com auxilio da mídia, onde esta divulgou as oportunidade e sua estrutura planejada. 3.3 Geração de Empregos Segundo o dicionário, emprego é uma ocupação remunerada e determinada a que alguém se dedique. É uma prestação de serviço para quem organiza o trabalho (o empregador), esta relação pode ser considerada estável e duradoura. Para que haja geração de emprego é necessário investimentos, tanto do governo como das empresas privadas. Conforme Barelli, Economista (Unicamp). O emprego é apresentado como função do investimento, ou seja, [...] Entre as variáveis macroeconomistas, o emprego é apresentado como função de investimento , ou seja é consequência do crescimento. É fácil ver que quando o País se desenvolve o emprego aparece.

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Atendendo ao objetivo geral deste trabalho, através de uma análise comparativa a partir das tabelas abaixo, chegaremos a uma conclusão se o índice de geração de empregos nos últimos dez anos acompanhou o crescimento populacional no município de Lucas do Rio Verde. QUADRO 4 – Admissões X Desligamentos ano 2001 Período: Janeiro à Dezembro Admissões

Desligamentos

C.

Disp

Prz.

sem J. com J. A

Disp

Term. Term.

C. Prz.

Ano Emp. Reemp. Reint. Det. Transf. Total Causa Causa Pedido Contr. Aposent

Morte Deter. Transf. Total Saldo

2001 494

8

1.160

0

0

25

1.679 847

6

550

0

1

0

1.442 237

30

Fonte: CAGED, 2011.

Examinamos que pelos dados apresentado pelo CAGED, no ano de 2001 a cidade de Lucas do Rio Verde houve mais admissões do que desligamento. No ano de 2002, foi o ano que obteve um maior desligamento pelo os colaboradores terão encerrado o seu período de contribuição. Pelos dados disponíveis no Ministério da Previdência Social. Têm direito ao benefício os trabalhadores urbanos do sexo masculino a partir dos 65 anos e do sexo feminino a partir dos 60 anos de idade. Os trabalhadores rurais podem pedir aposentadoria por idade com cinco anos a menos: a partir dos 60 anos, homens, e a partir dos 55 anos, mulheres.

QUADRO 5 – Admissões X Desligamentos ano 2002 Período: Janeiro à Dezembro Admissões

Desligamentos

C.

Disp

Disp

Term.

Prz.

sem J. com J. A

Term.

C. Prz.

Ano

Emp. Reemp. Reint. Det. Transf. Total Causa Causa Pedido Contr. Aposent Morte Deter. Transf. Total Saldo

2002

627

1.922

0

0

0

2.549 1.230

15

809

0

5

6

0

2.065 484

0

Fonte: CAGED, 2011

No ano de 2003, comparado com o ano anterior houve um crescimento nas admissões, mas ao mesmo momento obteve um aumento no desligamento.

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QUADRO 6 – Admissões X Desligamentos ano 2003 Admissões

Desligamentos

C.

Disp

Prz.

sem J. com J. A

Disp

Term. Term.

C. Prz.

Ano

Emp. Reemp. Reint. Det.

Transf. Total Causa Causa Pedido Contr. Aposent Morte Deter. Transf. Total Saldo

2003

918

0

2.753

0

0

3.671 1.661

40

1.094

0

1

5

0

2.801 870

0

Fonte: CAGED, 2011

No ano de 2004, também teve um aumento nas admissões e desligamentos, os desligamentos a pedido aumentou 358 pedidos em relação a 2003 e o despejo com justa causa diminuiu 60%. QUADRO 7 – Admissões X Desligamentos ano 2004 Período: Janeiro à Dezembro Admissões

Desligamentos C.

Disp

Prz.

Disp

Term.

sem J. com J. A

Term.

C. Prz.

Ano

Emp. Reemp. Reint. Det.

Transf. Total Causa Causa Pedido Contr. Aposent Morte Deter. Transf. Total Saldo

2004

1.068 3.285

0

0

0

4.353 2.497

24

1.452

0

1

6

0

3.980 373

0

Fonte: CAGED, 2011

Neste ano foi apresentado um saldo negativo, pois houve mais desligamento do que admissões. QUADRO 8 – Admissões X Desligamentos ano 2005 Período: Janeiro à Dezembro Admissões

Desligamentos C.

Disp

Prz.

Disp

Term.

sem J. com J. A

Term.

C. Prz.

Ano

Emp. Reemp. Reint. Det.

Transf. Total Causa Causa Pedido Contr. Aposent Morte Deter. Transf. Total Saldo

2005

734

0

2.817

0

0

3.551 2.521

37

1.188

0

1

8

0

3.755 -204

0

Fonte: CAGED, 2011.

Já neste ano podemos ver que o quadro mudou, comparado com o ano de 2005, pois apresenta um saldo positivo, por apresentar mais contratações de colaboradores.

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QUADRO 9 – Admissões X Desligamentos ano 2006 Período: Janeiro à Dezembro Admissões

Desligamentos

C.

Disp

Disp

Term.

Prz.

sem J. com J. A

Term.

C. Prz.

Ano Emp. Reemp. Reint. Det. Transf. Total Causa Causa Pedido Contr. Aposent Morte Deter. Transf. Total Saldo 2006 722

3.797

0

0

0

4.519 2.647

32

1.051

0

3

9

0

3.742 777

0

Fonte: CAGED, 2011

No ano de 2007, houve um destaque na quantidade de reemprego, assim proporcionando um saldo positivo. QUADRO 10 – Admissões X Desligamentos ano 2007 Período: Janeiro à Dezembro Admissões

Desligamentos

C.

Disp

Disp

Term.

Prz.

sem J. com J. A

Term.

C. Prz.

Ano Emp. Reemp. Reint. Det. Transf. Total Causa Causa Pedido Contr. Aposent Morte Deter. Transf. Total Saldo 2007 1.329 6.084

2

166 0

7.581 2.848

54

2.069

691

0

17

159

5.838 1.743

0

Fonte: CAGED, 2011

Comparando este ano com o ano anterior, observamos que o saldo continuou positivo, mas havendo uma queda de 90 %. QUADRO 11 – Admissões X Desligamentos ano 2008 Período: Janeiro à Janeiro Admissões

Desligamentos

1º Ano

Emp. Reemp.

2008 141

725

C.

Disp

Disp

Prz.

sem

J. com

Term. J.

Term.

C. Prz.

Reint.

Det. Transf.

Total Causa

Causa

A Pedido Contr.

Aposent

Morte Deter.

Transf.

Total Saldo

0

83

949

3

171

0

2

0

428

0

220

31

1

Fonte: CAGED, 2011.

Comparando o período de 2008 e 2009 obteve um saldo positivo, tendo mais admissões, e os desligamentos a pedido comparado com todos os anos anteriores apresenta um aumento significativo. Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

58

521


QUADRO 12 – Admissões X Desligamentos ano 2009 Período: Janeiro à Dezembro Admissões

Desligamentos

C.

Disp

Prz.

sem J. com J. A

Ano

Emp. Reemp. Reint. Det. Transf. Total

2009

2.258 8.952

1

213

0

Disp

Term. Term.

C. Prz.

Causa Causa Pedido Contr. Aposent Morte Deter. Transf. Total

11.424 4.934

287

3.509

1.382

0

17

238

Saldo

10.367 1.057

0

Fonte: CAGED, 2011.

Como podemos observar e analisar a tabela acima, comparado com as outras tabelas, este ano o de mais admissões de 1º emprego. QUADRO 13 – Admissões X Desligamentos ano 2010 Período: Janeiro à Dezembro Admissões

Desligamentos C.

1º Ano

Prz.

Emp. Reemp.

2010 2.275 8.991

Disp

Disp

sem

J. com

Term. J.

Term.

C. Prz.

Reint. Det. Transf.

Total

Causa Causa A Pedido Contr. Aposent

Morte Deter. Transf.

Total

Saldo

7

11.366

5.453

31

11.195

171

93

0

141

3.671

1.783

2

114

0

Fonte: CAGED, 2011.

Neste ano, comparado com todos os anos anteriores, foi o ano que mais houve desligamento por morte, mas nem sempre estas mortes são acidente de trabalho, pode ter sido por outros motivos, como acidente de carro, morte natural, mas mesmo por esses motivos os dependentes deste trabalhador tem direito de receber todos os direitos. Já em 2011, de Janeiro a Abril temos 9 desligamento por morte, se este índice continuar crescendo nesta proporção, poderá ter um número de mortes maior que o ano de 2010.

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QUADRO 14 – Admissões X Desligamentos ano 2011 Período: Janeiro à Abril Admissões

Desligamentos C.

1º Ano

Prz.

Emp. Reemp.

2011 883

3.746

Disp

Disp

sem

J. com

Reint.

Det. Transf.

Total

0

71

4.700 1.738

0

Causa

Term. J.

Term.

C. Prz.

Causa

A Pedido Contr.

Aposent

Morte Deter.

Transf.

Total

44

1.443

0

9

0

3.928 772

618

76

Fonte: CAGED, 2011.

O gráfico 2 apresenta os saldos (comparação entre admissões e desligamentos) dos últimos 10 anos e dos períodos de cada um deles, assim conseguimos visualizar melhor, quais foram os anos que mais se destacaram nesta analise de dados. GRÁFICO 2 – Comparação entre admissões e desligamentos, 2011

Fonte: CAGED, 2011.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Percebe-se no gráfico 3, que nos anos de 2007 e 2010 foram os anos de maior crescimento populacional e que a geração de empregos não evoluiu no mesmo nível que o crescimento da população.

