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BAGÉ, 16 DE ABRIL DE 2018

A discussão sobre as possíveis ameaças ao Rio Camaquã

ESPECIAL

Créditos: Fábio Quadros/SUL21

BIOURCAMP: PELA PRESERVAÇÃO DO BIOMA PAMPA Créditos: Anabela Deble

A promoção do conhecimento em prol da conservação dos Campos Sulinos


2

Editorial por Augustho Soares

E

m um momento em que a natureza se encontra fortemente ameaçada pela ambição humana, o BioUrcamp se fortalece e se torna mais do que um evento institucional. Hoje, a iniciativa que começou como um projeto do curso de Biologia da Universidade da Região da Campanha, se transformou num momento de debates e trocas de informações, para que possamos aproveitar o meio ambiente e contribuir para sua preservação, enquanto há tempo. Nos últimos oito anos, milhares de pessoas já passaram pelas diversas atividades oferecidas pelo evento, que engloba palestras, rodas de conversa, oficinas, exposições, atividades pedagógicas, intervenções, apresentações artísticas e culturais. Além de proporcionarem conhecimento, estas ações nos conscientizam sobre a importância da natureza para as nossas vidas e para os demais seres vivos que dividem estas terras conosco. No Brasil, o Bioma Pampa é exclusivo do Rio Grande do Sul e ocupa 178.243 km², o que corresponde a 63% do território estadual. Os Pampas exibem um imenso patrimônio cultural associado à sua

biodiversidade, que conta com mais de 500 espécies de aves e cerca de cem tipos de mamíferos terrestres. As paisagens naturais do bioma são caracterizadas pelo predomínio dos campos nativos, mas há também a presença de matas ciliares, matas de encosta, formações arbustivas, butiazais, banhados, afloramentos rochosos, etc. Sendo assim, este caderno foi desenvolvido com a intenção de promover a visibilidade deste projeto e busca conscientizar a população sobre a importância do Bioma Pampa. Uma equipe formada por acadêmicos do quinto semestre de Jornalismo, sob a supervisão da professora responsável pela disciplina de Seminário Integrado em Jornalismo I, uniu-se à comissão organizadora desta iniciativa, que já tem tradição na luta pela preservação. Não podemos deixar que um evento como o BioUrcamp passe despercebido aos olhos da comunidade regional. Da mesma forma, não devemos permitir que nossas terras sejam utilizadas de maneira abusiva e visando apenas o lucro de uma minoria da população. Na preservação do Bioma Pampa, somos agentes fundamentais de mudanças.

Expediente

Mostra de arte retrata a importância da conservação do Bioma Pampa Fotos: Cristiane Ramires

Exposição foi marcada por obras de artista que trabalham em prol da preservação das águas e do meio ambiente

A

exposição

“Artis-

vura em metal, e fotografias,

linguagem.

tas Defensoras do

produzida para o projeto

Para Carmem a exposi-

Bioma Pampa”, coordenada

“Conversa entre Patrimô-

ção trouxe a importância

por Carmem Barros e Maria

nios e Gente – Caminhos

de pensar no coletivo. “Se

Luiza Cardoso Pêgas, tam-

das águas”. Poemas tam-

cada um cuidar do seu lu-

bém integrou a oitava edi-

bém compuseram a mostra,

gar, a gente está cuidando

ção do BioUrcamp, e acon-

como forma de apresentar a

do mundo de uma forma

teceu na quinta-feira, dia

temática, através da arte da

conjunta”, concluiu.

05. A mostra contou com obras cujo objetivo é alertar sobre a conservação do Bioma Pampa. Além a sensibilidade mais profissional, o evento teve, também, trabalhos feitos por crianças, que participam do projeto “Conheça o Pampa”. As obras da exposição concentraram três diferentes técnicas, quadros pintados por lápis aquarela, gra-

A atividade, segundo Carmen Barros, buscou mostrar aos visitantes a importância de pensar coletivamente pelo bem da natureza

Coordenação

Supervisão:

Edição:

Diagramação:

Glauber Pereira

Graciela Freitas

Augustho Soares

Marcelo Rodríguez

Jornal Minuano Laboratório da FACOS/ URCAMP.

