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© by Marcelo Capucci e Marcos Linhares, 2015 Ilustrações TGOO Projeto Gráfico Quiosque de Criação Revisão Maurício Apolinário Impressão e publicação Centro Editorial DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP)

C255f Capucci, Marcelo. Faço, separo, transformo / Marcelo Capucci, Marcos Linhares — Brasília, DF : Centro Editorial, 2015. 28p. il. color. 1. Literatura infantil, 2. Educação ambiental. I. Linhares, Marcos. I. Título. CDU 087.5 ISBN: 978-85-64494-67-1

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser armazenada ou reproduzida por qualquer meio sem a autorização por escrito dos autores. CENTRO EDITORIAL E MULTIMÍDIA DE BRASÍLIA LTDA. SIG Quadra 8, lote 2356 – CEP 70610-480 – Brasília, DF. Fone: (61) 3344-3738 – Fax: (61) 3344-2353, www.thesaurus.com.br, e-mail: editor@thesaurus.com.br Orgulhosamente impresso no Brasil • Proudly printed in Brazil

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NO MEIO DO CAMINHO

Um tombo. Um galo na cabeça. Sorrisos e preocupações. Tudo por causa de um chiclete malvado, jogado no chão, que grudou no tênis da tia da limpeza. Esse tipo de cena já fazia parte do cotidiano da Escola Fundamental Maracanã do Buriti. Algumas lixeiras se pareciam mais com enfeites do que algo necessário à boa convivência de todos. Apesar dos esforços do pessoal da limpeza, aqui e ali se viam uma caixinha de achocolatado, um papel de bala ou um pedaço de fruta jogado no lugar errado. O diretor, Rodolfo Estrutural, O maior lixão da América Latina fica em Brasília e recebe mais de 8 realizou algumas ações desde que chegou mil toneladas de lixo por dia. Cerca à escola: conversou com professores, de 2.700 catadores de materiais recicláveis tiram o sustento da alunos, pais, e até fez algumas campanhas, coleta seletiva no local. mas foi vencido pelo excesso de Fonte: Correio Braziliense. compromissos e já olhava para o lixo como um gigante difícil de vencer. Pedalando para mais um dia de trabalho, chegou o professor Téo Recicles, um dos poucos que ainda lutava pela mudança diária. Naquele dia 03 de fevereiro, Dia da Navegação no Rio São Francisco, ele faria os alunos pensarem em pequenos detalhes da rotina da escola, mas que poderiam fazer grande diferença. Já em sala, Téo consultou seu inseparável caderninho de anotações, sua marca registrada entre os estudantes, para orientar a turma do 5º ano na aula de Educação Ambiental:

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– O nome da nossa escola é uma homenagem ao Maracanã do Buriti. Pássaro que também é conhecido como Arara-nanica e pode ser encontrado desde o Maranhão até a Argentina. Porém, se nada for feito para preservar essa espécie, ela entrará em processo de extinção. Com toda a turma em silêncio e atenta, ele continuou: – E isso me incomoda! Hoje passarei um trabalho para ser entregue na última aula de Redação desse bimestre, e vocês poderão escrever sobre o que quiserem, mas no texto acrescentem alguma coisa que também incomoda vocês.

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GENTE QUE FAZ

Quando criança, uma torneira pingando sem parar fazia Téo Recicles perder o sono. Por isso, desde pequeno entendeu que não adiantava só falar em meio ambiente. Sempre pensou em fazer algo prático para ajudar na preservação do planeta. Ele observava o caminhão de coleta passando pelas ruas e sempre ficava curioso em conhecer o lugar para onde levavam o lixo recolhido todos os dias. Enquanto isso, os adultos agiam como se esse problema fosse apenas dos garis. Téo jamais se esqueceu de quando faltou água pela primeira vez em casa. Outro dia ruim foi o do apagão que desligou a TV bem na hora do desenho animado que ele mais gostava de assistir. Aos poucos, teve que aprender a conviver com essas situações. O professor, desde pequeno, assumiu o compromisso em ter uma relação de causa e efeito com o mundo: separar o lixo que produz; desligar o chuveiro

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na hora de se ensaboar; nunca deixar luzes acesas à toa; escovar os dentes com pouca água; reutilizar óleo de cozinha; ir trabalhar de bicicleta; entre outros. Ao longo dos anos, transformou-se em um professor Produzir, consumir e descartar de que inspirava pelo exemplo e maneira sustentável para ajudar na preservação do meio ambiente e conlevava os alunos a tratarem de tribuir para vida das futuras gerações. maneira diferente o lixo, a água, Fonte: Relatório Brundtland (ONU, os animais e a própria vida. Com 1997) com adaptações. ele, fazia mais sentido a palavra sustentabilidade. Para o professor Téo Recicles, ser sustentável era muito mais que ostentar um título de nome difícil e distante das pessoas. Para ele, essa é uma condição fundamental para se curtir as belezas de uma rua, de um bairro, de uma cidade, de um país e do Planeta Terra.