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Saldo


GRÁFICO 3 – Evolução da população e emprego, 2011

Fonte: CAGED, 2011.

Os objetivos deste artigo foram alcançados através das pesquisas coletadas nos últimos censos realizados pelo IBGE e também com dados do MTE (CAGED). Assim, comparando os dados, observamos que Lucas do Rio Verde obteve um numero significante de migração influenciados pela mídia destacando o desenvolvimento sócio econômico do município, portanto, a geração de empregos não conseguiu acompanhar o mesmo nível de crescimento populacional devido a falta de qualificação da mão de obra para atender as necessidades do mercado.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS LUCAS DO RIO VERDE (MT), Prefeitura Municipal. Plano Diretor do Município de Lucas do Rio Verde. Edição dez/2007. PREVIDÊNCIA SOCIAL. Aposentadoria por Idade. Disponível em: http://www.previdencia.gov.br/conteudoDinamico.php?id=15. Acesso em: 21 maio. 2011. NUNES, Paulo. Conceito de IDH. Disponível em: http://www.knoow.net/cienceconempr/economia/idh.htm. Acesso em: 21 maio. 2011. BARELLI WALTER. O que Fazer para Gerar Empregos no Brasil. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ea/v17n49/18411.pdf. 21 maio. 2011. Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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O PROCESSO DE RECRUTAMENTO E SELEÇÃO DE PESSOAL DA EMPRESA VIA CAMPO DE LUCAS DO RIO VERDE Jéissica C. Tonial 9 Jéssica F. Brann 10 Mayra G. Brisot 11

RESUMO No presente artigo oferecemos aos leitores informações de como é realizado o processo de recrutamento e seleção de pessoal da empresa Via Campo, da cidade de Lucas do Rio Verde-MT, assim como os benefícios que estes processos oferecem a empresa. Dentro de uma organização, é imprescindível que ocorra a gestão de pessoas, visto que toda e qualquer empresa é composta por elas, e é de responsabilidade desta gestão a realização dos processos de recrutamento e seleção de pessoas, o qual tem por objetivo ajudar na gestão do pessoal da empresa, pois é através deles que são selecionados os candidatos para trabalhar nos cargos oferecidos, nele é possível escolher pessoas qualificadas e que ao mesmo tempo se identificam com a organização. Palavras-chave: Departamento Pessoal. Recrutamento e Seleção. Gestão de Pessoas.

1 INTRODUÇÃO A gestão de pessoas tem como objetivo estabelecer o sistema que rege as relações entre colaborador e empresa, definindo a melhor adequação de cada um deles à função que irá realizar. Nesse sentido o colaborador dentro de uma organizaçao exercerá suas habilidades próprias como ser humano, será um ativador inteligente dos recursos organizacionais e parceiros da organização. Estes aspectos relacionados à gestão de pessoas possibilitam através de um ótimo processo de recrutamento e seleção a satisfação tanto da empresa que terá um quadro de pessoal qualificado as suas exigências, quanto ao funcionário que terá oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional.

9

Jéissica C. Tonial – Administração – 5º Semestre – jeissicatonial@hotmail.com Jéssica F. Brann – Administração – 5º Semestre – jessica_franscieli2@hotmail.com 11 Mayra G. Brisot – Administração – 5º Semestre – mayrabrisot@hotmail.com 10

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Através desse trabalho apresentamos como ocorre o processo de recrutamento e seleção de pessoas na empresa Via Campo, da cidade de Lucas do Rio Verde em Mato Grosso. O recrutamento e seleção formam o processo de movimentação dos empregados para dentro, para fora e no interior da organização, de forma a produzir um quadro de pessoal com as aptidões específicas (MILKOVICH, 2000). Este se divide em externo, interno e misto, cabendo a organização decidir qual a melhor alternativa a seguir. É considerado um instrumento de extrema importância para uma organização. Se bem administrado, traz benefícios tanto para o empregador quanto para o candidato a ser contratado. Dessa forma, estaremos em parceria com a empresa, identificando quais os principais métodos utilizados, bem como sua importância para a organização. Nosso problema de pesquisa pretende analisar como ocorre o processo de recrutamento e seleção de pessoal da empresa Via Campo da cidade de Lucas do Rio Verde no ano de 2011. Para isso formulamos o seguinte problema de pesquisa: Como é feito o processo de recrutamento e seleção de pessoal da empresa Via Campo? E como objetivo geral de pesquisa, analisou-se como a empresa Via Campo faz o seu processo de recrutamento e seleção de pessoal. Para tanto, foi necessário atingir os seguintes objetivos específicos: a) Analisar o nível de importância do processo de recrutamento e seleção para a empresa; b) - Identificar como a empresa realiza o processo de recrutamento e seleção de pessoal; c) -Identificar qual o perfil mais adequado aos cargos da empresa; d) - Visualizar qual é a opinião da empresa a respeito dos benefícios que o processo de recrutamento e seleção traz às organizações.

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2 REVISÃO DA LITERATURA 2.1 Gestão de Pessoas Chiavenato (1999) nos diz que a gestão de pessoas é uma área muito sensível à mentalidade que predomina nas organizações. Ela é contingencial e situacional, pois depende de vários aspectos como, a cultura que existe em cada organização, a estrutura organizacional adotada, as características do contesto ambiental, o negócio da organização, a tecnologia utilizada, os processos internos e uma infinidade de outras variáveis importantes. Podemos dizer que estes aspectos são de grande importância na hora de escolher um candidato para trabalhar na organização, dessa forma estará escolhendo um colaborador com perfil ideal a ela. Assim, a gestão de pessoas tem como objetivo estabelecer o sistema que rege as relações entre colaborador e empresa, definindo a melhor adequação de cada um deles à função que irá realizar. A gestão de pessoas conta com o apoio do setor de recursos humanos, para alcançar um desempenho onde possa combinar as necessidades individuais

do

colaborador

com

as da

organização.

É

de

responsabilidade da gestão de pessoas escolher o profissional que a instituição deseja, objetivando o desenvolvimento e crescimento da organização como o do próprio profissional, tido como colaborador para adquirir os resultados esperados. Sua finalidade é selecionar, gerir e nortear os colaboradores na direção dos objetivos e metas da empresa. 2.2 Aspectos Básicos da Gestão de Pessoas Segundo Chiavenato (1999) a gestão de pessoas se baseia em três aspectos fundamentais, são eles: 

As pessoas como ser humano: pessoas com características próprias como habilidades, histórias particulares, possuidoras de conhecimento, são pessoas como pessoas e não como meros recursos das organizações.

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As pessoas como ativadores inteligentes de recursos organizacionais: são as pessoas como fonte de impulso próprio que dinamizam a organização e não como agentes passivos, inerentes e estáticos.

As pessoas como parceiras da organização: são pessoas capazes de conduzir a organização á excelência e ao sucesso, para isso se dedicam a ela com responsabilidade, comprometimento, riscos, entre outros. Em contra partida esperam ter uma boa remuneração, incentivos, crescimento profissional, plano de carreira, etc. São pessoas como parceiros ativos da organização e não como meros sujeitos passivos. Podemos dizer que, assim como as organizações buscam funcionários que

atendam

as

necessidades

dela,

os

colaboradores

também

querem

seu

reconhecimento e atenção do trabalho desenvolvido. E a gestão de pessoas vem para conciliar estes dois aspectos, garantindo para a empresa contratar funcionários qualificados de acordo com a sua necessidade, como também a satisfação do funcionário com seu emprego. A gestão de pessoas utiliza o processo de recrutamento e seleção de pessoal como apoio, sendo que este processo tem por objetivo contratar funcionários com mais segurança, pois através dele a empresa identifica o colaborador com o perfil que mais se encaixe com a organização. Este processo resulta em bons resultados, pois o funcionário desenvolverá um bom serviço sendo este de acordo com suas habilidades e receberá em troca reconhecimento por seu bom desenvolvimento, ficando assim satisfeito as duas partes. 2.2.1 Recrutamento Segundo Milkovich (2000), recrutamento é o processo de identificação e atração de um grupo de candidatos, entre os quais serão escolhidos alguns para posteriormente serem contratados para o emprego. Desta maneira, podemos dizer que é feito a partir das necessidades presentes e futuras dos Recursos Humanos da organização e requer um cuidadoso planejamento.