Caderno especial, desenvolvido por alunos do 5º semestre do curso de Jornalismo. Proibida comercialização independente.


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Abertura do 8 BioUrcamp reúne comunidade acadêmica o

por Gabriel de Bem

A

abertura da oitava edição do BioUrcamp, que aconteceu na sexta-feira, 6 de abril, às 19h, no auditório do campus rural da Instituição, reuniu estudantes, professores, autoridades acadêmicas e o público em geral para oficializar o evento, dando maior visibilidade às atividades. Durante a abertura, foi apresentado ao público o vídeo “Aqui Não!”, que ressalta a importância da preservação do ecossistema presente no Alto Camaquã. O primeiro BioUrcamp foi um projeto piloto, pois havia a necessidade de discutir mais os problemas ambientais do Bioma Pampa. Com o sucesso do evento, há dois anos, se tornou institucional. Ele faz parte da Universidade, registrado no MEC (Ministério da Educação) como evento ambiental de todos os cursos da Ur-

camp. A Vice-Reitora, Núbia Juliani, avalia o BioUrcamp como “muito positivo”, e aponta três pontos fortes do evento. “A congregação de vários cursos que testemunhamos neste momento, a Mostra Científica e a vivência de acadêmicos e professores de conviver com a natureza, de perceber a importância do nosso pampa e o cuidado que devemos ter com o meio ambiente”, destaca a Vice-Reitora. Para a Pró-Reitora Acadêmica, Virgínia Dreux, uma das questões mais importantes do evento é a sua consolidação ao decorrer dos anos. “Ele começou como um evento do curso de Biologia há oito anos e ao longo do tempo ele conseguiu agregar vários cursos de diversas áreas. Para nós é muito gratificante, pois conseguimos envolver os alunos, incentivan-

Foto: Gabriel de Bem

Em abertura, comissão organizadora ressalta a importância do BioUrcamp como evento agregador e de valorização ambiental do a iniciação científica e a apresentação de trabalhos. A intenção é essa, cada vez trazer mais pessoas para participar. Então acreditamos que o evento só tende a crescer”, ressalta a Pró-Reitora. Segundo a Coordenadora do curso de Biologia e idealizadora do BioUrcamp,

Ana Leão, o evento reúne alunos da universidade, acadêmicos de outras instituições e a comunidade em geral. “Eu me orgulho muito desse evento. É um momento de reflexão, de discussão e de aprendizado. É uma ocasião única. São três dias que valem o ano inteiro. É um lugar onde se troca mui-

tos conhecimentos na parte ambiental, que talvez no ano inteiro nós não tenhamos essa oportunidade. O evento não é só da Biologia, é de todos nós. Nós temos que ter este momento, para despertar nas pessoas a necessidade de cuidar do planeta. Principalmente do local onde estamos”, enfatiza.

Alto Camaquã Região localizada na Serra do Sudeste do Rio Grande do Sul, em um ambiente de alta conservação dos recursos naturais, caracterizado por mosaicos de campo e mato, solos rasos com afloramento de pedras e relevo acidentado.

Foto: Divulgação/ADAC


4 Cerca de 40 trabalhos participam da Mostra de Iniciação Científica por Larissa Macedo e Nadine Posqui Foram apresentados projetos nas áreas de Administração, Biologia, Farmácia, entre outros

Foto: Larissa Macedo

E

ntre os dias 5 e 6 de abril, cerca de 40 trabalhos foram apresentados na Mostra de Iniciação Científica do 8º BioUrcamp. Segundo a coordenadora do evento, Anabela Deble, a atividade possui uma enorme importância, pois reúne vários cursos da instituição para discutir sobre o mesmo assunto, que são as questões ambientais. Projetos das áreas de Administração, Biologia, Farmácia, entre outros, foram avaliados. Anabela comenta que 12