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FAZEM, MAS NÃO SEPARAM

– O que me incomodou? – com essa pergunta, Toninho Separes resolveu cumprir logo a tarefa solicitada. Ligou o computador, procurou alguns livros, fez várias anotações no caderninho que ganhou de presente do próprio professor e começou a fazer rascunhos. Toninho era um menino antenado e conectado com seu tempo: tinha perfil em quase todas as redes sociais, entendia muito de computadores, era bom de bola (tanto no X-Box quanto na quadra da escola) e já tinha um bom inglês.

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Era conhecido por não dispensar uma boa conversa com colegas e professores e escrevia muito bem, pois era um leitor assíduo, que tivera acesso a vários livros infantis quando criança, e agora lia e-books dos clássicos infantojuvenis que ‘baixava’ no laboratório de informática. A tarefa passada pelo professor Téo e a possibilidade de escrever sobre uma experiência pessoal fizeram com que Toninho Separes pensasse muito nos motivos que o deixaram tão incomodado. O trabalho de redação caiu como uma luva. Toninho Separes, ex-aluno de uma escola da zona rural, fez pesquisas Após 30 anos de funcionamento, na internet, nos livros didáticos e em sua o Lixão de Gramacho, no Rio de Janeiro, que já foi considerado o própria memória antes de abrir o caderno maior da América Latina, teve suas atividades encerradas no dia 03 de para escrever sobre a festa de aniversário junho de 2012. de seu amigo Serafim Gramacho. Foi um Fonte: O Globo.com dia inesquecível e poucas vezes ele ficou tão chateado... A vontade de escrever era tanta que as palavras saíram rapidamente para o papel. Parecia que elas ficaram no trampolim da mente e estavam esperando a vez de pular e encher páginas e páginas do caderno. E foi assim que ficou:

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Faço, Separo, Transformo... No final de semana passado, eu fui ao aniversário do meu amigo Serafim Gramacho, filho de uma família consumista e produtora de lixo. Havia muitos convidados com smartphones, fazendo selfies e postando em O Protocolo de Kyoto foi assinado em 1997, no Japão, a partir de relatórios redes sociais, inclusive Tibúrcio Quioto, um elaborados pela ONU. É um tratado menino que estava na festa e não pausava um internacional com compromissos para a redução da emissão dos jogo do celular nem mesmo para comer. gases que provocam o efeito estufa. Não sei o motivo, mas senti que algo Fonte: nacoesunidas.org estranho ia acontecer naquela festa, antes mesmo de cantarem “Parabéns para você”. Depois de muita comilança e desperdício de bolo, refrigerantes e doces, vi Tibúrcio Quioto, que, sem tirar os olhos de sua tela touch screen, fotografava o lixo espalhado pela casa. Achei um exagero fotografar tanta sujeira. Ele, sem se importar com nada ao redor, continuou clicando o lixo, muito lixo. E tudo misturado... Como só olhava para a tela do telefone e não prestava muita atenção por onde andava, veio tropeçando para me perguntar: – Ei, você sabe se existe uma rede aberta aqui nessa casa? Você sabe a senha? Tô precisando ‘subir’ algumas fotos, sabe como é, né?! Antes que eu respondesse, uma barulheira veio da copa e me surpreendeu. Vi o Sr. Vítor Pirólise, tio do Processo onde a matéria orgânica é decomposta após ser aniversariante, vestido com um saco de lixo, um balde de submetida a condições de altas pipoca na cabeça e uma maquiagem feita com chantili temperaturas em ambiente sem oxigênio. (lembrava aquelas pinturas dos músicos da Timbalada). Fonte: infoescola.com

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O cara invadiu a sala assoprando o gargalo de uma garrafa PET, batendo latinhas de refrigerante vazias, pulando e dançando. Imediatamente as crianças começaram a pegar as garrafas que estavam esquecidas sobre as mesas para acompanhá-lo naquela Percussucata. O Sr. Vítor fez toda aquela presepada para chamar atenção sobre uma situação que acontecia ali, diante dos olhos de todos os convidados e bem no meio da festa. Parando com a atuação, ele perguntou: – Crianças, posso falar com vocês um minuto? Nesse momento, o DJ abaixou o volume por causa do interesse de alguns convidados, e o homem falou: – Hoje repetimos algo que fazemos em nossas vidas, em nossas casas e com o lixo nosso de cada dia. Agora pergunto a vocês: Quem nunca rasgou um embrulho colorido de presente? Contente com os olhares curiosos de uma pequena plateia que se formou, Vítor Pirólise prosseguiu: – Quem nunca tomou o restinho do líquido da caixa de leite, da lata de suco ou da garrafa de refrigerante? Vocês prestaram atenção em quantos copos, pratos e talheres descartáveis foram utilizados nessa festa? Vi que a criançada começou a observar a sujeira que alguns convidados faziam. Sem se preocupar em encontrar uma lixeira, jogavam tudo no chão mesmo, esperando que alguém pudesse apanhar e colocar no local adequado. Assim, o Sr. Pirólise continuou: – Pois é, as coisas que compramos, usamos, comemos ou bebemos... Tudo, ou quase tudo, observem, precisa de uma embalagem: alimentos, pacotes de balões, produtos de limpeza e equipamentos eletrônicos – disse Vítor Pirólise.