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Chiavenato (2000) refere três fases no planejamento do recrutamento nomeadamente: pesquisa interna dos recursos humanos necessários; pesquisa externa do que o mercado pode oferecer; e definição das técnicas de recrutamento. A pesquisa interna refere-se ao levantamento interno das necessidades de recursos humanos da organização em todas as áreas e níveis da mesma a curto, médio e longo prazo. Consiste na determinação prévia da quantidade e qualidade dos recursos humanos necessários e das ações a realizar. Já a pesquisa externa, referese a uma pesquisa de mercado, onde ocorre uma segmentação e diferenciação, para assim ter uma abordagem mais especifica e de acordo com seus objetivos. As técnicas de recrutamento por sua vez, são as diferentes maneiras que a organização poderá utilizar para realizar o processo de recrutamento, constituindo a ultima fase do processo de planejamento do recrutamento. O processo de recrutamento tem como objetivos a expansão da empresa, substituição de pessoal, e primordialmente agregar talentos à organização, de forma que sua produção seja maximizada com base na criatividade, inovação e adequação as novas exigências do mercado. A finalidade do recrutamento é trazer candidatos para a empresa. Se a empresa precisa preencher vagas, é necessário que ela faça as pessoas saberem que estas vagas existem. Assim quando os candidatos se apresentarem, ele pode escolher os melhores. A importância do recrutamento é que se ele for bem feito, atrairá bons candidatos para a empresa, acelerando o processo com qualidade. Segundo Milkovich (2000) o recrutamento não é importante apenas para organização, é um processo de comunicação bilateral. Os candidatos desejam informações precisas sobre como será trabalhar nessa empresa, e as empresas desejam saber que tipo de empregado será o candidato, caso seja contratado. Dessa forma os candidatos sinalizam que são bons concorrentes e as empresas sinalizam que tem bons lugares para trabalhar. O processo de recrutamento se dá de duas maneiras, conforme Marras (2009): Interno: esse tipo de recrutamento privilegia os próprios recursos da empresa, ou seja, dá oportunidades aos seus colaboradores de se desenvolver e serem Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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promovidos dentro da própria empresa em que trabalham. É vantajoso para a empresa, pois aproveita melhor o potencial humano da organização, motiva e encoraja o desenvolvimento profissional dos atuais funcionários, incentiva a permanência destes e sua fidelidade a organização, não requer socialização organizacional de novos membros e custa financeiramente menos. Porém bloqueia a entrada de novas ideias e experiências, facilita o conservantismo, o patrimônio humano permanece praticamente inalterado, onde a empresa atua como um sistema fechado. Externo: ocorre quando, havendo determinada vaga, a organização procura preenchê-la com pessoas que não fazem parte da organização, ou seja, candidatos externos atraídos pelas técnicas de recrutamento, que podem ser anúncios em jornais e revistas especializadas, agências de recrutamento, contatos com escolas e universidades, cartazes, apresentação de candidatos por indicação de funcionários, consulta aos arquivos de candidatos, banco de dados. Chiavenato lista como vantagens a introdução de “sangue novo” na organização, isto é, novos talentos e habilidades, enriquecem o patrimônio humano, aumenta o capital intelectual ao incluir novos conhecimentos e destrezas, renova a cultura organizacional. Mas também há desvantagens neste tipo de recrutamento, como redução de fidelidade dos funcionários, afeta negativamente a motivação dos atuais funcionários, requer aplicação de técnicas seletivas para a escolha de candidatos externos, exige esquemas de socialização organizacional, desta forma significando custos operacionais e tempo maior do que o recrutamento interno. Misto: Na prática, as empresa não fazem só o recrutamento interno ou só o externo. Ambos se complementam e completam. Em face das vantagens e desvantagens dos recrutamentos interno e externo, uma solução eclética tem sido preferida pela maioria das empresas: recrutamento misto, ou seja, aquele que aborde tanto fontes internas como fontes externas de recursos humanos. O recrutamento misto pode ser adotado em três alternativas de sistemas, na visão de Marras (2009): 

Inicialmente, recrutamento externo, seguido de recrutamento interno;

Inicialmente, recrutamento interno, seguido de recrutamento externo;

Recrutamento externo e recrutamento interno, concomitante. Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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O recrutamento não é uma atividade que pode ser isolada da estratégia da empresa. Como os negócios mudam e surgem novas funções a cada dia, torna-se imprescindível contar com pessoas flexíveis, capazes de adaptar-se a essas mudanças constantes. O desafio principal é agregar valor a organização e as pessoas. A avaliação dos resultados é importante para aferir se o recrutamento esta realmente cumprindo sua função, para isso os recrutadores devem ser escolhidos e treinados e saber exatamente o que o cargo exige e o que se procura nos candidatos, pois nesse processo de recrutamento sua imagem produz forte impacto sobre os candidatos. 2.2.2 Seleção A seleção consiste na escolha e tomada de decisão do candidato que ocupará o cargo disponível procurando dentre os candidatos que foram recrutados, aqueles que mais se adéquam ao cargo disponível na organização com o objetivo de “manter ou aumentar a eficiência e o desempenho do pessoal, bem como a eficácia da organização” (CHIAVENATO, 2000). Para se efetuar a seleção tem-se por base às exigências do cargo a ocupar. Em primeiro lugar, deve-se fazer a comparação entre o conteúdo do cargo e os perfis dos candidatos. As exigências da função correspondem à análise e descrição de funções do cargo. Os perfis dos candidatos são dados pelas técnicas de seleção. O passo seguinte será a decisão de quem preencherá o cargo, sendo esta tomada pela requisitante. A seleção é assim concebida como um processo de comparação e de decisão (CHIAVENATO, 2000). O objetivo da seleção é escolher e classificar os candidatos mais adequados às necessidades do cargo e da organização (CHIAVENATO, 2000). A seleção é importante, pois, as pessoas possuem diferenças individuais e uma variedade humana enorme. As diferenças individuais entre pessoas tanto no plano físico como no psicológico levam as pessoas a terem comportamento, reações e desempenhos diferentes, dai então o verdadeiro sentindo de se fazer seleção. Chiavenato (1999, p. 108) nos diz:

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A seleção funciona como uma espécie de filtro que permite que apenas algumas pessoas possam integrar na organização: aquelas que apresentam características desejadas pela organização. Há um popular que afirma que a seleção constitui a escolha certa da pessoa certa para o lugar certo [...]. A melhor maneira de conceituar seleção é representá-la como uma comparação entre duas variáveis: de um lado, os requisitos do cargo a ser preenchido (requisitos que o cargo exige de seu ocupante) e, de outro lado, o perfil das características dos candidatos que se apresentam para disputálo. A primeira variável é fornecida pela descrição e analise do cargo, enquanto a segunda é obtida por meio de aplicação das técnicas de seleção. O órgão de seleção não pode impor ao órgão requisitante a aceitação dos candidatos aprovados no processo de comparação. Pode apenas prestar um serviço especializado, aplicar as técnicas de seleção e recomendar ao cargo. Porem, a decisão final de aceitar ou rejeitar os candidatos é sempre responsabilidade de linha (de cada chefe ou gerente) ou função de staff (prestação de serviço do órgão especializado).

Existem alguns modelos de decisão sobre candidatos, conforme explica Chiavenato (1991): 

Modelo de colocação: onde existe uma única vaga e um único candidato, não há como rejeitar o candidato.

Modelo de seleção: onde existem vários candidatos para uma única vaga, é possível fazer um comparativo do perfil do candidato que se aproxime mais com a descrição do cargo e escolher o que mais se aproxima.

Modelo de classificação: onde existem vários candidatos e várias vagas, é possível fazer um comparativo do perfil que mais se aproximem com o perfil da vaga, os aprovados são admitidos e os rejeitados passam a concorrer à outras vagas existentes. Como afirma Chiavenato (1999), a seleção de pessoal é um sistema de

comparação e de escolha. Para tanto, deve apoiar-se a algum padrão ou critério para alcançar certa validade na comparação. Esse critério é extraído a partir das informações sobre o cargo a ser preenchido e sobre os candidatos que se apresentam, que é feito a partir da colheita de informação sobre o cargo. Obtidas as informações básicas a respeito do cargo a preencher, o passo seguinte é a escolha das técnicas de seleção para conhecer e escolher os candidatos adequados. As técnicas de seleção são agrupadas em cinco categorias: entrevista, provas de conhecimento, testes psicrométricos, testes de personalidade e técnicas e simulação. As técnicas de seleção permitem um rastreamento das características pessoais do candidato através de amostras de seu comportamento. Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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A entrevista é um meio para se conhecer o candidato. É uma ferramenta bastante útil, mas se aplicada sem um objetivo pode ter seus resultados distorcidos. Pode ser estruturada, baseando-se em um método previamente planejado com questões básicas de forma padronizada, o que facilita a melhor comparação de resultados entre diversos candidatos. E pode ser também não-estruturada, ou seja, não segue um padrão determinado, não há nenhum planejamento prévio. Sua vantagem principal é que ocorre um melhor aproveitamento individual dos momentos e características de cada candidato. As provas de conhecimento são utilizadas para avaliar o nível de conhecimentos gerais e específicos dos candidatos exigidos pelo cargo, podem ser aplicadas via oral, escrita e realização de tarefas. Os testes psicrométricos por sua vez, são utilizados como medidas de desempenho e se baseiam em amostras estatísticas de comparação. Focalizam-se principalmente nas aptidões, determinando o quanto elas estão presentes em cada pessoa, com a finalidade de prever seu comportamento em determinadas formas de trabalho. Os testes de personalidade representam uma integração de características mensuráveis relacionadas com aspectos permanentes consistentes de uma pessoa chamadas traços de personalidades. Revelam certos aspectos superficiais as pessoas, como o caráter e o temperamento das pessoas. As técnicas de simulação centram-se no tratamento em grupos, substituindo o método verbal, pela ação social. Sendo utilizadas principalmente nos cargos que exijam relacionamento interpessoal, como direção, gerencia compras, etc. Cada técnica de seleção proporciona certas informações sobre os candidatos. As organizações utilizam uma variedade de técnicas de seleção para obter todas as informações necessárias a respeito do candidato. Dessa forma, cada organização deve determinar quais os processos de seleção mais adequados e que proporcionam melhores resultados. O processo seletivo deve ser eficiente na medida em que deve ser feito corretamente, e eficaz que reside em alcançar resultados e atingir objetivos.