avaliadores estiveram encarregados da seleção dos melhores trabalhos. As alunas do quinto semestre de Farmácia, Natchelle Melo e Paola Furlan, apresentaram um projeto sobre os benefícios da Chia para a saúde (planta herbácea mais conhecida por sua semente, que é comercializada integralmente, moída ou em forma de óleo). Para elas, a mostra é uma oportunidade para agregar conhecimentos. Paula Sholant, acadêmica do oitavo semes-

tre de Administração, apresentou o trabalho “TI verde: Investindo práticas sustentáveis em universidades particulares de Bagé/RS”. Segundo a estudante, a Mostra de Iniciação Científica integrada no BioUrcamp é essencial para fazer os alunos refletirem sobre a importância da sustentabilidade nos outros cursos. “É pensar no todo, é pensar na sociedade, é pensar no nosso meio ambiente, porque se a gente não pensar, daqui algum tempo não vai existir mais”, ressalta Paula.

Fauna e Flora são assuntos do último dia do evento

por Gabriel Munhoz

N

a tarde do dia 7 de abril, um simpósio sobre fauna e flora ameaçada no Bioma Pampa integrou as atividades de encerramento do 8º BioUrcamp. O evento contou com as explanações do doutorando em Geografia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Rodrigo Pontes, e do biólogo e professor do curso de especialização em inventariamento e monitoramento de fauna da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Rafael Balestrin. Com um público formado por estudantes e produ-

tores rurais, Rodrigo apresentou algumas das floras que precisam ser protegidas da extinção, destacando entre ameaças, queimadas, mineração e ausência de polinizadores, que são vetores animais - fator biótico - responsáveis pela transferência de pólen das anteras de uma flor masculina para o estigma de flores femininas. A palestra buscou valorizar o patrimônio florístico regional, que hoje corresponde a 63% de sua área no Rio Grande do Sul e apenas 2% do território brasileiro. Na sequência, o biólogo

Rafael Balestrin apresentou as principais ameaças à fauna de escamados, uma das quatro ordens vivas da classe dos répteis, que ocorrem no Bioma Pampa do Rio Grande do Sul, e destacou os problemas referentes a sua conservação. “Mais do que apresentar as questões supracitadas, a palestra também teve por objetivo despertar o interesse do público acadêmico, principalmente os jovens estudantes em formação, para esta linha de pesquisa, buscando agregar valor humano na formação de futuros pesquisadores que

contribuam na resolução dos problemas abordados. Por fim, a participação em mesas de discussão com caráter multidisciplinar é sempre válida no sentido de observar os problemas pela visão de outros pesquisadores, favorecendo a quebra de paradigmas e novas percepções que, por consequência, podem promover novas abordagens metodológicas”, salientou o biólogo. Questionada sobre a importância do simpósio para a preservação do Bioma Pampa, a professora Anabela Deble, que atuou como mediadora da ativi-

dade, contou que o debate permitiu uma atualização de informações sobre a flora e a fauna silvestre da região. “Todas as cactáceas do pampa estão na lista de espécies ameaçadas da flora do Rio Grande do Sul, assim como os répteis. Estes dois grupos ocorrem em afloramentos rochosos e correm riscos de extinção pelos projetos de implantação de mineração no pampa. A apresentação do Grupo de Estudos em Animais Silvestres do Pampa contribuiu com informações atualizadas sobre a fauna silvestre na região”, destacou.


5 Debate sobre importância dos rios encerra a 8a edição do BioUrcamp por Melissa Louçan

T

ambém no sábado, no final da tarde, aconteceu uma roda de conversa sobre a “Importância dos Rios”, com ênfase na discussão sobre o pedido de mineração que a empresa Nexa Resources (antiga Votorantim Metais) solicitou para colocar em prática às margens do rio Camaquã. Participaram da atividade o professor coordenador do Instituto de Biologia da Universidade Federal de Pelotas (UfPel), doutor Althen Teixeira, e o doutor em Ecologia e ex-professor da Universidade Federal de Rio Grande (Furg), Antônio Libório Philomena. A produtora rural e moradora das margens do Camaquã e participante da União Pela Preservação do rio, Vera Collares, também participou da conversa, mediada pela professora Anabela Deble. Quem abriu a discussão foi Philomena, que classificou o novo prazo concedido à Nexa, pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), de mais seis meses, para esclarecer pontos do projeto, como uma armadilha montada pelo governo e pela mineradora para ganhar tempo e ver se o movimento contra a instalação acalma. Em seguida, ele apontou que o grande interesse na