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No mesmo instante, o aniversariante saiu correndo para pegar os embrulhos dos presentes que ganhou. Voltou com uma montanha de papéis, plásticos, isopor e algumas caixas de papelão. Depois, tirou a maior onda com os convidados. Apesar de envergonhado com a atitude do sobrinho, Vítor Pirólise continuou: – Tudo o que se encontra nessa festa, na sua casa ou em qualquer Resíduo sólido que, após ser produzido, consumido, descartado e recuperado, lugar, necessita de pacotes, embrulhos, volta aos processos industriais para ser revalorizado e reciclado. recipientes ou invólucros. Geralmente, são embalagens de papel, papelão, Fonte: ABRELPE (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e isopor, vidro, metal ou plástico, e isso Resíduos Especiais). recebe o nome de lixo seco ou material reciclável. Muitas pessoas naquela festa nem imaginavam, mas lembrei que li, em um livro de Ciências, que esse tipo de lixo é responsável por cerca de 40% de todo o resíduo sólido produzido pelos brasileiros. Eu não quis interromper o Sr. Vítor Pirólise, e ele continuou: – Já o lixo úmido ou molhado é derivado das frutas, legumes, É utilizado tanto na alimentação de animais quanto na produção de adubo. verduras, salgadinhos, bolos, Quando não é separado corretamente nas lixeiras, libera um chorume que brigadeiros e restos de alimentos. contamina os materiais recicláveis. É também conhecido pelos garis Fonte: ABRELPE. e catadores de recicláveis como material orgânico.

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Uma das convidadas, a pequena Teca Coleta, deixou todo mundo curioso quando mostrou, no seu tablet, as fotos de uma das lixeiras da festa. Ela também mostrou imagens do Google e apontou cada tipo de material seco e orgânico que se encontrava misturado. Para minha surpresa, apesar de quase todo mundo estar amontoado em volta da garota, para visualizar a tela do dispositivo, o Sr. Vítor Pirólise seguiu firme: – Nessa lista de materiais orgânicos que a Teca Coleta É o processo biológico de valorização da matéria orgânica, seja ela de origem nos apresentou, também temos urbana, doméstica, industrial, agrícola ou as fraldas descartáveis, o papel florestal. Pode ser considerada como um tipo de reciclagem do lixo orgânico. higiênico e os absorventes femiFonte: ecycle.com.br ninos, que não serão reciclados, mas poderão ser encaminhados para compostagem. Mesmo com o barulho e com os gestos de algumas crianças, se referindo ao mau cheiro do possível conteúdo das fraldas, Vítor Pirólise continuou: – Mas é muito importante lembrar que os resíduos úmidos ou orgânicos devem ser separados para evitar contaminação e diminuição no valor comercial do material que poderá passar por processos de reciclagem. Curioso com a explicação, Tibúrcio Quioto foi direto ao Sr. Vítor Pirólise e perguntou: – Processos de reciclagem? Como gira essa roda? O homem gostou da pergunta do menino e continuou:

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– Boa observação, garoto! Assim como uma roda, a reciclagem gira em um ciclo. Nesse movimento também existem pessoas que Projeto vencedor de um concurso realizado nos anos 70. O criador, Gary Anderson, produzem, consomem e recuperam materiais. utilizou setas e ângulos como inspiração para sua ideia. O símbolo da reciclagem mostra como deveria Fonte: cutedrop.com.br ser a vida útil de um produto, desde a matériaprima até seu descarte e reaproveitamento. Por incrível que pareça, Teca Coleta já estava com a imagem do tal símbolo na tela do tablet enquanto Vítor Pirólise falava e desenhava no ar: – Pois bem, essa vida útil indica como um material é produzido, embalado, transportado, exposto, comercializado, consumido, descartado, recuperado, reaproveitado, revalorizado e, finalmente, reciclado para criação de um novo produto. Esse símbolo representa bem essa história, que também envolve seres humanos. Teca Coleta, que tinha um aplicativo para desenhar livremente em seu tablet, não se segurou e, com uma ilustração exclusiva na tela do seu aparelho, perguntou: – Ah, que interessante! E nós, fazemos parte dessa roda também? Vítor Pirólise respondeu na hora: – Sim! E como pessoas responsáveis, Aterros podem ser CONTROLADOS (captação de chorume) ou SANITÁdevemos consumir de forma consciente e RIOS (tratamento do chorume e do não podemos descartar o lixo de qualquer gás metano). Diferente dos lixões que, normalmente, são espaços jeito. Essa prática pode matar animais, clandestinos sem nenhum tratamento dos resíduos. causar alagamentos nas cidades, facilitar Fonte: ABRELPE. a proliferação do mosquito da Dengue e aumentar o volume dos aterros e lixões.