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3 METODOLOGIA O tipo de pesquisa utilizado em nosso trabalho caracteriza-se por ser pura, pois temos como meta o saber, buscando satisfazer uma necessidade intelectual pelo conhecimento. Quanto aos processos é classificada como descritiva porque levantamos dados através de um questionário sem manipular o objeto, ou seja, o responsável pelo Rh da empresa, ainda dentro desta classificação podemos dizer que é um estudo de caso, pois analisamos uma situação isolada, isto é, o processo de recrutamento e seleção de pessoal da empresa Via Campo. A abordagem de pesquisa utilizada no nosso trabalho foi qualitativa, pois sua análise baseia-se nos conhecimento adquiridos e percepções dos autores sobre o tema de recrutamento e seleção de pessoal. A técnica de pesquisa foi uma entrevista porque coletamos dados através de um questionário estruturado, sendo não pessoal porque não houve a presença do entrevistador. O instrumento utilizado a fim de coletar dados foi um questionário composto por variáveis qualitativas. As informações foram colhidas por meio de um questionário estruturado com perguntas claras e objetivas baseadas na análise subjetiva do responsável pelo RH da empresa.

4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE RESULTADOS Analisando a resposta da primeira questão do questionário aplicado na empresa Via Campo de Lucas do Rio Verde, a qual tinha por objetivo saber qual a importância do processo de recrutamento e seleção de pessoal dentro da organização, vimos que com a utilização destes processos, a empresa consegue identificar talentos em potencial. Dessa forma concordamos com Chiavenato (1999) no sentido que o recrutamento tanto interno quanto externo possibilita a identificação de talentos, podendo ser de candidatos externos à organização ou talentos que se desenvolveram dentro da própria organização.

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Na segunda questão, tínhamos por objetivo descobrir qual o processo de recrutamento que a empresa utiliza e quais a suas vantagens. Como resposta, a empresa informou que utiliza o recrutamento misto, ou seja, tanto interno quanto externo, contatando agencias de emprego e/ou dando oportunidades aos colaboradores que já se encontram na organização. Isso acaba trazendo uma vantagem à empresa no sentido de que ela possuirá um mix de funcionários qualificados, ou seja, terá funcionários que já conhecem a cultura organizacional e também novos funcionários com ideias diferentes e inovadoras. Na terceira questão, perguntamos a empresa quais eram os meios utilizados para realizar o processo de recrutamento. Em resposta, a empresa diz que faz uso da internet, anúncios em agencias de emprego e em instituições de ensino. Estes meios estão de acordo com as técnicas de recrutamento segundo (CHIAVENATO, 1999). A quarta questão refere-se às características essenciais que o candidato deve ter para ocupar o cargo oferecido. Pro-atividade e dinamismo foi resposta dada pela organização, ou seja, a empresa busca pessoas resilientes, capazes de se desenvolver e agregar valor a organização. Na quinta questão, tínhamos por objetivo saber qual o método de seleção usado pela empresa. Como resposta, a empresa informou que utiliza a entrevista, a qual segundo Chiavenato (1999) é um processo de comunicação entre duas ou mais pessoas que interagem entre si, no qual uma das partes esta interessada em conhecer melhor a outra. Ao utilizar essa técnica é possível identificar o comportamento e as principais características do candidato. Ela utiliza também as provas técnicas, as quais visam medir o nível de conhecimento geral e específico dos candidatos exigidos pelo cargo a ser preenchido. Isso mostra que a empresa esta interessada não somente nas suas aptidões e conhecimentos, mas também na sua habilidade interpessoal a qual é exigida no momento da entrevista. O objetivo da ultima questão, era saber quais os benefícios vistos pela empresa em relação aos processos de recrutamento e seleção de pessoas para as organizações em geral. Em resposta a empresa diz que o processo de recrutamento e seleção traz inúmeros benefícios, dos quais a empresa considerou como mais

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importante a captação de novos potenciais e a possibilidade de percepção da imagem da empresa perante o mercado.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS A empresa Via Campo realiza o processo de recrutamento misto, ou seja, atua recrutando pessoas internas à empresa e externa. Em relação à seleção de pessoas verifica-se que utiliza como técnicas a entrevista e provas técnicas de conhecimentos específicos. Através disso a empresa busca encontrar talentos em potencial e que atendam as suas exigências básicas que, como percebemos no questionário respondido, são a pro atividade e o dinamismo. Assim, pode-se dizer que a empresa garante oportunidades para os atuais funcionários e futuros candidatos, dá ênfase principal nas competências técnicas e habilidades comportamentais. Pelo fato da empresa valorizar tanto o seu capital humano interno quanto o externo, é capaz de gerar uma vantagem competitiva, já que há introdução de novas ideias e ao mesmo tempo garante fidelidade de seus colaboradores. Em relação ao referencial teórico pesquisado pode-se afirmar que o processo de recrutamento e seleção deve ser cauteloso, pois, as consequências de um processo errado são grandes tais como: diminuição da produtividade, absenteísmo, insatisfação por parte dos funcionários, rotatividade. Isso tudo implica em custos para as empresas. Portanto, podemos afirmar que a empresa além de dar grande importância a estes processos, possui um bom modo de realizá-los, pois se utilizando dos meios de entrevista e prova técnica ela consegue visualizar o perfil dos candidatos que atendem as exigências do cargo. Nesse sentido percebe-se que a empresa valoriza seu potencial humano, uma vez que as organizações hoje em dia não são compostas só de máquinas, mas principalmente por pessoas. Onde o departamento de recursos humanos, aos poucos, deixa de ser visto como um departamento que calcula os salários e benefícios dos funcionários, passando a ser, dentro da organização, um dos

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departamentos fundamentais para que haja uma evolução do desempenho pessoal, profissional e cultural, tanto da organização como dos funcionários.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CHIAVENATO, Idalberto. Recursos humanos na organização: Recrutamento, planejamento e seleção de pessoal. São Paulo: Atlas, 1991. CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de pessoas; o novo papel dos recursos humanos nas organizações. Rio de Janeiro: Campus, 1999. MARRAS, Jean Pierre. Administração de recursos humanos. São Paulo: Saraiva 2009. MILKOVICH, George T.; BOUDREAU, John W. Administração de recursos humanos. São Paulo: Editora Atlas S.A 2000.

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O PROPÓSITO DE SER EDUCADOR Daniela Miketen12 Daniela Barboza Lediane Wandscheer

RESUMO Este artigo tem como proposta refletir sobre a importância do educador na sociedade e o ensino por ele aplicado. Enfatizamos que o educador precisa despertar-se e definir seu propósito profissional, pois sem um propósito o educador nem deveria exercer tal profissão. Também abordamos a necessidade de renovação e compromisso com os métodos de ensino utilizados em um contexto globalizado. Em nossas pesquisas percebemos que há um número elevado de profissionais na área de educação que não estão realizados com o que fazem e atribuímos esses resultados a falta de propósito e amor, que juntamente com fatores externos desenvolvem um ciclo de improdutividade. Como futuros educadores, entendemos que é necessário ter metas pessoais que dão razão para ensinar, e transmitir aos educandos uma segurança de serem participantes da construção social. Essa parceria entre educador e educando, se estabelece na relação diária e são necessárias que sejam sustentadas pela vontade de ambas as partes, rumo a um objetivo comum, o de transformar, para melhor, a si e o meio em que vivem. Pensar em propósito, portanto, é ser realizado e livre para transformar. Palavras-chave: Educador. Ensino. Propósito.

1 INTRODUÇÃO O educador é motivador de ideias adormecidas, orientador de novas descobertas e ajuda na construção do conhecimento. Com o avanço tecnológico e uma expansão de profissões no mercado de trabalho, houve também uma despreocupação de buscar no individuo um propósito que o impulsione à escolha profissional, e visualizamos com isso um mercado de trabalho repleto de profissionais egoístas, incapazes de pensar em métodos de transformação social. O educador muitas vezes é envolvido por essa realidade e ao sentir-se desmotivado torna-se também um desmotivador.

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Acadêmicas do 1º Semestre do Curso Licenciatura em Pedagogia. Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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Poucos profissionais são de fato apaixonados pelo que fazem e encontram na profissão o sentido de ser e fazer. Esses são capazes de construir uma sociedade melhor, ao dar de seu conhecimento tanto quanto são capazes de dar de si mesmo. O ensino não pode ser banal e desmoralizado, porque todo individuo tem a necessidade de conhecer a si e o mundo em que vive. Mais que isso, o ensino é instrumento orientador para a vida. Nesse contexto pergunta-se: qual o propósito de ser educador? Como objetivo geral pretende-se verificar qual o perfil do atual educador e como pode ser construído seu propósito profissional. Se um educador não tem um propósito, não deveria nem ser educador.

2 REVISÃO DA LITERATURA 2.1 Educador O educador é um ser humano desafiador, criativo e determinado a solucionar obstáculos do dia-a-dia por isso, devem ser suficientemente capacitado e habilitado para entender o educando. Segundo Luckesi (1994) na pratica pedagógica o educador assume papel de mediador entre o educando e a sociedade. Para exercer esse papel ele precisa possuir conhecimentos e algumas qualidades como: compreender a realidade com a qual trabalha e ter competência no campo teórico em que atua para poder auxiliar o educando nesse processo de elevação cultural. É importante que o educador esteja atento às mudanças que acontecem no mundo para que a sua prática pedagógica seja diferenciada e possa integrar o educando no meio em que vive, procurando alcançar resultados que o beneficiem. Além da capacidade intelectual, Luckesi (1994, p. 117) comenta que [...] É preciso ter paixão pela atividade de ensinar [...]. É preciso estar em sintonia afetiva com aquilo que se faz. Um professor que faz de sua atividade apenas uma mercadoria dificilmente será um professor comprometido com a elevação cultural dos educandos. O salário não paga o trabalho que temos. Por isso, torna-se importante além da competência teórica técnica e política, uma paixão pelo que se faz [...] Daí vem à arte de ensinar, que nada mais é que um desejo permanente de trabalhar, das mais variadas e adequadas formas para elevação cultural dos educandos. Para Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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ser educador não basta ter contrato de trabalho numa escola particular o um emprego de funcionário publico. É preciso competência, habilidade e comprometimento. Ninguém se faz professor do dia para a noite sem aprendizagem e preparação satisfatórias.