região não é apenas pelo potencial minerador, e sim pelo baixo custo da água, utilizada em grande escala em projetos de mineração e, até mesmo, em lavouras, como de eucalipto. E isso, segundo ele, nunca deixa reflexos positivos para os municípios afetados. Outro dado apontado por ele foi o alcance da contaminação, que não ficará concentrada apenas na região onde será minerada. Isso porque o rio possui outros afluentes e ligação direta com a Lagoa dos Patos, o que poderia espalhar a contaminação por chumbo para todo o Estado, em diferentes níveis. O ecologista encerrou sua fala explanando sobre a necessidade de reconhecer o direito de entes não humanos, como um rio. Em seguida, Althen Teixeira, professor de Anatomia do curso de Veterinária da UFPel, utilizou uma analogia para explicar a importância dos rios para o meio ambiente, “Um rio chamado Sistema Circulatório”. Desta forma, comparou o sistema circulatório animal ao sistema circulatório da natureza, em forma de mananciais hídricos. O professor comentou, ainda, que há uma grande quantidade de projetos de exploração e mineração às

Professor Philomena destacou os efeitos negativos que a mineração causa ao meio ambiente

Fotos: Cristiane Ramires

O professor Althen Teixeira afirmou que se o Estado aprovar a instalação da mineradora, outras empresas, que também estão aguardando um posicionamento legal, poderão ter a mesma chance

A produtora rural, Vera Collares, reforçou a importância da união da comunidade a fim de impedir a instalação da mineradora

portas do Estado, aguardando o resultado do pedido da Nexa para se inserirem também no solo e água do Rio Grande do Sul. “Se abrir a porteira para um projeto, todos vão achar um jeito de

entrar”, destacou. Por fim, falou a produtora rural, Vera Collares, que salientou a grande mobilização em torno do rio. “É necessário que tomemos parte e nos tornemos atores das

questões que nos envolvem, não apenas em relação ao rio, mas a tudo na vida em sociedade. Temos que estar a par do que está acontecendo e propagarmos essa ideia”, disse.


6 Trilha Interpretativa: Instrumento para educação ambiental por Miqueli Romero

N

o dia 5, no Campus Central da Universidade da Região da Campanha, o BioUrcamp proporcionou aos participantes uma Trilha Interpretativa com o intuito de reforçar a educação ambiental entre os estudantes. Embora o conceito de trilha refira-se a um passeio atrativo pelo meio rural, a proposta foi

realizada dentro de uma sala de aula. Os visitantes, com os olhos vendados, só podiam fazer uso do olfato, audição e tato, dando espaço, assim, à imaginação, que, ao final do percurso era passada para o papel, por meio de um desenho feito por eles, a fim de expressar sua percepção sobre a trilha. O passeio abordou a evolução humana até os dias de hoje, com destaque à preservação dos recursos naturais.

Um dos organizadores do projeto, Fabrício Rodrigues, disse que a proposta do projeto é de aproximar e conscientizar os estudantes sobre a importância da preservação do Bioma Pampa. “Mostramos, resumidamente, em uma sala de aula, como a humanidade surgiu e como a tecnologia nos ajuda, mas, como ela também prejudica o meio ambiente”, disse. O estudante de Biologia

da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), Antonio Luiz Silveira, percorreu a

co da educação ambiental

trilha e relatou que é a ex-

sobre a proposta do BioUr-

periência foi bem empol-

camp, de realizar o evento

gante, principalmente, pelo

em dois locais diferentes, no

fato de não poder enxergar

Campus Central e Rural da

nada. “Achei bem legal! Re-

Universidade, unindo todos

conheci alguns objetos por

os cursos e possibilitando às

se tratar de algo que vimos

pessoas que não podem se

em nosso curso e por fazer

deslocar até o Campus Ru-

parte da criação também.

ral, vivenciar uma trilha e,

Um

de uma outra forma, fazer

projeto

interessante

para poder passar um pou-

Trilha percorre área preservada do Campus Rural

para as pessoas”, comentou. Fabrício

falou,

contato com a natureza.