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Vi que as pessoas não entenderam muito bem os argumentos do Sr. Vítor, e por isso ele continuou sua explicação: – A quantidade de lixo produzida, por causa do consumo exagerado, é enorme. Então, cada um deve cuidar dos resíduos que produz. É a única forma de se fechar o ciclo da reciclagem. Jacinta Hidrologia, que se locomovia em uma cadeira de rodas, ficou desanimada com a discussão porque sua mãe a fez pagar um mico enorme. A mulher se levantou bruscamente do sofá e interrompeu Vítor Pirólise com a seguinte pergunta: – Para que se preocupar em separar todo esse lixo se o caminhão de coleta mistura tudo que as pessoas separam, bem na porta das casas delas? Nossa, rolou um silêncio daqueles... Incomodado com a pergunta, Tibúrcio Quioto, mesmo vidrado em seu dispositivo móvel, subiu dois degraus da escada e falou: – Se a gente separar esses resíduos corretamente, poderemos preservar o meio ambiente. Mas, acima Desempenham papel fundamental na de tudo, ajudaremos os milhões de implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Atuam Catadores de Materiais Recicláveis nas atividades da coleta seletiva, triagem, classificação, processamento e suas famílias a terem uma vida mais e comercialização dos resíduos, digna, justa e confortável. contribuindo para cadeia produtiva da reciclagem. Mesmo com o silêncio da plateia, Fonte: mma.gov.br Quioto continuou: – Tudo isso que o Sr. Vítor Pirólise acabou de nos ensinar, e muito mais,

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está aqui nesse aplicativo que acabei de ‘baixar’ com informações e jogos sobre reciclagem. Precisamos compartilhar essas informações para aprendermos a preservar o planeta. Isso deve começar dentro de nossas casas. Ainda assim a mãe de Jacinta Hidrologia continuava esbravejando: – Não vou separar nada! Para que separar, se meus vizinhos não estão nem aí?! Vítor Pirólise não se incomodou, nem quis alongar o debate. Afinal de contas, não era um dia para discussões. Pegou sua fantasia, usou mais chantili, inclusive para maquiar algumas crianças, e saiu batucando como o comandante de uma pequena fanfarra. Aquele senhor não fazia ideia de como havia tocado meu coração. Por isso, escrevi sobre o aniversário do meu amigo Serafim Gramacho. Realmente me causou grande incômodo. Fim!

Tempos depois, Toninho Separes entregou o trabalho de redação e foi embora. O professor Téo Recicles, sempre atento, passou os olhos pelo texto e viu que uma insatisfação parecia invadir o coração do garoto.

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MUNDO DESCARTÁVEL

O sinal tocou para a saída, e o professor pegou a bicicleta e foi pedalando até o shopping para pagar algumas contas e almoçar. Chegando ao caixa eletrônico do banco, observou que os papéis e envelopes, que poderiam ser reciclados, estavam em uma lixeira e totalmente sujos por restos de casquinhas de sorvete, refrigerantes e salada de frutas. O professor Téo Recicles tomou um baita susto ao ver que, bem no meio da praça de alimentação, de uma daquelas lixeiras com a inscrição “OBRIGADO” transbordavam copos descartáveis e restos de alimentos. No restaurante, resolveu perguntar à atendente se era feita a separação de lixo. Mas a moça desconversou. Não foi possível saber se eles separavam os resíduos secos dos orgânicos. Depois do almoço, o professor foi embora, e por todos os lugares por onde passava, desde o shopping até a praça em frente à sua casa, observava e fotografava latas e sacos de lixo abandonados pelas calçadas. Téo também registrou tudo no caderninho de anotações. Na rua abaixo da prefeitura, viu que garotos e garotas haviam largado garrafas PET usadas como ‘golzinhos’ em uma pelada de fim de tarde. Mal sabiam que uma chuva poderia levar todo aquele plástico para os bueiros e depois para o rio mais próximo. Em um terreno baldio, viu que cães, pombos e gatos vasculhavam os sacos de lixo em busca de alguma comida. Isso fazia com que materiais recicláveis também fossem espalhados, LIXO O assim como o papel higiênico e restos de alimentos. GÂNIC OR

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Em outra esquina, Téo viu uma senhora que se debruçava sobre um contêiner de lixo à procura de latas de alumínio. A catadora abria cuidadosamente cada saco de lixo em busca das latinhas ou qualquer outro material reciclável que estivesse ao alcance das mãos. Infelizmente, em quase todos os sacos, o lixo estava misturado. De cada sacola escorria um chorume que sujava as roupas da mulher e atraía muitas Líquido escuro e fedorento que surge da decomposição e esmagamento de moscas. Realmente, ver aquilo foi bem materiais orgânicos. É comum vê-lo escorrendo dos caminhões de coleta. marcante para o professor Téo Recicles. Nos lixões, sem tratamento, o chorume penetra na terra, chega ao lençol Quando a catadora encontrava freático e contamina a água. algum resíduo que pudesse ser reciclado, Fonte: ABRELPE. imediatamente o jogava em uma carroça estacionada na calçada. Ao terminar de examinar o lixo, a senhora manobrava o veículo e o arrastava em busca da próxima lixeira. No dia seguinte, depois de presenciar aquelas cenas e ler a redação de seu aluno Toninho Separes, o professor Téo Recicles decidiu pedir ajuda para criar uma mudança no comportamento das pessoas daquela comunidade.