O educador precisa ter conhecimentos necessários, que são adquiridos no seu processo de formação, para estar em sala de aula e, além disso, ter paixão e buscar sempre inovar seus conhecimentos para exercer um trabalho eficaz. 2.2 Ensino Nos dias atuais o ensino está muito ligado a maneira como os professores têm de conduzir suas aulas. A cada ano, no Brasil, o ensino se desenvolve e melhora. Porém, para alcançarmos um ensino de primeiro mundo falta muito. Para um ensinamento de qualidade, deve-se haver reflexão e diálogo, assim pode-se compreender melhor o outro, e, portanto, saber quais são as suas necessidades de aprender. Ensinar envolve criatividade, pois com a globalização fica difícil ganhar a atenção dos alunos. O ser humano tem uma pré-disposição natural, uma necessidade de aprender. Cortella, (2009, p. 12) aponta que “[...] não nascemos prontos e acabados [...] é fundamental não nascermos sabendo e nem prontos [...] nascer sabendo é uma limitação porque obriga a apenas repetir e, nunca, a criar, inovar, refazer, modificar”. A aprendizagem é diária, constante e não acontece apenas no ambiente escolar, mas como explica Cortella (2009) ela acontece em pelo menos duas dimensões: sentido ocasional que está presente na vida, em todos os lugares e por todo o tempo. E o ensino no sentido intencional que é proposital e acontece na escola e outras instituições. Por isso, como educador, é importante relacionar o ensino ocasional, que o educando já traz consigo ao entrar em sala, com o intencional para não menosprezar o conhecimento que o educando já adquiriu, antes poder utilizar-se desse para uma melhor prática pedagógica. Luckesi (1994, p. 105) afirma que “Há necessidade de estudar que procedimentos e que atividades possibilitarão, da melhor forma, que nossos alunos Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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atinjam o objetivo de aprender o melhor possível daquilo que estamos pretendendo ensinar”. É preciso desenvolver métodos eficazes de ensino para conseguir sustentar a atenção dos educandos no contexto globalizado em que as mudanças acontecem rapidamente. A educação também precisa se readaptar e inovar sempre para manter-se viva e apropriada em tal contexto. 2.3 Propósito Hoje há uma diversidade de profissões e áreas de interesses, que são apresentadas como opções de escolha do educando. A grande diversidade não é o problema, mas a incerteza daquele que faz a escolha. Os principais critérios utilizados para a escolha profissional são a renda por ela proporcionada e o status. Isso significa que a maioria das pessoas nem sempre escolhe a profissão que gostaria, ou para a qual reúne as qualidades que possui, mas aquela que mais lhe garante mordomia financeira. Isso significa também que o risco de encontrarmos na sociedade profissionais infelizes com o que fazem e consequentemente infelizes nas demais influências de sua convivência é muito maior do que seria se cada individuo buscasse de fato usar suas habilidades naquilo que é sua paixão. Kivitz (2003) considera que pensar em propósito é compreender o significado da vida. É visualizar o conjunto de habilidades pessoais a serviço do outro, é envolver-se numa tarefa inacabada de compromisso consigo e com a sociedade, tarefa essa que faz o individuo sentir-se útil, e incansável. É ter razão para acordar todos os dias e não se arrastar pelo tempo. É uma causa pela qual é possível se entregar. Quem tem propósito nunca fica sem trabalho porque o que faz não é apenas uma profissão é seu estilo de vida. Fazer uma escolha pensando no propósito a ser alcançado, é escolher conscientemente uma missão de vida. Pessoas que não encontram sentido em sua profissão agem de maneira desmotivada, já os que têm um propósito a alcançar visualizam-se como agentes de transformação na sociedade. Freire (2005) argumenta que não é possível nem aceitável que quem estuda, seja o físico, o biólogo, sociólogo, matemático ou pensador da educação, faça isso Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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de forma neutra, porque ninguém pode estar no mundo de forma neutra. Agir assim é acomodar-se, e a acomodar-se deve ser na verdade um motivo despertador para inserir decisão, escolha e intervenção na realidade. O educador, assim como todo profissional, deveria evitar a neutralidade, pois essa é uma postura de quem já se acomodou e se acostumou com as circunstancias e, portanto, não procura fazer nada grande ou eficaz para mudar o que enxerga, antes, acaba se tornando igual ao meio. Michalinszyn (2008) nota que quando uma sociedade se apresenta desumana e competitiva, agir com cooperação e fraternidade pode causar um grande impacto sobre as demais pessoas e até criar uma nova realidade, isso é, uma nova possibilidade em meio ao caos. Ser um profissional de postura cooperativa no mundo é poder enxergar maneiras simples de transformar a realidade e desejar fazê-lo. Isso é envolver-se num propósito que vai além da satisfação própria, alcança o outro. O educador, pela influência que tem sobre a construção da história de uma nação, não pode deixar passar o tempo e com ele ser esquecido por não traçar novas metas, antes, deve se comprometer em revelar o potencial máximo e dignidade do educando e ser lembrado como aquele que sabe o que está fazendo e por que está fazendo, ou seja, como um educador que tem propósito.

3 METODOLOGIA Neste artigo usou-se o método indutivo, em que, a fim de conhecer o perfil do educador e o propósito que o motiva a permanecer na profissão, realizamos entrevistas com vinte e cinco profissionais da área de educação. Seus nomes serão preservados e expostos apenas os resultados percentuais da pesquisa em cada categoria.

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4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 4.1 Análise do perfil do educador Com o intuito de analisar o perfil do educador questionou-se sobre por que escolheram essa profissão e percebemos que 50% dos entrevistados responderam que fizeram tal escolha por identificação, 30% escolheram a profissão a fim de alcançar outro objetivo e 20% escolheram ao acaso. Questionou-se também sobre a motivação que faz com que permaneçam nessa profissão e notamos que 60% são motivados pela vontade de causar transformação da sociedade e 40% ao pensar no crescimento pessoal do aluno. Ainda procurou-se analisar sobre os principais desafios de ser educador e verificamos que 50% dizem que os maiores desafios estão relacionados às dificuldades que os alunos têm em sala de aula, 30% dizem que os maiores desafios são os colegas de profissão e suas desmotivações e 20% dizem que os desafios maiores estão na própria sociedade. Com isso pudemos perceber que é elevado o índice de profissionais que não escolheram tal profissão por reunir as características necessárias ou pela paixão, mas foram incluídos a esse contexto de maneira casual, alguns permanecem por descobrirem-se capazes de serem educadores ao longo do tempo, porem, outros ainda parecem estar perdidos com relação a esse contexto. Além disso, o educador tem um perfil de constantes lutas internas e externas porque precisa aplicar sua vontade de transformar a sociedade e ver o crescimento pessoal do educando, mas encontra nos próprios educandos e na sociedade suas maiores desmotivações, além de ter que suportar dos próprios colegas de profissão o desânimo que se instala após anos de luta e com isso pode muitas vezes sentir-se um solitário sonhador. 4.2 O propósito de ser educador Com a finalidade de descobrir se os educadores tem um propósito que os motiva a prosseguir, perguntou-se se eles sentem-se realizados com sua escolha Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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profissional. Analisamos que apenas 60% dos profissionais sentem-se plenamente realizados e os outros 40% não. Concluímos com esse resultado que muitos fizeram essa escolha profissional sem pensar no propósito a ser alcançado, é uma realidade um tanto assustadora, pois a falta de realização profissional é decorrente de motivos diversos, dentre os quais podemos destacar a falta de paixão pelo que faz, que consequentemente produz uma atividade sem propósito. Como um educador que não se sente realizado poderá motivar o crescimento pessoal do educando e a transformação social? Embora esses índices sejam tristes de analisar, devemos nos encorajar para promover mudanças significativas, buscando valorizar e restaurar as motivações que muitos profissionais perderam ao longo dessa caminhada, e ainda, definir o propósito que será como alicerce nessa construção para melhorias.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Considera-se que o propósito de ser educador pode ser construído a partir da escolha pessoal e encontro de cada educando com sua consciência, pois a partir deste é que pode sondar suas reais intenções, e mudar o rumo de suas escolhas. Esse encontro é não somente necessário, mas essencial para que o educador, ainda que encontre tantas dificuldades e desafios no seu dia-a-dia, possa ver para a sociedade esperança de melhorias, e no ato de educar ver possibilidades. Para os que se encontram insatisfeitos, a oportunidade de reavaliar e também procurar se encontrar no que pode lhe trazer satisfação será importante para reposicionar-se como individuo, pois pessoas insatisfeitas produzem insatisfações. O propósito é o que fortalece o educador em seus momentos de angustia, é o que lhe motiva a desenvolver planos inovadores de ensino e o faz sensível às necessidades dos educandos, é o que dá razão para levantar e prosseguir. Há uma cena em Alice no País das Maravilhas em que Alice, desorientada, vê o gato na árvore e pergunta: para onde vai essa estrada? O gato replica: Para onde você quer ir? Ela diz: Não sei, estou perdida. O gato retruca: Para quem não sabe aonde vai, qualquer caminho serve. Saber o propósito é saber qual caminho seguir.