Foto: Leonardo Jardim

por Gabriel de Bem

A

terceira edição da trilha do BioUrcamp aconteceu na manhã de sábado, dia 7, em meio à área preservada ao redor do Campus Rural da Universidade da Região da Campanha (Urcamp). O percurso foi planejado e dirigido pela professora e coordenadora do Curso de Biologia, Ana Leão. Participaram da trilha, que teve duração de três horas, mais de 40 pessoas. A caminhada iniciou pela mata mais densa, bem característica da mata ciliar da região, que protege a nascente do Arroio Bagé. A professora que liderou o grupo ressalta a beleza da trilha e o ponto de vista diferente que os participantes devem ter da natureza. “É uma trilha bem interessante. Mesmo

tendo as dificuldades de barranco, da sanga e das pedras, eu acho que para ser trilha, tem que ter dificuldade, senão, não tem graça. Sempre tem algo diferente a se observar, pois não é só caminhar. Precisamos observar os pequenos animais, insetos, a mata em si, o nosso riacho correndo, que aparecem habitantes nele, como caranguejos e até peixes. Uma água limpa da nascente que nós não temos tanta oportunidade de ver”, enfatiza Ana. O aluno do quarto semestre de Psicologia, Giovânni Costa, participou da trilha e destaca a união de todos em momentos de dificuldades no meio da mata. “É um reencontro com aquilo que é de mais natural em nós. De escalar, de sobreviver e de resistir.

É um retorno ao que há de mais humano em nós mesmo. Acho que a capacidade do convívio em grupo, em se ajudar nos momentos de dificuldades na mata nos dá um belo retorno de algumas capacidades humanas que, às vezes, a gente esquece”, declara. A aluna do oitavo semestre de Enfermagem, Carla Oliveira, comentou sobre a participação do Curso de Enfermagem durante a trilha. “Nós viemos aqui participar do BioUrcamp para prestar auxílio e primeiros socorros. No caso, acompanhar a trilha com o pessoal da Biologia. Caso necessitem, como estamos passando no mato fechado, tem vários barrancos, pedras e água. Estamos aqui para prestar essa ajuda”, explica.

ainda,

A atividade durou cerca de três horas e contou com a participação de 40 pessoas


7 Oficinas A interdisciplinares marcam primeiros dias do evento por Augustho Soares, Cristiane Ramires, Jéssica Pacheco e Chrystian Ribeiro

programação do BioUrcamp é sempre marcada pela presença de minicursos e oficinas, que oportunizam a troca de informações com profissionais qualificados em diversas áreas de atuação. Em sua oitava edição, o evento disponibilizou cinco atividades laboratoriais, que aconteceram

Equoterapia

entre a quinta e sexta-feira. Segundo

a

proporcionar a troca de

professora

informações

atualizadas

encarregada pelas oficinas

e integrar acadêmicos dos

do evento, Sílvia Oliveira,

cursos da Urcamp e pro-

a comissão que organiza o

fissionais interessados nas

BioUrcamp se concentrou

temáticas. “Garantimos que

em oferecer práticas de ca-

eles consigam conviver e

ráter interdisciplinar, com

possam trocar informações,

os objetivos de ampliar o

a fim de que tenham contato

conhecimento dos alunos,

com outros olhares”, afirma.

Plantas Alimentícias

No primeiro dia de

puderam montar, acari-

evento, a Fisioterapeu-

ciar e aprender os mo-

ta Marta Rover Duarte

vimentos da técnica na

apresentou uma palestra

prática.

sobre Equoterapia Xamã,

A Equoterapia caracte-

com o título “O Remédio

riza todas as práticas que

Vem a Cavalo”, onde con-

envolvem o cavalo para

tou suas técnicas e expe-

a terapia, desde técnicas

riências.

de equitação até outras

Logo após a palestra,

atividades equestres, que

Marta levou os alunos

objetivam a reabilitação

para demonstrações com

e/ou educação de pessoas

os cavalos, no campo de

com deficiência ou ne-

futebol do Corujão, onde

cessidades especiais.