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TEORIA + PRÁTICA = SUSTENTABILIDADE

O cidadão Téo Recicles estava certo de que não adiantava mais ficar simplesmente falando de teorias sobre lixões, reciclagem ou aquecimento global. Era a hora de chamar as pessoas e arregaçar as mangas. O professor sabia que não poderia mudar o mundo, mas estava convencido de que precisava ajudar na mudança de hábitos das pessoas, e que trazer mais gente para essa batalha, a favor da natureza, era mais que urgente e necessário. Téo incomodou-se ao ler a redação de Toninho Separes e presenciar aquelas cenas nas ruas. Desenvolver uma ação coletiva voltada para o meio ambiente, começando por sua escola, tornou-se uma necessidade. No dia 22 de março, organizou uma apresentação no pátio da escola, logo depois do intervalo. Estavam Celebrado em todo todos presentes: direção, professores, o mundo em 22 de março, o Dia representantes dos pais, alunos e o Mundial da Água pessoal da limpeza. Todo mundo estava é um alerta para o uso consciente curioso. do recurso mais importante à vida. Téo mostrou algumas fotos de sua Fonte: wwf.org.br pesquisa de campo. Desde o shopping, passando pela praça central, até um terreno abandonado que já funcionava como um pequeno lixão.

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O professor indicou cada embalagem jogada no chão do pátio escolar e a situação do lixo misturado que também acontecia em algumas lixeiras da escola. Todo mundo ficou com aquele sorriso amarelo, e a primeira frase que diziam era: “Não fui eu, porque eu sempre jogo o lixo no lixo!”. O Professor Téo não queria encontrar ou expor culpados. Seu objetivo era apenas juntar pessoas em prol de uma boa causa: o bom hábito da coleta seletiva. Sabia que muitos poderiam multiplicar essa cultura nos outros lugares que frequentavam. A partir dessa apresentação, um movimento ambiental começou a acontecer na Escola Fundamental Maracanã do Buriti. A participação das pessoas foi ganhando força e Téo Recicles relacionava ações e resultados no fiel caderninho: 1) Conseguiu lixeiras para coleta de lixos seco e orgânico. As duplas de recipientes coloridos foram colocadas em cada ambiente da escola, desde a secretaria até a biblioteca, passando por todas as salas de aula. No pátio e na quadra foram instalados grandes kits de lixeiras coloridas.

PLÁSTICO

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PAPEL

VIDRO

METAL

LIXO ORGÂNICO


2) Adquiriu uma caneca para cada professor e ninguém mais usava copos descartáveis na hora do cafezinho. 3) Incentivou todos a levarem sua própria garrafa d’água e os copinhos de plástico foram banidos da escola. 4) Procurou uma cooperativa de catadores de materiais recicláveis no bairro, Local onde acontece a a Cat & Limp, e fez um acordo para a retirada compostagem das matérias orgânicas. semanal de todo material reciclável. O lixo Fonte: ecycle.com.br orgânico era coletado pelas equipes da limpeza urbana e levado para composteiras, onde se produzia adubo. 5) Promoveu visitas dos alunos ao galpão onde os materiais recicláveis eram separados, e eles ajudavam na organização dos resultados das coletas e assistiam palestras dos próprios catadores. A autoestima dos trabalhadores e o respeito da comunidade por sua atividade aumentaram significativamente. 6) Movimentou gincanas para coleta e recuperação de garrafas PET no bairro e doou todo o plástico arrecadado à cooperativa. Em um desses eventos, arrecadaram garrafas para construir a nova biblioteca com tijolos feitos de PET. Isso mesmo! Com a ajuda de pais, engenheiros e pedreiros, encheram as garrafas PET de areia e levantaram as paredes que sustentavam o telhado da sala de leitura. 7) Criou um Blog para postar atividades ambientais que aconteciam dentro e fora da escola. Certa vez, Toninho Separes recebeu o recorde de likes quando postou um vídeo de um artesão que tocava pandeiros feitos com sacos de cimento.

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CURTA, COMENTE, COMPARTILHE...