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Portanto, ser educador é ser livre para transformar, acreditar que sua influencia na vida de um educando hoje pode ajudá-lo a realizar melhores escolhas no amanhã. É ser satisfeito com o que faz e não simplesmente conformado.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CORTELLA, Mario Sergio. Não nascemos prontos! Provocações Filosóficas. Rio de Janeiro. 9° ed. Ed. Vozes, 2009. FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro. Ed. Paz e Terra, 2005. KIVITZ, Ed Rene, Vivendo com Propósito. São Paulo. Ed. Mundo Cristão. 2003. LUCKESI, Cipriano Carlos. Filosofia da Educação. Ed. Cortez. 1994. MISCHALISZYN, Mario Sergio. Educação e Diversidade. Curitiba: Ibepx, 2008.

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UMA ABORDAGEM JURÍDICA SOBRE A SOJA TRANSGÊNICA NA AGRICULTURA BRASILEIRA E REGIÃO NORTE DO ESTADO DE MATO GROSSO Cícero Hélio Ferreira Da Silva13 Edina Ferreira Bueno14 Tatiana Fagundes De Souza Tauchert15

RESUMO A presente pesquisa procurou descrever o arcabouço legal relacionado ao cultivo da soja transgênica no Brasil, o qual tem provocado inúmeras questões de cunho socioeconômico e várias controvérsias na regulamentação dos organismos geneticamente modificados. Buscou-se apresentar um breve histórico sobre a evolução da agricultura mundial e brasileira, bem como, relatar alguns conceitos sobre a biotecnologia e biossegurança. Descreve as normas jurídicas brasileiras relacionadas ao tema, haja vista a busca incessante do operador do direito brasileiro codificar essa nova tecnologia utilizada na agriculta moderna, tendo como foco a aprovação deste tipo de cultura no mercado interno e externo sob os olhares atentos da Constituição Federal. Palavras-chave: Transgênicos. Biossegurança. Regulamentação.

1 INTRODUÇÃO A produção agrícola de produtos geneticamente modificados no Brasil ainda é um assunto que tem gerado muita discussão envolvendo de um lado, os produtores 13

Acadêmico do 1º semestre do Curso de Direito da Faculdade La Salle de Lucas do Rio Verde. cicerohelio@hotmail.com 14 Acadêmica do 1º semestre do Curso de Direito da Faculdade La Salle de Lucas do Rio Verde. edina_buena@hotmail.com 15 Acadêmica do 1º semestre do Curso de Direito da Faculdade La Salle de Lucas do Rio Verde. tati_kstoledo@hotmail.com Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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rurais brasileiros, e noutro os consumidores, que possuem muitas dúvidas sobre a nova tecnologia. No Brasil a discussão teve início em 1998 a partir de uma ação conjunta movida na 6ª Vara de Justiça Federal pelo Greenpeace e o Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC) contra a empresa Monsanto e o governo, haja vista a aprovação da produção da soja Roundup Ready. Conforme o site oficial do Greenpeace Brasil (2005) o fato cominou numa moratória judicial que perdurou por três anos. A Lei 11.105, de 24 de março de 2005, que estabeleceu normas de segurança e mecanismos de fiscalização para o uso das técnicas de engenharia genética de plantas e animais nos casos de construção, cultivo, comercialização, consumo, liberação e descarte no meio ambiente de organismos geneticamente modificados, bem como, criou no âmbito federal a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, regulamentando o artigo 225, § 1º, incisos II, IV e V da Constituição Federal, autorizou o cultivo e a comercialização de produtos transgênicos no Brasil. A problemática envolvida nesse estudo aporta-se em Vialli (2011) o qual explica que o país atualmente cultiva uma área de 4 milhões de hectares, sendo o segundo maior produtor de soja transgênica no mundo. Em 2010 foram plantados 25,4 milhões de hectares de lavoura de soja geneticamente modificada, apresentando um aumento de 19% da área cultivada em relação ao período anterior. Desde 2001, Mato Grosso é o maior estado produtor de soja. Conforme o site Expressomont (2011), na safra 2010/2011, 65% da área cultivada destinou-se a modalidade transgênica. Estima-se que na safra 2011/2012 o estado superará a marca de 80% de toda área cultivada, o que representa um incremento de 15% a mais do ano anterior. A agricultura moderna utiliza-se de tecnologias antes nunca utilizadas, são muitos os desafios para um país que anda a passos largos. Criar normas regulamentadores que orientem o operador do Direito, dando condições de conduzir sua tarefa de garantir o acesso a justiça a todos os brasileiros. A partir da liberação da produção, comercialização e industrialização de produtos transgênicos no Brasil, como se deu a evolução e adequação das normas do direito brasileiro para essa nova tecnologia?

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Assim, pretendeu-se com esse estudo, analisar, a partir da liberação da produção, comercialização e industrialização de produtos transgênicos no Brasil, como se deu a evolução e adequação das normas do direito brasileiro para essa nova tecnologia. As discussões a cerca dessa nova tecnologia não ficaram restritas as ciências agrárias. No direito brasileiro observa-se uma busca incessante para acomodar as opiniões que surgiram a partir da liberação de transgênicos no país. Procurando adequar-se as novas tecnologias utilizadas pela agricultura brasileira, o operador do direito precisa ampliar seu conhecimento, buscando conhecer a atividade agrícola, sua historia, os métodos empregados no plantio de novas culturas, bem como, equilibrar o crescimento do agronegócio e resguardando os direitos e garantias individuais e de biossegurança nacional.

2 REVISÃO DA LITERATURA Passemos a analisar alguns conceitos apresentados

pelos autores,

abordando um breve histórico sobre a agricultura mundial, a origem do organismo geneticamente modificado, bem como, apresentando conceitos a cerca do arcabouço legal abordado na pesquisa. 2.1 Breve Histórico Sobre a Agricultura Mundial Necessário se faz apresentar um breve histórico sobre a agricultura mundial, a qual visa melhor compreensão sobre o tema de estudo. Almeida (2004) estabelece cinco fases para caracterizar o surgimento da agricultura no mundo: a) Na primeira fase a característica principal é a prática da coleta, da caça, do cultivo primitivo sobre queimadas e desmatamentos sumários, trata-se do período primitivo, onde o homem buscava na natureza tudo que necessitava para seu sustento, ou seja, a sobrevivência humana. b) Foi na segunda fase que surgiu uma agricultura mais organizada, de aproveitamento, sendo utilizado como operários os escravos ou servos ligados a nobres e ao clero. Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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c) Na terceira fase, já na idade média, organizam-se as primeiras unidades agrícolas, denominada de feudos, grandes extensões de terras fornecidas pela igreja e pelos senhores feudais, ainda nesta fase, após a Revolução Industrial o processo toma novo ritmo, impulsionado pela tração animal, reavivando uma técnica antes utilizada. d) Quarta fase, fim do século XIX e durante todo século XX, a agriculta evoluiu gradativamente de atividade de sustento para atividade econômica, motivada pelo regime capitalista, nessa fase a modernização da atividade agrícola deveu-se pelo surgimento de métodos científicos e técnicos de “libertação” da atividade produtiva dos contratempos do meio físico, ou seja, passa a utilizarse de conhecimentos empíricos acumulados. e) A quinta fase, final do século XX, a agricultura passa ser tratada através de gestão, conservação e recuperação do meio ambiente global, passando a ter uma maior preocupação com os métodos utilizados pelo homem. Em 1848 surgem os primeiros cursos de agricultura, influenciados pelas ciências biológicas e, sobretudo da química. A visão global trouxe uma definição mais ampla, buscando-se a ecologia aplicada à produção das populações de plantas cultivadas e ao melhoramento dos solos agrícolas, surgindo aqui a agronomia moderna. Nos últimos dez anos, tem-se observado aumento significante das áreas cultivadas, o surgimento de novas culturas, e em especial a implementação de novas tecnologias, tal como o cultivo de produtos agrícolas geneticamente modificados. Os primeiros estudos sobre transgênicos foram conduzidos nos Estados Unidos, França e Republica Popular da China, que foi o primeiro país a comercializar sementes geneticamente modificadas. Em 1994 os Estados Unidos iniciaram