N a man h ã do di a 5 de ab ri l , a ro t in a do l ab o rat ó ri o de N ut ri ç ão da Ur c amp fo i mo v i me n t ada p e l a o f i c i n a de P l an t as Al i me n t í c i as n ão Co nve n c i o n a i s ( PAN C) . O mi n i c u rs o , mi n i s t ra do pelas ac adêmi c a s An a Cl áu di a Co ut o ( B i o l o g i a ) e C a rl a Cl o qu e (G a s t ro n o mi a ) , t ro u xe a e s s ên c i a da s p l an t as

n ão c o nven c i o n a i s em nosso cardáp i o c o ti d i a n o . “E la s fo ram es que c i d a s . H o je, vo lta m p a ra a me s a , lug a r d e o n d e n u n c a d ever i a m ter s aído , p o i s a g reg a m mai s n utr i en tes à s nossas ref ei ç õ es ”, ju s t i f i c a a f utura B i ó l og a . A a ula reun i u p ro f es s o res e a c adêmi c o s d e B i o lo g i a, A r qui tetura ,

Pe d a g o g i a , D i rei to , E n g en h a r i a e A g ro n o m i a , a lé m d e estud a n tes d e B i o lo g i a d a U n i ver s i d a d e Fe d era l d e Pelo ta s (UFPEL). Organizada em d o i s m o m en to s , A n a C lá ud i a e C a r la ex p la n a ra m a te o r i a e, p o s ter i o r m en te, leva ra m o s p a r tic i p a n tes a c o lo c a r s eus c o n h e c i m en to s em p rá ti c a .

Coletar e estudar Na sexta-feira, dia 6, o professor Rafael Lucchesi Balestrin ministrou a oficina “Técnicas de coleta para estudos de captura, marcação e recaptura de vertebrados”. A intenção do minicurso, segundo o professor, era mostrar os princi-

pais métodos utilizados para fazer o inventariamento de fauna, ação que arrecada os dados de uma área natural, para pesquisar suas peculiaridades ou cumprir exigência dos órgãos regulamentadores para tomadas de decisão.

Orquídeas O

profess or

“Orchidac eae – fer-

tunidade de conhe-

doaldo Pinheiro foi

ramenta

pedagógi-

cer a fisiologia das

o

por

ca para o ensino de

orquídeas e suas es-

fe char o circuito de

b o t â n i c a” a c o n t e c e u

pecificidades, a fim

oficinas

edi-

na manhã de sexta-

de despertar a curio-

ção do B ioUrcamp. A

-feira, dia 6, e deu

sidade no ensino de

ativ idade intitulada

aos alunos a opor-

botânica.

resp onsável desta

Clo-

Antioxidantes Também

na

quinta-

sas na ação antitumoral,

Marques Bragança, Ana

dante é encontrado em

xa, goiaba, entre outros.

-feira, o BioUrcamp con-

ou seja, que previnem

Carolina Zago, Ana Paula

frutas e vegetais de co-

O professor Guilherme

tou com uma oficina que

tumores no organismo.

Simões e Gabriela da Sil-

loração roxa e vermelha:

Marques Bragança, diz

destacou as Antociani-

O minicurso foi minis-

va Schirmann.

repolho roxo, berinjela,

que a ideia é realçar a im-

nas – antioxidantes, tidos

trado pelos professores

beterraba,

portância desses alimen-

como as grandes promes-

da

Urcamp

Guilherme

Os ministrantes revelaram que esse antioxi-

tomate,

ca-

qui, morango, uva, amei-

tos à população.