A escola ficou tão movimentada que professores de outras disciplinas também entraram na onda ambiental. Com isso, várias pessoas, que aparentemente não tinham nada a ver com as discussões sobre meio ambiente, também começaram a trazer suas contribuições. A professora de História, Monalisa Box, A primeira amostra do Poli Tereftalato de Etileno (PET) foi apresentada ao por exemplo, compartilhou com os estudantes mundo pelos ingleses Whinfield e Dickson em 1941. Estudos mostram uma tabela sobre o “Tempo de Decomposição que o material pode resistir por até dos Materiais”. Foi incrível, porque todo 450 anos no meio ambiente. mundo ficava fazendo cálculos e conversões Fonte: ABIPET (Associação Brasileira das Indústrias do PET). para saber quantos anos uma garrafa PET ficaria no planeta até se decompor. Com o passar do tempo, o Projeto misturava ainda mais as disciplinas. Na prova bimestral de Matemática até caiu um problema envolvendo a mesma tabela da professora Monalisa Box. Claro que todo mundo abriu o caderno de história para fazer os cálculos... No dia 5 de junho, um professor de Sociologia do ensino médio, Orkuto Triagem, Dia Mundial do Meio Ambiente. fez uma reflexão sobre os seis “erres” Foi criado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1972, na ambientais: Repensar hábitos de consumo Conferência de Estocolmo, na Suécia, cujo tema central foi o e descarte. Reavaliar a necessidade de se Ambiente Humano. consumir. Reduzir o consumo. Reaproveitar Fonte: pnud.org.br embalagens. Recuperar materiais. Reciclar.

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Depois de sua abordagem sobre o tema, Orkuto incentivou a escola a pensar nas dimensões sociais e humanas envolvidas no lixo. Essa atividade deixou os alunos da escola pensativos. Até mesmo os que não tinham aulas de sociologia discutiam a tal reflexão proposta pelo professor. Assim, um movimento para a adoção de um novo “R” surgiu entre os estudantes. Era muito legal andar pelos corredores e ver crianças e adolescentes debatendo questões socioambientais. Aqui e ali também se via alguém fotografando, fazendo vídeos ou entrevistando pessoas da limpeza da escola, garis e catadores pelas ruas. Ainda assim, como era de se esperar, alguns engraçadinhos irritavam os colegas mais envolvidos, fazendo piadas e falando um monte de asneiras que começavam com a letra R: a brincadeira era dizer que o outro “erre” era de Rock, de Roça, de Ronaldinho, de Ricota...

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O GRANDE ENCONTRO

Toninho Separes foi para casa pensativo, achando graça dos “erres” inventados pelos colegas, mas ao mesmo tempo procurando uma resposta para o desafio feito por Orkuto Triagem. No meio do caminho, viu um gari varrendo uma calçada. O homem, que aparentava uns quarenta e poucos anos, estava concentrado no trabalho. Rapidamente, ele recolhia os materiais e os colocava em um carrinho com um enorme saco de lixo preto.

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O garoto observou que o serviço era pesado e feito debaixo de um sol escaldante. Toninho notou que as pessoas passavam apressadas e alheias àquele trabalho. Elas não percebiam que existia um ser humano usando aquele uniforme alaranjado. Chateado com a cena, se aproximou: – Bom dia, senhor! – cumprimentou. – Bom dia! – respondeu o gari, um pouco desconsertado pela situação. Achou estranha e diferente a abordagem daquele garoto no meio da rua. Afinal de contas, não era toda hora que uma pessoa se aproximava dele durante o trabalho. – Qual o seu nome? – perguntou o menino. – Roberto Piaçava! – respondeu o homem, tirando o suor da testa. Toninho Separes se apresentou e seguiu com a conversa. – Bem, um professor de Sociologia falou algo na escola que tem a ver com o senhor, por isso estou curioso para saber mais sobre o seu trabalho. – O que você quer saber? – perguntou o Sr. Roberto, sem tirar os olhos do estudante. Observador que era, Toninho Separes não perdeu a oportunidade. Depois de jogar sua mochila no chão, se sentou na calçada e tirou o celular do bolso, pedindo permissão para gravar a entrevista. Não queria perder nenhum lance daquele momento e disparou as perguntas que não queriam se calar desde o aniversário de seu amigo Serafim Gramacho: – É importante fazer coleta seletiva em casa? Caminhões de lixo misturam os materiais? O gari sorriu, tirou o boné, coçou a cabeça e calmamente falou para o garoto:

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– Bem, vamos por partes, uma “O catador é o ‘médico’ do meio ambiente. pergunta de cada vez: a coleta Retira tudo que pode prejudicá-lo para seletiva ajuda na preservação do meio aumentar a qualidade de vida no planeta.” ambiente, no trabalho dos garis e dos Sônia Maria da Silva (Diretora Presidente da Cooperativa 100 Dimensão/DF). catadores de materiais recicláveis e no desenvolvimento da indústria de reciclagem. A expressão de satisfação de Toninho encorajou o gari a continuar: – Existe uma falsa impressão de que os resíduos somem quando saem de casa. Muitos problemas aparecem porque a maioria das pessoas não está nem aí! – Como assim? – perguntou Toninho. – Meu jovem, o mosquito da dengue Conhecido como Aedes Aegypti, causa um estrago danado porque as pessoas se desenvolve em água parada. Esse vetor também transmite não conseguem acabar com a água parada em a Febre Chicungunya e o Zika Vírus, possível responsável por casa, por exemplo. um surto de Microcefalia no Brasil em 2015. Toninho percebeu que o caminhão de lixo virou a esquina e se preocupou com Fonte: saude.gov.br o tempo que restava para entrevista. Ainda assim, Piaçava continuou: – Ih, esqueci as outras perguntas. Toninho não perdeu tempo e perguntou outra vez: – Caminhões de lixo misturam os materiais? – Não misturam, e sim, compactam. Por isso vale a pena separar o lixo. Ele irá depois para o lugar certo.