o plantio do

tomate

de

maturação

prolongada (ROESSING E

LAZZAROTTO, 2005). A partir de 1997 a área de produção mundial de produtos geneticamente modificados não parou de crescer, destacando-se nesse cenário a soja com resistência ao herbicida glifosato, atualmente ela é a cultura transgênica de maior exploração no mundo, respondendo por 61% da área global cultivada com Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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transgênicos. Em 2003 cinco países respondiam por 98,8% da área mundial cultivada com transgênicos: Estados Unidos (63,2%), Argentina (20,5%), Canadá (6,5%), Brasil (4,4%) e China (4,1%) (ROESSING E LAZZAROTTO, 2005). 2.2 A Origem do Organismo Geneticamente Modificado e a Contribuição Estatal ao Desenvolvimento da Produção Atualmente a biotecnologia representa de modo geral uma nova fronteira da ciência, tratando-se de pesquisas das células-tronco, da engenharia genética e da pesquisa e produção de na construção, cultivo, manipulação, transporte, comercialização, consumo, liberação e descarte do Organismo Geneticamente Modificado (OGM), visando a proteger a vida e a saúde do homem, dos animais e das plantas, bem como o meio ambiente. Os OGM trazem em seu conceito uma mudança genética de sua combinação, ou seja, são organismos que sofreram uma recombinação de sua estrutura. Seu desenvolvimento ocorre através do cruzamento de novas variedades vegetais a fim de se obter plantas mais produtivas ou resistentes a pragas. Portanto OGM é definido por todo e qualquer organismo que sofre alguma interferência humana em seu genoma, seja pelo simples melhoramento genético (técnica que consiste em cruzar os organismos até que se tenha o melhor genoma selecionado), seja pela manipulação direta dos genes a partir da Engenharia Genética (SIRVINSKAS, 2009). De acordo com o site Biotec AHG (2009) as técnicas modernas da engenharia genética permitem que se retirem genes de um organismo e se transfiram para outro. Esses genes “estrangeiros” quebram a sequência de DNA – que contem as características de um ser vivo, organismo receptor, que sofre uma espécie de reprogramação, tornando-se capaz de produzir novas substâncias. Esses são os chamados transgênicos ou organismos geneticamente modificados OGM. De acordo com o Site do Planalto (2005) a Lei de Biossegurança nº 11.105 de 24 de março de 2005 regulamenta os incisos II. IV e V do § 1º do art. 225 da Constituição Federal, estabelecendo normas de segurança e mecanismos de fiscalização para o uso das técnicas de engenharia genética de plantas e animais Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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nos casos de construção, cultivo, comercialização, consumo, liberação e descarte no meio ambiente de organismos geneticamente modificados, bem como, criou no âmbito federal a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança. A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança tem como objetivo a adoção de medidas preventivas de segurança no interior de cada entidade ou instituição que vir a realizar a manipulação de OGM e avaliar os eventuais riscos dessas atividades para a população e o meio ambiente (SIRVINSKAS, 2007). Entende-se, portanto que liberar a produção de OGM é concordar em colocar no meio ambiente organismos que irão modificá-lo. A partir desse incentivo federal à produção de alimento transgênico é levado a um nível intenso de fiscalização e avaliação desse OGM, onde estudiosos desenvolveram pesquisas que demonstraram melhoria na qualidade desses produtos geneticamente modificados em laboratórios. Também se atenta para a redução de custos que se tem na produção, onde os alimentos transgênicos se tornam além de mais nutritivos mais baratos. Ressalta-se também o fato da necessidade da mudança em âmbito mundial, pois a produção convencional não seria mais capaz de suprir a necessidade da população. Dessa forma tomam-se as inovações no campo da biotecnologia e seus reflexos no meio jurídico, desde as primeiras normas até a legislação atual e com base nas informações obtidas, faz-se uma verificação daquilo que se pretende com o advento da Lei de Biossegurança. A evolução técnica e científica dos meios de produção torna cada vez mais evidente que os OGM e os alimentos obtidos através da engenharia genética deixam de ser apenas debate científico e se aproximam do mercado consumidor e da população em geral, sendo produzidos em escala comercial. Hoje no Brasil o consumo de produtos que tem como matéria prima OGM ou seus derivados é elevado e subestima-se que nos próximos anos o aumento seja ainda mais considerável. As atividades de pesquisas científicas, o desenvolvimento tecnológico e a produção industrial podem ser realizados por entidades de direito público e privado, sendo responsáveis pelos eventuais danos causados ao homem, aos animais, as plantas e ao meio ambiente.

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2.3 Arcabouço Legal Sobre a Regulamentação da Produção de Transgênicos Segundo a Revista Visão Jurídica (2011) a biotecnologia brasileira é um setor regulado por meio de códigos de ética e controles de qualidade internos realizados pelas próprias empresas biotecnológicas, estabelecido por meio dos diversos instrumentos normativos em matéria de análise do risco e direito sancionador, ou seja, o direito punitivo aplicando sanção e estabelecendo mecanismos de pósautorização, por exemplo, como a rotulagem específica para os transgênicos. A estrutura regulatória brasileira em matéria de biotecnologia é atualmente orientada pelo princípio da precaução, consagrado na Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (ECO 92), reunida no Rio de Janeiro, em 1992

onde foi estabelecida a Declaração do Rio de Janeiro sobre

meio ambiente e Desenvolvimento, a qual dispõe em seu princípio nº 15: Com o fim de proteger o meio ambiente, o princípio da precaução deverá ser amplamente observado pelos Estados, de acordo com suas capacidades. Quando houver ameaça de danos graves ou irreversíveis, a ausência de certeza científica absoluta não será utilizada como razão para o adiamento de medidas economicamente viáveis para prevenir a degradação ambiental.

No Direito brasileiro esse princípio é visto como excesso de cautela, ou seja, todos os elementos que eventualmente possam causar efeitos adversos aos consumidores e ou ao meio ambiente são mensurados no procedimento de autorização. Assim, a possibilidade da ocorrência de efeitos negativos, é levada em consideração (in dúbio pro malo) para eventualmente opor-se a autorização do produto biotecnológico. O princípio da precaução e o excesso de cautela, portanto são as essências da estrutura regulatória dos transgênicos no Brasil. Este princípio encontra-se inserido em duas convenções internacionais assinadas, ratificadas e promulgadas pelo Brasil. São elas a Convenção sobre Diversidade Biológica, promulgada pelo Decreto 2.519, de 1998 (DOU 17.03.1998), e a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do clima (em seu art. 3º) ratificada pelo Decreto Legislativo 1º, de 03.02.1994, tendo passado a vigorar no Brasil em 29.05.1994. Sendo assim, comprova-se que tal princípio é direito positivado no Brasil (MACHADO, 2007). Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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O procedimento de autorização é realizado separadamente, “um por um” e sua estrutura é feita com base no sistema de análise de risco, ou seja, todo produto transgênico é considerado de forma singular e deve ser aprovado por meio de um procedimento de autorização complexo, lento e rigoroso. Primeiramente a regulamentação da pesquisa, produção e exposição à venda de produtos alimentícios transgênicos, no país, obedece, a princípios da Constituição Federal, no art. 225, parágrafo 1.º, incisos II: Preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético; IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade; V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente; V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente.

2.4 Princípios da Rotulagem dos Transgênicos Quanto à rotulagem de alimentos embalados que contenham ou sejam produzidos com organismos modificados dispõe o Decreto n.º 4.680, de 24 de abril de 2003, vale destacar a importância do artigo 2o do referido Decreto: Na comercialização de alimentos e ingredientes alimentares destinados ao consumo humano ou animal que contenham, ou seja, produzidos a partir de organismos geneticamente modificados, com presença acima do limite de um por cento do produto, o consumidor deverá ser informado da natureza transgênica desse produto.

Porém o percentual referido no caput do artigo 2º poderá ser reduzido por decisão da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) (Art. 2o, parágrafo 4o). Trata-se de importante conquista dos consumidores brasileiros, que prevê mecanismos de controle pós-autorização, como rotulagem específica para os transgênicos e seus derivados. Neste sentido, o que dispõe o Código de Defesa do Consumidor, Lei n.º 8.078, de 11 de setembro de 1990, em seu art. 12: O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro e o importador respondem independentemente da existência de culpa, pela Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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reparação dos danos caudados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos.

A regulação em matéria de biotecnologia é realizada atualmente por meio da Lei 11.105/2005, que tem como objetivo estabelecer normas de segurança e mecanismo de fiscalização sobre a construção, o cultivo, a produção, a manipulação, o transporte, a transferência, a importação, a exportação, o armazenamento, a pesquisa, a comercialização, o consumo, a liberação no meio ambiente e o descarte de OGM e seus derivados, tendo em vista a proteção a vida e a saúde do homem, dos animais e das plantas, bem como o meio ambiente. Com a complexidade dos direitos e deveres envolvidos na aplicação da lei e seus regulamentos e outros princípios do Direito Ambiental, como o da prevenção, da proteção ambiental, do desequilíbrio na cadeia de sustentação, dentre outros, a lei 11.105/2005 não é suficientemente explícita, por isso veio o Decreto 5.591, de 22.11.2005, oito meses após a sanção da Lei. Sendo que os dispositivos do Decreto são de natureza administrativa. A regulação pública de caráter repressivo tem como objetivo reforçar as disposições de caráter preventivo. Neste sentido, a Lei 11.105/2005 prevê dispositivos de Direito Administrativo Sancionador e Direito Penal para assegurar o cumprimento do procedimento de autorização que deve ser realizado para a liberação comercial dos produtos biotecnológicos.

3 METODOLOGIA Quanto à natureza da pesquisa foi um estudo documental, tendo como embasamento teórico autores e leis que discutem a temática. Quanto aos objetivos esse estudo caracterizou-se como descritivo, pois objetivou analisar, a partir da liberação da produção, comercialização e industrialização de produtos transgênicos no Brasil, como se deu a evolução e adequação das normas do direito brasileiro para essa nova tecnologia. Quanto aos procedimentos de análise utilizou-se o método funcionalista, com objetivo maior de interpretação das discussões acerca do tema abordado. Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS Os produtores rurais brasileiros, a exemplo dos norte-americanos, chineses e franceses, vêm buscando aumentar sua lucratividade através da implantação de novas tecnologias. A soja transgênica implantada no Brasil pela empresa Monsanto é fruto dessa busca por melhores resultados. Apesar da cultura transgênica ser uma realidade na agricultura moderna mundial, no Brasil, o assunto só recebeu destaque a partir de 1998, sendo legalizada através da Lei nº 11.105, de 24 de março de 2005 que regulamentou os incisos II. IV e V do § 1º do art. 225 da Constituição Federal, estabelecendo normas de segurança e mecanismos de fiscalização para o uso das técnicas de engenharia genética de plantas e animais nos casos de construção, cultivo, comercialização, consumo, liberação e descarte no meio ambiente de organismos geneticamente modificados, bem como, criou no âmbito federal a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança. O Decreto n.º 4.680, de 24 de abril de 2003, estabeleceu que na comercialização de alimentos e ingredientes alimentares destinados ao consumo humano ou animal que contenham, ou seja, produzidos a partir de organismos geneticamente modificados, com presença acima do limite de um por cento do produto, o consumidor deverá ser informado da natureza transgênica desse produto, atendendo assim o principio da precaução, consagrado na Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (ECO 92), reunida no Rio de Janeiro, em 1992