8 Foto: Marcelo Rodríguez

Mesa redonda discute potencial produtivo dos campos do Pampa por Marcelo Rodríguez

Q

uando se fala em proteção ambiental, esquece-se que a exploração dos recursos naturais por parte do setor primário também gera consequências negativas. Assim, a busca pelo equilíbrio entre a obtenção de lucro e a preservação dos campos motivou o debate que encerrou a segunda noite do BioUrcamp. A mesa redonda ocorrida no dia 6 de abril, no auditório do Campus Rural, trouxe três importantes figuras do mundo acadêmico para discutir o “Potencial Produtivo dos Campos da Campanha”: o Dr. Carlos Nabinger, engenheiro agrônomo; o Dr. Leonardo Paz Deble, biólogo; e o Dr. Acélio da Fontoura Júnior, zootecnista.

Os diferentes fatores do ecossistema Nabinger começou sua intervenção falando sobre a grande diversidade e as im-

portantes riquezas que existem nos campos do Pampa. Para ele, é preciso enxergar a pecuária como resultado da interação entre o solo, o clima, as plantas e os animais. “Quando conseguimos entender a interação entre os diferentes fatores do ecossistema, conseguimos também entender o enorme potencial produtivo dos nossos campos e ao mesmo tempo isso nos ajuda a encontrar soluções sustentáveis”, explica. O campo nativo é vital para a pecuária gaúcha e caracteriza-se por uma esplêndida diversidade de espécies. No entanto, o sistema de produção baseado nele tem sido sinônimo de baixa produtividade e, consequentemente, baixa rentabilidade. Mostrando exemplos de crescimento produtivo sustentável, Nabinger defende a utilização da tecnologia de processos para melhorar esse poten-

cial, sem gastar mais. “É possível, sim, melhorar os serviços ecossistêmicos e ao mesmo tempo melhorar a produtividade utilizando este sistema”, enfatiza.

econômicos a as ameaças à

pela preservação ambien-

biodiversidade como con-

tal da nossa região. Ao falar

sequências do “equivocado

sobre os diferentes tipos de

investimento em insumos

paisagens encontradas no

que visam apenas o lucro a

Pampa e apresentar alguns

curto prazo”. “Quanto será

tipos de gramíneas, o pro-

Potencializar o sistema produtivo

que pode custar a recupera-

fessor chamou a atenção

O professor Acélio seguiu a mesma linha ao questionar se “vale a pena investir no campo nativo ao invés de substituí-lo por espécies mais produtivas?”. Sua resposta: “Sim”. Durante sua manifestação, criticou o modelo de produção de lavoura em toda a extensão da propriedade, sem preservação de campo nativo e apontou aos incentivos governamentais que promovem a prática por gerar riquezas de forma rápida e sem pensar no futuro dos recursos naturais. “É necessário potencializar o sistema de produção”, analisou. Acélio chama a atenção também para os riscos

ção das áreas degradadas?”, questiona, “Ecologicamente talvez nem seja possível. Economicamente

talvez

sim, mas pode levar anos e muito dinheiro”. O professor também indicou que é necessário levar este tipo

para a preocupante porcentagem de campos nativos que ainda temos, segundo os últimos levantamentos, que é cerca de 25%. Deble manteve o tom crítico ao dizer que “quem vem

de conhecimento até o pro-

de fora para especular com

dutor rural e falou sobre a

a economia local vai embo-

distância que ainda existe

ra e acaba restando muito

entre o meio acadêmico e “o que acontece lá fora”.

pouco”. “O que será do gaú-

O que será que vai acontecer?

profundo, forjador da nossa

O biólogo e coordenador acadêmico da Unipampa em Dom Pedrito, Leonardo Paz Deble, destacou logo no início a importância do debate e do confronto de ideias ao falar sobre a relevância que o BioUrcamp tinha na luta

cho tradicional, do interior cultura, se a monocultura agrícola continuar da mesma forma?”, questionou. Assim, como seus colegas de debate, o biólogo também falou sobre a importância e a necessidade de aproximar o conhecimento acadêmico da vida prática.

Caderno BioUrcamp  

Produção desenvolvida pelo 5º semestre do curso de Jornalismo sobre a 8ª edição do BioUrcamp

Caderno BioUrcamp  

Produção desenvolvida pelo 5º semestre do curso de Jornalismo sobre a 8ª edição do BioUrcamp

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