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Agora, já dava pra ver o caminhão fazendo uma manobra para recolher três contêineres na porta de um condomínio. Toninho ficou feliz por ganhar alguns minutos e perguntou: – As pessoas precisam esperar o VOCÊ SABIA? Governo colocar caminhões de coleta seletiva? Todo dia, cada brasileiro produz cerca – Ninguém deve esperar o Governo, de 1 quilo de lixo. o Papa ou os Marcianos recolherem o lixo da O Brasil produziu 78,6 milhões de toneladas de lixo em 2014. Isso dá mais maneira correta, porque separar o lixo em casa do que um quilo por dia por habitante. é obrigação de todos. (Fonte: ABRELPE) Surpreso com a força e sabedoria das respostas do gari, Toninho Separes perguntou: – Então, não é uma perda de tempo separar o lixo apenas em uma casa, em uma sala de aula ou em um escritório? – Uma vez ouvi no rádio o que um indiano famoso falou sobre o que se passava na cabeça de um catador ao encontrar um saco de lixo seco que foi separado por uma pessoa: “Esse ser humano mandou o melhor dos seus sentimentos para mim”. Um arrepio tomou conta de Toninho Separes, que, encantado com os conhecimentos de seu novo amigo, disse: – Nossa... Fiquei muito feliz em conhecer o senhor e gostaria muito que doasse um pouco de seu tempo para responder perguntas de meus colegas e professores lá no auditório da escola. Roberto Piaçava, um pouco envergonhado, falou: – Meu jovem, eu não tenho conhecimento suficiente para responder perguntas em uma escola, principalmente para os professores.

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Toninho encorajou o gari, anotando seus contatos, e disse que assim que conversasse com seus professores e tivesse um formato definido para o encontro, mandaria um WhatsApp para marcar uma data. Despediu-se e correu para casa. No mesmo dia, o garoto chamou o professor Téo Recicles para uma conversa no Facebook. Contou da entrevista que havia feito com Piaçava e enviou o áudio. Empolgado, o professor fez alguns contatos e agendou o encontro no auditório da escola. O próprio professor Téo ligou para o gari e o convidou para o evento. “Na próxima sexta-feira, 21 de setembro, quando a primavera No dia 21 de setembro, na der o ar de sua graça, o Brasil celebrará o Dia da Árvore.” hora marcada lá estavam o Sr. Roberto Piaçava, outros garis e os catadores da Fonte: greenpeace.org (setembro de 2012). Cat & Limp que foram recebidos com muito carinho por todos os estudantes, pais e professores. A organização respeitosa para se fazer as perguntas e, principalmente, a forma calma e inteligente do Sr. Roberto Piaçava responder cativaram a todos. Depois de tudo, Toninho Separes tomou a palavra e disse: – Nos últimos meses, participei de quase todas as atividades ambientais aqui na escola. Aprendi muito. Levei isso para minha casa, dividi com meus amigos, com minha família e com todos que pude. Hoje, prestei muita atenção nesse evento para entender melhor as palavras do professor de Sociologia, Orkuto Triagem.

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Toda a família de Toninho Separes estava na plateia, cheia de orgulho pelos elogios feitos pelos professores. O garoto continuou: – Neste momento, recebemos verdadeiros heróis do meio ambiente em nossa escola. Precisamos levar essa mensagem para nossas casas, nossas comunidades e nossas vidas. Lembrando as atividades das quais participou e, principalmente, do trabalho de redação que desencadeou todo o processo, falou: – Aprendi com o Sr. Vítor Pirólise, tio do meu amigo Serafim Gramacho, que está sentado aqui na frente, que cuidar da natureza é obrigação de todos e que isso está mais próximo de nós do que podemos imaginar. Um silêncio sonoro invadiu o auditório e os olhos marejados Pessoas que creem em um modo de de Roberto Piaçava iluminaram vida, produção, consumo e descarte que contribuam para sustentabilidade. todo o ambiente. Toninho Separes Acreditam na inclusão social, sem danos ambientais, desperdícios ou prosseguiu: preconceitos. – Por isso, quero pedir a cada Fonte: Prof. Isabel de Moura Carvalho um de vocês que, a partir de hoje, a (UFRS) com adaptações. gente se transforme em verdadeiros sujeitos ecológicos. Todos fizeram questão de olhar profundamente para o garoto e ele continuou: – Também sugiro a adoção de um 7º “erre” ambiental. O “R” de Respeito às pessoas que coletam, separam e vivem do lixo nosso de cada dia! Toninho foi aplaudido de pé por todos. O evento foi um sucesso. Com isso, a escola mudou o seu jeito de encarar o lixo.