onde foi estabelecida a Declaração do Rio de Janeiro sobre

meio ambiente e Desenvolvimento, a qual dispõe em seu princípio nº 15: Conforme Vialli (2011) o Brasil é o país onde o cultivo lavouras transgênicas mais avança no mundo, apresentando um aumento de 19% ou 4 milhões de hectares em 2010, em relação ao ano de 2009. Atualmente o estado de Mato Grosso é o maior produtor de soja. Da safra 2010/2011, 65% da área cultivada destinou-se a modalidade transgênica. Estima-se que na safra 2011/2012 o estado superará a marca de 80% de toda área cultivada, o que representa um incremento de 15% a mais do ano anterior. Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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Apesar de todos os benefícios trazidos pela nova tecnologia o site SÓ NOTÍCIAS (2005) publicou uma matéria apontando a preocupação dos produtores rurais da região norte do estado em relação às perdas apuradas na última safra, comentando estudo sobre a necessidade de manutenção de 20% a 25% do plantio da soja convencional, haja vista a diminuição da cadeia de sustentação da cultura mato-grossense. Em síntese, apesar da implementação da Lei nº 11.105/2005 e do Decreto nº 4.680/2003, o legislador brasileiro precisará regular essa nova pratica, mantendo o foco da ECO 92, dando sustentabilidade a manutenção do plantio orgânico da soja convencional, ou seja, preocupando-se com a cadeia de sustentabilidade da mesma, bem como, mantendo a lucratividade almejada pelos produtores rurais brasileiros.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS A biotecnologia tem motivado a implementação e evolução de normas internacionais e nacionais, suscitando polêmicas diversas, de ordem social, política, econômica, e principalmente jurídica. Há uma diversidade de leis, decretos, decretos-lei, instruções normativas, recomendações sobre a matéria, logo desafia o operador do direito a manter-se na vanguarda desse novo paradigma. Devido à mudança do cenário mundial em relação ao cultivo de soja transgênico citado neste artigo, houve a necessidade dos legisladores criarem a Lei 11.105, de 24 de março de 2005, que no momento é a que mais tem solucionado discussões a cerca do tema, criando assim uma maior repressão aos que lidam com produtos geneticamente modificados. Assim esta apresentação da estrutura em nível mundial e regional comprova que o Brasil, o segundo maior produtor de agricultura biotecnológica do mundo, conta com um sistema regulatório completo e rigoroso. Mesmo havendo polêmicas, é fato que a proteção dos consumidores e do meio ambiente com relação às atividades biotecnológicas está devidamente garantida e fundamentada pelo ordenamento jurídico brasileiro.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, Jalcione. A agronomia entre a teoria e a ação. 2004. Disponível em <http://www6.ufrgs.br/pgdr/arquivos/423.pdf > acesso em 23/05/2011. AZEVEDO, Plauto Faraco de. Ecocivilização: Ambiente e Direito no Limiar da Vida. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2008. BRASIL. Constituição Federal. 48. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. BRASIL. Código de Defesa do Consumidor, Lei n.º 8.078 de 11 de setembro de 1990, em seu art. 12: Declaração do Rio de Janeiro sobre meio ambiente e desenvolvimento. Disponível em <http://www.ufpa.br/npadc/gpeea/DocsEA/DeclaraRioMA.pdf> acesso em 23/05/2011. LAKATOS , E. M.;MARCONI, M. A. Fundamentos de metodologia cientifica. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2001. Lucas do Rio Verde é o maior município produtor de soja transgênica no nortão.2005. Disponível em <http://www.sonoticias.com.br/noticias/7/448/lucas-dorio-verde-e-o-maior-municipio-produtor-de-soja-transgenica-no-nortao> acesso em 23/05/2011. VIALLI, Andrea. 2011. Plantação de transgênicos avança no Brasil e cresce 19% em apenas um ano. Disponível em <http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110223/not_imp683297,0.php > acessado em 25/05/2011. O contexto político dos transgênicos no Brasil. 2005. Disponível em < http://www.greenpeace.org/raw/content/brasil/documentos/transgenicos/greenpeace br_050430_transgenicos_documento_contexto_politico_port_v1.pdf> acesso em 23/05/2011. ROESSING, Antônio Carlos; LAZZAROTO, Joelsio José. Soja transgênica no Brasil: situação atual e perspectivas para os próximos anos. Disponível em <http://www.sober.org.br/palestra/2/186.pdf> acesso em 23/05/2011. Regulamentação de Transgênicos. Disponível em <http://www.biotecahg.com.br/index.php/pt/acervo-de-materias/regulamentacao/512-regulamentacaode-transgenicos-na-europa> acesso em 23/05/2011 . REVISTA VISÃO JURÍDICA. São Paulo: Editora Escala, 2011. SIRVINSKAS, L. P, Manual de Direito Ambiental, 7. Ed.São Paulo, Saraiva, 2007. Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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Soja transgênica ocupa grande área e preocupa produtores de Mato Grosso. 2011 Disponível em < http://www.expressomt.com.br/noticia.asp?cod=134576&codDep=6> acesso em 25/05/2011. Subchefia para Assuntos Jurídica .Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/lei/L11105.htm> acesso em 14/05/2011.

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RELATÓRIO DE ATIVIDADE DE EXTENSÃO: Kathekesis Formação Teológica - Pastoral

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RELATO: CURSO DE EXTENSÃO EM KATHEKESIS Ir. José Kolling16 Inspirados em São João Batista de La Salle, que atento à situação de abandono e carências educativas, “descobriu, à luz da fé, a missão de seu Instituto, como resposta concreta a sua contemplação do desígnio salifico de Deus” (REGRA DOS IRMÃOS DAS ESCOLAS CRISTÃS, 1997, p. 11) motivou a estruturação do curso de extensão – Kathekesis - formação em teologia pastoral, já em sua terceira edição, que atento e impressionado nasceu de uma escuta atenta da realidade em que a faculdade está inserida; da constatação das carências formativas dos agentes das diversas pastorais e de solicitação dos próprios catequistas e lideranças das Comunidades. Sentindo os próprios limites de seu processo formativo, aliaram-se ao propósito da Faculdade que em sua filosofia e missão busca “promover o desenvolvimento integral da pessoa e a transformação da sociedade através da educação humana e cristã, solidária e participativa”. Este projeto de curso de extensão intenciona ser uma oportunidade de desenvolvimento dos agentes pastorais

e

lideranças

das

comunidades

das

paróquias

da

microrregião,

proporcionando uma formação com fundamentos e princípios bíblico-teológicolitúrgico-pastorais, fortalecendo o compromisso batismal e impulsionando a vivência da fé, numa linguagem inculturada e fiel a mensagem do Evangelho. Para tanto, foram apresentados alguns critérios aos participantes, tais como, motivação e empenho na participação do curso; disposição interna para desconstruir imagens, conceitos e experiências aprendidas; disponibilidade de tempos para estudo e aprofundamento dos temas e disposição para pontualidade e assiduidade ao curso. O curso busca “pensar o aqui e agora dos participantes”, isto é, a formação está voltada para que os participantes tenham condições de sistematizarem seus próprios conhecimentos, aprofundando as temáticas estudadas em cada módulo através de subsídios e livros de referência adotados e ou sugeridos pelos

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Integrante do Núcleo de Pesquisa, Pós-Graduação e Extensão – NPPGE – e Professor da Faculdade La Salle de Lucas do Rio Verde/MT Cadernos de Pesquisa e Extensão Ano 03, N. 03, nov/2011

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assessores. Para tanto, o curso fomenta duas dimensões: a) intelectual, ou seja, a apropriação do conteúdo bíblico-teológico-pastoral e das ciências humanas, tais como: a psicologia, a pedagogia, a antropologia e a sociologia; e b) a dimensão vivencial: dinâmicas de grupo, testemunhos, partilhas, momentos celebrativos [...]. A busca do conhecimento como processo de construção pessoal e coletiva precisa ser a tônica na atuação dos catequistas e agentes de pastoral. No entanto, o que se reconhece na prática são pessoas com grande desejo e boa vontade de colaborar, de participar, e construir a comunidade, mas com carências teóricas básicas que interferem diretamente na qualidade de sua práxis. Acreditamos que a “comunidade em pastoral não apenas organiza e se limita a liturgia dominical e a iniciação catequética”. Ela deve construir “uma instância unitária de humanização de toda a realidade social” (adaptado de DULLIUS, 2006, p. 23). Em 2011 a oferta do curso de extensão “Kathekesis” está se realizando em parceria com a Paróquia Nossa Senhora de Aparecida do Município de Tapurah. Nos módulos iniciais houve a participação efetiva de em torno de 65 participantes. Agora nos módulos finais esse número caiu um pouco, tendo uma média ente 40 e 45 cursistas presentes. Dos 23 módulos previstos com temas específicos para cada encontro, já foram desenvolvidos 20 temáticas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS INSTITUTO DOS IRMÃOS DAS ESCOLAS CRISTÃS. Regra. Roma: 2000 PROVÍNCIA LASSALISTA DE PORTO ALEGRE. Plano de Pastoral. Porto Alegre: 2010-2012 FACULDADE LA SALLE. Projeto de Curso de Extensão: Kathekesis. Lucas do Rio Verde: 2009

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Caderno de Pesquisa e Extensao - 3ª Edição  

Cadernos de Pesquisa e Extensão | Ano III | Edição nº 03 | out/2013 | Lucas do Rio Verde-MT

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