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QUARTO BIMESTRE...

Caminhando pelos corredores, o diretor da Escola Fundamental Maracanã do Buriti, Rodolfo Estrutural, encontrou o professor Téo Recicles perto do bebedouro dos alunos e perguntou, com um sorriso amigável no rosto: – Bom dia, professor Téo. O senhor está satisfeito com os resultados apresentados pelo projeto ambiental da nossa escola? Téo Recicles, sem tirar os olhos de uma torneira que gotejava incessantemente, respondeu: – Não, senhor. Ainda temos muitas coisas erradas por aqui. Precisamos fazer algo para estimular o consumo consciente de água em nossa escola. Mas isso é uma outra história...

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Agradecimentos Marcelo Capucci Primeiramente, a Deus pela saúde e disposição para encarar tantas jornadas. Depois, à minha família e amigos, especialmente à Rosana Assis, minha companheira de todas as horas; ao Linhares (muito mais que um parceiro de escrita, um Writing Coach); à Plebe Rude (André, Clemente e Philippe, vocês são demais!); a todos os envolvidos com o Percussucata; aos meus professores e a todos os colegas da Secretaria de Educação do DF, com destaque especial para meus alunos e alunas, que me fornecem combustível diário para tentar mudar o mundo.

Marcos Linhares Deus é uma unanimidade necessária. A Ele, tudo. A nós, os caminhos. Ao Capucci, pela perseverança mais que necessária; ao João Velozo pelo apoio e sonhos; ao Tagore Alegria e Vitor Ferns, pela parceria de sempre; à Claudinha Gomes e Gacy Simas, pelo olhar arguto e sensível e às crianças em geral, de meu grupo controle, ex-alunos ou não, por nos despertar.

Agradecimentos Especiais Ana Clara Silva dos Santos, Ana Cordeiro Mueller, Ana Júlia Castro de Freitas Costas, Ana Lídia Lima, Ana Luísa Abreu Amorim, Ana Luiza Vaz de Aquino, Bruna Nayara Rodrigues da Silva, Gabriel Lopes Amorim, Hedieny Ribeiro de Almeida, Lara Barros, Laura Santana Capucci e Marina Lais Alves Velozo.

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Foto: Rosana Assis

Marcelo Capucci Nasceu em Brasília e mudou-se para Uberaba/ MG aos 14. Iniciou a carreira musical em 1991, no Conservatório Estadual de Música Renato Frateschi. Ensinou sua ‘prática baterística’ para alguns alunos, interessando-se, desde então, pela formação de pessoas e cidadãos. Em 1997, voltou para Brasília. Ingressou à Universidade Católica e cursou Pedagogia. Formou-se e foi efetivado como Professor da Secretaria de Educação do DF. Especializou-se em Educação Ambiental com ênfase em desenvolvimento sustentável pela Universidade Gama Filho/RJ. Idealizou o Projeto Percussucata, no qual atua como baterista e palestrante socioambiental. Marcelo Capucci toca com a Plebe Rude, ícone do Rock Nacional. Gravou o 6º álbum de estúdio da banda, “Nação Daltônica”, lançado em 2014.

Foto: João Vitor Ferns

Marcos Linhares Nasceu em São Luís/MA e radicou-se em Brasília. É professor, jornalista e escritor. Publicou livros de poemas, crônicas, contos e jornalismo esportivo, literário, policial, cultural e biografias. Publica artigos de opinião e resenhas em jornais e portais da internet como o Observatório da Imprensa. Seu livro “Não existe crime perfeito - Laerte Bessa e os crimes que abalaram a capital do Brasil”, em 2013, foi finalista em língua portuguesa na categoria melhor livro de não-ficção, em Nova Iorque (EUA), do International Latino Book Awards (ILBA). É membro da Associação Nacional de Escritores (ANE). No momento, preside o Sindicato dos Escritores do DF (Sindescritores).

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Nomes diferentes e pessoas normais que conseguem fazer uma revolução por onde passam. Dessa forma, “Faço, Separo, Transformo...” conta como um professor e um aluno conseguem mudar a eles mesmos e contagiar a todos sobre como viver melhor com o lixo, a natureza e as pessoas ao redor, todas elas, incluindo os chamados seres invisíveis do dia-a-dia, como catadores e garis. Diretores, equipe de limpeza da escola, familiares, vizinhos, amigos, professores, enfim, todos fazem parte da história. Um livro moderno, criativo, interdisciplinar que mostra que o meio ambiente começa em casa e que só melhoraremos o planeta a partir da ação de cada um.

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Faço, Separo, Transformo...  

Nomes diferentes e pessoas normais que conseguem fazer uma revolução por onde passam. Dessa forma, “Faço, Separo, Transformo...” conta como...

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